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28 de dezembro de 2018

"Se eu e o João Matias nos entendermos bem, poderemos dar que falar em muitas corridas"

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
O mês de Outubro estava a terminar quando, no Twitter, Óscar Pelegrí anunciou que não tinha contrato para 2019, destacando como a sua estreia como profissional tinha sido marcada por excelentes resultados, incluindo duas vitórias. Em Espanha, o seu twit teve repercussão, com vários meios de comunicação social a noticiarem o caso de Pelegrí, que não deixava de ser uma surpresa perante o que tinha feito na Rádio Popular-Boavista. Também em Portugal a situação de Pelegrí recebeu atenção e foi de cá que partiu a oportunidade de continuar a competir. Depois de dias difíceis para o corredor, a Vito-Feirense-BlackJack de Joaquim Andrade "agarrou" Pelegrí, que agora só pensa em agradecer a confiança nele depositada com mais bons resultados.

"Foram momentos de susto que não recomendo a nenhum ciclista. Não encontras explicação... Foi complicado", confessou o ciclista espanhol ao Volta ao Ciclismo. Aos 24 anos, Pelegrí teve um 2018 pleno de surpresas. Começou por ir além dos objectivos que tinha com as vitórias na geral do Grande Prémio Abimota e na terceira etapa no Grande Prémio de Portugal Nacional 2. Acabou com a surpresa desagradável de se ver sem equipa. "Sim, fiquei surpreendido. Tinha outras opções mas não estavam seguras, pelo que queria esperar. E por questões de dias, ou de um dia, vi-me na situação de ficar sem equipa", referiu.

Pelegrí explicou que recebeu uma oferta da Rádio Popular-Boavista, mas que devido a "uma série de acontecimentos" a renovação não se concretizou. "A equipa estava completa e quando me decidi, já era tarde." Sem solução à vista, foi então que se virou para o Twitter, a exemplo de outros ciclistas no passado e conseguiu o feedback desejado: "Estou satisfeito por ir para a Vito-Feirense-BlackJack. É uma boa equipa e é uma boa oportunidade. Acho que posso encaixar bem na sua filosofia. Espero ter um bom ano", salientou.

"No início do ano, o meu objectivo era ver-me como profissional, mas nunca pensei que conseguisse a primeira vitória"

A formação de Joaquim Andrade irá perder um dos seus líderes, Edgar Pinto, que vai para  a W52-FC Porto. Abre-se um espaço para outros ciclistas mostrarem mais o seu potencial, a começar por Pelegrí. E o espanhol já só pensa como poderá procurar novos sucessos, ao lado de um ciclista que tem ganho um lugar de cada vez mais destaque no pelotão nacional e com o qual considera ter um perfil idêntico como atleta. "Se eu e o João Matias nos entendermos bem, poderemos dar que falar em muitas corridas", realçou.

Ultrapassada a incerteza quanto ao ter ou não equipa para 2019, Pelegrí consegue agora recordar com maior satisfação a sua estreia como profissional. Este campeão de Espanha de sub-23 em 2016 já tinha passagens pela italiana Amore & Vita e pela espanhola Caja Rural, como estagiário, antes de assinar pela Rádio Popular-Boavista. "Foi uma época muita positiva. Na Amore-Vita e na Caja Rural aprendi muito, sobretudo sobre a forma de correr e de me ver no pelotão internacional. Isso só me ajudou a que a adaptação este ano fosse mais rápida", disse.

"Não esperava conseguir tanto [em 2018]. No início do ano, o meu objectivo era ver-me como profissional, mas nunca pensei que conseguisse a primeira vitória. O objectivo era consegui-la nos dois primeiros anos. E foi um triunfo de etapa e numa Volta. Foi a primeira vez que ganhei uma Volta, pelo que fiquei super contente", acrescentou.

As suas exibições em Portugal foram seguidas com atenção no seu país. Ainda assim, não surgiu a oferta que todos os ciclistas procuram, ou seja, chegar a uma equipa de escalão superior. Nada que preocupe Pelegrí que só agradece ter a Vito-Feirense-BlackJack (futura Vito-Feirense-PNB) para prosseguir com a sua carreira. Depois de um 2018 tão positivo, Pelegrí admite que é ambicioso e que quer mais. Enquanto não arranca a temporada - a 10 de Fevereiro, com a Prova de Abertura Região de Aveiro -, o espanhol vai conciliando na pré-época os treinos de estrada, com a presença na pista: "É uma vertente que gosto muito e penso que entre pista e estrada há um benefício mútuo."

Pelegrí será uma das muitas caras novas na equipa do director desportivo Joaquim Andrade. Filipe Cardoso (Rádio Popular-Boavista), Rui Rodrigues (Aviludo-Louletano-Uli), Jesus del Pino (Efapel), Bjorn Thurau (Holdsworth Pro Racing), João Barbosa (Maia), Pedro Andrade e António Ferreira (promovidos da equipa de juniores) juntam-se ao projecto que continuará a contar com João Matias, Xuban Errazkin, Luís Afonso, João Santos, Bernardo Saavedra.

»»"Sinto-me preparado para correr no pelotão profissional"««

»»"Creio que já tinha demonstrado bons argumentos para ter esta oportunidade"««

22 de novembro de 2018

Um Edgar Pinto livre de azares e um João Matias cada vez mais líder

Há um ponto que se tem de destacar de imediato na temporada da Vito-Feirense-BlackJack: Edgar Pinto teve finalmente uma época sem incidentes . Isto é, sem quedas, sem furos, sem os azares que pareciam persegui-lo. O que é que isso significou? Vitórias! E também disputar a Volta a Portugal, ou pelo menos, discutir o pódio. Depois houve um João Matias cada vez mais confiante, cada vez mais forte e cada vez mais com perfil de líder. Numa época em que houve mais um recomeçar da estrutura, Joaquim Andrade conseguiu que a sua equipa tivesse os seus momentos, tendo ido a Madrid conquistar o maior dos feitos da temporada.

2018 marcou o regresso do Feirense ao ciclismo, para assim festejar o centenário do clube. Muito se recordou a vitória na Volta de Fernando Carvalho, mas a equipa que viu Joaquim Andrade assumir a responsabilidade de a liderar, quis mais do que pensar na Volta. Neste recomeço da estrutura - que foi em parte a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack em 2017 - o antigo ciclista juntou alguns jovens corredores do Sport Ciclismo S. João de Ver aos mais experientes, para assim dar continuidade à formação feita no clube.

Porém, a responsabilidade de alcançar resultados estava com as principais figuras, com Leonel Coutinho a ser o mais infeliz. Regressou a Portugal depois de uma passagem por Espanha (G.D. Supermercados Froiz), mas não teve uma época fácil, prejudicada por problemas físicos desde Junho. João Matias foi quem assumiu desde a primeira corrida o objectivo de tentar garantir vitórias para dar a maior tranquilidade possível à equipa e aos novos patrocinadores.

Depois de um 2017 durante o qual demonstrou ter dado um salto de qualidade no seu ciclismo, Joaquim Andrade deu-lhe um papel de maior destaque e João Matias não teve problemas em assumi-lo. Discutiu várias corridas, ainda que o triunfo só tenha chegado em Julho, na quinta etapa do Grande Prémio de Portugal Nacional 2. Mas a sua atitude, a forma como disputa cada quilómetro faz dele um ciclista que o director desportivo confia e Matias não desiludiu.

Talvez tenha ficado um pouco desiludido por não ter conseguido uma tão desejada vitória de etapa na Volta a Portugal, depois de há um ano ter sido uma das revelações, ainda que num terreno que não é a sua especialidade. Esteve muito tempo vestido de azul, como líder da montanha, numa estreia na corrida inesquecível. Não ganhou este ano, mas entrou nas discussões ao sprint e foi muito importante no trabalho colectivo.



