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30 de junho de 2018

Domingos Gonçalves conquistou medalha de prata. Daniela Reis ficou outra vez à porta do pódio

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A excelente temporada de Domingos Gonçalves continua! Depois de conquistar os dois títulos nacionais de elite, o ciclista português mostrou porque é bicampeão no contra-relógio ao conquistar a medalha de prata da especialidade nos Jogos do Mediterrâneo. Já Daniela Reis - que alcançou o mesmo feito que o ciclista da Rádio Popular-Boavista em Belmonte, há uma semana - acabou por ficar novamente naquele sempre frustrante quarto lugar, à porta do pódio.

Domingos Gonçalves completou os 25 quilómetros em Tarragona, Espanha, em 30:37 minutos e só o campeão italiano de sub-23 bateu o português. Edoardo Affini já é um especialista na sua categoria e aos 22 anos vai tentando começar a afirmar-se. Fez menos seis segundos que Domingos Gonçalves, com o esloveno Izidor Penko a ficar em terceiro, com mais 22 segundos que Affini.

Mais dois ciclistas que estão no pelotão nacional, no Sporting-Tavira, estiveram em acção neste contra-relógio com as cores espanholas. Mario González foi sétimo, a 1:03 minutos, e Álvaro Trueba ficou na nona posição, a 1:19.

Quanto a Daniela Reis, ficou a 1:23 da vencedora, também italiana, Elena Cecchini, a única a baixar dos 25 minutos, nos 18 quilómetros da prova. Fez 24:15. A compatriota Lisa Morzenti ficou a 47 segundos e o terceiro lugar ficou para a cipriota Antri Christoforou, a 57 segundos.

Os Jogos do Mediterrâneo terminam amanhã e o ciclismo contribuiu com duas medalhas para as 23 já conquistadas pelos atletas portugueses. Rafael Silva ficou com a de bronze na prova de fundo, na quarta-feira.

Aqui fica a lista completa.

Ouro (3): Melanie Santos e João Pereira (triatlo); Rodrigo Almeida com Isolde Vd Heffinck, António Almeida com Irene van de Kwachthoeve, Luís Sabino com Acheo Di San Patrignano e Duarte Seabra com Fernhill Curra Quinn (equipa de hipismo que venceu na competição colectiva).

Prata (8): Domingos Gonçalves (ciclismo, contra-relógio); Fernando Pimenta (canoagem, K1 500 metros), Joana Vasconcelos (canoagem, K1 500 metros); Ana Catarina Monteiro (natação, 200 metros mariposa); Inês Monteiro (atletismo, 5000 metros), Liliana Cá (atletismo, disco); Pedro Fraga (remo, LM1x); Rui Bragança (taekwondo, -58kg).

Bronze (12): Rafael Silva (ciclismo, prova de fundo); Ana Portela (canoagem, K1 200 metros); Alexis Santos (natação, 200 metros estilos), João Vital (natação, 400 metros estilos), Diana Durães (natação, 400 metros livres); João Costa (tiro, pistola ar comprimido); Afonso Costa e Dinis Costa (remo, LM2x); Ana Rua, Emília Ferreira, Josephine Filipe e Sofia Pinheiro  (equipa de basquetebol, 3X3); Patrícia Sampaio (judo, 70-78kg), Anri Egutidze (judo, 73-81kg); ; Júlio Ferreira (taekwondo, -80kg); Ancuiam Lopes, José Pedro Lopes, Diogo Antunes e Rafael Jorge (atletismo, estafeta 4x100 metros)

20 de maio de 2018

João Almeida em destaque numa semana de acção para os jovens portugueses

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Em França estiveram sete portugueses, enquanto noutro continente foi Ivo Oliveira quem esteve em competição, num momento marcante da sua carreira. Nos últimos dias a nova geração de ciclistas do país mostrou-se, com João Almeida a ser mais uma vez o principal destaque. Ainda com a brilhante vitória na Liège-Bastogne-Liège de sub-23 bem fresca na memória, Almeida fechou quinto na Ronde de l'Isard, uma das principais corridas deste escalão. Desta feita foi ao serviço da Selecção Nacional que o ciclista obteve mais um excelente resultado, tendo ainda sido o melhor jovem da competição que tem visto muitos dos seus vencedores (e não só) chegar ao World Tour.

