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10 de outubro de 2018

Roubaram o troféu do Tour de Geraint Thomas

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
Uma distracção e Geraint Thomas ficou sem o troféu que ganhou em Julho ao conquistar a Volta a França. A taça estava exposta num evento dedicado à modalidade em Birmingham, Inglaterra, juntamente com os ganhos por Chris Froome no Giro, em Maio, e na Vuelta de 2017. Só o de Thomas desapareceu e a polícia já está a investigar o sucedido. O galês não esconde a desilusão pelo que aconteceu, mas espera que ou seja devolvido, ou que apareça de outra forma.

Os troféus foram emprestados à Pinarello, marca de bicicletas utilizada pela Sky, e o roubo aconteceu quando já decorria a arrumação no final do dia 29 de Setembro. A equipa explicou que o troféu esteve momentaneamente sem qualquer vigia e foi nessa altura que desapareceu. "É uma grande infelicidade que isto tenha acontecido. Não é preciso dizer que o troféu tem um valor limitado para quem o levou, mas tem um grande significado para mim e para a equipa. Espero que quem o tenha levado tenha a bondade de o devolver. Um troféu é importante, mas o que mais interessa são as memórias incríveis daquele verão incrível e ninguém poderá tirar essas", afirmou Geraint Thomas.

(Fotografia: Facebook Pinarello)
Aquele troféu significou a quarta vitória consecutiva da Sky em grandes voltas e a primeira de Thomas, depois de anos como gregário. É também um marco para o ciclismo britânico, pois graças à vitória de Froome no Giro, Thomas no Tour e depois de Simon Yates (Mtichelton-Scott) na Vuelta, a Grã-Bretanha conquistou as três grandes voltas no mesmo ano, com três ciclistas diferentes. Um feito inédito.

"Estamos obviamente devastados com isto. Aceitamos a total responsabilidade e já pedimos desculpas pessoalmente ao Geraint. Obviamente esperamos que o troféu possa ser recuperado", disse o director da Pinarello no Reino Unido, Richard Hemington.

O objectivo do troféu estar exposto era para que os fãs o pudessem ver de perto, como explicou a Sky, tal como as bicicletas pintadas para celebrar as três vitórias. Após a sua vitória no Tour, Thomas tem andado muito dedicado a eventos para mostrar a sua conquista. Só participou em mais duas corridas desde a Volta a França, na Volta à Alemanha e à Grã-Bretanha, mas sem qualquer pretensão de vencer. O pouco treino e o desgaste da temporada levou-o a abdicar dos Mundiais.

Entre as muitas homenagens de que foi alvo, o galês tem agora um velódromo com o seu nome e, desportivamente, decidiu renovar com a Sky até 2021, apesar da CCC lhe ter feito uma proposta para liderar a nova vida da BMC.

Geraint Thomas irá começar a pensar em 2019, num ano que poderá marcar o regresso ao Giro, com Froome a querer atacar apenas o Tour, para tentar selar o quinto triunfo. Mas, por agora, Thomas terá de treinar sem ter um troféu que muito mereceu, como fonte de inspiração e motivação.



6 de setembro de 2018

Mais um incidente depois da meta a provocar a queda de ciclistas

(Imagem: Print screen)
Há uma semana, o helicóptero voou baixo de mais e a deslocação de ar fez com que as grades de segurança, de plástico, se deslocassem para a estrada, provocando a queda a alguns ciclistas. Agora, numa altura em que os ciclistas pensam que podem começar a relaxar, já que tinham cortado a meta, novo incidente, com um membro da organização a originar uma queda que deixou Dylan van Baarle mal tratado e sem certeza se irá continuar na corrida.

É um daqueles momentos que só visto. Nas imagens televisivas vê-se um homem a correr, de costas para os ciclistas, quando finalmente se virou, já não foi a tempo de evitar o choque com Alexandre Geniez, o vencedor da etapa. A meta estava colocada numa descida e foi discutida ao sprint, pelo que a velocidade era elevada. Não ajudou a estrada ser muito estreita e naquela zona da meta ainda fica com menos espaço devido à colocação dos repórteres fotográficos. A situação não seria fácil, mas se tudo tivesse sido cumprido à letra, dificilmente haveria problemas. Porém, o membro da organização tapou o único espaço que restava. para passar.

O ciclista da AG2R foi só o primeiro. Um polícia terá evitado que caísse desamparado, mas Dylan van Baarle não teve a mesma sorte. Quase deu uma cambalhota por cima do homem que também caiu no choque com Geniez. Mark Padun (Bahrain-Merida) e Dylan Teuns (BMC) não conseguiram evitar o incidente, mas com eles está tudo bem, tal como com Geniez. Van Baarle é que passou de estar a disputar uma etapa na Vuelta - foi segundo - para o risco de ser forçado a abandonar.

A Sky confirmou que o holandês não sofreu qualquer fractura, contudo, está bastante dorido e há uma preocupação com a coxa direita. A forma como passar a noite e como se sentirá de manhã poderá determinar a continuidade ou não do holandês. O membro da organização não saiu incólume do acidente, mas não tem ferimentos graves.

A situação não deixou ninguém satisfeito. No entanto, foi Gianni Bugno, presidente da Associação de Ciclistas Profissionais, que deu voz a uma maior revolta. "Não percebo porque está tanta gente na zona da meta. Se houvesse um sprint com cem ciclistas a cortar a meta ao mesmo tempo, poderia ter sido bem mais sério", afirmou o antigo ciclista. Bugno lamentou que casos como este aconteçam "apesar das medidas de segurança e de toda a polícia". Apelou ainda que a UCI intervenha para que os regulamentos das organizações sejam cumpridos.

