Mostrar mensagens com a etiqueta Jumbo-Visma. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jumbo-Visma. Mostrar todas as mensagens

18 de abril de 2021

Pidcock afirma-se ao lado de um Van Aert a vencer por milímetros

© Amstel Gold Race
Esta semana pode dizer-se que ficou completo o trio do ciclocrosse que chegou para conquistar a estrada. Wout van Aert e Mathieu van der Poel em pouco tempo tornaram-se grandes figuras do ciclismo mundial. Thomas Pidcock estreou-se este ano ao mais alto nível, depois de já ter feito algumas corridas com a extinta Team Wiggins, e após algumas boas exibições, incluindo um pódio na Kuurne-Bruxelles-Kuurne, na quarta-feira bateu Van Aert De Brabantse Pijl-La Flèche Brabançonne e este domingo ficou a milímetros de repetir o feito na Amstel Gold Race.

Nos últimos dias Mark Cavendish (Deceuninck-QuickStep) até foi notícia por ter regressado às vitórias quase três anos depois e logo com quatro etapas na Volta à Turquia. Porém, é na nova geração que está o foco na Grã-Bretanha, com os resultados de Pidcock a animarem os adeptos daquele país. Tal como já havia acontecido com Van Aert e Van der Poel, Pidcock há muito que ganhou destaque, com as suas performances no ciclocrosse. Nos escalões jovens somou vitórias e ficou conhecido por celebrar ao estilo Super-Homem.

Outro ponto idêntico com os rivais foi a forma como encarou a passagem para a estrada. Era inevitável, mas não teve pressa, pois sempre sublinhou o quanto queria fazer o que mais gostava. E apesar de ter assinado pela toda poderosa Ineos Grenadiers, esta forma de estar não mudou e Pidcock, depois do ciclocrosse e desta auspiciosa estreia na estrada, irá ter o seu momento no BTT.

Aos 21 anos, teve o condão de definitivamente levar a Ineos Grenadiers a apostar ainda mais nas clássicas, principalmente nas do pavé, mas também mostra como podem contar com ele em corridas como a Amstel e vai à Flèche Wallonne experimentar o Muro de Huy. Por pouco, não ganhou a prova de abertura, por assim dizer, da semana das Ardenas, mas a sua exibição já eleva as expectativas para o que possa vir nas próximas temporadas, quando evoluir.

É o primeiro a admitir o quanto está a aprender a cada corrida que passa. Por exemplo, nesta Amstel, salientou como tentar seguir Primoz Roglic, quando o esloveno impôs ritmo, não foi a melhor ideia. Terminada a prova, considera que o melhor teria sido resguardar-se um pouco mais. 

Perder num photo finish no qual não foi fácil determinar que Wout van Aert (Jumbo-Visma) era o vencedor, "belisca". A vitória só foi decidida já com os ciclistas preparados a ir para o pódio... Só não sabiam em que lugar se colocariam. Contudo, Pidcock é mais um ciclista que não fica a moer no que falhou. Pensa, isso sim, em fazer mais e melhor na próxima corrida.

Ao pé dos dois ciclistas que também vieram do ciclocrosse para serem reis na estrada, Pidcock pode perder em tamanho e peso, mas o talento que demonstrou ao conquistar o Paris-Roubaix espoirs, o Giro de sub-23 na época passada e um título mundial de contra-relógio em juniores, está agora a ser confirmado na elite, tal como fizeram o belga e o holandês.

Até já consegue perder uma corrida para um Wout van Aert, mas ser ele o foco no final da Amstel Gold Race! Mais um jovem ciclista que não perde tempo a afirmar-se e apesar de, por agora, serem as clássicas a aposta inicial, quando chegou à Ineos Grenadiers deixou o aviso que quer ser um ciclista completo, com possibilidade de se mostrar também em provas por etapas. Está na lista da equipa como hipótese para ir à Volta à Espanha.

Quanto a Van Aert, numa altura em que se prepara para uma pausa competitiva depois de uma intensa fase de clássicas, despede-se com uma vitória que estava a precisar. Apesar do pior resultado ter sido um 11º lugar na E3 Saxo Bank, só ter ganho a Gent-Wevelgem não lhe estava a cair muito bem. É um ciclista habituado a vencer, pelo que conquistar a Amstel Gold Race era quase uma questão de honra. Até Roglic trabalhou para o belga, pelo menos até um problema mecânico o tirar da frente da corrida.

Van Aert vai agora preparar a próxima fase da época. E é uma fase em que tem sido irresistível nas temporadas passadas: Critérium du Dauphiné e Volta a França.

Van der Poel anda pelo BTT e nem foi à Amstel Gold Race, corrida que teve uma edição para história em 2019, com a vitória do holandês. Vamos ter de esperar para ver este trio a disputar corridas. No ciclocrosse, Pidcock andou, nas semanas antes de vestir o equipamento da Ineos Grenadiers, a assistir às vitórias dos rivais, apesar de também ele somar bons resultados. Como irá ser na estrada? Van Aert já percebeu que não pode dar um centímetro (ou mesmo milímetro) a este irreverente britânico.

Classificação completa, via ProCyclingStats. De referir que a Jumbo-Visma teve um domingo perfeito, pois também ganhou a Amstel Gold Race feminina, com Marianne Vos.

Rui Costa em acção

Numa Amstel Gold Race em que o circuito final tirou algum do interesse durante uma parte da corrida, a movimentação de Max Schachmann (Bora-Hansgrohe) a cerca de 15 quilómetros do final, acabou por ser decisiva. Pidcock e Van Aert juntaram-se ao alemão, que ao não conseguir distanciar num ataque a dois mil metros da meta, ficou a ver o sprint de perto, mas sem capacidade para entrar na discussão.

Porém, houve várias movimentações até esse momento, uma delas de Rui Costa. O português da UAE Team Emirates tem a Liège-Bastogne-Liège como a sua prova preferida nas Ardenas - já fez pódio -, mas com Tadej Pogacar a juntar-se à equipa para essa corrida e, antes, para a Flèche Wallonne, Rui Costa aproveitou para tentar a sua sorte.

Não esteve sozinho, mas a companhia acabou por não ser a ideal para que a tentativa de fuga triunfasse. Ficou o teste, na esperança que possa surgir a oportunidade para, mesmo com Pogacar na equipa, Rui Costa seja uma carta a jogar por parte da UAE Team Emirates nas próximas duas corridas, quarta-feira e domingo.

Rui Costa terminou a Amstel Gold Race na 54ª posição, a 2:12 do vencedor. O companheiro de equipa Ivo Oliveira abandonou.

9 de abril de 2021

Qual a melhor camisola para a Jumbo-Visma no Tour? Pode votar

Excepcionalmente, a Jumbo-Visma irá mudar a sua habitual camisola amarela durante a Volta a França. Não sendo nada de inédito, com outras formações a já o terem feito, a equipa holandesa resolveu tornar esta alteração especial, envolvendo os fãs na escolha. Foram criados três modelos que estão agora a votos. Mas há mais, as camisolas vão incluir os nomes de adeptos da Jumbo-Visma.

A opção por mudar a camisola durante o Tour não tem tanto a ver com marketing, mas mais para evitar que a camisola amarela da liderança da corrida se confunda com a da equipa.

No ano passado, Primoz Roglic vestiu a amarela durante metade da prova, até ao dramático e inesquecível contra-relógio que levou Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) a surpreender e conquistar a Volta a França.

O objectivo da Jumbo-Visma é exactamente o mesmo. Colocar Roglic de amarelo, mas à partida, em Brest, será em tons mais escuros que toda a equipa irá apresentar-se. A votação começou no dia 7 e o modelo Rapid Rebel está em vantagem (modelo do meio na fotografia), segundo os resultados que a equipa vai mostrando na sua conta de Twitter. Há ainda a Black Bee (esquerda) e Transition (direita).

