22 de maio de 2020

Qual o local mais valioso no Monopólio das clássicas do ciclismo? Pode votar

Ainda falta mais de meio ano, mas fica já feito o pedido para o Natal: o Monopólio das clássicas do ciclismo. O icónico jogo tem mais uma versão especial a ser preparada, mas será limitada, pelo que é melhor optar pela pré-encomenda. As vendas arrancam em Novembro. Mas falta definir um importante pormenor. Qual deve ser o local mais valioso? A decisão fica a cargo dos fãs.

Guerra dos Tronos, Super Mario Bros., Disney, Vingadores... Há muito que a versão tradicional deixou de ser a única opção para um daqueles jogos que nunca saiu de moda, mesmo com as consolas a tomarem conta deste tipo de entretenimento. A tecnologia evolui, mas com o Monopólio continua-se a viver momentos divertidos a tentar comprar ruas importantes, colocar hotéis, levar um jogador à falência... sem estar a olhar para um ecrã!

Na versão dedicada às clássicas do ciclismo, as ruas darão lugar a locais populares deste tipo de corridas e há então que decidir qual será o mais valioso. Os criadores do jogo colocaram oito a votos: Poggio (Milano-Sanremo), Muur van Geraardsbergen (Volta a Flandres), Cauberg (Amstel Gold Race), Koppenberg (Volta a Flandres), La Redoute (Liège-Bastogne-Liège), Oude Kwaremont (Volta a Flandres), Paterberg (Volta a Flandres) e Velódromo de Roubaix (Paris-Roubaix). Pode votar neste link.

Com a excepção de Roubaix, a escolha recaiu nas subidas que marcam alguns dos monumentos, casos da Milano-Sanremo e Volta a Flandres. Esta última corrida, sem surpresa, com forte presença, não fosse ela conhecida pelos seus muros.

"Heroísmo, paixão, espírito de luta que nos une. Percursos extraordinários por paisagens 'acidentadas' [com curtas mas duras subidas], história, simbolismo e solidariedade entre os adeptos que fazem do ciclismo um dos desportos mais bonitos." É assim que começa o texto sobre este Monopólio especial no site belga. É neste país que está a ser preparado o jogo que terá a versão holandesa e francesa. Custa 50 euros e serão feitas apenas duas mil unidades.

Para ilustrar a caixa foram escolhidos dois ciclistas belgas bem conhecidos. Um tem no currículo quatro dos cinco monumentos e outras clássicas, um campeonato do mundo e sete etapas na Volta a Espanha: Philippe Gilbert. Ao lado do veterano de 37 anos está o jovem talento de 20: Remco Evenepoel. O seu currículo também já conta com conquistas importantes nas camadas jovens e como profissional começou em 2019 a vencer importantes corridas. Este ano conquistou a Volta ao Algarve, depois de triunfar na Volta a San Juan.

E qual é o local do Monopólio mais valioso para estes ciclistas? Gilbert (Lotto Soudal) opta pelo Cauberg e percebe-se porquê: "Deu-me muito sucesso na Amstel Gold Race e, claro, nos Mundiais de 2012." Evenepoel (Deceuninck-QuickStep) prefere a La Redoute, apesar de ainda não ter tido a possibilidade de a fazer como profissional. A estreia planeada para este ano ficou adiada para 2021. "Infelizmente não vou testar as minhas pernas e mostrar-me esta época, mas espero fazê-lo no futuro", confirmando-se como a Liège-Bastogne-Liège é um monumento que Evenepoel quer muito vencer.

As encomendas podem ser feitas no site oficial da nova versão do Monopólio https://monopolykoers.be/. E neste mesmo site pode-se ler que ainda vão ser revelados mais pormenores sobre o jogo até ao seu lançamento.

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20 de maio de 2020

Pedersen à espera de mostrar a camisola do arco-íris num Roubaix molhado

© Trek-Segafredo
Foi um improvável campeão do mundo, mas ainda mais improvável era pensar que o ano que deveria marcar a sua carreira, vestido com uma das camisolas mais apetecíveis do ciclismo, ia ser passado longe das corridas devido a uma pandemia.

Tanto se fala da maldição desta camisola, mas talvez agora se repense no significado. No caso de Mads Pedersen não se trata de não ganhar, afinal nem sequer pode mostrá-la em competição. Mas o dinamarquês não envereda por discursos pessimistas. Para Pedersen, 2020 é uma oportunidade de ser um campeão do mundo numa temporada que não se irá esquecer... Mas claro que espera se esteja a falar de uma época com corridas num calendário alternativo ao que era até agora normal.

