30 de junho de 2018

Uma Volta a França sem ciclistas portugueses

(Fotografia: © PhotoFizza/UAE Team Emirates)
Até vai parecer estranho. Já era hábito ter pelo menos um português na Volta a França. Porém, nove edições depois, não haverá nenhum. A lesão de Rui Costa no joelho já o tinha afastado da Volta à Suíça, mas o ciclista da UAE Team Emirates vai também falhar aquele que seria um dos seus grandes objectivos da temporada. Nelson Oliveira ficou de fora das escolhas da Movistar, enquanto Tiago Machado não estará na Katusha-Alpecin.

Se a ausência de Rui Costa é por problemas físicos, já Nelson Oliveira e Tiago Machado não só foram vítimas das escolhas dos seus directores desportivos, como em nada ajudou a redução de nove para oito ciclistas por equipa nas grandes voltas. A chamada do quatro vezes campeão nacional de contra-relógio parecia ser muito provável na Movistar, tendo em conta a inclusão de um contra-relógio colectivo no Tour. Além disso, Oliveira já demonstrou o quanto pode ser valioso na protecção aos líderes.

Aqui há desde logo outro problema. A Movistar vai levar três chefes-de-fila! A Nairo Quintana junta-se Mikel Landa e é melhor não afastar Alejandro Valverde. Eusebio Unzé optou por ciclistas experientes para trabalhar, como José Joaquín Rojas, Imanol Erviti, Andrey Amador e Daniele Bennati. O jovem Marc Soler ganhou um lugar, depois de uma temporada muito positiva, com destaque para a vitória no Paris-Nice. A expressão de Oliveira - "alguém tinha de ficar de fora" - acaba mesmo por resumir o que aconteceu com o português, que mais uma vez teve o Paris-Roubaix a estragar-lhe parte da temporada. A queda não foi tão grave como no ano passado e Nelson Oliveira estava preparado para estar no Tour, mas terá de apontar a outros objectivos. É esperar que seja chamado para a Vuelta, onde já ganhou uma etapa, em 2015.

Tiago Machado foi um dos melhores (senão o melhor) da Katusha-Alpecin no Tour em 2017. Trabalhou, tentou atacar, fez tudo por uma equipa que não tinha Ilnur Zakarin e apostou num apagado Alexander Kristoff. Renovou por um ano, mas um problema de saúde prejudicou parte da época. A formação estará divida entre o apoio a Zakarin para a geral e a Marcel Kittel para os sprints. Machado é uma mais valia, mostrou nos Nacionais, há uma semana, que está em boa forma, mas não foi suficiente para agarrar um lugar nos oito eleitos. Tony Martin, Pavel Kochetkov, Ian Boswell, Robert Kiserlovski, Nils Politt e Rick Zabel "taparam" as vagas para o Tour.

Ao contrário de Nelson Oliveira, que mesmo tendo sido excluído continua a ter um papel relevante dentro da Movistar, Tiago Machado tem a questão da renovação do contrato por resolver. José Azevedo é um apreciador das qualidades do ciclista português de 32 anos, contudo, o director desportivo está a tentar construir uma equipa cada vez mais forte para as grandes voltas, nesta era pós-influência russa, pelo que uma ida à Vuelta e uma exibição forte de Machado nessa e nas outras corridas que venha a participar poderá ser muito importante para o futuro do ciclista. Mas já se sabe, Tiago Machado não vira a cara à luta.

Também Rui Costa não está na posição mais confortável. O contrato está a chegar ao fim e o ciclista viu a UAE Team Emirates apostar em Fabio Aru e Daniel Martin para líderes nas grandes voltas. O campeão do mundo de 2013 tem tentado aproveitar algumas oportunidades, mas aquela queda no Paris-Nice aconteceu na pior das alturas (não que existam boas para cair). Ainda que não esteja claro se o problema no joelho ainda é o dessa corrida em Março, depois do quinto lugar na Volta à Romandia parecia que o português estaria a caminho da boa forma a pensar no Tour. Era uma boa notícia, depois de uma semana das Ardenas aquém do que gosta de fazer. Porém, não mais competiu desde 29 de Abril.

Não foi à Suíça para tentar garantir que não prejudicaria a presença em França, mas afinal a lesão vai mesmo deixá-lo de fora do Tour. Em 2017 Rui Costa estreou-se no Giro e na Vuelta, mas a sua paixão pelo Tour fê-lo pensar sempre no regresso em 2018, mesmo que já não fosse o líder. Agora terá de se concentrar na Vuelta, esperando que o joelho não continue a afectá-lo. Há também que não esquecer os Mundiais. Rui Costa será a aposta natural da selecção nacional, enquanto Nelson Oliveira irá perseguir a medalha no contra-relógio que lhe escapou na época passada.

Para o ciclista da UAE Team Emirates, bons resultados são bem-vindos. Se tudo o que já fez lhe dá currículo e prestígio no pelotão internacional, umas exibições "à Rui Costa" poderão ser importantes para negociar um contrato, seja na mesma equipa, ou com outra, caso decida mudar. Perante este problema físico, talvez não se possa excluir que o corredor até possa apostar em regressar àquele calendário das clássicas do Canadá, isto numa perspectiva do joelho poder continuar a provocar-lhe dores. Assim poderia pelo menos pensar no Mundial e já se sabe que é também um ganhador neste tipo de corridas de um dia. Mas sim, estar na última grande volta do ano terá de ser a primeira opção, para não dizer a única.

Há ainda mais três portugueses que poderiam estar no Tour, mas as suas ausências eram esperadas. Nuno Bico (Movistar) ainda não entra nestas contas, enquanto Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) tem estreia marcada para as grandes voltas na Vuelta. José Gonçalves realizou um Giro brilhante - foi 14º -  e não seria anormal ser chamado para estar ao lado de Zakarin. Em 2017 foi muito importante no apoio ao russo na Volta a Itália. Porém, perante aquelas convincentes exibições em Maio, a Katusha-Alpecin não só está a deixar o ciclista recuperar, como terá certamente algo mais apontado para o português esta temporada. José Gonçalves está a ganhar estatuto para outros voos.

Será de facto muito estranho não haver portugueses no Tour, mas até poderá significar um contingente reforçado na Vuelta. Todos os aqui referidos poderão lá estar, ainda que a presença de Nuno Bico seja pouco expectável. Poderão juntar-se José Mendes (Burgos-BH), Rafael Reis e Joaquim Silva, da Caja Rural.

A Volta a França começa no próximo sábado, dia 7 de Julho, e termina a 29.

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Domingos Gonçalves conquistou medalha de prata. Daniela Reis ficou outra vez à porta do pódio

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A excelente temporada de Domingos Gonçalves continua! Depois de conquistar os dois títulos nacionais de elite, o ciclista português mostrou porque é bicampeão no contra-relógio ao conquistar a medalha de prata da especialidade nos Jogos do Mediterrâneo. Já Daniela Reis - que alcançou o mesmo feito que o ciclista da Rádio Popular-Boavista em Belmonte, há uma semana - acabou por ficar novamente naquele sempre frustrante quarto lugar, à porta do pódio.

