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1 de março de 2018

Rui Oliveira com o melhor resultado de Portugal em Mundiais de Pista... por agora

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
A ambição é grande e logo na primeira corrida com participação portuguesa, um dos três ciclistas lusos presentes nos Mundiais de Pista deixou o aviso: a selecção nacional não quer sair de Apeldoorn sem uma medalha. Para começar, Rui Oliveira fez o melhor resultado de sempre de Portugal nos Mundiais de Pista de elite, ao ser quinto na corrida de scratch. A cada competição que passa, os gémeos Oliveira não desperdiçam a oportunidade para ir escrevendo uma história cada vez mais prometedora de grandes sucessos.

No velódromo holandês estão os melhores do mundo. Rui Oliveira é agora o quinto, depois de ter sido sexto nos Europeus nesta prova. O ciclista de Gaia foi calculista. Correu com cabeça, como se costuma dizer. Avaliou a sua condição, a dos adversários e foi atrás do melhor resultado. Infelizmente, numa perspectiva portuguesa, três ciclistas escaparam e ganharam uma volta ao grupo. Ainda a corrida não ia a meio e o bielorrusso Yauheni Karaliok, o italiano Michele Scartezzini e o australiano Callum Scotson praticamente garantiram que decidiriam as medalhas entre eles. Assim foi, com o pódio a ficar na ordem escrita.

Não haveria medalhas para os restantes, mas não havia razões para ninguém baixar os braços. Afinal estamos nuns Mundiais. A corrida foi muito movimentada. Houve quem tentasse conquistar também uma volta, mas os ataques e contra-ataques não deram em nada. Por onde andava Rui Oliveira? Resguardado no grupo. Esperou pelo momento certo para atacar e só o ucraniano Roman Gladysh foi com ele, acabando por ser mais forte sobre a meta. Foi impossível não pensar "que pena aquele trio ter escapado tão cedo"!


Rui Oliveira tem apenas 21 anos e foi o quinto melhor a nível mundial numa corrida tão imprevisível, na qual raramente alguém conquista mais do que uma camisola do arco-íris na carreira. "As sensações não foram as melhores e sabia que no sprint acabaria por não conseguir um bom resultado. Reservei tudo o que tinha para a melhor oportunidade. Esta surgiu e eu aproveitei. Tinha de ser ali. Ataquei com força e tive alguma sorte, porque os adversários não responderam de imediato", contou o ciclista, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

As declarações do seleccionador Gabriel Mendes descrevem perfeitamente o que está a acontecer no ciclismo de pista nacional: "É mais um sinal da nossa evolução e do crescimento sustentado do ciclismo de pista português. O Rui teve uma prestação irrepreensível, sob os pontos de vista táctico e técnico, tendo em conta as condições em que a prova se desenrolou."

Rui regressa ao velódromo de Apeldoorn para competir no omnium, no sábado. Antes, esta sexta-feira, as atenções vão virar-se para o irmão. Ivo irá apresentar-se na perseguição individual, sendo o actual vice-campeão europeu. Em Hong Kong, há um ano, foi sexto, o que era até esta quinta-feira o melhor resultado português nos Mundiais. Em Outubro, nos Europeus, Ivo Oliveira fez 4:14.570 minutos nos quatro quilómetros que tem de percorrer nesta prova. O tempo é de nível mundial, mas a concorrência será feroz. O italiano Filippo Ganna, campeão europeu e antigo campeão mundial, e o britânico Charlie Tanfield, por exemplo, têm feito um tempo mais baixo.

Porém, Ivo é um candidato às medalhas. Para isso terá de fazer um dos quatro melhores tempos nas qualificações, que começam às 14:00. Caso faça um dos dois melhores, irá discutir o ouro, com pelo menos a prata a estar garantida, se fizer o terceiro ou quarto, irá atacar a medalha de bronze. Se tudo correr bem e o ciclista português chegar a uma das finais, estas poderão ser vistas no Eurosport2, partir das 19:00.

João Matias entrará em acção às 17:30. Nesta edição dos Mundiais, o corredor da Vito-Feirense-BlackJack irá estar apenas na corrida por pontos - em Hong Kong competiu também no scratch - e o primeiro objectivo é melhorar o 19º lugar de 2017. No último ano, Matias começou a aparecer muito bem tanto na estrada, como na pista. É o campeão nacional de perseguição individual e também na corrida de eliminação e mesmo que em Apeldoorn possa não surgir na lista de favoritos, o que fez há um ano no scratch demonstra como pode muito bem intrometer-se na luta pelos lugares cimeiros.

»»Gémeos Oliveira e João Matias ambiciosos para os Mundiais de Pista««

»»João Matias: "Se me dão mais responsabilidade é porque estão a acreditar em mim e foi algo que eu conquistei"««

22 de fevereiro de 2018

Gémeos Oliveira e João Matias ambiciosos para os Mundiais de Pista

Ivo Oliveira e João Matias estarão este ano acompanhados por Rui Oliveira
nos Mundiais de Pista, que se realizam entre 28 de Fevereiro e 4 de Março
Os objectivos no ciclismo de pista em Portugal vão sendo cada vez mais elevados. Com os gémeos Oliveira (21 anos) a conquistarem medalhas já na categoria de elite, tanto nos Europeus, como em Taças do Mundo, agora é altura de atacar os Mundiais, em Apeldoorn, na Holanda. A acompanhar Ivo e Rui estará João Matias (26), que há um ano foi protagonista de uma exibição fantástica no scracht e que por muito pouco não lhe valeu uma medalha. Se continuar a ganhar experiência é importante, ainda mais quase se aproxima o início da qualificação olímpica, a ambição cresceu muito desde os Mundiais de Hong Kong e alcançar um pódio já não se fica pelo sonho, é um objectivo para a equipa nacional.

"Depois do pódio na Taça do Mundo, quero tentar bater-me outra vez pelo pódio", afirmou Ivo Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. O corredor da Hagens Berman Axeon está convicto que poderá melhorar o sexto lugar na prova de perseguição individual alcançado em 2017. "Venho de dez dias de estágio com a minha equipa. As sensações e os testes que fiz foram bons. Preparei-me melhor do que há um ano e acredito que posso melhorar o resultado. O facto de o Mundial ser mais cedo também ajuda, porque chegarei lá com menos desgaste. Agora, é esperar que esteja num dia 'sim'", salientou.

