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17 de fevereiro de 2019

"Não aparecem oportunidades destas todos os dias"

Aí está a elite. André Ramalho é um dos ciclistas que este ano entrou no pelotão de elite nacional, através da LA Alumínios-LA Sport. Destacou-se como sub-23 na Jorbi-Team José Maria Nicolau, representou a selecção e agora deu o passo esperado. Os estudos universitários influenciaram a sua decisão de completar o seu escalão antes de subir, mas agora só pensa em evoluir e a palavra "vitória" surge no seu discurso curto, directo e confiante, de um ciclista com objectivos bem definidos.

A menos de um mês de celebrar o 23º aniversário, André Ramalho considera que "foi a altura certa" para assinar por uma equipa que lhe permitirá dar um passo importante na sua carreira. É o primeiro a salientar que várias corridas acabarão por ser as mesmas que já fazia na formação de sub-23, contudo, é peremptório em dizer: "A responsabilidade é bem diferente." "De certa forma foi propositado [subir só em 2019]. Estou num curso de cinco anos [Engenharia Mecânica, na Faculdade de Ciências e Tecnologia] e é sempre difícil treinar. Eu e o José Nicolau achámos melhor ir até ao fim dos sub-23", explicou ao Volta ao Ciclismo. "Agora é aproveitar a oportunidade. Não aparecem oportunidades destas todos os dias", acrescentou.

Ramalho referiu como uma das mudanças foi precisamente ter mais tempo para treinar e preparar a nova temporada, aparecendo em melhor forma, comparativamente com 2018. "No ano passado não tive tempo nenhum. Este ano tenho mais horas de treino." Como júnior já tinha representado a equipa desse escalão da LA. Agora está numa estrutura que se estreou no ano passado como Continental sub-25 e que foi criada para permitir que mais jovens ciclistas portugueses tenham mais espaço para evoluírem e assim continuarem a sonhar em chegar ainda mais longe.


"É muito bom trabalhar com o Hernâni Brôco. Ele trata sempre de tudo nos treinos e não nos falta nada. Tem muita experiência e é fácil trabalhar com ele"

"Aqui, na LA, quero sempre melhorar. Ao fim de algum tempo todos pensam em saltar para fora do país e esse é também o meu objectivo", admitiu. Para 2019 quer então evoluir, mas...  "Se conseguir uma vitória, ainda melhor." Aprimorar as suas características a subir é o que ambiciona a curto prazo, até porque gosta de corridas que possam ter algumas pendentes mais complicadas. "Mas tenho de melhorar", reitera. 

Satisfeito com o ambiente que encontrou na sua nova equipa, também elogia o director desportivo: "É muito bom trabalhar com o Hernâni Brôco. Ele trata sempre de tudo nos treinos e não nos falta nada. Tem muita experiência e é fácil trabalhar com ele."

Apesar de ser o primeiro a falar de ter uma maior responsabilidade, assegurou que está preparado para a assumir. Chegou o momento de se afirmar no principal pelotão nacional e o que é que lhe falta para conseguir? "Falta-me uma vitória, que dá sempre para uma pessoa se afirmar." A época começou com um 39º lugar na Prova de Abertura Região de Aveiro, a 11 segundos do vencedor, Rui Oliveira (Equipa Portugal). Porém, é para a frente que olha. Na LA Alumínios-LA Sport abrem-se as portas das corridas de categoria internacional. Como qualquer ciclista português, estar na "sua" Volta é um sonho, mas, no imediato, é a Volta ao Algarve que muito deseja.

E Hernâni Brôco vai ajudar a concretizá-lo, pois André Ramalho está entre os eleitos para a corrida que se realiza entre quarta-feira e domingo, juntamente com António Barbio, André Crispim, David Ribeiro, Emanuel Duarte, Fábio Oliveira e Marvin Scheulen. "Estar tanto tempo a vê-los na televisão e poder estar ao lado deles...", desabafou. Ramalho nem elege nenhum ciclista que mais queira estar a pedalar lado-a-lado. "Quero é lá estar!" E vai mesmo.

