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15 de outubro de 2018

Gémeos Oliveira já têm equipa no World Tour

Mais dois portugueses vão estrear-se no World Tour em 2019. Os gémeos Oliveira dão o salto mais do que esperado, tendo assinado por duas temporadas pela UAE Team Emirates. Ivo e Rui juntam-se assim a Amaro Antunes, que também irá realizar a sua primeira temporada ao mais alto nível, com a CCC, que vai "tomar conta" da estrutura da BMC. Aos 22 anos, depois de dois na Hagens Berman Axeon, os gémeos vêem assim compensado todo o trabalho feito desde muito novos, que começou na pista, mas com as boas exibições na estrada a tornarem-se cada vez mais regulares. Não existem dúvidas que se está perante dois enormes talentos.

Axel Merckx, director da equipa americana - que ajudou na formação destes ciclistas, depois de evoluírem na estrutura actualmente com o nome Liberty Seguros-Carglass (Bike Clube de Portugal) -, afirmou quando os contratou que os gémeos "só precisam de passar esse talento da pista para a estrada". Foi nesse trabalho que incidiu a passagem de dois anos dos gémeos pela Hagens Berman Axeon, mas a presença na pista fez sempre parte da evolução de Ivo e Rui. Depois de títulos conquistados nas camadas jovens, também já conquistam medalhas como atletas de elite.

"No mercado à procura de talentos, a UAE Team Emirates, encontrou um negócio duplo: os gémeos portugueses Ivo e Rui Oliveira, dois dos corredores mais promissores no ciclismo internacional", lê-se no comunicado da equipa. Segue-se uma descrição dos feitos dos gémeos, com destaque natural para a pista, mas também para os títulos nacionais conquistados como sub-23. Ivo é o campeão de contra-relógio e Rui o de fundo.

Ambos estiveram muito activos nas escolhas da equipa para diversas corridas. Entre os bons resultados de Ivo, destaca-se a vitória na quarta etapa do Circuit des Ardennes International. Teve ainda a oportunidade de se estrear numa corrida World Tour, na Volta à Califórnia. Esteve presente nas etapas disputadas ao sprint que contaram com ciclistas como Fernando Gaviria e Peter Sagan, por exemplo.

Rui não esteve na Califórnia, mas realizou uma boa temporada, começando logo por se destacar o sétimo lugar na clássica belga de Handzame. Foi muito regular todo o ano e no Tour de l'Avenir muito tentou uma vitória. Não conseguiu, mas nas etapas que lhe assentavam, antes de chegar a alta montanha, o pior que fez foi um 10º lugar, além do 17º no contra-relógio colectivo.

Depois de um ano de adaptação a uma realidade diferente na Hagens Berman Axeon, tanto Ivo como Rui tinham dito que queriam afirmar-se definitivamente em 2018, ainda mais com a subida de escalão da equipa, que passou a ser Profissional Continental. Dito e feito.

Esta é uma equipa com um historial cada vez mais impressionante de colocar ciclistas ao mais alto nível. Tao Geoghegan Hart (Sky), Neilson Powless (Lotto-Jumbo), Gregory Daniel e Jasper Stuyven (Trek-Segafredo), Lawson Craddock e Joe Dombrowski (EF Education First-Drapac p/b Cannondale)... A lista continua e já tem um português. Ruben Guerreiro também passou pela estrutura americana antes de assinar pela Trek-Segafredo.

O campeão nacional de 2017 prepara-se para mudar-se para a Katusha-Alpecin, onde irá encontrar José Gonçalves. Já Tiago Machado estará de saída e talvez de regresso a Portugal. Incertos continuam os futuros de Rui Costa, que está precisamente equipa que agora contratou os gémeos Oliveira, UAE Team Emirates, e de Nuno Bico, na Movistar. Já Nelson Oliveira tem contrato até 2019 com a equipa espanhola.

Portanto, Portugal tem garantida a presença de seis ciclistas no World Tour em 2019, com três estreias previstas. De recordar que na Hagens Berman Axeon está actualmente um outro português que também já está debaixo de olho de grandes equipas: João Almeida (20 anos).

De referir que a UAE Team Emirates passou em 2018 a contar com um dos homens de maior experiência no ciclismo e que conhece bem o talento que aparece nas camadas jovens do ciclismo português. Joxean Fernández, ou simplesmente Matxín, liderou vários projectos com sucesso, tendo entre 2015 e 2017 sido um "caça-talentos" da Quick-Step Floors. Na equipa dos Emirados Árabes Unidos, regressou ao papel de director desportivo.

Como curiosidade, esta não é a primeira vez que a UAE Team Emirates aposta em talentos que despontam na pista. Na equipa está Filippo Ganna, italiano de 22 anos que Ivo Oliveira sabe quem é. O ciclista português mediu forças com Ganna nas finais de um Europeu e de um Mundial em perseguição individual, com o italiano a levar a melhor. Porém, ainda não se sabe se serão companheiros, pois Ganna não tem contrato confirmado para 2019.


16 de agosto de 2018

Equipa portuguesa ambiciosa para a Volta a França do Futuro

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Se há equipa que tem um grupo de ciclistas que tem potencial para receber muita atenção na Volta a França do Futuro, é o da selecção portuguesa. São corredores que demonstram enorme qualidade apesar de ainda serem muito jovens. À cabeça está um João Almeida que está a realizar um 2018 a todos os níveis fantástico, naquele que está a ser o seu primeiro ano na Hagens Berman Axeon. É vista por muitos como uma das melhores equipa de formação, orientada por Axel Merckx e que conta com mais dois portugueses que começam a demonstrar na estrada toda a qualidade já reconhecida na pista: Ivo e Rui Oliveira, que também estarão na corrida francesa.

Para lutar por um bom resultado na mais importante prova por etapas de sub-23, José Poeira chamou também Tiago Antunes, ciclista que começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo, tendo em Abril optado por mudar-se para a equipa espanhola de Manolo Saiz, a Aldro Team, mas no início deste mês passou a estagiar na SEG Racing Academy. É um projecto holandês de formação por onde passaram Fabio Jakobsen - uma das estrelas em ascensão na Quick-Step Floors -  e Stephen Williams, britânico que está a estagiar com a Bahrain-Merida, mas já assinou contrato até 2020.

