21 de dezembro de 2020

Mais pedidos do que vagas para a Volta ao Algarve

© João Fonseca Photographer
Têm sido anos de crescimento na Volta ao Algarve. Não só já pertence ao segundo escalão das corridas mundiais há quatro temporadas, como de ano para ano o pelotão é de luxo e com tendência a melhorar ainda mais em 2021.

Em Fevereiro assistiu-se a uma prova de elevada qualidade, com excelentes ciclistas e com Remco Evenepoel (Deceuninck-QuickStep) a ser o vencedor. Ainda se estava longe de imaginar o que 2020 seria... Olhando para a frente e não para o passado, a nível competitivo a expectativa é altíssima para a 47ª edição, numa altura em que se soube que 16 das 19 equipas do World Tour querem estar na Algarvia.

Todo o ambiente em redor será, muito provavelmente, bem diferente. Porém, mesmo em tempos de pandemia, ter no Algarve alguns dos melhores do mundo, são excelentes notícias tanto para a corrida, como para toda uma região.

É que no total são 30 as equipas estrangeiras que mostraram interesse em estar na Volta ao Algarve, entre 17 e 21 de Fevereiro, segundo a Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC). O regulamento permite um pelotão de 25 formações, com sete ciclistas cada. Nove lugares ficarão preenchidos pelas equipas portuguesas, todas do escalão Continental, caso queiram estar presentes. Recorde-se que este ano, o Feirense não competiu na Algarvia. Isto significa que a FPC terá a difícil missão, como organizadora da corrida, em seleccionar quem estará na Volta ao Algarve.

Ao mérito de como a Volta ao Algarve soube seduzir cada vez mais as principais equipas e alguns grandes nomes da modalidade, junta-se a procura por locais que possam dar oferecer segurança, além de ser necessário controlar eventuais medidas restritivas que possam ser impostas em tempo de pandemia.

Por isso, nem todas as formações estão com disposição em sair da Europa, como aliás revelou ser o caso quando a organização do Tour Down Under tentou perceber se as formações World Tour pretendiam viajar à Austrália. Perante a percepção que medidas como a quarentena obrigatória, estavam a ser dissuasoras, a corrida acabou por ser cancelada, apesar de ser uma prova de estatuto World Tour.

Outros dos destinos de início de ano tem sido Colômbia e Argentina, mas a corrida colombiana também já foi cancelada. San Juan mantém-se e até contará com Chris Froome, na sua estreia pela Israel Start-Up Nation. Ainda assim, as competições europeias são as preferidas de forma a tentar controlar melhor qualquer mudança de medidas restritivas devido à evolução da pandemia.

E tendo em conta como a Volta ao Algarve está tão bem cotada internacionalmente, esta procura para a 47ª edição não é inesperada. Em 2020, a Algarvia foi a segunda melhor corrida no circuito ProSeries, no que diz respeito à qualidade do pelotão. Só foi batida pela Volta a Burgos. No ranking geral, a prova portuguesa foi 17ª classificada, ficando à frente de provas do World Tour. Pode ver aqui o ranking, no site ProCyclingStats.

E só para destacar algumas das estrelas que se viu no Algarve, além de Evenepoel: Philipe Gilbert, Greg van Avermaet, Elia Viviani, Michal Kwiatkowski, Fabio Jakobsen, Rohan Dennis, Miguel Ángel López, Max Schachmann, Mathieu van der Poel, Tim Wellens, Bauke Mollema, Alexander Kristoff, Dan Martin, Rui Costa... Ou seja, campeões mundiais, europeus, vencedores em etapas de grandes voltas, monumentos.

Agora é esperar para saber quais as equipas que estarão presentes e quais serão as grandes figuras do ciclismo mundial que vão escolher o Algarve como local para uma das corridas de início de temporada. Toda a exposição mediática será bem-vinda. A última edição foi transmitida em directo para 83 países, em quatro continentes e foram registadas 1275 notícias sobre a Algarvia.

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18 de dezembro de 2020

Quem quer a bicicleta de Roglic da Vuelta? Ou a de Van Aert da Milano-Sanremo?

© PhotoGomezSport/La Vuelta
Há poucos dias, falou-se neste blog de como a Bianchi renovou a sua imagem para a nova parceria com a GreenEdge Cycling (a Mitchelton-Scott até ao fim do ano). Mas para aqueles que não resistem à tradicional cor celeste, sem travões de disco - ou seja, a bicicleta que tanta história tem e que muita história escreveu juntamente com a Jumbo-Visma durante sete anos - então tem uma hipótese de a comprar. Ou melhor, de as comprar, pois há bastante escolha. E claro que não se está a falar de umas bicicletas quaisquer.

A Jumbo-Visma iniciou um leilão para os mais ávidos coleccionadores ou para "continue the ride" (continuar a pedalar), como diz o slogan adoptado. Que tal uma das bicicletas com que Primoz Roglic venceu a Volta a Espanha (com direito à fita do guiador em vermelho)? Ou então a que Wout van Aert conquistou o seu primeiro monumento, Milano-Sanremo? Ou se alguém gostar mais de uma de contra-relógio de Tom Dumoulin, também há, assim como as máquinas de outros ciclistas, como Steven Kruijswijk, Sepp Kuss, Tony Martin e Robert Gesink, por exemplo.

É uma fantástica oportunidade para se ter bicicletas de grandes ciclistas, mas claro que é melhor preparar para abrir os cordões à bolsa. O leilão arrancou esta sexta-feira e dura até 27 de Dezembro. Para já, a que tem o valor mais alto é precisamente a de Van Aert, que ultrapassa os oito mil euros, no momento em que se escreve este texto.

O leilão está a decorrer no site Catawiki e se carregar aqui, pode ver ao pormenor as 28 bicicletas que a Jumbo-Visma quer tentar dar uma nova vida, ou enviar para um museu pessoal de um admirador.

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17 de dezembro de 2020

Bicicletas com muita história roubadas da sede da Specialized

© Bettiniphoto/Bora-Hansgrohe
Algumas bicicletas bem valiosas, não só por serem Specialized, mas também por representarem vitórias importantes, foram roubadas. Entre elas estão a da vitória de Peter Sagan no Paris-Roubaix, a de quando Fabian Cancellara andou de amarelo na Volta a França, ou a da medalha de ouro olímpica de XCO de Jaroslav Kulhavy. Mas há mais. Ao todo o valor ascende aos 160 mil dólares, cerca de 131 mil euros, de pelo menos 16 bicicletas furtadas.

O assalto à sede da marca, em Morgan Hill, Califórnia (EUA), aconteceu durante a tarde de sábado, sendo que as bicicletas roubadas estavam na zona de exposição, uma espécie de museu, com vários modelos a terem histórias para contar. Mas segundo Cyclingtips, também desaparecem bicicletas de trabalhadores e alguns protótipos.