"Não há circunstância atenuadoras. Estamos muito desiludidos por esta última falta de atenção para com os ciclistas. O ciclismo está a tornar-se num desporto perigoso em vez de melhorar [a segurança] e nesta altura já não estamos com vontade de ouvir aqueles que não respeitam as regras", afirmou o italiano.

A organização já pediu desculpa pelo sucedido, esperando que os ciclistas afectados possam continuar na corrida, mas Bugno disse que já não se aceitam desculpas por "acidentes previsíveis".

As duas situações geraram naturais criticas de alguns ciclistas. São inadmissíveis em qualquer corrida, mas o impacto é ainda maior quando se está numa das mais importantes  e mediáticas provas a nível mundial, na qual exige-se o maior e mais o perfeito do profissionalismo, para a segurança de todos.


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19 de agosto de 2018

Irmão de Miguel Ángel López atingido por moto que "invadiu" percurso da Volta à Colômbia

Quatro ciclistas foram chocaram de frente contra uma moto que entrou no percurso da última etapa da Volta à Colômbia. Um deles é o irmão de Miguel Ángel López, ciclista da Astana, que, segundos os meios de comunicação social locais, foi o que ficou ferido com maior gravidade. O acidente ocorreu no sábado, durante a penúltima etapa e motivou uma reacção de López no Twitter: "Imprudência total Segurança zero do ciclista por falta de permissão nas estradas. A federação colombiana deve garantir 100% da segurança."

O ciclista da Astana aponta assim a responsabilidade à federação, pois um insólito tinha acontecido antes, com a fase final do percurso a ter de ser alterada devido a uma actividade cultural. Foi precisamente no desvio que se deu o embate, não sendo ainda conhecido se o motard desobedeceu ao corte de estrada, ou se esta não estava devidamente assinalada para que não entrassem veículos não autorizados.

Além de Luis López, Johnatan Sarmiento e Aristóbulo Cala foram os outros ciclistas afectados, não sendo conhecido o nome do quarto corredor. Cala venceu a Volta à Colômbia em 2017 e confirmou o número de afectados no acidente (inicialmente eram apontados só três) explicou ao El Tiempo o que aconteceu: "Estávamos a chegar à [via] Carmen de Viboral numa curva um pouco fechada e um motard vinha bastante rápido. Ao ver-nos assustou, travou, mas a velocidade era tal que não controlou a moto e chocou de frente contra nós."

O ciclista, de 28 anos, confirmou que López foi quem ficou em pior estado, sendo de imediato transportado para o hospital. A bicicleta de Cala ficou destruída, como se pode ver nas fotografias partilhadas no Twitter (em baixo).


"Isto não pode acontecer uma corrida tão importante como a Volta à Colômbia. O presidente da Câmara de Rionegro não cedeu as estradas e não permitiu que se as fechassem. A federação teve de desviar a corrida e aconteceu isto", referiu Cala, que foi mais longe: "Espero que haja alguma responsabilidade porque foi uma tentativa de homicídio contra um ciclista." Cala considera que foi um milagre. "Deus estava comigo e protegeu-me porque o impacto foi impressionante", salientou.

Cala não terminou a corrida, acabando por também ele ser transportado para o hospital. O ciclista tem hematomas nos braços, ferimentos nas pernas e ainda três dedos da mão esquerda foram afectados. Quanto a Luis López, o El Espectador escreveu que o ciclista foi transferido para um hospital em Medellín, onde continua internado. A federação garantiu que irá garantir que o ciclista receba todos os cuidados médicos necessários. "Continuaremos a comprometer os melhores esforços na procura do crescimento do ciclismo e da segurança dos nossos atletas", escreveu num comunicado.

O mesmo site refere que o motard em causa está internado no hospital de Carmen de Viboral e a polícia está a investigar o que aconteceu.

A Volta a Colômbia terminou este domingo com vitória do equatoriano Jonathan Caicedo, companheiro de equipa (Medellín) do espanhol Oscar Sevilla, que foi tercerio, a 51 segundos. A última etapa foi ganha por Sebastian Molano (Manzana Postobón), sprinter que há um ano venceu duas etapas na Volta ao Alentejo e é colega de Ricardo Vilela.

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25 de julho de 2018

Polícia atirou Froome ao chão e adepto quase fez o mesmo a Thomas

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
É mesmo caso para dizer que nada nem ninguém derruba a Sky. Ou quase... A equipa tem sobrevivido ao pacote suspeito de Wiggins, ao caso de salbutamol de Froome, a cuspidelas, tentativas de agressões, empurrões... Só um polícia conseguiu deitar Chris Froome ao chão! Já um adepto falhou na pretensão, caso fosse mesmo essa, relativamente a Geraint Thomas.

A intensa 17ª etapa de 65 quilómetros, nos Pirenéus, terminou com um britânico feliz e outro a ter de se resignar ao facto que desta vez não vai ganhar, a não ser que algo inesperado aconteça. E o inesperado por vezes acontece... Com tanta animosidade por parte dos adeptos, que apupam Froome e os companheiros da Sky e até já tentaram fazer bem pior - um homem foi preso no Alpe d'Huez por ter tentado empurrar o ciclista vencedor de quatro Tours -, não seria certamente da autoridade que Froome esperaria ver concretizado a tentativa de outro.