Dos seis ciclistas que representaram a selecção na Ronde de l'Isard, Hugo Nunes também estava a bom nível. Porém, o ciclista do Miranda-Mortágua sofreu uma queda na última etapa e apesar de ter conseguido reentrar no grupo, acabaria por não aguentar o ritmo. Caiu de 16º para 25º, o que custou também o terceiro lugar da equipa na classificação colectiva. A selecção terminou no quinto posto.

"Foi um dia muito difícil. Esteve um temporal tremendo. As subidas eram difíceis, mas as descidas não eram menos, em estrada estreita, molhada e inclinada. Felizmente, conseguimos o objectivo principal, que era ganhar a juventude e conservar o João Almeida nos melhores da geral. Por outro lado, lamento o azar do Hugo Nunes, que estava a fazer uma corrida muito boa. Caiu na primeira descida, fez um grande trabalho para reentrar no grupo dos melhores, mas pagou o esforço, descolando perto do topo da segunda montanha", explicou o seleccionador nacional, José Poeira.

João Almeida ficou a 46 segundos do vencedor, o britânico Stephen Williams, da SEG Racing Academy. Hugo Nunes ficou a 12:02. Quanto aos restantes membros da equipa,  André Carvalho foi 31º a 14:52, Jorge Magalhães 55º a 34:11, Venceslau Fernandes 58º a 36:43 e André Ramalho 70º a 45:46.

O sétimo português na corrida, por assim dizer, foi Tiago Antunes. Há um ano, com as cores da selecção, tinha terminado na 10ª posição. Este ano foi chamado pela sua equipa, a espanhola Aldro Team, para a liderar. O jovem ciclista começou muito bem com um terceiro lugar, mas acabaria por cair na classificação após a segunda etapa. Ainda tentou repetir o top dez, mas desta feita ficou à porta, na 11ª posição, a 2:13 de Williams.

Na Volta à Califórnia, que terminou no sábado com uma vitória muito (mesmo muito) convincente de Egan Bernal (Sky), Ivo Oliveira fez a sua estreia numa corrida do World Tour, sendo que este era um dos objectivos que queria concretizar quando a época arrancou. O companheiro de João Almeida na Hagens Berman Axeon conseguiu ser um dos eleitos para a corrida americana e não passou despercebido.

No primeiro dia até foi repreendido por Fernando Gaviria, ainda que o colombiano da Quick-Step Floors se tenha enganado no ciclista com que queria protestar! Era Jasper Philipsen que tinha provocado o descontentamento de Gaviria depois de uns encostos no sprint. Ivo Oliveira até partiu com a missão de ajudar Philipsen, mas nesse dia fez 11º. O belga acabaria por abandonar após uma queda, o que deixou o ciclista português com liberdade para ser ele a sprintar na quinta etapa.

Bem tentou colocar-se ao lado de alguns dos melhores do mundo. Além de Gaviria, esteve Peter Sagan, Caleb Ewan, Alexander Kristoff e Ivo Oliveira bateu o noruguês, terminando na oitava posição. Mesmo nas etapas de montanha esteve a bom nível, mas foi pena não ter podido ir a fundo no contra-relógio. Foi necessário poupar forças para o dia seguinte, precisamente o da quinta etapa. Sendo a sua especialidade, teria sido interessante vê-lo competir ao mais alto nível, ele que é vice-campeão do mundo de perseguição individual (ciclismo de pista). Mas a sua oportunidade há-de chegar. Na geral, o português terminou na 34ª posição, a 18:35 de Bernal.

Já com outra experiência - está no seu segundo ano com a Trek-Segafredo -, Ruben Guerreiro apareceu em boa forma na Califórnia tendo chegado a integrar o top dez até ao contra-relógio. No final foi 14º a 7:05, deixando boas indicações para quem se está a preparar para fazer a estreia numa grande volta. O campeão nacional tem a Vuelta no seu calendário e a próxima corrida será o Critérium du Dauphiné, que decorre de 3 a 10 de Junho.