O site explica que é difícil para a Specialized dar um valor exacto das perdas, precisamente por várias das bicicletas terem um forte valor simbólico. É o caso da S-Works Roubaix com que Sagan finalmente conquistou Roubaix em 2018, ou a que o eslovaco utilizou no Tour em 2019, quando bateu o recorde de conquistas de camisolas verdes (S-Works Venge).

Na lista divulgada, surge a Tarmac de Cancellara, quando o suíço vestiu a camisola amarela no Tour de 2010, a Shiv com que Tony Martin conquistou a prata nos Jogos Olímpicos de Londres (contra-relógio) e a já referida Epic de Kulhavy. A Tarmac da triatleta Gwen Jorgensen, campeã olímpica no Rio de Janeiro, foi mais uma a ser roubada.

Outras bicicletas podem não ser tão famosas, mas algumas serão difíceis de vender até porque podem ser únicas, caso dos protótipos.

O Cyclingtips explica que a polícia local acredita que os suspeitos, por agora desconhecidos, utilizaram dois veículos no roubo, um deles foi entretanto abandonado, mas a carrinha com as bicicletas ainda não foi encontrada.

Uma fonte da Specialized, disse ao site que há poucos trabalhadores no local ao fim-de-semana, até porque as restrições da pandemia assim o exigem. Acrescentou ainda que nenhum funcionário foi ameaçado, nem testemunhou o assalto.

Perante um roubo destes, a Specialized está mais do que interessada em ter de volta as suas bicicletas e o Cyclingtips refere que a marca oferece uma recompensa de 25 mil dólares, pouco mais de 20 mil euros, por qualquer informação que leve à descoberta dos autores do assalto e/ou a recuperação das bicicletas.

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15 de dezembro de 2020

UAE Team Emirates perde ciclista importante devido a problema de saúde

© Bettiniphoto/UAE Team Emirates
Já estava a preparar a temporada de 2021, esperando que pudesse continuar a boa forma apresentada esta época. Diego Ulissi é o primeiro a dizer que 2020 foi dos seus melhores anos, dando mostras que depois de algum tempo afastado do seu melhor, era de novo um ciclista importante numa UAE Team Emirates cada vez mais ganhadora. Porém, os exames médicos detectaram um problema de saúde que obriga a uma paragem forçada e sem data para o corredor regressar.

Foi diagnosticada uma miocardite, uma inflamação no músculo (miocárdio) do coração. O médico da equipa, Michele De Grandi, explicou que após os exames obrigatórios da UAE Team Emirates e da UCI, o ciclista sentia-se bem. Contudo, "encontrar um batimento [cardíaco] irregular durante o esforço físico, que não estava anteriormente presente", deixou dúvidas ao clínico. Foram feitos mais exames que acabariam por levar ao diagnóstico de uma miocardite.

Aos 31 anos, Ulissi terá agora de repousar durante "alguns meses", segundo a equipa, sendo que irá continuar a ser acompanhado pelos médicos. A situação deixou o italiano preocupado, mas também zangado, pois a paragem forçada não tem tempo determinado para regressar, nem há certeza se o fará.

"Não consigo esconder o sentimento de preocupação e de raiva. Nunca senti um sinal disto, sempre me senti bem", admitiu em declarações publicadas pela UAE Team Emirates. Ulissi realçou como felizmente a equipa médica detectou o problema, deixando uma garantia: "Vou fazer uma pausa, que espero que seja temporária, mas tendo em conta que a prioridade é a saúde, porque a vida não acaba com o ciclismo."

A UAE Team Emirates perde um ciclista importante na sua estrutura cada vez mais forte e que este ano venceu duas etapas no Giro - na 13ª bateu o português João Almeida (Deceuninck-QuickStep), além de ter conquistado a Volta ao Luxemburgo. Ulissi conhece bem a casa, pois foi onde começou como profissional em 2010, então como Lampre-Farnese Vini, uma equipa World Tour italiana. Soma 38 vitórias, com destaque para as oito etapas na Volta a Itália, mas sem esquecer a Milano-Torino e o Giro dell'Emilia, ambos em 2013.

A equipa não contará assim com um atleta com capacidade para lutar por vitórias (tem contrato até 2022), num ano em que quer continuar a crescer, depois de ter conquistado a Volta a França com Tadej Pogacar. Mas a temporada da equipa não se resumiu a essa grande e histórica vitória do esloveno. Foram 33 triunfos num ano com menos corridas, marcado pela limitações da pandemia.

Com este afastamento de Ulissi, a equipa perde também mais um pouco da sua herança italiana, ainda que um dos quatro reforços já conhecidos seja daquele país. Matteo Trentin (31 anos), que estava na CCC - cuja licença foi comprada pela Circus Wanty-Gobert -, irá reforçar o bloco de sprinters e de apostas nas clássicas, numa altura em que a condição física do sprinter Fernando Gaviria é uma dúvida, depois de ter dado positivo por duas vezes distintas à covid-19

Os italianos Valerio Conti (27 anos), Alessandro Covi (22), Marco Marcato (36) e Oliviero Troia (26) permanecem na equipa, que não renovou contrato com Fabio Aru, que está a caminho da NTT.

De referir que além de Trentin, Rafal Majka (Bora-Hansgrohe), Ryan Gibbons (NTT) e o jovem talento espanhol de 18 anos, Juan Ayuso (Colpack Ballan), serão os novos rostos da UAE Team Emirates em 2021, que vai continuar a contar com o trio português, Rui Costa, Ivo e Rui Oliveira.

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14 de dezembro de 2020

Uma Bianchi renovada para a nova parceria

© Bianchi
Ver uma Bianchi sem ser com a sua famosa cor celeste é um pouco estranho. Mas, com o início de uma nova parceria no World Tour, a famosa marca italiana renovou as suas bicicletas. E também já têm travões de disco.

Depois de sete anos com a Jumbo-Visma e os últimos muito vitoriosos, a Bianchi irá passar a fornecer as bicicletas à Mitchelton-Scott. Naturalmente que este nome da formação australiana não será o de 2021. Para já a equipa está inscrita como GreenEdge Cycling, mas poderá sofrer alterações, caso surja um patrocinador. A Scott passará para a Sunweb (Team DSM na próxima época), com a Cérvelo a trocar a equipa alemã pela Jumbo-Visma. Uma autêntica dança de bicicletas no pelotão!

Quanto à Bianchi, era uma das poucas marcas que ainda não se tinha rendido aos travões de disco. Como curiosidade, as três grandes voltas de 2020 foram ganhas por ciclistas, cujas equipas utilizam bicicletas com o tradicional sistema de pinças: Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) venceu o Tour com uma Colnago, Tao Geoghegan Hart (Ineos) conquistou o Giro com uma Pinarello e Primoz Roglic foi o mais forte na Vuelta com a famosa Bianchi celeste.

