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13 de dezembro de 2018

Lotto-Jumbo atingiu a maturidade

(Fotografia: Facebook Lotto-Jumbo)
Seis anos depois de uma crise que ameaçou o futuro da equipa, a Lotto-Jumbo atingiu a maturidade. As jovens apostas evoluíram e confirmaram o seu potencial. Houve muitas vitórias em corridas importantes, luta por pódios nas grandes voltas, com o Tour a passar a ser um objectivo realista. A formação holandesa está a ver o seu trabalho de anos ser recompensado. Está a ver a sua paciência em esperar que os seus ciclistas chegassem ao ponto em que agora se apresentam para começarem a render ao mais alto nível em várias corridas, das mais importantes e não apenas esporadicamente.

Em 2018, a Lotto-Jumbo deixou de ser uma equipa de segunda linha, com um ou outro ciclista capaz de se mostrar em alguns grandes momentos. Passa a estar na linha da frente para bons resultados e para intrometer-se entre os tubarões. Em 2019, a Jumbo-Visma, como se passará a chamar, será uma equipa adulta e que terá os seus corredores entre os favoritos a algo de muito especial, quer Wout van Aert chegue já, ou só em 2020.

Antes de se falar da novela do mercado de transferências, o destaque tem de ir para um Primoz Roglic que provou ser mesmo um ciclista de três semanas, para um Steven Kruijswijk que comprovou que, afinal, ainda pode repetir exibições como a do Giro que lhe escapou em 2016, um Dylan Groenewegen que está feito num senhor sprinter, dois jovens já deixaram garantias que são o futuro - Sepp Kuss e Antwan Tolhoek -, ficando só um ligeiro dissabor com George Bennett. A época não foi má para o neozelandês, mas esperavam-se exibições mais fortes, principalmente no Giro, mas também na Vuelta.

Esta tem sido uma estrutura que com a saída da Rabobank, aguentou-se uma temporada sem patrocinador principal, muito devido à persistência do director Richard Plugge. A reconstrução foi feita mediante o crescimento sustentável económico da equipa. Sem estrelas, mas a criá-las. Com Dylan Groenewgen a ganhar no Tour (duas vezes) e noutras corridas por etapas (venceu os dois sprints na Volta ao Algarve, por exemplo), a conquistar clássicas (Kuurne-Bruxelles-Kuurne foi a de maior destaque), o holandês de 25 anos está a tornar-se num caso sério de sucesso. Já só se espera mais e cada vez melhor de um Groenewegen, que é um dos lados de uma rivalidade que promete ser intensa com Fernando Gaviria. Só Elia Viviani (Quick-Step Floors) ganhou mais este ano do que o holandês: 14 vitórias.

Com Primoz Roglic a prosseguir a sua capacidade para ganhar corridas de uma semana (mais uma vez a história da Lotto-Jumbo cruza-se com a Algarvia, já que o esloveno conquistou-a em 2017), o que o ciclista de 29 anos mais queria era comprovar que podia mesmo ser aposta também para as três semanas. Antes do Tour, venceu De forma consecutiva a Volta ao País Basco, à Romandia e a do seu país, Eslovénia. Chegou a França, onde começou de forma mais discreta, com Steven Kruijswijk a assumir maior protagonismo. Mas quando Roglic "abriu o livro"... Venceu uma etapa e pregou um enorme susto a Chris Froome, que além de ver Geraint Thomas a vencer o Tour, quase ficou fora do pódio. Porém, Roglic fraquejou numa sua especialidade, no contra-relógio, acusando o esforço do dia anterior.

Ainda assim, o quarto lugar de Roglic foi, a todos os níveis brilhante, ainda mais para quem começou a carreira apenas em 2013, tendo chegado à Lotto-Jumbo em 2016. Antes era um saltador de esqui. E dos bons, até que se lesionou com gravidade. Em 2019, Roglic vai ao Tour para alcançar mais e com a camisola amarela na mira.

Steven Kruijswijk reapareceu ao seu melhor e tem de estar orgulhoso de ter feito um quinto lugar no Tour e um quarto na Vuelta. Uma vitória de etapa não lhe teria ficado nada mal, mas foi importante ver como, aos 31 anos, recuperou a confiança que pode disputar uma grande volta, ainda que agora tenha de partilhar esse protagonismo com Roglic. Se os egos não chocarem, esta poderá tornar-se numa dupla interessante.


Ranking: 10º (7059 pontos)
Vitórias: 33 (incluindo três etapas no Tour, duas na Volta ao Algarve e a Kuurne-Bruxelles-Kuurne)
Ciclista com mais triunfos: Dylan Groenewegen (14)

Onde fica George Bennett? Para quem embateu violentamente contra um carro antes da Volta aos Alpes começar, tendo feito quinto nessa corrida e depois oitavo no Giro, não se pode fazer grandes críticas. Apesar de outros bons resultados, exibições sólidas, um 10º lugar na Lombardia, antes, na Vuelta as expectativas saíram goradas. Não se viu o melhor do neozelandês, contudo, Bennett poderá ser novamente aposta para Giro e Vuelta, mas no Tour, terá de esperar. Claro que se a Lotto-Jumbo quiser surgir forte em França, para discutir com uma Sky - o inevitável termo de comparação - Bennett poderá ser um gregário de luxo naquela corrida, em prol de um bem maior: uma possível luta pela camisola amarela, mesmo que não seja ele o líder.

Será preciso perceber como quererá a Lotto-Jumbo jogar as suas cartas, agora que tem garantias de estar a um nível superior. E quem agarrou um lugar entre os gregários de luxo foi Antwan Tolhoek. Tem apenas 24 anos e na sua estreia no Tour... Que nível que apresentou! Impressionou tudo e todos, percebendo-se bem porque no início da temporada recebeu uma segunda oportunidade depois de ter estado envolvido no caso dos comprimidos para dormir. Tolhoek foi um dos ciclistas que tomou medicação sem o conhecimento do médico da equipa, numa situação que levou ao despedimento de Juan José Lobato, com Tolhoek e Pascal Eenkhoorn a serem perdoados, mas a ficarem sob apertada vigilância. Ambos aproveitaram bem o perdão.

Outro jovem que se vai afirmado é Sepp Kuss (24 anos). Foi em casa que se apresentou ao seu melhor, ao conquistar a The Larry H.Miller Tour of Utah. Foi uma das contratações de 2018, pelo que foi um ano de adaptação e para evoluir. O início não foi fácil, com alguns abandonos, mas foi estabilizando e foi chamado para a Vuelta. Tem características que fazem dele um ciclista que a equipa iniciou o trabalho já feito com outros corredores, que agora estão na ribalta. Mais discreto que Tolhoek, mas ambos têm muito potencial a ser explorado.

A juventude de uns é contraposta pela experiência essencial para o equilíbrio que a Lotto-Jumbo encontrou. Jos van Emden, Lars Boom e a locomotiva Robert Gesink, tal como Kruijswijk, estão juntos desde o tempo da Rabobank. Boom até está de saída para a Roompot-Charles, do escalão Profissional Continental, mas a que passará a ser Jumbo-Visma (este último patrocinador foi anunciado há poucos dias), procura apostar na continuidade, mantendo a maioria do plantel e reforçando com nomes bem interessantes.

