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20 de novembro de 2018

A lutar por vitórias e pelo futuro

A vitória de Venceslau Fernandes na Volta a Portugal do Futuro
foi um dos pontos altos da época (Fotografia: Podium/Paulo Maria)
No que diz respeito a formar ciclistas e de se destacar em sub-23, a Liberty Seguros-Carglass tem um historial de luxo. Subir à categoria Continental, como sub-25, foi uma oportunidade de ouro de dar outra experiência aos seus jovens ciclistas, mas Manuel Correia manteve-se fiel à génese da equipa, apostando por completo na juventude e não só venceu a corrida mais importante para o escalão de sub-23, como esteve perto de fazer um brilharete na Volta a Portugal. Mas não se seja redutor. Houve mais destaques.

Porém, naquele que se queria ser um ano em que se dava um passo em frente na evolução da estrutura, acabou por ficar marcado pela sombra da saída do seu principal patrocinador e o futuro está muito incerto, com a procura por um patrocinador a continuar nesta altura do ano. Tal não afectou o rendimento dos ciclistas, ainda que os responsáveis tivessem de lidar com o facto de 2019 ser uma incógnita. Primeiro 2018.

Tal como o Miranda-Mortágua, a Liberty Seguros-Carglass apostou em ciclistas que já eram da casa para o projecto agora Continental, promovendo ainda o regresso de André Carvalho, depois de uma aventura pouco feliz na Team Cipollini. Não contratou ciclistas com mais de 25 anos (podia ter dois). O director desportivo, Manuel Correia, completou o plantel com alguns dos melhores juniores e assim enfrentou o novo desafio de ver os seus jovens competir nas principais competições nacionais.

Carvalho foi desde cedo um ciclista em destaque, com o segundo lugar entre a classificação da juventude na Volta ao Algarve. Este corredor foi muito regular durante toda a temporada, tanto pela equipa, como pela selecção, não restando dúvidas sobre a sua qualidade. Não surpreende, portanto, que esteja a caminho da Hagens Berman Axeon, seguindo as pisadas dos gémeos Oliveira e de Ruben Guerreiro, que em 2019 serão todos ciclistas do World Tour.

César Martingil foi um dos líderes, ele que é aquele ciclista incansável, que nunca baixa os braços e que teve o seu momento, que quase foi um grande momento. Mas antes foi Rafael Lourenço que fez história. É dele a primeira vitória da equipa numa das mais importantes corridas nacionais agora que é Continental: conquistou a segunda etapa do Grande Prémio Jornal de Notícias, no arranque para uma fase de temporada que correu de feição à Liberty Seguros-Carglass.


Ranking: 7º (384 pontos)
Vitórias: 4 (incluindo uma etapa no GP Jornal de Notícias e a geral da Volta a Portugal do Futuro)
Ciclista com mais triunfos: Venceslau Fernandes (2)

Pelo destaque mediático que a Volta a Portugal tem, é inevitável olhar para o que fez César Martingil como algo que não será esquecido. Esteve longos minutos sentado na cadeira de líder no prólogo e só o especialista Rafael Reis (Caja Rural) lhe tirou um triunfo, que por dois segundos não foi para Martingil e para uma Liberty Seguros-Carglass sem garantias do principal patrocinador para 2019. Uns terão como total surpresa o que fez Martingil, mas este é um ciclista com escola de pista e que pode defender-se bem em certos contra-relógios, como o de Setúbal. Ou seja, curto e a pedir "explosão". No dia seguinte foi terceiro no sprint, em Albufeira e quando estava de branco, líder da juventude, uma queda estragou-lhe a corrida. Acabaria por abandonar.

No entanto, o feito para uma equipa como a Liberty Seguros-Carglass estava garantido, mesmo que não tivesse sido uma vitória, contribuindo também para o aumento de reputação de Martingil. Assinou pelo Sporting-Tavira para 2019, tendo vencido o Circuito do Bombarral para fechar a temporada com um triunfo que faz sempre bem ao moral.

