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25 de janeiro de 2020

Intxausti termina a carreira a pensar onde poderia ter chegado

Vestir a camisola rosa em 2013 foi um dos pontos altos
da carreira do ciclista basco
(Fotografia: Facebook Movistar Team)
Outrora visto como um talentoso basco que a Sky foi buscar à Movistar por acreditar que poderia tornar-se num elemento chave da equipa, esse mesmo 2016 que Beñat Intxausti pensou ser o ano do salto em frente numa carreira já com momentos importantes, acabou por ficar marcado por um início de um pesadelo que nunca chegou ao fim. Diagnosticado com uma mononucleose, a temporada que começou promissora, com bons resultados na Volta à Comunidade Valenciana, terminou em Julho e já com semanas de interrupção pelo meio. Foram apenas 15 dias de competição. Intxausti bem tentou regressar ao seu melhor nível e teve o total apoio da Sky e mais tarde da Euskadi-Murias, mas aos 33 anos admitiu que não é possível atingir o nível que o profissionalismo exige. Ponto final na carreira.

Em 2017 só começou a competir em Julho, mas abandonou a Clássica de San Sebastián. Em Outubro foi à China com a ilusão que o pior poderia ter passado. Abandonou a Volta a Guangxi ao segundo dia. Ainda assim, a Sky renovou por mais um ano com Intxausti. Cinco dias de competição em 2018. Era o fim do sonho de triunfar na toda poderosa Sky, depois de na Movistar ter ganho duas etapas no Giro e vestido a camisola rosa, algo que agora considera como um dos momentos altos da carreira, assim como o segundo lugar na Volta ao País Basco em 2010, que perdeu para Chris Horner por 58 segundos.

Foi um ciclista para lutar pela geral, como comprovam o quarto lugar no Critérium de Dauphiné, o quinto na Romandia e um oitavo no Giro, a sua melhor classificação numa grande volta. E fez três a Itália, duas a França e cinco a Espanha. Venceu a Volta a Pequim em 2013, batendo Daniel Martin, num ano em que Rui Costa - então companheiro de equipa de Intxausti - também esteve na luta, sendo quarto, a apenas 18 segundos. "Agora estou tranquilo com aquilo que fiz", afirmou Intxausti quando anunciou o seu adeus, no início da semana.

No entanto, haverá sempre um "se" que acompanhará Intxausti: "Fui para a Sky num ano chave da minha carreira, mas chegou a doença e isso é algo que tenho pena. Não sei onde poderia ter chegado." Depois de tantas boas exibições, inclusivamente em 2015, Intxausti eclipsou-se devido à mononucleose. No ano passado fez uma última tentativa na Euskadi-Murias. Um regresso a casa, a uma equipa basca. O ciclista representou numa só época a Euskaltel-Euskadi (2010), no seu segundo ano no World Tour. A estreia foi na Fuji-Servetto, com a Movistar a contar com Intxausti durante cinco temporadas.

Na Euskadi-Murias conseguiu competir com mais frequência. 39 dias. Porém, somou muitos abandonos, sendo a Volta ao Alentejo das poucas que terminou. Com a equipa a fechar portas ao não conseguir garantir patrocinadores para 2020 e sendo claro que Intxausti não conseguiria ser o ciclista de outros tempo devido à doença, a opção é seguir outro caminho, que não será totalmente novo, já que garantiu que vai manter-se ligado ao ciclismo.


30 de setembro de 2019

Euskadi-Murias anuncia fim da equipa

(Fotografia: © Euskadi-Murias)
Fim da linha para a Euskadi-Murias. A equipa corria risco de fechar com a saída do principal patrocinador, mas durante a Vuelta o seu responsável assegurou que decorriam negociações que poderiam salvar a equipa. Porém, o pior dos cenários aconteceu mesmo e uma das principais estruturas de ciclismo em Espanha e que reacendeu a vontade do País Basco ter novamente uma equipa no World Tour, não irá para a estrada em 2020.

Foram cinco anos de projecto, os últimos dois como Profissional Continental. A subida de escalão permitiu que recebesse o convite para estar na Volta a Espanha e nas duas edições em que esteve presente, venceu sempre uma etapa: em 2018 por intermédio Óscar Rodríguez e em 2019 por Mikel Iturria. As prestações na Vuelta deste ano, deixaram Jon Odriozola confiante que potenciais patrocinadores vissem a projecção que poderiam ter. O responsável acreditava que depois da grande volta iria anunciar a continuidade da equipa, mas afinal tal não acontecerá.

"Desde o primeiro momento este projecto pretendeu desenvolver um ciclismo de formação, com um modelo de excelência desportiva e organizativa", lê-se no comunicado da equipa, que reforça como a equipa sempre quis dar oportunidades aos jovens bascos de participar nas melhores corridas mundiais. Realçou ainda como o sucesso nos resultados fez com que a equipa fosse crescendo, recorrendo aos próprios meios que detinha, algo que agora já não é possível.

"Hoje podemos confirmar oficialmente que a equipa Euskadi-Murias não continuará na próxima temporada. O resumo destes anos é de enorme satisfação." Além das duas etapas na Vuelta, a Euskadi-Murias viu Edu Prades conquistar a Volta à Turquia, uma prova do escalão World Tour. A formação basca também deixou a sua marca em algumas corridas portuguesas, sendo presença regular por cá. Na Volta a Portugal venceu duas etapas nesta última edição, depois de no ano passado também ter celebrado um triunfo. Troféu Joaquim Agostinho e Volta ao Alentejo foram outras corridas onde teve sucesso.

Desde que o projecto da Fundação Euskadi começou a crescer - tem Mikel Landa como "padrinho" e recuperou as famosas camisolas laranjas da Euskaltel-Euskadi - que se fala da possibilidade de fusão entre as duas estruturas bascas, de forma a criar novamente uma forte equipa naquela região e que pudesse chegar ao World Tour. Porém, foi uma ideia que terá sido recusada pelos responsáveis das duas formações.

Mas o fim da Euskadi-Murias deixa 20 ciclistas no desemprego, mas alguns deverão ter interessados. Óscar Rodríguez (24 anos) é dos principais talentos, ainda que tenha desiludido na última Vuelta. Fernando Barceló, de apenas 23 anos, realizou uma Volta a Espanha muito interessante, com Héctor Sáez (25) - vencedor de uma etapa na Volta a Portugal - a ser outro jovem com algum potencial ainda para desenvolver.

O ciclismo espanhol vive uma fase em que as equipas estão a conseguir crescer, mas não significa que haja espaço para todas. A Fundação Euskadi poderá estar a caminho do escalão Profissional Continental, tal como a Kometa de Alberto Contador. Mas a Euskadi-Murias sai de cena.

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4 de setembro de 2019

A vitória que poderá dar um empurrão à continuidade da equipa

(Fotografia: © PhotoGomezSport/Euskadi-Murias)
Falta a Caja Rural para se fazer o pleno de vitórias de etapas das equipas Profissionais Continentais. Não é por falta de tentativas que já não a tem e ainda esta quarta-feira fez segundo com Jonathan Lastra. Ainda há muita Vuelta para alcançar o triunfo, mas entretanto é a Euskadi-Murias que está em festa. Na sua segunda participação na corrida espanhola, venceu pela segunda vez, o que é uma enorme ajuda para quem procura novos patrocinadores. Burgos-BH e Cofidis também já picaram o ponto numa grande volta muito simpática para as equipas Profissionais Continentais. Uma tem ainda a camisola da montanha a outra já teve a da vermelha da geral. Em Espanha não se entra nas fugas apenas para mostrar a camisola, corre-se sempre o sério risco de ganhar.