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Luís Gomes venceu Grande Prémio Anicolor

Por cá, a Rádio Popular-Boavista regressou às vitórias depois de Domingos Gonçalves ter ganho a Clássica da Primavera, a 4 de Março. Luís Gomes conquistou o III Grande Prémio Anicolor, em Águeda (142,6 quilómetros), batendo no sprint os dois homens do Sporting-Tavira que estavam na luta pela vitória: Frederico Figueiredo e o russo Alexander Grigorev. O ciclista de 24 anos juntou ainda a classificação da montanha, com a equipa a ser a melhor colectivamente. O campeão nacional de sub-23, Francisco Campos, foi o melhor jovem, com mais dois colegas do Miranda-Mortágua a subirem também ao pódio. Nuno Meireles ganhou a classificação das metas-volantes e António Barbio ganhou nos "pontos-quentes".

O pelotão nacional está em contagem decrescente para uma das principais corridas do calendário nacional. O Grande Prémio Jornal de Notícias arranca no dia 28, terminando a dia 3 de Junho.

Pode ver aqui os resultados das equipas portuguesas em 2018 e o ranking nacional.

16 de maio de 2018

Sete portugueses num dos palcos mais importantes para os jovens ciclistas

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
É um dos principais palcos para os jovens ciclistas. A Ronde de l’Isard atrai a atenção dos olheiros das grandes equipas e nos últimos, quem por ali se mostrou viu abrirem-se as portas do World Tour. A selecção portuguesa estará representada por seis ciclistas, a maioria com características de trepadores, não fosse a corrida francesa marcada pela montanha em três das suas quatro etapas. João Almeida (Hagens Berman Axeon), André Ramalho (Jorbi/Team José Maria Nicolau), Hugo Nunes e Jorge Magalhães (Miranda-Mortágua), André Carvalho e Venceslau Fernandes (Liberty Seguros-Carglass) foram chamados por José Poeira e têm assim a oportunidade participar numa das corridas mais importantes para o escalão de sub-23, que inclui selecções e equipas de desenvolvimento.

Ao analisar a lista de vencedores recentes, vemos nomes como Pavel Sivakov (assinou pela Sky), Bjorg Lambrecht (Lotto Soudal), Simone Petilli (UAE Team Emirates), Louis Vervaeke (actualmente na Sunweb depois de se ter formado na Lotto Soudal), Kenny Elissonde (esteve na FDJ antes de se mudar para a Sky) e Alexandre Geniez (passou pela FDJ e agora está na AG2R). Mas não são só os vencedores que acabam por conseguir singrar ao mais alto nível. Jonathan Casteoviejo (Sky), George Bennett (Lotto-Jumbo), Joe Dombrowski (EF Education First-Drapac p/b Cannondale), Laurens de Plus (Quick-Step Floors), Dylan Teuns (BMC) e Tiesj Benoot (Lotto Soudal) terminaram no pódio desta corrida.

Aqui estão apenas referidos aqueles que fecharam top três e estão no World Tour, pois a lista seria mais longa se se olhar para o top dez e para algumas das mais fortes equipas Profissionais Continentais que contrataram jovens ciclistas que realizaram boas exibições na Ronde de l’Isard.

E há um português que certamente procurará no mínimo repetir o resultado de 2017. Porém, Tiago Antunes quererá ir mais além do que o excelente 10º lugar (foi ainda terceiro na etapa rainha). Desta feita não estará com as cores da selecção, pois representará a sua equipa, a Aldro Team. O responsável, Manolo Saiz, irá apostar forte no ciclista português, de 21 anos. "Vamos com uma equipa compacta, com a qual podemos aspirar a que o Antunes possa lutar por algo importante", lê-se no site da formação espanhola.

O ciclista começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas acabou por sair antes de finalizar o contrato, por acordo mútuo, assinando pela Aldro Team. A perspectiva era de assim poder competir em corridas importantes, como a Ronde de l’Isard.

