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14 de julho de 2018

As prestações dos candidatos no pavé do Tour

(Fotografia: Facebook Paris-Roubaix)
Para os amantes das clássicas do pavé, a etapa deste domingo é muito bem-vinda. Mesmo que não se goste tanto deste tipo de terreno, a verdade é que este é um dia que poderá marcar a Volta a França. Se já não tem sido nada fácil pedalar em alcatrão, o pavé apresenta-se como provável palco de mais uma autêntica batalha pela sobrevivência. Os principais objectivos dos homens da geral passam simplesmente por, primeiro, não cair e chegar a Roubaix sem mazelas físicos, o segundo, perder o menos tempo possível.

As edições mais recentes que incluíram pavé e que contaram com alguns dos actuais candidatos à geral foram em 2014 e 2015. E se há alguém que tem boas recordações é Vincenzo Nibali. Em 2014 começou a construir a sua vitória no Tour precisamente sobre o pavé, com uma ajuda importante de Jakob Fuglsang, então seu companheiro na Astana, mas que agora será o seu rival, dada a mudança do italiano para a Bahrain-Merida. Nessa edição foram nove sectores em 155,5 quilómetros entre Ypres e Arenberg Porte du Hainaut.

Com a meteorologia a ajudar a tornar aquela quinta etapa mais caótica, Nibali ganhou tempo a todos e ainda viu Chris Froome abandonar. Uma queda ainda antes de chegar ao primeiro dos sectores de pavé atirou o britânico para fora da corrida. Sem o líder, Richie Porte e Geraint Thomas receberam luz verde para fazer a sua prova. Perderam 1:52 minutos para Nibali. Alejandro Valverde e Romain Bardet cortaram a meta a 2:09, acompanhados por Tom Dumoulin. Destes nomes, era Valverde o único a ser um candidato, os restantes eram ainda jovens promessas.

Como curiosidade, Alberto Contador perdeu mais de 2:30 para Nibali nesse dia, com o italiano quase a ganhar a etapa. Foi terceiro, a 19 segundos de Lars Boom, com Fuglsang a ser segundo. Contador abandonaria também ele mais tarde essa Volta a França, para seu grandes desgosto, pois ainda hoje recorda como se sentia na forma da sua vida, tendo ficado muito grato por, pelo menos, não ter caído na etapa do pavé. O problema é que mais tarde foi mesmo uma queda a obrigá-lo a desistir.

Em 2015 a etapa (a quarta) foi um pouco diferente. Mais longa (223,5 quilómetros), com "apenas" sete sectores. Entre os então candidatos - Froome, Nibali e Quintana - não se fizeram diferenças e até só perderam três segundos para o vencedor, Tony Martin. Ainda assim, não foi fácil, principalmente para Nairo Quintana, que então tinha assumido o papel de líder na Movistar. Froome e a Sky chegaram mesmo a acelerar o ritmo e o colombiano teve de se aplicar e sofrer muito. Mas aguentou-se. Rigoberto Uran, Romain Bardet, Bauke Mollema, Geraint Thomas, todos ficaram no grupo principal. Richie Porte chegou muito atrasado, mas ainda estava na Sky como gregário de Froome.

Adam Yates e Rafal Majka, então ainda numa fase de evolução, ou seja, não era líderes para lutar pela geral, cortaram a meta a mais de cinco minutos. Bob Jungels perdeu quase 17! Passaram-se três anos e muito mudou, principalmente com os jovens ciclistas daquele ano a tornarem-se agora as figuras das equipas. Outra responsabilidade, outra preparação.

Esta época não foi invulgar ver alguns destes voltistas aparecer em corridas de pavé. Basicamente foram notícia no princípio, porque estavam presentes onde jamais estariam numa situação normal - ou seja, se não houvesse pavé no Tour -, e no fim, para se saber como tinha sido a experiência. A Através da Flandres contou com alguns destes ciclistas, sem compleição física para este tipo de corridas. Nairo Quintana deve ter rogado muitas pragas! Apanhou uns valentes sustos, mas chegou ao fim, tal como Romain Bardet. Já Alejandro Valverde descobriu que é mais uma terreno que se adapta perfeitamente. Foi 11º e para o ano já quer ir à Volta a Flandres. Mais do que nunca o espanhol poderá ser essencial para Quintana e Landa. Ou então ser ele a ganhar alguma vantagem... Mikel Landa esteve na E3 Harelbeke e saiu de lá a saber o que é cair no pavé.

Outros ciclistas prefiram fazer antes o reconhecimento dos pavés que estarão na etapa, em vez de participar em corridas. Casos de Chris Froome, Tom Dumoulin, Rigoberto Uran e Ilnur Zakarin, por exemplo. Uran terá a seu lado um dos especialistas neste tipo de provas, Sep Vanmarcke. O mesmo se pode dizer de Rafal Majka, que tem o mais recente vencedor do Paris-Roubaix, Peter Sagan. Ver o eslovaco abdicar de uma vitória numa etapa que tanto o deve atrair, seria quase um crime. E mesmo a EF Education First-Drapa p/b Cannondale deverá pensar se Vanmarcke não poderá ter alguma liberdade. Afinal uma vitória de etapa é sempre importante e Uran demonstrou em 2015 que até nem passa mal o pavé. Na mesma situação está Richie Porte na BMC. Greg van Avermaet seria o apoio perfeito, mas é também uma etapa que quererá muito tentar vencer, até porque ganhou em Roubaix em 2017. Muitas decisões difíceis a tomar em algumas equipas.

O apoio aos líderes poderá ser essencial para minimizar perdas de tempo e quanto maior experiência houver de alguns ciclistas para ajudar, melhor poderá ser o resultado final. 

Serão 15 sectores entre Arras Citadelle e Roubaix (156,5 quilómetros).


Gaviria e Greipel penalizados por andarem às cabeçadas

Dylan Groenewegen também fez a dupla após os 181 quilómetros entre Dreux e Amiens Métropole, pelo que há um empate em vitórias de etapa com Fernando Gaviria e Peter Sagan. O holandês da Lotto-Jumbo voltou a ser muito convincente no sprint e está a partilhar protagonismo com um Gaviria que se esperava que pudesse ser um dominador neste campo. Mas assim, com maior indefinição, os sprints estão a ser muito mais interessante Quanto a Sagan é sempre um protagonista, vença ou não. Desta feita foi quarto, mas acabou por subir ao segundo lugar devido às penalizações dadas ao colombiano (inicialmente segundo) e a André Greipel (terceiro).

O alemão da Lotto Soudal deu uma cabeçada em Nikias Arndt (Sunweb). Depois foi a "vítima" da cabeça de Gaviria que ao sentir-se ser apertado contra as barreiras acabou por reagir. Acabaram relegados para a última posição do grupo da frente, perdendo as bonificações e os pontos para a camisola verde, que continua segura no corpo de Sagan.

Os momentos tensos dos sprints não são nenhuma novidade e naturalmente que nenhum dos ciclistas ficou satisfeito com a decisão. Patrick Lefevere, director da Quick-Step Floors, tentou justificar as acções do seu ciclista. Considera que a primeira cabeçada de Gaviria foi para não ir contra as barreiras, enquanto a segunda, foi um encosto na tentativa de arranjar espaço para passar. Lefevere salientou que não houve maldade por parte de Gaviria e até referiu que não acredita ser possível desviar daquela forma um ciclista como Greipel, que pesa 85 quilos.