Os três ciclistas portugueses vão distribuir-se por quatro disciplinas. Rui Oliveira - que em 2017 não esteve presente nos Mundiais - abre e fecha a presença nacional. No dia 1 (quinta-feira), às 19:00, compete na prova de scratch. No dia 3 alinha nas quatro corridas pontuáveis do omnium, entre as 13:40 e as 20:00. Na sexta-feira, dia 2, Ivo Oliveira entrará em acção. O apuramento na perseguição individual realiza-se a partir das 14:00, com a final a estar agendada para as 19:00. Quanto a João Matias, também competirá neste dia, mas na corrida por pontos (17:30). O ciclista da Vito-Feirense-BlackJack começou 2018 com dois títulos nacionais na pista, na corrida de eliminação e na perseguição individual.

Além de tentar o pódio na perseguição individual, a equipa portuguesa irá procurar ficar nos oito primeiros lugares nas restantes provas. Sendo o omnium uma disciplina olímpica, a competição acaba por ter um papel central nos objectivos que se seguirão aos Mundiais. "Queremos alcançar o maior número possível de pontos, pois precisamos de qualificar-nos para a Taça do Mundo, que é determinante para a qualificação para [os Jogos Olímpicos de] Tóquio", realçou o seleccionador Gabriel Mendes.

Os Mundiais de Apeldoorn realizam-se entre 28 de Fevereiro e 4 de Março, com transmissão televisiva no Eurosport2.



6 de fevereiro de 2018

"Se me dão mais responsabilidade é porque estão a acreditar em mim e foi algo que eu conquistei"

Há seis meses, João Matias vivia o sonho de uma vida: estar na Volta a Portugal. Em 2016 tinha ido para Espanha (para a Froiz), depois de três temporadas como profissional. Foi um assumido passo atrás na carreira, na esperança que fosse a melhor decisão para rapidamente dar dois à frente. E assim foi na época passada. Em 2018 quer continuar a caminhar numa passada larga. De ciclista a viver um sonho e a mostrar que tinha tanto para dar, João Matias assume agora um tom de confiança, de quem acredita que tudo é possível, que tudo está ao seu alcance e de quem está a trabalhar para continuar a elevar o seu nível.

"Claro que estou confiante! Tenho uma super equipa, uma super direcção que confia em mim, sinto-me bem, sinto-me no máximo das minhas capacidades. Só tenho de estar confiante! Isso é meio caminho andado para as corridas correrem bem", salientou João Matias ao Volta ao Ciclismo. Muito dedicado à pista, o ciclista de Barcelos começou o ano com dois títulos nacionais, na corrida de eliminação e na perseguição individual. No arranque na estrada, foi segundo na Prova de Abertura Região de Aveiro, só batido por um Tiago Machado que realizou uma exibição memorável. O ano ainda está a começar, mas não restam dúvidas que as performances de Matias em 2017 não foram um acaso.

"O João da segunda metade do ano passado não foi um acidente. O da primeira estava a andar bem, estava motivado, mas não foi o mesmo do final da época. Sei bem disso. Felizmente tive muita gente que acreditou em mim, que acreditou nas minhas capacidades. Eu trabalhei para isso e para estar bem neste início da época. Acho que os resultados estão à vista e vou continuar a trabalhar. Eu só preciso que a equipa continue a acreditar em mim e os resultados podem vir por si só", referiu.


"Que me marquem! Espero que continuem a marcarem-me, pois é sinal que estou na discussão das corridas"

Em 2017, João Matias andou seis dias de camisola azul na Volta a Portugal e só a Serra da Estrela e um Amaro Antunes em grande forma lhe tirou a classificação da montanha. E há que não esquecer, que Matias sabe defender-se no terreno mais difícil, mas as suas características são mais de um ciclista rápido. Terminada a Volta, conquistou dois circuitos, no Bombarral e na Malveira. A LA Alumínios-Metalusa-BlackJack não continuou e parte da estrutura mudou-se para a nova equipa Vito-Feirense-BlackJack. É o regresso do clube de Santa Maria da Feira ao ciclismo, em ano de centenário, com Joaquim Andrade ao leme. 

João Matias surge agora como uma das figuras da equipa, ao lado de Edgar Pinto. "Não vou esconder isso. Tenho mais responsabilidade. É esse stress que eu quero, que eu gosto. Não acuso essa pressão. Se me dão mais responsabilidade é porque estão a acreditar em mim e foi algo que eu trabalhei, que conquistei e só tenho de aproveitar este momento e continuar a lutar pelas vitórias."

É precisamente quando se fala de responsabilidade e de um aumento de pressão, que mais se nota como João Matias (26 anos) está confiante, sem receio do que terá de assumir. Nem o facto de agora passar a ser mais marcado pelos adversários, pois o efeito de revelação já passou, o deixa nervoso. Não. Até gosta. Tal significa que há mais respeito. "Imaginemos uma chegada ao sprint. Uma pessoa ser marcada é sempre bom. Acabo por ter menos stress, pois acabam por querer a minha roda, em vez de ser eu à procura da roda dos outros. Felizmente tenho uma equipa boa para trabalhar para mim e não há pressão. Acabo por não ceder muito a essa pressão. Que me marquem! Espero que continuem a marcarem-me, pois é sinal que estou na discussão das corridas", realçou.


"Eu só pensava na vitória. Nos últimos cinco quilómetros ainda vimos o Tiago Machado à distância. Pensei que dava para vencer"

Na Torreira, onde terminou a Prova de Abertura Região de Aveiro, uma queda a cerca de 15 quilómetros da meta partiu o pelotão e João Matias, tal como outros sprinters, acabaram sozinhos na perseguição a Tiago Machado (Equipa Portugal), que depois de 80 quilómetros em fuga solitária - após ter deixado a companhia de César Fonte (W52-FC Porto) -, conseguiu aguentar-se na frente. Por pouco, mas conseguiu. "Eu só pensava na vitória. Nos últimos cinco quilómetros ainda vimos o Tiago Machado à distância. Pensei que dava para vencer... Não deu. Espero nas próximas provas corresponder com bons resultados", afirmou.

