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3 de agosto de 2018

O dia foi da Aviludo-Louletano-Uli, mas o calor continua a ser protagonista

Alguns ciclistas até paravam para se refrescar, numa preciosa ajuda
dos bombeiros (Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Trabalho exímio da Aviludo-Louletano-Uli. Primeiro e segundo classificado na etapa e um recado de Vicente García de Mateos aos críticos. Uma queda partiu o pelotão e, por momentos, Domingos Gonçalves chegou a ser dado como o novo líder, mas o ciclista da Rádio Popular-Boavista terá de procurar outra oportunidade, pois a amarela continua com Rafael Reis. Era de tudo isso que se deveria destacar da segunda etapa da Volta a Portugal. Mas não, o calor continua no centro das atenções e a corrida começa a ser notícia lá fora por este factor. Fazem-se comparações com o que aconteceu com o Tour Down Under, na Austrália, que perante condições idênticas optou por encurtar etapas. O martírio do tempo quente vai continuar rumo à etapa rainha da corrida no domingo.

Uma das recentes vitórias dos ciclistas foi a aplicação do protocolo de tempo extremo. Ao ser incluindo nos regulamentos da UCI, passou a prever que podem ser feitas alterações às corridas devido a questões de meteorologia. O frio e a neve têm sido das principais razões para a sua aplicação, mas o calor não lhe fica atrás. O Tour Down Under não consegue escapar às temperaturas muito altas em Janeiro e pelo menos nas últimas duas edições houve etapas encurtadas. Com mais de 40 graus, a organização tem optado por tentar salvaguardar a saúde dos corredores. É difícil agradar a todos, com uns a considerarem que devem ser canceladas, outros não se importam de enfrentar o calor. Noutras corridas já se chegou a anular tiradas e até a Volta a França não escapa a estas medidas. Na inesquecível tirada em que Chris Froome correu a pé pelo Mont Ventoux, os ciclistas não foram ao topo devido ao forte vento.

Na Volta a Portugal o ciclismo não tem parado... tirando quando alguns ciclistas ficaram debaixo das mangueiras dos bombeiros. As equipas redobraram ou mesmo triplicam os esforços para garantir que os seus corredores não sofrem de desidratação. Estes defendem-se como podem. Vão muito mais devagar (média pouco acima dos 30 quilómetros/hora) e aproveitam todas as mangueiradas para apanhar um verdadeiro duche frio. Merecem todo o respeito estes ciclistas porque a corrida não pára. A Associação de Ciclistas Profissionais (CPA, na sigla em francês) colocou no Twitter que ia pedir à organização da Volta para aplicar o protocolo de tempo extremo. "O organizador é responsável pela segurança e saúde dos ciclistas e não pode deixá-los competir nestas condições terríveis. Todos os ciclistas têm de ter os mesmos direitos e tratamentos", lê-se.

Já na quinta-feira, Tiago Machado chamou a atenção para o que os ciclistas estão a enfrentar e apelou para que se seguisse o exemplo do Tour Down Under, referindo mesmo que a RTP iria compreender. As transmissões televisivas têm um peso enorme, ainda mais quando é a Volta a Portugal que dá praticamente todo o protagonismo e retorno mediático aos patrocinadores das equipas portuguesas.

Foram 203,6 quilómetros entre Beja e Portalegre. Um ambiente tórrido, mas que mesmo assim só viu um ciclista sair de cena. O dinamarquês Louis Bendixen, da Team Coop, nem partiu e tornou-se assim na segunda desistência, depois do português Joaquim Silva (Caja Rural).

O dia do Louletano


 (Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
"Não está só o Porto e o Sporting nesta Volta. O Louletano também está." A frase é peremptória e é o sinal de ambição que sempre acompanha Luís Mendonça. Dois segundos lugares consecutivos. No primeiro ficou frustrado, agora foi como se tivesse ganho. Foi ele quem lançou o sprint, apanhou Domingos Gonçalves que tentou afastar-se da concorrência, mas depois foi Vicente García de Mateos quem aproveitou a roda para ganhar. Duas cartadas, dois ases. Perfeito para a Aviludo-Louletano-Uli que já tem a sua etapa. Falta a geral. Sim, o director desportivo, Jorge Piedade, quer ganhar a Volta com Mateos.

