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3 de março de 2019

Portugal mantém-se na corrida aos Jogos Olímpicos após Mundiais

(Fotografia: Arquivo Federação Portuguesa de Ciclismo)
Rui Oliveira abriu a participação portuguesa nos Mundiais de Pruszków, com uma prometedora exibição no scratch, mas nas disciplinas olímpicas (omnium e madison) os resultados ficaram aquém do desejado. Ainda assim, a Portugal mantém-se nos lugares de apuramento para os Jogos Olímpicos, havendo mais provas para disputar, como os Europeus.

A fechar os Mundiais polacos, os gémeos Oliveira marcaram presença no madison, mas não foi um dia bom para Ivo e Rui. "Foi uma corrida em que as três melhores selecções fizeram uma média dois quilómetros por hora superior ao que aconteceu no anterior Mundial e nas melhores provas da Taça do Mundo. O Ivo e o Rui não entraram bem no ritmo intenso da corrida e isso foi gerando fadiga, que se acumulou e provocou o resultado aquém do que esperávamos. Ainda assim, foi importante terminar a corrida, porque isso permitiu somar pontos para o ranking olímpico. A qualificação mantém-se possível, mas teremos de melhorar no Europeu de elite e na próxima época da Taça do Mundo", salientou o seleccionador nacional, Gabriel Mendes, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

A dupla terminou na 17ª posição, com 57 pontos negativos, numa prova ganha pelos alemães Roger Kluge e Theo Reinhardt, com uma média fantástica de 59,243 quilómetros por hora.

No sábado foi João Matias quem esteve em pista, no omnium, disciplina composta por quatro provas. O ciclista da Vito-Feirense-BlackJack começou mal, com um 18º lugar no scratch e 20º na corrida tempo. Matias apareceu bem melhor na eliminação, ficando na 13ª posição. Iniciou a corrida por pontos no 18º lugar da geral. Conseguiu entrar no grupo que ganhou uma volta, pontuou em mais um sprint e assim subiu um lugar, fechando o concurso com 45 pontos.

Apesar dos resultados menos conseguidos nas disciplinas olímpicas, Portugal não foi ultrapassado por nenhuma das selecções rivais na disputa por um lugar em Tóquio.

Maria Martins fez a sua estreia nestas andanças. Depois de estar sempre a melhorar nas Taças do Mundo, a ciclista alcançou um 14º lugar no omnium nestes Mundiais. Foi 10ª no scratch, 17ª na corrida tempo, 13ª na eliminação e após na corrida por pontos conseguiu três pontos que lhe valeram a subida ao 14º posto. Maria Martins mantém-se também ela na luta por um lugar em Tóquio2020.

Nas provas não olímpicas, Rui Oliveira foi quinto no scratch e um inédito título mundial em elite na pista ficou a cerca de 100 metros. O corredor português tentou um ataque a sete voltas do fim e só foi apanhado já com a meta à vista. Ficou no quinto lugar. Já Ivo não conseguiu repetir o lugar na final da perseguição individual de há um ano, quando foi vice-campeão mundial.


14 de fevereiro de 2019

Quatro eleitos à procura de um pouco mais de história

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
O ciclismo de pista já não é uma modalidade que passe despercebida em Portugal e com os Mundiais à porta, a expectativa vai aumentando. O trabalho realizado nos últimos anos, com Gabriel Mendes ao leme, tem tornado a vertente cada vez mais procurada por ciclistas e, claro, com os gémeos Oliveira a ser a referência máxima. As principais conquistas são de Ivo e Rui, mas não estão sós nesta transformação da pista. João Matias e, no feminino, Maria Martins, são dois nomes incontornáveis e completam o quarteto eleito para ir aos Campeonatos do Mundo à procura de fazer um pouco mais de história.

Com os resultados a melhorarem praticamente a cada grande competição feita, a selecção nacional apurou-se para os concursos masculino e feminino de omnium e para as provas masculinas de madison, perseguição individual e scratch. Maria Martins estará então no omnium, mas ainda não foi adiantado a distribuição de provas por Ivo, Rui e Matias. Na perseguição individual será uma surpresa não ver Ivo Oliveira a competir, visto que é o vice-campeão mundial.

Os Mundiais vão decorrer em Pruszków, na Polónia, entre 27 de Fevereiro e 3 de Março. Maria Martins competirá no dia 1: scratch (14:00), corrida tempo (16:10), eliminação (18:30) e corrida por pontos (19:55). No mesmo dia realiza-se a perseguição individual masculina, com as qualificações a arrancarem às 14:45 e finais estão agendadas para as 19:20.

O primeiro ciclista a entrar em acção será no dia 28, às 18:50, no scratch. A 2 de Março assistir-se-á ao ominum masculino, com o alinhamento e horários a serem os mesmos da prova feminina do dia anterior. A despedida será feita no madison, no dia 3, ás 13:55.

Com os resultados já alcançados em vários escalões, incluindo em elite, mais as recentes prestações muito positivas nas Taças do Mundo, é inevitável que as expectativas sejam cada vez mais altas. No entanto, o seleccionador Gabriel Mendes mantém-se focado também noutro objectivo: os Jogos Olímpicos. "O nosso grande foco são as disciplinas olímpicas de omnium e de madison. Tentaremos obter o maior número possível de pontos para o ranking de apuramento para os Jogos Olímpicos e para os rankings individuais", referiu, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Os Mundiais têm um grande peso nas qualificações olímpicas, o que, a acontecer em Tóquio2020, será um feito inédito para o desporto português.



8 de fevereiro de 2019

O primeiro "super" Mundial de ciclismo já tem cidade anfitriã

(Fotografia: Facebook Mundiais de Innsbruck)
Uma das mudanças que David Lappartient queria implementar como presidente da UCI já está em marcha. O que se pode apelidar de super Mundial tem data marcada para 2023 e o palco deste novo formato será Glasgow. A cidade escocesa irá receber 13 disciplinas diferentes, desde a estrada, ao BTT, passando pelo BMX e até Granfondo, sem esquecer a pista, o paraciclismo, trial e ciclismo indoor.

Este formato de Mundiais irá realizar-se de quatro em quatro anos, no anterior aos Jogos Olímpicos, e pretende ser uma enorme celebração das várias vertentes da modalidade. As provas disputar-se-ão durante duas semanas em Agosto, um pouco mais cedo no calendário do que o normal (Setembro).

Glasgow organizou em 2018 os Campeonatos Europeus que englobaram vários desportos, incluindo o ciclismo e este facto foi salientando por Lappartient aquando do anúncio da escolha da cidade, já que há experiência em "montar" um evento que englobe tantos atletas e tantas disciplinas. Na cidade escocesa também já se disputaram Mundiais de BTT, de pista e trial, além dos Jogos da Commonwealth, em 2014. Isto faz com que as infraestruturas estejam todas em funcionamento, pelo que não será necessário construir nada para os Mundiais de 2023.

Nos restantes anos, o formato actual mantém-se, com as diferentes disciplinas a terem cada uma as suas cidades anfitriãs. Na estrada, depois de Innsbruck, na Áustria, será Yorkshire, Inglaterra, a receber as corridas de juniores, sub-23 e elite (de 22 a 29 de Setembro). No próximo ano e em 2024 será a Suíça o palco dos Mundiais e em 2021, no centenário dos primeiros Campeonatos do Mundo, a escolha foi para a zona de Flandres, na Bélgica. Em 2022 a viagem será mais longa para muitas das selecções: Wollongong, na Austrália.

