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9 de junho de 2020

A procura recomeça

Avermaet espera que equipa possa continuar, mas não fecha a porta a aceitar
uma proposta para um novo desafio em 2021
Depois dos tempos difíceis que viveu em 2018, Jim Ochowicz esperava que pelo menos até 2021 pudesse estar mais concentrado em reconstruir uma equipa vencedora, com boas perspectivas que a ligação à CCC fosse tornando-se cada vez mais forte. Estava perante um investidor, Dariusz Milek, que há muito ambicionava chegar ao World Tour e que queria uma equipa de sucesso. No entanto, um coronavírus complicou a vida de Ochowicz, que se vê obrigado em regressar à procura por um patrocinador. A procura pela sobrevivência.

Não é nada de novo para o americano e para a sua Continuum Sports. Porém, são tempos demasiado incertos em plena pandemia. É difícil prometer seja o que for a potenciais patrocinadores quando ninguém pode garantir que tudo vai regressar ao normal em 2021. E, claro, há ainda a questão de muitas empresas estarem a começar a enfrentar as consequências da crise económica, tal como está a acontecer com a CCC. Ochowicz é um director com muita experiência e está habituado a este desafio. E certo é que mesmo perante as dificuldades, o discurso é optimista.

"Estamos em tempos sem precedentes, mas estamos confiantes que há empresas que querem investir no ciclismo, especialmente dada a popularidade global em andar de bicicleta nos últimos meses. Sob a batuta e licença da Continuum Sports, nós crescemos de uma equipa Continental americana em 2007 até uma das maiores equipas do World Tour no pelotão em anos recentes e temos toda a intenção de continuar sob um novo patrocínio", afirmou Ochowicz num comunicado.

Foi assim feita a confirmação do que há algumas semanas estava a ser divulgado. A CCC deixa de apoiar a equipa, interrompendo um ano mais cedo o contrato fechado no final de 2018 e que seria válido até Dezembro de 2021. A pandemia terá fragilizado as contas da empresa polaca, dedicada à venda de sapatos, por exemplo. Como tantas outras, sofreu um forte revés nas vendas. Os ordenados dos ciclistas já tinham sido reduzidos e membros do staff foram dispensados durante esta paragem competitiva.

Quando a BMC afastou-se como patrocinador principal - fornece agora bicicletas à NTT - Dariusz Milek aproveitou a oportunidade para cumprir um sonho antigo de ver a sua equipa de ciclismo Profissional Continental dar o passo para o World Tour. Manteve uma estrutura secundária, de desenvolvimento de ciclistas, e há também a equipa feminina. Pelo menos esta última poderá continuar além de 2020.

Perante uma nova crise económica impulsionada pela pandemia, Ochowicz entra agora em contra-relógio para encontrar quem garanta o futuro da sua equipa, de forma a tentar não perder os ciclistas que têm contrato para 2021 e ainda ir a tempo de renovar com os que terminam o vínculo em Dezembro. É o caso de Greg van Avermaet. A boa notícia virá por parte da Giant, não só estará disponível para continuar a fornecer as bicicletas, como poderá assumir o papel de co-patrocinador.

Quando a BMC saiu, Ochowicz não conseguiu segurar a maioria das suas principais figuras. De tal forma, que a CCC arrancou a sua aventura no World Tour tendo o especialista em clássicas, Avermaet, como o líder número um. Richie Porte, Rohan Dennis, Tejay van Garderen, Damiano Caruso, Stefan Küng foram alguns dos ciclistas importantes na estrutura que rumaram a outras equipas.

Depois de um 2019 em que ficou claro que a equipa precisava de bons reforços (só somou seis vitórias), a prioridade foi contratar um líder para as grandes voltas. A escolha recaiu em Ilnur Zakarin (ex-Katusha-Alpecin), mas Ochowicz garantiu ainda Matteo Trentin (ex-Mitchelton-Scott) e uma das estrelas do Giro de 2019, Fausto Masnada (ex-Androni Giocattoli-Sidermec). Isto para referir três dos ciclistas que mais se esperava resultados.

O trio tem contrato para 2021, mas sem patrocinador, tal pouco pode significar se o director da equipa não apresentar garantias para o futuro rapidamente. Jim Ochowicz vê-se agora entre o necessitar de encontrar pelo menos um patrocinador que dê nome à equipa, enquanto espera que os seus ciclistas estejam concentrados em fazer uma boa temporada quando esta recomeçar num formato reduzido em termos temporais e muito intenso em número de corridas. Resultados precisam-se! Isto claro, esperando que seja mesmo possível que pelo menos as principais corridas se realizam em plena pandemia.

Avermaet disponível para analisar propostas de outras equipas

Greg Van Avermaet é já o primeiro a garantir que quer renovar, essa é a prioridade, mas está disponível para analisar propostas de outras formações. "Há muitas equipas interessadas. A minha performance está lá e eu fui um dos melhores ciclistas em corridas de um dia no ranking da UCI na época passada. Isso dá-me garantias para o próximo ano", disse o belga ao site Wielerflits. Aos 35 anos, Van Avermaet - campeão olímpico no Rio de Janeiro há quatro anos - continua a estar bem cotado, mas também tem revelado cada vez mais dificuldades para lutar por grandes vitórias.

Foi questionado se poderia mudar-se para uma equipa belga especialista em clássicas, mas o ciclista limitou-se a dizer que certamente irá estar numa boa estrutura. A Deceuninck-QuickStep é a equipa que aposta muito forte nas provas que Avermaet mais gosta, com a Lotto Soudal a contar também com especialistas. Porém, seria no mínimo estranho ver este corredor novamente ao lado de Philippe Gilbert, já que a relação entre ambos nunca foi a melhor quando se cruzaram na BMC, pois ambos têm praticamente os mesmos objectivos. Também estiveram juntos na Lotto, mas nessa altura Gilbert era intocável.

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5 de abril de 2020

Volta a Flandres virtual para combater o confinamento

(Imagem: print screen)
Por esta altura, é mesmo caso para dizer que uma vitória, é uma vitória. Mesmo que seja virtual. Greg van Avermaet (CCC) venceu a Volta a Flandres Lockdown Edition, que é como a quem diz, a edição do confinamento! Este é o monumento que o belga tanto persegue, mas que ainda não o alcançou, apesar de já somar três pódios. Virtualmente subiu ao primeiro lugar. Claro que está longe de ser a mesma coisa, mas parece que todos os participantes concordaram que acabou por ser divertido e sempre foi um objectivo que os ciclistas tiveram, quando não têm qualquer perspectiva de quando vão regressar à competição na estrada.