Quanto aos restantes portugueses, todas na selecção, os cinco que actuam em Portugal têm destacado-se nas classificações do seu escalão. André Carvalho, Hugo Nunes e Jorge Magalhães estão em equipas que este ano pertencem escalão Continental, sendo sub-25. No entanto, mesmo representado uma de clube, as exibições de André Ramalho não estão a passar despercebidas. Já o ciclista da Hagens Berman Axeon, João Almeida, está a realizar temporada uma temporada muito positiva, que conta com uma histórica vitória da Liège-Bastogne-Liège de sub-23.

“Considero que é uma equipa homogénea, que dá garantias para uma prova de grande dificuldade”, explicou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo, que teve de substituir Rui Oliveira por Venceslau Fernandes devido a doença.

Quanto às etapas, que se realizarão entre 17 e 20 de Maio, na primeira serão 125,9 quilómetros entre Lorp-Sentaraille e Eychel, com final em alto.



A segunda termina novamente em alto, depois de 154,3 quilómetros a ligar Fonsorbes a Goulier-Neige.



A terceira é a "mais simpática", ainda que tenha muito sobe e desce à espera do jovem pelotão. Serão 153,4 quilómetros entre Lévignac e Boulogne-sur-Gesse.



A decisão final terá 152,4 quilómetros entre Salies-du-Salat e Saint-Girons, numa etapa que voltará a ter muita montanha para enfrentar.



De referir que a Polartec Kometa de Daniel Viegas também estará presente, mas o português surge como suplente na lista de inscritos que pode ver em baixo (clique para ampliar).


14 de abril de 2018

João Almeida vence Liège-Bastogne-Liège e Rui Oliveira qualifica Portugal para os Mundiais

(Fotografia: Hagens Berman Axeon)
O futuro chegou. De promessas têm cada vez menos, pois são cada vez mais uma confirmação. Hoje foi um grande dia para os sub-23 portugueses. João Almeida venceu a Liège-Bastogne-Liège deste escalão e Rui Oliveira foi sétimo no ZLM Tour, resultado que garantiu a presença da selecção portuguesa sub-23 nos Mundiais de Innsbruck, em Setembro. Os dois pertencem à equipa da Hagens Berman Axeon e estes excelentes resultados acontecem uma semana depois de Ivo Oliveira ter vencido a última etapa do Circuit des Ardennes.

Mas há que começar por um dos grandes momentos do ciclismo nacional. João Almeida venceu uma das principais clássicas nos sub-23, pois mesmo não estando incluída na Taça das Nações, basta ser uma das corridas que em elite é considerado um monumento, pelo que vencer nos escalões mais jovens é do mais prestigiante para os ciclistas que ambicionam alto. Almeida confessou no final que tinha acabado de concretizar um segundo sonho este ano: o primeiro foi ir para a Hagens Berman Axeon, o segundo, vencer a Liège-Bastogne-Liège.

Este é um ciclista que tem razões para sonhar bem alto. Estamos a falar de um corredor que dominou os escalões de juniores, juntamente com Daniel Viegas (actualmente na equipa sub-23 de Alberto Contador, a Polartec-Kometa), e que não hesitou em ir para o estrangeiro com apenas 18 anos.

Na Unieuro Trevigiani-Hemus 1896 venceu uma etapa no Tour de Mersin (Turquia), na Toscana Terra di Ciclismo Eroica e na Volta à Ucrânia, onde foi ainda o vencedor da classificação da juventude. Ainda a época não tinha terminado e a Hagens Berman Axeon tinha apresentado um contrato a João Almeida. A resposta está aí. É considerada uma das melhores equipas de formação e Axel Merckx tem colocado muitos ciclistas no World Tour, como foi o caso de Ruben Guerreiro. O director da equipa reagiu à vitória de Almeida no Twitter e dificilmente podia ser mais expressivo: "Yeaaaaaahhhhh!"

O melhor resultado na Liège-Bastogne-Liège tinha sido precisamente de Guerreiro, agora da Trek-Segafredo. Foi terceiro, atrás de Logan Owen - que era seu companheiro de equipa e agora está na EF Education First-Drapac p/b Cannondale - e de um "tal" Pavel Sivakov, um dos ciclistas que mais curiosidade está a gerar actualmente, tendo este ano assinado pela Sky.

