28 de fevereiro de 2021

A afirmação de Pedersen no pós-título mundial

© Trek-Segafredo
Mads Pedersen vestiu a camisola de campeão do mundo no pior ano! A pandemia fez com que não pudesse desfrutar daquele símbolo como merecia. Ainda assim, nunca desmoralizou e só quis mostrar-se com a camisola do arco-íris nas oportunidades que surgissem. No calendário possível em 2020, Pedersen conseguiu o seu destaque. Esteve perto de ganhar na Volta a França, venceu no BinckBank Tour e, naquele que foi certamente o ponto alto, conquistou a Gent-Wevelgem, que se realizou em Outubro. É neste terreno, das clássicas do pavé, que Pedersen tem vindo a ganhar nome. O título mundial em Yorkshire foi uma surpresa e este dinamarquês conquistou o que muitos esperam uma carreira para alcançar - que o diga Alejandro Valverde - e agora, aos 25 anos, prossegue a sua afirmação.

Talvez a idade tenha ajudado a Pedersen a enfrentar a sua época como campeão do mundo em título de forma muito descontraída. Não pareceu sucumbir à pressão, como aconteceu a outros ciclistas e que deu azo à chamada "maldição". Ou seja, quem veste as cores do arco-íris não consegue ganhar. O dinamarquês ganhou e até deu um passo em frente na carreira. Demonstrou que, não sendo sprinter, podem contar com ele para se intrometer nestas discussões. Este domingo, na Kuurne-Bruxelles-Kuurne (197 quilómetros) foi assim que venceu.

Não enfrentou os sprinters puros, é certo. Porém, Pedersen está a confirmar as expectativas criadas quando em 2018 foi uma das figuras das clássicas do pavé, tendo sido segundo na Volta a Flandres. Andou um pouco discreto depois dessa fase, mas o título mundial despertou algo no dinamarquês que o está a levar a afirmar-se no terreno que tão bem lhe assenta, além de também aprimorar o sprint.

Para a Trek-Segafredo é uma alívio ver Pedersen confirmar o seu potencial. Desde que Fabian Cancellara se retirou, que a equipa não conseguiu alcançar o destaque de então nas clássicas. Jasper Stuyven é um ciclista de enorme qualidade, contudo, escasseiam as vitórias. A aposta em John Degenkolb foi completamente falhada e Pedersen foi o jovem que desde 2017 foi sendo trabalhado para que possa ser uma referência. Ninguém pede que seja um Cancellara, mas a Trek-Segafredo quer um forte candidato e que possa assegurar mais vitórias.

No sábado, a equipa teve uma Omloop Het Niewsblad para esquecer, mas, ainda assim, o início de época está a ser promissor para a Trek-Segafredo, já com quatro vitórias, incluindo a de Pedersen na Kuurne-Bruxelles-Kuurne. Stuyven será sempre um líder, mas é no dinamarquês que se vai centrar muita atenção nesta fase de clássicas do pavé. E Stuyven até já faz de lançador do colega. Os dois juntos, podem dar à formação americana um mês de Março e Abril de sucesso.

Pedersen começou a carreira em grande com um título mundial, mas agora quer cumprir o objectivo de ser um vencedor de uma Volta a Flandres, ou de um Paris-Roubaix, no que a monumentos diz respeito. Stuyven não desiste de procurar o que muitos previram que tinha tudo para conquistar. Uma dupla de respeito na Trek-Segafredo.

Cuidado com Pidcock

É caso para dizer que entrou com tudo! Depois de na Omloop Het Niewsblad ter sido protagonista de uma boa recuperação para o grupo da frente, demonstrando que está preparado para rapidamente se afirmar naquele que é o seu primeiro ano no World Tour, Thomas Pidcock mostrou como é mentalmente.

No sábado, fez uma boa corrida, mas uma queda perto do fim estragou-lhe os planos de discutir a vitória. Como reagiu? No domingo esteve sempre atento às muitas movimentações na Kuurne-Bruxelles-Kuurne, não se intimidou com os ciclistas mais experientes a tentarem tirar-lhe o bom posicionamento e atacou o sprint final. Primeiro pódio (terceiro) desde que chegou à Ineos Grenadiers e logo na terceira corrida.

Apesar de não querer centrar a sua carreira apenas nas clássicas, é, para já, nestas corridas em que se espera ver este campeão de ciclocrosse mostrar como pode ser mais um ciclista que, ao concentrar-se na estrada, pode tornar-se num grande nome da modalidade.

Mathieu van der Poel é um desse exemplos. O holandês tentou uma fuga a 80 quilómetros da meta, apanhou o grupo que ia na frente, mas a 1600 metros da meta foi apanhado. É o ciclista da Alpecin-Fenix a dar espectáculo, como se gosta, mas a não conseguir o resultado desejado, o que no final é o mais importante.

Pidcock, que na temporada de ciclocrosse foi consecutivamente batido por Van der Poel, vai dando os seus passos para se juntar à nova elite na estrada, que durante os próximos anos promete umas clássicas de muita emoção.

Na  Kuurne-Bruxelles-Kuurne esteve presente um português. André Carvalho (Cofidis) não conseguiu desta feita terminar a corrida, mas terça-feira terá nova oportunidade, na prova de Le Samyn.

Classificação completa da Kuurne-Bruxelles-Kuurne, via ProCyclingStats.

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27 de fevereiro de 2021

Circuitos, contra-relógios, crono-escaladas, as sugestões para que a espera não seja até Abril

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Com a Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) à espera de poder arrancar com o calendário de estrada a partir de 10 de Abril, os ciclistas do pelotão nacional procuram dar sugestões para que possa haver alguma competição antes, já que nenhuma organização consegue avançar com as corridas previstas para Março. Mantém-se o confinamento e o estado de emergência, mas é possível que a elite profissional possa competir, segundo o que foi estabelecido pelo governo. Porém, o ciclismo continua longe do regresso em Portugal.

Os corredores mantêm os planos de treino, numa espera que, compreensivelmente, se vai tornando frustrante. Uma ideia parece começar a ganhar força: corridas em circuito, utilizando autódromos como o do Estoril - onde em Junho se vai realizar o Mundial de Paraciclismo - ou Portimão, por exemplo.

Outra sugestão passa por contra-relógios ou mesmo crono-escaladas. Em 2020 houve uma Prova de Reabertura em Anadia, precisamente de contra-relógio, que então serviu para não só marcar o regresso à competição, como para testar todos os novos protocolos de segurança sanitária. Também regressou ao calendário o Campeonato Nacional de Rampa.

"Podes fazer provas num autódromo, numa pista, num local fechado, uma corrida com os atletas, com protocolo de segurança, testes PCR, medição de temperatura, fechado ao público", destacou à Lusa Gustavo Veloso, ciclista que prolongou a carreira por mais um ano, tendo trocado a W52-FC Porto pela Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel.

