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29 de agosto de 2017

Ciclista australiano pediu a nacionalidade russa e foi o próprio Putin quem aceitou

(Fotografia: Nicola/Wikimedia Commons)
Para Shane Perkins é a oportunidade para relançar uma carreira que pensava estar terminada. Para os australianos, o ciclista é um desertor. Pedir uma nacionalidade num país onde não se nasceu não é nada de estranho e muito menos no mundo do desporto. Contudo, optar por representar a Rússia foi tema de muitas conversas, até porque se está a falar de um atleta campeão do mundo de pista (keirin e sprint por equipas), tendo ainda um bronze olímpico no sprint individual (Londres2012). Ao ficar de fora dos Jogos no Rio de Janeiro, Perkins acabou por fazer o que ele próprio considerava impensável: pedir a nacionalidade russa. Vladimir Putin abriu-lhe as portas e assinou o documento.

Perkins é agora um cidadão russo. Foi uma surpresa para os australianos, mais habituados a ver atletas russos pedir a nacionalidade naquele país da Oceânia. A decisão causou ainda mais estranheza porque Perkins não tem qualquer ligação à Rússia. A escolha foi feita por influência de Denis Dmitriev, ciclista também campeão do mundo de pista de sprint. Ambos treinam juntos no Japão há muitos anos e o que começou como uma brincadeira, acabou por se tornar num assunto bem sério.

Quando Perkins ficou de fora dos Mundiais em 2015, a sensação com que ficou é que lhe estavam a dizer para se retirar. Começou a pensar em tornar-se treinador, mas o sonho de regressar aos Jogos Olímpicos falou mais alto. A federação australiana justificou falta de meios económicos para levar Perkins aos Mundiais em Saint-Quentin-en-Yvelines (na zona de Paris) e o ciclista, disposto a tudo, disse que pagaria ele os seus gastos. Ouviu um não e ficou em casa. No ano seguinte viu os Jogos do Rio de longe ao ficar de fora da selecção. Depois de tanto ouvir Dmitriev brincar a dizer que se fosse russo iria ao Rio de Janeiro, Perkins tomou a decisão radical. Porém, assumiu que há pouco mais de um ano nunca pensaria que iria ceder às "provocações" do colega de treino.

No site da presidência russa foi confirmada a informação que o próprio Vladimir Putin assinou o documento que permitiu a Perkins tornar-se um cidadão russo. O ciclista agradeceu de imediato (pois claro) e disse sentir-se tão animado como se tivesse 18 anos e estivesse a começar da carreira.

Com a Rússia a estar envolvida num escândalo de doping organizado, Perkins não esconde que isso preocupou-o. Porém, o programa ciclismo de pista não foi envolvido. É o atletismo que está debaixo de fogo, com o ciclismo de estrada a não escapar a algumas suspeitas, dado os casos positivos em anos recentes.

Perkins vai agora dividir o seu tempo entre Brisbane, Moscovo e irá continuar a treinar também no Japão, onde quer estar em 2020, quando Tóquio for palco dos Jogos Olímpicos. O ciclista diz que a sua escolha foi bem recebida. No entanto, pela Austrália lá se vai lendo que Perkins desertou. O atleta não desarma e salientou que se ganhar uma medalha será para a Rússia, mas também para o país onde nasceu.

Como curiosidade, Yuko Kawaguti (patinagem artística) - recuando a 2008 - trocou o Japão pela Rússia para também assim ter uma oportunidade de estar nos Jogos Olímpicos. Em 2011, o snowboarder americano Vic Wild fez o mesmo, ainda que aqui tenha havido a influência da esposa, Alena Zavarzina. A falta de financiamento para as suas especialidades neste desporto acabou por ser o empurrão final para o pedido de nacionalidade russa. Em 2014 foi campeão olímpico na sua nova casa, ou seja, nos Jogos de Sochi e deverá estar nos de PyeongChang, na Coreia do Sul.

Se formos para o mundo do cinema, então encontramos duas figuras bem conhecidas: Gérard Depardieu e Steven Segal. Ambos também foram recebidos por Putin, têm o passaporte russo, mas não vivem no país. O caso do actor francês foi muito falado em 2013, pois a decisão terá sido tomada para evitar pagar impostos muito altos no seu país.


25 de agosto de 2016

"Não é um Mundial muito bom para nós"

Nelson Oliveira é, provavelmente, o único com lugar garantido no Qatar
(Fotografia: Facebook do ciclista)
Terminado os Jogos Olímpicos, José Poeira já prepara os Mundiais do Qatar, que este ano realizam-se um pouco mais tarde, de 9 a 16 de Outubro. E as dores de cabeça são muitas. Os percursos, tanto para a prova em linha como para o contra-relógio, não são os mais indicados para os que neste momento são os ciclistas portugueses que mais se destacam. Até Rui Costa poderá ficar de fora.

As dúvidas são muitas para o seleccionador nacional que tem muito a ponderar para escolher os três ciclistas que levará a Doha para a prova em linha. Começa por um percurso plano, ou seja, este ano é para sprinters e, por isso, os grandes nomes como Kittel, Cavendish, Greipel, Viviani, entre outros, têm como um dos objectivos da época os Mundiais. Depois José Poeira tem de pensar nas condições que esperam os ciclistas, principalmente as altas temperaturas que acompanharão os 257,5 quilómetros.

Corrida tem 257,5 quilómetros, 150 pelo deserto do Qatar
"Não é um Mundial muito bom para nós", desabafou José Poeira ao Volta ao Ciclismo. Desde que Rui Costa conquistou o título em 2013 que Portugal vai sempre sonhando com nova vitória. Porém, o Qatar é para os homens rápidos e o seleccionador disse que "temos alguns sprinters", mas colocou o problema da falta de competição. "Agora temos os circuitos e depois até Outubro não temos corridas. Os outros países vão ter as clássicas do Canadá, em Itália, corridas de 200 quilómetros com todos aqueles que são do World Tour. Nós não temos nada disso", explicou.

Questionado se Portugal poderia apostar numa fuga para tentar surpreender, José Poeira considera que nos Mundiais as fugas serão para esquecer: "Não vão ter sucesso. As equipas com sprinters vão fazer tudo para anulá-las."

Perante o percurso, José Poeira mantém-se em silêncio quanto a possíveis convocados e nem o campeão do mundo de 2013 está garantido. "O Rui Costa não tem um calendário muito fácil. Ele quer fazer o Europeu após as clássicas do Canadá. O Mundial é um pouco fora de época e é um percurso onde ele não vai fazer diferença nenhuma", referiu.