Simon Yates e Michael Matthews, por exemplo, vão assim estrear a Bianchi com travões de disco e com novas cores. E este último pormenor tem sido o principal debate entre os fãs desta bicicleta. O tradicional celeste ainda está no quadro, mas acompanhado por um azul turquesa e ainda a cor preta. Se há quem elogie a mudança nas redes sociais, também se lêem críticas, com o celeste a continuar a ser a cor preferida. Um dos pormenores várias vezes destacado, é que a bicicleta poderá não se destacar tanto no pelotão.

© Bianchi
As mudanças trazem sempre opiniões diferentes, mas a Bianchi vai mesmo alterar a sua imagem no World Tour. Os ciclistas da GreenEdge Cycling vão ter à sua disposição a Specialissima disc (foto em cima), a Oltre XR4 - modelo mais aerodinâmico (foto ao lado) - e para o contra-relógio, a Aquila. Todas terão componentes Shimano (incluindo as rodas), os selins serão da Fizik e os pneus eleitos são os Pirelli P Zero. Os ciclo-computadores serão da Garmin.

Tempos difíceis na GreenEdge Cycling

Foi um ano muito complicado para a equipa australiana. Além da falta de melhores resultados e de exibições muito aquém, principalmente nas grandes voltas - no Giro toda a equipa abandonou a corrida devido a casos de covid-19 -, a formação viveu dias de incerteza, quando soube que iria perder o seu principal patrocinador. Em Junho foi dado como feito um acordo com a Manuela Fundación, de Espanha, mas após o anúncio público - até foram apresentados os equipamentos que seria utilizados ainda durante 2020 - Gerry Ryan, dono da estrutura, disse que afinal não era a solução que procurava.

Ryan não terá gostado, por exemplo, de os novos patrocinadores quererem ser os donos da equipa e até mudar a sua base para Granada, o que significaria também uma licença World Tour espanhola e não australiana. O actual patrão não quer perder o controlo da sua equipa e tratou não só de interromper qualquer negociação com os responsáveis da Manuela Fundación, como foi à procura de outros caminhos para o futuro.

Entretanto, a equipa conseguiu renovar contrato com Simon Yates, mas o irmão gémeo, Adam, rumou à Ineos. Daryl Impey vai juntar-se a Chris Froome na Israel Start-Up Nation, Jack Haig muda-se para a Bahrain-Victorious (actual Bahrain-McLaren) e Edoardo Affini será aposta da Jumbo-Visma.

Quanto a contratações, o regresso de Michael Matthews será certamente muito bem-vindo, sendo que foi um ciclista que deu muitas e grandes vitórias à equipa, antes de se mudar para a Sunweb. Da EF Pro Cycling chega Tanel Kangert e o norueguês Amund Grondahl Jansen troca a Jumbo-Visma pela formação australiana. A GreenEdge Cycling garantiu ainda um jovem promissor italiano, de apenas 21 anos, Kevin Colleoni (ex-Biesse Arvedi). Foi terceiro no Giro para o seu escalão e soma vários pódios e top dez em importantes corridas de sub-23.

Quando a equipa australiana surgiu em 2012 esteve mais dedicada ao sprint e clássicas. Porém, com os irmãos Yates, foi também apostando cada vez mais nas gerais e teve o seu ponto alto em 2018, quando Simon esteve na luta pelo Giro e acabaria por ganhar a Vuelta. Porém, a equipa não conseguiu dar seguimento a esse sucesso e tenta reinventar-se, ainda que sem mudanças profundas naqueles que serão os líderes, com a excepção da despedida de Adam Yates.

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11 de dezembro de 2020

Assim será o equipamento de João Almeida em 2021

É tempo de apresentar os equipamentos para 2021. O "modelo" escolhido pela Deceuninck-QuickStep foi Sam Bennett, mas como há um interesse português, claro que se pensa que será assim que vamos ver João Almeida. O ciclista das Caldas da Rainha completou o seu primeiro ano no World Tour como uma das figuras da temporada, principalmente (mas não só) depois da excelente prestação na Volta a Itália. E como nunca é de mais recordar: duas semanas de camisola rosa vestida e quarto classificado no final. Que estreia numa grande volta!

Ficaremos à espera que o rosa e outras cores de liderança façam parte do vestuário de João Almeida durante 2021, mas é de azul que está garantido que o vamos ver. A Deceuninck-QuickStep tem esta cor como base, ao longo dos anos vai fazendo algumas variações, muitas vezes também aposta numa mistura com o branco, como foi este ano, mas vai regressar a um equipamento totalmente azul

© Deceuninck-QuickStep
Serão dois tons, com a parte de baixo da camisola e os calções a serem um pouco mais escuros, o chamado "navy". Um dos pormenores interessantes são os desenhos de imitação de pelo de lobo na parte de cima da camisola (ampliando a fotografia vê-se bem ou então no vídeo em baixo aparece em destaque). É uma alusão à denominação que a equipa belga adoptou de Wolfpack, um grupo de lobos sempre prontos a atacar vitórias! E claro, a união é a palavra de ordem entre os ciclistas da Deceuninck-QuickStep.

Para aqueles mais atentos às últimas novidades das marcas, o vídeo feito para apresentar o equipamento, lançou a curiosidade se Bennett já estará a utilizar os novos sapatos da Specialized. Mais cedo ou mais tarde saber-se-á, certo é que a Vermarc há 20 anos que cria equipamentos para uma das melhores equipas do mundo e este está a ser bem recebido pelos adeptos.

Quanto a João Almeida, depois de um início de temporada a alcançar bons resultados, mesmo quando foi um leal gregário de Remco Evenepoel, terminou como um dos ciclistas mais apetecíveis no mercado. O ciclista de apenas 22 anos entra na segunda e última época  de contrato com a Deceuninck-QuickStep e a UAE Team Emirates já espreita a oportunidade de tentar juntar mais um jovem valor à sua formação.

Porém, esse interesse não foi bem recebido por Patrick Lefevere. O patrão da estrutura belga ficou zangado ao saber que uma equipa tinha abordado um ciclista que ainda está sob contrato. Disse mesmo, que se alguém o quiser, que pague dois milhões de euros. A intenção passa mesmo por tentar renovar com o jovem português que rapidamente se tornou numa das emergentes figuras da nova geração do ciclismo mundial.

Quem quiser equipar-se como a Deceuninck-QuickStep poderá comprar o novo equipamento a partir do meio de Janeiro. É só visitar o site da equipa.

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9 de dezembro de 2020

Miguel Salgueiro o melhor português na estreia do Mundial de Ciclismo Electrónico

© Federação Portuguesa de Ciclismo
O ciclismo saiu da estrada para o mundo virtual durante o confinamento, altura em que plataformas como a Zwift ganharam ainda mais utilizadores. Porém, foi a confirmação do que já se estava a verificar em tempos recentes. Em 2019 foi anunciado o primeiro Mundial virtual, apelidado de Electrónico. Mal se sabia o que se viria a viver poucos meses depois e como esta prova acabou por ter outra relevância, quando até já se realizaram uma Volta a Flandres e um Tour. Alguns dos grandes nomes do ciclismo de estrada participaram na corrida que se realizou esta quarta-feira. Entre os portugueses, Miguel Salgueiro mostrou que também nesta vertente podem contar com ele para alcançar bons resultados.