Com razões para estar bem mais insatisfeito, Daniel Martin até tentou ver o lado positivo de um dia que poderia ter acabado com o seu Tour. O irlandês foi vítima de uma queda a menos de 20 quilómetros da meta. Ficou muito mal tratado, mas já garantiu que, apesar do aparato da queda e do seu estado físico, não tem nada partido. "Podia ter sido pior. Preciso de me manter focado e tentar sobreviver ao pavé e depois veremos como estaria após o dia de descanso [segunda-feira]", disse. Ainda assim, não era certamente dorido e com mais 1:16 minutos perdidos no dia de hoje que o irlandês da UAE Team Emirates - que já ganhou uma etapa - queria partir para a tirada de amanhã, com os sectores de pavé à sua espera.

Pode ver aqui as classificações.

 


»»Groenewegen venceu e iniciou uma rivalidade numa etapa que até aborreceu Sagan««

»»O que comem os ciclistas durante uma grande volta?««

17 de junho de 2018

Bardet, AG2R e os contra-relógios

(Fotografia: © AG2R La Mondiale)
Dois pódios (um segundo e um terceiro lugar), três etapas, muita atitude e garra e talento não lhe falta. Romain Bardet tornou-se a esperança francesa de ver um seu ciclista ganhar o Tour, eclipsada que vai parecendo estar a esperança anterior, Thibaut Pinot. Ao contrário do seu compatriota que teve uma ascensão meteórica e se viu rodeado de uma pressão mediática que talvez não tivesse preparado para lidar, Bardet foi conquistando o seu estatuto e soube sempre ir afastando a inevitável pressão que surge quando há um francês de qualidade que aparece. Afinal são mais de 30 anos sem um francês ganhar em casa, depois de Bernard Hinault. Mas a atitude que o torna mentalmente forte, também o ameaça trair.

A postura de achar que não é preciso trabalhar mais os contra-relógios quase lhe custou o pódio há um ano. Segurou por um segundo. Curiosamente, as bonificações que conquistou noutras etapas acabaram por ser decisivas, sendo que Bardet é contra esse sistema. O ciclista pode achar que consegue ganhar o Tour só nas montanhas, a AG2R é que não concorda. O contra-relógio tem cada vez mais conquistada relevância na decisão destas provas (e não só). Não é preciso ser um especialistas, mas ou Bardet se defende, ou fica a ver os adversários passarem-lhe à frente. Bardet é fraco nesta vertente e com o Tour deste ano a recuperar o contra-relógio colectivo, a equipa não hesitou. O treino intensificou-se e o resultado já esteve à vista.

No Critérium du Dauphiné, a AG2R perdeu 1:30 para a vencedora, a Sky, em 35 quilómetros, a mesma distância que está prevista na Volta a França, na terceira etapa. Para a AG2R foi algo extremamente positivo. Soube quase a vitória! É uma equipa de bons trepadores, que dão cada vez mais garantias de um apoio sólido a Bardet. Mas se no contra-relógio as perdas não forem minimizadas, então de pouco servirá quando enfrentar uma Sky, Movistar, Sunweb e BMC, fortíssimas neste aspecto.

"Desde Dezembro que temos trabalhado o contra-relógio por equipas. Fizemos testes no túnel de vento, testámos equipamentos e
 trabalhámos em diferentes elementos. As melhores não são enormes, mas tirámos vários segundos e as corridas decidem-se assim", explicou o director da equipa, Vincent Lavenu.

Romain Bardet tem feito uma época até um pouco surpreendente. Apareceu muito forte nas clássicas, tendo sido segundo no sterrato da Strade Bianche - só foi batido por Tiesj Benoot -  e antes até tinha ganho em França na Faun Environnement-Classic de l'Ardèche Rhône Crussol. Andou mais discreto no Tirreno-Adriatico e na Volta ao País Basco (foi 13º nas duas), reapareceu nas Ardenas, sendo terceiro na Liège-Bastogne-Liège e já complemente concentrado no Tour, fechou na mesma posição no Dauphiné.

Nos contra-relógios individuais que fez, foi igual a si próprio. Isto é, fraco. Porém, o trabalho que foi feito em equipa poderá dar frutos individualmente no Tour. A postura com que irá enfrentar o contra-relógio na Volta a França será bem diferente do que no Tirreno-Adriatico ou no País Basco e até mesmo no prólogo do Dauphiné. Com a excepção desta última corrida, Bardet não correu para ganhar. Já o Tour é para conquistar. Mesmo que continue sem muita vontade de trabalhar sozinho o contra-relógio, tem sido obrigado a fazê-lo com a equipa e se não ganha tanto como se se aplicasse mais, ainda assim, a AG2R terá encontrado a forma de garantir que Bardet possa defender-se melhor.

Este ano, é difícil afastar a ideia que, mais do que nunca, é possível bater Chris Froome e a Sky. Romain Bardet é um dos responsáveis por essa mudança de mentalidade, pois nos dois últimos anos tem sido dos que mais enfrenta a estrutura britânica. A AG2R não quer desperdiçar uma oportunidade de ouro de ver um seu ciclista a quebrar o longo enguiço, só por causa do contra-relógio. O individual terá 31 quilómetros e aparecerá na 20ª etapa. Ou seja, não haverá tempo para corrigir qualquer deslize. E Bardet sabe bem: por um segundo se ganha, por um segundo se perde.

»»Pinot falha Tour. Um problema ou uma oportunidade?««

»»Contador diz que o Tour será dos mais abertos dos últimos anos««

16 de janeiro de 2018

A defesa de Froome: mau funcionamento dos rins. Bardet apela a auto-suspensão

(Fotografia: Filip Bossuyt/Wikimedia Commons)
É o tudo ou nada para Chris Froome. A equipa liderada pelo advogado Mike Morgan, que está a preparar a defesa do ciclista britânico, vai apresentar uma tese que está a ser descrita como inédita: o excesso de salbutamol detectado no dia 7 de Setembro, durante a Vuelta, deveu-se ao mau funcionamento dos rins. A notícia é avançada pelo L'Equipe e perante a decisão de provar que não excedeu os níveis permitidos, começa a ganhar destaque o que poderá acontecer se se confirmar o pior: fica sem a vitória na Vuelta, é suspenso por dois anos, arrisca o despedimento da Sky e, se assim for, é o potencial final de carreira, tendo em conta a idade (32 anos).

O jornal francês avança que ainda não foi entregue na UCI qualquer defesa por parte de Chris Froome, mas o departamento anti-doping já terá chamado um especialista para analisar a eventual justificação dos rins. A tese deverá então apoiar-se num mau funcionamento dos rins, que terá permitido a acumulação do salbutamol, que deveria ter sido expelido depois de processado pelo fígado. Os valores da substância, utilizada por asmáticos (como é Froome), foram baixos nos dias antes do 7 de Setembro, segundo o L'Equipe. A tese é que quando os rins começaram a trabalhar bem, acabaram por expelir o salbutamol em níveis elevados, provocando os valores anómalos no teste anti-doping.