No contra-relógio "pela lógica o Nelson Oliveira estará lá". O ciclista vai estar na prova por equipas com a Movistar, mas apesar do sétimo lugar nos Jogos Olímpicos, José Poeira alerta que no Qatar será diferente. "O percurso é mais plano. O Nelson vai dar o seu melhor e fazer tudo para ter um bom registo, mas o percurso não ajuda. Quem gosta de mais plano vai ter vantagem", referiu.

Deixou em aberto a possibilidade de levar um segundo contra-relogista, como Rafael Reis, por exemplo. "Ele tem feito os mundiais, foi a Richmond, ganhou muitos contra-relógios ou ficou nos primeiros lugares... A época foi boa e enquanto júnior o Rafael até mostrou mais do que o Nelson", disse.

"Os Jogos Olímpicos não nos correram mal"

Rui Costa foi colocado como um dos candidatos a uma medalha nos Jogos Olímpicos e o ciclista português assumiu esse favoritismo. "Era o objectivo dele e ele preparou-se para discutir a corrida", salientou José Poeira. Porém, perante as circunstâncias da corrida, principalmente uma queda que partiu o grupo no qual estava o português e a própria queda de Nelson Oliveira, que assim não pôde ajudar na perseguição, o seleccionador considera que o décimo lugar "foi muito bom".


"Falava-se das subidas como as grandes dificuldades, mas ninguém falava das descidas e foram as descidas que decidiram os pódios"

"Os Jogos Olímpicos não nos correram mal, mas queremos sempre mais e o mais é chegar ao pódio, mas isso também não é assim tão fácil. No entanto, dentro de uma lógica conseguimos atingir os nossos objectivos, daquilo que nós pensávamos ser possível, que era ficar nos dez primeiros", salientou.

José Poeira recordou uma corrida muito complicada, que criou problemas a muitos países: "Falava-se das subidas como as grandes dificuldades, mas ninguém falava das descidas e foram as descidas que decidiram os pódios."

Quanto ao sétimo lugar de Nelson Oliveira no contra-relógio - que lhe valeu um diploma olímpico -, o seleccionador lembra como há quatro anos o português foi a Londres2012 não tanto pelo resultado (18º), "mas para preparar estes, preparar o ciclo olímpico". O objectivo era o atleta "perceber como estava no momento e onde poderia chegar" e também para a equipa técnica perceber como estava Nelson Oliveira e preparar a sua evolução para o Rio2016.


"Sempre achei que quando tivesse 27 anos que ele [Nelson Oliveira] entraria nas grandes discussões do contra-relógio."

Recordando o trabalho que tem sido feito com Nelson Oliveira, José Poeira referiu que era importante ir encurtando distâncias, primeiro para os dez primeiros e agora que essa fase "foi ultrapassada", pensa-se em resultados entre os melhores. "Está cada vez mais próximo. Nos próximos quatro mundiais, nos próximos Jogos Olímpicos, ele vai melhorar alguma situação e ficar mais próximo do pódio", disse.

Estar na Movistar, equipa que trabalha muito o contra-relógio, "é sempre positivo, mas também vem dele", considera José Poeira. "Sempre achei que quando tivesse 27 anos que ele entraria nas grandes discussões do contra-relógio."

O futuro do ciclismo português

Portugal vai cada vez mais tendo ciclistas a nível de World Tour e José Poeira considera que "o futuro do ciclismo está de boa saúde". "Temos nos sub-23 e nos juniores bons ciclistas e nos cadetes estamos num bom caminho", realçou. Acrescentou que em 2015, alguns dos que integraram a selecção de juniores estiveram "a bom nível lá fora". "Este ano temos dois que se destacam e temos alguns de primeiro ano que dão sinais de serem bons."

José Poeira fala nas limitações que o facto de Portugal ser o país periférico traz para a evolução em competição dos jovens ciclistas, ao contrário de países como "França, Alemanha, Holanda ou Itália, que estão mais no centro da Europa e têm a oportunidade para fazer corridas boas e também correm mais vezes." "Nós temos de deslocar tudo daqui e fica muito mais caro, mas temos feito", frisou.


"Vamos encontrando talentos que sabemos que são corredores de bom nível e que, mais cedo ou mais tarde, vão estar entre os melhores do mundo"

Apesar das dificuldades, o seleccionador afirmou que sempre vão encontrado ciclistas e que "têm aparecido corredores que se destacam". "Se calhar eles [outros países] têm 30 para escolher seis e nós temos seis e a ver se nenhum se aleija! Mas vamos encontrando talentos que sabemos que são corredores de bom nível e que, mais cedo ou mais tarde, vão estar entre os melhores do mundo. Não temos muitos, mas aproveitamos bem o que temos."

Infelizmente não será possível aproveitar Ruben Guerreiro nos Mundiais, em sub-23. Aos 22 anos, o jovem português prepara-se para integrar a Trek-Segafredo em 2017 e estrear-se no World Tour. Porém, neste momento um ligeiro problema físico faz com que José Poeira prefira poupá-lo e garantir que ele possa entrar bem na nova equipa.

»»O que se pode concluir da participação dos nossos ciclistas nos Jogos Olímpicos««

20 de agosto de 2016

"O facto de termos duas vagas para a disciplina Olímpica do BTT atesta bem a evolução que temos tido"

David Rosa participa pela segunda vez nos JO (Fotografia: Facebook David Rosa)
Já se fala da cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos, com a judoca Telma Monteiro a ser a porta-estandarte (merecidamente dada a medalha de bronze conquistada), e de como o Rio2016 está perto do fim. Mas calma, Portugal ainda tem dois atletas que vão mostrar este domingo (16:30) o que valem no BTT (XCO). Há quatro anos David Rosa foi o representante solitário. Em 2016 tem a companhia de Tiago Ferreira, que em Junho se sagrou campeão do mundo de XCM. Não se vai aqui começar a falar de medalhas (vontade não falta), mas certo é que somos um país com dois fortes atletas que estão no Rio de Janeiro para comprovar como o BTT nacional está a conquistar respeito.