Domingos Gonçalves completou os 25 quilómetros em Tarragona, Espanha, em 30:37 minutos e só o campeão italiano de sub-23 bateu o português. Edoardo Affini já é um especialista na sua categoria e aos 22 anos vai tentando começar a afirmar-se. Fez menos seis segundos que Domingos Gonçalves, com o esloveno Izidor Penko a ficar em terceiro, com mais 22 segundos que Affini.

Mais dois ciclistas que estão no pelotão nacional, no Sporting-Tavira, estiveram em acção neste contra-relógio com as cores espanholas. Mario González foi sétimo, a 1:03 minutos, e Álvaro Trueba ficou na nona posição, a 1:19.

Quanto a Daniela Reis, ficou a 1:23 da vencedora, também italiana, Elena Cecchini, a única a baixar dos 25 minutos, nos 18 quilómetros da prova. Fez 24:15. A compatriota Lisa Morzenti ficou a 47 segundos e o terceiro lugar ficou para a cipriota Antri Christoforou, a 57 segundos.

Os Jogos do Mediterrâneo terminam amanhã e o ciclismo contribuiu com duas medalhas para as 23 já conquistadas pelos atletas portugueses. Rafael Silva ficou com a de bronze na prova de fundo, na quarta-feira.

Aqui fica a lista completa.

Ouro (3): Melanie Santos e João Pereira (triatlo); Rodrigo Almeida com Isolde Vd Heffinck, António Almeida com Irene van de Kwachthoeve, Luís Sabino com Acheo Di San Patrignano e Duarte Seabra com Fernhill Curra Quinn (equipa de hipismo que venceu na competição colectiva).

Prata (8): Domingos Gonçalves (ciclismo, contra-relógio); Fernando Pimenta (canoagem, K1 500 metros), Joana Vasconcelos (canoagem, K1 500 metros); Ana Catarina Monteiro (natação, 200 metros mariposa); Inês Monteiro (atletismo, 5000 metros), Liliana Cá (atletismo, disco); Pedro Fraga (remo, LM1x); Rui Bragança (taekwondo, -58kg).

Bronze (12): Rafael Silva (ciclismo, prova de fundo); Ana Portela (canoagem, K1 200 metros); Alexis Santos (natação, 200 metros estilos), João Vital (natação, 400 metros estilos), Diana Durães (natação, 400 metros livres); João Costa (tiro, pistola ar comprimido); Afonso Costa e Dinis Costa (remo, LM2x); Ana Rua, Emília Ferreira, Josephine Filipe e Sofia Pinheiro  (equipa de basquetebol, 3X3); Patrícia Sampaio (judo, 70-78kg), Anri Egutidze (judo, 73-81kg); ; Júlio Ferreira (taekwondo, -80kg); Ancuiam Lopes, José Pedro Lopes, Diogo Antunes e Rafael Jorge (atletismo, estafeta 4x100 metros)

29 de junho de 2018

"Esta Volta a Portugal promete"

Se lhe chamam de Grandíssima, então que assim seja. A Volta a Portugal de 2018 terá um percurso de maior dureza, comparativamente com edições recentes, tanto nas etapas de montanha, como naquelas mais planas. Tendo em conta que estas incluem uma viagem ao sul do país, o calor poderá deixar logo as suas marcas nos ciclistas nos primeiros quilómetros de uma corrida que celebrará os 40 anos desde que a Senhora da Graça recebeu pela primeira vez o final de uma etapa da Volta. Por isso, O Monte Farinha surgirá no penúltimo dia da corrida, ou seja, num sábado, num regresso ao fim-de-semana, depois de há um ano ter sido uma tirada durante a semana. "Usamos sempre a velha máxima que quem faz a dureza dos percursos são os corredores. No entanto, perante o que nos é apresentado, a Volta é realmente dura. Acho que é mais difícil do que as últimas edições", salientou Marco Chagas.

O arranque da contagem decrescente, por assim dizer, começou um pouco acidentado. A apresentação acabou por não se realizar devido a um problema eléctrico no Teatro Thalia, em Lisboa. Mas nem por isso se deixou de saber os pormenores que faltavam da Volta a Portugal, que irá disputar-se de 1 a 12 de Agosto.

Marco Chagas é uma figura incontornável do ciclismo nacional. Além de saber o que é ganhar a Volta, tornou-se numa das vozes da corrida através dos comentários na RTP. Ao Volta ao Ciclismo deixou alguns destaques sobre o percurso e também sobre as equipas.

Para o antigo ciclista, se o calor de Agosto aparecer em todo o seu esplendor, as primeiras etapas "vão deixar muita gente, principalmente os estrangeiros, 'amassados'". Quando o pelotão começar a rumar a norte, a dureza da montanha vai fazer-se sentir: "Este ano tem ainda a particularidade da dureza ir até ao fim porque na véspera do contra-relógio final, pelo que me é dado saber, há uma subida que nem conheço e são subidas muitas duras, todas concentradas naquele dia, com a Senhora da Graça a acabar. O contra-relógio final também não é nada fácil. Em Fafe, plano não será com certeza!"

Serão 155,2 quilómetros de grande dificuldade na nona etapa. Se as três contagens de montanha de primeira categoria "só" aparecem na segunda metade da tirada, os primeiros quilómetros serão logo marcados por muito sobe e desce antes da ascensão ao Alto da Barra. Um dos destaque vai para a referida nova subida, que ligará a aldeia de Ermelo à aldeia de Barreiro, antes da descida que irá levar até à sempre muito aguardada subida do Monte Farinha. Se a Senhora da Graça já é das etapas que mais pessoas leva à rua para apoiar o pelotão, sendo um dia que pode ser determinante para a geral, o ambiente deverá ser de arrepiar!



A Senhora da Graça e as dificuldades até lá chegar na véspera do contra-relógio de Fafe serão uma enorme contribuição para aumentar o espectáculo da corrida. Porém, Marco Chagas considera que o regresso das Penhas da Saúde também é para ter em conta, mesmo que se continue sem um final na Torre. "Durante muitos anos não houve chegada à Torre. Fiz 14 Voltas e nunca houve chegada à Torre. As Penhas da Saúde são um lugar que em termos de beleza é melhor do que a Torre, que não deixa de ser um mítica, até por ser o ponto mais alto. Subindo pela Covilhã... vai ser um final de etapa muito duro", garantiu.

Se poderá haver tentação de chamar etapa rainha à da Senhora da Graça, esse estatuto pertence à quarta tirada, precisamente aquela que terminará nas Penhas da Saúde, no domingo, 5 de Agosto. É fácil perceber porquê. Tanto a última ascensão, como a passagem pela Torre serão de categoria especial. E claro, estamos em Portugal. A aproximação à Torre poderá provocar muitos problemas, ainda mais se alguma equipa apostar num ritmo alto.