De recordar que Froome acusou o dobro do permitido da substância salbutamol, um pouco mais do que sucedeu com Diego Ulissi, em 2014. Porém, o italiano acabou por admitir que tinha excedido o permitido, mas sem intenção de melhorar a sua performance desportiva. A sanção máxima nestas situações é de dois anos, Ulissi foi suspenso por nove meses, pois foi tida em conta a sua atitude. Como o britânico não demonstra qualquer intenção de alterar o seu discurso, que foi desde o início - quando o caso foi tornado público - que não excedeu a quantidade permitida, Froome assume assim que irá até às últimas consequências.

Se conseguir convencer com a sua defesa e for ilibado, ainda assim poderá não ser o final do processo para o ciclista. A Agência Mundial Antidopagem poderá entrar em acção e levar o caso até ao Tribunal Arbitral do Desporto.

Bardet considera auto-suspensão uma opção

Com a temporada a arrancar, vão sendo mais os ciclistas que dão a sua opinião publicamente sobre o que está a acontecer com Chris Froome. O mais recente foi Romain Bardet. O líder da AG2R lamenta que para o salbutamol não esteja previsto uma suspensão provisória imediata, considerando que o britânico não poderá ir ao Tour como se nada se passasse, na eventualidade do processo não estar concluído em Julho. Bardet afirmou ao L'Equipe que seria uma "catástrofe para a imagem da corrida e do ciclismo", se Froome estivesse na Volta a França sem o caso estar encerrado. "Já que a Sky não age, nada impede o ciclista de tomar a decisão pessoal de se afastar enquanto espera pela decisão das autoridades", afirmou Romain Bardet.

A verdade é que estamos a meio de Janeiro, a época já começou com o Tour Down Under e a maioria dos ciclistas já anunciou os seus planos para o início de temporada. Chris Froome está num dos seus habituais estágios na África do Sul. Antes de "rebentar a bomba", tinha sido divulgado que o britânico não iria às corridas australianas, com o arranque de temporada a poder acontecer na Ruta del Sol, ou mesmo na Volta ao Algarve. Perante a polémica do salbutamol está por conhecer qual o calendário de um ciclista que queria (e certamente que continuará a querer) fazer história e vencer o Giro e o Tour em 2018.


4 de dezembro de 2017

Ataque ao Tour falhou no contra-relógio, mas AG2R ganhou força nas clássicas

Se não fosse o contra-relógio, Bardet poderia ter feito melhor no Tour
(Fotografia: Facebook AG2R)
A AG2R está numa missão de colocar Romain Bardet no primeiro lugar do pódio nos Campos Elísios e assim ter o seu ciclista a terminar com a longa espera francesa de vitorias no Tour, que dura desde 1985, ano em que Bernard Hinault ganhou. Bardet já sabe o que é ser segundo e agora terceiro. Apresenta-se como um dos ciclistas com mais capacidade para bater Chris Froome, mesmo sem ter uma equipa tão poderosa a ajudá-lo. No entanto, a AG2R terá de convencer o seu líder que o contra-relógio é de extrema importância e que Bardet não pode depender apenas da sua qualidade de excelente trepador. Por pouco, essa estranha decisão de não aperfeiçoar o esforço individual não lhe custou o pódio, que segurou por um segundo, para desespero de Mikel Landa (Sky). E se não há dúvida que o foco da equipa em Bardet é o principal, Oliver Naesen obrigou os responsáveis a olhar com mais atenção para ele. O belga está feito num excelente homem de clássicas e mesmo não sendo historicamente o ponto de maior interesse da AG2R, o facto da equipa renovar com o ciclista até 2020 quer dizer muito.

E começando precisamente por Naesen. Há um ano tinha deixado indicações que estaria preparado para assumir uma responsabilidade maior nas clássicas. E em 2016 ganhou a confiança que lhe faltava para fazer frente aos grandes nomes, como Peter Sagan, Greg van Avermaet e ainda o renascido Philippe Gilbert, a quem "tirou" a camisola de campeão belga. E que bem esteve Naesen nas clássicas do pavé. Pode apenas ter somado dois top 10 - sexto na Dwars Door Vlaanderen/A travers la Flandre e terceiro na E3 Harelbeke -, mas esteve na discussão, inclusivamente nos monumentos da Volta a Flandres e Paris-Roubaix. O sentido táctico terá de ser aperfeiçoado, que muito se ganha com experiência. Por isso mesmo, é já um ciclista que mais expectativa está a criar para 2018.

Mas atenção que Naesen é também corredor para provas por etapas e tem um especial apreço pelo Eneco Tour, agora BinckBank Tour. E quando foi preciso trabalhar para Romain Bardet no Tour, mostrou como pode ser importante na protecção ao seu líder, naquele que é o objectivo mor da AG2R.

Ranking: 9º (6316 pontos)
Vitórias: 16 (incluindo uma etapa na Volta a França e na Volta à Suíça)
Ciclista com mais triunfos: Alexandre Geniez e Alexis Vuillermoz (3)

A equipa aspirava alto. Só o pódio já não satisfaz plenamente depois de Romain Bardet ter sido segundo em 2016. Toda a temporada foi preparada a pensar no Tour, ainda que tenha começado mal com uma desqualificação no Paris-Nice. Bardet agarrou-se ao carro da equipa e ganhou uns metros de uma forma mais rápida do que o suposto. Foi o alerta que mesmo sendo francês, não haverá facilidades. Regras são regras. O ciclista respondeu como tinha de fazer: com exibições de qualidade, sem, no entanto, dar demasiado nas vistas. 

Chegou ao Tour em grande forma, mas a decisão de não treinar mais o contra-relógio custou-lhe logo a abrir 39 segundos. E ainda havia mais um esforço individual a fechar a corrida. E dá que pensar se Bardet estivesse um pouco melhor nesta especialidade. O francês esteve bem em praticamente todas as etapas de montanha, ganhou em Peyragudes e era uma verdadeira ameaça a Froome, juntamente com o surpreendente Rigoberto Uran. Tudo bem feito até ao penúltimo dia e eram 23 segundos a separar Bardet do britânico antes do contra-relógio decisivo. Acabou a corrida a 2:20...

É, sem dúvida, dos melhores trepadores da actualidade. Tem o que é preciso para ganhar uma grande volta, mas tem de melhorar um pouco mais no contra-relógio. Tem de ser capaz de se defender, ou então vai continuar a subir ao pódio, mas terá sempre alguém à sua frente. A época da AG2R centrou-se na Volta a França, apesar de ter conquistado mais algumas vitórias, principalmente em corridas em casa, o que é importante dado o patrocinador, ainda que algumas sejam de pouco relevo a nível internacional.

É tudo pelo Tour e assim vai continuar a ser, agora com os reforços gauleses Tony Gallopin (Lotto Soudal), Silvan Dillier (BMC) e Clément Venturini (Cofidis). A AG2R pode não ser uma Sky, longe disso, mas é das equipas que melhor consegue proteger o seu líder, ainda que falte um braço direito que resista mais tempo na alta montanha.

