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11 de novembro de 2020

Groenewegen aceita suspensão de nove meses e fala em "página negra" da sua carreira

© Team Jumbo-Visma
Dylan Groenewegen foi suspenso nove meses devido ao incidente no sprint da primeira etapa da Volta à Polónia. O holandês e a Jumbo-Visma receberam a notícia com um sentimento de alívio, pois agora, dizem, podem começar a olhar para o futuro e preparar o regresso do ciclista às corridas. No entanto, Groenewegen não esconde como segue as novidades sobre a recuperação de Fabio Jakobsen de perto e espera que o que aconteceu possa servir de lição para outros ciclistas. Pela frente destaca como tem de trabalhar tanto o aspecto mental, como o físico, antes de competir novamente.

A 5 de Agosto, Groenewegen desviou-se da sua linha de sprint, atirando Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep) contra as barreiras. Porém, estas não serviram de protecção, pois saltaram para a estrada provocando a queda de outros corredores e Jakobsen passou por cima delas, caindo desamparado do lado contrário. Foi colocado em coma induzido, mas três meses depois já fala em andar novamente de bicicleta em breve. Parte do seu rosto teve de ser reconstruído, tendo levado 130 pontos. Ainda tem mais intervenções cirúrgicas pela frente, até para receber implantes dentários, pois perdeu praticamente todos os dentes.

Groenewegen foi afastado da competição pela própria equipa, sendo que também acabou por cair naquele dia, fracturando a clavícula. Numa entrevista dada pouco tempo depois do sucedido, admitiu que nem pensava em andar de bicicleta, lamentando em lágrimas o que tinha acontecido a Jakobsen. Em reacção à suspensão decretada pela UCI, o holandês admite que lhe dá "a oportunidade para olhar em frente"

"Estou satisfeito com isto, apesar de 7 de Maio ainda estar longe. Estou feliz pelo apoio que tenho da Jumbo-Visma, da minha família e amigos", salientou o ciclista de 27 anos. Está assim marcada a data a partir da qual Gronewegen pode regressar às corridas e retomar uma carreira já com várias vitórias importantes, como as quatro em etapas na Volta a França.

Porém, o holandês admite que o que aconteceu será uma "página negra" na sua carreira. "Peço desculpa, porque quero ser um sprinter justo. As consequências foram infelizmente muito sérias. Tenho a consciência disso e espero que isto tenha sido uma lição para todos os sprinters", afirmou Groenewegen, que espera que Jakobsen possa regressar também ele à competição.

A Jumbo-Visma mantém o apoio ao seu ciclista, que tem contrato até 2023. O director, Roger Plugge salientou como as notícias sobre a recuperação de Jakobsen são animadoras e que referiu como o anúncio da suspensão dá "perspectiva e clareza", para que a equipa possa começar a preparar Groenewegen e recolocá-lo ao nível que tinha antes do incidente na Volta a Polónia.

Além de aceitar a suspensão, a UCI explicou que Groenewegen colaborou com a investigação e aceitou participar "em eventos para beneficiar a comunidade do ciclismo".

De recordar que além da gesto de Groenewegen que provocou a aparatosa queda, também foi levantada a questão sobre as barreiras, que não ficaram no sítio ao sofrer o impacto. A Associação de Ciclistas Profissionais levantou de imediato a dúvida sobre a segurança das barreiras colocadas pela organização da Volta à Polónia, além de realçar como um sprint a descer só aumentou o perigo de uma queda grave. Aliás, vários corredores já haviam referido como aquela chegada a Katowice era muito perigosa.

»»Um último susto, uma ajuda da Movistar e uma vitória com todo o mérito para Roglic««

7 de agosto de 2020

Apurar responsabilidades


Numa altura em que a razão se vai sobrepondo à emoção que naturalmente surgiu ao se ver aquelas impressionantes imagens da queda de Fabio Jakobsen, enquanto se vai esperando por mais boas notícias sobre o estado de saúde do sprinter Deceuninck-QuickStep, procura-se a atribuição de responsabilidade ou responsabilidades. O caso não é tão simples como culpar (até criminalizar) o acto de Dylan Groenewegen. O futuro do ciclista da Jumbo-Visma vai acabar por estar muito ligado ao de Jakobsen. É também para a organização que se vai olhando.

Mas começando com algumas boas notícias. Fabio Jakobsen acordou do coma induzido. Segundo a Deceuninck-QuickStep conseguiu comunicar com os médicos e mexeu os braços e pernas, afastando assim problemas graves a nível neurológico. Porém, falar e comer são pormenores difíceis de fazer no actual estado de saúde do ciclista, cuja recuperação a equipa salienta o que já se esperava: será longa.

Agora será preciso tempo para perceber qual o futuro deste jovem e talentoso sprinter, campeão holandês e que faz 24 anos a 31 de Agosto. Já o futuro de Groenewegen poderá estar ligado ao do seu compatriota. Mas já lá vamos. Na quinta-feira pediu desculpa via Twitter: "Odeio o que aconteceu ontem [quarta-feira]. Não consigo encontrar as palavras para descrever o quanto lamento pelo Fabio e pelos outros que foram afectados pela queda ou atingidos. De momento, a saúde do Fabio é o mais importante. Estou a pensar nele constantemente." Numa entrevista ao NOS Sport, o ciclista chorou ao falar de Jakobsen.

A sua equipa, a Jumbo-Visma, publicou um comunicado. Não só deixou palavras de apoio a Fabio Jakobsen, sublinhando como todos estão consternados com o que aconteceu, como estão a analisar internamente o sucedido. É realçado a necessidade de incluir Groenewegen nesta discussão.

"O Dylan está devastado por o que aconteceu e as graves consequências não intencionais para os demais envolvidos no acidente", lê-se. "O Dylan reconhece que fez um movimento incorrecto ao desviar-se da sua linha e que foi correctamente desclassificado."

Num dos pontos é referido o apoio ao ciclista numa altura difícil para Groenewegen a nível psicológico, mas ficou a garantia que até a Comissão Disciplinar da UCI decidir a sanção, o ciclista não irá competir. Para já, está a recuperar de uma clavícula partida, pois também acabou por cair naquela primeira etapa da Volta à Polónia, em Katowice.

Processo criminal?

Quem não altera uma palavra que disse logo a seguir ao sucedido é Patrick Lefevere. O director da Deceuninck-QuickStep apelida Groenewegen de assassino e quer ver o ciclista preso. As autoridades polacas já estarão a investigar o caso.

A sanção da UCI poderá estar longe de ser a principal consequência para Dylan Groenewegen. Mesmo que criminalmente não seja acusado, poderá enfrentar um processo civil, possivelmente envolvendo uma milionária indemnização. É essa a opinião de um conhecido advogado da área do desporto (e não só).

Walter van Steenbrugge esteve, por exemplo, envolvido no processo de rescisão de Wout van Aert, também da Jumbo-Visma, com a antiga equipa do ciclista belga. Também foi o advogado de Iljo Keisse, corredor da Deceuninck-QuickStep numa questão de doping.