Recuando um pouco na lista de vencedores encontramos Michael Valgren (Astana e que este ano ganhou a Omloop Het Nieuwsblad), Tosh Van der Sande (Lotto Soudal), Ramunas Navardauskas (Bahrain-Merida), Jan Bakelants (AG2R) e Grega Bole (Bahrain-Merida). Mais recentemente triunfaram Bjorg Lambrecht (Lotto Soudal) e Guillaume Martin (Wanty-Groupe Gobert), dois jovens que este ano se vão estrear na elite e sobre os quais recai enorme expectativa para os seus futuros.

Recentemente, numa entrevista ao Volta ao Ciclismo, João Almeida salientou que sentia que tinha "de corresponder à expectativa", apesar de os responsáveis da equipa não lhe estarem a colocar pressão. "Não me pediram nada de especial. Apenas para estar numa boa forma e para gostar do que faço", disse então (poder ler aqui a entrevista completa). Podem não lhe ter pedido nada de especial, mas, com apenas 19 anos, João Almeida conseguiu algo muito, muito especial.

De referir ainda o 20º lugar de Ivo Oliveira, a 40 segundos do companheiro de equipa. Já Tiago Antunes foi 107º, a 10:14, naquela que foi a última corrida do português com a camisola do Centro Mundial de Ciclismo da UCI. Antunes escreveu no Facebook que lhe foi "prometido um calendário recheado com corridas UCI, incluindo o Giro para sub-23, a verdade é que tal não tem sido cumprido". Assinou pela Aldro Team, equipa sub-23 de Manolo Saiz.

Classificação via ProCyclingStats (texto continua em baixo).


E no ZLM Tour...

Da Bélgica para a Holanda. A Selecção Nacional procurava garantir desde já o apuramento para os Mundiais no ZLM Tour, esta sim uma corrida da Taça das Nações. O objectivo estava bem definido: ficar entre os 15 primeiros para assim pontuar. Era tudo o que era necessário para a questão da qualificação ficar resolvida.

José Poeira seleccionou um grupo de muita qualidade e foi Rui Oliveira quem selou a presença de Portugal nos Mundiais de Innsbruck, na Áustria. O ciclista foi sétimo, numa corrida ganha pelo italiano Matteo Moschetti, que tem somado vitórias na Polartec-Kometa de Alberto Contador e já garantiu um contrato com a Trek-Segafredo.

"A equipa esteve bem ao longo de toda a corrida, cumprindo o objectivo de estar na discussão do ZLM Tour e de garantir os primeiros pontos na Taça das Nações. Agora há que pensar no futuro e, especialmente, na Corrida da Paz, outra prova da Taça das Nações, na qual um bom desempenho pode valer o apuramento para a Volta a França do Futuro", realçou o seleccionador José Poeira.

Quanto aos outros portugueses, a corrida não foi fácil. André Crispim sofreu uma queda, mas chegou no pelotão (37º), Francisco Campos foi 100º, a 2:14 minutos, Daniel Viegas, 110º, a 5:30, Miguel Salgueiro, 111º, também a 5:30. Marvin Scheulen, que furou numa altura decisiva da prova, abandonou.


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4 de fevereiro de 2018

Não digam que está velho e acabado! Eis Tiago Machado

Talvez tenha sido do novo equipamento! Certamente que foi de todo o talento e qualidade que Tiago Machado tem. Não lhe digam que está velho ou acabado para o ciclismo, porque não é qualquer um que se escapa aos 20 quilómetros e dos 135 que faltavam, 80 fez sozinho, num percurso com as habituais dificuldades de um país que de plano tem pouco, mas que de vento teve neste domingo mais do que suficiente para causar muitas dificuldades, além do frio... bem, bem fresquinho, mesmo para quem vai a pedalar a grande velocidade. Tiago Machado venceu a Prova de Abertura Região de Aveiro, corrida que marcou o início do calendário nacional. Foi um triundo ao seu estilo. Deram-lhe a oportunidade e Machado deu espectáculo, antes de arrancar para uma exigente temporada na Katusha-Alpecin, como um dos homens de confiança de líderes como Ilnur Zakarin e Marcel Kittel.