Enquanto a Cofidis pode muito bem estar a caminho do World Tour, a Burgos-BH e a Euskadi-Murias vão vivendo na incerteza quanto ao futuro. Ambas subiram ao segundo escalão no ano passado, mas não tem tido vida fácil. A vitória de Óscar Rodríguez em La Camperona, na Vuelta de 2018 poderia parecer que o projecto da Euskadi-Murias teria mais garantias de sucesso. Porém, no País Basco, terra da equipa, procura-se uma estrutura  forte, que recupere a visibilidade que chegou a ter a extinta Euskaltel-Euskadi. A Fundação Euskadi, equipa que tem o apoio de Mikel Landa, veio dividir atenções e muito se tem falado de unir as duas equipas. No entanto, nem de um lado, nem do outro se gosta muito da ideia.

"Há pessoas que pensam que quanto mais união houver, melhor. Mas neste momento, parece-me que podemos continuar com empresas que nos podem apoiar. Elas podem ver que estamos a fazer um excelente trabalho", referiu o director da Euskadi-Murias, Jon Odriozola, ao Cyclingnews. Depois da Vuelta, deverá haver novidades, segundo o responsável, que espera apresentar com quem vai contar a estrutura para se manter na estrada. Ainda assim, lamenta que tenha de esperar "quase até ao último minuto para anunciar algo".

A imprensa espanhola chegou a dar conta que os ciclistas da equipa receberam autorização para procurar novas equipas, mas a situação poderá agora ser diferente, a julgar pelas palavras de Odriozola.

E a vitória de Mikel Iturria pode ter sido uma ajuda importante, não esquecendo que dos nove triunfos em 2019, seis foram em Portugal, dois na Volta. O de Iturria não foi só o ganhar, mas também como o fez. Chegou a ficar para trás numa subida, recuperou, atacou a cerca de 25 quilómetros da meta e conseguiu manter-se isolado na frente. Aos 27 anos, ainda não tinha nenhuma vitória como profissional. Mais memorável como esta, seria difícil!

Quanto a Lastra - vencedor da Clássica da Arrábida - foi o mais forte no sprint, mas Iturria já tinha cortado a meta seis segundos antes. Foi a segunda vez que a Caja Rural de Domingos Gonçalves - que tem andado muito discreto - foi segunda, depois de Alex Araburu, um dos grandes talentos da equipa, ter terminado nessa posição na oitava etapa. 

A formação está a celebrar os dez anos como profissional e tem colocado ciclistas no top dez das etapas, mas ninguém consegue repetir o feito de Antonio Piedra, que venceu uma tirada em 2015. A Caja Rural conta ainda com duas classificações da montanha em 2014 e 2015, com dois nomes bem conhecidos: Luis León Sánchez e Omar Fraille.

Não só se vê ultrapassada pela Euskadi-Murias, como a própria Burgos-BH está na luta pela camisola da montanha, com Ángel Madrazo a manter-se na liderança da classificação, além de ter sido quem venceu a etapa para a equipa. Certo é que a Caja Rural vai continuar à procura de ganhar, como aliás sempre o faz, ano após ano na Vuelta.

12ª etapa: Circuito de Navarra - Bilbau (171,4 quilómetros)


Para a Euskadi-Murias será um dia especial, pois irá acabar a etapa em casa. A questão é se o pelotão vai estar tão permissivo como esta quarta-feira: terminou a 18:35 minutos de Iturria, depois de um dia com um ritmo muito calmo. É possível que não se preocupe com a fuga, mas as curtas ainda que difíceis terceiras categorias poderão convidar a ataques. Contudo, sexta-feira é dia de Los Machucos e isso poderá pesar na decisão de gastar ou não forças na 12ª etapa.

Quanto às terceiras categorias desta quinta-feira, a primeira será para aquecer, as restantes serão bem desafiantes. O Alto de Azázeta terá 4,9 quilómetros com pendente média de 3,9%. Depois haverá o Alto de Urruztimendi com apenas 2,5 quilómetros, mas a 9,2%. Segue-se o Alto el Vivero, com 4,3 quilómetros a 7,7% e para terminar um Alto de Arraiz de 2,2 quilómetros a 12,2% de média!




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12 de agosto de 2019

As equipas da Volta a Portugal uma a uma

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Terminada a 81ª edição da Volta a Portugal e dado o peso que tem na época das formações nacionais, é o momento de fazer balanços. W52-FC Porto, Rádio Popular-Boavista e LA Alumínios-LA Sport são as que ficaram mais felizes, enquanto o Sporting-Tavira falhou novamente e a Aviludo-Louletano pagou o preço por apostar tudo num ciclista. Entre as estruturas estrangeiras, como sempre acontece, algumas mal se viram, mas Fundação Euskadi será sempre bem-vinda, com Euskadi-Murias e Amore & Vita-Prodir a conquistarem etapas. A formação suíça SRA também foi interessante de ver. (As equipas estão pela ordem da classificação colectiva.)

W52-FC Porto: Começou desde cedo a mostrar que continuava a ser a equipa mais forte. Porém, a queda de Bragança fez a estrutura tremer, com Joni Brandão a conseguir inclusivamente tirar a camisola amarela que a equipa não estava habituada a perder com a corrida tão avançada. Sem o vencedor das duas últimas edições, Raúl Alarcón (lesionado), foi o seu substituto que, de certa forma, surpreendeu ao mostrar um nível que não se via há dois anos. Gustavo Veloso (terceiro) voltou a sonhar com a terceira vitória, andou de amarela, mas a tal queda deixou-o limitado. João Rodrigues estava a ser preparado para assumir responsabilidade um dia. Esse dia chegou mais cedo e o algarvio de 24 anos foi brilhante. Também apanhou um susto ao cair em Bragança, mas não foi nada de grave. Ganhou na Torre, foi segundo na Senhora da Graça e avassalador no contra-relógio Gaia-Porto. Partiu com o mesmo tempo que Brandão e ganhou por 27 segundos. Foi o líder que a W52-FC Porto precisava. Samuel Caldeira foi o homem de trabalho que a equipa precisava e ainda ganhou o prólogo e vestiu a amarela no início. Daniel Mestre também ganhou uma etapa e trabalhou muito até partir uma costela em Bragança. Depois foi aguentar para conquistar a camisola verde dos pontos. Sobre Ricardo Mestre faltam palavras para descrever a sua importância, enquanto Edgar Pinto (quinto) foi novamente azarado com uma queda na Torre após toque com Vicente García de Mateos, mas foi essencial na luta pela vitória acabaria por ser de Rodrigues. António Carvalho começou bem, fraquejou a meio e foi um senhor na Senhora da Graça, terminando a Volta na quarta posição. Com uma equipa assim era difícil não ganhar, mas teve rival à altura para valorizar ainda mais a conquista, a sétima consecutiva da formação do Sobrado.