É tempo de olhar em frente e no sábado Matias pondera estar no Troféu Alves Barbosa, segunda e penúltima prova da Taça de Portugal de Pista, no Velódromo Nacional, em Sangalhos. Enquanto espera por saber se será convocado por Gabriel Mendes para estar novamente nos Mundiais de pista - que se realizam na Holanda, entre 28 de Fevereiro e 4 de Março -, Matias irá concentrar-se em fazer o melhor na Volta ao Algarve. "É uma prova muito importante e apesar de sermos uma equipa Continentel e estarem muitas do World Tour presentes, vamos lutar para mostrar as cores da Vito-Feirense-BlackJack", realçou. Porém, há já outra corrida que está na sua mira: Gostava de fazer uma boa Volta ao Alentejo!

»»Não digam que está velho e acabado! Eis Tiago Machado««


4 de fevereiro de 2018

Não digam que está velho e acabado! Eis Tiago Machado

Talvez tenha sido do novo equipamento! Certamente que foi de todo o talento e qualidade que Tiago Machado tem. Não lhe digam que está velho ou acabado para o ciclismo, porque não é qualquer um que se escapa aos 20 quilómetros e dos 135 que faltavam, 80 fez sozinho, num percurso com as habituais dificuldades de um país que de plano tem pouco, mas que de vento teve neste domingo mais do que suficiente para causar muitas dificuldades, além do frio... bem, bem fresquinho, mesmo para quem vai a pedalar a grande velocidade. Tiago Machado venceu a Prova de Abertura Região de Aveiro, corrida que marcou o início do calendário nacional. Foi um triundo ao seu estilo. Deram-lhe a oportunidade e Machado deu espectáculo, antes de arrancar para uma exigente temporada na Katusha-Alpecin, como um dos homens de confiança de líderes como Ilnur Zakarin e Marcel Kittel.

Depois de ter começado a época no tórrido calor da Austrália, Tiago Machado vestiu as cores da selecção nacional para na Torreira conquistar uma vitória que há muito não surgia. Rui Oliveira foi quarto e Ivo fechou na 13ª posição. Estes resultados colocaram a equipa de José Poeira como a melhor no dia em que foram estreados os novos equipamentos da Equipa Portugal. Um pequeno pormenor, é certo, pois o grande pormenor é ouvir Tiago Machado dizer o quanto se sente bem e ver como os gémeos Oliveira estão a levar para a estrada a forma que têm recentemente mostrado na pista, com a conquista de medalhas na Taça do Mundo, por exemplo.

"Para aqueles que diziam que eu estava velho, acabado para o ciclismo, acho que acabei por provar na estrada que muitas das vezes não é por estar no pelotão internacional e chegar a meia hora [do vencedor] nas etapas que deixamos de ter o nosso valor. Para os sprinters terminarem, há quem puxe. Tenho muito orgulho no trabalho que tenho feito no último ano. É um trabalho que a minha equipa valoriza muito porque sabem que não é fácil controlar etapas num pelotão com aquele valor", salientou um muito sorridente Tiago Machado. Tem 32 anos e vai para o seu oitavo no World Tour, com um interregno em 2014.

João Matias, Luís Mendonça e Rui Oliveira discutiram ao sprint
Nos últimos quilómetros a dúvida persistiu: iria Machado aguentar a perseguição liderada pelo Sporting-Tavira? A expressão "morrer na praia" começou pairar. Mas na Avenida Hintze Ribeiro lá apareceu Machado, dando o tudo por tudo, como se estivesse num Mundial. Atrás, a perseguição louca contava com João Matias (Vito-Feirense-BlackJack), Luís Mendonça (Aviludo-Loulentano-Uli), Rui Oliveira, Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista), Rafael Silva (Efapel) e Daniel Freitas (W52-FC Porto). Machado resistiu e deixou a concorrência - que cortou a meta pela ordem descrita - onde pretendia, atrás de si.

"As sensações são boas e é bom estar num bom momento", desabafou, referindo como já tinha sido congratulado por José Azevedo, director da Katusha-Alpecin. O ciclista só pensava em saborear a vitória, para na terça-feira começar a pensar na Volta ao Algarve e na restante temporada numa equipa que se reforçou para estar em várias frentes e somar vitórias nas grandes voltas (e não só).

W52-FC Porto com início pouco feliz

Enquanto Tiago Machado festejava depois de cortar a meta, estranhava-se que os ciclistas estivessem a cortar a meta em pequenos grupos. O pelotão demorou a chegar. Duas quedas não muito longe da meta envolveram vários ciclistas e provocaram estragos. Que o diga Raúl Alarcón. O vencedor da Volta a Portugal teve mesmo de ir ao hospital, tal como Fábio Mansilhas (LA Alumínios). O arranque de temporada não foi auspicioso para a equipa que tem dominado o panorama nacional. A W52-FC Porto até viu o seu reforço, César Fonte, fugir com Machado, mas o ciclista acabou por perder o contacto com o companheiro de ocasião e o pior aconteceu pouco depois. Num incidente que envolveu ainda uma das motos de corrida, César Fonte sofreu uma queda. Também não terminou a corrida.

A Prova de Abertura Região de Aveiro teve este ano a partida em Oliveira do Bairro e depois de 155,5 quilómetros que passaram por diversas zonas, como Ílhavo e Estarreja, por exemplo, foi a Torreira que recebeu a discussão final e o pódio, que foi também o primeiro do Troféu Liberty Seguros. Esta corrida, juntamente com as clássicas da Arrábida (11 de Março) e Aldeias do Xisto (25), compõe esta competição de início de época. Tiago Machado lidera com 75 pontos, mais dez que João Matias e 15 que Luís Mendonça. Rui Oliveira é o melhor sub-23, com as diferenças a serem as mesmas para André Crispim (Liberty Seguros-Carglass) e Ivo Oliveira (foto ao lado). A selecção nacional é líder por equipas (25), seguindo-se a Aviludo-Louletanto-Uli (20) e a Liberty Seguros-Carglass (15).

Estão abertas as hostilidades no pelotão nacional e segue-se a corrida de categoria mais elevada do calendário português: a Volta ao Algarve (2.HC), de 14 a 18 de Fevereiro.

Pode ver aqui a classificação completa e neste link do Facebook estão algumas fotografias de pormenores da primeira corrida do ano em Portugal.


16 de dezembro de 2017

"Quando vierem [assistir ao ciclismo de pista] vão ver que é emocionante!"