A completar a selecção estão dois ciclistas que competem em Portugal. André Ramalho (Jorbi/Team José Maria Nicolau) e Marcelo Salvador (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés) fazem desta equipa uma que tem corredores para todos os terrenos que irão ser enfrentados neste Tour de l'Avenir, o nome oficial da competição.

João Almeida tem sido dos jovens ciclistas em destaque nesta temporada. Venceu a Liège-Bastogne-Liège de sub-23, foi quinto na Ronde de l'Isard e ganhou a classificação da juventude, tendo feito o mesmo no Giro para o seu escalão, no qual foi segundo na geral.

"É uma equipa equilibrada, com corredores capazes de estar com os melhores nas etapas de montanha, mas também com elementos prontos para se baterem pelas primeiras posições nos dias em que os sprinters tiverem oportunidades. Além disso, completa-se com jovens que sabem cumprir a missão de trabalhar para o colectivo e que chegam a este momento da época com a frescura física necessária para enfrentar um desafio com a importância e a exigência da Volta a França do Futuro", salientou o seleccionador José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Se há prova que tem ajudado a impulsionar a carreira de muitos ciclistas, tem sido esta. Egan Bernal (Sky), David Gaudu (Groupama-FDJ), Marc Soler (Movistar), Miguel Ángel López (Astana), Warren Barguil (Fortuneo-Samsic), Johan Esteban Chaves (Mitchelton-Scott), Nairo Quintana (Movistar), fazem parte de uma lista de corredores que venceram o Tour de l'Avenir e que hoje são algumas das principais figuras do ciclismo mundial. Isto só para referir dos mais recentes.

Nesta edição, há mais um colombiano que é forte candidato a juntar-se a este lote de luxo. Ivan Ramiro Sosa é um dos ciclistas que será seguido atentamente. Tem apenas 20 anos e estará a caminho da Trek-Segafredo, depois de na Androni Giocattoli-Sidermec ter aparecido a grande nível na Volta aos Alpes e há cinco dias conquistou a Volta a Burgos.

Pode ver aqui a lista de inscritos.

Etapas
1ª: Grand-Champ - Elven, 138,2 km
2ª: Drefféac - Châteaubriant, 144,2
3ª: Le Lude - Châteaudu, 171,2
4ª: Orléans - Orléans, 20,2 (contra-relógio por equipas)
5ª: Beaugency - Levroux, 145,8
6ª: Le Blanc - Cérilly, 181,1
7ª: Moutiers - Méribe, 35,4
8ª: La Bathie - Crest-Voland Cohennoz, 81,1
9ª: Séez - Val d'Isère, 83

23 de junho de 2018

"Eles trabalham muito. As pessoas nem imaginam"

Rui Oliveira sagrou-se campeão nacional de fundo de  sub-23,
um dia depois do irmão ter ganho o título no contra-relógio
Quando um gémeo ganha, o outro não costuma deixar-se ficar! Tem sido assim na ainda curta carreira de Ivo e Rui Oliveira, primeiro na pista e agora a conquista de títulos começou a ter currículo também na estrada. Na sexta-feira Ivo sagrou-se campeão nacional de contra-relógio de sub-23. Um dia depois, Rui vestiu a camisola de campeão de fundo, na mesma categoria. Dois dias perfeitos acompanhados sempre de perto pela família. Hélder é o irmão mais velho, também ele já com passado na modalidade, mas há ainda o "pai dos gémeos", como é tratado. Fernando Oliveira assistiu a mais uma vitória e acredita que os filhos irão muito longe. Porquê? "Eles trabalham muito. As pessoas nem imaginam. Eles trabalham mais do que os outros. Eu sempre lhes disse: 'Nós para sermos campeões temos de trabalhar mais do que os outros.' E eles fazem isso e, por isso, estas coisas estão a acontecer naturalmente."

Rui não conseguia esconder a emoção da difícil conquista em Belmonte, nuns Nacionais marcados pelo muito calor. "Ele tem sido muito regular na Hagens Berman Axeon, com lugares no top 10 e eu sempre pensei que um dia o Rui iria vencer. Aconteceu no campeonato nacional. É ouro sobre azul! Estou muito feliz e feliz pelos meus filhos terem conseguido este objectivo de fazer uma dobradinha", contou ao Volta ao Ciclismo. A festa do São João ganhou outra cor para os ciclistas de Gaia, mas nem tudo tem sido fácil para os gémeos de 21 anos. Com a família a viver intensamente a carreira dos dois ciclistas, Fernando Oliveira confessou que ele e a mãe de Ivo e Rui passam por momentos difíceis. "Eu e a minha mulher passámos por muito. Sofre-se com as emoções todas. Ficamos com a adrenalina toda quando as coisas correm bem. Quando correm mal, temos de saber suportar isso e não é nada fácil. Não podemos nada ir abaixo", referiu.

O pódio: João Almeida, Ivo Oliveira e André Carvalho
E se há alguém que tem tido alguns azares, Ivo e Rui podem colocar o braço no ar. Quedas, fracturas, algumas paragens mais prolongadas já os afastaram de certas corridas: "Não é fácil lidar com esses azares. É muito complicado para nós e muito mais para eles. Eles têm tido muitos azares. Eu costumo dizer que Deus é grande e disse-lhes que lutai sempre que Deus vos vai ajudar. E as coisas têm acontecido, umas más, umas boas e hoje e ontem aconteceram coisas muito boas."

Fernando Oliveira recordou que os filhos sempre gostaram de ciclismo. "Nós só acompanhámos. Gastámos muito, tivemos muita despesa... Esta modalidade não é nada barata! Mas investimos e valeu a pena." O pai dos gémeos acrescentou que desde cedo percebeu que todo o esforço para dar as melhores condições aos filhos não seria em vão: "Quando eles começaram a andar de bicicleta vi que tinham grande talento. Sempre tive confiança neles e por isso é que eu e a mãe investimos."

A mudança para a Hagens Berman Axeon, de Axel Merckx, tem tido um papel preponderante na evolução destes dois ciclistas. "Sem dúvida nenhuma. O maior veículo disto tudo foi a pista, foi o que os lançou. A Hagens Berman Axeon estava atenta e viu que eles tinham talento e podiam ir mais além e foi uma evolução tremenda. Eles têm dado saltos lentos, mas de grande evolução", disse. E Fernando Oliveira não tem dúvidas que a margem de progressão ainda é grande.