Rádio Popular-Boavista: Há um ano, a vitória de etapa e o top dez de Domingos Gonçalves já tinha sido muito positivo, mas em 2019, José Santos levou a sua equipa a um patamar que há muito não se via. João Benta e Luís Gomes ganharam etapas e este último ainda foi o rei da montanha. No contra-relógio final, a equipa deixou escapar a vitória por equipas, mas terminou com Benta (sexto), David Rodrigues (sétimo) e Daniel Silva (nono) no top dez. A influência na corrida foi tal, que tanto a W52-FC Porto e principalmente a Efapel procuraram alianças com esta equipa. Luís Mendonça não conseguiu a vitória que esteve perto, mas todos os ciclistas destacaram-se pelo trabalho feito para o sucesso alcançado, numa Volta a Portugal que a equipa tão cedo não esquecerá. Esperava-se a habitual equipa lutadora, mas desta feita a Rádio Popular-Boavista conseguiu traduzir em mais resultados essa forma de enfrentar as corridas.

Sporting-Tavira: Falta a confirmação oficial, mas terá sido a despedida do Sporting da Volta a Portugal. O clube deverá abandonar a modalidade, depois de ter regressado há quatro anos. Então, Jesus Ezquerra venceu uma etapa, mas a partir daí pouco correu bem à equipa de Vidal Fitas nesta corrida. 2019 não foi excepção. Tiago Machado foi uma aposta falhada, José Mendes, o campeão nacional, andou desaparecido. Alejandro Marque ainda parecia poder lutar pelo top dez, mas a etapa da Torre acabou com essa ideia. Frederico Figueiredo teve finalmente a oportunidade de procurar o seu resultado (há muito que merece ter um papel principal), mas o azar perseguiu-o. Sofreu quedas e a última, na etapa da Senhora da Graça, resultou num pulso partido. Foi quinto nesse dia, mas já não participou no contra-relógio final e o "senhor regularidade" não alcançou mais um top dez. Outro destaque foi um dos mais combativos da Volta: David Livramento. Chamado para substituir Rinaldo Nocentini, o algarvio esteve muito bem. Trabalhou tanto em fugas, que merecia ou ganhar uma etapa ou que um companheiro (Marque, por exemplo) o tivesse feito. Porém, o Sporting-Tavira terminou a Volta novamente sem qualquer conquista.

Efapel: Tudo pela Volta com Joni Brandão. E foi quase. Para uma equipa que teve um líder que deu luta a uma W52-FC Porto que tem dominado a corrida, não se pode dizer que tenha feito uma Volta aquém do desejado. Porém, os resultados não traduziram a ambição. Joni Brandão esteve três dias de amarelo, contudo, claudicou por completo no contra-relógio final. Partiu em igualdade pontual, mas perdeu 27 segundos. Sofreu duas quedas, perdeu tempo, foi penalizado em dez segundos quando os comissários consideraram que foi empurrado pelo mecânico, mas a derrota na Volta deveu-se àquela última prestação... E com influência da etapa na Torre. Era a subida que melhor assentava a Brandão, mas foi o dia em que não esteve ao nível desejado. Reagiu bem, mas ficou desperdiçou ali a oportunidade de ganhar tempo valioso e até perdeu para João Rodrigues. Colectivamente a Efapel não foi tão forte quanto se esperava. Henrique Casimiro foi de luxo, mas pagou o esforço na Senhora da Graça. Porém, nenhum dos companheiros teve uma exibição perto do nível de Casimiro. Às primeiras acelerações nas montanhas, rapidamente Brandão só ficava com Casimiro. Rafael Silva cumpriu o seu trabalho no terreno mais plano, mas esperava-se mais de Sérgio Paulinho, Bruno Silva, Fabricio Ferrari e Nikolay Mihaylov. A Efapel saiu da Volta sem a camisola amarela e sem etapas ganhas. Ainda assim, fez algo que há muito não se via, fez a W52-FC Porto suar bem mais para ganhar.


Miranda-Mortágua: Gaspar Gonçalves entrou com tudo na Volta a Portugal, à procura da camisola da montanha ou dos pontos. Quando chegaram as etapas mais difíceis, foi o experiente Hugo Sancho que assumiu protagonismo. O grito de frustração na Serra do Larouco revelou bem como o ciclista apostou forte naquela etapa, tendo sido batido com a meta à vista por Luís Gomes. Tentou de novo nas duas últimas tiradas em linha, mas foi naquela que teve a grande oportunidade de ganhar e dar uma vitória a esta equipa Continental sub-25. O director desportivo Pedro Silva nunca desistiu de procurar subir ao pódio na Volta e Sancho fê-lo no Porto ao receber o prémio da combatividade.

UD Oliveirense-InOutBuild: Aquela queda de Rafael Lourenço em Bragança... Momento de enorme frustração para a outra equipa Continental sub-25 do pelotão nacional (há ainda a LA Alumínios-LA Sport). É um dos mais recentes jovens a despontar na formação de Manuel Correia e conseguiu ficar no grupo reduzido que ia disputar a vitória de etapa. Caiu numa curva, numa estrada molhada pela chuva. Foi uma pena para o ciclista e para a equipa que tentou mostrar-se em fugas. Contratou o colombiano Juan Filipe Osorio para dar um pouco mais de experiência a um plantel tão jovem e o antigo ciclista da Manzana Postobón, sem equipa desde o fim da estrutura, tentou aparecer na montanha. Porém, aquele momento de Rafael Lourenço marcou a corrida de uma UD Oliveirense-InOutBuild que esteve tão perto da possibilidade de lutar por uma etapa.

Medellin: Com pouco tempo para recuperar de uma corrida feita na China, não surpreendeu quando a maioria dos ciclistas da formação colombiano começaram rapidamente a eclipsar-se. Foi o caso de Fabio Duarte, mas não de Cristhian Montoya. A equipa até começou com menos um ciclista, pois o vencedor da Volta ao Lago Qinghai, Robinson Chalapud, acabou por ficar de fora. Aos 42 anos, Óscar Sevilla até arrancou a Volta a Portugal muito bem, mas uma queda limitou-o fisicamente. Ainda lutou por uma etapa, mas os problemas físicos e o cansaço da corrida e viagem chinesa tiveram o seu peso nas prestações. Já Montoya conseguiu ser o único corredor de uma equipa estrangeira a intrometer-se no top dez, sendo oitavo, a 5:24 minutos de João Rodrigues. Nunca esteve na disputa sequer do pódio, mas foi muito regular nas etapas mais difíceis.

Aviludo-Louletano: Apostar tudo num só ciclista tem destas coisas. A corrida estava a correr bem, com Vicente García de Mateos não só na luta por um terceiro pódio consecutivo, mas também pela vitória. Estava a 34 segundos da liderança, então de Joni Brandão, antes da etapa da Senhora da Graça. Passou mal a noite e a indisposição acabou mesmo por obrigá-lo a abandonar no penúltimo dia de corrida, com Oscar Hernandez e André Evangelista a fazerem o mesmo. Fim de Volta para a equipa algarvia. Depois de dois anos com pódio, camisola verde e etapas, a Aviludo-Louletano saiu sem nada. Luís Fernandes, que realizou uma boa corrida, ainda andou no top dez (terminou na 12ª posição) e deu tudo o que tinha para ganhar na Senhora da Graça, mas não conseguiu. Volta frustrante para o director desportivo Jorge Piedade.

Vito-Feirense-PNB: Já era expectável que seria uma Volta complicada para a equipa de Joaquim Andrade. Sem Edgar Pinto - agora na W52-FC Porto -, não houve uma referência para a geral, sendo o objectivo procurar uma vitória de etapa. João Matias tentou ao sprint e ainda procurou a solução de uma fuga. Sem sucesso. Filipe Cardoso procurou a mesma táctica da fuga, mas também sem resultado. Óscar Pelegrí esteve apagado e o principal destaque acabou por ser um Jesus del Pino que se tornou no exemplo de perseverança da corrida. Caiu na etapa da Senhora da Graça e ficou muito, mas mesmo muito mal tratado. Partiu para o contra-relógio cheio de ligaduras, mas terminou.

