30 de novembro de 2019

Final da Volta a Portugal regressa a Lisboa

Vinhas venceu a Volta na última vez que terminou na capital
(Fotografia: © Podium/Volta a Portugal)
Após sucesso que foi o final da Volta a Portugal no Porto, em 2020 a festa do vencedor será feita em Lisboa. Um regresso depois de em 2016 ter sido o palco de uma vitória que Rui Vinhas não esquecerá, mas que esteve longe de ter o público que encheu a Avenida dos Aliados em Agosto último, no triunfo de outro ciclista da W52-FC Porto, João Rodrigues.

A confirmação foi feita pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, durante a gala dos 120 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo, que se realizou este sábado no Fórum Lisboa. Nesta década, a capital tem sido quem mais recebe o final da Volta, excepção feita em 2013 e 2017 quando a corrida fechou em Viseu, em 2018 em Fafe e este ano na Invicta.

Variou entre uma etapa em linha decidida ao sprint na Avenida da Liberdade, com passagem obrigatória no Marquês de Pombal, e o contra-relógio no Terreiro do Paço que desde 2015 tem sido a opção da organização para definir o vencedor da Volta. Ainda se terá de esperar para conhecer mais pormenores sobre a etapa e sobre o restante percurso, com a Senhora da Graça, por exemplo, a poder surgir mais cedo na corrida.

Em 2019, o final no Porto foi também especial para o director da prova, Joaquim Gomes, que há 30 anos ali celebrou a sua primeira Volta a Portugal. O público não desiludiu no fantástico ambiente que criou no apoio principalmente a João Rodrigues, que vestia a cores da W52-FC Porto. O azul e branco dominou entre os adeptos, sem surpresa.

Lisboa tem um ambiente muito diferente de outros tempos, numa altura em que o Benfica continua de costas voltadas para o ciclismo e o Sporting vai abandonar mais uma vez a modalidade, depois de quatro anos de união com o Tavira. A influência dos clubes continua a ter o seu peso no ciclismo nacional no que diz respeito à mobilização de adeptos, mas se os corredores da W52-FC Porto viveram momentos únicos este ano "em casa" (há que não esquecer que a equipa é do Sobrado), também se tem dado bem com os ares de Lisboa.

Vinhas venceu em 2016 e no ano antes foi Gustavo Veloso, repetindo o triunfo de 2014, mas com a equipa a então chamar-se W52-Quinta da Lixa e OFM-Quinta da Lixa, respectivamente. Em 2012 foi David Blanco o grande vencedor da Volta, na única vez que a Efapel venceu a corrida, tendo também ganho em 2010 ao serviço do Palmeiras Resort-Prio. Em 2011, Ricardo Mestre celebrou com a camisola do Tavira.

De referir, que um dos objectivos da W52-FC Porto é fazer o penta tendo o clube azul e branco como um dos patrocinadores. Ou seja, poderá alcançá-lo precisamente onde começou a contagem: em Lisboa.

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29 de novembro de 2019

Projecto EPowers Factory termina antes de começar e deixa Rebellin sem equipa

A ambição era enorme e revelou ser um pouco exagerada para uma equipa que afinal não chegou a ser. A EPowers Factory queria uma licença Profissional Continental e ir à Volta a Itália já em 2020. Contratou vários ciclistas, com o destaque a ir inevitavelmente para o veteraníssimo Davide Rebellin, mas também para Darwin Atapuma, que este ano representou a Cofidis. Porém, sem grande surpresa, o projecto não se concretizou, com a agravante de ter deixado sem trabalho mais de 30 pessoas.

Um dos responsáveis pela estrutura enviou um e-mail a todos os que já havia contratado, alertando que afinal a formação não irá para a estrada em 2020. "Informamos que as negociações entre os patrocinadores e a equipa Epowers Factory ainda não terminaram. Por esta razão, a equipa não cumpriu o prazo estabelecido para obter a licença UCI. Esta infeliz situação levou à inevitável conclusão do processo de autorização para a licença Profissional Continental por parte da UCI", lê-se no comunicado a que o jornal Marca teve acesso. Tamás Pcze confirma que os contratos dos ciclistas e membros do staff serão terminados, o que, numa altura tão tardia em 2019, poderá causar problemas a muitos ciclistas e não só para encontrar uma equipa.

"Este ano trabalhei tanto, o sonho estava ali e, em vez disso, enganaram-nos e desperdiçaram o nosso tempo. Muitos dos miúdos já desistiram. E parar assim é humilhante. Eles lixaram-nos", afirmou Gregorio Ferri ao CicloWeb, um dos jovens que se preparava para a estreia como profissional na EPowers Factory. Entre os corredores contratados estava Nicola Toffali, que nas últimas duas temporadas representou o Sporting-Tavira, e Riccardo Stacchiotti, que em 2018 venceu duas etapas na Volta a Portugal ao serviço da MsTina-Focus.

Aos 48 anos, Davide Rebellin poderá estar mesmo a caminho de terminar uma longa carreira. Já o havia anunciado este ano, com os Nacionais a serem estabelecidos como a última corrida. No entanto, resolveu adiar a despedida para competir pela EPowers Factory, que teria uma licença húngara - com apoio estatal - e cujos responsáveis prometeram aos ciclistas que o objectivo era estar na Volta a Itália em 2020, através de um convite, precisamente uma edição que vai começar naquele país.

O italiano ainda não anunciou oficialmente a sua retirada e tendo em conta que os anos vão passando, mas vai sempre encontrando espaço em equipas para continuar a competir, falta saber se 2019 marcará de facto o adeus de um ciclista que se estreou como profissional em 1993. Fez a tripla das Ardenas em 2004, ganhando a Flèche Wallonne em mais duas ocasiões e tendo entre as suas vitórias um Tirreno-Adriatico (2001) e um Paris Nice (2008). Mas é uma carreira manchada pelo doping, com o recurso a EPO a custar-lhe a medalha de prata que havia ganho nos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim. Regressou em 2011, mas nunca mais foi contratado por uma equipa do principal escalão.

Quanto à EPowers, deverá apostar no seu segmento, que são as bicicletas eléctricas, com uma equipa amadora para competir nas corridas desta vertente.


28 de novembro de 2019

UCI quer repetir testes às amostras recolhidas em 2016 e 2017

(Fotografia: © Richard Masoner, via Flickr)
Os desenvolvimentos da Operação Aderlass estão a motivar a UCI a ir mais longe nas investigações que possam revelar ciclistas que tenham infringido o regulamento anti-doping em 2016 e 2017. Para já, seis foram envolvidos neste caso e o organismo vai pedir que as amostras recolhidas durante esses dois anos sejam submetidas a novos testes.

Os austríacos Georg Preidler (Groupama-FDJ) e Stefan Denifl (Aqua Blue Sport) foram os dois primeiros nomes da modalidade a serem envolvidos na Operação Aderlass quando esta foi tornada pública entre o final de Fevereiro e início de Março. Ambos acabariam suspensos por quatro anos, com Preidler a ter a suspensão dada como provisória, pois contestou a decisão.

Em Maio, Kristijan Durasek (UAE Team Emirates) foi afastado da Volta à Califórnia pela equipa ao ser envolvido no caso, tendo o mesmo acontecido com o esloveno Kristijan Koren (Bahrain-Merida) na Volta a Itália. A Bahrain Merida viu o nome de um dos seus directores desportivos surgir nas investigações. O eslovano Borut Bozic terminou a carreira como ciclista no final de 2018.

