Mostrar mensagens com a etiqueta Arnaud Démare. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arnaud Démare. Mostrar todas as mensagens

19 de fevereiro de 2019

Senhores sprinters cheguem-se à frente

Démare vs Gronewegen, um luta que se vai repetir este ano
(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Marcel Kittel, André Greipel, Fernando Gaviria, Dylan Groenewegen, as actuais referências do sprint têm vindo ao Algarve em anos recentes juntar umas vitórias aos seus excelentes currículos. Deste poderoso quarteto ganhador é Groenewegen quem repetirá a presença este ano, depois de ter ganho as duas etapas aos sprint de 2018 da Algarvia. No entanto, como tem sido habitual nesta corrida portuguesa, alguns dos melhores do mundo escolhem o sul do país para competir neste início de temporada e nesta quarta-feira teremos a oportunidade de ver grandes nomes em acção e de bem perto.

A Volta ao Algarve arranca esta quarta-feira em Portimão, com Lagos à espera de conhecer o primeiro camisola amarela. A expectativa é que termine ao sprint e teremos então, além do ciclista da Jumbo-Visma, John Degenkolb (Trek-Segafredo), Arnaud Démare (Groupama-FDJ), Pascal Ackermann (Bora-Hansgrohe), Edvald Boasson Hagen (Dimension Data), Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep) e Christophe Laporte (Cofidis). A estes junta-se uma jovem promessa que está a começar bem a carreira no World Tour, Jasper Philipsen (UAE Team Emirates) e há que não menosprezar o italiano da Caja Rural Matteo Malucelli e o experiente belga da Wanty-Groupe Gobert Timothy Dupont.

Um misto de sprinters consagrados, com vitórias na Volta a França e em monumentos do ciclismo, e de jovens a procurar a afirmação, destacando-se Ackermann, 25 anos, o campeão alemão, acabinho de ganhar a Clássica de Almeria e que no ano passado até venceu mais do que Peter Sagan e alguns dos triunfos foram em provas do World Tour: no Critérium du Dauphiné, Volta à Romandia e Prudential RideLondon-Surrey, por exemplo. Há ainda Jakobsen, o holandês de 22 anos, que no seu primeiro ano na equipa belga somou logo sete vitórias.

Além de Ackermann, também John Degenkolb - que já venceu na Algarvia e precisamente em Lagos, em 2011 - somou uma vitória este fim-de-semana, na última etapa do Tour de la Provence. Será que é desta que o alemão recupera a sua melhor versão? Groenewegen venceu a derradeira tirada da Volta à Comunidade Valenciana, Boasson Hagen ganhou a primeira (um contra-relógio) dessa corrida espanhola e Laporte conquistou duas tiradas na Etoile de Bessèges, ficando também com a geral e classificação por pontos. Démare vai começar a temporada na Volta ao Algarve, tal como Jakobsen.

A primeira etapa da Algarvia é a mais longa, com 199,1 quilómetros. Mas, como tem sido habitual, os sprinters terão ainda outra oportunidade, no sábado. Mais um dia longo, com 198,3 quilómetros, com início em Albufeira e meta em Tavira.



Os portugueses

Não sendo um país de sprinters puros, aqueles ciclistas que têm características para discutir estas etapas não vão desperdiçar a oportunidade para medir forças com os melhores do mundo. Luís Mendonça, agora na Rádio Popular-Boavista, fica ainda mais motivado por ter a possibilidade de se testar frente aos grandes nomes do ciclismo. O experiente Samuel Caldeira e Daniel Mestre (W52-FC Porto), João Matias (Vito-Feirense-BlackJack), Daniel Freitas (Miranda-Mortágua), Pedro Paulinho ou Rafael Silva da Efapel são corredores que vão tentar intrometer-se nesta luta de titãs no sprint. No caso de Rafael faltará perceber como estará fisicamente depois de ter terminado no domingo a exigente Volta à Colômbia.

A Volta ao Algarve realiza-se entre quarta-feira e domingo, mantendo um percurso tradicional de duas etapas para sprinters, duas para trepadores e um contra-relógio individual. Contará com 12 equipas do World Tour, quatro Profissionais Continentais - o novo escalão da W52-FC Porto - e a oito formações portuguesas Continentais.

Terá novamente um pelotão com alguns dos principais nomes internacionais, mas nenhum dos recentes vencedores estará presente - Geraint Thomas, Michal Kwiatkowski, Primoz Roglic, Tony Martin e Richie Porte -, pelo que certo é que haverá um novo campeão da Algarvia. Dos portugueses que representam equipas estrangeiras, estarão na corrida José Gonçalves e Ruben Guerreiro da Katusha-Alpecin, o campeão nacional de estrada e contra-relógio Domingos Gonçalves (Caja Rural) e Amaro Antunes, no regresso do filho pródigo à "sua" corrida, dois anos depois de ter ganho no Malhão, agora como ciclista do World Tour, na polaca CCC.

»»Perfis das etapas da 45ª Volta ao Algarve««

»»Lista de inscritos revela mais um pelotão competitivo na Volta ao Algarve««

4 de dezembro de 2018

De época prometedora, a possível desilusão, mas com um final apoteótico

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Para uma equipa francesa, realizar uma boa Volta a França tem um peso enorme na temporada. Ganhá-la então... um sonho que tarde em acontecer. Arnaud Démare lá conseguiu uma etapa num Tour em que o sprinter não convenceu e, dificilmente terá de novo o estatuto de líder indiscutível da Groupama-FDJ na grande volta gaulesa. Porém, a equipa saiu de 2018 com a certeza que poderá voltar a aspirar a algo maior na "sua" corrida, pois Thibaut Pinot foi o ciclista que há muito se esperava ver. Só falta saber se conseguirá repetir o mesmo nível de performance perante toda a pressão que sofre quando compete em casa.

A época da Groupama-FDJ centrou-se muito no seu voltista. Pelas melhores e piores razões. A equipa resolveu enviá-lo de novo ao Giro e não se centrar apenas no Tour. Em 2017, a corrida italiana correu-lhe bem, ganhou uma etapa e ficou à porta do pódio. Contudo, pagou o esforço no Tour. Como em 2018 havia mais uma semana de descanso, houve nova tentativa em fazer as duas competições.

Pinot conquistou a Volta aos Alpes na preparação para a grande volta italiana e estava muito bem encaminhado para alcançar o pódio, que seria o seu segundo, depois de o ter alcançado no Tour de 2014. Na derradeira etapa de montanha, Pinot foi mais um dos ciclistas que, de repente, parecia ficar parado na estrada. Foi o descalabro e nem partiu para a tirada de consagração, em Roma. Foi-lhe diagnosticada uma pneumonia. A recuperação foi longa e a Volta a França foi riscada dos seus objectivos de temporada.