Caja Rural: Domingos Gonçalves está longe da forma que apresentava há um ano, então na Rádio Popular-Boavista e quando venceu uma etapa. O gémeo de Barcelos ainda entrou em fugas, incluindo na etapa da Torre, mas abandonou na sexta etapa, por motivos de saúde. Se o português era inevitavelmente uma das figuras da equipa espanhola do segundo escalão do ciclismo mundial, havia mais corredores com potencial para aparecerem na corrida. Matteo Malucelli ainda procurou os sprints, mas David González López (também abandonou no mesmo dia de Gonçalves) e o veterano Sergio Pardilla, por exemplo, estiveram muito discretos.

LA Alumínios-LA Sport: Segundo ano do projecto Continental sub-25 e uma grande conquista para a equipa de Hernâni Brôco. Emanuel Duarte estreou-se na Volta vencendo a classificação da juventude, que segurou no conta-relógio final por apenas dois segundos. Todos os ciclistas da equipa 100% portuguesa chegaram ao fim e com razões para celebrar. Um prémio para o trabalho que está a ser realizado nesta formação, destacando-se ainda David Ribeiro, que andou em fugas, procurou incessantemente vestir a camisola da montanha, que conseguiu durante um dia.

Fundação Euskadi: Sempre uma atitude de lutar, de dar espectáculo. Esta Euskadi recuperou as populares camisolas laranjas da saudosa Euskaltel-Euskadi e os seus jovens ciclistas nunca desperdiçam uma oportunidade para conquistar bons resultados. A equipa foi presença assídua nas fugas, procurou vencer uma etapa, foi líder da montanha nos primeiros dias com Peio Goikoetxea e uma queda na tirada da Senhora da Graça atirou para fora da corrida Unai Cuadrado, que liderava a classificação da juventude. A competir assim, é uma equipa muito bem-vinda.

Israel Cycling Academy: A formação Profissional Continental esteve pelo terceiro ano na Volta a Portugal, mas excluindo em 2017 quando Krists Neilands venceu a classificação da juventude, a equipa tem tendência a passar relativamente despercebida. O australiano Zak Dempster ainda foi terceiro na Guarda, mas a Israel Cycling Academy tinha ciclistas para se mostrar um pouco mais.

Euskadi-Murias: É presença assídua em Portugal, mesmo depois de subir ao segundo escalão e não costuma desiludir. Não trouxe o ciclista que este ano tem ganho por cá, Enrique Sanz, mas Mikel Aristi (segunda etapa) e Hector Saez (sexta) conquistaram etapas, com a equipa a estar ainda na luta pela juventude, com Urko Berrade, que perdeu por dois segundos. Seis das sete vitórias que a formação basca tem em 2019 foram alcançadas em provas portuguesas. Procurou mais destaque, participando em algumas fugas, valorizando a sua presença na Volta.

Arkéa Samsic: Esperava-se um pouco mais desta equipa Profissional Continental. Se era expectável que alguns dos ciclistas pudessem ter uma atitude mais de rodar em Portugal, ainda assim também se esperaria ver um pouco das suas capacidades. Excepto dois, um deles, um dos nomes mais sonantes da corrida. Brice Feillu procurou uma boa classificação na geral, mas nunca teve pernas para pensar num top dez. Ficou na 16ª posição, a 13:33 minutos do vencedor. Mas quem mais sobressaiu foi um jovem de 22 anos. Prestações interessantes de Thibault Guernalec. Foi quarto e quinto classificado nos contra-relógios e ainda fez outro quarto lugar na etapa de Braga. Mas ainda assim, soube a pouco para esta Arkéa Samsic, que, sem surpresa, não trouxe nenhum grande estrela (Warren Barguil e André Greipel, por exemplo, representam esta formação francesa), mas tinha potencial para mais e melhor.

Amore & Vita-Prodir: Duas vitórias de etapa e a procura por mais. Atitude de valorizar desta equipa com licença da Letónia, ainda que seja de raízes italianas. Davide Appollonio foi o actor principal de umas das histórias iniciais da Volta a Portugal. Foi a sua primeira corrida após uma suspensão de quatro anos por doping e venceu logo a primeira etapa, em Leiria. A equipa ficou ainda mais motivada e Marco Tizza conquistou o difícil final da Guarda. A procura por mais continuou, com Tizza em destaque.

Swiss Racing Academy: Equipa interessante de ver. Ciclistas muito jovens, mas com vontade de aproveitar a oportunidade de mostrarem-se numa corrida tão exigente. Por centésimos de segundo, Gian Friesecke quase surpreendeu no prólogo e foi sexto no contra-relógio final. Mathias Reutimann foi outro dos destaques positivos, mas na montanha. Foi terceiro na Serra do Larouco, faltando forças para um sprint final com Luís Gomes e Hugo Sancho. A SRA foi uma equipa muito activa que entrou em várias fugas. Prestação muito positiva.

Bai-Sicasal-Petro de Luanda: Só o estar na Volta a Portugal foi uma vitória para a equipa angolana. Conseguir entrar em fugas e mostrar a camisola na televisão foi uma considerado uma conquista. Porém, viu-se pouco dos ciclistas angolanos e foi mesmo um português a assumir algum protagonismo, como já era esperado. Depois de duas temporadas mais dedicado ao BTT, Micael Isidoro conseguiu regressar à estrada aos 37 anos. Procurou fugas e mostrar-se no terreno onde se sente mais à vontade, na montanha, tendo uma liberdade que raramente encontrou numa carreira passada como gregário. O destaque foi para a etapa da Bragança, com Micael a terminar no oitavo lugar.

ProTouch: A equipa 100% sul-africana pretendeu dar aos ciclistas a possibilidade de experimentar uma corrida por etapas mais longa e com grande dureza. Não foi fácil para os corredores e só três chegaram ao fim, com James Fourie a ser o "lanterna vermelha" ao terminar a 3:21:04 horas do vencedor João Rodrigues. Tentou as fugas, mas pouco se viu desta formação.

»»João Rodrigues cumpriu o plano mais cedo do que o previsto««

»»Regressou após quatro anos de suspensão e agradeceu à equipa com vitória em Leiria««

7 de agosto de 2019

Queda de Veloso e Rodrigues aumenta incerteza na véspera de subir a Serra do Larouco

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Regresso à estrada, após o dia de descanso, com algum nervosismo, muita chuva e uma queda que Gustavo Veloso parecia adivinhar. De um momento para o outro, a Volta a Portugal ganha uma nova incerteza. Já perto da meta, em Bragança, uma queda deixou no chão o camisola amarela, o segundo classificado João Rodrigues e o camisola verde Daniel Mestre. Todos apresentaram queixas físicas e os últimos dois foram ao hospital após a etapa. Joni Brandão (Efapel) também caiu, com Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano) a ser o único dos quatro primeiros a sair incólume do caótico final de etapa. Esta quinta-feira é dia de subir a Serra do Larouco, numa das tiradas mais importantes da corrida e as sequelas das quedas poderão ser determinantes, quando as diferenças estão tão curtas.

