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10 de janeiro de 2021

Feirense tenta renascer com o regresso de um patrocinador e uma surpresa na liderança

© Facebook Feirense-Ciclismo Profissional
Quando no final de 2019 o Feirense perdeu dois dos principais patrocinadores, o clube foi à luta para a estrada apenas com o seu nome e com Rafael Reis a ser a principal aposta, numa equipa marcada por ciclistas muito jovens. 2020 teve pouca história desportiva, já se sabe, mas o líder andou perto de cumprir o objectivo de vencer na sua especialidade, o contra-relógio. Para 2021, o Feirense tenta renascer. Quer muito mais e com o reforço financeiro importante no regresso da Antarte de Mário Rocha à modalidade, Joaquim Andrade vai contar com um ciclista com um palmarés rico em Portugal: Vicente García de Mateos.

Conhecida a saída da Aviludo-Louletano ao fim de sete anos, em Espanha chegou a ser dado como possível De Mateos voltar ao seu país. Mas não. O espanhol vai continuar no pelotão nacional e na agora Antarte-Feirense o objectivo será novamente conquistar vitórias e, claro, de olhos postos na Volta a Portugal. É certo que nos dois últimos anos De Mateos, de 32 anos, "apagou-se" um pouco, mas soma dois pódios na Volta e seis vitórias de etapas,  duas camisolas verdes (pontos), além de outros bons resultados, como a conquista da Clássica Aldeias do Xisto, em 2017.

É uma contratação surpresa, mas que faz a equipa regressar mais à sua génese. Ou seja, lutar por gerais e não só, como aconteceu quando Edgar Pinto era o líder. Mas se a chegada de Vicente García de Mateos é muito importante para esta formação, a possibilidade de contar com mais dois ciclistas de muita experiência também deixará certamente o director desportivo satisfeito. Bruno Silva (32 anos) e Rafael Silva (30) reencontram-se, depois de muitos anos juntos na Efapel. O primeiro esteve em 2020 na LA Alumínios-LA Sport.

A restante equipa prima pela juventude, algo habitual desde que este projecto arrancou em 2018. João Barbosa (23) regressa a casa, enquanto Venceslau Fernandes (24) terminou uma relação de quatro anos com a estrutura Kelly-Simoldes-UDO, durante a qual venceu uma Volta a Portugal do Futuro, em 2018. Inicia assim uma nova fase na sua carreira, na procura pela afirmação na elite.

Cinco reforços, cinco permanências

Bernardo Saavedra (22), Afonso Eulálio (19 anos) e António Ferreira (20) são três jovens que vão ter a oportunidade de continuar a evoluir na equipa, com Fábio Oliveira e Gonçalo Amado (ambos com 26 anos) a também renovarem o contrato e a terem mais uma possibilidade para se mostrarem, já que em 2020 não foi possível dado o escasso calendário.

A chegada da Antarte permite a Joaquim Andrade ter mais ambição para 2021, apostando então num Vicente García de Mateos talvez a precisar de dar um novo rumo à carreira, depois de duas temporadas mais discretas na formação algarvia. A de 2020, acaba por se resumir a uma Volta a Portugal muito distante do que já demonstrou ser capaz de fazer, depois de ter evoluído de um ciclista mais de sprints, para um trepador com capacidade de lutar por pódios na Volta a Portugal.

Rafael Silva poderá ser outra aposta para alcançar alguma vitória, sendo um ciclista que tem capacidade para discutir finais ao sprint. É ainda conhecido por ser um incansável homem de trabalho. Ou seja, é possível que tenha um papel parecido ao que João Matias teve na equipa, antes de sair em 2020 para a Aviludo-Louletano. Entre os jovens, alguma atenção para perceber como irá evoluir Bernardo Saavedra, ciclista que deixou indicações interessantes como sub-23. João Barbosa é outro corredor a seguir.

Regresso da Antarte e de Mário Rocha

Depois de ter abandonado a modalidade em 2016 por temer que o ciclismo português estivesse a caminhar para novos escândalos de doping, Mário Rocha está de regresso, desta feita ao lado do Feirense e apenas como patrocinador. Anteriormente também foi director desportivo, tendo estado no ciclismo cerca de 15 anos, antes de decidir sair. Crítico quanto à forma como a modalidade estava a ser conduzida, disse que voltaria quando se verificassem mudanças profundas.