»»Atenção Froome: Thomas aposta na Volta a França««

»»Gaviria pode trazer muito mais do que vitórias à UAE Team Emirates««

21 de janeiro de 2019

João Matias e Rui Oliveira em destaque na Nova Zelândia

(Fotografia: © António Borga/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Enquanto Ivo Oliveira estava a fazer uma boa estreia no World Tour, no Tour Down Under, pelo mesmo continente, mas noutro país e na pista, o irmão Rui Oliveira realizou mais duas excelentes prestações na pista, juntamente com João Matias e Maria Martins, em mais uma Taça do Mundo, rumo aos Jogos Olímpicos. A selecção nacional viajou até à Nova Zelândia para mais uma etapa da Taça do Mundo e obteve os melhores resultados na edição de 2018/19 tanto no madison como no omnium. Os sextos lugares são muito animadores, numa altura em que se está em pleno apuramento para os Jogos Olímpicos, mas também porque o pensamento imediato é a presença nos Mundiais, que estão aí à porta.

Em Cambridge, neste último fim-de-semana, Gabriel Mendes chamou Rui Oliveira (UAE Team Emirates), João Matias (Vito-Feirense-PNB) e Maria Martins (Sopela Women's Team) e ninguém desiludiu. Muito pelo contrário. A dupla masculina que competiu no madison esteve sempre à procura de pontuar e conseguiu fazê-lo em seis dos 12 sprints, das 120 voltas (30 quilómetros). Matias e Oliveira somaram 16 pontos. A vitória foi para o duo da casa Campbell Stewart e Aaron Gate (76 pontos). Os holandeses Yoeri Havik e Roy Pieters, com 30, e os americanos Daniel Holloway e Adrian Hegyvary, com 26, fecharam o pódio, tendo as três selecções conseguido dar uma volta de avanço às restantes equipas.

Um bom sexto lugar para começar e outro igualmente importante a fechar. No omnium, Rui Oliveira começou com um nono lugar em scratch, seguiu-se a corrida tempo, na qual foi sexto. Voltou a ser nono na eliminação. Na corrida por pontos, Rui Oliveira venceu dois sprints e foi segundo no sprint de chegada, o que valeu o sexto lugar, com 94 pontos. O vencedor foi o suíço Claudio Imhof (113), com o bielorrusso Raman Tsishkou (112) e o italiano Liam Bertazzo (108) a completarem o pódio.

O madison e o omnium são as duas disciplinas olímpicas em que Portugal procura o inédito apuramento para Tóquio2020. Na competição feminina, Maria Martins tem uma missão complicada para também ela estar nos Jogos do próximo ano no omnium, mas está a agarrar todas as oportunidades que tem para obter bons resultados. Até teve uma gripe a impedi-la de estar no seu melhor na Nova Zelândia, mas, ainda assim, fez melhor do que na sua anterior Taça do Mundo. Foi 12ª entre 22 participantes, depois de ter feito um 16º lugar na sua estreia nestas andanças, no final do ano passado, em Londres.

Foi 12ª em scratch, 15ª na corrida tempo, 10ª em eliminação. Na corrida por pontos não pontuou mas garantiu o bom 12º lugar final. Já no domingo, na corrida de scratch, Maria Martins atacou de longe e só à entrada da última volta foi apanhada. Depois de um enorme esforço, não conseguiu recuperar, terminando na 16ª e última posição.

"O balanço global é muito positivo, principalmente porque demos um passo muito importante para garantir a qualificação para o próximo Campeonato do Mundo nas disciplinas olímpicas", afirmou o seleccionador Gabriel Mendes. "Conseguimos melhorar todos os resultados em relação às rondas anteriores. Estou muito satisfeito com o desempenho de todos. Em madison melhorámos muito, fomos mais competitivos e consistentes. O Rui Oliveira esteve muito bem no omnium e a Maria Martins, apesar de debilitada devido a gripe, deu o máximo e melhorou em relação à última etapa da Taça do Mundo", salientou, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

A Equipa Portugal segue agora para Hong Kong para este fim-de-semana (de 25 a 27 de Janeiro) marcar presença em mais uma Taça do Mundo e fechar as contas a pensar nos Mundiais, que irá realizar-se em Pruszkow, Polónia, entre 27 de Fevereiro e 3 de Março.

»»As contas rumo aos Jogos Olímpicos««

»»João Matias com melhor resultado no omnium de Portugal e Maria Martins com estreia positiva««

30 de setembro de 2018

Finalmente Valverde

(Fotografia: © BettiniPhoto/Facebook Mundiais de Innsbruck-Tirol)
Valverde tinha acabado de cortar a meta em Innsbruck quando cai uma mensagem no telemóvel: "O que dizer? Que monstro." Pegando nesta expressão de um amante e profundo entendedor de ciclismo, "monstro" talvez seja mesmo a melhor forma de descrever Alejandro Valverde. Simples e directa. Para quê prolongar mais a descrição do que este ciclista fez neste domingo. O que fez na sua carreira.

Aos 38 anos, quando muitos já se retiraram ou pensam estar na altura de o fazer, mantendo-se muitas vezes com papéis secundários nas equipas, este espanhol tem estado na linha da frente, somando vitórias, disputando todas as corridas como se cada uma fosse a mais importante da carreira. Estes Mundiais eram provavelmente essa tal corrida. A corrida de uma vida. As lágrimas no final demonstraram o alívio de finalmente ter o título que lhe faltava, depois de dois segundos lugares e quatro terceiros.

E que gesto se viu de seguida. Peter Sagan, o tricampeão do mundo - que dada as dificuldades do percurso acabou por abandonar -, saltou para o pódio para ser ele a passar o testemunho. Entregou a medalha a Valverde. Um senhor do ciclismo este Peter Sagan! Um senhor de desportivismo! Por momentos roubou um pouco das atenções. Mas o dia é de Valverde. O próximo ano será de Valverde de arco-íris.

Era um dos favoritos, numa lista em que muitos se poderiam incluir. Porém, quando no circuito final de Innsbruck, as últimas três voltas foram eliminando nomes importantes, começou-se a perceber que quem tinha estado na Vuelta estava a pagar o esforço recente de uma grande volta. Valverde terminou a Vuelta em perda, não só não conseguindo ganhar, como deixando escapar o pódio, além das críticas a uma liderança partilhada com Nairo Quintana que não funcionou. Talvez já seja de mais pedir a Valverde para ganhar a grande volta do seu país, mas ficou mais uma demonstração que é um ciclista para os grandes momentos. E que já não queria mais pratas ou bronzes em Mundiais!

O próprio admitiu que foi a vitória da sua carreira. Não que não valorize a Vuelta que conquistou, as quatro Liège-Bastogne-Liège, as cinco Flèche Wallonne, as muitas clássicas e não menos provas por etapas... Mas quando se está tanto tempo à procura de um triunfo, quando se subiu a um pódio seis vezes para ver outro ciclista vestir a camisola que tanto queria, é normal que este título mundial fique no topo das suas principais conquistas.