Já eram conhecidos os locais de partida inaugural e da chegada decisiva da Volta a Portugal, com Setúbal e Fafe a serem estreantes nesse estatuto. Também Sernancelhe irá ser uma estreia, mas neste caso como fazendo parte da corrida, na sexta etapa. Antes, na terceira, os 175,9 quilómetros que ligarão Sertã a Oliveira do Hospital serão uma forma de não deixar esquecer o que aconteceu naquela zona do país, tão afectada pelos trágicos incêndios de 2017. A "Etapa Vida" terá a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na caravana. Serão cinco contagens - duas de quatro, duas de terceira e uma de segunda - num dia em que uma desatenção ou alguma fraqueza poderá custar tempo a algum candidato. Nas duas primeiras etapas haverá então uma viagem para sul, com Alcácer do Sal e Albufeira (o regresso do Algarve à Volta dez anos depois) e Beja-Portalegre a receberem o pelotão.

O dia de descanso será a 7 de Agosto (terça-feira) e atenção que o regresso é na referida etapa de Sernancelhe. Nos 165,4 quilómetros até Boticas haverá três contagens de montanha de terceira categoria, antes de uma primeira em Torneiros. Pelo meio, haverá mais subidas que não estão categorizadas.

"Esta Volta a Portugal promete", considera Marco Chagas e analisando o perfil é difícil discordar. Agora falta saber se uma maior dureza do percurso, significará um maior equilíbrio na luta pela vitória.

"Sporting e Porto, bem à maneira do futebol serão os grandes adversários"


(Fotografia: João Fonseca)
A W52-FC Porto soma cinco vitórias consecutivas (nem sempre com este nome), com quatro ciclistas diferentes: Alejandro Marque, Gustavo Veloso (duas vezes), Rui Vinhas e Raúl Alarcón. Para Marco Chagas não parece haver grandes dúvidas que a discussão será entre as equipas portuguesas, apesar de estarem previstas cinco do escalão Profissional Continental, com uma forte presença espanhola, além de formações Continentais da Austrália, Albânia, Equador e até da Roménia, por exemplo.

"A discussão será novamente entre as nossas. Talvez haja mais equilíbrio. O Sporting-Tavira tendo o Joni Brandão é uma equipa mais consistente. A W52-FC Porto continua a ser muito boa, se calhar a principal favorita, com mais do que um candidato. A Aviludo-Louletano-Uli tem apresentado bons resultados. O Luís Mendonça evoluiu e ganhou a Volta ao Alentejo, mas não sei se resistirá à dureza [do percurso]. No entanto, Vicente Garcia de Mateos [terceiro classificado em 2017] já está num patamar que se pode considerar que é um favorito para ganhar a Volta", explicou Marco Chagas.

Elogiou ainda a qualidade da Rádio Popular-Boavista do professor José Santos, assim como a capacidade de Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack), desde que consiga escapar a mais azares. Quanto à Efapel, o antigo ciclista vê difícil uma possível vitória na Volta: "O David Arroyo poderá ser uma ajuda fundamental nas etapas de montanha, mas não sei até que ponto irá permitir [à equipa] ganhar a Volta a Portugal. A Efapel vai certamente discutir muitas etapas, fazer coisas bonitas, mas será complicado."

Não querendo excluir nenhuma possibilidade de alguém disputar a Volta, Marco Chagas acredita, ainda assim, que a principal luta poderá muito bem ser entre Sporting e Porto. "Bem à maneira do futebol serão os grandes adversários", afirmou.

A nova experiência de muitos jovens

A subida da Liberty-Seguros, Miranda-Mortágua e LA Alumínios ao escalão Continental (ainda que sendo sub-25) irá permitir que este ano estejam mais portugueses na luta pela classificação da juventude. Será certamente um dos objectivos. "Esse é uma aspecto a ter em conta. Uma nova fase do ciclismo. Mesmo que tenhamos gente a passar mal - acredito que haverá muitos abandonos -, a perder muito tempo, haverá ciclistas com qualidade superior que, mesmo com a dureza da Volta, vão estar lá", realçou Marco Chagas. E acrescentou: "Os mais novos, vão ter uma nova experiência. Para quem inicia a carreira, mesmo tendo muita qualidade, pode ser um choque [dada a dificuldade do percurso]. Normalmente os corredores que ali estão, têm já uma boa experiência, mas não na Volta a Portugal."

Agora é esperar pelo arranque da corrida que as equipas portuguesas mais ambicionam todo o ano e ver se Raúl Alarcón repete o triunfo ou se haverá um sucessor. A Volta a Portugal de fácil nunca tem nada, mas a 80ª edição tem desde logo ingredientes no percurso para proporcionar um bom espectáculo de ciclismo. Além das nove equipas portuguesas, estão previstas 12 estrangeiras. Do escalão Profissional Continental: WB Aqua Protec Veranclassic (Bélgica), Israel Cycling Academy (Israel), Euskadi Basque Country-Murias (Espanha), Caja Rural-Seguros RGA (Espanha) - conta com os portugueses Rafael Reis e Joaquim Silva - e Burgos-BH, com José Mendes. As Continentais são: St George (Austrália), Movistar Ecuador (Equador), COOP (Noruega), Tarteletto Isorex (Bélgica), Differdange-Losch (Luxemburgo), Amore & Vita-Prodir (Albânia) e MSTina Focus (Roménia).

Relativamente às do segundo escalão, será o regresso da Israel Cycling Academy, que no ano passado venceu a classificação da juventude com Krists Neilands e que este ano esteve na Volta a Itália. As espanholas são presença habitual, ainda que a Euskadi Basque Country-Murias e a Burgos-BH eram até ao ano passado do nível Continental. Já a belga WB Aqua Protec Veranclassic é uma equipa que se vê muito na primeira fase da temporada, durante as clássicas.

Aqui ficam as etapas da 80ª edição, que pode ver neste link ao pormenor.