"Não creio que o Groenewegen possa ser condenado a uma pena de prisão, mas a sua acção requer uma forte sanção disciplinar e, seguramente, uma compensação económica por danos e prejuízos", afirmou ao Het Laatste Nieuws.

Se assim for, o futuro de Groenewegen poderá estar dependente de como irá recuperar Jakobsen: "É um corredor jovem, de 23 anos, pleno de talento que, por causa da queda, pode não correr mais num ano ou mais. Inclusivamente pode não regressar à competição. As perdas para o ciclista e para a sua equipa são enormes."

O advogado acredita que a compensação financeira será sempre milionária, mas é claro ao dizer que a responsabilidade poderá ser partilhada. "Era um final seguro? As barreiras estavam colocadas conforme as regras", questionou, apontando o dedo à organização. E terminou dizendo que "legalmente vai tornar-se numa verdadeira confusão".

Responsabilidade da organização?

O director da Volta à Polónia, Czeslaw Lang, assegurou que aquele final de Katowice era seguro... As imagens e as consequências parecem contrariar essa afirmação. Além das críticas de vários corredores àquele final, a Associação de Ciclistas Profissionais escreveu à UCI e à organização da corrida a alertar para como "as barreiras pareciam muito baixas para garantir a protecção real em caso de queda", lê-se, segundo o Cycling News.

Assinada pelo presidente da associação, Gianni Bugno, este levanta a questão das barreiras parecerem não estar colocadas em segurança nos apoios, podendo ser prova disso a forma "como voaram para todo o lado após o impacto". O mesmo tendo acontecido com os placares de publicidade.

Considerando o acto de Groenewegen merecedor de ser fortemente penalizado, ainda assim ficou uma crítica explícita à organização: "A velocidade dos ciclistas nestas circunstâncias [terão atingido cerca de 80 quilómetros/hora] tornam certamente o espectáculo atractivo, mas com um risco muito elevado para os atletas. Por isso pedimos para repensar as chegadas em descidas nas corridas, quando são esperados sprints num grande grupo." 

A espera

Entra-se na fase em que o ciclismo tem de prosseguir, ainda que não fosse assim que se queria marcar uma retoma, depois de tantas semanas de paragem devido à pandemia. Mas também se entra numa espera por Jakobsen, restando a esperança que possa recuperar primeiro para ter uma vida normal e depois... que bom será que um dia se possa dizer que está de regresso à Volta ao Algarve, onde já venceu etapas... Um dia de cada vez, por agora...

Quanto a Groenewegen, também não tem tempos fáceis pela frente, nada comparáveis a Jakobsen, claro. Não sabe o que o futuro reserva, quando e em que condições poderá competir novamente, ficando a questão de como psicologicamente poderá ficar afectado, pois há que não esquecer que Jakobsen não era apenas um rival. Era um compatriota que conhecia bem há muito. O seu gesto não tem defesa e há-de pagá-lo durante muito tempo, não fosse esta queda vista como uma das mais graves em tempos recentes do ciclismo.

É necessário apurar todas as responsabilidades. As quedas vão continuar a acontecer, mas pode e deve existir a maior segurança possível para minimizar as consequências.

5 de agosto de 2020

Jakobsen em estado grave. Groenewegen enfrenta sanções

© João Fonseca Photographer
O texto deveria ser algo assim: Fabio Jakobsen venceu a primeira etapa da Volta à Polónia, após desqualificação de Dylan Groenewegen. Afinal quantas vezes há um sprint irregular que acaba desta forma? Infelizmente o sprint irregular também já algumas vezes (e uma é sempre de mais) terminou em quedas muito graves por actos irreflectidos de um ciclista. Gostar-se-ia que o texto não fosse mais do que isso, a relatar uma vitória de Jakobsen por desclassificação de Groenewegen. Porém, no momento em que se escreve persiste a dúvida sobre o estado de saúde do campeão holandês. Esta queda foi mais do que aparatosa. Foi muito grave.

As imagens falam por si. O desejo de ganhar de Groenewegen foi longe de mais. Apertou uma e quando percebeu que ainda assim ia ser ultrapassado, apertou novamente Jakobsen contra as barreiras. As consequências foram muito piores do que Groenewegen pretendia. É certo. Mas as regras existem precisamente para tentar tornar o mais seguro possível um momento de muito perigo. As linhas são para se manter. Não se pode mudar de direcção. O holandês tem 27 anos, muita experiência ao mais alto nível, não é habitual estar envolvido em problemas, mas desta feita, fez algo inadmissível.

Tantas vezes aconteceu. Vezes a mais ciclistas acabaram no hospital. Mas este incidente é dos mais graves que a memória neste momento alcança. A queda desamparada de Jakobsen impressiona. Quando "acerta" no senhor que tirava uma fotografia... impressiona ainda mais. A barreira a voar para a estrada, mais ciclistas a cair desamparados... Até Groenewegen cai devido ao seu gesto. Irreflectido, sim, mas que o levou a ficar no centro de críticas.

Patrick Lefevere, o histórico director da Deceuninck-QuickStep, equipa de Jakobsen, está furioso. E mostrou isso mesmo no Twitter: "Têm de pôr este gajo da Jumbo-Visma na prisão", começou por escrever. Num outro twit acrescentou (tradução à letra): "Eu vou para tribunal estas acções têm de ficar de fora do ciclismo. Isto é um facto criminal senhor Dylan Groenewegen [e identificou o ciclista]."

A Jumbo-Visma já pediu desculpas e anunciou que irá discutir o assunto internamente, antes de fazer qualquer comentário público. A UCI também reagiu rapidamente. Não só confirmou a desqualificação de Groenewegen - o que se traduz na vitória de Jakobsen -, como considerou o "comportamento inaceitável". A situação será analisada pela Comissão Disciplinar, com o ciclista a enfrentar uma sanção mais grave do que a simples desqualificação e uma multa.

O restante pelotão reagiu sem críticas a Groenewegen. Reagiu a pensar em Jakobsen. O mais importante.

Poucas notícias há do estado de saúde sprinter da Deceuninck-QuickStep, que faz 24 anos a 31 de Agosto. O Sporza cita o médico da Volta à Polónia, que refere que o ciclista perdeu muito sangue e corre perigo de vida. Foi transportado para o hospital por helicóptero e está a ser submetido a uma cirurgia. Foi colocado em coma induzido.

Críticas surgiram de alguns corredores à organização por apostar neste sprint em descida em Katowice, onde os ciclistas conseguem atingir velocidades de 80 quilómetros. Mais ciclistas caíram, casos de Marc Sarreau (Groupama-FDJ), Eduard Prades (Movistar), Jasper Philipsen (UAE Team Emirates)... Que final terrível! A maioria acabou por ser transportado para o hospital. Sarreau sofreu lesões no ombro e ruptura de ligamentos, por exemplo. Philipsen terá escapado com alguns arranhões e certamente um corpo bem dorido.

Na retoma do ciclismo, não era nada disto que se queria ver. As quedas fazem parte do ciclismo. Já se sabe. Esta será uma que marcará a carreira de Groenewegen, mas o pelotão tem toda a razão em reagir como reagiu. O mais importante neste momento é Fabio Jakobsen e perceber como marcará a sua carreira.