Claro que à cabeça está Tony Martin, afinal é um pentacampeão do mundo de contra-relógio, ganhou etapas no Tour, conquistou corridas como o Paris-Nice, o Eneco Tour e a Volta ao Algarve. No entanto, também é verdade que nos últimos dois anos andou desaparecido na Katusha-Alpecin. Está naquela lista de ciclistas que sai da Quick-Step Floors e não consegue manter o nível exibicional. A Jumbo-Visma espera ver um pouco do melhor do alemão que, aos 33 anos, vai tentar reavivar a sua carreira.

Porém, é Laurens de Plus quem acaba por ser a contratação de maior destaque, dada a expectativa que poderá reforçar o bloco das grandes voltas. O belga, de 23 anos, estava em fase de evolução na Quick-Step Floors, mas a indefinição da equipa, obrigou o seu director, Patrick Lefevere, a ter de abrir mão de alguns ciclistas, pois o novo patrocinador chegou já tarde na temporada..

Lennard Hofstede é outro jovem talento, da mesma idade que também está a desenvolver-se num bom ciclista para provas por etapas e para algumas clássicas. É de certa forma um regresso a casa do holandês, que esteve na equipa de desenvolvimento da Rabobank, antes de assinar por duas temporadas pela Sunweb. Também desta equipa chega Mike Teunissen. O holandês, de 26 anos, é homem para estar ao lado de Groenewegen nas clássicas e sprints. Taco van der Hoorn (25 anos, da Roompot-Nederlandse Loterij) é ciclista para as clássicas, tal como Wout van Aert.

O belga mais pretendido do momento está envolvido numa questão judicial depois de ter rescindido contrato com a Vérandas Willems-Crelan. A equipa levou a questão a tribunal, enquanto o ciclista recorreu à UCI para lhe permitir assinar já pela Jumbo-Visma, com quem iniciariá uma ligação em 2020 se não o puder fazer já, num acordo que partia do princípio que Van Aert terminaria contrato no final de 2019. A UCI deu luz verde, mas à condição, pois se o tribunal der razão à Vérandas Willems-Crelan, então quem contratar Van Aert poderá ser obrigado a pagar uma indemnização.

A Jumbo-Visma bem gostaria de assinar já a estrela do ciclocrosse e que este ano demonstrou que entre a lama da Strade Bianche e o pavé de Flandres e Roubaix, tem tudo para ser um ciclista de sucesso também na vertente de estrada. Ainda se espera pelo próximo episódio desta novela sem fim à vista e que poderá afastar Van Aert da competição em 2019 (pode ler mais pormenores neste link).

Permanências: Dylan Groenewegen, Primoz Roglic, Steven Kruijswijk, George Bennett, Antwan Tolhoek, Koen Bouwman, Floris de Tier, Pascal Eenkhoorn, Robert Gesink, Amund Grondahl Jansen, Sepp Kuss, Tom Leezer, Bert-Jan Lindeman, Paul Martens, Daan Olivier, Neilson Powless, Timo Roosen,  Jos van Emden, Danny Van Poppel e Maarten Wynants.


Contratações: Tony Martin (Katusha-Alpecin), Laurens de Plus (Quick-Step Floors), Mike Teunissen (Sunweb), Lennard Hofstede (Sunweb), Taco van der Hoorn (Roompot-Nederlandse Loterij) e Jonas Vingegaard (ColoQuick).

»»Época com muitos quase, mas com uma certeza chamada Latour««

»»Mais investimento, novas figuras, mas o mesmo velho problema e um Aru irreconhecível««

14 de setembro de 2018

Um senhor ciclista que tomou as rédeas do seu destino

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Um senhor ciclista. Simon Yates olhou para o Giro e inverteu a sua táctica. Em três semanas é sempre importante não começar mal, não ter nenhuma grande quebra a meio, mas o essencial é mesmo acabar bem. Yates está a acabar muito, muito bem. Que ciclista emocionante de ver foi o britânico numa subida longa, em que até se esperava que pudessem ser feitas diferenças, mas poder ser a que decide a Vuelta, não estava nas expectativas... Mais um pormenor inesperado nesta corrida tão recheada deles. Não está ganha, mas o maior de inimigo de Yates é ele próprio quando faltam os 97,3 quilómetros mais esperados.

Não houve planos, nem pretensões de conseguir colocar a vantagem de 25 segundos em 1:38 minutos! Yates seguiu os instintos, pois este britânico não segue o exemplo calculista de um popular compatriota da Sky que tanto gosta de olhar para o potenciómetro, ele que pode suceder precisamente a Chris Froome no historial de vencedores da Vuelta. Yates está a afirmar o seu estilo, a sua forma de estar, a sua forma de não ficar à espera de ninguém e de tomar as rédeas do seu destino. Se se sente bem, ataca. Foi o que fez. Admitiu que foi o momento que lhe pareceu ideal para o tentar fazer. Ainda faltavam mais de nove quilómetros. Mas foi a altura mais do que certa.

Jack Haig tinha sido fenomenal quando Nairo Quintana atacou para preparar caminho para Alejandro Valverde, ou talvez ele próprio reentrar na luta pelo menos pelo pódio. Porém, foi o gregário de Yates quem preparou o melhor caminho para o seu líder e nem foi preciso Adam Yates entrar ao trabalho. Mais força fica para sábado. A Movistar saiu derrotada em todas as frentes. Tentou o abanico, Yates assustou-se, mas fechou o espaço.Na subida final, Quintana não só não conseguiu que o seu ataque abanasse Yates, como ainda viu o britânico apanhá-lo e quando foi ajudar Valverde, foi nessa altura que a diferença começou a aumentar para a frente da corrida. Nada correu bem a Quintana nesta Vuelta e nesta 19ª etapa até furou na última subida, só para completar a lista do que não correu bem ao colombiano.

Yates foi aquele ciclista que nas duas primeiras semanas de Giro não deu hipóteses. Na Vuelta deixou o melhor para o fim e se não falhar, se não tiver nenhuma quebra, nenhum azar, talvez desta vez o que parece ser pode mesmo realizar-se na Volta a Espanha: Yates vencer a sua primeira grande volta.

Não se pode dar mérito apenas ao britânico da Mitchelton-Scott. Os companheiros de ocasião foram essenciais para que a vantagem crescesse tanto. Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) ajudou a pensar na vitória de etapa - a segunda ficou garantida para o francês - e para aproveitar subir na classificação. Passou de nono para sétimo. Mas foi Steven Kruijswijk o outro grande vencedor do dia.

Tinha-se aqui dito que o holandês precisava de se mostrar na alta montanha ao nível que tinha apresentado no contra-relógio. O holandês da Lotto-Jumbo fez isso mesmo e está novamente no pódio. Não foi quem mais ajudou Yates e até quebrou, mas o trio pegou nos seus interesses individuais e trabalhou em conjunto para os concretizar. Todos ficaram felizes no fim. Kruijswijk está a 1:58 de Yates e Valverde ficou à distância de 20 segundos.

Mau dia para os ciclistas espanhóis com Enric Mas (Quick-Step Floors) a não conseguir estar tão forte como em dias anteriores. Escapou-lhe o terceiro posto e a ambição de surpreender ainda mais fica agora para trás. Sábado irá à procura de um pódio que ficou a 17 segundos.