Este ano conta com 17 triunfos, incluindo etapas, gerais e camisolas de pontos e de montanha. Quantas mais vitórias virão numa carreira que já ultrapassou as 100? Valverde tem mais uma época de contrato com a Movistar e com este ritmo de conquistas pode-se pensar numa carreira que vá além dos 40 anos. No entanto, até que ponto este título mundial poderá precipitar o ponto final? Não agora, claro. Valverde vai querer vencer de arco-íris vestido, mas não surpreenderia que optasse por sair em grande, como campeão do mundo, talvez depois da Vuelta.

Uma mera suposição nesta altura. Uma mera opinião. Certo é que a Movistar volta a ter um campeão do mundo, depois de Rui Costa, ainda que o português tenha depois rumado à então Lampre-Merida. Há um ano temeu-se que a carreira do espanhol pudesse ter terminado naquela grave queda no contra-relógio inaugural do Tour. Não. Regressou tão forte como tem estado nas últimas temporadas, parecendo que o tempo não passa por ele.

Valverde terá sempre aquela mancha que foi a suspensão por doping. Regressou ainda melhor do que antes para assim garantir que não fosse aquele momento que definisse a sua carreira.

Aqueles Mundiais de 2013...

A primeira subida ao pódio de Valverde foi em 2003. Ficou atrás do compatriota Igor Astarloa. Dois anos depois foi batido pelo belga Tom Boonen. Seguiram-se três terceiros consecutivos entre 2012 e 2014. Philippe Gilbert, Rui Costa e Michal Kwiatkowski foram os campeões, com Edvald Boasson Hagen, Joaquim Rodríguez e Simon Gerrans a serem segundos, respectivamente.

Aqueles Mundiais de 2013, em Florença, foram uns que, apesar das duas melhadas para Espanha, Valverde não se livrou de críticas. O trio que terminou no pódio estava a disputar a vitória e Valverde acabou por ser acusado de não jogar em equipa com Rodríguez, quando tinham o ciclista português como adversário comum. Rui Costa bateu Purito, mas foi uma derrota que custou aos espanhóis de aceitar, mesmo que o poveiro até representasse então uma equipa daquele país. Ficou sempre a ideia que Valverde não ajudou o compatriota.

Purito e Valverde podem não ter ficado os melhores amigos, mas o ex-ciclista deixou uma mensagem no Twitter a dar os parabéns a Valverde, mas principalmente ao seleccionador Javier Minguez.

O último campeão do mundo espanhol havia sido Óscar Freire, em 2004, naquela que foi a sua terceira vitória. Abraham Olano conquistou o título em 1995, o primeiro da história do ciclismo de Espanha.

A corrida

Quase 260 quilómetros, 4670 metros de acumulado, uma subida final de 2,8 quilómetros, mas com pendentes a chegar aos 28%... Innsbruck prometeu um inferno e assim foi. Os mais puros dos trepadores foram cedendo, Primoz Roglic ficou envolvido numa queda que o prejudicou, mas essencialmente foi a dureza do percurso que fez a maior mossa. Os últimos 60 quilómetros foram muito atacados, desfazendo a fuga de 11 ciclistas que chegou a ter mais de 17 minutos de vantagem. Foi em ataques e contra-ataques que Valverde, Romain Bardet, Michael Woods e Gianni Moscon acabaram por ser o quarteto que, na subida final, parecia ficar definido para discutir a vitória. Julian Alaphilippe foi talvez a maior desilusão nesta fase da prova. Moscon começou aos ziguezagues, meteu a roda na berma e não mais recuperou ritmo. Só Tom Dumoulin conseguiria na descida apanhar o então trio, mas as forças eram nulas para ir a mais uma medalha, depois da prata no contra-relógio.

Ao sprint, não havia dúvidas quem era o mais forte. Valverde confirmou-o. Romain Bardet irá ficar a pensar se deveria ter forçado um pouco mais na descida e tentado descolar, mesmo sabendo que o espanhol também desce bem. Foi segundo, com o canadiano Michael Woods a fechar o pódio. Desde 2005 que um francês não subia ao pódio nos Mundiais na prova de fundo - Anthony Geslin foi terceiro - e o Canadá precisa de recuar a 1984, quando Steve Bauer ficou também com o bronze.

Rui Costa realizou uma excelente corrida. Sempre bem colocado, atento às movimentações, mexendo também ele no grupo. No entanto, à entrada da última subida viu-se o português a dar murros nas pernas. A condição física começou a ceder no pior dos momentos devido a cãibras. Ainda assim, e mesmo não sendo uma subida que goste, o campeão do mundo de 2013 não baixou o braços e fechou o top dez, a 43 segundos de Valverde.

Nelson Oliveira foi 39º, a cinco minutos do vencedor, tendo realizado um bom trabalho ao lado de Rui Costa. Ruben Guerreiro e Tiago Machado abandonaram depois de também eles muito trabalharem (resultados completos neste link).

Para o ano os Mundiais rumam a Yorkshire, na Grã-Bretanha, de 22 a 29 de Setembro.

»»Este é Rui Costa««

»»O novo Merckx? Não. É o novo Remco Evenepoel, um nome a não esquecer««

26 de setembro de 2018

Isso não se faz a um campeão do mundo!

(Fotografia: © BettiniPhoto/Facebook Mundiais de Innsbruck-Tirol)
Não foi nada de inesperado ver Tom Dumoulin e Rohan Dennis decidirem entre eles o título de campeão do mundo de contra-relógio. Muito pelo contrário. Desta feita, confirmaram-se as expectativas nesse aspecto. O que não se esperava era que o australiano fosse tão avassalador na sua exibição, que se pode dizer que não houve rival à altura. Nem do que até àquele momento era o campeão em título. O rosto de Dumoulin dizia tudo. Não só perdeu, como não conseguiu estar ao nível de um Dennis que finalmente alcançou a perfeição, depois de anos a ambicionar uma camisola do arco-íris, numa especialidade de que não se tinha dúvidas que era de facto um dos melhores do mundo. Agora já tem o título que o "oficializa".

Aos 28 anos conquistou a vitória que não esconde que andava a perseguir desde o escalão de juniores. O mais perto que tinha ficado foi em 2012, enquanto sub-23, quando 44 segundos o separaram do então campeão Anton Vorobyev. Na elite, por uma ou outra razão, nem no pódio Dennis conseguiu ficar. "Nunca tinha ganho em nenhum escalão, por isso, vencer o meu primeiro [título] como sénior é mesmo especial", desabafou um Dennis que estava tão feliz, como aliviado de ter alcançado um objectivo de carreira.

Estava a transformar-se num eterno favorito que nunca confirmava esse estatuto, mas 2018 foi grande parte dedicado a preparar os Mundiais, a pensar neste contra-relógio de Innsbruck. Se em Bergen claudicou na subida, desta feita mostrou que o trabalho de casa foi feito e muito bem feito. Esteve praticamente imbatível nos contra-relógios esta temporada - seis vitórias até aos Mundiais - e fecha com uma camisola de arco-íris que deixa mais pessoas a esfregar as mãos de contentamento.