O espanhol foi terceiro há um ano. Quase ficou de fora desta edição devido a irregularidades no passaporte biológico. Foi o Tribunal Arbitral do Desporto quem levantou a suspensão, enquanto o processo ainda decorre. Mateos mandou calar. Os críticos, os detractores, fosse quem fosse que o esteja a colocar em causa. Mateos não se quis alongar nesses comentários. Só pensa em competir. Só pensa que a partir deste sábado começa a Volta, por assim dizer.

A montanha chega na chamada Etapa Vida, que irá passar por muitas das localidades mais afectadas pelos incêndios de 2017. Serão 177,8 quilómetros entre a Sertã e Oliveira do Hospital, com duas quartas categorias, duas terceiras e uma segunda, na Serra da Lousã, pelo que poderá haver uma nova classificação geral.

(Texto continua por baixo da imagem.)



Rafael Reis (Caja Rural) estará de amarelo, depois de provisoriamente ter perdido para Domingos Gonçalves. Uma queda a 500 metros da meta cortou o pelotão, mas ficaram dúvidas se antes já haveriam diferenças. Os comissários acabaram por optar dar o mesmo tempo a todos os que estavam no grupo. O líder da juventude e segundo à geral, César Martingil, ficou um pouco mal tratado, mas garantiu não ter nada partido. Mario Vogt (Sapura Cyling) manteve a camisola azul da montanha, o Sporting-Tavira não desarma da classificação colectiva, mas a dos pontos tem um novo líder: depois de dois segundos lugares, Luís Mendonça vai amanhã partir de verde.

Pode ver aqui as classificações.

O pontapé na roda

Merece o destaque, pois não é todos os dias que vemos um ciclista dar um pontapé numa roda de a fazer voar para longe. Quando se fizer um best of de maus tratos ao equipamento, o de Domingos Gonçalves tem de lá estar! Já com o pelotão lançado para começar a arrumar as suas peças para discutir a etapa, o campeão nacional de fundo e contra-relógio furou. Uma falha de comunicação fez com que o director desportivo, José Santos, não se apercebesse que o ciclista já tinha encostado e foi atrás de Filipe Cardoso que estava a recuar no pelotão.

Nas imagens é notório como Domingos gritou para o rádio ao ver o seu carro de apoio passar. Tirou ele a roda de trás e saiu remate! Foi Joaquim Andrade, da Vito-Feirense-BlackJack quem parou para o seu mecânico ajudar um potencial adversário para um final a que certamente a equipa também tinha pretensões. Um gesto extraordinário de fair play.

»»Calor roubou as atenções e fez a primeira vítima na Volta a Portugal««

»»"Perdi alguma confiança, mas comecei a acreditar novamente em mim"««

1 de fevereiro de 2018

O pelotão nacional visto por Nuno Sabido

Depois de um ano marcado pelo regresso ao pelotão nacional de alguns nomes de referência como Sérgio Paulinho, Edgar Pinto e Fábio Silvestre, 2018 tem desde logo como destaque o surgimento das equipas sub-25, ou seja, têm licença do escalão Continental, ainda que mantenham o estatuto de não profissional. Sem alteração parece estar qual será a equipa num patamar elevado, com as restantes a terem de enfrentar a toda poderosa W52-FC Porto. Há quem tenha mais pressão para demonstrar resultados, há quem procure uma oportunidade para encontrar o caminho das vitórias, inevitavelmente com a Volta a Portugal em mente. O Volta ao Ciclismo falou com Nuno Sabido, antigo ciclista e que actualmente gere a Sabido's Cycling Training Center juntamente o irmão Hugo Sabido, fazendo também os comentários da modalidade na TVI24.

E começou-se precisamente pela novidade. Liberty Seguros-Carglass e Miranda-Mortágua era duas equipas de referência nos escalão de sub-23, mas aproveitaram as alterações nos regulamentos para pedirem a licença Continental. A elas junta-se a LA Alumínios, um patrocinador já tradicional no ciclismo em Portugal, mas que agora aposta numa equipa de jovens. Será que estamos perante uma mudança no panorama da modalidade no país?

"Nada muda. Não sou a favor desta alteração. Acho que em nada beneficia o ciclismo nacional, em nada beneficia os ciclistas sub-23. Temos uma realidade completamente diferente da que é praticada no estrangeiro, com estes atletas destas idades. O que a Federação Portuguesa de Ciclismo quis, foi pegar no modelo internacional, em que as equipas do World Tour têm uma equipa de formação Continental, mas esquecem-se que essas equipas têm orçamentos com alguns milhões de euros. Aqui, atendendo à nossa realidade, estamos a falar destas equipas continentais não profissionais em que parte dos ciclistas não vai ganhar dinheiro absolutamente nenhum, continuam amadores, como eram", critica Nuno Sabido.

