26 de fevereiro de 2018

"GFNY será a festa do ciclista amador"

(Imagem: Facebook GFNY Portugal)
Seja um profissional por um dia! E porque não? Foi sob este lema que nasceu o GFNY (Gran Fondo Nova Iorque) em 2011. Sete anos depois expandiu-se e tornou-se num autêntico campeonato para ciclistas amadores, que, por um dia, podem viver toda a experiência de uma corrida como se fossem profissionais. Por um dia ou não só, caso escolham fazer mais do que um dos 15 GFNY que fazem parte de um calendário, que se está a tornar numa viagem pelo mundo. Em 2018, uma das paragens será em Portugal, com Cascais a receber a partida e chegada, num percurso - o mais longo - que passa por Ericeira, Mafra e testará a resistência de todos na Serra de Sintra. "Aqui temos condições excepcionais. Temos serra, mar, toda a orla, beleza natural, história... Unimos tudo num sítio", salientou Ana Paula Cavalcanti, a responsável pela inclusão de Portugal no GFNY.

Depois da experiência de organizar a prova no Brasil, Ana Paula Cavalcanti juntou agora duas paixões: Portugal e o ciclismo. Viver cá era algo que desejava há muito e ao concretizar esse objectivo foi desafiada pelos fundadores do GFNY em organizar a competição em território português. "Quando lhes disse que me estaria desligando do gran fondo do Brasil porque estava a mudar-me para Portugal, já era um sonho deles fazer a prova aqui. Eles estão falaram comigo para levar o GFNY para Portugal e eu respondi: 'agora'", contou ao Volta ao Ciclismo.

O número de gran fondos no país tem vindo a aumentar e este ano Lisboa também terá o seu. Mas afinal, no que difere o GFNY? "A diferença primordial é que nós não estamos a fazer o GFNY para ganhar dinheiro. Primeiro temos a preocupação de trazer um grande evento para Portugal, para Cascais, para todos os ciclistas que vão fazer o gran fondo. O nosso lema é oferecer a todos os ciclistas a experiência profissional por um dia. Toda a estrutura será uma para profissionais. Desde a cronometragem por chip, haverá rei/rainha da montanha, policiamento em toda a via, vias completamente fechadas ou parcialmente, mas com o trânsito controlado - os ciclistas terão a prioridade -, segurança, saúde, ambulâncias... Enfim, toda a estrutura! Carros e motos de apoio, apoio mecânico em todo o percurso, tanto nas tendas de hidratação, como apoio móvel... Toda a estrutura oferecida a um atleta profissional, será oferecida no GFNY em Portugal", assegurou Ana Paula Cavalcanti.

Dia 9 de Setembro haverá dois desafios à espera de quem quiser participar nesta festa do ciclismo. O mais curto será de 82 quilómetros, com um desnível de 1120 metros, já o mais longo será de 162 quilómetros e 2281 metros de desnível. O mediofondo não terá carácter competitivo, que basicamente significa que não terá pódio, pois todas as restantes condições são iguais nas duas provas. "GFNY será a festa do ciclista amador. Um lugar de encontro, para conhecer as novidades, para fazer uma prova bacana, bem organizada. E com esta paisagem sensacional!" Ana Paula Cavalcanti explicou que não será apenas um domingo de corrida, será todo um fim-de-semana prolongado (a partir de sexta-feira) dedicado ao ciclismo. Na Marina de Cascais, onde estará instalada a partida e a meta, também haverá uma bike expo, concertos e a organizadora referiu que juntamente com a Associação de Ciclismo de Lisboa, um dos parceiros desta prova em Portugal, está a ser pensada uma forma de também proporcionar aos mais novos uma oportunidade de também ter a sua prova.

Sérgio Paulinho e Vanessa Fernandes são dois dos embaixadores do GFNY Portugal. Dois medalhados olímpicos, duas referências do desporto nacional. E escolher uma mulher era importante para Ana Paula Cavalcanti: "Queremos incentivar as mulheres a pedalar. No Brasil tivemos um boom. Nós estamos muito próximas do número de homens, se é que não estamos quase a ultrapassar." Ficou ainda a expectativa de por cá estar também um ciclista de renome estrangeiro.

