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11 de dezembro de 2018

O passo seguinte. W52-FC Porto confirmada no segundo escalão

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A espera terminou. A UCI anunciou hoje as licenças para os dois primeiros escalões. A W52-FC Porto vai subir a Profissional Continental em 2019, abrindo-se as portas para outro tipo de corridas, com a perspectiva de um convite para uma grande volta a ser agora algo possível de ambicionar. Mas antes que tal possa acontecer, a equipa terá de mostrar a sua capacidade para defrontar outro tipo de pelotão, sendo que já ficou bem claro que a aposta nas corridas nacionais, principalmente na Volta a Portugal, continuará a estar no topo das prioridades. A hegemonia por cá, é para manter.

Desde 2008 que Portugal não tinha uma equipa no segundo escalão, então com o Benfica a estar a este nível, no seu então curto regresso ao ciclismo. Há dois anos que Nuno Ribeiro queria ver a W52-FC Porto dar o passo seguinte, depois de se afirmar como não só a melhor equipa no país, mas como aquela que domina quase a seu gosto, com destaque para a Volta, na qual soma seis vitórias consecutivas (nem sempre com o mesmo nome).

Foi feito um trabalho de reforço da estrutura, tanto a nível logístico, como na garantia que chegaria a este ponto com ciclistas capazes de disputar as corridas que lhes esperam, com Raúl Alarcón a ser o líder, depois de duas Voltas conquistadas em 2017 e 2018. Corredores como António Carvalho, Rui Vinhas (vencedor da Volta em 2016), Ricardo Mestre (ganhou em 2011 pelo Tavira) e Samuel Caldeira tornaram-se na espinha dorsal da equipa, sem esquecer que houve outro ciclista a vencer duas Voltas com a equipa, o veterano Gustavo Veloso. A caminho dos 39 anos, continua a ser o capitão na equipa. José Ferreira, Angel Sanchez Rebollido e César Fonte também prosseguem.

Depois há um jovem como João Rodrigues, que já é uma certeza, a quem se vai juntar Francisco Campos e Jorge Magalhães, dois sub-23 de talento, que se afirmaram no Miranda-Mortágua. Perante as maiores exigências, não só do nível das corridas, mas do número de provas que irão realizar, o plantel teve de ser reforçado e há que salientar que as contratações são, até ao momento, todas portuguesas.

Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) e Daniel Mestre (Efapel) trazem experiência e muita qualidade, enquanto da Caja Rural regressam "a casa" Rafael Reis e Joaquim Silva. São dois ciclistas que o director desportivo bem conhece e sabe como tirar partido do melhor de ambos. Ter uma equipa portuguesa no segundo escalão, com tantos ciclistas do país a formarem a estrutura, ajuda a valorizar ainda mais a modalidade em Portugal e é de elogiar.

Perante a hegemonia da W52-FC Porto, este parecia ser o passo seguinte mais do que lógico. Foi preciso aumentar o orçamento e para tal, era essencial ter os patrocinadores de acordo com o investimento que seria feito. Em Espanha, a equipa já tinha dado bem conta de si, como por exemplo no ano passado, com Alarcón a vencer a Volta às Astúrias e a ser segundo na Volta à Comunidade de Madrid. Amaro Antunes também esteve a bom nível, mas o algarvio seguiu entretanto outro caminho, que o levará ao World Tour em 2019. Espera-se que tenha sido um aperitivo para o que aí vem.

Chegou o momento de ver esta poderosa W52-FC Porto mostrar-se mais no estrangeiro, ficando-se agora à espera de conhecer o calendário. E claro, quanto melhor forem as exibições, mais aumenta a probabilidade de convites para corridas cada vez mais importantes. Está lançado o repto a um grupo de ciclistas experiente, com jovens com total capacidade para rapidamente se tornarem também eles em elementos muito importantes. .

A espera terminou e a W52-FC Porto é Profissional Continental. Que esta possa ser uma aposta com continuidade e não efémera e que mais lhe possam seguir o exemplo, com a Efapel a ponderar fazê-lo em 2020. Esta subida é também uma demonstração do crescimento do ciclismo nacional, depois de anos negros de uma intensa crise, que tanto prejudicou a modalidade.

As outras novidades: super estrela do ciclocrosse vê equipa também subir de escalão

Além da W52-FC Porto, vão estrear-se como Profissionais Continentais a dinamarquesa Riwal Readynez e a belga Corendon-Circus, que conta com a super estrela do ciclocrosse, Mathieu van der Poel, o grande rival de Wout van Aert. O holandês, de 23 anos, já fala em fazer as clássicas do pavé, sonhando em marcar presença no Paris-Roubaix. Van der Poel tem contrato até 2023!

No World Tour não há novidades. A BMC sai, mas a CCC tomou conta da estrutura e contará com Amaro Antunes. De salientar apenas as mudanças de nome da Quick-Step Floors, que passará a ser a Deceunink-QuickStep, enquanto a Lotto-Jumbo ia ser apenas Jumbo, mas foi hoje anunciada a chegada de mais um patrocinador e será então a Jumbo-Visma.

Aqui fica a lista completa das licenças.

World Tour (18 equipas)

  • AG2R La Mondiale (Fra)
  • Astana (Caz)
  • Bahrain-Merida (Bar)
  • Bora-Hansgrohe (Ale)
  • CCC Team  - de Amaro Antunes (Pol)
  • Deceuninck-Quick-Step (Bel)
  • Dimension Data (AFS)
  • EF Education First-Drapac p/b Cannondale (EUA)
  • Groupama-FDJ (Fra)
  • Jumbo-Visma (Hol)
  • Katusha-Alpecin - de José Gonçalves e Ruben Guerreiro (Sui)
  • Lotto Soudal (Bel)
  • Mitchelton-Scott (Aus)
  • Movistar - de Nelson Oliveira (Esp)
  • Sky (GB)
  • Sunweb (Ale)
  • Trek-Segafredo (EUA)
  • UAE Team Emirates - de Rui Costa, Ivo e Rui Oliveira (EAU)


Profissional Continental (25)

  • Androni Giocattoli-Sidermec (Ita)
  • Arkea-Samsic (Fra)
  • Bardiani CSF (Ita)
  • Burgos BH - de Ricardo Vilela, José Neves e Nuno Bico (Esp)
  • Caja Rural-Seguros RGA - de Domingos Gonçalves (Esp)
  • Cofidis, Solutions Credits (Fra)
  • Corendon-Circus (Bel)
  • Delko Marseille Provence (Fra)
  • Direct Energie (Fra)
  • Euskadi Basque Country-Murias (Esp)
  • Gazprom-Rusvelo (Rus)
  • Hagens Berman Axeon - de João Almeida e André Carvalho (EUA)
  • Israel Cycling Academy (Isr)
  • Manzana Postobón (Col)
  • Nippo-Vini Fantini-Faizanè (Ita)
  • Novo Nordisk (EUA)
  • Rally UHC Cycling (EUA)
  • Riwal Readynez (Din)
  • Roompot-Charles (Hol)
  • Sport Vlaanderen-Baloise (Bel)
  • Tharcor (Wilier Triestina-Selle Italia em 2018) (Ita)
  • Vital Concept-B&B Hotels (Fra)
  • W52-FC Porto (Por)
  • Wallonie-Brussels (Bel)
  • Wanty-Gobert (Bel)