(Fotografia: João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Ali andam eles, às voltas, numa pista com 250 metros, normalmente a grande velocidade, com uns toques quando são corridas em grupo, potência total nas provas de contra-relógio. O tradicional ciclismo de estrada chama muitas pessoas à estrada, mas o ambiente do velódromo ainda está a conquistar adeptos em Portugal. No entanto, o ciclismo de pista português está a crescer, pelo que o interesse também aumenta. Mas afinal, o que atrai tanto nesta vertente da modalidade? Alguns ciclistas portugueses, que estão a competir no Troféu Internacional Município de Anadia, explicam e todos concordam: quem for pela primeira vez assistir, irá certamente regressar.

"Se o público viesse pela primeira vez, tenho a certeza que ficaria com aquele bichinho e continuaria a vir." Rafael Silva deu o mote. O ciclista da Efapel é um dos portugueses que está a competir no Velódromo Nacional, em Sangalhos, que durante três dias foi novamente escolhido para uma prova internacional, depois do Campeonato Europeu de sub-23 e juniores. "Muitas pessoas nem têm ideia do espectáculo que é a pista. Pensam que uma pessoa anda aqui e que não há espectáculo, mas é uma competição que tenha 30, 40 ou 50 minutos, vê-se a corrida toda, não é como na estrada", salientou ao Volta ao Ciclismo.

O ainda companheiro de equipa António Barbio - em 2018 irá representar o Miranda-Mortágua - acrescentou: "Quando vierem vão ver que é emocionante!" A júnior Maria Martins reforçou: "Não tenho as mínimas dúvidas que quando vieram cá uma vez, ficam fãs." E reforçou: "Temos uma equipa muito boa [a selecção nacional], que tem estado a desenvolver projectos e resultados fantásticos. Agora acho que precisamos de ter mais confiança do nosso povo. Apostem em nós, venham cá apoiar-nos que é bastante importante."

Já João Matias conhece bem alguns dos grandes fãs. "Podem falar com o meu pai e com o pai dos gémeos Oliveira. Acho que são dos principais fanáticos do ciclismo de pista! Este Troféu Internacional tem alguns dos melhores ciclistas a nível mundial e a entrada é gratuita. Aqui dentro está quentinho em Dezembro! Lá fora está um frio desgraçado! Podem-nos ver, falar connosco... Isto é muito bom", referiu, bem disposto. Tal como Maria Martins, Matias está a representar a Selecção Nacional na competição que termina este domingo.

Ivo Oliveira, é juntamente com o irmão Rui, a principal referência desta vertente em Portugal. Soma medalhas desde o escalão de juniores e já viveu todo o tipo de ambientes na pista. O ciclista português, que também está a representar a selecção, adoptou um tom mais crítico. "Não sei se é por causa da divulgação que é mal feita... Penso que poder-se-ia fazer um melhor trabalho nesse aspecto. Se calhar a maioria das pessoas nem sabe que esta prova existe. Se soubessem, eu acho que apareceriam. Acho que elas gostam", afirmou. "Há muitos anos que o público não aparece. Este ano nem me posso queixar. Tivemos muita gente no Campeonato da Europa e o público gosta de aparecer nessas [competições]", acrescentou Ivo Oliveira, realçando como é muito diferente competir num velódromo cheio. "Tem de se chamar mais público", apelou.

Maria Martins é a mais nova e ainda está a tentar encontrar o caminho do profissionalismo no difícil mundo do ciclismo feminino. Já os restantes já conseguiram arrancar com a carreira na estrada. No entanto, todos gostam de incluir a pista no seu programa, até porque também tiram benefícios quando regressam à estrada.

"É uma grande vertente para preparar a estrada. Principalmente no Inverno podemos treinar aqui muito bem. Às vezes quando está a chover, podemos fazer um trabalho muito melhor aqui do que na estrada", explicou Ivo Oliveira. Todos partilham essa opinião, tal como o ambiente mais próximo que existe entre os ciclistas.

Desde muito novos que a atracção pela pista existe nestes ciclistas. Falam mesmo no "bichinho" que não mais se foi embora. "É uma modalidade que eu comecei a fazer em júnior e desde cedo que me adaptei bem. Esse é o primeiro ponto para eu gostar de ciclismo de pista. A partir daí acho que é o ambiente familiar. Acabamos por estar todos juntos nas boxes, por nos conhecer muito bem e viver o ciclismo de maneira diferente. Desfrutamos dentro e fora das corridas", contou João Matias.

"É o ambiente que se vive dentro da pista, a adrenalina que nos dá... Uma pessoa não tem a noção de fora", desabafou Maria Martins, que não esconde a sua paixão por esta vertente do ciclismo.

Para Rafael Silva "é o ambiente aqui na selecção" que começa logo por cativar e querer estar nestas provas. Mas há mais: "Em termos físicos e para a nossa preparação é muito importante, visto que rodamos aqui pouco tempo, mas a grande intensidade, tudo aquilo que nós não fazemos a treinar. Para nós, neste defeso que não temos competição, é uma mais valia. E está a chover lá fora e está frio e aqui está quentinho! A pista é uma mais valia para as futuras competições e desfrutamos aqui muito. Aprendemos tacticamente e tecnicamente."

António Barbio acrescentou: "Quatro meses a trabalhar, com o objectivo lá longe, é mais fácil psicologicamente termos algumas falhas. Tendo estes pequenos objectivos [na pré-época], não só para estar bem, mas também por estar com os colegas, acho que a preparação para a estrada se torna mais fácil e mais agradável."

Ou seja, para estes ciclistas tanto eles como o público têm a ganhar com o ciclismo de pista. Enquanto uns praticam e melhoram como atletas, outros têm a oportunidade de assistir a um espectáculo diferente da modalidade. E este domingo, o último dia do Troféu Internacional Município de Anadia, as provas arrancam às 10:00 com o keirin. Serão corridas sem interrupção até cerca das 15:30, com scratch, perseguição individual e madison a também fazerem parte do programa.

E como João Matias frisou, a entrada é gratuita.