➠ Prólogo (1 de Agosto): Setúbal-Setúbal (contra-relógio), 1,8 quilómetros
➠ Etapa 1 (2 de Agosto): Alcácer do Sal-Albufeira, 191,8 quilómetros
➠ Etapa 2 (3 de Agosto): Beja-Portalegre, 195,3 quilómetros
➠ Etapa 3 (4 de Agosto): Sertão-Oliveira do Hospital, 175,9 quilómetros
➠ Etapa 4 (5 de Agosto): Guarda- Covilhã (Penhas da Saúde), 171,4 quilómetros
➠ Etapa 5 (6 de Agosto): Sabugal-Viseu, 191,7 quilómetros
➠ Etapa 6 (8 de Agosto): Sernancelhe-Boticas, 165,4 quilómetros
➠ Etapa 7 (9 de Agosto): Montalegre-Viana do Castelo (Santa Luzia), 165,5 quilómetros
➠ Etapa 8 (10 de Agosto): Barcelos-Braga, 147,6 quilómetros
➠ Etapa 9 (11 de Agosto): Felgueiras-Mondim de Basto (Senhora da Graça), 155,2 quilómetros
➠ Etapa 10 (12 de Agosto): Fafe-Face (contra-relógio), 17,3 quilómetros

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28 de junho de 2018

As lições de Simon Yates e Fabio Aru

(Fotografia: Giro d'Italia)
Antes das atenções se centrarem quase exclusivamente na Volta a França, temos um regresso ao Giro devido ao reaparecimento de dois ciclistas que estiveram em destaque por razões bem diferentes. Simon Yates e Fabio Aru tem estado a recuperar da grande volta e o italiano até decidiu nem ir aos Campeonatos Nacionais defender o título, para concentrar-se em melhorar e preparar a Vuelta. Yates parecia estar a caminho de uma vitória no Giro, quando numa só etapa viu o sonho terminar. Já Aru foi um descalabro durante toda a corrida. Quando apareceu bem no contra-relógio, afinal tinha aproveitado o cone de vento para ganhar tempo e acabou sancionado.

Um mês depois do final da corrida, Simon Yates admitiu que um pouco mais de paciência poderia ter feito toda a diferença. Com apenas três etapas por disputar e a última era de consagração, o britânico viu o trabalho de mais de duas semanas (além de todo o realizado para chegar em boa forma a Itália), ir por água abaixo na tirada de Bardonecchia, que incluiu o Colle delle Finestre e a épica fuga solitária de 80 quilómetros de Chris Froome (Sky). "Se calhar um pouco mais de paciência [teria ajudado]... Não tinha de estar sempre lá em todos os momentos... Não sei... Há muitas pequenas coisas que poderia mudar. Talvez até antes da corrida poderia ter chegado um pouco mais fresco, para assim sobreviver um pouco melhor", explicou ao Cycling News.

Naquela etapa 19, Yates contou que se sentia bem de manhã, apesar de algum cansaço, normal para quem está na recta final de uma corrida de três semanas. No entanto, acabou o dia a perder quase 40 minutos e a dizer adeus à vitória e nem no top dez ficou. O britânico confessou que só pensava em pedir desculpa à equipa, mas nem os responsáveis, nem os companheiros da Mitchelton-Scott quiseram ouvir tal coisa.

"Eles disseram para me calar, que fariam tudo outra vez [para o apoiar]. Estavam desiludidos por mim, mas não era algo de 'lixaste isto tudo'. Penso que como equipa, chegámos à frente quando tivemos a camisola. Acho que dominámos a corrida", afirmou o britânico de 25 anos. E esta união poderá continuar. Yates está nos últimos meses de contrato, assim como o seu irmão gémeo, Adam, que estará no Tour.

Apesar de admitir a abordagem de várias equipas, de ter duas propostas concretas em mãos e até com valores bem elevados, Yates salientou que o dinheiro não é tudo. "Não venho de uma família rica, por isso não faço isto por dinheiro. Quero ganhar corridas", disse, garantindo que a sua decisão foi feita por razões desportivas. Sim, a decisão já está tomada, mas Yates não a anunciou, nem quis avançar quando o fará. Certo é que houve lições que o britânico retirou do Giro. Mudando algumas coisas, está mais convicto do que nunca que pode ganhar uma grande volta.

(Fotografia: Giro d'Italia)
Já Fabio Aru tem uma, a Vuelta de 2015, mas não está nada fácil conquistar a segunda. Foi para a UAE Team Emirates para mudar de ares, depois de ter ganho prestígio ao serviço da Astana. Porém, a época está a correr bastante mal. Na preparação para o Giro, Aru nunca deixou boas indicações e na grande volta esteve praticamente todas as etapas de montanha num enorme esforço para tentar manter-se com os favoritos. Contudo, cada dia que passava, Aru tornava-se cada vez menos num candidato.

"Não quero ser recordado como o ciclista que todos viram no Giro", lamentou Aru à Gazzetta dello Sport. O italiano (27 anos) ainda pensou em estar no Tour, mas para garantir que recupera a sua forma, preferiu apontar à Volta a Espanha. "A época ainda não acabou. Há a Vuelta, os Mundiais, as clássicas italianas e a Il Lombardia. Ainda há tempo para mostrar quem eu sou", salientou.

Mas afinal o que aconteceu no Giro? Aru aponta duas possíveis razões. A primeira foi o tempo que passou em altitude. Para o ciclista terá sido demasiado, o que acabou por levar o corpo além dos limites. Agora, está a planear competir mais e não passar tanto tempo nesse tipo de estágios. A outra razão é uma intolerância ao glúten e lactose, descoberta há três anos, mas que admitiu que "nunca foi aprofundada". O ciclista explicou que agora está a limitar o ingestão de massas e hidratos de carbono e eliminou o consumo de lacticínios. "Sinto-me mais leve e melhor na bicicleta", confessou. Aru quer voltar a sorrir e para isso quer ser aquele corredor entusiasmante, que dá luta e discute grandes vitórias. O que aconteceu em Itália não será para esquecer, será para aprender.

"Nas etapas finais do Giro sentia-me vazio, inchado e sem energia. Estava a reter líquidos e nunca me senti bem. Raramente desisto das corridas. Sei sofrer e esperar que as coisas melhorem. Desta vez as coisas pioraram e o meu Giro transformou-se num pesadelo", recordou. Aru abandonou na etapa de Bardonecchia, numa altura em que estava a afunda-ser na classificação.

Tendo sido uma contratação dispendiosa para a UAE Team Emirates, a pressão aumenta para que Fabio Aru apresente resultados na última fase da temporada e tanto ele como Yates terão aprendido valiosas lições para colocarem em prática durante uma Vuelta que se vendo o lote de candidatos a começar a compor-se.

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Rosón suspenso por irregularidades no passaporte biológico quando estava na Caja Rural

Rosón venceu a Volta a Aragão e a classificação da montanha
na Volta à Comunidade de Madrid (na fotografia)
Jaime Rosón está suspenso provisoriamente depois da UCI ter anunciado que foi encontrado um resultado adverso analítico no seu passaporte biológico. O caso remonta a Janeiro de 2017, quando o ciclista espanhol representava a Caja Rural. Este ano mudou-se para a Movistar, que garantiu que o comportamento de Rosón tem sido irrepreensível e que, por isso, irá ajudá-lo no processo que agora se inicia, na tentativa de provar a sua inocência, para que possa regressar à competição.

Aos 25 anos Rosón é uma das estrelas em ascensão do ciclismo espanhol. Esteve a evoluir na Caja Rural, mas principalmente na última temporada tornou-se claro que iria "dar o salto" para o World Tour. A exibição na Volta à Croácia - que acabou por perder para Vincenzo Nibali - foi uma das que confirmou a sua qualidade. A Movistar já estava a seguir o ciclista e contratou-o em 2018, estando prevista a participação de Rosón na Vuelta.