Quando descia rumo ao autocarro, o britânico foi placado por um polícia, que provocou a queda de Froome, segundo o site do jornal Marca. O corredor tinha a capa vestida, tapando a camisola e o agente não terá percebido que se tratava de um dos atletas do Tour. Como a estrada ainda estava interdita, pois não tinham passado todos os ciclistas - o penúltimo do dia, Arnaud Démare, passava naquele momento - -, o polícia tentou impedir uma suposta quebra das regras por parte daquele ciclista, que por acaso era Froome.

É habitual os corredores desceram com cuidado depois de terminarem a etapa, enquanto outros ainda estão a completá-la. Neste caso o polícia não terá percebido que se tratava de um dos ciclista do Tour, contudo, tanto Froome, como um dos membros do staff da Sky ainda terão trocado algumas palavras com o agente. As imagens foram partilhadas no Twitter.


Foi entretanto partilhado no Instagram também um vídeo, mas não se vê a queda (acrescentado ao texto às 22:00).



A Marca também dá conta de outro incidente, mas com Thomas. Já perto do final no Col du Portet, em Saint-Lary-Soulan, um homem com uma camisola da AG2R estica o braço para tocar no líder da Volta a França. O que pretendia? Fosse o que fosse, tudo acabou com Thomas a lançar um olhar reprovador à atitude daquela pessoa e a cortar a meta em terceiro, cimentando a sua liderança. De 1:39 para Froome é agora de 1:59 para Tom Dumoulin (Sunweb).



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2 de junho de 2018

Família de ursos "visitou" ciclistas da Quick-Step Floors durante o estágio

Eis uma situação que vai direitinha para os insólitos do ano. Os ursos voltaram a cruzar-se com os ciclistas da Quick-Step Floors, mas desta vez não foi na estrada. Entraram mesmo em casa! Fernando Gaviria, Maximiliano Richeze e Iljo Keisse estão a estagiar nos Estados Unidos. Estão alojados perto do Lago Tahoe, que abrange a fronteira entre a Califórnia e o Nevada e receberam uma visita que começou por ser engraçada, mas que acabou com um valente susto.

O ciclista belga, Keisse, contou no Twitter a aventura desde que a família de ursos apareceu junto da casa, ao "roubo" da comida e a nova visita com os ciclistas desta feita no local. Inicialmente, quando os três ursinhos e a sua mãe apareceram, o pensamento foi "tão fofinhos".

O trio partiu para o treino, com 120 quilómetros à espera dele e ainda uma passagem pelo ginásio. Quando regressou à casa, deu conta da invasão dos animais, que deixaram as "impressões digitais", não resistindo ao apelo da comida que os ciclistas ali deixaram. "Por sorte estávamos a treinar", escreveu Keisse, que ainda brincou: "Fizeram alguma confusão e não deixaram um bilhete de agradecimento."


Já durante a noite, os ciclistas passaram por um pequeno susto, quando a família de ursos regressou: "Já não foi tão fofinho, adoramos-vos mas abraços de ursos, não obrigado!"

Os três ciclistas vão regressar brevemente à Europa, pois estão escalados para a Volta à Suíça, que começa no dia 9. No ano passado, quando estagiava na mesma zona, Matteo Trentin não evitou um choque com um urso e que acabou com um capacete bem danificado. O italiano, agora na Mitchelton-Scott, não ganhou para o susto.

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11 de maio de 2018

Froome com vida difícil no Giro. Até perdeu o helicóptero

(Fotografia: Giro d'Italia)
Chegou à Volta a Itália marcado pelo caso do salbutamol detectado na Vuelta. Quis concentrar-se na competição apesar da pressão mediática, mas ainda nem tinha arrancado a corrida e Chris Froome já estava a cair, durante o reconhecimento do contra-relógio inaugural. Entretanto perdeu mais de um minuto para o líder Simon Yates (Mitchelton-Scott) e fora da competição as coisas continuam a não correr bem. Poder-se-ia pensar que o pior para o pelotão seria viajar de Israel para a Sicília. Mas houve um dia de folga para o fazer e recuperar energias. Já atravessar as águas que separam a ilha italiana do sul do continente revelou ser uma aventura para alguns ciclistas. Froome à cabeça.

A Sky e a UAE Team Emirates, de Fabio Aru, terão sido as duas equipas que se fizeram valer dos elevados orçamentos que dispõem para alugar helicópteros para transportar os seus ciclistas e assim reduzir o tempo de viagem, para ajudar na recuperação. Os restantes, como Tom Dumoulin, foram de ferry, depois de terem enfrentado a viagem de autocarro até Messina. Essa acabou por ser a opção que sobrou para Chris Froome.

O britânico foi chamado para fazer os testes anti-doping depois de ter terminado a etapa da subida ao Etna, na quinta-feira. O único problema é que a 30 quilómetros da meta, Froome fez uma "paragem técnica" e quando foi preciso, não conseguiu produzir a amostra necessária de urina, segundo explicou à Gazzetta dello Sport. Foram precisas qualquer coisa como duas horas para conseguir finalmente "ficar livre". No entanto, já não tinha o helicóptero à sua espera.

"Às vezes as coisas complicam-te os dias, mas é assim que as coisas funcionam nas grandes voltas", disse Froome, citado pelo As. Só por volta das 22:00 é que terá conseguido estar no ferry. Porém, o britânico não foi o único azarado. Dumoulin e a restante Sunweb também acabaram por atravessar o estreito bastante tarde, por volta das 21:45, mas porque um dos barcos sofreu uma avaria!