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19 de dezembro de 2019

Sobreviver em 2019, crescer em 2020

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Com a perda dos dois principais patrocinadores, um dos quais já numa fase tardia de 2018, a então Liberty Seguros-Carglass entrou em modo de sobrevivência para continuar com o projecto na estrada. Chegaram a UD Oliveirense e a InOutBuild que ajudaram a assegurar a continuidade da equipa, ainda que a aposta se tenha centrado quase por completo em ter ciclistas muito jovens, sem contratar inicialmente um de maior experiência. Mesmo com muitas limitações financeiras, Manuel Correia e Luís Pinheiro garantiram um grupo de ciclistas lutador, com talento e ambição.

Apesar de prosseguir como Continental, a equipa tem mantido a sua forte ligação às origens de uma das estruturas mais importantes de formação em Portugal. Contudo, para 2020, os responsáveis vão conseguir o que desejavam: aliar essa juventude a ciclistas mais experientes, que possam permitir à equipa ser ainda mais competitiva.

Desses jovens destacaram-se esta época Fábio Costa e Rafael Lourenço. Dois ciclistas rápidos, combativos e que deram as duas vitórias da equipa em 2019. Fábio conquistou a Taça de Portugal de sub-23 e Rafael foi o mais forte na segunda etapa da Volta a Portugal do Futuro. A equipa somou ainda várias classificações da juventude, Fábio Costa foi medalha de prata nos Nacionais de Melgaço, enquanto Guilherme Mota ficou com o bronze no contra-relógio, ambos no escalão de sub-23.

A UD Oliveirense-InOutBuild não conseguiu repetir a vitória na geral da Volta a Portugal do Futuro, mas terminou 2019 com a sensação de dever cumprido e com a pequena frustração de uma queda de Rafael Lourenço, que o tirou da discussão de uma etapa na Volta a Portugal. Que momento teria sido! Por esta altura, a equipa já se tinha reforçado com Josu Zabala (chegou em Março oriundo da Caja Rural) e com o colombiano Juan Filipe Osório (ex-Manzana Postobón), que assinou em Junho. Ciclistas que deram mais opções e um pouco mais de experiência. Guilherme Mota foi uma contratação de Maio, quando decidiu regressar a Portugal para melhor conciliar a vida académica com a de ciclista. Estava na Caja Rural de sub-23.

Este último vai continuar em 2020, assim como Pedro Lopes e Pedro Miguel Lopes (outros dois corredores muito importantes, regulares e com uma evolução interessante, com o primeiro a começar aos poucos a mostrar-se em terrenos mais difíceis), José Sousa, o benjamim da Volta ao Algarve Hélder Gonçalves (aos 18 anos foi chamado e não se intimidou por estar ao lado de alguns dos melhores do mundo) e também Venceslau Fernandes, que vai tentando agora afirmar-se entre a elite.

Há que não esquecer João Carneiro. Fez um bom primeiro ano como sub-23 em 2018, mas um problema de saúde afastou-o da competição praticamente toda a temporada. Com o futuro ainda incerto, a equipa espera poder contar com o corredor em 2020 e este quer regressar mais forte.

Os responsáveis da estrutura procuravam mais um patrocinador que permitisse contratar ciclistas com mais experiência e com outros argumentos. A Kelly Services, empresa de Gestão de Recursos Humanos, reforçou o orçamento e em 2020 o nome desta formação passará a ser Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense (imagem da nova camisola do lado direito). E terá no seu plantel um dos melhores trepadores do pelotão nacional, Henrique Casimiro (Efapel) e Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista), vencedor de uma etapa na Volta a Portugal na Serra do Larouco e um filho da casa, pois esteve na equipa em 2015 e 2016.

Com estes dois ciclistas, de 33 e 25 anos respectivamente, a Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense ganha perspectivas diferentes. Ou pelo menos amplia-as, logo a começar com a Volta a Portugal, mas não só. Principalmente Casimiro procurará ter uma maior liberdade que escasseava e iria escassear ainda mais se tivesse permanecido na Efapel. O vencedor da última edição do Troféu Joaquim Agostinho será um líder indiscutível, com Luís Gomes a poder tanto ajudar o seu novo companheiro, como a ser mais um carta a jogar quando a opção for estar ao ataque.