"O facto de termos duas vagas para a disciplina Olímpica do BTT atesta bem a evolução que temos tido", salientou David Rosa ao Volta ao Ciclismo. Depois da estreia em Londres2012, na 23ª posição, o atleta de 29 anos explicou que agora "algumas coisas já estão mais automatizadas". Porém, considera que a experiência de 2012 por si só não é o factor mais determinante: "Na corrida em si não vai fazer muita diferença, a experiência mais importante é a que se ganha com provas internacionais. Particularmente em secções mais técnicas."

No entanto, há algo que é igual a 2012: "A vontade de fazer uma boa corrida mantém-se." David Rosa - seis vezes campeão nacional de XCO em elite, mas com muitos outros troféus desde os tempos de juniores - quer melhorar o lugar dos Jogos de Londres, mas realçou: "O principal é saber que dei o meu máximo, assim não terei, certamente, qualquer arrependimento."


"Normalmente no XCO não dá para fazer uma estratégia de corrida como na estrada, mas se der para nos ajudarmos durante a corrida, claro que o faremos."

Quanto ao percurso, David Rosa diz não ser o melhor para si, pois "as subidas não são tão selectivas", como gosta "e é bastante rápido". "No entanto, dia após dia, tenho vindo a sentir-me mais à vontade", referiu, afirmando ainda que "é um pouco mais técnico do que parece". Apesar de serem dois os representantes portugueses, não se pode falar numa estratégia para tentar um melhor resultado, o que não significa que não possa existir um apoio mútuo: "Normalmente no XCO não dá para fazer uma estratégia de corrida como na estrada, mas se der para nos ajudarmos durante a corrida, claro que o faremos."

Para David Rosa, os principais candidatos são nomes que já têm medalhas olímpicas no currículo. O checo Jaroslav Kulhavy (31 anos) conquistou o ouro há quatro anos e volta a surgir como forte candidato. Porém, para o suíço Nino Schurter (30 anos) os títulos mundiais já não chegam e tem contas a ajustar com Kulhavy, com quem perdeu ao sprint, tendo ficado com a medalha de prata em Londres2012. O francês Julien Absalon (36 anos) é o mais experiente de todos e foi campeão olímpico em 2004 e 2008.

Mas é inevitável perguntar: e Peter Sagan? O eslovaco, campeão do mundo de estrada, que resolveu optar por um regresso ao BTT, é candidato ou está no Rio contribuindo para dar alguma notoriedade à competição? "Acho que não é candidato à vitória, mas também não vai só para dar notoriedade à prova. Ele aponta certamente para um top dez", considerou David Rosa.

Têm sido vários os atletas portugueses que falam do apoio do público brasileiro e David Rosa frisou que "esse apoio é importante", pois ajuda a que se sentiam "um pouco mais em 'casa'".

17 de agosto de 2016

Percurso olímpico de BTT sem danos do incêndio. Peter Sagan está no Rio para ganhar

Sagan volta ao BTT sempre que pode (Fotografia: Facebook de Peter Sagan)
O percurso olímpico de BTT não sofreu qualquer dano com o incêndio que afectou o Parque Olímpico Deodoro e a UCI garantiu que as provas vão realizar-se este fim-de-semana, como estavam programadas. Os atletas também poderão testar esta manhã o local da prova que contará com dois portugueses: David Rosa e Tiago Ferreira. Mas claro que as atenções centram-se num homem que construiu a sua reputação na estrada, apesar de ter começado no BTT: Peter Sagan.

O eslovaco escolheu antes a prova de BTT por considerar que o percurso da corrida de estrada não era o indicado para as suas características. Entretanto quem ganhou foi o seu grande rival Greg van Avermaet, o que levantou questões sobre se Sagan também não deveria ter lá estado. "Fiquei surpreendido com a vitória do Greg van Avermaet, mas a corrida de estrada foi estranha. Depende das pernas, depende da sorte. Ele teve alguma sorte dado às quedas que envolveram outros [ciclistas], mas uma medalha de ouro olímpica é para toda a vida", salientou Sagan, citado pelo Velonews.

O eslovaco, campeão do mundo de estrada, explicou que a decisão pelo BTT foi feita em Janeiro e que já nos Jogos Olímpicos de Londres, há quatro anos, depois de completar a prova de estrada na 34ª posição, quis competir no BTT, mas não foi possível.

Há tempo para tentar a medalha de estrada, diz Sagan, que pensa nos Jogos de Tóquio, em 2020, ainda que desconheça se o percurso será indicado para as suas características. Terá então 30 anos.

Porém, está concentrado na corrida de domingo. "Não estou aqui para perder. Se consigo ganhar? Se perder não vou ficar desapontado, se ganhar, será muito bom. Estou aqui para alcançar um resultado", salientou, garantindo que treinou muito desde que terminou a Volta a França. "Vou dar o meu melhor no domingo. Ninguém sabe o que raio se deve esperar. Se calhar assim é mais divertido!"

Já este ano, Peter Sagan participou em duas competições de BTT, numa pausa que fez da estrada. E não podemos esquecer que o eslovaco foi campeão mundial de BTT em juniores. A prova está agendada para as 16:30, hora de Lisboa.

16 de agosto de 2016

Incêndio coloca em risco percurso olímpico de BTT

O Parque Olímpico Deodoro é a "casa" de várias modalidades
Já não bastava todos os problemas de construção, atrasos nas infraestruturas, assaltos, condições longe da perfeição, alguns problemas organizacionais, até câmaras a caírem em cima do público, agora os Jogos Olímpicos também têm um incêndio com que se preocuparem. As chamas aproximaram-se do Parque Olímpico Deodoro, que tem, entre outros complexos, a pista de BTT, prova que Portugal terá dois representantes: David Rosa e Tiago Ferreira. E foi precisamente este percurso que sofreu alguns danos, segundo o site Cycling News.

As provas de BTT e também de BMX estão agendadas para este fim-de-semana - os portugueses competem no domingo às 16:30, hora de Lisboa - e a situação preocupa a UCI. O incêndio chegou a obrigar a evacuação da zona de uma das bancadas por precaução.

David Rosa e Tiago Ferreira (ao centro) partiram esta segunda-feira
para o Rio de Janeiro (Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Ainda hoje os responsáveis irão averiguar as condições do percurso, que esta quarta-feira deveria ser testado pelos atletas. "A UCI está ciente que houve um incêndio perto da zona do percurso de BTT do Rio 2016. As averiguações sobre um eventual impacto serão feitas esta terça-feira", anunciou através de um comunicado.