Enquanto Pinot via o seu prometedor ano tornar-se num potencial pesadelo, a Groupama-FDJ foi assistindo ao evoluir de um ciclista que começa a entusiasmar. David Gaudu tem 22 anos e nas provas por etapas mostrou ser um valioso gregário, mas, quando lhe foi dada liberdade, também apareceu em fugas e a revelar grande qualidade. É ainda um corredor de talento para corridas de um dia, como se viria no final da temporada.

Arnaud Démare foi vencendo durante o ano. Foram nove triunfos. Mas é um caso que os números não dizem tudo. Seis foram na mesma corrida. Ganhou todas as etapas e a geral da Tour Poitou-Charentes en Nouvelle Aquitaine. Mais uma vez voltamos à questão de competir em casa. Isto é, como equipa francesa, a Groupama-FDJ faz questão de estar nas corridas nacionais, independentemente da categoria UCI, e fá-lo para as tentar ganhar. 

Contudo, um sprinter que se quer apresentar como um dos melhores da actualidade, demonstrou dificuldades em estar constantemente ao nível dos grandes rivais. Venceu no Paris-Nice, na Volta à Suíça e no Tour, sendo que foi na corrida helvética que acabou por bater nomes como Fernando Gaviria e Peter Sagan. No Tour, a concorrência já era menor naquela fase tardia da prova (18ª etapa), devido a abandonos e a um Sagan debilitado devido a uma queda. Não lhe tira o mérito, mas exige-se mais a Démare.

Ranking: 14º (5102 pontos)
Vitórias: 33 (incluindo duas etapas na Vuelta e a Lombardia)
Ciclista com mais triunfos: Arnaud Démare (9)

Regressando a Pinot. Foi à Vuelta para salvar a temporada. Estava a ser regular e Rudy Molard até assumiu o protagonismo quando, surpreendentemente, vestiu a camisola vermelha da liderança. A excelente Volta a Espanha da Groupama-FDJ estava apenas a começar e Molard foi recompensado com um imediato anúncio de renovação de contrato. Pinot apareceu a uma semana do fim. Venceu nos míticos Lagos de Covadonga e foi, dias depois, conquistar Andorra. Subiu na classificação até ao sexto lugar. Aquele sim, foi o Thibaut Pinot que há muito se esperava ver, depois de tanta dificuldade para confirmar as expectativas depois de ter aparecido de rompante no ciclismo em 2012.

Foi um Pinot renascido, que sabe defender-se muito melhor nas descidas, defende-se no contra-relógio e é um trepador temível. Mais parecia ser uma época completamente diferente, quando se recordava o que lhe tinha acontecido no Giro. Foi ao Mundial de Innsbruck fazer nono, com Romain Bardet e Julian Alaphilippe a "roubar" algum protagonismo. Depois regressou a Itália para o conjunto de clássicas de final de época. Foi sempre a melhorar até às vitórias consecutivas na Milano-Torino e no seu primeiro monumento: a Lombardia. Mais dois grandes momentos para juntar aos da Vuelta.

Só mais uma palavra para Gaudu, a quem o próprio Pinot se rendeu. Esteve ao lado do seu líder nestas duas últimas vitórias e na Milano-Torino foi ele quem "rebocou" Pinot e, inadvertidamente, ao abrir caminho para o francês, acabou por provocar a queda de Miguel Ángel López (Astana), que se preparava para atacar. Um insólito para fechar o ano. De referir que quando pôde perseguir o seu resultado, foi segundo no Memorial Marco Pantani. E há que não esquecer que se está perante um vencedor do Tour de l'Avenir (2016).

Não sendo o plantel mais forte do pelotão, a Groupama-FDJ tem uma equipa consistente, que se centra muito em Pinot e Démare. No entanto, Anthony Roux, Steve Morabito ou Marc Sarreau também tiveram os seus momentos. E Sarreau (25 anos) poderá estar a ganhar o seu espaço na equipa, mesmo tendo as mesmas características que Démare.

Para 2019, a palavra de ordem é continuidade e regressar ao Tour com Thibaut Pinot, agora que este renascimento do francês é acompanhado pelo renascimento da esperança que poderá discutir a corrida que mais quer ganhar e quebrar o longo enguiço de um gaulês em vestir a camisola amarela nos Campos Elísios.

A Groupama-FDJ aproveitou a indefinição do futuro da estrutura da BMC para garantir três reforços. Os suíços Stefan Küng, Kilian Frankiny e o australiano Miles Scotson. O primeiro é um dos melhores especialistas no contra-relógio, o segundo pode reforçar o bloco de Pinot, enquanto Scotson tanto pode fazer provas por etapas, como dar uma ajuda nas clássicas.

Permanências: Thibaut Pinot, Arnaud Démare, David Gaudu, Rudy Molard, Marc Sarreau, Bruno Armirail, William Bonnet, Mickaël, Antoine Duchesne, Jacopo Guarnieri, Daniel Hoelgaard, Ignatas Konovalovas, Matthieu Ladagnous, Olivier le Gac, Tobias Ludvigsson, Steve Morabito, Valentin Madouas, Georg Preidler, Anthony Roux, Sébastien Reichenbach, Romain Seigle, Benjamin Thomas, Benoit Vaugrenard, Léo Vincent e Ramon Sinkeldam.

26 de julho de 2018

Sagan e Gilbert, ciclistas da mesma estirpe

(Fotografia: © BORA-hansgrohe/Bettiniphoto)
Desistir não faz parte do vocabulário da maioria dos ciclistas. Multiplicam-se as histórias daqueles que ensanguentados, até com fracturas, acabam corridas, quando o comum dos mortais iria direitinho para o hospital. Porém, quando se está na mais icónica das corridas de três semanas, este tipo de postura ganha outra dimensão. O Tour começou logo com um Lawson Craddock a fracturar a omoplata e um corte no sobrolho transformou-se logo numa das imagens da competição. Ainda está em prova. Em dois dias, dois dos melhores ciclistas da actualidade mostraram do que são feitos. Philippe Gilbert e Peter Sagan são da mesma estirpe na forma como lutam, como acreditam, como nunca baixam os braços e como não há queda que os assuste.

Peter Sagan bem diz que a camisola verde só estará ganha quando cortar a meta em Paris, mesmo que matematicamente já esteja garantida. O eslovaco não é muito de quedas, mas numa das descidas da curta etapa dos Pirenéus (65 quilómetros) caiu a alta velocidade. Com o equipamento rasgado, sangue na perna e no braço e muito, muito dorido. Foi assim que terminou um dos dias mais difíceis do Tour. Pairou a possibilidade de abandono, mas Sagan lá estava em Trie-sur-Baïse para partir para a 18ª etapa e completar o que falta desta corrida.

Tentou sprintar pela vitória, mas faltou-lhe aquela explosão, numa preparação muito complicada para se colocar bem. Mas estava lá, a responder ao trabalho e apoio da Bora-Hansgrohe. Já tem três vitórias de etapa e a camisola verde. Aconteça o que acontecer, ganhe ou não em Paris, Sagan é uma das figuras deste Tour e mais uma vez um exemplo de profissionalismo.