Qual é a sua preferida? Para votar basta ir ao site da Jumbo-Visma (aqui fica o link) até ao dia 15 (quinta-feira). Na sexta será anunciada a camisola preferida dos adeptos, sendo que até 28 de Abril será possível comprar a edição especial.

No que diz respeito a equipas que, para evitar que as suas camisolas tirassem destaque à amarela do líder da corrida, mudaram os equipamentos no Tour, temos exemplos de formações bem conhecidas da história do ciclismo. ONCE de Alex Zülle e Joseba Beloki, Mercatone Uno de Marco Pantani e, recuando um pouco mais no tempo, a KAS.

»»O espectáculo do inesperado««

»»Jasper Stuyven, a surpresa numa Milano-Sanremo táctica e a alta velocidade««

21 de janeiro de 2021

Jumbo-Visma segura Wout Van Aert

© Jumbo-Visma
A entrar no seu último ano de contrato, Wout van Aert já tinha certamente uma lista de pretendentes e a Ineos Grenadiers estaria à cabeça. A Jumbo-Visma é que não quis arriscar nem um bocadinho e, ainda antes da época arrancar, já garantiu que o belga fica na equipa até 2024. Van Aert tornou-se rapidamente numa das grandes figuras do ciclismo mundial e não escondeu que o seu desejo era continuar na estrutura na qual considera ter dado "enormes passos em frente".

Em apenas dois anos com a Jumbo-Visma, Van Aert venceu três etapas no Tour, a Strade Bianche, já tem um monumento (Milano-Sanremo)... E além das vitórias, as suas grandes exibições estendem-se a ser um gregário de luxo para Primoz Roglic na Volta a França. Aos 26 anos, a sua passagem do ciclocrosse (que não abandona) para a estrada só não foi perfeita porque, em 2019, sofreu uma grave queda no Tour, que não só o obrigou a uma longa e difícil recuperação, como ainda levantou a questão se conseguiria regressar ao seu melhor. Conseguiu e muito melhor!

"Queria mesmo prolongar [o contrato] porque tornei-me muito melhor nesta equipa. Acho que todos viram que dei enormes passos em frente como ciclista em anos recentes. Estive sempre em forma quando precisava. Devo muito à equipa por poder trabalhar em prol dos meus objectivos", afirmou Van Aert, que vê o seu contrato ser renovado por três anos.

O ciclista admitiu que a decisão de assinar o novo vínculo foi tomada muito rapidamente, apesar de terem sido analisados alguns pormenores. No entanto, realçou que nunca duvidou que se chegaria a um acordo.

"Sinto-me muito bem aqui", assegurou, salientando que nunca conversou com outra formação, pois afinal está naquela que diz se ter tornado na melhor do mundo. "Era o melhor para mim ficar. Estou feliz que isto [contrato assinado] esteja feito", afirmou.

A Ineos Grenadiers era apontada como uma das interessadas em Van Aert, na perspectiva de construir um grupo que pudesse discutir as clássicas - principalmente as do pavé -, com o belga como líder, claro.

Richard Plugge, director da Jumbo-Visma, não escondeu como era importante manter Wout van Aert no plantel. "O Wout é um dos grandes nomes, uma das grandes estrelas do ciclismo", disse o responsável, que frisou como a equipa ajudou o belga a desenvolver-se como atleta. Referiu ainda que acertar pormenores demorou o seu tempo, mas: "Estou muito feliz por termos conseguido ficar com ele."

Van Aert terá como primeiro objectivo desta temporada as clássicas, seguindo-se a Volta a França, como aliás é habitual. A Volta a Flandres e o Paris-Roubaix estarão entre as principais provas que quererá ganhar. A primeira perdeu ao sprint para o rival Mathieu van der Poel em 2020, sendo que o monumento de Roubaix não se realizou devido à pandemia.

Para já, está actualmente em estágio com a equipa, mas ainda irá regressar ao ciclocrosse, até porque no final do mês haverá Mundiais da vertente.

»»Marc Hirschi deixou DSM para se juntar a uma equipa cada vez mais forte««

»»Líderes começam a decidir em que grande volta vão apostar««

6 de janeiro de 2021

Recorde de equipas World Tour na Volta ao Algarve. E duas ficaram de fora!

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Depois de ter sido anunciado que 16 das 19 equipas do World Tour estavam interessadas em participar na Volta ao Algarve, num total de 30 equipas estrangeiras de todos os escalões, já era expectável que a corrida pudesse celebrar uma nova marca. Serão 14 as formações do principal escalão a competir entre 17 e 21 de Fevereiro, havendo apenas lugar para duas ProTeam, além das nove portuguesas, todas da categoria Continental.

Com 25 vagas disponíveis (sete ciclistas em cada formação) foi preciso seleccionar as que receberiam convite. As portuguesas têm, desde que queiram, presença garantida, pelo que a enorme procura terá provocado algumas dores de cabeça à organização. Deixar duas equipas do World Tour de fora... não pode ter sido fácil. 

As convidadas são: Astana-Premier Tech (Caz), Bora-hangrohe (Ale), Cofidis (Fra), Deceuninck-Quick-Step (Bel), Groupama-FDJ (Fra), Ineos Grenadiers (GB), Intermarché-Wanty-Gobert (Bel), Israel Start-Up Nation (Isr), Lotto Soudal (Bel), Team DSM (Ale), Trek-Segafredo (EUA) e UAE Team Emirates (EAU), todas formações que estiveram na edição de 2020 e algumas são já presença habitual nos últimos anos. Destaque para a Intermarché-Wanty-Gobert que este ano subiu de escalão, mas como ProTeam há alguns anos que não falha a Algarvia.

A estes nomes juntam-se dois regressos muito bem-vindos: a Jumbo-Visma (Hol) - que conquistou a corrida portuguesa em 2017 com Primoz Roglic - e a Movistar (Esp), equipa que conta com o português Nelson Oliveira.

De realçar também que entre estas 14 equipas está representado o top 9 do ranking mundial colectivo de 2020. Agora vamos entrar naquela fase de saber quem serão as grandes estrelas que vão viajar até ao sul do país, sendo que outra ansiedade passa pela incerteza se a corrida irá mesmo para a estrada.

A Volta ao Alentejo, que tinha data marca precisamente para um mês depois, vai ser adiada e, já se sabe, em tempo de pandemia é difícil haver garantia que as provas se realizem nas datas previstas, ou que se realizem de todo. Para já, a informação é que a Algarvia mantém os dias anunciados, com o percurso das cinco etapas a ser conhecido em breve.

Falta ainda referir as duas ProTeams que conseguiram o valioso convite. A Caja Rural é uma presença mais do que habitual em Portugal. Participa em várias corridas ao longo do ano no nosso país. A Rally Cycling também não é novidade e além de já ter estado no Algarve, em 2020 esteve na Edição Especial da Volta a Portugal e com uma parceria com a Lusíadas Saúde.

Pertencendo ao segundo escalão mundial, ProSeries, a Volta ao Algarve continua a consolidar-se com uma das melhores corridas de início de temporada. E nunca é de mais recordar: em 2020, a Algarvia foi a segunda melhor prova no circuito ProSeries, no que diz respeito à qualidade do pelotão. Só foi batida pela Volta a Burgos. No ranking geral, a prova portuguesa foi 17ª classificada, ficando à frente de provas do World Tour. Pode ver aqui o ranking, no site ProCyclingStats.

Esperemos que o covid-19 não troque as voltas de uma corrida que, ano após ano, traz alguns dos melhores ciclistas do mundo a Portugal, é uma excelente forma de promoção para a região e, numa altura em que o turismo caiu a pique, será importante para a hotelaria local.

De referir ainda que quase todos os portugueses no World Tour poderão estar no Algarve, já que as suas equipas estão entre as eleitas. A saber: João Almeida (Deceuncink-QuickStep), Rui Costa, Ivo e Rui Oliveira (UAE Team Emirates), o referido Nelson Oliveira (Movistar) e o estreante André Carvalho (Cofidis). A excepção é Ruben Guerreiro, pois a americana EF Education-Nippo há muito que não ruma ao sul de Portugal.

