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20 de maio de 2019

"Na Movistar eu não estava contente comigo mesmo"

Nuno Bico quer reencontrar-se. Deu o salto de sub-23 para a Movistar, mas, dois anos depois, desceu de escalão para uma Burgos-BH que está a ajudá-lo a recuperar a confiança e a alegria de competir. Diz que não consegue encontrar explicações para o que aconteceu, principalmente em 2018. Contudo, considera que foi mais uma lição, algo que tem de saber como lidar para tentar regressar novamente ao mais alto nível, que continua a ser a sua ambição. E Nuno Bico não hesita em admitir o quanto está feliz na Burgos-BH, sonhando com uma presença na Volta a Espanha e apontando também aos Nacionais.

Conquistou o título em sub-23, em 2015, e esteve depois na Klein Constantia, equipa de desenvolvimento da Deceuninck-QuickStep, entretanto extinta. Quando parecia que todas as portas se estavam a fechar, já bem no final de 2016 surgiu a confirmação que Nuno Bico era reforço da Movistar. Um salto para o World Tour e logo para uma das equipas mais fortes e históricas do pelotão. "Eu estava adaptado ao grupo e apto a fazer qualquer tarefa que me pedissem. Correu bem a experiência, mas na Movistar eu não estava contente comigo mesmo", admitiu ao Volta ao Ciclismo.

Não é fácil encontrar explicações para o que falhou, mas Nuno Bico fala de uma segunda temporada na equipa complicada: "Senti alguma falta de motivação no ano passado. Foi da minha cabeça... Alguma perda de vontade de treinar, falta de resultados, achava que uma mudança de ares resolveria o assunto." E acrescentou: "A cabeça é um sistema muito complexo... Ainda hoje gostaria de encontrar uma justificação fácil e rápida para isso, mas são etapas da vida. Coisas que acontecem."


"Depois de ter estado numa equipa que ganha as melhores corridas do mundo e de ver como funciona, acho que a forma correcta de funcionar é poder transmitir o que já aprendi"

Responsabilidade a mais? "Talvez, mas não sou contra isso porque é uma boa maneira de crescer rápido e bem. Mas sim, pode ter sido", respondeu. Certo é que a passagem pela Movistar ajudou e muito Nuno Bico a crescer como atleta, pois aos 24 anos acaba por ter uma missão mais importante na Burgos-BH. É uma equipa com muitos jovens e apesar do português também o ser, tem uma experiência que agora tem tentando transmitir, como por exemplo, na leitura de corrida. "Continuo a ser dos mais novos, mas depois de ter estado numa equipa que ganha as melhores corridas do mundo e de ver como funciona, acho que a forma correcta de funcionar é poder transmitir o que já aprendi", disse.

Durante a conversa, fica bem patente como Nuno Bico se sente bem na Burgos-BH e como está a recuperar as melhores sensações: "Está tudo a correr muito bem. Comecei bem, depois estive doente e tive de parar duas semanas e começar o novo. Custa sempre, mas agora está tudo bem encaminhado. E sim, está tudo bem com a cabeça!"

Apesar de poder ser visto que deu um passo atrás, Nuno Bico já só pensa como pode dar dois à frente. "Certamente que tem de ser esse o objectivo. Acho que no desporto e na vida em geral, a ambição tem de ser de sonhar mais alto", realçou. No entanto, um passo de cada vez. Agora está a recuperar forma e após a Volta à Comunidade de Madrid seguiu-se um estágio em altitude, em Andorra. A nível competitivo, olha para os Nacionais com vontade lutar por uma vitória, ou pelo menos um pódio, ainda que desconheça o percurso de Melgaço. "E claro, gostaria de fazer parte da Vuelta e quem sabe conseguir uma vitória noutra corrida. Isso seria perfeito!"

A Burgos-BH recebeu novamente um convite para a Volta a Espanha, neste seu segundo ano como Profissional Continental. Porém, não foi algo que estivesse garantido depois de um início de temporada marcado por uma auto-suspensão devido aos três casos de doping na equipa. Os responsáveis anteciparam-se à UCI, que acabaria por sancionar a Burgos-BH com 21 dias, falhando o arranque de temporada. Em alternativa, foi organizado uma espécie de retiro para os membros da estrutura. Além dos treinos, todos tiveram assistir a  seminários que Nuno Bico explicou que tiveram o sentido pedagógico em redor da ética, código moral e comportamentos.


"Houve uma mudança. É uma Burgos-BH quase completamente nova. Foi uma fase difícil, mas ultrapassámos e estamos num bom caminho"

"Não foi novo para mim ter ouvido aquilo", referiu, explicando como em equipas anteriores já tinha passado pelo mesmo. Contudo, salientou a importância desse retiro para que todos, principalmente os mais novos da Burgos-BH, pois assim tiveram desde cedo contacto com esse tipo de conceitos essenciais.

No entanto, ainda o ciclista de Viseu não tinha começado a treinar com a equipa quando os problemas começaram. Foi um pequeno susto, mas quando chegou à Burgos-BH a realidade era já outra. "Houve uma mudança. É uma Burgos-BH quase completamente nova. Foi uma fase difícil, mas ultrapassámos e estamos num bom caminho."

A Volta a Espanha chegou a estar em risco, mas o convite acabou por se confirmar, o que faz com que três portugueses possam lá estar, pois além de Bico, também José Neves e o muito experiente Ricardo Vilela têm essa possibilidade. Os três portugueses ainda só se cruzaram no estágio inicial.