Apenas dois dos ciclistas dessas estruturas serão profissionais e Sabido considera que os restantes vão estar expostos a uma maior pressão, salientando: "[Os corredores] vão fazer toda a temporada do calendário profissional, sem serem profissionais e sem estarem capacitados fisicamente para tal. Às vezes isso leva depois a que se cometam asneiras e essas em nada beneficiam e nem dão a melhor imagem do que é o nosso ciclismo." Sabido vai mesmo mais longe, dizendo que participar numa Volta ao Algarve e numa Volta a Portugal não irá fazer diferença nesta fase da carreira dos jovens ciclistas. "A maior parte não terá nenhum benefício. Naturalmente que aqueles que têm mais talento e uma maior capacidade física, poderão beneficiar destas participações. Será uma minoria que poderá integrar-se e conseguir chegar no pelotão ou tentar não perderem muito tempo em relação ao grupo principal. A maioria terá grande dificuldade. O benefício não será tão grande quanto se espera", frisa.

Seguiu-se a inevitável pergunta: A W52-FC Porto continuará a ser o "alvo a abater"? "É a equipa com a melhor organização no ciclismo nacional. Parte da força colectiva tem a ver com a união de todos os elementos. Não só dos atletas, mas também do staff. Depois,do ponto de vista salarial é a equipa que tem maior consideração em relação aos atletas e tudo isso promove e desencadeia os resultados que eles conseguem alcançar ao longo de toda a temporada."

Saiu Amaro Antunes e Joaquim Silva, mas chegou César Fonte e José Neves, dois reforços que agradam a Nuno Sabido. O primeiro considera que poderá ser importante na estratégia colectiva, enquanto o segundo irá beneficiar na forma como Nuno Ribeiro lida com atletas jovens. "Ele de alguma forma protege os ciclistas mais novos. Submete-os a determinado trabalho, mas não os explorando, nem exigindo o que não seria o melhor para eles. Temos o caso do Joaquim Silva, que agora saiu para a Caja Rural, mas enquanto lá esteve foi sempre tido em muita consideração a sua evolução. Penso que é uma óptima equipa para albergar e depois lançar novos talentos", afirma.

E irá Raúl Alarcón ser o líder assumido depois da vitória na Volta a Portugal? Sabido continua a colocar Gustavo Veloso também com esse estatuto, realçando como fisicamente mantém-se a bom nível e como tem a ambição de ganhar novamente a principal corrida para as equipas nacionais. Porém, considera que existe ainda uma terceira opção: "O António Carvalho está desejoso ter a oportunidade dele e é outro que faz parte desse lote. O Nuno Ribeiro e os restantes directores estarão tranquilos por mais uma época porque têm várias opções para utilizarem."

Sporting-Tavira pressionado, Efapel nem tanto

O facto de ser o Sporting, a pressão é bem real, algo que não aconteceria se se tratasse do Tavira, segundo Nuno Sabido. "A direcção do Sporting Clube de Portugal quer vencer, até porque porque existe alguma rivalidade com o FC Porto." O antigo ciclista recorda como foi o regresso dos dois clubes ao ciclismo. Primeiro foi o clube de Lisboa a abordar Nuno Ribeiro, mas acabou por serem os portistas a chegarem a acordo com a que era a equipa mais ganhadora do pelotão e assim continua. O Sporting virou-se então para o Algarve. "Se no primeiro ano [a pressão] não era tão acentuada, agora é. Tiveram um segundo ano para tentarem provar e agora têm um terceiro e dificilmente será uma pressão colocada de lado."

Nuno Sabido coloca a W52-FC Porto num patamar acima, com o Sporting-Tavira ao nível de equipas como a Efapel e a Rádio Popular-Boavista. "Têm bons ciclistas, mas não têm atletas ao ponto de serem vencedores da Volta a Portugal."

Apesar do investimento feito para o garantir em 2017 Sérgio Paulinho, ciclista medalhado olímpico e que durante mais de uma década esteve no World Tour, Sabido refere que a direcção da Efapel reconhece o plantel que tem. Diz que Paulinho "dificilmente irá vencer a Volta a Portugal em situações normais de um para um". No entanto, salienta a reconhecida qualidade do ciclista e como uma situação de corrida favorável e tudo poderá acontecer. "Se ele tiver uma pequena vantagem, bastará de um minuto, poderá ser difícil alcançar o Sérgio."

