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7 de setembro de 2018

Ciclista ficou paraplégica após acidente em treino

(Fotografia: Flowizm/Flirck)
A notícia marcou o dia no ciclismo. Depois de mais de dois meses de silêncio, foi a própria Kristina Vogel quem falou e confirmou que ficou paraplégica depois de um violento choque durante um treino. A alemã, de 27 anos, é um dos ícones do ciclismo de pista e admitiu que não quis que ninguém a visse no seu estado, tendo por isso demorado este tempo para confirmar o sua condição de saúde. Agora tenta encarar a vida com uma nova força, com novos objectivos, sem querer pensar em tornar-se numa atleta paralímpica, para já. "Cheguei ao ponto que posso dizer: estou aqui e estou bem. Quero ser uma fonte de inspiração para outros."

Vogel soma 11 títulos mundiais em várias disciplinas e mais dois ouros olímpicos, num currículo invejável. A ciclista estava a treinar numa pista de alcatrão em Cottbus, na Alemanha, quando, numa aceleração chocou com outro atleta a cerca de 60 quilómetros por hora. Foi a 26 de Junho e a única informação então adiantada havia sido que Vogel tinha sido submetida a uma intervenção cirúrgica, depois de ter sido transportada de helicóptero para Berlim. No entanto, a criação de um crowdfunding intitulado #staystrongkristina, para ajudar Vogel e a família, levantou suspeitas que o prognóstico não seria o mais favorável. Já foram angariados quase 120 mil euros.

"É uma merda, não há outra forma de o dizer. Não importa como se tente dar a volta, eu não posso mais andar. Mas acredito que quanto mais cedo se aceitar a nova situação, mais cedo aprende-se a lidar com ela", salientou Vogel à revista Der Spiegel. A ciclista recordou que no primeiro raio-x tirado após o acidente, a sua coluna "parecia uma mesa dobrável do Ikea". "Tenho muita sorte em estar viva e ter os braços completamente funcionais. Poderia ter ficado paraplégica do pescoço para baixo", referiu.

Vogel nasceu no Quirguistão, mas foi para a Alemanha com apenas seis meses. Em 2009, a ciclista tinha sofrido um outro acidente grave. Quando treinava na estrada foi atingida por um minibus e tendo sido colocada em coma induzido durante dois dias. Então somava já títulos mundiais como júnior. No ano seguinte estava de regresso às grandes competições e acabaria por construir uma carreira que a colocou entre as melhores da modalidade, pois além de mundiais e medalhas olímpicos, soma ainda títulos europeus e nacionais.

"Independentemente do que o futuro te reserva, a vida continua. No meu caso é agora em quatro rodas em vez de duas. Os meus braços são agora as minhas pernas", afirmou.


2 de março de 2018

Ivo sorri, é um orgulho e um feito ganhar uma medalha de prata nos Mundiais

(Fotografia: Simon Wilkinson/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Aquelas horas entre a qualificação e a final pareceram intermináveis. Para agravar a ansiedade, eis que há uma queda na corrida de eliminação das senhoras, a contar para o omnium, que obrigou a uma paragem algo longa. O programa atrasou, pois claro! Depois de se ver João Matias na corrida por pontos, já só se queria o grande momento. Aquele momento em que Ivo Oliveira tinha a camisola de campeão do mundo à distância de quatro quilómetros. O problema é que também Filippo Ganna via essa camisola à mesma distância! Era a repetição da final dos Europeus de Outubro, mas Ivo estava determinado a escrever um final diferente.

Um pequeno enquadramento: Ivo fez o melhor tempo nas qualificações, 4:12.365 minutos, menos 1,257 que Ganna. Em Outubro viu-se na mesma posição, mas com 4:14.570. Então foi um tempo espectacular. De nível mundial. O que dizer então do que fez esta sexta-feira?... Era permitido a todos sonharem. Ivo tem apenas 21 anos, mas a evolução que tem tido na pista, coloca-o entre a elite, mesmo que só tenha começado a competir a este nível recentemente.

Mas regressemos à corrida de perseguição individual. Ivo Oliveira começou muito bem, ao contrário do que tinha acontecido nos Europeus, onde logo nos primeiros metros começou a perder tempo, que já não conseguiria recuperar. Não. Desta feita Ivo partiu forte, ganhou cerca de um segundo. A distância era animadora, mas nesta prova não é garantia de nada. Na luta pela medalha de bronze, o russo Alexander Evtushenko esteve quase dois segundos atrás do britânico Charlie Tanfield e, ainda assim, foi quem no fim subiu ao pódio.

Ganna tem mais competições nas pernas, tanto na estrada, como nestes Mundiais. Porém, apesar de ter a mesma idade de Ivo, a experiência já é outra. Quando começou a recuperar, durante o segundo quilómetro, não mais parou de tirar tempo e quando passou para a frente, a superioridade tornou-se por de mais evidente. No final, Ivo fez 4:15.428 e Ganna 4:13.607.

(Fotografia: Simon Wilkinson/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Quase se cai na tentação de dizer que a ansiedade deu lugar ao desânimo. Mas não. Estava-se a assistir a um momento histórico. Ivo Oliveira tinha assegurado a primeira medalha para Portugal nuns Mundiais. Quando em 2010 o projecto de pista arrancou em força, talvez poucos esperassem que tão rapidamente se estivesse a tirar estes dividendos. Os gémeos Oliveira têm conquistado medalhas, títulos e outras grandes vitórias na pista, numa vertente tão esquecida em Portugal e que agora vai ganhando uma vida em que se espera muito sucesso. Sim, queremos ver pelo menos um português nos Jogos Olímpicos.

Ivo Oliveira ganhou a medalha de prata. É assim que teremos de recordar este momento de ciclismo de pista. Ao vê-lo determinado a pedalar no velódromo de Apeldoorn, na Holanda, fica a inevitável sensação que estamos apenas nas primeiras páginas de uma história que trará grande resultados e, há que acreditar, a camisola de arco-íris. E porque não uma medalha olímpica... Mas vamos com calma! No final, Ivo bateu com a bicicleta. Era natural a frustração. Contudo, ao receber a medalha beijou-a, com o passar do tempo, essa frustração deu lugar ao orgulho que Ivo tem todas as razões para sentir.