Os primeiros meses da Burgos-BH após a suspensão não foram fáceis, mas a equipa está a recompor-se, segundo Nuno Bico. "Falta uma vitória", afirmou, numa altura em que os ciclistas da formação espanhola vão aparecendo na frente das corridas. Ainda este fim-de-semana Jesús Ezquerra esteve a 50 quilómetros de conquistar a Volta a Aragão, mas caiu e foi obrigado a abandonar, com uma clavícula partida.

Para Nuno Bico segue-se a Volta à Bélgica e o ZLM Tour antes dos Nacionais, no final de Junho. Para o futuro além de 2019, ficou a garantia que a motivação de chegar alto mantém-se intacta e que voltar a Portugal não está, nem esteve em equação quando as coisas não estavam a correr bem na Movistar. Nuno Bico quer continuar no estrangeiro. Um regresso, talvez numa fase mais tardia da carreira. "Ainda sou demasiado jovem. Há muitas corridas por descobrir. A ambição tem de ser alta, nunca ponderei isso!"


8 de maio de 2019

Vuelta sem surpresas nos convites no último ano "descansado" para as equipas espanholas

Domingos Gonçalves espreita a oportunidade de se estrear numa grande volta
(Facebook: Caja Rural)
Convites distribuídos sem surpresas, num último ano em que as equipas espanholas Profissionais Continentais têm entrada praticamente garantida na "sua" corrida. A Vuelta já completou o pelotão para próxima edição (de 24 de Agosto a 15 de Setembro) e se havia grande volta que não se esperava surpresas, era esta. No entanto, em 2020 tudo será diferente.

Com a subida da Burgos-BH e da Euskadi-Murias ao segundo escalão na temporada passada, a organização não quis deixar as duas equipas fora da maior corrida do país, juntado-as assim à Caja Rural como wildcards da Vuelta. Era a forma de tornar os projectos sustentáveis, num país com tradição no ciclismo, mas apenas com a Movistar ao mais alto nível, no World Tour e só com a Caja Rural como Profissional Continental até ao final de 2017.

Este ano, só a Burgos-BH tremeu um pouco quanto ao convite, dado os casos de doping que levaram a equipa a auto-suspender-se no arranque da temporada, ainda antes da sanção oficial da UCI. Tremeu, mas não caiu, o que deixará três portugueses à espreita de uma chamada para a Vuelta: Ricardo Vilela, José Neves e Nuno Bico. Ao trio junta-se Domingos Gonçalves, que poderá ir pela Caja Rural. O campeão nacional de estrada e contra-relógio encontra-se a recuperar das lesões que resultaram da violenta queda na Volta à Catalunha. Só Vilela sabe o que é fazer grandes voltas, precisamente duas Vueltas.

O problema das equipas espanholas são as regras que serão implementadas a partir de 2020. A UCI pretende que duas Profissionais Continentais passem a qualificar-se directamente para as grandes voltas através do ranking das equipas. Isto caso mantenha 18 equipas World Tour, pois pondera aumentar para 20, dado os 23 pedidos de licença para o próximo ano, o que poderia levar ao anulamento desta qualificação via ranking.

Se se mantiver o plano inicial da UCI, nesta fase da época, nenhuma das três espanholas está sequer perto dos dois primeiros lugares. As organizações das grandes voltas ficarão com dois convites para atribuir, o que significará que uma equipa de Espanha ficará irremediavelmente de fora. Não é difícil imaginar como a formação que for excluída terá mais dificuldades em segurar ou encontrar patrocinadores novos que estejam dispostos a pagar, sem terem garantido a exposição mediática de uma Vuelta.

E há que não esquecer que Alberto Contador quer ver a sua Kometa também como Profissional Continental já na próxima temporada, o que poderá significar quatro equipas espanholas para apenas dois convites. E o nome Contador pode ter muito peso no momento de decidir...

A quarta equipa a receber convite para 2019 foi a Cofidis. Não sendo espanhola tem lugar mais do que garantido como as que são, não fosse um nome com fortes ligações ao ciclismo no país, sendo um dos patrocinadores da federação, por exemplo. É a única equipa do segundo escalão que consegue participar em duas grandes voltas e assim tem sido há algum tempo, pois como francesa, recebe o wildcard para o Tour.

Ao contrário das formações de Espanha, a Cofidis não está muito preocupada com a questão do ranking, pois até o lidera entre as equipas Profissionais Continentais e tem sido habitual terminar num dos dois primeiros postos. E também poderá garantir um lugar sendo World Tour, já que pediu licença para subir de escalão em 2020.

As dúvidas das equipas espanholas são partilhadas pelas italianas, com a agravante de Itália não ter qualquer formação no World Tour. Para já, há que concentrar no presente, mas o futuro não será fácil para quem precisar de estar em grandes voltas para assegurar sobrevivência de projectos, pelo menos, ao nível Profissional Continental.

»»Que ninguém comece mal esta Vuelta««

»»Corrida aos pontos. 23 equipas querem ser World Tour em 2020««

18 de fevereiro de 2019

TAD anula suspensão de quatro anos

Cinco meses depois de ter sido sancionado com quase quatro anos de suspensão devido a irregularidades no passaporte biológico, Ibai Salas viu o Tribunal Arbitral do Desporto espanhol (TAD) anular a sentença. O ciclista representava a Burgos-BH e a sua suspensão foi a segunda de um corredor da equipa, o que levou a que também a formação fosse afastada da competição por 21 dias.

Segundo a Europa Press, o TAD justificou a decisão por não ser possível determinar se Salas recorreu ou não a substâncias proibidas, ou a métodos proibidos de dopagem. Ou seja, considera que o passaporte biológico não é suficiente para provar que o ciclista cometeu alguma infracção.