Talvez agora se perceba melhor porque o pelotão esteve tão calmo durante a etapa desta sexta-feira. Já não bastava os três dias na Sicília terem sido intensos a nível competitivo, a viagem para o sul de Itália foi longa e complicada para alguns.

Visconti foi contra um carro da Groupama-FDJ

Do dia do Etna surgiram mais histórias e perder o helicóptero é um mal menor comparado com o que aconteceu com Giovanni Visconti. O ciclista apareceu com algumas feridas no final da corrida. Naturalmente que se pensou em mais uma queda. Mas afinal foi mais do que isso. O italiano da Bahrain-Merida tinha ido ao carro buscar abastecimento para os colegas. Quando regressava ao pelotão, estava atrás do carro da Groupama-FDJ, a andar a 60 quilómetros/hora, quando o veículo travou e Visconti não conseguiu evitar o choque.

"Podia ter entrado pelo vidro traseiro, mas acabei por voar pelo ar. Não sei quantos metros. Considero que tive sorte", admitiu à Gazzetta dello Sport. O ciclista contou que bateu com a cabeça e que por momentos perdeu a noção de onde estava. No entanto, terminou a etapa, a 19:43 minutos de Simon Yates.

Visconti explicou que tem dores no lado esquerdo do corpo, mas continua em prova. Não sabe por que razão o carro da equipa francesa travou de repente, mas não aponta qualquer responsabilidade, salientando que de imediato o ajudaram e pediram desculpa.

E para terminar, uma imagem que merece marcar este Giro. Eduardo Zardini caiu e fracturou a clavícula. Na altura ainda não sabia da gravidade da lesão e quis terminar a etapa na esperança que pudesse continuar em prova. A Wilier Triestina-Selle Italia estava unida para garantir que o seu sprinter Jakub Mareczko subia o Etna dentro do tempo limite. Porém, acabou por rodear um Zardini que nem conseguia apoiar um dos braços no guiador. Cortaram a meta todos juntos, mas o italiano acabou mesmo por se despedir do Giro. Não partiu para a etapa desta sexta-feira. Chegaram com mais de 26 minutos de atraso, com apenas Boy van Poppel (Trek-Segafredo) a cortar a meta mais tarde.

"Esta é uma grande imagem. Toda a equipa ajuda Zardini a atingir a meta com uma clavícula partida. O significado de trabalho de equipa", lê-se no twit partilhado pela equipa. E sim, é uma grande imagem.

Foi uma primeira etapa de montanha atribulada. E este fim-de-semana há mais para enfrentar.



5 de maio de 2018

Foi picado por uma vespa mas não toma nada para não acusar doping

(Fotografia: Lotto Soudal)
Irreconhecível! Sander Armée está a ser uma figura "silenciosa" deste início de Volta a Itália. O belga foi picado por uma vespa na quinta-feira, véspera do arranque da corrida, e tem o rosto inchado. O que há a salientar é que o ciclista está a competir sem recorrer a qualquer tratamento para não incorrer num teste positivo de doping.

O belga da Lotto Fix ALL poderia tomar cortisona para resolver a situação, mas é uma substância proibida. A outra hipótese seria solicitar a Autorização de Utilização Terapêutica, que tanto se tem falado nos últimos tempos devido principalmente à Sky e, recentemente, pelas admissões de Lieuwe Westra de quando estava na Vacansoleil e Astana ter recorrido a este processo para tomar substâncias proibidas, de forma a melhorar as suas performances.

No entanto, a equipa faz parte do Movimento por um Ciclismo Credível e as regras por que se rege são mais exigentes. Se Armée pedisse a autorização para tomar a cortisona, teria de abandonar a corrida.

Na quinta-feira, o ciclista de 32 anos, ainda brincou um pouco com a situação, colocando umas fotografias no Twitter a perguntar se deveria ou não utilizar óculos durante a apresentação da equipa na cerimónia que abriu a Volta a Itália.

Porém, o inchaço agravou-se e é assim que o ciclista está a competir.
Um grande sacrifício em prol da equipa por parte de Sander Armée, que está a aguentar esta situação para não deixar a Lotto Fix ALL com menos um homem tão cedo na corrida. O belga é um ciclista importante no plano para tentar levar Tim Wellens a um bom resultado na geral, mas também poderá ser aposta para tentar vencer uma etapa, como fez no ano passado na Volta a Espanha.

»»Vegni garante que se Froome ganhar o Giro a vitória não será retirada. A UCI não tem tanta certeza...««

»»Astana ameaça pedir indemnização a Westra após admissão de ter fingido lesões para tomar cortisona««

10 de abril de 2018

Quando chegou ao velódromo de Roubaix o portão já estava fechado

Ciclista furou e foi buscar uma roda ao carro da equipa... que estava a ser rebocado
(Imagem: print screen)
As peripécias num Paris-Roubaix dariam vários livros e certamente, pelo menos, um bom filme. Oficialmente, o último classificado da edição de 2018 foi o italiano da UAE Team Emirates foi Simone Consonni, que cortou a meta a 26.54 minutos do vencedor Peter Sagan, sendo 101º. Porém, houve quem não quisesse abandonar, mesmo que muito provavelmente já não contasse para a classificação, como se veio a confirmar. Foi o caso de Evaldas Siskevicius. Era a quarta vez que estava no monumento francês e para o lituano terminar era ponto de honra. Sobreviveu ao Inferno do Norte, a um furo já não muito longe do fim e ao facto de ter ficado sozinho, com o carro vassoura a receber ordem para seguir para Roubaix, enquanto o ciclista da Delko Marseille Provence KTM ainda pedalava e recusava parar. Quando viu o velódromo, Siskevicius passou rapidamente de pensar "missão cumprida", para ter dificuldades em acreditar no que os seus olhos lhe mostravam: o portão estava fechado.