O espanhol realçou ainda o potencial da transmissão televisiva ou em streaming de uma corrida num circuito fechado, menos exigente a nível de logística do que uma prova na via pública. Além disso, não seria necessário polícia para fechar estradas. Veloso foi mais longe nas declarações, acreditando que, nestes moldes, seria possível outros escalões também competirem. Porém, enquanto perdurar o estado de emergência, tal não acontecerá, nem para as categorias dos mais jovens, nem para os masters.

"O que temos é de procurar soluções para estes momentos. Evidentemente, não se pode correr a época toda em circuito, mas temos de voltar o quanto antes. [...] Com três ou quatro corridas em circuito antes do regresso à estrada, pelo menos temos uma opção de ganhar ritmo, motivação, e fazer o nosso trabalho, os adeptos podem desfrutar, e dar visibilidade aos patrocinadores. O que não é bom é estar parado. Assim, toda a gente ganha, e não temos nada a perder", afirmou.

A Sérgio Paulinho (LA Alumínios-LA Sport) também lhe agrada a solução dos circuitos, como explicou à Lusa: "Podendo fazer-se em autódromos, estou de acordo, até porque provavelmente os custos iriam ser bastante reduzidos, por isso seria um grande incentivo para se poder colocar já em prática a época desportiva."

Tiago Machado (Rádio Popular-Bovista) salientou que o pelotão está "apto a fazer tudo e mais alguma coisa, como circuitos, contra-relógios, crono-escaladas, com o objectivo de dar "algum retorno aos patrocinadores".

"Basta ver que no domingo se realizou o Nacional de ciclocrosse, que é num circuito. Não dá para entender o porquê de não se fazerem as competições. Estamos todos ansiosos que recomece, porque treinamos ao frio e à chuva e queremos competir. Só queremos o básico da nossa profissão", disse.

César Fonte (Kelly-Simoldes-UDO) mostra-se mais céptico, pois considera que o sucesso de provas em circuitos "depende muito" da organização e da sua "divulgação mediática". Referiu que "só um dia de corrida" não chegaria, mesmo que visse com bons olhos "alguns circuitos e, logo a seguir, a continuidade do calendário normal".

As sugestões estão dadas, mas quem organiza? "Se alguém as organizar, será bem-vindo e terá o nosso apoio. A federação, no âmbito do seu plano e orçamento, vai assumir a organização de quatro provas no mês de Abril. Não há mais nenhum organizador disponível a fazê-lo. [...] Não temos condições para fazer mais corridas. Se alguém as fizer, terá o nosso acolhimento", explicou Delmino Pereira.

O presidente da FPC considerou que é "uma solução, mas não a solução". E acrescentou: "Não me parece que seja grande solução e nem sequer foi unânime no contexto das equipas."

Pedem-se soluções para terminar com esta longa paragem competitiva. Mas, para já, a expectativa é que só mesmo em Abril retornem as corridas, com a esperança que a partir daí o calendário possa realizar-se, recuperando eventualmente algumas das corridas adiadas em Março. A Volta ao Algarve - que estava agendada para Fevereiro - está à espera de luz verde da UCI para "encaixar" em Maio.

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Novos protagonistas quiseram aparecer mas no final... ganhou quem mais sabe

© Luc Claessen/Getty Images/Deceuninck-QuickStep
Início da época de clássicas que não desiludiu! O fim-de-semana de abertura deste tipo de corridas, com destaque para as provas de pavé teve uma Omloop Het Nieuwsblad bem animada, com alguns novos protagonistas a quererem entrar na luta com os habituais candidatos nesta fase do ano, mas no final ganhou a equipa que melhor sabe fazê-lo neste terreno.

Ver a Deceuninck-QuickStep correr nas clássicas é arte no ciclismo. Ver a Deceuninck-QuickStep preparar sprints é a perfeição a alta velocidade. A temporada conta com poucas corridas - muitos cancelamentos e adiamentos devido à pandemia -, mas a equipa belga já soma cinco vitórias. E não deu hipóteses na Omloop Het Nieuwsblad. Uma clássica do pavé, uma vitória. Tentou com Julian Alaphilippe, não resultou, o francês trabalhou depois intensamente para um companheiro. Zdenek Stybar caiu, mas estava lá um Davide Ballerini cada vez mais a sair do segundo plano, que na Deceuninck-QuickStep pouco quer dizer. Todos acabam por ter a sua oportunidade.

Aos 26 anos, está há dois na Deceuninck-QuickStep, o que diz ser o cumprir de um sonho. Se já em 2020 tinha demonstrado que poderia começar a entrar nas contas para sprinter de referência, na Omloop Het Nieuwsblad não desperdiçou a oportunidade para ganhar. E tanto o italiano, como toda a equipa quase fizeram parecer fácil ganhar! Toda a concorrência ficou a ver Ballerini de longe enquanto cortava a meta, depois de 200,5 quilómetros da clássica belga.

Mas se a Deceuninck-QuickStep mostrou o esperado, há outros dois destaques menos comuns nestas andanças. A Ineos encontrou um ciclista que poderá fazer o mesmo que Ian Stannard há uns anos. Provavelmente até mais. Thomas Pidcock finalmente optou por se dedicar à estrada (ainda que não vá deixar o ciclocrosse) e a sua chegada à Ineos Grenadiers - esteve em 2018 e 2019 na Team Wiggins - é precisamente para dar outro poderio à equipa britânica nestas corridas.

Porém, Pidcock também é ciclista que se adapta bem às provas por etapas. Aos 21 anos chega ao World Tour com selo de corredor completo, forte também no contra-relógio. Em 2017 foi campeão mundial em juniores na especialidade.

Na Omloop Het Nieuwsblad ficou uma pequena amostra do que o britânico poderá fazer. A forma como recuperou lugar na frente da corrida depois de ter ficado no grupo atrasado, foi um momento de muita classe de Pidcock. Infelizmente uma queda acabaria por estragar-lhe a corrida já nos quilómetros finais.

Se a Ineos Grenadiers não tem muita tradição neste tipo de corrida, a Movistar também não.  Aqui e ali a equipa espanhola já tentou no passado mostrar-se nas clássicas do pavé. Até Alejandro Valverde experimentou recentemente. Porém, tem agora um ciclista de qualidade para este terreno. Ivan Cortina chegou da Bahrain-Mclaren com o plano de se tornar num sério candidato a vitórias no pavé. O 11º lugar do espanhol pode muito bem ser o revelar que está a aquecer para o que aí vem neste calendário específico.

E temos ainda André Carvalho. O único português em prova estreou-se numa prova World Tour. O ciclista da Cofidis tem duas missões nesta altura da época: adaptar-se a uma nova realidade e dar o apoio possível aos líderes, neste caso Christophe Laporte. É isso que Carvalho está a fazer, terminando na 77ª posição, a 3:07 minutos de Ballerini.

