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7 de dezembro de 2019

Uma Bora-Hansgrohe cada vez mais para todo o terreno

(Fotografia: © VeloImages/Bora-Hansgrohe)
Seria fácil para a Bora-Hansgrohe tentar ficar à sombra do sucesso de Peter Sagan, concentrar-se em proteger a sua estrela quando as coisas não correm de feição e tirar todos os dividendos possíveis de um dos ciclistas mais populares do pelotão e, a nível de marketing, o mais rentável (Mathieu van der Poel vai ser um forte adversário nesse aspecto e não só). Porém, a equipa alemã tem sabido ir além de Sagan e se já na época passada se tinha visto esse crescimento, em 2019 ficou a confirmação que há várias e boas opções para ganhar e, ainda mais importante, em diferentes terrenos.

Talvez por isso mesmo, desta feita, não se comece por Peter Sagan. Continua a ser a grande estrela, mas não é a grande figura em termos de vitórias. Sam Bennett e Pascal Ackermann dividiram nos sprints as atenções. O irlandês estava simplesmente imparável no início de época, a somar muitos triunfos. O alemão também ia picando o ponto, ainda que em menor ritmo. No entanto, a Bora-Hansgrohe cedo fez saber que Ackermann seria a escolha para o Giro, Sagan iria ao Tour e Bennett teria de aguardar pela Vuelta. Sem surpresa, o irlandês não ficou nada satisfeito, mas a sua reacção foi continuar a ganhar. Ackermann chegou a Itália pressionado com os resultados do companheiro, mas reagiu com duas vitórias de etapa, esteve na luta por mais e ainda ficou com a classificação dos pontos.

Bennett foi à Vuelta, venceu também duas tiradas e terminou 2019 com 13 vitórias e duas classificações por pontos. Ackermann somou também 13 triunfos e três classificações por pontos, incluindo na Volta ao Algarve. Com Sagan intocável, não há espaço para tantos sprinters ambiciosos e Bennett está a caminho da Deceuninck-QuickStep, com Ackermann a ter a seu favor adaptar-se bem a certas clássicas e ser alemão, com a equipa a querer cada vez apostar nos ciclistas da casa. Mas há que reiterar, apesar de ter sido preterido no Giro (onde esteve tão bem em 2018, com três etapas ganhas) e no Tour, Bennett foi um profissional exímio, mantendo-se em excelente nível durante todo o ano. Deverá encaixar na perfeição na Deceuninck-QuickStep.

Mudando a atenção para a luta pelas classificações gerais, Rafal Majka foi sexto no Giro e Vuelta e de quando em vez este polaco mostrou a sua qualidade, mas sem a traduzir em grandes vitórias e para a Bora-Hansgrohe tal vai começar a ser insuficiente perante o que se viu de outros três ciclistas.
Ranking: 2º (14192,86 pontos) 
Vitórias: 47 (incluindo duas etapas no Giro e na Vuelta e uma no Tour) 
Ciclista com mais triunfos: Pascal Ackermann e Sam Bennett (13)
Maximilian Schachmann fez o percurso inverso que vai fazer Bennett e no seu primeiro ano na Bora-Hansgrohe continuou a afirmaçãoque já se esperava. É um ciclista com muito potencial, somando top 15 e 10 nas provas por etapas de uma semana. Infelizmente no Tour caiu no contra-relógio e com uma mão partida foi para casa após a 13ª etapa, mas a Bora-Hansgrohe não tem dúvidas que foi uma contratação acertada e acabará por aparecer bem também nas três semanas.

Felix Grobschartner é o outro ciclista que a equipa está a tentar "formar" para as corridas por etapas. Ganhou a Volta à Turquia, foi quarto na Romandia e somou mais top dez, mas desiludiu um pouco na Vuelta. Tem apenas 25 anos e vai continuar a sua evolução.

Mas o ciclista que já faz a Bora-Hansgrohe não só acreditar, mas em pensar em chegar a um pódio no Tour é Emanuel Buchmann. Muitas vezes mal se dá por ele. Não é de grandes loucuras, calculista nas suas análises às corridas, compete a pensar nas suas capacidade e não no que os rivais podem fazer. O resultado foi o quarto lugar na Volta a França, com o pódio a ficar a apenas 25 segundos. Faltou-lhe uma grande vitória e a etapa na Volta ao País Basco soube a pouco. Nessa corrida, começou a última etapa na liderança, mas das poucas vezes em que se viu este ciclista andar ao ataque, pagou caro o esforço. De 54 segundos de vantagem para Ion Izagirre, acabou com 31 a mais e no terceiro lugar.

Buchmann regressou ao seu estilo mais calculista depois dessa exibição e a Bora-Hansgrohe também percebeu que tinha de controlar melhor o esforço de toda a sua equipa, pois forçou tanto nos primeiros dias, que no último ninguém aguentou o ataque da Astana.

