(Imagem: print screen) |
O americano Eamon Lucas tornou-se bastante conhecido pelo seu sprint de cerca de 200 metros sem bicicleta. Sem surpresa deu várias entrevistas e, em poucas palavras, o ciclista, de 26 anos, estava na fuga quando se viu envolvido numa queda a poucos metros da meta. Os danos na corrente e no desviador não lhe permitiam completar a prova belga Gullegem Kermesse a pedalar. Sem problema. Entregou a bicicleta a um espectador e toca a correr. Admitiu que lhe custou bastante, mas lá conseguiu o desejado top dez.
— Eamon Lucas (@Eamon_Lucas) 8 de junho de 2019
A corrida é de categoria 1.12B, normal entre as amadoras. Tal não significa que se possa ignorar o regulamento UCI que estipula que o ciclista tem de terminar a prova com a bicicleta. Pode cortar a meta a pé, mas na posse da bicicleta. Os comissários da corrida belga validaram o resultado de Lucas, tornando este em mais um exemplo de como o regulamento não é cumprido à risca.
Ainda recentemente na Volta a Itália, Miguel Ángel López (Astana) esbofeteou o adepto que o fez cair depois de resolver correr ao lado do ciclista! O colombiano descarregou toda a sua frustração e desde logo esperava-se que a decisão dos comissários fosse a expulsão e a multa correspondente (cerca de 200 francos suíços, 178 euros), visto ser isso que o regulamento dita. Os comissários consideraram que foi uma "reacção humana" e López pôde partir no dia seguinte para a última etapa do Giro.
Foi uma decisão que não gerou polémica, pois já são demasiados os exemplos de adeptos irresponsáveis que estragam corridas a ciclistas. Porém, não deixou de ir contra o regulamento e a UCI decidiu que iria investigar porque razão López não foi sancionado. O colombiano ainda não está livre de ser penalizado.
Depois temos o escandaloso exemplo da Volta à Califórnia. Este foi mau de mais e só se pode dizer que ainda bem que foi Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) a ganhar a geral, pois se Tejay van Garderen tem vencido... muito se falaria da polémica (e esta foi mesmo muito polémica) decisão.
O americano da EF Education First, o líder naquela quarta etapa, teve um problema mecânico a cerca de dez quilómetros do fim. Não conseguiu reentrar no pelotão, que foi afectado por uma queda antes dos três quilómetros finais. Alguns ciclistas da geral ficaram para trás. A decisão, foi que todos, incluindo Van Garderen que tinha perdido quase um minuto, ficassem com o tempo do vencedor. De recordar que só quando há incidentes dentro dos três quilómetros é que esta regra se aplica, excepto em etapas de montanha, o que não era o caso. Ou seja, quem ficou para trás na queda e ainda mais Van Garderen deveria ter perdido tempo.
O americano da EF Education First, o líder naquela quarta etapa, teve um problema mecânico a cerca de dez quilómetros do fim. Não conseguiu reentrar no pelotão, que foi afectado por uma queda antes dos três quilómetros finais. Alguns ciclistas da geral ficaram para trás. A decisão, foi que todos, incluindo Van Garderen que tinha perdido quase um minuto, ficassem com o tempo do vencedor. De recordar que só quando há incidentes dentro dos três quilómetros é que esta regra se aplica, excepto em etapas de montanha, o que não era o caso. Ou seja, quem ficou para trás na queda e ainda mais Van Garderen deveria ter perdido tempo.
Estes são três exemplos recentes, havendo mais, mas levanta-se a questão se o regulamento é para ser cumprido à risca, ou se poderão existir atenuantes, como no caso de López? O problema de utilizar os regulamentos quase como se fossem linhas de orientação é abrir precedentes que outros ciclistas possam utilizar mais tarde para se defenderem se o caso for idêntico, mas a decisão diferente. Mas é difícil não pensar como seria injusto López ser expulso... Lado racional vs lado emocional, devem os regulamentos e os comissários ter esta questão em conta? Se houver coerência nas decisões, porque não.
Regressando ao caso de Froome em 2016, para dar outro exemplo. O britânico viu ser-lhe dado o mesmo tempo de Porte e Mollema, o que o levou a manter a camisola amarela. Porte concordou dadas as circunstâncias excepcionais do que tinha acontecido, Mollema nem por isso e até questionou se a opção teria sido a mesma se tivesse sido ele a ficar para trás em vez de Froome.
Regressando ao caso de Froome em 2016, para dar outro exemplo. O britânico viu ser-lhe dado o mesmo tempo de Porte e Mollema, o que o levou a manter a camisola amarela. Porte concordou dadas as circunstâncias excepcionais do que tinha acontecido, Mollema nem por isso e até questionou se a opção teria sido a mesma se tivesse sido ele a ficar para trás em vez de Froome.
O caso da Volta à Califórnia foi demasiado mau para ser verdade e não há atenuantes que justifiquem o que se passou. E foi numa corrida World Tour! Já Eamon Lucas admitiu que se fosse uma prova profissional que não iria manter o resultado, mas como foi uma amadora e a decisão foi a seu favor, ficou, naturalmente, contente. Mas não deixa de ser estranho que se concorde que se termine uma corrida de bicicleta... sem a bicicleta!
E já agora, no dia seguinte, Lucas venceu uma corrida, também na Bélgica. Como festejou? Talvez este tipo de celebração nunca tenha sido tão apropriado!
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