»»2021 não será apenas mais um ano««

»»O calendário que mais se quer que se concretize««

18 de dezembro de 2020

Quem quer a bicicleta de Roglic da Vuelta? Ou a de Van Aert da Milano-Sanremo?

© PhotoGomezSport/La Vuelta
Há poucos dias, falou-se neste blog de como a Bianchi renovou a sua imagem para a nova parceria com a GreenEdge Cycling (a Mitchelton-Scott até ao fim do ano). Mas para aqueles que não resistem à tradicional cor celeste, sem travões de disco - ou seja, a bicicleta que tanta história tem e que muita história escreveu juntamente com a Jumbo-Visma durante sete anos - então tem uma hipótese de a comprar. Ou melhor, de as comprar, pois há bastante escolha. E claro que não se está a falar de umas bicicletas quaisquer.

A Jumbo-Visma iniciou um leilão para os mais ávidos coleccionadores ou para "continue the ride" (continuar a pedalar), como diz o slogan adoptado. Que tal uma das bicicletas com que Primoz Roglic venceu a Volta a Espanha (com direito à fita do guiador em vermelho)? Ou então a que Wout van Aert conquistou o seu primeiro monumento, Milano-Sanremo? Ou se alguém gostar mais de uma de contra-relógio de Tom Dumoulin, também há, assim como as máquinas de outros ciclistas, como Steven Kruijswijk, Sepp Kuss, Tony Martin e Robert Gesink, por exemplo.

É uma fantástica oportunidade para se ter bicicletas de grandes ciclistas, mas claro que é melhor preparar para abrir os cordões à bolsa. O leilão arrancou esta sexta-feira e dura até 27 de Dezembro. Para já, a que tem o valor mais alto é precisamente a de Van Aert, que ultrapassa os oito mil euros, no momento em que se escreve este texto.

O leilão está a decorrer no site Catawiki e se carregar aqui, pode ver ao pormenor as 28 bicicletas que a Jumbo-Visma quer tentar dar uma nova vida, ou enviar para um museu pessoal de um admirador.

»»Uma Bianchi renovada para a nova parceria««

»»Bicicletas com muita história roubadas da sede da Specialized««

14 de dezembro de 2020

Uma Bianchi renovada para a nova parceria

© Bianchi
Ver uma Bianchi sem ser com a sua famosa cor celeste é um pouco estranho. Mas, com o início de uma nova parceria no World Tour, a famosa marca italiana renovou as suas bicicletas. E também já têm travões de disco.

Depois de sete anos com a Jumbo-Visma e os últimos muito vitoriosos, a Bianchi irá passar a fornecer as bicicletas à Mitchelton-Scott. Naturalmente que este nome da formação australiana não será o de 2021. Para já a equipa está inscrita como GreenEdge Cycling, mas poderá sofrer alterações, caso surja um patrocinador. A Scott passará para a Sunweb (Team DSM na próxima época), com a Cérvelo a trocar a equipa alemã pela Jumbo-Visma. Uma autêntica dança de bicicletas no pelotão!

Quanto à Bianchi, era uma das poucas marcas que ainda não se tinha rendido aos travões de disco. Como curiosidade, as três grandes voltas de 2020 foram ganhas por ciclistas, cujas equipas utilizam bicicletas com o tradicional sistema de pinças: Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) venceu o Tour com uma Colnago, Tao Geoghegan Hart (Ineos) conquistou o Giro com uma Pinarello e Primoz Roglic foi o mais forte na Vuelta com a famosa Bianchi celeste.

Simon Yates e Michael Matthews, por exemplo, vão assim estrear a Bianchi com travões de disco e com novas cores. E este último pormenor tem sido o principal debate entre os fãs desta bicicleta. O tradicional celeste ainda está no quadro, mas acompanhado por um azul turquesa e ainda a cor preta. Se há quem elogie a mudança nas redes sociais, também se lêem críticas, com o celeste a continuar a ser a cor preferida. Um dos pormenores várias vezes destacado, é que a bicicleta poderá não se destacar tanto no pelotão.

© Bianchi
As mudanças trazem sempre opiniões diferentes, mas a Bianchi vai mesmo alterar a sua imagem no World Tour. Os ciclistas da GreenEdge Cycling vão ter à sua disposição a Specialissima disc (foto em cima), a Oltre XR4 - modelo mais aerodinâmico (foto ao lado) - e para o contra-relógio, a Aquila. Todas terão componentes Shimano (incluindo as rodas), os selins serão da Fizik e os pneus eleitos são os Pirelli P Zero. Os ciclo-computadores serão da Garmin.

Tempos difíceis na GreenEdge Cycling

Foi um ano muito complicado para a equipa australiana. Além da falta de melhores resultados e de exibições muito aquém, principalmente nas grandes voltas - no Giro toda a equipa abandonou a corrida devido a casos de covid-19 -, a formação viveu dias de incerteza, quando soube que iria perder o seu principal patrocinador. Em Junho foi dado como feito um acordo com a Manuela Fundación, de Espanha, mas após o anúncio público - até foram apresentados os equipamentos que seria utilizados ainda durante 2020 - Gerry Ryan, dono da estrutura, disse que afinal não era a solução que procurava.

Ryan não terá gostado, por exemplo, de os novos patrocinadores quererem ser os donos da equipa e até mudar a sua base para Granada, o que significaria também uma licença World Tour espanhola e não australiana. O actual patrão não quer perder o controlo da sua equipa e tratou não só de interromper qualquer negociação com os responsáveis da Manuela Fundación, como foi à procura de outros caminhos para o futuro.

Entretanto, a equipa conseguiu renovar contrato com Simon Yates, mas o irmão gémeo, Adam, rumou à Ineos. Daryl Impey vai juntar-se a Chris Froome na Israel Start-Up Nation, Jack Haig muda-se para a Bahrain-Victorious (actual Bahrain-McLaren) e Edoardo Affini será aposta da Jumbo-Visma.

Quanto a contratações, o regresso de Michael Matthews será certamente muito bem-vindo, sendo que foi um ciclista que deu muitas e grandes vitórias à equipa, antes de se mudar para a Sunweb. Da EF Pro Cycling chega Tanel Kangert e o norueguês Amund Grondahl Jansen troca a Jumbo-Visma pela formação australiana. A GreenEdge Cycling garantiu ainda um jovem promissor italiano, de apenas 21 anos, Kevin Colleoni (ex-Biesse Arvedi). Foi terceiro no Giro para o seu escalão e soma vários pódios e top dez em importantes corridas de sub-23.

Quando a equipa australiana surgiu em 2012 esteve mais dedicada ao sprint e clássicas. Porém, com os irmãos Yates, foi também apostando cada vez mais nas gerais e teve o seu ponto alto em 2018, quando Simon esteve na luta pelo Giro e acabaria por ganhar a Vuelta. Porém, a equipa não conseguiu dar seguimento a esse sucesso e tenta reinventar-se, ainda que sem mudanças profundas naqueles que serão os líderes, com a excepção da despedida de Adam Yates.

»»Mark Cavendish resiste««

»»Fabio Aru com mais uma oportunidade««

11 de novembro de 2020

Groenewegen aceita suspensão de nove meses e fala em "página negra" da sua carreira

© Team Jumbo-Visma
Dylan Groenewegen foi suspenso nove meses devido ao incidente no sprint da primeira etapa da Volta à Polónia. O holandês e a Jumbo-Visma receberam a notícia com um sentimento de alívio, pois agora, dizem, podem começar a olhar para o futuro e preparar o regresso do ciclista às corridas. No entanto, Groenewegen não esconde como segue as novidades sobre a recuperação de Fabio Jakobsen de perto e espera que o que aconteceu possa servir de lição para outros ciclistas. Pela frente destaca como tem de trabalhar tanto o aspecto mental, como o físico, antes de competir novamente.