Enquanto o pai falava sobre as conquistas dos filhos, Rui ia celebrando com o irmão, mas também com o companheiro de equipa João Almeida, que repetiu o segundo lugar na prova do fundo, depois de o ter feito no contra-relógio. Rui não conseguiu esconder as lágrimas, num momento em que a emoção tomou conta deste jovem talentoso ciclista. "Este ano já fiz 15 top 10 e nunca ganhei nada. Foi mais o querer do que a força", afirmou. "Ataquei a 30 quilómetros da meta. Vinha muito cansado. Não sei como tive força para aguentar até ao fim. Tive quase a desfalecer a cinco quilómetros da meta. Já não conseguia ver nada a frente", acrescentou.

O grupo da frente, ainda com Rui Oliveira, na difícil subida
no último 1,5 quilómetro do circuito de Belmonte
A corrida foi muito movimentada desde o início. Rui entrou na fuga inicial, na qual mais tarde se juntaram os companheiros de equipa Ivo Oliveira e João Almeida. O agora campeão nacional de sub-23 salientou o quanto foi importante o trabalho dos dois, quando no grupo estava também Pedro Miguel Lopes e André Carvalho, da Liberty Seguros-Carglass, por exemplo. Com receio de não ter força para sprintar, caso ficasse no grupo até final, Rui atacou e foi uma exibição que não esquecerá. André Carvalho acabaria por ficar com a medalha de terceiro classificado.

"É o nosso último ano de sub-23 e nunca tínhamos feito grandes resultados nos nacionais. Trabalhámos bem para este sucesso. Viemos reconhecer os percursos várias vezes, tendo a sorte de o nosso irmão mais velho, ex-ciclista, nos ajudar, porque sabe ler bem corridas", concluiu Rui Oliveira sobre o seu título e o de Ivo.

Os nacionais encerram este domingo com a corrida de elite (11:30), 181,8 quilómetros, os primeiros 76 pelo concelho e depois será um percurso a passar pelo centro da vila, com o campeão a ser conhecido na quinta passagem pela meta. Há um ano Ruben Guerreiro  (Trek-Segafredo) sagrou-se campeão em Gondomar. Dos ciclistas que competem no estrangeiro, Ricardo Vilela é uma baixa de última hora. O corredor da Manzana Postobón sofreu uma queda este sábado, na derradeira etapa da prova francesa Le Tour de Savoie Mont Blanc. Nelson Oliveira (Movistar) e Rui Costa (UAE Team Emirates), dois ciclistas que já foram campeões nacionais, também não estarão presentes em Belmonte.

Pode ver as classificações completas dos sub-23 por baixo da imagem.


Resultados sub-23 (160,4 quilómetros, a uma média de 38,409 quilómetros/hora):
1º Rui Oliveira (Hagens Berman Axeon), 4:10:34 horas
2º João Almeida (Hagens Berman Axeon), a 59 segundos
3º André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass), a 1:35 minutos
4º Hugo Nunes (Miranda-Mortágua), a 3:21
5º Tiago Antunes (Aldro Team), a 3:40
6º Jorge Magalhães (Miranda-Mortágua), a 3:50
7º Pedro Miguel Lopes (Liberty Seguro-Carglass), a 8:31
8º Ivo Pinheiro (ACDC Trofa-Trofense), a 8:34
9º Marcelo Salvador (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), a 8:39
10º Ivo Oliveira (Hagens Berman Axeon), a 10:29
11º Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), a 11:42
12º Francisco Campos (Miranda-Mortágua), a 11:44
13º Venceslau Fernandes (Liberty Seguros-Carglass), m.t.
14º Leonel Firmino (FGP-CUBE-Bombarral), a 11:47
15º Paulo Silva (Fortunna-Maia), m.t.
16º João Carneiro (Liberty Seguros-Carglass), a 11:49
17º André Evangelista (Aviludo-Louletano-Uli), a 11:52
18º Gonçalo Carvalho (Miranda-Mortágua), 11:56
19º Francisco Morais (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), a 12:15
20º Iúri Leitão (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), a 18:29
21º Marvin Scheulen (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), a 21:04
22º José Sousa (Miranda-Mortágua), m.t.

14 de abril de 2018

João Almeida vence Liège-Bastogne-Liège e Rui Oliveira qualifica Portugal para os Mundiais

(Fotografia: Hagens Berman Axeon)
O futuro chegou. De promessas têm cada vez menos, pois são cada vez mais uma confirmação. Hoje foi um grande dia para os sub-23 portugueses. João Almeida venceu a Liège-Bastogne-Liège deste escalão e Rui Oliveira foi sétimo no ZLM Tour, resultado que garantiu a presença da selecção portuguesa sub-23 nos Mundiais de Innsbruck, em Setembro. Os dois pertencem à equipa da Hagens Berman Axeon e estes excelentes resultados acontecem uma semana depois de Ivo Oliveira ter vencido a última etapa do Circuit des Ardennes.

Mas há que começar por um dos grandes momentos do ciclismo nacional. João Almeida venceu uma das principais clássicas nos sub-23, pois mesmo não estando incluída na Taça das Nações, basta ser uma das corridas que em elite é considerado um monumento, pelo que vencer nos escalões mais jovens é do mais prestigiante para os ciclistas que ambicionam alto. Almeida confessou no final que tinha acabado de concretizar um segundo sonho este ano: o primeiro foi ir para a Hagens Berman Axeon, o segundo, vencer a Liège-Bastogne-Liège.

Este é um ciclista que tem razões para sonhar bem alto. Estamos a falar de um corredor que dominou os escalões de juniores, juntamente com Daniel Viegas (actualmente na equipa sub-23 de Alberto Contador, a Polartec-Kometa), e que não hesitou em ir para o estrangeiro com apenas 18 anos.

Na Unieuro Trevigiani-Hemus 1896 venceu uma etapa no Tour de Mersin (Turquia), na Toscana Terra di Ciclismo Eroica e na Volta à Ucrânia, onde foi ainda o vencedor da classificação da juventude. Ainda a época não tinha terminado e a Hagens Berman Axeon tinha apresentado um contrato a João Almeida. A resposta está aí. É considerada uma das melhores equipas de formação e Axel Merckx tem colocado muitos ciclistas no World Tour, como foi o caso de Ruben Guerreiro. O director da equipa reagiu à vitória de Almeida no Twitter e dificilmente podia ser mais expressivo: "Yeaaaaaahhhhh!"