Depois de ter começado a época no tórrido calor da Austrália, Tiago Machado vestiu as cores da selecção nacional para na Torreira conquistar uma vitória que há muito não surgia. Rui Oliveira foi quarto e Ivo fechou na 13ª posição. Estes resultados colocaram a equipa de José Poeira como a melhor no dia em que foram estreados os novos equipamentos da Equipa Portugal. Um pequeno pormenor, é certo, pois o grande pormenor é ouvir Tiago Machado dizer o quanto se sente bem e ver como os gémeos Oliveira estão a levar para a estrada a forma que têm recentemente mostrado na pista, com a conquista de medalhas na Taça do Mundo, por exemplo.

"Para aqueles que diziam que eu estava velho, acabado para o ciclismo, acho que acabei por provar na estrada que muitas das vezes não é por estar no pelotão internacional e chegar a meia hora [do vencedor] nas etapas que deixamos de ter o nosso valor. Para os sprinters terminarem, há quem puxe. Tenho muito orgulho no trabalho que tenho feito no último ano. É um trabalho que a minha equipa valoriza muito porque sabem que não é fácil controlar etapas num pelotão com aquele valor", salientou um muito sorridente Tiago Machado. Tem 32 anos e vai para o seu oitavo no World Tour, com um interregno em 2014.

João Matias, Luís Mendonça e Rui Oliveira discutiram ao sprint
Nos últimos quilómetros a dúvida persistiu: iria Machado aguentar a perseguição liderada pelo Sporting-Tavira? A expressão "morrer na praia" começou pairar. Mas na Avenida Hintze Ribeiro lá apareceu Machado, dando o tudo por tudo, como se estivesse num Mundial. Atrás, a perseguição louca contava com João Matias (Vito-Feirense-BlackJack), Luís Mendonça (Aviludo-Loulentano-Uli), Rui Oliveira, Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista), Rafael Silva (Efapel) e Daniel Freitas (W52-FC Porto). Machado resistiu e deixou a concorrência - que cortou a meta pela ordem descrita - onde pretendia, atrás de si.

"As sensações são boas e é bom estar num bom momento", desabafou, referindo como já tinha sido congratulado por José Azevedo, director da Katusha-Alpecin. O ciclista só pensava em saborear a vitória, para na terça-feira começar a pensar na Volta ao Algarve e na restante temporada numa equipa que se reforçou para estar em várias frentes e somar vitórias nas grandes voltas (e não só).

W52-FC Porto com início pouco feliz

Enquanto Tiago Machado festejava depois de cortar a meta, estranhava-se que os ciclistas estivessem a cortar a meta em pequenos grupos. O pelotão demorou a chegar. Duas quedas não muito longe da meta envolveram vários ciclistas e provocaram estragos. Que o diga Raúl Alarcón. O vencedor da Volta a Portugal teve mesmo de ir ao hospital, tal como Fábio Mansilhas (LA Alumínios). O arranque de temporada não foi auspicioso para a equipa que tem dominado o panorama nacional. A W52-FC Porto até viu o seu reforço, César Fonte, fugir com Machado, mas o ciclista acabou por perder o contacto com o companheiro de ocasião e o pior aconteceu pouco depois. Num incidente que envolveu ainda uma das motos de corrida, César Fonte sofreu uma queda. Também não terminou a corrida.

A Prova de Abertura Região de Aveiro teve este ano a partida em Oliveira do Bairro e depois de 155,5 quilómetros que passaram por diversas zonas, como Ílhavo e Estarreja, por exemplo, foi a Torreira que recebeu a discussão final e o pódio, que foi também o primeiro do Troféu Liberty Seguros. Esta corrida, juntamente com as clássicas da Arrábida (11 de Março) e Aldeias do Xisto (25), compõe esta competição de início de época. Tiago Machado lidera com 75 pontos, mais dez que João Matias e 15 que Luís Mendonça. Rui Oliveira é o melhor sub-23, com as diferenças a serem as mesmas para André Crispim (Liberty Seguros-Carglass) e Ivo Oliveira (foto ao lado). A selecção nacional é líder por equipas (25), seguindo-se a Aviludo-Louletanto-Uli (20) e a Liberty Seguros-Carglass (15).