A equipa francesa está a dar tempo de corrida ao português de 23 anos. Este domingo estará novamente em acção na Kuurne-Bruxelles-Kuurne (dorsal 136) e também está na lista para a prova Le Samyn.

Classificação completa, via ProCyclingStats.

Maria Martins começou temporada

Enquanto a campeã mundial Anna van der Breggen (SD Worx) dava um daqueles espectáculos a que já nos habituámos, deixando todas para trás e cortando a meta sozinha, a Omloop Het Nieuwsblad para senhoras tinha uma Maria Martins a arrancar a época da Drops-Le Col s/p Tempur.

A vontade já era muita, depois de um 2020 para esquecer na estrada devido à razão que já se sabe. 2021 também não se apresenta fácil com a pandemia a continuar a limitar a realização de corridas, mas a portuguesa de 21 anos foi à Bélgica sentir o que é competir numa clássica do pavé. A época começou com um 41º lugar, a 7:13 minutos da vencedora, sendo uma experiência que vai ajudar a jovem ciclista a crescer num pelotão feminino cada vez mais competitivo.

Classificação completa, via ProCyclingStats.

Mais portugueses

O trio luso da UAE Team Emirates competiu em França, na Faun-Ardèche, uma corrida mais para trepadores. Por isso mesmo, Rui Costa aproveitou para se mostrar, terminando na 12ª posição, a 46 segundos de David Gaudu.

Atenção a este ciclista francês da Groupama-FDJ. Com Thibaut Pinot a estar numa fase novamente mais complicada, com o Tour a nem aparecer nos seus planos para 2021 - vai ao Giro -, poderá estar a chegar o momento de Gaudu assumir um papel de maior relevância. E vai à Volta à França.

Quanto aos gémeos Oliveira, terminaram juntos: Ivo foi 119º e Rui 120º, ambos a 19:10 minutos de Gaudu.

Classificação completa, via ProCyclingStats.

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26 de fevereiro de 2021

Novo equipamento e bicicleta no arranque de época de Maria Martins

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Maria Martins vai estar no fim-de-semana de abertura das clássicas! Finalmente chega a fase da temporada sempre tão espectacular, com a Omloop Het Nieuwsblad a dar o mote este sábado, antes de no domingo se disputar a Kuurne-Bruxelles-Kuurne. Esta última é só para os homens, mas a primeira terá prova masculina e feminina. A ciclista portuguesa vai dar as primeiras pedaladas na estrada de 2021 com a sua Drops-Le Col s/b Tempur, mas este fim-de-semana teremos mais lusos em acção. André Carvalho, por exemplo, em ano de estreia no World Tour, estará nas duas clássicas com a Cofidis.

Para a equipa de Maria Martins é o início de uma nova era depois de ter chegado um muito desejado reforço financeiro. A Le Col, marca de equipamentos, respondeu ao apelo de ajudar a equipa britânica a crescer e passou de apenas fornecedora a co-patrocinadora.

© Drops-Le Col s/b Tempur
O momento teve de ser marcado com um novo equipamento, pois claro, e é bem vistoso. Já em 2020 não era um que passasse despercebido, mas para esta época a Le Col 
aproveitou o conhecimento da McLaren no pelotão profissional - na época passada chegou mesmo a ter o seu nome na equipa da Bahrain, mas entretanto abandonou o ciclismo - para criar um equipamento moderno e que faça a sua parte para contribuir para o sucesso das ciclistas. A marca explicou que camisola e calções foram criados com o melhor dos materiais, para permitir a melhor aerodinâmica, além do essencial conforto.

Recorde-se que a Drops quer ascender ao principal escalão e 2021 será um ano importante para alcançar o objectivo já na próxima temporada. A questão financeira parece estar num bom caminho, agora procuram-se bons resultados. Além da Le Col passar a co-patrocinadora, chegou a Tempur (colchões e almofadas), a Ribble fornece as bicicletas, com a Mavic a entrar no ciclismo feminino através desta equipa.

Maria Martins chegou à Drops em 2020 depois de dois anos na Sopela Women's Team, para onde deu o salto depois de representar o Clube de Ciclismo da Bairrada. Com apenas 21 aos, Tata, como é conhecida, já fez história na modalidade em Portugal, ao tornar-se na primeira mulher lusa a apurar-se para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em pista. Nesta vertente já soma medalhas, enquanto procura afirmar-se também na estrada.

Forte no sprint, 2020 foi um ano difícil devido à escassez de corridas. Esta época também não está fácil para o calendário feminino, pelo que há que aproveitar todas as oportunidades que surjam. A Omloop Het Nieuwsblad contará com alguns grandes nomes, como Annemiek van Vleuten (Movistar) e Lizzie Deignan (Trek-Segafredo).

Maria Martins, que terá o dorsal 162, estará acompanhada na sua equipa pela britânica Elizabeth Bennett, a sueca Sara Penton, a alemã Finja Smekal e as holandesas Maike van der Duin e Marjolein van't Geloof.

© Drops-Le Col s/b Tempur
A bicicleta de Tata

A Ribble, marca britânica com mais de 100 anos de história, escolheu os modelos Ribble Endurance SLR e Ultra TT (contra-relógio) para serem utilizados pelas ciclistas da Drops-Le Col s/b Tempur.

Nas fotografias divulgadas pela equipa, será uma bicicleta que não passará despercebida. Afinal, na Drops há o lema de "colour the road" (dar cor à estrada), o que também é bem perceptível pelos equipamentos. Nas imagens é possível ver que além das rodas Mavic, a bicicleta está equipada com o grupo Shimano Ultrega, selim Fizik e pneus Continental.

É esta a nova máquina de Maria Martins, que este ano não terá a companhia na aventura no estrangeiro, ainda que em equipas diferentes, de Daniela Reis. A primeira ciclista portuguesa a ir além fronteiras colocou um ponto final na carreira. Quanto a Tata, depois da Omloop Het Nieuwsblad (124,4 quilómetros entre Gent e Ninove) participará na corrida Le Samyn, na Bélgica, na terça-feira.

A Drops-Le Col s/b Tempur terá como um dos pontos altos da temporada a presença na primeira edição do mítico Paris-Roubaix para senhoras, prova agendada para 11 de Abril.

(Texto continua após o vídeo.)


No masculino...

Relativamente a André Carvalho, o outro português em acção nas clássicas deste fim-de-semana - sem esquecer que João Almeida (Deceuninck-QuickStep) e Ruben Guerreiro (EF Education-Nippo) estão na Volta aos Emirados Árabes Unidos, que acaba este sábado -, o ciclista de 23 anos estreou-se na Cofidis na Clássica de Almeria (100º lugar), mas a Omloop Het Nieuwsblad marcará a sua primeira corrida World Tour.

Carvalho, dorsal 84, terá o francês Christophe Laporte como líder, com a Cofidis a chamar ainda Piet Allegaert, Tom Bohli, Jempy Drucker, Emmanuel Morin e Szymon Sajnok. Serão 200,5 quilómetros entre Gent e Ninove.