O melhor resultado na Liège-Bastogne-Liège tinha sido precisamente de Guerreiro, agora da Trek-Segafredo. Foi terceiro, atrás de Logan Owen - que era seu companheiro de equipa e agora está na EF Education First-Drapac p/b Cannondale - e de um "tal" Pavel Sivakov, um dos ciclistas que mais curiosidade está a gerar actualmente, tendo este ano assinado pela Sky.

Recuando um pouco na lista de vencedores encontramos Michael Valgren (Astana e que este ano ganhou a Omloop Het Nieuwsblad), Tosh Van der Sande (Lotto Soudal), Ramunas Navardauskas (Bahrain-Merida), Jan Bakelants (AG2R) e Grega Bole (Bahrain-Merida). Mais recentemente triunfaram Bjorg Lambrecht (Lotto Soudal) e Guillaume Martin (Wanty-Groupe Gobert), dois jovens que este ano se vão estrear na elite e sobre os quais recai enorme expectativa para os seus futuros.

Recentemente, numa entrevista ao Volta ao Ciclismo, João Almeida salientou que sentia que tinha "de corresponder à expectativa", apesar de os responsáveis da equipa não lhe estarem a colocar pressão. "Não me pediram nada de especial. Apenas para estar numa boa forma e para gostar do que faço", disse então (poder ler aqui a entrevista completa). Podem não lhe ter pedido nada de especial, mas, com apenas 19 anos, João Almeida conseguiu algo muito, muito especial.

De referir ainda o 20º lugar de Ivo Oliveira, a 40 segundos do companheiro de equipa. Já Tiago Antunes foi 107º, a 10:14, naquela que foi a última corrida do português com a camisola do Centro Mundial de Ciclismo da UCI. Antunes escreveu no Facebook que lhe foi "prometido um calendário recheado com corridas UCI, incluindo o Giro para sub-23, a verdade é que tal não tem sido cumprido". Assinou pela Aldro Team, equipa sub-23 de Manolo Saiz.

Classificação via ProCyclingStats (texto continua em baixo).


E no ZLM Tour...

Da Bélgica para a Holanda. A Selecção Nacional procurava garantir desde já o apuramento para os Mundiais no ZLM Tour, esta sim uma corrida da Taça das Nações. O objectivo estava bem definido: ficar entre os 15 primeiros para assim pontuar. Era tudo o que era necessário para a questão da qualificação ficar resolvida.

José Poeira seleccionou um grupo de muita qualidade e foi Rui Oliveira quem selou a presença de Portugal nos Mundiais de Innsbruck, na Áustria. O ciclista foi sétimo, numa corrida ganha pelo italiano Matteo Moschetti, que tem somado vitórias na Polartec-Kometa de Alberto Contador e já garantiu um contrato com a Trek-Segafredo.

"A equipa esteve bem ao longo de toda a corrida, cumprindo o objectivo de estar na discussão do ZLM Tour e de garantir os primeiros pontos na Taça das Nações. Agora há que pensar no futuro e, especialmente, na Corrida da Paz, outra prova da Taça das Nações, na qual um bom desempenho pode valer o apuramento para a Volta a França do Futuro", realçou o seleccionador José Poeira.

Quanto aos outros portugueses, a corrida não foi fácil. André Crispim sofreu uma queda, mas chegou no pelotão (37º), Francisco Campos foi 100º, a 2:14 minutos, Daniel Viegas, 110º, a 5:30, Miguel Salgueiro, 111º, também a 5:30. Marvin Scheulen, que furou numa altura decisiva da prova, abandonou.


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6 de abril de 2018

Estarão os gémeos Oliveira e João Almeida a caminho de uma corrida do World Tour?

Ficar de fora da Volta à Califórnia quando a corrida passou a pertencer ao calendário World Tour foi uma enorme desilusão para a então Axeon Hagens Berman. As regras nem permitem que equipas do terceiro escalão sejam convidadas, mas a organização pediu autorização à UCI e houve wildcard para duas. Ainda assim, a de Axel Merckx ficou de fora, com alguma surpresa. A atitude desta equipa é sempre de nunca desistir. Os seus ciclistas são incutidos com esse espírito de luta, que faz parte de todo um extenso processo que faz desta estrutura a referência entre a formação de jovens corredores. Merckx reagiu e conseguiu os apoios necessários para subir ao escalão Profissional Continental. Não era garantia que conseguisse estar na prova californiana, a principal do calendário dos EUA, mas agora o objectivo da temporada está confirmado: a Hagens Berman Axeon (ordem dos patrocinadores foi alterada este ano) estará na Califórnia.

"WE'RE BAAAAAAAAAACCKKK!!!" (Estamos de volta!) Foi assim que Axel Merckx celebrou nas redes sociais o anúncio das equipas que vão estar na 13ª edição da Volta à Califórnia. Para todos os seus jovens ciclistas é aquele impulso que estavam à espera para se concentrarem em mostrar tudo o que valem para tentar estar entre os sete eleitos. A ambição e motivação está sempre lá, mas a perspectiva de poder estar numa corrida do principal calendário é sempre algo diferente, ainda mais quando se fala de ciclistas à procura de "dar o salto".

Esta tem sido uma equipa que raramente passa despercebida na Volta a Califórnia. O próprio Ruben Guerreiro apresentou muitos dos seus créditos nesta prova, então pertencente ao segundo nível do calendário internacional. Foi por isso que ao ser aberta a porta a duas equipas Continentais em 2017 quando subiu ao World Tour, causou alguma surpresa um dos convites não ter ido para Merckx e para os seus corredores. As felizardas foram a Rally Cycling - e que bem esteve com Evan Huffman a ganhar duas etapas -  e a Jelly Belly p/b Maxxis. Esta última não seguiu o exemplo da Hagen Axeon Berman, Rally Cycling e Holowesko-Citadel p/b Arapahoe Resources, que pediram a licença Profissional Continental. 

Os originais equipamentos da Jelly Belly não serão vistos na edição desta temporada, já que não haverá espaço para equipas Continentais entre as inscrições das estruturas do World Tour e as do segundo escalão. Porém, a razão pela qual nem a equipa de Merckx, nem as restantes americanas que em 2018 são Profissionais Continentais podiam estar descansadas, era porque poderiam ser de mais para as vagas disponíveis. Dito e feito. A Novo Nordisk, formação conhecida por ser constituída por ciclistas diagnosticados com diabetes, ficou de fora. A prioridade vai sempre para as do escalão máximo.