Um percalço, espera-se, numa prova em que David Rosa irá completar a sua segunda presença nos Jogos Olímpicos, enquanto Tiago Ferreira faz a sua estreia e logo na condição de campeão do mundo de Maratonas XCM. O título foi conquistado em Junho, na prova em Laissac, França. Há quatro anos, nos Jogos de Londres, David Rosa completou a prova XCO na 23ª posição.

13 de agosto de 2016

Brasileiro que competiu nos Jogos Olímpicos apanhado com doping. Sucessão de casos preocupa Brasil

Kleber Ramos tem 30 anos (Fotografia: Facebook do ciclista)
Kleber Ramos testou positivo a substância CERA e foi suspenso pela UCI. O brasileiro, de 30 anos, participou, mas não terminou a prova em linha, no entanto o caso já está a ter repercussão no país, ainda mais porque em menos de um ano Ramos é o quarto ciclista a ter problemas com doping.

O teste foi realizado a 31 de Julho, seis dias antes da competição olímpica. CERA é um estimulante que aumenta a quantidade de glóbulos vermelhos no sangue e foi uma substância detectada pela primeira vez em 1998, sendo considerada a terceira geração de drogas derivadas de eritropoietina (EPO). Riccardo Ricco, Danilo Di Luca e Davide Rebellin foram ciclistas que testaram positivo por CERA.

O ciclista da Funvic Soul Cycles-Carrefour - equipa que esteve na Volta a Portugal, mas sem este atleta - acompanha assim na lista de suspensos da UCI os brasileiros Raphael Mesquita Mendes e Pinho Montoya Nunes, segundo o site Cycling News, que em Outubro testaram positivo por esteróides. Frederico Nascimento (BTT) foi apanhado com EPO, em Maio.

O doping tanto a nível profissional como amador tem preocupado as autoridades desportivas no Brasil. Kleber Ramos pode agora pedir uma contra-análise, mas se der positiva, o ciclista arrisca uma suspensão até quatro anos.

A delegação olímpica brasileira ainda não reagiu ao caso, mas Benedito Tadeu, director desportivo da Funvic Soul Cycles-Carrefour, explicou que o ciclista foi libertado para os Jogos em Junho. Já selecção brasileira diz que Ramos apenas se apresentou a 4 de Agosto.

Enquanto ele estiver suspenso, ele também está fora da equipa. Até que termine todo o processo, que deve ter uma contra-análise e defesa dos advogados, ele está suspenso da equipa. Os nossos atletas são examinados regularmente. Todos são controlados rigorosamente e são proibidos de ingerir qualquer medicamento, injectável ou não. O Kleber Ramos não estava connosco nesse período [do teste antidoping]", afirmou Benedito Tadeu, citado pelo Globoesporte.

O Brasil participou com dois atletas na prova em linha de ciclismo. Murilo Fischer finalizou na 64ª posição. Kleber Ramos é profissional há seis anos e no ano passado ganhou uma etapa no Tour de San Luis. Já em 2016 foi segundo no campeonato brasileiro, atrás do colega de equipa da Funvic, Flávio Santos.

Chen Xinyi, chinesa de 18 anos (natação), Silvia Danekova, búlgara de 33 (atletismo) e os irmãos polacos Adrian e Tomasz Zielinski (halterofilismo), testaram positivo, mas só a nadadora chinesa o fez já durante os Jogos Olímpicos. Adrian, de 27 anos, dois anos mais velho de Tomasz, foi campeão olímpico em Londres e ainda poderá aguardar pela contra-análise. Tomasz foi mandado para casa.

10 de agosto de 2016

O que se pode concluir da participação dos nossos ciclistas nos Jogos Olímpicos

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A equipa escolhida para os Jogos Olímpicos por José Poeira dava direito a sonhar com algo de muito positivo. E sim, falamos mesmo de medalhas. Só podia levar quatro ciclistas e Portugal pode orgulhar-se de ter bastante qualidade por onde escolher. Mas há que começar desde logo por Nelson Oliveira: grande resultado!! Estamos a falar do contra-relógio,  o esforço individual, durante o qual está cada um por si. Estavam lá praticamente todos os melhores do mundo. A progressão do ciclista de 27 anos neste especialidade tem sido fantástica e ainda há espaço para melhorar.

O diploma olímpico que o ciclista de Anadia garantiu quase sabe a ouro. Senão vejamos: no pódio ficou Fabian Cancellara  - que já sabe o que é ser campeão olímpico -, Tom Dumoulin e Chris Froome, três dos maiores especialistas no contra-relógio. Há que ter em conta que Nelson Oliveira teve uma queda na corrida em linha no sábado que o obrigou a abandonar e que deixou as suas marcas nos corpo. Mas nesta altura, o próprio português não deverá procurar desculpas. O resultado é excelente e confirmou Oliveira entre os melhores. E ainda temos os mundiais em Outubro...

Nelson Oliveira mais do que cumpriu o que se esperava. Já na prova em linha é difícil esconder alguma desilusão. O décimo lugar de Rui Costa foi muito bom. Não há qualquer dúvida disso. Mas soube a pouco. A prova acabou por ter dificuldades acrescidas com tantas quedas (e algumas bem graves) e uma delas pode ter contribuído para prejudicar Rui Costa. Nelson Oliveira era um ciclista importante quando se fazia uma perseguição ao grupo da frente e ao ficar fora, Rui Costa perdeu um importante apoio naquela fase rápida da corrida

José Poeira optou por construir toda a equipa em redor de Rui Costa. O mais próximo que se poderia falar de plano B, seria André Cardoso (36º), já que o percurso de sobe e desce também poderia assentar-lhe. No entanto, a exclusão de José Gonçalves causou alguma surpresa. O seleccionador preferiu José Mendes (53º) - que tinha recentemente sagrado-se campeão nacional - e que tinha as tais características que Poeira procurava para proteger um líder.

Já Gonçalves, vencedor da Volta a Turquia, teria obrigado a uma táctica diferente, pois o seu estilo atacante provavelmente seria um plano B que, no entanto, poderia não proteger o A, já que Gonçalves certamente que tentaria a sua sorte. E para o levar ao Rio de Janeiro nem faria sentido outra coisa, ainda que também sabe bem fazer o papel de gregário, se o tiver de fazer. Mas seria um desperdício. José Gonçalves ficou desiludido por ter ficado de fora, reacção compreensível depois dos resultados que tem vindo a alcançar.