Este domingo era o dia para mais uma edição do monumento belga, mas com este confinamento que abrange tantos países, a solução foi procurar o que o mundo virtual já vai dando ao ciclismo. Nunca tanto estas plataformas foram faladas e segundo um meio de comunicação social inglês, até comprar trainers (smart ou não) começa a ser difícil pela Europa, tal é a procura. Para os profissionais é uma máquina de trabalho, pelo que foi "só" preciso aceitar o desafio.

Não se cumpriram os mais de 250 quilómetros que normalmente completam da Volta a Flandres, tendo os 13 eleitos cumprido os últimos 32, que incluíram passagens pelo Kruisberg, Oude Kwaremont e Paterberg. A plataforma foi a Bkool.

Sendo virtual, a corrida não deixou de ser encarada pelos ciclistas como algo a ganhar e claro, mais um treino intenso no trainer, que se calhar nunca foi tão utilizado. Transmitido em directo na televisão belga, por exemplo, também foi possível assistir via YouTube. Estar a olhar para imagens de um jogo não é particularmente motivante para quem assiste, mesmo que se saiba que se está a assistir ao esforço de grandes nomes do ciclismo. Por isso, a solução, no meu caso, passou por também montar a bicicleta no trainer e pedalar um pouco a ver a corrida!

E há que dizer que até houve entusiasmo. Remco Evenepoel havia brincado a dizer que o seu primeiro monumento seria um virtual. O belga, vencedor da Volta ao Algarve e um dos três ciclistas da Deceuninck-QuickStep (equipa mais representada), quis mostrar que é mesmo um todo-o-terreno, incluindo no mundo virtual. Foi ele quem começou a mexer com a corrida. Foi como (ou o mais parecido possível) assistir a uns quilómetros finais, onde já há um grupo reduzido na luta e quando é essencial ler-se de forma perfeita a corrida para saber que ataques se deve responder e quando se pode contra-atacar.

"No início fiquei chocado com a velocidade e por causa disso tive de ficar para trás no Kruisberg. Mas um pouco como na vida real, dei tudo no Paterberg [última subida]. Depois disso, fui no máximo até ao fim", afirmou Avermaet no final, em declarações ao Sporza. A transmissão incluiu câmaras nas casas dos ciclistas, que permita ir vendo como estavam. Ficou claro que não estava a ser fácil, com o "ar de esforço" a estar bem patente em todos. O ataque do belga deixou para trás os três ciclistas que ainda o acompanhavam.

(Texto continua após a imagem com a classificação)


Uma palavra para os comentários. Em inglês, mas há que dizer que o comentador bem tentou dar a sensação de realismo. Em nota pessoal, adorei o pormenor quando foi dito que Avermaet nem olhava para trás! Ou então, quando Michael Matthews (Sunweb) parou e  foi dada a possibilidade de ter sofrido um furo e estar à espera do carro! Por acaso, até teve um problema mecânico (com as mudanças), mas em casa, não houve carro de equipa para o ajudar.

Foram 43 minutos diferentes, até com algum divertimento e ajudou a treinar melhor em casa, pois no meu caso até pedalei com outra motivação! Relativamente ao grafismo e não sendo de todo uma especialidade, apenas se espera que o pavé passe a fazer parte, já que no jogo todo o percurso é feito em alcatrão! Pormenores que vão certamente sendo melhorados numa indústria que está em ascensão e que está a ser muito procurada agora que as saídas de bicicleta são desaconselhadas ou, em alguns países, mesmo proibidas.

Quem sabe se esta iniciativa se repita com outra corrida ou corridas. No YouTube foram mais de 40 mil visualizações (aquando da publicação deste texto). Mas que não se repita muito. Seria sinal de boas notícias e de mais liberdade de movimentos!

Em baixo pode assistir a toda a acção virtual da Volta a Flandres e recorde-se que vários ciclistas têm feito treinos no Zwift ou, para quem não esteja nesta plataforma, no Instagram e convidam todos a pedalar com eles. Até Alberto Contador já o fez. É uma questão de se ir vendo as redes sociais e os sites das equipas para ver datas e horas. É uma ajuda para ir passando o tempo e não perder a forma. Quem sabe... até melhorar!




»»A importância da força mental na incerteza de quando regressará a competição««

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5 de janeiro de 2020

Cofidis a novidade, Bahrain McLaren com muitos reforços e mudança radical de equipamento

Aproxima-se o arranque da temporada, com a primeira corrida World Tour marcada para a Austrália: o Tour Down Under de 21 a 26 de Janeiro. 2020 será um ano marcado pelo regresso da francesa Cofidis ao escalão mais alto 11 anos depois, o que faz com que sejam agora 19 as estruturas WorldTeams (nova denominação das formações World Tour). Aqui ficam as primeiras seis, com os plantéis completos, realçando os reforços e não esquecendo aqueles que rumaram a outras equipas.

Destas destaca-se a Bahrain McLaren, novo nome da Bahrain-Merida, que foi das equipas que mais ciclistas contratou e no que diz respeito a equipamentos, foi também das que optou por uma mudança radical de look, deixando o vermelho da camisola e o capacete dourado, tendo agora uma jersey bem vistosa.

Uma nota sobre a corrida australiana. A organização está a acompanhar atentamente a situação dos incêndios que estão a devastar parte do país. A prova realiza-se na zona de Adelaide, que não foi muito afectada pelas chamas, e, por agora, o percurso mantém-se inalterado e não está a ser ponderado o cancelamento.

AG2R La Mondiale
(© Team AG2R La Mondiale)
Romain Bardet, François Bidard, Geoffrey Bouchard, Mickäel Cherel, Clément Chevrier, Benoît Cosnefroy, Silvan Dillier, Axel Domont, Julian Duval, Mathias Frank, Tony Gallopin, Ben Gasteur, Alexandre Geniez, Dorian Godon, Alexis Gougeard, Jaakko Hänninen, Quentin Jauregui, Pierre Latour, Oliver Naesen, Aurélien Paret-Peintre, Nans Peters, Stijn Vanderbergh, Clément Venturini, Alexis Vuillermoz e Larry Warbasse.

Reforços: Andrea Vendrame (Androni Giocattoli-Sidermec), Lawrence Naesen (Lotto Soudal), Harry Tanfield (Katusha-Alpecin) e Clément Champoussin a partir de 1 de Abril (Chambéry Cyclisme Formation).

Saídas: Samuel Dumoulin, Hubert Dupont e Gediminas Bagdonas (terminaram a carreira), Nico Denz (Sunweb).