"Vai ser uma experiência fixe fazer todas as grandes corridas num tão curto espaço de tempo. É algo novo para todos e vai ser giro", afirmou Pedersen, em declarações divulgadas pela equipa, Trek-Segafredo. Os objectivos do campeão do mundo até se mantêm iguais aos programados no início da temporada. Clássicas do pavé e Volta a França, ainda que agora se inverta a ordem, com a grande volta a surgir primeiro no calendário que a covid-19 obrigou a reestruturar.

Será nas clássicas do pavé, a sua especialidade, que irá à procura de vitórias com a camisola que tantos desejam, mas poucos alcançam a honra de a vestir. Pedersen não quer pensar muito na mudança de calendário, nem no tempo sem competição. Apenas deseja regressar às corridas. "É muito bom ver finalmente um calendário. Agora temos algo por que almejar e preparar. Nas últimas semanas temos andado de bicicleta, mas sem um objectivo real, por isso, ajuda ter novamente um calendário e regressar ao ritmo de corrida", salientou o ciclista de 24 anos.

Pedersen completou 16 dias de corridas em 2020, somando-se mais três em 2019 depois de se sagrar campeão do mundo em Yorkshire, a 29 de Setembro. Este ano começou a temporada na Austrália e esteve no Paris-Nice, a última corrida antes da interrupção forçada devido ao coronavírus. O ciclista foi para casa um dia mais cedo devido ao pedido para que os cidadãos dinamarqueses regressassem ao país antes das fronteiras fecharem.

Entre Austrália e França, Pedersen foi à Bélgica competir em duas corridas mais ao seu estilo: Kuurne-Bruxelles-Kuurne e Omloop Het Nieuwsblad. Ficou longe da disputa pela vitória, no que era suposto ser a preparação para a Volta a Flandres e Paris-Roubaix. Viu-se tão pouco a camisola do arco-íris, mas Pedersen mostra confiança no futuro próximo, principalmente para um dos monumentos, que passou para 25 de Outubro.

Roubaix tem forte possibilidade de ser uma prova marcada por chuva e se com piso seco já há espectáculo, um Roubaix molhado tem tendência a ser uma edição que não se esquece. E Pedersen quer um desses Roubaix: "As clássicas serão o meu principal objectivo e são no final da época, por isso, estou entusiasmado e à espera de um Roubaix molhado."

O dinamarquês demonstra assim ambição para que não seja apenas recordado pelo campeão do mundo que a pandemia não deixou mostrar-se em corridas, querendo aproveitar ao máximo as provas que possam realizar-se a partir de Agosto. Ou melhor, ainda Julho, pois se houver Volta Burgos, será em Espanha que Pedersen regressará (de 28 de Julho a 1 de Agosto), segundo anunciou a Trek-Segafredo.

Os Mundiais na Suíça continuam agendados para 20 a 27 de Setembro, ainda que possam ser adiados e a viagem até poderá ser até ao Médio Oriente, se em terras helvéticas as restrições quanto a aglomerados se mantiveram. A UCI está determinada para que as corridas se realizem, ou seja, Pedersen sabe que poderá não ter muito tempo para vestir a especial camisola (a não ser que seja novamente campeão do mundo), ao contrário do que acontece com Elia Viviani (Cofidis), que será o campeão da Europa por mais tempo. A União Europeia de Ciclismo decidiu não realizar os campeonatos este ano, mantendo a escolha de Trentino, em Itália, para os Europeus em 2021.

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15 de maio de 2020

Chris Froome de saída da Ineos? Um tema diferente para se discutir

© Team Ineos
Perante um ano atípico, sem corridas e em sequer certeza se haverão corridas, pouco se fala do mercado de transferências. São vários os nomes de relevo em final de contrato, com Chris Froome a destacar-se, não fosse ele o detentor de sete vitórias em grandes voltas. Parece surreal pensar que o britânico não renovará pela Ineos, mas como 2020 está a ser algo surreal, então foi noticiado que Froome poderá estar a ponderar rumar a outra equipa. A melhor parte? Até pode sair já este Verão e fazer o Tour com as novas cores.