Agora pouco importa, mas há que admitir que teria sido interessante ver José Gonçalves no Rio de Janeiro. Porém, José Mendes cumpriu com o seu trabalho à letra e realmente foi pena Rui Costa não ter conseguido aproximar-se de um grupo que lhe teria permitido pelo menos lutar por um merecido diploma olímpico.

São opiniões. Porque os factos dizem que a prestação foi positiva quando se olha para o super pelotão que esteve no Rio de Janeiro, demonstrando mais uma vez por que razão os ciclistas portugueses são muito respeitados, pois tanto Rui Costa como Nelson Oliveira (no contra-relógio) foram colocados pelos media internacionais como potenciais top dez. E lá estão eles.

O pódio olímpico do contra-relógio
Uma palavra para Fabian Cancellara. No ano do adeus, o suíço não conseguiu a Volta a Flandres, o Paris-Roubaix ou a camisola rosa no Giro, três dos principais objectivos para 2016. Mas eis mais uma medalha de ouro que lhe fica tão bem.

Pelo lado negativo destacou-se o americano Taylor Phinney que foi dobrado, mas talvez a mesma situação seja pior quando se fala do campeão do mundo em título Vasil Kiryienka. O australiano Rohan Dennis foi o azarado do dia. Estava na luta pelo ouro com Cancellara quando partiu o extensor e a troca de bicicleta acabou por o atirar para o quinto lugar.

Nas senhoras, Kristin Armstrong (EUA) conquistou o ouro, Olga Zabelinskaya (Rússia) a prata e Anna van der Breggen (Holanda) com o bronze.

Aqui ficam as classificações completas masculinas e femininas do contra-relógio olímpico. O ciclismo no Rio de Janeiro irá agora passar para a pista.

8 de agosto de 2016

Vista Chinesa: a soma de todas as quedas olímpicas

Nelson Oliveira foi uma das vítimas da Vista Chinesa
O percurso de estrada olímpico - "desenhado" pela portuguesa Isabel Fernandes - teve tanto de fantástico como de dramático. Os campeões Greg van Avermaet e Anna van der Breggen acabaram a dividir algum protagonismo com as muito acidentadas corridas, principalmente na descida da Vista Chinesa. De repente, este nome entrou no léxico de todos. É que as quedas não só foram numerosas, como neste momento vai-se fazendo quase uma lista da gravidade das lesões. O sonho olímpico tornou-se mesmo num pesadelo para muitos ciclistas, que colocaram a restante temporada em risco. Faz parte do desporto, é certo, mas quando tantos nomes sonantes aparecem na tal "lista", é inevitável chamar as atenções erradas ao acontecimento... e à Vista Chinesa

O mais grave aconteceu na corrida das senhoras. A holandesa Annemiek van Vleuten parecia estar a caminho da medalha de ouro quando teve uma aparatosa queda na última descida. De arrepiar! A ciclista terá uma concussão e três fracturas na coluna.



A atleta ficou internada num hospital no Rio de Janeiro e a federação holandesa garante que está consciente e coerente. E a julgar pelas mensagens que está a colocar no Twitter, parece que o que dói mais é o facto de não ter conseguido ganhar a medalha de ouro.

Na corrida dos homens começamos com Vincenzo Nibali e Sergio Henao. Os dois iam na frente com Rafal Majka e parecia que iam decidir entre os três as medalhas, até que a Vista Chinesa acabou com as aspirações do italiano e do colombiano. Nibali tem as duas clavículas partidas e Henao fracturou a crista ilíaca (na zona pélvica) e tem um trauma no tórax.

O australiano Richie Porte estará bastante desanimado. É que já não bastava ter caído, a fractura na omoplata tirou-o do contra-relógio de quarta-feira. Ainda assim, eis a reacção:
A Holanda também está a tentar perceber a condição física de Wout Poels. O vencedor da Liège-Bastogne-Liège resolveu ser diferente e "embrulhou-se" numa subida com outro ciclista, acabando no chão. O braço não está partido, mas o holandês ainda terá de fazer alguns testes para perceber se estará em condições de alinhar no contra-relógio.

Quem lá estará certamente é Nelson Oliveira. O português foi mais uma das vítimas da Vista Chinesa, mas o próprio garantiu que estará na quarta-feira na estrada.



Geraint Thomas também teve uma queda que gerou alguma preocupação. O britânico ainda terminou a corrida (em 11º), mas foi de seguida para o hospital. Nada partido, mas o susto foi grande.

Julian Alaphilippe foi mais um que não resistiu à descida. No entanto, não teve lesões, mas ficou a amargura de um quarto lugar, a 22 segundos do vencedor.

A Vista Chinesa não só destruiu sonhos e provocou muitos ferimentos como acabou por ser decisiva na atribuição das medalhas olímpicas.

Já agora, aqui ficam as classificações da prova masculina (sábado) e feminina (domingo).

6 de agosto de 2016

Aos nossos atletas olímpicos: é o momento para acreditar!

(Fotografia: Comité Olímpico de Portugal)
Os Jogos Olímpicos. Tantos nomes se tornaram imortais. Não há momento igual. Não há evento como este (que me perdoem os fãs de Mundiais e Europeus de futebol). A sua história, a sua mística são incomparáveis. Aos 92 atletas que irão (ou já estão) a competir no Rio de Janeiro é o momento de acreditar. Chega de discursos de "é impossível". Vocês estão aí, no Rio2016. Trabalharam tantas horas, sacrificaram tanto na vida para que fosse possível estar nos Jogos Olímpicos. Agora é para acreditar.

É o momento único. Mesmo que os que são repetentes sabem que é único e por isso mesmo é para acreditar. Olham para o lado e vêem atletas de renome, alguns os melhores do mundo. Também eles começaram com esse mesmo olhar! E claro, nós também temos alguns dos melhores. Não vale a pena referi-los. Sabem que são. Mas o sonho olímpico não é só a eles que pertence. Pertence a todos os que conseguiram garantir um lugar no Rio2016. É a vossa oportunidade. Não a desperdicem, não por falta de crença. Acreditem!

Não se espera medalhas de todos. Mas espera-se um esforço e dedicação ao nível do momento olímpico. Cumpram os vossos objectivos. Tentem superá-los. E claro, tragam lá umas medalhas! Pois há quem acredite (e muito) em vocês.