Se na 20ª e penúltima etapa já se esperavam ataques, perante as diferenças e sabendo que não haverá mais oportunidades, não há tempo para se ser conservador. Atacar é a solução, esperando Valverde sentir-se melhor, ele que mais uma vez não se deu com altitudes acima dos 1500 metros.

O pleno britânico nas grandes voltas está perto de se concretizar. Chris Froome, Geraint Thomas e agora Simon Yates poderá estrear-se, tal como Thomas, nestas vitórias. Tem apenas 26 anos e todo o trabalho da Mitchelton-Scott em criar um vencedor deste nível poderá finalmente concretizar-se.

No entanto, é necessária uma última demonstração de classe de um ciclista que este ano demonstrou tê-la em abundância e que depois de lhe ter faltado maior inteligência táctica e de gestão de esforço, em seis meses assimilou as lições do Giro para não repetir o desgosto. Talvez seja um dia em que possa tentar controlar um pouco mais os adversários, ser um pouco mais calculistas, ainda que para Yates a melhor defesa seja mesmo o ataque.

Faltam 97,3 quilómetros com uma segunda, três primeiras e uma terceira categoria antes da última rampa da Vuelta. Uma categoria especial para terminar, como só poderia ser numa corrida como esta Volta a Espanha. O pelotão arrancará de Andorra e o Coll de la Gallina definirá se Yates aguentará a última investida dos adversários - Valverde prometeu não atirar a toalha ao chão - ou se esta Vuelta tem uma derradeira surpresa para revelar.

Coll de la Gallina tem uma contagem de montanha de 3,5 quilómetros, mas a subida começa antes. Na fase final, serão rampas de 11%, 7% e 9%. Sendo uma etapa tão curta, será uma espécie de sprint para os trepadores. A etapa poderá ser vista na íntegra no Eurosport e a TVI24 também irá começar a sua transmissão mais cedo do que o habitual para que não se perca nada da muito aguardada etapa da Vuelta.


11 de setembro de 2018

Baralha e volta a dar. Afinal temos um sexteto

Yates aumentou vantagem para três rivais, mas tem agora mais dois
(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Nesta Vuelta o que parece ser, afinal não é bem assim. Têm-se visto algumas reviravoltas durante as primeiras duas semanas e o contra-relógio trouxe mais uma. É melhor não dizer que foi a última. Quando parecia que os Lagos de Covadonga tinham definido um quarteto, eis que Steven Kruijswijk reentra de rompante na luta pela geral e um Enric Mas não está para esperar mais tempo para se afirmar numa grande volta. O contra-relógio até pode ter alargado um pouco as diferenças a favor de Simon Yates relativamente aos três que começaram o dia como principais rivais, mas ter 1:34 minutos a separar o primeiro do sexto não dá qualquer garantia ao britânico, nem a ninguém que queira estar no pódio em Madrid, no domingo.

Yates foi o principal vencedor do dia, pois conseguiu ganhar vantagem sobre aqueles que eram os adversários até ao início desta terceira semana de competição: Alejandro Valverde, Nairo Quintana e Miguel Ángel López. Porém, Steven Kruijswijk partilha o destaque do dia e até roubou um pouco as atenções. Sabia-se que sabe defender-se no contra-relógio, mas o holandês do Lotto-Jumbo chegou a estar a voar na estrada. Aos 10 quilómetros, dos 32, estava mais rápido cinco segundos que o super especialista Rohan Dennis (BMC). Não aguentou o ritmo para ganhar a etapa, mas foi um contra-relógio fenomenal, daqueles que deixa um bocadinho a quem assiste de boca aberta. Saltou de quinto para terceiro e cortou a diferença de 1:29 minutos para 52 segundos. Agora é também ele um dos principais adversários de Yates.

Depois de ter estado tão bem no Tour, Kruijswijk está ainda melhor na Vuelta. O Giro que lhe escapou em 2016 irá sempre marcar a sua carreira, mas o holandês está a mostrar que afinal pode repetir a exibição e ambicionar de novo a uma grande vitória. Só falta saber se não pagará o esforço deste contra-relógio nas etapas de montanha que aí vêm, a primeira, já nesta quarta-feira.

Há mais uma preocupação para Yates e Kruijswijk tem ainda a vantagem de uma equipa que tem sido forte. Conta também com um jovem Sepp Kuss que tem sido o gregário que mais tem ajudado na montanha. Mas Simon Yates tem razões para sair de Torrelavega a sorrir. O trabalho feito nesta especialidade já tinha dado frutos no Giro e deu agora na Vuelta. Na disputa com Nairo Quintana (Movistar) e Miguel Ángel López (Astana), Yates saiu muito a ganhar: tem mais 42 segundos sobre Quintana (1:15 é agora a diferença, com o ciclista a cair para o quarto lugar) e 51 sobre López (1:34 no total, caiu para sexto). "Não estava preocupado porque melhorei no contra-relógio. Não ia estar à altura do Rohan Dennis, mas não tinha por que estar preocupado", disse Yates, cuja auto-confiança está claramente em alta.

E tem razões para isso. Se Valverde tivesse saído do contra-relógio com a camisola vermelha não teria sido uma surpresa. Na teoria era mais forte nesta especialidade entre o quarteto. Na prática perdeu sete segundos para Yates. Pode parecer pouco comparado com os casos de Quintana e López, mas numa Vuelta que ameaça ser decidida ao segundo, o conta-relógio poderá ter um peso importante nas contas finais.

Em suma, Yates esteve muito bem, Kruijswijk foi fenomenal, Valverde desiludiu, Quintana foi igual a si próprio e López tem de melhorar no contra-relógio com urgência. Não é fácil ganhar uma grande volta sem pelo menos defender-se nesta especialidade. O colombiano da Astana está longe de conseguir fazer uma defesa deste tipo. Pode ter deitado fora a oportunidade de chegar à vitória e talvez ao pódio. Mas é a Vuelta. Não há certezas.

Enric Mas merece um destaque à parte. Pé ante pé foi subindo na classificação, foi aparecendo entre os melhores e nos Lagos de Covadonga deixou a certeza que estava preparado para agarrar um top dez na sua segunda participação na Vuelta. São 23 anos de muito talento, com tanto para evoluir. Até Alberto Contador já se tinha rendido a este ciclista da Quick-Step Floors, tento ele próprio nomeado Mas como um provável sucessor de uma geração que já quase toda terminou a carreira. Está numa equipa que não aposta em vitórias na geral nas grandes voltas, mas aqui está ele para mostrar-se e para mostrar que na estrutura belga também se formam bons ciclistas para estas corridas, como Bob Jungels é também a prova.

Enric Mas fechou no top dez da etapa e entre o sexteto que se formou para a geral, só não bateu Kruijswijk. Recuperou 25 segundos para Yates e se 1:30 de desvantagem, mais a falta de experiência poderá ser um handicap para Mas, o pódio pode e deve tornar-se num objectivo. Já tinha animado a tirada nos Lagos de Covadonga e Mas tem tudo para ser um dos ciclistas que não dará sossego a ninguém. Temos voltista!