A época tinha já um balanço positivo, com os jovens ciclistas a corresponderem bem às dificuldades de estar num nível superior, ainda que para a Volta tenha sido necessário contratar dois corredores espanhóis, Samuel Blanco e Carlos Marquez. As lesões limitaram as escolhas e os sub-23 de primeiro ano não foram sujeitos a uma corrida com uma exigência altíssima.

Mas faltava um dos principais objectivos da temporada. Há que não esquecer que, apesar do acesso às principais corridas, nunca foi colocado para segundo plano a ambição de continuar a vencer as provas do escalão sub-23. Chegou então a Volta a Portugal do Futuro. Venceslau Fernandes, aquele nome que nunca passa despercebido - e que se estreou na Grandíssima que o seu pai ganhou em 1984 -, começou a construir o seu currículo. Venceu uma etapa e a geral, sucedendo a um companheiro que este ano rumou à W52-FC Porto, José Neves. Fim de época perfeito para o ciclista que vive com o peso do nome do pai, não esquecendo que tem como irmã Vanessa Fernandes, sempre perto no apoio a Venceslau.

Mesmo com todo um passado de formação de enorme relevância no ciclismo nacional, mesmo depois de uma época de estreia na nova categoria positiva, as más notícias chegaram mesmo. A Liberty Seguros vai deixar de patrocinar a equipa. A confirmação já chegou num timing difícil, mas um mal nunca vem só. Também a Carglass apanhou desprevenidos os responsáveis da estrutura, saindo também de cena.

A União Desportiva Oliveirense vai unir-se à Bike Clube de Portugal, detentora da equipa, mas a procura por um patrocinador principal continua. Estas saídas tardias das duas marcas, que davam nome à estrutura, não facilitou em nada a preparação da época de 2019. Mas a equipa estará na estrada - mesmo perante as dificuldades que enfrenta - e novamente como Continental sub-25. Perderá além de Martingil e André Carvalho, Gaspar Gonçalves (Miranda-Mortágua) e André Crispim (LA Alumínios), por exemplo, outros dois corredores com peso na equipa.

Estão confirmadas as permanências de Venceslau Fernandes - que irá assumir um papel de ainda maior destaque -, Rafael Lourenço, João Carneiro, Fábio Costa, Pedro José Lopes, Pedro Miguel Lopes e espera-se que Filipe Rocha possa estar totalmente recuperado dos problemas físicas para regressar em força à competição.

Como reforços, a equipa terá José Sousa (Miranda-Mortágua) e o júnior Hélder Gonçalves (ACR Roriz) vai fazer a sua estreia como sub-23 numa das melhores estruturas nacionais para jovens ciclistas, que vive tempos difíceis e de incerteza, mas não desiste de manter vivo um projecto de sucesso no ciclismo nacional.

Veja aqui todos os resultados da Liberty Seguros-Carglass em 2018 e das restantes equipas nacionais.


30 de julho de 2018

"Vai ser uma grande experiência"

Venceslau Fernandes acompanhados pelos directores Luís Pinheiro
e Manuel Correia, com um troféu que quem sabe um dia...
(Fotografia: © João Fonseca)
O nome Venceslau Fernandes não passará despercebido na Volta a Portugal. É um jovem ciclista cuja evolução é notória e faz dele uma das principais escolhas da Liberty Seguros-Carglass, com chamadas à selecção nacional. Aos 22 anos prepara-se para participar na corrida mais ambicionada e uma que conta com um Venceslau Fernandes como vencedor. O pai ganhou em 1984, o filho sobe agora mais um patamar para se afirmar pelo valor que tem e não pelo nome.

"Vai ser uma grande experiência", afirmou, muito animado pela perspectiva de estar na Volta a Portugal, que começa na próxima quarta-feira. Venceslau espera estar bem, pois garante que trabalha sempre para aparecer no seu melhor, seja qual for a competição para que for chamado pelo director desportivo Manuel Correia. No primeiro ano em que a equipa está no escalão Continental, o ciclista salientou ao Volta ao Ciclismo como tem sido muito importante poder participar em competições de outro nível: "Estas equipas novas só de jovens é algo muito produtivo e muito positivo. Quando corri no Algarve, estava ao lado dos melhores ciclistas do mundo. No futuro isto vai dar frutos."