26 de novembro de 2018

A intocável W52-FC Porto

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Ano após ano, sai uma figura, entra outra ou aparece uma nova dentro da equipa. As soluções na W52-FC Porto não se esgotam, permitindo gerir uma temporada como mais nenhuma estrutura em Portugal tem esse luxo. Por momento, por breves momentos, parecia haver uma porta entreaberta para bater a equipa na Volta a Portugal, mas, quando o momento da verdade chegou, Nuno Ribeiro fez a sua jogada e, mais uma vez, o poderio da W52-FC Porto demonstrou ser inquestionável. Se Raúl Alarcón manteve a senda de sucesso de 2017, José Neves foi uma jovem contratação de sucesso. César Fonte encontrou os caminhos das vitórias (mas com um final de época negativo) e depois há João Rodrigues. Pode-se dizer que foi a revelação, ainda que possa ser mais justo considerar que foi a confirmação.

Estrutura sólida, financeiramente não só é estável, mas acima de qualquer outra equipa no pelotão nacional. Isso permite  que o director desportivo, Nuno Ribeiro, possa movimentar-se muito melhor no mercado de transferências e assim ter sempre um conjunto forte. A saída de Amaro Antunes não foi facilmente colmatada. Talvez nem tenha sido e foi essa a grande diferença na Volta a Portugal, por exemplo. Mas o que chegou a parecer ser uma equipa que poderia estar menos forte do que em 2017, teve apenas uma estratégia diferente, adaptada aos ciclistas que a representaram em 2018.

No final, os números dizem praticamente tudo: sexta Volta consecutiva, 15 vitórias ao todo na temporada, ao que se acrescenta outras 21 conquistas, entre classificações por equipas, prémios da montanha, metas volantes... Grande Prémio Jornal de Notícias, Troféu Joaquim Agostinho e o Grande Prémio de Portugal Nacional 2 foram as outras corridas que ficaram no currículo da W52-FC Porto que vai finalmente atrás de mais. Depois de tanto domínio por cá, a equipa conseguiu reunir as condições e os apoios necessários financeiros para concretizar um sonho que durava há dois/três anos: pedir a licença do segundo escalão, Profissional Continental.

Raúl Alarcón até teve uma primeira fase de temporada mais apagada, comparativamente com 2017, mas foi devido a uma queda que o afastou da competição algumas semanas. Porém, preparou-se para a fase da época que mais lhe interessava. Aqueceu motores com uma etapa no Grande Prémio Abimota e foi depois vencer outra e a geral da primeira edição do Grande Prémio de Portugal Nacional 2. Mas era a Volta que mais interessava.

Desta feita não haviam dúvidas que era o líder, mesmo com Gustavo Veloso ainda na equipa. O respeito pelo capitão esteve sempre lá, mas a vitória na terceira e quarta tirada de Alarcón esclareceu tudo quando a lideranças. Sem Amaro, não houve um ciclista que praticamente nunca deixasse Alarcón, como aconteceu em 2017. Talvez se possa mesmo dizer que a W52-FC Porto funcionou ao estilo Sky. Todos tinham o seu papel e quando chegava o momento de o líder agir, Alarcón nunca entrava em acção e nunca falhou. Esta situação de Alarcón ficar mais cedo sozinho deu esperança aos adversários, principalmente a Joni Brandão e ao Sporting-Tavira. Mas os ataques, alguns mal medidos, não resultaram, pois a W52-FC Porto era mais forte. E Raúl Alarcón arrumou com a concorrência quando teve essa responsabilidade.

Ranking: 2º (2333 pontos)
Vitórias: 15 (incluindo a Volta a Portugal, GP Jornal de Notícias e Troféu Joaquim Agostinho)
Ciclista com mais triunfos: Raúl Alarcón (7)

O espanhol não foi surpresa, pelo que é João Rodrigues que deixou uma marca nova nesta Volta. Depois de dois anos a evoluir dentro da estrutura. O jovem algarvio muito trabalhou desde a Volta ao Algarve para que 2018 pudesse ser o seu ano de afirmação na equipa. Assim foi. Aos 24 anos, feitos este mês, João Rodrigues demonstrou grandes melhorias na montanha, dedicando-se também ao contra-relógio, o que até o levou a participar nos Nacionais nesta especialidade. Rodrigues quer tornar-se no ciclista mais completo possível e, para já, é um gregário que, se repetir as exibições não só da Volta, mas de outras corridas, irá rapidamente ser um de luxo.

Não foi António Carvalho, não foi César Fonte, nem Ricardo Mestre que mais se viram ao lado de Alarcón. Foi o jovem Rodrigues. Foi sétimo na geral e segundo no contra-relógio final de Fafe. Excelente!

Carvalho venceu o Grande Prémio Jornal de Notícias, que era um dos seus objectivos da temporada, mas foi uma sombra do ciclista que em 2017 esteve ao nível de Alarcón e Amaro Antunes. César Fonte agarrou a oportunidade para ir para esta equipa e assim ter mais oportunidades de ganhar. Somou três triunfos, mas na Volta esteve apenas focado no trabalho colectivo. Contudo, em Outubro soube-se que o ciclista tinha acusado betametasona, numa amostra recolhida após a vitória na sétima etapa do Grande Prémio Jornal de Notícias.

Mestre continua a ser um ciclista que cumpre à risca o que lhe é pedido, tendo sido essencial em mais uma conquista da Volta a Portugal - ele que já a venceu em 2011 - e teve o seu triunfo na terceira etapa da Volta às Astúrias. Samuel Caldeira viu uma lesão condicioná-lo durante grande parte da época, enquanto Gustavo Veloso ganhou uma tirada na Volta ao Alentejo, mas, aos 38 anos (faz 39 em Janeiro), é um ciclista em clara perda de rendimento. Porém, é um capitão que todos respeitam.

Não nos podemos esquecer de Rui Vinhas, certamente que não era assim que queria ser novamente falado, mas um choque com um carro de outra equipa, na quinta etapa da Volta, deixou-o com feridas em grande parte do corpo, das pernas, aos braços, ao rosto... A imagem de um Vinhas ensanguentando marcou a corrida. A imagem de um Vinhas, com ligaduras espalhadas pelo corpo, a puxar, a trabalhar e, finalmente, a cortar em meta final em Fafe deve ser ainda mais marcante pelo que representa. Venceu a Volta há dois anos e conquistou uma nova vitória por ser um exemplo de profissionalismo, de esforço, de dedicação e de uma entrega total à equipa.