A notícia foi avançada ontem pelo site Cycling News e claro que criou uma onda de interesse, ainda mais quando os recentes temas vão sempre bater à pandemia e ao confinamento. Interessados no britânico não devem faltar. Afinal, mesmo estando a poucos dias de celebrar 35 anos, Froome é Froome. Além da idade, persiste a dúvida sobre se o britânico irá conseguir regressar ao nível necessário para ganhar uma Volta a França, depois da grave queda há quase um ano no Critérium du Dauphiné. Mas... Froome é Froome e muito tem o ciclista feito para passar a mensagem que vai estar forte, seja quando for que o Tour aconteça (a esperança é que arranque no final de Agosto).

Mudanças com a época a decorrer é algo muito raro no ciclismo. Entre os casos mais recentes temos, por exemplo, Rohan Dennis em 2014 - da Garmin Sharp para a BMC - e Carlos Verona em 2016, quando trocou a Etixx-Quick Step pela Orica-BikeExchange.

No caso de Froome, até não é difícil perceber porque se fala de uma eventual saída já. Há poucos dias Egan Bernal afirmou que, estando bem fisicamente, não se vai sacrificar por ninguém na Volta a França. Venceu o último Tour, tem uma qualidade e um potencial do mais elevado que se viu nos últimos anos, tem perfil de líder e é visto como o sucessor de Froome na Ineos.

Inevitavelmente, Froome sabe que se o colombiano estiver em boa forma, pode ter dificuldades em impor-se. Não será como aconteceu em 2018 com Geraint Thomas. Mesmo sendo o galês o ciclista melhor fisicamente, Froome - que tinha ganho o Giro - nunca perdeu o estatuto de líder na equipa, mesmo que Thomas tenha conseguido segurar a camisola amarela até Paris.

Thomas é outro galo para o poleiro, mas mesmo sendo um vencedor do Tour, se já em 2019 teve poucos argumentos para se impor perante Bernal, agora estará reduzido a um eventual azar ou deslize tanto do colombiano, como de Froome. No entanto, também vai afirmando que quer ser líder.

A Froome não agradará nada ter de competir num Tour sem sentir que tem toda uma equipa a apoiá-lo. Passados oito anos, Froome vê-se no lugar de Bradley Wiggins (com as devidas diferenças do que ambos alcançaram na carreira): está a perder estatuto. No entanto, não é ciclista de desistir, ou virar a cara a uma luta, a um desafio e quererá mostrar, pelo menos este ano (se houver Tour), que merece toda a confiança

Chris Froome quer competir pelo menos mais quatro anos e ganhar dois Tours, para assim ser o recordista solitário. Ficar na Ineos - sem dúvida a sua casa - parece ser sempre o caminho mais óbvio e provável. Mas, caso se confirme que está mesmo a ponderar sair, quem está interessado e (mais importante) quem pode pagar a Froome, mesmo que este reduza um pouco as exigências salariais?

Esta paragem forçada na época devido à pandemia está a deixar várias equipas com problemas financeiros preocupantes. Ainda assim, há quem vá mantendo alguma estabilidade e pode olhar para o futuro com ambição. Curiosamente, a Ineos pode ser a equipa mais poderosa financeiramente, mas a ligação do patrocinador ao mundo do petróleo - que muito desceu durante as últimas semanas - já fez abanar um pouco a estrutura da equipa de ciclismo. Porém, para já, renovar com Froome é uma opção.

Se sair, há duas equipas que já estão a ser dadas como muito interessadas: Movistar e Israel Start-Up Nation. A equipa espanhola contratou Enric Mas para preencher as vagas de Mikel Landa e Nairo Quintana, mas o jovem ciclista ainda tem muito a provar quanto a poder discutir uma grande volta, principalmente um Tour. Já tem um pódio na Vuelta, talento não lhe falta, mas não se pode ainda olhar para Mas como um forte candidato a uma vitória em França. Aos 40 anos, Alejandro Valverde continua a ser a voz de comando na equipa, mas já pouco poderá dizer se Froome chegar para tentar conquistar o seu quinto Tour.

Jose Joaquin Rojas, um dos históricos da Movistar, até brincou com a situação, abrindo as portas da formação espanhola a Froome com uma mensagem no Twitter: "Amigo, sabes que em Espanha temos boa comida e tu terás um bom apoio." Fica à consideração de Froome, que saberá que tem gregários de qualidade naquela equipa, como o português Nelson Oliveira. Outro aspecto importarnte, a empresa de telecomunicações Movistar está a entrar no mercado britânico. Froome seria um rosto excelente, a pensar no lado promocional.