»»Nova medalha para Rui Oliveira e os dois pontos que tiraram o bronze a Miguel Salgueiro««

»»Gémeos Oliveira e João Matias em destaque no primeiro dia de competição««

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15 de dezembro de 2017

Gémeos Oliveira e João Matias em destaque no primeiro dia de competição

O Troféu Internacional Município de Anadia arrancou e os gémeos Oliveira conquistaram logo duas medalhas. Na prova que abriu a competição, a corrida de scratch em sub-23, Ivo ganhou e Rui foi terceiro. E para terminar, João Matias chegou a liderar a prova por pontos. Foi quinto, numa corrida em que teve como adversários atletas de nível mundial. O primeiro dia de provas houve ainda um valente susto, com a queda de Soraia Silva no scratch. Apesar das marcas na perna e braço, a jovem ciclista mostrou estar bem e preparada para sábado e domingo regressar à pista do Velódromo Nacional, em Sangalhos.

Gabriel Mendes estava contente com as performances dos seus ciclistas. "Para o processo de trabalho em que estamos, estou extremamente satisfeito com todos eles. Está dentro da nossa expectativa e para aquilo que são os nossos objectivos para esta fase da época", salientou ao Volta ao Ciclismo. O seleccionador nacional referiu o exemplo dos gémeos Oliveira, que têm apenas 15 dias de treino, pois esta é uma fase de arranque de temporada para a maioria dos corredores. Ainda assim, foram competitivos e juntaram mais duas medalhas às várias que já somam nos escalões de juniores, sub-23 e também elite, incluindo de europeus e mundiais.

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
"Estiveram muito bem. Eles não têm sempre a pressão de ganhar. Eles sobem frequentemente ao pódio, mas também se não subissem nesta corrida, não seria um problema", referiu Gabriel Mendes, que acrescentou que sendo uma competição em Portugal é naturalmente bom que se atinjam estes resultados. Ainda assim frisou: "Temos de respeitar um processo de preparação que queremos que seja sólido e sem quebrar etapas." O seleccionador destacou ainda o "papel determinante" de César Martingil na mesma corrida, com o ciclista a terminar no 10º lugar.

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
O outro destaque do dia foi João Matias. Esteve bem na perseguição individual, mas foi na corrida por pontos que ficou perto do pódio. Ao conseguir dar uma volta de avanço e vencendo depois o sprint, Matias esteve na liderança no início da prova. O pódio pareceu possível durante toda a longa, mas rápida corrida. Porém, o ciclista português acabaria no quinto lugar. O pódio escapou, mas João Matias demonstrou novamente como está a evoluir no ciclismo de pista, disputando a corrida com ciclistas de elevado nível internacional. O espanhol Sebastían Mora venceu com 54 pontos, mais um do que o holandês Jan-Willem van Schip. O belga Robbe Ghys foi o terceiro, com 39 pontos. Matias somou 34.

A júnior Maria Martins continua a ganhar experiência ao competir com a elite e terminou o dia com dois resultados muito animadores. Primeiro começou por ser oitava entre 24 atletas que se apuraram para a final na corrida por pontos. No scratch foi nona, com Soraia Silva a sofrer uma queda que poderá ter sido uma dura forma de aprender o que não deve fazer. "As quedas são algo que podem acontecer a qualquer momento. Há aspectos que temos de melhorar, nomeadamente técnicos ,de forma a que a situação que aconteceu não se repita. A Soraia entra na faixa dos sprinters, pela esquerda de uma atleta que já lá se encontrava e devido à velocidade e ao não ter possibilidade de entrar na curva da pista, se assim podemos dizer, no ápice da curva é projectada por fora. Os atletas não devem forçar essa passagem, ela forçou e as coisas correram mal", explicou Gabriel Mendes.

Soraia teve uma passagem pelo departamento médico, mas neste sábado, tanto a ciclista, como os restantes companheiros da selecção nacional estarão na prova do omnium, que inclui seis corridas, como a perseguição individual ou o scratch. Os ciclistas vão somando pontos para se encontrar o vencedor.

De referir que além dos ciclistas que estão a representar a selecção nacional, encontram-se em Sangalhos a competir a título individual António Barbio, Rafael Silva e Leonel Coutinho.

O dia de sábado começa às 10 até perto das 20 horas, com paragem entre as 12:50 e as 16 horas. Gabriel Mendes deixa o convite para assistir ao Troféu Internacional Município de Anadia: "Vale a pena cá vir. É um espectáculo que é bonito de se ver". A entrada é gratuita.

»»Gémeos Oliveira lideram selecção no Troféu Internacional Município de Anadia««

»»A vez de Ivo Oliveira. Mais uma medalha para Portugal««

13 de dezembro de 2017

Gémeos Oliveira lideram selecção no Troféu Internacional Município de Anadia

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Naquela que será a segunda grande competição internacional a realizar-se no Velódromo em Sangalhos este ano, os gémeos Oliveira vão liderar uma selecção portuguesa ambiciosa. Porém, haverá mais representantes nacionais a juntar-se a um pelotão numeroso e principalmente de qualidade. Mais de 130 ciclistas, alguns deles com medalhas em Campeonatos do Mundo, da Europa e Jogos Olímpicos nesta vertente do ciclismo, vêm de 17 países para competir entre sexta-feira e domingo no Troféu Internacional Município de Anadia.

A Ivo e Rui Oliveira, que nos últimos Europeus tornaram-se os primeiros portugueses a conquistar medalhas na pista na categoria de elite, juntam-se João Matias, César Martingil e Soraia Silva e Maria Martins em representação da selecção. No entanto, há outros inscritos, como Rafael Silva, António Barbio e Leonel Coutinho.

O ciclismo de pista não tem a popularidade do de estrada em Portugal. No entanto, o elenco que estará presente no Velódromo Nacional é uma boa razão para se assistir às competições. A entrada é gratuita e todos estão convidados a ir até ao Velódromo Nacional. Além dos portugueses, teremos ciclistas como Elis Ligtlee, campeã olímpica de keirin, Kirsten Wild, campeã europeia de eliminação e detentora de 17 medalhas em europeus e mundiais, Wim Stroetinga, cinco vezes medalhado em europeus e mundiais, e Dion Beukeboom, três vezes medalhado em Europeus e candidato a tirar o recorde da hora a Bradley Wiggins.

A Holanda apresenta-se forte, mas não é a única. Do Canadá vêm Allison Beveridge - conquistou doze medalhas em mundiais, competições pan-americanas, incluindo o bronze na perseguição por equipas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro - e Stephanie Roorda, que soma dez pódios em mundiais e competições pan-americanas.

