3 de julho de 2017

Terá Peter Sagan, o senhor marketing, encontrado um rival para a camisola verde?

(Fotografia: Stiehl Photography/Bora-Hansgrohe)
Marcel Kittel é peremptório sobre as suas possibilidades em conquistar a camisola verde (dos pontos) na Volta a França: "A única hipótese de ganhar é se o Peter Sagan ficar doente ou abandonar a corrida por outra razão." O alemão recordou que nos últimos anos até tem havido sprinters que ganham três ou quatro etapas e mesmo assim ficam longe da disputa. Kittel vestiu a camisola após a vitória na segunda etapa, mas Sagan venceu a terceira e já começou a procurar acumular pontos nos sprints intermédios. Esta é uma táctica que nos últimos cinco anos deu resultado, pois a capacidade de passar algumas subidas bem, faz com que procure entrar em fugas, mesmo que depois fique para trás a pensar no próximo dia. Porém, ainda que continue a ser o super favorito para igualar o recorde de Erik Zabel, há um ciclista que tem ideias de pelo menos dar um pouco de luta: Michael Matthews.

O australiano tem características idênticas às de Sagan, ainda que lhe falte a chamada "explosão" que o eslovaco consegue ter em determinado terreno. Sagan é homem de pavé, Matthews adapta-se melhor às clássicas das Ardenas. No entanto, Matthews melhorou claramente em percursos que podem ter dificuldades como as da terceira etapa da Volta a França, ou seja, subidas de terceira e quarta categoria, às vezes com rampas complicadas, mas curtas. Só com o desenrolar do Tour se irá perceber se o australiano também irá tentar apostar em fugas para somar pontos nos sprints intermédios, contudo, Matthews tem demonstrado grande ambição, querendo aproveitar ao máximo o facto de ser um líder na Sunweb neste Tour.

Apenas oito meses separam os dois ciclistas, com Sagan a ser o mais velho (27 anos). A geração é a mesma, já o currículo não podia ser mais diferente. O bicampeão do mundo já soma quase 100 vitórias, Matthews aproxima-se das 30. Soma três vitórias no Giro e duas na Vuelta, mas Sagan tem um monumento, oito etapas no Tour, dois Mundiais e um Europeu. E estamos a tentar resumir um lista impressionante de triunfos. Em 2015 Matthews perdeu o Mundial para Sagan e desde então que tem treinado para conseguir chegar ao nível do rival. Deixou a Orica-Scott para na Sunweb ter um papel mais importante. Ainda não é aquele homem de vitórias que era na antiga equipa, mas tem uma oportunidade de ouro no Tour para se consagrar definitivamente como um dos melhores. Em 2017 somou duas vitórias, a última na Volta a Suíça, onde vestiu a camisola amarela por um dia.

Se os principais sprinters já nem se dão ao trabalho de fazer o que fez Kittel, isto é, falar sobre a possibilidade (ou falta dela) em ganhar a camisola verde, Matthews mantém aquele low profile tão típico dele, mas não é segredo que quer fazer frente a Peter Sagan. Em cinco anos o maior adversário do eslovaco tem sido mesmo... a organização do Tour. Bem tentam alterar a forma de pontuar, com Sagan a limitar-se a adaptar às novas regras. Um verdadeiro adversário na estrada será algo quese novo. No primeiro frente-a-frente, Sagan ganhou.

Na terceira etapa - 212,5 quilómetros entre Verviers (Bélgica) e Longwy, na entrada em França da corrida -  Sagan até teve tempo para recuperar quando o pé lhe saltou do pedal quando já estava a um ritmo que o afastava da concorrência. Foi superior, mas o azar quase foi aproveitado por Michael Matthews, que demonstrou estar forte. Ficou um pouco para trás na subida, recuperou bem, mas não conseguiu recuperar toda a distância para ganhar. Ainda assim, foi segundo e entre os dois há uma diferença de seis pontos na classificação que neste texto se fala, com Kittel ainda a liderar.

E atenção a Arnaud Démare (FDJ). Os sprinters puros não eram considerados como candidatos para esta tirada, mas ali estava o francês. Não conseguiu medir forças com Sagan, mas foi sexto a dois segundos e está em segundo na luta pela camisola verde. Estará Démare com ideias ou apenas tentou aproveitar o facto de Kittel, André Greipel e Mark Cavendish terem preferido poupar energias para etapas mais planas?

Há ainda Sonny Colbrelli. O aguerrido sprinter da Bahrain-Merida também foi somar pontos nos sprints intermédios e até fez a última subida na frente, mas quebrou um pouco e terminou a 39 segundos. Vontade não lhe falta, contudo, quando o terreno inclina, Colbrelli ultrapassa pequenas dificuldades, mas algumas rampas acabam por ser de mais para ele. Ainda assim, o italiano poderá ter o condão de animar um pouco a batalha pela camisola verde.

Será difícil não ver Peter Sagan vencer pela sexta vez consecutiva uma camisola que parece ter inscrito o seu nome. Ainda assim, este é um ano em que terá de ter muita atenção. Nada que o perturbe, afinal não sabe o que é pressão, como disse no final da etapa, depois de ter conquistado a primeira vitória da Bora-Hansgrohe no Tour.

Veja aqui o resultado da etapa e as classificações.

Sagan, o senhor marketing

(Imagem: print screen)
Já se sabe como o eslovaco é sempre a estrela seja lá onde corra e independentemente do resultado. Essa fama faz dele um apetecível alvo de marcas. Tem um ordenado milionário na equipa, que deverá rondar os seis milhões de euros por ano. Porém, deve ganhar também muito com a participação em publicidade. Este ano já foi muito falado quando comeu umas gomas após uma vitória, acto que serviu para publicitar o produto. Hoje apareceu na entrevista após a vitória com uns óculos que certamente não eram de ciclismo.

Com os óculos ao pescoço, Sagan lá falou, ainda que não parecesse que fosse a forma mais confortável de dar falar com o jornalista, mas marketing é marketing e certamente que paga bem. O eslovaco está a tornar-se uma referência no mundo do ciclismo neste aspecto. A única pergunta que se pode fazer é: o que se seguirá?

Dia para sprinters antes da primeira chegada em alto

Apesar de nesta segunda-feira o Tour ter entrado em França depois de ter começado na Alemanha, ter um final e arranque de etapa na Bélgica e passado ainda pelo Luxemburgo, na quarta tirada o pelotão vai dar um salto novamente a este último país, antes de regressar a território francês para não sair mais de lá. É dia para os sprinters, com os homens da geral a pensar que na quarta-feira terão a primeira chegada em alto.


E depois de nesta segunda-feira se ter visto Richie Porte (BMC) atacar na última subida, com Alberto Contador (Trek-Segafredo) a tentar acompanhar, mas depois a ficar para trás (faltaram-lhe pernas?), a atitude de ambos deixa transparecer alguma vontade de rapidamente começar a recuperar a desvantagem para Chris Froome (Sky), estabelecida no contra-relógio (35 e 42 segundos respectivamente). Geraint Thomas é o líder, mas o britânico sabe que só em caso de uma catástrofe do colega é que terá a Sky a defender a sua camisola amarela. Para já vai aproveitando este momento de ouro na carreira.


Résumé - Étape 3 - Tour de France 2017 por tourdefrance


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