14 de julho de 2018

As prestações dos candidatos no pavé do Tour

(Fotografia: Facebook Paris-Roubaix)
Para os amantes das clássicas do pavé, a etapa deste domingo é muito bem-vinda. Mesmo que não se goste tanto deste tipo de terreno, a verdade é que este é um dia que poderá marcar a Volta a França. Se já não tem sido nada fácil pedalar em alcatrão, o pavé apresenta-se como provável palco de mais uma autêntica batalha pela sobrevivência. Os principais objectivos dos homens da geral passam simplesmente por, primeiro, não cair e chegar a Roubaix sem mazelas físicos, o segundo, perder o menos tempo possível.

As edições mais recentes que incluíram pavé e que contaram com alguns dos actuais candidatos à geral foram em 2014 e 2015. E se há alguém que tem boas recordações é Vincenzo Nibali. Em 2014 começou a construir a sua vitória no Tour precisamente sobre o pavé, com uma ajuda importante de Jakob Fuglsang, então seu companheiro na Astana, mas que agora será o seu rival, dada a mudança do italiano para a Bahrain-Merida. Nessa edição foram nove sectores em 155,5 quilómetros entre Ypres e Arenberg Porte du Hainaut.

Com a meteorologia a ajudar a tornar aquela quinta etapa mais caótica, Nibali ganhou tempo a todos e ainda viu Chris Froome abandonar. Uma queda ainda antes de chegar ao primeiro dos sectores de pavé atirou o britânico para fora da corrida. Sem o líder, Richie Porte e Geraint Thomas receberam luz verde para fazer a sua prova. Perderam 1:52 minutos para Nibali. Alejandro Valverde e Romain Bardet cortaram a meta a 2:09, acompanhados por Tom Dumoulin. Destes nomes, era Valverde o único a ser um candidato, os restantes eram ainda jovens promessas.

Como curiosidade, Alberto Contador perdeu mais de 2:30 para Nibali nesse dia, com o italiano quase a ganhar a etapa. Foi terceiro, a 19 segundos de Lars Boom, com Fuglsang a ser segundo. Contador abandonaria também ele mais tarde essa Volta a França, para seu grandes desgosto, pois ainda hoje recorda como se sentia na forma da sua vida, tendo ficado muito grato por, pelo menos, não ter caído na etapa do pavé. O problema é que mais tarde foi mesmo uma queda a obrigá-lo a desistir.

Em 2015 a etapa (a quarta) foi um pouco diferente. Mais longa (223,5 quilómetros), com "apenas" sete sectores. Entre os então candidatos - Froome, Nibali e Quintana - não se fizeram diferenças e até só perderam três segundos para o vencedor, Tony Martin. Ainda assim, não foi fácil, principalmente para Nairo Quintana, que então tinha assumido o papel de líder na Movistar. Froome e a Sky chegaram mesmo a acelerar o ritmo e o colombiano teve de se aplicar e sofrer muito. Mas aguentou-se. Rigoberto Uran, Romain Bardet, Bauke Mollema, Geraint Thomas, todos ficaram no grupo principal. Richie Porte chegou muito atrasado, mas ainda estava na Sky como gregário de Froome.

Adam Yates e Rafal Majka, então ainda numa fase de evolução, ou seja, não era líderes para lutar pela geral, cortaram a meta a mais de cinco minutos. Bob Jungels perdeu quase 17! Passaram-se três anos e muito mudou, principalmente com os jovens ciclistas daquele ano a tornarem-se agora as figuras das equipas. Outra responsabilidade, outra preparação.

Esta época não foi invulgar ver alguns destes voltistas aparecer em corridas de pavé. Basicamente foram notícia no princípio, porque estavam presentes onde jamais estariam numa situação normal - ou seja, se não houvesse pavé no Tour -, e no fim, para se saber como tinha sido a experiência. A Através da Flandres contou com alguns destes ciclistas, sem compleição física para este tipo de corridas. Nairo Quintana deve ter rogado muitas pragas! Apanhou uns valentes sustos, mas chegou ao fim, tal como Romain Bardet. Já Alejandro Valverde descobriu que é mais uma terreno que se adapta perfeitamente. Foi 11º e para o ano já quer ir à Volta a Flandres. Mais do que nunca o espanhol poderá ser essencial para Quintana e Landa. Ou então ser ele a ganhar alguma vantagem... Mikel Landa esteve na E3 Harelbeke e saiu de lá a saber o que é cair no pavé.