Ao Ivo ficam os parabéns pela excelente prestação, um dia depois do irmão, Rui, ter feito então a melhor classificação de sempre de Portugal em Mundiais de elite, com o quinto lugar no scratch. Os gémeos têm feito uma carreira sempre com a curiosidade: quando um faz um grande resultado, o outro trata de ir fazer melhor e assim sucessivamente. Ivo detinha a melhor classificação nuns Mundiais (sexto na perseguição individual em 2017), Rui tratou de a bater na quinta-feira com o quinto lugar no scratch. Ivo respondeu em grande estilo.

Rui não terá a oportunidade de tentar algo ainda mais histórico já este sábado, como estava previsto. O ciclista apresenta sintomas gripais. Já correu assim no scratch (e foi quinto!), mas o seleccionador Gabriel Mendes, vai poupá-lo, substituindo-o por Ivo. As provas do omnium começam às 13:40.

Não vamos esquecer João Matias. O ciclista tem apostado muito na pista e conseguiu o objectivo de melhorar o resultado de há um ano na corrida por pontos, de 19º passou a 14º, numa prova ganha pelo australiano Cameron Myer... pela quinta vez!

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1 de março de 2018

Rui Oliveira com o melhor resultado de Portugal em Mundiais de Pista... por agora

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
A ambição é grande e logo na primeira corrida com participação portuguesa, um dos três ciclistas lusos presentes nos Mundiais de Pista deixou o aviso: a selecção nacional não quer sair de Apeldoorn sem uma medalha. Para começar, Rui Oliveira fez o melhor resultado de sempre de Portugal nos Mundiais de Pista de elite, ao ser quinto na corrida de scratch. A cada competição que passa, os gémeos Oliveira não desperdiçam a oportunidade para ir escrevendo uma história cada vez mais prometedora de grandes sucessos.

No velódromo holandês estão os melhores do mundo. Rui Oliveira é agora o quinto, depois de ter sido sexto nos Europeus nesta prova. O ciclista de Gaia foi calculista. Correu com cabeça, como se costuma dizer. Avaliou a sua condição, a dos adversários e foi atrás do melhor resultado. Infelizmente, numa perspectiva portuguesa, três ciclistas escaparam e ganharam uma volta ao grupo. Ainda a corrida não ia a meio e o bielorrusso Yauheni Karaliok, o italiano Michele Scartezzini e o australiano Callum Scotson praticamente garantiram que decidiriam as medalhas entre eles. Assim foi, com o pódio a ficar na ordem escrita.

Não haveria medalhas para os restantes, mas não havia razões para ninguém baixar os braços. Afinal estamos nuns Mundiais. A corrida foi muito movimentada. Houve quem tentasse conquistar também uma volta, mas os ataques e contra-ataques não deram em nada. Por onde andava Rui Oliveira? Resguardado no grupo. Esperou pelo momento certo para atacar e só o ucraniano Roman Gladysh foi com ele, acabando por ser mais forte sobre a meta. Foi impossível não pensar "que pena aquele trio ter escapado tão cedo"!


Rui Oliveira tem apenas 21 anos e foi o quinto melhor a nível mundial numa corrida tão imprevisível, na qual raramente alguém conquista mais do que uma camisola do arco-íris na carreira. "As sensações não foram as melhores e sabia que no sprint acabaria por não conseguir um bom resultado. Reservei tudo o que tinha para a melhor oportunidade. Esta surgiu e eu aproveitei. Tinha de ser ali. Ataquei com força e tive alguma sorte, porque os adversários não responderam de imediato", contou o ciclista, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

As declarações do seleccionador Gabriel Mendes descrevem perfeitamente o que está a acontecer no ciclismo de pista nacional: "É mais um sinal da nossa evolução e do crescimento sustentado do ciclismo de pista português. O Rui teve uma prestação irrepreensível, sob os pontos de vista táctico e técnico, tendo em conta as condições em que a prova se desenrolou."

Rui regressa ao velódromo de Apeldoorn para competir no omnium, no sábado. Antes, esta sexta-feira, as atenções vão virar-se para o irmão. Ivo irá apresentar-se na perseguição individual, sendo o actual vice-campeão europeu. Em Hong Kong, há um ano, foi sexto, o que era até esta quinta-feira o melhor resultado português nos Mundiais. Em Outubro, nos Europeus, Ivo Oliveira fez 4:14.570 minutos nos quatro quilómetros que tem de percorrer nesta prova. O tempo é de nível mundial, mas a concorrência será feroz. O italiano Filippo Ganna, campeão europeu e antigo campeão mundial, e o britânico Charlie Tanfield, por exemplo, têm feito um tempo mais baixo.

Porém, Ivo é um candidato às medalhas. Para isso terá de fazer um dos quatro melhores tempos nas qualificações, que começam às 14:00. Caso faça um dos dois melhores, irá discutir o ouro, com pelo menos a prata a estar garantida, se fizer o terceiro ou quarto, irá atacar a medalha de bronze. Se tudo correr bem e o ciclista português chegar a uma das finais, estas poderão ser vistas no Eurosport2, partir das 19:00.

João Matias entrará em acção às 17:30. Nesta edição dos Mundiais, o corredor da Vito-Feirense-BlackJack irá estar apenas na corrida por pontos - em Hong Kong competiu também no scratch - e o primeiro objectivo é melhorar o 19º lugar de 2017. No último ano, Matias começou a aparecer muito bem tanto na estrada, como na pista. É o campeão nacional de perseguição individual e também na corrida de eliminação e mesmo que em Apeldoorn possa não surgir na lista de favoritos, o que fez há um ano no scratch demonstra como pode muito bem intrometer-se na luta pelos lugares cimeiros.

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22 de fevereiro de 2018

Gémeos Oliveira e João Matias ambiciosos para os Mundiais de Pista

Ivo Oliveira e João Matias estarão este ano acompanhados por Rui Oliveira
nos Mundiais de Pista, que se realizam entre 28 de Fevereiro e 4 de Março
Os objectivos no ciclismo de pista em Portugal vão sendo cada vez mais elevados. Com os gémeos Oliveira (21 anos) a conquistarem medalhas já na categoria de elite, tanto nos Europeus, como em Taças do Mundo, agora é altura de atacar os Mundiais, em Apeldoorn, na Holanda. A acompanhar Ivo e Rui estará João Matias (26), que há um ano foi protagonista de uma exibição fantástica no scracht e que por muito pouco não lhe valeu uma medalha. Se continuar a ganhar experiência é importante, ainda mais quase se aproxima o início da qualificação olímpica, a ambição cresceu muito desde os Mundiais de Hong Kong e alcançar um pódio já não se fica pelo sonho, é um objectivo para a equipa nacional.