A Lituânia tem estado a estagiar em Sangalhos e terá Simona Krupeckaité - detentora de 22 medalhas, entre as quais duas de ouro em mundiais e quatro em europeus - e Vasilijus Lendel, que venceu a prova de velocidade na Taça do Mundo de Pista, no último fim-de-semana.

Além dos países referidos, estarão ainda no Velódromo representantes da Arménia, Bélgica, Espanha, EUA, França, Grã-Bretanha, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Noruega, Roménia e Suíça.

Em Julho realizaram em Sangalhos os Europeus de sub-23 e juniores e agora será o Troféu Internacional Município de Anadia, com as provas a começarem às 14:30 de sexta-feira. O dia termina às 20:45. A jornada de sábado divide-se em duas: das 10:00 às 12:50 e das 16:00 às 19:35. No domingo não há paragens: das 10:00 às 15:35. O programa contará com as seguintes especialidades: contra-relógio (1 km e 500m), corrida por pontos, keirin, madison, perseguição individual, omnium, scratch e velocidade.



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19 de novembro de 2017

Ambição, confiança, desilusão e revelação

Edgar Pinto alcançou bons resultados ao longo do ano, mas faltou uma vitória.
Queda na Volta a Portugal foi uma enorme desilusão para a equipa
na aspiração de lutar pela conquista da prova
Vontade de fazer do projecto LA Alumínios-Metalusa-BlackJack um de sucesso em Portugal não faltou. Ambição muito menos. Apesar de manter um dos patrocinadores de maior tradição no ciclismo nacional, a estrutura assumiu-se como nova. Edgar Pinto regressou depois de dois anos na Skydive Dubai para assumir a liderança de uma formação que queria lutar por todas as corridas e não centrar-se apenas na Volta a Portugal. César Fonte foi outra contratação de relevo, enquanto João Matias acabou por ser uma das figuras. José Augusto Silva foi outro regresso, mas à função de director desportivo e logo na Volta ao Algarve viu Edgar Pinto terminar em 10º lugar.

Sétimo na Volta ao Alentejo, oitavo na Clássica Aldeias do Xisto e mais tarde foi nono no Troféu Joaquim Agostinho. Edgar Pinto não somou vitórias, mas parecia que se apresentaria bem na Volta a Portugal. César Fonte andou sempre próximo a nível de resultados, mas com a diferença de um triunfo na terceira etapa do Grande Prémio Abimota. Entretanto, o espanhol Antonio Angulo tinha sido a figura da Volta à Bairrada. A LA Alumínios-Metalusa-BlackJack poderia não ser a equipa mais forte, mas era claro que poderia ter dois homens na discussão de um bom resultado na Volta a Portugal.

José Agusto Silva cumpriu a promessa de início de temporada de ter os seus ciclistas a lutar por vitórias em todas as corridas, mas no que diz respeito a mediatismo, é inevitável que a Volta a Portugal tenha sempre uma importância maior. Equipa com exibições consistentes durante o ano, na terceira etapa da Volta deu-se a maior das desilusões. Edgar Pinto sofreu uma aparatosa queda já perto da meta em Bragança, na habitual confusão de quando se prepara um chegada a alta velocidade, ou seja, um sprint. Foi transportado para o hospital e a LA viu-se obrigada a repensar a estratégia. César Fonte chegou-se, naturalmente, à frente para assumir a responsabilidade, mas foi João Matias a estrela inesperada.

Ranking nacional: 6º (962 pontos)
Vitórias: 5
Ciclista com mais triunfos: João Matias e António Angulo (dois cada um)

A classificação da montanha era um possível objectivo para César Fonte, contudo, foi o seu colega que acabou por andar de azul durante seis dias. João Matias tinha estado muito bem nos Mundias de pista, procurava a sua primeira vitória como profissional, mas acabou por ser uma revelação: mostrou qualidades de trepador que não se esperava. Foi aguentando a camisola azul numa luta de sacrifício, mas também de quem estava extremamente motivado, até que na etapa da Serra da Estrela não deu mais. Ainda assim, realizou uma grande Volta e foi uma das figuras da corrida. César Fonte terminou na 15ª posição, não conseguindo entrar no desejado top dez. Já Matias ainda não tinha terminado de dar alegrias à equipa. Nos habituais circuitos de final de temporada, ganhou no Bombarral e na Malveira.

A LA Alumínios-Metalusa-BlackJack tinha confiança que poderia competir com as melhores equipas nacionais. Algumas exibições prometeram, mas ficou a faltar uma grande vitória. Em Edgar Pinto terá ficado alguma frustração, ou pelo menos tristeza de ter trabalhado bem durante o ano para depois terminar a época a recuperar de uma queda.

Poder-se-ia dizer que perante as boas performances e depois da desilusão de ficar sem o líder na Volta a Portugal, a LA poderia partir para 2018 com muita vontade de fazer mais e melhor. No entanto, o projecto chegou ao fim. Apenas um ano de vida. Nasce a Vito-Feirense-BlackJack, enquanto a LA Alumínios poderá apostar numa equipa de formação. Edgar Pinto, João Matias, Hugo Sancho e Luís Afonso transitam para a nova estrutura. Joaquim Andrade será o director desportivo.

Perante a evolução demonstrada este ano, há que seguir com alguma atenção o que fará João Matias. Este ciclista, de 26 anos, já passou pela estrutura da então OFM-Quinta da Lixa, mas 2017 poderá ter sido um ano de transição para começar a ter outro protagonismo. Quanto a Edgar Pinto (32), o corredor deixou claro que quer e tem capacidade para alcançar mais do que um quarto lugar na geral e uma etapa na Volta a Portugal (os seus melhores resultados na Grandíssima).

12 de outubro de 2017

Selecção jovem mas de luxo para os Europeus de Pista

Os eleitos: Rui Oliveira, João Matias, César Martingil e Ivo Oliveira
(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
São jovens de enorme talento, tanto na pista como na estrada. Ainda estão a percorrer o seu caminho rumo ao mais alto nível e esta presença nos Europeus de Pista é mais um passo. João Matias é o mais velho (26 anos), os restantes ainda são sub-23, mas já com muitos quilómetros de pista. No caso de Rui e Ivo Oliveira (21), Portugal apresenta títulos nas camadas jovens, enquanto César Martingil (22) tem demonstrado estar cada vez melhor nesta vertente no ciclismo e dedicou-se muito à preparação para estes Europeus.