Ranking: 6º (1330 pontos)
Vitórias: 5 (incluindo a Volta à Comunidade de Madrid)
Ciclista com mais triunfos: Edgar Pinto (3)

E quando se fala do colectivo, Ricardo Vale e Luís Afonso desempenharam o seus papéis, com Vale a recuperar o bom caminho da sua carreira, depois de um 2017 complicado na Rádio Popular-Boavista, devido a lesão. E o veterano Hugo Sancho não pode ser esquecido.

Mesmo sem ter uma equipa que pudesse ombrear com a W52-FC Porto ou o Sporting-Tavira, por exemplo, a Vito-Feirense-BlackJack conseguiu ter o melhor de Edgar Pinto. Ganhar na Volta ao Alentejo foi o primeiro sinal que o ciclista, de 33 anos, estava recuperado da terrível queda na Grandíssima em 2017, em mais um dos azares que o afectaram quando estava em boa forma.

O ponto alto chegou em Espanha. Edgar Pinto venceu a primeira etapa da Volta à Comunidade de Madrid e acabaria por conquistar a geral, numa prova muito disputada, em que os 18 primeiros acabaram com o mesmo tempo. O corredor levou para casa um enorme troféu e uma confiança reforçada para a Volta a Portugal. Tentou o pódio, mas faltou-lhe estar melhor no contra-relógio e acabou por ficar muito só - esperava-se mais do marroquino Soufiane Haddi na ajuda ao líder -, quando as etapas de montanha foram atacadas, ainda que tenha estado quase sempre na frente. Foi uma Volta muito positiva para Edgar Pinto: em 11 etapas, terminou oito no top dez, tendo sido segundo na Senhora da Graça.

Errazkin teve um sabor agridoce para a Vito-Feirense-BlackJack. Ganhou a classificação da juventude na Volta, mas o resultado anómalo da substância terbutalina, detectado numa amostra recolhida durante Grande Prémio Abimota, não foi a melhor das notícias para terminar a temporada. O jovem espanhol, de 22 anos, realizou uma segunda parte de época muito forte e, por isso, Joaquim Andrade mantém a confiança em Errazkin, que irá manter-se no plantel para 2019. De salientar que a substância não está entre as que dão origem a uma suspensão provisória enquanto o processo decorre.

A Vito-Feirense-BlackJack teve assim uma temporada em que seria difícil pedir mais. A vitória em Madrid até foi mais do que seria de esperar e foi importante para garantir que o projecto possa continuar, procurando uma estabilidade que permita que 2019 possa ser ainda melhor.

Porém, a equipa perderá Edgar Pinto, que irá para a W52-FC Porto, mas Joaquim Andrade foi contratar ciclistas interessantes, a começar por Oscar Pelegrí, que apesar da boa temporada na Rádio Popular-Boavista - ganhou o Grande Prémio Abimota, por exemplo -, não viu o seu contrato ser renovado. Outro espanhol, Jesus del Pino, é um excelente ciclista de equipa e que também tem capacidade para entrar em fugas e disputar bons resultados. Nos últimos dois anos foi um dos homens de confiança na Efapel.

Da formação Aviludo-Louletano-Uli chega Rui Rodrigues, que poderá procurar um pouco mais de liberdade. A maior surpresa foi o alemão de 30 anos, Bjorn Thurau (Holdsworth Pro Racing). É um corredor que representou equipas como a Europcar (actual Direct Energie) ou a Bora-Argon 18 (então Profissional Continental, sendo agora a Bora-Hansgrohe). Experiência não lhe falta.

Juntam-se ao plantel os juniores Pedro Andrade e António Ferreira, com João Barbosa a chegar da Maia. Permanecem João Matias - que com a saída de Edgar Pinto, assumirá ainda mais o papel de líder -, Xuban Errazkin, Luís Afonso, João Santos, Bernardo Saavedra.

Para terminar: Filipe Cardoso. É uma das principais transferências em Portugal, não fosse ele um dos ciclistas mais populares do pelotão. Depois de duas épocas na Rádio Popular-Boavista, o corredor aceitou um novo desafio e aos 34 anos não se espera outra coisa que não seja ser igual a si mesmo.

Sempre disponível para ajudar, está ainda mais disponível para animar corridas, dar espectáculo e ser um autêntico relações públicas em cima da bicicleta das equipas que representa. Tal como Matias, tem um espírito que contagia, numa equipa que terá mais ciclistas com capacidade de ganhar, ainda que não tenha um claro substituto para Edgar Pinto. Cardoso completa um conjunto com ciclistas quase todos com características de lutadores, daqueles que não baixam os braços nem por nada.

Veja aqui todos os resultados da Vito-Feirense-BlackJack em 2018 e das restantes equipas nacionais.

6 de novembro de 2018

Transferências e renovações nas equipas portuguesas

As equipas portuguesas estão a ultimar os plantéis para 2019. Já são muitas as mudanças confirmadas, ainda que mais algumas deverão acontecer em breve. Os regressos de Tiago Machado ao pelotão português e o de Joni Brandão a uma casa que bem conhece, assim como a mudança de Daniel Mestre e também de Luís Mendonça, são algumas das principais transferências. Aqui ficam as contratações e renovações já confirmadas.

Depois de nove anos a competir no estrangeiro, oito, no World Tour, depois de dez grandes voltas e seis monumentos, o pelotão português contará novamente com um dos ciclistas que mais marca uma geração e que irá deixar a Katusha-Alpecin. Tiago Machado, o combativo por excelência, aceitou a proposta do Sporting-Tavira para liderar uma equipa que quer acabar com a hegemonia da W52-FC Porto. A formação azul e branca foi por sua vez buscar um dos ciclistas mais valiosos do nosso pelotão. Daniel Mestre deixa a Efapel depois de três temporadas em que foi uma das grandes figuras e aposta na formação que poderá estar em 2019 no escalão Profissional Continental, com Raúl Alarcón a continuar a ser o líder.


Nuno Ribeiro deverá manter a maioria dos ciclistas que representaram a equipa em 2018, com Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) a caminho, tal como Rafael Reis, que, a confirmar-se, estará de volta à equipa depois de dois anos na Caja Rural. Outro ciclista que poderá regressar a Portugal é José Mendes, que disse ter propostas do Sporting-Tavira e Efapel, apesar de ficar na Burgos-BH era uma hipótese ainda não afastada em Outubro.

Mas estas são transferências ainda não oficializadas. Continuando nas já confirmadas...

A Efapel é a outra autora de uma das principais transferências. Joni Brandão volta à casa que bem conhece, depois de duas temporadas no Sporting-Tavira. A primeira ficou marcada por um problema de saúde que não só o limitou, como o afastou mesmo da Volta a Portugal. Mas em 2018 esteve ao seu nível, foi segundo na Volta e venceu o ranking nacional. Antes da passagem pela formação algarvia, tinha estado quatro anos na Efapel, onde se tornou num dos ciclistas de referência do pelotão nacional. Assinou por duas temporadas. A equipa de Américo Silva já confirmou as renovações de Sérgio Paulinho, Bruno Silva, Rafael Silva e Pedro Paulinho.