"Depois do pódio na Taça do Mundo, quero tentar bater-me outra vez pelo pódio", afirmou Ivo Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. O corredor da Hagens Berman Axeon está convicto que poderá melhorar o sexto lugar na prova de perseguição individual alcançado em 2017. "Venho de dez dias de estágio com a minha equipa. As sensações e os testes que fiz foram bons. Preparei-me melhor do que há um ano e acredito que posso melhorar o resultado. O facto de o Mundial ser mais cedo também ajuda, porque chegarei lá com menos desgaste. Agora, é esperar que esteja num dia 'sim'", salientou.

Os três ciclistas portugueses vão distribuir-se por quatro disciplinas. Rui Oliveira - que em 2017 não esteve presente nos Mundiais - abre e fecha a presença nacional. No dia 1 (quinta-feira), às 19:00, compete na prova de scratch. No dia 3 alinha nas quatro corridas pontuáveis do omnium, entre as 13:40 e as 20:00. Na sexta-feira, dia 2, Ivo Oliveira entrará em acção. O apuramento na perseguição individual realiza-se a partir das 14:00, com a final a estar agendada para as 19:00. Quanto a João Matias, também competirá neste dia, mas na corrida por pontos (17:30). O ciclista da Vito-Feirense-BlackJack começou 2018 com dois títulos nacionais na pista, na corrida de eliminação e na perseguição individual.

Além de tentar o pódio na perseguição individual, a equipa portuguesa irá procurar ficar nos oito primeiros lugares nas restantes provas. Sendo o omnium uma disciplina olímpica, a competição acaba por ter um papel central nos objectivos que se seguirão aos Mundiais. "Queremos alcançar o maior número possível de pontos, pois precisamos de qualificar-nos para a Taça do Mundo, que é determinante para a qualificação para [os Jogos Olímpicos de] Tóquio", realçou o seleccionador Gabriel Mendes.

Os Mundiais de Apeldoorn realizam-se entre 28 de Fevereiro e 4 de Março, com transmissão televisiva no Eurosport2.



19 de janeiro de 2018

Ivo Oliveira e mais um pouco de história

(Fotografia: João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
É impossível não perguntar até onde poderão ir os gémeos Oliveira? Mas quase não há tempo para fazer grandes previsões, pois os dois ciclistas insistem em ir escrevendo a bom ritmo uma história inédita no ciclismo de pista nacional. Já conquistaram muito desde as categorias jovens e agora na elite vão confirmando todo o seu potencial. Depois de conquistarem medalhas nos Europeus, Ivo deu a primeira Taça do Mundo a Portugal. Foi na corrida por pontos que o ciclista alcançou o feito, depois do terceiro lugar na última prova pontuável para a competição.

"Era a medalha que me faltava. Já tinha subido ao pódio em provas internacionais C1 e C2, em Europeus e em Mundiais. Faltava-me uma medalha na Taça do Mundo e surgiu hoje, numa corrida muito difícil. Teve ainda o sabor especial de garantir o apuramento para o Campeonato do Mundo e a vitória na geral da Taça do Mundo", afirmou Ivo Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Os gémeos estão em Minsk, na Bielorrússia, e como foi destacado por Ivo, com o resultado que alcançou está garantido o lugar na corrida por pontos nos Mundiais, marcado para Alpeldoorn, na Holanda (de 28 de Fevereiro a 4 de Março).

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Na corrida desta sexta-feira, Ivo Oliveira somou 41 pontos, ficando atrás do holandês Jan Willem van Schip (75 pontos) e de Lok Cheung King, de Hong Kong (50). O ciclista de Gaia fechou a Taça do Mundo com 775 pontos, mais 50 do que o grego Christos Volikakis e mais 135 do que Lok Cheung King. “Foi uma corrida muito exigente, na qual o Ivo cumpriu a estratégia que tínhamos delineado. Fizemos a corrida com a qualificação para o Mundial sempre em mente, até porque o corredor de Hong Kong era um adversário perigoso em termos de ranking. A conquista da Taça do Mundo veio por acréscimo", explicou o seleccionador Gabriel Mendes.

Não haverá tempo para muitos festejos, pois Ivo Oliveira estará de regresso à acção logo na manhã de sábado, numa outra especialidade sua: a perseguição individual. E até pode ganhar a sua segunda Taça do Mundo. Estamos perante o campeão Europeu de sub-23 e o vice-campeão em elite. Está, inevitavelmente, entre os favoritos, ainda mais porque é o que ocupa a melhor posição no ranking entre os que estão em Minsk. Porém, Ivo deixou um alerta: "Nos treinos desta semana, consegui tempos muito bons. Se não tivesse o desgaste da corrida por pontos de hoje, partiria amanhã com a convicção de que discutiria as finais. Mas com o esforço de hoje e o pouco tempo de recuperação, apenas posso prometer dar o meu melhor."

A qualificação decorre logo de manhã e se Ivo Oliveira ficar entre os quatro primeiros, irá discutir as finais na parte da tarde, por volta das 14:00 (hora portuguesa). A etapa de Minsk é a única da Taça do Mundo que inclui a disciplina de perseguição individual, pelo que ganhar na Bielorrússia significa conquistar a competição.

A competição termina no domingo, pelo que Ivo e Rui não estarão presentes nos Nacionais que decorrem este fim-de-semana no Velódromo Nacional, em Sangalhos. Em disputa estarão 31 títulos, com as provas a realizarem-se entre 10:00 e as 13:00 e as 15:30 e as 21:00 de sábado e no domingo entre as 9:30 e as 15:00. A entrada é gratuita.

De recordar que Ivo e Rui Oliveira representam a equipa americana Hagens Berman Axeon, liderada por Axel Merckx. É considerada uma das melhores estruturas para a formação de jovens ciclistas e muitos têm sido os que de lá têm "saltado" para o World Tour. Será o segundo ano dos dois portugueses na equipa, que procuram afirmar-se também na estrada, sem nunca desviar as atenções da pista, ainda mais quando em Agosto irá começar a qualificação para o Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.