O ciclista da LA Alumínios-LA Sport esteve acompanhado por Jorge Magalhães (W52-FC Porto) e por Maria Martins (Drops), que tiveram como "base" o Centro de Alto Rendimento, em Anadia. O trio representou a selecção portuguesa, com Miguel Salgueiro a terminar na 33ª posição, a 32:33 segundos do vencedor, Jason Osborne. O alemão, de 26 anos, tornou-se assim no primeiro campeão do mundo do ciclismo electrónico, com a sul-africana Ashleigh Moolman Pasio (35) a alcançar o feito entre as mulheres.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
A prova feminina foi decidida ao sprint, com a australiana Sarah Gigante a ficar em segundo e com a sueca Cecilia Hansen a fechar o pódio, cortando a meta com apenas um segundo de diferença. Moolman Pasio completou os 50,035 quilómetros em 1:13.27 horas, com Maria Martins a ser 52ª, muito longe da discussão da corrida. A ciclista portuguesa regressou recentemente de férias e acusou a falta de ritmo.

Quanto a Miguel Salgueiro, estrada, BTT, ciclocrosse e até pista são vertentes em que já demonstrou como é competitivo. Agora comprova o seu estatuto de todo-o-terreno numa bicicleta no ciclismo electrónico.

"Foi uma prova muito dura, arrancou logo muito rápida. Tive de fazer vários sprints ao longo da corrida para conseguir manter-me no pelotão, mas este é um tipo de esforço a que me adapto bem. Isto acaba por ser uma corrida de eliminação. Mantive-me no grupo da frente e, na fase final, apesar de já estar muito desgastado, tentei a minha sorte. Foi demasiado cedo. Paguei a falta de experiência, pois nunca tinha competido a este nível, mas fica a aprendizagem para o futuro", afirmou, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Salgueiro atacou no último quilómetro. Não resultou, mas terminou a prova atrás de corredores como o britânico Tom Pidcock (reforço da Ineos para 2021) e o belga Victor Campenaerts. Mas mais nomes bem conhecidos participaram, como Edvald Boasson Hagen, Michael Valgren, Rigoberto Uran e Domenico Pozzovivo, por exemplo.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Jorge Magalhães foi 49º, a 4:02 minutos de Osborne, tendo perdido contacto com o grupo da frente a meio da prova. "Foi quase um sprint na subida, como sou pouco explosivo, acabei por não conseguir passar na frente e depois já não foi possível regressar ao grupo da frente", explicou.

Watopia tornou-se uma popular subida na plataforma Zwift, que foi a parceira do primeiro Mundial de uma vertente que a UCI abraçou. De referir que Osborne foi o mais forte no sprint final, batendo dois dinamarqueses: Anders Foldager (a 1:74 segundos) e Nicklas Pedersen (a 2:09 segundos).

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5 de dezembro de 2020

Mark Cavendish resiste

© Bahrain-McLaren



Teme-se um final triste para a carreira de Mark Cavendish. Quando após a Gent-Wevelgem disse, em lágrimas, que poderia ter sido a sua última corrida, foi impossível afastar a sensação que um dos melhores sprinters da história parece arrastar-se até uma despedida sem brilho. Desde o início de 2018 que não ganha e há muito que as exibições são fracas, demonstrando que não consegue estar ao nível da nova geração. Mas aos 35 anos, o britânico resiste e não quer sair de cena. A Deceuninck-QuickStep surge como tábua de salvação.

Com a Bahrain-McLaren a não querer renovar e com nenhuma equipa a mostrar-se interessada em apostar num ciclista que não dá qualquer garantia, até foi noticiado que Cavendish estaria disposto a competir sem receber qualquer tostão. Bradley Wiggins - companheiro com quem teve sucesso na pista e esteve ao lado na Sky em 2012 -, saiu em defesa de Cavendish, mas os resultados e o facto de nunca ter recuperado a melhor forma desde que lhe foi diagnosticado o vírus de Epstein-Barr, faz com que de pouco valha o currículo do sprinter, outrora quase imbatível,

Depois de um ano em que percebeu que o projecto da Sky não era para ele, Cavendish esteve entre 2013 e 2015 na então Omega Pharma-Quick Step, depois Etixx-Quick Step. Foram 44 vitórias, incluindo na Volta a França e Itália. Quando saiu para a Dimension Data até foi uma das poucos excepções à regra: quem sai da equipa belga não consegue alcançar o mesmo sucesso. Começou bem a aventura na formação sul-africana, mas também foi aí que não conseguiu evitar o declínio.

A porta que se abre na Deceuninck-QuickStep é, para já, apenas para 2021. A equipa tem Sam Bennett e Álvaro Hodeg, mas não sabe quando vai contar novamente com Fabio Jakobsen, que tem um longo processo de recuperação pela frente, após o grave incidente na Volta à Polónia. É essa a vaga que Cavendish vai preencher, não ameaçando o estatuto, principalmente de Bennett, mas também de um Hodeg a subir lentamente na hierarquia entre os sprinters.

"Não consigo explicar o quanto estou feliz por me juntar à Deceuninck-QuickStep. Nunca escondi o meu carinho pelo tempo que passei na equipa e isto parece mesmo um regresso a casa", afirmou Cavendish, ao ser conhecido o seu futuro para a próxima época. O ciclista salientou como vai reencontrar membros do staff que já estavam na estrutura aquando da sua primeira passagem e onde, como salientou, viveu uma das fases de maior sucesso da carreira.

"Mesmo num período extremamente difícil esta época, eles [membros da Deceuninck-QuickStep] mostraram como são fortes e unidos", acrescentou. "Mal posso esperar por regressar à Wolfpack", alcunha da equipa, que se traduz por alcateia.

Mas afinal o que ainda pode dar Cavendish a uma equipa que ano após ano é sempre das mais, se não a mais, ganhadora?

"Estamos felizes por o ter de volta à nossa família, porque ele, como líder, traz muita experiência que pode partilhar com os nossos jovens ciclistas. Mas, ao mesmo tempo, estamos confiantes que ele ainda tem algo para dar à equipa", acredita Patrick Lefevere, patrão da Deceuninck-QuickStep.

Há um ano, discurso idêntico foi dado pela Bahrain-Merida, nomeadamente por Rod Ellingworth, director que tanto ajudou Cavendish a atingir grandes momentos na carreira e que ao mudar-se da Ineos para a formação do Médio Oriente, quis recuperar Cavendish. O ano foi como foi, marcado por uma pandemia, que limitou muito a preparação e as corridas dos ciclistas. Cavendish pouco se viu e nem foi chamado para nenhuma grande volta.