Domenico Pozzovivo ainda teve a oportunidade de lutar pelo Giro, mas é mais do que claro que a AG2R não apostava naquela corrida, deixando o italiano um pouco entregue à sua sorte. Fez sexto e agora vai para a Bahrain-Merida, pois aos 35 anos já não se ilude e irá assumir o papel de apoio a Vincenzo Nibali. Foi com Bardet à Vuelta, mas Pozzovivo abandonou e o francês cedo desligou-se da competição, terminando no 17º posto. O pico de forma foi no Tour porque, lá está, é essa a missão de carreira deste francês.

27 de outubro de 2017

AG2R com retorno publicitário que foi muito além dos 15 milhões investidos na equipa

(Fotografia: Facebook AG2R La Mondiale)
Patrocínios e ciclismo. É raro passar um ano que não se fale de como esta relação é instável e como tão rapidamente uma equipa pode acabar. Em 2016 foi a Lampre-Merida que esteve em risco, mas agora chama-se UAE Team Emirates e está a tornar-se nas mais ricas do pelotão. Em 2017 foi a Cannondale-Drapac, que passará a ser a EF Education First-Drapac powered by Cannondale na próxima época e também a Quick-Step Floors, que ainda se aguarda para saber se terá novo nome, já que com as renovações em curso, está garantida a continuidade. Estes são apenas os casos mais recentes e que até tiveram um final feliz. Mas afinal quanto é o retorno publicitário de uma empresa que patrocina uma equipa de ciclismo profissional?

Nem sempre são números divulgados, mas a AG2R La Mondiale fá-lo, sendo um exemplo de sucesso. Longo sucesso, tendo em conta que a empresa de seguros entrou em 1997 na estrutura como segundo patrocinador, então Casino-AG2R Prévoyance, e em 2000 passou a ser o principal, apenas como AG2R Prévoyance. Desde 2008 que tem o nome actual. Quanto ao retorno publicitário, a AG2R anunciou que foi de 100 milhões de euros em 2017. Para quem investiu 15 milhões... Desse total, cerca de 55 milhões dizem respeito à Volta a França, sem grande surpresa, ainda mais tendo em conta a boa prestação de Romain Bardet, que venceu uma etapa e subiu ao terceiro lugar do pódio em Paris.

Os dados recolhidos pela empresa de marketing Kantar TNS revelam que a maioria das pessoas sabem que a AG2R patrocina uma equipa de ciclismo, sendo também a formação francesa mais popular no país pelo terceiro ano consecutivo (não é uma boa notícia para a FDJ!).

A AG2R La Mondiale já garantiu o patrocínio até 2020 e está igualmente assegurado que o ciclista que os franceses mais esperam que possa acabar com o jejum de de 32 anos de vitórias gaulesas na geral, também ficará até essa temporada: Romain Bardet, pois claro. Esta segurança financeira da estrutura não surge apenas pelo bom retorno publicitário deste ano. Estes valores altos - recolhidos entre Janeiro e Setembro - têm sido frequentes.. Em 2015 o retorno foi de 130 milhões. Um valor que o director-geral da AG2R, André Renaudin, pensava ser possível atingir também em 2017. Depois da Volta a França, o responsável disse à BFM Business que o mínimo esperado era 100 milhões. Assim foi.

Nessa mesma entrevista, Renaudin salientou como nos últimos dez anos, o investimento na equipa de ciclismo foi subindo de 10 milhões até aos actuais 15. É certo que a Sky, por exemplo, tem mais do dobro, mas há motivos para satisfação quanto aos resultados, como quanto ao retorno publicitário. Certamente que ajuda ter ou já ter tido alguns dos ciclistas franceses mais acarinhados pelo público, como Jean-Christophe Peraud (segundo no Tour em 2014), John Gadret (terceiro no Giro em 2011) e Christophe Riblon (vencedor de duas etapas no Tour e que termina a carreira este ano, depois do seu contrato não ter sido renovado).

E para 2018 as expectativas são grandes. Bardet será a referência, Pierre Latour a estrela em ascensão e Tony Gallopin a grande contratação (deixa a Lotto Soudal no final do ano). Isto entre os franceses, porque para as clássicas é um belga que está a trazer o maior rendimento para a AG2R: Oliver Naesen.



17 de outubro de 2017

Um Tour para testar ainda mais Chris Froome e a Sky

É a pergunta do dia. Será este Tour mais difícil de ganhar para Chris Froome? O britânico está concentrado exclusivamente no objectivo de alcançar a quinta vitória na Volta a França e assim igualar a marca de Miguel Indurain, Bernard Hinault, Eddy Merckx e Jacques Anquetil. O percurso de 2018, apresentado esta terça-feira, segue os exemplos recentes de um Tour que se tenta aproximar da Vuelta, mas sem que consiga ter o nível de emoção e espectáculo que se tem vivido em Espanha. É difícil dizer que tal poderá acontecer ou não no próximo ano, mas no papel, esta Volta a França apresenta alguns novos desafios ao sempre favorito Chris Froome, com os seus adversários a terem a oportunidade de não deixar a balança desequilibrar tanto a favor do britânico. Porém, também há um factor a ter em conta: o britânico tem tido uma capacidade de adaptação de classe. A organização do Tour, a ASO, tenta inovar, colocando mais descidas, pavé, subidas curtas mais muito complicadas... Com maior ou menor dificuldade, a Sky e o seu líder lá foram resolvendo os problemas.

Quanto à edição de 2018, espera ao pelotão cinco chegadas em alto, mais quatro etapas de montanha; regressa o contra-relógio por equipas (terceira etapa), o pavé (nona) e o Alpe d'Huez (12ª); haverá sterrato e a grande novidade é uma curtíssima tirada de 65 quilómetros, cerca de 38 a subir. Começando por esta última. A sua apresentação até valeu aplausos. Tanto se critica o Tour de não inovar, que agora surge com a etapa mais curta de sempre (gráfico do lado direito). Será a 17ª, entre Bagnères-de-Luchon e Saint-Lary-Soulan (Col de Portet). Alberto Contador lamentou que tenha aparecido uma etapa assim quando resolveu retirar-se, enquanto os restantes ciclistas nem sabem bem o que pensar. Será curioso ver como vão as equipas preparar uma tirada tão curta. É algo novo, sem dúvida.

Já se estará nos Pirenéus, que em 2018 vão surgir depois dos Alpes, o que faz com que o Alpe d'Huez não surja numa fase tão decisiva como em 2015, quando Nairo Quintana fez uma última tentativa de assustar Froome. Ainda assim é para o britânico a etapa rainha e percebe-se porquê: em 175 quilómetros haverá um desnível de cinco mil metros a ser ultrapassado pelos ciclistas. O Alpe d'Huez marcará o final da tirada. De referir ainda que esta Volta a França contará igualmente com outra subida mítica, pois o Tourmalet manteve-se no percurso (etapa 19).

Serão duas semanas com muito sobe e desce, mas a primeira manterá a tradição de ser mais para os sprinters. A camisola amarela estará à espera de um deles logo no arranque. Etapas longas, mas que poderão ter um interesse acrescido devido à possibilidade de vento em algumas. Por isso mesmo Chris Froome disse que o que teme mais são precisamente os primeiros dias. Ao todo serão oito etapas classificadas como planas.