Thibaut Pinot ficou a 2:53 num contra-relógio pouco conseguido do francês que vê assim o pódio ficar mais como uma miragem. Do oitavo lugar para baixo são mais de três minutos de diferença para Yates. Pelo que tem acontecido na Vuelta, a racionalidade diz para se ter cuidado em excluir alguém, até porque, com os ataques esperados já a partir de amanhã poderão aparecer mais reviravoltas. Porém, Yates terá sempre mais atenção aos cinco que ficaram abaixo dos dois minutos após o contra-relógio. Tanta gente para controlar!

Na Movistar assume-se a derrota no dia, mas Valverde nem quer ouvir falar de Quintana estar fora da disputa. Em vez disso, avisa que os dois podem jogar em equipa no ataque a Yates. A ver vamos se haverá mesmo união em prol da Movistar. Mas que não se tenham dúvidas: para Simon Yates a melhor defesa será o ataque. Não vai ficar só a controlar.

Baralha e volta a dar. A ver vamos quem terá o ás que o levará à conquista da Vuelta, ou se haverá um joker que provoque uma derradeira reviravolta numa corrida que terá três dias de montanha emocionantes, com uma etapa de 97,3 quilómetros no sábado.

17ª etapa: Getxo - Balcón de Bizkaia, 157 quilómetros


Rohan Dennis andou a poupar-se nos últimos dias para ser avassalador no contra-relógio. Ganhou os dois nesta Vuelta, depois de vencer um no Giro e só não fez o pleno porque Tom Dumoulin (Sunweb), o campeão do mundo em título da especialidade, conquistou o que abriu a Volta a Itália. A missão do australiano ficou cumprida em Espanha e agora vai directamente para a preparação dos Mundiais, abandonando a Vuelta. O companheiro da BMC, Joey Rosskopf, foi quem mais se aproximou de Dennis. Mas o campeão americano da especialidade ficou a 50 segundos!

Nelson Oliveira ficou novamente entre os melhores, fechando com o sétimo melhor tempo, a 1:05 de Dennis. O ciclista da Movistar teve a "desvantagem" de estar a trabalhar arduamente para Quintana e Valverde, pelo que o desgaste teve o seu peso no que, ainda assim, foi mais um motivador resultado para quem também tem os Mundiais em mente. Tiago Machado (Katusha-Alpecin) ficou a 3:14 do vencedor e José Mendes (Burgos-BH) a 4:51.

Pode ver aqui as classificações completas.

Esta quarta-feira a etapa será de enorme desgaste e com muita montanha para atacar. É o dia típico das mais recentes edições da Vuelta. O percurso convida que se mexa na corrida ainda antes do muro final. Oo Alto del Balcón de Bizkaia será uma chegada inédita. Nos 7,3 quilómetros de subida, a meio do terceiro e quase até ao final do sexto, a pendente começa nos 12% e acaba quase nos 24% (gráfico em baixo).



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»»Yates o mesmo ciclista de Itália... mas numa versão melhorada««

27 de julho de 2018

O renascer de uma equipa

(Fotografia: © ASO/Bruno Bade)
Estabilidade. Uma palavra-chave para o renascer de uma equipa que nos finais dos anos 90 e na primeira década do século era das mais forte do pelotão. A então Rabobank estava na luta pelas grandes corridas, com planteis fortes e durante quase duas décadas, o banco holandês foi um patrocinador importante, inclusivamente para o ciclismo feminino e de formação. Foi a este último que se agarrou quando em 2012 bateu com a porta à elite devido às alegações de doping. Foi um rombo numa estrutura que teve em Richard Plugge um director que se recusou a deixar cair a equipa. A reconstrução foi difícil e a incerteza foi muita, mas 2018 está a tornar-se no ano em que há certezas que a agora denominada Lotto-Jumbo começa a mostrar potencial para regressar ao topo.

Em 2016, Steven Kruijswijk quase conseguiu dar uma inesperada vitória numa grande volta. Uma queda e Vincenzo Nibali tiraram-lhe o Giro. Escapou um triunfo na geral de uma grande volta que não acontece desde que Denis Menchov ganhou a Vuelta e o Giro, em 2007 e 2009, respectivamente. Kruijswijk não mais conseguiu aparecer àquele nível. Neste Tour tem estado muito bem, mas ofuscado por um brilhante Primoz Roglic. O saltador de esqui que deu em ciclista e que em três grandes voltas, ganhou sempre uma etapa. E na primeira vez em que lhe é concedido o estatuto de líder, está a 31 quilómetros de um contra-relógio - no qual é especialista - de conseguir o pódio, provavelmente tirando o lugar ao quatro vezes vencedor da Volta a França, Chris Froome.

Quando há dois anos venceu o contra-relógio no Giro, foi uma espécie de "Primoz quê?" Roglic é agora um nome bem conhecido - ainda mais em Portugal, onde venceu a Volta ao Algarve em 2017 - e nesta Volta a França conquistou um estatuto no pelotão que ele muito trabalhou, mas que ainda estava rodeado de alguma desconfiança. A sua qualidade como ciclista de provas de uma semana estava mais do que confirmada. Só este ano venceu a Volta à Romandia, ao País Basco e da "sua" Eslovénia. Agora confirma que é também um corredor de 21 etapas.

Esta sexta-feira, numa tirada espectacular nos Pirenéus, Roglic - que fará 29 anos em Outubro - foi irrepreensível. Saltou para o terceiro lugar e o segundo está a 19 segundos. Se Tom Dumoulin (Sunweb) tem razões para se preocupar, já Geraint Thomas (Sky) só terá de ser igual a ele próprio e evitar azares. 2:24 minutos será uma distância demasiado grande para perder em 31 quilómetros, mesmo que se esteja perante o vice-campeão do mundo. Ao contrário do campeão Dumoulin, Roglic não fez o Giro. Uma segunda vitória de etapa não é de afastar, tal como passar o holandês.

Depois há um Dylan Groenewegen (25 anos), vencedor de duas etapas neste Tour e que em 2017 ganhou nos Campos Elísios. Cada vez mais é um dos melhores sprinters da actualidade e está também a fazer o trabalho para se tornar num homem de clássicas. Kruijswijk merece o mérito de ter sido essencial nesta reconstrução da equipa, ele que ficou na estrutura desde os tempos da Rabobank, mas são Roglic e Groenewegen os rostos de uma Lotto-Jumbo que nas próximas grandes voltas não será mais uma simples outsider.

Mas estes são os nomes que se consagraram no maior palco de ciclismo do mundo. Contudo, há ainda um muito talentoso George Bennett, cujo oitavo lugar no Giro pode não ter sido bem o que esperava, mas este australiano ainda tem algo mais para dar e conquistar. Aos 24 anos, Antwan Tolhoek é uma esperança holandesa a receber a formação numa equipa que está a produzir bons ciclistas.

A par de Kruijswijk há ainda um Jos van Emden, um Lars Boom e a locomotiva Robert Gesink. Todos já com mais de 30 anos, todos do tempo da Rabobank e todos de confiança para o director Richard Plugge. Gesink não se tornou no voltista esperado, no entanto, o trabalho que hoje realizou para encurtar distâncias para o grupo de Mikel Landa (Movistar) e Romain Bardet (AG2R), explica porque o contrato foi renovado até 2021. Sozinho fez o trabalho de três ou quatro ciclistas da Sky! A vitória de Roglic na etapa também tem muito de Gesink.