A partida será às 8:00 e há muito tempo para completar as distâncias, pois até às 17:00 a estrutura estará toda a funcionar em prol dos muitos ciclistas que são esperados. As inscrições estão a decorrer e o limite é de três mil (pode ver aqui). "Tudo será feito para o ciclistas preocuparem-se exclusivamente com o seu dia de prova, em completar o seu percurso e atingir o seu objectivo", garantiu.

O norte do país é a zona que está mais tradicionalmente mais ligada à modalidade, sem esquecer, naturalmente, que há duas equipas profissionais algarvias, assim como a corrida de categoria mais elevada a ser realizada no país: a Volta ao Algarve. Portanto, porquê Cascais para o GNFY? "Justamente para trazer para esta região o ciclismo. Trazer a paixão para aqui. Há aqui muitos praticantes e há uma carência neste tipo de provas", referiu. Depois coloca-se a questão geográfica, com Cascais a ser também um local importante para atrair estrangeiros, com Ana Paula Cavalcanti a salientar a proximidade com o aeroporto.

Visto já como um dos eventos do ano em Cascais, apesar da componente de lazer que rodeia o GFNY, há um lado competitivo que atrairá certamente muitos ciclistas amadores, portugueses e de outras nacionalidades. À espera dos vencedores, tanto nos homens como nas mulheres, está uma Specialized Tarmac 2018. Apesar de existirem categorias, as bicicletas serão o prémio para quem cortar a meta primeiro, independentemente da idade. "Isto é uma novidade para os gran fondos em Portugal. Os portugueses e os atletas que participarem merecem", realçou. Como em todos os GFNY, quem ganhar tem também entrada directa na prova original, ou seja em Nova Iorque, e no primeiro pelotão. A organizadora disse ainda que está a ser negociado um prémio adicional, mas teremos de esperar para o conhecer.

Ana Paula Cavalcanti convida todos a participarem nesta festa do ciclismo amador, seja com que bicicleta for, excepção feita às eléctricas e nada de motores! E ficou ainda uma garantia: "Vamos ficar em Cascais durante cinco anos."

Um pouco de história

Lidia e Uli Fluhme são os fundadores do GFNY. Antiga bancária em Wall Street e ele um advogado são apaixonados pelo desporto. Lidia já terminou sete vezes Ironman no Havai. Quando em 2010 começaram a tentar organizar o primeiro gran fondo, Lidia tinha como condição que a partida fosse na ponte George Washington e, apesar de ter ouvido muitos 'não', não desistiu e quando em 2011 a prova foi pela primeira vez para a estrada, o arranque foi onde queria. Em 2014, Terracina (fica a cerca de 80 quilómetros de Roma) recebeu o primeiro GFNY fora de Nova Iorque, seguindo-se Cozumel, no México.

Desde então que o calendário tem vindo sempre a crescer. No domingo, foi precisamente no México que arrancou o primeiro GFNY em 2018, em Monterrey. Colômbia, Costa Rica, Uruguai, Brasil, Panamá e Chile, completam uma viagem pelas Américas. Na Europa, além de Portugal, Alemanha, França e Polónia recebem a competição. A prova polaca também será uma estreia. Em Israel, Jerusalém é o local eleito, com a Indonésia e a Malásia a levar o pelotão amador até ao continente asiático.

"Cascais é, sem dúvida, o melhor destino de ciclismo em Portugal. Com tantas opções de percursos para antes e depois da corrida, uma viagem ao GFNY Portugal irá proporcionar umas divertidas férias de ciclismo. O percurso será uma montra da beleza de Cascais e dos locais em redor e, ao mesmo tempo, irá providenciar um grande desafio a todos", afirmou Lidia Fluhme, citada no site Endurance Sportswire.




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