1 de outubro de 2019

José Gonçalves regressa a equipa francesa

(Fotografia: © João Fonseca Photographer/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Depois de três anos no World Tour, na Katusha-Alpecin, José Gonçalves vai regressar a uma equipa onde começou a sua carreira fora de Portugal. O campeão nacional de contra-relógio assinou pela Delko Marseille Provence para 2020 e espera que a experiência que ganhou ao mais alto nível possa ajudá-lo a alcançar novamente bons resultados na formação francesa.

Gonçalves esteve na então na La Pomme Marseille em 2013 e 2014, que pertencia ao escalão Continental, mas entretanto subiu a Profissional Continental. "Ao ter alcançado bons resultados no World Tour durante os últimos três anos e tendo conquistado o título nacional de contra-relógio recentemente, pude ganhar mais experiência e melhorar o meu nível desportivo. No entanto, a época de 2019 não foi a minha melhor devido a um vírus, mas tentei dar o meu melhor. Tenho a certeza que ainda tenho muito para dar", afirmou José Gonçalves.

A Delko Marseille Provence recorda como o português conquistou pela equipa uma vitória na corrida de um dia Polynormande, tendo depois ganho a Volta à Turquia (ao serviço da Caja Rural) e a Ster ZLM, já na Katusha-Alpecin, que com a época quase no fim continua sem ter futuro definido. José Gonçalves é um ciclista que participou nas três grandes voltas, com um 14º lugar no Giro em 2018 e esteve perto de ganhar etapas na Vuelta quando estava na Caja Rural. Fez este ano a sua estreia no Tour, mas não foi feliz, ainda que tenha chegado a Paris.

"Ele vai ter um papel de liderança nas corridas por etapas de uma semana e em provas do World Tour. Estamos a contar com o valor desportivo que ele pode nos trazer", salientou o director da equipa, Frédéric Rostaing.

A Delko Marseille Provence marca presença em algumas das principais provas em França, incluindo o Paris-Roubaix e o Paris-Nice, por exemplo, mas este ano esteve também na Flèche Wallonne, entre outras corridas na Bélgica, Espanha e Itália, por exemplo. No entanto, não entra na equação quando são atribuídos os convites para a Volta a França.

As grandes voltas saem do calendário de José Gonçalves, que apostará nas corridas que sempre lhe assentaram bem, numa nova fase da carreira que começará aos 30 anos.

José não deverá ser o único dos Gonçalves a regressar a uma equipa que já representou. O irmão gémeo, Domingos, também poderá estar de volta à Rádio Popular-Boavista, depois de um 2019 muito difícil na Caja Rural. O ciclista de Barcelos recebeu uma segunda oportunidade na equipa espanhola, mas os problemas físicos foram limitando a sua temporada, principalmente a grave queda na Volta à Catalunha. Abandonou na Volta a Portugal, mas foi chamado para a Vuelta, que acabaria também por não terminar. Não foi depois ao Mundial de Yorkshire, alegando motivos pessoais. Em 2018 teve uma época espectacular ao serviço da Rádio Popular-Boavista, com muitas vitórias, incluindo uma etapa na Volta a Portugal e um top dez, sendo um ciclista cujas características são apreciadas pelo director desportivo José Santos.


Vem aí o primeiro Mundial de ciclismo virtual

(Imagem: Zwift)
A semana de Mundiais é sempre fértil em novidades. Este ano, a maior foi a organização de um Campeonato do Mundo de ciclismo virtual, uma versão de desporto conhecida por e-sports ou e-racing. A popularidade destas plataformas tem levado a um crescimento de praticantes e de interessados em organizar provas. Já houve uns campeonatos britânicos, por exemplo, a Canyon até criou uma equipa, a Movistar também já organiza corridas e agora vai haver um Mundial, que será precedido de provas de qualificação e de mais provas.

Apesar de existirem várias plataformas, a Zwift tornou-se uma referência e será a parceira da UCI na primeira edição deste campeonato, mas depois serão abertos concursos para escolher quem organizará as próximas. "A beleza de criar uma disciplina nova de ciclismo é que temos uma tábua rasa e não há limitações. Vamos definir as linhas para o fair play e igualdade", salientou Craig Edmondson, CEO da Zwift, durante a apresentação. A igualdade está garantida sobre a forma de prémios monetários serem os mesmos para homens e mulheres, assim como o número de provas, distâncias das corridas e de cobertura mediática.

A UCI não quis passar ao lado desta emergente forma de pedalar, mas quer um regulamento bem definido, assim como uma fiscalização para garantir que não há batota. Ou seja, será necessário garantir que não haverá fraude tecnológica e também, por exemplo, ter a certeza que quem está na corrida é de facto o/a ciclista inscrito/a e que tem as características com que se registou, como o peso e altura.

Como parte do acordo, a Zwift vai ser o organizador exclusivo de no máximo 15 Campeonatos Nacionais, assim como um Campeonato Continental, além das qualificações para o Mundial, que ainda não tem data marcada. "Há uma oportunidade fantástica de através dos e-sports para atrair um público mais jovem para o ciclismo", afirmou o presidente da UCI, David Lappartient.