Ambos serão uma influência essencial nos jovens que vão continuar a ser uma forte aposta. Porém, haverá um ciclista que irá receber certamente atenção, a começar pelo apelido que tem. Não será apenas Venceslau Fernandes a ter um nome que marca o ciclismo nacional. Vai chegar um corredor com o apelido de um ciclista que fez história ao vestir a camisola rosa do Giro e a amarela do Tour. Tiago da Silva é sobrinho de Acácio da Silva e corria no Luxemburgo (a sua nacionalidade), na formação orientada pelo pai (Francisco da Silva), a Differdange-GeBa.

Para fechar as contratações, uma promoção de júnior a sub-23. André Domingues vai ter a oportunidade de continuar a sua evolução na Kelly-OutInBuild-UD Oliveirense. Estava na Escola de Ciclismo Bruno Neves e foi o vencedor da Volta a Portugal do seu escalão.

Equipa para 2020: Hélder Gonçalves, Pedro Lopes, Fábio Costa, Venceslau Fernandes, Rafael Lourenço, José Sousa, Pedro Miguel Lopes, Guilherme Mota, João Torres, Henrique Casimiro (Efapel), Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista), Tiago da Silva (Team Differdange-GeBa), André Domingues (Escola de Ciclismo Bruno Neves).

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20 de novembro de 2018

A lutar por vitórias e pelo futuro

A vitória de Venceslau Fernandes na Volta a Portugal do Futuro
foi um dos pontos altos da época (Fotografia: Podium/Paulo Maria)
No que diz respeito a formar ciclistas e de se destacar em sub-23, a Liberty Seguros-Carglass tem um historial de luxo. Subir à categoria Continental, como sub-25, foi uma oportunidade de ouro de dar outra experiência aos seus jovens ciclistas, mas Manuel Correia manteve-se fiel à génese da equipa, apostando por completo na juventude e não só venceu a corrida mais importante para o escalão de sub-23, como esteve perto de fazer um brilharete na Volta a Portugal. Mas não se seja redutor. Houve mais destaques.

Porém, naquele que se queria ser um ano em que se dava um passo em frente na evolução da estrutura, acabou por ficar marcado pela sombra da saída do seu principal patrocinador e o futuro está muito incerto, com a procura por um patrocinador a continuar nesta altura do ano. Tal não afectou o rendimento dos ciclistas, ainda que os responsáveis tivessem de lidar com o facto de 2019 ser uma incógnita. Primeiro 2018.

Tal como o Miranda-Mortágua, a Liberty Seguros-Carglass apostou em ciclistas que já eram da casa para o projecto agora Continental, promovendo ainda o regresso de André Carvalho, depois de uma aventura pouco feliz na Team Cipollini. Não contratou ciclistas com mais de 25 anos (podia ter dois). O director desportivo, Manuel Correia, completou o plantel com alguns dos melhores juniores e assim enfrentou o novo desafio de ver os seus jovens competir nas principais competições nacionais.

Carvalho foi desde cedo um ciclista em destaque, com o segundo lugar entre a classificação da juventude na Volta ao Algarve. Este corredor foi muito regular durante toda a temporada, tanto pela equipa, como pela selecção, não restando dúvidas sobre a sua qualidade. Não surpreende, portanto, que esteja a caminho da Hagens Berman Axeon, seguindo as pisadas dos gémeos Oliveira e de Ruben Guerreiro, que em 2019 serão todos ciclistas do World Tour.

César Martingil foi um dos líderes, ele que é aquele ciclista incansável, que nunca baixa os braços e que teve o seu momento, que quase foi um grande momento. Mas antes foi Rafael Lourenço que fez história. É dele a primeira vitória da equipa numa das mais importantes corridas nacionais agora que é Continental: conquistou a segunda etapa do Grande Prémio Jornal de Notícias, no arranque para uma fase de temporada que correu de feição à Liberty Seguros-Carglass.


