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10 de janeiro de 2021

Feirense tenta renascer com o regresso de um patrocinador e uma surpresa na liderança

© Facebook Feirense-Ciclismo Profissional
Quando no final de 2019 o Feirense perdeu dois dos principais patrocinadores, o clube foi à luta para a estrada apenas com o seu nome e com Rafael Reis a ser a principal aposta, numa equipa marcada por ciclistas muito jovens. 2020 teve pouca história desportiva, já se sabe, mas o líder andou perto de cumprir o objectivo de vencer na sua especialidade, o contra-relógio. Para 2021, o Feirense tenta renascer. Quer muito mais e com o reforço financeiro importante no regresso da Antarte de Mário Rocha à modalidade, Joaquim Andrade vai contar com um ciclista com um palmarés rico em Portugal: Vicente García de Mateos.

Conhecida a saída da Aviludo-Louletano ao fim de sete anos, em Espanha chegou a ser dado como possível De Mateos voltar ao seu país. Mas não. O espanhol vai continuar no pelotão nacional e na agora Antarte-Feirense o objectivo será novamente conquistar vitórias e, claro, de olhos postos na Volta a Portugal. É certo que nos dois últimos anos De Mateos, de 32 anos, "apagou-se" um pouco, mas soma dois pódios na Volta e seis vitórias de etapas,  duas camisolas verdes (pontos), além de outros bons resultados, como a conquista da Clássica Aldeias do Xisto, em 2017.

É uma contratação surpresa, mas que faz a equipa regressar mais à sua génese. Ou seja, lutar por gerais e não só, como aconteceu quando Edgar Pinto era o líder. Mas se a chegada de Vicente García de Mateos é muito importante para esta formação, a possibilidade de contar com mais dois ciclistas de muita experiência também deixará certamente o director desportivo satisfeito. Bruno Silva (32 anos) e Rafael Silva (30) reencontram-se, depois de muitos anos juntos na Efapel. O primeiro esteve em 2020 na LA Alumínios-LA Sport.

A restante equipa prima pela juventude, algo habitual desde que este projecto arrancou em 2018. João Barbosa (23) regressa a casa, enquanto Venceslau Fernandes (24) terminou uma relação de quatro anos com a estrutura Kelly-Simoldes-UDO, durante a qual venceu uma Volta a Portugal do Futuro, em 2018. Inicia assim uma nova fase na sua carreira, na procura pela afirmação na elite.

Cinco reforços, cinco permanências

Bernardo Saavedra (22), Afonso Eulálio (19 anos) e António Ferreira (20) são três jovens que vão ter a oportunidade de continuar a evoluir na equipa, com Fábio Oliveira e Gonçalo Amado (ambos com 26 anos) a também renovarem o contrato e a terem mais uma possibilidade para se mostrarem, já que em 2020 não foi possível dado o escasso calendário.

A chegada da Antarte permite a Joaquim Andrade ter mais ambição para 2021, apostando então num Vicente García de Mateos talvez a precisar de dar um novo rumo à carreira, depois de duas temporadas mais discretas na formação algarvia. A de 2020, acaba por se resumir a uma Volta a Portugal muito distante do que já demonstrou ser capaz de fazer, depois de ter evoluído de um ciclista mais de sprints, para um trepador com capacidade de lutar por pódios na Volta a Portugal.

Rafael Silva poderá ser outra aposta para alcançar alguma vitória, sendo um ciclista que tem capacidade para discutir finais ao sprint. É ainda conhecido por ser um incansável homem de trabalho. Ou seja, é possível que tenha um papel parecido ao que João Matias teve na equipa, antes de sair em 2020 para a Aviludo-Louletano. Entre os jovens, alguma atenção para perceber como irá evoluir Bernardo Saavedra, ciclista que deixou indicações interessantes como sub-23. João Barbosa é outro corredor a seguir.

Regresso da Antarte e de Mário Rocha

Depois de ter abandonado a modalidade em 2016 por temer que o ciclismo português estivesse a caminhar para novos escândalos de doping, Mário Rocha está de regresso, desta feita ao lado do Feirense e apenas como patrocinador. Anteriormente também foi director desportivo, tendo estado no ciclismo cerca de 15 anos, antes de decidir sair. Crítico quanto à forma como a modalidade estava a ser conduzida, disse que voltaria quando se verificassem mudanças profundas.

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24 de novembro de 2019

Passo de qualidade e de sucesso na LA Alumínios-LA Sport

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Vitória na classificação da juventude da Volta a Portugal, conquista da Volta a Portugal do Futuro e mais duas etapas, um circuito e outros bons resultados que foram levando alguns ciclistas da LA Alumínio-LA Sport ao pódio, ou, pelo menos, mostravam, corrida após corrida, como estavam a evoluir. Depois do um ano zero de 2018 como equipa Continental sub-25, foi dado um grande passo de qualidade. E a ambição continua a crescer, com reforços bem interessantes a chegar à equipa de Hernâni Brôco.