A 5 de Agosto, Groenewegen desviou-se da sua linha de sprint, atirando Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep) contra as barreiras. Porém, estas não serviram de protecção, pois saltaram para a estrada provocando a queda de outros corredores e Jakobsen passou por cima delas, caindo desamparado do lado contrário. Foi colocado em coma induzido, mas três meses depois já fala em andar novamente de bicicleta em breve. Parte do seu rosto teve de ser reconstruído, tendo levado 130 pontos. Ainda tem mais intervenções cirúrgicas pela frente, até para receber implantes dentários, pois perdeu praticamente todos os dentes.

Groenewegen foi afastado da competição pela própria equipa, sendo que também acabou por cair naquele dia, fracturando a clavícula. Numa entrevista dada pouco tempo depois do sucedido, admitiu que nem pensava em andar de bicicleta, lamentando em lágrimas o que tinha acontecido a Jakobsen. Em reacção à suspensão decretada pela UCI, o holandês admite que lhe dá "a oportunidade para olhar em frente"

"Estou satisfeito com isto, apesar de 7 de Maio ainda estar longe. Estou feliz pelo apoio que tenho da Jumbo-Visma, da minha família e amigos", salientou o ciclista de 27 anos. Está assim marcada a data a partir da qual Gronewegen pode regressar às corridas e retomar uma carreira já com várias vitórias importantes, como as quatro em etapas na Volta a França.

Porém, o holandês admite que o que aconteceu será uma "página negra" na sua carreira. "Peço desculpa, porque quero ser um sprinter justo. As consequências foram infelizmente muito sérias. Tenho a consciência disso e espero que isto tenha sido uma lição para todos os sprinters", afirmou Groenewegen, que espera que Jakobsen possa regressar também ele à competição.

A Jumbo-Visma mantém o apoio ao seu ciclista, que tem contrato até 2023. O director, Roger Plugge salientou como as notícias sobre a recuperação de Jakobsen são animadoras e que referiu como o anúncio da suspensão dá "perspectiva e clareza", para que a equipa possa começar a preparar Groenewegen e recolocá-lo ao nível que tinha antes do incidente na Volta a Polónia.

Além de aceitar a suspensão, a UCI explicou que Groenewegen colaborou com a investigação e aceitou participar "em eventos para beneficiar a comunidade do ciclismo".

De recordar que além da gesto de Groenewegen que provocou a aparatosa queda, também foi levantada a questão sobre as barreiras, que não ficaram no sítio ao sofrer o impacto. A Associação de Ciclistas Profissionais levantou de imediato a dúvida sobre a segurança das barreiras colocadas pela organização da Volta à Polónia, além de realçar como um sprint a descer só aumentou o perigo de uma queda grave. Aliás, vários corredores já haviam referido como aquela chegada a Katowice era muito perigosa.

»»Um último susto, uma ajuda da Movistar e uma vitória com todo o mérito para Roglic««

8 de novembro de 2020

As equipas da Vuelta uma a uma

© Unipublic/Charly López/La Vuelta
Fim da Volta a Espanha e ponto final na temporada de ciclismo de estrada. Não foi fácil, mas as três grandes voltas realizaram-se, mesmo com a Vuelta a ser três dias mais curta e a coincidir numa semana com o Giro. Primoz Roglic ultrapassou a desilusão de ter perdido de forma tão dramática o Tour e conquistou a sua segunda grande volta em Espanha. Duas presenças, duas vitórias. A Jumbo-Visma foi dos conjuntos mais fortes na montanha, a Movistar das equipas que mais trabalhou. As ProTeam desiludiram, mas não foram as únicas. A EF Pro Cycling sai de Espanha bem feliz e a UAE Team Emirates dos três portugueses - Rui Costa e os gémeos Oliveira - também ficou satisfeita.

Aqui fica como se comportaram as 22 equipas, pela ordem da classificação colectiva. Agora é esperar por 2021 para vermos de novo o melhor do ciclismo na estrada.

© Unipublic/Charly López/La Vuelta
Movistar: Trabalhou muito para Enric Mas, mas o seu líder não concluiu da melhor forma o esforço dos companheiros. Não foi uma má volta para a Movistar, que lutou, que controlou, mas no final falhou no mais importante. Enric Mas não esteve à altura do que tinha prometido antes da corrida e Alejandro Valverde tem, merecidamente, estatuto, mas faltou ser mais um elemento para o colectivo e não tanto para pensar só no seu top dez. Afinal a Movistar queria ganhar a Vuelta com Mas. Marc Soler salvou a honra com uma vitória de etapa, mas também baralhou a táctica em certos dias. É um ciclista que continua a dar mostras que não quer ser gregário em praticamente qualquer circunstância. Nelson Oliveira foi uma das figuras da equipa. É um luxo ter um ciclista que trabalha como o português. Ele sim, é a definição do que é um corredor que pensa na equipa, seja quem for o líder. E ainda foi terceiro na etapa da sua especialidade: o contra-relógio. A Movistar venceu por equipas, algo que não surpreende! É já uma tradição. E claro, a situação na La Covatilla em que pareceu ter dado uma ajuda a Roglic para Carapaz não ganhar a Vuelta, acaba por marcar muito a prestação da equipa.

© Unipublic/Charly López/La Vuelta
Jumbo-Visma: No que diz respeito à montanha, foi o bloco mais forte. Não dominou como na Volta a França, mas foi a equipa com mais capacidade de apoio ao líder nas subidas, com natural destaque para Sepp Kuss. É um escudeiro do melhor que há no pelotão e parte da vitória de Roglic tem Kuss como responsável. Só claudicou na La Covatilla, mas não manchou a sua exibição. Jonas Vingegaard também merece ser referenciado. Primeira grande volta aos 23 anos e mostrou que está pronto para fazer parte do bloco das grandes voltas. E avisou, está a ser preparado para uma futura liderança. Toda a equipa esteve bem, com Roglic a finalizar desta feita com sucesso o trabalho, tendo ganho quatro etapas. O Tour não será esquecido, mas a vitória na Vuelta ajudará a superar a desilusão e a dar nova motivação para 2021.

Astana: É uma equipa partida. Aleksandr Vlasov e Ion Izagirre destacaram-se. O primeiro porque ficou à porta do top dez na sua estreia em grandes voltas - atenção a este jovem russo para 2021 -, o segundo venceu uma etapa. Porém, os ciclistas da Astana parecem correr muito por si e não em prol de um líder. Ficou a sensação que talvez a Astana pudesse ter conseguido algo melhor se Vlasov não estivesse tão só. É um problema que não se viu só na Vuelta. A equipa cazaque tem muito a repensar na sua forma de correr nas grandes voltas.

© Unipublic/Charly López/La Vuelta
UAE Team Emirates: Manteve a alta rodagem da temporada, conseguindo uma vitória com Jasper Philipsen e o top dez com David de la Cruz. Faltou Rui Costa conseguir um triunfo numa etapa. Foi dos ciclistas mais combativos da Vuelta, mas sai sem um merecido prémio e ainda com uma desclassificação algo polémica na antepenúltima etapa. Fica o aspecto positivo: Rui Costa mostrou-se forte em Espanha. Os gémeos Oliveira, Ivo e Rui, estrearam-se nas três semanas e demonstraram que estão prontos para mais. Ivo terminou muito forte a corrida. Ambos vão destacando-se na preparação dos sprints, mas podem assumir um papel de maior relevância no trabalho em protecção dos líderes. Boa corrida para os três portugueses e para a equipa em geral.

Mitchelton-Scott: Esteban Chaves ainda prometeu nos primeiros dias, mas depois foi mais do mesmo. O colombiano não consegue regressar à sua melhor forma e a equipa ressente-se disso quando aposta mais nele. Mikel Nieve foi top 15, mas acabou por ser uma formação que passou despercebida na Vuelta.

