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28 de setembro de 2018

Nuns Mundiais marcados pelas subidas, a vitória foi decidida a descer

(Fotografia: © BettiniPhoto/Facebook Mundiais de Innsbruck-Tirol)
Muito se espera de subidas, dos ataques durante estas dificuldades, de quem quebra, de quem se destaca. Mas até é bastante normal ver as descidas serem tão decisivas quanto as subidas (que o diga Chris Froome no último Giro). Em Innsbruck muito se fala da dificuldade dos percursos, mas houve um suíço que esperou pela descida final para desferir o ataque que decidiu a corrida. Marc Hirschi é mais um ciclista a juntar o título mundial ao europeu, tal como fez Remco Evenepoel em juniores. O suíço pode não ter realizado uma exibição tão marcante como o belga (tão cedo não se assistirá a algo igual), mas Hirschi fez uma excelente corrida, tal como toda a sua selecção. A Suíça foi tacticamente perfeita e saiu de Innsbruck com um título mundial de sub-23, que nunca havia conquistado.

Depois de um ano a evoluir na equipa de formação da Sunweb, Marc Hirschi (20 anos) já sabe que tem lugar garantido na estrutura principal em 2019. Conquistar o título europeu e mundial é uma boa forma de se apresentar ao colegas. Quando as principais movimentações começaram, já dentro do circuito final, a Suíça colocou quatro dos seus seis ciclistas na frente da corrida.

Esta aposta condicionou todas as outras selecções. Rússia e Bélgica foram das que mais trabalharam, com a Itália a ajudar, mas por pouco tempo. Tal como na corrida de juniores, os italianos preferiram atacar sozinhos do que unirem-se em torno de um objectivo comum. O trabalho da Bélgica permitiu que Bjorg Lambrecht (ciclista da Lotto Soudal e mais um apelidado de novo Merckx) conseguisse ir para a frente, ficando com Hirschi e um surpreendente finlandês. Jaakko Hänninen escolheu o palco perfeito para sair do anonimato.

Lambrecht atacou, contra-atacou, refilou com os companheiros de ocasião por considerar que não ajudavam o suficiente, mas nunca conseguiu deixá-los para trás. Hirschi foi frio. Pouco ajudou na fuga, passando apenas por meros segundos na frente. São atitudes por vezes pouco apreciadas, mas o suíço optou por se poupar e, com a lição bem estudada, foi na descida final, algo técnica, que acelerou e nunca mais ninguém o apanhou. Ganhou com 15 segundos de vantagem sobre Lambrecht que, com muita dificuldade, bateu ao sprint a surpresa vinda da Finlândia.

As desilusões

A grande desilusão chama-se Colômbia, principalmente Ivan Sosa. O ciclista da Androni Giocattoli-Sidermec foi uma das revelações da temporada e aos 20 anos já assinou contrato com a Trek-Segafredo. O percurso montanhoso de 174,3 quilómetros parecia assentar tão bem a Sosa, mas nem terminou a corrida.

Depois há Portugal. Simplesmente, não correu bem. "Foi uma prestação que ficou aquém das expectativas e muito longe do valor que estes corredores já demonstraram no passado. A verdade é que, no momento decisivo da corrida, não fomos capazes de nos mantermos junto dos melhores", afirmou o seleccionador José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

O melhor foi o estreante Gonçalo Carvalho. E que boa corrida fez o ciclista do Miranda-Mortágua. Esteve muito bem na protecção a João Almeida, sempre perto do ciclista que aspirava a um bom resultado em Innsbruck. André Carvalho também se mostrou, só com Tiago Antunes a sentir-se "vazio" logo no início do circuito final, tendo abandonado. No entanto, a colocação no pelotão foi um elemento chave. Na penúltima subida a Patscherkofels, quando se deu a movimentação mais importante, o trio descolou.

Gonçalo Carvalho terminou na 38º posição a 5:41 minutos do vencedor. Seguiu-se André Carvalho foi 51º, a 9:27 e João Almeida 78º, a 19:25 (resultados completos da corrida de sub-23 neste link).

Este sábado, as senhoras vão disputar o título mundial nos 156,2 quilómetros entre Kufstein-Innsbruck. A holandesa Chantal Blaak vai tentar defender a camisola do arco-íris que conquistou há um ano e assim imitar a compatriota Annemiek van Vleuten, que se sagrou bicampeã de contra-relógio. Não haverá ciclistas portuguesas na prova.


27 de setembro de 2018

Sub-23 com miras apontadas ao topo

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A sorte dá trabalho, diz João Almeida. Mas se há algo que nenhum dos quatro portugueses escolhidos para a prova de sub-23 dos Mundiais de Innsbruck tem problemas é  em trabalhar. E muito. Com uma temporada positiva a nível internacional da selecção, ambicionar alto não é de mais. Não se exigem medalhas, mas numa prova em que se espera ser de enorme dureza, o quarteto tem toda a capacidade para colocar um ou mais ciclistas na disputa por um bom resultado, estando João Almeida inevitavelmente à cabeça.

A chegada à Hagens Berman Axeon permitiu ao ciclista ter à sua disposição uma estrutura que está entre as melhores na formação, sendo que este ano ascendeu ao escalão Profissional Continental. A vitória na Liège-Bastogne-Liège de sub-23 foi o ponto alto, mas houve muito mais: o quinto lugar na Ronde de l'Isard (venceu a classificação da juventude), segundo no Giro (também foi o melhor jovem), segundo nos Nacionais, tanto no contra-relógio como na prova de fundo de sub-23, 10º no contra-relógio nos Europeus de sub-23, foi ainda sétimo no Tour de l'Avenir, ou Volta a França do Futuro. Em Innsbruck participou no contra-relógio, tendo ficado na 30ª posição. Mas é a prova desta sexta-feira que mais esperava.

"Se estiver num dia bom consigo estar com os 15/20 melhores e no final será necessário um pouco de sorte, embora saibamos que a sorte dá muito trabalho. Nas últimas semanas fiz provas longas e duras na Bélgica, que contribuíram para o meu estado de forma. Preparei-me bem", afirmou à Federação Portuguesa de Ciclismo.