Quanto aos portugueses da Hagens Berman Axeon, nenhum esconde o desejo de estar na Volta à Califórnia e os gémeos Oliveira poderão estar bem colocados para uma chamada. Estão no segundo ano com a equipa, a sua evolução tem sido visível e muito positiva. E que bom seria ver Rui Oliveira sprintar ao lado de Peter Sagan, Mark Cavendish, Marcel Kittel, Fernando Gaviria e Alexander Kristoff, quatro dos ciclistas pré-inscritos para a corrida americana.

Já João Almeida pode ter como desvantagem estar há poucos meses na equipa - em 2017 esteve na Unieuro Trevigiani-Hemus 1896 - e pelos seus apenas 19 anos. Contudo, analisando a equipa, muitos são os novos rostos para esta época e a faixa etária não varia muito, não fosse afinal a aposta em jovens de qualidade. Os seus resultados são animadores, pelo que até 13 de Maio, quando o pelotão partir de Long Beach, o ciclista português ainda pode convencer Axel Merckx.

Almeida é um dos grandes talentos do ciclismo nacional, que juntamente com Daniel Viegas (actualmente na equipa de sub-23 da Polartec-Kometa, de Alberto Contador) dominou o escalão de juniores. Apesar da idade, demonstra enorme maturidade, pelo que certamente alimenta a esperança - e com razão - de ser chamado. A confiança da equipa ficou logo demonstrada com o contrato de dois anos que lhe foi dado e tem sido frequentemente chamado para as corridas que estão a ser feitas no continente europeu.

E ser dos reforços de 2018 não é algo que afaste de imediato seja quem for de uma convocatória. Longe disso. O belga Jasper Philipsen (20) tem sido a figura ganhadora, somando três das quatro vitórias da equipa. O campeão mundial de contra-relógio de sub-23 foi outra das contratações e Mikkel Bjerg, dinamarquês de 19 anos, já venceu pela Hagens Berman Axeon, mas tem andado pouco activo. Por outro lado há William Barta. O americano, de 22 anos, está há quatro na estrutura e seria estranho vê-lo ficar de fora.

O périplo que a equipa está actualmente a realizar pela Europa, entre Bélgica, Itália e agora em França, poderá ser decisivo para alguns ciclistas. Portanto, nada como "somar pontos". Na primeira etapa do Circuit des Ardennes, Rui Oliveira foi o melhor da Hagens Berman Axeon, ao cortar a meta em sétimo, com o mesmo tempo do vencedor, John Murphy (Holowesko-Citadel p/b Arapahoe Resources). João Almeida foi 24º e Ivo Oliveira 55º, com ambos a terminarem no grupo principal. A prova termina no domingo e nesse dia haverá dupla jornada.

Um dos antigos pupilos de Merckx também deverá viajar até à Califórnia, pois a Trek-Segafredo tem planeado levar Ruben Guerreiro. As sete etapas são distribuídas por três para sprinters, três para trepadores e um contra-relógio individual pouco plano. Agora é esperar para ver se os três jovens portugueses da Hagens Berman Axeon conseguem juntar-se ao compatriota e que veste a camisola de campeão nacional

De recordar que há um ano o vencedor foi o neozelandês da Lotto-Jumbo, George Bennett, com Peter Sagan a ser a grande estrela por terras americanas, detendo o recorde de 16 etapas, além de uma surpreendente vitória na geral em 2015.

As equipas presentes serão:

World Tour: AG2R, BMC, Bora-Hansgrohe, Dimension Data, EF Education First-Drapac p/b Cannondale, Katusha-Alpecin, Lotto-Jumbo, Mitchelton-Scott, Quick-Step Floors, Sky, Sunweb, Trek-Segafredo, UAE Team Emirates;


Profissional Continental: Hagens Berman Axeon, Holowesko-Citadel p/b Arapahoe Resources, Rally Cycling e UnitedHealthcare.

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»»Daniel Viegas: "O Contador é alguém que nos pode ajudar a evoluir e é sempre bom ouvir as suas palavras"««

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1 de março de 2018

Rui Oliveira com o melhor resultado de Portugal em Mundiais de Pista... por agora

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
A ambição é grande e logo na primeira corrida com participação portuguesa, um dos três ciclistas lusos presentes nos Mundiais de Pista deixou o aviso: a selecção nacional não quer sair de Apeldoorn sem uma medalha. Para começar, Rui Oliveira fez o melhor resultado de sempre de Portugal nos Mundiais de Pista de elite, ao ser quinto na corrida de scratch. A cada competição que passa, os gémeos Oliveira não desperdiçam a oportunidade para ir escrevendo uma história cada vez mais prometedora de grandes sucessos.

No velódromo holandês estão os melhores do mundo. Rui Oliveira é agora o quinto, depois de ter sido sexto nos Europeus nesta prova. O ciclista de Gaia foi calculista. Correu com cabeça, como se costuma dizer. Avaliou a sua condição, a dos adversários e foi atrás do melhor resultado. Infelizmente, numa perspectiva portuguesa, três ciclistas escaparam e ganharam uma volta ao grupo. Ainda a corrida não ia a meio e o bielorrusso Yauheni Karaliok, o italiano Michele Scartezzini e o australiano Callum Scotson praticamente garantiram que decidiriam as medalhas entre eles. Assim foi, com o pódio a ficar na ordem escrita.

Não haveria medalhas para os restantes, mas não havia razões para ninguém baixar os braços. Afinal estamos nuns Mundiais. A corrida foi muito movimentada. Houve quem tentasse conquistar também uma volta, mas os ataques e contra-ataques não deram em nada. Por onde andava Rui Oliveira? Resguardado no grupo. Esperou pelo momento certo para atacar e só o ucraniano Roman Gladysh foi com ele, acabando por ser mais forte sobre a meta. Foi impossível não pensar "que pena aquele trio ter escapado tão cedo"!