Se o talento estava lá, a verdade é que foi na BMC que o aprendeu a explorar no seu máximo. Foram quatro temporadas e meia numa equipa que o transformou num dos melhores do mundo, mas que quando finalmente vê o seu ciclista alcançar o melhor prémio, este vai vestir a camisola do arco-íris para outra equipa. Ganhou também a Bahrain-Merida com o triunfo de hoje, pelo menos no futuro protagonismo. Fica o mérito de quem na BMC o ajudou. A equipa americana perdeu o seu patrocinador, mas vai continuar agora com a CCC. Porém, chegou tarde a confirmação do futuro da estrutura e Dennis já tinha optado por partir para outro desafio.


(Fotografia: © BettiniPhoto/Facebook Mundiais de Innsbruck-Tirol)
E agora fica a questão de quantos mais títulos poderá este ciclista ganhar, ele que ainda não desistiu de se tornar num voltista, apesar de continuar a convencer muito pouco que possa vir a discutir uma corrida de três semanas.

A sua exibição de hoje foi muito mais do que de um excelente contra-relogista. Foi de um exímio contra-relogista, daqueles que marcam a especialidade. Já foi recordista da hora, é agora campeão do mundo. Falta confirmar-se então como ciclista das grandes voltas, como já fez Tom Dumoulin, com o triunfo no Giro e os segundos lugares também em Itália e no Tour.

O holandês não esteve no seu melhor. Talvez, um Giro e um Tour feitos para ganhar e os pódios que alcançou tenham tido o seu peso. Mas Dumoulin não esteve mal, senão não teria terminado no pódio. Dennis é que esteve bem de mais para todos os outros. Completou os 52,5 quilómetros em 1:03:02 horas, a uma média de 49,9 quilómetros horas, menos 1:21 minutos que Dumoulin, que com o segundo lugar, conta agora com todas as medalhas em mundiais no contra-relógio, ainda que esta de prata vai custar olhar para ela, nos tempos mais próximos. "Não fui suficientemente bom", admitiu o holandês, que não escondeu não se ter sentido bem durante o longo percurso.

Olhando para o historial do contra-relógio, diferenças mais altas são da autoria de um suíço que deixou saudades. Em 2009, Fabian Cancellara venceu o sueco Gustav Erik Larsson por 1:27 minutos e em 2006 deixou David Zabriskie a 1:29. Mas nenhum era campeão do mundo como Dumoulin. Nesse aspecto, quando Tony Martin venceu o seu quarto título e "tirou" a camisola a Vasil Kiryienka, o alemão deixou o bielorrusso a 45 segundos.

Este foi um resultado para a história por parte de Rohan Dennis, de um dos contra-relógios mais longos. E se como voltista ainda não se afirmou, como contra-relogista foi um título mais do que merecido, ainda que dê vontade de dizer: "Isso não se faz a um campeão do mundo Dennis!" Haverá tempo para um ajuste de contas por parte de Dumoulin, numa rivalidade muito particular para os próximos tempos.

Ainda não foi desta para Nelson Oliveira


(Fotografia: © BettiniPhoto/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Mais um top dez para Nelson Oliveira. Depois de ter ficado à porta do pódio em Bergen, o ciclista português foi quinto. Tal como no ano passado chegou a ter o tempo mais rápido, mas, desta feita, nem deu tempo para se sentar no trono. Ficou a 2:14 de Dennis, sendo batido por um super australiano, um campeão do mundo (Dumoulin), um bicampeão europeu - e que fez o contra-relógio da sua vida, pois não se esperava que estivesse tão bem com a difícil subida no percurso - (Victor Campanaerts) e houve ainda Michal Kwiatkowski que foi quarto. Quanto ao polaco, basta dizer que simplesmente não sabe correr mal.

"Hoje deixei tudo na estrada. Sabia que tinha de dar o máximo para representar estas cores e estou satisfeito. A condição física é boa e senti-me bem num contra-relógio em que a primeira parte era muito complicada para mim e na qual era necessário regular bem o esforço para que o troço final me corresse melhor. Foi isso que fiz. Dei o meu máximo, mais do que isto era complicado fazer. Os adversários foram muito mais fortes do que eu, mas vou continuar a sonhar para um dia chegar às tão desejadas medalhas", referiu Nelson Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Estamos perante um dos melhores da especialidade, mas a medalha teima em não chegar para o português, não ajudando que seja um ciclista obrigado a trabalhar para os líderes da Movistar, não podendo preparar uns Mundiais como Dennis ou Dumoulin podem. Mas neste tipo de provas, tudo pode acontecer. Campanaerts foi a prova disso em Innsbruck.


(Fotografia: © BettiniPhoto/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Mas este ano houve outro português em prova, o bicampeão nacional Domingos Gonçalves, numa nova experiência para o ciclista da Rádio Popular-Boavista. Foi 41º, a 6:29 do vencedor. "Encontrei aqui outra realidade, os adversários têm um ritmo que, de momento, não está ao meu alcance. Senti falta de ritmo e acusei um pouco nunca antes ter feito um contra-relógio tão extenso. A seguir à subida comecei a ter cãibras", afirmou o gémeo de Barcelos, que utilizou uma bicicleta idêntica às da Katusha-Alpecin, equipa do irmão José.

Arrancam as corridas de fundo

Ponto final nos contra-relógios. Esta quinta-feira começam as corridas de fundo. Da parte da manhã serão as juniores femininas (8:10), da parte da tarde serão os rapazes do mesmo escalão (13:40). Esta última terá a participação de dois portugueses, os mesmos que fizeram o contra-relógio: Afonso Silva e Guilherme Mota.

A corrida terá 126,8 quilómetros e um acumulado de 1916 metros. Antes da entrada no duro circuito de Innsbruck, que será percorrido duas vezes, o pelotão terá algumas dificuldades pela frente. A primeira selecção deverá acontecer aos 70 quilómetros, quando se subir Gnadenwald, uma colina com 2,6 quilómetros e uma inclinação média de 10,5%, com vários troços superiores a 13%. No entanto, as maiores decisões deverão ficar guardadas para o chamado "circuito olímpico", a percorrer duas vezes, na parte final da prova. Os corredores terão de ultrapassar duas vezes a subida de 7,9 quilómetros com inclinação média de 5,7%, cujo topo fica a 13,9 quilómetros da meta.

Os dois ciclistas eleitos pelo seleccionador José Poeira são bons trepadores, pelo que a expectativa é para um resultado positivo.

Os campeões de Innsbruck até ao momento

Contra-relógio por equipas 
Feminino: Canyon SRAM Racing (Alemanha)
Masculino: Quick-Step Floors (Bélgica)

Contra-relógio individual
Juniores femininas: Rozemarijn Ammerlaan (Holanda)
Juniores masculinos: Remco Evenepoel (Bélgica)

Sub-23 masculinos (não há este escalão para as raparigas): Mikkel Bjerg (Dinamarca) - renovou o título

Elite feminina: Annemiek van Vleuten (Holanda) - renovou o título
Elite masculina: Rohan Dennis (Austrália)

»»Dumoulin vs Dennis. Quem se intromete?««

»»O World Tour pode esperar««

25 de setembro de 2018

Dumoulin vs Dennis. Quem se intromete?