Ellingworth também está de saída da Bahrain-McLaren e para Cavendish, o conforto de reencontrar quem esteve ao seu lado em grandes momentos da sua excelente carreira, pode ser importante para que talvez, pelo menos, possa sair do ciclismo por uma porta um pouco maior. No entanto, não se pense que esteja já a pensar em retirar-se no final de 2021. Cavendish já havia afirmado, ainda antes de assinar pela Deceuninck-QuickStep, que ainda quer competir mais uns anos, mesmo que esteja longe do seu melhor.

Quanto à equipa belga, a entrada de Cavendish é apenas a segunda para a próxima época, depois da contratação de Josef Cerny, checo que estava na CCC. A formação do português João Almeida aposta na continuidade, mantendo quase todos os seus ciclistas de 2020. Só Bob Jungels optou por seguir um novo rumo, preparando-se para representar a AG2R Citroën.

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3 de dezembro de 2020

Fabio Aru com mais uma oportunidade

© Bettiniphoto/UAE Team Emirates
Em 2015, Fabio Aru parecia ter o mundo a seus pés. Acabou a época a ganhar a Volta a Espanha, depois de duas edições a lutar pelo Giro e a terminar no pódio. Era o novo grande voltista italiano e rapidamente se o apontou para muito mais e melhor. Na segunda presença no Tour foi quinto e as suas exibições convenciam e entusiasmavam. Sem surpresa, tornou-se um ciclista apetecível e o próprio percebeu que estava na altura de exigir um ordenado ao nível do que estava a apresentar. Porém, nos últimos três anos a sua carreira entrou numa espiral descendente. As críticas de que foi alvo depois de abandonar o Tour levantou a questão: E agora Fabio Aru?

"O Aru desiludiu-nos. Ele tem problemas, incluindo psicológicos. Ele não reage às primeiras dificuldades. Ele vai-se abaixo, não tem carácter", afirmou Giuseppe Saronni, conselheiro da UAE Team Emirates, equipa que em 2018 aceitou as altas exigências de Aru, na esperança de estar a contratar um ciclista para lutar por grandes voltas. Neste último Tour, Tadej Pogacar era a aposta, mas Aru deveria ter tido um papel importante ao lado do esloveno, mesmo que não gostasse de ficar em segundo plano. Na etapa nove, abandonou e ficou claro que era o fim da linha na equipa, até porque o seu contrato estava a terminar.

O italiano, de 30 anos, nunca conseguiu explicar o que aconteceu, dizendo apenas que os dados que tinha davam-lhe confiança para ajudar Pogacar, ainda que soubesse que não estaria em condições de lutar pela geral. Recorde-se que Aru, em 2019, falhou parte da temporada depois de ser operado à artéria ilíaca, problema que tem afectado alguns ciclistas e que levou o português Nuno Bico a terminar a carreira muito cedo.

Porém, o Aru da UAE Team Emirates nunca se aproximou sequer do ciclista que se mostrou na Astana. A própria equipa acabou por rapidamente começar a apostar em Tadej Pogacar, que em apenas dois anos se tornou na grande estrela, com o italiano a já nem poder dizer que estava em segundo plano. Depois da vitória do esloveno no Tour, Aru ficou sem plano algum.

Sem resultados de nota recentes para mostrar, sem uma condição física convincente e com uma atitude em corrida que deixava denotar um ciclista desmotivado e a precisar urgentemente de algo positivo para retomar aquele que outrora foi um caminho que parecia destinado a uma meta de sucesso, Aru tornou-se num ciclista visto como um risco contratar.

Entrámos em Dezembro e o futuro de Aru continuava em dúvida. A Alpecin-Fenix chegou a ser dada como possível interessada no italiano. Significaria que o ciclista desceria ao segundo escalão, mas a formação de Mathieu van der Poel foi a melhor do ranking e vai ter entrada directa nas principais provas, sem precisar de convites.

A indefinição arrastava-se, sendo certo que as principais equipas nem sequer equacionaram contratar Aru, mesmo com este estivesse prestes a ficar sem contrato, ou seja, livre para negociar.

Em poucos anos, Aru passou de muito desejado a um ciclista que poucos acreditam. Douglas Ryder parece ser aquele que ainda espera que o italiano possa dar um pouco mais, mesmo que isso já não signifique lutar por grandes voltas. Ryder assumiu o risco que mais ninguém, ou muitos poucos, pareciam querer fazer.

O director da Qhubeka Assos, novo nome da NTT, salvou a estrutura sul-africana, mas não conseguiu salvar alguns dos ciclistas que tinha, visto ter demorado a encontrar uma solução para 2021. Ryder não esconde a importância de ter um ciclista com o currículo de Aru e acredita: "Penso que na nossa equipa única vamos vê-lo elevar-se novamente e tenho a certeza que vamos tirar o melhor um do outro."

E a equipa bem precisa que Aru ressurja. Têm sido anos sempre no fundo do ranking, com poucas vitórias, ainda que lá vai conseguindo uma ou duas de maior notoriedade, como foi a etapa conquistada por Ben O'Connor na Volta a Itália. Quando a NTT anunciou que iria apostar noutras vertentes, a falta de resultados tornou difícil a sobrevivência da equipa sul-africana.

"Nesta fase da minha carreira, a Qhubeka Assos é um lugar perfeito para mim e estou muito agradecido pela oportunidade dada para contribuir para o legado e continuar o fantástico trabalho que fez no passado", realçou Fabio Aru, referindo-se não só à estrutura desportiva, mas também ao lado solidário, com o projecto que tem levado muitas bicicletas a crianças em África.

Aru sabe bem como tem de estar agradecido. Ainda está a tempo de fazer algo mais na sua carreira e pelo menos poderá dizer que é uma equipa com uma pressão menor, mas não significa que não tenha a responsabilidade de alcançar resultados. Assinou por uma temporada e é a oportunidade que não pode desperdiçar.

Outros reforços

Sem certezas quanto ao futuro da NTT, muitos ciclistas optaram por assinar por outras equipas, casos de Edvald Boasson Hagen (Total Direct Energie), Michael Valgren (EF Pro Cycling), Louis Meintjes (Circus-Wanty-Gobert), Ben O'Connor (AG2R Citroën) e Ben King (Rally Cycling), por exemplo.

Os responsáveis da agora Qhubeka Assos, ao assegurarem o novo patrocínio - da Assos - foram ao mercado buscar ciclistas interessantes como Simon Clarke e Sean Bennett (EF Pro Cycling), Dimitri Clayes (Cofidis), Lukas Wisniowski (CCC), Kilian Frankiny (Groupama-FDJ) e Harry Tanfield (AG2R), entre os que já estavam no World Tour. As opções já não eram muitas, mas ainda assim, foram garantidos corredores com capacidade para procurarem triunfos.