João Almeida é um bom trepador e a experiência internacional que ganhou nas últimas duas épocas (esteve na Unieuro Trevigiani-Hemus 1896 em 2017) faz a diferença num jovem de 20 anos. Mas numa prova com uma forte concorrência era importante ter ao seu lado ciclistas de elevado nível. Tiago Antunes (21 anos) é mais um dos talentos da nova geração portuguesa que começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas acabou por mudar-se para a equipa espanhola Aldro. No entanto, não ficou muito tempo, assinando por outro dos grandes projectos de formação, a SEG Racing.

Antunes não teve a estabilidade de Almeida - que se espera que chegue agora já que tem contrato para 2019 -, mas esteve bem na Volta a Portugal do Futuro, depois do Tour de l'Avenir não ter sido o desejado. O segundo lugar atrás de Venceslau Fernandes (Liberty Seguros-Carglass) comprovou a subida de forma. Se estiver bem, Tiago Antunes não poderá ser visto "apenas" como uma ajuda a João Almeida, será mesmo mais uma opção para um lugar de nota.

André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass) regressou este ano a Portugal depois de uma passagem pela Team Cipollini. É um trepador que promete e que já sabe o que é estar em Mundiais. Esse conhecimento poderá ser importante. Carvalho (20 anos) realizou uma boa temporada, sempre muito regular, tendo ficado perto de conquistar a Taça de Portugal de sub-23, mas que Francisco Campos (Miranda-Mortágua), não deixou.

O outro Carvalho, o Gonçalo (Miranda-Mortágua) não ficou atrás em termos exibicionais e foi o melhor português na juventude da Volta a Portugal (foi terceiro, à frente de André). Fará a sua estreia nestas andanças, mas se conseguir controlar uma natural ansiedade, o jovem de 20 anos poderá ter um papel muito importante na selecção portuguesa. "É a primeira vez que estou num Mundial, o que é gratificante. Preparei-me para chegar em boas condições estou motivado para uma corrida que me agrada, porque sou um trepador", disse o ciclista do Miranda-Mortágua.

O percurso de 174,3 quilómetros entre Kufstein e Innsbruck agrada aos quatro, apesar de ser duro. A primeira selecção deverá acontecer nos 2,6 quilómetros de subida para Gnadenwald, a pouco mais de 100 quilómetros para o fim. A ascensão tem 10,5% de pendente média. Pouco depois entra-se no "circuito olímpico", com quatro subidas a Patscherkofel, com 7,9 quilómetros de extensão. Serão 2910 metros de acumulado que beneficia os bons trepadores e Portugal terá quatro bons ciclistas com esta características.

A corrida começa às 11:10 (hora portuguesa) e terá transmissão no Eurosport.

»»Isso não se faz a um campeão do mundo««

24 de setembro de 2018

O World Tour pode esperar

(Fotografia: © bettiniphoto/Facebook Mundiais de Innsbruck-Tirol)
Depois de ter ganho o título mundial com mais de um minuto de vantagem, Mikkel Berg foi um pouco mais simpático e deixou a concorrência a "apenas" 33 segundos. Este dinamarquês é uma máquina de contra-relógio e tem apenas 19 anos. Sagrou-se bicampeão mundial de sub-23 e no seu escalão é um daqueles ciclistas que já está debaixo de olho de equipas do World Tour. Depois do primeiro título em Bergen, Axel Merckx foi buscá-lo para a sua Hagens Berman Axeon e Bjerg não pensa em sair. O escalão máximo é o objectivo de todos, mas tanto Bjerg, como para os ciclistas que o acompanharam no pódio, nenhum está com pressa de lá chegar.

Para Mikkel Bjerg, que estava na equipa Continental do seu país Giant-Castelli, considera que a Hagens Berman Axeon é perfeita para si e para outros ciclistas da sua idade, afinal, assim tanto pode aprender em grandes corridas, como lutar por vitórias em provas de menor importância no calendário, mas importantes para quem está a tentar afirmar-se na modalidade. "Estar na Hagens Berman Axeon é perfeito para mim agora. Podemos estar em algumas corridas do World Tour, como a Volta à Califórnia, mas também em corridas de sub-23 e provas mais pequenas. Penso que essa combinação é boa para ciclistas jovens como eu", referiu.

Ter os pés mais assentes na terra seria difícil. Nem todos são um Egan Bernal que chega ao World Tour e conquista de imediato excelentes resultados. Com tantos jovens talentosos e com lugares limitados nas equipas, principalmente para quem procura destaque, a postura de Bjerg passa por evoluir onde tem espaço para quando optar por dar o salto, ser um em que aterre no World Tour para ficar.

Estar na equipa que está é uma enorme ajuda, pois há formações que não se importam de deixar ciclistas que pretendam contratar continuar a competir onde vêem que podem continuar a sua progressão, antes de finalmente os contratarem, quando estiverem no ponto, por assim dizer. Brent Van Moer partilha um discurso idêntico ao de Bjerg. Ficou muito tempo no trono do contra-relógio dos sub-23, até que o dinamarquês, o último em prova, lhe tirou o melhor tempo (Bjerg completou os 27,8 quilómetros em 32:31 minutos).

"Tenho 20 anos e acho que não é bom ir demasiado cedo para o World Tour. É um grande passo e, às vezes, o melhor é ficar na categoria de sub-23", afirmou. O jovem belga até está a estagiar com a equipa da Lotto Soudal, mas não tem pressa de agarrar o lugar permanente. Claro que nem todos partilham desta ideia. Nesta prova dos Mundiais de Innsbruck estiveram ciclistas que já estão no escalão principal ou têm lugar garantido em 2019. Edoardo Affini e Callum Scotson vão para a Mitchelton-Scott, enquanto Pascal Eenkhoorn está na Lotto-Jumbo, Lennard Kämna na Sunweb e Mark Padun na Bahrain-Merida.

Em corridas como esta na Áustria, a experiência de World Tour pode não ser a que mais diferenças faz. A provar estão não só Bjerg e Moer, mas também Mathias Norsgaard Jorgensen (terceiro, a 38 segundos). Tem 21 anos, é outro dinamarquês e está na equipa do seu país Riwal CeramicSpeed, do escalão Continental, com um contrato até 2020.