E Gilbert então... 60 quilómetros com uma rótula partida?! O belga pode já não estar no seu melhor, mas continua a ser um senhor no pelotão e um elemento de extrema importância na Quick-Step Floors. Um verdadeiro capitão. Ia na liderança da 16ª etapa quando, numa descida, falhou uma curva, não evitou um choque com um muro baixo e foi parar do outro lado. Um enorme susto. Gilbert acabou a fazer sinal para a câmara que estava tudo bem. Estava? Acabou a etapa e ainda foi ao pódio para receber o prémio da combatividade. Os exames médicos confirmaram a fractura e só um joelho no estado que se pode ver na fotografia em baixo parou Gilbert.


Démare sob suspeita

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
Não são perfeitos. Também já tiveram atitudes menos bonitas, mas Sagan e Gilbert são líderes de quem ninguém duvida. Arnaud Démare até poderia entrar neste grupo de lutadores. O francês tem sofrido tanto na montanha, escapado por pouco à exclusão por falhar o tempo limite, como aconteceu em 2017. Tudo para alcançar o que finalmente conseguiu: ganhar uma etapa. Até esta quinta-feira Démare foi falado mais por andar a lutar contra o tempo, do que propriamente por estar a fazer valer a aposta quase total da Groupama-FDJ nele, na ausência de Thibaut Pinot. Ganhou a etapa três dias depois do seu contrato ter sido renovado, mas mais uma vez tem uma grande vitória ensombrada por suspeitas de ter recebido ajuda do carro de equipa nas subidas.

Desta feita foi André Greipel quem as lançou. O alemão abandonou o Tour quando percebeu, nos Alpes, que não ia cumprir o tempo limite. Então foi logo bem claro: "Outros podem escolher agarrar-se ao carro de equipa, mas se eu não consegui chegar por mim próprio, então prefiro ir para casa. Não estou triste. Sou realista e um desportista justo." Já em casa a assistir à corrida, Greipel publicou um twit após a etapa dos 65 quilómetros: "Talvez alguém deva dizer à Groupama-FDJ e ao Arnaud Démare que há GPS para seguir [os ciclistas] no Tour. Tiro o chapéu por ter perdido apenas nove minutos para Quintana numa subida de 17 quilómetros." O sprinter da Lotto Soudal terminou com a hashtag #notforthefirsttime, isto é, "não foi a primeira vez".

Greipel está a referir-se à vitória de Démare no monumento da Milano-Sanremo em 2016. Então o francês foi acusado de ter recebido ajuda do carro de equipa para ultrapassar a Cipressa, depois de ter caído e ficado atrasado relativamente ao grupo da frente. Matteo Tosatto, então na Tinkoff, e Eros Capecchi, da Astana, serviram de testemunhas. Surgiram relatos que também um comissário teria visto Démare, mas o ciclista não recebeu qualquer sanção.

Na altura, como agora, Démare afirmou que há quem esteja na estrada para ver estas situações e este ano junta-se o vídeo-árbitro. Para o sprinter, ganhar esta quinta-feira em Pau foi a resposta perfeita a Greipel que, entretanto, apagou o twit. Num aspecto Démare tem razão, perante as palavras do alemão, a suspeita irá permanecer, mesmo que nada tenha feito de mal. Contudo, a fama e o respeito têm de ser construídos por ele e este tipo de acusações não estão a ajudar a um estatuto que Démare não está a conseguir conquistar. Também não ajudou que tenha ganho hoje com um "chega para lá" a Christophe Laporte (Cofidis). O problema deste tipo de suspeitas é que se torna difícil de não pensar que onde há fumo...

Mas vamos ao que é um facto e não suspeita. Foi a segunda vitória numa etapa no Tour, a primeira foi em 2017. E a Groupama-FDJ bem precisava dela. David Gaudu e Rudy Molard já se mostraram em fugas, mas sem resultados. Démare precisava corresponder à aposta com este triunfo e ainda faltam os Campos Elísios. Se lá chegar...

Pode ver aqui as classificações.

(O texto continua por baixo do vídeo.)




19ª etapa: Lourdes - Laruns, 200,5 quilómetros

Depois de um dia para ganhar fôlego - menos para Nairo Quintana (Movistar) que caiu e irá partir para a derradeira etapa de montanha algo dorido -, chegam os dois momentos decisivos. Antes do contra-relógio de 31 quilómetros, há 200,5 por percorrer, com passagem pelo mítico Tourmalet. 17 quilómetros com pendentes a chegar aos 10% e o topo a 2115 metros de altitude. Mas o Tourmalet está a meio da etapa. É o Col d'Aubisque  (16 quilómetros, com pendente média de 4,9%) que marca o final da montanha no Tour, ainda que a chegada esteja à distância de cerca de 20 quilómetros, depois dos ciclistas ultrapassarem a dificuldade.

Ao todo teremos duas quartas categorias, uma primeira, uma especial, uma segunda e outra especial. Mikel Landa (Movistar) lançou o repto que é preciso atacar cedo. Que assim seja. Que se jogue tudo, para deixar em aberto um contra-relógio complicado. Nem Geraint Thomas, nem a Sky dão o Tour como ganho, apesar do 1:59 sobre Tom Dumoulin (Sunweb). Se se juntar aquele Primoz Roglic (Lotto-Jumbo) de quarta-feira, naqueles intensos 65 quilómetros - o esloveno está à espreita de um surpreendente pódio -, então a Sky não terá sossego, mesmo com Chris Froome como gregário de luxo.



»»Froome "é humano", Thomas o mais forte, Bernal o futuro a pedir para se tornar no presente««

»»Polícia atirou Froome ao chão e adepto quase fez o mesmo a Thomas««

»»Cada etapa que Craddock terminar "custar-lhe-á" 100 dólares««

7 de abril de 2018

Bem-vindos ao Inferno do Norte. Sagan lidera a lista de perseguição à Quick-Step Floors

Sagan é um dos fortes candidatos, mas a concorrência é enorme
(Fotografia: © Bora-Hansgrohe-VeloImages)
Finalmente abrem-se as portas do Inferno do Norte! Uma vez por ano os ciclistas são transformados em guerreiros. Sofrem como não se sofre em mais nenhuma corrida. Arriscam muitas vezes uma época. O Paris-Roubaix é único, é emocionante. E se para quem o faz são 257 quilómetros de um esforço sem comparação, para quem assiste são cerca de seis horas do melhor que há para ver no ciclismo. Manter uma táctica é quase missão impossível, pelo que se há uma prova onde o instinto faz toda a diferença, é no Paris-Roubaix. E claro, quando se fala de sorte, então é raro não ouvir um corredor dizer o quanto precisa dela para ganhar ou até só para terminar O sofrimento é grande, a glória, essa coloca qualquer um dos vencedores num pedestal histórico apenas ao alcance de alguns eleitos.