Uma das equipas que realizou uma temporada inesquecível tem o seu plantel preparado para 2019. A Aviludo-Louletano-Uli - que passará a ser LudoFoods-Louletano - contratou Nuno Meireles (Miranda-Mortágua), Leonel Coutinho ((Vito-Feirense-BlackJack), Ricardo Vale (Vito-Feirense-BlackJack) e o espanhol Francisco Garcia Rus (GSport-Valencia Sports-Wolfbike). Quanto a renovações, o líder Vicente García de Mateos vai continuar na formação de Jorge Piedade, tal como Luís Fernandes, Óscar Hernández, Márcio Barbosa, André Evangelista, David de la Fuente e Juan Ignacio (Nacho) Perez.

No entanto, o conjunto algarvio perde um dos ciclistas que conquistou uma das vitórias mais importantes do ano. Luís Mendonça conquistou a Volta ao Alentejo, confirmando assim o seu potencial, depois de ter começado tarde no ciclismo, mas mais do que a tempo de ter uma carreira de sucesso. José Santos, director desportivo da Rádio Popular-Boavista, viu em Mendonça o ciclista ideal para preencher a vaga deixada por Domingos Gonçalves, que irá para a Caja Rural. Luís Mendonça encontrará uma equipa, na qual terá ainda mais liberdade para lutar por triunfos e, claro, a pensar na Volta a Portugal.

João Benta, Daniel Silva, Luís Gomes, David Rodrigues e o jovem de 19 anos João Salgado vão continuar na estrutura, que se reforçou ainda com um dos talentosos trepadores da nova geração, Hugo Nunes (Miranda-Mortágua). O júnior Afonso Silva esteve recentemente no Mundial de Innsbruck, é um campeão nacional de contra-relógio  e dará o salto para uma equipa profissional para fazer o seu primeiro ano como sub-23. Estava no Sporting-Tavira-Formação Engenheiro Brito da Mana. De Espanha chega Antonio Gómez, que este ano representou a equipa amadora da Caja Rural.

A Vito-Feirense-BlackJack foi buscar um alemão cujo nome poderá não dizer muito, mas é um ciclista com muita experiência no escalão Profissional Continental. Bjorn Thurau, 30 anos, esteve em equipas como a Europcar (actual Direct Energie), Bora-Argon 18, e Wanty-Groupe Gobert. Este ano esteve na Holdsworth Pro Racing, do escalão Continental.

Jesus del Pino (Efapel) e Rui Rodrigues (Aviludo-Louletano-Uli) estão confirmados, assim como João Barbosa, que vem do Maia. Os juniores Pedro Andrade e António Ferreira vão ter uma oportunidade na equipa principal, agora que passam a sub-23. Sem Edgar Pinto, João Matias será o líder principal, com Luís Afonso, João Santos e Bernardo Saavedra a manterem-se na equipa.

Nas equipas Continentais sub-25 haverá grandes mudanças, pelo menos no Miranda-Mortágua e na LA Alumínios. Na primeira apenas três ciclistas renovaram: Artur Chaves, Pedro Teixeira e Tiago Leal. A equipa de Pedro Silva promoveu o regresso de Daniel Freitas, que representou o Miranda-Mortágua na sua formação e que nas últimas três épocas esteve na W52-FC Porto.

O experiente Hugo Sancho (Vito-Feirense-BlackJack) vai aos 36 anos ter um novo desafio, numa equipa onde terá um papel importante entre tantos jovens. Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros-Carglass) poderá encontrar espaço para ter destaque, com Pedro Pinto (Silva & Vinha-ADRAP-Sentir Penafiel), Ivo Pinheiro (ACDC Trofa) e os espanhóis Cristian Mota (Aldro Team) e Sergio Vega (Froiz) a completarem a equipa, do que já foi revelado.

Na LA Alumínios também só três ciclistas de 2018 vão continuar em 2019: David Ribeiro, Gonçalo Leaça e Fábio Oliveira. Chega António Barbio, que apesar de ter alcançado uma vitória no Memorial Bruno Neves, não teve a época que desejava no Miranda-Mortágua e vai agora trabalhar com Hernâni Brôco na LA Alumínios. André Crispim (Libery Seguros-Carglass), André Ramalho (Jorbi-Team José Maria Nicolau), Emanuel Duarte e Leonel Firmino, ambos do FGP-Cube-Bombarral, vão vestir as cores de um dos patrocinadores mais antigos do ciclismo nacional.

Quanto à Liberty Seguros-Carglass a principal novidade até ao momento é a nova aliança entre o Bike Clube de Portugal - detentor da equipa - e a União Desportiva Oliveirense, que assim abriu o seu núcleo de ciclismo e irá ter o seu nome no pelotão em 2019.

Enquanto se espera pelas equipas completas para 2019, aqui ficam duas curiosidades relativamente às máquinas a utilizar na próxima temporada. A W52-FC Porto irá contar com as bicicletas da marca Swift em vez das KTM. A Rádio Popular-Boavista deixará de ter bicicletas Focus para procurar vitórias com as Cervélo.

Nuno Almeida termina carreira

Com apenas 27 anos, o ciclista que esta época representou a LA Alumínios decidiu colocar um ponto final na sua carreira. Sem contrato para 2019, Nuno Almeida tomou a difícil decisão, revelando que adiou uma intervenção cirúrgica durante toda a temporada.

"É difícil chegar a esta altura sem equipa e sem ter colocação para 2019 mas faz parte do percurso de vida de qualquer pessoa. Foi um ano duro, sem dúvida o mais difícil da minha carreira. Partir um osso na primeira corrida da época e só parar para ser operado após a última da mesma. Dei tudo o que tinha, sei que arrisquei a minha saúde mas não me arrependo. Tal como não me arrependo de ter parado os meus estudos, já em ano de Tese, e arriscar tudo nesta modalidade. Fiz o que me fazia feliz ! Não resultou e é hora de seguir em frente", escreveu o Nuno Almeida no Facebook, a 20 de Outubro.

Antes de aceitar o desafio de ser um dos líderes da nova vida da LA Alumínio, Almeida esteve no Louletano-Hospital de Loulé e na Efapel. O ciclista agradeceu a todos os que o apoiaram durante os 10 anos de carreira, tendo começado um pouco mais tarde do que a maioria, como o próprio recordou, na sua mensagem. "Saio com 4 Voltas a Portugal no currículo, todas melhores que as anteriores, algo que nunca imaginei na minha vida pois nem gostava de ciclismo e tão pouco pratiquei a modalidade desde jovem", escreveu.

"Eu e a bicicleta seguiremos o nosso caminho, agora em modo cicloturista e com o objectivo de desfrutar ao máximo da mesma", concluiu.

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15 de agosto de 2018

Xuban Errazkin com resultado anómalo de substância para a asma

Errazkin foi o vencedor da classificação da juventude da Volta a Portugal
(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Uma das figuras da Volta a Portugal deu positivo duas vezes por uma substância para a asma. Os resultados são de amostras recolhidas a Xuban Errazkin durante o Grande Prémio Abimota, segundo o jornal Record, com os testes a detectarem a presença de terbutalina, algo idêntico ao salbutamol, do caso Chris Froome. O ciclista afirmou que enviou toda a documentação necessária para provar que nada fez contra os regulamentos, salientando ainda que há muito tempo que está a receber tratamento para a asma e que nunca teve qualquer problema.

As análises feitas pela Agência de Antidopagem de Portugal (ADoP) foram a amostras recolhidas na competição que decorreu entre 13 e 17 de Junho, muito antes da Volta a Portugal. Errazkin venceu a quarta etapa do Grande Prémio Abimota, além da classificação da juventude. A terbutalina é uma substância utilizada para o tratamento da asma e, tal como o salbutamol, não acarreta suspensão imediata, pelo que o espanhol da Vito-Feirense-BlackJack poderá continuar a competir até que seja anunciada a resolução do caso. Errazkin ficou de fora da equipa espanhola que estará no Tour de l'Avenir, corrida também conhecida por Volta a França do Futuro, mas o seleccionador nega que a decisão esteja relacionada com este caso.