Para a Kuurne-Bruxelles-Kuurne sai Sjanok e entra Jelle Wallays (Carvalho terá o dorsal 136), com o português a poder fazer o pleno, pois também está na lista da Cofidis para o Le Samyn, na terça-feira.

De referir que este sábado também se realiza em França uma corrida de um dia, a Faun-Ardèche, que contará com o trio luso da UAE Team Emirates: Rui Costa e os gémeos Oliveira. Serão 171,3 quilómetros que começam e acabam em Guilherand-Granges.


23 de fevereiro de 2021

Corridas em Portugal só em Abril. Ciclistas desiludidos com adiamentos

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Vamos ter de esperar até Abril para que em Portugal haja mais competição. Neste domingo, foi possível disputar-se o campeonato nacional de ciclocrosse, ainda que só na categoria de elite. Porém, no que a todas as vertentes e escalões de ciclismo diz respeito, mais provas apenas daqui a cerca de mês e meio.

Apesar das regras permitirem que se realizem competições na categoria de elite profissional no actual estado de emergência, o ciclismo está com dificuldades em ir para a estrada, terra batida, pista, circuito de bmx... seja qual for a vertente. Estando muitas vezes dependente do sim das Câmaras Municipais, com o confinamento a manter-se no mês de Março, como tem vindo a ser reiterado pelo governo, além da Volta ao Alentejo já adiada, as clássicas da Arrábida e da Primavera e a Prova de Abertura Região de Aveiro também são uma miragem, provas do calendário do ciclismo de estrada.

Quanto aos restantes escalões, esses terão mesmo de esperar pelo levantamento das restrições. A Federação Portuguesa de Ciclismo referiu isso mesmo em comunicado, salientando que "está a trabalhar na reorganização dos calendários desportivos amadores (de escolas a sub-23 e masters) para que a actividade possa ser retomada logo que os decretos do estado de emergência o permitam".

E acrescenta: "Atendendo à importância desportiva, mas também social e económica, do ciclismo profissional de estrada, o respectivo calendário está numa fase mais adiantada de renovação, embora esteja dependente da mobilização dos diferentes parceiros que colaboram com os organizadores, prevendo-se a retoma de competição profissional para o dia 10 de Abril."

Os ciclistas vão tentando manter o foco na preparação, apesar da incerteza. Porám, nas redes sociais, vão demonstrando a tristeza, ansiedade e até mesmo frustração por estarem impossibilitados de competir. Há que não esquecer que a Volta ao Algarve deveria ter sido disputada na semana passada, mas foi adiada para Maio (5 a 9), data ainda à espera de confirmação por parte da UCI.

Tiago Machado, da Rádio Popular-Boavista, expressou precisamente o desapontamento por o calendário não estar a ser cumprido: "Infelizmente vimos novamente o início da temporada ser adiado! O que nos deixa desapontados pois não entendemos o que de diferente temos nós das outras modalidades."

Frederico Figueiredo tenta manter a boa disposição. "Mesmo estando privados de voltar à competição, o trabalho de bastidores e o profissionalismo mantêm-se bem vivos e a lutar contra a maré. Não temos tempos fáceis pela frente, mas fácil seria baixar os braços e não pôr mãos à obra", escreveu no Facebook o reforço da Efapel.

Já João Benta é mais crítico, começando por questionar quando é que a espera chega ao fim, num texto publicado na mesma rede social. "Desde o dia 5 de Outubro de 2020 que a modalidade está suspensa em Portugal.... sim concordo que houve motivos... Mas tudo estava previsto para hoje mesmo estar a terminar a Volta ao Algarve, onde a mesma foi adiada por não haver condições para a sua realização devido ao estado pandémico do país... Mas pergunto eu e nada contra outras modalidades, porquê só o ciclismo profissional parado?!? Vivemos disto e temos famílias para sustentar...", lê-se.

O ciclista da Rádio Popular-Boavista recorda o bom exemplo da Volta a Portugal, corrida que decorreu sem que houvesse qualquer caso positivo de covid-19. "Existem propostas para o regresso com a realização de todos os testes ao covid e nem assim existe regresso?!?!", continuou.

Benta recordou com este domingo realizaram-se as corridas de ciclocrosse (feminina e masculina), dizendo que não foram necessários testes. Referiu não estar a criticar os Nacionais se terem disputado - disputaram-se num circuito fechado -, mas pergunta "qual é o requisito necessário".

"Lamento este desabafo mas chega de andar ansioso dia após dia sair para treinar e sem saber quando regressamos a colocar o dorsal... Gostava que me explicassem isso...", escreveu o ciclista (pode ler o texto na íntegra neste link).

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21 de fevereiro de 2021

Nacional de ciclocrosse e um pouco de competição num 2021 em espera

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Nada como um temporal no dia antes para ajudar a tornar o percurso de ciclocrosse deste domingo mais complicado, aumentando a emoção na disputa por um título nacional. Houve competição em 2021 em Portugal, enquanto se aguarda pela luz verde para o arranque dos calendários nas diferentes vertentes. A pandemia obrigou a que apenas a categoria de elite pudesse participar no Nacional de ciclocrosse, com 46 corredores a partirem para o circuito em redor do Centro de Alto Rendimento, em Anadia.

34 foram homens, mais 12 mulheres, que em comum tinham a muita vontade de sentir novamente a adrenalina de uma corrida. Entre BTT e estrada, os atletas juntaram-se no ciclocrosse, com o título a ser discutido entre um de cada vertente, na prova masculina. Mário Costa (Axpo/FirstBike Team/Vila do Conde) é um habitué nestas andanças e tem mais um grande resultado na sua carreira. Não teve missão fácil frente ao jovem Miguel Salgueiro (LA Alumínios-LA Sport), um todo-o-terreno que pode ter escolhido a estrada, mas é competitivo em qualquer vertente.

Os dois e Ricardo Marinheiro (Clube BTT Matosinhos) formaram o trio que se destacou inicialmente. Contudo, ao fim de três voltas, Costa e Salgueiro ganharam vantagem, proporcionando uma corrida muito táctica, estudando-se mutuamente. Preparavam-se para discutir o título nacional quando, na penúltima curva, os travões traíram Miguel Salgueiro. Saiu em frente e chegou a cair. Mário Costa cortou a meta com 15 segundos de vantagem sobre Vítor Santos (Axpo/FirstBike Team/Vila do Conde).

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Miguel Salgueiro ficou com a roda danificada na queda e o ciclista terminou a prova a correr, com a bicicleta ao ombro. A vantagem que tinha não lhe permitiu salvar o segundo lugar, mas pelo menos conseguiu subir merecidamente ao pódio.