»»Gabriel Mendes: Gabriel Mendes: "Os gémeos Oliveira são um exemplo que outros quererão seguir"««

»»Ivo Oliveira: "Quero um 2018 em grande"««

»»Rui Oliveira: "Foi um primeiro ano espectacular. Aprendi coisas que nunca pensei aprender"««

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17 de dezembro de 2017

"Os gémeos Oliveira são um exemplo que outros quererão seguir"

Foi um ano de confirmação do ciclismo de pista em Portugal. Depois de um longo e árduo trabalho feito nas camadas jovens, os resultados começaram agora a aparecer em elite. As referências são inevitavelmente os gémeos Oliveira, que tem conquistado medalhas em todos os escalões. Com os Jogos Olímpicos em mente, é tempo de continuar a evolução com os actuais corredores e consolidar o projecto de forma a permitir que novos talentos continuem a emergir. Gabriel Mendes é por isso um homem orgulhoso do trabalho que está a ser desenvolvido numa vertente com pouca tradição no país, mas que está cada vez mais a afirmar-se. No entanto, o seleccionador nacional quer elevar ainda mais o nível do ciclismo de pista, realçando que será cada vez mais difícil à medida que se vai aproximando dos melhores.

"Cada vez que nós vamos subindo, mais difícil é fazê-lo. É necessário mais investimento. Precisamos de consolidar a nossa presença internacional no nível de elite", salientou Gabriel Mendes ao Volta ao Ciclismo. O seleccionador acrescentou a necessidade dos atletas competirem ainda mais, pois "essa experiência vai permitir refinar e ir evoluindo progressivamente". "Talento e capacidade existem, mas vamos ter de as trabalhar. Não vivemos só de potencialidade", disse. Contudo, referiu que não se pode deixar de trabalhar na base: "Paralelamente vamos também procurar verificar se temos outros atletas que vão surgindo e que possam também fazer este percurso."

Em Outubro, Rui Oliveira tornou-se no primeiro português a conquistar uma medalha em pista na categoria de elite, com o bronze na corrida de eliminação. No dia seguinte, Ivo ficou com a prata na perseguição individual e na qualificação alcançou um tempo (4.14.570) que só está ao alcance dos melhores. Em Julho, Rui tinha sido campeão europeu da especialidade em sub-23 e Ivo, bronze também na vertente em que tem demonstrado estar cada vez mais forte. "Este foi um ano em que atingimos alguma consolidação de resultados e tivemos alguns de muito bom nível. O Ivo fez um tempo de excelência e não é fácil repetir muitas vezes na carreira o nível de desempenho que teve na perseguição individual na qualificação. Mas não é só a questão dos resultados. Estes só são alcançados se nós tivermos um processo de trabalho orientado", referiu o seleccionador nacional.

"A pista é um período do trajecto do desenvolvimento que o atleta pode fazer ao mais alto nível, sempre que existe uma possibilidade de conjugação"

E este processo começou em finais de 2010. Então, Gabriel Mendes chegou à federação e agarrou no projecto de uma escola de ciclismo de pista. O responsável recorda que no centro de alto rendimento estiveram vários jovens que se foram mostrar nesta vertente. "Nós seleccionámos e iniciámos um processo de trabalho muito focado nas técnicas básicas, naquilo que eram os alicerces do trabalho técnico a desenvolver", explicou. O primeiro resultado foi o aumento de qualidade das corridas nacionais. Foi nessa fase inicial que surgiram os gémeos Oliveira. Identificado o potencial de ambos, em 2013 estrearam-se pela selecção e foi o início de uma etapa de enorme sucesso, com títulos logo no escalão de juniores.

Gabriel Mendes realçou a importância de ter sido possível realizar um trabalho de continuidade. Ou seja, através de uma coordenação com os clubes, é possível manter os treinos e competição de pista, conjugando com as responsabilidade vertente de estrada. "É esta coordenação que permite que tenhamos um processo continuo que tem vindo sempre a evoluir", afirmou. Apesar de muitos jovens pensarem em carreiras como ciclistas de estrada, a pista entrou definitivamente nos planos de muitos: "Eles têm um gosto intrínseco desde a primeira hora que vieram à pista. A partir daí é uma questão de planear a médio/longo prazo e de organização. A pista é um período do trajecto do desenvolvimento que o atleta pode fazer ao mais alto nível, sempre que existe uma possibilidade de conjugação. E se houver, é possível fazer as duas vertentes sem qualquer problema e com benefícios."

Os gémeos Oliveira estão a tornar-se no grande exemplo em Portugal de como se pode ter sucesso na pista e ter futuro na estrada. Este ano representaram a Axeon Hagens Berman de Axel Merckx, com o director belga a dar liberdade para que Ivo e Rui continuassem a competir na pista, enquanto desenvolvem as suas qualidades de estrada.

"Os gémeos Oliveira são um exemplo que outros quererão seguir", frisou Gabriel Mendes, que disse ainda que Ivo e Rui "têm um papel extremamente importante para que o ciclismo de pista seja hoje em Portugal uma modalidade que se está a afirmar". "A nível internacional, os atletas que têm sucesso a nível de pista, na endurance, são atletas que têm um caminho de sucesso de estrada. E eles estão a fazer esse processo e bem. E isso é um exemplo para os mais novos que querem também fazer o seu percurso", afirmou.

"Nós acreditamos que [a qualificação para os Jogos Olímpicos] é possível"

No sector feminino, Soraia Silva e Maria Martins têm sido as principais apostas. Sub-23 e júnior, já vão competindo com a elite para começar a ganhar experiência, mas sem a pressão de alcançarem resultados no imediato. "Os objectivos são muito claros: elas estão a trabalhar com o foco no desenvolvimento técnico e táctico." Gabriel Mendes quer que seja feito este trabalho de base e que se verifique uma evolução sustentada para que daqui a poucos anos estejam muito competitivas e a grande nível na pista.

E com tão bons resultados, já muito se fala de uma presença olímpica, o que será uma estreia nesta vertente do ciclismo em Portugal. Tóquio2020 aproxima-se e a qualificação começa no próximo verão. "É extremamente importante a presença nos Campeonatos do Mundo no omnium para termos aspirações e iniciarmos o processo de qualificação da melhor forma. Isso implica a qualificação para a Taça do Mundo", explicou o seleccionador. Há um "encadeamento", como referiu, destas competições, mais os campeonatos continentais, para que se possa assegurar um lugar no Jogos Olímpicos. O omnium é a disciplina eleita, ainda que o madison também está a ser trabalhado. "Nós acreditamos que é possível", realçou.