As oportunidades são para se agarrar, senão Moer não estaria a estagiar na Lotto Soudal. Porém, com um nível tão alto de ciclismo, há quem prefira dar um passo mais seguro, do que antecipar um, que possa depois obrigar a dar algum atrás. Certo é que pelo menos Bjerg e Moer não são desconhecidos entre as grandes equipas. Tal como Ivo Oliveira e João Almeida também já não o são.

Ivo Oliveira foi 28º (Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Os dois portugueses que estiveram no contra-relógio de sub-23 dos Mundiais terminaram no top 30, enquanto viram o seu colega de equipa vestir novamente a camisola do arco-íris. Perante o percurso com algumas subidas, Ivo esperava terminar no top 20, melhorando assim o seu resultado de Bergen, onde foi 21º. No entanto, ficou na 28ª posição, a 1:34 de Bjerg. "Até me sentia bem, mas quebrei um pouco na fase intermédia da prova. Talvez não fosse o meu dia. Sem querer encontrar desculpas, reconheço que o vento de costas em quase 90% do percurso acabou por favorecer os ciclistas mais pesados", afirmou, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

João Almeida terminou na 30º posição (Fotografia. Federação Portuguesa de Ciclismo)
Para o gémeo é o fim dos Mundiais este ano, já que a prova de fundo não se adapta às suas características. Já João Almeida está com os olhos postos nessa corrida. Foi 30º no contra-relógio, a 1:40. Um percurso mais duro beneficiaria muito mais o vice-campeão nacional da especialidade do seu escalão, com Ivo a ser o campeão em título. "Estou contente com o meu desempenho. Acho que fiz um bom resultado para as minhas características, até porque o meu objectivo principal é a prova de fundo. Apesar do foco na corrida de sexta-feira, fiz questão de participar no contra-relógio, porque é sempre uma boa preparação, uma oportunidade para 'abrir o capô', como se costuma dizer." (Pode ver aqui os resultados completos.)


Foi a terceira participação de Ivo e a estreia no escalão de João Almeida. Nesta terça-feira será a vez dos juniores entrarem em acção. José Poeira escolheu os dois últimos campeões nacionais: o actual é Guilherme Mota e Afonso Silva foi em 2017, no seu primeiro ano como júnior. Não se compromete com nenhuma posição em específico, pois o percurso, o mesmo dos sub-23 (gráfico em cima), não assenta na perfeição a nenhum deles. Silva refere que vai apontar ao melhor que conseguir, já Mota aponta ao top 10, ficando satisfeito se fechar entre os 20 primeiros. O melhor que Portugal conseguiu em júnior foi um sexto lugar, por intermédio de Sérgio Paulinho, em 1998.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
"É um contra-relógio com partes técnicas, o que me favorece, mas é muito rápido e nós estamos mais acostumados a contra-relógios mais duros, mas espero que nos adaptemos bem. Neste ano já tenho feito contra-relógios longos e tenho-me sentido melhor nas partes finais. Acho que a distância não será um problema. No Campeonato da Europa fiquei a dois segundos do top 10. Se conseguisse entrar nos dez melhores no Mundial seria fantástico", salientou Guilherme Mota.

"É uma prova que favorece os contra-relogistas possantes, os corredores mais altos e pesados. Tanto o Afonso como o Guilherme não correspondem a esse perfil, mas são dois bons contra-relogistas e vão dar o máximo, mesmo tendo em atenção que o foco principal está colocado na prova de fundo, a disputar na quinta-feira", explicou o seleccionador nacional.

Afonso Silva será o primeiro dos portugueses a partir para o percurso de 27,8 quilómetros às 9:50:30. Guilherme Mota sairá às 10:30:30 (hora portuguesa). O Eurosport está a transmitir os Mundiais de Innsbruck.

O terceiro dia dos Mundiais austríacos irá terminar com o contra-relógio feminino de elite (não há o escalão de sub-23). A argentina Fernanda Yapura será a primeira ciclista a ir para a estrada, às 13:40. A campeã em título, a holandesa Annemiek van Vleuten, será a última a sair, às 14:56:30. Serão 27,8 quilómetros com muitas zonas planas, mas também com algumas subidas, que podem contribuir para as diferenças (gráfico em baixo).

A Holanda já tem um título em Innsbruck, com a ciclista de 18 anos Rozemarijn Ammerlaan a vencer na categoria de juniores. Ammerlaan completou os 20 quilómetros em 27:02, menos sete segundos do que a italiana Camilla Alessio (17 anos) e 18 do que a britânica Elynor Bäckstedt (16). Resultados completos neste link.

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23 de setembro de 2018

Primeiros títulos mundiais atribuídos. Venha agora o talento português

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Ivo Oliveira e João Almeida são dois dos maiores talentos da nova geração de ciclistas portugueses. Ambos estão naquela que é vista por muitos a melhor equipa de formação do mundo e se um soma títulos na pista e começou a sua afirmação na estrada, outro conquistou de rompante grandes resultados. Foram os escolhidos por José Poeira para o contra-relógio de sub-23. Campeão e vice-campeão nacionais da categoria nesta vertente, não estão em Innsbruck com grandes sonhos, mas não significa que a ambição não esteja lá.

Para Ivo Oliveira, 22 anos, será a terceira presença consecutiva. Foi 36º em Doha e 21º em Bergen. O principal objectivo passa por terminar no top 20 e depois... Ir o mais além possível. "Desta vez era bom entrar no top 20 ou, quem sabe, fazer melhor. Gosto do percurso, porque tem algum sobe e desce. O início é muito a rolar, mas depois há partes duras. Assim é que deve ser um contra-relógio e não totalmente plano. Vamos ver como é que corre", explicou, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Estamos perante um ciclista que tem tudo para se tornar num especialista nesta vertente, não fosse ele o vice-campeão do mundo e europeu de perseguição individual, na pista. Os 27,8 quilómetros entre Hall-Wattens e Innsbruck assentam bem ao gémeo, mas já João Almeida prefere umas subidas mais exigentes, ele que é um estreante nesta competição neste escalão. "O contra-relógio não é totalmente ao meu jeito, mas sei que consigo bons resultados nos exercícios individuais. Esta prova vai tornar-se dura, por ser muito rápida. É pena que tenha apenas alguns topos e não uma subida dura, como no contra-relógio de elite, o que permitiria fazer maiores diferenças", afirmou. Mesmo não sendo o percurso que mais entusiasma Almeida (20 anos), o corredor está confiante que pode alcançar um resultado muito positivo.