Mas vamos à nona tirada. Para os amantes de clássicas e principalmente do Paris-Roubaix, será um dia especial. 21,7 quilómetros de pavé, distribuídos por 15 sectores e claro que Roubaix tinha de receber o final. Aqui está uma etapa que não mete ninguém em vantagem. Talvez Tom Dumoulin possa adaptar-se um pouco melhor, mas será um dia doloroso para todos os homens da geral. É um dia que poderá acabar com as aspirações de alguns ciclistas. A ver vamos se haverá quem até vá mesmo ao monumento em Abril para tentar perceber melhor o que é pedalar no pavé a um ritmo elevado. Gianni Moscon poderá assumir uma importância grande na ajuda a Froome nesta etapa. Não é uma novidade no Tour haver pavé, mas se é apreciado por quem assiste, é temido por quem quer ganhar uma corrida. Por outro lado, Peter Sagan e Greg van Avermaet (o belga poderá ter de ajudar um pouco Richie Porte, mas será difícil não ter liberdade para lutar pela vitória), por exemplo, estarão ansiosos por esta etapa. E no dia seguinte, que tal um pouco de sterrato, ou terra batida se se preferir, para animar um pouco mais coisas?

Se o contra-relógio por equipas (35 quilómetros) assumirá grande importância, com muito trabalho a ser feito pela Movistar e AG2R para garantir que Nairo Quintana e Romain Bardet não perdem contacto com Chris Froome (Sky), Tom Dumoulin (Sunweb - equipa campeã do mundo na especialidade) e Richie Porte (BMC), o contra-relógio individual (31) terá o condão de permitir que não se verifique um desequilíbrio tão grande entre aqueles melhores nesta vertente e aqueles que basicamente tentam sobreviver. Chega a ter uma pendente de 21%. Este foi um rumor que não se confirmou, já que se falava de um contra-relógio plano. Ciclistas como os três referidos terão sempre vantagem, mas Quintana e Bardet podem pelo menos não perder tanto tempo. Claro que é na penúltima etapa, a que fechará a classificação geral, pelo que se pode dizer que estes dois ciclistas podem ter uma hipótese de defender a sua posição.

Tudo começa em na região de Vendée (7 de Julho), com Paris (29) a ser o tradicional palco final. 3329 quilómetros, um dos Tour mais curtos dos últimos anos, com alterações que serão relevantes. Primeiro, as equipas terão oito ciclistas em vez de nove (o mesmo acontecerá no Giro e Vuelta). Mais um factor que há quem pense que possa colocar em causa o domínio da Sky. Segundo, haverá bonificações perto do fim das etapas, além das da meta, mas apenas nas primeiras etapas. O objectivo é tentar que ou as fugas durem um pouco mais, ou então que alguém lance ataques à procura daqueles três, dois ou um segundo. É pena que este sistema não esteja nas etapas de montanha. Poderia animar bastante as tiradas. A luta pela camisola das "bolinhas" também será animada pelos pontos a dobrar nas etapas dos Pirenéus.

Há outra pergunta que aguarda resposta: será que Tom Dumoulin gostou do percurso? O holandês não tem presença confirmada, depois de ter dito que queria primeiro conhecer as etapas e só depois perceber se valeria a pena ir até França. Um frente-a-frente com Froome não é uma prioridade para o campeão do mundo de contra-relógio e do Giro, mas é um dos maiores desejos dos fãs da modalidade. Um pouco de suspense não faz mal nenhum!

De referir ainda, que antes da apresentação, Chris Froome foi galardoado com o seu terceiro Vélo d'Or. O prémio criado pela revista Vélo Magazine teve como primeiro vencedor Miguel Indurain (1992) e Alberto Contador é o recordista, com quatro distinções, pois Lance Armstrong perdeu as suas cinco.



26 de setembro de 2017

Sanção mais pesada para quem beneficiar de "boleia" dos carros de apoio

(Imagem: print screen)
A partir de 1 de Janeiro de 2018, quem for apanhado a ser levado por um carro de apoio não irá apenas enfrentar a desqualificação da corrida e uma multa de 200 francos suíços (cerca de 175 euros). Gianni Moscon foi o caso mais recente, nos Mundiais de Bergen, mas este ano já Romain Bardet tinha sido desqualificado - e consequentemente expulso - do Paris-Nice pela mesma razão. A UCI quer persuadir que situações destas continuem a acontecer e a nova sanção prevê uma possível suspensão de um mês e a multa sobe para cinco mil francos suíços (cerca de 4400 euros).

Não é invulgar ver os ciclistas tentarem aproveitar a deslocação dos carros para recolar ao pelotão, colocando-se atrás destes ou até agarrarem-se para o mecânico realizar algum trabalho, por exemplo. Desde que não exagerem, por norma não há problema. A questão está mesmo em agarrarem-se e o veículo acelerar, recuperando assim vários metros. Moscon, por exemplo, caiu a 35 quilómetros da meta e depois foi buscar um bidão ao carro. As imagens captam como naquele momento houve uma aceleração, sendo demasiado óbvio já que Sergio Henao, que também tinha caído, ficou rapidamente para trás. O ciclista italiano até chegou a estar numa fuga nos quilómetros finais, foi 29º, mas acabou desqualificado. Outro exemplo muito popular foi o de Vincenzo Nibali na Volta a Espanha de 2015. Tanto ele como o condutor do veículo, membro da equipa da Astana, foram mandados para casa.

Quanto ao caso de Moscon, um dos responsáveis da selecção italiana, Davide Cassani, assumiu publicamente a responsabilidade do que aconteceu. "A culpa foi minha. Eu dei-lhe o bidão e disse-lhe para se agarrar. Sei que não o deveria ter feito e peço desculpa porque toda a Itália fica mal vista. No entanto, o que aconteceu não deverá afectar a imagem do Gianni. Ele não merece ser afectado por isto. Ele é uma boa pessoa e honesta", salientou Cassani, à Gazzetta dello Sport.

Outra mudança nas sanções que será implementada pela UCI em 2018 é relativa a quem atravessa passagens de níveis quando a cancela vai fechar ou já estiver fechada, como aconteceu no Paris-Roubaix, em 2015. Até agora o ciclista seria ou desqualificado ou ainda durante a corrida poderia ser obrigado a abandonar. Agora o infractor enfrentará também uma pena de um mês de suspensão mais a multa de cinco mil francos suíços.

Estas alterações chegam quando David Lappartient foi eleito o novo presidente da UCI, na quinta-feira. No entanto, ainda foram acordadas durante o mandato do antecessor Brian Cookson, tal como a redução do número de ciclistas nas corridas: de nove para oito nas grandes voltas e de oito para sete nas restantes competições.

23 de julho de 2017

Destaques do Tour mais difícil de Chris Froome

(Fotografia: ASO/Pauline Ballet)
Mais de 86 horas de ciclismo e 3540 quilómetros depois a Volta a França teve o seu final tradicional com os Campos Elísios como cenário. Chris Froome conquistou a quarta vitória, terceira consecutiva e mesmo com o vento a levar-lhe as folhas do discurso, o britânico foi igual a si próprio na hora da vitória. Sempre muito profissional, é quando ganha o Tour que deixa transparecer a emoção, provavelmente ainda mais difícil de esconder quando o seu filho celebra de forma tão efusiva a subida do pai ao pódio. Ouviram-se uns assobios. Pouco importa. Froome ganhou, ganhou bem e justamente. O ciclista da Sky sabe lidar como poucos com as desconfianças e com os que insistem em colocar em causa os seus triunfos. É um gentleman, um vencedor.