(Fotografia: Giro d'Italia)
Isto de pensar que há vencedores anunciados tem tendência a dar lugar a umas surpresas. No que diz respeito a Mundiais, nem é preciso ir muito longe e foi o actual campeão, Tom Dumoulin, que recordou o que aconteceu da última vez que parecia haver tanta certeza quanto ao resultado final do contra-relógio. "Ainda me lembro dos Mundiais de Richmond. Diziam Dumoulin, Martin e Dennis vão estar no pódio, só falta determinar a ordem. No final, nenhum ficou com uma medalha." Assim foi em 2015 e nem Dumoulin, nem Dennis se deixam levar por um favoritismo que pouco significado têm quando estão na estrada. Se assim fosse, então seria uma luta por um lugar no pódio, com vários candidatos a esse posto e com Portugal a apresentar desde logo o seu: Nelson Oliveira. E sim, Dumoulin e Dennis são os super favoritos, mas há quem se possa intrometer e talvez não seja uma surpresa assim tão grande se tal acontecer.

Regressando ao que aconteceu em Richmond, como recordou Dumoulin ao Het Nieuwsblad, o trio referido de favoritos ficou a mais de um minuto de Vasil Kiryienka. O italiano Adriano Malori e o francês Jérome Coppel fecharam o pódio, com Dumoulin, Dennis e Tony Martin a fazerem quinto, sexto e sétimo, respectivamente. Dumoulin já confirmou entretanto o seu estatuto de melhor de mundo. Falta a Dennis responder e o australiano tem apontado grande parte da sua temporada a esta quarta-feira. Se na Volta a Itália ainda tentou o melhor resultado na geral, já na Vuelta foi lá ganhar os contra-relógios, para depois abandonar e pensar só em Innsbruck.

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Dumoulin só fez a Volta a Alemanha após o Tour e esteve no contra-relógio por equipas no domingo, tal como Dennis. O holandês ficou com a medalha de prata com a Sunweb, o australiano com o bronze, com a BMC. Em 2018, Dennis venceu seis contra-relógios individuais, sendo o campeão nacional e além dos dois da Vuelta, venceu ainda um no Giro. Perdeu o primeiro na Volta a Itália para Dumoulin, que ganhou depois também no Tour, na 20ª etapa.

Interessa é quem está, mas é inevitável falar das ausências do segundo e terceiro de 2017, Primoz Roglic e Chris Froome, além de Geraint Thomas. Por isso mesmo, é mais do que justo colocar-se desde já Nelson Oliveira, quarto classificado em Bergen e sétimo em Ponferrada (2014) entre os favoritos da lista que se segue a Dumoulin e Dennis. O Paris-Roubaix voltou a estragar-lhe parte da temporada (sofreu uma queda) e ficou mesmo de fora do Tour, para sua desilusão. Mas apareceu muito bem na Vuelta, foi quarto no primeiro contra-relógio e sétimo no segundo, tendo realizado um excelente trabalho para os seus líderes da Movistar. Aos 29 anos já não há dúvidas que é um dos melhores especialistas da actualidade e uma medalha ficaria muito bem ao tetracampeão nacional.

"O percurso é muito exigente, especialmente a segunda parte. A subida tem três quilómetros muito duros e será decisiva, tal como a fase a seguir. Será necessário regular muito bem o esforço. No meu caso, não posso dar tudo na fase inicial para me sentir com força na parte final, porque é aí que posso ganhar aos rivais com mais peso", afirmou Nelson Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Naturalmente que a ambição é melhorar o quarto lugar de Bergen2017, mas o ciclista aponta no mínimo a um top 10.

Nelson Oliveira sairá às 14:29 para os 52,5 quilómetros. "As sensações foram muito boas no contra-relógio por equipas, não senti o cansaço da Vuelta, o que é bom. Espero que amanhã esteja na mesma condição ou ainda melhor do que no domingo", salientou, recordando como esteve com a Movistar na abertura dos Mundiais, ajudando a equipa espanhola a ficar no sexto lugar.

Outros nomes que se podem intrometer entre o esperado embate Dumoulin vs Dennis. Stefan Küng é a grande esperança suíça de fazer regressar um título que Fabian Cancellara conquistou pela última vez em 2010. O espanhol Jonathan Castroviejo, o bicampeão europeu belga Victor Campenaerts, o dinamarquês Soren Kragh Andersen, o britânico Alex Dowsett (ainda que esteja muito abaixo do nível de outrora), o luxemburguês Bob Jungels e, claro, o tetracampeão mundial Tony Martin, são ciclistas que podem muito bem intrometer-se entre os dois favoritos. O alemão tem estado longe do seu melhor e começa a dar sinais de estar na fase descendente na sua carreira. Mas se há local em que pode mostrar o contrário e é onde sempre muito gostou de competir, esse local são os Mundiais.

Há mais um nome a acrescentar a esta lista: Michal Kwiatkowski. É um bom contra-relogista e a tentação é colocá-lo entre os possíveis outsiders, contudo, o polaco está focado na corrida de fundo de domingo, na qual procurará o seu segundo título. Mas é sempre um ciclista a ter em conta. Não sabe correr para apenas para mostrar a camisola.

A oportunidade de Domingos Gonçalves

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Este ano Portugal terá dois representantes no contra-relógio de elite. O bicampeão nacional, Domingos Gonçalves, foi chamado por José Poeira. Corre sem a pressão de um Nelson Oliveira, cujas expectativas são altas, mas depois de uma época de grande nível no pelotão nacional - seis vitórias, mais a medalha de prata no contra-relógio dos Jogos do Mediterrâneo - o gémeo de Barcelos quer mostrar-se num dos mais importantes palcos do ciclismo.

"Trabalhei bem para esta prova, tanto ao nível do treino como do descanso. O contra-relógio tem uma longa fase totalmente plana, na qual não podemos gastar toda a energia, porque a fase final, com a subida longa e o terreno mais ondulado, será muito importante. O segredo vai ser dosear o esforço, especialmente no meu caso, pois nunca fiz um contra-relógio tão longo como este", afirmou o ciclista da Rádio Popular-Boavista e que partirá para a sua prova às 13:43.

Os últimos a sair para a estrada serão Rohan Dennis, às 14:38:30 e Tom Dumoulin, às 14:40. O ponto que poderá decidir o título será a subida de cinco quilómetros, com 7,1% de inclinação média e 14% de pendente máxima, estando as rampas mais difíceis nos primeiros três quilómetros.



Esta terça-feira foram atribuídos mais dois títulos mundiais. Na elite feminina, a Holanda dominou a corrida de 27,8 quilómetros. Annemiek van Vleuten sagrou-se bicampeã mundial com 34:25 minutos. Isto significou que Anna van der Breggen foi segunda pela terceira vez, ao ficar a 30 segundos. As duas estiveram num nível muito acima das restantes ciclistas, com Ellen van Dijk a completar o pódio laranja. A campeã mundial de 2013 ficou a 1:25 minutos (classificações completas neste link).