Para o ano será apenas Jumbo, ainda  que não esteja excluída a entrada de outro patrocinador. A Lotto sai de cena, mas a cadeia de supermercados garantiu que a aposta será forte e até aumentada, comparativamente com este ano. É tempo de crescer. O passado está mesmo lá atrás. Longe vão os tempos em que a equipa foi apenas a Blanco, sem patrocinador. A Belkin apareceu para dar um primeiro empurrão rumo à reconstrução de uma estrutura que viu alguns dos seus principais ciclistas serem envolvidos em casos de doping, ou de não se livrarem de suspeitas.

Os actuais patrocinadores vincularam-se em 2015. Ano complicado, com apenas seis vitórias. Porém, aquela de Bert-Jan Lindeman na Vuelta serviu de mote para o recomeço de uma equipa que sabe vencer, mas que ainda lhe falta uma vitória na geral de um corrida de três semanas ou num momento, pois soma triunfos em praticamente todas as principais provas. Estará a aproximar-se?...

Etapa espectáculo

A subida ao mítico Tourmalet impulsionou o espectáculo a 100 quilómetros da meta, muito devido a Mikel Landa. Apenas com tudo a ganhar, o espanhol da Movistar cumpriu o prometido e atacou de longe, levando com ele Romain Bardet (AG2R), com Ilnur Zakarin a agarrar-se ao grupo depois da Katusha-Alpecin lhe ter preparado o terreno para tentar ganhar a etapa. Juntou-se ainda um Rafal Majka à procura dar mais uma vitória à Bora-Hansgrohe além das três de Peter Sagan, depois de ter desiludido na luta pela geral.

Primoz Roglic foi o mais espectacular de todos, num dia em que Chris Froome agarrou-se como pôde a Egan Bernal para tentar salvar um terceiro lugar, que, ainda assim, está agora a 13 segundos. Tom Dumoulin fez tudo para defender o seu segundo posto, mostrando que lutar pelo Tour é algo que estava além das suas capacidades. O preço do Giro está a ser pago, pelo que fez o que lhe competia, ainda que para isso tenha ajudado Geraint Thomas a ficar a 31 quilómetros de conquistar um Tour que ninguém, ou quase, acreditaria ser possível há três semanas. Se os três actuais ocupantes do pódio ali permanecerem, o Tour terá três estreantes nestas posições nesta corrida. Só Tom Dumoulin sabe o que é subir ao pódio de uma grande volta: ganhou o Giro em 2017.

(O texto continua por baixo do vídeo.)




Landa subiu ao sexto lugar, enquanto o companheiro Nairo Quintana caiu de quarto para nono, depois de uma etapa dolorosa. O colombiano sofreu uma queda na quinta-feira e não escondeu o quanto o limitou fisicamente. Salva para a Movistar a vitória na etapa dos 65 quilómetros por parte de Quintana e a classificação de equipas. Zakarin é agora 10º à custa de um Jakob Fuglsang que deu certezas à Astana que tem de contratar um ciclista para as três semanas.

Faltam então 31 quilómetros entre Saint-Pée-sur-Nivelle e Espelette, num contra-relógio que de direito pouco tem. Geraint Thomas sabe o que é vencer estas etapas, começou por o fazer há um ano no Tour, por exemplo. 2:05 é uma margem que lhe dá alguma tranquilidade. Em condições normais, nem Dumoulin, nem Roglic e muito menos um Froome cansado, conseguirão tirar-lhe a amarela. Se nada de anormal acontecer, é ele que será a estrela no desfile de campeões em Paris. Mas festas só no fim, como reitera um Peter Sagan que está a sacrificar-se como nunca para acabar o Tour e confirmar a conquista da sexta camisola verde. Escapou à exclusão por chegar fora do tempo limite, mas as dores continuam depois da queda na quarta-feira.

Quem também estará no "desfile" será Julian Alaphilippe. Mais um francês a ganhar a camisola da montanha, sucedendo a Warren Barguil. O ciclista da Quick-Step Floors pode não ser um trepador puro, mas agora já se questiona se será esse o caminho que seguirá na sua evolução, podendo assim pensar em lutar pela geral no Tour. Ainda é cedo e Alaphilippe quer é saborear esta excelente conquista. Pierre Latour partirá para o contra-relógio com 5:47 minutos de vantagem sobre Egan Bernal, pelo que também só algo de muito mau irá tirar ao francês da AG2R a camisola branca da juventude.

Está quase a terminar um Tour dos mais interessantes dos últimos anos. O contra-relógio não deverá ser aquele dia tão decisivo como a organização poderia desejar, mas vamos esperar pelo fim dos 31 quilómetros, pois há uma longa lista de ciclistas que podem atestar que tudo pode acontecer nesta Volta a França, do primeiro ao último metro.

Pode ver aqui as classificações.


1 de março de 2018

Em 2019 só haverá uma equipa chamada Lotto

(Fotografia: João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Está confirmada a saída de um dos principais patrocinadores dos últimos quatro anos no ciclismo. A Lotto, lotaria holandesa, deixará de patrocinar a equipa do World Tour, mas não há qualquer motivos de preocupação para a equipa. A Jumbo irá não só manter-se ligada à estrutura, como assumirá o papel de patrocinador principal. O contrato com a Lotto termina a 31 de Dezembro e não será renovado. A partir de 2019 só haverá uma Lotto na estrada, a belga: Lotto Soudal. A formação holandesa será a Team Jumbo.

A Lotto-Jumbo é a descendente da popular Rabobank, que se destacou a partir dos finais dos anos 90. No entanto, a estrutura existe desde 1990, então com o nome de Buckler-Colnago-Decca. Quando a instituição bancária anunciou que iria deixar o ciclismo, em 2012, deixou incerto o futuro da equipa. Mesmo sem um patrocínio forte, a estrutura sobreviveu. Em 2013 era apenas a Blanco, mas no ano seguinte apareceu a Belkin para dar nome e dinheiro. Dois anos depois entrou a Lotto e a Jumbo. A marca de supermercados assume agora a responsabilidade em solitário e fá-lo-á até 2023.

"A equipa de ciclismo teve uma boa época em 2017. As duas etapas ganhas na Volta a França são o destaque. Esta senda parece estar a continuar este ano, com a equipa a já ter garantido cinco triunfos", destacou o representante da Jumbo, Coosterman-Van Eerd. E tem mesmo sido um grande arranque de temporada para a equipa, principalmente devido a Dylan Groenewegen. O holandês é o responsável por quatro dos triunfos - o primeiro foi de Danny van Poppel -, dois deles na Volta ao Algarve e o mais recente na clássica Kuurne-Bruxelles-Kuurne.

Foi também o sprinter o autor de uma das vitórias de etapas no Tour em 2017 e logo nos Campos Elísios, com Primoz Roglic a dar a primeira alegria à equipa. Em Fevereiro, o esloveno tinha conquistado a geral da Volta ao Algarve. O ano terminou com 26 vitórias. Como curiosidade, a época mais ganhadora da equipa foi precisamente aquela em que procurava um patrocinador. Como Blanco venceu 38 vezes.