Rui Oliveira tem apenas 21 anos e foi o quinto melhor a nível mundial numa corrida tão imprevisível, na qual raramente alguém conquista mais do que uma camisola do arco-íris na carreira. "As sensações não foram as melhores e sabia que no sprint acabaria por não conseguir um bom resultado. Reservei tudo o que tinha para a melhor oportunidade. Esta surgiu e eu aproveitei. Tinha de ser ali. Ataquei com força e tive alguma sorte, porque os adversários não responderam de imediato", contou o ciclista, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

As declarações do seleccionador Gabriel Mendes descrevem perfeitamente o que está a acontecer no ciclismo de pista nacional: "É mais um sinal da nossa evolução e do crescimento sustentado do ciclismo de pista português. O Rui teve uma prestação irrepreensível, sob os pontos de vista táctico e técnico, tendo em conta as condições em que a prova se desenrolou."

Rui regressa ao velódromo de Apeldoorn para competir no omnium, no sábado. Antes, esta sexta-feira, as atenções vão virar-se para o irmão. Ivo irá apresentar-se na perseguição individual, sendo o actual vice-campeão europeu. Em Hong Kong, há um ano, foi sexto, o que era até esta quinta-feira o melhor resultado português nos Mundiais. Em Outubro, nos Europeus, Ivo Oliveira fez 4:14.570 minutos nos quatro quilómetros que tem de percorrer nesta prova. O tempo é de nível mundial, mas a concorrência será feroz. O italiano Filippo Ganna, campeão europeu e antigo campeão mundial, e o britânico Charlie Tanfield, por exemplo, têm feito um tempo mais baixo.

Porém, Ivo é um candidato às medalhas. Para isso terá de fazer um dos quatro melhores tempos nas qualificações, que começam às 14:00. Caso faça um dos dois melhores, irá discutir o ouro, com pelo menos a prata a estar garantida, se fizer o terceiro ou quarto, irá atacar a medalha de bronze. Se tudo correr bem e o ciclista português chegar a uma das finais, estas poderão ser vistas no Eurosport2, partir das 19:00.

João Matias entrará em acção às 17:30. Nesta edição dos Mundiais, o corredor da Vito-Feirense-BlackJack irá estar apenas na corrida por pontos - em Hong Kong competiu também no scratch - e o primeiro objectivo é melhorar o 19º lugar de 2017. No último ano, Matias começou a aparecer muito bem tanto na estrada, como na pista. É o campeão nacional de perseguição individual e também na corrida de eliminação e mesmo que em Apeldoorn possa não surgir na lista de favoritos, o que fez há um ano no scratch demonstra como pode muito bem intrometer-se na luta pelos lugares cimeiros.

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22 de fevereiro de 2018

Gémeos Oliveira e João Matias ambiciosos para os Mundiais de Pista

Ivo Oliveira e João Matias estarão este ano acompanhados por Rui Oliveira
nos Mundiais de Pista, que se realizam entre 28 de Fevereiro e 4 de Março
Os objectivos no ciclismo de pista em Portugal vão sendo cada vez mais elevados. Com os gémeos Oliveira (21 anos) a conquistarem medalhas já na categoria de elite, tanto nos Europeus, como em Taças do Mundo, agora é altura de atacar os Mundiais, em Apeldoorn, na Holanda. A acompanhar Ivo e Rui estará João Matias (26), que há um ano foi protagonista de uma exibição fantástica no scracht e que por muito pouco não lhe valeu uma medalha. Se continuar a ganhar experiência é importante, ainda mais quase se aproxima o início da qualificação olímpica, a ambição cresceu muito desde os Mundiais de Hong Kong e alcançar um pódio já não se fica pelo sonho, é um objectivo para a equipa nacional.

"Depois do pódio na Taça do Mundo, quero tentar bater-me outra vez pelo pódio", afirmou Ivo Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. O corredor da Hagens Berman Axeon está convicto que poderá melhorar o sexto lugar na prova de perseguição individual alcançado em 2017. "Venho de dez dias de estágio com a minha equipa. As sensações e os testes que fiz foram bons. Preparei-me melhor do que há um ano e acredito que posso melhorar o resultado. O facto de o Mundial ser mais cedo também ajuda, porque chegarei lá com menos desgaste. Agora, é esperar que esteja num dia 'sim'", salientou.

Os três ciclistas portugueses vão distribuir-se por quatro disciplinas. Rui Oliveira - que em 2017 não esteve presente nos Mundiais - abre e fecha a presença nacional. No dia 1 (quinta-feira), às 19:00, compete na prova de scratch. No dia 3 alinha nas quatro corridas pontuáveis do omnium, entre as 13:40 e as 20:00. Na sexta-feira, dia 2, Ivo Oliveira entrará em acção. O apuramento na perseguição individual realiza-se a partir das 14:00, com a final a estar agendada para as 19:00. Quanto a João Matias, também competirá neste dia, mas na corrida por pontos (17:30). O ciclista da Vito-Feirense-BlackJack começou 2018 com dois títulos nacionais na pista, na corrida de eliminação e na perseguição individual.

Além de tentar o pódio na perseguição individual, a equipa portuguesa irá procurar ficar nos oito primeiros lugares nas restantes provas. Sendo o omnium uma disciplina olímpica, a competição acaba por ter um papel central nos objectivos que se seguirão aos Mundiais. "Queremos alcançar o maior número possível de pontos, pois precisamos de qualificar-nos para a Taça do Mundo, que é determinante para a qualificação para [os Jogos Olímpicos de] Tóquio", realçou o seleccionador Gabriel Mendes.

Os Mundiais de Apeldoorn realizam-se entre 28 de Fevereiro e 4 de Março, com transmissão televisiva no Eurosport2.



4 de fevereiro de 2018

Não digam que está velho e acabado! Eis Tiago Machado

Talvez tenha sido do novo equipamento! Certamente que foi de todo o talento e qualidade que Tiago Machado tem. Não lhe digam que está velho ou acabado para o ciclismo, porque não é qualquer um que se escapa aos 20 quilómetros e dos 135 que faltavam, 80 fez sozinho, num percurso com as habituais dificuldades de um país que de plano tem pouco, mas que de vento teve neste domingo mais do que suficiente para causar muitas dificuldades, além do frio... bem, bem fresquinho, mesmo para quem vai a pedalar a grande velocidade. Tiago Machado venceu a Prova de Abertura Região de Aveiro, corrida que marcou o início do calendário nacional. Foi um triundo ao seu estilo. Deram-lhe a oportunidade e Machado deu espectáculo, antes de arrancar para uma exigente temporada na Katusha-Alpecin, como um dos homens de confiança de líderes como Ilnur Zakarin e Marcel Kittel.