"Foi um campeonato nacional muito disputado. Era de prever que assim fosse, por tratar-se de um circuito muito plano. Menos mal que choveu bastante ontem, o que tornou o percurso mais selectivo. Houve estudo mútuo nas diferentes partes do circuito, tentando perceber onde se poderia fazer a diferença. Acabei por ter a experiência suficiente para manter a calma e jogar as cartas no sítio certo. Fui feliz e estou satisfeito por voltar a vestir a camisola de campeão nacional de ciclocrosse, que era o mais importante", salientou Mário Costa, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo, que recuperou a camisola que havia conquistado em 2018.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
A corrida feminina ficou marcada pelo domínio de Ana Santos. Sub-23 de primeiro ano foi pela terceira vez campeão de elite. A atleta da X-Sauce Factory Team rapidamente ganhou vantagem, que aumentou a cada volta que completava. Joana Monteiro (Axpo/FirstBike Team/Vila do Conde) foi segunda, a 2:25 segundos, com Daniela Pereira (Clube BTT Matosinhos) a cortar a meta 5:09 depois da vencedora, para fechar o pódio.

"Vinha com o objectivo de dar o melhor de mim. Era importante ver em que condição me encontro, até porque já não corríamos há muito tempo. Dei o máximo ao longo de toda a prova, num circuito muito duro devido à lama. Foi excelente voltar à competição, no meu primeiro ano de sub-23. Será uma época em que pretendo ganhar experiência, fazendo o maior número possível de provas fora de Portugal para me adaptar ao ritmo internacional", referiu Ana Santos.

Próximas corridas? É esperar para ver. Duas de BTT programadas para Março já foram adiadas, sendo que na estrada - depois da Volta ao Algarve ter sido "empurrada" de Fevereiro para Maio (se a UCI aceitar a nova data) - a 7 de Março está agendada a Prova de Abertura Região de Aveiro, seguindo-se mais tarde a Clássica da Arrábida e a da Primavera, com a Volta ao Alentejo a já ter sido adiada também. Porém, para já, a incerteza quanto à realização das provas continua.

Classificação masculina e feminina (quadros Federação Portuguesa de Ciclismo).


Pode ver a tabela masculina completa neste link.

17 de fevereiro de 2021

A Volta ao Algarve que não começou

© João Fonseca Photographer
Esta quarta-feira era suposto ter sido o primeiro de cinco dias de se ver bem perto algumas das grandes equipas mundiais de ciclismo! Seriam um recorde de 14 do World Tour na Volta ao Algarve. Algumas das principais estrelas estariam pelo sul do país, entre elas Chris Froome, que seria um dos focos porque era a sua estreia pela Israel Start-Up Nation. Que dia emocionante teria certamente sido.

Mas não, a Volta ao Algarve entra na lista de mais uma das coisas que a pandemia nos tirou. Nos últimos anos, a Algarvia tornou-se numa espécie de romaria anual que, pessoalmente, recusava falhar. Aquele ambiente de ciclismo, misturado com os ares do sul do país são elementos irresistíveis. Em Fevereiro há quem não queira falhar o Carnaval... Eu não quero falhar a Volta ao Algarve!

Desde que comecei a ir - e a presença de Marcel Kittel foi a que num ano me fez tirar férias para poder estar no Algarve - pude ver de perto ciclistas como Alberto Contador, Mark Cavendish, André Greipel, Geraint Thomas, Primoz Roglic, Tony Martin... Campeões do mundo, da Europa, muitos campeões dos seus países... Em 2020, estiveram no Algarve Vicenzo Nibali e Mathieu van der Poel... Por cá, tem-se visto alguns ciclistas com muita história, outros a começar a escrevê-la. Será impossível esquecer como se viu de perto a classe de Tadej Pogacar e Remco Evenepoel, por exemplo, duas das mais recentes estrelas da modalidade.

Pelo meio até foi possível entrevistar the one and only Philipe Gilbert, e não só! Aqueles cinco dias são especiais e que falta fazem neste início de 2021 tão... tão igual a quase todo 2020. Há um ano, na Algarvia, longe se estava de imaginar o que o resto do ano iria ser. A corrida foi espectacular. 

Além das equipas estrangeiras, também há a oportunidade de ver as portuguesas. Falar com ciclistas e directores desportivos sobre a época que está a dar as primeiras pedaladas. Conhecer e partilhar o entusiasmo daqueles jovens que, acabadinhos de chegar à elite, olham para o lado no pelotão e podem ver vencedores das grandes provas internacionais, aquelas que eles próprios um dia ambicionam estar. 

São cinco dias de um mundo diferente. Uma amostra do melhor do ciclismo. Este ano serão cinco dias em confinamento, bem longe do Algarve. 

Já que a esperança do calendário em Portugal se concretizar como foi definido desvaneceu-se, resta olhar em frente e esperar que em Maio possa realizar-se a Algarvia. A nova data até poderá levar algumas equipas previstas para Fevereiro a não viajar para o nosso país. Mas o que se quer é ciclismo. Se tem de ser em Maio, muito bem, mas que seja e certamente que haverá figuras importantes no pelotão que tem sido dos melhores em corridas ProSeries (segundo escalão).

Os adeptos da modalidade agradecem que a corrida se concretize e a região também. O impacto mediático da Algarvia tem comprovado que o apostar na realização da prova é uma excelente promoção o sul. E este ano, o Algarve bem precisa do fluxo financeiro que a Algarvia proporciona.

Esperar é o que resta a todos. Não há Volta ao Algarve em Fevereiro e com o confinamento a poder durar o mês de Março e, com restrições previstas para o período da Páscoa, não será de admirar que as corridas de Março e eventualmente de início de Abril possam ficar sem efeito. O desporto de elite tem autorização para se realizar. Mas o ciclismo está dependente de as câmaras autorizarem a passagem do pelotão. Ninguém esquece como em 2020 a Volta a Portugal esteve em risco. Realizou-se mais tarde, a muito custo, porque algumas autarquias não quiseram receber a corrida em Agosto.

Nada é certo, as equipas portuguesas vão preparando-se para para quando houver sinal verde para a época arrancar. Enquanto se espera pela temporada de estrada, o ciclocrosse terá o Campeonato Nacional de elite este domingo, em Anadia (em redor do velódromo e da pista de BMX). Um pouco de competição que muitos ciclistas agradecem. 

Quanto à Volta ao Algarve... É preparar a viagem para rumar a sul em Maio (5 a 9)!

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Ulissi e Viviani de regresso a diferentes velocidades

Fotografias: © UAE Team Emirates e © Cofidis
A preparação para a nova temporada começou com um susto para Diego Ulissi e Elia Viviani. Os dois italianos pararam os treinos após problemas cardíacos. Um recebeu agora autorização para voltar a pedalar, outro, no domingo, vai mesmo competir.

Diego Ulissi vai regressar aos treinos. O regresso às corridas ainda não se sabe, mas o ciclista italiano realizou mais um exame para tentar perceber a causa do batimento cardíaco irregular, detectado durante os testes físicos em Dezembro. Então foi diagnosticada uma miocardite e o tempo de paragem previsto era de vários meses. Porém, chegam agora boas notícias.