E temos ainda José Neves. O jovem que até teve pena em deixar a Liberty Seguros-Carglass, mas que estava mais do que preparado para uma equipa de nível mais elevado. Por vezes discreto, por vezes a colocar todo o seu potencial na estrada, Neves venceu o Troféu Joaquim Agostinho, uma corrida internacional e uma que em Portugal mais se ambiciona conquistar. Categoria pura aos 23 anos, que lhe valeu um estágio, a partir de Agosto, na americana EF Education First-Drapac p/b Cannondale.

Outra realidade, outro ritmo, nem sempre foi fácil, mas foi uma experiência importante para Neves que, mesmo não tendo ficado, deixa sempre as portas entreabertas já estar estado numa equipa do World Tour. Neves tem qualidade e não surpreende que uma grande formação o quisesse ver de perto. Agora vai para a Burgos-BH, equipa espanhola Profissional Continental, onde terá a companhia de Nuno Bico (Movistar).

Para 2019, a equipa deverá então ter uma licença Profissional Continental e vai preparando uma temporada que continuará a ter como aposta as corridas nacionais, com foco na Volta, claro, mas também irá competir mais no estrangeiro, já que terá acesso a outras provas, agora que irá para o segundo escalão do ciclismo.

Está confirmada uma mudança: a Swift irá fornecer as bicicletas, deixando a equipa de utilizar as KTM. Quanto a ciclistas, Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) e Daniel Mestre (Efapel) serão as novas caras, com a W52-FC Porto a tirar à concorrência dois dos ciclistas com maior capacidade para conquistar bons resultados. Além disso, experiência não lhes falta e ambos têm a oportunidade para competir a outro nível. Francisco Campos e Jorge Magalhães serão duas jovens apostas vindas do Miranda-Mortágua. O primeiro mais dotado para os sprints e com um título de campeão nacional de sub-23 conquistado em 2017, o segundo um trepador em evolução.

Raúl Alarcón continuará como líder e a maioria dos ciclistas que constituem a espinha dorsal da equipa do Sobrado, deverão permanecer às ordens de Nuno Ribeiro. Este ano, até ficou em segundo lugar no ranking nacional, elaborado pela Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais, e não foi um dos seus ciclistas a ganhar individualmente (venceu o Sporting-Tavira e Joni Brandão). Porém, até poderão haver novos objectivos na W52-FC Porto, mas quando 2019 arrancar, não restam dúvidas que mais uma vez será colocada a questão se alguém conseguirá bater esta equipa.

Veja aqui todos os resultados da W52-FC Porto em 2018 e das restantes equipas nacionais.

»»Depois de uma boa época, uma ainda melhor««

»»Uma época para recordar««

28 de setembro de 2018

W52-FC Porto fez finalmente o pedido

Está confirmado. A W52-FC Porto pediu uma licença Profissional Continental para 2019, ou seja, quer subir ao segundo escalão do ciclismo mundial. Esta é uma intenção que já tinha sido assumida nos últimos anos, mas foi preciso preparar e fortalecer toda uma estrutura que tem dominado em Portugal, além de garantir o apoio inequívoco dos patrocinadores neste passo tão relevante para a equipa e para o ciclismo nacional. Chegou o momento e agora resta esperar pela resposta da UCI.

Este é um pedido muito aguardado na modalidade em Portugal, comprovando o crescimento que se tem verificado em tempos recentes, depois de anos de uma crise que afectou profundamente o ciclismo português. Além do aumento de equipas de elite e do surgimento das de sub-25 que pertencem ao escalão Continental, faltava agora uma estrutura subir à segunda categoria e fica a expectativa que seja apenas a primeira, já que a Efapel já assumiu ter o mesmo objectivo para 2020.

A W52-FC Porto tem sido a equipa mais forte em Portugal nesta década, conquistando seis Voltas a Portugal de forma consecutiva. Foi OFM-Quinta da Lixa, W52-Quinta da Lixa, até que o FC Porto optou por regressar à modalidade em 2016. Raúl Alarcón é actualmente a grande figura, com duas Voltas conquistadas com autoridade, mas ciclistas como António Carvalho, Rui Vinhas e o veterano Ricardo Mestre (com experiência de World Tour) fazem parte da espinha dorsal da estrutura que tem Gustavo Veloso como o eterno capitão.

No entanto, e perante o poderio financeiro comparado com as restantes equipas nacionais, o director desportivo Nuno Ribeiro também não deixa escapar jovens talentosos. É o caso de João Rodrigues que realizou uma excelente temporada e foi um "senhor ciclista" na Volta a Portugal, ajudando Alarcón e fechando em sétimo na geral. José Neves foi reforço esta temporada e o seu potencial chamou a atenção da EF Education First-Drapac p/b Cannondale, equipa que o chamou para estagiar no final de temporada.

Samuel Caldeira, Daniel Freitas, José Ferreira, Ángel Sánchez Rebollido e César Fonte fizeram parte do plantel que em 2018 conquistou 15 vitórias, além de 21 distinções entre classificações da montanha, pontos e por equipa (pode ver aqui em pormenor). Em termos de gerais, além da Volta a Portugal, a W52-FC Porto venceu o Grande Prémio Jornal de Notícias (António Carvalho), o Troféu Joaquim Agostinho (José Neves) e o Grande Prémio de Portugal Nacional 2 (Raúl Alarcón). Em 2017, Alarcón foi a Espanha vencer a Volta às Astúrias e foi segundo na Volta à Comunidade de Madrid. A nível internacional, a grande vitória foi assinada por Amaro Antunes, que ganhou uma etapa da Volta ao Algarve, corrida 2.HC, ou seja, do segundo escalão mundial.

Os alicerces começaram há muito a serem construídos, foram consolidados e agora resta esperar pela resposta da UCI para saber se recebe a licença. A W52-FC Porto também estará a preparar os reforços, com Tiago Machado a ser um dos nomes falados. O português está em final de contrato com a Katusha-Alpecin e sempre disse que não se importaria nada de regressar a Portugal, com a Rádio Popular-Boavista a ter certamente as portas abertas ao ciclista. Mas com esta potencial subida de escalão, Machado poderá assim continuar a ter acesso a corridas importantes e a sua experiência seria muito bem-vinda à W52-FC Porto neste passo tão importante.

As provas do World Tour passam a estar à distância de um convite, pelo menos em 2019. A partir de 2020 as regras vão ser um pouco diferentes, com o mérito desportivo a ser mais valorizado, pois a classificação no ranking dará acesso directo a algumas corridas. E claro, na perspectiva de uma equipa portuguesa, a presença na Vuelta é sempre um desenho.