Com 27 anos, um regresso à modalidade ao nível em que se encontrava não seria uma missão fácil se tivesse de cumprir a sanção. No entanto, a decisão da Agência Espanhola de Protecção da Saúde no Desporto (AEPSD), agora anulada, fez com que a Burgos-BH deixasse de contar com o ciclista que estava na equipa desde 2014. E como estava suspenso, não tem licença para competir.

Esta sanção teve impacto directo na Burgos-BH, pois foi o segundo caso de doping em 12 meses, depois de David Belda ter sido suspenso por quatro anos ao acusar EPO. Juntou-se ainda o de Igor Merino, a quem foi detectada a utilização de uma hormona de crescimento. A formação espanhola não esperou pela UCI e auto-suspendeu-se e até promoveu um seminário para todos os membros da estrutura sobre doping. A UCI viria depois a confirmar a esperada suspensão, com a Burgos-BH a falhar a Tropicale Amissa Bongo e o Challenge de Maiorca.

A agência de comunicação que representa Salas reagiu através de um comunicado enviado para a Europa Press, destacando como "esta actuação irregular da AEPSD pressupôs o final da carreira profissional de Ibai Salas", que considera ter sido "acusado injustamente de dopagem". Realçou ainda como o corredor viveu "um calvário que durou mais de dez meses até conseguir demonstrar a sua inocência."


29 de novembro de 2018

Burgos-BH auto-suspendeu-se após terceiro caso de doping

A Burgos-BH antecipou-se a uma eventual sanção da UCI e auto-suspendeu-se por duas corridas no arranque da temporada de 2019, depois de ter sido confirmado o terceiro caso de doping na equipa em 12 meses. Em vez de competir, irá organizar uma concentração anti-doping, no qual todos os membros da estrutura, dos responsáveis, aos ciclistas, passando por todo o staff, estão obrigados a marcar presença.

Esta decisão de se afastar das corridas já era esperada, até porque a Burgos-BH pertence ao Movimento por um Ciclismo Credível. No entanto, não substitui uma eventual suspensão da UCI, que está a analisar o caso da equipa espanhola. O director geral, Julio Andrés Izquierdo, salientou que a Burgos-BH quer "ser uma referência neste âmbito". "Decidimos realizar de forma voluntária uma auto-suspensão nas actividades competitivas para nos dedicarmos exclusivamente à prevenção de doping e auto-conhecimento da nova equipa. Esta concentração durará três semanas, onde se levará a cabo acções do tipo formativo, colóquios e reuniões com especialistas na matéria de doping", afirmou.

No mesmo comunicado é explicado que a equipa não irá participar na Tropicale Amissa Bongo, no Gabão, entre 21 e 27 de Janeiro, e no Challenge de Maiorca, conjunto de quatro corridas (troféus), entre 31 de Janeiro e 3 de Fevereiro.

Em Dezembro de 2017, David Belda (35 anos) foi suspenso por quatro anos depois de ter testado positivo por EPO. Já este mês, primeiro foi Ibai Salas (27) a receber igual sanção por irregularidades no passaporte biológico, tendo o mesmo acontecido a Igor Merino (28), a quem foi detectada uma hormona de crescimento.

"Vamos implementar um novo sistema de controlo aos ciclistas. Até agora estávamos concentrados no passaporte biológico e no ADAMS*. Porém, em 2019 queremos ir mais além. Faremos controlos internos para ter um conhecimento exacto de cada um dos nossos corredores. Na Burgos-BH levamos muito a sério a luta contra o doping. Tal é assim que os nossos patrocinadores mantêm toda a confiança em nós, ao ponto da cadeia de hotéis HELIOS nos ter oferecido as suas instalações, para que possamos levar a cabo esta concentração", explicou Izquierdo.

Depois de vários anos como projecto Continental, a Burgos-BH subiu ao segundo escalão, Profissional Continental, este ano. Recebeu um convite para a Vuelta, mas a temporada não foi a desejada, longe de vitórias - apenas uma na China - e de outros resultados de referência.

Apesar dos três casos positivos de doping, a Burgos-BH quer prosseguir como Profissional Continental, tendo pedido essa licença à UCI. Estão a ser fechadas várias contratações, com destaque para dois jovens portugueses. Nuno Bico (24 anos) vai deixar a Movistar após duas épocas, enquanto José Neves (23) vai para Espanha depois de um bom ano da W52-FC Porto e que levou a americana EF Education First-Drapac p/b Cannondale a convidá-lo para uma estágio desde Agosto. A equipa espanhola garantiu ainda um ciclista muito experiente: Ricardo Vilela. Perto de celebrar 31 anos, o ciclista regressa àquele país, onde representou a Caja Rural, depois de duas temporadas na colombiana Manzana Postobón.

O sprinter britânico Matthew Gibson (22 anos, ex-JLT Condor), o espanhol Manuel Peñalver (19, Trevigiani Phonix-Hemus 1896) e o compatriota Ángel Madrazo (30, Delko Marseille Provence KTM, com passagem pela Movistar entre 2009 e 2013) são os reforços já conhecidos.

A Burgos-BH começará assim a temporada mais tarde, tendo já notificado a UCI da sua decisão de se auto-suspender. Contudo, terá um 2019 em suspenso até conhecer a eventual sanção do organismo, que poderá afastar a equipa de mais corridas. Além desta questão, a Burgos-BH terá o trabalho de limpar uma imagem muito fragilizada com estes três casos de doping no espaço de um ano, tentando começar pela concentração que vai realizar com todos os membros da equipa.

*Nota: O ADAMS (sigla em inglês para Anti-doping Administration & Mangement System) é uma base de dados mundial que garante a confidencialidade das informações e reduz a repetição inútil do trabalho. Se utilizarem o ADAMS, os ciclistas não têm que comunicar as informações separadamente à sua Federação ou à sua Organização Nacional de Anti-dopagem.