Porém, este Tour não se centrou tão exclusivamente em Froome como nas três vitórias anteriores. O próprio admitiu no seu discurso que foi a Volta a França mais difícil, naquilo que foi um elogio a Rigoberto Uran (terminou a 54 segundos) e Romain Bardet (a 2:20). O colombiano teve uma longa troca de palavras com o antigo colega de equipa, já o francês viveu um misto de satisfação, pois um pódio é um pódio, e desilusão por não ter ganho. Quer mais, claramente.

Muito há a dizer, muito ficará por dizer neste texto, mas aqui ficam alguns pontos de destaque deste Tour pela positiva e pela negativa.

As melhores figuras

Chris Froome conquistou o seu quarto Tour e naturalmente que tem de ser a figura maior. Não foi o ciclista dominador de outros tempos, mas continua a ser superior quando chegam os momentos decisivos. Sofreu um pouco mais, teve rivais mais à altura, mas o britânico geriu emoções, esforço e alguns assobios do público como o campeão que é. E até alguma concorrência interna vinda de Landa. Michal Kwiatkowski foi o homem de extrema importância na vitória de Froome. O polaco fez um trabalho de gregário fenomenal.

Marcel Kittel ganhou cinco etapas e foi quem mais venceu. Tornou-se no alemão com mais vitórias no Tour (14). Sem Sagan em prova, parecia que dificilmente perderia a camisola verde. Matthews deu-lhe luta, mas foi uma queda acabou com a corrida do sprinter da Quick-Step Floors.

E Michael Matthews é outra das figuras ao lado de Warren Barguil. Duas etapas cada um, o australiano ficou com a classificação dos pontos e o francês é o rei da montanha. Depois de vencer o Giro com Tom Dumoulin, esta Sunweb está a ter um ano memorável.

Simon Yates e Louis Meintjes disputaram a classificação da juventude, ainda que o britânico tenha acabado por mostrar muito cedo que seria complicado tirar-lhe essa distinção. Yates não foi brilhante, não apareceu muito nas etapas da montanha, mas o top dez e a camisola branca salvam um Tour muito discreto da Orica-Scott. Quanto a Meintjes, estamos perante um ciclista de grande potencial. Já se sabia. Repete top dez, mas fica a sensação que precisa de ter uma equipa para ir mais longe. Será que a encontrará na Dimension Data, que se fala estar no seu futuro?

Rigoberto Uran foi a surpresa com o segundo lugar, Mikel Landa a confirmação. O colombiano está de regresso à boa forma e que grande resultado conquistou. Pedalar a controlar os adversários, tentando ganhar bonificações não é bonito, mas foi eficaz. Ganhou ainda uma etapa. Quanto a Landa, falhar o pódio por um segundo é frustrante, mas para uma equipa que se rodeia tanto em redor de um líder, o desafio que o espanhol lançou a esse domínio vai certamente ser recompensado com um estatuto diferente em 2018, provavelmente noutra equipa. Da última vez que um ciclista desafiou a estrutura hierárquica da Sky... acabou como líder e é agora vencedor de quatro Voltas a França: Chris Froome.

Romain Bardet confirmou que é o melhor francês na esperança de voltar a ver um a conquistar o Tour. A capacidade está lá, mas terá de melhorar no contra-relógio e precisa de um braço direito. A AG2R não esteve muito mal, mas tem de estar bem melhor.

Primoz Roglic e Dylan Groenewegen (vencedor da etapa nos Campos Elísios) demonstraram que são ciclistas com um futuro potencialmente interessante, Edvald Boasson Hagen regressou à melhor forma, Fabio Aru mostrou-se em grande nível até que uma bronquite o afectou na última semana (já a Astana não esteve ao nível do seu líder), Daniel Martin é o eterno animador, ainda que acabe sempre algo por falhar.

As figuras... menos boas

Nairo Quintana nem no top dez acabou. O objectivo Giro/Tour foi demasiado para o colombiano. Cresce a pressão para que de uma vez por todas transforme numa vitória em França a qualidade que se sabe que tem, mas que só de quando em vez a coloca na estrada nas grandes voltas.

Bauke Mollema venceu uma etapa, mas o seu papel principal era ajudar Alberto Contador. Pouco o fez e não pode apenas desculpar-se com a presença no Giro. Mas a Trek-Segafredo também não estará muito satisfeita com John Degenkolb. Lá apareceu na disputa de alguns sprints, mas nunca foi um verdadeiro perigo para os outros sprinters. Quanto a Alberto Contador, o espanhol está mesmo numa fase descendente da carreira. Conseguiu um top dez, algo que sabe a pouco a Contador que queria ganhar e talvez assim "arrumar a bicicleta". Em princípio vai correr mais um ano, mas é possível que este tenha sido o seu último Tour. Ficou o seu carácter de lutador, mas nesta fase já não chega para ter sucesso.

Nacer Bouhanni. O sprinter francês ainda tentou, mas foi uma sombra de si próprio. Tanto potencial que no Tour não é transformado em triunfos. É dos melhores do mundo, mas em França foi algo banal. O mesmo para Alexander Kristoff. Muito trabalhou a Katusha-Alpecin, contudo, o norueguês continuou a demonstrar que frente aos melhores não tem hipótese. Tem sido assim a sua temporada. A equipa de José Azevedo também não deve estar satisfeita com Tony Martin. Não ganhou nenhum dos contra-relógios, falhando por isso a amarela na primeira etapa. Teve um Tour muito apagado.

A estrutura da FDJ tem de ter muita confiança no seu patrocinador para terminar a corrida com apenas três ciclistas. Valeu a vitória de etapa de Arnaud Démare e de ter andado de camisola verde, mas tanto o sprinter como três outros colegas chegaram fora do tempo limite na etapa nove. Thibaut Pinot andou por lá. Nem se notou e ainda menos se notou quando abandonou.

O português

Tiago Machado foi o único ciclista português na Volta a França. Não o vimos tanto como se gostaria a tentar uma vitória de etapa, mas o ciclista foi o melhor da Katusha-Alpecin numa perspectiva que foi incansável no trabalho para Kristoff. Muito puxou ele pelo pelotão, muito se sacrificou para que a equipa alcançasse um triunfo de etapa. Machado terminou na 74ª posição, a 2:43.36 horas e o prémio para todo o seus esforço e dedicação chegou na sexta-feira quando a Katusha-Alpecin anunciou a renovação de contrato por mais um ano. Mais do que merecido.