Estão abertas as hostilidades no pelotão nacional e segue-se a corrida de categoria mais elevada do calendário português: a Volta ao Algarve (2.HC), de 14 a 18 de Fevereiro.

Pode ver aqui a classificação completa e neste link do Facebook estão algumas fotografias de pormenores da primeira corrida do ano em Portugal.


17 de dezembro de 2017

"Os gémeos Oliveira são um exemplo que outros quererão seguir"

Foi um ano de confirmação do ciclismo de pista em Portugal. Depois de um longo e árduo trabalho feito nas camadas jovens, os resultados começaram agora a aparecer em elite. As referências são inevitavelmente os gémeos Oliveira, que tem conquistado medalhas em todos os escalões. Com os Jogos Olímpicos em mente, é tempo de continuar a evolução com os actuais corredores e consolidar o projecto de forma a permitir que novos talentos continuem a emergir. Gabriel Mendes é por isso um homem orgulhoso do trabalho que está a ser desenvolvido numa vertente com pouca tradição no país, mas que está cada vez mais a afirmar-se. No entanto, o seleccionador nacional quer elevar ainda mais o nível do ciclismo de pista, realçando que será cada vez mais difícil à medida que se vai aproximando dos melhores.

"Cada vez que nós vamos subindo, mais difícil é fazê-lo. É necessário mais investimento. Precisamos de consolidar a nossa presença internacional no nível de elite", salientou Gabriel Mendes ao Volta ao Ciclismo. O seleccionador acrescentou a necessidade dos atletas competirem ainda mais, pois "essa experiência vai permitir refinar e ir evoluindo progressivamente". "Talento e capacidade existem, mas vamos ter de as trabalhar. Não vivemos só de potencialidade", disse. Contudo, referiu que não se pode deixar de trabalhar na base: "Paralelamente vamos também procurar verificar se temos outros atletas que vão surgindo e que possam também fazer este percurso."

Em Outubro, Rui Oliveira tornou-se no primeiro português a conquistar uma medalha em pista na categoria de elite, com o bronze na corrida de eliminação. No dia seguinte, Ivo ficou com a prata na perseguição individual e na qualificação alcançou um tempo (4.14.570) que só está ao alcance dos melhores. Em Julho, Rui tinha sido campeão europeu da especialidade em sub-23 e Ivo, bronze também na vertente em que tem demonstrado estar cada vez mais forte. "Este foi um ano em que atingimos alguma consolidação de resultados e tivemos alguns de muito bom nível. O Ivo fez um tempo de excelência e não é fácil repetir muitas vezes na carreira o nível de desempenho que teve na perseguição individual na qualificação. Mas não é só a questão dos resultados. Estes só são alcançados se nós tivermos um processo de trabalho orientado", referiu o seleccionador nacional.

"A pista é um período do trajecto do desenvolvimento que o atleta pode fazer ao mais alto nível, sempre que existe uma possibilidade de conjugação"

E este processo começou em finais de 2010. Então, Gabriel Mendes chegou à federação e agarrou no projecto de uma escola de ciclismo de pista. O responsável recorda que no centro de alto rendimento estiveram vários jovens que se foram mostrar nesta vertente. "Nós seleccionámos e iniciámos um processo de trabalho muito focado nas técnicas básicas, naquilo que eram os alicerces do trabalho técnico a desenvolver", explicou. O primeiro resultado foi o aumento de qualidade das corridas nacionais. Foi nessa fase inicial que surgiram os gémeos Oliveira. Identificado o potencial de ambos, em 2013 estrearam-se pela selecção e foi o início de uma etapa de enorme sucesso, com títulos logo no escalão de juniores.