Koren e Bozic foram suspensos por dois anos, enquanto Durasek ficou com a sanção mais pesada: quatro anos. Um dos nomes mais mediáticos foi o de Alessandro Petacchi. O sprinter italiano foi suspenso por dois anos devido a violação do regulamento anti-doping em 2012 e 2013, sendo que terminou a carreira em 2015.

Com a excepção de Petacchi e de Denifl (este último estava sem equipa depois do final da Aqua Blue Sport, tendo anulado o contrato com a CCC ainda antes deste começar) e com Preidler a rescindir de imediato com a Groupama-FDJ, os restantes foram despedidos das respectivas equipas.

"Em virtude da informação e documentos enviados pelas forças de segurança austríacas sobre a operação Aderlass, a UCI anuncia que pediu à Fundação de Anti-Doping do Ciclismo* para proceder às necessárias novas análises das amostras recolhidas durante as temporadas de 2016 e 2017", lê-se no comunicado do organismo.

"Durante a investigação de Aderlass e graças à estreita colaboração entre a UCI e as autoridades austríacas, vários procedimentos foram iniciados devido à violação de regras anti-doping. Vários indivíduos, a maioria em actividade ao mais alto nível, foram sancionados", acrescentou. A UCI afirmou ainda que irá continuar a trabalhar com as autoridades da Áustria "com o objectivo de proteger os atletas honestos" e para "garantir um desporto limpo".

O caso Aderlass tem no centro da polémica o médico alemão Mark Schmidt, que já esteve no passado em equipas do principal escalão. Foram descobertos 40 sacos de sangue na cidade germânica de Erfurt. As primeiras notícias de envolvidos surgiram durante os Mundiais de esqui, com alguns atletas desta modalidade (com várias vertentes) a serem os primeiros a serem "apanhados". Mas de imediato surgiram notícias que a investigação estava a revelar um esquema de doping que envolvia outros desportistas, incluindo do ciclismo. Rapidamente a UCI quis seguir atentamente o que as autoridades austríacas estavam a desvendar.

*A Fundação de Anti-Doping do Ciclismo está integrada na UCI, mas tem total independência e poder de decisão.


27 de novembro de 2019

Um fenomenal Pogacar leva UAE Team Emirates a um nível mais alto

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Se na Ineos se diz que nasceu uma das próximas grandes figuras do ciclismo mundial, na UAE Team Emirates surgiu outra. O colombiano Egan Bernal, da equipa britânica, já tem a sua Volta à França, apenas no seu segundo ano no World Tour, mas também sabe que há uma potencial rivalidade pronta para assumir destaque na modalidade com um esloveno. Tadej Pogacar é puro talento e não perdeu tempo na sua época de estreia ao mais alto nível a conquistar grandes vitórias. E a primeira que não se esquece, foi na Volta ao Algarve.

Numa época em que a UAE Team Emirates investiu muito na contratação de Fernando Gaviria, que inclusivamente quebrou contrato com a Deceuninck-QuickStep para seguir o projecto e o dinheiro que lhe foi oferecido, acabou por ser um jovem ciclista acabinho de chegar a "roubar" quase toda a luz da ribalta, enquanto Gaviria se foi apagando entre os sprints muito aquém e uma lesão que o manteve afastado muito tempo, inclusivamente do Tour.

Esta é uma equipa que está em plena fase de mudança de mentalidade. Depois de tomar conta da antiga Lampre-Merida no final de 2016, a estrutura, agora do Médio Oriente, apostou mais em nomes já com provas dadas, aproveitando Rui Costa, que já estava na equipa, e contratando ciclistas como Daniel Martin, Alexander Kristoff e Fabio Aru. Porém, não foi alcançado o esperado a nível de triunfos e o director espanhol Joxean Fernández Matxin fez com que a equipa, enquanto tentava tirar o melhor deste trio e de Rui Costa, olhá-se para uma nova geração.

2019 foi a primeira amostra de como o trabalho está a ser feito e com Tadej Pogacar a ser simplesmente fenomenal, mas sem esquecer um Jasper Philipsen, um "licenciado" da Hagens Berman Axeon, que também esteve em destaque, além dos bons sinais dados pelo português Rui Oliveira. O irmão, Ivo, ficou com a afirmação adiada devido a uma queda gravíssima num treino, que o manteve afastado cerca de seis meses.

Daniel Martin - que está de saída para a Israel Cycling Academy - lutou contra a pressão que colocou em si próprio e que o afastou de melhores exibições; Aru foi operado à artéria ilíaca na perna - problema que levou Nuno Bico a acabar a carreira - e apesar de se ter comprometido a aparecer a bom nível na Vuelta, nem a terminou; Kristoff foi ganhando, mas são notórias as crescentes dificuldades em disputar sprints com as principais figuras. Mas houve um Tadej Pogacar, tímido e discreto fora da bicicleta, mas de enorme irreverência nas corridas.
Ranking: 4º (11765,33 pontos) 
Vitórias: 29 (incluindo três etapas na Vuelta e uma no Giro, a Volta ao Algarve, Volta à Califórnia, Volta à Noruega e Volta à Eslovénia) 
Ciclista com mais triunfos: Tadej Pogacar (8)
Com Gaviria a abandonar o Giro - venceu uma etapa, após a desclassificação de Elia Viviani - devido à lesão no joelho que o limitaria praticamente toda a temporada, foi no outro jovem, o estreante, que a UAE Team Emirates encontrou a fonte para uma boa época e o início da afirmação desejada entre as melhores equipas do mundo. O objectivo de estar entre as cinco melhores está cumprido, agora vai olhar para o top três e claro, com vontade de destronar a Ineos.

Mas para concretizar essa vontade, o necessário é elevar Pogacar ao próximo nível. O esloveno, de apenas 21 anos, deixou de ser uma promessa logo na Volta ao Algarve quando ganhou categoricamente no Alto da Fóia, segurando a geral até final. Depois foi mostrar toda a sua classe na Volta à Califórnia, tendo antes ganho a juventude na Volta ao País Basco. Porém, foi depois do que fez na Vuelta que Pogacar se transformou num ciclista que ninguém menosprezará em 2020.

Venceu três etapas, a juventude e ainda foi terceiro na geral. Além dos números, as exibições foram entusiasmantes. E nem era suposto estrear-se em grandes voltas em 2019! Não tem medo de atacar de longe, não tem receio de enfrentar sem inibições ciclistas de maior experiência. É inteligente tacticamente, completo tecnicamente, pois além de ser um excelente trepador, defende-se muito bem no contra-relógio. É impossível não pensar de como será ver um frente-a-frente entre Egan Bernal e Tadej Pogacar.

Pode parecer redutor falar da época da UAE Team Emirates quase exclusivamente na perspectiva de Pogacar, mas os seus resultados fizeram muito a diferença, enquanto ciclistas de maior estatuto estiveram abaixo das expectativas. Aru, por exemplo, vai ter um ano fulcral se quiser não só manter estatuto, como se procurar manter-se na equipa.

Mas refira-se como Jan Polanc andou de camisola rosa na Volta a Itália e de como Diego Ulissi - outra das figuras que estava na Lampre-Merida, tal como Rui Costa - continua a deixar sempre uma pequena frustração por tanto conseguir ser um ciclista capaz de discutir grandes corridas, como um que desaparece no extenso pelotão internacional.