Licenças para o escalão Continental

Além do pedido da Vintage Pódio (W52-FC Porto) para a licença Profissional Continental, a Federação Portuguesa de Ciclismo confirmou mais nove solicitações para o terceiro escalão, o Continental: Bike Clube de Portugal (competiu com o nome Liberty Seguros-Carglass em 2018), Boavista CC (Rádio Popular-Boavista), CC Aldeia de Paio Pires (LA Alumínios), CC Tavira (Sporting-Tavira), CD Fullracing (Efapel), Louletano DC (Aviludo-Louletano-Uli), Velo Clube do Centro (Miranda-Morágua), CC FJP e CD Feirense. De salientar o pedido em separado do CC FJP e do Feirense que este ano formaram a Vito-Feirense-BlackJack.

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»»Final de época na estrada com a Taça de Portugal a estar entregue««

12 de agosto de 2018

A última afirmação da W52-FC Porto

(Fotografia: © João Fonseca/W52-FC Porto)
Num último grito para mostrar quem manda definitivamente na Volta a Portugal, a W52-FC Porto fez um autêntico assalto à classificação colectiva. Com mais uma vitória na geral, camisola da montanha, três etapas, tudo por Raúl Alarcón e ainda mais todo o controlo que esta equipa realizou durante semana e meia, mais não era preciso para que não restassem dúvidas quem continua no topo do ciclismo nacional. E sem adversário à altura. Mas era quase uma questão de orgulho. Com dois segundos a separar a equipa do Sporting-Tavira, foram cinco os ciclistas azuis e brancos no top dez do contra-relógio de Fafe.

Impressionante! Cinco! Só Joni Brandão lá ficou pela equipa algarvia, com 1:54 a ser a diferença final entre as duas formações. Poder-se-ia dizer que a rivalidade clubística motivou ainda mais esta exibição, mas esta W52-FC Porto gosta de ganhar. E no principal palco, não quer papéis secundários. Teria feito performance idêntica fosse quem fosse que estivesse à sua frente.

A 80ª edição da Volta a Portugal foi azul e branca, com um Vincente García de Mateos a intrometer-se na festa final ao ganhar o contra-relógio de 17,3 quilómetros e empatar em número de vitórias de etapas com Alarcón. O espanhol da Aviludo-Louletano-Uli tentou ainda chegar ao segundo lugar, mas Brandão defendeu-se o suficiente para o manter, por 11 segundos. Mateos repete o terceiro e a camisola dos pontos de 2017.

Para o Sporting-Tavira foi uma derradeira frustração, com o próprio Joni Brandão a salientar como acabaram por ser segundos em quase tudo: na geral, na montanha e por equipas. E nem uma etapa esta equipa conquistou. Xuban Errazquin (Vito-Feirense-BlackJack) confirmou a classificação da juventude.

(Fotografia: © João Fonseca/W52-FC Porto)
Além dos prémios da Volta, a W52-FC Porto fica com outras distinções: a figura da Volta foi inevitavelmente Alarcón, o herói ou super combativo, como existe no Tour, tem de ficar entregue a um Rui Vinhas que estava preparado para ir para o hospital, mas continuou em prova, com ligaduras nos braços e pernas, pontos no rosto e mão... Tudo fez para ajudar o seu amigo a ganhar mais uma Volta a Portugal depois de chocar contra um carro de outra equipa. A revelação, que não deixa de ser uma confirmação de todo o seu talento, vai para João Rodrigues. 23 anos e está a caminho de se tornar num dos melhores gregários e vamos ver para o que mais poderá evoluir, nesta que foi a sua segunda Volta, a primeira pela equipa azul e branca. Foi segundo no contra-relógio, mostrando todo o trabalho que tem feito neste sentido.

Noutra perspectiva, a W52-FC Porto até pode ficar também com uma das desilusões da corrida, com António Carvalho a estar muito abaixo do esperado, depois de há um ano ter sido uma das figuras principais. Mas até terminou muito forte o contra-relógio, no repto para ganhar colectivamente.

Mais um ano de festa no Sobrado após um domínio quase total da W52-FC Porto!

Pode ver aqui as classificações finais.

»»Uma Volta a Portugal que soube a pouco««

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11 de agosto de 2018

Uma Volta a Portugal que soube a pouco

Raúl Alarcón fez um V de Vinhas, dedicando a vitória
na Senhora da Graça ao amigo Rui Vinhas
(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Ainda não acabou, mas só uma catástrofe tirará a vitória na Volta a Portugal a Raúl Alarcón. Sempre que foi preciso, o espanhol demonstrou que não só estava forte, mas que era o mais forte. Aquela atitude de ataque de Joni Brandão nas Penhas da Saúde deixou sinais positivos para o líder do Sporting-Tavira, mas Alarcón quase nunca viu um ataque seu ter uma resposta que o ameaçasse. As três vitórias de etapa que tem demonstram isso mesmo. Vai para os 17,3 quilómetros finais da corrida com mais de um minuto de vantagem sobre todos, pois Brandão perdeu nove segundos na Senhora da Graça e ficou a 1:01. Não se fazem festas antecipadas, mas as celebrações no Monte Farina eram mais do que a conquista da mítica subida. O discurso de dedicatória aos colegas de equipa e especialmente a Rui Vinhas, não escondem que já se sente que há mais uma Volta ganha.

Pelo segundo ano consecutivo Alarcón não deu hipóteses na Senhora da Graça. Pelo segundo ano consecutivo Alarcón não deu hipóteses na Volta a Portugal. O percurso da competição este ano apresentava-se mais interessante. O calor fez mossa, naturalmente, mas o cancelamento da subida à Torre deixará sempre algum espaço para a dúvida se algo poderia ter sido um pouco diferente. Talvez não... Por aquilo que o espanhol mostrou durante toda a corrida, por todo o controlo que a W52-FC Porto fez, a Volta a Portugal comprovou a teoria inicial que se estaria perante uma prova para ver se alguém se conseguiria aproximar da equipa que é dona e senhora da corrida há seis anos, se se confirmar a vitória de 2018 no contra-relógio de Fafe, neste domingo. Como a classificação está neste momento, ainda há muito a fazer nas restantes equipas de elite portuguesas para conseguirem disputar a corrida que todos mais querem em Portugal.

O director, Nuno Ribeiro, não resistiu em falar de como se tem apontado como a sua equipa está mais fraca. A resposta foi dada na estrada e Alarcón deixou ainda o aviso que a classificação colectiva estará nos planos, pois apenas dois segundos separam a W52-FC Porto do Sporting-Tavira. A equipa algarvia arrisca-se a ficar sem nada, já que Brandão perdeu a camisola da montanha para Alarcón na Senhora da Graça e não tem qualquer vitória de etapa. Marque será a última esperança no contra-relógio para pelo menos este triunfo e assim juntar a um sempre honroso segundo lugar, se Joni Brandão o conseguir segurar.