São as pequenas lições que uma equipa que chegou ao World Tour em 2017 com Sagan como praticamente a única aposta, a pensar nas clássicas e sprints, e agora mostrou que já tem os ciclistas que fazem os seus responsáveis dizer cada vez mais que querem transformar a Bora-Hansgrohe na melhor equipa do mundo. Parece querer seguir mais os passos de uma Jumbo-Visma, ou seja, apostar nas várias especialidades e não ser tanto como uma Deceuninck-QuickStep ou uma Ineos que optam mais pelas clássicas e grandes voltas, respectivamente.

Porém, para o futuro próximo, a formação alemã começa a dar sinais que as provas por etapas vão tornar-se cada vez mais um ponto forte. Contratou jovens ciclistas, a maioria do apetência para subir. Lennard Kämna (23 anos) deixa a Sunweb para continuar a sua evolução na Bora-Hansgrohe, sendo um ciclista que vai criando alguma expectativa. Da Katusha-Alpecin chega o italiano Matteo Fabbro (24), enquanto Patrick Gamper (22), Ide Schelling (21) vão estrear-se ao mais alto nível. O estónio Martin Laas (26) é o único a fugir à regra, sendo mais forte no sprint.

E Sagan? Talvez se fale pouco dele porque quatro vitórias no ano diz quase tudo sobre a sua temporada. A fase das clássicas não correu bem e até adiou a anunciada estreia na Liège-Bastogne-Liège por não estar bem fisicamente. Não se encontrou com a melhor forma numa das fases da temporada mais importante, mas foi ao Tour conquistar a sétima camisola verde (além de uma etapa). Um recorde, um objectivo de carreira cumprido que até o vai fazer estrear-se no Giro em 2020, sem claro esquecer o Tour, quando se prepara para celebrar o 30 aniversário (26 de Janeiro).

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3 de outubro de 2019

Investir no ciclismo permitiu à Hansgrohe crescer 30% mais rápido

(Fotografia: © VeloImages/Bora-Hansgrohe)
O ciclismo vive de patrocínios, uma realidade que dificilmente mudará. Raramente se conhecem números de como a modalidade pode influenciar determinado patrocinador que nela investe, mas a Hansgrohe revelou que esta ligação permitiu que a empresa crescesse 30% mais rápido nos mercados que considera chave.

A Hansgrohe juntou-se à Bora em 2017 quando o projecto deu o salto para o World Tour. Foi necessário um bom investimento, com a ajuda da marca de bicicletas da Specialized para garantir a super estrela de então Peter Sagan. O eslovaco rapidamente colocou todos a falar da Bora-Hanshrohe, equipa tem tem sabido crescer além de Sagan. Em 2019 afirmou-se definitivamente como equipa também para as corridas por etapas, de uma e de três semanas. Além disso teve um Sam Bennett avassalador no sprint, com Pascal Ackermann a confirmar credenciais.

A Bora-Hansgrohe tornou-se numa das principais equipas do pelotão internacional - soma 47 vitórias em 2019. "O ciclismo permitiu-nos conectar de forma mais forte com o consumidor final", afirmou ao site espanhol Expansión Luis Montes de Oca, director de marketing da empresa alemã para a Península Ibérica.

O responsável acrescentou que o ciclismo dá uma visibilidade maior, não ficando tão reduzida "a acções concretas". "De momento é um grande suporte à imagem da marca. No ano passado ampliámos o acordo até 2020 e vamos continuar a relação enquanto pudermos", salientou Luis Montes de Oca.

A Hansgrohe aposta nos produtos para casa-de-banho e cozinha e vai utilizando alguns ciclistas em campanhas de marketing. Montes de Oca referiu como a associação à equipa de ciclismo fez a empresa "crescer 30% mais rápido nos mercados chaves". Diz mesmo que na Alemanha o reconhecimento "triplicou nos últimos 12 meses", ao que deve contribuir os corredores germânicos estarem a começar cada vez mais a destacar-se, casos de Ackermann e Emanuel Buchmann, por exemplo. França e Espanha são outros mercados importantes e o responsável afirmou que a Hansgrohe melhorou depois da crise. "Agora estamos em crescimento" assegura.

21 de maio de 2019

Démare arrisca ser o único dos principais sprinters a resistir até ao fim

(Fotografia: Giro d'Italia)
A alta montanha aproxima-se, mas ainda teremos mais uma etapa completamente plana pela frente. Ou seja, o último dia para alguns dos sprinters presentes na Volta a Itália. Não é nada de novo que a maioria não se preocupe muito com a maglia ciclamino. É daquelas camisolas que não se importariam de ganhar, contudo, poucos estão dispostos a enfrentar as dificuldades das etapas montanhosas. Se há um aspecto que não muda é que, no que diz respeito à classificação por pontos, é a da Volta a França com que todos os sprinters mais sonham em ganhar. No Giro chegam as vitórias nas etapas.

Fernando Gaviria (UAE Team Emirates) nem completou a primeira semana devido a uma dor num joelho. Caleb Ewan (Lotto Soudal) até está bem colocada na luta pela ciclamino - tem menos 46 pontos do que Pascal Ackermann) -, mas o australiano já terá bilhete para regressar a casa depois da etapa desta quarta-feira. O mesmo se passará com Elia Viviani. O italiano até queria fazer "algo especial" no Giro, nas suas próprias palavras, mas entre uma desclassificação e haver sempre alguém mais forte do que ele, o ciclista da Deceuninck-QuickStep já se contentaria com um triunfo, para depois pensar no Tour. Que Giro tão diferente do de 2018 para Viviani, no qual venceu quatro tiradas e a classificação dos pontos. Além do italiano, também Gaviria e Ewan têm a Volta a França no calendário.