Quanto aos portugueses, Rui Costa teve alguns bons momentos, como foi o caso na Volta à Romandia (segundo na geral) e, como tem sido normal, no final de temporada, com um 10º lugar nos Mundiais de Yorkshire. No entanto, não restam dúvidas de como está a perder estatuto e apesar de nova renovação de contrato, o seu papel será cada vez mais de apoio às figuras emergentes como Tadej Pogacar, sendo que a experiência do poveiro será essencial num grupo cada vez mais jovem desta UAE Team Emirates.

A estreia de Rui Oliveira no World Tour, outro "licenciado" da Hagens Berman Axeon, foi muito positiva, estando a transformar-se num ciclista de trabalho de muita qualidade. Ao lado de Jasper Philipsen, por exemplo, foi importante em alguns dos bons resultados deste sprinter belga, também com talento para as clássicas.

Já Ivo iniciou o seu regresso à competição na recta final da temporada e agora é aguardar que possa recuperar a sua melhor forma, tanto para se poder afirmar na estrada ao mais alto nível, como a pensar no apuramento de Portugal para os Jogos Olímpicos na vertente de pista, sendo os gémeos Oliveira elementos importantes para garantir este feito inédito.

E por falar de jovens na UAE Team Emirates, vão chegar mais uns muito prometedores: Brandon McNulty (21 anos, trepador da Rally UHC Cycling) e Mikel Bjerg (21, tricampeão mundial de contra-relógio de sub-23), com o italiano Alessandro Covi (21, Colpack) e o colombiano Andrés Ardila (20, EPM Scott) a serem mais dois ciclistas com qualidades de trepadores, com Covi a também se adaptar bem a algumas clássicas.

David Formolo (Bora-Hansgrohe), David de la Cruz (Ineos) e Joe Dombrowski (EF Education First) são contratações para equilibrar com a muita juventude, sem esquecer o veterano de 36 anos Max Richeze (Deceuninck-QuickStep), que se espera que venha a ser o líder do comboio que Gaviria deseja, sendo um reencontro depois de terem sido uma dupla de sucesso na equipa belga.

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26 de novembro de 2019

Van Aert não vai ter de pagar indemnização milionária: "Foi feita justiça"

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
Wout van Aert já pode respirar um pouco mais de alívio e concentrar-se na sua recuperação física. O tribunal decidiu a favor do ciclista belga, o que significa que não terá de pagar uma indemnização de 1,1 milhões de euros, que era exigida pelo director da sua antiga equipa. Nick Nuyens ainda pode recorrer, mas o corredor admitiu que recebeu esta terça-feira uma motivação extra.

Em causa estava a rescisão de contrato por parte de Van Aert, há pouco mais de um ano, com a Veranda’s Willems-Crelan. Um dos pontos de descontentamento foi não ter sido avisado das negociações que decorriam com a Roompot-Charles para uma fusão, que veio a acontecer. A gota de água terá acontecido quando Nuyens terá tentado que um dos treinadores assinasse uma declaração incriminatória contra Van Aert, segundo o Cyclingnews. Niels Albert não o fez e foi uma das testemunhas importantes no decorrer do processo.

Van Aert já tinha acordado com a Jumbo-Visma mudar-se em 2020, mas, após a UCI ter dado luz verde, aceitando a rescisão - mas ficaria atenta à decisão judicial -, o ciclista começou a competir pela nova equipa em Março deste ano.

No entanto, Nuyens, que ficou como director da estrutura após a fusão, sempre defendeu que Van Aert não tinha justificação para quebrar o vínculo contratual que durava até Dezembro de 2019, avançando então para os tribunais. Exigia cerca de 1,1 milhão de euros de indemnização.

"Foi feita justiça. Que alívio. Dá-me uma grande motivação para continuar a trabalhar no meu regresso e para ser capaz de me concentrar 100% nisto. Gostaria de agradecer a todos os que me apoiaram", escreveu Van Aert no Twitter.

A decisão a favor do ciclista de 25 anos foi do tribunal de trabalho de Mechelen, na Bélgica, segundo o Het Nieuwsblad. Nuyens terá de pagar as despesas legais, mais uma má notícia para o director depois da Roompot-Charles ter fechado portas no final desta temporada.

Quanto à recuperação de Van Aert após a grave queda na Volta a França, o ciclista tem partilhado a sua evolução nas redes sociais e estará cada vez mais perto de regressar, sendo a sua esperança de ainda fazer uma parte da temporada de ciclocrosse, que tanto gosta. Não têm sido semanas fáceis, com o belga a admitir que chegou a recorrer a uma ajuda psicológica (ver link em baixo).


25 de novembro de 2019

Versão avassaladora da Astana desaparece nas grandes voltas

(Fotografia: Facebook Astana Pro Team)
Durante a primeira fase da temporada foi uma disputa entre Astana e Deceuninck-QuickStep. Quando uma ganhava, a outra não demorava a responder. A equipa cazaque dominava nas provas por etapas, entre triunfos em tiradas e gerais. A belga foi implacável nas clássicas, mas também foi ganhando muitas etapas. Porém, quando chegou o grande momento de mostrar que de facto é uma equipa forte para as grandes voltas, a Astana ficou mais uma vez muito aquém. Miguel Ángel López não conseguiu disputar o Giro. Na Vuelta ainda foi líder por três vezes, mas acabou fora do pódio. Já Jakob Fuglsang continua na difícil relação com a Volta a França. Dos irmãos Izagirre esperava-se mais, principalmente de Ion, mesmo estando em segundo plano para o colombiano e dinamarquês.

Das 37 vitórias em 2019, 30 foram alcançadas até ao final de Junho. Foi uma primeira metade de temporada avassaladora, mas ainda assim com uma Volta a Itália em que a Astana não ficou plenamente satisfeita. Pello Bilbao (duas) e Dario Cataldo conquistaram vitórias em etapas, mas a Astana quer regressar ao topo do pódio de uma grande volta. López não demorou a começar a ver a possibilidade de liderança escapar e quando tentou lutar por uma posição pelo menos de top cinco ou mesmo o pódio, um espectador provocou uma queda ao ciclista, que respondeu com uma chapada, num dos momentos mais insólitos do ano.

A López aconteceu um pouco de tudo de mau e o pouco de bom que se viu, não chega para tentar ganhar um Giro - venceu a juventude, mas nesta fase não chega - ou uma Vuelta. Em Espanha a irregularidade das exibições custaram-lhe o pódio. Mas são mais dois top dez nas três semanas e a Astana não adiar mais: López vai atacar o Tour em 2020.

Jakob Fuglsang parecia que aos 34 anos se tinha reinventado mais uma vez e seria desta que ajustaria contas com o Tour. Sempre que foi como líder, a tendência foi para correr mal. Chegou à corrida depois de meses fenomenais. Já tem o seu o monumento, numa semana das Ardenas sempre em crescendo: terceiro na Amstel Gold Race, segundo na Flèche Wallonne e depois primeiro na Liège-Bastogne-Liège. Antes já tinha sido segundo na Strade Bianche (foi uma disputa particular nas clássicas com Julian Alaphilippe, da Deceuninck-QuickStep), terceiro no Tirreno Adriatico e ainda uma vitória na Ruta del Sol, em Fevereiro. E houve mais excelentes resultados.
Ranking: 5º (11474,5 pontos) 
Vitórias: 37 (incluindo a geral da Ruta del Sol, Volta à Catalunha, Volta ao País Basco, Critérium du Dauphiné, três etapas no Giro e duas na Vuelta) 
Ciclista com mais triunfos: Alexey Lutsenko (10)
No Tour acabou por abandonar devido a problemas físicos devido a uma queda. Mas Fuglsang mostrou como mentalmente estava forte neste 2019 e foi à Vuelta conquistar uma etapa. Para o ano deverá trocar de calendário com López e vai pela segunda vez ao Giro, na esperança que talvez seja mesmo azarado.

