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23 de novembro de 2018

Volta a Portugal desiludiu mas a Efapel teve razões para sorrir

A frustração de uma Volta a Portugal abaixo das expectativas não significa que a Efapel tenha realizado uma má temporada. Com as equipas portuguesas a apostarem grande parte da época nessa prova, é natural que a formação de Américo Silva tenha ficado a desejar por mais e melhor. Porém, olhando para tudo que foi alcançado em 2018, a Efapel pode sorrir. Foi a terceira equipa com mais vitórias (a par da Aviludo-Louletano-Uli), com Daniel Mestre a ser a figura de destaque.

Foi o segundo ano em que Sérgio Paulinho assumiu a responsabilidade de liderar a equipa, ainda que tenha sido salientando desde o início da temporada que, desta feita, iria partilhar a esse estatuto com Henrique Casimiro. O que foi mais do que justo pelo que o ciclista havia feito nas duas épocas anteriores. Ambos venceram: terceira etapa do Grande Prémio Abimota e também a terceira tirada no Troféu Joaquim Agostinho, respectivamente. Para Paulinho foi o primeiro triunfo neste seu regresso a Portugal, depois de ser um gregário de luxo no World Tour.

Porém, o grande objectivo ficou longe. Sérgio Paulinho nem no top dez conseguiu terminar este ano na Volta a Portugal e Henrique Casimiro acabou também ele por não se aproximar da luta pelo pódio (foi décimo). A Efapel falhou ainda na vitória de uma etapa. O próprio director desportivo assumiu que a Volta ficou aquém, mas também destacou como a restante temporada foi positiva.

Neste aspecto o nome que sobressai é o de Daniel Mestre, também ele um líder, mas para outro tipo de terrenos. Clássica Aldeias do Xisto - sempre muito relevante visto as Aldeias do Xisto serem um dos patrocinadores da equipa -, duas etapas no Grande Prémio Jornal de Notícias e ainda foi fechar a época com um triunfo no Circuito de Nafarros. Em três temporadas com a Efapel, Mestre foi dos ciclistas que mais alegrias deu, ainda que nas últimas duas não tenha conseguido ganhar na Volta. E não foi por falta de tentativas. 

Daniel Mestre considerava a Efapel a decisão certa para a sua carreira quando assinou em 2016 e com razão. O seu trabalho e qualidade como ciclista valeram-lhe agora um contrato com a W52-FC Porto, que se prepara para subir de escalão. Uma oportunidade que se percebe que seja difícil dizer que não.


Ranking: 5º (1506 pontos)
Vitórias: 9 (incluindo a Clássica Aldeias do Xisto e três etapas do GP Jornal de Notícias)
Ciclista com mais triunfos: Daniel Mestre (4)


Mais discreto, até pela sua personalidade, a Efapel teve um ciclista que começou devagar, mas quando a época terminou, tinha mostrado ser uma contratação de valor. O espanhol Marcos Jurado sofreu uma gripe que o prejudicou no início da temporada , mas, entre Abril e Maio, começou a atingir um pico de forma e sucederam-se as presenças nas fugas e os bons resultados apareceram, como a vitória na Volta a Albergaria. Já o outro espanhol contratado em 2018, o veterano David Arroyo, teve um regresso ao pelotão português sem muito para recordar.

Há que falar de Bruno Silva. É um daqueles corredores que não sabe fazer as coisas mal. É um gregário que às vezes até pode passar despercebido, mas cumpre muito bem com o que lhe é pedido. Américo Silva não abre mão deste corredor, nem de Rafael Silva, que mereceu mesmo algo pouco visto em Portugal: uma renovação de contrato por dois anos. O sprinter ganhou uma etapa no Grande Prémio Jornal de Notícias e ainda a medalha de bronze nos Jogos de Mediterrâneo, com as cores da selecção nacional.

A época foi boa para a equipa, a Volta a Portugal não. E a Efapel quer ganhar e muito a Volta. Lutar por vitórias e até ficar perto de as alcançar na Grandíssima, acabar com um ciclista no top dez sabe a pouco e a equipa está a realizar um forte investimento para 2019 e vai pensando além disso. Já se fala num projecto para subir a Profissional Continental em 2021. Mas primeiro, a Efapel quer ganhar a Volta.