No seu primeiro ano na Hagens Berman Axeon, João Almeida venceu a Liège-Bastogne-Liège de sub-23, foi quinto na Ronde l'Isard, segundo no Giro d'Italia, sétimo no Tour de l'Avenir e foi segundo em ambas as provas de sub-23 nos Nacionais (contra-relógio e fundo). Uma temporada exemplar de um ciclista que ainda tem uma enorme margem de progressão.

O contra-relógio dos sub-23 começa às 13:40 (hora portuguesa) - gráfico de cima -, mas o programa do segundo dia de corridas dos Mundiais de Innsbruck2018 começa às 9:10, com o contra-relógio de juniores femininos (gráfico de baixo). Ivo Oliveira irá para a estrada às 14:07 e João Almeida às 15:05:30. A transmissão está a cargo do Eurosport.



Quick-Step Floors recupera título

E são quatro títulos mundiais. A equipa belga continua a impressionante senda de 2018 e acrescentou mais duas vitórias à extensa lista: 69. Pouco antes da Quick-Step Floors celebrar o título mundial, Philipe Gilbert regressou à competição após a queda na Volta a França com um triunfo no Grand Prix d'Isbergues-Pas de Calais, em França. Na Áustria, Bob Jungels, Kasper Asgreen, Yves Lampaert, Laurens de Plus, Max Schachmann e Niki Terpstra foram perfeitos nos 62,8 quilómetros, com uma subida de cinco a cerca de 20 do fim. Completaram o percurso em 1:97:26 horas, com uma média de 55,9 quilómetros/hora. Terpstra está de saída da Quick-Step Floors para a Direct Energie, mas o holandês agradeceu a oportunidade de conquistar mais um título, ele que é o único a estar nos quatro.

Não começaram como os mais rápidos, mas geriram o esforço para deixar a Sunweb, que era a campeã em título, a 18 segundos e a BMC (bicampeã) a 19. O único português que participou nesta competição colectiva foi Nelson Oliveira, que foi importante para a Movistar alcançar um resultado um pouco inesperado. A equipa espanhola foi sexta, a 1:32 minutos. O tetracampeão nacional da especialidade mostrou estar bem, tal como já o tinha feito na Vuelta, e será um ciclista a ter em atenção para o contra-relógio individual de quarta-feira.

Pela negativa destaca-se a AG2R e a Lotto-Jumbo, que foram batidas por equipas Continentais. Já a Katusha-Alpecin viu um furo na subida a prejudicar a equipa. Só tinha quatro corredores - os necessários para acabar o contra-relógio - e os ciclistas foram obrigados a esperar por Nils Politt. Foram várias as equipas que alertaram para a necessidade de ter cinco corredores no início da subida. A Katusha-Alpecin pagou caro não ter mantido essa táctica.

Pode ver aqui a classificação completa do contra-relógio colectivo.

Foram as senhoras que abriram os Mundiais e logo com uma surpresa. A alemã Canyon SRAM Racing bateu as super favoritas Boels-Dolmans e Sunweb, que, tal como nos homens, era a campeã em título. Trix Worrack, Lisa Klein, Elena Cecchini, Hannah Barnes, Alice Barnes e Alena Amialiusik completaram os 54,5 quilómetros em 1:01:46 horas, com as equipas holandesas a ficarem a 22 e 29 segundos, respectivamente (resultados completos neste link). A média foi de 52,9 quilómetros/hora.

Apesar de não estar entre as principais favoritas este ano, a Canyon SRAN Racing sabe o que é vencer esta prova. Foi o quinto título mundial - ainda que com outros nomes, Specialized-lululemon (2012, 2013 e 2014) e Velocio-SRAM (2015), com a alemã Trix Worrack a estar presente em todos.

»»Um dos Mundiais mais difícil da história começa com duas despedidas««

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16 de agosto de 2018

Equipa portuguesa ambiciosa para a Volta a França do Futuro

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Se há equipa que tem um grupo de ciclistas que tem potencial para receber muita atenção na Volta a França do Futuro, é o da selecção portuguesa. São corredores que demonstram enorme qualidade apesar de ainda serem muito jovens. À cabeça está um João Almeida que está a realizar um 2018 a todos os níveis fantástico, naquele que está a ser o seu primeiro ano na Hagens Berman Axeon. É vista por muitos como uma das melhores equipa de formação, orientada por Axel Merckx e que conta com mais dois portugueses que começam a demonstrar na estrada toda a qualidade já reconhecida na pista: Ivo e Rui Oliveira, que também estarão na corrida francesa.

Para lutar por um bom resultado na mais importante prova por etapas de sub-23, José Poeira chamou também Tiago Antunes, ciclista que começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo, tendo em Abril optado por mudar-se para a equipa espanhola de Manolo Saiz, a Aldro Team, mas no início deste mês passou a estagiar na SEG Racing Academy. É um projecto holandês de formação por onde passaram Fabio Jakobsen - uma das estrelas em ascensão na Quick-Step Floors -  e Stephen Williams, britânico que está a estagiar com a Bahrain-Merida, mas já assinou contrato até 2020.

A completar a selecção estão dois ciclistas que competem em Portugal. André Ramalho (Jorbi/Team José Maria Nicolau) e Marcelo Salvador (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés) fazem desta equipa uma que tem corredores para todos os terrenos que irão ser enfrentados neste Tour de l'Avenir, o nome oficial da competição.

João Almeida tem sido dos jovens ciclistas em destaque nesta temporada. Venceu a Liège-Bastogne-Liège de sub-23, foi quinto na Ronde de l'Isard e ganhou a classificação da juventude, tendo feito o mesmo no Giro para o seu escalão, no qual foi segundo na geral.