Com a UD Oliveirense-InOutBuild e a Miranda-Mortágua a serem há alguns anos referências na formação de jovens ciclistas - para referir as outras duas estruturas de clube que subiram a Continental - , em duas temporadas a LA Alumínios-LA Sport mostrou que quer e pode também ser um bom exemplo. Desde a criação da equipa que o director desportivo tem um discurso de motivar os seus atletas, para acreditarem neles perante um pelotão com ciclistas com mais experiência, passando a palavra que era possível triunfar um dia atingir o sonhado triunfo. Ao segundo ano chegaram as vitórias e logo aquelas que estas três equipas colocam como principais objectivos.

É preciso não esquecer que, como patrocinador, a LA Alumínios deixou uma estrutura de elite para apostar nos jovens e não demorou a alcançar destaque. O que Emanuel Duarte fez na Volta a Portugal marcará a ainda curta carreira, mas também foi de extrema importância para a equipa. Há um ano, foram as constantes presenças em fugas que ajudaram a mostrar a camisola. Agora esteve no pódio final com uma das camisolas.

E inevitavelmente Emanuel Duarte terminou a época como uma das grandes figuras. Vencer a camisola da juventude e depois conquistar a Volta a Portugal do Futuro comprovou o potencial que Brôco viu neste ciclista que conheceu na Sicasal-Constantinos (estrutura também de extrema relevância na formação em Portugal), sendo que em 2018, Duarte esteve na FGP-Cube-Bombarral. Será agora um ciclista que irá gerar alguma curiosidade na sua evolução, numa altura em que passará ao escalão de elite.

Mas há outro ciclista que não pode ficar esquecido. David Ribeiro representa tudo o que Brôco pede aos seus corredores. É muito combativo e essa características levaram-o ao pódio na Volta ao Algarve um dia para vestir a camisola da montanha, feito que repetiu na Volta a Portugal. Não as manteve, mas não deixou de ser um destaque quando se fala das duas competições mais importantes em Portugal. Além disso, passou 2019 na luta por bons resultados e não surpreende que vá continuar, assim como Emanuel Duarte.

Hernâni Brôco vai mesmo manter grande parte do seu plantel, pois tanto Gonçalo Leaça - que tal como Ribeiro está na equipa desde 2018 - Marvin Scheulen e André Ramalho (vencedor do Circuito de Alcobaça) deram garantias que podem contribuir para que a LA Alumínios-LA Sport possa dar mais um passo em frente em 2020. Rodrigo Caixas também irá prosseguir e depois de um ano de adaptação, visto ter sido o seu primeiro como sub-23, a responsabilidade e a aposta neste jovem irá aumentar.

Quanto a reforços, chegará um ciclista muito importante. Bruno Silva foi um dos homens de trabalho da Efapel nos últimos três anos, mas aos 31 anos irá assumir funções bem diferentes. Bruno Silva terá a oportunidade de ser líder, mas será principalmente uma voz de comando e de muita experiência, que poderá fazer diferença num grupo com os ciclistas muito jovens. António Barbio teve esse papel esta temporada, mas decidiu colocar um ponto final na carreira aos 25 anos, tal como André Crispim (23).

Na Efapel não foram muitas as oportunidades que teve para se mostrar, mas em 2019, por exemplo, ganhou o Circuito de Nafarros e somou classificações da montanha: na Volta a Castela e Leão, Memorial Bruno Neves e no Grande Prémio Jornal de Notícias.

Depois chegará Miguel Salgueiro. E fica já o aviso para se seguir com muita atenção este ciclista. É o autêntico todo-o-terreno numa perspectiva que não há vertente em que não tenha qualidade. BTT, ciclocrosse, Salgueiro está sempre na luta por vitórias, tal como na estrada. A sua subida a uma equipa Continental era previsível depois das boas temporadas na Sicasal-Constantinos e de se já ter destacado como júnior. Ciclista rápido e, lá está, muito combativo como Hernâni Brôco tanto gosta. Impossíveis para Salgueiro, não existem.

O açoriano João Medeiros convenceu a LA Alumínios-LA Sport durante o estágio na segunda metade da temporada, com o júnior João Macedo a ser outra das contratações. Venceu a Volta ao Concelho de Loulé, uma das competições de referência do escalão. Estava no Bairrada, estrutura que não é estranha a ver ciclistas seus chegarem longe no ciclismo, por exemplo, João Almeida, que vai para a Deceuninck-QuickStep. Outro júnior a subir a sub-23 será Rafael Gouveia, que será promovido da equipa de Paio Pires.

A LA Almunínios-LA Sport vai querer continuar a afirmar-se na luta da juventude, mas o próximo passo já começa a passar por almejar a uma conquista de maior destaque entre a elite.

Equipa para 2020: Emanuel Duarte (22 anos), David Ribeiro (24), Marvin Scheulen (22), André Ramalho (23), Gonçalo Leaça (22), Rodrigo Caixas (19), Bruno Silva (31, Efapel), Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos), João Macedo (18, Bairrada), João Medeiros (19, Juventude Lajense/Terauto/Bike, estagiou com a LA Alumínios-LA Sport na segunda metade da temporada de 2019), Rafael Gouveia (18, Paio Pires).