De recordar que em 2016, a Volta a Itália parecia estar quase garantida, mas Steven Kruijswijk caiu durante uma descida e acabou por deixar escapar a vitória e depois nem conseguiu segurar o pódio devido às mazelas físicas. O holandês, de 30 anos, foi também notícia hoje, pois além da mudança de nome na próxima temporada, a equipa anunciou que renovou contrato até 2021 com um dos seus líderes para as grandes voltas.

É ainda de realçar que a Lotto-Jumbo tem apostado na evolução de jovens ciclistas que muito prometem. Dylan Groenewegen está já a confirmar as expectativas, com as expectativas a serem grandes para com George Bennett, neozelandês que venceu a Volta à Califórna no ano passado e que este ano irá atacar o Giro.


27 de novembro de 2017

Bons ciclistas a ficarem cada vez melhor, mas falta mais equipa à Lotto-Jumbo

Parte do sucesso da época da Lotto-Jumbo passou pela Volta ao Algarve
A Lotto-Jumbo precisa de um Steven Kruijswijk ao nível do Giro de 2016, precisa de um Robert Gesink que se deixe de inseguranças e coloque na estrada o talento que se sabe que tem, mas os anos vão passando e o holandês ameaça ser um ciclista que passou ao lado de uma grande carreira. Mas se nenhum dos dois se apresentar como o líder que a equipa quer e precisa para as grandes voltas, então abram alas a George Bennett, um neozelandês que este ano confirmou que pode e deve ser aposta. Podem também abrir mais as portas a Primoz Roglic. Este esloveno melhora de ano para ano. A Lotto-Jumbo pode não ter o mediatismo de outras equipas, até pode estar muito em baixo no ranking, mas mantendo alguns dos ciclistas que tem, muitos e bons resultados podem estar a chegar. Porém, precisa de mais equipa, mais apoio para aqueles que estão em condições de lutar por grandes vitórias.

Estamos a falar de uma formação que normalmente consegue que um ou dois ciclistas seja colocado como candidato ou, pelo menos, outsider numa clássica, num sprint, ou a um top dez. Foi uma equipa que ganhou o ano inteiro e 10 das 26 vitórias foram em provas do World Tour. Venceu duas etapas no Tour, incluindo nos Campos Elísios, que para um sprinter é como ganhar a Volta a França. Dylan Groenewegen demonstrou que está pronto para se debater com os grandes nomes com frequência. Jos van Emden também ganhou a última etapa, mas no Giro. Estamos a falar de um dia em que o vencedor da geral é quem mais atenção recebe, mas é uma subida ao pódio num momento de grande aparato mediático. O patrocinador fica sempre muito feliz. Nos Campos Elísios então, fica extasiado.

Quando se fala de atenção mediática, Victor Campenaerts foi o campeão, pois pedir a uma rapariga para sair com ele durante um contra-relógio do Giro mereceu bastante destaque... e uma multa da organização. A equipa também não gostou, mas os fãs adoraram nas redes sociais. Um momento de descontracção, numa temporada muito séria da Lotto-Jumbo.


Ranking: 16º (4846 pontos)
Vitórias: 26 (incluindo uma etapa no Giro, duas no Tour e a geral da Volta ao Algarve)
Ciclista com mais triunfos: Dylan Groenewegen (8)

A formação holandesa tem bons ciclistas, como os referidos e pode-se acrescentar mais alguns como Lars Boom, que regressou à estrutura depois de dois anos na Astana, e Juan José Lobato. O problema da Lotto-Jumbo é apresentar um conjunto forte que não deixe as suas figuras demasiado isoladas quando o apoio é essencial. Aquela exibição de Kruijswijk na Volta a Itália de 2016 - estragada pela queda que muito provavelmente lhe tirou uma vitória mais do que merecida - poderia e deveria ter servido de mote para fortalecer a formação. No entanto, foi mantida uma táctica de esperança que o holandês pudesse repetir a exibição individual e ter um pouco mais de sorte. Nem no Giro, nem noutra corrida. Não aconteceu. Kruijswijk é para já um ciclista que teve uma oportunidade de ouro que não agarrou e vai caindo na lista de candidatos e mesmo de outsiders. O nono lugar na Vuelta é animador, mas ficou a mais de 11 minutos de Chris Froome.

George Bennett poderá "roubar" o estatuto de líder. Surpreendeu (um pouco) com uma vitória na Volta à Califórnia, apareceu bem no Tour, onde entusiasmou (e muito), mas acabou por abandonar. Já na Vuelta apareceu longe da forma ideal. O 10º lugar na Volta a Espanha do ano passado e as exibições em 2017 começam a dar a indicação que a Lotto-Jumbo tem um ciclista para discutir mais do que o top dez. Mas precisa de ter uma equipa mais forte em seu redor. Os bons resultados da Lotto-Jumbo podem tornar-se em grandes resultados se houver esta aposta, que não passando por contratações, pode passar pela mudança de mentalidade em alguns dos ciclistas de trabalho.

Há que recordar que esta estrutura é a sobrevivente da famosa Rabobank, que ao retirar o o seu nome, criou dificuldades aos responsáveis em aguentar os melhores ciclistas. Surgiu a Belkin, mas foi com como Lotto-Jumbo que regressou a total estabilidade e aos poucos esse trabalho começa a dar os seus frutos. Os jovens ciclistas estão a tornar-se corredores maduros e de qualidade comprovada. A época não foi explosiva, mas foram dados passos importantes para 2018. Mas novamente: é necessário ganhar consistência colectiva.

Primoz Roglic foi dos mais ganhadores. Venceu na Volta a França, em Serre-Chevalier, juntando assim mais uma etapa numa grande volta, depois do contra-relógio no Giro de 2016. Foram seis vitórias esta temporada e claro que se tem de destacar a conquista da Volta ao Algarve. Foi ainda medalha de prata no contra-relógio dos Mundiais de Bergen. Está feito um especialista em corridas de uma semana. Aos 28 anos quer mostrar-se também nas de três. George Bennett tem 27. Uma dupla que pode ser de sucesso.

Para 2018 a Lotto-Jumbo mantém a maior parte dos ciclistas, apostando em reforçar-se com três jovens. Danny van Poppel (24 anos) deixa a Sky para procurar outro protagonismo numa equipa que aposta mais em ciclistas com as suas características. Os americanos Neilson Powless (21, Axeon Hagens Berman) e Sepp Kuss (23, Rally Cycling) são mais duas apostas para o futuro, mas não próximo.

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1 de maio de 2017

Giro. Candidatos: Kruijswijk, Zakarin e Yates

Steven Kruijswijk (29 anos, Holanda, Lotto-Jumbo)

Aquela queda... Parecia que o difícil seria perder o Giro de 2016. Kruijswijk tinha estado simplesmente brilhante até que uma descida em condições meteorológicas pouco simpáticas colocaram um ponto final num sonho que estava tão perto de se tornar realidade. Aquele mortal para a neve... O holandês nunca esquecerá como deixou fugir a Volta a Itália. Mas é também por isso mesmo que aparece em 2017 muito motivado, ciente que é capaz de estar na luta, só que este ano terá um Nairo Quintana que tem tendência a impor-se.