(Fotografia: Giro d'Italia)
Dos principais sprinters sobra Ackermann e Démare. O francês quer ficar até final, assumindo que quer mesmo a ciclamino. Ackermann também. O problema do alemão foi a queda à entrada da recta da meta. A Bora-Hansgrohe já garantiu que não há nada partido, mas o lado direito do ciclista ficou muito mal tratado (foto ao lado). Com Démare a inscrever o seu nome na lista de vencedores de etapas e com Ackermann a não somar pontos no sprint final, o francês ficou a um da liderança.

Mais do que poder ter dificuldades em sprintar na 11ª etapa, Ackermann irá tentar perceber se a condição física lhe permite passar a alta montanha que, a partir de quinta-feira, será uma presença mais constante praticamente até final do Giro. Na teoria, a 18ª tirada até poderá ser para os sprinters, se ainda houver forças para controlar a etapa depois dos difíceis dias anteriores. Este ano é um contra-relógio que fecha a corrida, não havendo a um dia de consagração, que também costuma ser sinónimo para os sprinters despedirem-se em grande.

Ackermann estava a ser uma das figuras da Volta a Itália, com duas vitórias na sua estreia em grandes voltas. Agora, Démare poderá tornar-se no mais forte candidato a ficar com a maglia ciclamino, algo que poderá ser confirmado na 11ª etapa desta quarta-feira.

Ainda há mais sprinters em prova. Davide Cimolai (Israel Cycling Academy) e Giacomo Nizzolo (Dimension Data), por exemplo, bem tentam aparecer, mas não conseguem exibir-se ao nível de um Ackermann, Démare ou Ewan. O mesmo acontece com Jakub Mareczko, italiano que chegou finalmente ao World Tour pela mão da CCC, mas não está a igualar as performances de épocas recentes.

Foi um dos que caiu, tal como Simone Consonni (UAE Team Emirates) e um dos ciclistas em destaque no Giro, o jovem Matteo Moschetti. O sprinter da Trek-Segafredo foi transportado para o hospital. A equipa anunciou que o italiano vai abandonar o Giro devido à queda. Garantiu que não perdeu a consciência após a queda, mas irá demorar algum tempo a recuperar das lesões nos ombros e pernas.

Ainda se desconhece se Mareczko irá partir amanhã. Já a UAE Team Emirates até gostaria de Consonni ficasse mais uns dias, para ser uma ajuda, pelo menos nas fase iniciais das etapas de montanha, na defesa de uma liderança na geral que Valerio Conti e a equipa admitem querer manter pelo menos até domingo. Há que não esquecer que a UAE Team Emirates já só tem seis ciclistas, com Gaviria e Juan Sebastián Molano a estarem fora. Este último foi retirado da corrida depois de serem conhecidos os resultados anómalos em testes feitos internamente.

De referir que a seguir a Ackermann (155 pontos), Démare (154) e Ewan (109), estão Richard Carapaz (Movistar) e Primoz Roglic (Jumbo-Visma), com 50 e 46 pontos, respectivamente na classificação da maglia ciclamino. Se Ewan for para casa e Ackermann seguir o exemplo ou não estar em condições físicas de lutar pelo sprint de amanhã e dos sprints intermédios das próximas etapas, Démare poderá dar por bem entregue esta aposta no Giro, já o que o Tour ficará para Thibaut Pinot tentar mais uma vez a desejada vitória francesa em casa. Não haverá espaço para Démare na Volta a França. Será tudo por Pinot na Groupama-FDJ.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

11ª etapa: Carpi - Novi Ligure, 221 quilómetros


Depois de um dia curto, 145 quilómetros entre Ravenna e Modena, é o regresso às maratonas dos 200 quilómetros. Parte da etapa passará por estradas conhecidas da Milano-Sanremo, com a UAE Team Emirates a esperar que possa novamente ficar mais descansada no trabalho de controlar as operações no pelotão, já que os sprinters quererão aproveitar esta última oportunidade para muitos. A Deceuninck-QuickStep terá de apostar forte para tentar salvar algo com Elia Viviani.




»»As contas do contra-relógio que obrigam os rivais de Roglic a atacar««

»»Um contra-relógio para mexer com o Giro««

15 de maio de 2019

Sunweb sem Dumoulin e sem soluções

(Fotografia: Giro d'Italia)
Quando em 2017 José Mendes participou na Volta a Itália, um dos pormenores do relato da experiência que ficou na memória, foi a sua menção à meteorologia, que fez o ciclista pensar no que poderia ter de enfrentar. "Colegas que fizeram o Giro falam horrores daquilo", salientou então. Aquele ano acabou por ser algo atípico, pois o bom tempo acompanhou o pelotão o durante as três semanas e José Mendes falou mesmo em "tempo de Verão". Sorte para os que fizeram aquele Giro, ganho por Tom Dumoulin. Esta quarta-feira foi um daqueles dias de Inverno em pleno Maio, com chuva e frio a tornarem os apenas 140 quilómetros da quinta etapa em metros penosos. Ainda assim, nada que se comparasse com a dor que assolou Dumoulin. Não tanto naquele joelho que não o deixou continuar em prova, mas principalmente na alma de um ciclista que se viu derrotado por uma queda.