Douglas Ryder tenta construir a equipa possível, mas manter Giacomo Nizzolo, Victor Campenaerts e Domenico Pozzovivo foi também uma vitória para o responsável, que vai querer uma formação à procura de alcançar mais vitórias e assim tirar a equipa do fundo da tabela e encontrar uma maior estabilidade financeira.

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2 de dezembro de 2020

Nocentini e Errazkin suspensos por quatro anos

Dois ciclistas que actuaram em Portugal vão cumprir pesadas suspensões de quatro anos devido a doping. Rinaldo Nocentini foi um dos grandes nomes que recentemente esteve no pelotão nacional, no Sporting-Tavira, tendo retirado-se no final de 2019. Já Xuban Errazkin foi um dos melhores jovens em 2018, ao serviço então da Vito-Feirense-BlackJack.

Nocentini foi suspenso pelo Tribunal de antidopagem italiano por "uso ou tentativa de uso de métodos proibidos", com o Corriere della Sera a revelar que a sanção está relacionada com os valores registados no passaporte biológico do ciclista. A suspensão tem início a 30 de Novembro de 2020 até 2024, algo que não afectará Nocentini, que já se retirou.

No entanto, o italiano, agora com 43 anos, vê serem anulados todos os resultados de 2018 e 2019, o que inclui as duas vitórias de etapa na Tropicale Amissa Bongo em Janeiro de 2018.

Nocentini representou o Sporting-Tavira entre 2016 e 2019, tendo ganho o Troféu Joaquim Agostinho na sua primeira temporada. Venceu também uma etapa na Volta ao Alentejo no ano seguinte, tendo ficado à porta do pódio na Volta a Portugal. Estes resultados mantêm-se.

© Podium/Paulo Maria
O caso de Xuban Errazkin arrasta-se desde o final de época de 2018. O ciclista acusou positivo por terbutalina  no Grande Prémio Abimota. É uma substância que terá recorrido por sofrer de asma. No entanto, o ciclista espanhol não teria autorização para o uso terapêutico de excepção da substância. 

Os responsáveis da Vito-Feirense-BlackJack sempre defenderam a inocência do ciclista, que foi o vencedor da camisola branca da juventude da Volta a Portugal em 2018. Acreditavam que Errazkin - agora com 24 anos - seria ilibado. O contrato chegou inclusivamente a ser renovado para 2019. Contudo, o espanhol não voltou a competir.

O site Ciclo21 escreve que a Agência Espanhola para a protecção da Saúde no Desporto sancionou Errazkin com quase quatro anos de suspensão, com a data de início a ser de 12 de Novembro de 2019 até 12 de Agosto de 2023.

Edgar Pinto, Raúl Alarcón e Domingos Gonçalves estão suspensos provisoriamente, aguardando-se o desfecho dos seus casos (mais informação nos links em baixo).



30 de novembro de 2020

Vozes da experiência mudam de equipa mas continuam a competir


2020 não foi o melhor dos anos para concretizar muitos dos planos! No que diz respeito ao ciclismo, um dos exemplos está a ser o adiamento do final de carreira de alguns atletas. Por cá, Gustavo Veloso já havia dito que queria competir mais um ano (vai para a equipa Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel), depois de ficar novamente muito perto de conquistar a sua terceira Volta a Portugal. Entretanto, juntou-se mais um veterano, este com uma carreira internacional de muito respeito: Sérgio Paulinho ainda não vai dizer adeus ao ciclismo. E depois há Tiago Machado. No seu caso, nem se ouve falar de terminar carreira. O que mais quer é continuar a correr, sempre com o seu estilo muito próprio e que o tornam num dos ciclistas mais populares do pelotão nacional.

Em comum, Paulinho e Machado têm o terem optado por regressar às origens. O primeiro vai mudar-se para a LA Alumínios-LA Sport, enquanto o segundo vai novamente trabalhar com José Santos na Rádio Popular-Boavista. Os papéis serão diferentes, mas igual será o prestígio que continuam a trazer ao ciclismo nacional, sendo dois ciclistas com uma longa carreira no estrangeiro.

A Efapel vê sair dois experientes corredores e esta experiência é um ponto muito importante para a LA Alumínios-LA Sport. Esta época, praticamente todos os ciclistas tinham menos de 25 anos, excepção feita a Bruno Silva (32), ciclista contratado precisamente para ser uma voz de comando entre tanta juventude. Sérgio Paulinho já entrou nos 40, tornando-se em mais um exemplo de longevidade na modalidade.

O director desportivo Hernâni Brôco é o primeiro a admitir a relevância de contar com um ciclista com o currículo de Sérgio Paulinho. Mas claro, não significa que não esteja aberta a porta a lutar por vitórias. O ciclista regressou a Portugal em 2017, depois de 12 épocas ao mais alto nível. Deu o salto no ano seguinte a conquistar a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, tendo nessa temporada representado a então LA-Pecol.

No World Tour tornou-se num dos melhores gregários, sendo um elemento de confiança para Alberto Contador, por exemplo. Venceu uma etapa no Tour e na Vuelta, mas foi como homem de trabalho que mais se destacou. Quando a Tinkoff acabou, Paulinho regressou a Portugal. Na Efapel procurou assumir um papel de líder, para lutar pela Volta a Portugal (e não só). Não foi uma transformação bem sucedida e acabou por ser novamente gregário, a função em que se sente tão bem. Em 2018, conseguiu um triunfo, numa etapa do Grande Prémio Abimota.

Sempre foi um ciclista de "low profile". O seu trabalho até pode passar despercebido à primeira vista, mas se o seu líder ganhar, sempre sentiu que a missão estava cumprida. Agora, entre a juventude da LA Alumínios-LA Sport, o seu trabalho volta a ser imperceptível à primeira vista.

Contudo, no papel de quem tem muito a ensinar, Brôco espera que Paulinho possa dar uma ajuda na evolução de ciclistas que nesta nova era da equipa tiveram um 2019 muito positivo e um 2020 longe do esperado, ainda que seja um ano que pouco se possa dizer sobre a prestação das equipas nacionais, devido às escassas corridas disputadas. A continuidade de Sérgio Paulinho, mesmo que seja apenas por mais um ano, é uma excelente notícia.

Quanto a Tiago Machado, é um regresso já esperado à estrutura de José Santos. Esteve cinco épocas no Boavista quando passou a profissional, antes de ir para o estrangeiro, com oito anos no World Tour e um no segundo escalão. Nunca escondeu a possibilidade de um dia voltar à agora Rádio Popular-Boavista, mas quando decidiu prosseguir a sua carreira em Portugal em 2019, escolheu o então Sporting-Tavira e depois a Efapel.

Na formação algarvia não foi o líder que o próprio queria ser, principalmente na Volta a Portugal. É um desejo ganhar esta corrida, mas têm estado longe de sequer lutar por um pódio. Na Efapel, sabia que não teria, em circunstâncias normais, esse papel e teve de ajudar Joni Brandão.