Antes, o contra-relógio juniores teve uma exibição avassaladora de Remco Evenepoel (18 anos). Trocou o futebol pelo ciclismo e já lhe chamam o novo Merckx (uma tendência a acontecer na Bélgica sempre que aparece um ciclista promissor). Evenepoel tem contrato com a Quick-Step Floors para 2019 e 2020 e irá como campeão mundial de contra-relógio da sua categoria. O australiano Luke Plapp ficou a 1:24 minutos e o italiano Andrea Piccolo a 1:38 (classificações completas aqui). Quanto aos portugueses, Guilherme Mota foi 29º, a 3:42, e Afonso Silva 48º, 4:46.

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24 de setembro de 2018

O World Tour pode esperar

(Fotografia: © bettiniphoto/Facebook Mundiais de Innsbruck-Tirol)
Depois de ter ganho o título mundial com mais de um minuto de vantagem, Mikkel Berg foi um pouco mais simpático e deixou a concorrência a "apenas" 33 segundos. Este dinamarquês é uma máquina de contra-relógio e tem apenas 19 anos. Sagrou-se bicampeão mundial de sub-23 e no seu escalão é um daqueles ciclistas que já está debaixo de olho de equipas do World Tour. Depois do primeiro título em Bergen, Axel Merckx foi buscá-lo para a sua Hagens Berman Axeon e Bjerg não pensa em sair. O escalão máximo é o objectivo de todos, mas tanto Bjerg, como para os ciclistas que o acompanharam no pódio, nenhum está com pressa de lá chegar.

Para Mikkel Bjerg, que estava na equipa Continental do seu país Giant-Castelli, considera que a Hagens Berman Axeon é perfeita para si e para outros ciclistas da sua idade, afinal, assim tanto pode aprender em grandes corridas, como lutar por vitórias em provas de menor importância no calendário, mas importantes para quem está a tentar afirmar-se na modalidade. "Estar na Hagens Berman Axeon é perfeito para mim agora. Podemos estar em algumas corridas do World Tour, como a Volta à Califórnia, mas também em corridas de sub-23 e provas mais pequenas. Penso que essa combinação é boa para ciclistas jovens como eu", referiu.

Ter os pés mais assentes na terra seria difícil. Nem todos são um Egan Bernal que chega ao World Tour e conquista de imediato excelentes resultados. Com tantos jovens talentosos e com lugares limitados nas equipas, principalmente para quem procura destaque, a postura de Bjerg passa por evoluir onde tem espaço para quando optar por dar o salto, ser um em que aterre no World Tour para ficar.

Estar na equipa que está é uma enorme ajuda, pois há formações que não se importam de deixar ciclistas que pretendam contratar continuar a competir onde vêem que podem continuar a sua progressão, antes de finalmente os contratarem, quando estiverem no ponto, por assim dizer. Brent Van Moer partilha um discurso idêntico ao de Bjerg. Ficou muito tempo no trono do contra-relógio dos sub-23, até que o dinamarquês, o último em prova, lhe tirou o melhor tempo (Bjerg completou os 27,8 quilómetros em 32:31 minutos).

"Tenho 20 anos e acho que não é bom ir demasiado cedo para o World Tour. É um grande passo e, às vezes, o melhor é ficar na categoria de sub-23", afirmou. O jovem belga até está a estagiar com a equipa da Lotto Soudal, mas não tem pressa de agarrar o lugar permanente. Claro que nem todos partilham desta ideia. Nesta prova dos Mundiais de Innsbruck estiveram ciclistas que já estão no escalão principal ou têm lugar garantido em 2019. Edoardo Affini e Callum Scotson vão para a Mitchelton-Scott, enquanto Pascal Eenkhoorn está na Lotto-Jumbo, Lennard Kämna na Sunweb e Mark Padun na Bahrain-Merida.

Em corridas como esta na Áustria, a experiência de World Tour pode não ser a que mais diferenças faz. A provar estão não só Bjerg e Moer, mas também Mathias Norsgaard Jorgensen (terceiro, a 38 segundos). Tem 21 anos, é outro dinamarquês e está na equipa do seu país Riwal CeramicSpeed, do escalão Continental, com um contrato até 2020.

As oportunidades são para se agarrar, senão Moer não estaria a estagiar na Lotto Soudal. Porém, com um nível tão alto de ciclismo, há quem prefira dar um passo mais seguro, do que antecipar um, que possa depois obrigar a dar algum atrás. Certo é que pelo menos Bjerg e Moer não são desconhecidos entre as grandes equipas. Tal como Ivo Oliveira e João Almeida também já não o são.

Ivo Oliveira foi 28º (Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Os dois portugueses que estiveram no contra-relógio de sub-23 dos Mundiais terminaram no top 30, enquanto viram o seu colega de equipa vestir novamente a camisola do arco-íris. Perante o percurso com algumas subidas, Ivo esperava terminar no top 20, melhorando assim o seu resultado de Bergen, onde foi 21º. No entanto, ficou na 28ª posição, a 1:34 de Bjerg. "Até me sentia bem, mas quebrei um pouco na fase intermédia da prova. Talvez não fosse o meu dia. Sem querer encontrar desculpas, reconheço que o vento de costas em quase 90% do percurso acabou por favorecer os ciclistas mais pesados", afirmou, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

João Almeida terminou na 30º posição (Fotografia. Federação Portuguesa de Ciclismo)
Para o gémeo é o fim dos Mundiais este ano, já que a prova de fundo não se adapta às suas características. Já João Almeida está com os olhos postos nessa corrida. Foi 30º no contra-relógio, a 1:40. Um percurso mais duro beneficiaria muito mais o vice-campeão nacional da especialidade do seu escalão, com Ivo a ser o campeão em título. "Estou contente com o meu desempenho. Acho que fiz um bom resultado para as minhas características, até porque o meu objectivo principal é a prova de fundo. Apesar do foco na corrida de sexta-feira, fiz questão de participar no contra-relógio, porque é sempre uma boa preparação, uma oportunidade para 'abrir o capô', como se costuma dizer." (Pode ver aqui os resultados completos.)


Foi a terceira participação de Ivo e a estreia no escalão de João Almeida. Nesta terça-feira será a vez dos juniores entrarem em acção. José Poeira escolheu os dois últimos campeões nacionais: o actual é Guilherme Mota e Afonso Silva foi em 2017, no seu primeiro ano como júnior. Não se compromete com nenhuma posição em específico, pois o percurso, o mesmo dos sub-23 (gráfico em cima), não assenta na perfeição a nenhum deles. Silva refere que vai apontar ao melhor que conseguir, já Mota aponta ao top 10, ficando satisfeito se fechar entre os 20 primeiros. O melhor que Portugal conseguiu em júnior foi um sexto lugar, por intermédio de Sérgio Paulinho, em 1998.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
"É um contra-relógio com partes técnicas, o que me favorece, mas é muito rápido e nós estamos mais acostumados a contra-relógios mais duros, mas espero que nos adaptemos bem. Neste ano já tenho feito contra-relógios longos e tenho-me sentido melhor nas partes finais. Acho que a distância não será um problema. No Campeonato da Europa fiquei a dois segundos do top 10. Se conseguisse entrar nos dez melhores no Mundial seria fantástico", salientou Guilherme Mota.

"É uma prova que favorece os contra-relogistas possantes, os corredores mais altos e pesados. Tanto o Afonso como o Guilherme não correspondem a esse perfil, mas são dois bons contra-relogistas e vão dar o máximo, mesmo tendo em atenção que o foco principal está colocado na prova de fundo, a disputar na quinta-feira", explicou o seleccionador nacional.