Foi no meio do temporal que Dumoulin entrou desolado no carro da equipa. O holandês não queria ir para casa e foi por isso que ainda tentou arrancar para a quinta etapa. "Teria sempre perguntado a mim mesmo, agora perguntei e sei a resposta", desabafou, explicando que queria ter a certeza que não aguentava continuar em prova e não ir para casa e achar daqui a dois dias, se o joelho melhorasse, que talvez devesse ter ficado em Itália. A queda na quarta tirada deixou o ciclista com uma ferida no joelho, que entretanto inchou. Fez um raio-X que revelou não ter uma fractura, mas com o Giro102 a já fazer parte do passado, é altura de olhar para o futuro. Dumoulin vai realizar mais exames para ter a certeza da extensão do problema e começar a pensar na Volta a França, que sempre foi o outro objectivo da época.

Dumoulin queria mesmo ficar. Disse que tinha boas pernas, ainda que no contra-relógio inicial não tenha estado ao nível esperado. Porém, tinha tempo para ir melhorando. De manhã fez uns exercícios para testar o joelho e resolveu começar a etapa. 1500 metros depois do arranque (mais os quilómetros neutralizados até ao início oficial) Dumoulin foi ao carro e assumiu que nada havia a fazer. "Vim aqui para uma aventura de três semanas e queria acabá-la. Não queria ir para casa", disse.

Mas foi e a Sunweb está sem soluções para uma grande volta que ambicionava alto. Ficou de tal forma centrada num só homem que acabou por sacrificar todos os restantes ciclistas quando Dumoulin caiu. O holandês estava a 28 segundos de Primoz Roglic (Jumbo-Visma) antes da queda. Robert Power era o corredor seguinte da Sunweb, a 1:13 minutos, com mais dois abaixo dos dois minutos: Jan Bakelants, a 1:41 e Sam Oomen a 1:47. Depois da escolta de honra feita a um ferido Dumoulin, todos os gregários ficaram a mais de cinco minutos.

Fica por perceber como foi possível sacrificar todos, não deixando pelo menos uma opção. A decisão é ainda mais difícil de entender quando um Sam Oomen já demonstrou que pode ser mais do que um homem de trabalho. Aos 23 anos é uma das principais esperanças do ciclismo da Holanda e em 2018 foi essencial no Giro, ajudando Dumoulin na luta por nova vitória. O líder ficou de tal forma agradecido que, mesmo que o seu resultado fosse um segundo lugar, retribuiu a lealdade de Oomen com uma ajuda para que o colega ficasse no top dez. Oomen foi nono.

Louis Vervaeke foi hoje para a frente, numa fuga condenada ao insucesso. Mas a Sunweb tem de fazer algo. Ganhar etapas é o objectivo mais óbvio, pois um top dez será difícil e a escolha de deixar Oomen ao lado de Dumoulin, claudicou também a possibilidade de lutar pela juventude.

No entanto, isto é o Giro. Se há grande corrida de três semanas com reviravoltas é esta, pelo que desistir só quando tem mesmo de ser, como demonstrou Dumoulin.

Ackermann, o senhor do sprint


(Fotografia: © Bora-Hansgrohe/Bettiniphoto)
Sam Bennett? Segunda vitória de Pascal Ackermann e o alemão já justificou a chamada da Bora-Hansgrohe em detrimento de um dos ciclistas mais ganhadores em 2019 e que foi uma das figuras do sprint no Giro há um ano. Aquela disputa entre Ackermann e Fernando Gaviria (UAE Team Emirates) pode muito bem ter sido a primeira de muitas. E que sprint se assistiu!

Estamos perante dois jovens sprinters. Gaviria só tem 24 anos apesar do currículo que já apresenta, enquanto Ackermann tem 25 e está a construir também um bem interessante. E é a sua estreia numa grande volta. O que se passou em Terracina foi pura classe. Gaviria parecia estar a sprintar para mais uma daquelas vitórias em que deixa a concorrência a vê-lo pelas costas e até um pouco ao longe. Mas não. Ackermann é um rival à altura do colombiano.

Quando ambos arrancaram só um ciclista da Groupama-FDJ ia estragando o espectáculo. Estava a lançar Arnaud Démare, que nem estava na sua roda, quando acabou o trabalho e foi para o meio da estrada. Gaviria foi obrigado a desviar-se. Na sua roda ia Ackermann que teve de travar e recomeçar o sprint. O próprio salientou como teve de fazer dois sprints e mesmo assim bateu Gaviria. Nas declarações finais até disse que não podia pedir um melhor lançador, referindo-se como ao ir na roda do colombiano conseguiu fazer um excelente sprint.