7 de novembro de 2018

Mais dois portugueses a caminho da Burgos-BH

A equipa espanhola continua a reforçar-se para 2019 e vai juntar mais dois portugueses ao plantel que já contará com Ricardo Vilela. Se este é um ciclista que dará à Burgos-BH uma experiência valiosa, a formação aposta agora em dois jovens talentos portugueses: Nuno Bico e José Neves.

Apesar de enfrentar uma possível suspensão por dois dos seus corredores terem sido sancionados por doping em 12 meses, a Burgos-BH continua muito activa nas contratações, depois de um primeiro ano como Profissional Continental com poucas histórias para contar. A equipa anunciou esta quarta-feira os reforços, com Nuno Bico a ser bem conhecido naquele país. O ciclista, de 24 anos, esteve nas últimas duas temporadas ao serviço da Movistar, mas esta passagem pelo World Tour ficou marcada por quedas que prejudicaram a sua afirmação. Sempre que Bico parecia estar a atingir um bom momento de forma, acabava por ter de parar para recuperar. A sua última corrida em 2018 foi no Grande Prémio do Quebeque, em Setembro, na qual fracturou a clavícula.

Descer ao escalão Profissional Continental poderá ter o seu benefício, pois Nuno Bico deverá encontrar mais liberdade para mostrar o seu potencial, não ficando tão preso ao papel de gregário. José Santos lançou Nuno Bico no profissionalismo no Boavista, com o salto para a Klein Constantia, em 2016, a ser muito importante, pois tratava-se da equipa satélite da Quick-Step Floors, entretanto extinta. O corredor foi companheiro de Maximilian Schachmann, Rémi Cavagna e Enric Mas, por exemplo, todos ciclistas que foram para a equipa principal, enquanto Bico assinou pela Movistar.

Foi campeão nacional de sub-23, algo que José Neves também alcançou, mas em contra-relógio (venceu por duas vezes). Esta é uma características que é salientada na apresentação deste jovem de 23 anos. Em Agosto foi chamado a estagiar na EF Education First-Drapac p/b Cannondale, começando no Colorado, antes de marcar presença na Volta à Grã-Bretanha e em várias clássicas de final de temporada, com destaque para a Milano-Torino, na qual terminou na 51ª posição.

Esta oportunidade na equipa americana do World Tour chegou depois de uma época excelente na W52-FC Porto. Evoluiu na Liberty Seguros-Carglass, tendo ganho a Volta a Portugal do Futuro em 2017. Na sua estreia como profissional esta temporada não fez por menos. José Neves ganhou uma das corridas mais importantes em Portugal: o Troféu Joaquim Agostinho. Apesar da juventude, José Neves será uma aposta para as provas por etapas.

Além dos três portugueses, a Burgos-BH contratou o sprinter britânico Matthew Gibson (22 anos, ex-JLT Condor), o espanhol Manuel Peñalver (19, Trevigiani Phonix-Hemus 1896) e o compatriota Ángel Madrazo (30, Delko Marseille Provence KTM, com passagem pela Movistar entre 2009 e 2013). Nas renovações, destaque para dois ciclistas bem conhecidos do pelotão nacional: Diego Rubio (ex-Efapel) e Jesús Ezquerra, que vestiu a camisola do Sporting-Tavira e venceu uma etapa da Volta a Portugal em 2016.

José Mendes representou a equipa em 2018, marcando presença na Volta a Espanha. Porém, é possível que o ciclista regresse a Portugal, havendo o interesse da Efapel e do Sporting-Tavira.

Há dois dias, a UCI informou que perante a segunda suspensão por doping em 12 meses por parte de dois ciclistas da equipa, a Burgos-BH poderá ser afastada das competições entre 15 a 45 dias, dependendo da decisão da Comissão Disciplinar. A sanção poderá colocar em causa o arranque de temporada. Há ainda um terceiro corredor suspenso provisoriamente, a aguardar a conclusão do caso, depois de acusar positivo num teste uma hormona de crescimento. Pode ler mais no link em baixo.


5 de novembro de 2018

Burgos-BH pode ser suspensa após dois casos de doping. Há ainda um terceiro processo a decorrer

(Fotografia: Facebook Burgos-BH)
A Burgos-BH poderá não escapar a uma suspensão depois de dois ciclistas da equipa terem sido suspensos por doping, num período de 12 meses. O regulamento determina que esta situação pode resultar numa suspensão entre 15 a 45 dias. O caso está agora na Comissão Disciplinar da UCI, que irá decidir o tempo da suspensão.

Ibai Salas (27 anos) foi suspenso por quatro anos devido a irregularidades no seu passaporte biológico pela Organização Nacional de Anti-Doping espanhola, que informou a UCI do castigo. Em Dezembro, David Belda (35) tinha recebido igual sanção, mas por ter dado positivo por EPO. "Estes dois casos num período de 12 meses desencadeou a aplicação do artigo 7.12.1 do regulamento anti-doping da UCI que prevê a suspensão da equipa entre 15 a 45 dias", anunciou a UCI, em comunicado.

Porém, a equipa espanhola poderá ter ainda mais problemas, pois tem mais um ciclista suspenso provisoriamente. Igor Merino (28) aguarda pela resolução do caso, que se iniciou após uma análise positiva por uma hormona de crescimento. Se houver uma confirmação da suspensão, a Burgos-BH irá incorrer em nova sanção, com uma agravante. A equipa pertence ao Movimente por um Ciclismo Credível, que prevê uma suspensão em caso de um terceiro caso de doping.