Henrique Casimiro, que também fez top dez na última Volta a Portugal, é um caso que Sabido considera idêntico ao de Paulinho, com a grande diferença de ainda estar em plena evolução. "Ainda é um ciclista em desenvolvimento, veremos qual foi a sua evolução para a nova temporada. Temos de esperar para ver se o Henrique conseguiu subir mais um patamar para ganhar uma Volta a Portugal ou estar nos lugares cimeiros."

Louletano reforçado, mas não muito diferente; Boavista mantém génese

Depois do pódio de Vicente de Mateos na Volta a Portugal, a agora Aviludo-Louletano reforçou-se com ciclistas para tentar dar maior apoio ao líder, como Márcio Barbosa. "Acho que não vai influenciar muito o resultado do Louletano individual o se terem reforçado colectivamente. É uma equipa que irá continuar à procura das vitórias individuais." Nuno Sabido diz mesmo que pensa que a equipa algarvia "não terá a capacidade de confrontar directamente e colectivamente a W52-FC Porto" e que quando chegar o momento das decisões, Mateos terá de reagir. "Veremos se mais alguém da equipa o acompanhará."

Quanto à Rádio Popular-Boavista, entrará na fase pós-Rui Sousa, com Nuno Sabido a realçar que João Benta manter-se-á como o "ciclista em destaque", como "o homem forte". Já o russo Egor Silin, que chegou já no decorrer da temporada em 2017, depois de ter ficado sem lugar na Katusha-Alpecin, Sabido afirma que já "teve as suas oportunidades, mas não as aproveitou da melhor maneira". "Esta descida de divisão tão repentina teve a ver com algum descrédito por parte dessas equipas por que já passou e neste momento, tendo em conta o ciclismo em Portugal, tremendamente agressivo, eu direi que poderá continuar na sua toada, com fugas e tentar vencer etapas e, se calhar pouco mais do que isso."

Já a presença de dois jovens que irão cumprir o primeiro ano de sub-23, Francisco Moreira e João Salgado, mas logo numa equipa profissional, é algo que Nuno Sabido vê como positivo, sendo uma situação distinta dos mais novos que estão nas equipas sub-25. "É muito bom já lá estarem [numa estrutura profissional]. Acresce a motivação, têm um salário e só isso é uma mais valia", explica. Quanto à pressão, "existe sempre e a maior parte das vezes não é colocada pela equipa, pelos directores e staff técnico, é uma pressão que está inerente a cada atleta". Acrescenta que a ambição de chegar ao World Tour faz com que essa pressão surja, mas diz ser saudável, desde que a saibam controlar.

A Vito-Feirense-BlackJack herdou parte da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack, mas Sabido atira logo a diferença que será a mudança de estatuto. "Parte do plantel mantém-se porque infelizmente os ciclistas não tinham alternativa, estão quase que obrigados a ficar na mesma formação." Sabido refere como as condições são diferentes "mesmo do ponto de vista salarial e tudo mais, não serão as mesmas, serão com toda a certeza inferiores". "É a tal motivação que está presente nesses atletas, em quererem fazer melhor esta temporada, para no próximo ano estarem numa equipa profissional", afirmou.

Contudo, espera que Edgar Pinto possa ter uma época livre de incidentes para finalmente mostrar toda a sua qualidade, enquanto João Matias, uma das revelações de 2017, "estará mais marcado".

Possíveis destaques para 2018

Nuno Sabido joga à defesa quanto a algum ou alguns ciclistas que possam destacar-se este ano. "Esperar para ver!" No entanto, questionado sobre jovens que se deve seguir com maior atenção e que ainda não se tenha referido, tendo também em conta as novas estruturas Continentais, fala-se de nomes como Francisco Campos, campeão nacional de sub-23 e vencedor da Prova de Abertura Região de Aveiro em 2017, mas também César Martingil e Gaspar Gonçalves, dois corredores que se tornaram profissionais com a Liberty Seguros-Carglass.

Considerando que estas equipas vão tentar criar as suas oportunidades, como entrar em fugas ou lutar pelas classificações secundárias, Sabido refere como Francisco Campos é um sprinter que consegue passar bem algumas dificuldades e como César Martingil irá reforçar precisamente essas chegadas com o pelotão compacto. Gaspar Gonçalves, um corredor mais completo, poderá tentar acompanhar os melhores, mas ainda lhe falta a experiência para poder alcançar grandes resultados. Porém, Sabido espera que a adquira e possa tornar-se numa referência do ciclismo nacional.