Não deverá haver autocarro panorâmico à vossa espera, ou um cortejo por Lisboa. E pouco importa se o Presidente da República já tem as condecorações prontas ou não. Este é o vosso momento olímpico. Aquele que não vão esquecer.

Acreditem!

29 de julho de 2016

A luta olímpica dos Josés

José Gonçalves durante o prólogo (Fotografia: Volta a Portugal)
José Gonçalves ambicionava - e com toda a legitimidade - uma presença nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O ciclista de Barcelos tem construído uma carreira à base da sua garra e ambição por lutar pelos seus objectivos, não baixando os braços quando não os alcança. Vejamos o exemplo da sua prestação na Vuelta em 2015. Tentou e tentou e voltou a tentar vencer uma etapa e este ano certamente que será mais um dos animadores da competição. Mas este ano alcançou aquele que é o seu melhor resultado na carreira: a Volta a Turquia. A competição atrai equipas World Tour, neste ano a Lampre-Merida e a Lotto Soudal, e a vitória deu uma projecção a José Gonçalves que começa a ser impossível não o ver mudar-se para uma equipa do principal escalão do ciclismo. No entanto, não estará nos Jogos Olímpicos.

Não esconde a desilusão, mas bem ao seu estilo, prefere concentrar-se nas lutas que pode combater. José Gonçalves viu José Mendes ser o eleito para completar o quarteto olímpico, que conta com Rui Costa como líder, André Cardoso e Nelson Oliveira (que irá também competir no contra-relógio). A escolha de José Poeira criou alguma surpresa, afinal, perante o percurso e a forma agressiva como José Gonçalves enfrenta este tipo de dificuldades até pareciam ideais para que Portugal tivesse mais uma hipótese para atacar a medalha. Poeira optou por uma equipa completamente concentrada no apoio a Rui Costa. Não que José Gonçalves não seja um "jogador de equipa", nada disso, mas "prender" o ciclista de Barcelos num percurso como o do Rio de Janeiro seria quase criminoso.

Não está em causa a escolha de José Mendes. Recentemente sagrou-se campeão nacional e foi segundo no contra-relógio, mostrando que também ele encontra-se num bom momento de forma. Numa perspectiva de ser um gregário para Rui Costa, a escolha é quase natural e de grande qualidade, ficando André Cardoso como um possível plano B. Mas Rui Costa será sempre o líder indiscutível.

José Gonçalves está desiludido, mas não abatido. A sua "fúria" já se começou a notar nas estradas portuguesas: um terceiro lugar, dois segundos e está a dois segundos da liderança de Daniel Mestre (Efapel). O ciclista a Caja Rural mantém o discurso da sua equipa: está na Volta a Portugal para preparar a Vuelta. Há um ano também o estava e muito lutou pela por vencer uma etapa. Talvez não o vejamos a lutar nas montanhas, ainda que a ambição deste ciclista possa surpreender até a própria equipa. No domingo, na Senhora da Graça, já ficaremos a perceber as intenções de José Gonçalves.

Aos 27 anos e com a forma que apresenta, é normal que o ciclista pensasse que tinha chegado o seu momento olímpico, mas há que admirar a sua postura. Não foi convocado e, por isso, só pensa que ainda irá representar o país nuns Jogos Olímpicos. Objectivo por cumprir, significa para José Gonçalves que a luta continua!

O discurso da Caja Rural

Gavazzi venceu a etapa

(Fotografia: Volta a Portugal)
A equipa espanhola é provavelmente a mais forte entre as estrangeiras, a par da italiana Androni Giocattoli-Sidermec, que esta sexta-feira venceu com Francesco Gavazzi, que bateu precisamente José Gonçalves. Com três portugueses nos eleitos é difícil acreditar que a Caja Rural não tenha um pouco mais de ambição que não vá além do que não conseguem impedir mesmo que quisessem: ver José Gonçalves lutar por uma etapa. Enquanto o irmão gémeo, Domingos, é um homem mais de trabalho, Ricardo Vilela poderá ser uma aposta para quando os grandes momentos da Volta chegarem, nomeadamente a Senhora da Graça e a etapa da Torre.

Percebe-se que sendo uma equipa espanhola, brilhar na Vuelta é o grande objectivo da temporada, mas talvez haja espaço para algo mais em Portugal.

O salto do Rali de Portugal... em bicicleta


(Fotografia: Volta a Portugal)
Não se poderia deixar passar o que será um dos principais momentos desta Volta a Portugal. A passagem por um troço em terra batida (da Lameirinha), cerca de 2,2, quilómetros, contava com o salto que tanto espectáculo proporciona no Rali de Portugal. Não foi possível dar um grande salto, mas Wilson Diaz (Funvic/Soul Cycles) resolveu dar uma imagem diferente da que deixou 24 horas antes, tornando-se no primeiro a passar no mítico local do Rali português. Na quinta-feira, o colombiano celebrou uma vitória quando ainda faltava mais uma volta ao Sameiro. Agora entrou na história e vestiu a camisola da liderança da montanha, que César Fonte (Rádio Popular-Boavista) tanto lutou.

Daniel Mestre (Efapel) manteve a camisola amarela por apenas dois segundos, com a ajuda preciosa de uma meta volante, mas na chegada a Fafe houve cortes e a organização determinou diferenças de tempo. Dos favoritos, só Gustavo Veloso (W52-FC Porto) ficou com o tempo de Gavazzi, Rinaldo Nocentini (Sporting-Tavira) perdeu um segundo, Joni Brandão (Efapel) e Alejandro Marque (LA Alumínios-Antarte) quatro. Rui Sousa (Rádio Popular-Boavista) gastou mais dez segundos, mas a grande preocupação com o veterano ciclista era a sua condição física após uma queda. O resultado dos exames no hospital deram boas notícias: Rui Sousa vai continuar na Volta a Portugal.


3ª etapa: Montalegre - Macedo de Cavaleiros (158,9 quilómetros)

O pelotão vai dirigir-se para o Nordeste Transmontano. A passagem pelo alto de Mosteiro de Cima poderá convidar algumas fugas, pois até Chaves as dificuldades não serão de maior. Mas em Mirandela será tempo para subir a Serra de Bornes, antes de uma chegada que se prevê rápida a Macedo de Cavaleiros.

5 de julho de 2016

Podemos sonhar com uma medalha nos Jogos Olímpicos?