Mas esta equipa não se resume a López e Fuglsang. Bilbao e Luis León Sánchez são sempre garantia de boas exibições e vitórias, mas o primeiro está de saída para a Bahrain-Merida, uma perda grande para o bloco de apoio a López. Contudo, uma da principais figuras da Astana é um homem da casa: o campeão cazaque Alexei Lutsenko.

Aos 27 anos é um ciclista muito à imagem do director da equipa, Alexander Vinokourov. Extremamente combativo, capaz de se mostrar em corridas por etapas (venceu a Volta a Omã e Artic Race, foi sétimo no Critérium du Dauphiné e quarto na Alemanha) e sempre perigoso nas clássicas, Lutsenko somou dez vitórias. Este corredor já tem um papel de total liberdade, pois tornou-se numa garantia de sucesso.

Do lado oposto de performance esteve Ion Izagirre, cuja troca da Bahrain-Merida para a Astana acabou por significar perda de estatuto. Não foi fácil para o espanhol assimilar que nem na Vuelta seria o número um, sendo que o grande momento chegou na Volta ao País Basco e já tinha ganho a Volta à Comunidade Valenciana. Ion, tal como o irmão Gorka, vão querer mais destaque em 2020, mas não será fácil.

Mesmo com os bons ciclistas que tem, a Astana necessita de fortalecer a sua aposta nas grandes voltas, pois começa a tornar-se frustrante ser tão ganhadora antes de chegar ao Giro e depois falhar nas três semanas (Tour e Vuelta incluídos). O basco Óscar Rodríguez (Euskadi-Murias e vencedor de uma etapa na Vuelta em 2018) e o russo Aleksander Vlasov (Gazprom-RusVelo) chegarão para este tipo de corridas, mas não será fácil substituir Bilbao e Dario Cataldo (está a caminho da Movistar).

Vinokourov pode querer ganhar e muito uma grande volta, mas tal não significa que não vai querer continuar a querer vencer tudo o que puder, pelo que foram contratados Alex Aranburu (um dos mais combativos na última Vuelta ao serviço da Caja Rural) e Davide Martinelli (Deceuninck-QuickStep) para serem reforços no sprint, tal como Fabio Fellinne (Trek-Segafredo), que também irá ser aposta nas clássicas.

Independentemente de não conseguir conquistar uma grande volta, há algo que é inegável nesta Astana: é uma equipa completamente feita à imagem do seu director. Dá espectáculo e quer ganhar seja em que corrida for.


24 de novembro de 2019

Passo de qualidade e de sucesso na LA Alumínios-LA Sport

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Vitória na classificação da juventude da Volta a Portugal, conquista da Volta a Portugal do Futuro e mais duas etapas, um circuito e outros bons resultados que foram levando alguns ciclistas da LA Alumínio-LA Sport ao pódio, ou, pelo menos, mostravam, corrida após corrida, como estavam a evoluir. Depois do um ano zero de 2018 como equipa Continental sub-25, foi dado um grande passo de qualidade. E a ambição continua a crescer, com reforços bem interessantes a chegar à equipa de Hernâni Brôco.

Com a UD Oliveirense-InOutBuild e a Miranda-Mortágua a serem há alguns anos referências na formação de jovens ciclistas - para referir as outras duas estruturas de clube que subiram a Continental - , em duas temporadas a LA Alumínios-LA Sport mostrou que quer e pode também ser um bom exemplo. Desde a criação da equipa que o director desportivo tem um discurso de motivar os seus atletas, para acreditarem neles perante um pelotão com ciclistas com mais experiência, passando a palavra que era possível triunfar um dia atingir o sonhado triunfo. Ao segundo ano chegaram as vitórias e logo aquelas que estas três equipas colocam como principais objectivos.

É preciso não esquecer que, como patrocinador, a LA Alumínios deixou uma estrutura de elite para apostar nos jovens e não demorou a alcançar destaque. O que Emanuel Duarte fez na Volta a Portugal marcará a ainda curta carreira, mas também foi de extrema importância para a equipa. Há um ano, foram as constantes presenças em fugas que ajudaram a mostrar a camisola. Agora esteve no pódio final com uma das camisolas.

E inevitavelmente Emanuel Duarte terminou a época como uma das grandes figuras. Vencer a camisola da juventude e depois conquistar a Volta a Portugal do Futuro comprovou o potencial que Brôco viu neste ciclista que conheceu na Sicasal-Constantinos (estrutura também de extrema relevância na formação em Portugal), sendo que em 2018, Duarte esteve na FGP-Cube-Bombarral. Será agora um ciclista que irá gerar alguma curiosidade na sua evolução, numa altura em que passará ao escalão de elite.

Mas há outro ciclista que não pode ficar esquecido. David Ribeiro representa tudo o que Brôco pede aos seus corredores. É muito combativo e essa características levaram-o ao pódio na Volta ao Algarve um dia para vestir a camisola da montanha, feito que repetiu na Volta a Portugal. Não as manteve, mas não deixou de ser um destaque quando se fala das duas competições mais importantes em Portugal. Além disso, passou 2019 na luta por bons resultados e não surpreende que vá continuar, assim como Emanuel Duarte.

Hernâni Brôco vai mesmo manter grande parte do seu plantel, pois tanto Gonçalo Leaça - que tal como Ribeiro está na equipa desde 2018 - Marvin Scheulen e André Ramalho (vencedor do Circuito de Alcobaça) deram garantias que podem contribuir para que a LA Alumínios-LA Sport possa dar mais um passo em frente em 2020. Rodrigo Caixas também irá prosseguir e depois de um ano de adaptação, visto ter sido o seu primeiro como sub-23, a responsabilidade e a aposta neste jovem irá aumentar.

Quanto a reforços, chegará um ciclista muito importante. Bruno Silva foi um dos homens de trabalho da Efapel nos últimos três anos, mas aos 31 anos irá assumir funções bem diferentes. Bruno Silva terá a oportunidade de ser líder, mas será principalmente uma voz de comando e de muita experiência, que poderá fazer diferença num grupo com os ciclistas muito jovens. António Barbio teve esse papel esta temporada, mas decidiu colocar um ponto final na carreira aos 25 anos, tal como André Crispim (23).

Na Efapel não foram muitas as oportunidades que teve para se mostrar, mas em 2019, por exemplo, ganhou o Circuito de Nafarros e somou classificações da montanha: na Volta a Castela e Leão, Memorial Bruno Neves e no Grande Prémio Jornal de Notícias.

Depois chegará Miguel Salgueiro. E fica já o aviso para se seguir com muita atenção este ciclista. É o autêntico todo-o-terreno numa perspectiva que não há vertente em que não tenha qualidade. BTT, ciclocrosse, Salgueiro está sempre na luta por vitórias, tal como na estrada. A sua subida a uma equipa Continental era previsível depois das boas temporadas na Sicasal-Constantinos e de se já ter destacado como júnior. Ciclista rápido e, lá está, muito combativo como Hernâni Brôco tanto gosta. Impossíveis para Salgueiro, não existem.