Veja aqui as conquistas das nove equipas Continentais portuguesas em 2019.


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27 de abril de 2019

Bruno Silva vence classificação da montanha na Volta a Castela e Leão

Bruno Silva conquistou a camisola vermelha da montanha
(Fotografia: Vuelta Castilla y León/Efapel)
Bruno Silva foi um dos portugueses em destaque na Volta a Castela e Leão. O ciclista da Efapel conquistou a classificação da montanha da corrida espanhola de três dias, tendo vestido a camisola vermelha logo na primeira etapa. Nelson Oliveira e João Matias também se fizeram notar numa prova marcada pela expulsão a um corredor que agrediu David de la Fuente, da Aviludo-Louletano.

O italiano David Cimolai foi o grande vencedor, seguido do companheiro Guillaume Boivin, em mais uma conquista para a Israel Cycling Academy. A equipa ganhou recentemente o Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela, por intermédio do colombiano Edwin Ávila. A formação israelita continua assim a manter a promessa de amealhar o máximo de pontos possíveis nas corridas em que vai participando, com uma potencial subida World Tour em vista. Cimolai - que está a preparar a participação na Volta a Itália - venceu ainda duas etapas, sendo que a primeira foi após desclassificação de Carlos Barbero (Movistar), por sprint irregular.

O protesto até foi feito pela Euskadi-Murias, que veria Enrique Sanz conseguir finalmente a vitória na última etapa. O nome não é estranho em Portugal, pois este espanhol triunfou em três das seis etapas da Volta ao Alentejo.

De referir que foi o segundo triunfo consecutivo da Israel Cycling Academy na Volta a Castela e Leão, que em 2018 teve o espanhol Rubén Plaza como vencedor.

Apesar de ajudar o companheiro Carlos Barbero na luta por etapas, Nelson Oliveira teve liberdade para procurar o seu resultado. Dois sextos lugares e um nono, valeram o sexto posto na geral, a 21 segundos de Cimolai. Nelson Oliveira foi o único português no top 20, sendo preciso descer até à 22 posição para encontrar o segundo melhor: João Matias (a 2:48 minutos). A maioria do tempo foi perdido logo na primeira etapa, mas foi na terceira etapa que se viu o melhor do ciclista da Vito-Feirense-PNB. Matias foi segundo, batido por um Enrique Sanz que foi simplesmente demasiado forte para toda a concorrência. Um bom resultado para o corredor português, com a equipa a ter Óscar Pelegrí a terminar no sexto lugar da última tirada, de 151,8 quilómetros, entre Léon e Villafranca del Bierzo.

A Efapel foi das seis equipas portuguesas presentes a que saiu de Castela e Leão com um prémio. O director desportivo, Américo Silva, admitiu que a classificação da montanha era o objectivo e tudo foi feito colectivamente para que Bruno Silva conquistasse a camisola. Na geral, Antonio Angulo foi o melhor da equipa, na 13ª posição, a 2:09 minutos de Cimolai, tendo sido terceiro nas metas volantes.

Alejandro Marque destacou-se no Sporting Tavira, com o 18º posto, a 2:29. António Carvalho foi o melhor da W52-FC Porto, na 28ª posição, a 3:14, Oscar Hernandez (Aviludo-Louletano) foi 36º, a 7:54 e Daniel Freitas (Miranda-Mortágua) foi 40º, a 8:05.


As equipas portuguesas regressam agora a casa para na quarta-feira, dia 1 de Maio, competir na Clássica Aldeias do Xisto, que vai decidir os vencedores da Taça de Portugal.

David de la Fuente agredido, também acabou sancionado

O ciclista espanhol da Aviludo-Louletano terminou a corrida na parte de baixo da tabela - antepenúltimo a quase 30 minutos -, mas foi notícia pelas piores da razões. De la Fuente esteve envolvido numa altercação que resultou na expulsão da Volta a Castela e Leão do ciclista da Delko Marseille Provence, Eduard Grosu, na segunda etapa.

Os directores da corrida acusaram o campeão romeno de "agressão com circunstâncias agravantes", multando-o em 200 francos suíços (cerca de 176 euros) e a perda de 10 pontos do ranking UCI, além da expulsão imediata da corrida. De la Fuente foi sancionado com a mesma multa e também pela dedução igual de pontos por "agarrar a camisola e ameaças".

Na página de Facebook, a equipa algarvia explicou que Grosu atirou o espanhol por uma ribanceira, "deixando-o mal tratado". Espera agora que a UCI aplique uma "sanção exemplar". Em casos recentes, Gianni Moscon (Sky) foi suspenso por cinco semanas por agressão a Elie Gesbert (Fortuneo-Samsic, actual Arkéa Samsic), na última Volta a França. Em 2017, na Volta ao Dubai, Marcel Kittel ficou a sangrar do sobrolho após agressão de Andrei Grivko (Astana), com a UCI a suspender o ucraniano por 45 dias.