6 de fevereiro de 2018

"Se me dão mais responsabilidade é porque estão a acreditar em mim e foi algo que eu conquistei"

Há seis meses, João Matias vivia o sonho de uma vida: estar na Volta a Portugal. Em 2016 tinha ido para Espanha (para a Froiz), depois de três temporadas como profissional. Foi um assumido passo atrás na carreira, na esperança que fosse a melhor decisão para rapidamente dar dois à frente. E assim foi na época passada. Em 2018 quer continuar a caminhar numa passada larga. De ciclista a viver um sonho e a mostrar que tinha tanto para dar, João Matias assume agora um tom de confiança, de quem acredita que tudo é possível, que tudo está ao seu alcance e de quem está a trabalhar para continuar a elevar o seu nível.

"Claro que estou confiante! Tenho uma super equipa, uma super direcção que confia em mim, sinto-me bem, sinto-me no máximo das minhas capacidades. Só tenho de estar confiante! Isso é meio caminho andado para as corridas correrem bem", salientou João Matias ao Volta ao Ciclismo. Muito dedicado à pista, o ciclista de Barcelos começou o ano com dois títulos nacionais, na corrida de eliminação e na perseguição individual. No arranque na estrada, foi segundo na Prova de Abertura Região de Aveiro, só batido por um Tiago Machado que realizou uma exibição memorável. O ano ainda está a começar, mas não restam dúvidas que as performances de Matias em 2017 não foram um acaso.

"O João da segunda metade do ano passado não foi um acidente. O da primeira estava a andar bem, estava motivado, mas não foi o mesmo do final da época. Sei bem disso. Felizmente tive muita gente que acreditou em mim, que acreditou nas minhas capacidades. Eu trabalhei para isso e para estar bem neste início da época. Acho que os resultados estão à vista e vou continuar a trabalhar. Eu só preciso que a equipa continue a acreditar em mim e os resultados podem vir por si só", referiu.


"Que me marquem! Espero que continuem a marcarem-me, pois é sinal que estou na discussão das corridas"

Em 2017, João Matias andou seis dias de camisola azul na Volta a Portugal e só a Serra da Estrela e um Amaro Antunes em grande forma lhe tirou a classificação da montanha. E há que não esquecer, que Matias sabe defender-se no terreno mais difícil, mas as suas características são mais de um ciclista rápido. Terminada a Volta, conquistou dois circuitos, no Bombarral e na Malveira. A LA Alumínios-Metalusa-BlackJack não continuou e parte da estrutura mudou-se para a nova equipa Vito-Feirense-BlackJack. É o regresso do clube de Santa Maria da Feira ao ciclismo, em ano de centenário, com Joaquim Andrade ao leme. 

João Matias surge agora como uma das figuras da equipa, ao lado de Edgar Pinto. "Não vou esconder isso. Tenho mais responsabilidade. É esse stress que eu quero, que eu gosto. Não acuso essa pressão. Se me dão mais responsabilidade é porque estão a acreditar em mim e foi algo que eu trabalhei, que conquistei e só tenho de aproveitar este momento e continuar a lutar pelas vitórias."

É precisamente quando se fala de responsabilidade e de um aumento de pressão, que mais se nota como João Matias (26 anos) está confiante, sem receio do que terá de assumir. Nem o facto de agora passar a ser mais marcado pelos adversários, pois o efeito de revelação já passou, o deixa nervoso. Não. Até gosta. Tal significa que há mais respeito. "Imaginemos uma chegada ao sprint. Uma pessoa ser marcada é sempre bom. Acabo por ter menos stress, pois acabam por querer a minha roda, em vez de ser eu à procura da roda dos outros. Felizmente tenho uma equipa boa para trabalhar para mim e não há pressão. Acabo por não ceder muito a essa pressão. Que me marquem! Espero que continuem a marcarem-me, pois é sinal que estou na discussão das corridas", realçou.


"Eu só pensava na vitória. Nos últimos cinco quilómetros ainda vimos o Tiago Machado à distância. Pensei que dava para vencer"

Na Torreira, onde terminou a Prova de Abertura Região de Aveiro, uma queda a cerca de 15 quilómetros da meta partiu o pelotão e João Matias, tal como outros sprinters, acabaram sozinhos na perseguição a Tiago Machado (Equipa Portugal), que depois de 80 quilómetros em fuga solitária - após ter deixado a companhia de César Fonte (W52-FC Porto) -, conseguiu aguentar-se na frente. Por pouco, mas conseguiu. "Eu só pensava na vitória. Nos últimos cinco quilómetros ainda vimos o Tiago Machado à distância. Pensei que dava para vencer... Não deu. Espero nas próximas provas corresponder com bons resultados", afirmou.

É tempo de olhar em frente e no sábado Matias pondera estar no Troféu Alves Barbosa, segunda e penúltima prova da Taça de Portugal de Pista, no Velódromo Nacional, em Sangalhos. Enquanto espera por saber se será convocado por Gabriel Mendes para estar novamente nos Mundiais de pista - que se realizam na Holanda, entre 28 de Fevereiro e 4 de Março -, Matias irá concentrar-se em fazer o melhor na Volta ao Algarve. "É uma prova muito importante e apesar de sermos uma equipa Continentel e estarem muitas do World Tour presentes, vamos lutar para mostrar as cores da Vito-Feirense-BlackJack", realçou. Porém, há já outra corrida que está na sua mira: Gostava de fazer uma boa Volta ao Alentejo!

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