A Movistar pode ter a concorrência da Israel Start-Up Nation, pelo menos a nível de interesse. A equipa que este ano chegou ao World Tour precisa muito de um líder com capacidade de vencer. Daniel Martin é um ciclista de top dez, mas não um candidato a uma vitória numa grande volta e já pouco se acredita que chegue sequer a um pódio. Nesta equipa não haverá discussões de lideranças. Se Froome assinasse seria o número um. Contudo, apesar de alguns corredores de qualidade, a formação israelita não tem um bloco que possa colocar Froome a concorrer com a Ineos, por exemplo. O magnata Sylvan Adams estará disponível para aumentar o orçamento da equipa para garantir Froome, segundo notícias divulgadas em Israel.

Olhando para o aspecto financeiro há duas equipas que dinheiro têm, interesse desportivo é que não. A UAE Team Emirates pode contratar Froome, mas, com Joxean Fernández Matxin ao leme, esta equipa está num processo de rejuvenescimento e o britânico não tem lugar. Tadej Pogacar é o jovem líder que a formação de Rui Costa e dos gémeos Oliveira quer levar à vitória no Tour e noutras grandes voltas. A Jumbo-Visma ainda menos espaço tem. Conta com demasiados líderes: Steven Kruijswijk, Primoz Roglic e Tom Dumoulin.

A Bahrain-McLaren tem agora Rod Ellingworth a coordenar e a sua longa ligação à Sky/Ineos poderia ajudar a influenciar Chris Froome. Mikel Landa é que não acharia piada nenhuma e com a equipa a ser uma das que reduziu os ordenados quando a temporada foi suspensa, seria difícil explicar aos atletas uma contratação de peso, ainda mais a meio da época e até mesmo para 2021.

Outras formações poderiam - em condições normais - surgir na lista, mas entre as dificuldades financeiras, ou o terem os plantéis com líderes definidos, percebe-se as razões de a Movistar e a Israel Start-Up Nation surgirem nos meios de comunicação social especializados como as principais candidatas, se não houver uma renovação.

Depois de tantas semanas em que falar do ciclismo actual era difícil (se não impossível) sem referir o coronavírus, pelo menos há uma novela de transferência a desenrolar-se, mesmo que no final fique tudo como está.

9 de maio de 2020

Portugal não receberá Vuelta mas porta fica aberta ao regresso

© Sarah Meyssonnier/La Vuelta
Depois de cancelada a partida de Utrecht, nos Países Baixos, a Volta a Espanha também não passará por Portugal, ficando quase exclusivamente dentro das fronteiras, mantendo-se, a visita a França. A Vuelta vai remendando, dentro do possível, uma edição de 2020 que será mais curta (18 etapas, em vez de 21) e que irá coincidir uns dias com o Giro e ainda haverá a "concorrência" do Paris-Roubaix num dos domingos. A porta ficou aberta para que no futuro o regresso desta grande volta a Portugal se torne realidade.

Foi sem surpresa que este anúncio foi feito. O coronavírus continua a obrigar às organizações a adaptarem-se a esta realidade que em nada favorece a realização de corridas de ciclismo. Em 1997 o pelotão da Vuelta passou por Portugal, servindo também de forma de promoção para a Expo'98. Outros tempos... Este ano, Matosinhos iria receber o final de uma etapa e Viseu o início da seguinte, com passagens garantidas no Porto e em locais como Viana do Castelo, Barcelos, Santo Tirso, Celorico da Beira, Guarda, entre outros. Teria certamente sido um belo espectáculo ver alguns dos melhores do mundo a passar por Portugal numa grande volta.

"Numa situação excepcional como a que vivemos actualmente, temos de ser flexíveis e entender este tipo de decisões e alterações. É uma pena que não se possa visitar Portugal em 2020, mas não queremos que esta chama se apague. Vamos manter esta relação viva, vamos manter e desenvolver as relações que formámos para que possamos regressar a este país, que nos tratou tão bem", salientou o director da Vuelta, Javier Guillén.

A Vuelta está agendada para 20 de Outubro a 8 de Novembro, com a organização a optar por cortar os três dias de corrida dos Países Baixos. Será mais curta e as etapas que passariam por Portugal ainda não têm percurso alternativo definido. A grande volta espanhola irá coincidir seis dias com o Giro e no domingo 25 de Outubro, teremos um super dia de ciclismo, pois termina a prova italiana, em Espanha sobe-se ao Tourmalet e está agendado o monumento Paris-Roubaix. Esta ida ao Tourmalet continua na agenda, pois a organização não prevê mexer mais no percurso... se assim for possível.