O regresso de Joni Brandão é uma contratação de extrema importância. Depois de dois anos no Sporting-Tavira, o ciclista regressa à casa onde se consolidou como um dos melhores ciclistas portugueses e espera-se que seja novamente o líder na Efapel que Sérgio Paulinho não conseguiu ser. A experiência de Paulinho como gregário poderá vir a ser importante, como braço-direito de Brandão, não esquecendo Henrique Casimiro, que poderá não perder alguma da liberdade que desfrutou este ano. Este será um trio potencialmente forte se se apresentar bem.

Além de Joni Brandão, a Efapel apostou na contratação de ciclistas estrangeiros. Foi buscar o espanhol de 26 anos, Antonio Angulo (Rías Baixas), que em 2017 representou a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack e venceu a Volta à Bairrada. Américo Silva gosta de contar com ciclistas com experiência e com currículo internacional e garantiu dois. O uruguaio Fabricio Ferrari (33 anos) esteve dez épocas na Caja Rural, enquanto o búlgaro Nikolay Mihaylov (30) representou seis anos a polaca CCC Sprandi Polkowice e em 2017 esteve na francesa Delko Marseille Provence KTM. Ambos sabem o que é fazer corridas importantes, de categoria World Tour, são trepadores, pelo que poderão fazer parte do bloco que o director desportivo quer construir em redor de Joni Brandão.

Sérgio Paulinho, Henrique Casimiro, Bruno Silva, Rafael Silva, Marcos Jurado e Pedro Paulinho são as permanências, numa Efapel que quer acabar com o longo jejum de vitórias, pois desde que David Blanco ganhou a Volta em 2012, a equipa não mais repteiu o feito. Só com um bloco forte será possível pensar em debater-se com a poderosa W52-FC Porto e é isso que Américo Silva está a tentar construir, agora que "recuperou" Joni Brandão.

Veja aqui todos os resultados da Efapel em 2018 e das restantes equipas nacionais.

»»Um Edgar Pinto livre de azares e um João Matias cada vez mais líder««

24 de junho de 2018

José Santos tinha razão. "Não há anos iguais". Desta vez, Domingos fez mesmo a dobradinha

Há um ano, Domingos Gonçalves parecia estar a caminho de ficar com os dois títulos nacionais. Porém, uma queda na prova de fundo, em Gondomar, estragou-lhe os planos. 12 meses depois, o gémeo da Rádio Popular-Boavista voltou a ganhar no contra-relógio. O director da equipa. José Santos, disse então que "não há anos iguais", retirando também alguma pressão do seu ciclista, quando questionado sobre a hipótese de Domingos ir novamente atrás da dobradinha. Acabou por ter toda a razão! Em 2018, o ciclista de Barcelos ficou com as duas camisolas.

Chegou isolado à meta em Belmonte, palco destes Nacionais. Porém, atrás de si, Joni Brandão fez uma perseguição feroz. Depois de uma época de estreia no Sporting-Tavira marcada por problemas de saúde, que o afastaram da competição durante muitos meses, é o próprio que diz que está de regresso à luta pelas vitórias. Ainda assim, não hesitou: "O Domingos acabou por ser campeão e foi uma vitória justa."

"Quando o Domingos arrancou eu sabia que tinha de ir com ele. Eu tive um problema mecânico e são fracções de segundo que se perdem e assim, por vezes, se decide uma corrida. Não vale a pena estar a lamentar. São coisas que acontecem", disse ao Volta ao Ciclismo. A corrida foi muito movimentada logo desde os primeiros quilómetros. E foi também muito quente. O tórrido calor teve o seu papel num pelotão que rapidamente se fragmentou. Sem surpresa, mais de metade dos ciclistas abandonaram.

César Fonte (W52-FC Porto), Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira) e Luís Fernandes (Aviludo-Louletano-Uli) estão na frente, entraram na frente na última volta. A 19 segundos estavam Tiago Machado (Katusha-Alpecin), Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), Henrique Casimiro (Efapel), Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli) e Joni Brandão (Sporting-Tavira). A 27 aparecia João Matias (Vito-Feirense-BlackJack) e António Carvalho (W52-FC Porto). Tinham andado grande parte dos 181,8 quilómetros totais da corrida juntos, mas alguns ataques foram provocando as diferenças. Foi a pouco mais de dez quilómetros da meta que Domingos Gonçalves resolveu ir sozinho. Chegou o momento de fazer mais um contra-relógio e não se deixou apanhar.