Ackermann esclareceu ainda dúvidas se pretenderia ficar até ao fim no Giro que não tem uma última etapa para os sprinters para aliciar passar as duras montanhas que haverá pela frente. É o líder das classificação dos pontos e garantiu que quer ficar com a maglia ciclamino. Soma 121 pontos, Gaviria 93, Démare 86 e Caleb Ewan (Lotto Soudal) 66. Elia Viviani é o grande ausente da lista. O ciclista da Deceuninck-QuickStep sofreu tanto com as condições meteorológicas, que quando chegou a altura de sprintar, nem conseguiu levantar-se da bicicleta. Continua sem vitórias (foi desclassificado na terceira etapa) e ficar com a ciclamino como em 2018, será uma missão muito difícil.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

6ª etapa: Cassino - San Giovanni Rotondo, 238 quilómetros



Depois de uma etapa mais curta, mas quase tão complicada como as longas tiradas anteriores devido ao mau tempo, eis que o pelotão tem mais um dia extenso pela frente. A maioria dos quilómetros não terão dificuldades de maior, apesar de algum sobe e desce. Porém, a cerca de 30 quilómetros do fim surge a subida de Coppa Casarinelle. Serão 15 quilómetros com pendentes a rondar os 5%. Até à meta haverá uma outra ascensão, curta e não categorizada.

Primoz Roglic continua de rosa, mas sabe que não pode distrair-se em etapas como esta, para garantir que mantém a vantagem já conquistada, pelo menos até ao contra-relógio de domingo, quando até poderá aumentá-la. Agora até perdeu o maior rival com as características mais parecidas com as suas, mas o Giro está apenas a começar.




»»Dumoulin, Roglic, Carapaz e um Landa a ter de pedir desculpa««

»»Dia para limpar a imagem e com a acção a ficar guardada para o fim««

12 de maio de 2019

Aquela vitória que afasta o fantasma Bennett de Ackermann

(Fotografia: Giro d'Italia)
Um sprinter está sempre sob pressão. Um voltista pode não ganhar uma etapa, mas se conquista a geral, está tudo muito bem. Um sprinter se não ganha, então falhou. Porém, Pascal Ackermann chegou ao Giro com uma dose extra de pressão. A escolha da Bora-Hansgrohe pelo alemão em detrimento de um dos homens mais ganhadores do ano foi desportivamente estranha, ainda que clara quando se analisa a opção extra-desportiva. Portanto, na primeira oportunidade conseguir a vitória, dificilmente poderia ter sido um melhor começo e certamente que sai dos seus ombros uns bons quilos de pressão.

Vejamos os números. Ackermann: três vitórias (uma World Tour) e a classificação dos pontos na Volta ao Algarve, antes do Giro. Sam Bennett: seis triunfos (cinco World Tour) e a classificação dos pontos na Volta à Turquia. O irlandês foi uma das figuras da primeira fase da temporada e poder-se-ia pensar que tinha ainda a seu favor a brilhante prestação no Giro de 2018, com três etapas ganhas. Mas não.

Pascal Ackermann teve a oportunidade de evoluir em 2018 um pouco resguardado dos holofotes e até foi o ciclista mais ganhador da Bora-Hansgrohe. No entanto, Bennett afirmou-se como sprinter de classe. Ackermann é alemão, Bennett irlandês. A Bora-Hansgrohe é alemã e tem sido clara a tendência em cada vez mais apostar nos ciclistas do país. A escolha de Ackermann foi anunciada muito cedo na época, para desilusão de Bennett. De nada valeu as vitórias que foi alcançando. Com o Tour a ser de Peter Sagan, seja em que forma esteja, resta ao irlandês a Vuelta e uma possível saída da equipa para ter mais destaque. Está em final de contrato, aos 28 anos.

Ackermann tem 25 e é visto como o futuro da equipa no sprint. Veste a camisola de campeão nacional e ninguém tem dúvidas do seu talento e do seu poderio. No entanto, perante os resultados de Bennett, se as etapas para sprinters na Volta a Itália fossem passando sem que o alemão vencesse, o ambiente poderia tornar-se difícil para o jovem sprinter. Ganhar logo na primeira oportunidade é simplesmente perfeito, ainda que não possa dizer que tem o Giro feito. Já se sabe como é com ciclistas deste nível. Agora tem de ganhar mais!

Além da vitória e do excelente trabalho da Bora-Hansgrohe na preparação do sprint, há que destacar como Ackermann a alcançou naqueles últimos metros. Foi uma demonstração de força, que torna irresistível comparar com alguns dos grandes sprints de um compatriota de Ackermann: Marcel Kittel. No momento em que se afastou do ciclismo, Kittel vê um potencial sucessor na Alemanha, que teve a capacidade para deixar Fernando Gaviria (UAE Team Emirates) e Elia Viviani (Deceuninck-QuickStep) sem hipótese de vencer.

E há que não esquecer um pequeno Caleb Ewan (Lotto Soudal) que foi terceiro, atrás de um Viviani que escolheu a roda de Gaviria, que não foi a melhor opção. Tanto ele como o colombiano olharam para o lado para ver um autêntico foguete passar por eles. Excelente sprint de Ackermann, que basicamente foi chegar, ver e vencer no Giro.