A UAE Team Emirates informou que o mais recente exame revelou que o problema era uma "miocardite antiga, provavelmente de origem viral". Ulissi recebeu autorização para progressivamente voltar a treinar. Contudo, irá fazê-lo debaixo de uma monitorização periódica para garantir que não há qualquer problema de saúde a afectar o ciclista.

O afastamento do italiano de 31 anos tinha sido uma má notícia para a equipa. Em 2020, foi dos melhores corredores da UAE Team Emirates, com duas vitórias de etapa no Giro, além de ter conquistado a Volta ao Luxemburgo. Um todo-o-terreno capaz do melhor e do pior, mas que na época passada demonstrou que ainda tem muito para dar.

2021 não tinha começado bem para os italianos. Além de Ulissi, também Elia Viviani havia sido afastado dos treinos devido a problemas cardíacos. Uma arritmia levou-o a fazer vários exames e chegou a ter um microchip debaixo da pele para que o seu batimento cardíaco fosse monitorizado minuciosamente, enquanto treinava.

O sprinter, de 32 anos, recebeu luz verde para competir e anunciou ao site BiciPro que estará na Volta aos Emirados Árabes Unidos, que começa este domingo. É a prova que em 2021 marca o arraque da temporada de corridas World Tour.

Viviani tem treinado com os seus companheiros de forma a melhorar a preparação do sprint, depois de na época transacta ter ficado em branco na sua estreia pela Cofidis. Sobre pressão para alcançar resultados na equipa francesa, o italiano considera a primeira corrida que irá participar este ano ideal para trabalhar o "comboio" para preparar o sprint. Disse que ficará satisfeito com um quinto ou sexto lugar nesta discussão. Porém: "Obviamente que espero estar lá a lutar para ganhar." A Cofidis também espera isso mesmo, dado o investimento feito no sprinter que tanto ganhou nos dois anos que esteve na Deceuninck-QuickStep.

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4 de fevereiro de 2021

Haverá mais uma equipa nas grandes voltas

© ASO/Pauline Ballet
A UCI cedeu e permitiu que os organizadores das três grandes voltas possam convidar mais uma equipa, ou seja, serão 23 em vez de 22. Este era um desejo crescente desde que as regras foram alteradas, deixando apenas dois wildcards disponíveis, pois 20 dos lugares estavam automaticamente preenchidos. A pandemia veio aumentar ainda mais a vontade de existirem mais convites. Esta decisão será um alívio para algumas equipas dos países das corridas, que assim vêem abrir-se uma oportunidade para estarem presentes.

Com a pandemia a limitar o número de corridas - em 2021 está-se longe de uma normalidade a nível de calendarização neste arranque de temporada -, a UCI optou por ceder aos pedidos das federações de Itália, França e Espanha. Porém, no comunicado, deixou bem claro que é uma medida excepcional, apenas aplicável este ano. Referiu precisamente como será uma oportunidade para equipas e ciclistas terem mais competição num período tão complicado do ciclismo, devido à covid-19.

Com 23 equipas, o número de ciclistas no pelotão de uma grande volta vai aumentar para 184, em vez de 176. Uma das medidas recentes da UCI foi reduzir o número de ciclistas de nove para oito por cada equipa, e esse número mantém-se. O organismo defende que menos corredores significa maior segurança no pelotão, ainda que não seja uma ideia consensual entre responsáveis pelas equipas e os próprios ciclistas. Em 2021 haverá então uma excepção à regra.

Quando as organizações tinham disponíveis quatro convites para as ProTeam (segundo escalão) - numa altura em que eram 18 no World Tour, que têm entrada garantida -, o problema era mais interno. Ou seja, quando algumas formações ficavam de fora em detrimento de outras. A Volta a Itália é normalmente a que gera mais controvérsia, ao deixar equipas do país de fora, para convidar estrangeiras.

Porém, agora são 19 formações World Tour e a melhor ProTeam do ranking de cada ano passou a ter acesso directo às grandes corridas. Em 2020 foi a Total Direct Energie - que até abdicou do Giro - e esta época é a Alpecin-Fenix quem terá esse benefício e que não abdica de nada. Isto significou que as organizações ficaram apenas com dois convites para atribuir, o que criou tensão entre as equipas dos países das grandes voltas, sempre desejosas por estar na corrida de forma a ajudar a garantir patrocinadores.

A ASO teve a vida facilitada com esta decisão da UCI. Na Volta a França vão estar a Total-Direct Énergie, Arkéa Samsic and B&B Hotels p/b KTM, anúncio feito esta quinta-feira, pouco depois da UCI ter confirmado a sua decisão. Entre as formações francesas do segundo escalão, ficou a Delko de fora, mas é uma equipa que normalmente não entra nestas contas do Tour, ficando com convites para algumas clássicas e outras provas por etapas.

Em Espanha, com quatro equipas ProTeams, será boa notícia para uma, mas também ficará uma de fora. Burgos-BH, Caja Rural são presenças habituais, com Euskaltel-Euskadi a querer regressar aos grandes palcos. A Ken Pharma poderá ser a excluída.

Em Itália é onde tudo costuma ser mais complicado. A Eolo-Kometa de Alberto Contador e Ivan Basso - tem licença italiana - parece estar com as portas abertas para o Giro, ainda que sem confirmação oficial. Bardiani-CSF-Faizanè, Androni Giocattoli-Sidermec e Vini Zabù procuram obter uma vaga, mas têm uma forte concorrência "externa".

A russa Gazprom é sempre uma hipótese, colocando-se aqui questões financeiras, enquanto a Arkéa Samsic já fez saber que gostaria de ser convidada. O seu líder, Nairo Quintana quer apostar mais no Giro e não tanto no Tour. O colombiano é um antigo vencedor da grande volta italiana. Um convite a mais pode ser uma ajuda, mas não resolve o imbróglio da atribuição dos wildcards em Itália. Alguém vai ficar desiludido.

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2 de fevereiro de 2021

Os portugueses no World Tour

Portugal está em 2021 representado por mais um ciclista no World Tour, comparativamente com o ano passado. É mais um jovem a chegar ao mais alto nível, desta feita pela mão da Cofidis. André Carvalho junta-se assim a um grupo de talentos nacionais que se vão afirmando, com João Almeida a centrar muitas das atenções em 2021 e com Ruben Guerreiro à procura de mais vitórias como as que alcançou na Volta a Itália de boa memória para os portugueses. Temos ainda o trio da UAE Team Emirates e um dos melhores gregários do pelotão internacional, que está de olho numa medalha olímpica.