Astana
(© GettySport/Astana Team)
Miguel Ángel Lópel, Jakob Fuglsang, Ion Izagirre, Gorka Izagirre, Alexey Lutsenko, Luis León Sánchez, Merhawi Kudus, Manuel Boaro, Zhandos Bizhigitov, Hernando Bohórquez, Rodrigo Contreras, Laurens de Vreese, Daniil Fominykh, Omar Fraile, Jonas Gregaard, Yevgeniy Gidich, Dmitriy Gruzdev, Hugo Houle, Yuriy Natarov, Nikita Stalnov, Artyom Zakharov, Aleksandr Vlasov.

Reforços: Fabio Felline (Trek-Segafredo), Davide Martinelli (Deceuninck-QuickStep), Aleksandr Vlasov (Gazprom-RusVelo), Alex Aranburu (Caja Rural), Óscar Rodríguez (Euskadi-Murias), Harold Tejada (Medellin) e Vadim Pronskiy (Vino-Astana Motors).

Saídas: Daria Cataldo (Movistar), Davide Villella (Movistar), Magnus Cort (EF Pro Cycling), Pello Bilbao (Bahrain-Merida), Jan Hirt (CCC), Andrey Zeits (Mitchelton-Scott) e Davide Ballerini (Deceuninck-QuickStep).

Bahrain McLaren
(© Team Bahrain McLaren)
Iván García Cortina, Matej Mohoric, Dylan Teuns, Sonny Colbrelli, Yukia Arashiro, Phil Bauhaus, Grega Bole, Damiano Caruso, Chun Kai Feng, Heinrich Haussler, Domen Novak, Mak Padun, Hermann Pernsteiner, Luka Pibernik, Marcel Sieberg, Jan Tratnik, Stephen Williams.

Reforços: Mikel Landa (Movistar), Pello Bilbao (Astana), Wout Poels (Ineos), Mark Cavendish (Dimension Data), Eros Capecchi (Deceuninck-QuickStep), Enrico Battaglin (Katusha-Alpecin), Rafael Valls (Movistar), Scott Davies (Dimension Data), Marco Haller (Katusha-Alpecin), Kevin Inkelaar (Groupama-FDJ, equipa Continental), Alfred Wright (Great Britain Cycling Team) e Santiago Buitrago (Team Cinelli).

Saídas: Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo), Antonio Nibali (Trek-Segafredo), Domenico Pozzovivo (NTT), Rohan Dennis (Ineos), Andrea Garosio (Vini Zabù-KTM), Meiyin Wang (Hengxiang), Valerio Agnoli (sem equipa) e Kristijan Koren (sem equipa).

Bora-Hansgrohe
(© VeloImages/Bora-Hansgrohe)
Peter Sagan, Pascal Ackermann, Rafal Majka, Max Schachmann Daniel Oss, Erik Baska, Cesare Benedetti, Maciej Bodnar, Emanuel Buchmann, Marcus Burghardt, Jempy Drucker, Oscar Gatto, Feliz Grobschartner, Patrik Konrad, Jay McCarthy, Gregor Mühlberger, Pawel Poljanski, Lukas Pöstlberger, Juraj Sagan, Andreas Schillinger, Rüdiger Selig e Michael Schwarzmann.

Reforços: Lennard Kämna (Sunweb), Matteo Fabbro (Katusha-Alpecin), Ide Schelling (SEG Racing Academy), Martin Laas (Illuminate), Patrick Gamper (Tirol KTM).

Saídas: Sam Bennett (Deceuninck-QuickStep), Shane Archbold (Deceuninck-QuickStep), Davide Formolo (UAE Team Emirates), Christoph Pfingsten (Jumbo-Visma), Peter Kennaugh (terminou a carreira) e Leopold König (sem equipa).

CCC
(© CCC Team)
Greg van Avermaet, Will Barta, Patrick Bevin, Josef Cerny, Alessandro de Marchi, Víctor de la Parte, Simon Geschke, Kamil Gradek, Jonas Koch, Jakub Mareczko, Serge Pauwels, Joey Rosskopf, Szymon Sajnok, Michael Schär, Guillaume Van Keirsbulck, Gijs van Hoecke, Nathan van Hooydonck, Francisco Ventoso, Lukas Wisniowski.

Reforços: Matteo Trentin (Mitchelton-Scott), Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), Pavel Kochetkov (Katusha-Alpecin), Jan Hirt (Astana), Fausto Masnada (Androni Giocattoli-Sidermec), Attila Valter (CCC Development Team), Michal Paluta (CCC Development Team), Kamil Malecki (CCC Development Team) e Georg Zimmermann (Tirol KTM).

Saídas: Amaro Antunes (W52-FC Porto), Lukasz Owsian (Arkéa Samsic), Ricardo Zoidl (Felbermayr-Simplon Wels), Pawel Bernas (Mazowsze-Serce) e Laurens Ten Dam (terminou a carreira).

Cofidis
@MathildeLAzou)
Christophe Laporte, Natnael Berhane, Nicolas Edet, Jesús Herrada, José Herrada, Luis Ángel Maté, Dimitri Clayes, Jesper Hansen, Victor Lafay, Mathias le Turnier, Cyril Lemoine, Marco Mathis, Emmanuel Morin, Anthony Perez, Pierre-Luc Périchon, Stéphane Rosseto, Damien Touzé, Kenneth Vanbilsen.

Reforços: Elia Viviani (Deceuninck-QuickStep), Fabio Sabatini (Deceuninck-QuickStep), Julien Vermote (Dimension Data), Nathan Haas (Katusha-Alpecin), Guillaume Martin (Wanty-Gobert), Simone Consonni (UAE Team Emirates), Fernando Barceló (Euskadi-Murias), Piet Allegaert (Sport Vlaanderen-Baloise), Attilio Viviani (Arvedi Cycling) e Eddy Finé (V.C.Villefranche Beaujolais).

Saídas: Nacer Bouhanni (Arkéa Samsic), Julien Simon (Total Direct Energie), Hugo Hofstetter (Israel Start-Up Nation), Darwin Atapuma (Colombia Tierra de Atletas-GW Bicicletas), Bert van Lerberghe (Deceuninck-QuickStep), Geoffrey Soupe (Total Direct Energie), Filippo Fortin (Felbermayr-Simplon Wels), Rayane Bouhanni (sem equipa), Zico Waeytens e Loïc Chetout terminaram a carreira.

»»O destino dos ciclistas da Katusha-Alpecin««

»»Principais transferências e calendário nacional de 2020««

21 de novembro de 2019

Avermaet com a Volta ao Algarve nos seus planos

(Fotografia: Facebook CCC Team)
Começar a lista de inscritos da Volta ao Algarve com um campeão olímpico e um dos melhores ciclistas de clássicas em anos recentes é bastante promissor. Ainda não é garantido, mas Greg van Avermaet poderá colocar a corrida portuguesa no seu calendário de início de temporada, já que quer mudar a sua forma de preparar-se para a sua fase favorita da época. O belga não estará interessado em viagens ao Médio Oriente, preferindo apostar em corridas europeias.