A espera terminou. Já são conhecidos os ciclistas que irão representar Portugal nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. E sim, podemos sonhar. Porque não?! Afinal neste tipo de competições de um dia, ainda mais quando só acontece de quatro em quatro anos, está muito mais em jogo do que apenas o natural favoritismo de um Chris Froome, Alberto Contador, Nairo Quintana ou Vincenzo Nibali. Rui Costa será o líder, mas o quarteto escolhido pelo seleccionador José Poeira até apresenta a possibilidade de outras apostas. André Cardoso, José Mendes e Nelson Oliveira - que também estará no contra-relógio - fazem sonhar que sim, é possível estar na luta por uma medalha.

Talvez toda esta crença seja da responsabilidade de Rui Costa. Em 2013 não se falava dele como candidato a ser campeão do mundo e o ciclista da Póvoa do Varzim surpreendeu um país que achava que já era um grande feito ganhar etapas na Volta a França. Foi uma vitória histórica e de repente passou-se a acreditar e, mais importante, a perceber que Portugal tem ciclistas com qualidade para se baterem com os melhores.

A responsabilidade é partilhada por Sérgio Paulinho. Em 2004 também ele foi uma surpresa para o país pouco habituado a ganhar medalhas e com tendência a olhar mais para o atletismo. Em Atenas, o português conquistaria uma medalha de prata que soube a ouro.

Rui Costa (29 anos) foi a escolha natural para liderar a equipa. Em Londres2012 foi 13º, mas muito aconteceu na carreira deste ciclista desde então. Tornou-se num ciclista muito respeitado no pelotão, vestiu a camisola do arco-íris, é líder de uma equipa World Tour e somou várias vitórias importantes no Tour e na Volta a Suíça, por exemplo.

O percurso do Rio de Janeiro, pensado pela portuguesa Isabel Fernandes, será uma longa etapa de montanha, como descreveu José Poeira, com 11 subidas em 256,4 quilómetros. Não se pode dizer que seja perfeito para as características do Rui Costa, mas ainda assim é expectável que possa estar na luta com os melhores ainda mais se percebermos o apoio que irá ter.




José Poeira escolheu os ciclistas a pensar nas diferentes fases do percurso. Nelson Oliveira (27 anos) será o homem que entrará logo ao serviço e não será de surpreender se acabar por se desligar da corrida quando o terreno se tornar mais complicado, pois o contra-relógio é o seu objectivo.


José Mendes deverá ser o segundo a ser chamado, com André Cardoso a manter-se certamente ao lado de Rui Costa o máximo que for possível. Mas não vamos reduzir estes dois ciclistas a simples ajudantes. Já vimos José Mendes realizar grandes subidas e sabe-se que André Cardoso pode ser muito mais do que um braço-direito.

Aos 31 anos, José Mendes irá fazer a sua estreia nos Jogos Olímpicos. O recente título nacional conquistado em Braga - e foi segundo no contra-relógio - terá dado uma ajuda para estar entre os eleitos, pois certamente que José Gonçalves (ciclista da Caja Rural que este ano venceu a Volta à Turquia) era outro nome forte na lista do seleccionador. É um trabalhador por excelência, mas sempre soube aproveitar as oportunidades que lhe surgiram na carreira. É um tipo de ciclista de confiança que qualquer director desportivo gosta de ter na sua equipa. Actualmente na equipa alemã Bora-Aragon18 , não foi escolhido para a Volta a França, mas estará na Vuelta.


André Cardoso (31) tem passado a sua carreira internacional no apoio a líderes. Porém, fica sempre a sensação que tem algo mais para mostrar. O seu potencial para a montanha é reconhecido desde os tempos que competia em Portugal, tendo sido segundo na Volta a Portugal em 2011, então ao serviço do Tavira. No ano seguinte foi contratado foi pela Caja Rural que o impulsionou para chegar ao World Tour em 2014, pela mão da então Garmin-Sharp, a actual Cannondale-Drapac. As suas características deixam antever que André Cardoso - que esteve em Pequim2008 (foi 72º) - possa também funcionar como um plano B.

Tal como as expectativas para a prova de fundo são grandes, também no contra-relógio é esperado um bom resultado de Nelson Oliveira. Não há dúvidas que é o melhor da especialidade em Portugal. Já lá vão quatro títulos nacionais. Também tem um da prova de fundo e claro que se tem de destacar a brilhante vitória na Vuelta, em Tarazona, no ano passado.

A sua mudança para a Movistar deixa antever que ainda irá melhorar no esforço individual, pois a equipa espanhola é das que melhor trabalha o contra-relógio. José Poeira acredita que o percurso favorece Nelson Oliveira: "Tem zonas planas, onde se desenvolvem grandes andamentos e se atingem velocidades elevadas, mas também subidas onde os roladores mais fortes sentirão dificuldades. Penso que se enquadra nas características dos contra-relogistas portugueses."

Há quatro anos foi 18º em Londres. No Rio de Janeiro deverão estar grandes nomes do contra-relógio como Tony Martin, Fabian Cancellara e Tom Dumoulin. Não será fácil chegar a uma medalha, mas a ambição de Nelson Oliveira certamente que passará por dar o tudo por tudo. Nunca se sabe... que o diga Sérgio Paulinho.

20 de junho de 2016

Dream Team colombiano nos Jogos Olímpicos

Uran venceu a medalha de prata há quatro anos e considera que em 2016
a Colômbia tem uma oportunidade histórica para ganhar a de ouro
(Fotografia: Facebook @FansRigobertoUran)

Ainda há uma Volta a França antes dos ciclistas começarem a concentrar-se nos Jogos Olímpicos, mas na Colômbia já se pensa no Rio2016. E perceber-se porquê. É que dificilmente se encontrará uma selecção em que qualquer um dos atletas pode conquistar uma medalha. Com estes cinco ciclistas, a aposta no ouro é o objectivo.

Espanha, Itália, Grã-Bretanha - para referir três das nações que neste momento têm dos melhores ciclistas - apresentarão equipas fortes, mas será difícil dizer que, perante as dificuldades do percurso, qualquer um dos seleccionados poderá ganhar. O normal é alguns serem convocados para trabalharem para um plano A e plano B, eventualmente um C, já que qualquer destes países terá opções para tal. Mas agora vejamos a Colômbia, que tem direito a cinco atletas: Nairo Quintana, Rigoberto Uran, Johan Esteban Chaves, Sergio Henao e Miguel Ángel López.