16 de agosto de 2018

Equipa portuguesa ambiciosa para a Volta a França do Futuro

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Se há equipa que tem um grupo de ciclistas que tem potencial para receber muita atenção na Volta a França do Futuro, é o da selecção portuguesa. São corredores que demonstram enorme qualidade apesar de ainda serem muito jovens. À cabeça está um João Almeida que está a realizar um 2018 a todos os níveis fantástico, naquele que está a ser o seu primeiro ano na Hagens Berman Axeon. É vista por muitos como uma das melhores equipa de formação, orientada por Axel Merckx e que conta com mais dois portugueses que começam a demonstrar na estrada toda a qualidade já reconhecida na pista: Ivo e Rui Oliveira, que também estarão na corrida francesa.

Para lutar por um bom resultado na mais importante prova por etapas de sub-23, José Poeira chamou também Tiago Antunes, ciclista que começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo, tendo em Abril optado por mudar-se para a equipa espanhola de Manolo Saiz, a Aldro Team, mas no início deste mês passou a estagiar na SEG Racing Academy. É um projecto holandês de formação por onde passaram Fabio Jakobsen - uma das estrelas em ascensão na Quick-Step Floors -  e Stephen Williams, britânico que está a estagiar com a Bahrain-Merida, mas já assinou contrato até 2020.

A completar a selecção estão dois ciclistas que competem em Portugal. André Ramalho (Jorbi/Team José Maria Nicolau) e Marcelo Salvador (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés) fazem desta equipa uma que tem corredores para todos os terrenos que irão ser enfrentados neste Tour de l'Avenir, o nome oficial da competição.

João Almeida tem sido dos jovens ciclistas em destaque nesta temporada. Venceu a Liège-Bastogne-Liège de sub-23, foi quinto na Ronde de l'Isard e ganhou a classificação da juventude, tendo feito o mesmo no Giro para o seu escalão, no qual foi segundo na geral.

"É uma equipa equilibrada, com corredores capazes de estar com os melhores nas etapas de montanha, mas também com elementos prontos para se baterem pelas primeiras posições nos dias em que os sprinters tiverem oportunidades. Além disso, completa-se com jovens que sabem cumprir a missão de trabalhar para o colectivo e que chegam a este momento da época com a frescura física necessária para enfrentar um desafio com a importância e a exigência da Volta a França do Futuro", salientou o seleccionador José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Se há prova que tem ajudado a impulsionar a carreira de muitos ciclistas, tem sido esta. Egan Bernal (Sky), David Gaudu (Groupama-FDJ), Marc Soler (Movistar), Miguel Ángel López (Astana), Warren Barguil (Fortuneo-Samsic), Johan Esteban Chaves (Mitchelton-Scott), Nairo Quintana (Movistar), fazem parte de uma lista de corredores que venceram o Tour de l'Avenir e que hoje são algumas das principais figuras do ciclismo mundial. Isto só para referir dos mais recentes.

Nesta edição, há mais um colombiano que é forte candidato a juntar-se a este lote de luxo. Ivan Ramiro Sosa é um dos ciclistas que será seguido atentamente. Tem apenas 20 anos e estará a caminho da Trek-Segafredo, depois de na Androni Giocattoli-Sidermec ter aparecido a grande nível na Volta aos Alpes e há cinco dias conquistou a Volta a Burgos.

Pode ver aqui a lista de inscritos.

Etapas
1ª: Grand-Champ - Elven, 138,2 km
2ª: Drefféac - Châteaubriant, 144,2
3ª: Le Lude - Châteaudu, 171,2
4ª: Orléans - Orléans, 20,2 (contra-relógio por equipas)
5ª: Beaugency - Levroux, 145,8
6ª: Le Blanc - Cérilly, 181,1
7ª: Moutiers - Méribe, 35,4
8ª: La Bathie - Crest-Voland Cohennoz, 81,1
9ª: Séez - Val d'Isère, 83