Até houve uma tentativa do Sporting-Tavira de se mostrar na frente. Impôs ritmo, mas não quebrou ninguém de importante e as duas subidas de primeira categoria no Alto da Barra e no Barreiro não serviram para arriscar nenhum ataque de longe. Na Senhora da Graça, Alejandro Marque atacou, Frederico Figueiredo contra-atacou, mas ficou-se sem perceber qual a intenção, pois a W52-FC Porto não tremeu e acabou por deixar ambos para trás. Brandão ficou isolado no grupo.

Uma palavra para João Rodrigues. Este jovem ciclista está a realizar um trabalho tremendo, naquela que é a sua segunda Volta a Portugal, com apenas 23 anos. A primeira foi em 2015 com o Tavira. Se é capaz de apoiar Alarcón assim agora, este ciclista tem claramente um futuro muito prometedor. O algarvio está no top dez, em oitavo, a 5:40 do companheiro e é o segundo melhor da equipa.

Esta Volta a Portugal soube a pouco porque se gostaria de ter assistido a maior competitividade e maior indefinição, mas esta W52-FC Porto merece um enorme aplauso de pé porque saem ciclistas de qualidade, mas mais vão surgindo e é isso que tem feito a diferença, numa estrutura que felizmente tem contado com uns patrocinadores que permitem a Nuno Ribeiro poder juntar alguns dos melhores corredores do pelotão nacional. Mais do que isso, sabe tirar o melhor rendimento de todos.

O outro Rodrigues

Quem não terá gostado assim tanto do trabalho de João, foi o outro Rodrigues, o David. Faltavam apenas 250 metros para cortar a meta na Senhora da Graça quando o sonho de vencer terminou. Alarcón tinha aproveitado o grande trabalho da equipa, com João Rodrigues a ser o último a entrar ao serviço, para a cerca de 500 metros arrancar e ganhar a etapa. Depois de cerca de 70 quilómetros em fuga solitária, ver a vitória escapar assim é até algo triste. Mas o ciclismo é assim mesmo e David até reagiu da melhor forma: "Para o ano estamos cá outra vez!"

Para a Rádio Popular-Boavista, que ganhou uma etapa por intermédio de Domingos Gonçalves, em Boticas, fica a certeza que tem mais um ciclista para talvez discutir algo mais nas próximas edições, já que tem 27 anos e a sua evolução é notória.

Se a camisola amarela está presa por um contra-relógio sem incidentes por parte de Alarcón, a azul da montanha é dele - como já foi referido -, tal como a verde dos pontos é de Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano-Uli), que vence a classificação pelo segundo ano consecutivo. Falta segurar o lugar no pódio que está preso por 15 segundos, com Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) a recuperar este sábado dois. Mateos ainda não atira a toalha ao chão pelo menos para o segundo lugar, mas terá de recuperar 47 segundos para Joni Brandão.

Tal como Alarcón, também Xuban Errazkin terá de cumprir sem sustos grandes o contra-relógio para assegurar a camisola branca da juventude. O ciclista da Vito-Feirense-BlackJack tem 3:35 minutos de vantagem sobre Oscar Rodriguez, da Euskadi Murias.

Para o contra-relógio de Fafe, que pela primeira vez irá receber o final da Volta a Portugal, o romeno Emil Dima (MSTina-Focus) será o primeiro a partir, às 15:02. O top dez vai para a estrada a partir das 16:42, com Domingos Gonçalves, com dois minutos a separá-los. Ou seja, Raúl Alarcón irá para a estrada às 17:00.

Pode ver aqui as classificações completas.



»»"Aqui uma fuga sai aos 20 quilómetros e é apanhada pouco depois. Isso nunca acontece na Bélgica!"««

»»Decisões guardadas para a Senhora da Graça««

10 de agosto de 2018

Decisões guardadas para a Senhora da Graça

(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Com ao dia da Torre a não ter subida à Torre, então pode-se dizer que este sábado se poderá ter de facto a etapa rainha da Volta a Portugal. E que assim seja. Não apenas porque tem um percurso complicado, mas porque com um contra-relógio que perante as actuais diferenças poderá ser favorável a Raúl Alarcón, os adversários que ainda ambicionem chegar à camisola amarela têm uma última oportunidade na Senhora da Graça para colocar o camisola amarela em sentido. Apesar de a etapa desta sexta-feira até oferecer algumas subidas e se poderia esperar algum ataque, a mítica subida de sábado esteve na mente de todos. Ainda assim, o quarteto do costume chegou a juntar-se na frente, o suficiente para Edgar Pinto demonstrar que está bem, para Joni Brandão subir à liderança da montanha por um ponto e para Vicente García de Mateos ganhar a sua segunda etapa (é o terceiro a bisar, depois de Alarcón e do italiano da MSTina Focus, Riccardo Stacchiotti).

Para a derradeira tirada em linha da 80ª edição da Volta a Portugal, teremos 155,2 quilómetros, que começam em Felgueiras e seguem para Mondim de Basto. A primeira metade da etapa será de muito sobe e desce, mas a verdadeira montanha aparece na segunda fase, com duas primeiras categorias, no Alto da Barra e no Barreiro antes da mítica subida à Senhora da Graça. A W52-FC Porto vai ter o seu teste de fogo. Ou pelo menos é o que espera o director desportivo Nuno Ribeiro. Joni Brandão (Sporting-Tavira) será garantidamente uma das figuras, pois apesar de ter garantido a liderança da classificação da montanha, disse logo que o que quer é a geral. Está a 52 segundos de Alarcón.

Mateos teve um discurso mais cuidadoso. Admitiu a vontade de continuar a lutar, mas com duas etapas conquistadas, a liderança nos pontos e ainda um potencial pódio, a Volta do espanhol e da Aviludo-Louletano-Uli está mais do que feita. Não será de estranhar se estiver mais atento ao que Edgar Pinto irá fazer. O ciclista da Vito-Feirense-BlackJack está a 17 segundos de Mateos, que por sua vez está a 1:41 de Alarcón. Percebe-se porque poderão pensar mais na disputa pelo pódio. Porém, Edgar Pinto irá certamente perceber como estará fisicamente. Se puder tentar algo mais que o terceiro lugar, irá tentar. Há muito que este ciclista aguarda para estar numa posição como esta na Volta a Portugal. Não vai desperdiçar para ir mais longe.

João Benta esteve no sprint com Mateos - o quarteto da frente acabou por se deixar apanhar -, mas o ciclista da Rádio Popular-Boavista está a 2:19 de Alarcón. Terá liberdade para tentar aquilo que a sua condição física o permitir. Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira) surge a um segundo de Benta, mas estará incumbido de ajudar Joni Brandão. Xuban Errazkin teve esta sexta-feira uma quebra, mas poderá ser importante no apoio a Edgar Pinto e a camisola da juventude continua segura. Todos os restantes ciclistas aparecem a mais de quatro minutos.