2019 trouxe cinco vitórias, mas apenas uma no World Tour para Greg van Avermaet. Apesar de ter até ter começado a temporada com resultados promissores, quando chegou a dois dos principais objectivos, Volta a Flandres e Paris-Roubaix, o belga não conseguiu estar na discussão dos monumentos. E como ganhar na Flandres é nesta fase da carreira do belga de 34 anos o mais importante - já ganhou em Roubaix -, a sua preparação vai ser feita a pensar em atingir um pico de forma nas duas corridas de Abril, mas principalmente na Flandres.

"Queremos evitar que o Greg atinja a forma demasiado rápido, para que possa chegar ao pico nas clássicas. Em anos recentes, o Greg esteve muito bem nas corridas no início de Fevereiro, mas estas são provas de preparação. Em 2019 esteve muito bem nas clássicas, entre a Omloop Het Nieuwsblad e a E3 Harelbeke, mas depois baixo bastante [de forma]", explicou o Valerio Piva ao Het Nieuwsblad.

Isto significa duas coisas: o ciclista fará uma pausa de seis semanas em vez das habituais quatro neste final de 2019 e haverá uma mudança de calendário para 2020. Segundo o director desportivo da CCC, Avermaet até deverá arrancar a temporada novamente na Volta à Comunidade Valenciana, mas em vez de seguir para a Volta a Omã, o belga preferirá viajar até ao Algarve, antes de atacar as clássicas, com a Omloop Het Nieuwsblad a realizar-se em 2020 na semana seguinte ao final da Algarvia (19 a 23 de Fevereiro).

A Volta a Flandres realiza-se a 5 de Abril e Avermaet sabe que as oportunidades para conquistar este monumento estão a diminuir. Com a mudança da BMC para CCC, o belga permaneceu na estrutura, ganhando o estatuto de líder em toda a linha. Ou seja, a equipa iria apostar forte nele e nas clássicas e não tanto nas gerais das grandes voltas.

O belga até começou com uma vitória de etapa na Volta à Comunidade Valenciana, fez pódios, top dez, mas foi ficando claro como nesta CCC faltavam elementos mais fortes na ajuda a Avermaet nos momentos decisivos e na Volta a Frandres e Paris-Roubaix, o ciclista também não conseguiu esconder que não estava no seu melhor. Desde aquele fenomenal 2017, com quatro vitórias em clássicas do pavé, incluindo o Paris-Roubaix, Avermaet nunca mais triunfou numa corrida deste género, conseguindo quebrar o jejum em corridas de um dia em Montreál, em Setembro.

Para o segundo ano ao mais alto nível, a CCC começou a fortalecer a equipa em todos os sectores e contratou Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) para as provas por etapas, tal como Fausto Masnada (Androni Giocattoli-Sidermec) e Jan Hirt (Astana), este último um regresso à formação que representou quando a CCC ainda era Profissional Continental.

Já para as clássicas, o reforço chama-se Matteo Trentin (Mitchelton-Scott). O italiano quer formar com Averamaet uma dupla temível nas clássicas, mas é uma ideia pouco convincente, a não ser que o belga mude muito a sua postura. Nunca foi de partilhar estrelato, nem quando tinha um senhor Philippe Gilbert como companheiro na BMC.

Agora é esperar para saber se o calendário do campeão olímpico de 2016 - Tóquio2020 é outro dos momentos em que Avermaet quer aparecer forte na época - vai oficialmente incluir a Volta ao Algarve.

Apenas como curiosidade, Peter Sagan também não tem no seu programa de início de temporada nenhuma das corridas no Médio Oriente. Para já, sabe-se que vai começar o ano no final de Janeiro na Volta a San Juan, na Argentina - costuma ir à Austrália, mas, por agora, o Tour Down Under não surge nos seus planos -, passando depois para a Omloop Het Nieuwsblad, a 29 de Fevereiro. A Bora-Hansgrohe é uma das sete equipas confirmadas para a Algarvia.


Juntar Sagan e Avermaet na Volta ao Algarve seria de sonho!

»»Volta ao Algarve será decidida no contra-relógio««

6 de novembro de 2019

CCC quis ano zero ambicioso mas precisa de mais e melhor

(Fotografia: Facebook CCC Team)
O objectivo era ambicioso tendo em conta como a CCC chegou ao World Tour. O ano começava com um director a querer 20 vitórias. O início de temporada de Patrick Bevin no Tour Down Under deixou a equipa animada. Venceu uma etapa e liderava a corrida até que sofreu uma queda. Antes tinha conquistado o título nacional de contra-relógio. Em Fevereiro, Greg Avermaet respondia ao repto de ser não só o líder para as clássicas, mas da equipa, com uma vitória na terceira tirada da Volta à Comunidade Valenciana. Na CCC sorria-se. A nova vida da BMC prometia... mas acabou por não cumprir.

Ao comprar a licença World Tour da BMC, a polaca CCC já não foi a tempo de segurar alguns dos elementos mais importantes, entre líderes e gregários. Laurens ten Dam, Simon Geschke, Víctor de la Parte e Serge Pauwels foram contratados para dar experiência a uma equipa que "promoveu" vários ciclistas da estrutura Profissional Continental, entre eles Amaro Antunes. Entre outros reforços estava um Jakub Mareczko que sentiu dificuldade para confirmar o potencial mostrado na Wilier Triestina-Selle Italia, enquanto Will Barta (Hagens Berman Axeon) teve um ano de adaptação, com a expectativa a manter-se elevada para 2020.

Porém, nem Ten Dam, nem Geschke, nem ninguém conseguiu ajudar o director Jim Ochowicz a cumprir o plano das 20 vitórias. Logo na fase de clássicas, de trabalhar para ajudar Avermaet, nos momentos importantes a equipa não conseguia ajudar o seu líder, que também esteve aquém do esperado. Nas provas por etapas aconteceu o expectável. Sem um líder forte, a CCC tentou jogar na conquista de etapas e eventualmente alcançar top dez ou um pódio, mas discutir vitórias foi difícil. A CCC foi uma equipa combativa, mas faltaram resultados mais positivos.

A CCC teve um plantel com muitas carências e 2019 foi visto como uma espécie de ano zero. Avermaet ainda rendeu três vitórias - incluindo na clássica do Quebeque, a única vitória World Tour para a formação polaca -, mas soube a pouco. Agora é preciso dar o passo seguinte, ainda que haja muito a melhorar para que a CCC possa ter a força que a BMC tinha.
Ranking: 20º (4819,79 pontos)
Vitórias: 6 (incluindo o Grande Prémio do Quebeque)
Ciclista com mais triunfos: Greg van Avermaet (3)
Desde cedo em 2019 ficou clara a necessidade de reforçar a equipa e no topo das preferências estava um líder para as três semanas. Nos dias que se seguiram ao anúncio da saída da Sky como patrocinador e até à chegada da Ineos, a CCC já olhava para a possibilidade de poder contar com alguns dos ciclistas da estrutura britânica. Michal Kwiatkowski era o mais desejado, mas o sonho de ter um líder polaco numa equipa polaca ainda vai ter de esperar.