Pascual Momparler explicou ao site Ciclo21 que queria que os pré-seleccionados fizessem uma preparação tranquila, para chegarem a França a 100%. "[Errazkin] correu em várias provas que me disse que não ia competir e disputou a Volta a Portugal a top", salientou.

A exclusão de Errazkin tinha provocado algum espanto em Espanha e a notícia deste resultado anómalo está a ter grande repercussão, pois o ciclista é visto como um dos jovens talentos a despontar no ciclismo daquele país. "Tanto eu como a minha equipa decidimos enviar toda a documentação necessária antes de inclusivamente ter sido notificado pessoalmente do positivo. Além disso, há vários anos que estou a ser receber tratamento para a asma e nunca tive nenhum problema similar", afirmou Errazkin, citado pelo site Sprint Final.

Errazkin completa 22 anos no próximo dia 25 e tem estado a realizar uma época muito positiva. Além dos resultados no Abimota, já tinha vencido também a classificação da juventude na Volta à Comunidade de Madrid, ganha pelo companheiro da Vito-Feirense-BlackJack, Edgar Pinto. O jovem espanhol esteve na época passada na Rádio Popular-Boavista, depois de estagiar na então Wilier-Southeast, equipa italiana Profissional Continental. Foi uma das surpresas da Volta a Portugal ao aparecer ao lado do seu líder, precisamente Edgar Pinto, nas etapas de montanha, tendo acabado por entrar na disputa pela camisola branca, que vestiu nas Penhas da Saúde, para não mais a tirar.

O site Ciclo21 escreve que o processo irá agora ser analisado pela agência antidopagem espanhola, para ser decidida a sanção ao ciclista, ou então ilibar Errazkin.


6 de maio de 2018

"Ganhar em Madrid dá-me confiança para o futuro"

Adeus azares e que venham mais vitórias! É assim que Edgar Pinto espera que seja o seu futuro. Depois de ter chegado a pensadr em terminar a carreira, o ciclista reencontrou-se com os grandes momentos e juntou uma etapa e a geral da Volta à Comunidade de Madrid à tirada que tinha conquistado na Volta ao Alentejo. Foi dia de festa para a Vito-Feirense-BlackJack frente ao Estádio Santiago Bernabéu, pois a equipa ganhou ainda a classificação da juventude, com Xuban Errazkin.

"Isto tinha que mudar, este azar todo! Começou no Alentejo com a vitória de etapa e depois aqui, no primeiro dia com o triunfo, vi que estava a passar o bom momento e aproveitei da melhor forma, vencendo a geral", salientou Edgar Pinto ao Volta ao Ciclismo. Admitiu que tem sido um ano em que tem estado "mais tranquilo", com o pensamento mais centrado na Volta a Portugal. Porém, não gosta de deixar passar oportunidades e com este regresso às vitórias, a motivação é bem diferente, principalmente tendo em conta a grave queda na Volta do ano passado, que lhe prejudicou a preparação para 2018. "Ganhar em Madrid dá-me confiança para o futuro. É um prestígio muito grande. É uma corrida que tem o palmarés que tem, teve as equipas que teve e tinha os colombianos aqui em força", referiu.

Quanto ao palmarés, quando Edgar Pinto subiu ao pódio foi de imediato recordado como um português já por lá tinha passado em 2011. Rui Costa também venceu a Volta à Comunidade de Madrid. Outros nomes que não passam despercebidos, apesar de terem ficado em segundo, são Alejandro Valverde, Nairo Quintana e Mikel Landa. Este ano, acompanharam Edgar Pinto no pódio o colombiano Fabio Duarte (Manzana Postobón) e o equatoriano Jonathan Caicedo, colega de Oscar Sevilla, ciclista de 41 anos da Medellin e que em 2017 bateu Raúl Alarcón (W52-FC Porto) na geral (pode conferir aqui as classificações da corrida espanhola que decorreu entre sexta-feira e este domingo).

"Eu gosto sempre de aproveitar as oportunidades! Nunca as descarto! Mas vamos desfrutar desta vitória"

Preparado para regressar de imediato a Portugal, a longa viagem ia ser bem mais fácil e relaxada com o enorme troféu na bagageira. É tempo de festejar, mas há que começar a pensar na fase da temporada que se aproxima e que conta com algumas das corridas mais importantes, como o Grande Prémio Jornal de Notícias, Troféu Joaquim Agostinho e, claro, a Volta a Portugal. "Agora é como no início [da época]: pensar na Volta. Mas eu gosto sempre de aproveitar as oportunidades! Nunca as descarto! Mas vamos desfrutar desta vitória", realçou. E quando chegasse a casa teria de descobrir onde colocar a taça: "Estava a comentar com a minha mulher que a que ganhei na sexta-feira tinha de ficar por cima da vitrina, mas esta não cabe lá! Nunca tinha ganho um troféu tão grande. É um bocado exagerado, mas assim não me esqueço!"

O pódio final da Volta à Comunidade de Madrid
Os sorrisos era muitos e rasgados na Vito-Feirense-BlackJack. O projecto que este ano foi para a estrada com Joaquim Andrade ao leme e que marcou o regresso do clube de Santa Maria da Feira ao ciclismo, está a somar resultados positivos. "Ganhar a Volta à Comunidade de Madrid é mais do que excelente! Nós sabemos que o Edgar é um ciclista de nível mundial, que pode vencer em qualquer lado, mas sabemos também das nossas limitações, dos problemas que temos tido, de algumas lesões que temos sofrido, mas temos conseguido contornar as coisas", afirmou o director desportivo ao Volta ao Ciclismo.

O objectivo passava principalmente por tentar vencer a etapa, algo que Edgar Pinto resolveu logo na primeira: "Isso deu-nos alguma tranquilidade para enfrentar os dias seguintes. Ontem [sábado] perdemos a camisola. No primeiro momento foi um sabor amargo, mas quando analisámos, pensámos que talvez fosse melhor assim e as coisas correram bem." E acrescentou: "Esta vitória é importante para nós, para o clube e para o ciclismo português."

Se para a equipa estas conquistas são de extrema importância, ver Edgar Pinto a vencer também deixa Joaquim Andrade muito satisfeito. "Ele passou um período de defeso complicado. Recuperava de uma lesão enquanto todos os outros já se preparavam. Ponderava até a possibilidade de continuar a correr ou não. Tinha sido muito azar seguido, muita mazela. Fazer as coisas bem, acreditar no seu valor e ir alcançado as vitórias vai-lhe dar uma tranquilidade e segurança que ele necessitava. É um dos melhores corredores portugueses, sem dúvida. Contamos muito com ele", frisou.


Joaquim Andrade: "Esta vitória é importante para nós, para o clube e para o ciclismo português"

Também o resultado de Xuban Errazkin merece o devido destaque. Para o responsável da equipa, a vitória na classificação da juventude do espanhol de 21 anos - já com passagem na Rádio Popular-Boavista, depois de ter estagiado na estrutura da actual Wilier Triestina-Selle Italia - terá o condão de incentivar os outros ciclistas mais novos, pois a formação é parte importante deste projecto da Vito-Feirense-BlackJack. "Acredito que todos eles têm um futuro risonho pela frente", disse. E por falar nos jovens, a equipa celebrou mais uma vitória neste domingo, com o júnior Diogo Barbosa a vencer na quinta e última etapa da Taça de Portugal, na Palmeira, em Braga. Guilherme Mota, do Alcobaça CC-Crédito Agrícola, venceu o troféu.