Aqui construíram-se e constroem-se lendas. Os belgas Roger De Vlaeminck e Tom Boonen são os recordistas de vitórias e são dois exemplos de expoente máximo. Mas também aqui se alcançaram marcos únicos em carreiras que, de outra forma, se perderiam nas extensas estatísticas. Que o diga Mathew Hayman, que em 2016 deixou todos de boca aberta ao tirar o quinto triunfo a Boonen. Para os ciclistas que ano após ano fazem da temporada do pavé um dos objectivos da temporada, ganhar em Roubaix alimenta os sonhos do mais novo ao mais veterano (e voltamos a Hayman, que tinha 37 anos quando venceu).

Todos os cinco monumentos são importantes, mas há algo de épico que distingue a Volta a Flandres e o Paris-Roubaix. É entre estes que tanto se pergunta, qual é o preferido de cada um. As preferências ficam de parte quando se dá a partida. E este domingo é dia de se enfrentar pela 116ª vez aquela que é apelidada como a corrida do Inferno do Norte.

Dos 257 quilómetros, 54,5 serão de pavé. Parece que ainda não é desta que a chuva regressa, como se chegou a prever, e que simplesmente transforma o Paris-Roubaix em algo ainda mais incomparável. Porém, o mau tempo não larga a Europa e apesar do sol dos últimos dias ter ajudado a secar os sectores, muitos deles não estarão completamente marcados pelo pó, havendo ainda alguma lama para dificultar mais a passagem dos ciclistas. Todos os anos surgem imagens nos dias que antecedem a corrida do estado de alguns sectores e 2018 não foi excepção. A lama que cobria por completo alguns, já foi retirada.

Mais uma vez, o Eurosport permitirá seguir todas as pedaladas do Paris-Roubaix, com a transmissão a começar às 10:00. Há um ano foi "prego a fundo" desde o início, sendo impossível formarem-se fugas. Greg van Avermaet não só ganhou o seu primeiro monumento, como ficou com a marca daquele que demorou menos tempo a conclui-lo: 5:41:07 horas.

Tal como aconteceu há uma semana na Volta a Flandres, este é um ano atípico quanto a candidatos. Ninguém se destaca particularmente. Os nomes não variam, a questão é que é o colectivo da Qucik-Step Floors que é novamente o alvo a abater, com Philippe Gilbert a poder eventualmente receber alguma protecção (se tal for possível no caos que esta prova tem tendência a tornar-se). O Paris-Roubaix é um dos dois monumentos que lhe faltam. O outro é a Milano-Sanremo.


O mítico troféu (Fotografia: © Twitter Paris-Roubaix)
Apesar de ser um dos especialistas em clássicas, Roubaix nunca atraiu o belga. Pode parecer incrível, mas só o fez por uma fez, em 2007, tendo terminado na 52ª posição. Porém, surge 11 anos depois mais determinado que nunca a conquistar o Inferno do Norte. Niki Terpstra - que há uma semana ganhou na Flandres e foi primeiro em Roubaix em 2014 - e Yves Lampaert são cartas a jogar, com Zdenek Stybar desejoso de conseguir uma grande vitória que lhe vai escapando ano após anos. Em cinco participações alcançou dois segundos lugares, um quinto, um sexto e o pior foi um 110º em 2016.

E depois, os nomes do costume com o tricampeão do mundo à cabeça Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) - será desta? -, Greg van Avermaet (BMC) - está uma sombra de si mesmo comparando com 2017 -, Sep Vanmarcke (EF Education-First-Drapac p/b Cannondale) - o crónico azarado -, Oliver Naesen (AG2R) - depois de uma grande temporada de clássicas em 2017, o belga não está a confirmar as expectativas - e Arnaud Démare (FDJ), que tenta ser o primeiro francês a vencer em Roubaix desde Frédéric Guesdon, em 1997, que era ciclista da FDJ.

Wout van Aert é aquele que é meio outsider, meio candidato pela fantástica temporada que está a fazer e será a última oportunidade para se mostrar ao mais alto nível, antes de "desaparecer" no calendário, da Europa Central, visto estar na Vérandas Willems-Crelan. Atenção a Edward Theuns (Sunweb). É um daqueles ciclistas que se está sempre à espera que um dia se chegue bem à frente. E porque não em Roubaix...

Jasper Stuyven tem estado em destaque pela Trek-Segafredo pela sua consistência, mas Mads Pedersen roubou as atenções com o segundo lugar na Volta a Flandres. John Degenkolb tem o dorsal um da equipa mais por respeito - e porque venceu em 2015 - do que por crença que faça algo. Está na altura do alemão se mostrar não vá a paciência começar a esgotar-se.

Alexander Kristoff (UAE Team Emirates), Dylan van Baarle (Sky), Edvald Boasson Hagen (Dimension Data), com uma das grandes curiosidades a ser o que poderá fazer Dylan Groenewegen, da Lotto-Jumbo. Na outra Lotto, a Soudal, Tiesj Benoot está a preparar as semana das Ardenas, pelo que Jens Debusschere e Jens Keukeleire deverão ser as apostas. Tony Martin aparece a liderar a Katusha-Alpecin, mas pelo que fez nas últimas duas edições (76º em ambas) e pelo que não tem feito na equipa suíça, é difícil olhar para o alemão como sequer um outsider.

Lançaram-se aqui uns nomes, mas uma das belezas destas corridas é que há tendência a aparecerem surpresas, como foi o caso de Pedersen na Flandres. Não esquecer que haverá dois portugueses: Nelson Oliveira e Nuno Bico, da Movistar. Nas duas últimas edições, Oliveira caiu e sofreu lesões que perturbaram as suas temporadas. No ano passado custou-lhe mesmo uma presença na Volta a França. E como curiosidade, Geraint Thomas (Sky) será o voltista presente, ele que admitiu que sente que é um regresso às suas origens, mas o objectivos são preparar o Tour, que tem no seu percurso alguns dos sectores de Roubaix.

O Percurso

Só aos 93,5 quilómetros surge o primeiro dos 29 sectores de pavé, mantendo-se o de Troisvilles para abrir as hostilidades. De recordar que estão classificados por estrelas, sendo os que têm uma os mais fáceis e os de cinco os mais difíceis. Estes serão três. Começa na Floresta de Arenberg, mas a confirmar-se o tempo seco, não deverá fazer muitas diferenças já que é ao quilómetro 162. Porém, servirá para deixar para trás alguns dos que vêm com poucas ou nenhumas intenções, ou então que não esteja em boas condições físicas.

No Mons-en-Pévèle (208,5 quilómetros) já não há margem para erros, muito menos no Carrefour de l'Arbre, quando estarão a faltar 17 quilómetros para o final. E mais uma razão porque está corrida é tão bela, é que um o sector de uma ou duas estrelas pode ser tão decisivo como um de quatro ou cinco. Há um ano Peter Sagan perdeu a possibilidade de disputar Roubaix, quando no duplo sector de Templeuve furou e viu a concorrência, nomeadamente Avermaet, ir irremediavelmente embora.