© Unipublic/Charly López/La Vuelta
Cofidis: Guillaume Martin esteve bem melhor do que num Tour em que começou forte, mas foi baixando de forma. Faltou a vitória de etapa que a equipa tanto precisava, num primeiro ano de regresso ao World Tour parco em triunfos (duas). Porém, as exibições de Martin colocam-no como um dos mais combativos da corrida e conquistou merecidamente a camisola das bolas azuis da montanha. Não foi um objectivo inicial, mas ao proporcionar-se a hipótese de ganhar, Martin mostrou parte da sua qualidade. Sim, este ciclista pode valer muito mais. A Cofidis acabou a proteger o seu líder nesta luta da montanha e sai da Vuelta minimamente satisfeita.

Ineos Grenadiers: Foi à Vuelta com a intenção de a ganhar. Mas mais uma vez ficou bem claro que a equipa britânica não tem a força de outros tempos e Richard Carapaz também sofreu com isso. O equatoriano surgiu bem na corrida, foi líder por duas vezes, mas ficou muito rapidamente sozinho sempre que as principais subidas surgiram. Chris Froome ainda chegou a ver-se a certa altura, mas não chegou. Andrey Amador foi de longe o melhor gregário, mas acabava por se desgastar em demasia por entrar muito cedo ao trabalho. Carapaz sai da Vuelta com nota positiva, a equipa sai a saber que ganhou um Giro de forma inesperada com Tao Geoghegan Hart, mas se quer ser novamente competitiva frente a uma Jumbo-Visma cada vez mais forte, vai ter de melhorar o funcionamento do seu colectivo.

Groupama-FDJ: Andou discreta, mas teve David Gaudu a bom nível. Thibaut Pinot cedo abandonou, no que se tornou numa oportunidade para o jovem francês de se mostrar. Duas etapas, top dez... Gaudu não será gregário por muito mais tempo. Já era visto como sucessor de Pinot, agora poderá muito bem partilhar uma liderança nas grandes voltas. A boa notícia para a Groupama-FDJ nesta Vuelta foi mesmo essa: tem mais uma opção para número um.

Sunweb: Com uma média de idades a rondar os 23 anos, normalmente não se esperaria muito de uma equipa com tantos estreantes em grandes voltas. Porém, depois de um Tour e Giro de grande nível, a Sunweb atraiu algumas atenções. Com as expectativas mais altas, acabou por ser uma desilusão não ver os jovens ciclistas mais activos. Mas dentro do possível cumpriram. Entraram em fugas, tentaram ganhar etapas. Não se poderia pedir muito mais dada a inexperiência da maioria dos atletas convocados.

© Photo Gomez Sport/La Vuelta
EF Pro Cycling: Perder cedo Daniel Martínez e ver Michael Woods ficar, também cedo, fora da luta pela geral, fez temer uma Vuelta longe do esperado. Mas eis que surgiu um Hugh Carthy a finalmente confirmar credenciais. Venceu no mítico Angliru, foi terceiro na geral e a equipa ainda conseguiu vencer mais duas tiradas, uma com Woods e outra com Magnus Cort. A EF Pro Cycling, vai aos poucos crescendo, conquistando mais bons resultados e termina a Vuelta como uma das equipas que melhores exibições fez.

CCC: Passou completamente ao lado da corrida. O maior destaque foi para Will Barta que foi segundo no contra-relógio. É uma equipa em fim de vida e os seus ciclistas mal se viram. Entraram numa ou outra fuga, mas foi muito pouco, não ajudando ter Simon Geschke e Francisco Ventoso abandonarem. Prestação muito fraca.

AG2R: Só três ciclistas terminaram a Vuelta! Entrou em fugas, mas foi uma equipa que pouco se viu e que demonstrou que está claramente a precisar de um novo rumo, algo que deverá começar a acontecer em 2021.

NTT: Mais uma formação que passou despercebida. Talvez pese a incerteza se irá ou não continuar no próximo ano. Só Gino Mäder se mostrou e ainda se viu Michael Valgren. Mas foi pouco, muito pouco para uma equipa que bem precisava de se mostrar e com ciclistas ainda sem contrato para a próxima temporada.

Deceuninck-QuickStep: Não foi uma grande volta para recordar. Apenas uma vitória de etapa por Sam Bennett, com o irlandês a ser desclassificado noutra tirada que havia ganho, por sprint irregular. Os seus ciclistas estiveram nas fugas, Rémi Cavagna até foi nomeado o super combativo da Vuelta, mas não foi uma corrida bem conseguida por parte da formação belga, tendo em conta que se espera sempre muito mais.

Bahrain-McLaren: Não houve muita classe da equipa, mas ver Wout Poels fechar na sexta posição foi extremamente positivo. O holandês foi dos que perdeu tempo no arranque frenético da Vuelta, mas foi subindo de forma e praticamente sozinho garantiu um bom lugar na geral, agora que tem a oportunidade de liderar uma equipa, depois de anos como gregário da luxo da Sky/Ineos. Para a Bahrain-McLaren valeu mesmo Wout Poels, os restantes ciclistas, rapidamente desapareciam quando as subidas surgiam no percurso. E foram muitas!

Caja Rural: Entrou nas fugas, mas pouco mais se viu da equipa espanhola do segundo escalão. Há muito que não tem conseguido ser uma formação que consegue estar mais vezes na discussão de etapas. Foi uma performance abaixo do que se esperava, tendo em conta que alguns ciclistas eram vistos como potenciais animadores de etapas.

Trek-Segafredo: Equipa sem história para contar na Vuelta. Uma das grandes apostas era Matteo Moschetti para os sprints, mas o jovem ciclista chegou foram do tempo limite logo na sétima etapa e foi para casa. Ciclistas como Michel Ries e Juan Pedro López tiveram a oportunidade de se estrear numa grande volta. Mal se viram, mas a Trek-Segafredo terá aproveitado para preparar o futuro.

Israel Start-Up Nation: Valeu Daniel Martin. E valeu muito. Uma vitória de etapa, quarto lugar na classificação... O irlandês teve uma das melhores prestações da sua carreira em grande voltas (talvez a melhor), numa altura em que até se estaria a preparar para ser gregário de Chris Froome. A equipa nem na ajuda ao líder teve capacidade, principalmente na montanha, mas sai de Espanha bem feliz com o resultado final de Martin, que não se esperava nesta fase da carreira ver a este nível.

© Photo Gomez Sport/La Vuelta
Bora-Hansgrohe: Andou um pouco na sombra, mas Felix Grossschartner conseguiu um bom nono lugar e chegou a estar mais acima na tabela. Na luta por etapas, Pascal Ackermann conseguiu cumprir em Madrid, sendo que terminou a Vuelta com duas vitórias, a primeira por desclassificação de Sam Bennett, após sprint perigoso. Pode ter sido uma equipa que pouco se viu, mas fez uma boa Vuelta perante os objectivos que tinha.

Burgos-BH: Muito diferente de 2020. Nem etapas, nem luta pela montanha, a equipa espanhola do segundo escalão esteve muito abaixo do esperado. Tal como a Caja Rural esperava-se que animasse mais a corrida, mas tirando os seus ciclistas irem aparecendo em fugas, acabaram por ser inconsequentes. Ricardo Vilela talvez tenha sido afectado pelo facto de ser chamado à última hora para a corrida. A sua preparação já não terá previsto fazer uma prova de três semanas e pouco se viu do português.

Lotto Soudal: Com Tim Wellens a vencer duas etapas, a chegar a ser líder da classificação da montanha, a Lotto Soudal terminou a Vuelta com a missão cumprida. O belga surgiu forte, entrou em várias fugas e foi o destaque da formação, assim como o jovem estreante em grandes voltas, Gerben Thijssen. O sprinter, de 22 anos, foi segundo numa das etapas. Acabou por abandonar, mas a Lotto Soudal já tem mais um homem rápido a aparecer para discutir mais vitórias no futuro.