É a sua primeira grande volta, foi a primeira etapa para o alemão disputar e já tem a vitória. Agora irá falar-se menos de Bennett, o que poderá libertar ainda mais mais um sprinter da nova geração que começa a atingir um potencial prometedor.

Roglic tranquilo

Num dia com uma terceira e uma quarta categoria nos 55 quilómetros finais, dos 205 entre Bolonha e Fucecchio, com algum sobe e desce até então, não era a etapa mais típica para os sprinters, mas as equipas que apostam nesta especialidade cedo mostraram ao que vinham. Agradeceu a Jumbo-Visma que se limitou a proteger o maglia rosa, com Primoz Roglic a manter a liderança. Houve um corte de cinco segundos a partir do 15º classificado e que afectou o esloveno, mas nada de preocupante, pois nenhum dos seus mais directos rivais foi beneficiado.

O destaque da fuga por para Giulio Ciccone que está decidido em lutar pela camisola da montanha. Depois de a vestir no contra-relógio, ao ser o mais rápido a completar a subida final de 2100 metros, o italiano da Trek-Segafredo foi à procura de todos os pontos possíveis, mantendo a camisola azul. Miguel Ángel López (Astana) lidera na juventude, enquanto Ackermann ficou com a maglia cicclamino (dos pontos). Jumbo-Visma é a primeira entre as equipas.

O português Amaro Antunes (CCC) na 87ª posição, no pelotão que ficou a cinco segundos de Ackermann.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

3ª etapa: Vinci - Orbetello, 220 quilómetros


Não sendo um dia completamente plano, é um para os sprinters voltarem a discutir a etapa e disputar a maglia ciclamino (dos pontos). Há uma subida de quarta categoria, que termina a cerca de 40 quilómetros do fim, mas qualquer discussão que não seja com os homens rápidos do pelotão, será uma surpresa, até porque os sprinters sabem que não podem desperdiçar etapas destas, pois não abundam no Giro.





19 de fevereiro de 2019

Senhores sprinters cheguem-se à frente

Démare vs Gronewegen, um luta que se vai repetir este ano
(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Marcel Kittel, André Greipel, Fernando Gaviria, Dylan Groenewegen, as actuais referências do sprint têm vindo ao Algarve em anos recentes juntar umas vitórias aos seus excelentes currículos. Deste poderoso quarteto ganhador é Groenewegen quem repetirá a presença este ano, depois de ter ganho as duas etapas aos sprint de 2018 da Algarvia. No entanto, como tem sido habitual nesta corrida portuguesa, alguns dos melhores do mundo escolhem o sul do país para competir neste início de temporada e nesta quarta-feira teremos a oportunidade de ver grandes nomes em acção e de bem perto.

A Volta ao Algarve arranca esta quarta-feira em Portimão, com Lagos à espera de conhecer o primeiro camisola amarela. A expectativa é que termine ao sprint e teremos então, além do ciclista da Jumbo-Visma, John Degenkolb (Trek-Segafredo), Arnaud Démare (Groupama-FDJ), Pascal Ackermann (Bora-Hansgrohe), Edvald Boasson Hagen (Dimension Data), Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep) e Christophe Laporte (Cofidis). A estes junta-se uma jovem promessa que está a começar bem a carreira no World Tour, Jasper Philipsen (UAE Team Emirates) e há que não menosprezar o italiano da Caja Rural Matteo Malucelli e o experiente belga da Wanty-Groupe Gobert Timothy Dupont.

Um misto de sprinters consagrados, com vitórias na Volta a França e em monumentos do ciclismo, e de jovens a procurar a afirmação, destacando-se Ackermann, 25 anos, o campeão alemão, acabinho de ganhar a Clássica de Almeria e que no ano passado até venceu mais do que Peter Sagan e alguns dos triunfos foram em provas do World Tour: no Critérium du Dauphiné, Volta à Romandia e Prudential RideLondon-Surrey, por exemplo. Há ainda Jakobsen, o holandês de 22 anos, que no seu primeiro ano na equipa belga somou logo sete vitórias.

Além de Ackermann, também John Degenkolb - que já venceu na Algarvia e precisamente em Lagos, em 2011 - somou uma vitória este fim-de-semana, na última etapa do Tour de la Provence. Será que é desta que o alemão recupera a sua melhor versão? Groenewegen venceu a derradeira tirada da Volta à Comunidade Valenciana, Boasson Hagen ganhou a primeira (um contra-relógio) dessa corrida espanhola e Laporte conquistou duas tiradas na Etoile de Bessèges, ficando também com a geral e classificação por pontos. Démare vai começar a temporada na Volta ao Algarve, tal como Jakobsen.

A primeira etapa da Algarvia é a mais longa, com 199,1 quilómetros. Mas, como tem sido habitual, os sprinters terão ainda outra oportunidade, no sábado. Mais um dia longo, com 198,3 quilómetros, com início em Albufeira e meta em Tavira.