Começando pelo último, López será o mais desconhecido, mas o jovem colombiano apresentou-se na Volta à Suíça: ganhou-a! Sendo uma competição que atrai ciclistas que preparam o Tour, López escolheu a prova perfeita para mostrar credenciais. Tem apenas 22 anos, mas a Astana já há muito que percebeu que tem um ciclista de futuro para as três semanas. Com a vitória na Suíça, López entrou no radar dos jovens a ter em atenção para a próxima Volta a Espanha e convenceu o seleccionador colombiano, Carlos Mario Jaramillo. Acaba por ser a surpresa nesta convocatória, ficando de fora nomes como Sebastián Henao e John Darwin Atapuma.

Quanto aos restantes quatro, não precisam de grandes apresentações: Quintana (26 anos) já venceu o Giro, tem dois segundos lugares no Tour e foi o melhor trepador em 2013 e poderá chegar aos Jogos Olímpicos como vencedor da Volta a França; Uran (29) tem dois segundos lugares no Giro e conquistou a medalha de prata em Londres nos Jogos Olímpicos de 2012 - foi batido nos últimos metros por Alexandr Vinokourov; Chaves (26) esteve perto de ganhar o Giro este ano, terminando no que foi um brilhante segundo lugar, dando assim sequência à subida de forma que está a demonstrar desde 2015, sendo um candidato na próxima Vuelta; Henao (28) ultrapassou mais uma suspeita de doping quando teve de justificar irregularidades detectadas no seu passaporte biológico, situação que obrigou-o a parar quando estava a realizar um início de temporada sensacional, mas o colombiano está a recuperar a forma.

Estes nomes comprovam como nos últimos anos esta geração colombiana comprovou as expectativas, tornando-se fortíssima, com López a mostrar que a que aí vem também tem muito potencial.

Quem será o líder?

É a grande questão e certamente a preocupação de quem tem de decidir. Dream Teams no ciclismo têm este problema: mais do que um líder tem a tendência a acabar mal. Porém, como dizer a Uran que tem de trabalhar para Quintana, ou a Quintana que tem de abdicar da vitória por um colega? Numa situação destas - que qualquer seleccionador gostaria de estar (!) - a gestão de egos é essencial e mais importante será organizar uma táctica que até poderá abrir portas a todos lutarem pela medalha... ou quase todos. Mas o mais importante resume-se a uma palavra: união. É o que se pede e é já o que Uran salientou ser essencial.

Não será de estranhar que a nível táctico um Henao ou Chaves esteja numa fuga e será certamente de apostar que quando chegar o momento decisivo a Colômbia possa ter mais do que um ciclista numa boa posição. Admitindo ou não publicamente, dificilmente Quintana não será o líder, mas com as características do quinteto, haverá a possibilidade de ataques que poderão obrigar outros líderes - Contador, Nibali, Froome, por exemplo - a não dar espaço, não podendo apenas concentrarem-se em Quintana.

Claro que a Colômbia não será a única selecção com várias apostas e não faltam nomes para animar a prova: Aru, Valverde, Pinot, Bardet (estes dois pela França), Rodríguez... e claro que temos esperança de ter Rui Costa na luta, sendo para já o único português que, em condições normais, tem lugar garantido na equipa olímpica, ainda por anunciar.

Uma coisa é certa, este quinteto colombiano vai impor muito respeito. Os Jogos Olímpicos prometem uma prova de grande espectáculo que estes trepadores querem aproveitar, já que não sabem quando e se na sua carreira voltarão a ter um percurso à sua medida. Por isso mesmo, Rigoberto Uran diz ser uma "oportunidade histórica para a Colômbia ganhar a medalha de ouro".

NOTA: No final da Volta a França, Nairo Quintana anunciou que não iria aos Jogos Olímpicos, sendo substituído por Jarlison Pantano (IAM), de 27 anos, que venceu uma etapa no Tour.

9 de junho de 2016

A vontade olímpica de conquistar aquela medalha

(Imagem: print screen)
O percurso da prova de estrada dos Jogos Olímpicos é sempre a subir. As oito subidas de quarta categoria até poderiam não assustar ciclistas como Peter Sagan. Porém, as três primeira categorias em cerca de 60 quilómetros fazem com que este ano os Jogos tenham interessado mais a atletas como Alberto Contador e Vincenzo Nibali, por exemplo, que já assumiram que a corrida do Rio de Janeiro é um dos objectivos do ano. Os sprinters  e homens com características que não combinam com subidas difíceis, vão antes virar-se para os Mundiais. No entanto, vencedores natos como Sagan, não desistem tão facilmente. O eslovaco encontrou a forma de ter hipótese em conquistar o ouro olímpico sem ter de esperar mais quatro anos: vai regressar ao BTT.

Após as clássicas da primavera, o campeão do mundo de estrada fez uma pausa do alcatrão e foi matar saudadas da terra batida. Participou em duas provas, uma não terminou e foi quarto na outra (e não nos podemos esquecer que Sagan foi campeão do mundo em juniores da modalidade). Nessa altura já se devia esperar que o eslovaco estava a preparar alguma surpresa. E aí está ela: trocou o lugar na prova de estrada nos Jogos Olímpicos pelo do BTT. Aquelas subidas no percurso de estrada não lhe dariam qualquer hipótese de chegar à medalha, mas trocando para o BTT, Sagan passa agora a estar entre os candidatos, mesmo não sendo a sua modalidade de eleição de momento. Deste ciclista espera-se tudo.

Até poderá parecer injusto incluir Sagan e não um dos ciclistas de BTT. A federação eslovaca tentou obter um wild car para enviar Sagan, mas não conseguiu. Porém, como é que poderia recusar um pedido do seu melhor ciclista? Era impossível.

O presidente da federação, Peter Privara, admite que o expectável seria ver o campeão do mundo de estrada... na estrada. Explicou ainda que após a Volta a França, Sagan irá ter quatro semanas intensas de treino no BTT, porque o objectivo não é ir ver as paisagens brasileiras.

O estatuto vale muito em momentos como este e Sagan conquistou-o com 79 vitórias como profissional aos 26 anos. Não só convenceu a federação, como a própria equipa Tinkoff parece não ter objecções com esta mudança.

Não é só na estrada que este fantástico ciclista se adapta a várias dificuldades. Não hesita em mudar de modalidade se isso lhe aumentar a possibilidade de ganhar e é esta capacidade de adaptação a qualquer situação que o irá colocar na história como um dos melhores do ciclismo... seja em que terreno for.