Depois de ter começado a época no tórrido calor da Austrália, Tiago Machado vestiu as cores da selecção nacional para na Torreira conquistar uma vitória que há muito não surgia. Rui Oliveira foi quarto e Ivo fechou na 13ª posição. Estes resultados colocaram a equipa de José Poeira como a melhor no dia em que foram estreados os novos equipamentos da Equipa Portugal. Um pequeno pormenor, é certo, pois o grande pormenor é ouvir Tiago Machado dizer o quanto se sente bem e ver como os gémeos Oliveira estão a levar para a estrada a forma que têm recentemente mostrado na pista, com a conquista de medalhas na Taça do Mundo, por exemplo.

"Para aqueles que diziam que eu estava velho, acabado para o ciclismo, acho que acabei por provar na estrada que muitas das vezes não é por estar no pelotão internacional e chegar a meia hora [do vencedor] nas etapas que deixamos de ter o nosso valor. Para os sprinters terminarem, há quem puxe. Tenho muito orgulho no trabalho que tenho feito no último ano. É um trabalho que a minha equipa valoriza muito porque sabem que não é fácil controlar etapas num pelotão com aquele valor", salientou um muito sorridente Tiago Machado. Tem 32 anos e vai para o seu oitavo no World Tour, com um interregno em 2014.

João Matias, Luís Mendonça e Rui Oliveira discutiram ao sprint
Nos últimos quilómetros a dúvida persistiu: iria Machado aguentar a perseguição liderada pelo Sporting-Tavira? A expressão "morrer na praia" começou pairar. Mas na Avenida Hintze Ribeiro lá apareceu Machado, dando o tudo por tudo, como se estivesse num Mundial. Atrás, a perseguição louca contava com João Matias (Vito-Feirense-BlackJack), Luís Mendonça (Aviludo-Loulentano-Uli), Rui Oliveira, Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista), Rafael Silva (Efapel) e Daniel Freitas (W52-FC Porto). Machado resistiu e deixou a concorrência - que cortou a meta pela ordem descrita - onde pretendia, atrás de si.

"As sensações são boas e é bom estar num bom momento", desabafou, referindo como já tinha sido congratulado por José Azevedo, director da Katusha-Alpecin. O ciclista só pensava em saborear a vitória, para na terça-feira começar a pensar na Volta ao Algarve e na restante temporada numa equipa que se reforçou para estar em várias frentes e somar vitórias nas grandes voltas (e não só).

W52-FC Porto com início pouco feliz

Enquanto Tiago Machado festejava depois de cortar a meta, estranhava-se que os ciclistas estivessem a cortar a meta em pequenos grupos. O pelotão demorou a chegar. Duas quedas não muito longe da meta envolveram vários ciclistas e provocaram estragos. Que o diga Raúl Alarcón. O vencedor da Volta a Portugal teve mesmo de ir ao hospital, tal como Fábio Mansilhas (LA Alumínios). O arranque de temporada não foi auspicioso para a equipa que tem dominado o panorama nacional. A W52-FC Porto até viu o seu reforço, César Fonte, fugir com Machado, mas o ciclista acabou por perder o contacto com o companheiro de ocasião e o pior aconteceu pouco depois. Num incidente que envolveu ainda uma das motos de corrida, César Fonte sofreu uma queda. Também não terminou a corrida.

A Prova de Abertura Região de Aveiro teve este ano a partida em Oliveira do Bairro e depois de 155,5 quilómetros que passaram por diversas zonas, como Ílhavo e Estarreja, por exemplo, foi a Torreira que recebeu a discussão final e o pódio, que foi também o primeiro do Troféu Liberty Seguros. Esta corrida, juntamente com as clássicas da Arrábida (11 de Março) e Aldeias do Xisto (25), compõe esta competição de início de época. Tiago Machado lidera com 75 pontos, mais dez que João Matias e 15 que Luís Mendonça. Rui Oliveira é o melhor sub-23, com as diferenças a serem as mesmas para André Crispim (Liberty Seguros-Carglass) e Ivo Oliveira (foto ao lado). A selecção nacional é líder por equipas (25), seguindo-se a Aviludo-Louletanto-Uli (20) e a Liberty Seguros-Carglass (15).

Estão abertas as hostilidades no pelotão nacional e segue-se a corrida de categoria mais elevada do calendário português: a Volta ao Algarve (2.HC), de 14 a 18 de Fevereiro.

Pode ver aqui a classificação completa e neste link do Facebook estão algumas fotografias de pormenores da primeira corrida do ano em Portugal.


19 de dezembro de 2017

"Foi um primeiro ano espectacular. Aprendi coisas que nunca pensei aprender"

Rui Oliveira está entusiasmado com a perspectiva de entrar em 2018 em grande. Há um ano, apesar, do contrato garantido com a Axeon Hagens Berman, o ciclista recuperava de uma fractura na perna, o que lhe prejudicou a pré-época e o arranque da temporada. Agora está de "perfeita saúde", como realçou, e motivado para começar a temporada de forma muito competitiva e, quem sabe, alcançar a sua primeira vitória, que em 2017 lhe fugiu por escassos centímetros numa corrida nos EUA.

A fotografia de Rui com as mãos na cabeça foi marcante. O ciclista admitiu que se sentiu frustrado pelo resultado na segunda etapa da Joe Martin Stage Race, a 31 de Março. Porém, com o tempo, percebeu a importância do resultado. "Foi um misto de sensações. Foi mesmo por pouco. O corredor que me ganhou já vez Voltas a Itália, a Espanha... mas perder pela aquela margem mínima foi um bocado frustrante. Depois, pensando bem, vir de onde vim, com muitas quedas e muitas lesões, só tinha de estar orgulhoso do que fiz", salientou ao Volta ao Ciclismo. O director Axel Merckx elogiou publicamente a prestação do seu ciclista. De referir, que voltou a ser segundo no dia seguinte, ganhou a classificação da juventude e foi oitavo na geral.

O argentino Lucas Sebastian Haedo, da UnitedHealthcare, tirou aquela que poderia ter sido a primeira vitória na estrada para Rui Oliveira, mas o corredor de Gaia já só pensa no futuro e de alcançar bons resultados, para assim garantir a presença na Volta à Califórnia. A equipa poderá ter novamente acesso à corrida mais importante do calendário norte-americano, agora que será Profissional Continental (falhou este ano porque ao ser Continental e como prova estreou-se no nível World Tour, a formação americana acabou por não receber um convite).