Além dos gémeos Oliveira, João Matias e César Martingil têm sido dois dos ciclistas mais chamados nos últimos meses por Gabriel Mendes e todos eles estão focados e motivados para continuar a elevar ainda mais a qualidade do ciclismo nacional. Para isso, o velódromo em Sangalhos tem sido de extrema importância, tanto por ser o centro de alto rendimento da modalidade - partilhado pela ginástica, esgrima, judo e trampolim -, pois além de treinos, tem recebido competições internacionais, como foi o caso em 2017 dos Europeus de sub-23 e juniores e neste último fim-de-semana a Taça Internacional Município de Anadia, que trouxe a Portugal medalhados em Jogos Olímpicos, Mundiais e Europeus.

"Temos um excelente velódromo e tentamos aproveitar ainda as condições que o centro de alto rendimento proporciona. Nós temos aqui a nossa academia e é uma estrutura muito importante para o trabalho que a selecção de pista desenvolve", reiterou Gabriel Mendes, que gostaria também de poder contar "com pistas abertas com características idênticas". Contudo, em Sangalhos, estão a nascer o que se espera ser as primeiras grandes referências do ciclismo de pista nacional.

»»Portugueses com seis medalhas no Troféu Internacional Município de Anadia««

»»"Quando vierem [assistir ao ciclismo de pista] vão ver que é emocionante!"««

»»Nova medalha para Rui Oliveira e os dois pontos que tiraram o bronze a Miguel Salgueiro««

»»Gémeos Oliveira e João Matias em destaque no primeiro dia de competição««

16 de dezembro de 2017

"Quando vierem [assistir ao ciclismo de pista] vão ver que é emocionante!"

(Fotografia: João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Ali andam eles, às voltas, numa pista com 250 metros, normalmente a grande velocidade, com uns toques quando são corridas em grupo, potência total nas provas de contra-relógio. O tradicional ciclismo de estrada chama muitas pessoas à estrada, mas o ambiente do velódromo ainda está a conquistar adeptos em Portugal. No entanto, o ciclismo de pista português está a crescer, pelo que o interesse também aumenta. Mas afinal, o que atrai tanto nesta vertente da modalidade? Alguns ciclistas portugueses, que estão a competir no Troféu Internacional Município de Anadia, explicam e todos concordam: quem for pela primeira vez assistir, irá certamente regressar.

"Se o público viesse pela primeira vez, tenho a certeza que ficaria com aquele bichinho e continuaria a vir." Rafael Silva deu o mote. O ciclista da Efapel é um dos portugueses que está a competir no Velódromo Nacional, em Sangalhos, que durante três dias foi novamente escolhido para uma prova internacional, depois do Campeonato Europeu de sub-23 e juniores. "Muitas pessoas nem têm ideia do espectáculo que é a pista. Pensam que uma pessoa anda aqui e que não há espectáculo, mas é uma competição que tenha 30, 40 ou 50 minutos, vê-se a corrida toda, não é como na estrada", salientou ao Volta ao Ciclismo.

O ainda companheiro de equipa António Barbio - em 2018 irá representar o Miranda-Mortágua - acrescentou: "Quando vierem vão ver que é emocionante!" A júnior Maria Martins reforçou: "Não tenho as mínimas dúvidas que quando vieram cá uma vez, ficam fãs." E reforçou: "Temos uma equipa muito boa [a selecção nacional], que tem estado a desenvolver projectos e resultados fantásticos. Agora acho que precisamos de ter mais confiança do nosso povo. Apostem em nós, venham cá apoiar-nos que é bastante importante."

Já João Matias conhece bem alguns dos grandes fãs. "Podem falar com o meu pai e com o pai dos gémeos Oliveira. Acho que são dos principais fanáticos do ciclismo de pista! Este Troféu Internacional tem alguns dos melhores ciclistas a nível mundial e a entrada é gratuita. Aqui dentro está quentinho em Dezembro! Lá fora está um frio desgraçado! Podem-nos ver, falar connosco... Isto é muito bom", referiu, bem disposto. Tal como Maria Martins, Matias está a representar a Selecção Nacional na competição que termina este domingo.

Ivo Oliveira, é juntamente com o irmão Rui, a principal referência desta vertente em Portugal. Soma medalhas desde o escalão de juniores e já viveu todo o tipo de ambientes na pista. O ciclista português, que também está a representar a selecção, adoptou um tom mais crítico. "Não sei se é por causa da divulgação que é mal feita... Penso que poder-se-ia fazer um melhor trabalho nesse aspecto. Se calhar a maioria das pessoas nem sabe que esta prova existe. Se soubessem, eu acho que apareceriam. Acho que elas gostam", afirmou. "Há muitos anos que o público não aparece. Este ano nem me posso queixar. Tivemos muita gente no Campeonato da Europa e o público gosta de aparecer nessas [competições]", acrescentou Ivo Oliveira, realçando como é muito diferente competir num velódromo cheio. "Tem de se chamar mais público", apelou.

Maria Martins é a mais nova e ainda está a tentar encontrar o caminho do profissionalismo no difícil mundo do ciclismo feminino. Já os restantes já conseguiram arrancar com a carreira na estrada. No entanto, todos gostam de incluir a pista no seu programa, até porque também tiram benefícios quando regressam à estrada.

"É uma grande vertente para preparar a estrada. Principalmente no Inverno podemos treinar aqui muito bem. Às vezes quando está a chover, podemos fazer um trabalho muito melhor aqui do que na estrada", explicou Ivo Oliveira. Todos partilham essa opinião, tal como o ambiente mais próximo que existe entre os ciclistas.

Desde muito novos que a atracção pela pista existe nestes ciclistas. Falam mesmo no "bichinho" que não mais se foi embora. "É uma modalidade que eu comecei a fazer em júnior e desde cedo que me adaptei bem. Esse é o primeiro ponto para eu gostar de ciclismo de pista. A partir daí acho que é o ambiente familiar. Acabamos por estar todos juntos nas boxes, por nos conhecer muito bem e viver o ciclismo de maneira diferente. Desfrutamos dentro e fora das corridas", contou João Matias.

"É o ambiente que se vive dentro da pista, a adrenalina que nos dá... Uma pessoa não tem a noção de fora", desabafou Maria Martins, que não esconde a sua paixão por esta vertente do ciclismo.

Para Rafael Silva "é o ambiente aqui na selecção" que começa logo por cativar e querer estar nestas provas. Mas há mais: "Em termos físicos e para a nossa preparação é muito importante, visto que rodamos aqui pouco tempo, mas a grande intensidade, tudo aquilo que nós não fazemos a treinar. Para nós, neste defeso que não temos competição, é uma mais valia. E está a chover lá fora e está frio e aqui está quentinho! A pista é uma mais valia para as futuras competições e desfrutamos aqui muito. Aprendemos tacticamente e tecnicamente."