Gabriel Mendes realçou a importância de ter sido possível realizar um trabalho de continuidade. Ou seja, através de uma coordenação com os clubes, é possível manter os treinos e competição de pista, conjugando com as responsabilidade vertente de estrada. "É esta coordenação que permite que tenhamos um processo continuo que tem vindo sempre a evoluir", afirmou. Apesar de muitos jovens pensarem em carreiras como ciclistas de estrada, a pista entrou definitivamente nos planos de muitos: "Eles têm um gosto intrínseco desde a primeira hora que vieram à pista. A partir daí é uma questão de planear a médio/longo prazo e de organização. A pista é um período do trajecto do desenvolvimento que o atleta pode fazer ao mais alto nível, sempre que existe uma possibilidade de conjugação. E se houver, é possível fazer as duas vertentes sem qualquer problema e com benefícios."

Os gémeos Oliveira estão a tornar-se no grande exemplo em Portugal de como se pode ter sucesso na pista e ter futuro na estrada. Este ano representaram a Axeon Hagens Berman de Axel Merckx, com o director belga a dar liberdade para que Ivo e Rui continuassem a competir na pista, enquanto desenvolvem as suas qualidades de estrada.

"Os gémeos Oliveira são um exemplo que outros quererão seguir", frisou Gabriel Mendes, que disse ainda que Ivo e Rui "têm um papel extremamente importante para que o ciclismo de pista seja hoje em Portugal uma modalidade que se está a afirmar". "A nível internacional, os atletas que têm sucesso a nível de pista, na endurance, são atletas que têm um caminho de sucesso de estrada. E eles estão a fazer esse processo e bem. E isso é um exemplo para os mais novos que querem também fazer o seu percurso", afirmou.

"Nós acreditamos que [a qualificação para os Jogos Olímpicos] é possível"

No sector feminino, Soraia Silva e Maria Martins têm sido as principais apostas. Sub-23 e júnior, já vão competindo com a elite para começar a ganhar experiência, mas sem a pressão de alcançarem resultados no imediato. "Os objectivos são muito claros: elas estão a trabalhar com o foco no desenvolvimento técnico e táctico." Gabriel Mendes quer que seja feito este trabalho de base e que se verifique uma evolução sustentada para que daqui a poucos anos estejam muito competitivas e a grande nível na pista.

E com tão bons resultados, já muito se fala de uma presença olímpica, o que será uma estreia nesta vertente do ciclismo em Portugal. Tóquio2020 aproxima-se e a qualificação começa no próximo verão. "É extremamente importante a presença nos Campeonatos do Mundo no omnium para termos aspirações e iniciarmos o processo de qualificação da melhor forma. Isso implica a qualificação para a Taça do Mundo", explicou o seleccionador. Há um "encadeamento", como referiu, destas competições, mais os campeonatos continentais, para que se possa assegurar um lugar no Jogos Olímpicos. O omnium é a disciplina eleita, ainda que o madison também está a ser trabalhado. "Nós acreditamos que é possível", realçou.

Além dos gémeos Oliveira, João Matias e César Martingil têm sido dois dos ciclistas mais chamados nos últimos meses por Gabriel Mendes e todos eles estão focados e motivados para continuar a elevar ainda mais a qualidade do ciclismo nacional. Para isso, o velódromo em Sangalhos tem sido de extrema importância, tanto por ser o centro de alto rendimento da modalidade - partilhado pela ginástica, esgrima, judo e trampolim -, pois além de treinos, tem recebido competições internacionais, como foi o caso em 2017 dos Europeus de sub-23 e juniores e neste último fim-de-semana a Taça Internacional Município de Anadia, que trouxe a Portugal medalhados em Jogos Olímpicos, Mundiais e Europeus.

"Temos um excelente velódromo e tentamos aproveitar ainda as condições que o centro de alto rendimento proporciona. Nós temos aqui a nossa academia e é uma estrutura muito importante para o trabalho que a selecção de pista desenvolve", reiterou Gabriel Mendes, que gostaria também de poder contar "com pistas abertas com características idênticas". Contudo, em Sangalhos, estão a nascer o que se espera ser as primeiras grandes referências do ciclismo de pista nacional.

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