Afonso Silva será o primeiro dos portugueses a partir para o percurso de 27,8 quilómetros às 9:50:30. Guilherme Mota sairá às 10:30:30 (hora portuguesa). O Eurosport está a transmitir os Mundiais de Innsbruck.

O terceiro dia dos Mundiais austríacos irá terminar com o contra-relógio feminino de elite (não há o escalão de sub-23). A argentina Fernanda Yapura será a primeira ciclista a ir para a estrada, às 13:40. A campeã em título, a holandesa Annemiek van Vleuten, será a última a sair, às 14:56:30. Serão 27,8 quilómetros com muitas zonas planas, mas também com algumas subidas, que podem contribuir para as diferenças (gráfico em baixo).

A Holanda já tem um título em Innsbruck, com a ciclista de 18 anos Rozemarijn Ammerlaan a vencer na categoria de juniores. Ammerlaan completou os 20 quilómetros em 27:02, menos sete segundos do que a italiana Camilla Alessio (17 anos) e 18 do que a britânica Elynor Bäckstedt (16). Resultados completos neste link.

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23 de setembro de 2018

Primeiros títulos mundiais atribuídos. Venha agora o talento português

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Ivo Oliveira e João Almeida são dois dos maiores talentos da nova geração de ciclistas portugueses. Ambos estão naquela que é vista por muitos a melhor equipa de formação do mundo e se um soma títulos na pista e começou a sua afirmação na estrada, outro conquistou de rompante grandes resultados. Foram os escolhidos por José Poeira para o contra-relógio de sub-23. Campeão e vice-campeão nacionais da categoria nesta vertente, não estão em Innsbruck com grandes sonhos, mas não significa que a ambição não esteja lá.

Para Ivo Oliveira, 22 anos, será a terceira presença consecutiva. Foi 36º em Doha e 21º em Bergen. O principal objectivo passa por terminar no top 20 e depois... Ir o mais além possível. "Desta vez era bom entrar no top 20 ou, quem sabe, fazer melhor. Gosto do percurso, porque tem algum sobe e desce. O início é muito a rolar, mas depois há partes duras. Assim é que deve ser um contra-relógio e não totalmente plano. Vamos ver como é que corre", explicou, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Estamos perante um ciclista que tem tudo para se tornar num especialista nesta vertente, não fosse ele o vice-campeão do mundo e europeu de perseguição individual, na pista. Os 27,8 quilómetros entre Hall-Wattens e Innsbruck assentam bem ao gémeo, mas já João Almeida prefere umas subidas mais exigentes, ele que é um estreante nesta competição neste escalão. "O contra-relógio não é totalmente ao meu jeito, mas sei que consigo bons resultados nos exercícios individuais. Esta prova vai tornar-se dura, por ser muito rápida. É pena que tenha apenas alguns topos e não uma subida dura, como no contra-relógio de elite, o que permitiria fazer maiores diferenças", afirmou. Mesmo não sendo o percurso que mais entusiasma Almeida (20 anos), o corredor está confiante que pode alcançar um resultado muito positivo.



No seu primeiro ano na Hagens Berman Axeon, João Almeida venceu a Liège-Bastogne-Liège de sub-23, foi quinto na Ronde l'Isard, segundo no Giro d'Italia, sétimo no Tour de l'Avenir e foi segundo em ambas as provas de sub-23 nos Nacionais (contra-relógio e fundo). Uma temporada exemplar de um ciclista que ainda tem uma enorme margem de progressão.

O contra-relógio dos sub-23 começa às 13:40 (hora portuguesa) - gráfico de cima -, mas o programa do segundo dia de corridas dos Mundiais de Innsbruck2018 começa às 9:10, com o contra-relógio de juniores femininos (gráfico de baixo). Ivo Oliveira irá para a estrada às 14:07 e João Almeida às 15:05:30. A transmissão está a cargo do Eurosport.



Quick-Step Floors recupera título

E são quatro títulos mundiais. A equipa belga continua a impressionante senda de 2018 e acrescentou mais duas vitórias à extensa lista: 69. Pouco antes da Quick-Step Floors celebrar o título mundial, Philipe Gilbert regressou à competição após a queda na Volta a França com um triunfo no Grand Prix d'Isbergues-Pas de Calais, em França. Na Áustria, Bob Jungels, Kasper Asgreen, Yves Lampaert, Laurens de Plus, Max Schachmann e Niki Terpstra foram perfeitos nos 62,8 quilómetros, com uma subida de cinco a cerca de 20 do fim. Completaram o percurso em 1:97:26 horas, com uma média de 55,9 quilómetros/hora. Terpstra está de saída da Quick-Step Floors para a Direct Energie, mas o holandês agradeceu a oportunidade de conquistar mais um título, ele que é o único a estar nos quatro.

Não começaram como os mais rápidos, mas geriram o esforço para deixar a Sunweb, que era a campeã em título, a 18 segundos e a BMC (bicampeã) a 19. O único português que participou nesta competição colectiva foi Nelson Oliveira, que foi importante para a Movistar alcançar um resultado um pouco inesperado. A equipa espanhola foi sexta, a 1:32 minutos. O tetracampeão nacional da especialidade mostrou estar bem, tal como já o tinha feito na Vuelta, e será um ciclista a ter em atenção para o contra-relógio individual de quarta-feira.

Pela negativa destaca-se a AG2R e a Lotto-Jumbo, que foram batidas por equipas Continentais. Já a Katusha-Alpecin viu um furo na subida a prejudicar a equipa. Só tinha quatro corredores - os necessários para acabar o contra-relógio - e os ciclistas foram obrigados a esperar por Nils Politt. Foram várias as equipas que alertaram para a necessidade de ter cinco corredores no início da subida. A Katusha-Alpecin pagou caro não ter mantido essa táctica.

Pode ver aqui a classificação completa do contra-relógio colectivo.

Foram as senhoras que abriram os Mundiais e logo com uma surpresa. A alemã Canyon SRAM Racing bateu as super favoritas Boels-Dolmans e Sunweb, que, tal como nos homens, era a campeã em título. Trix Worrack, Lisa Klein, Elena Cecchini, Hannah Barnes, Alice Barnes e Alena Amialiusik completaram os 54,5 quilómetros em 1:01:46 horas, com as equipas holandesas a ficarem a 22 e 29 segundos, respectivamente (resultados completos neste link). A média foi de 52,9 quilómetros/hora.

Apesar de não estar entre as principais favoritas este ano, a Canyon SRAN Racing sabe o que é vencer esta prova. Foi o quinto título mundial - ainda que com outros nomes, Specialized-lululemon (2012, 2013 e 2014) e Velocio-SRAM (2015), com a alemã Trix Worrack a estar presente em todos.

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22 de setembro de 2018

Um dos Mundiais mais difícil da história começa com duas despedidas

(Fotografia: Facebook BMC Racing Team)
David Lappartient ainda mal tinha tomado posse como presidente da UCI e já estava a anunciar que ia acabar com o contra-relógio por equipas nos Mundiais. Pelo menos nos actuais moldes, ou seja, as formações dos três escalões deixam de ter acesso a esta prova. Eventualmente poderá regressar o contra-relógio colectivo por selecções. E por falar em despedidas, serão a dobrar, pois a BMC vai tentar dizer adeus com um terceiro título. A estrutura prepara-se para mudar de nome e muitos dos seus ciclistas estão de partida para outras equipas.