Sim, esta é daquelas corridas que não se desperdiçam as horas frente à televisão, para quem não tem a sorte de poder estar no local. Para trás ficam as guerras de palavras - este ano marcadas pela disputa Sagan/Boonen - e as intensas preparações para um dos grandes momentos do ano. Este domingo em Noyon, quando o pelotão estiver preparado para partir, nada do que se passou nas últimas semanas interessa, pois podem ser os 257 quilómetros da vida de um ciclista.

Antes de se terminar com a lista dos 29 sectores de pavé, algumas curiosidades: Albert Champion foi o mais novo a ganhar, tinha 20 anos em 1899; o mais velho foi o também francês Gilbert Duclos-lassalle, aos 38 anos (1993); o primeiro vencedor foi o alemão Josef Fischer (1896); a Bélgica é a nação mais vitoriosa (57), seguida pela França (30) e Itália (11); nos 54,5 quilómetros de pavé existem seis milhões de pedras; aquela que é entregue como troféu pesa uns meros 15 quilos! Mais uma: os últimos quatro vencedores estarão presentes, ou seja, Avermaet, Hayman, Degenkolb e Terpstra. De 2013 para trás, já todos se retiraram.

Sectores de pavé:

29-Troisvilles (km 93,5 - 2,2 km) ***
28-Briastre (km 100 - 3 km) ***
27-Saint-Python (km 109 - 1,5 km) ***
26-Quiévy (km 111.5 - 3,7 km) ****
25-Saint-Vaast (km 119 - 1,5 km) ***
24-Verchain-Maugré (km 130 - 1,2 km) **
23-Quérénaing (km 134.5 - 1,6 km) ***
22-Maing (km 137,5 - 2,5 km) ***
21-Monchaux-sur-Ecaillon (km 140,5 - 1,6 km) ***
20-Haveluy (km 153.5 - 2.5 km) ****
19-Trouée d'Arenberg (km 162 - 2,4 km) *****
18-Hélesmes (km 168 - 1,6 km) ***
17-Wandignies (km 174.5 - 3,7 km) ****
16-Brillon (km 182 - 2,4 km) ***
15-Sars-et-Rosières (km 185.5 - 2,4 km) ****
14-Beuvry-la-forêt (km 189 - 1,4 km) ***
13-Orchies (km 197 - 1,7 km) ***
12-Bersée (km 203 - 2,7 km) ****
11-Mons-en-Pévèle (km 208,5 - 3 km) *****
10-Avelin (km 214.5 - 0,7 km) **
9-Ennevelin (km 218 - 1.4 km) ***
8-Templeuve - L'Epinette (km 223,5 - 0,2 km) * e Templeuve - Moulin-de-Vertain (km 224 - 0,5 km) **
7-Cysoing (km 230,5 - 1,3 km) ***
6-Bourghelles (km 233 - 1,1 km) ***
5-Camphin-en-Pévèle (km 237,5 - 1,8 km) ****
4-Carrefour de l'Arbre (km 240 - 2,1 km) *****
3-Gruson (km 242,5 - 1,1 km) **
2-Hem (km 249 - 1,4 km) ***

2 de janeiro de 2018

A eterna polémica das camisolas dos campeões nacionais

(Fotografia: UAE Team Emirates)
No primeiro dia do ano as redes sociais foram bombardeadas com os ciclistas a mostrarem os novos equipamentos. Para alguns foi mesmo a primeira vez que vestiram as cores da nova equipa. E para começar bem 2018, houve logo uma polémica com Fabio Aru, ou melhor, com a camisola que a UAE Team Emirates atribuiu ao campeão italiano. O discreto desenho da bandeira de Itália, na parte de baixo da camisola, gerou uma onda de críticas. Na Astana, Aru tinha uma camisola tricolor, pelo que a mudança não foi do agrado dos tifosi. Esta é uma discussão que se arrasta ano após ano. Há equipas que dão pouco destaque a um campeão nacional, pois a maior visibilidade vai sempre para o(s) patrocinador(es), que suporta(m) a existência da estrutura.

A Movistar, por exemplo, é das formações que, apesar de nos últimos anos ter a maioria das vezes um ciclista seu campeão, coloca apenas uma pequena bandeira espanhola, que quase não se vê. A UAE Team Emirates seguiu um pouco a mesma lógica, ainda que a bandeira até seja um pouco mais visível. Porém, perante a reacção adversa, tanto Aru como o director da equipa, Giuseppe Saronni, já vieram a público garantir que a versão apresentada no dia 1 não será aquela que Aru irá vestir quando começar a competir.

"É apenas uma versão provisória. Os tifosi podem acalmar-se, as cores da bandeira italiana estarão mais visíveis. A 'verdadeira' camisola será apresentada mais adiante, num evento oficial. É elegante e bonita. Garanto", afirmou Aru à Gazzetta dello Sport. Saronni acrescentou que os "princípios básicos irão manter-se", mas a bandeira irá ser mais visível e em "toda a extensão do corpo". O director disse ainda que tanto as mangas como as meias terão também uma alusão à bandeira de Itália.

Perante as regras que se ajustam à realidade do ciclismo precisar de dar destaque a quem investe nas equipas, só algumas equipas beneficiam as cores de um campeão nacional. "Este é o mundo do ciclismo actualmente. Eu entendo os tifosi, mas há muitas exigências que têm de ser cumpridas. Não estou a dizer que as pessoas devem apenas aceitar, mas espero que compreendam", desabafou Saronni.

(Fotografia: Twitter FDJ)
E enquanto se espera pela versão "verdadeira" da camisola de campeão nacional de Fabio Aru na UAE Team Emirates, a FDJ apresentou a do holandês Ramon Sinkeldam. Na Holanda, os adeptos terão ficado bem mais satisfeitos, já que quando o ciclista ganhou os Nacionais em Junho, a Sunweb apenas colocou uma bandeira discreta no equipamento, o que originou uma polémica idêntica ao caso que envolve Aru.

A equipa francesa é a que mais destaque dá, pois a publicidade pode ser vista apenas na gola. Ou seja, é o patrocinador que tem um lugar discreto. Na FDJ considera-se que a bandeira deve ser respeitada. Claro que há a curiosidade das cores entre a França e Holanda. Se as bandeiras são diferentes porque uma tem as riscas verticais e a outra horizontais, ambas têm o azul, branco e vermelho e nos equipamentos a disposição é sempre horizontal. A francesa começa com o azul, a holandesa com o vermelho. A FDJ encara com boa disposição o facto dos equipamentos serem parecidos, como se vê na fotografia publicada no Twitter. Pelo que se pode ver na imagem, os calções poderão ser uma ajuda para esclarecer alguma dúvida momentânea sobre a ordem das cores das bandeiras! Tendo em conta que Arnaud Démare e Sinkeldam vão estar na Volta ao Algarve, é melhor ter atenção às diferenças!

Na Bélgica também se valoriza e muito um campeão nacional. Oliver Naesen veste as cores da bandeira, restando à AG2R colocar o nome. O campeão português segue o exemplo mais adoptado de uma camisola branca com as cores da bandeira e a esfera armilar e o escudo. Sobra espaço suficiente para o patrocinador ficar bem visível. De recordar que Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) é quem enverga a camisola de campeão nacional.