Para Venceslau não é só estar em corridas mais importantes que tem marcado a diferença. "Ajuda-nos também a forma de as preparar, temos de estar mais focados e estar sempre no nosso melhor", realçou. Acrescentou que as presenças na selecção são outro ponto importante no seu crescimento como atleta, tendo este ano estado na Ronde de l'Isard (França) e no Grand Prix Priessnitz spa (República Checa).

Chega agora um dos momentos mais aguardados do ano e a Liberty Seguros-Carglass quer mostrar que está à altura do desafio. "Todos os grandes corredores das equipas nacionais estão à espera da Volta a Portugal. Sim, nós esperamos enfrentar muitas dificuldades, mas vamos encarar a corrida de forma positiva", assegurou. Ganhar uma etapa seria fenomenal, mas há algo que é muito claro na ambição desta formação que tem uma média de idades de 22,2 anos: "O grande objectivo da Volta é a camisola da juventude. Toda a equipa vai apontar a isso e penso que vamos estar na discussão."


"Acredito que tenho qualidade e tenho de provar na estrada, não pelo nome e não por ser filho e irmão de quem sou"

André Carvalho, César Martingil, Gaspar Gonçalves, Rafael Lourenço (que venceu uma etapa no Grande Prémio Jornal de Notícias) vão acompanhar Venceslau. André Crispim fracturou um braço e Filipe Rocha está lesionado no joelho, o que fez Manuel Correia contratar dois espanhóis para evitar levar ciclistas sub-23 de primeiro ano para uma competição extremamente exigente. Carlos Cobos e Samuel Blanco fecham assim as escolhas.

Venceslau tem um discurso sempre em prol do colectivo, mas como o todo só funciona se as individualidades tiveram qualidade, o ciclista está concentrado em melhorar os seus pontos fortes e, claro, os fracos: "Gradualmente quero melhorar na montanha e, sem dúvida, no contra-relógio. Há muito trabalho a fazer nesse aspecto." E a Liberty Seguros-Carglass de Manuel Correia é a equipa certa para continuar a crescer como ciclista, na opinião de Venceslau. "Sinto-me bem aqui. O chefe aposta muito nos jovens e dá oportunidade a todos. É uma grande equipa para evoluir e temos a noção  que nos dá projecção. É uma grande motivação ver ciclistas que estão agora lá fora e que estiveram aqui [os gémeos Oliveira e Ruben Guerreiro, por exemplo].

É quase inevitável acabar por falar da herança familiar, afinal o nome não engana e é filho e irmão de campeões. Venceslau garante que não o chateia nada referirem esse seu lado pessoal. "É normal as pessoas fazerem perguntas", disse, salientando como não pode fugir ao facto de ter como irmã Vanessa Fernandes, uma das melhores triatletas da história, com uma medalha de prata olímpica, e um pai que venceu uma Volta a Portugal. Mas Venceslau quer percorrer o seu caminho: "Quero que me vejam como ciclista da Liberty Seguros-Carglass. Eu sou eu, eles são eles. Acredito que tenho qualidade e tenho de provar na estrada, não pelo nome e não por ser filho e irmão de quem sou."

A Volta a Portugal realiza-se de 1 a 12 de Agosto, com início em Setúbal e final em Fafe. Esta terça-feira, é também na cidade sadina que se poderá assistir à apresentação das equipas a partir das 14:30. A RTP é novamente a casa da Volta na televisão.