Depois de uma paragem de algumas semanas, o calendário nacional de elite irá ser retomado com o Grande Prémio Jornal de Notícias, de 28 de Maio a 3 de Junho. Contudo, a passagem por Espanha de algumas equipas portuguesas terminou com bons resultados em Madrid. A Vito-Feirense-BlackJack conseguiu o prémio maior, mas destaque ainda para a W52-FC Porto que foi a melhor equipa da corrida. Presentes estavam, por exemplo, a Movistar (World Tour), Manzana Postobón, Caja Rural, Burgos BH e Euskadi Murias (todas do escalão Profissional Continental).

A Efapel viu Marcos Jurado regressar a um pódio para levar a camisola das metas volantes, algo que já tinha feito na Volta a Castela e Leão. A Aviludo-Louletano-Uli, Rádio Popular-Boavista e o Miranda-Mortágua fecharam o contingente português na capital espanhola, reforçado por Nuno Bico (Movistar) e Rafael Reis (Caja Rural).

De referir que a última etapa foi ganha por Carlos Barbero, ciclista da Movistar, que no ano passado se tornou no primeiro ciclista a ganhar por duas vezes a Volta ao Alentejo. O espanhol bateu ao sprint Óscar Pelegri (Rádio Popular-Boavista) e Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli), que continua a mostrar-se depois de ter conquistado a Alentejana, em Março.

(Pode ver aqui os principais resultados das equipas portuguesas.)

»»Soufiane Haddi: "O Edgar é meu amigo e foi por ele que vim"««

»»Edgar Pinto: "Cheguei mesmo a ponderar abandonar"««

5 de abril de 2018

"O Edgar é meu amigo e foi por ele que vim"

A aventura em Portugal poderia ter começado em 2017, mas problemas com o visto afastaram Soufiane Haddi do pelotão nacional. Foi um ano difícil para o marroquino, depois de três anos na Skydive Dubai. Porém, a amizade com Edgar Pinto manteve-se e o ciclista português voltou a querer Haddi ao seu lado e desta feita tudo correu bem. A Vito-Feirense-Blackjack ganhou um ciclista que se compromete a fazer o que for preciso para estar a 100% para ajudar o amigo a ganhar a Volta a Portugal.

Porém, o ano não começou da melhor forma e atrasou a preparação física de Haddi. Em Janeiro foi à La Tropicale Amissa Bongo, no Gabão, e ao serviço da selecção sofreu uma queda na segunda etapa, tendo mesmo de passar pelo hospital. O marroquino admitiu que não tem sido fácil recuperar a condição física, mas está confiante que quando chegar o momento mais importante da temporada, vai corresponder às expectativas. "Espero conseguir estar em força e o meu objectivo para esta época, com esta equipa, é a Volta a Portugal. Vou correr e treinar muito bem a pensar nisso", assegurou ao Volta ao Ciclismo.

Soufiane Haddi agradece a confiança da equipa, do director desportivo Joaquim Andrade e claro de Edgar Pinto, um amigo que diz ter sido decisivo para aceitar competir em Portugal. "Estou muito feliz por estar aqui, precisamente porque estou com o meu amigo. Ele ligou-me e eu queria vir já no ano passado, mas tive problemas com os papéis, mas este ano correu tudo bem", contou. "Para mim é melhor correr com uma equipa e não apenas ficar no meu país a correr pela selecção. O Edgar é meu amigo e foi por ele que vim", acrescentou.

"Tenho todas as condições para treinar e correr apesar da equipa ser mais pequena"

Por Marrocos é um especialista do contra-relógio, contando com quatro títulos nacionais, entre 2013 e 2016. Em 2015 juntou ainda o título de estrada. No entanto, o momento que poderia fazer sonhar com uma viragem na carreira acabou por não se confirmar como um salto para voos maiores. Estávamos em 2016, quando venceu a classificação da juventude da Volta a Dubai. Nomes como Marc Soler, Jan Polanc, Michael Gogl, Natnael Berhane pertencem a essa lista, estando actualmente a afirmarem-se ao mais alto nível. Por curiosidade, Marcel Kittel ganhou essa edição da corrida.

Foi o arranque para uma época de 2016 positiva em termos de resultados, mas a Skydive Dubai afundou-se financeiramente e o projecto fechou portas. Falhada a mudança para a então LA Alumínios-Metalusa-Blackjack, Haddi perdeu praticamente um ano de ciclismo. "A estrutura da equipa era diferente", recordou, comparando com a que encontrou na Vito-Feirense-Blackjack. "Aqui tenho todas as condições para treinar e correr apesar da equipa ser mais pequena", acrescentou. A única dificuldade de adaptação que encontrou acabou por ser a barreira linguística. Contou que na Skydive Dubai, entre o inglês e francês todos os ciclistas conseguiam entender-se. "Aqui é mais difícil, mas os ciclistas falam um pouco de inglês", disse, salientando como sente que encontrou uma família.

Haddi considera que essa união é uma das armas da equipa: "Aqui todos trabalhamos uns para os outros." Naturalmente que o marroquino espera conseguir vir a estar na discussão de alguma corrida, até para assim conseguir definitivamente relançar a sua carreira aos 27 anos. No entanto, prefere, para já, colocar como objectivo estar a bom nível no apoio aos colegas: "É normal que eu queira também ganhar, mas para mim é mais difícil, pois estive um ano sem correr e depois comecei a época com uma queda. É difícil, mas vou tentar recuperar a minha condição e estar no meu melhor nas próximas corridas."

"No meu país é difícil fazer este desporto, correr na Europa e noutras grandes corridas. Claro que os aconselho a vir para Portugal!"

E essa será na Volta a Marrocos, sendo que irá vestir novamente as cores da selecção nacional. A corrida arranca amanhã em Rabat e termina dia 15, em Casablanca. Haddi não se importa nada com este regresso, pois se há outro factor que lhe está a custar adaptar-se em Portugal é o frio!

Quanto a vitórias, Haddi realçou que a de Edgar Pinto na quarta etapa da Volta ao Alentejo, na chegada a Portalegre, foi importante. Deu tranquilidade e ainda mais ambição. "Agora desejamos mais e mais." Porém, pede que, além da equipa estar em boas condições físicas, que tenha um pouco de sorte.

Ainda são poucas as corridas feitas em Portugal, mas Haddi destaca a dureza que tem encontrado. "Mas eu gosto", afirmou. E não hesita em dizer que aconselharia outros ciclistas do seu país e de outras nações africanas, a tentarem integrar uma equipa portuguesa. "No meu país é difícil fazer este desporto, correr na Europa e noutras grandes corridas. Claro que os aconselho a vir para Portugal!"

Agora é tempo de pensar em si próprio e na Vito-Feirense-Blackjack, pois terminada uma primeira fase de temporada mais intensa, o calendário acalma até que no final de Maio arrancará a todo o gás até à Grandíssima. É com a maior das naturalidades que deixou a garantia: "Claro que podemos ganhar a Volta a Portugal. Eu desejo isso e uma das condições para vir para aqui foi apresentar-me bem nessa corrida."

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18 de março de 2018

Luís Mendonça: muito trabalho, ainda mais dedicação e uma aposta ganha do Louletano

"Foram os oito quilómetros da minha vida", dizia Luís Mendonça quando vestiu no sábado a camisola amarela, depois do contra-relógio, em Castelo de Vide. Mas não, foram os 751,9 quilómetros da vida deste ciclista com uma história bem diferente da habitual na modalidade e que hoje, aos 32 anos, teve um episódio que tanto procurou, tanto trabalhou, tanto lutou. Esteve perto umas quantas vezes, já estava a ganhar prática em subidas ao pódio, mas quando finalmente alcançou um primeiro lugar como profissional, não o fez por menos: Luís Mendonça conquistou uma das mais importantes corridas portuguesas, de estatuto internacional (2.2), a Volta ao Alentejo "É nossa! É nossa!", desabafou na chegada a Évora, abraçado ao director desportivo que acreditou nele e lhe deu a oportunidade de entrar na elite nacional, Jorge Piedade.