António Barbio acrescentou: "Quatro meses a trabalhar, com o objectivo lá longe, é mais fácil psicologicamente termos algumas falhas. Tendo estes pequenos objectivos [na pré-época], não só para estar bem, mas também por estar com os colegas, acho que a preparação para a estrada se torna mais fácil e mais agradável."

Ou seja, para estes ciclistas tanto eles como o público têm a ganhar com o ciclismo de pista. Enquanto uns praticam e melhoram como atletas, outros têm a oportunidade de assistir a um espectáculo diferente da modalidade. E este domingo, o último dia do Troféu Internacional Município de Anadia, as provas arrancam às 10:00 com o keirin. Serão corridas sem interrupção até cerca das 15:30, com scratch, perseguição individual e madison a também fazerem parte do programa.

E como João Matias frisou, a entrada é gratuita.

»»Nova medalha para Rui Oliveira e os dois pontos que tiraram o bronze a Miguel Salgueiro««

»»Gémeos Oliveira e João Matias em destaque no primeiro dia de competição««

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Nova medalha para Rui Oliveira e os dois pontos que tiraram o bronze a Miguel Salgueiro

Dia intenso de ciclismo de pista no Velódromo Nacional. O omnium foi o principal destaque do programa de sábado do Troféu Internacional Município de Anadia e a selecção portuguesa apostou forte. O trabalho de João Matias, César Martingil, Ivo e Rui Oliveira acabou por resultar numa medalha de bronze para o último, sendo a segunda do gémeo, depois do terceiro lugar na corrida de sub-23 de scratch na sexta-feira. Mesmo a fechar, Miguel Salgueiro viu escapar-lhe o pódio na meta da derradeira corrida do omnium, na categoria de juniores. Por dois pontos, o ciclista do ACD Milharado ficou sem a medalha.

Para se perceber melhor o quanto este bronze de Rui Oliveira é importante e motivador, há que ter em conta que o ciclista da Axeon Hagens Berman começou a pré-época há pouco tempo, sendo esta a primeira competição a pensar em 2018. Depois temos o espanhol Sebastián Mora que soma medalhas na pista e ganhou somando 151 pontos, no conjunto de todas as provas que compõem o omnium. Seguiu-se o americano Daniel Halloway, que tirou o segundo lugar a Rui Oliveira na última prova, a corrida por pontos. Halloway venceu o omnium na Taça do Mundo que se realizou no fim-de-semana passado, ficando desta feita com a prata (144 pontos). Rui somou 139, mas há ainda que referir que Ivo foi sétimo (112), seguindo-se João Matias (13º, 41) e César Martingil (17º, 15).

Nas senhoras, a junior Maria Martins foi mostrar-se à elite, terminando o omnium na 13ª posição, com 48 pontos. A prova foi ganha pela canadiana Stephanie Roorda (156 pontos), com a norueguesa Anita Yvonne Stenberg (146) e a holandesa Winanda Spoor (111) a fecharem o pódio.

(Fotografia: João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Regressando a Miguel Salgueiro, o júnior não está a competir pela selecção, mas teve um companheiro de equipa, Francisco Marques, que muito trabalhou para o ajudar na corrida por pontos. O terceiro lugar era mais do que possível e o júnior português entrou muito bem a tentar somar pontos. Porém, a aliança entre os franceses Donavan Grondin e Victor Charlot acabou por resultar no primeiro e terceiro lugar. Grondin, já com a vitória mais do que garantida (153 pontos), ajudou Charlot (110) a vencer o último sprint da corrida por pontos, o que lhe permitiu ultrapassar Salgueiro, ficando com apenas mais dois pontos. O espanhol Beñat Felipe Lekuona foi segundo (112).

O Troféu Internacional Município de Anadia termina este domingo, com o keirin a abrir o programa às 10:00. Não haverá interrupções até ao final da competição, que deverá acontecer cerca das 15:30.

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15 de dezembro de 2017

Gémeos Oliveira e João Matias em destaque no primeiro dia de competição

O Troféu Internacional Município de Anadia arrancou e os gémeos Oliveira conquistaram logo duas medalhas. Na prova que abriu a competição, a corrida de scratch em sub-23, Ivo ganhou e Rui foi terceiro. E para terminar, João Matias chegou a liderar a prova por pontos. Foi quinto, numa corrida em que teve como adversários atletas de nível mundial. O primeiro dia de provas houve ainda um valente susto, com a queda de Soraia Silva no scratch. Apesar das marcas na perna e braço, a jovem ciclista mostrou estar bem e preparada para sábado e domingo regressar à pista do Velódromo Nacional, em Sangalhos.

Gabriel Mendes estava contente com as performances dos seus ciclistas. "Para o processo de trabalho em que estamos, estou extremamente satisfeito com todos eles. Está dentro da nossa expectativa e para aquilo que são os nossos objectivos para esta fase da época", salientou ao Volta ao Ciclismo. O seleccionador nacional referiu o exemplo dos gémeos Oliveira, que têm apenas 15 dias de treino, pois esta é uma fase de arranque de temporada para a maioria dos corredores. Ainda assim, foram competitivos e juntaram mais duas medalhas às várias que já somam nos escalões de juniores, sub-23 e também elite, incluindo de europeus e mundiais.

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
"Estiveram muito bem. Eles não têm sempre a pressão de ganhar. Eles sobem frequentemente ao pódio, mas também se não subissem nesta corrida, não seria um problema", referiu Gabriel Mendes, que acrescentou que sendo uma competição em Portugal é naturalmente bom que se atinjam estes resultados. Ainda assim frisou: "Temos de respeitar um processo de preparação que queremos que seja sólido e sem quebrar etapas." O seleccionador destacou ainda o "papel determinante" de César Martingil na mesma corrida, com o ciclista a terminar no 10º lugar.

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
O outro destaque do dia foi João Matias. Esteve bem na perseguição individual, mas foi na corrida por pontos que ficou perto do pódio. Ao conseguir dar uma volta de avanço e vencendo depois o sprint, Matias esteve na liderança no início da prova. O pódio pareceu possível durante toda a longa, mas rápida corrida. Porém, o ciclista português acabaria no quinto lugar. O pódio escapou, mas João Matias demonstrou novamente como está a evoluir no ciclismo de pista, disputando a corrida com ciclistas de elevado nível internacional. O espanhol Sebastían Mora venceu com 54 pontos, mais um do que o holandês Jan-Willem van Schip. O belga Robbe Ghys foi o terceiro, com 39 pontos. Matias somou 34.