O arranque de temporada poderá ficar em causa devido aos positivos de Belda e Salas, dois ciclistas que representavam a equipa há seis e cinco temporadas, respectivamente. Belda foi despedido após ser conhecida a suspensão. Merino também cumpriu este ano a sua quinta época na equipa.

A Burgos-BH subiu ao escalão Profissional Continental em 2018, o que lhe abria as portas a um convite para a Vuelta, que se confirmou. O caso de Salas chegou a ameaçar essa presença, mas a intervenção do Tribunal Arbitral do Desporto deixou então a equipa a respirar de alívio.

Nos casos recentes que resultaram em suspensões, o destaque vai para a equipa brasileira Funvic, que recebeu duas sanções devido aos vários casos de doping detectados. A segunda foi de 35 dias, depois de um castigo de 55. A italiana Bardiani-CSF cumpriu 30 dias longe das corridas, depois de dois ciclistas terem sido suspensos no dia antes do arranque da Volta a Itália, no ano passado, com as contra-análises a confirmarem o primeiro resultado de Stefano Pirazzi e Nicola Ruffoni. Ambos foram acusados de recorrer a uma substância hormonal que permitia uma melhor recuperação física.

Não foi uma temporada feliz para a Burgos-BH que contou com o português José Mendes nas suas fileiras. A única vitória foi na Volta ao Lago Qinghai, na China, por intermédio do espanhol Daniel López. Na Vuelta, alguns ciclistas entraram em fugas, mas foi uma exibição pálida da formação na grande volta.

No início de Outubro, quando a UCI divulgou a lista das equipas que tinham pedido licença para o escalão Profissional Continental para 2019, o nome da Burgos-BH não apareceu, o que não significa que não a venha a obter.

A suspensão da UCI poderá fazer com que a equipa falhe as corridas de um dia que marcam o arranque de temporada em Espanha. O futuro de José Mendes ainda não é conhecido (poderá regressar a Portugal), mas haverá outro português na equipa, com Ricardo Vilela a ser dado como reforço. Irá assim reencontrar Jetse Bol, holandês de quem foi companheiro na Manzana Postobón, mas que em Agosto deixou a equipa colombiana para rumar à Burgos-BH.

O sprinter britânico Matthew Gibson (22 anos, ex-JLT Condor), o espanhol Manuel Peñalver (19, Trevigiani Phonix-Hemus 1896) e o compatriota Ángel Madrazo (30, Delko Marseille Provence KTM, com passagem pela Movistar entre 2009 e 2013) foram contratados para o próximo ano.

A equipa vai continuar com dois ciclistas bem conhecidos no pelotão português: Diego Rubio (ex-Efapel) e Jesús Ezquerra, que representou o Sporting-Tavira e venceu uma etapa da Volta a Portugal em 2016.


24 de abril de 2018

"Custou-me um pouco sair da Bora-Hansgrohe"

(Fotografia: Burgos-BH)
Na estrutura da Bora-Hansgrohe José Mendes encontrou uma equipa na qual conseguiu consolidar a sua carreira no estrangeiro. Foram cinco anos, durante os quais participou nas grandes competições mundiais, com destaque para a presença nas três grandes voltas. Em 2017 subiu com a equipa ao World Tour, mas nem tudo correu como desejava e o ciclista português viu o contrato terminar. Na Burgos-BH abriram-lhe as portas para fazer parte de um projecto que esta época ascendeu a Profissional Continental e que já tem garantido o grande objectivo da temporada: estar na Vuelta. Mendes não esconde que lhe custou sair da equipa alemã, mas agora só pensa em mostrar-se na espanhola, ainda que o arranque forte de temporada que pensava fazer foi interrompido por uma queda na Clássica da Arrábida, a 11 de Março, ao serviço da Selecção Nacional.

"A lesão foi mais grave do que se esperava. Foi fractura na clavícula, mas foi a que já tinha partido. Partiu em várias partes e para não correr o risco de acontecer outra vez, o período recomendado foi de seis semanas sem sair à estrada. Nas primeiras três não pude fazer mesmo nada", explicou José Mendes, que na quinta-feira terá nova avaliação médica que espera que seja positiva, para assim deixar os rolos e iniciar a recuperação de forma na estrada. "Não sei quanto tempo vou precisar para estar com uma condição mínima para competir. Duas, três, quatro semanas..." O ciclista referiu que "todo o trabalho de pré-época foi por água a baixo" por causa da queda e que acabou por perder corridas em que queria muito estar na melhor forma, como foi o caso da Volta à Catalunha e ao País Basco, ambas do World Tour, a Volta a Castela e Leão e também não estará na Volta às Astúrias, que se realiza este fim-de-semana.

"Agora vou ter de me concentrar num único objectivo. A Volta a Espanha. É uma corrida que eu gosto e se tudo correr bem posso chegar lá e fazer uma boa prova, como já fiz no passado", salientou José Mendes ao Volta ao Ciclismo, satisfeito por saber que o objectivo da equipa foi garantido. "Nós estávamos convencidos que teríamos o convite. A época estava a ser planeada nesse sentido, mas, como é óbvio, eu não ia só concentrar-me só num objectivo", afirmou. A queda mudou-lhe os planos, mas José Mendes está determinado em retribuir a confiança que lhe foi e é dada pelos responsáveis da Burgos-BH, primeiro com a contratação e agora com o apoio nesta fase em que teve de estar parado: "Acolheram-me de forma fantástica. Eles estão a apoiar-me [nesta fase]. Não me colocaram pressão nenhuma. O importante é recuperar." 