"Felizmente um comissário foi compreensivo e deixou-me entrar. Assim pude fazer a minha volta e meia na pista", contou o ciclista ao Sporza. Mas pode-se dizer que este foi apenas o insólito final, pois antes já tinha uma história para contar. A menos de 40 quilómetros para a meta, 
Siskevicius (29 anos), ficou com o carro vassoura atrás de si. Nele já iam alguns ciclistas, a precisar urgentemente de um belo duche, e com as bicicletas presas no reboque.

Para o lituano não fazia sentido abandonar quando faltava tão pouco, tendo em conta que já tinha pedalado mais de 230 quilómetros. "Eu nunca desisto, seja na bicicleta, seja noutros aspectos da vida. Não queria desrespeitar a corrida. O Paris-Roubaix é um monumento que devemos honrar", salientou. Siskevicius seguiu e entrou no Carrefour de l’Arbre, sector de cinco estrelas. A 18 quilómetros de terminar a corrida, furou. Receou que era o fim, mas não: "Tive sorte. Estava lá o carro da minha equipa num reboque, mesmo atrás do carro vassoura. Pude ir buscar uma roda", contou. A viatura de apoio da Delko Marseille Provence KTM tinha avariado, o que acabou por calhar mesmo bem para Siskevicius.

E lá seguiu ele, determinado em terminar o Paris-Roubaix e apoiado por algum público que ainda se mantinha nas bermas dos sectores de pavé. Siskevicius admitiu que também esse foi um factor decisivo para chegar ao velódromo. Quando cortou a meta, já Peter Sagan o tinha feito há uma hora, tinha subido ao pódio e a festa na Bora-Hansgrohe estava em alta. Siskevicius teve o momento que ambicionava: terminar. Mesmo que não conte para a classificação, pois chegou fora do tempo limite. Ficou com uma boa história para contar! Em quatro participações no Paris-Roubaix, Siskevicius só terminou em 2016 (80º, a 16:52 de Mathew Hayman), mas se calhar não ficou com tanto para recordar.

No vídeo em baixo vê-se parte da aventura de Siskevicius e como diz um adepto: Chapeau! Grande atitude deste ciclista.

25 de novembro de 2017

Quando a publicidade corre mal

(Fotografia: Pinarello)
Se o objectivo era que se falasse da nova bicicleta eléctrica da Pinarello, então, a campanha de marketing alcançou o propósito. Mas é difícil imaginar que para o lançamento da Nytro, a marca italiana quisesse estar a ser acusada de machismo. E na era das redes sociais, as críticas foram implacáveis, desde as mais agressivas, às mais explicativas e àquelas feitas com uma dose de humor.

A Pinarello colocou nas redes sociais uma série de imagens acompanhadas por depoimentos de pessoas que terão vantagens em ter uma bicicleta de estrada eléctrica. A Nytro, entenda-se. No de Emma, de 24 anos, lê-se (imagem do post original do Instagram em baixo): "Sempre quis ir pedalar com o meu namorado, mas parecia impossível. Em breve será possível." A frase foi interpretada como se a mulher não conseguisse acompanhar o homem. As reacções não se fizeram esperar. Houve quem fosse buscar dados que demonstram como há mulheres que são mais rápidas que homens, mas por vezes é com humor que se fazem as melhores críticas e este foi o caso.


(Imagem: Print screen)

O marido de Megan Guarnier, uma das melhores ciclistas do World Tour feminino, escreveu no Twitter: "Sempre quis ir pedalar com a minha mulher, mas ela deixa-me para trás como uma pedra [é uma expressão inglesa] por isso sigo-a no carro. Em breve tudo será possível." Mas o melhor veio também de um marido, mas da nove vezes campeã nacional britânica de ciclocrosse, Helen Wyman. A frase é basicamente a mesma, mas Stefan Wyman aparece deitado, com ar esgotado, no sofá.


Não restou outra opção à Pinarello senão pedir desculpa e retirar a campanha de marketing. "A nossa recente publicidade falhou em reflectir os valores de diversidade e igualdade que são a base da Pinarello. A Nytro foi criada para tornar o ciclismo acessível a mais pessoas e a nossa publicidade falhou claramente em passar essa mensagem. As nossas sinceras desculpas", lê-se na mensagem publicada nas redes sociais.

A Pinarello fornece as bicicletas à Sky e baseou a Nytro na Dogma F10. Pesa cerca de 13 quilos, com a bateria a ter 4,7. A ajuda eléctrica pode contribuir para alcançar velocidades a rondar os 25 quilómetros/hora, mas o objectivo é que o apoio seja mais para as subidas, pois em terreno plano e a descer, serão as pernas a fazer o maior esforço.

A campanha de marketing foi infeliz, agora é esperar que a Nytro receba uma publicidade que até parece merecer.