A júnior Maria Martins continua a ganhar experiência ao competir com a elite e terminou o dia com dois resultados muito animadores. Primeiro começou por ser oitava entre 24 atletas que se apuraram para a final na corrida por pontos. No scratch foi nona, com Soraia Silva a sofrer uma queda que poderá ter sido uma dura forma de aprender o que não deve fazer. "As quedas são algo que podem acontecer a qualquer momento. Há aspectos que temos de melhorar, nomeadamente técnicos ,de forma a que a situação que aconteceu não se repita. A Soraia entra na faixa dos sprinters, pela esquerda de uma atleta que já lá se encontrava e devido à velocidade e ao não ter possibilidade de entrar na curva da pista, se assim podemos dizer, no ápice da curva é projectada por fora. Os atletas não devem forçar essa passagem, ela forçou e as coisas correram mal", explicou Gabriel Mendes.

Soraia teve uma passagem pelo departamento médico, mas neste sábado, tanto a ciclista, como os restantes companheiros da selecção nacional estarão na prova do omnium, que inclui seis corridas, como a perseguição individual ou o scratch. Os ciclistas vão somando pontos para se encontrar o vencedor.

De referir que além dos ciclistas que estão a representar a selecção nacional, encontram-se em Sangalhos a competir a título individual António Barbio, Rafael Silva e Leonel Coutinho.

O dia de sábado começa às 10 até perto das 20 horas, com paragem entre as 12:50 e as 16 horas. Gabriel Mendes deixa o convite para assistir ao Troféu Internacional Município de Anadia: "Vale a pena cá vir. É um espectáculo que é bonito de se ver". A entrada é gratuita.

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13 de dezembro de 2017

Gémeos Oliveira lideram selecção no Troféu Internacional Município de Anadia

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Naquela que será a segunda grande competição internacional a realizar-se no Velódromo em Sangalhos este ano, os gémeos Oliveira vão liderar uma selecção portuguesa ambiciosa. Porém, haverá mais representantes nacionais a juntar-se a um pelotão numeroso e principalmente de qualidade. Mais de 130 ciclistas, alguns deles com medalhas em Campeonatos do Mundo, da Europa e Jogos Olímpicos nesta vertente do ciclismo, vêm de 17 países para competir entre sexta-feira e domingo no Troféu Internacional Município de Anadia.

A Ivo e Rui Oliveira, que nos últimos Europeus tornaram-se os primeiros portugueses a conquistar medalhas na pista na categoria de elite, juntam-se João Matias, César Martingil e Soraia Silva e Maria Martins em representação da selecção. No entanto, há outros inscritos, como Rafael Silva, António Barbio e Leonel Coutinho.

O ciclismo de pista não tem a popularidade do de estrada em Portugal. No entanto, o elenco que estará presente no Velódromo Nacional é uma boa razão para se assistir às competições. A entrada é gratuita e todos estão convidados a ir até ao Velódromo Nacional. Além dos portugueses, teremos ciclistas como Elis Ligtlee, campeã olímpica de keirin, Kirsten Wild, campeã europeia de eliminação e detentora de 17 medalhas em europeus e mundiais, Wim Stroetinga, cinco vezes medalhado em europeus e mundiais, e Dion Beukeboom, três vezes medalhado em Europeus e candidato a tirar o recorde da hora a Bradley Wiggins.

A Holanda apresenta-se forte, mas não é a única. Do Canadá vêm Allison Beveridge - conquistou doze medalhas em mundiais, competições pan-americanas, incluindo o bronze na perseguição por equipas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro - e Stephanie Roorda, que soma dez pódios em mundiais e competições pan-americanas.

A Lituânia tem estado a estagiar em Sangalhos e terá Simona Krupeckaité - detentora de 22 medalhas, entre as quais duas de ouro em mundiais e quatro em europeus - e Vasilijus Lendel, que venceu a prova de velocidade na Taça do Mundo de Pista, no último fim-de-semana.

Além dos países referidos, estarão ainda no Velódromo representantes da Arménia, Bélgica, Espanha, EUA, França, Grã-Bretanha, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Noruega, Roménia e Suíça.

Em Julho realizaram em Sangalhos os Europeus de sub-23 e juniores e agora será o Troféu Internacional Município de Anadia, com as provas a começarem às 14:30 de sexta-feira. O dia termina às 20:45. A jornada de sábado divide-se em duas: das 10:00 às 12:50 e das 16:00 às 19:35. No domingo não há paragens: das 10:00 às 15:35. O programa contará com as seguintes especialidades: contra-relógio (1 km e 500m), corrida por pontos, keirin, madison, perseguição individual, omnium, scratch e velocidade.



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21 de outubro de 2017

A vez de Ivo Oliveira. Mais uma medalha para Portugal

(Fotografia: Roberto Bettini/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Ao perder uma final fica inevitavelmente uma sensação de derrota, mesmo que ela venha acompanhada por uma medalha de prata. Talvez seja por isso que tenha custado a Ivo Oliveira sorrir quando subiu ao pódio. Mas tem todas as razões para estar feliz. Esta foi uma medalha de prata ganha e não como compensação por não ter conseguido o ouro. Este foi um excelente resultado para um jovem de 21 anos, que ainda há três meses estava a competir nos Europeus de sub-23 e que agora está a conquistar medalhas na elite e com exibições ao nível dos melhores do mundo. Na sexta-feira Rui Oliveira conquistou a primeira medalha de sempre para Portugal numa competição de pista em elite com o bronze na prova de eliminação, agora o irmão gémeo ganhou a prata na perseguição.

O objectivo mínimo para Ivo Oliveira era disputar pelo menos o terceiro lugar nos Europeus de Berlim. O ciclista foi mesmo à final com o tempo de 4.14.570, um recorde nacional para esta prova de quatro quilómetros e o mais rápido das qualificações. Com a prata garantida, era normal sonhar mais alto. Ivo tentou, mas Filippo Ganna - italiano também de 21 anos, que representa a UAE Team Emirates - geriu melhor o esforço numa final de jovens talentos. Apesar do corredor de Gaia ter saído na frente, Ganna, campeão do mundo em 2016, manteve-se fiel à sua táctica de corrida, recuperando o tempo perdido e deixando Ivo Oliveira a cerca de três segundos.