Total Direct Energie: Esteve na Vuelta depois de conseguir entrar directamente na corrida por ter vencido o ranking do segundo escalão em 2019, a formação francesa foi mais uma que mal se viu. Mesmo entrar em fugas foi algo complicado. Má Vuelta.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

»»Um último susto, uma ajuda da Movistar e uma vitória com todo o mérito para Roglic««

»»Ineos Grenadiers e Movistar a trabalhar e Roglic a ganhar mais uns preciosos segundos««

7 de novembro de 2020

Um último susto, uma ajuda da Movistar e uma vitória com todo o mérito para Roglic

© Unipublic/Charly López/La Vuelta
Richard Carapaz esperou até ao últimos momentos para dar alguma emoção à última etapa de montanha da Vuelta. Já dentro dos cinco quilómetros final atacou, depois de Hugh Carthy ter aberto as hostilidades. Foi um derradeiro susto para Primoz Roglic, um vencedor pela segunda vez consecutiva da Vuelta, mas que teve uma ajuda preciosa na recta final da tirada que terminou no Alto de la Covatilla. Não, não foi Sepp Kuss, o seu fiel escudeiro da Jumbo-Visma. Foi mesmo uma Movistar que assim ajustou algumas contas com uma saída muito pouco amigável de Carapaz da equipa espanhol em 2019.

Roglic tem todo o mérito nesta vitória. Isso ninguém lhe pode tirar. Veio à Vuelta depois de uma enorme desilusão no Tour. Parecia ter o triunfo garantido e tudo se desmoronou no contra-relógio decisivo em La Planche des Belles Filles. Em Espanha passou todos os testes que enfrentou. Mentalmente foi um ciclista decidido a mostrar que a derrota no Tour frente a Tadej Pogacar não iria definir o resto da sua carreira.

É um vencedor e quando se perde, a melhor forma de reagir é regressar às vitórias. Já tinha conquistado o seu primeiro monumento, a Liège-Bastogne-Liège, mas era uma reacção numa prova de três semanas que precisava. Roglic está bem vivo e contem com ele para lutar pela Volta a França em 2021, agora como um duplo vencedor de duas Vueltas. Curiosamente, dois triunfos em outras quantas presenças. Não compensa o que aconteceu em França, mas foi mais uma vez uma mostra do carácter excepcional deste ciclista.

Só um casaco - justificou a perda da liderança na sexta etapa com problemas em vestir um casaco - e o Angliru fizeram tremer Roglic. As subidas com pendentes muito íngremes não são uma especialidade sua. Onde compensa? Nas bonificações. É um ciclista que faz questão de amealhar o maior número de segundos bónus, para tentar compensar o que possa perder na estrada. Na Vuelta foi uma táctica decisiva.

Em La Covatilla, Roglic tremeu mais um pouco. Um último susto, que fez pensar por alguns minutos que também nesta grande volta poderia haver uma mudança de líder mesmo no fim. Mas eis que surgiu a Movistar. Foi mais uma etapa ao ataque da equipa espanhola e mais uma em que não tirou dividendos de tanto trabalho. Enric Mas ficou na quinta posição que já ocupava e Marc Soler não discutiu a etapa. Restava então um pormenor...

Com Carapaz a ganhar tempo - e chegou a estar a menos de 20 segundos de conquistar a Vuelta -, com Roglic já sem companheiros de equipa e com Carthy (EF Pro Cycling) também a conseguir afastar-se do esloveno, Mas e Soler entraram ao trabalho. Os dois espanhóis deram uma preciosa ajuda a Roglic, minimizando perdas. Depois de cortar a meta, o esloveno apressou-se em agradecer aos dois inesperados parceiros.

O ciclismo não se faz só de companheiros de equipa. Há coisas que não se esquecem e que até levam a dar a mão a rivais. A Movistar não esquece como Carapaz quebrou contrato com a equipa para assinar pela Ineos Grenadiers, em mais um episódio do desentendimento com o empresário Giuseppe Acquadro. E mais. Antes da Vuelta de 2019, Carapaz participou num critérium sem autorização da equipa. Uma queda acabaria por afastá-lo da grande volta espanhola.

Foi um fim de relação que não agradou nada aos responsáveis da Movistar, que perderam assim o ciclista que havia vencido a Volta a Itália e que poderia ser importante no futuro na liderança de uma formação que não iria apostar mais em Nairo Quintana, que também se preparava para perder Mikel Landa e tem Alejandro Valverde quase a terminar a carreira.

Roglic não esquecerá o gesto da Movistar, tal como a Ineos Grenadiers de Carapaz não irá certamente deixar passar em claro. As rivalidades fazem parte do desporto, mas no caso do ciclismo, nem todas nascem na estrada, mas é lá que ganham expressão. Este dia ainda terá repercussões noutras provas...

Numa etapa (Sequeros - Alto de la Covatilla, 178,2 quilómetros) que chegou a parecer que seria uma desilusão, terminou com muito para contar.

David Gaudu venceu a sua segunda etapa na Vuelta
e subiu ao top 10 (© Photo Gomez Sport/La Vuelta)
Luta no top dez

Roglic terminou com 24 segundos de vantagem sobre Carapaz, com Carthy a fechar o pódio, a 47 do esloveno. Daniel Martin (Israel Start-Up Nation), Enric Mas e Wout Poels (Bahrain-McLaren) seguraram as posições seguintes.

A UAE Team Emirates foi uma das equipas que mais animou a etapa, até ao momento Movistar, claro. Atacou cedo e colocou David de la Cruz na frente, com Ivo Oliveira e Rui Costa a terem um papel muito importante na ajuda ao espanhol que conseguiu subir à sétima posição, a 7:35 de Roglic. Rui Costa muito tentou ganhar uma etapa, mas a fechar a Vuelta, mostrou que continua a ser um ciclista com quem podem contar para trabalhar em prol de um companheiro.

David Gaudu (Groupama-FDJ) foi à procura de ganhar a sua segunda etapa e não só conseguiu, como ainda teve o bónus de entrar no top dez (oitavo, a 7:45). A equipa francesa falhou por completo no Tour com Thibaut Pinot, mas foi ao Giro dominar nos sprints com Arnaud Démare e na Vuelta pode muito bem ter confirmado que tem um futuro líder para as três semanas. Gaudu teve liberdade e mostrou que é um corredor que pode ser mais do que um gregário.

Felix Grossschartner (Bora-Hansgrohe) e Alejandro Valverde (Movistar) conseguira a custo ficar no top dez, com Aleksandr Vlasov (Astana) a ser o sacrificado com a entrada de Gaudu. Ainda assim, uma boa estreia em grandes voltas do jovem russo.

Nas restantes classificações, Guillaume Martin (Cofidis) é o vencedor da montanha - já o havia garantido na quinta-feira -, Roglic acumula a geral com a classificação dos pontos, Enric Mas é o melhor na tabela da juventude e a Movistar vence por equipas, como tem sido habitual.

Classificações completas, via ProcyclingStats.

18ª etapa: Hipódromo de la Zarzuela - Madrid, 139,6 quilómetros

Muito se irá falar do que aconteceu na La Covatilla, mas Roglic terá o seu momento para desfrutar da merecida vitória. Foi uma Vuelta com trocas na liderança, muita montanha, com o mau tempo a fazer-se sentir e a dificultar muito a tarefa de todos, fosse qual fosse o objectivo.

Este domingo irá pedalar-se os últimos 139,6 quilómetros não só da corrida, mas da época. Madrid marcará o fim de um ano atípico, mas no qual se conseguiu concluir as três grandes voltas, por si só uma vitória para o ciclismo mundial, mesmo que a Vuelta tenha sido mais curta (18 etapas em vez de 21).