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16 de maio de 2018

Sete portugueses num dos palcos mais importantes para os jovens ciclistas

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
É um dos principais palcos para os jovens ciclistas. A Ronde de l’Isard atrai a atenção dos olheiros das grandes equipas e nos últimos, quem por ali se mostrou viu abrirem-se as portas do World Tour. A selecção portuguesa estará representada por seis ciclistas, a maioria com características de trepadores, não fosse a corrida francesa marcada pela montanha em três das suas quatro etapas. João Almeida (Hagens Berman Axeon), André Ramalho (Jorbi/Team José Maria Nicolau), Hugo Nunes e Jorge Magalhães (Miranda-Mortágua), André Carvalho e Venceslau Fernandes (Liberty Seguros-Carglass) foram chamados por José Poeira e têm assim a oportunidade participar numa das corridas mais importantes para o escalão de sub-23, que inclui selecções e equipas de desenvolvimento.

Ao analisar a lista de vencedores recentes, vemos nomes como Pavel Sivakov (assinou pela Sky), Bjorg Lambrecht (Lotto Soudal), Simone Petilli (UAE Team Emirates), Louis Vervaeke (actualmente na Sunweb depois de se ter formado na Lotto Soudal), Kenny Elissonde (esteve na FDJ antes de se mudar para a Sky) e Alexandre Geniez (passou pela FDJ e agora está na AG2R). Mas não são só os vencedores que acabam por conseguir singrar ao mais alto nível. Jonathan Casteoviejo (Sky), George Bennett (Lotto-Jumbo), Joe Dombrowski (EF Education First-Drapac p/b Cannondale), Laurens de Plus (Quick-Step Floors), Dylan Teuns (BMC) e Tiesj Benoot (Lotto Soudal) terminaram no pódio desta corrida.

Aqui estão apenas referidos aqueles que fecharam top três e estão no World Tour, pois a lista seria mais longa se se olhar para o top dez e para algumas das mais fortes equipas Profissionais Continentais que contrataram jovens ciclistas que realizaram boas exibições na Ronde de l’Isard.

E há um português que certamente procurará no mínimo repetir o resultado de 2017. Porém, Tiago Antunes quererá ir mais além do que o excelente 10º lugar (foi ainda terceiro na etapa rainha). Desta feita não estará com as cores da selecção, pois representará a sua equipa, a Aldro Team. O responsável, Manolo Saiz, irá apostar forte no ciclista português, de 21 anos. "Vamos com uma equipa compacta, com a qual podemos aspirar a que o Antunes possa lutar por algo importante", lê-se no site da formação espanhola.

O ciclista começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas acabou por sair antes de finalizar o contrato, por acordo mútuo, assinando pela Aldro Team. A perspectiva era de assim poder competir em corridas importantes, como a Ronde de l’Isard.

Quanto aos restantes portugueses, todas na selecção, os cinco que actuam em Portugal têm destacado-se nas classificações do seu escalão. André Carvalho, Hugo Nunes e Jorge Magalhães estão em equipas que este ano pertencem escalão Continental, sendo sub-25. No entanto, mesmo representado uma de clube, as exibições de André Ramalho não estão a passar despercebidas. Já o ciclista da Hagens Berman Axeon, João Almeida, está a realizar temporada uma temporada muito positiva, que conta com uma histórica vitória da Liège-Bastogne-Liège de sub-23.

“Considero que é uma equipa homogénea, que dá garantias para uma prova de grande dificuldade”, explicou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo, que teve de substituir Rui Oliveira por Venceslau Fernandes devido a doença.

Quanto às etapas, que se realizarão entre 17 e 20 de Maio, na primeira serão 125,9 quilómetros entre Lorp-Sentaraille e Eychel, com final em alto.



A segunda termina novamente em alto, depois de 154,3 quilómetros a ligar Fonsorbes a Goulier-Neige.



A terceira é a "mais simpática", ainda que tenha muito sobe e desce à espera do jovem pelotão. Serão 153,4 quilómetros entre Lévignac e Boulogne-sur-Gesse.



A decisão final terá 152,4 quilómetros entre Salies-du-Salat e Saint-Girons, numa etapa que voltará a ter muita montanha para enfrentar.



De referir que a Polartec Kometa de Daniel Viegas também estará presente, mas o português surge como suplente na lista de inscritos que pode ver em baixo (clique para ampliar).