"Desde que se juntou à equipa, o comportamento do ciclista e os valores do passaporte biológico têm sido intocáveis. Por isso, a nossa equipa irá cooperar com o ciclista e tentar encontrar uma explicação para o caso, cuja resolução nós respeitamos e entendemos, em virtude dos regulamentos da UCI", lê-se no comunicado divulgado pela Abarca Sports, detentora da equipa. Apesar do apoio, foi realçado que, em defesa da credibilidade, Rosón foi suspenso até à conclusão do processo.

O espanhol já reagiu, inicialmente também através de um comunicado. "Declaro que estou alheio ao uso de qualquer substância e/ou método de dopagem e irei defender-me", escreveu. Já em declarações ao jornal Marca, não quis adiantar mais pormenores, mas deixou uma garantia: "Prefiro não dar mais detalhes porque podem jogar contra mim. Irei até ao fim para demonstrar a minha inocência"."

A Agência Mundial Antidopagem define que um resultado analítico adverso "indica a presença de substâncias proibidas ou métodos numa amostra particular". No entanto, não tem em conta alguns parâmetros, como é o caso da excepção para o uso terapêutico, pelo que o processo irá agora decorrer de forma a compreender porque o ciclista apresentou determinados valores.

Sendo uma situação que decorreu quando Rosón estava na Caja Rural, a equipa espanhola do escalão Profissional Continental volta a ver o seu nome envolvido num possível caso de doping. Em 2016, Alberto Gallego acusou estanozol, um esteróide anabolizante mais frequentemente utilizado por culturistas. Tinham passado apenas três dias desde tinha começado a representar a formação da Caja Rural. Foi sancionado com quase quatro anos de suspensão, só podendo regressar em 2019.

Em Outubro do ano passado, Manuel Sola preparava-se para deixar a Caja Rural para assinar pela Rádio Popular-Boavista, para 2018. No entanto, o ciclista foi suspenso pela federação espanhola ao dar positivo por testosterona. A transferência para a equipa portuguesa ficou imediatamente sem efeito.

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27 de junho de 2018

Rafael Silva conquistou mais uma medalha para Portugal

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Domingos Gonçalves voltou a tentar uma vitória épica, com uma fuga solitária. Certamente com o moral em alta depois da conquista dos títulos nacionais de contra-relógio e de estrada, o ciclista foi atrás do ouro nos Jogos do Mediterrâneo. A tentativa desta não teve o resultado desejado, mas a selecção nacional não saiu de Tarragona de mãos a abanar. Com o final a disputar-se ao sprint, Rafael Silva chegou-se, literalmente, à frente e ficou com a medalha de bronze.

O corredor da Efapel só foi batido por dois italianos: Jalel Duranti e Filippo Tagliani, medalha de ouro e prata, respectivamente. No entanto, o ciclista português considera que poderia ter conseguido algo mais nos Jogos que decorrem em Espanha. "Estou muito feliz com esta medalha, que é muito importante para mim e para Portugal. No entanto, sinto que poderia ter conquistado o primeiro lugar. Numa rotunda, a 200 metros, entrámos muito rápido e os corredores italianos que seguiam à minha frente quase caíam. Acabaram por não cair, mas eu tive de travar a fundo e perdi alguns metros, que já não foi possível recuperar para ultrapassá-los, explicou, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Dos oito atletas da equipa nacional, cinco ficaram no top dez, com o mesmo tempo do vencedor. Foram eles, além de Rafael Silva, Joni Brandão (sexto), João Rodrigues (sétimo) Frederico Figueiredo (nono) e Domingos Gonçalves fechou o top 10. André Carvalho foi 18º, a 37 segundos de Duranti, Tiago Antunes 19º, a 47 segundos, e Francisco Campos 45º, a 19:34 minutos. 

"O percurso [de 143 quilómetros] era rompe-pernas, mas não tão duro quanto os gráficos indicavam. Apesar disso, as subidas deixaram o pelotão partido em vários grupos e o Domingos Gonçalves atacou de longe, procurando surpreender os adversários. A selecção italiana organizou a perseguição e contou com a ajuda da Eslovénia para anular a fuga. Restava-nos tentar chegar ao pódio no sprint e conseguimos", referiu o seleccionador José Poeira.

Da parte da tarde foi a vez das senhoras competirem, com Daniela Reis a ficar à porta do pódio. A exemplo de Domingos Gonçalves, a ciclista também conquistou os dois títulos nacionais de elite no último fim-de-semana. Os 89 quilómetros incluíram uma subida muito complicada, que não fez parte da prova masculina e que partiu muito o pelotão.

A ciclista portuguesa tentou seguir com o grupo da frente, mas Elisa Longo Borghini mostrou porque é uma das grandes referências da modalidade. A italiana cortou a meta isolada, com a espanhola Ane Santesteban a ficar a 3:18 minutos, tendo lutado pela posição com a italiana Erica Magnaldi. Daniela Reis chegou 4:20 minutos depois de Borghini. Maria Martins terminou na 19ª posição, a 24:34 minutos, e Soraia Silva na 22ª, a 28:08.

No sábado haverá nova oportunidade para ganhar medalhas. Domingos Gonçalves e Daniela Reis irão mostrar porque são os campeões nacionais. Terão de percorrer 25 e 18 quilómetros, respectivamente, com a prova a começar às 8 horas. A competição masculina será a primeira a disputar-se.

Rafael Silva juntou-se assim à lista de medalhados de Portugal, que no final da tarde passou a contar com mais um ouro, devido ao triunfo no hipismo, na competição colectiva. A equipa era composta por: Rodrigo Almeida com Isolde Vd Heffinck, António Almeida com Irene van de Kwachthoeve, Luís Sabino com Acheo Di San Patrignano e Duarte Seabra com Fernhill Curra Quinn. No total já são doze as medalhas nestes Jogos do Mediterrâneo.

Quanto aos restantes atletas que já subiram ao pódio, Melanie Santos e João Pereira conquistaram o ouro no triatlo. As três medalhas de prata foram ganhas por Fernando Pimenta (canoagem, K1 500 metros), Joana Vasconcelos (canoagem, K1 500 metros) e Ana Catarina Monteiro (natação, 200 metros mariposa). Já as medalhas de bronze foram garantidas por Ana Portela (canoagem, K1 200 metros), Alexis Santos (natação, 200 metros estilos), João Vital (natação, 400 metros estilos), Diana Durães (natação, 400 metros livres), João Costa (tiro, pistola ar comprimido) e agora Rafael Silva, na prova de fundo de ciclismo.