São jovens, mas compõem uma selecção de luxo no ciclismo de pista nacional. Dão garantias que Portugal estará na luta por bons resultados. São jovens, mas experientes nesta vertente. O ciclismo de pista entrou definitivamente nos objectivos dos atletas lusos em termos de carreira. Não se esperam medalhas, mas também não seria uma surpresa se conquistassem alguma. Recentemente, César Martingil - o estreante numa competição deste género em elite - disse ao Volta ao Ciclismo que ambiciona um top cinco, mas foi mais longe: "Penso que os que vão, vão tirar uma medalha." Se calhar, até se espera uma medalha... Na altura das declarações, no Festival de Pista de Tavira, ainda se desconhecia os convocados finais, agora divulgados pelo seleccionador Gabriel Mendes. De realçar que César Martingil irá deixar a Liberty Seguros-Carglass para assinar por uma equipa de elite nacional. Irá dar o passo rumo ao profissionalismo, mas para já diz apenas que continuará de tons de azul.

Um dos objectivos assumidos pelo seleccionador é a presença nas finais de perseguição individual, algo que seria inédito para Portugal na categoria de elite. E há que não esquecer que o trabalho que vai sendo agora realizado tem também em mente os Jogos Olímpicos. Portugal quer apurar atletas para Tóquio2020.

Rui Oliveira, campeão europeu de eliminação, e o irmão gémeo Ivo, vice-campeão europeu de perseguição, alcançaram os melhores resultados nos recentes Europeus de Pista em sub-23, que se realizaram em Anadia. Ambos representam a equipa americana da Axeon Hagens Berman. João Matias foi aos Mundiais, em Abril, juntamente com Ivo Oliveira, e o ciclista da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack realizou uma corrida de scratch emocionante, com a medalha a parecer que estava tão perto. Não a alcançou, mas foi uma exibição marcante. Matias foi entretanto uma das figuras da Volta a Portugal, ao vestir a camisola da montanha durante várias etapas, tendo depois vencido dois dos circuitos de final de temporada, naquelas que foram as primeiras vitórias como profissional. Motivação não lhe falta, certamente,

Além da perseguição individual, os representantes portugueses vão competir no omnium (scratch, tempo race, eliminação e corrida por pontos), madison e  na corrida de eliminação. Nestes casos, o objectivo passa por um top oito.

Berlim, Alemanha, é o palco destes Europeus. A toda poderosa Grã-Bretanha, Holanda, a própria selecção da casa... a Europa tem selecções fortíssimas, mas ainda assim Portugal apresenta um grupo de jovens que já demonstraram que podem fazer frente aos grandes nomes, pois também eles se querem tornar em figuras do ciclismo de pista (e não só) e têm capacidade para tal.

Os Europeus realizam-se entre 18 e 22 de Outubro e serão transmitidos pelo Eurosport. Aqui ficam os horários previstos para as competições nas quais estarão os ciclistas portugueses:

19 de Outubro 
19:15 - Final de scratch 

20 de Outubro 
Omnium - scratch (12:00), tempo race (14:15), eliminação (16:20) e corrida por pontos (19:20)
16:50 - Eliminação

21 de Outubro 
Perseguição Individual - 14:00 (qualificação) e 19:20 (final) 
17:00 - Corrida por Pontos

22 de Outubro 
15:00 - Madison



26 de julho de 2017

"É um sonho de criança que estou a cumprir"

Há anos que marcam uma carreira e 2017 certamente que será um que João Matias não irá esquecer. O ciclista soube dar um passo atrás na carreira para conseguir dar dois à frente. Primeiro apareceu em grande na pista, com uma exibição fenomenal nos Mundiais, agora vai estrear-se na Volta a Portugal aos 26 anos. Entusiasmado, motivado e muito feliz. João Matias vive um bom momento na carreira e só pensa em desfrutar de todos os momentos que irá viver na Volta. Se houver uma oportunidade para se mostrar, ainda melhor, se não for possível, quer ser a melhor ajuda para concretizar os objectivos da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack e que se centram bastante em ter Edgar Pinto a lutar pela geral.

"É um sonho de criança que estou a cumprir. Para já tem sido fácil [gerir as emoções] e tenho treinado e dormido bem. Não é algo que me tire o sono. Mas se calhar, quando chegar o dia antes [da Volta a Portugal começar]... Mas também não é algo que me assuste muito", salientou João Matias ao Volta ao Ciclismo. Admitiu que é natural que surja alguma ansiedade, mas que não será algo que o irá influenciar negativamente: "O importante é desfrutar da Volta." A família e amigos vão apoiá-lo nesta sua primeira presença na principal competição de ciclismo para o pelotão português, algo que o deixa ainda mais feliz.

Sem que exista já uma táctica delineada, João Matias falou como a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack tem "um líder sólido", Edgar Pinto, que este ano regressou a Portugal depois de dois anos na Skydive Dubai. Em primeiro lugar estará sempre o apoio ao líder. "Depois não sei. Gostava de tentar estar na disputa de uma ou outra etapa ao sprint e de tentar estar em alguma fuga", afirmou. Por enquanto ainda espera por saber as suas funções para a Volta a Portugal (de 4 a 15 de Agosto), esperando então ter alguma liberdade, se for possível, em alguma etapa.


"Dei um passo atrás e fui para a Froiz. Acabou por ser um ano positivo e felizmente passei novamente a profissional com a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. Estou muito grato pela oportunidade"

Certo é que quando partir em Lisboa, João Matias será um ciclista muito motivado. Recentemente esteve no contra-relógio nos Nacionais e a melhoria foi notória comparativamente com o ano passado. Ainda assim, o prólogo da Volta não é algo que aponte a uma vitória, mas quer começar bem a corrida. "Não levo grande ambição para o prólogo, mas gostava de fazer um bom tempo e tentar estar entre os 15/20 primeiros. Seria um excelente resultado", referiu.

Recuando a esse contra-relógio nos Nacionais, João Matias demonstrou como tem trabalhado intensamente nessa vertente, confessando que cada vez gosta mais dela. "Em 2016 perdi 5:23 para o Nelson Oliveira e este ano fiquei a 1:55 de Domingos Gonçalves [o campeão nacional] e isso dá-me alento para o futuro. Tenho feito contra-relógios desde a Volta ao Algarve e tenho estado a evoluir", contou. A pista tem tido o seu papel nesta evolução. Aliás, uma das razões que levou João Matias a começar o ano muito forte, foi o facto de logo em Dezembro ter-se aplicado no treino de pista.