Que dia complicado para a Deceuninck-QuickStep. Minutos antes Yves Lampaert ficou envolvido numa queda na Milano-Torino. Partiu a clavícula. Uma baixa importante na equipa belga que agora espera por notícias sobre o seu sprinter. Já a Groupama-FDJ vive sentimentos mistos. Perdeu Sarreau durante umas semanas, mas viu Arnaud Démare vencer em Turim.


Classificações da Milano-Torino, via ProCyclingStats.


21 de dezembro de 2019

Frente unida na Jumbo-Visma para lutar pela Volta a França

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
Para quê esperar? A Jumbo-Visma tem mostrado em épocas recentes que quer fazer frente à Ineos na Volta a França e em 2020 a rivalidade vai subir de tom. A equipa holandesa está preparada para olhar olhos nos olhos a formação britânica na grande volta que a Ineos tem dominado e não vai fazer por menos: levará os três líderes e assume que é o ano que não vai "apenas" almejar o pódio. É para ganhar. E por isso, nem esperou mais. Não se deixa arrastar por novelas de quem será o líder, como irá dividir as responsabilidades... Não! A Jumbo-Visma anunciou os oito eleitos para o Tour e também para o Giro e Vuelta.

Não se pode dizer que seja uma novidade. Já para esta época que terminou, anunciou bastante cedo os elementos que iriam ao Giro, mas desta feita foi mais longe. Portanto, sem mais demoras:

Volta a Itália: Dylan Groenewegen, George Bennett, Antwan Tolhoek, Koen Bouwman, Lennard Hofstede, Paul Martens, Amund Grondahl Jansen e Mike Teunissen;

Volta a França: Primoz Roglic, Steven Kruijswijk, Tom Dumoulin, Wout van Aert, Robert Gesink, Sepp Kuss, Laurens de Plus e Tony Martin;

Volta a Espanha: Steven Kruijswijk, Dylan Groenewegen, Mike Teunissen, Robert Gesink, Jos van Emden, Koen Bouwman, Sepp Kuss e Tony Martin.

Com a contratação de Tom Dumoulin e tendo em conta que o Giro terá três contra-relógios, a hipótese mais falada era a Jumbo-Visma levar este ciclista a Itália (e o próprio não se importaria já que o percurso do Tour não é muito ideal para ele), Roglic a França e Kruijswijk a Espanha (este dois iriam inverter os objectivos comparativamente com 2019). Mas não. 

"Fizemos uma análise a todas as grandes voltas dos últimos cinco anos. Qual era a influência dos contra-relógios na classificação final? Qual era a composição da equipa que conseguiu conquistar e defender a camisola [da liderança]? Descobrimos um elemento em comum. Temos de ir ao Tour com a equipa mais forte possível. Assim teremos uma hipótese de ganhar. Vamos fazer tudo para conquistar a amarela. Estamos muito felizes, orgulhosos e motivados para o fazer", explicou Merijn Zeeman, o director desportivo, durante a apresentação da equipa.

Dumoulin, Roglic e Kruijswijk falam no colectivo e de como querem fazer parte da equipa que ganhará a Volta a França. Nenhum se assume como líder. Discurso para mostrar união, mas claro que este tipo de decisão levanta sempre algumas dúvidas. O passado recente não tem um bom exemplo: o tridente da Movistar (Alejandro Valverde, Mikel Landa e Nairo Quintana) foi uma experiência falhada de liderança tripartida. Os egos meteram-se no caminho e todos queriam ganhar, não estando muito interessados em trabalhar para os companheiros.

Ciclistas diferentes, de personalidades diferentes, mas passar das palavras aos actos, será o objectivo principal da Jumbo-Visma para garantir que terá de facto uma frente unida para lutar com a Ineos. "Toda a força, com os três líderes! É muito bom descobrir que os três estamos na mesma página", disse Dumoulin. E no papel a equipa é fortíssima, não só por este trio, mas pelos gregários de luxo que tem e um Wout van Aert que ajudará quando for preciso, mas será também um ciclista para conquistar alguma etapa ao sprint, um objectivo secundário em 2020 na Volta a França.

É por isso que nesta super equipa não há espaço para um dos melhores sprinters do momento. Dylan Groenewegen teve de abrir mão de um Tour que a Jumbo-Visma já só tem interesse em vencer na geral. Porém, é um ciclista que os responsáveis não querem ver insatisfeito, pelo que lhe vão dar a oportunidade de se tornar em mais um a ganhar etapas nas três grandes voltas. Vai ter apoio no Giro e Vuelta, eventualmente também a pensar na camisola dos pontos. Vai ainda apostar forte na Milano-Sanremo. O holandês deixou a mensagem que está feliz com o calendário para 2020. Tem 26 anos e muito tempo para regressar ao Tour no futuro.

E no que diz respeito a monumentos, Wout van Aert - ainda a recuperar da grave lesão após queda na Volta a França - vai com tudo para a Volta a Flandres e Paris-Roubaix, além de ser o líder para as restantes clássicas do pavé. Eventualmente Groenewegen terá a sua oportunidade em alguma mais propícia para sprinters, como a AG Driedaagse Brugge-De Panne. Para a Liège-Bastogne-Liège, Roglic assumiu o desejo de tentar vencer o monumento das Ardenas e nesta semana de três clássicas belgas, Dumoulin prefere a Amstel Gold Race.

Mas regressando às grandes voltas. A nível de geral a concentração estará no Tour, mas não significa que Groenewegen tenha exclusividade no Giro e Vuelta. A Jumbo-Visma levará ciclistas para lutar por uma vitória final, sendo provas em que o colectivo tem importância, mas não tem sido tão essencial como acontece na corrida francesa. Em Itália, George Bennett terá novamente a sua oportunidade. Tem sido difícil a sua afirmação como líder, mas mostrou ser um gregário importante. Com a chegada de Dumoulin, ir ao Giro sem ter de trabalhar para um dos três líderes é definitivamente um momento que o neozelandês tem de aproveitar.

Ainda assim o Giro será muito centrado em Groenewegen, mas a Vuelta é sempre tão montanhosa, que se justifica levar um Kruijswijk ainda à procura de uma vitória em grandes voltas, ainda que o terceiro lugar no Tour de 2019 tenha tido um sabor muito especial. Só ter Gesink e Kuss a seu lado é a prova de como a Jumbo-Visma não quer abdicar por completo de estar na luta por vencer novamente em Espanha, depois da conquista de Roglic em Setembro último.

Na teoria, a Jumbo-Visma tem uma equipa fortíssima, seja para o Tour, seja para as clássicas ou para os sprints. Será candidata a vencer muitas corridas. Mas na Volta a França, um dos assuntos mais falados será certamente como irá este trio com tanta ambição individual funcionar quando for necessário escolher alguém, a não ser que a estrada ajude nessa selecção. E depois será preciso ver se, ao contrário do que aconteceu na Movistar, quem "ficar para trás" na luta pela geral, assume o papel de ajudar quem estiver em condições de ganhar a camisola amarela.

O mais animador é ver uma equipa que tem tudo para definitivamente fazer a Ineos suar bastante no Tour. O ciclismo e a Volta a França ficam a ganhar.