"O segredo da vitória foi conseguir poupar-me, graças à ajuda do Luís Gomes, sempre a apoiar-me. À medida que o grupo foi diminuindo, percebi que podia ganhar, porque fiz um super-contra-relógio na sexta-feira, o que é um excelente indicador. À entrada para a última volta, estiquei para me aproximar dos ciclistas que iam fugidos. Com ajuda do Tiago Machado e do Henrique Casimiro consegui fazer a junção. Depois arranquei para tentar ganhar. Ser duplo campeão enche-me de orgulho", disse Domingos Gonçalves no final da corrida.

À sua espera estava uma claque muito efusiva, liderada pelos benjamins da equipa, Francisco Moreira e João Salgado, que festejaram efusivamente a conquista. A época está a ser fortíssima para o gémeo de Barcelos (o irmão José não terminou a prova). Venceu a Clássica da Primavera e soma vários lugares no top dez. Nos Nacionais apareceu determinado e foi uma vitória de força e muito querer. Com a Volta a Portugal a aproximar-se começa a ficar a dúvida se Domingos quererá juntar-se a João Benta e Daniel Silva por algo mais do que vitórias de etapa. Foi peremptório na resposta: "A Volta não é para mim. Vou pensar fazer uma coisa ou outra nuns dias, mas depois é para os meus colegas. Eles merecem."

A camisola de campeão regressa ao pelotão nacional, depois de ter andado a ser envergada por ciclistas que estão no estrangeiro. Brandão tinha sido o último em 2013. O campeão de 2017, Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo), não chegou ao fim. Inicialmente foi avançada a versão de uma queda, mas o jovem ciclista teve afinal uma indisposição que o levou ao hospital. De referir ainda que só Nelson Oliveira tinha conseguido uma dobradinha, em 2014.

Quanto a Joni Brandão, o segundo lugar tem sempre aquele sabor amargo, mas não deixou de ficar contente com a sua exibição: "Sinto-me feliz por estar na discussão das corridas. É isto que faz parte de mim." Já fez pódio na Clássica Aldeias do Xisto, apareceu forte no Grande Prémio Jornal de Notícias. Agora vem aí a Volta a Portugal. "Acho que ainda tenho de trabalhar muito. Tive parado no ano passado e há muitas coisas que tenho de trabalhar. Não me sinto na forma que costumava estar nos outros anos, mas espero conseguir estar ao nível que já estive noutros tempos", explicou. Ser campeão nacional pela segunda vez era um objectivo e vai continuar a ser em 2019, mas para já, Joni Brandão estará concentrado em apurar a sua forma.

O mesmo está a acontecer com Henrique Casimiro, que ficou com a medalha de terceiro classificado. O líder da Efapel, a par de Sérgio Paulinho, também está em crescendo de forma. "É um percurso com uma parte final que me favorece, mas só esses dois/três quilómetros. Os Nacionais são muito tácticos. Nem sempre o mais forte ganha, mas hoje sim, o mais forte ganhou", disse.

Os Nacionais, que regressaram à tutela da Federação Portuguesa de Ciclismo, encerraram assim com três dobradinhas, com um pequena nuance. Domingos Gonçalves repetiu o feito de Daniela Reis nas senhoras, enquanto nos sub-23 os títulos ficaram em família, com Ivo como campeão de contra-relógio e o irmão gémeo, Rui, como campeão de estrada.

Julho será um mês com a segunda etapa da Taça de Portugal - a Volta a Albergaria, dia 1 - o Troféu Joaquim Agostinho (12 a 15 de Julho) e a estreia do Grande Prémio Nacional 2 (18 a 22 de Julho).