Este trabalho levou Gabriel Mendes a seleccioná-lo para os Mundiais em Abril. Com os Jogos Olímpicos em mente, um dos objectivos era somar pontos para tentar começar a garantir a presença portuguesa em Tóquio2020, com o top dez nas provas a ser um desejo. Porém, João Matias quase provocou uma explosão de alegria inesperada. Esteve a volta e meia de algo inédito na prova de scratch. Durante algumas voltas esteve isolado na frente e por minutos sonhou-se com a medalha. O "quase" não traz glória, mas aquela exibição do ciclista foi brilhante. Não deu medalhas, mas deu uma certeza que Matias é mais um atleta para se contar para as grandes provas de pista.

"Estamos aqui a falar e fico com pele de galinha só de pensar nisso. São momentos que me deixam muito feliz e é uma modalidade que tenho trabalhado. A LA Alumínios-Metalusa-BlackJack dá-me liberdade para fazer esse trabalho", explicou. E confiança não lhe falta: "Sinceramente, é uma especialidade que acho que com um pouco de treino consigo estar a bater-me com os melhores do mundo." E de facto esteve mesmo!

João Matias recordou o discurso de Gabriel Mendes antes da corrida.  "Ele disse-me: 'Tu estás aqui, estás a representar Portugal, tens a tua oportunidade, tens de fazer o teu melhor. Mas não te esqueças que podes ganhar como os outros.' Disse-me ainda que tinha de estar bem colocado nas últimas voltas e se a corrida parasse, para arrancar, para arriscar. Foi o que fiz." Palavras que não esquece e que considera terem sido as que precisava mesmo de ouvir.

Estar presente nos Jogos Olímpicos seria mais um grande momento para João Matias, mas o ciclista assegurou que está concentrado em tentar ajudar à qualificação de ciclistas portugueses para Tóquio2020. Frisou que ficará feliz se for um dos escolhidos para lá estar, contudo, se não estiver, também não será algo que o irá abater.

João Matias começou a sua carreira profissional na estrutura da OFM-Quinta da Lixa, actual W52-FC Porto, antes de ir até Espanha: "Depois de três anos como profissional e de muitos altos e baixos, dei um passo atrás e fui para a Froiz. Mais vale dar um passo atrás e depois tentar dar dois à frente. Acabou por ser um ano positivo e felizmente passei novamente a profissional com a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. Estou muito grato com a oportunidade que me estão a dar."

Agora é o momento de se concentrar na Volta a Portugal, na qual a exposição mediática será muito diferente ao que tem experimentado. No entanto, está preparado para se mostrar ao melhor nível.



15 de abril de 2017

Ivo Oliveira cumpre objectivo com excelente recuperação na última prova do omnium

Ivo Oliveira, último na fotografia, fez uma excelente corrida por pontos
(Fotografia: Facebook UCI)
Ivo Oliveira passou com distinção no primeiro teste do omnium num Mundial rumo a Tóquio2020. O ciclista português apostou em Hong Kong nesta disciplina olímpica e cumpriu o objectivo delineado pelo seleccionador Gabriel Mendes ao ficar na décima posição. A corrida de eliminação acabou por estragar a possibilidade de um resultado ainda melhor, mas tendo em conta que começou a última prova do omnium no 14º posto, o top dez é um resultado muito animador.

O omnium é actualmente constituído por quatro provas - antes eram seis -, pelo que a regularidade é importante para quem quiser aspirar às medalhas. Regularidade de topo, naturalmente. Na sexta-feira, Ivo Oliveira foi sexto na perseguição individual, naquele que é o melhor resultado de um português nos Mundiais de pista. No entanto, o ciclista de Gaia escreveu no Twitter que até esperava ter feito melhor, pois nos treinos tinha sido mais rápido. As expectativas para o omnium eram grandes e o corredor só falhou na corrida por eliminação. Após o scratch e a tempo race era décimo e estava muito bem colocado no início da terceira prova, até que uma queda mudou todo o panorama.

O incidente entre o polaco Szymon Sajnok e o dinamarquês Casper Pedersen obrigou à neutralização da corrida. O grupo continuou na pista enquanto os dois ciclistas voltavam para as suas bicicletas para retomar a corrida. Porém, Ivo Oliveira descaiu durante esse curto tempo e quando a prova recomeçou viu-se numa posição que acabou por ser fatal. Bem tentou fugir ao último lugar, mas Sajnok tapou a trajectória ao português que foi logo o segundo corredor a ser eliminado. De imediato Oliveira expressou o seu descontentamento por ficar de fora tão cedo.

Foi o momento para Ivo Oliveira demonstrar como é também muito forte mentalmente. Não se deixou abater e atacou a corrida por pontos. O ciclista da Axeon Hagens Berman ganhou uma volta (20 pontos), venceu o sprint final (10) e ainda pontuou em mais dois (2+3). Ivo Oliveira até foi o vencedor desta última prova, mas o importante é o combinado das quatro. Os 77 pontos garantiram o décimo posto, com o título mundial a ir para França: Benjamin Thomas (149 pontos). O neozelandês Aaron Gate (147) ficou com a medalha de prata e o bronze foi para o espanhol Albert Torres (138).

João Matias e Ivo Oliveira
(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Os Mundiais de Hong Kong terminam este domingo, mas a participação portuguesa ficou concluída este sábado, com a prestação de Ivo Oliveira. De recordar que esteve também presente João Matias (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack), que aos 25 anos estreou-se numa competição deste nível. Foi 20º no scratch, depois de um ataque que quase resultou numa medalha, mas quebrou a pouco mais de uma volta do fim. Na corrida por pontos foi 19º.

Ainda estamos a mais de três anos dos Jogos Olímpicos de Tóquio, mas o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido nos últimos anos no ciclismo de pista em Portugal começa agora a dar os primeiros sinais positivos a nível de elite, depois de um enorme sucesso nas camadas jovens, principalmente devido aos gémeos Oliveira. Há ainda muitas competições pela frente e margem de progressão para os corredores com quem Gabriel Mendes tem trabalhado. Mas o ciclismo de pista parece estar a caminho de se tornar em mais uma modalidade em Portugal a ter em atenção para os próximos Jogos Olímpicos.




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