Nos últimos anos tivemos nomes como Enric Mas (actualmente na Quick-Step Floors) e Jasper Stuyven (Trek-Segafredo) a vencer, dois jovens talentos que entretanto já vão marcando o seu espaço no World Tour. E claro, Carlos Barbero, da Movistar, o único ciclista a vencer duas vezes em 36 edições da Alentejana. É preciso recuar a 2006 para ver um português no primeiro lugar do pódio: Sérgio Ribeiro. E foi há 30 que Joaquim Gomes, com a camisola do  Louletano-Vale do Lobo, venceu esta corrida. Mendonça pode já não ser um jovem talento, mas é um ciclista que quando aos 27 anos decidiu que o ciclismo seria a sua aposta, demonstrou que o que não lhe faltava era qualidade e que este domingo foi recompensada na Alentejana. Foi modelo, barman, competiu quando era mais novo, mas as suas temporadas não demoravam mais de dois/três meses antes de virar a sua atenção para outros planos. Porém, quando se dedicou exclusivamente, a ascensão foi rápida.

O que Luís Mendonça saltou na evolução na evolução de um ciclista, tinha que sobrasse a nível de dedicação. Mostrou-se na Sicasal-Constantinos-UDO depois de uma passagem por Espanha e na Concello de Porriño-Abanca ganhou o Circuito da Curia. Em 2016 a equipa brasileira Funvic convidou-o para fazer a Volta a Portugal com as suas cores. Meses depois, Jorge Piedade abriu-lhe as portas do Louletano, quando se calhar muitas equipas não pensariam em apostar num ciclista que começou tão tarde e que estava à porta do 30º aniversário. Desde que assinou pela formação algarvia que Mendonça, um homem do norte (Paredes), tem sido um exemplo de lealdade, de trabalho e de tremenda ambição.

A sua personalidade tornou-o rapidamente num ciclista muito popular no pelotão e fora dele. Mendonça parece ter uma capacidade inata para sorrir em qualquer momento, não dizendo que não a uma fotografia, a uma curta conversa e muito menos a um desafio. Está sempre pronto para mais um e talvez a única vez que tenha perdido o sorriso foi quando lhe foi tirada a oportunidade de estar novamente na Volta a Portugal com o intento de ganhar uma etapa e de ajudar Vicente Garcia de Mateos.

Durante um treino, a cerca de duas semanas do início da corrida, Mendonça foi agredido por um homem. Fracturou o braço e não escondeu a enorme desilusão por ver uma época ficar quase perdida. Quase porque regressou nos circuitos com uma vontade de rapidamente mostrar-se a bom nível, ainda o braço não estava a 100%, numa altura em que a maioria dos ciclistas já vai começando a reduzir o ímpeto, mais a pensar no que terá de ser feito para preparar a temporada seguinte.

Luís Mendonça apareceu em 2018 em forma logo na Prova de Abertura Região de Aveiro, fechando o pódio. Foi à Volta ao Algarve meter-se entre os sprinters do World Tour, mas o que mais impressionou foi aparecer tão forte tanto na Fóia como no Malhão. Para um homem mais dado a rolar e a tentar acabar rápido, o ciclista da Aviludo-Louletanto-Uli só perdeu um minuto para Michal Kwiatkowski na subida da Serra de Monchique e 2:22 na Serra do Caldeirão.

E a sua forma física nestas dificuldades fizeram a diferença quando enfrentou a única etapa de montanha da Alentejana e claro que o facto de ter sido dos poucos ciclistas de equipas portuguesas a não ficarem nos cortes na primeira tirada - muito marcada pelo vento - colocou-o numa posição privilegiada que soube muito bem aproveitar.

Em 2016, depois da Volta a Portugal, Luís Mendonça conversou com o Volta ao Ciclismo e disse então que tinha "de aproveitar cada dia, aprender tudo muito rápido". E a verdade é que ao mais alto nível, rapidamente se habituou ao ritmo que precisava de ter para estar constantemente ao lado dos favoritos, até que ele próprio foi entrando nessa lista de candidatos.

Com a fantástica conquista da Volta ao Alentejo - é o quinto ciclista a vencer a geral, sem juntar pelo menos uma etapa -, Mendonça ganha outro respeito e outro estatuto no pelotão, pois na equipa já o tinha, principalmente no arranque desta época. Com tudo o que tem demonstrado nos poucos anos que está a sério no ciclismo, será de prever que também rapidamente se adapte a esse novo estatuto e vontade não lhe deverá faltar para ir mais longe.

Destaque também para Edgar Pinto

O dia é de Luís Mendonça, mas há que referir Edgar Pinto. Tal como Luís Mendonça teve um 2017 que acabou de forma frustrante. No seu caso foi uma queda logo na terceira etapa da Volta a Portugal que acabou com a época e o objectivo de lutar pela vitória. Foi grave e as cicatrizes na perna não o deixam esquecer o que sofreu. O ciclista da Vito-Feirense-BlackJack admitiu recentemente que ainda estava em recuperação e que, por isso mesmo, seria um ano em que se concentraria muito na Volta.

Porém, é um lutador, um homem que sempre gosta de andar bem toda a temporada e se aqui e ali já se o ia vendo, na chegada a Portalegre conquistou uma vitória que lhe valerá ouro para a sua motivação e para acreditar que pode deixar para trás a sequência de azares que o têm perseguido na carreira. Pensou em colocar um ponto final, mas eis que Edgar Pinto comprova que ainda tem algo a mostrar. Para o Feirense foi dia de festa. Se o futebol vai passando por dificuldades em dar alegrias em ano de centenário, o ciclismo está a cumprir a sua parte.

Domínio estrangeiro, sucesso máximo português

A Volta ao Alentejo, como já aqui foi escrito, começou com uma etapa que acabou com as aspirações de grande parte do pelotão nacional. A Team Wiggins e a Lokosphinx foram dominando os primeiros dias. O britânico Gabriel Cullaigh começou por ganhar a tirada e a amarela, mas no dia seguinte perdeu para o colega irlandês Mark Downey, enquanto Dmitry Strakhov venceu duas etapas, para juntar à vitória na Clássica da Arrábida. Este russo de 22 anos tão cedo não esquece Portugal!

No entanto, quando as grandes decisões chegaram no sábado com a dupla jornada e os ciclistas portugueses mostraram-se, juntamente com um espanhol já com muitos anos de pelotão nacional. Gustavo Veloso (W52-FC Porto) juntou mais um contra-relógio à colecção. A Alentejana terminou mais uma vez em Évora com Cullaigh a dar mais um triunfo à Team Wiggins.

No pódio ao lado de Luís Mendonça esteve mais um português, Ricardo Mestre (W52-FC Porto). Desde 1994 que não havia dois lusos no primeiro e segundo posto e nesse ano até foi um trio: Carlos Carneiro, Joaquim Sampaio e Joaquim Gomes. Mark Downey teve o terceiro lugar como consolação e a classificação da juventude. A classificação da montanha foi ganha por Alexander Evtushenko e o companheiro da Lokosphinx, Dmitry Strakhov venceu a dos pontos. Por equipas, a W52-FC Porto manteve um domínio já habitual, mesmo quando não vence individualmente.