"Ao fim destes anos não tiveram tanta consideração como eu pensaria que iriam ter, mas compreendo perfeitamente que a este nível não podemos ter anos menos bons"

José Mendes disse estar a viver "um ano de transição" depois de cinco na Bora-Hansgrohe, antiga NetApp-Endura, mas considera que não deu um passo atrás. "Custou-me um pouco sair da Bora-Hansgrohe. Ao fim destes anos não tiveram tanta consideração como eu pensaria que iriam ter, mas compreendo perfeitamente que a este nível não podemos ter anos menos bons", realçou. "A verdade é que as coisas não me saíram como eu desejava e como a equipa desejava, tendo em conta o nível em que a Bora-Hansgrohe agora está", acrescentou. No entanto, como o próprio afirmou, "há que andar para a frente e continuar a trabalhar" e é isso que José Mendes quer fazer na Burgos-BH.

Depois de consolidar a estrutura no escalão Continental, a equipa espanhola subiu de categoria em 2018, com José Mendes e o russo Matvey Mamykin (ex-Katusha-Alpecin) a serem as contratações mais sonantes, mas também está um ciclista conhecido do pelotão português: Jesus Ezquerra, que esteve duas épocas no Sporting-Tavira. "Em termos de condições não está ao nível de uma Bora-Hansgrohe, ou de outra equipa do World Tour, mas é natural. Já estava à espera. Mas é verdade que tenho outras coisas na Burgos-BH que não tinha na Bora. É uma equipa mais simples, mais familiar. Tem pequenos detalhes que me fazem sentir um pouco mais relaxado", frisou.

E o ciclista, que esta terça-feira celebra o seu 33º aniversário, considera que a Burgos-BH tem todas as condições para continuar a evoluir, sendo que, para já, tem um projecto para quatro anos. "Nota-se que a equipa está a caminhar para melhorar agora que está na nova categoria: É natural que nestes primeiros tempos haja coisas a afinar. Na Bora foi igual, até quando passou a World Tour. Penso que a Burgos-BH tem condições para crescer e para se consolidar nesta categoria Profissional Continental."

"Eu dei prioridade em manter-me no escalão Profissional Continental porque assim poderia ter acesso à Volta à Espanha e a outras provas do World Tour, coisa que, infelizmente, nenhuma equipa portuguesa neste momento pode dar"

Uma das diferenças é a forma de estar nas corridas, com a equipa a querer mostrar-se, principalmente para garantir o convite para a Vuelta, que entretanto já recebeu: "A equipa prefere ter mais visibilidade do que esperar para ter um bom resultado, mas penso que com o decorrer da época vamos mudando a forma de correr. Neste início de temporada queremos mostrar que estamos presentes, somos agressivos, queremos estar nas fugas, atacar nas partes finais das etapas e os resultados às vezes não aparecem porque há esse desgaste extra, mas penso que as coisas estão a correr bem".

Sem espaço na Bora-Hansgrohe, Mendes queria garantir que continuava a carreira pelo menos no segundo escalão, o que excluía um regresso a Portugal, onde representou a LA Alumínios-Antarte, Liberty Seguros e o Benfica. "Eu dei prioridade em manter-me no escalão Profissional Continental porque assim poderia ter acesso à Volta à Espanha e a outras provas do World Tour, coisa que, infelizmente, nenhuma equipa portuguesa neste momento pode dar. Eu gostaria sinceramente que um dia pudesse regressar a Portugal e estar numa equipa que pudesse participar nesse calendário", explicou.

A Bora-Hansgrohe faz parte de um passado que não esquecerá, ainda mais porque foi com a equipa que esteve no World Tour e fez o Tour, Vuelta e no ano passado o Giro, um momento que considera ter sido o melhor de 2018, pois permitiu-lhe "fechar" a presença nas corridas de três semanas, como ambicionava. Porém, agora só está concentrado em recuperar da lesão e regressar o mais cedo possível à melhor forma e às corridas.

E claro, quando se fala de objectivos, os nacionais são sempre um para um ciclista que durante um ano vestiu orgulhosamente a camisola de campeão nacional, depois de a conquistar em 2016. "Todos os anos, em melhor ou pior condição física, estou presente. Só não fui quando nasceu o meu filho e foi muito perto da corrida. Eu faço sempre questão de estar presente", assegurou. Europeus, Mundiais também estão no seu horizonte e quer trabalhar para merecer a confiança do seleccionador José Poeira, não escondendo que gostaria de estar em Innsbruck, na Áustria, no próximo mês de Setembro.

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10 de abril de 2018

Convites para a Vuelta sem surpresas e a abrir a porta a três ciclistas portugueses

A Euskadi-Murias recebeu um muito desejado convite para a Vuelta
A subida da Burgos BH e da Euskadi-Murias ao escalão Profissional Continental, onde só estava a Caja Rural, representa uma melhoria nas condições das equipas espanholas, pelo que era expectável que fossem premiadas com a presença na Vuelta. Afinal um, senão o, principal objectivo para os patrocinadores que investiram nestes projectos. O director da corrida, Javier Guillén, já tinha deixado indicações que os convites para a próxima edição da Volta a Espanha seriam entregues às equipas do país, sobrando um, que ficou para a francesa Cofidis. Mas também aqui não há surpresa, pois esta é uma marca que tem investido muito no ciclismo de Espanha, inclusivamente no apoio às selecções.

A alegria de uns é a grande desilusão de outros, principalmente da Aqua Blue Sport e da Manzana Postobón. A irlandesa recebeu um dos convites em 2017 e logo no seu ano de estreia no ciclismo. Depois das peripécias de ter visto o seu autocarro arder e de ter a portuguesa LA Alumínios-Metalusa-BlackJack a ceder o seu, a Aqua Blue Sport conseguiu vencer uma etapa, por intermédio do austríaco Stefan Denifl. O director, Rick Delaney, escreveu nas redes sociais estar "furioso" com a situação, questionando os critérios de escolha.