Gustavo Veloso bem avisava antes do arranque em Moncorvo que seria uma etapa que teria de ser feita com muita atenção. Depois do calor veio a chuva e aumentou o risco de quedas, que nesta edição da Volta têm sido frequentes. O camisola amarela só queria que todos chegassem bem a Bragança. Mais parecia um prenúncio. Numa rotunda, bastou cair um que vários se seguiram, incluindo os três homens da W52-FC Porto, que estavam juntos. Gerou-se alguma confusão, com os ciclistas a chegarem a conta gotas à meta, nada preocupados com o tempo, já que a queda deu-se nos três quilómetros finais, mas se Brandão pareceu estar relativamente tranquilo, Veloso apresentava queixas e Rodrigues não conseguiu esconder um esgar de dor enquanto era ajudado a terminar a etapa por Daniel Mestre e Luís Gomes, o corredor da Rádio Popular-Boavista.

João Rodrigues, que está a 15 segundos de Veloso na geral, explicou que as dores eram na perna. A equipa escreveu no seu site que tanto o algarvio, como Daniel Mestre foram transportados para o hospital, mas não apresentavam "cuidados de maior". Já Rúben Pereira garantiu que Joni Brandão está bem, assim como Henrique Casimiro e Bruno Silva. "Apesar da queda final, onde grande parte da equipa ficou envolvida, não houve males de maior nem mazelas", afirmou o director desportivo.

Serra do Larouco ainda mais decisiva

É uma das etapas mais difíceis e com potencial para se fazerem diferenças. No entanto, perante os acontecimentos desta quarta-feira, ganha ainda mais importância, pois será essencial perceber como estão os dois principais ciclistas da W52-FC Porto. A meta coincide com uma primeira categoria de 9,2 quilómetros, com uma pendente média de 5,8%. Antes, a cerca de 40 quilómetros do final, está colocada outra dificuldade de primeira categoria, em Torneiros, com 4,5 quilómetros e inclinação média de 8,7%.

Até ao quinto classificado, Henrique Casimiro, há 45 segundos de diferença e até ao 10º, Luís Fernandes (Aviludo-Louletano), são 1:33 minutos de diferença. Em qualquer das subidas, quem passar mal pode perder tempo que fará mossa na classificação geral. A W52-FC Porto poderá sofrer mais ataques do que o esperado dado o que aconteceu, mas continua a ter outra arma: Edgar Pinto. Caiu na Serra da Estrela, mas parece estar bem e a 1:14 minutos não será uma carta fora do baralho se for preciso tentar sacar um ás, caso Veloso e/ou Rodrigues não estejam bem.

A Efapel tem dois homens no top dez, tal como a Aviludo-Louletanto e a Rádio Popular-Boavista, com David Rodrigues (esteve muito bem na Serra da Estrela) e João Benta. Mesmo com a Senhora da Graça à espera de todos no sábado, a etapa desta quinta-feira tem potencial para mexer com a geral, com uma maior dúvida a surgir agora que uma queda abanou uma W52-FC Porto que tem controlado a Volta a Portugal.

A etapa começa em Bragança às 12:55, no Parque Quinta da Braguinha e terá 156,2 quilómetros.

Dia movimentado de Moncorvo a Bragança

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A sexta etapa, de 189,2 quilómetros, foi tudo menos calma. Com três contagens de montanha logo nos primeiros 55, houve tantas movimentações que, na última subida, o pelotão partiu-se e ficaram os candidatos à geral na frente, com alguns companheiros de equipa e os restantes corredores atrasaram-se. A W52-FC Porto estava praticamente completa e aproveitou para garantir pontos para Daniel Mestre na classificação da camisola verde. Entretanto, Luís Gomes já tinha assegurado a azul da montanha, tirando-a por um ponto a David Ribeiro, da LA Alumínios-LA Sport. O pelotão acabaria por se voltar a juntar.

Os últimos 100 quilómetros foram mais "normais" até à fase final algo caótica, muito porque a chuva tornou perigosa a passagem por Bragança. A fuga triunfou, com a Euskadi-Murias a conquistar a segunda vitória de etapa, agora com o espanhol Hector Saez. Foi a primeira vitória como profissional deste ciclista de 25 anos, que foi campeão nacional de juniores em 2010.

Vários portugueses estavam na fuga e quando o grupo começou com ataques e contra-ataques a 15 quilómetros da meta, só Rafael Lourenço conseguiu ficar numa posição de discutir uma etapa que valeria ouro para a UD Oliveirense-InOutBuild. Contudo, tornou-se a primeira vítima das condições meteorológicas. Caiu e o sonho ficou adiado.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

»»LA Alumínios-LA Sport lidera duas classificações na Volta a Portugal: "Melhor acho que era impossível"««

»»Livramento preparou caminho que Marque não concluiu com a vitória que o Sporting-Tavira tanto precisa««

2 de agosto de 2019

Terminou a longa espera de Gustavo Veloso

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Esperou quatro anos, mas Gustavo Veloso vestiu novamente a camisola amarela na Volta a Portugal. A última vez havia sido a 9 de Agosto de 2015, quando, em Lisboa, celebrou a sua segunda conquista. Parecia que dificilmente não chegaria ao terceiro triunfo, mas um companheiro de equipa surpreendeu tudo e todos, inclusivamente ele próprio, para alcançar a vitória de uma vida. Rui Vinhas venceu em 2016 frente a um Veloso muito pouco satisfeito por ter ficado em segundo. O espanhol não mais apareceria àquele nível e no ano passado foi mesmo uma Volta penosa para o outrora temido ciclista, bom a subir e excelente no contra-relógio.

A W52-FC Porto puxou Raúl Alarcón para a liderança, com o sucesso que se conhece: duas vitórias, tal como Veloso. No ano em que parecia que finalmente o eterno capitão ficaria de fora, aos 39 anos foi chamado para herdar o dorsal 1 de um Alarcón ausente por lesão. O que fez Veloso? Ficou a centésimas de ganhar o prólogo e ao terceiro dia vestiu uma camisola que conhece tão bem.

Gustavo Veloso recusa atribuir o estatuto de grande candidato a si próprio. Aliás, nem dá a ninguém da equipa, mantendo o discurso adoptado da W52-FC Porto em passar toda a responsabilidade para Joni Brandão.

Samuel Caldeira, o antigo detentor da camisola, cedo deu mostras que o seu reinado estava a chegar ao fim. Foi dos que mais trabalhou na W52-FC Porto até a Efapel de Brandão tomar conta das operações. Aquele final não era para Caldeira, pelo que era a oportunidade de Veloso mostrar que não está na Volta para ficar em segundo plano.

Há dois anos claudicou na etapa da Torre. Em 2018 passou ao lado da corrida, dando ajuda quando podia, mas foi uma sombra do ciclista que se conhece. Perante o plantel com tanta qualidade, no qual qualquer dos ciclistas muito provavelmente estaria na Volta a Portugal se estivesse noutra equipa, Veloso ficar de fora dos convocados não era nada de inesperado. Contudo, pode já não ser um jovem ciclista, mas aí está Veloso de volta à ribalta, comprovando que a forma mostrada no Troféu Joaquim Agostinho - ganhou uma etapa - não foi um acaso.

Samuel Caldeira liderou durante muitos quilómetros o pelotão
(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Era este Veloso que a W52-FC Porto precisava perante a perda de Alarcón. Este fim-de-semana ficará já respondido se será ciclista para discutir a Volta ou se irá ajudar algum companheiro, mas estando na liderança contribuiu para aumentar dúvida entre os adversários. Afinal para quem devem olhar? João Rodrigues e António Carvalho podem ter perdido uns segundos - cinco e sete para Veloso - devido a mais uma queda perto da meta, mas todos eles estão no top dez e na discussão, juntamente com Edgar Pinto.