Ainda assim, foi necessário alterar a tirada de consagração, que ganhou cerca de 12 quilómetros. Nada de grave, já que grande parte será feita a um ritmo calmo. A corrida continuará a terminar no Paseo de la Castellana, mas a organização decidiu não passar por localidades como Móstoles, Alcorcón, Leganés e Getafe. A entrada em Madrid não será feita por Villa de Vallecas, mas sim por Barajas e Feria de Madrid. Os ciclistas farão mais quilómetros de auto-estrada. A fase final mantém-se com um circuito de seis voltas entre Castellana e Paseo Recoletos.

»»Ineos Grenadiers e Movistar a trabalhar e Roglic a ganhar mais uns preciosos segundos««

»»Vitória de Philipsen com influência de Ivo Oliveira (e com um agradecimento emocionado)««

6 de novembro de 2020

Ineos Grenadiers e Movistar a trabalhar e Roglic a ganhar mais uns preciosos segundos

© Unipublic/Charly López/La Vuelta
Tanto trabalho da Ineos Grenadiers e da Movistar e no final foi Primoz Roglic, da Jumbo-Visma, quem agradeceu. Um segundo aqui, um segundo ali e o esloveno vai partir para a etapa decisiva da Vuelta com 45 de vantagem sobre Richard Carapaz e 53 sobre Hugh Carthy (EF Pro Cycling). Nem se pode dizer que tenha sido algo planeado pelo camisola vermelha ou pela sua equipa, apenas aproveitou a oportunidade de sprintar no final, depois de ver a fuga ser apanhada e ficar escancarada a porta para conquistar mais uma bonificação.

Nesta Vuelta são 48 segundos ganhos por Roglic na linha da meta, sendo que ajuda e muito ter ganho quatro etapas (10 segundos cada). Carapaz somou 16 e Carthy 10, na vitória no Angliru. Mais do que fazer diferença na estrada, já faz parte do estilo de Roglic em encarar estas corridas sempre à procura de somar bonificações. No Tour acabou por não resultar, mas tem este sábado o Alto de la Covatilla para ultrapassar e assim conquistar uma grande volta em 2020, tentando repetir o triunfo em Espanha, depois de ter ganho em 2019.

Os seis segundos que amealhou em Ciudad Rodrigo podem não garantir uma vitória a Roglic, mas servem de tónico para a derradeira etapa, na qual ninguém poderá ficar à espera do esloveno falhar. É agora ou nunca. A liderança terá de ser atacada, mas o próprio Carapaz demonstrou que aqueles seis segundos não eram nada bem-vindos na perspectiva do líder da Ineos Grenadiers. Quando percebeu que Roglic ia sprintar, também acelerou, mas nada pôde fazer para evitar ter mais tempo para recuperar.

A La Covatilla é uma subida com 11,4 quilómetros, com uma inclinação média de 7,1%. Roglic sofreu no Angliru, mas com a pendente máxima deste sábado a ser de 12% e não mais de 20, o esloveno terá de ter um dia muito mau para ceder tanto tempo só nesta subida.

Por isso mesmo, foi ainda mais estranha a forma como a Ineos Grenadiers se desgastou nos 162 quilómetros desta sexta-feira. Principalmente, Andrey Amador, um ciclista tão importante na ajuda a Carapaz. A boa colocação do equatoriano foi um objectivo, mas, ainda assim, Amador desgastou-se muito quando não houve qualquer intenção de tentar surpreender Roglic. E não demorou muito a perceber-se que o esloveno não ia ceder tempo no sobe e desce desta etapa.

A Jumbo-Visma esteve mais dedicada a proteger o seu líder, pois na parte final foi a Movistar que assumiu a frente do grupo. Mais uma vez não foi para preparar um ataque de Enric Mas, talvez ainda a pensar no pódio. A equipa foi atrás de uma vitória de etapa com Alejandro Valverde. E neste aspecto percebe-se. Ganhar a Vuelta está fora de questão e para uma equipa com apenas duas vitórias em 2020 (!), é importante conquistar algo mais - além da camisola da juventude que Mas não deverá perder - antes da época terminar. E finaliza já em Madrid, no domingo. Não há mais corridas.

17ª etapa: Sequeros - Alto de la Covatilla, 178,2 quilómetros

La Covatilla será a segunda categoria especial depois do Angliru. Não tem as pendentes da mítica subida, como foi descrito em cima, mas a Covatilla além de ser uma subida difícil, vai ser feita com temperaturas abaixo dos 10 graus, havendo a possibilidade de chuva, ainda que seja baixa. O vento deverá rondar os 14 quilómetros/hora.

A grande questão é se Carapaz e Carthy vão deixar tudo para a última subida, ou arriscam um ataque de longe. Esta última escolha poderá ser a opção de um Enric Mas ou mesmo de Daniel Martin (Israel Start-Up Nation), dois ciclistas que poderão dar o tudo por tudo para chegar ao pódio. O espanhol está a 3:29 de Roglic e o irlandês a 1:48.

Também se poderá ver uma luta pelos restantes lugares no top dez, mas esta Vuelta chega ao penúltimo dia com a geral por decidir, sendo que 2020 fica marcado por todas as grandes voltas só terem ficado decididas no derradeiro dia (não contando com o da consagração que o Tour e a Vuelta têm). Nas outras duas houve uma reviravolta...

Classificações completas, via ProCyclingStats.

© Photo Gomez Sport/La Vuelta
Rui Costa penalizado

O ciclista português continua à procura de ganhar uma etapa nesta Vuelta. Desta feita não entrou na fuga, mas ficou muito próximo de vencer. Foi terceiro no sprint ganho pelo Magnus Cort, em mais uma vitória para uma EF Pro Cycling que é das equipas mais ganhadoras após o desconfinamento. Porém, Rui Costa (UAE Team Emirates) acabaria sancionado e relegado para o final do grupo devido a uma manobra que foi considerada perigosa pelos comissários.

"Estou desiludido, mas não tenho outra escolha senão aceitar. Foi um final seguro e penso que o meu sprint foi correcto. Não houve certamente uma má intenção. Vou focar-me na próxima etapa antes de Madrid", afirmou Rui Costa.

Nota: Por lapso escreveu-se que Roglic tinha ganho 58 segundos nas bonificações. São 48, pois no contra-relógio não há bonificações. Fica aqui um pedido de desculpa pelo erro.

»»Vitória de Philipsen com influência de Ivo Oliveira (e com um agradecimento emocionado)««

»»Tim Wellens no seu terreno e uma lição de boa táctica««

30 de outubro de 2020

Uma classe própria

© Photo Gomez Sport/La Vuelta
Nem sprinters, nem puncheurs, o vencedor da etapa foi um ciclista de uma classe muito própria. Que mais se pode dizer de Primoz Roglic? É uma autêntica máquina de procurar vitórias, nunca estando satisfeito. E não pára de dar razões para se falar dele e de o elogiar.

Já se viu esta versão avassaladora do esloveno, que depois viria a quebrar num Giro que lhe serviu de lição para meses mais tarde ganhar a Vuelta. Isto foi 2019, porque em 2020, há um Roglic a saber aliar melhor a táctica a uma sede insaciável de triunfos. Ajuda (e muito) ter uma equipa fortíssima. Mas no Tour no único dia em que esteve mal, perdeu a corrida. Na Vuelta... simplesmente parece estar a aproveitar todos os dias em que se sente forte. É para ganhar, mas sem grandes calculismos ou à espera de momentos perfeitos.

Para Roglic, basta uma chegada ter uma inclinação que já é perfeita para atacar e vencer. Adora segundos de bonificação. Podendo aliar um triunfo a ganhar ou, neste caso, recuperar tempo perdido com 10 segundos e um pouco mais na estrada (desta feita três segundos), isso sim, é perfeito para ele. E já é líder novamente!

Demorou quatro dias a recuperar do erro que o levou a perder a camisola liderança para Richard Carapaz (Ineos Grenadiers). Disse que teve problemas com o casaco, mas o que importa nesta altura, é que o ciclista da Jumbo-Visma já recuperou os 30 segundos que havia perdido. Agora está empatado com o equatoriano, mas reassume a dianteira da Vuelta, já somando três vitórias de etapas.