Dos seis que vão compor a BMC, apenas Greg van Avermaet e Patrick Bevin irão continuar naquela que será a CCC, ainda que o nome não esteja confirmado, Porém, todos querem uma última grande vitória de uma equipa que é rainha nos contra-relógios colectivos. Este ano soma três triunfos, incluindo na Volta a França, ao que acresce dez em contra-relógios individuais, seis das quais por intermédio Rohan Dennis. O australiano tem bem definido o objectivo de ficar com o título mundial, que se irá disputar na quarta-feira e é um dos principais favoritos. Mas antes é uma questão de honra fechar a presença da BMC como patrocinador principal com um título que premiará aquela que é uma das equipas mais fortes nesta vertente.

Além de Rohan Dennis (está de saída para a Bahrain-Merida), Greg van Avermaet e Patrcik Bevin, a BMC chamou Stefan Küng (vai para a Groupama-FDJ), Damiano Caruso (Bahrain-Merida) e Tejay van Garderen (EF Education First-Drapac p/b Cannondale).

A BMC venceu em 2014 e 2015, mas é a Quick-Step Floors que tem mais títulos: 2012, 2013 e 2016. Curiosamente, também haverá quem fará a sua despedida, pois três dos seis ciclistas já assinaram por outras equipas para a próxima temporada: Laurens de Plus vai para a Jumbo (a Lotto deixará de patrocinar a equipa), Max Schachmann  assinou pela Bora-Hansgrohe e Niki Terpstra mudar-se-á para a Direct Energie. Bob Jungels, Kasper Asgreen, Yves Lampaert completam o sexteto que irá atacar o quarto título mundial. A Quick-Step Floors só venceu um contra-relógio colectivo esta temporada, na Adriatica Ionica, em Itália.

Naquela que será uma curta história desta competição, que começou me 2012, a Sunweb quebrou o hegemonia das duas equipas anteriores no ano passado. Individualmente Tom Dumoulin persegue o segundo título consecutivo, mas o holandês quer repetir o duplo sucesso de 2017. Apesar de estar perder alguns ciclistas importantes, os que estarão em Innsbruck vão todos continuar na formação na próxima temporada e até mais além: Wilco Kelderman, Sam Oomen, Michael Matthews, Chad Haga, Soren Kragh Andersen, além de Dumoulin. De destacar que a Sunweb é também a campeã do mundo em título entre as senhoras.

A este trio de óbvio de candidatos junta-se a Sky (terceira há um ano) e a Mitchelton-Scott. Começando pela equipa australiana. Em seis edições somou quatro pódios! Mas nenhuma vitória. Dois segundos e dois terceiros. Tem uma última oportunidade para ajustar contas com uma prova que em 2013 escapou-lhe por um segundo. Jack Bauer, Luke Durbridge, Michael Hepburn, Daryl Impey, Cameron Meyer e Matteo Trentin têm bem claro que é para ganhar.

Quanto à Sky, apesar de Chris Froome e Geraint Thomas terem optado por não viajar para Innsbruck para nenhuma das corridas, a equipa não deixa de ser interessante: Michal Kwiatkowski, Jonathan Castroviejo, Vasil Kiryenka (campeão do mundo de contra-relógio em 2015), Gianni Moscon, Ian Stannard e Owain Doull. Castroviejo e Stannard substituem os dois britânicos comparativamente à equipa que esteve em Bergen.

Com um ciclista quatro vezes campeão do mundo da especialidade, Tony Martin, e outro dos melhores, Alex Dowsett, a Katusha-Alpecin é uma equipa a ter em conta. Porém, ambos têm estado longe do seu melhor. Nathan Haas, Reto Hollenstein, Nils Politt e Mads Würtz Schimdt completam o seis escolhido.

Nelson Oliveira (Movistar) será o único português nesta competição e terá a seu lado Andrey Amador, Winner Anacona, Imanol Erviti, Marc Soler e Jasha Sütterlin. Não é uma equipa que aspire a uma medalha, mas Oliveira aparece na lista de candidatos quando se fala do contra-relógio individual de quarta-feira.



O percurso terá 62,8 quilómetros, mais 20 do que em Bergen2017. Não só testará os limites da resistência pela sua extensão, como uma subida de cerca de cinco quilómetros, aos 40, poderá fazer a diferença (gráfico de cima). Quanto às senhoras, não terão essa dificuldade, com a distância a ser de 54,5 (gráfico em baixo).



Estarão presentes 12 equipas do World Tour, uma do escalão Profissional Continental, a CCC Sprandi Polkowice, e nove Continentais. É o arranque oficial de uns Mundiais muito esperados devido às dificuldades da corrida de fundo, com 4670 metros de acumulado à espera dos ciclistas e pendentes de fazer quebrar o melhor dos trepadores. Mas essa é só domingo, dia 30. Para já, é o contra-relógio colectivo que irá definir os primeiros campeões de mundo na Áustria. E até quarta-feira será esta especialidade que estará em destaque, ainda que a partir de segunda-feira será a nível individual (pode ver neste link quando participam ciclistas portugueses).

Aqui ficam os horários de partida para a prova feminina e masculina (hora portuguesa). Ambas serão transmitidas no Eurosport.

9:10 - Bepink (Itália)
9:13 - Team Virtu Cycling (Dinamarca)
9:16 - Parkhotel Valkebug (Holanda)
9:19 - Cogeas-Mettler Pro Cycling Team (Rússia)
9:22 - BTC City Ljubljana (Eslovénia)
9:25 - Valcar PBM (Itália)
9:28 - Wiggle High5 (Grã-Bretanha)
9:31 - Ale Cipollini (Itália)
9:34 - Canyon//Sram Racing (Alemanha)
9:37 - Mitchelton-Scott (Austrália)
9:40 - Boels Dolmans (Holanda)
9:43 - Sunweb (Holanda)

13:40 - Tirol Cycling Team (Áustria)
13:43 - WSA Pushbikers (Áustria)
13:46 - Hrinkow Advarics Cycleang (Áustria)
13:49 - Dukla Banska Bustrica (Eslováquia)
13:52 - Lotto-Kern Haus (Alemanha)
13:55 - Sangemini-MG. K Vis-Vega (Itália)
13:58 - Voralberg Santic (Áustria)
14:01 - Felbermayr Simplon Wels (Áustria)
14:04 - Elkov-Author (República Checa)
14:07 - CCC Sprandi Polkowice (Polónia)
14:10 - Katusha-Alpecin (Suíça)
14:13 - Trek-Segafredo (EUA)
14:16 - AG2R La Mondiale (França)
14:19 - Lotto-Jumbo (Holanda)
14:22 - Astana (Cazaquistão)
14:25 - Movistar (Espanha)
14:28 - Mitchelton-Scott (Austrália)
14:31 - Bora-Hansgrohe (Alemanha)
14:34 - Quick-Step Floors (Bélgica)
14:37 - Sky (Grã-Bretanha)
14:40 - BMC
14:43 - Sunweb


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