»»Tony Martin e Arnaud Démare inscritos na Volta ao Algarve««

»»Fabio Aru na UAE Team Emirates. Que papel terá Rui Costa em 2018?««

28 de dezembro de 2017

Tony Martin e Arnaud Démare inscritos na Volta ao Algarve

Martin já não vestirá a camisola do arco-íris na próxima Volta ao Algarve,
mas procurará a terceira vitória na corrida
O arranque da época aproxima-se e os calendários dos ciclistas vão sendo definidos. Com a Volta ao Algarve preparada para arrancar em Albufeira a 14 de Fevereiro, os primeiros nomes começam a ser inscritos para a 44ª edição. Tony Martin é já uma figura habitual na Algarvia e Arnaud Démare também estará de regresso. Entre os portugueses que estão em equipas estrangeiras, quatro já estão nas listas enviadas à organização: José Gonçalves, Tiago Machado, Rafael Reis e Joaquim Silva.

Tony Martin pode não estar a atravessar o melhor momento da sua carreira, mas procura em 2018 compensar um ano de estreia na Katusha-Alpecin que ficou muito aquém do esperado. O quatro vezes campeão do mundo de contra-relógio quer estar bem neste início de temporada, pois está de olho nas clássicas da primavera. O alemão de 32 anos tem boas memórias da Volta ao Algarve, tendo vencido a corrida em 2011 e 2013. Martin tem condições para aspirar a outro triunfo, tendo em conta que o contra-relógio até tem potencial para o beneficiar. No entanto, a equipa levará outro forte candidato: Simon Spilak

José Azevedo tem como objectivo de temporada para o esloveno precisamente as corridas de uma semana, aproveitando assim as características deste ciclista que este ano ganhou a Volta a Suíça pela segunda vez na carreira. Jhonatan Restrepo é mais uma das promessas colombianas no pelotão internacional. O jovem de 23 anos quer fazer de 2018 a época da sua afirmação. As clássicas são o seu forte, mas aos poucos vai também mostrando que corridas como a Algarvia podem assentar-lhe bem, numa altura em que vai melhorando nas subidas. Robert Kiserlovski e Maurits Lammertink tanto podem ser uma boa ajuda, como podem tentar surpreender numa fuga. Os portugueses José Gonçalves e Tiago Machado completam a Katusha-Alpecin, ficando-se à espera de ver se terão liberdade, ainda mais estando a competir no seu país. Marcel Kittel, a grande contratação para 2018 e que já venceu na Algarvia, não está entre os nomes inscritos.

A FDJ traz um conjunto muito a pensar em Arnaud Démare. O sprinter campeão nacional francês é mais um ciclista que irá estar a preparar a fase das clássicas. Ignatas Konovalovas (campeão de estrada e de contra-relógio da Lituânia), David Cimolai, Jacopo Guarnieri e o reforço Antoine Duchesne (canadiano da Direct Energie) deverão estar mais no apoio a Démare, com o jovem Olivier le Gac (24 anos) a ter uma oportunidade para mostrar as suas qualidades, ainda que para a geral a aposta deverá ser o holandês - e mais um campeão nacional - Ramon Sinkeldam. O ciclista deixou a Sunweb para ter um papel de mais destaque e na Algarvia terá a possibilidade de começar a afirmar-se desde o início da temporada na FDJ.

Quanto à Caja Rural, os destaques vão inevitavelmente para os dois portugueses. Rafael Reis prepara-se para cumprir o segundo ano na estrutura espanhola do escalão Profissional Continental e irá ter ao seu lado em 2018 Joaquim Silva que, tal como Rafael, representou a W52-FC Porto. Ambos poderão ter um papel de destaque numa equipa que irá trazer ao Algarve ciclistas muito jovens. Rafael e Joaquim são mesmo os mais velhos (25 anos). Josu Zabala, Gonzalo Serrano, Mauricio Moreira, Miguel Ángel Benito e Julen Amezqueta são os eleitos.

De recordar que estas são listas de pré-inscritos e que podem sofrer alterações. A Dimension Data ainda não confirmou os seus ciclistas, mas Louis Meintjes foi o primeiro a anunciar que pretendia estar na Volta ao Algarve, de forma a preparar a estreia na Giro. Geraint Thomas (Sky) - vencedor em 2015 e 2016 - e Peter Kennaugh (Bora-Hansgrohe) também estarão presentes.

A Volta ao Algarve decorre entre 14 e 18 de Fevereiro e contará com um recorde de equipas do World Tour: 13. Veja aqui o percurso.


6 de dezembro de 2017

FDJ terá novo nome e mais dinheiro em 2018

Arnaud Démare irá continuar a ser uma das figuras da equipa francesa
É um dos patrocinadores mais antigos, com 20 anos de apoio ao ciclismo. A FDJ ou Française des Jeux, como durante muitos anos se chamou, pouco tem mudado o nome, mas em 2018 vai deixar de ser o patrocinador principal da equipa francesa. Em 2012 a BigMat juntou-se à equipa, mas como patrocínio secundário. Com a FDJ a querer apostar nos Jogos Olímpicos de 2024, que irão realizar-se em Paris, e em investir em mais desportos, o orçamento na equipa profissional de ciclismo iria começar a diminuir. Porém, com a chegada da Groupama, o director Marc Madiot terá 20 milhões de euros para gerir, em vez dos 16 previstos, e será ainda constituída uma equipa de formação. Haverá uma nova denominação a partir de Março, quando arrancar o Paris-Nice (dia 4): há que ganhar o hábito em dizer Groupama-FDJ.

"Há 20 anos começámos como uma pequena loja a tentar tornar-se numa grande empresa. O acordo entre a FDJ e a Groupana irá permitir-nos ir mais longe. É um grande impulso para a equipa", salientou Marc Madiot. O responsável considera que esta parceria será o início de "algo diferente", considerando que é necessário adaptar-se às mudanças que vão surgindo ao longo do tempo.

A Groupama é uma seguradora, tal como a AG2R La Mondiale, empresa que patrocina a outra equipa francesa do World Tour. A rivalidade irá continuar, agora entre seguradoras que querem ver o seu nome ligado ao ciclista gaulês que poderá quebrar a longa espera do país por ver um corredor seu ganhar o Tour. Desde Bernard Hinault, em 1985, que nenhum consegue e neste momento é uma batalha entre Thibaut Pinot e Romain Bardet.

Quanto ao equipamento, apesar do logótipo da Groupama ser verde, o L'Equipe escreve que as cores vão manter-se fiéis às que sempre marcaram a equipa: as da bandeira francesa, azul, branco e vermelho. O equipamento do campeão nacional, que neste momento é envergado por Arnaud Démare, irá continuar sem qualquer publicidade.