Ranking: 7º (384 pontos)
Vitórias: 4 (incluindo uma etapa no GP Jornal de Notícias e a geral da Volta a Portugal do Futuro)
Ciclista com mais triunfos: Venceslau Fernandes (2)

Pelo destaque mediático que a Volta a Portugal tem, é inevitável olhar para o que fez César Martingil como algo que não será esquecido. Esteve longos minutos sentado na cadeira de líder no prólogo e só o especialista Rafael Reis (Caja Rural) lhe tirou um triunfo, que por dois segundos não foi para Martingil e para uma Liberty Seguros-Carglass sem garantias do principal patrocinador para 2019. Uns terão como total surpresa o que fez Martingil, mas este é um ciclista com escola de pista e que pode defender-se bem em certos contra-relógios, como o de Setúbal. Ou seja, curto e a pedir "explosão". No dia seguinte foi terceiro no sprint, em Albufeira e quando estava de branco, líder da juventude, uma queda estragou-lhe a corrida. Acabaria por abandonar.

No entanto, o feito para uma equipa como a Liberty Seguros-Carglass estava garantido, mesmo que não tivesse sido uma vitória, contribuindo também para o aumento de reputação de Martingil. Assinou pelo Sporting-Tavira para 2019, tendo vencido o Circuito do Bombarral para fechar a temporada com um triunfo que faz sempre bem ao moral.

A época tinha já um balanço positivo, com os jovens ciclistas a corresponderem bem às dificuldades de estar num nível superior, ainda que para a Volta tenha sido necessário contratar dois corredores espanhóis, Samuel Blanco e Carlos Marquez. As lesões limitaram as escolhas e os sub-23 de primeiro ano não foram sujeitos a uma corrida com uma exigência altíssima.

Mas faltava um dos principais objectivos da temporada. Há que não esquecer que, apesar do acesso às principais corridas, nunca foi colocado para segundo plano a ambição de continuar a vencer as provas do escalão sub-23. Chegou então a Volta a Portugal do Futuro. Venceslau Fernandes, aquele nome que nunca passa despercebido - e que se estreou na Grandíssima que o seu pai ganhou em 1984 -, começou a construir o seu currículo. Venceu uma etapa e a geral, sucedendo a um companheiro que este ano rumou à W52-FC Porto, José Neves. Fim de época perfeito para o ciclista que vive com o peso do nome do pai, não esquecendo que tem como irmã Vanessa Fernandes, sempre perto no apoio a Venceslau.

Mesmo com todo um passado de formação de enorme relevância no ciclismo nacional, mesmo depois de uma época de estreia na nova categoria positiva, as más notícias chegaram mesmo. A Liberty Seguros vai deixar de patrocinar a equipa. A confirmação já chegou num timing difícil, mas um mal nunca vem só. Também a Carglass apanhou desprevenidos os responsáveis da estrutura, saindo também de cena.

A União Desportiva Oliveirense vai unir-se à Bike Clube de Portugal, detentora da equipa, mas a procura por um patrocinador principal continua. Estas saídas tardias das duas marcas, que davam nome à estrutura, não facilitou em nada a preparação da época de 2019. Mas a equipa estará na estrada - mesmo perante as dificuldades que enfrenta - e novamente como Continental sub-25. Perderá além de Martingil e André Carvalho, Gaspar Gonçalves (Miranda-Mortágua) e André Crispim (LA Alumínios), por exemplo, outros dois corredores com peso na equipa.

Estão confirmadas as permanências de Venceslau Fernandes - que irá assumir um papel de ainda maior destaque -, Rafael Lourenço, João Carneiro, Fábio Costa, Pedro José Lopes, Pedro Miguel Lopes e espera-se que Filipe Rocha possa estar totalmente recuperado dos problemas físicas para regressar em força à competição.

Como reforços, a equipa terá José Sousa (Miranda-Mortágua) e o júnior Hélder Gonçalves (ACR Roriz) vai fazer a sua estreia como sub-23 numa das melhores estruturas nacionais para jovens ciclistas, que vive tempos difíceis e de incerteza, mas não desiste de manter vivo um projecto de sucesso no ciclismo nacional.

Veja aqui todos os resultados da Liberty Seguros-Carglass em 2018 e das restantes equipas nacionais.


30 de julho de 2018

"Vai ser uma grande experiência"

Venceslau Fernandes acompanhados pelos directores Luís Pinheiro
e Manuel Correia, com um troféu que quem sabe um dia...
(Fotografia: © João Fonseca)
O nome Venceslau Fernandes não passará despercebido na Volta a Portugal. É um jovem ciclista cuja evolução é notória e faz dele uma das principais escolhas da Liberty Seguros-Carglass, com chamadas à selecção nacional. Aos 22 anos prepara-se para participar na corrida mais ambicionada e uma que conta com um Venceslau Fernandes como vencedor. O pai ganhou em 1984, o filho sobe agora mais um patamar para se afirmar pelo valor que tem e não pelo nome.