O açoriano João Medeiros convenceu a LA Alumínios-LA Sport durante o estágio na segunda metade da temporada, com o júnior João Macedo a ser outra das contratações. Venceu a Volta ao Concelho de Loulé, uma das competições de referência do escalão. Estava no Bairrada, estrutura que não é estranha a ver ciclistas seus chegarem longe no ciclismo, por exemplo, João Almeida, que vai para a Deceuninck-QuickStep. Outro júnior a subir a sub-23 será Rafael Gouveia, que será promovido da equipa de Paio Pires.

A LA Almunínios-LA Sport vai querer continuar a afirmar-se na luta da juventude, mas o próximo passo já começa a passar por almejar a uma conquista de maior destaque entre a elite.

Equipa para 2020: Emanuel Duarte (22 anos), David Ribeiro (24), Marvin Scheulen (22), André Ramalho (23), Gonçalo Leaça (22), Rodrigo Caixas (19), Bruno Silva (31, Efapel), Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos), João Macedo (18, Bairrada), João Medeiros (19, Juventude Lajense/Terauto/Bike, estagiou com a LA Alumínios-LA Sport na segunda metade da temporada de 2019), Rafael Gouveia (18, Paio Pires).

Veja aqui as conquistas das nove equipas Continentais portuguesas em 2019.


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23 de novembro de 2019

Reinado da Ineos continua, muda o rei

(Fotografia: © Team Ineos)
Se havia ciclista que se sabia que era uma questão de tempo até ganhar uma grande volta, era Egan Bernal. A aposta em 2019 seria no Giro, mas as circunstâncias da vida de um ciclista trocaram os planos a este colombiano e mais tarde a Chris Froome. O resultado foi um enorme susto para o britânico, com uma queda com potencial para acabar com uma carreira e o início de um reinado de um Bernal que é quase impossível não se admirar. Agora entra-se na fase de se saber quando vai chegar nova vitória, seja novamente no Tour, ou no Giro ou na Vuelta, provavelmente em todas no decorrer dos próximos anos. Mais uma vez, parece inevitável que aconteça e até rapidamente. Assistiu-se ao nascer de uma das próximas grande figura do ciclismo mundial.

Durante os primeiros meses, o foco foi como iria a Ineos gerir Froome e Geraint Thomas, o justíssimo vencedor do Tour de 2018. O galês queria ser líder, Froome é o líder por defeito e tanto ele como a Ineos querem ficar na história com uma quinta vitória, igualando o recorde. Ambos estiveram discretos toda a primeira fase da temporada. Era a aposta total na Volta a França. Entretanto, olhava-se para Bernal. Uma queda antes do Giro tirou-o da corrida. Uma pena, pensou-se então. O melhor estava para vir. Outra queda tirou Froome do Tour. A gravidade foi assustadora e ainda agora o britânico continua a ser submetido a intervenções cirúrgicas para tirar as placas que foram colocadas para ajudar à sua recuperação.

Sem Froome, Thomas assumiu uma liderança que a Ineos não escondeu muito que estava a dar a Bernal. Nada de novo para o galês. Já assim tinha sido em 2018, mas com Froome como "rival". Porém, a forma física de Thomas foi bem diferente da de há um ano e nem foi preciso um super Bernal para o Tour continuar a ser ganho pela Ineos, novo nome de uma Sky que perdeu o patrocinador e por umas semanas deixou algumas equipas a pensar que se terminasse, haveria muito bom ciclista disponível para contratar. Mas não. A Sky/Ineos não só continua, como realizou com sucesso a passagem de testemunho para uma nova geração, cujos muitos dos talentos estão precisamente na estrutura britânica.

Bernal é o expoente máximo (além do Tour, conquistou o Paris-Nice e a Volta à Suíça). Apesar de ter apenas 22 anos, a sua maturidade permite que seja um líder que dá toda a confiança para uma corrida como a Volta a França. Mas em 2019 a Ineos também ficou com a certeza que Pavel Sivakov (vencedor da Volta aos Alpes, da Polónia e top dez no Giro) e Tao Geoghegan Hart podem ter papéis importantes, estando prontos para a responsabilidade. A Vuelta não correu de feição a Hart em termos de classificação geral, aliás foi uma grande volta atípica na Ineos que teve uma prestação fraca, com o britânico a ser a figura ao ficar perto, mais do que uma vez, de ganhar uma etapa. Mas ainda há um Eddie Dunbar, um Jhonatan Narváez e um Iván Ramiro Sosa cuja evolução está a ser interessante e prometedora após um ano de Ineos.
Ranking: 6º (10547,08 pontos) 
Vitórias: 26 (incluindo a geral no Tour, Paris-Nice, Volta à Polónia, Volta aos Alpes e Volta à Suíça) 
Ciclista com mais triunfos: Egan Bernal (5)

A desilusão chama-se Gianni Moscon. Falou muito no início de temporada em estar bem nas clássicas e no Giro, onde até queria tentar liderar. Depois esteve muito mal nas clássicas e nem foi à Volta a Itália. Este ano até esteve mais bem comportado, sem suspensões ou expulsões, mas assim, com estas exibições Moscon poderá ser sempre um homem de trabalho importante, mas, por agora, dá poucas garantias para ser um líder. Com tantos e bom ciclistas na Ineos, Moscon sabe que 2020 pode ser decisivo para definir um estatuto mais relevante na equipa.

Os responsáveis da Ineos estarão mais preocupados para a próxima temporada em saber se Froome poderá recuperar um nível que lhe permita perseguir o grande objectivo de carreira nesta fase, a tal quinta vitória no Tour. Com Bernal está assegurada a sucessão do trono, que Thomas nunca alcançará. Aos 33 anos, o galês vai à procura de poder ainda ganhar um Giro ou eventualmente a Vuelta, ainda que Bernal esteja aos poucos a tentar impor a sua palavra. Porém, dada a sua idade, nem a vitória no Tour ainda lhe confere essa força. Por enquanto.

O colombiano não esconde que gostaria de tentar ganhar a Volta a Itália, deixando o Tour para Froome, mas a equipa não quer arriscar e não está a querer ceder à vontade do jovem colombiano. Como quase sempre - excepção feita em 2018 quando Froome foi ao Giro - na Ineos é tudo e tudo pelo Tour. Se o britânico não conseguir estar a 100%, então a Ineos quer Bernal preparado. O colombiano é que já não está muito convencido em ser um plano B. O que se entende.

O problema de Thomas poderá mais chamar-se Richard Carapaz. Chega da Movistar como o vencedor precisamente do Giro. Tantos líderes! Na Movistar foi uma receita desastrosa, mas a Ineos lá vai gerindo a situação, ainda que para 2020 comece a parecer que alguém não vai gostar das decisões e Thomas é, para já, o elo mais fraco nesta cadeia de liderança.

De referir que quanto a reforços, apesar de se falar de Andrey Amador e Rohan Dennis também já ter sido dado como estando a caminho da Ineos, para já, além de Carapaz, a Ineos contratou dois jovens talentos: um colombiano, Brandon Rivera (23 anos) e um espanhol que a equipa disse ser dos maiores talentos da sua geração, Carlos Rodriguez. Tem apenas 18 anos e é mais um corredor a conseguir entrar no World Tour após apenas um ano na Kometa de Alberto Contador e Ivan Basso. Neste caso nem chegou à equipa principal, pois estava ainda nos juniores.