Para 2020, a CCC atacou o mercado. Convenceu um Ilnur Zakarin que na Katusha-Alpecin não conseguiu ser o voltista que discute constantemente o pódio como se desejaria. Não é uma aposta que dê fortes garantias de sucesso, mas pelo menos será uma opção para as corridas de três semanas. Chegará também Matteo Trentin. Não tem sido regular, mas parece guardar o melhor para o final de temporadas. Poderá ser um ciclista que trará mais algumas vitórias, ainda que será interessante ver como se relacionará com Avermaet. O italiano acredita que poderá formar um dupla temível com o belga, mas Avermaet não tem sido ciclista de formar duplas. Que o diga Philippe Gilbert, no tempo em que esteve na BMC...

Jan Hirt prometeu na CCC, mas o salto para a Astana não correu da melhor forma. Regressa à equipa, agora no World Tour, e ainda há esperança que o checo se mostre nas provas por etapas. Fausto Masnada (Androni-Giocattoli-Sidermec) foi uma das figuras do Giro e a sua atitude lutadora tornou-o num ciclista apetecível. Tem 26 anos, conseguiu finalmente o contrato ao mais alto nível e vai ser daqueles ciclistas que se vai seguir com atenção. Pavel Kochetkov (Katusha-Alpecin) será um homem de trabalho por excelência, com os polacos Michal Paluta e Kamil Malecki a serem promovidos da equipa de formação da CCC. Da Tirol KTM chegará um sprinter de 22 anos, o alemão Georg Zimmermann.

Amaro Antunes cumpriu um sonho mas azar voltou a persegui-lo

O português não teve um 2018 muito feliz, com algumas quedas a estragarem-lhe parte da temporada. No entanto, a CCC levou o algarvio para o World Tour. Amaro Antunes mostrou o que se conhece dele na Volta ao Algarve, sendo oitavo. Pouco se viu depois do português no Paris-Nice e Volta ao País Basco, numa altura em que já olhava para a presença no Giro. Finalmente Amaro conseguiu estar numa grande volta, como tanto desejava.

Não foi um começo feliz, mas devido a uma fuga acabou por ficar quase uma semana no top dez. Quebrou, mas foi apenas o regresso ao plano original: lutar por etapas. E que pena foi aquela 19ª. 12 segundos separaram Amaro de uma grande vitória, que foi para Esteban Chaves (Mitchelton-Scott). Foi uma grande exibição do ciclista (não só nessa etapa), que foi terceiro nesse dia e abria assim boas perspectivas para a restante temporada.

Contudo, os azares bateram novamente à porta. Ainda pensou na Vuelta, mas não foi chamado. Tentou terminar a época forte, mas caiu na Volta à Croácia e 2019 acabou ali a temporada, antes que pudesse ir à Lombardia. Também terá terminado a aventura pelo World Tour, um nível que dificilmente perdoa épocas menos conseguidas. O pelotão português poderá ter de volta um ciclista que tanto anima corridas e dos mais acarinhados, pois Amaro estará perto de regressar à W52-FC Porto.

»»Uma época em que tudo falhou««

»»Katusha-Alpecin despede-se com mais uma época para esquecer««

31 de maio de 2019

Chaves volta a sorrir um ano depois

(Fotografia: Giro d'Italia)
O sorriso de Johan Esteban Chaves tornou-se em algo que o definia como pessoa e como ciclista. Sempre foi famoso por aquele sorriso. Porém, o último ano não houve muitas razões para o mostrar e muitas foram as dúvidas que Chaves voltaria a ser o ciclista que outrora ficou perto de ganhar grandes voltas. Foi há um, precisamente na Volta a Itália, que começou um martírio que, também no Giro, espera-se que tenha chegado ao fim. A vitória na 19ª etapa não salva a corrida da Mitchelton-Scott, mas pode muito bem contribuir para salvar um ciclista que acredita novamente que é capaz de estar no topo.

Quando foi segundo, há dois dias, Chaves e a família festejaram como se uma vitória se trata-se. Era o anúncio de um regresso que merecia um pouco mais. Quando esta sexta-feira o colombiano estava já isolado, a pouco mais de um quilómetro da meta em San Martino di Castrozza, as imagens mostravam uma mãe emocionada e nervosa. Amaro Antunes até foi quem ainda tentou tirar o triunfo a Chaves, mas o português da CCC não conseguiu reduzir a diferença para evitar que o colombiano tivesse tempo até para saborear o momento.

Há um ano tinha vencido no Etna e então era um dos planos para a vitória na geral, a par de Simon Yates. Muito antes do britânico quebrar e perder o Giro, Chaves afundou-se na geral e no pelotão. Terminou o Giro, mas foi penoso ver como não conseguia estar entre os melhores. Muito longe disso. Nem ajudar Yates era capaz.

O colombiano demorou dez semanas a regressar aos treinos, numa altura em que foi divulgado que tinha sido diagnosticada uma mononucleose. Não competiu mais em 2018, regressando esta época na Austrália, com presenças depois no Paris-Nice e Volta à Catalunha. Foi sempre algo discreto e mesmo neste Giro pouco se tinha visto de Chaves até esta última semana.

O director desportivo Matt White explicou, após a vitória, que o ciclista foi ao Giro sem pressão, com o objectivo de testar a sua condição. Passou no teste físico e no teste anímico. A vitória pode não salvar uma Volta a Itália que a Mitchelton-Scott queria ganhar com Yates, mas poderá ser importante para o futuro próximo, caso se confirme que Chaves está mesmo de regresso para lutar por triunfos. 

"Isto é pura felicidade. Tira um peso das minhas costas. É um alívio ser de novo um vencedor", salientou um Chaves de sorriso rasgado, aquele sorriso que há tanto tempo que não se via. Tem sido um lutador, pois há que não esquecer que no início da carreira sofreu uma queda muito grave que quase o obrigou a dizer adeus ao ciclismo. Agora venceu mais uma batalha. Espera-se que se possa mesmo dizer: Bem-vindo de volta Chaves!