Mas Kruijswijk não tem que ficar intimidado. Não tem nada a perder. É um ciclista de qualidade, sem que seja um prodígio. Mas não é preciso o ser para se ganhar. O seu estilo sóbrio e calculista de competir fazem com que passe despercebido em grande parte das corridas. Foi assim que entrou no Giro de 2016. Analisou os seus adversários e escolheu o momento certo para atacar.

Toda a sua preparação este ano foi feita a pensar no Giro. Apesar de ser um percurso mais duro que em 2016, Kruijswijk deverá adaptar-se sem grande dificuldade e tem a vantagem de se defender melhor no contra-relógio do que alguns dos seus adversários.

Há naturalmente curiosidade para ver se o holandês consegue repetir o nível e não ficar conhecido como um acaso o que fez em 2016. Na Vuelta teve o azar de ir contra um pequeno poste na estrada, que provocou uma queda violenta. A Lotto-Jumbo tem grande esperança de ter um ciclista que possa, no mínimo, chegar ao pódio no Giro100.

Ilnur Zakarin (27 anos, Rússia, Katusha-Alpecin)

Tudo por Zakarin. Depois do flop que foi Alexander Kristoff na época das clássicas (e a vitória desta segunda-feira na Eschborn-Frankfurt não altera esse facto), a Katusha-Alpecin aposta quase tudo o que tem no russo. Pensava-se que depois de nos dois últimos anos Ilnur Zakarin ter somado bons resultados na Volta a Itália, que seria aposta para o Tour. Porém, o ciclista e a equipa vêem no Giro uma oportunidade de vencer, já que na Volta a França já se sabe: bater Froome e a Sky é uma missão demasiado difícil.

Zakarin falhou o pódio há um ano devido a uma queda assustadora durante uma descida. Enquanto Kruijswijk caiu na neve, o russo ainda desceu uma parte de uma ribanceira. É um ciclista de grande qualidade para as corridas de três semanas e com a retirada de Joaquim Rodríguez, a Katusha-Alpecin colocou Zakarin como o número um, sem discussão, da equipa para as grandes voltas.

O director da formação suíça, José Azevedo, acredita que Zakarin está pronto para se debater pela vitória no Giro, mesmo que a concorrência seja mais forte do que nos anos anteriores. A preparação até foi algo discreta, mas este é um ciclista explosivo. Tanto não se o vê, como de repente lá está ele a mexer com tudo e com todos. Foi assim na Volta a Abu Dhabi, que acabou por perder para Rui Costa (UAE Team Emirates).

Zakarin é um candidato de respeito. Um ciclista pronto para se afirmar como um dos melhores neste tipo de corridas.

Adam Yates (24 anos, Grã-Bretanha, Orica-Scott)

É a vez de Yates. Nos últimos anos a Orica-Scott tem preparado os gémeos britânicos para que possam ser ciclistas com condições por lutar pelas corridas de três semanas. Ambos são novos, mas já com experiência. Era suposto estarem os dois no Giro, mas a incerteza quanto ao estado físico de Johan Esteban Chaves fez com que a equipa preferisse jogar pelo seguro e vai levar Simon ao Tour. Adam será assim o líder indiscutível na equipa, tal como aconteceu em 2016, mas na Volta a França.

A irreverência da juventude talvez tenha ajudado a que não se tenha deixado intimidar pelo domínio da Sky, como pareceu ter acontecido com outros ciclistas bem mais experientes. Ganhou a classificação a juventude, ficou no quarto lugar na geral e pode-se queixar de lhe ter sido retirada a hipótese de lutar por uma etapa, quando levou (literalmente) com o insuflável que sinalizava o último quilómetro em cima.

Adam já conta com uma Clássica de San Sebastian, Uma Volta à Turquia, este ano foi quarto na Volta à Catalunha... Yates é um daqueles ciclistas de quem tudo já se espera, apesar de ter apenas 24 anos. Há um ano Chaves vestiu a camisola rosa, mas não conseguiu segurá-la na penúltima etapa. Ficou em segundo. A Orica-Scott procura resultado idêntico, com uma ambição um pouco maior que não é expressa publicamente, mas que também é difícil esconder: ver Yates deixar de ser uma promessa e vencer o Giro. Porque não?!

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31 de dezembro de 2016

Momentos do ano: do insólito ao dramático

A corrida de Froome no Mont Ventoux foi, inevitavelmente, o momento do ano
2016 foi um excelente ano de ciclismo. Para a história e estatísticas ficarão fantásticas vitórias como o primeiro monumento de Peter Sagan (Volta a Flandres), o seu título europeu e o segundo mundial, o terceiro Tour de Chris Froome, a recuperação incrível de Vincenzo Nibali para vencer o Giro e o inesquecível triunfo de Nairo Quintana numa Volta a Espanha do melhor que já se viu nos últimos anos em grandes voltas. Temos ainda o primeiro monumento da Sky (Wout Poels na Liège-Bastogne-Liège), de Johan Esteban Chaves (Il Lombardia) - depois do pódio no Giro e na Vuelta - e de Arnaud Démare (Milano-Sanremo). E, claro, a grande surpresa chamada Mathew Hayman no Paris-Roubaix. Tivemos o regresso de Marcel Kittel às vitórias e um Mark Cavendish ao seu melhor nível na Volta a França, onde conseguiu, finalmente, vestir a camisola amarela.

O ano ficará ainda marcado pelas despedidas de Fabian Cancellara, Joaquim Rodríguez, Bradley Wiggins, Frank Schleck, Ryder Hesjedal e Jean-Christophe Péraud. Em Portugal, Hêrnani Broco também terminou a carreira, tendo Hugo Sabido e Bruno Pires optado por fazer o mesmo depois de não encontrarem equipa para 2017.

Ainda por cá, a surpresa chamada Rui Vinhas marcou 2016. O gregário da W52-FC Porto beneficiou de uma fuga para vestir a amarela na Volta a Portugal e não mais a largou. Um regresso em grande dos dragões ao ciclismo, ao contrário do Sporting, que se juntou ao Tavira, mas teve um 2016 muito complicado e parco em vitórias.

Regressando ao World Tour, Oleg Tinkov fechou a equipa e a IAM também terminou, o que mexeu muito com o mercado de transferências. Peter Sagan assinou pela Bora-Hansgrohe - equipa que sobe do escalão Profissional Continental para o principal -, num contrato de seis milhões de euros anuais, enquanto Alberto Contador assinou pela Trek-Segafredo. Sérgio Paulinho regressa a Portugal, à Efapel, mas vão estar quatro novos portugueses ao World Tour: José Mendes, José Gonçalves e os jovens Ruben Guerreiro e Nuno Bico. De referir ainda que pela primeira vez haverá uma portuguesa ao mais alto nível no ciclismo feminino: Daniela Reis.

Tantos momentos que ficam por referir, mas aqui ficam alguns dos mais insólitos, marcantes e também dos mais tristes de 2016.

Quedas de Fabian Cancellara no Paris-Roubaix

Foi o ano de despedida do ciclista suíço. Cancellara apostou forte na Volta a Flandres e no Paris-Roubaix, as suas clássicas de eleição. A primeira ficou para Sagan, com o suíço a ficar em segundo, num momento de fair play quando Sep Vanmarcke não sprintou em sinal de respeito, ficando em terceiro. Já no Paris-Roubaix, Cancellara teve uma queda que o tirou da discussão. 