Certo é que como Sky esta equipa sobre crescer e tornar-se na referência em provas por etapas, contribuindo para uma mudança na forma de encarar o ciclismo. Após uma década de existência, a agora Ineos mostrou como se faz uma mudança de geração sem perder capacidade de vencer. Talvez não domine tanto como outrora, também porque as outras equipas começaram a "perder o respeito", por assim dizer. Mas relativamente à corrida que todos querem ganhar, o Tour, já lá vão sete vitórias em oito anos: quatro para Froome e uma para Bradley Wiggins, Thomas e Bernal (Vincenzo Nibali intrometeu-se em 2014, numa edição em que Froome abandonou após queda). A pergunta continua a ser: quem bate a Ineos?

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22 de novembro de 2019

Quando se uniu a Movistar ganhou... mas não repetiu a união

(Fotografia: © Giro d'Italia)
Alejandro Valverde não foi o ciclista ganhador de temporadas recentes e a Movistar até se ressentiu um pouco nos números finais de vitórias. Porém, a equipa espanhola finalmente conquistou uma grande volta, terminando com uma espera de três anos. E tendo em conta que as três semanas fazem parte da génese desta histórica estrutura, há razões para alguma satisfação. Mas não muita. É que acabou por ser uma época com mais do mesmo relativamente às lutas internas, numa equipa que tanta dificuldade tem a agir como tal. Se nesse aspecto foi mais do mesmo, já a preparação para 2020 causa estranheza. Haverá muitas mudanças, algo pouco normal num director como Eusebio Unzué, mais conhecido por contratar muito pouco, dando prioridade à continuidade, sempre com uma espinha dorsal quase intocável.

Muitas das equipas World Tour adorariam ter conquistado etapas nas três grandes voltas e uma geral. Mas para a Movistar acaba por ficar mais vincado o novo desaire no Tour, em que o mal amado Nairo Quintana conquistou uma etapa para salvar um pouco a honra numa corrida em que apostar pelo segundo ano consecutivo no tridente Quintana/Landa/Valverde correu novamente mal. O colombiano estava isolado, enquanto Landa fez a sua corrida, com um Valverde a ser tudo menos um elemento de união.

Poder-se-ia pensar que depois de no Giro Richard Carapaz ter conseguido unir a equipa, inclusivamente Landa trabalhou para o equatoriano, resultando na conquista da grande volta - a última havia sido a Vuelta de 2016 com Quintana -, que a Movistar continuasse a ter um colectivo que funcionasse como tal. Mas não.

Contudo, próprio Carapaz antes de alcançar esse feito, contrariou a ideia de um Landa como líder único no Giro, assumindo-se sempre como co-líder e atacando em etapas para garantir que os responsáveis o vissem como tal. No Tour foi cada um por si entre os chefes-de-fila, enquanto na Vuelta foi a batalha Valverde (segundo)/Quintana (quarto). E não ajudou à imagem da equipa os seus ciclistas terem atacado o eventual vencedor Primoz Roglic (Jumbo-Visma) quando este caiu numa etapa, com a justificação que tentou aproveitar o vento para fazer cortes no pelotão. A organização acabou por intervir e apenas ficou a polémica, tanto da atitude da Movistar, como da decisão dos comissários de esperar que o pelotão ficasse novamente junto, num precedente que ainda haverá dar que falar no futuro.
Ranking: 7º (10.398 pontos) 
Vitórias: 21 (incluindo a geral no Giro e duas etapas, uma no Tour e duas na Vuelta) 
Ciclistas com mais triunfos: Alejandro Valverde e Richard Carapaz (5)
Desentendimentos à parte, a Movistar ressentiu-se da falta de um Valverde avassalador, como tem acontecido em anos recentes. Aos 39 anos, o espanhol teve alguns problemas físicos e não conseguiu estar na discussão de tantas corridas como costumava. Nem nas suas Ardenas apareceu ao seu melhor. Na época em que vestiu a camisola de campeão do mundo, Valverde deu as primeiras mostras de estar na recta final da carreira. Mas ainda falta ir a Tóquio tentar a título olímpico.

Esta é uma equipa muito dependente das suas figuras para conquistar vitórias, mas a escolha recaiu em trazer novas caras para 2020, num corte bastante radical com o passado recente. Sai Landa (Bahrain-Merida), Quintana (Arkéa-Samsic), um dos importantes homens de trabalho Winner Anacona (Arkéa-Samsic) e Rubén Fernández vai procurar relançar a carreira como líder na Fundação Euskadi. Jasha Sütterlin sai ao fim de um ano para a Sunweb e Daniele Bennati terminou a carreira. Carlos Betancur, Rafael Valls, Jaime Rosón e Jaime Castrillo também vão mudar de ares. Depois há ainda um Andrey Amador que renovou, mas devido a um desentendimento entre Unzué e o empresário Giuseppe Acquadro, o ciclista que tem sido um elemento imprescindível na Movistar está de saída, talvez para a Ineos.

A equipa britânica garantiu ainda um Carapaz que inicialmente estaria mais tentado em continuar na Movistar para ser líder indiscutível, mas com a influência de Acquadro assinou por uma Ineos nada preocupada em ter agora quatro ciclistas que podem e querem discutir grandes voltas.

Com tanta saída, haverá naturalmente entradas para compensar, curiosamente de muitos estrangeiros, numa equipa que sempre abriu muito as portas aos ciclistas da casa. Foi buscar vários jovens como o britânico Gabriel Cullaigh, o alemão Juri Hollman, o americano Matteo Jorgenson, o suíço Johan Jacobs e dois colombianos, Einer Augusto Rubio e Diego Alba. Contratou também dois espanhóis: Sergio Samitier e Iñigo Elosegui. Todos vão fazer a sua estreia ao mais alto nível.

Porém, o mais relevante é como a Movistar parece querer deixar de dividir lideranças, Enric Mas (Deceuninck-QuickStep) foi contratado para ser o líder para as grandes voltas, com Dario Cataldo a deixar a Astana para reforçar este bloco. Da mesma equipa chega um Davide Villella que quer concentrar-se nas clássicas.

Uma nova era vai começar na Movistar, com Enric Mas a ter a partir de agora o enorme peso de ser um espanhol à frente da única equipa espanhola do World Tour. E já foi lançado o repto para os 40 anos da estrutura, ganhar a Volta a França, a única grande volta que falta conquistar com o nome Movistar. Com tanta saída, Marc Soler espera que possa ter nova oportunidade de lutar pela geral numa das grandes voltas, Giro ou Vuelta.

Quem continua a fazer parte da espinha dorsal é o português Nelson Oliveira. Renovou por mais duas temporadas. É um ciclista que está grande parte da temporada muito preso a um papel de gregário que desempenha tão bem, com 2019 a não ter sido excepção. Porém, continua vivo o objectivo de vencer um contra-relógio, a sua especialidade, num dos grandes palcos, sendo que a maior liberdade é dada nas clássicas. Oliveira é um ciclista exemplar que os responsáveis da Movistar não dispensam.

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21 de novembro de 2019

Avermaet com a Volta ao Algarve nos seus planos

(Fotografia: Facebook CCC Team)
Começar a lista de inscritos da Volta ao Algarve com um campeão olímpico e um dos melhores ciclistas de clássicas em anos recentes é bastante promissor. Ainda não é garantido, mas Greg van Avermaet poderá colocar a corrida portuguesa no seu calendário de início de temporada, já que quer mudar a sua forma de preparar-se para a sua fase favorita da época. O belga não estará interessado em viagens ao Médio Oriente, preferindo apostar em corridas europeias.