Na Rádio Popular-Boavista, Machado (35 anos) poderá ser mais aquele ciclista que bem se conhece. Irreverente, sempre pronto a animar corridas e para quem não há impossíveis. Em representação da Selecção Nacional, venceu em 2018 a Prova de Abertura Região de Aveiro (estava na Katusha-Alpecin), tendo pedalado sozinho durante 80 quilómetros! Um bom exemplo de como para Machado há que arriscar para ganhar.

Na equipa de José Santos corre-se muito assim. Os ciclistas têm muitas vezes mais liberdade, mesmo que haja um líder. Machado encaixa na perfeição na mentalidade da Rádio Popular-Boavista e será um corredor com caminho livre para ir à procura de vitórias. 

Um regresso em 2021

Na próxima época irá regressar a Portugal mais um experiente ciclista. Ricardo Vilela, depois de seis anos no estrangeiro, sempre no nível Profissional Continental (Caja Rural, Manzana Postobón e Burgos-BH) estará de volta à última equipa que representou antes de sair do país: a W52-FC Porto (então a OFM-Quinta da Lixa).

Aos 32 anos será mais um reforço de luxo para a formação que domina o pelotão nacional, podendo ser uma opção tanto para liderança, como para ajudar companheiros, visto esta ser uma equipa com mais chefes-de-fila. Não esquecer que Joni Brandão trocará a Efapel pela formação azul e branca para se juntar a Amaro Antunes e João Rodrigues.

26 de novembro de 2020

Daniela Reis, o nome que marcará a história do ciclismo feminino português

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Um nome a não esquecer: Daniela Reis. Aos 27 anos coloca um ponto final numa carreira que ficará para a história do ciclismo português feminino. Daniela quebrou todas as barreiras, ultrapassou todos os obstáculos para chegar onde parecia ser impossível. Daniela esteve ao mais alto nível mundial. Foi pioneira. Além fronteiras perseguiu um sonho que continua a ser tão difícil de concretizar para as raparigas que desejam alcançar o sucesso mundial. Mas se hoje o desejam cada vez mais, muito se deve a Daniela Reis, que, ao chegar tão longe, mostrou o caminho que está a ser seguido por mais jovens ciclistas.

É uma referência e não deixará de o ser só porque agora termina a carreira. No entanto, não era assim que se gostava de ver. "Ser referência... de certa forma é um bocado de pressão. Eu não quero ser diferente. Eu vou para as corridas para dar o meu melhor, em tudo o que faço. Em cima de tudo fico contente por haver mais portuguesas a acreditar que podem lá chegar e aos poucos sermos mais a correr lá fora. Acreditámos e conseguimos", disse numa entrevista há dois anos ao Volta ao Ciclismo (pode ler aqui).

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Ser ciclista significou muito sacrifício para Daniela Reis. Não o fazia pelo dinheiro, pois até trabalhava na padaria durante o Inverno para "ganhar uns trocos", como dizia. O ciclismo era a sua paixão. Sempre pareceu que estar preparada para continuar a vencer os desafios que lhe surgiam (e não eram poucos), mesmo quando esses foram recuperar de quedas graves. E teve algumas! Aquando da entrevista referida, Daniela estava de regresso depois de um problema de saúde. Nesse fim-de-semana, em Belmonte (2018), foi grande a emoção quando se sagrou campeã nacional de contra-relógio e depois de fundo. Mais uma vez! Foram cinco e quatro, respectivamente, os últimos em 2019.

A Lares-Waowdeals (mudou depois de nome para Doltcini-Van Eyck Sport) foi a equipa que levou Daniela Reis a outro patamar. Esteve presente em algumas das principais corridas internacionais, como a Volta a Flandres, uma das suas preferidas, Giro, La Course by Le Tour de France, Madrid Challenge by Vuelta... A lista é grande. Ser líder? Não. Considerava que o seu maior potencial estava em ser uma gregária de qualidade. Era a função em que se sentia mais à vontade.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Este ano representou a Ciclotel, mas, pouco depois de competir no Le Samyn, Daniela Reis teve um acidente durante um treino. Um carro atravessou-se à sua frente e a ciclista ficou com vários ferimentos, o que implicou mais uma estadia no hospital. 2020 acabaria por ser o ano que se sabe, com uma pandemia a complicar e muito a realização de corridas. Daniela Reis nem nos Nacionais surgiu. Merecia uma última corrida... Uma despedida diferente.

Com a selecção esteve em Mundiais e Europeus e tornou-se assim num modelo a seguir para ciclistas como Maria Martins, também ela também já numa equipa estrangeira (Drops). Raquel Queirós, Daniela Campos são mais dois nomes que se espera que alcancem um patamar elevado. Com os anos, espera-se que mais e mais mulheres cheguem longe, sigam o exemplo de Daniela Reis e possam ir ainda mais além, ajudando o ciclismo feminino português a crescer.

Daniela Reis sai de campo, mas deixa uma influência profunda no ciclismo nacional feminino, contribuindo para uma mudança de mentalidade na construção de uma carreira ao mais alto nível. Contribuiu para mudar a aposta na modalidade, mesmo sabendo que no feminino ainda faltam dar muitos passos rumo à consolidação do ciclismo em Portugal. Mas Daniela mostrou o caminho. Agora é segui-lo.

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14 de novembro de 2020

Finalmente a medalha de ouro para Ivo Oliveira

© Bettini Photo

Era a medalha que faltava a Ivo Oliveira. Depois de conquistar duas de prata em Europeus e uma em Mundiais, na categoria de elite, o ciclista português conquistou finalmente a de ouro na perseguição individual. É uma referência na pista em Portugal desde os seus tempos de formação e agora tem o título que lhe dá ainda mais destaque neste crescimento da modalidade no país, para o qual muito contribuíram as vitórias de Ivo e, claro do seu irmão gémeo, Rui.

© Bettini Photo
"Estava farto de segundos lugares. Quando passei à final meti na cabeça que tinha de ser hoje o dia de ganhar a medalha de ouro. Sabia que tinha de gerir bem o esforço e foi o que fiz. Ia olhando pelo canto do olho para controlar o adversário. Também estava a sentir-me bem e a conseguir manter o andamento. Quando ouvi gritar que o italiano estava a quebrar, senti que podia ser o meu dia", contou Ivo Oliveira.

Nos Europeus que estão a decorrer em Plovdiv, na Bulgária, Ivo Oliveira começou por bater a melhor marca nacional, que já lhe pertencia. Completou os quatro quilómetros em 4:07.528 minutos, melhorando em 3,301 segundos o anterior recorde, estabelecido a 28 de Fevereiro. No entanto, na qualificação, foi batido pelo italiano Jonathan Milan (4:06.890). Ficaram assim encontrados os finalistas.