Pode ver aqui as classificações completas da 36ª edição da Volta ao Alentejo, que contou com seis etapas, duas no sábado.

O pelotão segue agora mais para norte, com a Clássica Aldeias do Xisto a fechar um mês de Março de muito ciclismo em Portugal. A corrida será a última do Troféu Liberty Seguros que tem a Aviludo-Louletano-Uli na liderança por intermédio de Óscar Hernández.


8 de março de 2018

"Cheguei mesmo a ponderar abandonar"

A cicatriz no joelho não deixa esquecer como foi grave a queda na segunda etapa da Volta a Portugal, já muito perto da chegada a Bragança. E aquela é a que se vê, pois o calção esconde a restante marca. Edgar Pinto acredita que poderia ter acabado bem a corrida em Agosto, mas o azar voltou a persegui-lo. Mais do que a recuperação física, foi psicologicamente que o ciclista admitiu ser difícil de lidar com mais esta queda, pelo que, aos 32 anos, pensou que teria chegado o momento de terminar a carreira. Não o deixaram e o próprio acredita que ainda tem algo para dar. Apesar de gostar de andar bem o ano inteiro, 2018 será tudo, ou quase, pela Volta a Portugal.

"Tive um ano complicado [2017], com fracturas, fissuras e custou-me estar em boa forma na Volta, mas cheguei a bom nível. Não iniciei da melhor forma, mas acredito que ia acabar bem. E de repente... foi tudo por água abaixo. Foi muito difícil..." E ainda não está a ser muito fácil. Edgar Pinto tenta recuperar o peso ideal e realçou que há algum desconforto no joelho. "Tenho é de ganhar força na perna. Quando vou em esforço noto que manco um bocado, mas é uma defesa e é normal. Estou a recuperar dentro do que é suposto", explicou ao Volta ao Ciclismo. Aquelas semanas após a grave queda na Volta a Portugal foram complicadas: "Apesar de não ter sido a primeira vez que me tenha acontecido isso, uma pessoa começa a pensar ao longo destes anos que é doloroso. Cheguei mesmo a ponderar abandonar. Graças a muita gente que me deu força e eu próprio que sei que tenho capacidade para fazer algo diferente, resolvi insistir mais um ano."

Edgar Pinto recordou ainda como viveu um misto de sensações. É que ainda estava a tentar acordar da anestesia, quando soube que tinha sido pai. "Caí no dia 6 e no dia 7, quando estava a ser operado, fui pai. Ainda estava meio tonto da anestesia, quando a minha mulher ligou-me a dizer que já tinha nascido e eu disse 'ah, está bem' e adormeci outra vez!" É a sorrir que fala sobre a situação, contando que só uma semana depois do nascimento é que viu a filha.

"[Joaquim Andrade] tem-me surpreendido. É um director muito empenhado. Chama a atenção a qualquer um sem problema"

Preocupado em tentar recuperar de mais uma lesão, Edgar Pinto acabou por se ver novamente a pensar no futuro, mas a nível de equipa. O projecto da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack só durou um ano. "Ficámos à última da hora sem dois patrocinadores e tivemos de nos fazer à estrada e arranjar outros patrocinadores. E estamos muito bem", assegurou o ciclista. A empresa Vito e o clube Feirense juntaram-se à BlackJack e o ciclista realçou que "o projecto é mais estável". "Parte da estrutura mantém-se, como a direcção, e agora temos a formação", referiu, destacando o novo director desportivo, Joaquim Andrade: "Temos um director realmente empenhado, que gosta de estar com os ciclistas e de ensinar os atletas e isso é muito importante para os nossos jovens."

Edgar Pinto teve Joaquim Andrade como adversário na estrada e está a gostar de agora o ter como responsável de uma equipa. "Tem-me surpreendido. É um director muito empenhado, muito atento ao que se passa, aos seus atletas, chama a atenção a qualquer um sem problema e isso é importante para o futuro. Penso que ele será uma mais valia para a equipa", salientou. As condições ainda não são as que todos desejam, mas Edgar Pinto acredita que aos poucos vão conseguir tê-las. Porém, há uma continuidade: "Transitámos quatro atletas, mais o presidente, o mecânico e o massagista. Entrou o director e outro massagista. Já nos conhecermos é uma grande ajuda."

O Feirense está a celebrar o seu centenário e também por isso resolveu regressar ao ciclismo. O presidente do clube, Rodrigo Nunes, teve um discurso ambicioso, mas Edgar Pinto considera que a pressão é algo que vai contribuir para que os ciclistas melhorem a cada dia. "É preciso [a pressão] e nós também queremos resultados", afirmou. No futebol, o Feirense está na luta pela manutenção na I Liga, pelo que: "O futebol não está na melhor forma e temos de ser nós, no ciclismo ,a dar alegrias!" Um momento de boa disposição seguido novamente pela garantia que a equipa sente a pressão, mas que "isso é bom".

"Quando estou num bom nível acontece sempre alguma coisa. Há coisas surreais, como um gato atropelar-me, uma moto bater-me"

Hugo Sancho, Luís Afonso e João Matias - que começou o ano com dois títulos nacionais de pista e um segundo lugar na Prova de Abertura Região de Aveiro - foram os ciclistas que transitaram com Edgar Pinto da equipa de 2017. Há ainda uma forte aposta em jovens, Leonel Coutinho regressou a Portugal depois de um ano em Espanha e a Vito-Feirense-BlackJack contratou ainda Ricardo Vale (ex-Rádio Popular-Boavista) e o marroquino Soufiane Haddi, ciclista que Edgar Pinto conhece bem. Foram colegas na Skydive Dubai e o português acredita que poderá ser um elemento importante. Descreve-o como um corredor rápido e que em corridas de um dia, por exemplo, poderá dar as tais alegrias ao Feirense e restantes patrocinadores. Quando a Ricardo Vale, não hesita: "Vai ser uma mais valia para a montanha."


Também Edgar Pinto gostaria de conquistar uma vitória antes da Volta a Portugal, ainda que seja essa corrida que tenha como objectivo. Bom, há outro: não acontecerem coisas estranhas. Afinal, este tem sido um ciclista que quando se apresenta em boa forma, acontece algo que lhe estraga o momento: "Quando estou num bom nível acontece sempre alguma coisa. Não sei... Há coisas surreais, como um gato atropelar-me, uma moto bater-me... São coisas estranhas que me acontecem!"

Por isso mesmo, afastada a ideia de terminar a carreira, mais do que nunca Edgar Pinto quer mostrar que pode ser candidato na Volta. Que pode conquistar algo na principal corrida para as equipas nacionais. "Quando acontecer vai ser um grande alívio para mim. São uns azares atrás dos outros. Sinto que consigo estar com os melhores, mas alguma coisa que me impede. Tenho essa vontade enorme [de vencer]!"

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22 de fevereiro de 2018

Gémeos Oliveira e João Matias ambiciosos para os Mundiais de Pista

Ivo Oliveira e João Matias estarão este ano acompanhados por Rui Oliveira
nos Mundiais de Pista, que se realizam entre 28 de Fevereiro e 4 de Março
Os objectivos no ciclismo de pista em Portugal vão sendo cada vez mais elevados. Com os gémeos Oliveira (21 anos) a conquistarem medalhas já na categoria de elite, tanto nos Europeus, como em Taças do Mundo, agora é altura de atacar os Mundiais, em Apeldoorn, na Holanda. A acompanhar Ivo e Rui estará João Matias (26), que há um ano foi protagonista de uma exibição fantástica no scracht e que por muito pouco não lhe valeu uma medalha. Se continuar a ganhar experiência é importante, ainda mais quase se aproxima o início da qualificação olímpica, a ambição cresceu muito desde os Mundiais de Hong Kong e alcançar um pódio já não se fica pelo sonho, é um objectivo para a equipa nacional.