Amaro Antunes foi terceiro

Que grande etapa do algarvio! Era por esta oportunidade que esperava e foi por isso que andou a perder tanto tempo desde que ficou claro que não seria possível lutar pelo top dez que chegou a ocupar. Amaro nunca desistiu numa última subida muito atacada pelo grupo da frente. Atacou, descolou, recuperou, descolou outra vez -  Chaves não facilitava quando o português chegava ao trio da frente -, mas quando parecia que o colombiano estava com uma vitória garantida, foi um equipamento laranja que se viu aparecer a toda a velocidade para ainda tentar uma surpresa.

No entanto, não apanhou Chaves e, sobre a meta, foi batido por um espectacular Andrea Vendrame. Um problema na corrente poderá muito bem ter arruinado a possibilidade da Androni Giocattoli-Sidermec de ganhar a segunda etapa no Giro. Vendrame fez uma recuperação que não se esperava, comprovando o que tinha demonstrado durante a subida de segunda categoria, num dia com 151 quilómetros para cumprir. Ficou a dez segundos de Chaves, Amaro ficou a 12. O português ocupa a 48º posição na geral, a 1:37.50 horas.

Entre os homens da geral, Miguel Ángel López (Astana) atacou e recuperou 44 segundos. Pouco para a desvantagem que tem (ver classificação mais abaixo), mas demonstra que o colombiano quer mais do que o sexto lugar e a camisola da juventude, que dificilmente perderá, pois tem 2:54 de vantagem sobre Pavel Sivakov.

O destaque foi mesmo para Primoz Roglic (Jumbo-Visma). Na 19ª etapa finalmente atacou! Não teve consequência, é certo, mas foi a mostra para não o darem como derrotado. A ver vamos como se vai dar na etapa de sábado, a última de alta montanha antes do contra-relógio que o esloveno tanto aposta.

20ª etapa: Feltre - Croce D'Aune-Monte Avena, 194 quilómetros


Duas primeiras categorias, a última coincide com a meta, a primeira será a Cima Coppi a 2047 metros de altitude. A distinção ficou para Manghen após a exclusão da Gavia, na terça-feira, devido ao perigo de avalanches. Haverá ainda três segundas categorias, num dia em que praticamente só o início tem um pouco de terreno plano.

Será uma etapa nas Dolomitas em todo o seu esplendor e normalmente há sempre espectáculo. Tendo em conta que há tempo a recuperar, principalmente por Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) e por mais alguém que ainda queira surpreender e chegar pelo menos ao pódio, então só se poderá esperar por ataques. Dia difícil em perspectiva para Richard Carapaz e para a Movistar na defesa da camisola rosa.

Aqui fica o top dez e as diferenças.

1º Richard Carapaz (Movistar), 83:52.22 horas
2º Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), a 1:54 minutos
3º Primoz Roglic (Jumbo-Visma), a 2:16
4º Mikel Landa (Movistar), a 3:03
5º Bauke Mollema (Trek-Segafredo), a 5:07
6º Miguel Ángel López (Astana), a 5:33
7º Rafal Majka (Bora-Hansgrohe), a 6:48
8º Simon Yates (Mitchelton-Scott), a 7:07
9º Pavel Sivakov (Ineos), a 8:27
10º Davide Formolo (Bora-Hansgrohe), a 10:06


Classificações completas, via ProCyclingStats.


10 de maio de 2019

Amaro Antunes no Giro mas sem a preparação desejada

(Fotografia: Facebook CCC Team)
O momento chegou um ano mais tarde do que o esperado, mas aqui está ele. Este sábado, em Bolonha, Amaro Antunes dá as primeiras pedaladas da sua carreira numa grande volta e será o único português no Giro. Mais do que apenas marcar presença, o ciclista algarvio poderá encontrar alguma liberdade para se mostrar num dos palcos mais importantes do mundo. Não chega à Volta a Itália nas condições físicas que desejaria, mas chegou e logo por uma equipa World Tour. Por agora, é isso o importante, pois tem três semanas para se mostrar.

No final de Abril, Amaro Antunes anunciou que estava a ser afectado por "uma pequena lesão" contraída após a Volta ao País Basco e que o afastou das clássicas das Ardenas. O Giro esteve em risco para o algarvio da CCC, mas acabou por ser seleccionado. "Sem poder ter feito a preparação desejada tentarei ao máximo fazer tudo aquilo que me for pedido", escreveu no Facebook.

Depois de se ter consagrado em Portugal como um dos melhores trepadores no país, aquele 2017 na W52-FC Porto catapultou-o definitivamente para outro nível e a saída para o estrangeiro era inevitável. Amaro escolheu a CCC, equipa polaca que estava no escalão Profissional Continental. As garantias de liderança e a possibilidade de ir à Volta a Itália foram elementos que muito contribuíram para a sua decisão. Precisamente em 2017, a CCC tinha sido convidada para o Giro, mas em 2018 não aconteceu o mesmo e a estreia de Amaro numa grande volta ficou adiada, numa temporada difícil, marcada por alguns problemas físicos e uma queda bem feia na Ruta del Sol, logo em Fevereiro.

A escolha de Amaro Antunes pela CCC traria um "bónus" para 2019. Com a estrutura da BMC a precisar de um novo patrocinador, foi precisamente a equipa polaca que aproveitou para subir a World Tour. Além do Giro, abriram-se as portas de todas as principais competições mundiais a um Amaro que recebeu a proposta para prosseguir nesta nova fase do projecto polaco.

Foi a correr em casa, na Volta ao Algarve, que se viu mais de Amaro Antunes este temporada, com um oitavo lugar na geral. Nas restantes corridas - Volta à Comunidade Valenciana, Paris-Nice e Volta ao País Basco - foi um ciclista mais discreto do que o esperado. Durante a Algarvia, o ciclista não escondeu como gostaria de estar bem no Giro, querendo aproveitar a oportunidade, ainda mais quando a CCC se apresenta sem um líder definido, apostando em corredores que podem lutar por etapas na montanha e também no sprint, neste caso com Jakub Mareczko.

O ciclista português partirá este sábado, em Bolonha, às 16:00 (hora portuguesa, mais uma em Itália) para o contra-relógio individual de oito quilómetros que abrirá o Giro. O Eurosport tem previsto o início da transmissão às 15:40.

Amaro está no nível que desejava, com um estatuto que não pode ser desperdiçado numa Volta a Itália com alguns dos principais nomes do ciclismo mundial. A CCC já olha para 2020, querendo melhorar cada vez mais o plantel, pelo que não há tempo a perder para mostrar que se tem lugar.

Dada a admissão do próprio de não ter realizado a preparação ideal para a corrida devido a uma lesão, acaba por ser uma incógnita o que poderá fazer. Se se sentir bem, então é de contar que Amaro faça algumas exibições de nota, de olhos postos em discutir alguma etapa de montanha.