A grande questão será quando haverá ataques. Assistir-se-á a uma marcação entre os quatro da frente que irão constantemente estudar-se para perceber alguma debilidade. Mas a Senhora da Graça poderá mesmo ser o palco do espectáculo final antes do contra-relógio de 17,3 quilómetros de Fafe. Alarcón não tem mostrado falhas, mesmo que a W52-FC Porto possa não estar com o poderio de outros anos, mas o ciclista tem sempre mantido o discurso que nada está ganho e que terá de estar muito atento para garantir a sua segunda vitória na Volta.

Que venha a Senhora da Graça e que traga algum espectáculo e emoção final, ou que tal proporcione para o contra-relógio.

Pode ver aqui as classificações da oitava etapa, Barcelos-Braga (147,6 quilómetros).



9 de agosto de 2018

Estará a W52-FC Porto mesmo mais fraca?

(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
É uma questão que tem estado algo em voga nesta Volta a Portugal. Comparativamente com o ano passado, a equipa de Nuno Ribeiro tem demonstrado algumas debilidades, principalmente a nível de uma coesão mais prolongada na etapa. Controla na perfeição a corrida, mantém os ritmos que quer, elevados ou não, mas Alarcón tem estado mais sozinho quando chega o momento da decisão. Claro que nesta fase, o espanhol chega e sobra para todos. Até agora, pelo menos.

A equipa de 2017 terá sido uma das melhores dos últimos anos. Porém, há desde logo uma grande diferença para esta temporada: a redução de ciclistas. Se para a Sky parece não ter feito grande diferença, na W52-FC Porto fez alguma e também nas restantes equipas portuguesas. De oito passámos a sete corredores. Raúl Alarcón, Ricardo Mestre, António Carvalho, Gustavo Veloso e Rui Vinhas são os repetentes. Quatro deles já ganharam a Volta a Portugal. Que luxo! Só falta António Carvalho e vontade não lhe falta de o fazer. Em todo o restante pelotão nacional só há mais um, Alejandro Marque, agora no Sporting-Tavira, mas que em 2013 estava precisamente na estrutura do Sobrado. Mestre venceu pelo Tavira em 2011.

Amaro Antunes realizou uma tremenda exibição em 2017. Ganhou na Torre e levou Alarcón praticamente à conquista da Volta naquele dia, que o espanhol selou no contra-relógio. O algarvio saiu para a CCC Sprandi Polkowice, sendo um trepador por excelência e um ciclista que se diferenciava da maioria em Portugal. Ir para o estrangeiro depois do que vez no ano passado, era quase inevitável. Foi mais do que um gregário, foi claramente uma segunda aposta se fosse necessário, pelo que não surpreendeu o segundo lugar na geral, além da camisola da montanha.

Depois havia Joaquim Silva. Que excelente ciclista! Passou por momentos difíceis, com quedas que quebravam a sua preparação, mas, em forma, é exímio e o trabalho que realizava era dos melhores que se via. Tal como Amaro, era claro que havia mais em Joaquim Silva do que um gregário. A Caja Rural foi buscá-lo e até o trouxe de regresso à Volta como líder. Infelizmente foi uma das vítimas do calor logo na primeira etapa. Tendo em conta as características de sobe e desce da Volta a Portugal, estes dois ciclistas fazem falta a qualquer equipa.

Mas não se minimize a importância de um Samuel Caldeira. Tem características mais de rolador, é um bom finalizador e um trabalhador incansável. Era normalmente dos primeiros a entrar em cena quando o bloco azul e branco ia para a frente do pelotão. Caldeira está a recuperar de lesão, por isso, nem opção foi para Nuno Ribeiro. Mas é uma voz experiente e tem estado a acompanhar a equipa.

Para reforçar a W52-FC Porto, Nuno Ribeiro foi buscar César Fonte. Ciclista já com várias Voltas feitas, que sabe o que é andar na frente, disputar vitórias ou trabalhar para outros. Foi uma boa contratação e tem feito uma  temporada forte. Contudo, e perante as inevitáveis comparações, César Fonte não faz esquecer Amaro, pois não tem estado junto a Alarcón até tão tarde nas etapas, como o algarvio fazia. Características diferentes, é certo, com Fonte a ser claramente nesta Volta um homem para o desgaste em prol da equipa e não um eventual plano B. Este ano, tal não existe na W52-FC Porto.

O segundo melhor classificado na geral é Ricardo Mestre e já está a 5:18. No que diz respeito a ajudar Alarcón está a fazer jus ao nome. É de facto um mestre no apoio e um daqueles ciclistas de que Nuno Ribeiro não quererá abdicar. E este corredor tem sido uma ajuda para o outro novo elemento da W52-FC Porto nesta Volta. João Rodrigues tem 23 anos e está há três na equipa. Tem estado num trabalho de evolução que em 2018 chegou ao ponto de ser testado ao mais alto nível em Portugal. Mas estando a fazer apenas a sua segunda Volta  - fez uma pelo Tavira em 2015 - falta-lhe experiência. Não é um elemento mais fraco, nada disso, pois tem cumprido com o que lhe era esperado, num trabalho incansável. No entanto, e com estas comparações, a experiência de Amaro Antunes e Joaquim Silva tinham necessariamente de fazer a diferença. Rodrigues começa agora a tornar-se num ciclista que ameaça vir a ser mais um dos imprescindíveis no trabalho para os líderes.

Quando os adversários atacam, como fez Joni Brandão (Sporting-Tavira) na Serra da Estrela, a W52-FC Porto desfaz-se mais rapidamente do que no ano passado. Tivemos temperaturas acima dos 40 graus, o percurso é um pouco mais duro e esses são factores que se tem de ter em conta. Tem-se visto menos António Carvalho comparativamente com 2017, ele que era o último homem na montanha com Alarcón e agora foi Mestre quem apareceu nessa função. A ver vamos de Carvalho reaparece ao seu melhor nas duas difíceis etapas em linha que falta.

Mas se a W52-FC Porto está mais fraca, ainda assim, tem conseguido ser a equipa que controla uma corrida como a Volta a Portugal e que não teve receio de ir buscar a camisola amarela cedo na prova e de agora ter de a defender. É assim que Nuno Ribeiro mais gosta de agir e a equipa continua exímia nesse aspecto.

Por mais que se diga que a W52-FC Porto possa estar mais fraca, com a excepção de Joni Brandão, mais ninguém tem colocado verdadeiramente à prova a equipa. O Sporting-Tavira é quem mais se aproxima, mas ainda faltam uns degraus para lá chegar. Quem tem Frederico Figueiredo, tem garantias de um ciclista do melhor que há no nosso pelotão. E que bem tem estado a trabalhar para Joni Brandão, estando também ele no top dez. Mas falta mais força na montanha. Alejandro Marque tem andado por lá, mas quebra cedo.