Ivo Oliveira, Filippo Ganna e o alemão Domenic Weinstein
(Fotografia: Roberto Bettini/Federação Portuguesa de Ciclismo)
"Foi um dia excelente para Portugal. O Ivo fez a melhor corrida de sempre na qualificação, um desempenho fantástico, cumprindo o que ambicionávamos e que tínhamos como objectivo para a competição: a passagem à final. O resultado conseguido é um marco histórico para o ciclismo português, que nos deve orgulhar a todos", salientou o seleccionador nacional Gabriel Mendes, em declarações à Federação Portuguesa de Ciclismo.

A selecção portuguesa superou as expectativas com as duas medalhas. O seleccionador Gabriel Mendes está a tentar garantir um inédito apuramento olímpico nesta vertente e é uma possibilidade que parece cada vez mais provável de se tornar realidade. E há que ter em conta que faltam mais de dois anos para Tóquio2020, dois anos para evolução dos ciclistas com grande margem de progressão, com os gémeos Oliveira à cabeça, mas com mais a apresentarem potencial, casos de César Martingil e João Matias, os restantes eleitos para estarem nestes Europeus de Berlim.

Martingil esteve hoje na corrida por pontos, naquela que foi a sua estreia a este nível, mas não conseguiu terminar. Gabriel Mendes fala de falta de experiência: "O César tem valor e potencial, mas precisa de mais experiência para estar mais preparado para competições com este grau de exigência."

Portugal fecha esta brilhante participação nos Europeus com a participação no madison este domingo. Ivo Oliveira e João Matias serão os representantes.

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20 de outubro de 2017

Martingil previu e Rui Oliveira cumpriu

(Fotografia: Roberto Bettini/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Aí está ela. A primeira medalha de Portugal em pista a nível de elite. Sem surpresa veio de um dos ciclistas que também já as havia conquistado como júnior e sub-23. Os gémeos Oliveira são desde já a referência e o grande exemplo de sucesso do trabalho feito nesta vertente de ciclismo no país e Rui entra para a história como o primeiro a conquistar uma medalha ao mais alto nível. Um bronze que sabe a ouro. Há que dizer directamente: parabéns Rui! E que seja apenas a primeira para o ciclista e para a selecção portuguesa, tanto nestes campeonatos, como para as próximas competições, com os Jogos Olímpicos no pensamento, inevitavelmente.

Este é mais um passo numa vertente tão esquecida em Portugal e que cada vez mais se torna numa modalidade de destaque. Rui Oliveira chegou a Berlim como campeão europeu de eliminação na categoria de sub-23, título conquistado em Anadia. Agora junta o bronze em elite. “Esta medalha tem um sabor igual ou ainda melhor do que a de ouro, em Julho. Passei um mau período, física e psicologicamente, mas as palavras de ânimo dos meus pais, familiares e amigos permitiram-me ir ganhando confiança e vontade de trabalhar. O resultado foi esta medalha de bronze. Isto é incrível", disse o ciclista de 21 anos, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Rui Oliveira refere-se a mais uma recuperação que teve de fazer, depois de uma queda na Volta a França do Futuro, corrida na qual estava a mostrar-se. Desta feita foi o braço, em 2016 tinha sido a perna... Rui tem sido acompanhado por algum azar, mas tende a reaparecer sempre forte, como quem retira sempre uma motivação extra dos percalços para evoluir mentalmente. Já é claramente uma característica sua: a capacidade de superação. Mesmo não estando no seu melhor, fez uma excelente exibição em Berlim. Sendo ainda tão jovem, esta força mental pode revelar-se determinante no futuro próximo.

Axel Merckx deverá estar bem contente com o seu ciclista, que levou este ano para a Axeon Hagens Berman com o objectivo de conseguir com que Rui - e o irmão Ivo - passe todo o seu talento da pista para a estrada. O ciclista já foi demonstrando que aos poucos vai começando a afirmar igualmente o seu ciclismo na estrada, mas claramente a pista é, para já, onde se vai destacando. Merckx bem disse que iria gerir a temporada com os gémeos de forma a que os dois continuassem na pista. O responsável sabe bem o partido a tirar destas qualidades e destes resultados dos dois portugueses.

Até onde podem Rui e Ivo chegar e uma das questões que muito se coloca. São muito jovens, têm muito a evoluir, mas é difícil não pensar que se está perante dois enormes talentos. Porém, há que deixá-los seguir o seu caminho e que bem estão entregues a Merckx para rumarem na direcção certa.

Ivo entra em acção este sábado. Vai tentar uma inédita final na prova de perseguição. A expectativa é grande e certamente que o resultado de Rui entusiasmou, e de que maneira, a selecção nacional. O apuramento começa às 14:00 e os quatro corredores mais rápidos passam para a fase seguinte, que começará pouco depois das 19:00. 

Também iremos ver César Martingil, que estará na corrida por pontos (17:00). O ciclista da LIberty Seguros-Carglass e que se prepara para assinar o seu primeiro contrato profissional, bem tinha avisado que haveria uma medalha nos Europeus. E porque não duas, ou mesmo três?! Vamos lá sonhar um pouco, mas principalmente lutar muito!

João Matias competiu esta sexta-feira no omnium. E muito lutou. Conseguiu ficar entre os 20 finalistas, mas na última prova das quatro, a corrida por pontos, o corredor da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack não conseguiu segurar o nono lugar, caindo para 13º. Ainda assim ficaram indicações positivas, tal como tinha acontecido nos Mundiais de Hong Kong, em Abril. A experiência que está a ganhar, tanto na pista como na estrada, está a levá-lo a tornar-se cada vez mais inteligente tacticamente. Ao tornar-se numa aposta mais regular do seleccionador Gabriel Mendes, João Matias também já é garantia de alguém com capacidade para disputar bons resultados, ficando a sensação que não tardarão a aparecer.

Perante o resultado de Rui Oliveira até se deixa para segundo plano o campeão europeu! O belga Gerben Thijssen bateu o russo Maksim Piskunov, que ficou com a medalha de prata. Já no omnium, o espanhol Albert Torres esteve brilhante na última corrida, revalidando o título por apenas dois pontos. A prata foi para o surpreendente júnior dinamarquês Julius Johansen e o bronze para o francês Benjamin Thomas.

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»»Fim de época em Tavira onde César Martingil conquistou a última vitória antes de chegar à elite««

»»João Matias optou pelo risco e não compensou... Mas foi tão bonito de se ver!««