Outros ciclistas prefiram fazer antes o reconhecimento dos pavés que estarão na etapa, em vez de participar em corridas. Casos de Chris Froome, Tom Dumoulin, Rigoberto Uran e Ilnur Zakarin, por exemplo. Uran terá a seu lado um dos especialistas neste tipo de provas, Sep Vanmarcke. O mesmo se pode dizer de Rafal Majka, que tem o mais recente vencedor do Paris-Roubaix, Peter Sagan. Ver o eslovaco abdicar de uma vitória numa etapa que tanto o deve atrair, seria quase um crime. E mesmo a EF Education First-Drapa p/b Cannondale deverá pensar se Vanmarcke não poderá ter alguma liberdade. Afinal uma vitória de etapa é sempre importante e Uran demonstrou em 2015 que até nem passa mal o pavé. Na mesma situação está Richie Porte na BMC. Greg van Avermaet seria o apoio perfeito, mas é também uma etapa que quererá muito tentar vencer, até porque ganhou em Roubaix em 2017. Muitas decisões difíceis a tomar em algumas equipas.

O apoio aos líderes poderá ser essencial para minimizar perdas de tempo e quanto maior experiência houver de alguns ciclistas para ajudar, melhor poderá ser o resultado final. 

Serão 15 sectores entre Arras Citadelle e Roubaix (156,5 quilómetros).


Gaviria e Greipel penalizados por andarem às cabeçadas

Dylan Groenewegen também fez a dupla após os 181 quilómetros entre Dreux e Amiens Métropole, pelo que há um empate em vitórias de etapa com Fernando Gaviria e Peter Sagan. O holandês da Lotto-Jumbo voltou a ser muito convincente no sprint e está a partilhar protagonismo com um Gaviria que se esperava que pudesse ser um dominador neste campo. Mas assim, com maior indefinição, os sprints estão a ser muito mais interessante Quanto a Sagan é sempre um protagonista, vença ou não. Desta feita foi quarto, mas acabou por subir ao segundo lugar devido às penalizações dadas ao colombiano (inicialmente segundo) e a André Greipel (terceiro).

O alemão da Lotto Soudal deu uma cabeçada em Nikias Arndt (Sunweb). Depois foi a "vítima" da cabeça de Gaviria que ao sentir-se ser apertado contra as barreiras acabou por reagir. Acabaram relegados para a última posição do grupo da frente, perdendo as bonificações e os pontos para a camisola verde, que continua segura no corpo de Sagan.

Os momentos tensos dos sprints não são nenhuma novidade e naturalmente que nenhum dos ciclistas ficou satisfeito com a decisão. Patrick Lefevere, director da Quick-Step Floors, tentou justificar as acções do seu ciclista. Considera que a primeira cabeçada de Gaviria foi para não ir contra as barreiras, enquanto a segunda, foi um encosto na tentativa de arranjar espaço para passar. Lefevere salientou que não houve maldade por parte de Gaviria e até referiu que não acredita ser possível desviar daquela forma um ciclista como Greipel, que pesa 85 quilos.

Com razões para estar bem mais insatisfeito, Daniel Martin até tentou ver o lado positivo de um dia que poderia ter acabado com o seu Tour. O irlandês foi vítima de uma queda a menos de 20 quilómetros da meta. Ficou muito mal tratado, mas já garantiu que, apesar do aparato da queda e do seu estado físico, não tem nada partido. "Podia ter sido pior. Preciso de me manter focado e tentar sobreviver ao pavé e depois veremos como estaria após o dia de descanso [segunda-feira]", disse. Ainda assim, não era certamente dorido e com mais 1:16 minutos perdidos no dia de hoje que o irlandês da UAE Team Emirates - que já ganhou uma etapa - queria partir para a tirada de amanhã, com os sectores de pavé à sua espera.

Pode ver aqui as classificações.

 


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»»O que comem os ciclistas durante uma grande volta?««

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