A Aviludo-Louletano-Uli não tem tido David de la Fuente e Oscar Hernandez ao nível desejado. Por outro lado, Luís Fernandes tem estado muito activo no apoio a Vicente García de Mateos e é um dos gregários que mais tem trabalhado e bem. A Efapel está a ser uma desilusão, enquanto Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) tem estado na frente e com a ajuda de um surpreendente Xuban Errazkin, líder da juventude. Na Rádio Popular-Boavista, Daniel Silva não tem o ritmo necessário após uma longa paragem, João Benta está no top dez, mas é uma equipa que deverá apostar muito em mais uma vitória de etapa, depois de Domingos Gonçalves ter vencido em Boticas, na sexta etapa.

(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Todos eles até têm conseguido ficar sozinhos com Raúl Alarcón. Mas com o espanhol tão forte, a W52-FC Porto tem feito o trabalho necessário para deixar o seu líder bem posicionado, confiando absolutamente que ele está à altura do desafio, mesmo quando fica isolado. Já ganhou duas etapas e não deixou ninguém de perigo escapar nas outras.

A W52-FC Porto está mais fraca? Ainda continua demasiado forte para a concorrência. E mesmo um Rui Vinhas tão limitado fisicamente depois do acidente com o carro de uma equipa, não se fica com a sensação de estar menos um ciclista. Não. Vinhas continua a ser uma mais valia preciosa dentro das limitações provocadas pelos ferimentos. O trabalho que a equipa faz pode estar a ser um pouco diferente e o facto de não liderar a classificação colectiva demonstra isso mesmo. Mas é primeiro na classificação que todos mais querem. No final, é isso que importa.

Santa Luzia sem fazer diferenças

Passou mais uma etapa e ficou tudo na mesma na geral. Os suspeitos do costume do top dez ficaram na disputa na subida final até ao bonito alto de Santa Luzia, em Viana do Castelo (165,5 quilómetros com início em Montalegre). Enrique Sanz deu um triunfo à Euskadi-Murias, com Daniel Mestre a ficar novamente a ver outro ciclista ganhar. O sentimento de frustração no ciclista e na Efapel deve estar a começar a crescer bastante.

Alarcón deixou os adversários atrás de si, mas todos com o mesmo tempo. Significa que na geral só Joni Brandão está a menos de um minuto (52 segundos), estando agora a apenas um ponto da camisola da montanha, que também é do espanhol. Mateos mantém a dos pontos e o Sporting-Tavira não larga a classificação por equipas.

Esta sexta-feira serão 147,6 quilómetros entre Barcelos e Braga, com duas terceiras categorias, uma de quarta e uma de segunda, já perto da meta. Um aperitivo para a etapa de sábado, com duas primeiras categorias a anteceder a mítica subida à Senhora da Graça (155,2 quilómetros).

Pode ver aqui as classificações.



8 de agosto de 2018

Etapa exigente mas que não passou de uma marcação cerrada entre candidatos

Rui Vinhas foi um dos destaques do dia. Apesar dos ferimentos,
continua em prova e a liderar o pelotão (Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Ao ver os ciclistas fazerem uma marcação que mais parecia uma prova de pista, fica-se a pensar se estão com mais receio de perder tempo do que tentar arriscar e ganhar. Foi um momento estranho de uma etapa exigente, mas que acabou por não trazer qualquer novidades na geral. Aproveitou Domingos Gonçalves que anda desde o início da Volta a Portugal à procura de ganhar vestido com a camisola de campeão nacional, ele que tem as duas: de fundo e de contra-relógio.

Joni Brandão, sempre ele, tentou. Raúl Alarcón também esboçou um ataque para ganhar mais tempo. E entre esta luta Sporting-Tavira/W52-FC Porto, Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano-Uli) e Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) estão a quase dois minutos da liderança, pelo que a batalha por um lugar no pódio poderá muito bem começar a pesar nas decisões tácticas. Edgar Pinto tem tido um fiel escudeiro, ainda jovem e que está a aproveitar para dar à equipa uma liderança, pois veste a camisola branca. Xuban Errazkin tentou escapar, João Benta (Rádio Popular-Boavista) perseguiu, mas foi Domingos Gonçalves quem deu um pouco de espectáculo, oferecendo uma etapa que a equipa axadrezada muito procurava.

Acabou por desiludir um pouco a falta de movimentações no ataque à W52-FC Porto, que andou a tentar controlar o andamento, sempre rápido, enquanto a Efapel ajudava na procura por uma etapa. Mas a equipa de Américo Silva está a enfrentar mais uma Volta frustrante. Daniel Mestre não conseguiu entrar na luta pela tirada e Henrique Casimiro sofreu de cãibras. Sofreu ainda mais para não perder tempo, quando já tem mais de três minutos de atraso e tenta agarrar-se a um top dez.

É Joni Brandão que demonstra a maior inconformidade. São 52 segundos. Ninguém se quer atrever a dizer apenas 52 segundos, mas a verdade é que a distância está a deixar Raúl Alarcón em sentido. O próprio admitiu que nada está decidido. É de esperar que os dois não se deixem de marcar até ao fim, com a etapa da Senhora da Graça, no sábado, a começar a ter contornos que será mesmo onde tudo se revolverá, antes do contra-relógio de Fafe.


(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Domingos Gonçalves merece o destaque máximo numa etapa bem trabalhada pela equipa de José Santos. Ganhou num estilo tão próprio, com aqueles ataques no momento certo que este gémeo tão bem sabe fazer quando está em forma. E este ano está numa bela forma: já são quatro vitórias. No entanto, terá de o partilhar os holofotes com Rui Vinhas. Com as ligaduras presentes nos braços e pernas, com pontos no sobrolho, ferimentos nas mãos... este ciclista chegou a liderar o pelotão na perseguição a uma fuga de 11 elementos, que incluiu o antigo camisola amarela, Rafael Reis (Caja Rural).

Este esforço, esta atitude de Rui Vinhas está a ser sublinhada pelos adversários. São muitos os que o cumprimentam e elogiam e até José Santos, no seu discurso de vitória, elogiou o ciclista que em 2016 conquistou os adeptos ao vencer a Volta e agora está a dar novamente um enorme exemplo de profissionalismo.

Se os 164,5 quilómetros entre Sernancelhe e Boticas não tiveram influência na geral, apesar das quatro subidas categorizadas, a última de primeira, também não se espera muito dos 165,5 entre Montalegre e Viana do Castelo. Aquela rampa no Monte de Santa Luzia pode proporcionar algum ataque, mas também será dia para uma vitória de etapa ao estilo do que muito se tem visto nesta Volta, com um ataque nos quilómetros finais. 



»»O que ainda podemos esperar da Volta (ou pelo menos desejar)««

»»É assim mesmo Joni!««

6 de agosto de 2018

O que ainda podemos esperar da Volta (ou pelo menos desejar)

(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
"Sabia que era a minha última hipótese. Sou sprinter e as subidas não são para mim." A frase de Riccardo Stacchiotti resume bem o que aí vem. A Volta a Portugal não é conhecida por ser para os puros sprinters. Por isso mesmo, escasseiam por cá. Subir e descer faz parte da corrida e a partir de quarta-feira, é subir e descer em etapas que se está a fazer um esforço enorme para não pensar que já está tudo decidido. O que se pode esperar? Por um lado a continuação do absoluto controlo da W52-FC Porto, como tão bem tem feito nos últimos anos. Por outro, talvez apareça mais alguém a juntar-se a Joni Brandão na inconformidade contra um domínio que demora a ser colocado em causa.