Resultados (181,8 quilómetros, a uma média de 41,957 quilómetros/hora):
1º Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), 4:19:59 horas
2º Joni Brandão (Sporting-Tavira), a 30 segundos
3º Henrique Casimiro (Efapel), a 34
4º Tiago Machado (Katusha-Alpecin), a 40
5º César Fonte (W52-FC Porto), a 58
6º Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), a 1:02 minutos
7º Luís Fernandes (Aviludo-Louletano-Uli), a 1:33
8º Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli), a 1:42
9º João Matias (Vito-Feirense-BlackJack), a 5:29
10º Bruno Silva (Efapel), a 5:36
11º António Carvalho (W52-FC Porto), a 6:14
12º Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros-Carglass), a 8:58
13º Joaquim Silva (Caja Rural), m.t.
14º João Rodrigues (W52-FC Porto), a 13:49
15º Márcio Barbosa (Aviludo-Louletano-Uli), m.t.
16º Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack), a 13:52
17º Daniel Silva (Rádio Popular-Boavista), a 14:21
18º Rui Rodrigues (Aviludo-Louletano-Uli), a 14:42
19º Paulo Silva (LA Alumínios), a 14:50
20º Nuno Meireles (Miranda-Mortágua), a 15:02
21º Patrick Videira (LA Alumínios), a 15:15
22º Júlio Gonçalves (LA Alumínios), a 15:22
23º Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista), a 15:42
24º Rafael Reis (Caja Rural), a 16:13
25º Luís Afonso (Vito-Feirense-BlackJack), m.t.
26º César Martingil (Liberty Seguros-Carglass), a 16:14

Outros campeões:
Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) - Eslováquia
Gorka Izagirre (Bahrain-Merida) - Espanha
Yves Lampaert (Quick-Step Floors) - Bélgica
Antoine Duchene (Groupama-FDJ) - Canadá
Merhawi Kudus (Dimension Data) - Eritreia

12 de fevereiro de 2018

"Liderar a equipa é bom, liderar com o Sérgio é excelente!"

(Fotografia: Efapel)
Discreto, mas ambicioso. Pode parecer que Henrique Casimiro está em segundo plano na Efapel, ainda mais quando há um Sérgio Paulinho na equipa. Porém, o ciclista de Odemira soube construir a sua reputação. Soube conquistar a confiança do director desportivo Américo Silva e dos colegas. O segundo plano só se for no currículo, pois foi deixado bem claro pelo responsável da Efapel que Henrique Casimiro é um líder ao mesmo nível de Paulinho. Ficou também bem claro que o merece e que conquistou o direito de o ser. E como reage o corredor a esta responsabilidade? "Liderar a equipa é bom, liderar com o Sérgio é excelente!"

Ano após ano, Henrique Casimiro evoluiu sem ser um ciclista que desse muito nas vistas. Mas os resultados no topo das tabelas foram aos poucos mostrando que estava a caminho de um papel de maior relevo. Na Efapel teve primeiro Joni Brandão e agora Sérgio Paulinho como líderes. Chegou a sua vez. Como trepador tornou-se num dos melhores em Portugal. Depois, dedicou-se também ao contra-relógio, sabendo que só se defendendo muito bem é que poderia aspirar a ganhar a Volta a Portugal. No entanto, quer mais do que a Grandíssima e em 2018 espera alcançar o que considera faltar-lhe para se tornar ainda mais competitivo, para ser mais do que um ciclista de top dez. "O que tenho de melhorar? Acho que a confiança será mesmo o ponto chave", respondeu ao Volta ao Ciclismo. Por isso mesmo quer procurar resultados antes da Volta a Portugal, para assim ganhar a confiança que considera essencial para ambicionar alto.

"Eu gosto de manter alguma regularidade ao longo do ano e se surgir alguma oportunidade não desperdiçarei. O calendário que se adequa mais a mim será em Abril e Maio e gostaria de estar minimamente bem para ir ganhar a tal confiança que se precisa para a Grandíssima", salientou. Acrescentou que para conquistar a Volta a Portugal tem de acreditar que é possível e é ao lado de Sérgio Paulinho que aponta para o sucesso "Eu e o Sérgio somos ciclistas completamente diferentes, mas temos uma coisa em comum: somos pessoas sérias e cada um sabe no momento certo dizer 'és tu ou sou eu' e falamos muito [durante as corridas]. O Sérgio é uma pessoa extraordinária e nunca houve problema, nem creio que irá haver, porque convivemos bem com isso", referiu. Henrique Casimiro reforçou esse ambiente de entendimento, dizendo que se tiver de ajudar o Sérgio, é o que fará, mas que se for ao contrário, o companheiro assumirá essa função: "Isso é garantido!"