É um calendário dependente do desenrolar dos acontecimentos nos próximos meses, relativamente à evolução da pandemia que virou o mundo do avesso. Porém, com datas marcadas, os organizadores tentam criar as condições necessárias para garantir que as provas possam realizar-se num ano em que se viu tão pouco ciclismo.

A organização da Vuelta anunciou na sexta-feira a atribuição dos convites à Caja Rural e Burgos-BH, deixando de fora a Fundação Euskadi, que não chegou a estrear o nome que marca o regresso às origens: Euskatel-Euskadi. A época parou antes, pois a primeira vez teria sido na Volta ao País Basco, região que irá receber o arranque da remendada Vuelta. A equipa basca só este ano subiu ao segundo escalão, pelo que, sem conseguir mostrar serviço na estrada devido à falta de corridas, não teve qualquer hipótese de agarrar um dos convites.

Espanha tem sido dos países mais afectados pela pandemia, mas um pouco por toda a Europa questiona-se se será possível permitir a realização de corridas de ciclismo. Mesmo o Tour está longe de garantido. As mais recentes notícias chegam dos Países Baixos, cujo governo poderá proibir a realização de eventos de massas até que haja uma vacina. Pelo menos será essa a recomendação do ministro da Saúde. A BinckBank Tour e a Amstel Gold Race podem assim sair do calendário de 2020.

Veja o calendário completo no link em baixo.

5 de maio de 2020

Um super domingo! 25 de Outubro já está marcado na agenda

© ASO/Pauline Ballet
Encaixar o maior número de corridas World Tour entre Agosto e Outubro, incluindo as três grandes voltas, já se adivinhava que não seria fácil e que inevitavelmente algumas grandes provas poderiam coincidir em alguns dias. A UCI apresentou esta terça-feira o calendário para a muito desejada retoma à competição e além da surpresa de Giro e Vuelta terem seis dias sobrepostos, o dia 25 de Outubro poderá ser bem especial se for possível cumprir as datas estabelecidas.

É impossível esquecer que o tempo é de muitos "ses", mas se a evolução da pandemia for favorável, então naquele domingo de Outubro irá decidir-se o vencedor da Volta a Itália, no contra-relógio individual em Milão; em Espanha está marcada uma das etapas mais esperadas, no dia em que o pelotão visitará França para subir o mítico Tourmalet e antes haverá outra categoria especial no Col d'Aubisque e um "aquecimento" no Alto de Portalet (uma primeira categoria ainda em território espanhol); e para completar a emoção deste "super domingo" haverá (esperemos) o Paris-Roubaix, o sempre espectacular monumento do pavé. Não vai ser fácil decidir o que ver em directo, pois será inevitável haver "cruzamentos" nas transmissões televisivas.

Entre os monumentos, só a Milano-Sanremo não coincide com uma grande volta. A Volta a Flandres e a Liège-Bastogne-Liège "competem" as atenções com o Giro, enquanto a Lombardia fá-lo-á com a Vuelta. O arranque deste calendário remendado devido à pandemia acontecerá na Strade Bianche a 1 de Agosto e fecha a 8 de Novembro com a última etapa da Vuelta.

Mas vamos então às datas das 25 corridas, 17 das quais de um dia, salientando que os organizadores da E3 BinckBank Classic (Bélgica), Volta à Romandia, Volta à Suíça, Volta à Catalunha, Volta ao País Basco e Clássica de San Sebastian (Espanha) cancelaram as corridas de 2020, esperando por melhores tempos em 2021. As clássicas alemãs de Hamburgo e Eschborn-Frankfurt ainda aguardam por um espaço no apertado calendário.