26 de junho de 2018

"Quero realizar este sonho. Estou disponível para fazer os sacrifícios"

BTT e ciclocrosse já não têm segredos para Marta Branco. Soma várias vitórias com destaque para as seis Taças de Portugal e cinco camisolas de campeã nacional. A estrada está a "dar mais luta" e os títulos têm escapado. Tem apenas 19 anos, mas um currículo de respeito nas camadas jovens. Representou a selecção em Taças do Mundo (em BTT), ainda que admita que o bichinho da estrada a vá conquistando. Porém, gostaria, para já, de conseguir conciliar todas as vertentes, até porque quer manter todas as opções em aberto para alcançar o sonho do profissionalismo numa das vertentes. Enquanto não o concretiza, mantém a dedicação aos estudos, pensando na universidade e num curso ligado ao nutricionismo.

"Tenho a noção que a partir de certa idade o ciclismo acaba. Vou viver do quê?" É por isso que os seus dias são divididos entre os treinos matinais e os estudos vespertinos, numa altura em que está a tentar melhorar as notas. "É difícil porque por vezes tenho treinos bastante exigentes e só me apetece chegar a casa e dormir. Mas ser nutricionista e conciliar com o ciclismo também é algo que quero muito", admitiu  a atleta do Maiatos-Reabnorte.

Não esconde que a escolha académica também tem a ver com a sua paixão pelo desporto. E se há modalidade em que a nutrição é de uma extrema importância é o ciclismo. Nem sempre é fácil, principalmente estando numa idade em que as tentações são grandes. "Eu adorava chegar ao nível profissional. É difícil. É preciso estar num nível muito alto e despender da nossa vida para nos dedicar totalmente a isto. Mas quero realizar este sonho. Estou disponível para fazer os sacrifícios, sem dúvida", garantiu ao Volta ao Ciclismo. "Temos de fazer opções. Não podemos andar a sair à noite antes das corridas. Depois acaba por tornar-se um hábito de não se querer sair [à noite] porque temos aquele objectivo de estar na corrida e fazer alguma coisa. Consegue-se conciliar. Eu prefiro acordar de manhã e andar de bicicleta do que sair à noite", acrescentou.

"Já temos o exemplo da Daniela, da Soraia e da Tata [Maria Martins], que conseguiram ir lá para fora e mostrar que nós, as portuguesas, também conseguimos estar naquele pelotão"


Em Belmonte, no passado fim-de-semana, não conseguiu ainda chegar ao título na vertente que lhe falta. Foi quinta a 14:27 minutos de Daniela Reis, que dominou a corrida (de referir que Marta Branco foi a única sub-23 entre as dez classificadas, pois todas as outras já são de elite). A ciclista da Doltcini-Van Eyck Sport é uma das referências de Marta, tal como duas corredores da sua idade, Soraia Silva e Maria Martins, ambas também já a competir no estrangeiro, ao serviço da Sopela Women's Team. "Ao correr ao lado delas aprendemos muito. Vemos o nível a que estão. Se conseguirmos competir com elas, aguentar na roda, então também conseguimos estar lá fora", salientou.

E não tem dúvidas: "Estamos a começar a mostrar-nos mais. O ciclismo [português] ainda precisa de evoluir, principalmente o feminino, mas já temos o exemplo da Daniela, da Soraia e da Tata [Maria Martins], que conseguiram ir lá para fora e mostrar que nós, as portuguesas, também conseguimos estar naquele pelotão e lutar pelos primeiros lugares."

Agora, a curto prazo, quer tentar "ser campeã nacional de sub-23 no XCO e tentar melhorar os resultados nas próximas Taças do Mundo", reiterando o plano de se não conseguir chegar ao profissionalismo na estrada, talvez a porta se abra no BTT. Certo é está com os olhos postos no estrangeiros, onde estão as equipas que lhe poderão ajudar a cumprir os seus objectivos.

Há algo que fica claro durante a conversa com Marta Branco. A jovem ciclista demonstra um determinação tremenda em dar o tudo por tudo para concretizar os seus objectivos. "Sim, sou determinada. Adoro isto! Apesar de me dar muito nervosismo [antes das provas]! Mas lá dentro [nas corridas], a concentração é total. Principalmente o que se quer é não cair. É doloroso! E, claro, dar o meu máximo", realçou.

Quem também tem dado muito são os pais de Marta, que escolheu uma modalidade dispendiosa. Porém, nada lhe tem faltado, desde que aos 12 anos o pai a incentivou a começar a aplicar-se nos treinos, depois de já revelar uma paixão pelas bicicletas: "
O bichinho começou a crescer e é por causa dele que estou aqui. Os meus pais deram-me tudo para chegar aqui."

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Campeões nacionais de contra-relógio e de fundo lideram selecções nos Jogos do Mediterrâneo

Domingos Gonçalves e Daniela Reis tiveram um fim-de-semana
memorável em Belmonte e agora estarão muito bem
acompanhados em Tarragona
Os ciclistas portugueses vão entrar em acção esta quarta-feira nos Jogos do Mediterrâneo para tentar prosseguir a boa prestação dos atletas lusos, que já contabilizam dez medalhas, duas das quais de ouro. Os recentes campeões nacionais de contra-relógio e fundo, Daniela Reis e Domingos Gonçalves estarão presentes apoiados por alguns dos corredores que estiveram em destaque nas corridas que decorreram no último fim-de-semana em Belmonte.

Os homens serão os primeiros a competir em Tarragona, Espanha. Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) estará acompanhado por André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass), Francisco Campos (Miranda-Mortágua), João Rodrigues (W52-FC Porto), Rafael Silva (Efapel), Tiago Antunes (Aldro Team) e Frederico Figueiredo e Joni Brandão. Os dois ciclistas do Sporting-Tavira estiveram na fuga nos Nacionais, com o último a terminar no segundo lugar, demonstrando que está a recuperar a sua melhor forma, depois de um 2017 marcado por um problema de saúde, que o afastou da competição durante grande parte da temporada. A prova no circuito urbano de Vilaseca terá 143 quilómetros, com quatro subidas longas. A partida será às 9 horas (hora de Portugal Continental).

As senhoras arrancarão às 15 horas para os 89 quilómetros da corrida. Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport) terá ao seu lado as outras duas "emigrantes": Soraia Silva e Maria Martins (Sopela Women's Team). Este foi o trio que completou o pódio do contra-relógio dos nacionais, com Maria Martins a ser também segunda na prova de fundo.

Daniela Reis e Domingos Gonçalves conquistaram os dois títulos de elite, pelo que foram os escolhidos pelos seleccionadores - José Poeira (equipa masculina) e Gabriel Mendes (equipa feminina) - para competir também no contra-relógio. Daniela já foi campeã nacional quatro vezes nesta vertente, enquanto Domingos sagrou-se bicampeão. O contra-relógio dos Jogos do Mediterrâneo realiza-se no dia 30 (sábado), com os homens a serem novamente os primeiros a sair para a estrada. A luta pelas medalhas começará às 8 horas. Domingos Gonçalves tem à sua espera 25 quilómetros e Daniela 18.

As corridas de ciclismo destes Jogos só podem contar com participantes que tenham entre 19 e 29 anos e que pertençam a equipas de clube ou Continentais. Está interdita a inscrição de corredores das formações World Tour e Profissionais Continentais.