Esta táctica de esconder o jogo da W52-FC Porto está a dar um ponto de interesse extra à Volta a Portugal. A etapa da Torre, no domingo, promete...

Já Tiago Machado não pode dizer o mesmo quanto a não ficar preocupado com segundos perdidos. O líder do Sporting-Tavira deixou escapar 20 segundos para o vencedor da etapa, 17 para o primeiro grupo de candidatos, o que se traduz em 43 segundos para Veloso na geral. Nada de assustador, é certo, mas não estaria nos planos.

Esta perda de tempo se não for compensada na Torre, poderá significar que é outro veterano a chegar-se à frente para assumir o papel de destaque. Alejandro Marque esteve bem no prólogo e evitou os problemas da queda na chegada a Santo António dos Cavaleiros, cortando a meta com Veloso, Brandão e Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano). São apenas 11 segundos a separá-lo da amarela, ele que também a conhece muito bem, já que venceu a Volta em 2013.

De referir que nesta etapa não se aplicava a regra dos três quilómetros como aconteceu em Leiria, por a meta ser numa subida categorizada. Por isso, foram contabilizados os cortes.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

Euskadi-Murias adora Portugal

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Em seis vitórias esta temporada, a equipa basca conquistou cinco em Portugal. Enrique Sanz tem sido o abono de família, mas Mikel Aristi juntou finalmente um nome diferente à lista de vencedores. Sanz venceu três etapas na Volta ao Alentejo, uma no Troféu Joaquim Agostinho e ainda alcançou o único triunfo da Euskadi-Murias em Espanha, na terceira etapa da Volta a Castela e Leão.

O sprinter não está na Volta a Portugal - talvez a pensar numa Volta a Espanha -, mas isso não significa que a equipa não tenha vindo com intenções de vencer. O final de etapa mais longa da Volta - 198,5 quilómetros entre a Marinha Grande e Santo António dos Cavaleiros - eram 1400 metros com uma pendente média de 8%. Parecia estar a chamar por Luís Mendonça, que respondeu a esse apelo.

Depois de ter ficado envolvido na queda da primeira etapa, Mendonça apareceu com vontade de vencer e estava já a distanciar-se na frente quando se deu nova caída perto do fim. Desta feita nem deu por ela. A meta estava a 25 metros de distância, quando num ímpeto final, Mikel Aristi ultrapassou o ciclista da Rádio Popular-Boavista. Ainda não foi desta que Mendonça conquistou a sua tão desejada etapa na Volta.

Foi a segunda vitória na carreira do ciclista basco, de 26 anos, depois de vencer a primeira etapa da Tropicale Amissa Bongo há dois anos, ao serviço da francesa Delko Marseille Provence KTM. Em 2018, a Euskadi-Murias já havia ganho na Volta a Portugal, por intermédio de Enrique Sanz, pois claro! Agora o objectivo está bem definido: ganha a primeira etapa, é para repetir e se possível já este sábado. A equipa basca Profissional Continental viu ainda Urko Berrade vestir a camisola branca, de líder da juventude.

3ª etapa: Santarém - Castelo Branco, 194,1 km



Mais um dia longo e que vai servir para "aquecer motores" para a subida à Torre no domingo, no dia que marcará um muito desejado regresso de uma chegada ao ponto mais alto de Portugal Continental.

As subida de terceira e quarta categoria não deverão evitar uma discussão ao sprint. Porém, a chegada a Castelo Branco é técnica e já tem criado dissabores no passado a alguns ciclistas. Tendo em conta que em duas etapas em linha houve duas quedas na aproximação à meta, haverá atenção máxima por parte de todos, pois ninguém quer partir para a difícil etapa de domingo com marcas de queda.

A partida será às 12:45 na Avenida D. Afonso Henriques (Campo Emílio Infante da Câmara), com a chegada prevista às 17:30, na Avenida Nuno Álvares.

»»Regressou após quatro anos de suspensão e agradeceu à equipa com vitória em Leiria««

»»Um susto para a Efapel««

8 de maio de 2019

Vuelta sem surpresas nos convites no último ano "descansado" para as equipas espanholas

Domingos Gonçalves espreita a oportunidade de se estrear numa grande volta
(Facebook: Caja Rural)
Convites distribuídos sem surpresas, num último ano em que as equipas espanholas Profissionais Continentais têm entrada praticamente garantida na "sua" corrida. A Vuelta já completou o pelotão para próxima edição (de 24 de Agosto a 15 de Setembro) e se havia grande volta que não se esperava surpresas, era esta. No entanto, em 2020 tudo será diferente.

Com a subida da Burgos-BH e da Euskadi-Murias ao segundo escalão na temporada passada, a organização não quis deixar as duas equipas fora da maior corrida do país, juntado-as assim à Caja Rural como wildcards da Vuelta. Era a forma de tornar os projectos sustentáveis, num país com tradição no ciclismo, mas apenas com a Movistar ao mais alto nível, no World Tour e só com a Caja Rural como Profissional Continental até ao final de 2017.

Este ano, só a Burgos-BH tremeu um pouco quanto ao convite, dado os casos de doping que levaram a equipa a auto-suspender-se no arranque da temporada, ainda antes da sanção oficial da UCI. Tremeu, mas não caiu, o que deixará três portugueses à espreita de uma chamada para a Vuelta: Ricardo Vilela, José Neves e Nuno Bico. Ao trio junta-se Domingos Gonçalves, que poderá ir pela Caja Rural. O campeão nacional de estrada e contra-relógio encontra-se a recuperar das lesões que resultaram da violenta queda na Volta à Catalunha. Só Vilela sabe o que é fazer grandes voltas, precisamente duas Vueltas.

O problema das equipas espanholas são as regras que serão implementadas a partir de 2020. A UCI pretende que duas Profissionais Continentais passem a qualificar-se directamente para as grandes voltas através do ranking das equipas. Isto caso mantenha 18 equipas World Tour, pois pondera aumentar para 20, dado os 23 pedidos de licença para o próximo ano, o que poderia levar ao anulamento desta qualificação via ranking.

Se se mantiver o plano inicial da UCI, nesta fase da época, nenhuma das três espanholas está sequer perto dos dois primeiros lugares. As organizações das grandes voltas ficarão com dois convites para atribuir, o que significará que uma equipa de Espanha ficará irremediavelmente de fora. Não é difícil imaginar como a formação que for excluída terá mais dificuldades em segurar ou encontrar patrocinadores novos que estejam dispostos a pagar, sem terem garantido a exposição mediática de uma Vuelta.

E há que não esquecer que Alberto Contador quer ver a sua Kometa também como Profissional Continental já na próxima temporada, o que poderá significar quatro equipas espanholas para apenas dois convites. E o nome Contador pode ter muito peso no momento de decidir...

A quarta equipa a receber convite para 2019 foi a Cofidis. Não sendo espanhola tem lugar mais do que garantido como as que são, não fosse um nome com fortes ligações ao ciclismo no país, sendo um dos patrocinadores da federação, por exemplo. É a única equipa do segundo escalão que consegue participar em duas grandes voltas e assim tem sido há algum tempo, pois como francesa, recebe o wildcard para o Tour.