Não será preciso esperar muito pelo início da acção nas estradas portuguesas, pois é já este domingo que o pelotão nacional se faz à estrada na Prova de Abertura Região de Aveiro. Serão 155,5 quilómetros que começarão em Oliveira do Bairro, com a meta colocada na Torreira.



21 de novembro de 2017

O ano da confirmação de Mateos e de um Louletano-Hospital de Loulé cada vez mais ambicioso

Vicente Garcia de Mateos. Eis um ciclista que se deveria seguir com atenção em 2017, ainda mais quando no ano anterior tinha terminado no top dez da Volta a Portugal. Claro que num pelotão que ia contar novamente com uma super equipa como a W52-FC Porto, que iria ter um Sporting-Tavira renovado e fortalecido, uma Efapel que foi buscar Sérgio Paulinho ao World Tour, o Louletano-Hospital de Loulé quase que poderia passar despercebido. Quase, porque a equipa algarvia estava determinada em entrar na discussão das corridas, por mais forte que fosse a concorrência. O ciclista espanhol era a grande aposta e não demorou a mostrar que poderia tornar-se num sério candidato a algo mais do que um top dez na Volta a Portugal. A contratação mais falada foi a de Luís Mendonça, que aos 31 anos chegou à elite nacional. Apostou tarde no ciclismo, mas vontade e ambição não lhe faltavam e o sprinter não se inibiu de andar na frente, mesmo quando ao seu lado teve um Fernando Gaviria e um André Greipel na Volta ao Algarve. No primeiro sprint, Mendonça foi o melhor português.

Jorge Piedade, director desportivo, preparou a temporada para que o seu líder, Mateos, estivesse sempre em crescendo. A primeira vitória surgiu logo na Clássica Aldeias do Xisto e por Espanha somou bons resultados, como o 13º lugar na Volta à Comunidade de Madrid e o sétimo na Volta a La Rioja. Em Junho ganhou o Grande Prémio Abimota e uma etapa. Com o aproximar da Volta a Portugal, Mateos entrou numa fase mais discreta, quebrada apenas com o sexto lugar nos Nacionais. No Troféu Joaquim Agostinho foi apenas 29º, o que talvez tenha contribuído para não entrar no lote dos grandes favoritos para a Volta a Portugal.

Ranking nacional: 4º (1528 pontos)
Vitórias: 4 (incluindo uma etapa na Volta a Portugal)
Ciclista com mais triunfos: Vicente Garcia de Mateos (4)

Contudo, tal não deverá acontecer de novo. A Volta serviu para Mateos enviar uma clara mensagem: contem com ele para fazer frente aos melhores. Porém, também o Louletano-Hospital de Loulé deixou a sua mensagem: um orçamento mais pequeno, uma equipa mais curta não significa que não se possa ser grande, principalmente quando se pode ter menos, mas o que se têm é de qualidade. O ciclista espanhol realizou uma Volta a Portugal a todos os níveis espectacular. Venceu uma etapa e terminou em terceiro. Para quem ainda há poucos anos procurava entrar mais em sprints, a evolução de Mateos foi notória e impressionante. Em 2018 a equipa algarvia vai querer mais e tens razões e base para isso.

O Louletanto-Hospital de Loulé chegou à Volta sem Luís Mendonça, que dias antes havia sido agredido durante um treino por um condutor. Fracturou o braço e não houve tempo para recuperar. Logo na primeira etapa foi Oscar Hernandez que não teve condições para prosseguir, deixando Mateos sem uma importante ajuda. Ainda assim, a reacção foi lutar pelo pódio e Jorge Piedade não tem dúvidas que o seu ciclista poderia estar com a camisola amarela antes da Serra da Estrela se tivesse mais apoio. Nessa etapa ficou mais do que claro que é preciso mais do que um Vicente Garcia de Mateos em forma para bater a W52-FC Porto.

E é esse passo que a formação algarvia quer dar em 2018. Márcio Barbosa (A.C.D.C. Trofa) poderá ser um reforço importante para a montanha, por exemplo. Certo será que a Aviludo-Louletano, como se chamará na próxima temporada, e Vicente Garcia de Mateos não serão novamente remetidos para um segundo plano na habituais listas de candidatos.