2019 trouxe cinco vitórias, mas apenas uma no World Tour para Greg van Avermaet. Apesar de ter até ter começado a temporada com resultados promissores, quando chegou a dois dos principais objectivos, Volta a Flandres e Paris-Roubaix, o belga não conseguiu estar na discussão dos monumentos. E como ganhar na Flandres é nesta fase da carreira do belga de 34 anos o mais importante - já ganhou em Roubaix -, a sua preparação vai ser feita a pensar em atingir um pico de forma nas duas corridas de Abril, mas principalmente na Flandres.

"Queremos evitar que o Greg atinja a forma demasiado rápido, para que possa chegar ao pico nas clássicas. Em anos recentes, o Greg esteve muito bem nas corridas no início de Fevereiro, mas estas são provas de preparação. Em 2019 esteve muito bem nas clássicas, entre a Omloop Het Nieuwsblad e a E3 Harelbeke, mas depois baixo bastante [de forma]", explicou o Valerio Piva ao Het Nieuwsblad.

Isto significa duas coisas: o ciclista fará uma pausa de seis semanas em vez das habituais quatro neste final de 2019 e haverá uma mudança de calendário para 2020. Segundo o director desportivo da CCC, Avermaet até deverá arrancar a temporada novamente na Volta à Comunidade Valenciana, mas em vez de seguir para a Volta a Omã, o belga preferirá viajar até ao Algarve, antes de atacar as clássicas, com a Omloop Het Nieuwsblad a realizar-se em 2020 na semana seguinte ao final da Algarvia (19 a 23 de Fevereiro).

A Volta a Flandres realiza-se a 5 de Abril e Avermaet sabe que as oportunidades para conquistar este monumento estão a diminuir. Com a mudança da BMC para CCC, o belga permaneceu na estrutura, ganhando o estatuto de líder em toda a linha. Ou seja, a equipa iria apostar forte nele e nas clássicas e não tanto nas gerais das grandes voltas.

O belga até começou com uma vitória de etapa na Volta à Comunidade Valenciana, fez pódios, top dez, mas foi ficando claro como nesta CCC faltavam elementos mais fortes na ajuda a Avermaet nos momentos decisivos e na Volta a Frandres e Paris-Roubaix, o ciclista também não conseguiu esconder que não estava no seu melhor. Desde aquele fenomenal 2017, com quatro vitórias em clássicas do pavé, incluindo o Paris-Roubaix, Avermaet nunca mais triunfou numa corrida deste género, conseguindo quebrar o jejum em corridas de um dia em Montreál, em Setembro.

Para o segundo ano ao mais alto nível, a CCC começou a fortalecer a equipa em todos os sectores e contratou Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) para as provas por etapas, tal como Fausto Masnada (Androni Giocattoli-Sidermec) e Jan Hirt (Astana), este último um regresso à formação que representou quando a CCC ainda era Profissional Continental.

Já para as clássicas, o reforço chama-se Matteo Trentin (Mitchelton-Scott). O italiano quer formar com Averamaet uma dupla temível nas clássicas, mas é uma ideia pouco convincente, a não ser que o belga mude muito a sua postura. Nunca foi de partilhar estrelato, nem quando tinha um senhor Philippe Gilbert como companheiro na BMC.

Agora é esperar para saber se o calendário do campeão olímpico de 2016 - Tóquio2020 é outro dos momentos em que Avermaet quer aparecer forte na época - vai oficialmente incluir a Volta ao Algarve.

Apenas como curiosidade, Peter Sagan também não tem no seu programa de início de temporada nenhuma das corridas no Médio Oriente. Para já, sabe-se que vai começar o ano no final de Janeiro na Volta a San Juan, na Argentina - costuma ir à Austrália, mas, por agora, o Tour Down Under não surge nos seus planos -, passando depois para a Omloop Het Nieuwsblad, a 29 de Fevereiro. A Bora-Hansgrohe é uma das sete equipas confirmadas para a Algarvia.


Juntar Sagan e Avermaet na Volta ao Algarve seria de sonho!

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20 de novembro de 2019

Mitchelton-Scott cada vez mais dependente dos gémeos Yates

(Fotografia: Facebook Mitchelton-Scott)
Dizer que uma equipa que conquista 35 vitórias, incluindo quatro etapas no Tour, uma no Giro, outra no Paris-Nice, na Volta a Catalunha e também na Volta ao País Basco ficou um pouco aquém do que se esperava para 2019, pode parecer estranho. Porém, quando finalmente se consegue não só ser uma equipa capaz de disputar uma grande volta, mas que a ganhou - Vuelta de 2018 - a Mitchelton-Scott queria dar o passo seguinte de tentar conquistar mais uma, ou pelo menos estar mais na linha da frente da discussão. Mas não. Simon Yates não deu continuidade às performances do ano anterior, Adam não conseguiu ser um líder de meter respeito no Tour com o irmão a seu lado - a dupla foi importante na referida Vuelta - e depois ainda há Esteban Chaves. Ou melhor, será que há?

Perceber se é possível recuperar o colombiano depois de um ano marcado por doença que o afastou da competição durante muitos meses, era a grande dúvida. O vírus Epstein-Barr está a prejudicar e muito a carreira de Mark Cavendish e a de Chaves também não tem  grandes certezas. A vitória na etapa do Giro teve o condão de restituir confiança - sem dúvida um momento marcante na temporada para a Mitchelton-Scott - e na Vuelta terminou no top 20. No entanto, foi perceptível as dificuldades que Chaves sente em ser regular nas três semanas e não só. A equipa acabou por renovar contrato, mas por enquanto, as garantias que o colombiano dava há dois ou três anos não existem, numa altura em que o ciclista está a cerca de dois meses de completar 30 anos.

A Mitchelton-Scott não vai desistir de Chaves, tal como não deve de desistir de fortalecer o seu bloco para ajudar os irmãos Yates. Adam e Simon (27 anos) vão ter toda a pressão de conquistar mais e melhores resultados. Simon queria ajustar contas com o Giro, depois da quebra que o fez perder a edição anterior. Apesar de começar com um segundo lugar no contra-relógio e de dizer que o deviam temer, não demorou muito a mostrar que não era o mesmo ciclista de 2018. E aprendeu a ter cuidado com o que diz publicamente. Foi oitavo, mas foi uma desilusão. Foi ao Tour - abdicando de tentar repetir o sucesso na Vuelta - e compensou o desaire do Giro com duas etapas em França. Por outro lado, Adam foi apenas 29º, o que não deixou todos os responsáveis da equipa satisfeitos.
Ranking: 8º (9108,74 pontos) 
Vitórias: 35 (incluindo quatro etapas no Tour e uma no Giro) 
Ciclista com mais triunfos: Daryl Impey (6)
Matteo Trentin e Daryl Impey também venceram no Tour, mas na Vuelta a equipa pouco se viu, com Mikel Nieve a fazer-se valer da experiência e conhecimento das estradas espanholas para fechar top dez.

A Mitchelton-Scott deixou para trás os tempos em que as clássicas e sprints eram o objectivo e a "fonte de rendimento" nas vitórias. Quer ganhar gerais das principais corridas. Impey até deu o mote com a vitória no Tour Down Under logo em Janeiro, mas mais gerais só no final do ano e foram na República Checa (Impey novamente) e na Croácia (Adam Yates). Pouco, muito pouco para os objectivos da equipa australiana.