© Team Cofidis
André Carvalho, 23 anos, Cofidis

1ª época no World Tour

Para André Carvalho foi importante saber ver que nem sempre ir para fora cedo é a melhor opção. Em 2017, a experiência na Cipollini Iseo Serrature Rime ASD não foi a esperada, pelo que regressou à então Liberty Seguros-Carglass. Uma decisão acertada já que a boa temporada acabou por ser uma ajuda para dar o salto para a Hagens Berman Axeon. Dois anos na equipa americana e Carvalho foi o quinto português a "formar-se" na estrutura de Axel Merckx e saltar para o World Tour. 100% de taxa de sucesso, sucedendo a Ruben Guerreiro, os gémeos Oliveira e João Almeida. Pela primeira vez a Cofidis contrata um português, com o objectivo de o colocar a trabalhar para os líderes, principalmente nas clássicas. Os quintos lugares no Paris-Roubaix e Liège-Bastogne-Liège de sub-23 contribuem para que seja a escolha inicial de como a Cofidis pretende aproveitar as capacidades do português. Contudo, com a possibilidade de continuar a evoluir como trepador, Carvalho poderá, mais à frente, ir além da missão que agora lhe é atribuída. Abrem-se as portas que o ciclista de Famalicão tanto queria e, com contrato apenas para 2021, todas as corridas são essenciais para mostrar que é mais um jovem talento de Portugal que merece estar ao mais alto nível.

© UAE Team Emirates
Ivo e Rui Oliveira, 24 anos, UAE Team Emirates

3ª época no World Tour

Apesar das muitas corridas canceladas devido à pandemia, 2020 acabou por ser o ano de afirmação para os gémeos Oliveira. Surgem juntos neste texto não só por serem irmãos na mesma equipa, mas porque na época passada deram ambos um passo em frente na carreira, muito devido a não terem tido qualquer problema físico que os afastasse das competições, como aconteceu no passado. Se inicialmente foi Rui quem se foi mostrando mais na preparação dos sprints, Ivo seguiu o exemplo e a chamada para a Volta a Espanha foi uma oportunidade que não desperdiçaram. Excelente trabalho dos gémeos! Para 2021 espera-se que, mesmo não sendo para Jasper Philipsen que vão trabalhar (o belga saiu para a Alpecin-Fenix), possam tornar-se em homens de confiança para as principais figuras da equipa no sprint e nas clássicas. E nos planos estão grandes corridas para ambos. Depois da Vuelta em 2020, Ivo - que também trabalha para se tornar num contra-relogista de referência - está apontado ao Tour, mas até lá tem: Omloop Het Nieuwsblad, Kuurne-Bruxelles-Kuurne, Tirreno-Adriatico, Volta à Romandia e Critérium du Dauphiné. Rui foi o primeiro português no World Tour a estrear-se em 2021, com o 39º lugar no Grand Prix Cycliste la Marseillaise. Está apontado ao Giro e antes tem o Paris-Roubaix no calendário. Juntos, apenas está previsto, para já, a presença na Clássica de Almería, caso se realize a 14 de Fevereiro (a maioria das corridas espanholas estão a ser canceladas).

© Deceuninck-QuickStep
João Almeida, 22 anos, Deceuninck-QuickStep

2ª época no World Tour

Fabulosa estreia ao mais alto nível! Agarrou a oportunidade de se mostrar na Volta a Itália como o grande ciclista que por cá há muito se sabia que tinha tudo para ser, desde os seus tempos de formação. Apesar da idade, a sua mentalidade é de um atleta de muita maturidade. A senda de rosa catapultou-o para a ribalta, ainda que não fosse um total desconhecido. Os bons resultados na Hagens Berman Axeo e já tendo feito estágios com a Deceuninck-QuickStep, faziam dele um corredor a ter em atenção. Começou como um leal gregário de Remco Evenepoel, mas depois do Giro... atenção como figura principal não lhe vai faltar. Em mais um exemplo de maturidade, João Almeida recusa entrar em euforias. Olha para o futuro e para o que tem de fazer para continuar a subir na hierarquia dos melhores do mundo. Para já, apenas se conhece que a Volta a Espanha é a escolha para 2021, mas até lá, João Almeida terá uma temporada de crescimento - sim, ainda vai progredir mais -, pois se na sua estreia no Giro não baixou os braços para tentar segurar a camisola rosa, alcançando um histórico quarto lugar, a única certeza que se tem quanto ao que pode fazer, é que a exibição na Volta a Itália foi apenas o início de uma história que terá muitos e bons capítulos.

© Movistar Team
Nelson Oliveira, 31 anos, Movistar

11ª época no World Tour

Vai para a sexta temporada com a Movistar e apesar da equipa ter uma tendência para viver algumas tempestades pela forma como gere os seus líderes, quando se fala de regularidade, Nelson Oliveira tem de surgir à cabeça. Simplesmente não sabe correr mal. Para 2021 há surpresas no calendário do ciclista, sempre muito apontado ao Tour e Vuelta, sendo que depois das quedas que lhe estragaram temporadas no Paris-Roubaix, ainda não é desta que regressa. Desta feita, a primeira metade da temporada terá foco em Itália, com o Giro em mente. Será a terceira presença, depois de 2012 e 2013. Trofeo Laigueglia, Strade Bianche, Tirreno-Adriatico e depois uma curta viagem à Suíça para a Volta à Romandia é o plano inicial de Nelson Oliveira, que mais à frente terá os Jogos Olímpicos como um grande objectivo. Vai atacar a conquista de uma medalha na sua especialidade, o contra-relógio.

© EF Pro Cycling (fotografia de 2020)
Ruben Guerreiro, 26 anos, EF Education-Nippo

5ª época no World Tour

O mais irreverente dos portugueses no World Tour encontrou finalmente a equipa que lhe dá a liberdade que gosta, mas com a estrutura que também precisa para alcançar os feitos que era esperados desde os tempos de formação. Em 2020 confirmou que a exibição na Vuelta na época anterior não tinha sido um acaso e foi ao Giro tornar-se no rei da montanha e vencer uma etapa. História para o ciclismo português, com Acácio da Silva a já não ser a única referência da grande volta italiana. Os seus directores parecem ter encontrado a receita para que o Guerreiro acredite cada vez mais nas suas capacidades, indo progredindo tacticamente. Porém, o que mais deseja é lutar por uma geral. Se continuar no bom caminho que iniciou no final de 2019, a oportunidade pode não demorar muito mais a chegar. Apaixonou-se pelas grandes voltas e é nelas que mais se quer focar, ainda que depois da exibição no Giro, também se vai esperar mais do português noutras provas por etapas. Terminou 2020 a sofrer uma acidente num treino, com o carro a provocar uma queda. Poderá estrear-se este ano na Volta aos Emirados Árabes Unidos, no final de Fevereiro.

