2 de setembro de 2017

O fantasma de Formigal sobre um Froome que resistiu a tudo e a quase todos

(Fotografia: Unipublic/Photogomez Sport)
4 de Setembro de 2016. 15ª etapa de uma Vuelta que tinha Nairo Quintana na liderança, mas com uns escassos 54 segundos de vantagem sobre Chris Froome e com um contra-relógio ainda por realizar. A tirada era uma daquelas "canhão", com apenas 118,5 quilómetros, que terminavam na subida de primeira categoria em Aramon Formigal. Antes havia uma terceira e uma segunda categoria para ultrapassar. Os ciclistas mal tinham começado a pedalar quando Alberto Contador atacou numa zona inesperada. Nairo Quitana foi com ele e não foi sozinho. A Sky estava distraída e Chris Froome não esperava tamanho ataque tão cedo e por aqueles ciclistas. Quando reagiu era tarde e nem tinha equipa, que tinha ficado num corte no pelotão. A velocidade foi alucinante tendo em conta o percurso: 40,7 quilómetros/hora de média. Ganhou Gianluca Brambilla, mas disso poucos se lembram. Mas quem assistiu não esquece como Quintana ganhou a Vuelta naquele dia porque soube aproveitar um ataque que só Contador tem coragem para fazer entre corredores da sua especialidade. Froome ficou a 3:37 minutos, recuperou ainda um pouco, mas perdeu a corrida nesse dia e só não perdeu a equipa porque a organização não quis excluir boa parte do pelotão, que chegou fora do tempo limite.

3 de Setembro de 2017. 15ª etapa da Vuelta. Froome lidera com 55 segundos de vantagem sobre Vincenzo Nibali. 129 quilómetros esperam o pelotão, com duas primeiras categorias e uma especial a terminar na Serra Nevada, quase aos três mil metros de altitude e sem tempo para descansar da ascensão anterior. Consideram a etapa rainha, mesmo com o Angliru ainda por ultrapassar no próximo sábado. Estará o receio de uma repetição de Formigal a assombrar Froome? O britânico garante que não. Não acredita que tal possa voltar a acontecer, principalmente a parte da Sky e de ele próprio serem apanhados desprevenidos. Naquele dia aprenderam que a concentração tem de ser desde o primeiro ao último metro e Froome já demonstrou este ano que a lição ficou bem assimilada.

A etapa deste domingo tem o nome de Contador escrito. É incontornável. Começou mal a Vuelta, mas tem estado a lutar pela sua etapa e por subir na classificação na corrida da despedida. Sabe que o elemento surpresa é quase inexistente depois do que fez em Formigal, mas é nele que se vão centrar muitas das atenções. Talvez seja o momento perfeito para outro ciclista tentar ser ele a surpresa...


Froome não esquecerá Formigal e preparou esta Vuelta bem de mais para a deixar escapar de uma forma tão infantil como aconteceu há um ano. Mérito para os que atacaram, demérito para uma equipa que relaxou, talvez vítima de um excesso de confiança. O passado já lá vai. É pelo que vai acontecer neste domingo que se anseia por ver. Podem-se fazer previsões, antecipar possíveis cenários, mas simplesmente parece que são tantas as variáveis que o texto não teria fim. Espera-se espectáculo. Seja ele qual for e proporcionado por quem for.

Estas etapas "canhão" estão cada vez mais presentes nas grandes voltas. Por um dia, os trepadores podem andar a fundo. E com as distâncias grandes (mais de dois minutos, exceptuando Nibali), ninguém poderá pensar em poupanças. Os dias estão a passar e Froome não cede (com excepção das duas quedas que teve na quinta-feira). Neste sábado os rivais atacaram à vez e Froome lá foi apanhando-os a todos. Até lhes ganhou tempo, menos a Nibali, que bonificou quatro segundos. Mesmo quem já não sonhe em ganhar a Vuelta, há ainda muito por definir no top dez e a luta de uns, pode resultar em alianças com a luta de outros. Sozinhos começa a ser cada vez mais difícil bater Froome.

Rafal Majka venceu uma etapa, salvando uma temporada menos conseguida do polaco. Apostou forte num Tour que acabou numa queda. Chegou fora de forma à Vuelta devido à recuperação física que teve de fazer, mas este ciclista da Bora-Hansgrohe tem qualidade para muito mais e em Espanha já fez um pódio. No ano em que conseguir escapar a alguns azares e ser mais consistente nos resultados, este é um ciclista que pode muito bem deixar os polacos a imaginar grandes vitórias (mais umas para juntar às de Michal Kwiatkowski). Por agora fica-se por uma etapa na Vuelta em 2017, mas é noutro triunfo que se concentram as atenções. A luta pela geral está ao rubro. Esperava-se que Majka fosse um dos seus intervenientes, mas tornou-se num actor secundário para desilusão da equipa alemã e dele próprio, certamente.


Summary - Stage 14 - La Vuelta 2017 por la_vuelta


Veja aqui as classificações.

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»»Não lhes chamem etapas de transição. Não na Vuelta!««

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