"É uma equipa equilibrada, com corredores capazes de estar com os melhores nas etapas de montanha, mas também com elementos prontos para se baterem pelas primeiras posições nos dias em que os sprinters tiverem oportunidades. Além disso, completa-se com jovens que sabem cumprir a missão de trabalhar para o colectivo e que chegam a este momento da época com a frescura física necessária para enfrentar um desafio com a importância e a exigência da Volta a França do Futuro", salientou o seleccionador José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Se há prova que tem ajudado a impulsionar a carreira de muitos ciclistas, tem sido esta. Egan Bernal (Sky), David Gaudu (Groupama-FDJ), Marc Soler (Movistar), Miguel Ángel López (Astana), Warren Barguil (Fortuneo-Samsic), Johan Esteban Chaves (Mitchelton-Scott), Nairo Quintana (Movistar), fazem parte de uma lista de corredores que venceram o Tour de l'Avenir e que hoje são algumas das principais figuras do ciclismo mundial. Isto só para referir dos mais recentes.

Nesta edição, há mais um colombiano que é forte candidato a juntar-se a este lote de luxo. Ivan Ramiro Sosa é um dos ciclistas que será seguido atentamente. Tem apenas 20 anos e estará a caminho da Trek-Segafredo, depois de na Androni Giocattoli-Sidermec ter aparecido a grande nível na Volta aos Alpes e há cinco dias conquistou a Volta a Burgos.

Pode ver aqui a lista de inscritos.

Etapas
1ª: Grand-Champ - Elven, 138,2 km
2ª: Drefféac - Châteaubriant, 144,2
3ª: Le Lude - Châteaudu, 171,2
4ª: Orléans - Orléans, 20,2 (contra-relógio por equipas)
5ª: Beaugency - Levroux, 145,8
6ª: Le Blanc - Cérilly, 181,1
7ª: Moutiers - Méribe, 35,4
8ª: La Bathie - Crest-Voland Cohennoz, 81,1
9ª: Séez - Val d'Isère, 83

20 de maio de 2018

João Almeida em destaque numa semana de acção para os jovens portugueses

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Em França estiveram sete portugueses, enquanto noutro continente foi Ivo Oliveira quem esteve em competição, num momento marcante da sua carreira. Nos últimos dias a nova geração de ciclistas do país mostrou-se, com João Almeida a ser mais uma vez o principal destaque. Ainda com a brilhante vitória na Liège-Bastogne-Liège de sub-23 bem fresca na memória, Almeida fechou quinto na Ronde de l'Isard, uma das principais corridas deste escalão. Desta feita foi ao serviço da Selecção Nacional que o ciclista obteve mais um excelente resultado, tendo ainda sido o melhor jovem da competição que tem visto muitos dos seus vencedores (e não só) chegar ao World Tour.

Dos seis ciclistas que representaram a selecção na Ronde de l'Isard, Hugo Nunes também estava a bom nível. Porém, o ciclista do Miranda-Mortágua sofreu uma queda na última etapa e apesar de ter conseguido reentrar no grupo, acabaria por não aguentar o ritmo. Caiu de 16º para 25º, o que custou também o terceiro lugar da equipa na classificação colectiva. A selecção terminou no quinto posto.

"Foi um dia muito difícil. Esteve um temporal tremendo. As subidas eram difíceis, mas as descidas não eram menos, em estrada estreita, molhada e inclinada. Felizmente, conseguimos o objectivo principal, que era ganhar a juventude e conservar o João Almeida nos melhores da geral. Por outro lado, lamento o azar do Hugo Nunes, que estava a fazer uma corrida muito boa. Caiu na primeira descida, fez um grande trabalho para reentrar no grupo dos melhores, mas pagou o esforço, descolando perto do topo da segunda montanha", explicou o seleccionador nacional, José Poeira.

João Almeida ficou a 46 segundos do vencedor, o britânico Stephen Williams, da SEG Racing Academy. Hugo Nunes ficou a 12:02. Quanto aos restantes membros da equipa,  André Carvalho foi 31º a 14:52, Jorge Magalhães 55º a 34:11, Venceslau Fernandes 58º a 36:43 e André Ramalho 70º a 45:46.

O sétimo português na corrida, por assim dizer, foi Tiago Antunes. Há um ano, com as cores da selecção, tinha terminado na 10ª posição. Este ano foi chamado pela sua equipa, a espanhola Aldro Team, para a liderar. O jovem ciclista começou muito bem com um terceiro lugar, mas acabaria por cair na classificação após a segunda etapa. Ainda tentou repetir o top dez, mas desta feita ficou à porta, na 11ª posição, a 2:13 de Williams.

Na Volta à Califórnia, que terminou no sábado com uma vitória muito (mesmo muito) convincente de Egan Bernal (Sky), Ivo Oliveira fez a sua estreia numa corrida do World Tour, sendo que este era um dos objectivos que queria concretizar quando a época arrancou. O companheiro de João Almeida na Hagens Berman Axeon conseguiu ser um dos eleitos para a corrida americana e não passou despercebido.

No primeiro dia até foi repreendido por Fernando Gaviria, ainda que o colombiano da Quick-Step Floors se tenha enganado no ciclista com que queria protestar! Era Jasper Philipsen que tinha provocado o descontentamento de Gaviria depois de uns encostos no sprint. Ivo Oliveira até partiu com a missão de ajudar Philipsen, mas nesse dia fez 11º. O belga acabaria por abandonar após uma queda, o que deixou o ciclista português com liberdade para ser ele a sprintar na quinta etapa.

Bem tentou colocar-se ao lado de alguns dos melhores do mundo. Além de Gaviria, esteve Peter Sagan, Caleb Ewan, Alexander Kristoff e Ivo Oliveira bateu o noruguês, terminando na oitava posição. Mesmo nas etapas de montanha esteve a bom nível, mas foi pena não ter podido ir a fundo no contra-relógio. Foi necessário poupar forças para o dia seguinte, precisamente o da quinta etapa. Sendo a sua especialidade, teria sido interessante vê-lo competir ao mais alto nível, ele que é vice-campeão do mundo de perseguição individual (ciclismo de pista). Mas a sua oportunidade há-de chegar. Na geral, o português terminou na 34ª posição, a 18:35 de Bernal.

Já com outra experiência - está no seu segundo ano com a Trek-Segafredo -, Ruben Guerreiro apareceu em boa forma na Califórnia tendo chegado a integrar o top dez até ao contra-relógio. No final foi 14º a 7:05, deixando boas indicações para quem se está a preparar para fazer a estreia numa grande volta. O campeão nacional tem a Vuelta no seu calendário e a próxima corrida será o Critérium du Dauphiné, que decorre de 3 a 10 de Junho.