© UAE Team Emirates
Rui Costa, 34 anos, UAE Team Emirates

13ª época no World Tour

Na Vuelta foi um Rui Costa de grande nível que se apresentou em Espanha e não lhe teria ficado nada mal uma vitória de etapa, por que tanto lutou. O campeão do mundo de 2013 está novamente confortável no seu papel na UAE Team Emirates, numa altura que a posição de líder é muito difícil de ter para o poveiro. Não só se apresenta como um ciclista cuja experiência é necessária numa equipa com tantos jovens, como tem um papel de maior liberdade para procurar vitórias de etapas, ou em clássicas, que foi sempre o que lhe assentou melhor. Mas quando é preciso ajudar, tem de estar (e tem estado) pronto para tal. Para 2021 ainda não tem uma grande volta programada. Tem início marcado de época a 11 de Fevereiro no Tour de la Provence, seguindo-se Paris-Nice, Volta ao País Basco, as clássicas das Ardenas (Amstel Gold Race, Flèche Wallonne, Liège-Bastogne-Liège) não poderiam faltar, ao que acresce a Volta à Romandia e a "sua" Volta à Suíça, corrida que venceu três vezes (2012, 2013 e 2014).

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1 de fevereiro de 2021

União entre uma equipa e um ciclista que tanto querem ganhar novamente a Volta a Portugal

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Gustavo Veloso está há cinco anos a tentar uma muito desejada conquista da sua terceira Volta a Portugal. Em Tavira suspira-se por uma vitória nessa corrida há mais tempo. O último a vencer foi Ricardo Mestre, em 2011. A equipa algarvia bem tem tentado encontrar forma de colocar o seu líder no topo do pódio. Esteve perto com Joni Brandão e Frederico Figueiredo mais recentemente. Veloso, desde que Rui Vinhas o bateu em 2016, que tem de viver com uma concorrência interna, onde há sempre alguém pronto a ser líder e a obrigar o espanhol a ficar em segundo plano. 2020 foi a gota de água. Apesar da boa forma, a W52-FC Porto concentrou-se em Amaro Antunes. Veloso adiou a reforma e assinou por uma equipa do Tavira que estará totalmente à sua disposição.

Vinhas, um gregário por excelência, surpreendeu em 2016, é certo. A partir de então Veloso ou não esteve no seu melhor, ou a escolha de líder acabou por ser outra. Com 40 anos, apresentou-se fortíssimo na última Volta a Portugal, sendo mais uma vez segundo, atrás de um companheiro de equipa. Agora com já com 41, celebrados a 29 de Janeiro, prepara-se para a que deverá ser a sua derradeira tentativa. Despedir-se de uma longa carreira em tempo de pandemia, com tão poucas corridas realizadas na época passada e depois de estado tão bem na Volta, não parecia bem. Por isso, adiou a reforma por uma época, mas era necessário mudar de ares.

A Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel espera que as ganas de ganhar e a boa forma que Veloso apresentou em 2020 persistam este ano. Apesar de Frederico Figueiredo demonstrar na primeira época em que não teve concorrência pela liderança que poderia ser uma boa aposta, o ciclista mudou-se para a Efapel, o que ajuda a que não haja questões de quem é o número um na formação algarvia. E é mesmo isso que Veloso quer.

Uma das curiosidades será o reencontro com Alejandro Marque. O primeiro dissabor numa Volta a Portugal foi em 2013. Ambos estavam na OFM-Quinta da Lixa (actual W52-FC Porto), quando Marque venceu a Volta, batendo Veloso, por apenas quatro segundos. Nos dois anos seguintes, Veloso venceria, já sem Marque como colega de equipa.

Marque é mais um veterano no pelotão nacional, completando 40 anos em Outubro. Apesar de manter a ambição de querer lutar por vitórias, de temporada para temporada as suas exibições têm ficado cada vez mais longe do que é necessário para disputar a corrida mais desejada, apesar das boas classificações finais, com top 10 ou top 15.

Volvidos oito anos irá Marque dar uma preciosa ajuda para Veloso vencer a Volta? A necessidade de um bom braço-direito na montanha é crucial para tentar fazer frente à W52-FC Porto. Veloso mais do que ninguém, sabe disso.

Este conhecimento poderá ser muito importante na forma como a Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel enfrentará essa corrida. Afinal, Veloso tem um conhecimento profundo de como a equipa rival se prepara tacticamente. No entanto, o director Vidal Fitas também irá precisar de um Aleksandr Grigorev e de Alvaro Trueba a grande nível. São dois ciclistas que cumprem a bem a missão de gregário e em quem o responsável confia, mas que cedem cedo na montanha.

E aqui entrará Emanuel Duarte. O melhor jovem da Volta em 2019 e vencedor da Volta a Portugal do Futuro nesse mesmo ano, deixa a LA Alumínios-LA Sport para continuar a sua progressão numa das principais estruturas do pelotão nacional. Com Veloso a ser uma solução de curta duração, Duarte terá a possibilidade de evoluir em 2021, sempre com os olhos postos em bons resultados, claro, e mais tarde assumir-se ele próprio com um papel de maior destaque. É uma aposta de futuro.

Assim como Rafael Lourenço (23 anos), ainda que com objectivos diferentes. Estreou-se como profissional no Sporting-Tavira em 2016, mas na temporada seguinte mudou-se para a formação de Oliveira de Azeméis (actual Kelly-Simoldes-UDO), na qual evoluiu as suas qualidades de sprinter. Será um reencontro com César Martingil. Ambos são muito lutadores e podem ser solução para tentar conquistar vitórias ao longo do ano e não apenas a pensar na Volta.

O espanhol Samuel Blanco (26) está de regresso a Portugal - representou a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack e a Liberty Seguros, no final da época de 2018, tendo sido companheiro de Lourenço e Martingil -, sendo mais um homem rápido para o plantel do Tavira.

Quatro reforços com ambição, enquanto entre as permanências está um Rúben Simão que vai continuar o seu trabalho de evolução (tem apenas 20 anos) e estão ainda mais dois ciclistas da total confiança de Vidal Fitas. Valter Pereira (30 anos) tem feito a sua carreira no Tavira, tal como David Livramento (37), um dos corredores mais respeitados do pelotão nacional. São ambos gregários, trepadores e que poderão fazer parte de um grupo muito experiente na ajuda a Veloso.

É o tudo por tudo do espanhol para ganhar novamente a Volta antes de colocar um ponto final na carreira, com a histórica formação do Tavira à procura de maior glória, que há tanto tempo lhe escapa. Aposta forte nessa corrida, mas a Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel tem um plantel que poderá conquistar outros triunfos relevantes durante a temporada, principalmente entre os ciclistas mais jovens, ambiciosos e sempre prontos a mostrar o que valem.

Permanências: Alejandro Marque, Aleksandr Grigorev, Alvaro Trueba, César Martingil, David Livramento, Rúben Simão, Valter Pereira.

Reforços: Emanuel Duarte (LA Alumínios-LA Sport), Gustavo Veloso (W52-FC Porto), Rafael Lourenço (Kelly-Simoldes-UDO), Samuel Blanco (Super Froiz).

»»Ano de continuidade mas com um regresso há muito esperado««

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