O adeus

Já não deu para mostrar uma pequena amostra daquele Thomas Voeckler atacante, de língua de fora a dar tudo o que tem e um pouco do que não tem para ganhar. Aos 38 anos o francês coloca um ponto final na carreira na corrida que tanto adora e que tanta notabilidade lhe deu. Durante muitos anos foi um daqueles ciclistas que se sabia que ia sempre dar espectáculo. As pernas não deram para mais na hora da despedida. Ainda tentou, mas soube a pouco. Ainda assim, teve o aplauso que mereceu quando se deixou ficar para trás nos Campos Elísios. Na frente celebrava Chris Froome e Dylan Groenewegen, cá mais atrás foi o momento de dizer adeus. Voeckler pode ter sido por vezes controverso, mas teve também algum brilhantismo. Ajuda ser francês, claro, para que Voeckler tenha o seu lugar na história do Tour: quatro vitórias de etapas e ainda tem umas camisolas amarelas para mostrar.

Pontos negativos

Decisões da organização: A exclusão de Peter Sagan do Tour foi a polémica desta edição. Não se colocava muito em causa uma sanção em tempo e uma multa, mas os organizadores foram mais longe, longe de mais até. O eslovaco foi expulso porque consideraram que colocou em perigo a integridade física de Mark Cavendish. O levantar de cotovelo de Sagan era evitável, de facto, ainda que o britânico também não esteja completamente inocente, por ter tentado passar por um local apertado, demasiado junto às barreiras, tendo ficado sem espaço. Não foi um sprint bonito, mas a decisão radical só contribuiu para estragar um pouco do espectáculo, pois Sagan é sempre uma das figuras no Tour. Abriu-se um precedente, mas apesar de outras atitudes pouco bonitas em sprints ou depois deles (como a cotovelada de Degenkolb a Matthews) não houve qualquer tipo de sanção além da de Sagan.

Outra decisão que gerou muito sururu foi a penalização em 20 segundos inicial a Rigoberto Uran por ter recebido abastecimento numa altura em que já não seria permitido. Na internet surgiram imagens de Romain Bardet a receber uma garrafa de água. A organização dizia que o francês não tinha bebido, apenas refrescado a cabeça, mas as imagens deixavam entender que tinha mesmo ingerido. Resultado? A sanção foi retirada a Uran! Afinal o fim do abastecimento era num quilómetro diferente ao inicialmente previsto...

Percurso: Poucas chegadas em alto, aposta em metas antecedidas por descidas, algumas alucinantes, etapas de mais de 200 quilómetros, algumas praticamente todas planas... A ASO tentou dar um entusiasmo diferente ao percurso do Tour, mas não resultou muito bem. Aquelas longas etapas planas foram de um enorme aborrecimento até ao sprint final, as de montanha tiveram animação, às vezes nem sempre a melhor (que o diga Richie Porte, Geraint Thomas e Rafal Majka, por exemplo). Se é interessante que nem todas as tiradas de montanha terminem em alto, mais um ou duas etapas com chegada no topo talvez tivesse ajudado o espectáculo. Só a nona etapa cumpriu com as expectativas criadas, ainda que tenha sido marcada pelos abandonos acima referidos. Além desta tirada, a emoção aconteceu um pouco ali, mais um bocado ali, no geral o percurso teve poucos pontos de interesse.

É certo que as diferenças foram curtas, mas tal não se deveu tanto ao percurso. Foram mais os ciclistas que apareceram muito mais bem preparados para lutar contra um Froome que não foi a máquina de anos anteriores. Este Tour precisa urgentemente de uma injecção de emoção no formato das etapas, à imagem do acontece na Vuelta, por exemplo.

Chega assim ao fim a 104ª edição do Tour. Chris Froome vai consolidando o seu lugar na história do ciclismo. Agora é recuperar forças para a Volta a Espanha que arranca a 19 de Agosto. Para terminar aqui ficam as classificações finais do Tour e o resultado da última etapa.


Résumé - Étape 21 - Tour de France 2017 por tourdefrance


»»Chris Froome perfeito quando teve de ser, já começa a pensar na Vuelta««

22 de julho de 2017

Chris Froome perfeito quando teve de ser, já começa a pensar na Vuelta

(Fotografia: ASO/Alex Broadway)
Vacilou em certos momentos, mas nunca tombou e quando chegou o momento da verdade, Chris Froome não falhou. É um triunfo que teve tanto de renhido - palavra usada pelo britânico - como de merecido. Porém, no final não há discussão de quem foi o mais forte, de quem foi o mais equilibrado. Aí está o quarto Tour de Froome, o terceiro consecutivo e o quinto da Sky em seis anos. Ainda não foi desta que um rival esteve à sua altura durante as três semanas, mas se há algo que fica desta Volta a França é que o britânico já não é aquele ciclista invencível. Froome tornou-se "humano" nesta corrida e por mais forte que venha a estar no futuro, por mais forte que seja a Sky, a partir de agora todos acreditam que é possível batê-los.

Vão ter de esperar um ano. Gostaríamos de ter visto Richie Porte fazer frente ao seu amigo até ao fim, gostaríamos de ter visto um Nairo Quintana ao seu nível e um Alberto Contador num último fôlego de campeão. Dos rivais iniciais de Froome só Romain Bardet confirmou que estava de facto preparado para lutar por um triunfo no Tour. Porém, depois de um contra-relógio que quase de tornou numa humilhação, o francês tem de reflectir sobre a decisão de não aprimorar o esforço individual se quer fazer mais do que apenas ambicionar ser o primeiro francês a vencer a corrida desde 1985. Pode não ter tido as melhores sensações na 20ª etapa, mas aquela exibição foi má de mais para culpar apenas na forma física. Caiu para terceiro, segurou o pódio por um segundo e por muito pouco não foi ultrapassado por Froome. Em 22,5 quilómetros foram quase dois minutos perdidos para o britânico. Assim, nunca irá ganhar uma grande volta, só se excluírem os contra-relógios ou se forem muito curtos. Prólogos, portanto.

Mas será que fica no pódio? Ou irá a Sky tentar colocar Mikel Landa ao lado de Chris Froome. Nicolas Portal, director desportivo, lamentou que o espanhol não tenha conseguido ultrapassar Bardet, mas com um segundo a separá-los, basta bonificar no sprint intermédio deste domingo e Landa terá o seu momento em Paris. Diz a tradição que a última etapa é de consagração, mas não seria inédito haver mudanças. De referir ainda que o ciclista melhorou e muito no contra-relógio. Pode não ser o seu forte, mas entrou definitivamente no grupo dos que se "defendem bem".

Este Tour ficará marcado também por Rigoberto Uran. Afinal foi para França para ganhar, mas a Cannondale-Drapac quis manter segredo, segundo Jonathan Vaughters. Se tal for mesmo verdade, então agora falta saber se o colombiano está mesmo a viver a melhor fase da carreira e se a conseguirá manter, ou se foi uma resultado único. No contra-relógio perdeu 25 segundos para Froome, mas Uran disse que o segundo lugar no Tour é o melhor momento que teve (e está a ter) como ciclista (já tinha feito o mesmo no Giro). Agora ficamos à espera de mais.

Este domingo os Campos Elísios recebem a sempre desejada etapa final que os sprinters tanto querem ganhar. Froome irá festejar, mas alcançado o objectivo principal da temporada, o britânico já começa a pensar no segundo. Está confirmado que irá à Vuelta e vai para ganhar. Froome sempre disse que a sua preparação tinha sido feita a pensar estar mais forte na terceira semana do Tour. Nicolas Portal afirmou agora que a preparação foi também feita a pensar em estar mais forte na Volta a Espanha. O britânico quer ser o primeiro a ganhar Tour/Vuelta desde que estas grandes voltas se realizam nas datas actuais.