"Vai ser uma grande experiência", afirmou, muito animado pela perspectiva de estar na Volta a Portugal, que começa na próxima quarta-feira. Venceslau espera estar bem, pois garante que trabalha sempre para aparecer no seu melhor, seja qual for a competição para que for chamado pelo director desportivo Manuel Correia. No primeiro ano em que a equipa está no escalão Continental, o ciclista salientou ao Volta ao Ciclismo como tem sido muito importante poder participar em competições de outro nível: "Estas equipas novas só de jovens é algo muito produtivo e muito positivo. Quando corri no Algarve, estava ao lado dos melhores ciclistas do mundo. No futuro isto vai dar frutos."

Para Venceslau não é só estar em corridas mais importantes que tem marcado a diferença. "Ajuda-nos também a forma de as preparar, temos de estar mais focados e estar sempre no nosso melhor", realçou. Acrescentou que as presenças na selecção são outro ponto importante no seu crescimento como atleta, tendo este ano estado na Ronde de l'Isard (França) e no Grand Prix Priessnitz spa (República Checa).

Chega agora um dos momentos mais aguardados do ano e a Liberty Seguros-Carglass quer mostrar que está à altura do desafio. "Todos os grandes corredores das equipas nacionais estão à espera da Volta a Portugal. Sim, nós esperamos enfrentar muitas dificuldades, mas vamos encarar a corrida de forma positiva", assegurou. Ganhar uma etapa seria fenomenal, mas há algo que é muito claro na ambição desta formação que tem uma média de idades de 22,2 anos: "O grande objectivo da Volta é a camisola da juventude. Toda a equipa vai apontar a isso e penso que vamos estar na discussão."


"Acredito que tenho qualidade e tenho de provar na estrada, não pelo nome e não por ser filho e irmão de quem sou"

André Carvalho, César Martingil, Gaspar Gonçalves, Rafael Lourenço (que venceu uma etapa no Grande Prémio Jornal de Notícias) vão acompanhar Venceslau. André Crispim fracturou um braço e Filipe Rocha está lesionado no joelho, o que fez Manuel Correia contratar dois espanhóis para evitar levar ciclistas sub-23 de primeiro ano para uma competição extremamente exigente. Carlos Cobos e Samuel Blanco fecham assim as escolhas.

Venceslau tem um discurso sempre em prol do colectivo, mas como o todo só funciona se as individualidades tiveram qualidade, o ciclista está concentrado em melhorar os seus pontos fortes e, claro, os fracos: "Gradualmente quero melhorar na montanha e, sem dúvida, no contra-relógio. Há muito trabalho a fazer nesse aspecto." E a Liberty Seguros-Carglass de Manuel Correia é a equipa certa para continuar a crescer como ciclista, na opinião de Venceslau. "Sinto-me bem aqui. O chefe aposta muito nos jovens e dá oportunidade a todos. É uma grande equipa para evoluir e temos a noção  que nos dá projecção. É uma grande motivação ver ciclistas que estão agora lá fora e que estiveram aqui [os gémeos Oliveira e Ruben Guerreiro, por exemplo].

É quase inevitável acabar por falar da herança familiar, afinal o nome não engana e é filho e irmão de campeões. Venceslau garante que não o chateia nada referirem esse seu lado pessoal. "É normal as pessoas fazerem perguntas", disse, salientando como não pode fugir ao facto de ter como irmã Vanessa Fernandes, uma das melhores triatletas da história, com uma medalha de prata olímpica, e um pai que venceu uma Volta a Portugal. Mas Venceslau quer percorrer o seu caminho: "Quero que me vejam como ciclista da Liberty Seguros-Carglass. Eu sou eu, eles são eles. Acredito que tenho qualidade e tenho de provar na estrada, não pelo nome e não por ser filho e irmão de quem sou."

A Volta a Portugal realiza-se de 1 a 12 de Agosto, com início em Setúbal e final em Fafe. Esta terça-feira, é também na cidade sadina que se poderá assistir à apresentação das equipas a partir das 14:30. A RTP é novamente a casa da Volta na televisão.