15 de novembro de 2017

Pelotão nacional de 2018 vai ganhando forma

As equipas portuguesas estão de olhos postos em 2018, mas continuam a limar algumas arestas quanto a contratações e renovações. A W52-FC Porto anunciou em dois dias duas novas caras e a manutenção de um dos ciclistas portugueses de maior valor: António Carvalho. Em comum há a aposta dos directores desportivos em manterem os principais corredores, pelo que, depois de um ano com grandes novidades - desde os regressos mediáticos de Sérgio Paulinho, Fábio Silvestre e Edgar Pinto, às mudanças de Joni Brandão, Amaro Antunes e Alejandro Marque, por exemplo -, em 2018 vamos assistir a uma continuidade dos núcleos fortes.

Das mais recentes contratações destaca-se a subida a profissional do jovem José Fernandes (22 anos), campeão sub-23 de contra-relógio. A evolução na Liberty Seguros-Carglass deixava antever que o passo para outro nível estaria perto e a W52-FC Porto assegura um dos ciclistas mais promissores da nova geração. José Fernandes ganhou a Volta a Portugal do Futuro, foi quinto no Troféu Joaquim Agostinho e o melhor na classificação da juventude.

César Fonte irá trazer experiência à equipa de Nuno Ribeiro. Aos 30 anos abraça um novo projecto depois de um ano na LA Alumínios-Metalusa-BlackJack e três na Rádio Popular-Boavista. Antes passou pela estrutura da Efapel. O ciclista irá colmatar a saída de Amaro Antunes, sendo certamente um importante apoio a Raúl Alarcón e Gustavo Veloso, sendo de esperar que tenha alguma liberdade em certas corridas, como o director desportivo tenta sempre conceder durante a temporada.

Nuno Ribeiro bem tinha prometido que a equipa continuaria forte, apesar da saída do ciclista algarvio para a CCC Sprandi Polkowice e das incertezas quanto ao futuro de Alarcón, vencedor da Volta a Portugal, e António Carvalho (sexto na Grandíssima e com um ano recheado de excelentes resultados e prestações na ajuda aos líderes). Os últimos dois optaram por renovar.

O Sporting-Tavira foi buscar dois ciclistas desconhecidos: o russo Alexander Grigoryev (Russian Helicopters) e o italiano Nicola Toffali (0711|Cycling). Vidal Fitas também já garantiu Álvaro Trueba, corredor que estava na Efapel. Américo Silva tinha como objectivo tentar ficar com a equipa praticamente intacta. Perdeu Trueba e António Barbio (Miranda-Mortágua), mas foi buscar o experiente David Arroyo. Aos 37 anos, o espanhol pensava que iria terminar a carreira na Caja Rural, mas ao proporcionar-se este regresso a Portugal, agarrou a oportunidade. Em 2004 esteve na LA Pecol, terminando em segundo a Volta a Portugal. David Bernabéu foi o vencedor nesse ano, com Nuno Ribeiro (actual director desportivo da W52-FC Porto) a fechar o pódio e com Sérgio Paulinho a ser sexto. Agora serão companheiros de equipa. David Arroyo tem ainda experiência de World Tour, tendo estado oito anos na estrutura da Movistar.

Jorge Piedade quer colocar o Louletano-Hospital de Loulé (Aviludo-Louletano em 2018) mais perto do nível da W52-FC Porto, para assim ter novamente Vicente Garcia de Mateos na discussão da Volta a Portugal e apontar a mais vitórias noutras corridas. Luís Fernandes (Sporting-Tavira) e Juan Ignacio Perez (W52-FC Porto) estão contratados, tendo o responsável da formação algarvia aberto novamente as portas da elite a Márcio Barbosa (A.C.D.C. Trofa).

A Rádio Popular-Boavista prepara-se para a vida pós-Rui Sousa. Ficou com as principais figuras e foi buscar o veterano Yuri Trofimov (33 anos), que esteve na Caja Rural até meio da temporada transacta. Antes representou a Tinkoff e Katusha no World Tour. Também da equipa espanhola veio Oscar Pelegri e Manuel Sola chegou a ser anunciado, mas antes de assinar contrato foi conhecido um positivo num teste anti-doping, pelo que o acordo ficou sem efeito e falta um ciclista para fechar o plantel de José Santos.