© Bettini Photo
Na decisão, Milan foi mais rápido nos dois primeiros quilómetros. Contudo, Ivo conseguiu manter quase sempre a mesma velocidade e esta consistência acabou por ser muito importante para garantir a vitória. O ciclista de Gaia completou a distância em 4:08.116, menos 656 milésimos do que o seu adversário. A medalha de bronze ficou para o russo Lev Gonov, com Iuri Leitão a ser 10º (4:21.852).

"Foi um dia em que tudo saiu bem ao Ivo, melhorando a marca pessoal e vencendo a final. O Ivo Oliveira fez uma excelente gestão da corrida, adaptando-se às características do adversário e guardando energias para a parte final. Estou extremamente satisfeito com este desempenho que quebra o ‘enguiço’ dos segundos lugares", referiu Gabriel Mendes, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

(Texto continua por baixo do vídeo das declarações de Ivo Oliveira.)

Gabriel Mendes tem muitas razões para estar feliz com a prestação da Equipa Portugal em Plovdiv. A vitória deste sábado foi o segundo título conquistado, depois de Iuri Leitão vencer no scratch. O vianense já soma também a medalha de prata na eliminação e o bronze no omnium.

Maria Martins também tem a sua medalha, a de bronze em eliminação e este sábado ficou à porta de mais uma, ao ser quarta na corrida por pontos, numa prova ganha pela britânica Katie Archibald.

Rui Oliveira não competia em pista desde o início do ano e não teve as melhores sensações na corrida por pontos masculina, tendo abandonado. O espanhol Sebastián Mora sagrou-se campeão europeu. A questão física do ciclista português - que tal como o irmão fez a sua primeira grande volta na recente Vuelta - poderá levar a uma alteração para este domingo.

A prestação da Equipa Portugal nos Europeus fecha com o madison, disciplina para a qual estão escalados os gémeos Oliveira. Porém, é possível fazer uma alteração até às 12:00, uma hora e 45 minutos antes do início da prova, caso Rui não esteja nas melhores condições.

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12 de novembro de 2020

Iuri Leitão é campeão europeu de scratch

Dario Belingheri/BettiniPhoto©2020

Depois da prata, o ouro. Um dia depois de ter conquistado a medalha de prata em eliminação. Iuri Leitão foi campeão europeu de scratch, numa grande corrida do ciclista português. Mas o segundo dia dos Europeus em Plovdiv, na Bulgária, renderam ainda uma medalha de bronze pela inevitável Maria Martins, em eliminação.

"Não vou mentir. Vim para esta corrida com o objetivo de discutir os primeiros lugares, mas sem colocar as expectativas muito elevadas, porque na pista tão depressa se está a lutar pelas medalhas como no décimo lugar. Felizmente venci, mas acho que só comecei a perceber a dimensão do que tinha conseguido quando vesti a camisola de campeão da Europa", admitiu Iuri Leitão, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Dario Belingheri/BettiniPhoto©2020
O seleccionador nacional, Gabriel Mendes “o orgulho muito grande” no título europeu de Iuri Leitão. "Sabíamos que o nível era muito elevado na prova de scratch e que existia uma probabilidade grande de incerteza quanto ao resultado. Esperávamos movimentações e elas aconteceram. Foi após outros ataques, que não resultaram, que o Iuri se isolou. Fez uma excelente gestão do esforço e uma fantástica leitura de corrida, controlando aqueles que poderiam ser os adversários mais perigosos nos momentos certos para o fazer. Foi uma prestação de excelência. Fez-se história", salientou.

A prova de 15 quilómetros, traduz-se em 60 voltas ao velódromo de Plovdiv. As primeiras vinte foram marcadas por várias tentativas de fuga, às quais o pelotão respondeu de pronto. A única iniciativa que vingou foi precisamente do ciclista português. Leitão atacou a 40 voltas do fim, pedalou em solitário e, a 26 voltas de acabar a prova, consumou a volta de avanço sobre o grupo. "Não estava planeado atacar tão cedo, mas vi uma janela de oportunidade e aproveitei. Depois de alguns ataques, houve um momento de tensão. Achei que era o momento certo para tentar", explicou.

Dario Belingheri/BettiniPhoto©2020
Depois de ganhar a volta de avanço e de recuperar o fôlego, o português respondeu ao ataque dos adversários. Ninguém conseguiu escapar. Percebendo que não teriam qualquer hipótese de bater o português, os fugitivos abdicaram da iniciativa, mas corredor de Viana do Castelo prosseguiu o esforço para ser o primeiro a cortar a meta, o que nem precisava para vencer. O ucraniano Roman Gladysh ficou com a medalha de prata e o britânico Oliver Wood com o bronze.

Em baixo, as declarações do ciclista depois de vestir a camisola de campeão europeu.

Maria Martins já tem a sua medalha

No primeiro dia dos Europeus, Maria Martins ficou-se pelo 10º lugar na prova de scratch. Agora já tem a sua medalha, uma de bronze em eliminação.

Dario Belingheri/BettiniPhoto©2020
A primeira portuguesa a apurar-se para os Jogos Olímpicos no ciclismo de pista também já tem a sua medalha nestes Europeus. Na eliminação Maria Martins aplicou uma táctica semelhante à que ontem valera a prata a Iuri Leitão na mesma disciplina, correndo na parte de trás, mas quase sempre por fora do pelotão, com espaço para ir eliminando a concorrência e para ocupar posições mais adiantadas, quando isso se exigia.

A portuguesa ainda sofreu alguns sustos, mas conseguiu não só salvar a eliminação, como teve energia para discutir os lugares do pódio. A italiana Rachele Barbieri sagrou-se campeã da Europa, com a britânica Elinor Barker a ficar com a medalha de prata.

"A condição física não é máxima, mas temos de otimizar o desempenho com os recursos de que dispomos. Considero que a Maria fez uma corrida muito boa, conseguindo movimentos, na parte de trás, que eliminaram adversárias de forma muito competente, e reposicionando-se mais adiante. Está de parabéns pelo resultado e pela performance", referiu Gabriel Mendes.

Recorde-se que Maria Martins sofreu uma queda os Europeus de sub-23, o que a obrigou a parar durante uma semana, prejudicando a sua preparação para o Campeonato da Europa de Elite.

Calendário dos portugueses na sexta-feira

Esta sexta-feira, os gémeos Oliveira vão entrar em acção em Plovdiv, depois de no domingo terem terminado a primeira grande volta das suas carreiras, em Espanha. Agora dedicados a numa vertente na qual somam também eles medalhas desde os anos de formação, vão à procura de mais como atletas de elite elite.

Às 11:35 arranca a qualificação da perseguição individual, que contará com os portugueses Ivo Oliveira e Iuri Leitão. A final será às 16:20. Às 16:35 Maria Martins disputa a corrida por pontos, disciplina em que Rui Oliveira participa às 17:25.

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