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16 de maio de 2018

Sete portugueses num dos palcos mais importantes para os jovens ciclistas

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
É um dos principais palcos para os jovens ciclistas. A Ronde de l’Isard atrai a atenção dos olheiros das grandes equipas e nos últimos, quem por ali se mostrou viu abrirem-se as portas do World Tour. A selecção portuguesa estará representada por seis ciclistas, a maioria com características de trepadores, não fosse a corrida francesa marcada pela montanha em três das suas quatro etapas. João Almeida (Hagens Berman Axeon), André Ramalho (Jorbi/Team José Maria Nicolau), Hugo Nunes e Jorge Magalhães (Miranda-Mortágua), André Carvalho e Venceslau Fernandes (Liberty Seguros-Carglass) foram chamados por José Poeira e têm assim a oportunidade participar numa das corridas mais importantes para o escalão de sub-23, que inclui selecções e equipas de desenvolvimento.

Ao analisar a lista de vencedores recentes, vemos nomes como Pavel Sivakov (assinou pela Sky), Bjorg Lambrecht (Lotto Soudal), Simone Petilli (UAE Team Emirates), Louis Vervaeke (actualmente na Sunweb depois de se ter formado na Lotto Soudal), Kenny Elissonde (esteve na FDJ antes de se mudar para a Sky) e Alexandre Geniez (passou pela FDJ e agora está na AG2R). Mas não são só os vencedores que acabam por conseguir singrar ao mais alto nível. Jonathan Casteoviejo (Sky), George Bennett (Lotto-Jumbo), Joe Dombrowski (EF Education First-Drapac p/b Cannondale), Laurens de Plus (Quick-Step Floors), Dylan Teuns (BMC) e Tiesj Benoot (Lotto Soudal) terminaram no pódio desta corrida.

Aqui estão apenas referidos aqueles que fecharam top três e estão no World Tour, pois a lista seria mais longa se se olhar para o top dez e para algumas das mais fortes equipas Profissionais Continentais que contrataram jovens ciclistas que realizaram boas exibições na Ronde de l’Isard.

E há um português que certamente procurará no mínimo repetir o resultado de 2017. Porém, Tiago Antunes quererá ir mais além do que o excelente 10º lugar (foi ainda terceiro na etapa rainha). Desta feita não estará com as cores da selecção, pois representará a sua equipa, a Aldro Team. O responsável, Manolo Saiz, irá apostar forte no ciclista português, de 21 anos. "Vamos com uma equipa compacta, com a qual podemos aspirar a que o Antunes possa lutar por algo importante", lê-se no site da formação espanhola.

O ciclista começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas acabou por sair antes de finalizar o contrato, por acordo mútuo, assinando pela Aldro Team. A perspectiva era de assim poder competir em corridas importantes, como a Ronde de l’Isard.

Quanto aos restantes portugueses, todas na selecção, os cinco que actuam em Portugal têm destacado-se nas classificações do seu escalão. André Carvalho, Hugo Nunes e Jorge Magalhães estão em equipas que este ano pertencem escalão Continental, sendo sub-25. No entanto, mesmo representado uma de clube, as exibições de André Ramalho não estão a passar despercebidas. Já o ciclista da Hagens Berman Axeon, João Almeida, está a realizar temporada uma temporada muito positiva, que conta com uma histórica vitória da Liège-Bastogne-Liège de sub-23.

“Considero que é uma equipa homogénea, que dá garantias para uma prova de grande dificuldade”, explicou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo, que teve de substituir Rui Oliveira por Venceslau Fernandes devido a doença.

Quanto às etapas, que se realizarão entre 17 e 20 de Maio, na primeira serão 125,9 quilómetros entre Lorp-Sentaraille e Eychel, com final em alto.



A segunda termina novamente em alto, depois de 154,3 quilómetros a ligar Fonsorbes a Goulier-Neige.



A terceira é a "mais simpática", ainda que tenha muito sobe e desce à espera do jovem pelotão. Serão 153,4 quilómetros entre Lévignac e Boulogne-sur-Gesse.



A decisão final terá 152,4 quilómetros entre Salies-du-Salat e Saint-Girons, numa etapa que voltará a ter muita montanha para enfrentar.



De referir que a Polartec Kometa de Daniel Viegas também estará presente, mas o português surge como suplente na lista de inscritos que pode ver em baixo (clique para ampliar).