"Digo sempre que nunca se pode ir mal para a Volta ao Algarve. Quem for mal, sai de lá pior"

Garantida é também a tranquilidade com que enfrenta a responsabilidade de liderança. Até vê a co-liderança ao lado de um ciclista medalhado olímpico e que durante mais de uma década foi dos gregários mais importantes do pelotão internacional, como algo inesperado. "Tenho um enorme respeito pelo Sérgio e estar ao lado dele, partilhar responsabilidades, foi algo que nunca pensei que iria acontecer. Sinto-me bem e estou tranquilo", afirmou. Porém, não quer centrar as atenções apenas nele e no Sérgio Paulinho, pois não hesita em elogiar a equipa, que conta este ano com outro ciclista com muita experiência ao mais alto nível, David Arroyo, além das entradas do espanhol Marcos Jurado e de Pedro Paulinho, o irmão mais novo de Sérgio. "Esta Efapel está muito mais forte", assegurou.

Contou que quer trabalhar ainda mais para poder estar sempre que possível na discussão das corridas, pois apesar de apontar um pico de forma mais para Abril e Maio, a Volta ao Algarve é irresistível para alguém que conhece tão bem aquelas estradas. "Digo sempre que nunca se pode ir mal para a Volta ao Algarve. Quem for mal, sai de lá pior. O ritmo já é muito elevado e corre-se o risco de se, como dizemos, sair de lá morto", realçou. Henrique Casimiro disse querer desfrutar da corrida que começa esta quarta-feira e decorre até domingo. Contudo... "Se conseguir, farei alguma gracinha!"

Depois de dois top dez na Volta a Portugal e não esquecendo que em 2013 deixou um dos mais fortes sinais que se estava perante um ciclista de grande qualidade, quando foi terceiro no Troféu Joaquim Agostinho, Henrique Casimiro, 31 anos, alcançou com muito trabalho e esforço um lugar de liderança. Apresenta-se em 2018 com enorme motivação e é desde já um ciclista que se coloca como um dos a seguir com muita atenção esta temporada.

»»"Quando me chamaram [da Efapel] a chama que se tinha apagado, reacendeu-se"««

»»Paulinho, Mestre e Américo Silva em uníssono: "A Efapel está mais forte"««

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22 de novembro de 2017

Atenções centradas em Sérgio Paulinho com a equipa a corresponder como um todo

Conseguirá Sérgio Paulinho passar de gregário a líder? Foi a pergunta que se fez durante todo ano. A Efapel recebeu um dos ciclistas mais importantes que Portugal teve no World Tour. Medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, Sérgio Paulinho esteve mais de uma década ao lado de algumas das grandes referências da modalidade e tornou-se num dos homens de trabalho mais apreciados no pelotão internacional. E alcançou uns triunfos pessoais memoráveis, como as etapas no Tour (2010) e na Vuelta (2006). De regresso a casa, o ciclista, agora com 37 anos, nunca escondeu que seria um desafio ter um papel diferente.

Agarrou a oportunidade ao lado do director desportivo e amigo Américo Silva e quando chegou o momento de dar a resposta, disse que sim, que pode ser um líder. Porém, não conseguiu o resultado que procurava na Volta a Portugal, mas comprovou que, independentemente da idade, está-se sempre a aprender e a evoluir. Sérgio Paulinho espera que este tenha sido um ano de transição, para em 2018 alcançar o que ambiciona com a Efapel.

A equipa tem sido uma das mais fortes do pelotão nacional, mas ciente que, tal como todas as outras, está na perseguição à W52-FC Porto. Perder Joni Brandão para o Sporting-Tavira foi um rude golpe, contudo, a Efapel respondeu com uma contratação de peso. A responsabilidade era grande, mas tanto o director desportivo, como o ciclista sempre afastaram um aumento de pressão devido ao mediatismo de Sérgio Paulinho e também por a Efapel não ganhar a Volta a Portugal desde 2012, então com o espanhol David Blanco.

Ranking nacional: 3º (1703 pontos)
Vitórias: 6 (incluindo uma etapa na Volta a Portugal)
Ciclista com mais triunfos: Daniel Mestre (3)

Com as atenções centradas em Sérgio Paulinho, Henrique Casimiro quase passou despercebido. Pode ter sido mais discreto, é certo, mas alcançou sempre resultados interessantes e que claramente davam outra opção a Américo Silva. O melhor aconteceu em Espanha, na Volta a Castela e Leão, onde fechou o pódio. Na Volta a Portugal acabou por ser um co-líder. Terminou na oitava posição, uma acima de Paulinho. Para uma Efapel que na Senhora da Graça perdeu a possibilidade de discutir a corrida, foram resultados importantes, ainda que aquém do desejado.