"No ano passado não tínhamos história e conseguimos alguns convites fantásticos, este ano temos alguma história positiva e temos poucos ou nenhuns convites. Investi milhões neste desporto [...]. Sem corridas significa que não há tráfego no site, que significa que não há vendas e, logo, não há financiamento para a nossa equipa", lê-se. Delaney critica ainda nem ter havido a cortesia de um telefonema a dizer que a Aqua Blue Sport tinha sido preterida.

Já a colombiana Manzana Postobón, de Ricardo Vilela, foi principalmente uma animadora nas fugas, com o holandês Jetse Bol a ser uma das figuras da primeira semana, quando chegou a figurar no top dez.

Desta feita ficarão de fora, assim como a CCC Sprandi Polkowice. A equipa polaca de Amaro Antunes sabia que as possibilidades eram quase nulas, mas depois de ficar de fora da Volta a Itália, restava sonhar com a Vuelta, mas nada feito. Porém, as escolhas feitas podem permitir ter três portugueses na corrida. Na Caja Rural, Rafael Reis poderá repetir a presença de 2017 (foi 132º), com Joaquim Silva a ter em perspectiva uma estreia em grandes voltas.

Já para José Mendes poderá ser o regresso, ele que conta com duas participações na Vuelta, em 2013 (22º) e 2016 (54º), num total de cinco grandes voltas: dois Tours e um Giro. O ciclista português foi um dos reforços da Burgos BH, depois de cinco temporadas na estrutura da actual Bora-Hansgrohe.

Na Euskadi-Murias a notícia foi recebida efusivamente. "É um momento importante para o ciclismo basco e para o desporto basco em geral", salientou Jon Odriozola, director da equipa. Desde que a popular Euskaltel-Euskadi terminou, que no País Basco há muito se aguarda pelo aparecimento de uma estrutura que dê de novo àquela região uma referência no ciclismo. Nas provas em que tem participado, a Euskadi-Murias tem assumido sempre uma postura atacante, procurando estar nas fugas. E poderemos comprovar isso já a partir de sexta-feira, pois a formação basca, juntamente com a Burgos BH, será uma das equipas estrangeiras a marcar presença no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela. Estas duas formações espanholas têm sido presença regular em Portugal nos últimos anos, tal como a Caja Rural.

A Cofidis irá gerar um interesse maior do que em anos anteriores, pois a equipa contratou os irmãos Herrada, José e Jesús, que durante grande parte das suas carreiras foram duas figuras da Movistar, a única equipa espanhola no World Tour. Os Herrada juntaram-se a Luis Ángel Maté e Daniel Navarro.

A Volta a Espanha começa a 25 de Agosto com um contra-relógio de oito quilómetros em Málaga. Madrid consagrará o campeão a 16 de Setembro.

30 de março de 2018

Antigo ciclista da Efapel atropelado em Espanha e dois colombianos agredidos em Itália

(Fotografia: © Burgos BH)
Os últimos dias têm sido tristes para o ciclismo. Dois colombianos foram agredidos enquanto treinavam em Itália, um corredor espanhol que já representou a Efapel chocou de frente com um automóvel que circulava fora de mão e uma paraciclista morreu numa colisão com um camião. Nestes dois países tem crescido movimentos que apelam a uma maior segurança na estrada, sendo que em Espanha a luta tem sido intensa. #PorUnaLeyJusta tem sido a causa que está a apelar junto do governo a penas mais pesadas.

Esta sexta-feira, Diego Rubio, companheiro de José Mendes na Burgos BH e que em 2014 e 2015 representou a Efapel, publicou uma imagem no Twitter a mostrar o seu capacete partido depois de ter chocado de frente com um automóvel. O ciclista espanhol, de 26 anos, treinava em Navaluenga, zona de Ávila, quando o carro saiu da sua faixa. Rubio não conseguiu desviar-se e acabou por embater de frente. Já o companheiro que estava com o corredor teve mais sorte e evitou o embate. O ciclista foi transportado para o hospital, mas já garantiu que está bem, sem nada partido. "Seguimos sem endurecer as regras na estrada?" Lê-se na mensagem deixada por Rubio.

Na terça-feira, Daniel Martínez e Kristian Yustre foram agredidos por um condutor, num incidente que faz lembrar o que aconteceu no ano passado com Luís Mendonça e que afastou o ciclista do Louletano-Hospital de Loulé da Volta a Portugal. Os dois jovens colombianos, de 21 e 24 anos respectivamente, treinavam em Pistoia, na região da Toscana quando um condutor partiu para a agressão. Martinez chegou mesmo a perder a consciência.

Martinez e Yustre estavam acompanhados por outros dois ciclistas. O primeiro explicou ao El Tiempo o que aconteceu: "Estava a trabalhar e um carro queria praticamente matar-nos. Protestámos e ele ficou louco. Saiu do carro e agrediu-me, deu-me um murro e deixou-me KO. A um companheiro [Yustre] abriu-lhe o lábio e depois fugiu." A situação de Martinez foi preocupante, pois o ciclista da EF Education First-Drapac powered by Cannondale chegou a perder a memória.

Ao mesmo jornal, Yustre explicou que o compatriota já está a recuperar da amnésia, mas na terça-feira viveu momentos difíceis. O corredor da equipa italiana Amore & Vita-Prodir contou que algumas pessoas que estavam perto do local do incidente sabem quem é o homem e que ele e os companheiros apresentaram queixa na polícia. Yustre e Martinez foram levados para o hospital. O segundo passou lá na noite, mas ambos já estão em casa a recuperar. A formação americana que este ano contratou Martinez, ainda não sabe quando o seu ciclista poderá voltar à competição.