»»Época quase perfeita de uma Jumbo-Visma que se afirmou como ameaça à Ineos««

»»A equipa que domina o Tour junta-se à que domina a Fórmula 1««

6 de dezembro de 2019

Época quase perfeita de uma Jumbo-Visma que se afirmou como ameaça à Ineos

(Fotografia: © Team Jumbo-Visma)
Época perto da perfeição e que consagrou a determinação e paciência para ver esta equipa renascer quase das cinzas para se tornar naquela que mais ameaça a supremacia da Ineos. Com os resultados nas três grandes voltas, ficou-se com a certeza que esta é uma formação que não só tem potencial para ganhar, mas que o pode mesmo fazer. Todo o potencial que vinha a demonstrar nas últimas temporadas foi transformado em resultados que tornaram a Jumbo-Visma numa equipa definitivamente de topo.

Não é fácil poder dizer que subiu ao pódio nas três grandes voltas (dois terceiros lugares e um primeiro), ganhou etapas (cinco no Tour!), mostrou ter um bloco capaz de controlar as corridas e além disso pode dividir as atenções entre o sprinter Dylan Groenewegen e apoiar na montanha Steven Kruijswijk. Mas foi a posta total em Primoz Roglic que deu os maiores frutos a nível do grande sonho para 2019. Roglic falhou no Giro, mas aprendeu as lições e o esloveno fez história na Vuelta. O primeiro ciclista do seu país a ganhar uma prova de três semanas.

Roglic foi avassalador quase toda a temporada. Competiu sempre com a vitória em mente. Vencei a Volta aos Emirados, Tirreno-Adriatico e Volta à Romandia e ainda fechou a época com duas clássicas italianas: Giro dell'Emilia e Tre Valli Varesine. A desilusão acabou por ser nos Mundiais, onde esteve visivelmente esgotado, sendo apenas 12º no contra-relógio - cortou a meta ao lado do campeão Rohan Dennis que tinha partido três minutos depois - e abandonou na prova em linha. Recuperou para ganhar depois as clássicas italianas e ser sétimo na Lombardia.

Claro que entrar tão forte na temporada fez com que começasse o Giro num pico de forma muito acima dos adversários e acabou por aprender que deveria ter guardado esse pico para um pouco mais tarde na corrida. Na Vuelta foi bem mais calculista tanto na preparaçã como na prova e resultou. Mereceu a vitória e agora já olha para o Tour. Não apenas para um lugar no pódio. Pode ter chegado tarde ao ciclismo, tendo começado como desportista como um promissor saltador de esqui, mas está mais do que confirmada a sua qualidade como ciclista.
Ranking: 3º (13128,07 pontos) 
Vitórias: 51 (geral e duas etapas da Volta a Espanha, cinco etapas na Volta a França e duas no Giro) 
Ciclista com mais triunfos: Dylan Groenewegen (15)
E o que dizer de Dylan Groenewegen... Cada vez mais um sprinter que vai conquistando o seu lugar entre os grandes da especialidade. 15 vitórias em 2019 (mais duas que Roglic), mais uma no Tour (tem quatro em três anos) e também ganha por cá, na Volta ao Algarve. Por mais que a Jumbo-Visma olhe para as classificações gerais, com um sprinter desta qualidade e com este ritmo de vitórias, é impossível a equipa não continuar a dar condições para que Groenewegen esteja sempre na discussão de qualquer corrida que participe.

Depois houve aqueles que não venceram tanto ou mesmo nada, mas que são peças essenciais em elevar a Jumbo-Visma a um nível que a Ineos parecia ter colocado como inatingível. Kruijswijk conseguiu um pódio no Tour há muito devido numa corrida destas. George Bennett pode não estar a tornar-se no líder que se chegou a pensar que seria, mas lidera o bloco de gregários com autoridade, Sepp Kuss segue esses passos, Mike Teunissen (mais dotado para terrenos menos inclinados) até recebeu um prémio pelo seu trabalho ao ganhar a primeira etapa do Tour e vestir a camisola amarela e claro, Tony Martin. O alemão pode não conseguir ser o contra-relogista de outros tempos, mas é novamente aquele que faz um trabalho incansável para os seus líderes.

A muita juventude em redor de Roglic acabou por não ser a melhor escolha no Giro, mas quando a Jumbo-Visma conjugou o talento dos mais novos com a experiência de um Tony Martin ou Robert Gesink, ganhou uma Vuelta. Ainda há seis anos, a então Rabobank correu o risco de acabar, mas está agora no topo, e depois de Denis Menchov em 2009 no Giro, a agora Jumbo-Visma ganhou novamente nas três semanas.

E não, não se pode esquecer de Wout van Aert. Não foram as exibições esperadas nas clássicas, mas no Critérium du Dauphiné resolveu mostrar na sua época de estreia no World Tour outras qualidades: também sabe sprintar e é um forte contra-relogista. Foi destas duas formas que venceu duas etapas na corrida francesa, conquistando no final a classificação dos pontos. Chegou ao Tour e estava a ser uma das figuras. Ganhou uma etapa e era o favorito para o contra-relógio. A temporada foi interrompida nesse dia devido a um toque numa grade e uma queda gravíssima. Ainda está a recuperar. Ter-se-ia gostado de ver muito mais do belga em 2019, mas pelo menos ficou-se a saber que Van Aert é muito mais que um excelente ciclista para as clássicas do pavé.

Depois de anos a apostar em ciclistas que estão actualmente a ter os resultados que se desejava e que são figuras não só da equipa, mas da modalidade, a Jumbo-Visma quer dar mais um passo de consolidação e destronar a Ineos na Volta a França, mas olhando com ambição total para um Giro e Vuelta, sem esquecer as clássicas (Wout van Aert) e sprints (Groenewegen). Tem equipa para se dividir pelos vários objectivos e a chegada de Tom Dumoulin dá mais uma alternativa para as grandes voltas.

Ao contrário do que se poderia esperar, não vai haver luta de egos por um Tour. Dumoulin procura o título olímpico, pelo que prefere regressar a Itália e a um Giro que já ganhou, a ir a um Tour que pouco lhe assenta e arriscar chegar a Tóquio desgastado. Roglic vai a França, faltando saber como vai juntar esforços com Kruijswijk. Ambos acreditam mais do que nunca que podem ir mais longe no Tour. A Ineos já sente a pressão da Jumbo-Visma e os ciclistas da equipa britânica já vão falando desta aproximação que só pode ser boa para o espectáculo do ciclismo.


12 de julho de 2019

Segundos bónus ainda não seduziram os candidatos

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Uma das grandes questões da Volta a França é se a introdução dos pontos bónus em algumas subidas irá mesmo ter o condão esperado de espicaçar mais os candidatos à geral. Se os colocados em duas das derradeiras etapas de montanha poderão de facto ser apetecíveis, já os nesta fase inicial do Tour têm passado relativamente despercebidos, pois a preocupação dos candidatos tem passado mais por ficarem a salvo de problemas de maior. Nem os segundos bónus etapa de La Planche des Belles Filles entusiasmaram aqueles que já têm até mais de um minuto para recuperar.