Se essa o desiludiu porque não o deixou lutar pela resultado mais desejado, Cancellara admitiu que foi a queda no velódromo que o mais envergonhou. Ao saudar o público, com a bandeira numa mão, o suíço perdeu o controlo da bicicleta e proporcionou um momento caricato.



A queda da desgraça de Steven Kruijswijk

Estava a ser um Giro fenomenal para o holandês da Lotto-Jumbo. Parecia que nada nem ninguém lhe poderia tirar uma vitória brilhante... Até que aquela descida, aquela curva no Colle dell'Agnello... O tombo na neve arruinou um sonho e tirou-lhe um triunfo que lhe era merecido.



Mais uma queda, mas desta vez do insuflável que assinala o último quilómetro

Preparavam-se os ciclistas para terminar mais uma etapa, a sétima, do Tour, alguns até queriam atacar, como foi o caso de Adam Yates, que acabou por levar com o insuflável que assinala o último quilómetro em cima. Foi uma queda insólita que lhe valeu uns pontos no queixo.



Festejos precipitados, terminar etapa a empurrar a bicicleta e o enganou que parou uma fuga. Tudo na Volta a Portugal

A Volta a Portugal também teve os seus momentos insólitos. Na primeira etapa foi Wilson Ramiro Diaz a festejar uma vitória quando ainda faltava mais uma volta ao circuito final em Braga. Houve um ciclista que acabou uma etapa a empurrar a bicicleta. Teve um problema, já faltava pouco, não valia a pena esperar por apoio. Mas o melhor foi mesmo o engano na oitava tirada. O pelotão foi pelo caminho errado e o comissário optou por parar a fuga, esperar que o pelotão chegasse, dar novamente ordem de partida aos ciclistas da frente e depois aos restantes, mantendo a diferença que estava antes do engano. Pelo meio a RTP1 fez algo que provavelmente foi inédito: entrevistar ciclistas durante a etapa!



O ataque de Contador e Quintana na Vuelta

A etapa 15ª da Volta a Espanha entrará para a história do ciclismo. Há muito que não se via um líder entrar numa fuga numa grande volta, mas Nairo Quintana aproveitou a boleia de Alberto Contador para fugir nos primeiros quilómetros de uma tirada curta. Apanhou uma Sky desprevenida e Chris Froome não só perdeu a Vuelta nesse dia, como só não perdeu a sua equipa, porque a organização fechou os olhos ao facto de grande parte do pelotão ter chegado fora do tempo limite. Que fantástico dia de ciclismo!



Os momentos tristes

Foram muitos os incidentes, alguns graves. 2016 ficará novamente marcado pela questão das motos nas corridas. Antoine Demoitié (Wanty-Groupe Goubert) morreu depois de ter sido atingido por uma moto na Gent-Wevelgem. O motard não conseguiu parar quando se deu uma queda no pelotão. Depois temos Stig Broeckx. O belga da Lotto-Soudal começou o ano a ser "empurrado" por uma moto (vídeo em baixo), recuperou das lesões apenas para voltar a ser atropelado na Volta à Bélgica. Esteve várias semanas em coma.




E o momento dos momentos...

Palavras para quê? Como não poderia deixar de ser, o momento do ano tem de ser a corrida de Chris Froome no Mont Ventoux. Com a bicicleta danificada após uma queda provocada quando uma moto não conseguiu "furar" pelo muito público, o britânico não se atrapalhou por ter uns sapatos nada práticos para correr e começou a subir o Mont Ventoux a pé. Memorável!




Que venha 2017! Bom ano!

24 de agosto de 2016

A guerra dos postes

Há certos pormenores no ciclismo que continua a deixar todos pasmados - e muitos furiosos - porque acontecem apesar de todas as regras e suposto apertado controlo. A etapa desta quarta-feira, e de certa forma toda a Volta a Espanha, fica marcada por um incidente que já não deveria acontecer no ciclismo: um poste não sinalizado na estrada provocou uma queda violenta a Steven Kruijswijk, arrastando outros ciclistas. Afinal a lição do incidente do ano passado na Volta ao País Basco não foi aprendida e agora mais uns atletas viram a sua condição física colocada em causa e a corrida estragada por um erro crasso da organização.

No momento nem se percebeu bem como tinha acontecido a queda, mas o próprio Kruijswijk confirmou depois a versão que começou a ser falada: "Choquei com violência contra o poste. Dói-me muito as costelas e a clavícula. Depois do Giro, a Vuelta era o meu segundo objectivo" O holandês da Lotto-Jumbo foi transportado para o hospital e já disse que esta quinta-feira vai para casa, com a suspeita de uma clavícula partida.

Naturalmente que o facto de ter sido um dos candidatos à geral a sofrer com o incidente tem tendência a criar ainda mais ruído. No entanto, fosse quem fosse que embatesse naquele poste - e não esquecer que mais homens ficaram no chão - revelaria sempre uma gravíssima falha que levou à reacção de vários ciclistas, que atacaram a organização e a UCI por continuarem a permitir que este tipo de erros coloquem em causa a integridade física de um atleta. A organização disse que ia investigar, mas entretanto já todos recordaram como apenas há um ano, na Volta ao País Basco, aconteceu algo idêntico, deixando Peter Stetina com uma tíbia partida e outras lesões. Mais ciclistas também ficaram muito mal tratados.
Há quem questione como é possível a situação ter voltado a acontecer, ainda mais em Espanha. O pelotão está novamente revoltado, sentindo que a sua segurança não está a ser acautelada ao pormenor, como deveria ser.

Tiago Machado, a estrela do dia

Antes da queda que acabaria por marcar a quinta etapa, o homem do dia foi mesmo Tiago Machado. O português da Katusha já se tinha mostrado na segunda etapa, mas desta vez partiu mesmo para uma longa fuga. Primeiro na companhia do ciclista da Direct Energie, Julien Morice, mas depois a solo. O francês nunca ajudou e mostrou não ter capacidade para ir no ritmo necessário, acabando por deixar ficar-se para trás.

Machado deu mais luta do que o pelotão estava à espera para um ciclista solitário, mas mais uma vez ficou comprovado que o português está com liberdade para tentar uma vitória nesta Vuelta. Porém, desta vez ficou "apenas" com o prémio de mais combativo e os poucos sprinters presentes voltaram a ter sua oportunidade. A queda desorganizou o pelotão naqueles metros finais, mas Gianni Meersman (Etixx-QuickStep) não se deixou perturbar e voltou a agarrar a oportunidade. Segunda vitória para o belga nesta Vuelta e na carreira numa grande volta. Devido à queda, os tempos foram tirados aos três quilómetros, pelo que John Darwin Atapuma (BMC) continua de camisola vermelha.

Etapa 6: Monforte de Lemos - Luintra/Ribeira Sacra (163,2 quilómetros)
Apenas tem uma subida categorizada, mas neste dia os ciclistas têm uma sequência de sobe e desce que nos últimos quilómetros poderão ainda ser acompanhados por vento. Não é etapa para decidir nada, mas vai requerer muita atenção por parte das equipas dos candidatos.


Resumen - Etapa 5 (Viveiro / Lugo) - La Vuelta... por la_vuelta