Temos ainda a nova equipa: Vito-Feirense-Blackjack. É o regresso do clube ao ciclismo em ano de centenário. Vencedor da Volta a Portugal em 1990 com Fernando Carvalho, a equipa terá como director desportivo o antigo ciclista Joaquim Andrade e contará com alguns dos principais nomes da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack: Edgar Pinto, João Matias, Hugo Sancho e Luís Afonso. Leonel Coutinho irá regressar a Portugal depois de um ano em Espanha, o marroquino Soufiane Haddi irá reencontrar Edgar Pinto, de quem foi colega na Skydive Dubai. Ricardo Vale deixa a Rádio Popular-Boavista. Três ciclistas do Sport Ciclismo São João de Ver vão estar entre a elite nacional: João Santos, Gonçalo Santos e Bernardo Saavedra.

Em 2018, a formação do Miranda-Mortágua - que este ano esteve em destaque em várias corridas, principalmente com Francisco Campos - irá subir ao escalão Continental, sem, no entanto, perder o seu carácter de formação. Além dos jovens sub-23, destaque para o regresso de Nuno Meireles ao pelotão nacional depois de uma experiência pouco feliz na equipa Bolívia, projecto que terminou a meio da temporada. António Barbio será uma das grandes figuras. Vencedor de uma etapa na Volta a Portugal em 2017, o ciclista deixa a Efapel para regressar a uma estrutura que conhece bem.

Aqui fica o que já se conhece do pelotão nacional (ordem das equipas de acordo com o ranking nacional de 2017, sendo a Vito-Feirense-BlackJack uma nova formação e o Miranda-Mortágua subiu de escalão).

W52-FC Porto-Mestre da Cor: Raúl Alarcón, António Carvalho, Gustavo Veloso, Rui Vinhas, João Rodrigues, Samuel Caldeira, Ricardo Mestre, César Fonte (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack), José Fernandes (Liberty Seguros-Carglass);

Sporting-Tavira: Joni Brandão, Alejandro Marque, Rinaldo Nocentini, Frederico Figueiredo, Álvaro Trueba (Efapel), Alexander Grigoryev (Russian Helicopters), Nicola Toffali (0711|Cycling);

Efapel: Sérgio Paulinho, Henrique Casimiro, Daniel Mestre, Rafael Silva, Bruno Silva, Jesus del Pino, David Arroyo (Caja Rural);

Aviludo-Louletano: Vicente Garcia de Mateos, Luís Mendonça, Rui Rodrigues, David de la Fuente, André Evangelista, Oscar Hernandez, Luís Fernandes (Sporting-Tavira), Juan Ignacio Perez (W52-FC Porto), Márcio Barbosa (A.C.D.C. Trofa);

Rádio Popular-Boavista: Domingos Gonçalves, João Benta, Filipe Cardoso, David Rodrigues, Luís Gomes, Egor Silin, Yuri Trofimov (Caja Rural até Julho), Oscar Pelegri (Caja Rural);

Vito-Feirense-BlackJack: Edgar Pinto, João Matias, Hugo Sancho, Luís Afonso, Leonel Coutinho (G.D. Supermercados Froiz), Ricardo Vale (Rádio Popular-Boavista), Soufiane Haddi (Skydive Dubai-Al Ahli), João Santos (Sport Ciclismo São João de Ver), Gonçalo Santos (Sport Ciclismo São João de Ver), Bernardo Saavedra (Sport Ciclismo São João de Ver);

Miranda-Mortágua: Nuno Meireles, António Barbio, Hugo Nunes, Francisco Campos, Jorge Magalhães, Gonçalo Carvalho, Damien Cordeiro, João Rocha, José Sousa, Pedro Teixeira e Artur Chaves.

NOTA: Por lapso não foi incluída na primeira versão do texto a equipa do Miranda-Mortágua. Aqui fica o pedido de desculpa e a inclusão de uma formação que subirá de escalão e que poderá assim participar nas principais competições nacionais, como a Volta a Portugal e a Volta ao Algarve. Boas notícias para o pelotão português.



23 de outubro de 2017

"Com uma equipa mais forte, o Vicente estaria de amarelo antes da etapa da Serra da Estrela"

Jorge Piedade está orgulhoso do que Vicente García de Mateos tem alcançado, como
a vitória na Clássica Aldeias do Xisto (na foto) e, claro, a exibição na Volta a Portugal
O orçamento pode não ser dos maiores, mas o Louletano-Hospital de Loulé realizou uma época extremamente positiva, com vitórias e claro com destaque para a exibição na Volta a Portugal. Jorge Piedade é um director desportivo satisfeito, mas agora só pensa em conseguir mais e melhor em 2018. E diz mesmo: "Podem estar atentos ao Louletano." A começar pela Volta ao Algarve. A correr em casa, o responsável quer estar bem logo no arranque de temporada, ainda mais sendo uma prova de referência internacional.