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Pub

9 de novembro de 2017

Ciclista chinês suspenso dois anos após agressões

Sem perdão. A federação chinesa teve mão pesada para o ciclista que reagiu ao murro e pontapé a um alegado toque do carro da equipa suíça, que lhe teria provocado a queda. As imagens tornaram-se virais na internet e de nada serviu o pedido de desculpa de Wang Xin nas redes sociais. Ser expulso da corrida foi a menor das sanções. O corredor chinês foi suspenso por dois anos por "violência irracional", como descreveu a federação. Mas o organismo não ficou por aqui. A equipa e alguns dos seus membros também foram castigados.

O caso aconteceu a semana passada na sétima etapa da Volta a Hainan. Wang Xin, de 25 anos, culpou o carro da selecção suíça de ter provocado a sua queda. Ou seja, tocou-lhe, segundo o atleta. Nas imagens vê-se o ciclista chinês a atirar um bidão e mais tarde, já na meta atacou ao murro e pontapé um dos membros da formação helvética e tentou agredir outro, tendo mesmo agarrado uma bomba de encher pneus, que depois se vê na mão de um polícia.

A organização da corrida expulsou de imediato Wang Xin e a equipa Keyi Look, mas desde logo foi avançado que a federação chinesa poderia aplicar mais sanções. E aqui estão elas. Além da suspensão do ciclista, o director e outros dois membros da equipa estão proibidos de trabalhar no ciclismo profissional, com a federação a considerar que falharam em controlar o seu ciclista. E em 2018 não haverá Keyi Look na estrada, pois a estrutura está impedida de pedir a licença (Continental) para o próximo ano. Só poderá regressar em 2019.

O organismo chinês referiu no comunicado que tem uma "tolerância zero" para este tipo de incidentes. Escreveu que exige que todos, sejam chineses ou estrangeiros, respeitem as regras de disciplina.

A Keyi Look é uma equipa formada essencialmente por ciclistas da China, mas também por cazaques. Alguns até passaram ou pela estrutura Continental da Astana, ou no caso de Maxat Ayazbayev, esteve dois anos e meio na equipa do World Tour. Há ainda Daniel Dominguez, espanhol de 32 anos que tem passado por formações de vários países, sempre do terceiro escalão.

O antigo ciclista Danilo Hondo é agora o director da selecção suíça e nega as acusações de Wang Xin. Hondo afirmou que o ciclista tocou na roda de um atleta que ia à sua frente e não no carro.

No link em baixo pode ler as declarações de Danilo Hondo e ver o vídeo da cena de pancadaria.

5 de novembro de 2017

Ciclista reagiu ao murro e pontapé e toda a sua equipa foi expulsa da corrida

Wang Xin é por estes dias um nome popular pelas piores razões. O ciclista virou lutador e foi ao murro e pontapé que reagiu ao uma alegado toque de um carro da equipa nacional suíça, que lhe terá provocado uma queda. O ciclista chinês descarregou toda a sua fúria num dos elementos da formação helvética e tentou ainda agredir outro, segundo se consegue ver nas imagens partilhadas na internet. Inclusivamente vê-se Wang Xin a ir buscar uma bomba de encher pneus que acabaria nas mãos de um dos polícias que teve de entrar em acção para acabar com a cena de violência.

Sem surpresa, Wang Xin (25 anos) foi imediatamente expulso da Volta a Hainan, mas a organização foi mais longe e mandou toda a equipa da Keyi Look para casa, além de a ter banido para sempre da competição. "A equipa recebeu instruções para abandonar a ilha de Hainan e não será novamente bem-vinda na Volta a Hainan. Em qualquer circunstância os participantes têm de respeitar as regras da UCI e da CCA  [federação chinesa na sigla em inglês] e evitar qualquer acto de violência ou de comportamento desrespeitoso que prejudique a imagem da modalidade. O comportamento do Wang [Xin] não é aceitável e não reflecte o ciclismo chinês. As pessoas de Hainan são conhecidas por serem muito amigáveis. A imagem e reputação da Volta a Hainan não poderão ficar manchadas por este comportamento impróprio. Lutas nunca serão permitidas neste evento", justificou assim a organização da corrida a decisão de expulsar a equipa, sanção que recebeu o apoio da UCI. Poderão ainda haver mais sanções por parte da federação chinesa.

Keyi Look condenou o comportamento do seu ciclista, mas o espanhol Daniel Dominguez referiu que enquanto a sua equipa foi expulsa, nada aconteceu à formação suíça. Dominguez refere-se à alegada queda provocada pelo carro de apoio da equipa suíça. Nas imagens vê-se Wang Xin a cair, mas Danilo Hondo, seleccionador da Suíça, tem outra versão do acontecimento.

"As notícias publicadas pelos media que dão conta que chocámos contra o ciclista chinês estão erradas. Nunca chocámos contra ele. Podem ver isso no vídeo da corrida. Ele simplesmente foi contra a roda de trás de outro ciclista e caiu. Ele claramente ficou embaraçado e descarregou a sua frustração em nós", explicou o antigo corredor ao Eurosport. Hondo disse ainda que esperaram 45 minutos que Wang Xin cortasse a meta para tentar pedir desculpa por algum desentendimento que pudesse existir. "Tanto ele como a sua equipa abordaram-nos furiosos e as coisas escalaram a partir daí", referiu o responsável.

Toda a acção ocorreu na sétima etapa, a principal da corrida, que terminou este domingo, ao fim de nove dias. O italiano Jacopo Mosca foi o vencedor, numa Volta a Hainan para recordar para a Wilier Triestina-Selle Italia, pois Mosca também venceu uma etapa, enquanto Jakub Mareczko ganhou cinco consecutivas.