Ao contrário das formações de Espanha, a Cofidis não está muito preocupada com a questão do ranking, pois até o lidera entre as equipas Profissionais Continentais e tem sido habitual terminar num dos dois primeiros postos. E também poderá garantir um lugar sendo World Tour, já que pediu licença para subir de escalão em 2020.

As dúvidas das equipas espanholas são partilhadas pelas italianas, com a agravante de Itália não ter qualquer formação no World Tour. Para já, há que concentrar no presente, mas o futuro não será fácil para quem precisar de estar em grandes voltas para assegurar sobrevivência de projectos, pelo menos, ao nível Profissional Continental.

»»Que ninguém comece mal esta Vuelta««

»»Corrida aos pontos. 23 equipas querem ser World Tour em 2020««

9 de abril de 2019

O renascer das camisolas laranjas

(Fotografia: Facebook Fundación Euskadi)
Uma coisa era certa, se havia algo que a Euskaltel-Euskadi era sempre uma fortíssima candidata era em dar espectáculo. Principalmente se houvesse montanha, pois bem ao estilo do terreno do País Basco, ali estavam muitos e bons trepadores. Quando a equipa fechou portas ficou um vazio no ciclismo, pois esta era uma formação diferente, de identidade muito própria, uma verdadeira imagem de uma região. O último ano foi em 2013 e ainda hoje a herança das camisolas laranjas está bem presente no pelotão. O desejo de um dia o País Basco ter novamente a sua grande equipa de ciclismo nunca morreu e estão a ser dados passos que podem tornar esse sonho em realidade em breve.

Mikel Landa, Ion e Gorka Izagirre, Mikel Nieve, Pello Bilbao, Jonathan Castroviejo e o veteraníssimo Markel Irizar são nomes que, com maior ou menor sucesso, conquistaram o seu lugar de destaque no pelotão internacional. A escola basca deu ao ciclismo espanhol alguns dos grandes trepadores, com talvez Samuel Sánchez a ter sido a maior das figuras da equipa. Ficou a 55 segundos de ganhar uma Vuelta que acabou nas mãos de Alejandro Valverde (2009). Ganhou uma camisola da montanha no Tour (2011) e no ano antes foi segundo na geral, mas nunca subiu ao pódio, pois o resultado foi determinado depois da desqualificação de Alberto Contador e Denis Menchov. De referir que Sánchez foi ainda campeão olímpico em 2008, em Pequim, mas essa corrida foi em representação da selecção nacional.

A Euskaltel-Euskadi venceu etapas em todas as grandes voltas, principalmente na Vuelta e em muitas mais das grandes corridas mundiais. A mentalidade de atacar estava enraizada. Era sempre maior a ambição de ganhar do que o medo de arriscar e perder. Naquela equipa só entravam bascos, ou com ascendência basca. Era uma identidade muito própria, com adeptos muito próprios também. No entanto, a sua forma de encarar as corridas, tornaram aquelas camisolas laranjas muito apreciadas além fronteiras.

A crise financeira ditou que a empresa de telecomunicações não conseguisse suportar o orçamento e não surgiu um segundo patrocinador para partilhar o investimento. Foi o adeus em 2013, que não surpreendeu, pois um ano antes os sinais de problemas já eram públicos. Naquela derradeira temporada, até foram abertas portas a outros ciclistas, com Ricardo Mestre a ser um português que vestiu a famosa camisola da Euskaltel-Euskadi. Ainda hoje aquelas camisolas laranjas são recordadas, agora mais do que nunca já que com uma preciosa ajuda de Landa, a Fundación Euskadi está a fazer renascer das cinzas o projecto outrora marcante.

Em 2015 foi a actual Euskadi-Murias que deu ao ciclismo basco uma nova esperança de ter uma grande equipa. Há um ano subiu a Profissional Continental e ganhou uma etapa na Volta a Espanha por Óscar Rodríguez. O orgulho basco ganhou novo fôlego. Mas se a Euskadi-Murias quer ir mais longe, pensando no World Tour, quer também fazer da união a força. Ou seja, quer juntar-se à Fundación Euskadi e fazer uma só equipa. Uma só e forte estrutura de ciclismo basco.

"Acreditamos firmemente na força da união. Juntar forças é vital para juntos competir ao mais alto nível nos próximos anos e porque pensamos que [o projecto] pode ser algo de excepcional", afirmou Javier Lasagabaster, um dos responsáveis da Euskadi-Murias.

A proposta à Fundación Euskadi já foi feita e até com o plano de ir para a estrada já em 2020. Porém, a equipa de Mikel Landa tem prazos diferentes, devido ao compromissos assumidos para criar a actual estrutura, que inclui uma equipa feminina. Ainda assim, nos próximos cinco anos as camisolas laranjas que já por aí andam com a Fundación Euskadi (escalão Continental), poderão ser novamente uma referência do ciclismo basco e, claro, espanhol. Isto porque a Euskadi-Murias não tem problemas em trabalhar com o nome da equipa de Mikel Landa e em mudar para aquela cor.

A Euskadi-Murias faz da formação a sua aposta, assim como a Fundación Euskadi e é assim que querem que seja a base da união de forças. No entanto, também querem o apoio governo basco: "Somos a única equipa desportiva basca de elite que não recebe uma única subvenção. Somos de todas as partes e ambicionamos representar a Euskadi em todo mundo. Só pedimos carinho, compreensão e respeito, que reconsiderem as suas posições para levar o nome da Euskadi mais alto, como temos feito até agora."

Recentemente as duas equipas bascas estiveram em Portugal e dominaram a Volta ao Alentejo em termos de etapas: quatro vitórias em seis (três para Enrique Sanz, da Murias, e uma da Sergio Higuita, da Euskadi), mas com estes passos a serem dados, nesta união de esforços, o renascer das camisolas laranjas poderá estar para breve a um nível mais elevado.


»»"A Colômbia pode ser no ciclismo o que a Argentina é no futebol"««

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18 de dezembro de 2018

"Creio que já tinha demonstrado bons argumentos para ter esta oportunidade"

(Fotografia: © Photo Gomez Sport/Euskadi Murias)
O caminho até ao World Tour foi longo, com algumas frustrações, umas alegrias e agora com uma sensação que finalmente chegou a oportunidade que merecia. Edu Prades há muito que esperava pelo momento de estar ao mais alto nível. Aos 31 anos vai vestir o equipamento da Movistar. Foi dos ciclistas mais sorridentes durante a apresentação da equipa, em Madrid, esta terça-feira, o que não surpreende. A recta final da época de 2018 deu-lhe tudo o que mais desejava: uma vitória numa corrida da categoria mais importante e o contrato que mais ambicionava.

A luta para concretizar este sonho chegou a trazê-lo até Portugal, onde venceu o Troféu Joaquim Agostinho em 2013, pela então OFM-Quinta da Lixa, actual W52-FC Porto. Somou mais vitórias, como uma etapa na Volta a Portugal, dois anos depois, mas já ao serviço da Caja Rural. Em 2016, nova vitória de etapa, mas no Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela. Teve uma curta passagem pelo Japão, antes de assinar por esta formação espanhola e mudou-se em 2018 para a Euskadi-Murias, procurando a tal vitória que lhe poderia levá-lo onde queria..