A decisão da organização, ASO, em colocar estes segundos de bónus foi recebida com desconfiança. Nem era preciso explicar a razão da escolha destes bónus, mas conhecendo a toada com que normalmente o Tour é encarado, só quando as etapas escassearem e quando qualquer segundo é mesmo muito relevante, poderá de facto haver alguns candidatos a arriscarem mais para os irem buscar. Isto significará que as fugas não terão tanta liberdade, pois só os três primeiros nas subidas assinaladas têm direito a esses segundos.

São então oito para o primeiro, cinco para o segundo e dois para o terceiro. Estes bónus nada tem a ver com os atribuídos aos três primeiros de cada etapa (dez, seis e quatro). Os segundos de bónus extra nunca coincidem com os finais das tiradas.

Para já, e com sete etapas concretizadas, ainda há confiança que, com tanta dificuldade pela frente, há tempo e quilómetros para recuperar as diferenças, mesmo para aqueles que estão a mais de um minuto, casos de Nairo Quintana e Mikel Landa (Movistar), Richie Porte (Trek-Segafredo) ou Adam Yates (Mitchelton-Scott), por exemplo. Já Romain Bardet (AG2R), com 2:57 para recuperar, precisa de muitos bónus! Landa foi o único que até já esboçou uma tentativa de recuperar tempo, mas nem foi na subida que dava direito aos tais segundos de bónus, na tirada de quinta-feira.

Ainda é uma fase do Tour de gestão de esforço e perceber bem a condição física de cada um, antes dos principais testes, que começam a chegar na segunda semana de competição. Mas este sábado há muita montanha, ainda que nenhuma de primeira categoria. Os segundos de bónus estarão na derradeira subida da etapa, no Côte de la Jaillère, 1,9 quilómetros, com uma média 7,9%. É uma terceira categoria.



É uma etapa que até convida a ataques, mas a longa quilometragem, 200, a juntar a uma semana de Tour e a um dia de folga que só chega na terça-feira, poderá significar que a maioria dos candidatos se resguarde. Só Mikel Landa está a assumir um discurso mais atacante, não necessariamente para a tirada de sábado, entre Mâcon e Saint-Étienne.

Estes bónus poderão ser mais procurados na 18ª e 19ª etapa, quando a luta pela geral tem mais potencial para estar ao rubro. Galibier e Col de l'Iseran são duas subidas míticas e das mais importantes nesta edição do Tour e terão então direito a segundos extras para quem as conquistar primeiro.

Já foram atribuídos no Côte de Mutigny (terceira etapa) e no Col des Chevrères (sexta) e os próximos serão, além deste sábado e das subidas referidas no parágrafo anterior, no Côte de Saint-Just (nona), Hourquette d'Ancizan (12ª) e Mur de Péguère (15ª).

Dylan Groenewegen consegue a sua vitória. Van Garderen partiu a mão


(Fotografia: © ASO)
Foi um início atribulado para o sprinter holandês, apesar da sua Jumbo-Visma ter tido um arranque quase de sonho do Tour. Quase porque a queda de Groenewegen na primeira etapa preocupou, apesar do homem do seu comboio, Mike Teunissen ter vencido a tirada e vestido a camisola amarela. No dia seguinte a equipa concretizou o outro objectivo de vencer o contra-relógio colectivo, mas faltava Groenewegen vencer.

Na sétima etapa, entre Belfort - Chalon-sur-Saône, e a mais longa da corrida com 230 quilómetros, a Jumbo-Visma partilhou as despesas do trabalho no pelotão com a Deceuninck-QuickStep e Lotto Soudal, com Elia Viviani a ter um furo lento que o prejudicou no sprint (foi apenas sexto), enquanto Caleb Ewan foi batido no lançamento da bicicleta.

A discussão foi o ponto de interesse do dia, ainda que Tejay van Garderen tenha tido tudo menos um dia calmo. Caiu nos primeiros quilómetros ao embater numa ilha de tráfego e ficou muito mal tratado. Terminou a etapa, mas já durante a noite a EF Education First anunciou que o americano está fora do Tour devido a uma mão partida. Mais uma grande volta para esquecer de Van Garderen, que tinha como papel ajudar Rigoberto Uran.


O ciclista admitiu que a queda foi culpa sua. Estava a olhar para a sua bicicleta, pois pareceu-lhe ter algo preso, como um papel e não viu a ilha de tráfego. Mike Teunissen também caiu e Van Garderen disse que esperava que ninguém mais tenha ficado magoado devido à sua distracção.

Giulio Ciccone (Trek-Segafredo) manteve a camisola amarela e a branca (que está "emprestada" a Egan Bernal, da Ineos), Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) a verde e Tim Wellens a das bolinhas da montanha. A Trek-Segafredo lidera por equipas.

Classificações completas, via ProCyclingStats.




»»Pequenos testes, alguns sinais, mas todos tentaram principalmente sobreviver à La Planche des Belles Filles««

»»A subida onde Froome começou a escrever a sua história no Tour««

23 de fevereiro de 2019

Momento para UAE Team Emirates ser equipa. Sky pode repetir táctica de sucesso

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
A dupla subida ao Malhão tornou-se um final tradicional na Volta ao Algarve e é uma boa escolha. Tem havido espectáculo, a corrida entra praticamente sempre em aberto para na última etapa, muito porque, mesmo com diferenças simpáticas na geral, o Malhão é uma daquelas subidas curtas, mas que pode fazer mossa. Por isso mesmo, Tadej Pogacar não terá um dia nada fácil. Meio minuto de distância para a concorrência não lhe garante nada, mas irá assegurar a quem assistir à corrida mais um bom momento de ciclismo nas estradas algarvias.

Três quilómetros, com pendentes a rondar os 10%, mas que depois ainda aumentam um pouco. Na curta recta da meta da meta até se atreveria dizer que é mais fácil, não fosse o facto de depois de tanto esforço, os últimos metros também doerem e muito. Será um grande teste para Pogacar, que neste sábado, em Tavira, não evitou um corte de sete segundos no pelotão que fez com que a sua desvantagem fosse agora de 29 segundos para o segundo classificado. Mas principalmente será um teste para a UAE Team Emirates. O jovem esloveno já fez muito mais do que esperado. Com apenas 20 anos, na sua época de estreia no World Tour já venceu no Alto da Fóia. Numa equipa em que Fabio Aru estava no Algarve com responsabilidade acrescida depois de um 2018 demasiado mau para o ciclista do seu estatuto, o italiano foi mais do mesmo. Entre a queda da primeira etapa e a Fóia disse adeus à geral. Pogacar assumiu e muito bem a responsabilidade.

Aru ajudar Pogacar seria uma surpresa, pelo que Valerio Conti, Kristijan Durasak e, numa primeira fase do Malhão, talvez Simone Petilli, sejam os companheiros que mais podem ajudar o inesperado líder no Malhão. E vai precisar que esta equipa comece a funcionar como tal. Seria um bom exemplo para a restante temporada. A Sky procura a sua sexta vitória na Algarvia em oito anos e Wout Poels não quer desperdiçar outra oportunidade de ganhar. Já o fez na Volta à Comunidade Valenciana e no monumento Liège-Bastogne-Liège. Foi em 2016 e foi quando começou a falar em querer mais oportunidades e de querer liderar numa grande volta.