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Luís Gomes venceu Grande Prémio Anicolor

Por cá, a Rádio Popular-Boavista regressou às vitórias depois de Domingos Gonçalves ter ganho a Clássica da Primavera, a 4 de Março. Luís Gomes conquistou o III Grande Prémio Anicolor, em Águeda (142,6 quilómetros), batendo no sprint os dois homens do Sporting-Tavira que estavam na luta pela vitória: Frederico Figueiredo e o russo Alexander Grigorev. O ciclista de 24 anos juntou ainda a classificação da montanha, com a equipa a ser a melhor colectivamente. O campeão nacional de sub-23, Francisco Campos, foi o melhor jovem, com mais dois colegas do Miranda-Mortágua a subirem também ao pódio. Nuno Meireles ganhou a classificação das metas-volantes e António Barbio ganhou nos "pontos-quentes".

O pelotão nacional está em contagem decrescente para uma das principais corridas do calendário nacional. O Grande Prémio Jornal de Notícias arranca no dia 28, terminando a dia 3 de Junho.

Pode ver aqui os resultados das equipas portuguesas em 2018 e o ranking nacional.

16 de maio de 2018

Sete portugueses num dos palcos mais importantes para os jovens ciclistas

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
É um dos principais palcos para os jovens ciclistas. A Ronde de l’Isard atrai a atenção dos olheiros das grandes equipas e nos últimos, quem por ali se mostrou viu abrirem-se as portas do World Tour. A selecção portuguesa estará representada por seis ciclistas, a maioria com características de trepadores, não fosse a corrida francesa marcada pela montanha em três das suas quatro etapas. João Almeida (Hagens Berman Axeon), André Ramalho (Jorbi/Team José Maria Nicolau), Hugo Nunes e Jorge Magalhães (Miranda-Mortágua), André Carvalho e Venceslau Fernandes (Liberty Seguros-Carglass) foram chamados por José Poeira e têm assim a oportunidade participar numa das corridas mais importantes para o escalão de sub-23, que inclui selecções e equipas de desenvolvimento.

Ao analisar a lista de vencedores recentes, vemos nomes como Pavel Sivakov (assinou pela Sky), Bjorg Lambrecht (Lotto Soudal), Simone Petilli (UAE Team Emirates), Louis Vervaeke (actualmente na Sunweb depois de se ter formado na Lotto Soudal), Kenny Elissonde (esteve na FDJ antes de se mudar para a Sky) e Alexandre Geniez (passou pela FDJ e agora está na AG2R). Mas não são só os vencedores que acabam por conseguir singrar ao mais alto nível. Jonathan Casteoviejo (Sky), George Bennett (Lotto-Jumbo), Joe Dombrowski (EF Education First-Drapac p/b Cannondale), Laurens de Plus (Quick-Step Floors), Dylan Teuns (BMC) e Tiesj Benoot (Lotto Soudal) terminaram no pódio desta corrida.

Aqui estão apenas referidos aqueles que fecharam top três e estão no World Tour, pois a lista seria mais longa se se olhar para o top dez e para algumas das mais fortes equipas Profissionais Continentais que contrataram jovens ciclistas que realizaram boas exibições na Ronde de l’Isard.

E há um português que certamente procurará no mínimo repetir o resultado de 2017. Porém, Tiago Antunes quererá ir mais além do que o excelente 10º lugar (foi ainda terceiro na etapa rainha). Desta feita não estará com as cores da selecção, pois representará a sua equipa, a Aldro Team. O responsável, Manolo Saiz, irá apostar forte no ciclista português, de 21 anos. "Vamos com uma equipa compacta, com a qual podemos aspirar a que o Antunes possa lutar por algo importante", lê-se no site da formação espanhola.

O ciclista começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas acabou por sair antes de finalizar o contrato, por acordo mútuo, assinando pela Aldro Team. A perspectiva era de assim poder competir em corridas importantes, como a Ronde de l’Isard.

Quanto aos restantes portugueses, todas na selecção, os cinco que actuam em Portugal têm destacado-se nas classificações do seu escalão. André Carvalho, Hugo Nunes e Jorge Magalhães estão em equipas que este ano pertencem escalão Continental, sendo sub-25. No entanto, mesmo representado uma de clube, as exibições de André Ramalho não estão a passar despercebidas. Já o ciclista da Hagens Berman Axeon, João Almeida, está a realizar temporada uma temporada muito positiva, que conta com uma histórica vitória da Liège-Bastogne-Liège de sub-23.

“Considero que é uma equipa homogénea, que dá garantias para uma prova de grande dificuldade”, explicou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo, que teve de substituir Rui Oliveira por Venceslau Fernandes devido a doença.

Quanto às etapas, que se realizarão entre 17 e 20 de Maio, na primeira serão 125,9 quilómetros entre Lorp-Sentaraille e Eychel, com final em alto.



A segunda termina novamente em alto, depois de 154,3 quilómetros a ligar Fonsorbes a Goulier-Neige.



A terceira é a "mais simpática", ainda que tenha muito sobe e desce à espera do jovem pelotão. Serão 153,4 quilómetros entre Lévignac e Boulogne-sur-Gesse.



A decisão final terá 152,4 quilómetros entre Salies-du-Salat e Saint-Girons, numa etapa que voltará a ter muita montanha para enfrentar.



De referir que a Polartec Kometa de Daniel Viegas também estará presente, mas o português surge como suplente na lista de inscritos que pode ver em baixo (clique para ampliar).


15 de abril de 2018

"Quando cheguei fiquei naquela: será que ganhei mesmo?!"

(Fotografia: © Joyce Jason Ghijs/Hagens Berman Axeon)
João Almeida está a viver um momento especial na sua ainda curta carreira. Aos 19 anos venceu, no sábado, a Liège-Bastogne-Liège de sub-23, uma das corridas mais importantes do escalão, nunca esquecendo que em elite é um dos cinco monumentos. Na Bélgica não houve tempo para muitos festejos, pois regressou pouco depois a Portugal, pelo que neste domingo, família e amigos celebraram um grande feito para o ciclismo nacional. No entanto, quase foi preciso beliscar João Almeida depois de cortar a meta. "Não estava na expectativa de ganhar esta corrida... Não estava a sentir-me super", contou. Mas as sensações melhoraram durante os 173,4 quilómetros entre Bastogne e Ans. E no final: "Quando cheguei fiquei naquela, será que ganhei mesmo?!"