Os portugueses

Não sendo um país de sprinters puros, aqueles ciclistas que têm características para discutir estas etapas não vão desperdiçar a oportunidade para medir forças com os melhores do mundo. Luís Mendonça, agora na Rádio Popular-Boavista, fica ainda mais motivado por ter a possibilidade de se testar frente aos grandes nomes do ciclismo. O experiente Samuel Caldeira e Daniel Mestre (W52-FC Porto), João Matias (Vito-Feirense-BlackJack), Daniel Freitas (Miranda-Mortágua), Pedro Paulinho ou Rafael Silva da Efapel são corredores que vão tentar intrometer-se nesta luta de titãs no sprint. No caso de Rafael faltará perceber como estará fisicamente depois de ter terminado no domingo a exigente Volta à Colômbia.

A Volta ao Algarve realiza-se entre quarta-feira e domingo, mantendo um percurso tradicional de duas etapas para sprinters, duas para trepadores e um contra-relógio individual. Contará com 12 equipas do World Tour, quatro Profissionais Continentais - o novo escalão da W52-FC Porto - e a oito formações portuguesas Continentais.

Terá novamente um pelotão com alguns dos principais nomes internacionais, mas nenhum dos recentes vencedores estará presente - Geraint Thomas, Michal Kwiatkowski, Primoz Roglic, Tony Martin e Richie Porte -, pelo que certo é que haverá um novo campeão da Algarvia. Dos portugueses que representam equipas estrangeiras, estarão na corrida José Gonçalves e Ruben Guerreiro da Katusha-Alpecin, o campeão nacional de estrada e contra-relógio Domingos Gonçalves (Caja Rural) e Amaro Antunes, no regresso do filho pródigo à "sua" corrida, dois anos depois de ter ganho no Malhão, agora como ciclista do World Tour, na polaca CCC.

»»Perfis das etapas da 45ª Volta ao Algarve««

»»Lista de inscritos revela mais um pelotão competitivo na Volta ao Algarve««

27 de dezembro de 2018

Uma Bora-Hansgrohe que não foi só Peter Sagan

(Fotografia: © Ralph Scherzer/Bora-Hansgrohe)
Quando se fala de Bora-Hansgrohe, fala-se de Peter Sagan. Afinal é a super estrela do ciclismo actual, é quem conquista as vitórias mais importantes, mas esta equipa alemã está a começar a ser mais do que Sagan, com outros ciclistas que sabem que é difícil sair da sombra do eslovaco, mas não significa que não tenham o seu lugar ao sol. Dois exemplos: Pascal Ackermann venceu mais do que Sagan e Sam Bennett afirmou-se como sprinter. Por outro lado, o dos voltistas, se Rafal Majka não confirma expectativas, Emanuel Buchmann conquistou o seu espaço e a equipa vai apostar mais neste alemão.

Porém, esta Bora-Hangrohe é Peter Sagan. Foi um ciclista um pouco diferente, com a sua preparação e mesmo parte do seu calendário a ser ligeiramente alterado. Foi pai e quis aproveitar o máximo possível esses momentos, mas na vertente desportiva, concentrou-se mais em treinos de altitude. Muito se falou que estaria a preparar-se para os Mundiais de Innsbruck, mas era uma missão impossível. Contudo, as alterações até tiveram o seu efeito. Sagan apareceu com uma postura diferente e se continua a somar segundos lugares, também somou mais uns grandes triunfos. E finalmente foi rei de Roubaix.

Aos 28 anos até se esperava que Sagan já tivesse uma colecção maior de monumentos. O facto é que entre erros tácticos e adversários de qualidade, o eslovaco vai apenas em dois, mas tem os que mais queria. Depois da Volta a Flandres em 2016, a forma como conquistou este ano o Inferno do Norte foi de um verdadeiro campeão, ao nível de vitórias recentes e para sempre memoráveis como as de Fabian Cancellara e Tom Boonen. A forma como arrancou, desta feita sem se importar se alguém o ajudaria ou não, a determinação, a destreza... Foi um exibição que marcou 2018. E é verdade que até teve um companheiro de ocasião. Silvain Dillier (AG2R) pensou mais no que teria a ganhar ao acompanhar Sagan, do que a ficar apenas na roda. Sagan foi mais forte no sprint, num Roubaix que ficou muito bem entregue a quem parecia destinado a vencê-lo.

Primeiro item da lista do que faltava na carreira de Sagan riscado, por assim dizer. Seguia-se o regresso ao Tour, depois de em 2017 ter sido expulso devido ao incidente com Mark Cavendish. Três etapas e a camisola verde, que teve uns contornos mais épicos devido a uma queda que o deixou em muito mau estado. Sofreu como nunca tinha sofrido na montanha e conseguiu chegar aos Campos Elísios, onde não teve capacidade para tentar mais um triunfo. O seu Tour estava feito e a verdade de quem é o senhor dos pontos em França estava reposta.