Entre quedas e o facto de na Sky o papel de líder estar completamente tapado para Poels, é aqui, na Volta ao Algarve que Poels pode fazer aquilo que se sabe que tem capacidade, mas que numa equipa como a britânica, as oportunidades para os gregários só surgem de quando em vez. A Sky poderá tentar repetir a táctica de 2018. Com Geraint Thomas na liderança e Michal Kwiatkowski a 19 segundos, o polaco foi para a frente, baralhando os adversários. A perseguição surgiu tarde e Kwiatkowski venceu no Malhão e a geral.

Agora é o cenário é diferente, pois é Pogacar o camisola amarela. Porém, Poels está a 30 segundos (recuperou sete) e David de la Cruz a 57. Se o espanhol for para a frente, vai obrigar a UAE Team Emirates a defender-se, mas também se pode dar o caso da Sky simplesmente impor aquele seu ritmo infernal e tentar eliminar um a um os seus adversários.

Porém, aqui poderá ficar exposta a ataques de um ciclista que tão bem os faz. As comparações entre Enric Mas (Deceuninck-QuickStep) e Alberto Contador tem razão de ser. Sabe mexer com as corridas e pode sozinho meter em dificuldades os próprios homens da Sky. E se De la Cruz tentar escapar, Mas poderá ter um "aliado" espanhol para mexer na corrida. São 31 segundos que tem para recuperar e pode perguntar a Contador como se ganha no Malhão, pois El Pistolero venceu naquele Alto em 2010, 2014 e 2016. Zdenek Stybar, que há um ano mostrou-se no Malhão, tem 2:12 de desvantagem, o que lhe poderá valer liberdade de mexer na etapa e talvez ser muito útil ao companheiro Enric Mas.

E atenção a Soren Kragh Andersen. O ciclista da Sunweb era um outsider e meteu-se na luta depois da Fóia e principalmente do contra-relógio. Subiu agora para segundo, beneficiando dos cortes na chegada a Tavira O dinamarquês está a 29 segundos e também esta equipa poderá jogar outro ciclista na frente. Sam Oomen tem 1:28 minutos e não pode ser menosprezado se tentar escapar ao grupo da frente.  No entanto, o holandês desperdiçou 20 segundos ao ser sancionado este sábado por ter ficado demasiado tempo atrás do carro, para recuperar o lugar no pelotão. No top dez está ainda Marc Hirschi, o campeão mundial de sub-23, a 2:35, e mais um para a Sunweb poder jogar tacticamente.

Ou seja, a UAE Team Emirates ver-se-á na contingência de ter de ou responder a todos os ataques, ou ter de escolher as suas lutas e esperar que mais alguém ajude. Uma etapa muito táctica à espera dos ciclistas.

Todos os restantes corredores estão a mais de dois minutos, difíceis de recuperar, mas no Malhão nada é impossível. Haverá quem vá à procura da vitória de etapa. O destaque irá para Amaro Antunes (CCC). O homem da casa terá uma mancha laranja a apoiá-lo na subida que conquistou em 2017. Tem 2:36 para recuperar. O algarvio esteve envolvido na queda na primeira etapa e perdeu mais tempo no contra-relógio, recuperando em Tavira nove segundos. Talvez a geral seja pedir de mais, ainda que não seja de atirar a toalha ao chão. Mas estará lá para tentar ser o rei do Malhão, um top dez e a camisola da montanha (é segundo com menos dois pontos que Pogacar).

Há outros portugueses que conhecem todos os centímetros do Malhão. João Rodrigues é outro algarvio em destaque. Está a 3:21, na 17ª posição, é o melhor da W52-FC Porto naquele que poderá ser o ano da sua afirmação com um papel de maior destaque dentro da equipa Profissional Continental. Se ver o João Rodrigues tentar estar na frente não será uma surpresa, ver Tiago Machado a dar o tudo por tudo é mais do que esperado. Entre a queda e falta de pernas, o ciclista do Sporting-Tavira rapidamente claudicou qualquer hipótese de um bom resultado na geral. É 32º, a 6:57. Porém, o famalicense adoptou o Algarve como um dos seus locais de treino de eleição, pelo que o Malhão também não tem segredos para ele.

Não escondeu alguma frustração por não estar a conseguir realizar uma corrida como desejaria, pelo que sobra-lhe o Malhão para tentar ganhar pela primeira vez pela nova equipa, neste seu regresso a Portugal.

Quinta e última etapa: Faro – Malhão, 173,5 quilómetros



Groenewegen segue guião quase à risca

Depois de uma etapa ao sprint em que uma queda marcou desde logo a Volta ao Algarve, a sete quilómetros de Lagos, desta feita o guião foi seguido à risca. Houve uma fuga, com mais uma vez as equipas portuguesas a aproveitarem para se destacar - Efapel e LA Alumínios-LA Sport têm andado particularmente activas -, o pelotão apanhou os ciclistas da frente, mais um ou outro tentou escapar e tudo terminou ao sprint, com todos os candidatos presentes. Dylan Groenewegen ainda se desviou do guião ao ter um problema mecânico que o obrigou a uma recuperação, mas nada que lhe tirasse a força para triunfar novamente em Tavira.

O holandês da Jumbo-Visma foi o mais forte após 198,3 quilómetros que começaram em Albufeira. Foi a sua segunda vitória do ano em duas corridas e a terceira na Volta ao Algarve. Há um ano tinha também ganho em Lagos. Groenewegen cumpriu o que se esperava, já Arnaud Démare somou outro segundo lugar, depois de ter perdido para Fabio Jakobsen (Deceuninck-Quick-Step) em Lagos. Ainda assim, o francês da Groupama-FDJ subiu ao pódio para vestir a camisola vermelha dos pontos.

O melhor português da quarta etapa da 45ª edição da Volta ao Algarve foi Samuel Caldeira, o sprinter da W52-FC Porto, que terminou no 15º lugar.

Classificações após a quarta etapa, via ProCyclingStats.

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19 de fevereiro de 2019

Senhores sprinters cheguem-se à frente

Démare vs Gronewegen, um luta que se vai repetir este ano
(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Marcel Kittel, André Greipel, Fernando Gaviria, Dylan Groenewegen, as actuais referências do sprint têm vindo ao Algarve em anos recentes juntar umas vitórias aos seus excelentes currículos. Deste poderoso quarteto ganhador é Groenewegen quem repetirá a presença este ano, depois de ter ganho as duas etapas aos sprint de 2018 da Algarvia. No entanto, como tem sido habitual nesta corrida portuguesa, alguns dos melhores do mundo escolhem o sul do país para competir neste início de temporada e nesta quarta-feira teremos a oportunidade de ver grandes nomes em acção e de bem perto.