»»Um pouco (mas pouco) de Pinot e Démare a confirmar-se nas clássicas. FDJ precisa de mais e melhor««

»»Axeon Hagens Berman vai subir de escalão««

26 de novembro de 2017

Um pouco (mas pouco) de Pinot e Démare a confirmar-se nas clássicas. FDJ precisa de mais e melhor

Pinot venceu uma etapa no Giro, quase fez pódio, mas passou ao lado do Tour
(Fotografia: Giro d'Italia)
A FDJ tomou uma decisão sempre arriscada quando se fala de uma equipa francesa. Para tentar libertar Thibaut Pinot da persistente pressão de alcançar um bom resultado no Tour - e leia-se que esse é no mínimo estar na luta pelo pódio - Marc Madiot, director desportivo, e o ciclista optaram por uma mudança de calendário. A aposta principal foi a Volta a Itália. Grande parte da temporada da FDJ é feita em redor de Pinot, a outra centrada em Arnaud Démare. E o sprinter esteve em destaque. Já Pinot teve o seu momento, mas só isso.

A aposta em fazer a estreia no Giro foi intrigante, mas completamente acertada. Pinot apareceu liberto das atenções mediáticas e do assédio de ser um ciclista francês que muitos esperam poder vir a vencer o Tour. Há que recordar que um gaulês não o faz desde Bernard Hinault em 1985. Antes de chegar à Volta a Itália conquistou uma etapa na Ruta del Sol e na Volta aos Alpes. Esteve bem nas montanhas, ganhou em Asiago, na penúltima etapa, mas apesar das melhorias no contra-relógio - no Giro até era o campeão nacional em título - deixou fugir o terceiro lugar para Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) no esforço final. Uma desilusão para quem tinha recuperado a sua melhor versão de voltista, algo que basicamente não acontecia desde que subiu ao pódio nos Campos Elísios em 2014 (terceiro).

Desde esse resultado que Pinot tenta confirmar as expectativas. Melhorou exponencialmente a descer, mas nunca será um exímio descedor, defende-se bem melhor no contra-relógio, mas como se viu no Giro, continua a perseguir (ao longe) o nível de Chris Froome e agora de Tom Dumoulin.

Ranking: 17º (3616 pontos)
Vitórias: 27 (incluindo uma etapa no Giro e no Tour)
Ciclista com mais triunfos: Arnaud Démare (10)

Pinot foi depois ao Tour, mas sem a responsabilidade de outros anos. Em 2016 chegou à corrida com uma elevada esperança, mas, talvez por isso, a desilusão acabou por ser ainda maior. Rapidamente perdeu tempo, apontou à camisola da montanha, mas acabou por abandonar. Nesta edição, uma vitória de etapa seria bom, mas de Pinot pouco se viu. Abandonou, outra vez. Em nove grandes voltas (seis Tours), Pinot não terminou quatro, contudo, a pior classificação final foi um 16º lugar na Volta a França de 2015. Os outros lugares são sempre de top dez.

Pinot tem apenas 27 anos. Falta-lhe consistência quando tem de enfrentar a pressão do Tour. Técnica e fisicamente é um ciclista de qualidade, falta o trabalho mental e enquanto não houver esse equilíbrio a FDJ ressente-se. Pinot terminou a época com um conjunto de top dez nas clássicas de final de ano em Itália, mas é preciso mais e principalmente melhor. Em termos de popularidade e de resultados, Pinot vai perdendo para Romain Bardet (AG2R) e agora para Warren Barguil (Sunweb).

Em 27 vitórias da FDJ, 18 foram por França, o que para o patrocinador é bom, mas as grandes vitórias escasseiam. Valeu Arnaud Démare. Finalmente venceu na Volta a França, ainda que teve o azar de ser numa etapa em que se falou mais do incidente entre Peter Sagan e Mark Cavendish, do que propriamente da vitória de Démare. Mas ganhou e foi um alívio para o próprio ciclista que está a mostrar que pode mesmo ombrear com os melhores sprinters. Vestiu a camisola verde, quis lutar por ela, mas na nona etapa chegou fora do tempo limite e foi excluído do Tour. Triunfou também numa tirada no Critérium du Dauphiné.

Ainda mais importante, principalmente para a FDJ, é que Démare está a tornar-se um bom homem de clássicas. A conquista da Milano-Sanremo em 2016 não foi um acidente. Fez sexto este ano no mesmo monumento, repetiu o lugar no Paris-Roubaix e antes já o tinha feito na Kuurne-Bruxelles-Kuurne. Conquistou vitórias em corridas de categoria mais baixa e ao todo foram 10 em 2017, o que o coloca entre os mais ganhadores do ano. Custou, mas aos 26 anos Démare parece estar no ponto para outras ambições. Contudo, também ele irá começar a sentir cada vez mais a pressão de ter de ganhar o Paris-Roubaix, por exemplo.  Frédéric Guesdon foi o último francês a fazê-lo, em 1997. De realçar que Démare foi ainda campeão nacional de estrada.

A ver vamos se confirma as expectativas sobre Démare até porque em 2018 a táctica da FDJ não irá mudar muito. Pinot e Démare vão continuar a ser os responsáveis por alcançar as grandes vitórias. Porém, a FDJ contratou um dos mais recentes talentos a aparecer no ciclismo francês. Benjamin Thomas (22 anos) dá o salto da Armée de Terre para o World Tour. Mais um corredor com especial aptidão para as corridas por etapas, ainda que haverá algum espaço para trabalhar as qualidades de Thomas para certas provas de um dia.

A FDJ tem mais dois jovens a seguir: David Gaudu (21) também é um ciclista para corridas por etapas, enquanto Marc Sarreau (24) poderá ser um homem a ter em conta para as clássicas. Nas últimas competições do ano, Sarreau fez segundo no Paris-Bourges, nono no Grande Prémio d'Isbergues-Pas de Calais e o 18º lugar no Paris-Tours, tendo em conta que é uma corrida de classificação 1.HC, deixou excelente indicações para a próxima temporada. Seja no apoio a Démare, seja numa prova em que tenha mais liberdade, a FDJ pode ter aqui um ciclista que ajude à melhoria dos resultados.

11 de julho de 2017

A equipa de luxo que já não está na Volta a França

(Fotografia: ASO/Pauline Ballet)
Perante uma etapa em que nada aconteceu - sem desprimor para mais um triunfo avassalador de Marcel Kittel - e perante a perspectiva de mais um dia exactamente igual na quarta-feira, resta esperar que chegue a 12ª tirada, quando se irá voltar à montanha. Até lá podemos olhar para a lista de desistências e ver que poderíamos formar uma equipa de sonho. A Volta a França não está a ser marcadas por aquelas quedas colectivas impressionantes, mas as quedas solitárias estão a afastar ciclistas importantes de uma corrida que apesar das etapas planas bem aborrecidas, tem na luta pela geral um interesse que não tem sido comum em anos recentes. Os que já abandonaram dariam para formar uma super equipa. Alguns teriam de aceitar funções diferentes, mas vamos entrar no campo das suposições. Portanto, suponhamos que todos aceitariam o que aqui se escreveu.