Aos 28 anos chegou o seu momento. Em 2018 venceu o Tour de Malopolska e a etapa rainha. Mas ambição de Amaro Antunes vai muito mais longe e o Giro sempre foi uma meta.

Equipa da CCC: Amaro Antunes, 
Jakub Mareczko, Josef Cerny, José Francisco Ventoso, Kamil Gradek, Laurens ten Dam, Lukasz Owsian e Victor de la Parte.

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2 de março de 2019

Queixou-se de falta de sorte a agora somou duas vitórias consecutivas

"Nunca tive muita sorte nos momentos certos." O desabafo foi feito pouco antes de Zdenek Stybar começar a Volta ao Algarve, depois de no ano passado ter celebrado muitas vitórias dos colegas, mas nenhuma sua. Há muito que é uma das principais figuras da Deceuninck-QuickStep, mas parece que andava de costas voltadas para com os triunfos. 2018 foi uma excelente época, com vários top dez e a ser responsável por ajudar vários dos seus companheiros a ganhar. Contudo, numa temporada com 73 triunfos, nenhuma foi de Stybar. Tudo pode mudar num instante e para este portentoso checo isso aconteceu: duas vitórias consecutivas!

Stybar pode dizer que a sorte está finalmente do seu lado, mas também pode dizer que a sua forma física, a sua inteligência a ler os seus adversários e a sua capacidade para se adaptar a diferentes situações de corridas estão novamente a obter resultados. Primeiro foi senhor do Malhão, na Algarvia. Uma semana depois, no arranque da temporada de clássicas, conquistou a Omloop Het Nieuwsblad.

Este checo é um daqueles ciclistas sempre pronto para ajudar quem for preciso, seja um companheiro de enorme influência e experiência como Philippe Gilbert, seja uma jovem promessa como Fabio Jakobsen. Nas clássicas, o próprio admite que não fica preso a um papel secundário e que lhe é dada liberdade. No entanto, apesar do excelente trabalho que tantas vezes faz, ou fica de fora da discussão, ou é um colega de equipa que fica em melhor posição. E na Deceuninck-QuickStep impera o espírito de união e respeito, pelo que não há lutas de egos a intrometerem-se na luta por vitórias.

Zdenek Stybar, 33 anos, é um ciclista que vai para a nona temporada com a formação belga. Venceu a Strade Bianche em 2015, fez dois segundos lugares no Paris-Roubaix, perdendo um para Greg van Avermaet (2017) e outro para John Degenkolb (2015). Conquistou um então Eneco Tour (2013) e ganhou uma etapa na Vuelta (2013) e Tour (2015), entre outros triunfos. A sua carreira ficou ainda marcada por uma queda de causar arrepios no Eneco Tour de 2014. Apertado contra as barreiras acabou por "saltar" por cima do guiador, batendo violentamente com o rosto no chão. O sangue dos seus ferimentos tornaram as imagens ainda mais impressionantes. No entanto, impressionante também foi o regresso à competição pouco mais de 15 dias depois. Os cortes no rosto e uns dentes partidos não abateram este checo.

O director da Deceuninck-QuickStep, Patrick Lefevere, não esconde como Stybar é um ciclista que lhe agrada e com quem muito conta. O responsável até alertou que Yves Lampaert teria de assumir mais responsabilidade, numa altura em que Niki Terpstra (Direct Energie) teve de sair da equipa devido à necessidade de apertar os cordões da bolsa do orçamento. Lampaert respondeu a esse apelo, mas uma queda de Tiesj Benoot (Lotto Soudal), afastou-o da frente da corrida deste sábado. Desta vez foi Stybar quem ficou na frente e numa contagem que vai a bom ritmo, em 12 vitórias da formação belga em 2019, desta feita o checo já escreveu o seu nome em duas.

Na luta particular com a Astana, a Deceuninck-QuickStep reduziu a diferença, com a equipa cazaque a ser a mais ganhadora de 2019, com 13 triunfos.

Início perfeito das clássicas para a equipa que vive para elas. Lampaert e Gilbert fecharam no top dez, demonstrando que a Deceuninck-QuickStep quer mais um ano para recordar. Curiosamente, apesar de ser uma formação tão dominadora neste tipo de corridas, a Omloop Het Nieuwsblad estava a ser difícil de conquistar. A última vitória remonta a 2005, da autoria do belga Nick Nuyens.

O momento da decisão e um Avermaet que tentou fazer tudo

Numa corrida que, como tantas no pavé, ficou marcada pelo eliminação sucessiva de candidatos a cada sector de empedrado e a cada queda que cortava os grupos de ciclistas, foram cinco os que sobraram para discutir a vitória. Com Greg van Avermaet entre os primeiros, era no ciclista da CCC que recaía a maior responsabilidade. A equipa elegeu o belga e apenas o belga como líder neste seu primeiro ano no World Tour, pelo que a aposta é forte nas clássicas. Está mais do que habituado a sentir pressão, mas nunca teve um papel com um peso tão relevante. 

Avermaet conseguiu escapar a quedas, furos, avarias, tudo o que tantas vezes acaba com as aspirações de ciclista num pavé que não perdoa qualquer falha ou azar. A equipa trabalhou quando houve cortes, garantindo que o seu líder pudesse estar na discussão. No momento certo, Avermaet entrou na fuga que singrou. Porém, ou vontade a mais, ou pressão a mais para ganhar, Avermaet atacou, respondeu a ataques, voltou a atacar e respondia a todos que tentavam mexer no grupo, enquanto nunca se escondeu no trabalho quando o quinteto estava unido em deixar os perseguidores longe. Chegaram a ser seis, mas Daniel Oss (Bora-Hansgrohe) não conseguiu aproveitar a liberdade de não ter Peter Sagan na prova, tendo quebrado no Kapelmuur.

Mas regressando à fase da decisão. Mesmo nos últimos cinco quilómetros, quando Tim Wellens (Lotto Soudal), Alexey Lutsenko (Astana) e Dylan Teuns (Bahrain-Merida) teriam maior responsabilidade de atacar, já que ao sprint era quase certo que perderiam para Avermaet e Stybar, foi o belga da CCC que deu um ligeiro puxão para obrigar todos a "mexerem-se". Wellens cumpriu e atacou. Quem respondeu? Avermaet. Todos juntos novamente e Stybar contra-atacou. Quem respondeu? Avermaet. Mas desta feita, não deu. A força já não estava lá e aquele baixar de cabeça revelou um ciclista derrotado.

Stybar escolheu na perfeição onde e como atacar. Não foi uma surpresa. Foi o mesmo local eleito por Michael Valgren há um ano para escapar e que lhe valeu também o triunfo. Stybar nem olhou para trás durante muitos metros.