"O Axel e todo o staff sabe muito sobre como correr àquele nível internacional e sem dúvida que nos dá uma bagagem muito grande"

Esta subida ao segundo escalão torna a época ainda mais emocionante. "Sendo o Axel  [Merckx] belga e tendo treinadores reconhecidos na Europa, isso pode abrir-nos portas para corridas HC e quem sabe World Tour. É nessas competições que nós, jovens ciclistas, nos queremos afirmar para um dia estar ao mais alto nível", afirmou. "Temos a oportunidade de aceder a melhores corridas, como a Volta à Califórnia. Se for chamado para a fazer, será um dos principais objectivos da época, por isso é que interessa começar bem a temporada para chegar a Maio e fazer essa corrida", acrescentou.

A realidade que encontrou ao representar a Axeon Hagens Berman, dos EUA, foi naturalmente diferente da portuguesa, o que permitiu a Rui e ao irmão, Ivo, evoluir naquela que é considerada uma das melhores equipas de sub-23 do mundo, que tem como director o antigo ciclista Axel Merckx. O belga já colocou mais de 20 ciclistas no World Tour, pelo que uma segunda temporada na estrutura - que se irá chamar em 2018 Hagens Berman Axeon - é mais uma grande oportunidade na carreira do gémeos.

"Foi um primeiro ano espectacular. Aprendi coisas que nunca pensei aprender. O Axel e todo o staff sabe muito sobre como correr àquele nível internacional e sem dúvida que nos dá uma bagagem muito grande para um dia podermos estar ainda melhor nos níveis mais altos", realçou. Rui Oliveira deu um exemplo: "Aprende-se a correr em equipa, o que é muito importante. Pensei que já sabia fazer isso, mas os treinadores sabem muito e lêem a corrida de uma maneira fenomenal. Tudo bate certo com o que eles dizem e nós só temos de nos guiar pelo que eles dizem e ter a força para fazer isso!"

"Ser campeão europeu era um dos meus principais objectivos para época e ainda consegui uma medalha no Campeonato da Europa de elite, que foi fenomenal"

O jovem ciclista recordou que foi muito bem acompanhado quando competia em Portugal, trabalhando "com pessoas que sabem muito", mas a realidade no estrangeiro é outra: "As pessoas lá fora têm outro conhecimento, se calhar aqui ainda falta evoluir um pouco, mas sem menosprezar os treinadores daqui."

A pista faz parte do ADN de Rui Oliveira que este ano conquistou o título europeu de sub-23 na corrida de eliminação e mais tarde tornou-se no primeiro português a conquistar uma medalha nos Europeus na categoria de elite, com um bronze na mesma corrida. "Ser campeão europeu era um dos meus principais objectivos para época e ainda consegui uma medalha no Campeonato da Europa de elite, que foi fenomenal. Houve coisas más este ano, mas o que interessa foram as coisas boas", frisou. O ciclista refere-se às quedas que o afastaram da competição, como a da Volta a França do futuro (Tour de l'Avenir). Partiu um braço e a sua temporada de estrada praticamente terminou ali.

2018 marcará também o início da qualificação para Tóquio2020: "Estou focado principalmente na estrada, mas os Jogos Olímpicos serão um grande objectivo, quem sabe no omnium e no madison. Mas tudo a seu tempo. Uma coisa de cada vez." O apuramento arranca em Agosto, contudo, até lá, Rui Oliveira quer deixar a sua marca. "Agora é continuar a trabalhar cada vez mais. Tudo passa pelo trabalho e pela dedicação, tendo a motivação de um dia estar num nível mais alto."

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17 de dezembro de 2017

Portugueses com seis medalhas no Troféu Internacional Município de Anadia

Miguel Salgueiro e  Rodrigo Caxias subiram ao pódio na perseguição individual
O último dia de competição no Velódromo Nacional teve os juniores em destaque para Portugal na conquista de medalhas, mas naturalmente que o centro das atenções foram para as disciplinas olímpicas, dominadas pela selecção belga. No final, o saldo registou-se em seis medalhas para ciclistas portugueses, com Ivo Oliveira a ser o único vencedor e com o irmão Rui a ser o único a subir duas vezes ao pódio, no terceiro lugar.

O saldo terminou então com vitória e terceiro lugar no scratch, na categoria de sub-23, terceiro no omnium em elite e este domingo Wilson Esperança (Sicasal-Bombarral) - na foto ao lado - foi segundo no scratch em juniores. Na mesma categoria, Miguel Salgueiro (ACD Milharado) e Rodrigo Caxias (LA Alumínios/SGR Ambiente/CCA Paio Pires) foram ao pódio na perseguição individual, que teve o francês Donavan Grondin como claro vencedor.

Um dos momentos do dia foi de mais um susto para a selecção nacional. Maria Martins caiu na corrida por pontos, mas conseguiu prosseguir. Foi uma competição acidentada para as raparigas da equipa, já que Soraia Silva também caiu no primeiro dia. Antes dessa prova, a júnior Maria Martins tinha tido uma boa prestação no scratch, na categoria de sub-23, terminando na quinta posição. Soraia foi 11ª.

No keirin, disciplina olímpica que não contou com portugueses, a jovem belga Nicky Degrendele bateu a actual vice-campeã europeia Simona Krupeckaite (Lituânia) e a atual campeã olímpica, Elis Ligtlee (Holanda). Nos homens, o lituano Vasilijus Lendel foi o mais forte. O holandês Sam Ligtlee foi segundo e o compatriota Svajunas Jonauskas, terceiro.

Mas a principal atenção acabou por se focar no madison, última corrida do Troféu Internacional Município de Anadia. João Matias e César Martingil uniram esforços pela selecção nacional, enquanto Ivo e Rui Oliveira vestiram as cores da Axeon Hagens Berman. Os gémeos terminaram na sexta posição com nove pontos, enquanto Matias e Martingil foram oitavos, com cinco. A Bélgica terminou com 29, com a prestação de Lindsay de Vylder e Robbe Ghys - dupla campeã de sub-23, seguindo-se duas equipas de holandeses. Em segundo ficaram Dion Beukeboom e Jan-Willem van Schip (23) e a fechar o pódio Yoeri Havik e Wim Stroetinga (15). De recordar que Beukeboom irá em Agosto tentar bater o recorde da hora de Bradley Wiggins.