A Volta ao Algarve arranca esta quarta-feira em Portimão, com Lagos à espera de conhecer o primeiro camisola amarela. A expectativa é que termine ao sprint e teremos então, além do ciclista da Jumbo-Visma, John Degenkolb (Trek-Segafredo), Arnaud Démare (Groupama-FDJ), Pascal Ackermann (Bora-Hansgrohe), Edvald Boasson Hagen (Dimension Data), Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep) e Christophe Laporte (Cofidis). A estes junta-se uma jovem promessa que está a começar bem a carreira no World Tour, Jasper Philipsen (UAE Team Emirates) e há que não menosprezar o italiano da Caja Rural Matteo Malucelli e o experiente belga da Wanty-Groupe Gobert Timothy Dupont.

Um misto de sprinters consagrados, com vitórias na Volta a França e em monumentos do ciclismo, e de jovens a procurar a afirmação, destacando-se Ackermann, 25 anos, o campeão alemão, acabinho de ganhar a Clássica de Almeria e que no ano passado até venceu mais do que Peter Sagan e alguns dos triunfos foram em provas do World Tour: no Critérium du Dauphiné, Volta à Romandia e Prudential RideLondon-Surrey, por exemplo. Há ainda Jakobsen, o holandês de 22 anos, que no seu primeiro ano na equipa belga somou logo sete vitórias.

Além de Ackermann, também John Degenkolb - que já venceu na Algarvia e precisamente em Lagos, em 2011 - somou uma vitória este fim-de-semana, na última etapa do Tour de la Provence. Será que é desta que o alemão recupera a sua melhor versão? Groenewegen venceu a derradeira tirada da Volta à Comunidade Valenciana, Boasson Hagen ganhou a primeira (um contra-relógio) dessa corrida espanhola e Laporte conquistou duas tiradas na Etoile de Bessèges, ficando também com a geral e classificação por pontos. Démare vai começar a temporada na Volta ao Algarve, tal como Jakobsen.

A primeira etapa da Algarvia é a mais longa, com 199,1 quilómetros. Mas, como tem sido habitual, os sprinters terão ainda outra oportunidade, no sábado. Mais um dia longo, com 198,3 quilómetros, com início em Albufeira e meta em Tavira.



Os portugueses

Não sendo um país de sprinters puros, aqueles ciclistas que têm características para discutir estas etapas não vão desperdiçar a oportunidade para medir forças com os melhores do mundo. Luís Mendonça, agora na Rádio Popular-Boavista, fica ainda mais motivado por ter a possibilidade de se testar frente aos grandes nomes do ciclismo. O experiente Samuel Caldeira e Daniel Mestre (W52-FC Porto), João Matias (Vito-Feirense-BlackJack), Daniel Freitas (Miranda-Mortágua), Pedro Paulinho ou Rafael Silva da Efapel são corredores que vão tentar intrometer-se nesta luta de titãs no sprint. No caso de Rafael faltará perceber como estará fisicamente depois de ter terminado no domingo a exigente Volta à Colômbia.

A Volta ao Algarve realiza-se entre quarta-feira e domingo, mantendo um percurso tradicional de duas etapas para sprinters, duas para trepadores e um contra-relógio individual. Contará com 12 equipas do World Tour, quatro Profissionais Continentais - o novo escalão da W52-FC Porto - e a oito formações portuguesas Continentais.

Terá novamente um pelotão com alguns dos principais nomes internacionais, mas nenhum dos recentes vencedores estará presente - Geraint Thomas, Michal Kwiatkowski, Primoz Roglic, Tony Martin e Richie Porte -, pelo que certo é que haverá um novo campeão da Algarvia. Dos portugueses que representam equipas estrangeiras, estarão na corrida José Gonçalves e Ruben Guerreiro da Katusha-Alpecin, o campeão nacional de estrada e contra-relógio Domingos Gonçalves (Caja Rural) e Amaro Antunes, no regresso do filho pródigo à "sua" corrida, dois anos depois de ter ganho no Malhão, agora como ciclista do World Tour, na polaca CCC.

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13 de dezembro de 2018

Lotto-Jumbo atingiu a maturidade

(Fotografia: Facebook Lotto-Jumbo)
Seis anos depois de uma crise que ameaçou o futuro da equipa, a Lotto-Jumbo atingiu a maturidade. As jovens apostas evoluíram e confirmaram o seu potencial. Houve muitas vitórias em corridas importantes, luta por pódios nas grandes voltas, com o Tour a passar a ser um objectivo realista. A formação holandesa está a ver o seu trabalho de anos ser recompensado. Está a ver a sua paciência em esperar que os seus ciclistas chegassem ao ponto em que agora se apresentam para começarem a render ao mais alto nível em várias corridas, das mais importantes e não apenas esporadicamente.

Em 2018, a Lotto-Jumbo deixou de ser uma equipa de segunda linha, com um ou outro ciclista capaz de se mostrar em alguns grandes momentos. Passa a estar na linha da frente para bons resultados e para intrometer-se entre os tubarões. Em 2019, a Jumbo-Visma, como se passará a chamar, será uma equipa adulta e que terá os seus corredores entre os favoritos a algo de muito especial, quer Wout van Aert chegue já, ou só em 2020.

Antes de se falar da novela do mercado de transferências, o destaque tem de ir para um Primoz Roglic que provou ser mesmo um ciclista de três semanas, para um Steven Kruijswijk que comprovou que, afinal, ainda pode repetir exibições como a do Giro que lhe escapou em 2016, um Dylan Groenewegen que está feito num senhor sprinter, dois jovens já deixaram garantias que são o futuro - Sepp Kuss e Antwan Tolhoek -, ficando só um ligeiro dissabor com George Bennett. A época não foi má para o neozelandês, mas esperavam-se exibições mais fortes, principalmente no Giro, mas também na Vuelta.

Esta tem sido uma estrutura que com a saída da Rabobank, aguentou-se uma temporada sem patrocinador principal, muito devido à persistência do director Richard Plugge. A reconstrução foi feita mediante o crescimento sustentável económico da equipa. Sem estrelas, mas a criá-las. Com Dylan Groenewgen a ganhar no Tour (duas vezes) e noutras corridas por etapas (venceu os dois sprints na Volta ao Algarve, por exemplo), a conquistar clássicas (Kuurne-Bruxelles-Kuurne foi a de maior destaque), o holandês de 25 anos está a tornar-se num caso sério de sucesso. Já só se espera mais e cada vez melhor de um Groenewegen, que é um dos lados de uma rivalidade que promete ser intensa com Fernando Gaviria. Só Elia Viviani (Quick-Step Floors) ganhou mais este ano do que o holandês: 14 vitórias.

Com Primoz Roglic a prosseguir a sua capacidade para ganhar corridas de uma semana (mais uma vez a história da Lotto-Jumbo cruza-se com a Algarvia, já que o esloveno conquistou-a em 2017), o que o ciclista de 29 anos mais queria era comprovar que podia mesmo ser aposta também para as três semanas. Antes do Tour, venceu De forma consecutiva a Volta ao País Basco, à Romandia e a do seu país, Eslovénia. Chegou a França, onde começou de forma mais discreta, com Steven Kruijswijk a assumir maior protagonismo. Mas quando Roglic "abriu o livro"... Venceu uma etapa e pregou um enorme susto a Chris Froome, que além de ver Geraint Thomas a vencer o Tour, quase ficou fora do pódio. Porém, Roglic fraquejou numa sua especialidade, no contra-relógio, acusando o esforço do dia anterior.