Porém, é hora de o fazer balanço de 2017 e preparar a equipa para a próxima temporada. Vicente Garcia de Mateos vai continuar, assim como Luís Mendonça, David de la Fuente, Oscar Hernandez, Rui Rodrigues e André Evangelista. Luís Fernandes será reforço, depois de dois anos no Sporting-Tavira e de três na estrutura agora com o nome de W52-FC Porto, que ficará sem Juan Ignacio Perez, que também ruma à formação algarvia. Márcio Barbosa regressa à elite nacional, depois dois anos no A.C.D.C. Trofa. 

"Penso que poderei fazer uma equipa bastante boa e equilibrada para estar com o Vicente", disse Jorge Piedade ao Volta ao Ciclismo. O espanhol afirmou-se definitivamente em 2017 como uma das figuras do pelotão nacional. Venceu a Clássica Aldeias do Xisto, depois o Grande Prémio Abimota e, claro, a vitória na etapa de Oliveira de Azeméis e o terceiro lugar na Volta a Portugal foram os pontos altos da temporada.


"Eu sabia que o Vicente ia discutir a Volta a Portugal. Eu disse a muita gente, mas ignoraram-no um pouco e de alguma forma ficaram surpreendidos"

Jorge Piedade acredita que apesar do excelente resultado, poderia ter sido melhor. A perda de Luís Mendonça, antes da Volta, e de Oscar Hernandez logo no arranque da corrida condicionaram um pouco a estratégia. O director desportivo não tem dúvida: "Com uma equipa mais forte, o Vicente estaria de amarelo antes da etapa da Serra da Estrela." Foi nesse dia, o penúltimo da Volta, que o sonho se desmoronou. Jorge Piedade não coloca em causa a qualidade da W52-FC Porto, muito pelo contrário, deixa elogios, mas defende a exibição da sua equipa durante toda a Volta a Portugal.

"Ficámos orgulhosos. Sabíamos das nossas limitações, mas trabalhámos para segurar os corredores, nomeadamente da W52-FC Porto. Tentámos controlar a Volta com a equipa que tínhamos", explicou. Na Serra da Estrela não houve nada a fazer perante o poderio de Amaro Antunes e Raúl Alarcón - que ficariam nos dois primeiros lugares do pódio final - que unidos destroçaram a concorrência. O espanhol do Louletano-Hospital de Loulé acabou por ter pouca ajuda na perseguição. O terceiro lugar de Vicente García de Mateos pode ter surpreendido alguns, mas não Jorge Piedade: "Eu sabia que o Vicente ia discutir a Volta a Portugal. Eu disse a muita gente, mas ignoraram-no um pouco e de alguma forma ficaram surpreendidos. Não contavam que o Vicente andasse tanto."


"Quero mais. Sou ambicioso e gosto de andar no ciclismo para ganhar. É uma maneira de estar"

Em 2016 foi oitavo e as exibições durante esta temporada até apontavam como um ciclista a aparecer forte na Volta. Porém, ainda assim, surgiu muito como outsider. Agora a atenção dos rivais será outra. "O Vicente tem qualidades que muitos não têm, como por exemplo na chegada ao sprint, anda bem no contra-relógio e na montanha está com eles", disse o responsável. E realçou: "Para a Volta a Portugal é perfeito. O Vicente é um grande ciclista."

A evolução deste espanhol de 29 anos tem sido notória, estando cada vez melhor na montanha. Ganhar a Volta a Portugal é a ambição, brilhar no Algarve também e claro que durante 2018 o Louletano-Hospital de Loulé quer estar novamente bem e não se concentrar apenas nas principais competições do calendário. "Quero mais. Sou ambicioso e gosto de andar no ciclismo para ganhar. É uma maneira de estar", afirmou Jorge Piedade.

No próximo ano há já outra mudança confirmada. Há dias foi anunciado que o nome da equipa irá mudar. A partir de 1 de Janeiro será a Aviludo-Louletano. Como curiosidade, o novo patrocinador a equipa de Loulé é uma empresa especializada na indústria, comércio e distribuição de produtos alimentares.