"Sim, é verdade que estou muito contente. Lutei durante muitos anos e finalmente consegui. Acho que já merecia. Creio que já tinha demonstrado bons argumentos para ter esta oportunidade", afirmou ao Volta ao Ciclismo. Edu Prades procurava há muito uma vitória que lhe desse o empurrão que faltava. Escolheu mudar-se para a Euskadi-Murias e a aposta foi certeira. Entre Abril e Maio começou a deixar os primeiros sinais que se preparava para alcançar algo especial. Subiu ao segundo lugar do pódio no Tour de Yorkshire e venceu a Volta à Noruega. Na Vuelta lutou por etapas e foi quarto em Pozo Alcón. Mas foi na última possibilidade que tinha que obteve o triunfo desejado, conquistando a Volta à Turquia, corrida World Tour.


"[A W52-FC Porto] é uma equipa forte e que vai lutar pelas corridas. Terá um bom papel no pelotão"

"A Turquia significou tudo para mim. Estava num momento difícil e procurava uma vitória World Tour, que estava a custar em chegar. A Turquia mudou tudo!" E assim foi, pois não demorou até que a Movistar lhe abriu as portas. No primeiro contacto com os novos colegas, Prades realçou "o bom ambiente", estando agora a concentrar-se nos objectivos para 2019.

Não terá um papel de tanto destaque como na Euskadi-Murias ou Caja Rural, mas só pensa em adaptar-se e cumprir com o que lhe for pedido. "Sei que terei de trabalhar muito. Sou uma pequena peça que ajudará a equipa a funcionar", afirmou, acrescentando que não tem uma grande volta na sua ambição para a próxima época. "Os meus objectivos passam mais pelas corridas de um dia e de três/quatro dias. Penso que sou melhor nesse tipo de provas e posso dar mais à equipa. É o melhor para mim também."

Numa equipa com o campeão do mundo Alejandro Valverde, Nairo Quintana, Mikel Landa, os jovens talentos Marc Soler e Richard Carapaz, Prades terá de esperar por uma oportunidade, algo que não se importa. Só quer estar preparado para a agarrar: "Pelo que falei com a equipa, em corridas de segundo nível posso ter alguma oportunidade, mas veremos. Se tiver de trabalhar, trabalharei."

Recordou-se a sua passagem por Portugal e pelo facto da equipa que representou passar a ser Profissional Continental em 2019. Foi companheiro de ciclistas que ainda por lá estão, como Gustavo Veloso e Samuel Caldeira, na época de 2013 e em 2014, sendo que esta saiu a meio de Agosto para mudar-se para o Japão. Sobre o poderio da W52-FC Porto e se poderá ter uma subida de escalão premiada com sucesso, Prades não hesitou: "É uma equipa forte e que vai lutar pelas corridas. Terá um bom papel no pelotão."

Quanto à equipa que agora deixa, a Euskadi-Murias - que subiu a Profissional Continental em 2018 e conquistou uma etapa na Vuelta por intermédio de Óscar Rodríguez -, Prades acredita que o melhor ainda está para vir. "Não sei se vai estar no World Tour, mas numa grande volta além da Vuelta, penso que é possível acontecer nos próximos dois/três anos. E seria importante para o País Basco. São pessoas que sentem muito o ciclismo, mas é também importante para a Espanha em geral, porque quantas mais equipas houver, melhor, e quanto mais nível houver, ainda melhor."

»»"Se parar e comer demasiadas iguarias portuguesas, vou ficar com 100 quilos!"««

»»"Fisicamente sinto-me mais forte e também consigo ler melhor as corridas"««

10 de outubro de 2018

23 dias de competição em três anos. Intxausti quer sentir-se ciclista e vai regressar a casa

(Fotografia: Euskadi-Murias)
Em três anos com a Sky, apenas competiu 23 dias. Quando Beñat Intxausti assinou pela equipa britânica pensou que estava a dar um grande passo na carreira, depois de na Movistar se ter tornado não só num homem importante de trabalho, mas também por mostrar capacidade de conquistar resultados muito relevantes. A transferência de sonho acabou por se transformar num pesadelo devido a uma mononucleose.

Nem Intxausti, nem a equipa desistiram de recuperar da doença, com a Sky até a renovar contrato com o ciclista para 2018. Mas é tempo de seguir outro caminho e o espanhol não vai terminar a carreira, pois acredita que ainda tem algo para dar no ciclismo e a Euskadi-Murias dar-lhe-á a oportunidade que procura.

"Estou a sentir-me bem agora e ansioso por o que aí vem no futuro. Acredito neste projecto. No nosso projecto. O projecto líder no ciclismo basco. E sei que a equipa está a trabalhar para progredir passo a passo, tratando bem dos jovens corredores bascos", salientou Intxausti, no comunicado da equipa. É um regresso a casa depois de ter passado um ano na entretanto extinta Euskaltel-Euskadi, antes de assinar pela Movistar, que representou durante cinco temporadas.

Duas vitórias de etapas no Giro, bons resultados no Critérium du Dauphiné e Volta ao País Basco, por exemplo, colocaram Intxausti como um dos mais interessantes ciclistas espanhóis e a Sky viu o seu potencial. Em 2016, até começou muito bem com um terceiro lugar na Volta à Comunidade Valenciana, no início de Fevereiro. Depois desapareceu até Junho, estando na Volta à Eslovénia. Em Julho foi à Volta à Polónia, mas o pesadelo tinha vindo para ficar.

Uma mononucleose não deixou o ciclista prosseguir ao mais alto nível. Tentou um regresso em 2017, em Julho. Não terminou a Clássica de San Sebastian. Nova tentativa em Outubro, na Volta a Guangxi. Abandonou na segunda etapa. A Sky manteve o apoio a Intxausti e ofereceu-lhe mais um ano de contrato. Em 2018 esteve na Volta à Noruega, em Maio. Não acabou a primeira etapa. Seguiu-se a Hammer Stavanger, competição colectiva, mas individualmente esteve na Clássica de Hamburgo em Agosto. Novo abandono.

Mark Cavendish (Dimension Data) é outro ciclista que sofre do mesmo problema. Apesar de não ter conseguido repetir a forma de outrora e está novamente numa fase de recuperação, o britânico ainda regressou à competição com algum nível. A expectativa é que esta segunda paragem seja o necessário para em 2019 estar novamente preparado para lutar por vitórias.

A vida de Intxausti tem sido bem mais difícil, mas a Euskadi-Murias quer contar com o ciclista. "Para nós é muito importante ter o Beñat Intxausti na próxima temporada. Ele está entre os melhores ciclistas bascos, apesar de ter tido maus anos. Mas nós queremos trabalhar com ele para atingirmos grandes resultados", afirmou o director da equipa, Jon Odriozola.

A Euskadi-Murias, uma presença habitual em Portugal, subiu este ano ao escalão Profissional Continental e recebeu o desejado convite para a Vuelta. Esteve sempre activa e o grande momento chegou quando o jovem Óscar Rodríguez conquistou La Camperona, numa vitória de etapa inesperada. A equipa garantiu que irá continuar no segundo escalão e já vai ambicionando ir mais além. O objectivo máximo será ter novamente uma equipa basca no World Tour.

"A equipa está a construir um lugar entre as melhores e foi especialmente boa em 2018, conquistando resultados importantes. É por isso que aposto nesta equipa", realçou Intxausti. Noutras declarações, à Euskal Irrati Telebista, o ciclista afirmou ter recebido outras propostas, mas que a confiança que foi depositada nele pela Euskadi-Murias, foi importante no momento de escolher a equipa basca, onde espera, aos 32 anos, voltar a sentir-se ciclista.

Intxausti é a primeira contratação para 2019 da Euskadi-Murias e assinou contrato por um ano.

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