Antes de mais, apenas um nota prévia: com dez etapas concluídas o Tour já viu sair 17 ciclistas, por abandono, exclusão ou chegada fora do tempo limite. Comparando com o Giro, na mesma etapa o número era oito, sendo que dois (Stefano Pirazzi e Nicola Ruffoni) nem sequer começaram a corrida devido a uma suspensão por doping, conhecida no dia antes do início da competição.

Apresentada esta curiosidade, vamos então ao nove que daria uma fantástica formação que muitos directores desportivos não se importariam de ter. De forma a criar uma equipa coesa, serão então atribuídas funções a alguns que não correspondem às que tinham de facto neste Tour, ou seja, será aqui construída uma possível táctica.

O líder para geral seria Richie Porte (32 anos). O ciclista da BMC estava numa forma invejável, provavelmente a melhor da sua carreira. Era um sério candidato a fazer frente a Chris Froome. Surgiu em França com uma equipa construída para si, algo que não tinha acontecido em 2016, quando Tejay van Garderen foi co-líder. Porte estava a corresponder às expectativas até àquela etapa nove. Teve uma queda aparatosa numa descida e partiu a clavícula e a pélvis.

Como gregários de luxo, Richie Porte teria ao seu lado na alta montanha Geraint Thomas e Rafal Majka. O britânico da Sky (31 anos) é um dos infelizes do ano. Caiu no Giro e no Tour e acabou por abandonar as duas corridas. Com Porte em tão boa forma, Thomas teria de ser o seu braço direito (de recordar que ambos já foram companheiros na Sky). Não se conseguiu perceber bem como estava Thomas fisicamente, mas seria provavelmente um homem importante. Quanto a Majka, o homem da Bora-Hansgrohe (27 anos) foi mais uma vítima da nona etapa. Acabou no domingo, mas hoje não partiu, devido aos ferimentos que até lhe dificultavam a respiração. Nesta equipa imaginária, seria um apoio decisivo para Porte, mas não é de afastar a hipótese de lhe dar uma oportunidade de integrar uma fuga e deixá-lo lutar por uma etapa, até porque há mais homens ajudar Porte.

Ion Izagirre seria mais um ciclista para a montanha. O espanhol (28), líder da Bahrain-Merida para este Tour, seria um corredor de trabalho. Talvez o primeiro a ser chamado quando o terreno inclinasse. Como caiu logo no contra-relógio é impossível dizer que estava numa grande forma. Caso estivesse melhor do que Thomas, então poderia ser ele a assumir a função de braço-direito de Porte, com o britânico a entrar mais cedo ao trabalho nas etapas de montanhas.

E claro, Alejandro Valverde. Colocá-lo apenas como gregário quase que parece desperdiçar um dos ciclistas que está em melhor forma em 2017. Um crime, mesmo! Com 14 primeiros lugares este ano, o espanhol da Movistar seria um plano B. Mesmo não sendo um voltista por excelência, com uma forma destas seria inteligente mantê-lo como candidato, ainda que também tivesse um papel de ajuda ao líder, Richie Porte. E que importância poderia ter quando chegassem as perigosas descidas dos Alpes e Pirenéus... Valverde também poderia ser aposta para ganhar determinadas etapas.

Quanto aos sprints, quando se fala em gestão de egos... Isto seria uma missão quase impossível, mas vamos tentar imaginar alguma harmonia entre estes homens. Apesar da mononucleose que afectou a sua preparação, como está tão perto do recorde de Eddy Merckx (quatro para igualar), Mark Cavendish teria a primazia, mas com um Arnaud Démare a ser a segunda hipótese, caso o britânico desse mostras que não estava em condições. O francês da FDJ (25) ganhou uma etapa, é certo, mas o currículo de Cavendish (32 anos) tem o seu peso: é uma vitória no Tour contra 30! Démare como lançador de Cavendish? Que luxo! Seria necessário mais um lançador. Após alguma indecisão entre Matteo Trentin (27 anos, Quick-Step Floors) e Mark Renshaw (34, Dimension Data), a escolha recaiu no australiano. É que em nome da tal difícil harmonia, seria um risco não ter o homem de confiança de quase toda uma carreira de Cavendish.

Para terminar, Peter Sagan. Como não é de todo boa ideia ter dois sprinters na mesma equipa a lutar pela vitória e como o eslovaco não é o chamado sprinter puro, então poder-se-ia colocar o bi-campeão do mundo a disputar etapas cujas chegadas são marcadas por rampas, ou então precedidas quilómetros antes por subidas onde Sagan consegue fazer diferenças. Ou seja, não iria aos sprints e tentar-se-ia tirar partido da explosão que este ciclista tem e da capacidade em resistir nas fugas, em solitário ou em pequenos grupos. De todos estes exemplos, dizer a Sagan que não poderia lutar nos sprints seria impensável no mundo real e mesmo no campo das suposições, a vontade é colocá-lo como o líder para as etapas, ao lado de Richie Porte que lutaria pela geral.

Caso se quisesse ter um ciclista para o contra-relógio, a escolha poderia ser para Jos van Emden (Lotto-Jumbo), mas tendo em conta a exibição de Geraint Thomas na primeira etapa do Tour, a equipa estaria bem servida, mesmo sem o vencedor do esforço individual final da Volta a Itália.

Isto tudo é no campo da imaginação. Mas se todos estivessem em forma (e se se entendessem) seria uma equipa de sonho... e certamente só nos sonhos é que existiria!

Em suma, a equipa de luxo que já não está no Tour é constituída por: Richie Porte, Geraint Thomas, Rafal Majka, Ion Izagirre, Alejandro Valverde, Mark Cavendish, Arnaud Démare, Mark Renshaw e Peter Sagan.

Em baixo fica o perfil para a etapa desta quarta-feira. Marcel Kittel vai tentar a quinta vitória e começar assim a ficar cada vez mais próximo de segurar a camisola verde que nunca pensou ser possível ganhar com Peter Sagan em prova. Sem o eslovaco, o alemão tem outra motivação, ainda que diga que o objectivo é ganhar etapas. Mas uma coisa pode muito bem resultar na outra.



Veja aqui o resultado da 10ª etapa e as classificações do Tour.

A tirada desta terça-feira não teve pontos de interesse até àquele final demolidor de Marcel Kittel. O sprinter da Quick-Step Floors recuperou a sua melhor versão e só isso faz valer a pena esperar mais de 200 quilómetros para ver uns metros de emoção.

De destacar ainda que Nacer Bouhanni foi penalizado em um minuto depois de imagens terem captado o sprinter da Cofidis a empurrar um ciclista da Quick-Step Floors. O incidente não resultou em queda, ainda que a atitude tenha sido perigosa. Ainda assim, valeu uma sanção bem mais simpática do que a aplicada a Peter Sagan.


Résumé - Étape 10 - Tour de France 2017 por tourdefrance


»»Majka é mais uma vítima de uma etapa que teve tanto de espectacular como de dramática««

»»Descidas fizeram diferenças demasiado duras e tristes««