Oscar Pelegrí (Rádio Popular-Boavista) - que venceu o Grande Prémio Abimota -, Juan Ignacio Perez (Aviludo-Louletano-Uli), Álvaro Trueba (Sporting-Tavira) foram seleccionados para representar a equipa de Espanha.

Portugal está a realizar uma boa prestação nos Jogos do Mediterrâneo, que começaram a na sexta-feira, 22 de Junho, e terminam no próximo domingo, 1 de Julho. Melanie Santos e João Pereira conquistaram o ouro no triatlo. As três medalhas de prata foram ganhas por Fernando Pimenta (canoagem, K1 500 metros), Joana Vasconcelos (canoagem, K1 500 metros) e Ana Catarina Monteiro (natação, 200 metros mariposa). Já as medalhas de bronze foram garantidas por Ana Portela (canoagem, K1 200 metros), Alexis Santos (natação, 200 metros estilos), João Vital (natação, 400 metros estilos), Diana Durães (natação, 400 metros livres) e João Costa (tiro, pistola ar comprimido).

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25 de junho de 2018

Camisolas das equipas não são para Peter Sagan

(Fotografia: Bora-Hansgrohe/© Bettiniphoto)
Coleccionar camisolas é algo tão banal para Peter Sagan, como qualquer um fazer uma colecção de cromos! Se as três de campeão do mundo têm, naturalmente, o maior destaque, neste domingo, o eslovaco foi buscar a sexta de campeão nacional. Também já tem uma de campeão da Europa, além das cinco verdes da classificação por pontos na Volta a França. São muitas mais se incluirmos todas as corridas que o ciclista fez. Certo é que há muito tempo que Sagan não sabe o que é vestir o equipamento normal das equipas que representa, a não ser no contra-relógio. A última vez que envergou a camisola standard foi a 13 de Junho... de 2011!

Sagan, então com 21 anos, estava na Volta a Suíça e no final desse dia, na terceira etapa, o ciclista foi o mais forte no sprint e subiu à liderança da classificação por pontos, que não mais abandonou. Depois dessa corrida foi para os Nacionais, onde conquistou o primeiro título eslovaco, dos cinco consecutivos. O resto é história e essa conta com o feito inédito de três títulos mundiais consecutivos entre 2015 e 2017. As únicas vezes que não teve uma camisola de campeão vestida foi quando teve de envergar as de liderança de uma classificação, normalmente a de pontos, mas também umas das gerais. Houve uma que só vestiu quando subiu ao pódio: a de campeão da Europa (2016). Como era campeão do mundo e assim continuou, não iria certamente trocá-la!

A última equipa a ver Sagan com a camisola dos patrocinadores, utilizada por todos os ciclistas, foi a Liquigas-Cannondale, que em 2013 passaria a ser somente Cannondale. A Tinkoff contratou, em 2015, um campeão nacional que nesse mesmo ano conquistou o primeiro título mundial. Nesse ano também venceu o contra-relógio nos Nacionais, só para ter dois equipamentos especiais! A Bora-Hansgrohe subiu ao World Tour em 2017 e tem aquele que não larga a mais famosa camisola, a do arco-iris (partilha a notoriedade com a amarela da Volta a França).

Vontade não falta a Sagan de escrever um pouco mais de história nos Mundiais e ganhar o quarto título consecutivo. Nunca ninguém ganhou tantos, seguidos ou não (nem Eddy Merckx). O problema é que o percurso de Innsbruck, na Áustria, é claramente para os trepadores. O eslovaco até tem alterado um pouco a sua temporada - também devido à sua recente paternidade -, apostando nos estágios em altitude. Até já foi noticiado que depois do Tour estaria a pensar perder algum peso e assim tentar ter alguma hipótese de manter a camisola de campeão do mundo. Ainda assim, desta feita Sagan não vai aparecer entre os principais favoritos.

(Fotografia: Twitter @BORAhansgrohe)
Nos últimos dois anos, o irmão Juraj Sagan tinha sido o campeão eslovaco, com Peter a ser segundo. Em 2018 trocaram as posições. Será que Peter quis garantir que vai continuar com uma camisola de campeão, caso se concretize a possível perda da do arco-íris?

Certo é que resolveu conquistar o sexto título nacional em grande estilo: 95 quilómetros de fuga solitária! Juraj ficou a 2:16 minutos e o também ciclista da Bora-Hansgrohe, Michael Kolar, fechou o pódio a 6:07 (fotografia à direita), tendo surpreendido ao terminar a carreira nesta corrida. A equipa alemã anunciou a decisão do corredor de apenas 25 anos, que irá permanecer na Bora-Hansgrohe, mas num papel de relações públicas.

Nem todas as equipas gostam de ter de mudar os equipamentos escolhidos para dar a maior visibilidade possível aos patrocinadores. A Bora-Hansgrohe não está entre elas, tendo tendência a coleccionar títulos nacionais e a aproveitar muito bem esse facto a nível de marketing. Quem tem Sagan já sabe que terá de lhe fazer equipamentos especiais de campeão, mas tendo em conta as vitórias e a popularidade que o tornaram num dos ciclistas com imagem mais valiosa, talvez nenhuma equipa se importasse de mudar as camisolas.


Outros campeões de fundo:
Domigos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) - Portugal
Gorka Izagirre (Bahrain-Merida) - Espanha
Yves Lampaert (Quick-Step Floors) - Bélgica
Michal Kwiatkowski (Sky) - Polónia
Vegard Stake Laengen (UAE Team Emirates) - Noruega
Matej Mohoric (Bahrain-Merida) - Eslovénia
Antoine Duchene (Groupama-FDJ) - Canadá
Gediminas Bagdonas (AG2R) - Lituânia
Jonathan Brown (Hagens Berman Axeon) - Estados Unidos da América
Merhawi Kudus (Dimension Data) - Eritreia
Tsgabu Grmay (Trek-Segafredo) - Eitópia

24 de junho de 2018

José Santos tinha razão. "Não há anos iguais". Desta vez, Domingos fez mesmo a dobradinha

Há um ano, Domingos Gonçalves parecia estar a caminho de ficar com os dois títulos nacionais. Porém, uma queda na prova de fundo, em Gondomar, estragou-lhe os planos. 12 meses depois, o gémeo da Rádio Popular-Boavista voltou a ganhar no contra-relógio. O director da equipa. José Santos, disse então que "não há anos iguais", retirando também alguma pressão do seu ciclista, quando questionado sobre a hipótese de Domingos ir novamente atrás da dobradinha. Acabou por ter toda a razão! Em 2018, o ciclista de Barcelos ficou com as duas camisolas.

Chegou isolado à meta em Belmonte, palco destes Nacionais. Porém, atrás de si, Joni Brandão fez uma perseguição feroz. Depois de uma época de estreia no Sporting-Tavira marcada por problemas de saúde, que o afastaram da competição durante muitos meses, é o próprio que diz que está de regresso à luta pelas vitórias. Ainda assim, não hesitou: "O Domingos acabou por ser campeão e foi uma vitória justa."