A sorte esteve com ele no momento certo, enquanto Avermaet terá de repensar a sua forma de correr. É notório que está perto da forma que deseja quando chegarem as principais corridas, mas, aos 33 anos, tentar ser um super Avermaet, poderá não ser a melhor táctica. Pede-se um Avermaet mais calculista e frio, como já tantas vezes se viu e deu bons resultados. Ficou com um segundo lugar amargo, com Wellens a fechar o pódio.

Este domingo é dia de Kuurne-Bruxelles-Kuurne (201,1 quilómetros), uma das corridas deste tipo que mais agrada a alguns sprinters. Dylan Groenewegem (Jumbo-Visma) venceu no ano passado.

Resultados completos, via ProCyclingStats.

As senhoras também competiram nas difíceis condições da corrida belga, marcada por alguma chuva e bastante vento. Chantal Blaak (Boels-Dolmans) demonstrou porque é uma das melhores do mundo, deixando a concorrência a pouco mais de um minuto de distância. A italiana Marta Bastianelli (Team Virtu Cycling Women) foi segunda e a colega de Blaak, Jip Van Den Bos, terceira.

A única participação portuguesa na Omloop Het Nieuwsblad foi a de Daniel Reis. A ciclista da Doltcini-Van Eyck Sport terminou na 47ª posição, a 5:32 da vencedora (classificação completa neste link).

23 de fevereiro de 2019

"Vou deixar tudo na estrada e se possível ganhar [no Malhão]"

Desde os primeiros instantes da Volta ao Algarve que não é fácil encontrar Amaro Antunes sozinho. Entre adeptos, jornalistas e, claro, amigos, o algarvio tem sido um foco de atenção neste seu regresso à Algarvia, dois anos depois de ter vencido no Malhão. Contingências de ser um corredor da "casa", mas também por ser um ciclista do World Tour. Aos 28 anos chegou ao mais alto nível do ciclismo mundial e está em contagem decrescente para a sua primeira grande volta: o Giro. Porém, quer concentrar-se no presente, pois não atira a toalha ao chão na geral e quer retribuir todo o carinho que está a receber com uma vitória.

"Quero salientar o grande apoio que tenho sentido aqui no Algarve. Tem sido incrível. Deixam-me sem palavras. Muitas vezes o cansaço é extremo, mas o não querer desiludir e querer demonstrar o reconhecimento às pessoas por virem à estrada, fazem-me tentar algo mais. Acho que são essas coisas que são gratificantes. São coisas que me fazem querer dar um pouco de espectáculo e retribuir com uma vitória", salientou ao Volta ao Ciclismo. Foi também por essa razão que, na etapa da Fóia, Amaro Antunes atacou a cerca de 40 quilómetros da meta para tentar recuperar o prejuízo do dia anterior. Aquela queda tão perto de Lagos é algo que nem sequer tenta esconder o quanto o deixou desiludido. "Trabalhei muito no Inverno a pensar nesta corrida, um Inverno rigoroso, com chuva... Preocupei-me em ir estudar todas as etapas. Conheço o percurso de olhos fechados e depois ver cair por terra por uma coisa uma simples, banal... é complicado, mas pronto, faz parte."

Um desabafo a que se segue um discurso bem mais animador: "Não vou atirar a toalha ao chão na geral. Vou tentar fazer uma boa etapa no Malhão." E volta a falar do intenso apoio que está a receber e que tanto está a fazer a diferença na sua atitude. "Irei ter uma multidão na estrada. Tenho muitos colegas que irão lá estar. Tenho recebido muitas mensagens de pessoas que irão lá torcer por mim. É óbvio que é uma responsabilidade, uma pressão e eu sei que a tenho. Sem dúvida que vou deixar tudo na estrada e se possível ganhar."


"Irei com responsabilidade, não vou esconder isso, mas vai ser a minha primeira grande volta e irei um pouco na expectativa, para ver como é que o corpo irá responder"

Foi assim em 2017, então com a camisola da W52-FC Porto. Um triunfo marcante, naquele que era o primeiro ano em que a Algarvia tinha a segunda categoria internacional, 2.HC, a mais alta entre as provas portuguesas. Então foi o arranque para uma temporada sensacional, com triunfos na Clássica da Arrábida, Troféu Joaquim Agostinho e uma Volta a Portugal ganha por Raúl Alarcón, mas com Amaro a ter uma enorme influência. Venceu na Serra da Estrela, onde "puxou" o seu líder para longe de todos os rivais na Serra da Estrela Foi segundo na geral e ainda o rei da montanha.

Seguiu-se o mais do que esperado passo internacional. Escolheu a polaca CCC Sprandi Polkowice, do escalão Profissional Continental. Foi uma época de altos e baixos, marcada por uma queda na Ruta del Sol que o deixou muito mal tratado. Não esteve na Algarvia por falta de convite para a sua equipa, mas agora a CCC não precisa de ser convidada. É do World Tour e esse estatuto abre de todas as corridas. A CCC aproveitou a estrutura da BMC, que deixou o patrocínio a uma das equipas mais fortes do pelotão.

Abriram-se as portas do World Tour e Amaro Antunes foi chamado a dar o salto. Tudo mudou. "O ambiente, a logística, a organização é totalmente diferente. Temos outro tipo de visão. Aqui preocupam-se muito com os pormenores mínimos e creio que se começa a ver as diferenças e os resultados", explicou. A CCC já soma três vitórias das 20 que o director, Jim Ochowicz, colocou como objectivo: duas de Patrick Bevin e uma de Greg van Avermaet.

E vem aí a Volta a Itália. Será a primeira grande volta de Amaro Antunes. "Sem dúvida que é algo que me motiva muito. É algo que me deixa bastante feliz." Não utilizou a palavra líder, mas afirmou: "Irei com responsabilidade, não vou esconder isso, mas vai ser a minha primeira grande volta e irei um pouco na expectativa, para ver como é que o corpo irá responder. Não me vou colocar muita pressão. É uma corrida que será nova para mim. É tudo novo. Será ir dia a dia."

Rapidamente reiterou que é na Volta ao Algarve que está concentrado. O contra-relógio não é uma vertente que lhe seja favorável, mas estando agora no World Tour, mais do que nunca há que trabalhar para aperfeiçoar. "Trabalhámos bastante a posição, melhorei bastante esse aspecto", referiu. Perdeu 1:17 minutos para Stefan Küng (Groupama-FDJ), um especialista, e 1:01 para a jovem revelação Tadej Pogacar (UAE Team Emirates), o camisola amarela. Este sábado recuperou sete segundos, o que significa que são 2:36 para recuperar. Difícil, mas a dupla subida ao Malhão já quebrou muitos e bons trepadores. E já se sabe, no Malhão, manda o Amaro!