"Depois do pódio na Taça do Mundo, quero tentar bater-me outra vez pelo pódio", afirmou Ivo Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. O corredor da Hagens Berman Axeon está convicto que poderá melhorar o sexto lugar na prova de perseguição individual alcançado em 2017. "Venho de dez dias de estágio com a minha equipa. As sensações e os testes que fiz foram bons. Preparei-me melhor do que há um ano e acredito que posso melhorar o resultado. O facto de o Mundial ser mais cedo também ajuda, porque chegarei lá com menos desgaste. Agora, é esperar que esteja num dia 'sim'", salientou.

Os três ciclistas portugueses vão distribuir-se por quatro disciplinas. Rui Oliveira - que em 2017 não esteve presente nos Mundiais - abre e fecha a presença nacional. No dia 1 (quinta-feira), às 19:00, compete na prova de scratch. No dia 3 alinha nas quatro corridas pontuáveis do omnium, entre as 13:40 e as 20:00. Na sexta-feira, dia 2, Ivo Oliveira entrará em acção. O apuramento na perseguição individual realiza-se a partir das 14:00, com a final a estar agendada para as 19:00. Quanto a João Matias, também competirá neste dia, mas na corrida por pontos (17:30). O ciclista da Vito-Feirense-BlackJack começou 2018 com dois títulos nacionais na pista, na corrida de eliminação e na perseguição individual.

Além de tentar o pódio na perseguição individual, a equipa portuguesa irá procurar ficar nos oito primeiros lugares nas restantes provas. Sendo o omnium uma disciplina olímpica, a competição acaba por ter um papel central nos objectivos que se seguirão aos Mundiais. "Queremos alcançar o maior número possível de pontos, pois precisamos de qualificar-nos para a Taça do Mundo, que é determinante para a qualificação para [os Jogos Olímpicos de] Tóquio", realçou o seleccionador Gabriel Mendes.

Os Mundiais de Apeldoorn realizam-se entre 28 de Fevereiro e 4 de Março, com transmissão televisiva no Eurosport2.



6 de fevereiro de 2018

"Se me dão mais responsabilidade é porque estão a acreditar em mim e foi algo que eu conquistei"

Há seis meses, João Matias vivia o sonho de uma vida: estar na Volta a Portugal. Em 2016 tinha ido para Espanha (para a Froiz), depois de três temporadas como profissional. Foi um assumido passo atrás na carreira, na esperança que fosse a melhor decisão para rapidamente dar dois à frente. E assim foi na época passada. Em 2018 quer continuar a caminhar numa passada larga. De ciclista a viver um sonho e a mostrar que tinha tanto para dar, João Matias assume agora um tom de confiança, de quem acredita que tudo é possível, que tudo está ao seu alcance e de quem está a trabalhar para continuar a elevar o seu nível.

"Claro que estou confiante! Tenho uma super equipa, uma super direcção que confia em mim, sinto-me bem, sinto-me no máximo das minhas capacidades. Só tenho de estar confiante! Isso é meio caminho andado para as corridas correrem bem", salientou João Matias ao Volta ao Ciclismo. Muito dedicado à pista, o ciclista de Barcelos começou o ano com dois títulos nacionais, na corrida de eliminação e na perseguição individual. No arranque na estrada, foi segundo na Prova de Abertura Região de Aveiro, só batido por um Tiago Machado que realizou uma exibição memorável. O ano ainda está a começar, mas não restam dúvidas que as performances de Matias em 2017 não foram um acaso.

"O João da segunda metade do ano passado não foi um acidente. O da primeira estava a andar bem, estava motivado, mas não foi o mesmo do final da época. Sei bem disso. Felizmente tive muita gente que acreditou em mim, que acreditou nas minhas capacidades. Eu trabalhei para isso e para estar bem neste início da época. Acho que os resultados estão à vista e vou continuar a trabalhar. Eu só preciso que a equipa continue a acreditar em mim e os resultados podem vir por si só", referiu.


"Que me marquem! Espero que continuem a marcarem-me, pois é sinal que estou na discussão das corridas"

Em 2017, João Matias andou seis dias de camisola azul na Volta a Portugal e só a Serra da Estrela e um Amaro Antunes em grande forma lhe tirou a classificação da montanha. E há que não esquecer, que Matias sabe defender-se no terreno mais difícil, mas as suas características são mais de um ciclista rápido. Terminada a Volta, conquistou dois circuitos, no Bombarral e na Malveira. A LA Alumínios-Metalusa-BlackJack não continuou e parte da estrutura mudou-se para a nova equipa Vito-Feirense-BlackJack. É o regresso do clube de Santa Maria da Feira ao ciclismo, em ano de centenário, com Joaquim Andrade ao leme. 

João Matias surge agora como uma das figuras da equipa, ao lado de Edgar Pinto. "Não vou esconder isso. Tenho mais responsabilidade. É esse stress que eu quero, que eu gosto. Não acuso essa pressão. Se me dão mais responsabilidade é porque estão a acreditar em mim e foi algo que eu trabalhei, que conquistei e só tenho de aproveitar este momento e continuar a lutar pelas vitórias."

É precisamente quando se fala de responsabilidade e de um aumento de pressão, que mais se nota como João Matias (26 anos) está confiante, sem receio do que terá de assumir. Nem o facto de agora passar a ser mais marcado pelos adversários, pois o efeito de revelação já passou, o deixa nervoso. Não. Até gosta. Tal significa que há mais respeito. "Imaginemos uma chegada ao sprint. Uma pessoa ser marcada é sempre bom. Acabo por ter menos stress, pois acabam por querer a minha roda, em vez de ser eu à procura da roda dos outros. Felizmente tenho uma equipa boa para trabalhar para mim e não há pressão. Acabo por não ceder muito a essa pressão. Que me marquem! Espero que continuem a marcarem-me, pois é sinal que estou na discussão das corridas", realçou.


"Eu só pensava na vitória. Nos últimos cinco quilómetros ainda vimos o Tiago Machado à distância. Pensei que dava para vencer"

Na Torreira, onde terminou a Prova de Abertura Região de Aveiro, uma queda a cerca de 15 quilómetros da meta partiu o pelotão e João Matias, tal como outros sprinters, acabaram sozinhos na perseguição a Tiago Machado (Equipa Portugal), que depois de 80 quilómetros em fuga solitária - após ter deixado a companhia de César Fonte (W52-FC Porto) -, conseguiu aguentar-se na frente. Por pouco, mas conseguiu. "Eu só pensava na vitória. Nos últimos cinco quilómetros ainda vimos o Tiago Machado à distância. Pensei que dava para vencer... Não deu. Espero nas próximas provas corresponder com bons resultados", afirmou.

É tempo de olhar em frente e no sábado Matias pondera estar no Troféu Alves Barbosa, segunda e penúltima prova da Taça de Portugal de Pista, no Velódromo Nacional, em Sangalhos. Enquanto espera por saber se será convocado por Gabriel Mendes para estar novamente nos Mundiais de pista - que se realizam na Holanda, entre 28 de Fevereiro e 4 de Março -, Matias irá concentrar-se em fazer o melhor na Volta ao Algarve. "É uma prova muito importante e apesar de sermos uma equipa Continentel e estarem muitas do World Tour presentes, vamos lutar para mostrar as cores da Vito-Feirense-BlackJack", realçou. Porém, há já outra corrida que está na sua mira: Gostava de fazer uma boa Volta ao Alentejo!

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