Sim, João Almeida tinha mesmo ganho e juntou-se a uma lista que conta com nomes como Michael Valgren (Astana e que este ano ganhou a Omloop Het Nieuwsblad e a Amstel Gold Race), Tosh Van der Sande (Lotto Soudal), Ramunas Navardauskas (Bahrain-Merida), Jan Bakelants (AG2R) e Grega Bole (Bahrain-Merida), por exemplo. Todos corredores que hoje estão no World Tour. De recordar que Ruben Guerreiro detinha o melhor resultado de um português nesta prova, quando foi terceiro em 2016, precisamente ao serviço da equipa de Almeida. Agora está na Trek-Segafredo.

Se no início João Almeida estava concentrado em cumprir com a função de ajudar os dois líderes definidos, Ivo Oliveira e Will Barta, com o passar dos quilómetros foi-se sentido cada vez melhor e ao integrar a fuga com vários ciclistas, incluindo o colega Jonathan Brown, o português começou a acreditar que era possível alcançar um bom resultado. "Lá está, eu pensava num top 10 ou 15", admitiu ao Volta ao Ciclismo. Contudo, assumiu um último risco: "No final estava a sentir-me bem e aproveitei uma boa zona para atacar e correu bem. No final era só acreditar e sabia que conseguia."

"É uma corrida bastante difícil, com subidas muito inclinadas. [...] É o meu tipo de corrida"

Apesar da perseguição que lhe foi feita, o ciclista português terminou com 15 segundos de vantagem sobre o italiano Andrea Bagioli, que foi o mais forte no sprint pelo segundo lugar. O francês Alexys Brunel fechou o pódio. "É uma corrida bastante difícil, com subidas muito inclinadas, mas também tudo depende da nossa forma e das sensações. Foi uma corrida muito dura", salientou, acrescentado de imediato: "É o meu tipo de corrida."

Estar na Hagens Berman Axeon - considerada por muitos a melhor equipa de formação, liderada por Axel Merckx e que este ano subiu ao nível Profissional Continental - é por si só um factor de motivação para João Almeida, mas uma vitória numa corrida como a Liège-Bastogne-Liège "acaba por dar mais confiança". "E talvez tenha ganho mais respeito e é mais fácil acreditar [em ser possível alcançar mais vitórias]", disse.

Apesar do feito, João Almeida mantém-se igual a si próprio, concentrado em trabalhar na sua evolução. Concentrado no presente. "O que tenho basicamente de fazer é continuar a ajudar os meus colegas e a equipa. Depois é tentar andar sempre bem e depende do momento de cada um", afirmou. Segue-se o Tour de Bretagne (de 25 de Abril a 1 de Maio): "Vou com expectativa de fazer bons resultados."

Agora é tempo de celebrar, ou pelo menos foi neste domingo, para depois retomar uma temporada que está a ser muito positiva, não se podendo esquecer que o trio português da Hagens Berman Axeon - Almeida e os gémeos Oliveira - aguarda por conhecer quem serão os eleitos para a Volta a Califórnia, uma corrida World Tour, que se realiza daqui a um mês.

(Pode ver no Facebook da equipa americana as fotografias da festa de João Almeida, que naturalmente contou com um muito feliz Ivo Oliveira.)



14 de abril de 2018

João Almeida vence Liège-Bastogne-Liège e Rui Oliveira qualifica Portugal para os Mundiais

(Fotografia: Hagens Berman Axeon)
O futuro chegou. De promessas têm cada vez menos, pois são cada vez mais uma confirmação. Hoje foi um grande dia para os sub-23 portugueses. João Almeida venceu a Liège-Bastogne-Liège deste escalão e Rui Oliveira foi sétimo no ZLM Tour, resultado que garantiu a presença da selecção portuguesa sub-23 nos Mundiais de Innsbruck, em Setembro. Os dois pertencem à equipa da Hagens Berman Axeon e estes excelentes resultados acontecem uma semana depois de Ivo Oliveira ter vencido a última etapa do Circuit des Ardennes.

Mas há que começar por um dos grandes momentos do ciclismo nacional. João Almeida venceu uma das principais clássicas nos sub-23, pois mesmo não estando incluída na Taça das Nações, basta ser uma das corridas que em elite é considerado um monumento, pelo que vencer nos escalões mais jovens é do mais prestigiante para os ciclistas que ambicionam alto. Almeida confessou no final que tinha acabado de concretizar um segundo sonho este ano: o primeiro foi ir para a Hagens Berman Axeon, o segundo, vencer a Liège-Bastogne-Liège.

Este é um ciclista que tem razões para sonhar bem alto. Estamos a falar de um corredor que dominou os escalões de juniores, juntamente com Daniel Viegas (actualmente na equipa sub-23 de Alberto Contador, a Polartec-Kometa), e que não hesitou em ir para o estrangeiro com apenas 18 anos.

Na Unieuro Trevigiani-Hemus 1896 venceu uma etapa no Tour de Mersin (Turquia), na Toscana Terra di Ciclismo Eroica e na Volta à Ucrânia, onde foi ainda o vencedor da classificação da juventude. Ainda a época não tinha terminado e a Hagens Berman Axeon tinha apresentado um contrato a João Almeida. A resposta está aí. É considerada uma das melhores equipas de formação e Axel Merckx tem colocado muitos ciclistas no World Tour, como foi o caso de Ruben Guerreiro. O director da equipa reagiu à vitória de Almeida no Twitter e dificilmente podia ser mais expressivo: "Yeaaaaaahhhhh!"

O melhor resultado na Liège-Bastogne-Liège tinha sido precisamente de Guerreiro, agora da Trek-Segafredo. Foi terceiro, atrás de Logan Owen - que era seu companheiro de equipa e agora está na EF Education First-Drapac p/b Cannondale - e de um "tal" Pavel Sivakov, um dos ciclistas que mais curiosidade está a gerar actualmente, tendo este ano assinado pela Sky.