Não foi uma temporada fácil. Só em Maio surgiu a primeira vitória e logo a dobrar, no Grande Prémio Jornal de Notícias. Daniel Mestre tirou um peso dos ombros da equipa. Parecia que o difícil tinha sido conseguir o primeiro triunfo. Jesús de Pino venceu o Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela e mais tarde a Volta a Albergaria. Daniel Mestre celebrou no Troféu Joaquim Agostinho, mas a grande vitória do ano chegaria por um ciclista mais improvável. António Barbio já havia demonstrado como é um corredor de confiança no trabalho que faz em prol da equipa. De vez em quando chega aquele momento em que um gregário por excelência tem a sua oportunidade e há que agarrá-la.

Na chegada a Santo Tirso, Del Pino estava na fuga com Barbio, mas o português teve liberdade para tentar a sua sorte. Num daqueles dias que marcam uma carreira, Barbio (23 anos) pedalou como nunca e aguentou o ritmo numa subida à Nossa Senhora da Assunção que poderia traí-lo. Ganhou isolado e deu uma importante vitória a uma Efapel que já tinha visto Daniel Mestre ficar perto. Não houve pódio e muito menos a conquista da corrida, mas Barbio e o top dez de Paulinho e Casimiro fizeram com que o balanço pudesse ser considerado positivo.

Uma palavra para Rafael Silva. Ninguém apontaria nada a um ciclista que leva 14 pontos nas costas e mais três no braço e decidisse abandonar. Rafael Silva continuou, com o apoio de colegas que recusaram deixá-lo para trás. Não foi fácil, mas ainda conseguiu dar uma ajuda mais perto do final da Volta. Em Viseu, na última etapa, só havia sorrisos por ter cortado a meta.

A época da Efapel pode ter-se centrado muito em Sérgio Paulinho, mas acabou por demonstrar que o todo o conjunto tinha valor. Ainda assim, em 2018 será de esperar que na Volta a Portugal do próximo ano possa estar na discussão. Barbio e Álvaro Trueba optaram por outros caminhos - Miranda-Mortágua e Sporting-Tavira -, mas já está garantido mais um ciclista muito experiente, o espanhol David Arroyo (37). De Espanha chega ainda Marcos Jurado (26) que estava na Burgos-BH.



21 de maio de 2017

Efapel com dois ciclistas no pódio na Volta a Castela e Leão

O pódio final: Rosón, Hivert e o português Henrique Casimiro
(Fotografia: Facebook Volta a Castela e Leão)
Tem competido mais por Portugal este ano, mas a viagem até Espanha da Efapel foi bastante produtiva. A equipa terminou a Volta a Castela e Leão com dois ciclistas no pódio. Henrique Casimiro foi terceiro a 55 segundos do vencedor, o francês Jonathan Hivert, da Direct Energie. Em segundo ficou Jaime Roson, ciclista espanhol da Caja Rural que alcança a mesma posição da Volta à Croácia. Casimiro foi terceiro na etapa rainha de sábado, tirada que acabou por ser decisiva para a classificação final. Já Daniel Mestre conquistou a camisola dos pontos, subindo assim também ao pódio. Porém, a prestação das equipas portuguesas teve ainda mais resultados de nota.

João Rodrigues foi o mais forte na montanha
(Fotografia: Facebook Volta a Castela e Leão)
João Rodrigues (W52-FC Porto) venceu a classificação da montanha e a Efapel foi a segunda melhor equipa, a 26 segundos da italiana Androni Giocattoli. No top dez da geral, destaque ainda para a presença de Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), a 1:08 minutos de Hivert, António Carvalho e Joaquim Silva, ambos da W52-FC Porto, foram sétimo (a 1:14) e oitavo (a 1:19), respectivamente e o espanhol Jesus del Pino (Efapel) foi nono, a 1:28.

Ao fim de três dias de competição, o director desportivo da Efapel ficou muito satisfeito com a exibição dos seus ciclistas. “A nossa prestação foi extremamente positiva. Viemos com o intuito de lutar pelas vitórias e isso foi uma realidade. Além disso, conseguimos terminar no pódio da geral individual com o Henrique [Casimiro], conquistámos a camisola azul com o Daniel [Mestre] e ainda terminámos em segundo a nível colectivo. Foi uma corrida dura e exigente mas a equipa esteve à altura. Saímos com um conjunto ainda mais preparado e forte”, salientou Américo Silva, num comunicado da equipa.