  • 1 de Agosto: Strade Bianche (Itália)
  • 5 a 9 de Agosto: Volta à Polónia
  • 8 de Agosto: Milano-Sanremo (Itália)
  • 12 a 16 de Agosto: Critérium du Dauphiné (França)
  • 16 de Agosto: Prudential RideLondon-Surrey Classic (Grã-Bretanha)
  • 25 de Agosto: Bretagne Classic-Ouest-France
  • 29 de Agosto a 20 de Setembro: Volta a França
  • 7 a 14 de Setembro: Tirreno Adriatico (Itália)
  • 11 de Setembro: Clássica do Quebeque (Canadá)
  • 13 de Setembro: Clássica de Montréal (Canadá)
  • 29 de Setembro a 3 de Outubro: BinckBank Tour
  • 30 de Setembro: Flèche Wallonne (Bélgica)
  • 3 a 25 de Outubro: Volta a Itália
  • 4 de Outubro: Liège-Bastogne-Liège (Bélgica)
  • 10 de Outubro: Amstel Gold Race (Países Baixos)
  • 11 de Outubro: Gent-Wevelgem (Bélgica)
  • 14 de Outubro: Através da Flandres (Bélgica)
  • 15 a 20 de Outubro: Volta a Guangxi (China)
  • 18 de Outubro: Volta a Flandres (Bélgica)
  • 20 de Outubro a 8 de Novembro: Volta a Espanha
  • 21 de Outubro: Driedaagse Brugge-De Panne (Bélgica)
  • 25 de Outubro: Paris-Roubaix (França)
  • 31 de Outubro: Il Lombardia (Itália)


Os campeonatos nacionais ficam agendados entre 20 e 23 de Agosto, como já tinha sido antecipado há umas semanas. Contudo, a UCI realçou que alguns países poderão não conseguir organizar as provas nesses dias por possíveis restrições ainda em vigor. Se assim for, serão reagendados, onde for necessário fazê-lo. Os Mundiais mantém para já a data de 20 a 27 de Setembro, mas também os organizadores já avisaram que até final de Junho a situação será reavaliada para confirmar a realização ou não das corridas na Suíça.

Aliás, Junho poderá ser mês essencial para perceber se haverá mais ciclismo este ano e onde. Mesmo a Volta a França continua longe de estar garantida, apesar de todos saberem ser essencial que vá para a estrada para salvar uma época em que os patrocinadores investiram muito nas equipas, mas estão longe de ter o retorno esperado dado o confinamento em que quase todo o mundo ficou. Dada as restrições de aglomerados de pessoas, a ASO espera obter uma autorização especial para que possa arrancar ainda em Agosto, quando ainda estará em vigor o limite de cinco mil pessoas.

De referir que os Europeus foram cancelados, mas já há data para 2021: de 9 a 13 de Setembro, em Trento, Itália, onde se disputariam este ano.

Tour intocável, Giro e Vuelta a terem de dividir grandes figuras

A Volta a França continua a ter um impacto mediático que nem Giro, nem Vuelta conseguem aproximar-se. A nível de espectáculo o Tour até andou a desiludir durante alguns anos, até que finalmente em 2019 houve uma grande corrida, pelo menos até o mau tempo obrigar à redução de etapas importantes. No entanto, continua a ser a corrida mais importante do calendário.

A discussão desde que a temporada foi forçada a ser interrompida tem se centrado quase exclusivamente em quando e como o Tour pode ir para a estrada. Para já fica de 29 de Agosto a 20 de Setembro e não haverá dúvidas que praticamente todas as principais figuras das grandes voltas irão lá estar. Já não é só uma questão desportiva que está em causa. É preciso ter os grandes nomes a expor os patrocinadores.

Tanto Giro como Vuelta também vão contar com figuras importantes, mas com a prova italiana a começar a 3 de Outubro e a espanhola a 20, a Vuelta - que terá menos três etapas, pois foi cancelado o início em Utrecht, nos Países Baixos - esperará que quem opte por fazer duas grandes voltas, escolha aquela que dá um mês para recuperar. O Giro também não irá à Hungria para as primeiras pedaladas, mas mantém os 21 dias de prova, como o director Mauro Vegni sempre disse que o faria, não querendo ceder perante a pressão de dar prioridade ao Tour.

Como vão os líderes gerir objectivos? Como vão as equipas gerir os seus ciclistas com tantas corridas a coincidir e num curto espaço de tempo? São questões que não demoraram a ter resposta, pois perante tanta incerteza, pelo menos este calendário permite que se possa falar de algo mais do que treinos em casa e corridas virtuais!

Surpresa para as senhoras

Com o futuro do ciclismo em dúvida, com algumas equipas a terem de cortar ordenados, nas senhoras a instabilidade e incerteza é ainda maior. Porém, o pelotão feminino acabou por receber uma agradável surpresa no anúncio da UCI: pela primeira vez haverá um Paris-Roubaix para as senhoras. E em que dia? Pois claro, a 25 de Outubro.

Ao todo serão 18 corridas, que também começam com a Strade Bianche a 1 de Agosto e terminam com a Challenge by La Vuelta, entre 6 e 8 de Novembro.