Novamente em Espanha, na quarta-feira o campeão nacional de 2016 de paraciclismo, José Angel Aceitón Chaparro, morreu após uma colisão com um camião, em Badajoz. A informação foi avançada pela Guarda Civil espanhola, mas não foram divulgados pormenores do acidente. O atleta tinha 34 anos.

Em Janeiro, Laurens De Plus e Petr Vakoc foram atropelados durante um treino na África do Sul e ainda estão a recuperar. Ainda não se sabe se Vakoc irá competir este ano. Bob Jungels treinava com os colegas da Quick-Step Floors, mas não foi afectado. O luxemburguès deixou uma mensagem a apelar ao respeito de todos os que andam na estrada, seja em que veículo for: "Todos devem considerar se vale a pena perder um ou dois minutos a ultrapassar-nos, ou a ver-se envolvido numa situação como a que estivemos há dois dias. Não estou a dizer que os ciclistas fazem tudo bem. Muitas vezes ocupamos demasiado da estrada, muitas vezes não respeitamos as regras, o que é justo dizer que também não é correcto."

São vários os casos e não apenas com ciclistas profissionais ou pertencentes a equipas. Em 2016, seis ciclistas da então Giant-Alpecin (actual Sunweb) foram atropelados em Espanha por uma condutora britânica que conduzia em contra-mão. No ano passado Michele Scarponi foi atropelado mortalmente perto de casa, a poucos dias do início da Volta a Itália. O homem que conduzia a carrinha estaria alegadamente a ver um vídeo no telemóvel. Em Portugal, o sub-23 Tiago Alves, da equipa Sport Ciclismo de São João de Ver, faleceu ao ser atingido por um veículo ligeiro.


21 de novembro de 2016

Ciclismo em África a crescer: ciclistas de qualidade e muito apoio do público

Temesgen Buru é um ciclista etíope que ambiciona fazer as grandes voltas
As imagens que durante a última semana foram sendo divulgadas da Volta ao Ruanda mostraram uma realidade um pouco inesperada, mas não inédita. Milhares de pessoas saíram à rua para apoiar os ciclistas numa prova realizada num dos países mais pobres do mundo, mas que claramente tem uma paixão enorme por esta modalidade. O ciclismo africano está a evoluir cada vez mais, muito devido ao Centro Mundial de Ciclismo da UCI, que tem formado atletas de países com menos recursos e também à Dimension Data que tem contratado alguns ciclistas africanos, que começam por rodar na equipa Continental, ambicionando chegar à equipa principal do World Tour.

Daniel Teklehaimanot, Merhawi Kudus e Natnael Berhane são três dos nomes que já se tornaram referência entre o ciclismo africano e mundial, ainda que Chris Froome continue a ser visto como um dos principais heróis, afinal, apesar de competir como britânico, nasceu no Quénia. E Temesgen Buru tem precisamente Froome como ciclista preferido. Buru é um dos jovens africanos que, aos 22 anos, tenta seguir um sonho que até há uns anos parecia impossível. "É mais fácil agora chegar ao World Tour do que há alguns anos. Foi muito importante os ciclistas que abriram caminho e eu agora quero também lá chegar", salientou o etíope ao Volta ao Ciclismo. Convidado para assinar pela equipa espanhola Burgos BH, Temesgen Buru espera agora evoluir para dar o salto para o nível mais alto do ciclismo.

Foi um dos corredores que participou na Volta ao Ruanda, terminando na sétima posição, depois de no ano passado ter sido sexto. Competiu em Portugal no Grande Prémio Joaquim Agostinho, sendo 75º. Ainda passou pelo Circuito da Malveira. Buru diz preferir provas por etapas e claro que ambiciona fazer as grandes voltas. "Se trabalhar muito, talvez consiga lá chegar", referiu. Apesar de admirar Froome, diz ter características mais parecidas com as de Alejandro Valverde, o que também significa que tem um espírito de lutador.

E lutou na Volta ao Ruanda, perante milhares de pessoas, num ambiente sensacional e que ganhou ainda mais expressão depois da desolação que foi assistir a uns Mundiais sem público em Doha. A competição recebeu ainda elogios pelo percurso e pela organização. O crescimento do ciclismo africano também passa cada vez pela realização de competições nos países daquele continente. Já agora, Valens Ndayisenga, ciclista da "casa" da equipa continental da Dimension Data tornou-se no primeiro a vencer a Volta ao Ruanda duas vezes.


Sempre se questionou porque razão não havia mais atletas africanos no ciclismo, pois no que diz respeito ao atletismo, claramente demonstram ter capacidade física para esforços intensos e longos. Porém, a resposta acabava por ser simples: falta de condições, fosse de material (principalmente bicicletas) como também financeiras para formar equipas que pudessem formar jovens. A Dimension Data tem feito um papel solidário de extrema importância ao entregar bicicletas a muitas crianças e jovens. A UCI fez o referido centro que permite aos ciclistas explorar o seu potencial.


O resultado está à vista: hoje existe uma equipa sul-africana no principal escalão, já não se estranha em ver um ciclista africano competir e alcançar bons resultados, falta agora um campeão numa grande competição. Lá chegaremos, certamente.

»»Um clube de formação de referência como homenagem a um dos maiores nomes do ciclismo: José Maria Nicolau««

»»Foi dado como morto e agora voltou a pedalar nos 30 minutos mais especiais da sua vida««