Aqui ficam as imagens que acabaram por marcar a 12ª edição da Volta a Hainan.



8 de outubro de 2017

Bicicleta de Bakelants ficou pendurada numa árvore. Ciclista continua hospitalizado

(Fotografia: AG2R La Mondiale)
As imagens de Laurens de Plus a cair numa ravina após chocar contra rails de protecção numa curva na Il Lombardia são arrepiantes. O belga da Quick-Step Floors acabou por não sofrer lesões muito graves, mas aquela zona da descida no Sormano causou mais vítimas. A queda de Jan Bakelants (AG2R) não foi filmada, mas há uma fotografia impressionante que mostra como a bicicleta do também belga ficou pendurada numa árvore. O ciclista tem ferimentos mais graves e ainda se encontra no hospital. Simone Petilli (UAE Team Emirates) também ficou bastante mal tratado.

A curva em causa era complicada, sem grande margem de erro. O pior era que do lado de lá do rail estava uma ravina. De Plus não terá caído tão para baixo como Bakelants. O corredor da AG2R partiu sete costelas (mas sem afectar os pulmões) e fracturou a vértebra L1 e L3 e são estas lesões as que mais preocupam. Bakelants (31 anos) está consciente e consegue mexer-se, segundo o médico da equipa francesa. Porém, até serem conhecidos os resultados dos exames que estavam agendados para este domingo, não seriam corridos riscos em transportar o ciclista de regresso ao seu país. Não estava afastada a possibilidade de uma intervenção cirúrgica.

Aqui fica a referida fotografia. O repórter explica que a bicicleta estava pendurada a quatro metros de altura, com o ciclista ferido por baixo dela.


Laurens de Plus já recebeu alta, mas terá ainda de fazer também mais exames, pois sofreu contusões no braço e perna direita. Já jovem italiano da UAE Team Emirates, Simone Petilli (24 anos),  tem lesões no pescoço, na vértebra D1, fracturou a clavícula e a omoplata do ombro esquerdo.



O quinto e último monumento do ano foi ganho pelo italiano Vincenzo Nibali, que venceu a corrida pela segunda vez, naquela que foi a 50ª vitória na carreira.

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27 de setembro de 2017

Ciclistas com barba? Nesta equipa, nem pensar

Geschke sabe que há uma equipa onde não terá lugar (Fotografia: Facebook Sunweb)
Longe vão os tempos dos ciclistas de cara lavada e cabelo mais ou menos cortadinho. A importância do visual é hoje algo também levado muito em conta por muitos ciclistas. A barba é certamente o look mais vísivel, ainda que os penteados também tenham o seu espaço: não dêem bonés a Marcel Kittel que ele não vai tapar o seu cabelo e até recentemente Sagan tinha uma cabeleira no mínimo estranha... Mas voltemos à barba. A questão da aerodinâmica não parece ser um factor a ter muito em conta actualmente. Podemos novamente falar de Sagan. Não teve uma barba, mas lá tinha uma barbicha (agora está mais aparada) e ainda assim continuou a ganhar! Já entre os trepadores é algo não se vê.

Higiene. Aí está outra questão e é a que está no centro de uma proibição invulgar nos tempos que correm. Bom, higiene e o aspecto, a julgar pelas declarações. Ciclista que esteja na equipa belga Sport Vlaanderen-Baloise tem de andar de barba feita. Porquê? "Somos uma equipa de ciclista, com corredores e não pilotos de motocross ou jogadores de râguebi. O ranho e restos de comida na barba de um ciclista no meio de uma corrida é algo sujo", escreveu Walter Planckaert, director desportivo da formação Profissional Continental. Planckaert é um antigo ciclista, com vitórias na Volta a Flandres, Amstel Gold Race, Kuurne-Bruxelles-Kuurne e até uma etapa no Tour, todas na década de 70.

Talvez não seja preciso barbearem-se todos os dias, mas os ciclistas não podem abusar, pois Planckaert avisa que não terão lugar na equipa. Naturalmente que a decisão foi recebida com algum divertimento, críticas e também palavras de apoio. Quem está de fora pode dizer o que quiser, quem está na equipa, já sabe: não se pode esquecer da máquina de barbear! Simon Geschke, o "barbudo" do pelotão World Tour já sabe para onde não poderá ir se sair da Sunweb...


29 de agosto de 2017

Ciclista australiano pediu a nacionalidade russa e foi o próprio Putin quem aceitou

(Fotografia: Nicola/Wikimedia Commons)
Para Shane Perkins é a oportunidade para relançar uma carreira que pensava estar terminada. Para os australianos, o ciclista é um desertor. Pedir uma nacionalidade num país onde não se nasceu não é nada de estranho e muito menos no mundo do desporto. Contudo, optar por representar a Rússia foi tema de muitas conversas, até porque se está a falar de um atleta campeão do mundo de pista (keirin e sprint por equipas), tendo ainda um bronze olímpico no sprint individual (Londres2012). Ao ficar de fora dos Jogos no Rio de Janeiro, Perkins acabou por fazer o que ele próprio considerava impensável: pedir a nacionalidade russa. Vladimir Putin abriu-lhe as portas e assinou o documento.