A W52-FC Porto continua noutro patamar comparativamente com as restantes cinco equipas de elite portuguesa. Excluímos aqui as três sub-25, cujos objectivos são diferentes. No entanto, sem Amaro Antunes, o conjunto de Nuno Ribeiro dá indicações de estar um pouco abaixo daquele apresentado há um ano. Mais fraco parece ser de mais dizer, mas talvez menos consistente. A etapa da Serra da Estrela, mesmo sem Torre, demonstrou isso. A equipa desfez-se rapidamente, mas com Alarcón na forma em que está e com os adversários na forma em que não estão, o resultado está a ser o mesmo de 2017. O espanhol está de camisola amarela e vai ser preciso algo especial para alguém lhe tirar esse símbolo de liderança.

Os dias de descanso são sempre uma incógnita, pois há ciclistas que não se dão muito bem. Com tanto calor nestes últimos dias, pode ser que faça bem a todos. Os 165,4 quilómetros entre Sernancelhe e Boticas serão muito exigentes. Quarta-feira será uma das etapas mais difíceis da Volta. Espera-se, portanto, atitude por parte de quem disse que veio discutir a Volta a Portugal. O que Joni Brandão fez nas Penhas da Saúde pode não ter terminado com o resultado desejado, mas o ciclista do Sporting-Tavira demonstrou que não vai entregar de mão beijada a vitória a Alarcón. Se está mesmo mais forte, se depender de Brandão (que está a 52 segundos), o espanhol vai ter de o mostrar.



Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano-Uli) está obrigado a tentar algo. 1:41 minutos já é uma distância de respeito. Não é ciclista de se conformar, mas a ver vamos se não terá a tentação de tentar salvaguardar um pódio, caso considere que não consegue fazer frente ao poderio azul e branco. Joni Brandão pode contar com um Sporting-Tavira melhor apetrechado de homens de trabalho, mas Mateos não de se pode queixar de Luís Fernandes, mas seria bom que David de la Fuente e Oscar Hernandez aparecessem mais fortes na recta final da Volta.

Se Edgar Pinto se sentir bem, é ciclista para também ele tentar um gesto ao estilo de Joni Brandão. Porém, o líder da Vito-Feirense-BlackJack está a 1:58 minutos. Chegar pelo menos o pódio dificilmente não entrará no pensamento de uma equipa que surgiu este ano e que quer dar uma prenda no 100º aniversário do clube.

A pensar mais no pódio estará João Benta, da Rádio Popular-Boavista. Já com 2:19 de atraso, é difícil aspirar a melhor. Já a Efapel até dessa luta poderá estar de fora se não atacar. É talvez das equipas que mais estará sobre pressão para alcançar algum resultado nas cinco etapas que faltam. Não conseguiu levar Daniel Mestre à vitória em nenhuma tirada, viu Sérgio Paulinho ficar a mais de cinco minutos e Henrique Casimiro fraquejou nas Penhas da Saúde e está a 3:34 de Alarcón.

Por vezes fala-se de alianças entre equipas, mas por cá pouco se vê. Porém, se todos tentarem algum tipo de ataque, pelo menos testarão a resistência da W52-FC Porto, que é forte, mas não inabalável.

Pode-se então esperar que alguém tente atacar e que Alarcón esteja à altura dos acontecimentos e certamente que se deseja que esta Volta ainda tenha algum espectáculo para oferecer e que não se fique presa ao poderio de uma equipa.

De recordar, que a Volta terá a última etapa em linha na Senhora da Graça. Antes da mítica subida haverão duas primeiras categorias (Alto da Barra e Barreiro), mas com as diferenças como estão, ninguém se poderá dar ao luxo de deixar tudo para sábado, até porque no contra-relógio Alarcón é superior a quase todos os rivais. Na quinta-feira, a chegada a Viana do Castelo é normalmente selectiva, mas na sexta será um sobe e desce constante entre Barcelos e Braga, antes que a Senhora da Graça dite o mais forte. Tudo terminará com o contra-relógio de Fafe.

Stacchiotti repete vitórias no dia em que Vinhas sofreu

(Fotografia: PODIUM/Luís Braga)
Um pormenor que poderá mudar a postura dos adversários da W52-FC Porto será a permanência ou não de Rui Vinhas na Volta. O vencedor de 2016 embateu contra um carro da caravana e ficou muito mal tratado. Falou-se de um heróico Lawson Craddock (EF Education First-Drapa p/b Cannondale) no Tour. Por cá, foi Vinhas quem assumiu esse papel. Rosto ensanguentado, várias feridas no corpo e um equipamento feito em farrapos. Toda a equipa o apoiou, especialmente o amigo Alarcón. Ainda tentou fazer o seu trabalho, mas acabou por recuar no pelotão, onde Rafael Reis (Caja Rural), antigo companheiro na equipa portuguesa de Vinhas, manteve-se algum tempo ao lado do ciclista. Acabou por perder contacto, mas terminou a etapa. Agora é esperar para saber o que os resultados dos exames hospitalares vão ditar (ainda não são conhecidos aquando da publicação deste texto). Mesmo que continue, ficará sempre a dúvida se estará nas melhores condições para ajudar Alarcón.

Vinhas foi o destaque que não queria ser num dia do mais normal que há no ciclismo. Uma fuga, uma perseguição, umas tentativas de ataques tardios e um sprint para fechar. Neste aspecto Riccardo Stacchiotti não dá hipóteses. Não houve quem o ameaçasse e deixou todos a vê-lo pelas costas. Depois de vencer em Albufeira, conquistou Viseu e empatou com Raúl Alarcón em número de vitórias de etapa. Uma estadia em Portugal muito produtiva para a equipa romena MSTina Focus, que também ganhou uma tirada no Grande Prémio Nacional 2, por intermédio do mesmo ciclista.

Estamos a falar de um corredor que poderá estar agora no escalão Continental, mas passou quatro temporadas na Nippo-Vini Fantini (Profissional Continental), tendo inclusivamente participado em duas Voltas a Itália. Este tipo de experiência acaba por fazer a diferença em corridas como a Volta a Portugal, onde os homens mais rápidos do pelotão nacional não têm um currículo que se aproxime de Stacchiotti.

Os 191,7 quilómetros entre Sabugal e Viseu não determinaram mudanças nas classificações: Alarcón está de amarelo e de azul (montanha), Mateos de verde (pontos), Xuban Errazkin (Vito-Feirense-BlackJack) de branco (juventude) e o Sporting-Tavira lidera colectivamente. Pode confirmar ao pormenor aqui.