Daniel Mestre ficou com a camisola dos pontos
(Fotografia: Facebook Volta a Castela e Leão)
A última etapa da Volta a Castela e Leão foi ganha por Carlos Barbero, ciclista da Movistar, a única equipa do World Tour presente nesta corrida. Nuno Bico foi um dos corredores presentes pela formação espanhola, terminando na 48ª posição da geral, a 5:20 minutos de Hivert. O outro português em prova por uma equipa estrangeira, Rafael Reis (Caja Rural), foi 55º, a 6:34. O ciclista de Palmela foi terceiro na primeira etapa, atrás de Daniel Mestre, ambos batidos pelo russo Alexander Evtushenko (Lokosphinx).

Das seis equipas de elite portuguesas só o Louletano-Hospital de Loulé não esteve presente, mas todas estarão juntas no Grande Prémio Jornal de Notícias. Uma das principais corridas do calendário nacional realiza-se esta semana entre 24 e 28 de Maio.

Pedro Lopes conquista Taça de Portugal de juniores

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
O ciclista da equipa Alcobaça CC/Crédito Agrícola foi sexto classificado no Circuito da Palmeira - Prémio Peixoto Alves, em Braga, mas o resultado foi suficiente para Pedro Lopes conquistar a Taça de Portugal de juniores, somando 250 pontos, mais 39 pontos do que Pedro Teixeira (Maia) e 43 do que Hugo Garcez (Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel).

Afonso Silva venceu a corrida que homenageia o vencedor da Volta a Portugal em 1965. O ciclista do Sporting/Tavira/Formação Eng. Brito da Mana deixou Pedro Teixeira a 1:06 minutos.

Nos sub-23, a selecção nacional participou na Ronde de l’Isard, uma das mais prestigiadas provas por etapas deste escalão. Ciclistas como Kenny Elissonde (actualmente na Sky) e Alexandre Geniez (AG2R) ganharam esta corrida. Andrew Talansky e Joe Dombrowski (Cannondale-Drapac), Jonathan Castroviejo (Movistar), Dylan Teuns (BMC), Tiesj Benoot (Lotto Soudal) e George Bennett (Lotto-Jumbo e que ganhou a Volta a Califórnia) são nomes que constam da lista de pódios.

Tiago Antunes foi terceiro na última etapa da Ronde de l’Isard, ganha pelo russo Pavel Sivakov (BMC Development Team), que conquistou também a geral. O melhor português foi precisamente Tiago Antunes, com o décimo lugar a 12:10 minutos. Quanto aos restantes representantes lusos, Hugo Nunes foi 26.º, a 26:50; Gonçalo Carvalho, 28.º, a 30:11; Venceslau Fernandes, 34.º, a 34:45; Gaspar Gonçalves, 42.º, a 38:57; André Carvalho, 63.º, a 55:43.

José Borges em acção (Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Na Taça de Portugal de Enduro, José Borges (Enduro BTT Braga) manteve a invencibilidade, vencendo a segunda prova em Lorvão. O madeirense Emanuel Pombo (Ciclo Madeira Clube Desportivo) repetiu o segundo lugar da primeira etapa da competição. Nas senhoras, a estoniana Maaris Meier (Maiatos/Reabnorte) não deu hipóteses à concorrência, batendo Ana Leite (Enduro BTT Braga) por 1:03 minuto, mas o segundo lugar permitiu-lhe manter a liderança da Taça de Portugal.

João Nóbrega (Ciclo Madeira Clube Desportivo) foi o melhor júnior, Duarte Ribeiro (Maiatos/Reabnorte) venceu a corrida de cadetes, Hélder Padilha (Montanha Clube/LouzanPark) impôs-se nos Master 30, e Vasco Correia (Penacova DI/UD Lorvanense) manteve-se invencível nos Master 40.

»»Daniela Reis contente com corrida das suas "tuguinhas"««

»»Raúl Alarcón vence Volta às Astúrias e deixa Nairo Quintana no segundo lugar. W52-FC Porto foi a melhor equipa««