Ranking: 3º (9180 pontos)
Vitórias: 33 (incluindo o Paris-Roubaix, três etapas no Giro e três no Tour)
Ciclista com mais triunfos: Pascal Ackermann (9)

As mazelas da queda numa descida no Tour limitaram-no quase até ao fim da temporada, tendo uma Vuelta sem triunfos, mas com três segundos lugares. Ao todo foram oito vitórias e uma subida ao pódio nos Mundiais. É um estrela, com as suas extravagâncias, mas também um senhor. Sagan, que abandonou em Innsbruck, foi ao pódio entregar a medalha de campeão do mundo a Alejandro Valverde, numa passagem de testemunho e num gesto inesperado, de enorme companheirismo e de respeito pela carreira do espanhol.

Peter Sagan continuará a ser a figura desta equipa, que não esperou pelo último ano de contrato com o eslovaco para renovar até 2021. Está também cada vez mais a criar um bloco muito interessante de ajuda ao seu líder, com Daniel Oss a ser uma das melhores contratações e mais vão chegar em 2019. A relação do italiano com Sagan foi perfeita.

Para a próxima temporada, o eslovaco - agora com a camisola de campeão do seu país e não vestido com o arco-íris - quer fechar as contas que tem com uma Milano-Sanremo que lhe teima em escapar e vai também apostar nas Ardenas, regressando à Amstel Gold Race e com estreia marcada para a Liège-Bastogne-Liège, mais um monumento que entra no seu radar. Depois irá atrás de mais uma camisola verde no Tour para ser ele o recordista de vitórias, desempatando com Erik Zabel.

Mas muito se fala de Sagan. Fale-se também de Sam Bennett. Será sempre o sprinter número dois da Bora-Hansgrohe com o eslovaco na equipa, mas foi ao Giro ganhar três etapas, não deixando Elia Viviani (Quick-Step Floors) sem concorrência. Regressou em força na Volta à Turquia para fechar um ano que não esquecerá e que o motiva a querer mais em 2019. Foram sete vitórias e a garantia que a equipa pode contar com ele para aumentar o número de triunfos e da qualidade destes. Aos 28 anos foi a afirmação do irlandês, enquanto Ackermann, aos 24, passou de zero vitórias como profissional para nove! Foi a revelação.

Sim, Sagan venceu um monumento e depois no Tour, mas os triunfos de Ackermann também foram de valor: uma etapa na Volta à Romandia, outra no Critérium du Dauphiné, na clássica Prudential RideLondon-Surrey e duas etapas na Volta à Polónia, só para referir os triunfos em provas do World Tour. Sprinter e homem de clássicas, Ackermann tanto poderá começar a entrar mais no bloco de Sagan, como será inevitável ter as suas próprias oportunidades.

Ackermann e Buchmann foram dois ciclistas que também já renovaram até 2021. Ambos são o futuro próximo da Bora-Hansgrohe. O último tem estado a evoluir para tentar discutir um top dez numa grande volta. Ficou à porta na Vuelta (12º), mas a performance foi convincente, muito mais do que a de Rafal Majka. O polaco não esteve mal, com dois top 20 (Tour e Vuelta), mas deste ciclista a Bora-Hansgrohe exige mais e Majka não atinge o nível esperado. Para 2019 é mais um dos corredores que não coloca o Tour como objectivo, optando pelo Giro e a Vuelta. Buchmann vai atacar o top 10 no Tour.

E para mostrar como a equipa está a construir um bloco interessante de voltistas, houve ainda Davide Formolo, uma das contratações para 2018. O italiano fez 10º no Giro, fechando em 22º na Vuelta. Com 26 anos é mais um ciclista que a Bora-Hansgrohe poderá tentar tirar mais partido. Há ainda um Jay McCarthy de quem muito se espera, mas que tem sido mais discreto na sua evolução.

Em 2019 chegará mais um alemão para as corridas por etapas. Max Schachmann (24 anos) deixa a Quick-Step Floors para assinar por uma equipa que quer apostar mais na geral de grandes voltas do que a belga. Tem tudo para ser um excelente reforço e tornar esta Bora-Hansgrohe bem mais interessante, principalmente para um Giro e Vuelta, já que no Tour, Sagan deverá sempre ser o líder e, logo, com um bloco mais forte na sua protecção, não sobrando muito espaço para os homens da montanha.

Para ajudar o eslovaco chegam Jempy Drucker (BMC) e Oscar Gatto (Astana). O italiano já foi colega de Sagan na Tinkoff. O ciclista está muito contente com os companheiros que terá ao seu lado, considerando que é o bloco mais forte que já teve a apoiá-lo.

Esta Bora-Hansgrohe quer mais e melhor, sem que seja apenas Peter Sagan a estar na ribalta. A equipa está a crescer e a ficar cada vez mais equilibrada e forte.

Permanências: Peter Sagan, Rafal Majka, Emanuel Buchmann, Pascal Ackermann, Sam Bennett, Erik Baska, Cesare Benedetti, Maciej Bodnar,Marcus Burghardt, Davide Formolo, Felix Großschartner, Peter Kennaugh, Leopold König, Patrick Konrad, Jay McCarthy, Gregor Mühlberger, Daniel Oss, Christoph Pfingsten, Pawel Poljanski, Lukas Pöstlberger, Juraj Sagan, Andreas Schillinger, Rüdiger Selig.

Contratações: Maximilian Schachmann (Quick-Step Floors), Jempy Drucker (BMC) e Oscar Gatto (Astana).