"Quando o Domingos arrancou eu sabia que tinha de ir com ele. Eu tive um problema mecânico e são fracções de segundo que se perdem e assim, por vezes, se decide uma corrida. Não vale a pena estar a lamentar. São coisas que acontecem", disse ao Volta ao Ciclismo. A corrida foi muito movimentada logo desde os primeiros quilómetros. E foi também muito quente. O tórrido calor teve o seu papel num pelotão que rapidamente se fragmentou. Sem surpresa, mais de metade dos ciclistas abandonaram.

César Fonte (W52-FC Porto), Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira) e Luís Fernandes (Aviludo-Louletano-Uli) estão na frente, entraram na frente na última volta. A 19 segundos estavam Tiago Machado (Katusha-Alpecin), Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), Henrique Casimiro (Efapel), Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli) e Joni Brandão (Sporting-Tavira). A 27 aparecia João Matias (Vito-Feirense-BlackJack) e António Carvalho (W52-FC Porto). Tinham andado grande parte dos 181,8 quilómetros totais da corrida juntos, mas alguns ataques foram provocando as diferenças. Foi a pouco mais de dez quilómetros da meta que Domingos Gonçalves resolveu ir sozinho. Chegou o momento de fazer mais um contra-relógio e não se deixou apanhar.

"O segredo da vitória foi conseguir poupar-me, graças à ajuda do Luís Gomes, sempre a apoiar-me. À medida que o grupo foi diminuindo, percebi que podia ganhar, porque fiz um super-contra-relógio na sexta-feira, o que é um excelente indicador. À entrada para a última volta, estiquei para me aproximar dos ciclistas que iam fugidos. Com ajuda do Tiago Machado e do Henrique Casimiro consegui fazer a junção. Depois arranquei para tentar ganhar. Ser duplo campeão enche-me de orgulho", disse Domingos Gonçalves no final da corrida.

À sua espera estava uma claque muito efusiva, liderada pelos benjamins da equipa, Francisco Moreira e João Salgado, que festejaram efusivamente a conquista. A época está a ser fortíssima para o gémeo de Barcelos (o irmão José não terminou a prova). Venceu a Clássica da Primavera e soma vários lugares no top dez. Nos Nacionais apareceu determinado e foi uma vitória de força e muito querer. Com a Volta a Portugal a aproximar-se começa a ficar a dúvida se Domingos quererá juntar-se a João Benta e Daniel Silva por algo mais do que vitórias de etapa. Foi peremptório na resposta: "A Volta não é para mim. Vou pensar fazer uma coisa ou outra nuns dias, mas depois é para os meus colegas. Eles merecem."

A camisola de campeão regressa ao pelotão nacional, depois de ter andado a ser envergada por ciclistas que estão no estrangeiro. Brandão tinha sido o último em 2013. O campeão de 2017, Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo), não chegou ao fim. Inicialmente foi avançada a versão de uma queda, mas o jovem ciclista teve afinal uma indisposição que o levou ao hospital. De referir ainda que só Nelson Oliveira tinha conseguido uma dobradinha, em 2014.

Quanto a Joni Brandão, o segundo lugar tem sempre aquele sabor amargo, mas não deixou de ficar contente com a sua exibição: "Sinto-me feliz por estar na discussão das corridas. É isto que faz parte de mim." Já fez pódio na Clássica Aldeias do Xisto, apareceu forte no Grande Prémio Jornal de Notícias. Agora vem aí a Volta a Portugal. "Acho que ainda tenho de trabalhar muito. Tive parado no ano passado e há muitas coisas que tenho de trabalhar. Não me sinto na forma que costumava estar nos outros anos, mas espero conseguir estar ao nível que já estive noutros tempos", explicou. Ser campeão nacional pela segunda vez era um objectivo e vai continuar a ser em 2019, mas para já, Joni Brandão estará concentrado em apurar a sua forma.

O mesmo está a acontecer com Henrique Casimiro, que ficou com a medalha de terceiro classificado. O líder da Efapel, a par de Sérgio Paulinho, também está em crescendo de forma. "É um percurso com uma parte final que me favorece, mas só esses dois/três quilómetros. Os Nacionais são muito tácticos. Nem sempre o mais forte ganha, mas hoje sim, o mais forte ganhou", disse.

Os Nacionais, que regressaram à tutela da Federação Portuguesa de Ciclismo, encerraram assim com três dobradinhas, com um pequena nuance. Domingos Gonçalves repetiu o feito de Daniela Reis nas senhoras, enquanto nos sub-23 os títulos ficaram em família, com Ivo como campeão de contra-relógio e o irmão gémeo, Rui, como campeão de estrada.

Julho será um mês com a segunda etapa da Taça de Portugal - a Volta a Albergaria, dia 1 - o Troféu Joaquim Agostinho (12 a 15 de Julho) e a estreia do Grande Prémio Nacional 2 (18 a 22 de Julho).

Resultados (181,8 quilómetros, a uma média de 41,957 quilómetros/hora):
1º Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), 4:19:59 horas
2º Joni Brandão (Sporting-Tavira), a 30 segundos
3º Henrique Casimiro (Efapel), a 34
4º Tiago Machado (Katusha-Alpecin), a 40
5º César Fonte (W52-FC Porto), a 58
6º Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), a 1:02 minutos
7º Luís Fernandes (Aviludo-Louletano-Uli), a 1:33
8º Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli), a 1:42
9º João Matias (Vito-Feirense-BlackJack), a 5:29
10º Bruno Silva (Efapel), a 5:36
11º António Carvalho (W52-FC Porto), a 6:14
12º Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros-Carglass), a 8:58
13º Joaquim Silva (Caja Rural), m.t.
14º João Rodrigues (W52-FC Porto), a 13:49
15º Márcio Barbosa (Aviludo-Louletano-Uli), m.t.
16º Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack), a 13:52
17º Daniel Silva (Rádio Popular-Boavista), a 14:21
18º Rui Rodrigues (Aviludo-Louletano-Uli), a 14:42
19º Paulo Silva (LA Alumínios), a 14:50
20º Nuno Meireles (Miranda-Mortágua), a 15:02
21º Patrick Videira (LA Alumínios), a 15:15
22º Júlio Gonçalves (LA Alumínios), a 15:22
23º Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista), a 15:42
24º Rafael Reis (Caja Rural), a 16:13
25º Luís Afonso (Vito-Feirense-BlackJack), m.t.
26º César Martingil (Liberty Seguros-Carglass), a 16:14

Outros campeões:
Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) - Eslováquia
Gorka Izagirre (Bahrain-Merida) - Espanha
Yves Lampaert (Quick-Step Floors) - Bélgica
Antoine Duchene (Groupama-FDJ) - Canadá
Merhawi Kudus (Dimension Data) - Eritreia