16 de maio de 2018

Sete portugueses num dos palcos mais importantes para os jovens ciclistas

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
É um dos principais palcos para os jovens ciclistas. A Ronde de l’Isard atrai a atenção dos olheiros das grandes equipas e nos últimos, quem por ali se mostrou viu abrirem-se as portas do World Tour. A selecção portuguesa estará representada por seis ciclistas, a maioria com características de trepadores, não fosse a corrida francesa marcada pela montanha em três das suas quatro etapas. João Almeida (Hagens Berman Axeon), André Ramalho (Jorbi/Team José Maria Nicolau), Hugo Nunes e Jorge Magalhães (Miranda-Mortágua), André Carvalho e Venceslau Fernandes (Liberty Seguros-Carglass) foram chamados por José Poeira e têm assim a oportunidade participar numa das corridas mais importantes para o escalão de sub-23, que inclui selecções e equipas de desenvolvimento.

Ao analisar a lista de vencedores recentes, vemos nomes como Pavel Sivakov (assinou pela Sky), Bjorg Lambrecht (Lotto Soudal), Simone Petilli (UAE Team Emirates), Louis Vervaeke (actualmente na Sunweb depois de se ter formado na Lotto Soudal), Kenny Elissonde (esteve na FDJ antes de se mudar para a Sky) e Alexandre Geniez (passou pela FDJ e agora está na AG2R). Mas não são só os vencedores que acabam por conseguir singrar ao mais alto nível. Jonathan Casteoviejo (Sky), George Bennett (Lotto-Jumbo), Joe Dombrowski (EF Education First-Drapac p/b Cannondale), Laurens de Plus (Quick-Step Floors), Dylan Teuns (BMC) e Tiesj Benoot (Lotto Soudal) terminaram no pódio desta corrida.

Aqui estão apenas referidos aqueles que fecharam top três e estão no World Tour, pois a lista seria mais longa se se olhar para o top dez e para algumas das mais fortes equipas Profissionais Continentais que contrataram jovens ciclistas que realizaram boas exibições na Ronde de l’Isard.

E há um português que certamente procurará no mínimo repetir o resultado de 2017. Porém, Tiago Antunes quererá ir mais além do que o excelente 10º lugar (foi ainda terceiro na etapa rainha). Desta feita não estará com as cores da selecção, pois representará a sua equipa, a Aldro Team. O responsável, Manolo Saiz, irá apostar forte no ciclista português, de 21 anos. "Vamos com uma equipa compacta, com a qual podemos aspirar a que o Antunes possa lutar por algo importante", lê-se no site da formação espanhola.

O ciclista começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas acabou por sair antes de finalizar o contrato, por acordo mútuo, assinando pela Aldro Team. A perspectiva era de assim poder competir em corridas importantes, como a Ronde de l’Isard.

Quanto aos restantes portugueses, todas na selecção, os cinco que actuam em Portugal têm destacado-se nas classificações do seu escalão. André Carvalho, Hugo Nunes e Jorge Magalhães estão em equipas que este ano pertencem escalão Continental, sendo sub-25. No entanto, mesmo representado uma de clube, as exibições de André Ramalho não estão a passar despercebidas. Já o ciclista da Hagens Berman Axeon, João Almeida, está a realizar temporada uma temporada muito positiva, que conta com uma histórica vitória da Liège-Bastogne-Liège de sub-23.

“Considero que é uma equipa homogénea, que dá garantias para uma prova de grande dificuldade”, explicou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo, que teve de substituir Rui Oliveira por Venceslau Fernandes devido a doença.

Quanto às etapas, que se realizarão entre 17 e 20 de Maio, na primeira serão 125,9 quilómetros entre Lorp-Sentaraille e Eychel, com final em alto.



A segunda termina novamente em alto, depois de 154,3 quilómetros a ligar Fonsorbes a Goulier-Neige.



A terceira é a "mais simpática", ainda que tenha muito sobe e desce à espera do jovem pelotão. Serão 153,4 quilómetros entre Lévignac e Boulogne-sur-Gesse.



A decisão final terá 152,4 quilómetros entre Salies-du-Salat e Saint-Girons, numa etapa que voltará a ter muita montanha para enfrentar.



De referir que a Polartec Kometa de Daniel Viegas também estará presente, mas o português surge como suplente na lista de inscritos que pode ver em baixo (clique para ampliar).