O Tour ainda tem 103 quilómetros pela frente, mas depois da etapa deste sábado, as atenções começaram a virar-se rapidamente para o país vizinho. Alberto Contador também afirmou que está a pensar em ir à Vuelta, Warren Barguil, rei da montanha, irá lá estar, tal como Uran e Bardet. Ou seja, quase todo o elenco de luxo da Volta a Espanha irá apostar na Vuelta, que não contará com o vencedor do Giro. Tom Dumoulin quer concentrar-se nos Mundiais.

Mas primeiro que venha a festa nos Campos Elísios. Será desta que André Greipel ou Nacer Bouhanni limpam a fraca imagem deixada no Tour, ou será a vez de Dylan Groenewegen mostrar-se? Certamente que Michael Matthews quer mostrar a sua camisola verde...

Até parece mal, mas quando há um vencedor do Tour, quem ganha a etapa fica para segundo plano. Contudo, Maciej Bodnar merece todo o respeito e destaque pelo excelente contra-relógio que fez. Bateu o compatriota Michal Kwiatkowski por um segundo - Chris Froome foi terceiro a seis -, mostrando porque já foi três vezes campeão polaco de contra-relógio. Em Marselha, conquistou a vitória mais importante da carreira. A Bora-Hansgrohe também agradece. Já tinha vencido no Tour com Peter Sagan, mas a exclusão do eslovaco estragou os planos da equipa alemã.

Veja aqui os resultados do contra-relógio e as classificações. Simon Yates imitou o irmão e ficou com a camisola de melhor jovem. Adam venceu essa classificação no ano passado.


Résumé - Étape 20 - Tour de France 2017 por tourdefrance


»»O contra-relógio de relativa emoção««

»»Froome não entra em euforias. Diferenças são demasiado curtas para festejar antes do contra-relógio««

21 de julho de 2017

O contra-relógio de relativa emoção

Faltam duas metas para cortar neste Tour (Fotografia: ASO/Bruno Bade)
"Tenho de correr para não perder a corrida e não para ganhar a etapa." A frase de Chris Froome demonstra bem como será encarado o contra-relógio deste sábado, a última oportunidade dos rivais em tirar ao britânico uma vitória praticamente anunciada. "Praticamente" porque há uma certa imprevisibilidade neste tipo de etapas. Por isso mesmo Froome irá jogar à defesa: "Vou correr igual ao contra-relógio de Düsseldorf, sem correr demasiados riscos, acelerando tudo quando posso e levantando o pé nas curvas." São 23 segundos para gerir para Romain Bardet e 29 para Rigoberto Uran. Sendo o britânico o mais forte no esforço individual deste trio e estando em vantagem, é natural que seja mais defensivo. Como é o último a partir, irá conseguir controlar o que os rivais vão fazendo, com a ajuda de quem estiver no carro, claro.

Pode parecer estranho que com diferenças tão curtas se tenha a sensação que a quarta vitória na Volta a França de Chris Froome seja uma inevitabilidade. Porém, mesmo com Rigoberto Uran a ser uma potencial ameaça, nestes momentos Froome não costuma falhar e tendo em conta que apareceu muito forte na terceira semana, será preciso acontecer a tal imprevisibilidade para que este contra-relógio ganhe de facto uma emoção que não seja relativa.

Resta-nos esperar para ver o que um muito motivado Romain Bardet possa fazer, ele que não está conformado em repetir um segundo lugar no Tour e prefere dar tudo por mais, mesmo que arrisque a ficar com menos. "Quero voar como um avião. Fiz um grande Tour e espero acabá-lo da melhor forma possível. Espero um combate leal, de homem a homem e que não tenha nada a lamentar", disse o francês da AG2R.

Já Rigoberto Uran estará satisfeito com o pódio e tem na mira mais o segundo lugar do que bater Chris Froome. Contudo, há uns dias deixou o aviso que o britânico tem muita razão em temê-lo. Se o colombiano da Cannondale-Drapac estiver em dia sim... Nunca se sabe o que poderá acontecer...

A emoção pode ser para já relativa, mas há sempre aquele nervoso miudinho, há sempre aquela ansiedade que tudo vai terminar. Com as diferenças tão curtas a serem tão raras nos últimos anos, pelo menos isso dá-nos de facto alguma emoção naquela que será a última etapa "a valer" do Tour, isto acreditando que será respeitada a tradição da derradeira ser de consagração para o camisola amarela.

O percurso e o fato "maravilha"

Com partida e chegada no estádio do Olympique de Marseille, serão 22,5 quilómetros para decidir um Tour marcado por maratonas de 200 em muitas etapas. A última vez que uma tirada da Volta a França terminou neste estádio foi há 50 anos, um dia antes da trágica morte de Tom Simpson no Mont Ventoux. A etapa terá uma dificuldade já perto do final, algo que assenta bem a Froome e Uran. Bardet tem o contra-relógio como ponto fraco. Mas é o tudo ou nada. Senão, terá de esperar um ano para voltar a tentar tornar-se o primeiro francês a ganhar o Tour desde 1985.


Uma outra expectativa para este contra-relógio era se a Sky iria utilizar os fatos que alegadamente valem segundos. É a tecnologia ao serviço do vestuário e que deixou algumas equipas descontentes, chegando mesmo a serem feitos protestos depois da primeira etapa em Düsseldorf. Os ciclistas da equipa britânica vão voltar a usar os ditos fatos que têm uns reforços na zona dos ombros e braços e que se diz ajudarem na aerodinâmica. Todos o terão menos Chris Froome. O líder do Tour afirmou que não tem qualquer problema em vestir o fato amarelo que for dado pela organização. Pelo menos quanto a Froome, não haverá polémicas.

A vitória mais que merecida

(Fotografia: ASO/Thomas Maheux)
Se havia ciclista que merecia uma vitória na Volta a França, esse era Edvald Boasson Hagen. Depois de ter perdido por seis milímetros para Marcel Kittel, tendo mais tarde repetido um segundo lugar, o norueguês da Dimension Data como que ganhou a compaixão de muitos. Boasson Hagen não quis esperar pela mítica chegada nos Campos Elísios na última etapa, nem sequer quis esperar por um sprint no dia de hoje. Entrou na fuga que a Sky não se incomodou em perseguir. Era o favorito do grupo, mas preferiu atacar antes. Numa rotunda escolheu o lado certo, juntamente com Nikias Arndt (Sunweb), mas o alemão rapidamente cedeu.

Tinha perdido por milímetros, mas ganhou por muitos metros desta feita, dando um triunfo muito desejado por uma Dimension Data que há um ano brilhou a grande nível com Mark Cavendish e Stephen Cummings e que em 2017 viu o seu sprinter ir para casa cedo. A formação sul-africana estava a passar um pouco ao lado da corrida, contudo, Edvald Boasson Hagen respondeu muito bem à chamada de ter a responsabilidade de alcançar sucesso.

Foi a terceira vitória numa etapa no Tour. As outras duas aconteceram em 2011, então ao serviço da Sky.