Ainda assim, o quarto lugar de Roglic foi, a todos os níveis brilhante, ainda mais para quem começou a carreira apenas em 2013, tendo chegado à Lotto-Jumbo em 2016. Antes era um saltador de esqui. E dos bons, até que se lesionou com gravidade. Em 2019, Roglic vai ao Tour para alcançar mais e com a camisola amarela na mira.

Steven Kruijswijk reapareceu ao seu melhor e tem de estar orgulhoso de ter feito um quinto lugar no Tour e um quarto na Vuelta. Uma vitória de etapa não lhe teria ficado nada mal, mas foi importante ver como, aos 31 anos, recuperou a confiança que pode disputar uma grande volta, ainda que agora tenha de partilhar esse protagonismo com Roglic. Se os egos não chocarem, esta poderá tornar-se numa dupla interessante.


Ranking: 10º (7059 pontos)
Vitórias: 33 (incluindo três etapas no Tour, duas na Volta ao Algarve e a Kuurne-Bruxelles-Kuurne)
Ciclista com mais triunfos: Dylan Groenewegen (14)

Onde fica George Bennett? Para quem embateu violentamente contra um carro antes da Volta aos Alpes começar, tendo feito quinto nessa corrida e depois oitavo no Giro, não se pode fazer grandes críticas. Apesar de outros bons resultados, exibições sólidas, um 10º lugar na Lombardia, antes, na Vuelta as expectativas saíram goradas. Não se viu o melhor do neozelandês, contudo, Bennett poderá ser novamente aposta para Giro e Vuelta, mas no Tour, terá de esperar. Claro que se a Lotto-Jumbo quiser surgir forte em França, para discutir com uma Sky - o inevitável termo de comparação - Bennett poderá ser um gregário de luxo naquela corrida, em prol de um bem maior: uma possível luta pela camisola amarela, mesmo que não seja ele o líder.

Será preciso perceber como quererá a Lotto-Jumbo jogar as suas cartas, agora que tem garantias de estar a um nível superior. E quem agarrou um lugar entre os gregários de luxo foi Antwan Tolhoek. Tem apenas 24 anos e na sua estreia no Tour... Que nível que apresentou! Impressionou tudo e todos, percebendo-se bem porque no início da temporada recebeu uma segunda oportunidade depois de ter estado envolvido no caso dos comprimidos para dormir. Tolhoek foi um dos ciclistas que tomou medicação sem o conhecimento do médico da equipa, numa situação que levou ao despedimento de Juan José Lobato, com Tolhoek e Pascal Eenkhoorn a serem perdoados, mas a ficarem sob apertada vigilância. Ambos aproveitaram bem o perdão.

Outro jovem que se vai afirmado é Sepp Kuss (24 anos). Foi em casa que se apresentou ao seu melhor, ao conquistar a The Larry H.Miller Tour of Utah. Foi uma das contratações de 2018, pelo que foi um ano de adaptação e para evoluir. O início não foi fácil, com alguns abandonos, mas foi estabilizando e foi chamado para a Vuelta. Tem características que fazem dele um ciclista que a equipa iniciou o trabalho já feito com outros corredores, que agora estão na ribalta. Mais discreto que Tolhoek, mas ambos têm muito potencial a ser explorado.

A juventude de uns é contraposta pela experiência essencial para o equilíbrio que a Lotto-Jumbo encontrou. Jos van Emden, Lars Boom e a locomotiva Robert Gesink, tal como Kruijswijk, estão juntos desde o tempo da Rabobank. Boom até está de saída para a Roompot-Charles, do escalão Profissional Continental, mas a que passará a ser Jumbo-Visma (este último patrocinador foi anunciado há poucos dias), procura apostar na continuidade, mantendo a maioria do plantel e reforçando com nomes bem interessantes.

Claro que à cabeça está Tony Martin, afinal é um pentacampeão do mundo de contra-relógio, ganhou etapas no Tour, conquistou corridas como o Paris-Nice, o Eneco Tour e a Volta ao Algarve. No entanto, também é verdade que nos últimos dois anos andou desaparecido na Katusha-Alpecin. Está naquela lista de ciclistas que sai da Quick-Step Floors e não consegue manter o nível exibicional. A Jumbo-Visma espera ver um pouco do melhor do alemão que, aos 33 anos, vai tentar reavivar a sua carreira.

Porém, é Laurens de Plus quem acaba por ser a contratação de maior destaque, dada a expectativa que poderá reforçar o bloco das grandes voltas. O belga, de 23 anos, estava em fase de evolução na Quick-Step Floors, mas a indefinição da equipa, obrigou o seu director, Patrick Lefevere, a ter de abrir mão de alguns ciclistas, pois o novo patrocinador chegou já tarde na temporada..

Lennard Hofstede é outro jovem talento, da mesma idade que também está a desenvolver-se num bom ciclista para provas por etapas e para algumas clássicas. É de certa forma um regresso a casa do holandês, que esteve na equipa de desenvolvimento da Rabobank, antes de assinar por duas temporadas pela Sunweb. Também desta equipa chega Mike Teunissen. O holandês, de 26 anos, é homem para estar ao lado de Groenewegen nas clássicas e sprints. Taco van der Hoorn (25 anos, da Roompot-Nederlandse Loterij) é ciclista para as clássicas, tal como Wout van Aert.

O belga mais pretendido do momento está envolvido numa questão judicial depois de ter rescindido contrato com a Vérandas Willems-Crelan. A equipa levou a questão a tribunal, enquanto o ciclista recorreu à UCI para lhe permitir assinar já pela Jumbo-Visma, com quem iniciariá uma ligação em 2020 se não o puder fazer já, num acordo que partia do princípio que Van Aert terminaria contrato no final de 2019. A UCI deu luz verde, mas à condição, pois se o tribunal der razão à Vérandas Willems-Crelan, então quem contratar Van Aert poderá ser obrigado a pagar uma indemnização.

A Jumbo-Visma bem gostaria de assinar já a estrela do ciclocrosse e que este ano demonstrou que entre a lama da Strade Bianche e o pavé de Flandres e Roubaix, tem tudo para ser um ciclista de sucesso também na vertente de estrada. Ainda se espera pelo próximo episódio desta novela sem fim à vista e que poderá afastar Van Aert da competição em 2019 (pode ler mais pormenores neste link).

Permanências: Dylan Groenewegen, Primoz Roglic, Steven Kruijswijk, George Bennett, Antwan Tolhoek, Koen Bouwman, Floris de Tier, Pascal Eenkhoorn, Robert Gesink, Amund Grondahl Jansen, Sepp Kuss, Tom Leezer, Bert-Jan Lindeman, Paul Martens, Daan Olivier, Neilson Powless, Timo Roosen,  Jos van Emden, Danny Van Poppel e Maarten Wynants.


Contratações: Tony Martin (Katusha-Alpecin), Laurens de Plus (Quick-Step Floors), Mike Teunissen (Sunweb), Lennard Hofstede (Sunweb), Taco van der Hoorn (Roompot-Nederlandse Loterij) e Jonas Vingegaard (ColoQuick).

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