E a equipa está concentrada em manter toda a sua aposta nos gémeos Yates. Vai perder Matteo Trentin para a CCC e Daryl Impey ainda não anunciou o seu futuro. Foram dois dos ciclistas que mais vitórias garantiram e Trentin ficou tão perto de conquistar ainda um título mundial, mas foi batido por Mads Pedersen (Trek-Segafredo). Há que não esquecer que há um ano foi Caleb Ewan que partiu para a Lotto Soudal para poder ser um sprinter de primeira linha e não apenas quando a equipa não tem pretensões à geral.

Vai aumentar a exigência de ter os seus ciclistas na luta pelas grandes voltas e pelas principais provas de uma semana. Adam e Simon vão passar a contar com o experiente Andrei Zeits (Astana), cazaque com 18 corridas de três semanas feitas. As duas outras contratações serão dois jovens que se vão estrear no World Tour. Barnabás Peák (SEG Racing Academy), sprinter húngaro, e Alexander Konychev, italiano da Dimension Data for Qhubeka (equipa de formação da Dimension Data) que tem características de trepador, mas tem apenas 21 anos.

Com Ineos e Jumbo-Visma noutro patamar a nível colectivo, com Movistar ainda que em fase de mudança, mas com bons ciclistas para o bloco de apoio a Enric Mas, com a Bahrain-Merida e a UAE Team Emirates a reforçarem-se também para crescer nas grandes voltas, a Mitchelton-Scott vê a concorrência a aumentar, numa altura em que está a ficar demasiado dependente dos resultados dos Yates.

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19 de novembro de 2019

Contraste de emoções na época da Lotto Soudal

(Fotografia: © Photo News/Lotto Soudal)
No ano pós-Greipel, no que diz respeito aos sprints a Lotto Soudal encontrou um sucessor que não demorou a dar garantias de vitórias e que mostrou que estava mesmo preparado para ir à Volta a França. Caleb Ewan é uma certeza nesta especialidade. Quanto às clássicas, foi uma época aquém, não ajudando que Tiesj Benoot continue a ser regular entre os primeiros, mas não consegue terminar com mais vitórias. Tim Wellens cumpriu e a Lotto Soudal tinha razões para estar satisfeita com a sua temporada, pois também via um dos seus jovens aparecer cada vez melhor. Bjorg Lambrecht estava em fase de afirmação e a sua morte marcou inevitavelmente a equipa.

O acidente aconteceu em Agosto, na Volta à Polónia e deste então que a Lotto Soudal teve de garantir que os seus ciclistas lidassem com uma situação de perda de um jovem de apenas 22 anos, um companheiro de equipa e para alguns também um amigo. Lambrecht estava a evoluir nas provas por etapas e era uma das esperanças belgas para ser uma figura entre a nova geração que está a a despontar no ciclismo. Venceu a classificação da juventude no Critérium du Dauphiné, o que deixou a equipa a pensar que poderia em pouco tempo ter um ciclista que pudesse apostar além de Tim Wellens, com Lambrecht a poder pensar mais nas gerais das grandes voltas do que o que faz o compatriota.

Estes planos foram tragicamente interrompidos, após uma temporada de sucesso para a Lotto Soudal. Porém, a Vuelta traria para a ribalta um ciclista desta equipa. Carl Fredik Hagen foi contratado à Joker Icopal do escalão Continental e, agora com 28 anos, acabou por ser uma das revelações de 2019. Foi fazendo boas exibições durante a temporada, inclusivamente no Critérium du Dauphiné e antes na Volta à Romandia, por exemplo

Talvez por a Lotto Soudal ser uma equipa que tendencialmente aposta na procura por vitórias de etapas, Hagen não foi muito valorizado quando entrou no top dez na 13ª etapa. No entanto, as exibições foram subindo de nível com o passar da Vuelta, terminou na oitava posição e agora vai ser certamente mais valorizado!
Ranking: 9º (8741,94 pontos) 
Vitórias: 23 (incluindo duas etapas no Giro e três no Tour) 
Ciclista com mais triunfos: Caleb Ewan (10)
Hagen poderá ser homem para geral, enquanto Wellens prefere as provas de uma semana e perseguir as etapas nas grandes voltas. Cinco vitórias em 2019 e o belga continua a ser uma garantia de bons resultados. Tal como Thomas de Gendt. Mais uma daquelas vitórias ao estilo como este ciclista tanto gosta. Um ataque no momento certo e uma capacidade enorme de fazer autênticos contra-relógios a manter toda a concorrência longe, é a receita de sucesso deste enorme corredor. Porém, fica a sensação que esta ideia de tentar bater o recorde do companheiro Adam Hansen de participações consecutivas em grandes voltas e sempre a terminar, está a tirar algum fôlego a De Gendt, que chegou esgotado à Vuelta.

No que a Lotto Soudal ficou aquém foi nas clássicas. E sendo uma formação belga, isso simplesmente não pode acontecer. Tiesj Benoot continua a ser um dos melhores no pavé, mas não conseguiu dar continuidade à vitória na Strade Bianche do ano passado. É ainda um ciclista com potencial para as provas por etapas, mas não foi um 2019 tão forte como desejaria. Benoot sentiu que estava na altura de mudar de ares e depois de cinco anos na Lotto Soudal, vai reforçar uma Sunweb à procura de uma figura principal, após a saída de Tom Dumoulin. Mesmo que possa sempre tentar mostrar o seu valor nas grandes voltas, é nas clássicas que o belga quer novamente apostar mais.

A precisar de mais nas corridas de um dia, a Lotto Soudal resolveu recorrer à experiência. Philippe Gilbert vai regressar à equipa na qual conquistou muitas das suas marcantes vitórias. E dele espera-se sempre algo de fenomenal. Já a contratação de John Degenkolb levanta muitas dúvidas. Quando parece que está a regressar ao seu melhor - como quando ganhou a etapa de Roubaix no Tour em 2018 -, o alemão volta a desaparecer no anonimato dos resultados banais. A oportunidade como a que a Lotto Soudal lhe está a dar pode não surgir muito mais vezes.

A equipa não foi tão forte nas clássicas como quer, mas Caleb Ewan compensou a falta de resultados nessas corridas nos sprints. Iria fazer esquecer Greipel? O alemão nunca será esquecido, mas pelo menos Ewan conseguiu que rapidamente se deixasse de falar na partida de Greipel e se falasse da sua chegada triunfal. Foi ao Giro ganhar duas etapas e depois conseguiu finalmente estrear-se no Tour. Na Mitchelton-Scott estava a ser preterido porque a equipa olhava mais para a classificação geral com os gémeos Yates. Foi isso que o fez mudar-se para a Lotto Soudal. Ganhou três etapas e não admira que considere que já deveria ter ido ao Tour mais cedo.

Tem apenas 25 anos e depois de ter assegurado que mais ninguém duvidasse que pode ganhar aos melhores e nos principais palcos - somou ao todo 10 vitórias -, segue-se um 2020 importante para que mostre que saberá lidar com a pressão de ser um dos favoritos.

De referir ainda que a Lotto Soudal apoiou Victor Campenaerts no seu objectivo de se tornar o recordista da hora. Mais uma aposta ganha, com o belga a bater a marca de Bradley Wiggins. Fez 55,089 quilómetros. O belga está de saída para a NTT (novo nome da Dimension Data), depois de uma temporada que, após alcançar o recorde, não decorreu como desejado a nível de resultados.