Perkins é agora um cidadão russo. Foi uma surpresa para os australianos, mais habituados a ver atletas russos pedir a nacionalidade naquele país da Oceânia. A decisão causou ainda mais estranheza porque Perkins não tem qualquer ligação à Rússia. A escolha foi feita por influência de Denis Dmitriev, ciclista também campeão do mundo de pista de sprint. Ambos treinam juntos no Japão há muitos anos e o que começou como uma brincadeira, acabou por se tornar num assunto bem sério.

Quando Perkins ficou de fora dos Mundiais em 2015, a sensação com que ficou é que lhe estavam a dizer para se retirar. Começou a pensar em tornar-se treinador, mas o sonho de regressar aos Jogos Olímpicos falou mais alto. A federação australiana justificou falta de meios económicos para levar Perkins aos Mundiais em Saint-Quentin-en-Yvelines (na zona de Paris) e o ciclista, disposto a tudo, disse que pagaria ele os seus gastos. Ouviu um não e ficou em casa. No ano seguinte viu os Jogos do Rio de longe ao ficar de fora da selecção. Depois de tanto ouvir Dmitriev brincar a dizer que se fosse russo iria ao Rio de Janeiro, Perkins tomou a decisão radical. Porém, assumiu que há pouco mais de um ano nunca pensaria que iria ceder às "provocações" do colega de treino.

No site da presidência russa foi confirmada a informação que o próprio Vladimir Putin assinou o documento que permitiu a Perkins tornar-se um cidadão russo. O ciclista agradeceu de imediato (pois claro) e disse sentir-se tão animado como se tivesse 18 anos e estivesse a começar da carreira.

Com a Rússia a estar envolvida num escândalo de doping organizado, Perkins não esconde que isso preocupou-o. Porém, o programa ciclismo de pista não foi envolvido. É o atletismo que está debaixo de fogo, com o ciclismo de estrada a não escapar a algumas suspeitas, dado os casos positivos em anos recentes.

Perkins vai agora dividir o seu tempo entre Brisbane, Moscovo e irá continuar a treinar também no Japão, onde quer estar em 2020, quando Tóquio for palco dos Jogos Olímpicos. O ciclista diz que a sua escolha foi bem recebida. No entanto, pela Austrália lá se vai lendo que Perkins desertou. O atleta não desarma e salientou que se ganhar uma medalha será para a Rússia, mas também para o país onde nasceu.

Como curiosidade, Yuko Kawaguti (patinagem artística) - recuando a 2008 - trocou o Japão pela Rússia para também assim ter uma oportunidade de estar nos Jogos Olímpicos. Em 2011, o snowboarder americano Vic Wild fez o mesmo, ainda que aqui tenha havido a influência da esposa, Alena Zavarzina. A falta de financiamento para as suas especialidades neste desporto acabou por ser o empurrão final para o pedido de nacionalidade russa. Em 2014 foi campeão olímpico na sua nova casa, ou seja, nos Jogos de Sochi e deverá estar nos de PyeongChang, na Coreia do Sul.

Se formos para o mundo do cinema, então encontramos duas figuras bem conhecidas: Gérard Depardieu e Steven Segal. Ambos também foram recebidos por Putin, têm o passaporte russo, mas não vivem no país. O caso do actor francês foi muito falado em 2013, pois a decisão terá sido tomada para evitar pagar impostos muito altos no seu país.


20 de abril de 2017

Agressão a Marcel Kittel vale 45 dias de suspensão

Foi assim que ficou Marcel Kittel após a agressão
Um mal menor. Tendo em conta que enfrentava um máximo de seis meses de suspensão, Andrei Grivko nem se poderá queixar muito por ter recebido 45 dias. Em causa está a agressão do ucraniano a Marcel Kittel durante a terceira etapa da Volta ao Dubai, a 2 de Fevereiro. A UCI anunciou que o castigo será cumprido entre 1 de Maio e 14 de Junho.

O ciclista e a Astana sabiam que era impossível escapar a uma suspensão, que seria sempre de pelo menos um mês perante a situação. A agressão aconteceu nos últimos quilómetros da etapa, numa altura em que no pelotão já muito se lutava pelo posicionamento, a pensar no sprint. Não há imagens do sucedido, apenas do resultado, ou seja, do rosto ensanguentado de Kittel. O alemão acusou Grivko de o ter agredido, enquanto o ucraniano afirmou que respondeu com agressividade à agressividade de Kittel, que considerou que estava a colocar em causa a segurança de todos com a forma como se queria posicionar.

Grivko vai cumprir a suspensão entre 1 de Maio e 14 de Junho
(Fotografia: Astana)
Andrei Grivko foi de imediato expulso da corrida e a Astana pediu desculpas, que não foram aceites por Marcel Kittel. "Não teve nada a ver com o ciclismo. O que o Grivko fez é uma vergonha para o nosso desporto", disse o sprinter na altura, que apelou à sanção máxima, ou seja, seis meses de suspensão.

A UCI não concordou com o ciclista da Quick-Step Floors, optando por uma suspensão menor, mas que irá perturbar a época de Grivko (33 anos). O ucraniano vai falhar todas as principais competições vistas como de preparação para a Volta a França, podendo estar em risco uma possível chamada para a corrida.

Depois da polémica que o acto de Grivko provocou - com o australiano Robbie McEwen, ciclista já retirado, a recordar que também ele foi agredido pelo ucraniano num Eneco Tour, há cerca de dez anos -, ninguém reagiu publicamente ao anúncio da suspensão, o que permite colocar um ponto final numa situação caricata e muito negativa para o ciclista e para a própria Astana.