Triunfo após triunfo, arranque após arranque a poucos ou a vários metros da meta, é impossível não se sentir uma admiração pela forma de correr deste esloveno, que celebrou 31 anos na quinta-feira. Aquela derrota amarga do Tour, quase parece nem ter acontecido.

Pode já não ser da nova geração, alguns dos melhores voltistas que estão a surgir são quse dez anos mais novos que o esloveno. Mas é dos mais velhos que nesta fase de mudança de figuras no ciclismo consegue debater-se com os mais novos. Perdeu para Tadej Pogacar (22 anos) no Tour, é certo, mas a idade não foi o problema.

Roglic despontou tarde no ciclismo - é bem conhecida a sua história desportiva, que começou nos saltos de esqui -, mas é um ciclista que faltam adjectivos para descrever tudo o que faz, o quanto entusiasma, o quanto dá espectáculo.

Porém, como foi dito, sabe o que é ter começos explosivos e depois ceder. Sobe à liderança antes de um fim-de-semana que chamar de alta montanha, até parece pouco. É um fim-de-semana mesmo ao estilo da Volta a Espanha!

Talvez por isso, todas as movimentações finais da 10ª etapa desta sexta-feira (Castro Urdiales - Suances, 185 quilómetros) não deixaram de surpreender um pouco. Ontem houve descanso, hoje já praticamente todos os homens da geral mostraram ter intenções para atacar naquela curta subida final, perto da meta, com 5% de inclinação. A maioria dos sprinters nem se posicionou para tentar vencer. E os restantes, ficaram sentados a ver Roglic acelerar, como tantas vezes faz e como tantas vezes fica sem resposta à altura.

Agora terá de mostrar a mesma boa forma na alta montanha. Richard Carapaz não baixa os braços e a Movistar prometeu atacar, pela voz de Alejandro Valverde. O fim-de-semana na Vuelta promete.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

11ª etapa: Villaviciosa - Alto de la Farrapona Lagos de Somiedo, 170 quilómetros

Subir, subir, subir. Não vai haver descanso. É daquelas etapas em que já se assistiu na Vuelta ataques de longe. É um tipo de percurso muito difícil de controlar, ainda mais quando não há equipas muito fortes. Dia difícil para a Jumbo-Visma, mas também para quem quiser ameaçar Roglic. Há que medir bem o esforço. É que domingo é dia de Angliru. Vão ser duas etapas a não perder.

»»Ackermann alerta que factor económico faz ciclistas correrem mais riscos««

»»Roglic irresistível (e Carapaz não lhe fica atrás)««

28 de outubro de 2020

Roglic irresistível (e Carapaz não lhe fica atrás)

© Photo Gomez Sport/La Vuelta
É difícil não sentir alguma admiração e principalmente um enorme respeito por Primoz Roglic. Ainda se está por descobrir o que pode deitar abaixo este ciclista. É que se perder a Volta a França no contra-relógio final - quando até é uma especialidade sua - não o fez, então não ia ser o casaco ou uma falta de pernas num dia que o iria fazer desistir de lutar pela Vuelta. Roglic sofre, pode passar alguns dias menos bons, mas não lhe digam que não pode fazer mais nada. Não que fosse preciso, mas o esloveno lá deixou mais uma prova da sua forma de estar no ciclismo com a exibição no Alto de Moncalvillo.

A batalha com Richard Carapaz está a tornar-se numa bem espectacular. Ataque, contra-ataque, um dia está um mais forte, noutro dia está outro... Quando perdeu a camisola vermelha, Roglic desculpou-se com problemas em vestir o casaco, sendo que houve depois falta de força para responder a Carapaz, depois de ter sido obrigado a recuperar o tempo perdido para chegar ao grupo de favoritos.

Sem desculpas, o Roglic de Moncalvillo foi aquele que se viu a ganhar a primeira etapa e aquele que já se viu tantas vezes nos últimos três/quatro anos. Quando mete as mãos em baixo no guiador já se sabe que é provável que se vá assistir a algo especial. E assim foi. Carapaz resistiu, mas acabou por ceder 17 segundos, contando com as bonificações. São 13 que os separam, com vantagem para o equatoriano. E se Daniel Martin (Israel Start-Up Nation) e Hugh Carthy (EF Pro Cycling) não deve ser retirados da equação, cada vez mais esta Vuelta está a escrever-se com a rivalidade Roglic/Carapaz.

A capacidade que este esloveno tem de ultrapassar desconfianças, como as que talvez não fosse um voltista, que talvez não fosse o líder para a Jumbo-Visma, que talvez não pudesse discutir uma grande volta... Roglic parece motivar-se ainda mais! Havia a incerteza como se apresentaria depois de perder o Tour de forma tão dramática. Está fortíssimo mentalmente e fisicamente também.

Aliás, o mesmo se pode dizer de Carapaz. Na Movistar andou na sombra dos líderes Alejandro Valverde, Nairo Quintana e ainda Mikel Landa. Sabia-se que tinha qualidade, mas não era apresentado como líder, não era visto como candidato, não era visto como um ciclista que chegaria ao topo da hierarquia rapidamente. Foi ao Giro de 2019... Mostrou que era um atleta que não ia ficar à espera, só porque havia um tridente de nomes fortes, mas poucos resultados.

Seguiu para a Ineos Grenadiers e esbarrou com as mudanças forçadas devido às alterações de calendário. Teve de ser gregário de Egan Bernal, ainda que tenha acabado a tentar salvar a equipa de uma Volta a França para esquecer. Não foi ao Giro - o seu plano inicial, quando ainda estávamos em tempos, digamos, normais - e chegou à Vuelta com Chris Froome ao seu lado. O britânico é a figura uma história que está a ter um capítulo bem triste de ver. Carapaz é o líder, merece esse estatuto, e que bem tem estado em Espanha, numa Vuelta de loucos, mas que não perturba em nada este ciclista.

Esloveno e equatoriano fizeram história ao tornarem-se os primeiros dos seus países a vencerem uma grande volta, precisamente em 2019 (Vuelta e Giro, respectivamente). Roglic (30 anos) e Carapaz (27) são dois lutadores, habituados a que nada seja fácil, habituados a desconfianças, mas também já bem habituados a ganhar, principalmente Roglic.

Alto de Moncalvillo foi difícil (dia com 164 quilómetros, que começaram em Logroño), Roglic assim o admitiu depois de se tornar no primeiro vencedor da subida da zona de La Rioja, no norte de Espanha - pendente média acima dos 9%, com rampas a 15% -, mas ainda virá pior, com os olhos postos no mítico Angliru, no domingo. E mal se pode esperar para ver este dois ciclistas estarem novamente frente-a-frente.

E o melhor de tudo? É que nesta Vuelta quem parece poder estar a ficar fora de cena, tem duas etapas no fim-de-semana para mostrar que também tem o poder de luta para se intrometer entre Roglic e Carapaz. Enric Mas e a Movistar bem precisam de puxar dos galões. Trabalharam muito esta quarta-feira - vénia a Nelson Oliveira -, mas o seu líder não cumpriu na subida final. Marc Soler e Alejandro Valverde também não estiveram melhor. Pelo contrário.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

9ª etapa: B.M. Cid Campeador Castrillo del Val - Aguilar de Campoo, 157,7 quilómetros

Atenção! Vamos ter duas etapas quase sem montanha! Até parece estranho! A desta quinta-feira é completamente plana, sexta haverá apenas uma terceira categoria. É melhor não celebrar muito, porque este dois dias para os sprinters, serão importantes os candidatos à geral recuperarem forças. O que o pelotão terá de enfrentar no fim-de-semana é de testar o mais resistente dos ciclistas.

»»Como controlar na Volta a Espanha? A pergunta de difícil resposta««

»»A importância da força mental««