Recuando um pouco na lista de vencedores encontramos Michael Valgren (Astana e que este ano ganhou a Omloop Het Nieuwsblad), Tosh Van der Sande (Lotto Soudal), Ramunas Navardauskas (Bahrain-Merida), Jan Bakelants (AG2R) e Grega Bole (Bahrain-Merida). Mais recentemente triunfaram Bjorg Lambrecht (Lotto Soudal) e Guillaume Martin (Wanty-Groupe Gobert), dois jovens que este ano se vão estrear na elite e sobre os quais recai enorme expectativa para os seus futuros.

Recentemente, numa entrevista ao Volta ao Ciclismo, João Almeida salientou que sentia que tinha "de corresponder à expectativa", apesar de os responsáveis da equipa não lhe estarem a colocar pressão. "Não me pediram nada de especial. Apenas para estar numa boa forma e para gostar do que faço", disse então (poder ler aqui a entrevista completa). Podem não lhe ter pedido nada de especial, mas, com apenas 19 anos, João Almeida conseguiu algo muito, muito especial.

De referir ainda o 20º lugar de Ivo Oliveira, a 40 segundos do companheiro de equipa. Já Tiago Antunes foi 107º, a 10:14, naquela que foi a última corrida do português com a camisola do Centro Mundial de Ciclismo da UCI. Antunes escreveu no Facebook que lhe foi "prometido um calendário recheado com corridas UCI, incluindo o Giro para sub-23, a verdade é que tal não tem sido cumprido". Assinou pela Aldro Team, equipa sub-23 de Manolo Saiz.

Classificação via ProCyclingStats (texto continua em baixo).


E no ZLM Tour...

Da Bélgica para a Holanda. A Selecção Nacional procurava garantir desde já o apuramento para os Mundiais no ZLM Tour, esta sim uma corrida da Taça das Nações. O objectivo estava bem definido: ficar entre os 15 primeiros para assim pontuar. Era tudo o que era necessário para a questão da qualificação ficar resolvida.

José Poeira seleccionou um grupo de muita qualidade e foi Rui Oliveira quem selou a presença de Portugal nos Mundiais de Innsbruck, na Áustria. O ciclista foi sétimo, numa corrida ganha pelo italiano Matteo Moschetti, que tem somado vitórias na Polartec-Kometa de Alberto Contador e já garantiu um contrato com a Trek-Segafredo.

"A equipa esteve bem ao longo de toda a corrida, cumprindo o objectivo de estar na discussão do ZLM Tour e de garantir os primeiros pontos na Taça das Nações. Agora há que pensar no futuro e, especialmente, na Corrida da Paz, outra prova da Taça das Nações, na qual um bom desempenho pode valer o apuramento para a Volta a França do Futuro", realçou o seleccionador José Poeira.

Quanto aos outros portugueses, a corrida não foi fácil. André Crispim sofreu uma queda, mas chegou no pelotão (37º), Francisco Campos foi 100º, a 2:14 minutos, Daniel Viegas, 110º, a 5:30, Miguel Salgueiro, 111º, também a 5:30. Marvin Scheulen, que furou numa altura decisiva da prova, abandonou.


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6 de abril de 2018

Estarão os gémeos Oliveira e João Almeida a caminho de uma corrida do World Tour?

Ficar de fora da Volta à Califórnia quando a corrida passou a pertencer ao calendário World Tour foi uma enorme desilusão para a então Axeon Hagens Berman. As regras nem permitem que equipas do terceiro escalão sejam convidadas, mas a organização pediu autorização à UCI e houve wildcard para duas. Ainda assim, a de Axel Merckx ficou de fora, com alguma surpresa. A atitude desta equipa é sempre de nunca desistir. Os seus ciclistas são incutidos com esse espírito de luta, que faz parte de todo um extenso processo que faz desta estrutura a referência entre a formação de jovens corredores. Merckx reagiu e conseguiu os apoios necessários para subir ao escalão Profissional Continental. Não era garantia que conseguisse estar na prova californiana, a principal do calendário dos EUA, mas agora o objectivo da temporada está confirmado: a Hagens Berman Axeon (ordem dos patrocinadores foi alterada este ano) estará na Califórnia.

"WE'RE BAAAAAAAAAACCKKK!!!" (Estamos de volta!) Foi assim que Axel Merckx celebrou nas redes sociais o anúncio das equipas que vão estar na 13ª edição da Volta à Califórnia. Para todos os seus jovens ciclistas é aquele impulso que estavam à espera para se concentrarem em mostrar tudo o que valem para tentar estar entre os sete eleitos. A ambição e motivação está sempre lá, mas a perspectiva de poder estar numa corrida do principal calendário é sempre algo diferente, ainda mais quando se fala de ciclistas à procura de "dar o salto".

Esta tem sido uma equipa que raramente passa despercebida na Volta a Califórnia. O próprio Ruben Guerreiro apresentou muitos dos seus créditos nesta prova, então pertencente ao segundo nível do calendário internacional. Foi por isso que ao ser aberta a porta a duas equipas Continentais em 2017 quando subiu ao World Tour, causou alguma surpresa um dos convites não ter ido para Merckx e para os seus corredores. As felizardas foram a Rally Cycling - e que bem esteve com Evan Huffman a ganhar duas etapas -  e a Jelly Belly p/b Maxxis. Esta última não seguiu o exemplo da Hagen Axeon Berman, Rally Cycling e Holowesko-Citadel p/b Arapahoe Resources, que pediram a licença Profissional Continental. 

Os originais equipamentos da Jelly Belly não serão vistos na edição desta temporada, já que não haverá espaço para equipas Continentais entre as inscrições das estruturas do World Tour e as do segundo escalão. Porém, a razão pela qual nem a equipa de Merckx, nem as restantes americanas que em 2018 são Profissionais Continentais podiam estar descansadas, era porque poderiam ser de mais para as vagas disponíveis. Dito e feito. A Novo Nordisk, formação conhecida por ser constituída por ciclistas diagnosticados com diabetes, ficou de fora. A prioridade vai sempre para as do escalão máximo.

Quanto aos portugueses da Hagens Berman Axeon, nenhum esconde o desejo de estar na Volta à Califórnia e os gémeos Oliveira poderão estar bem colocados para uma chamada. Estão no segundo ano com a equipa, a sua evolução tem sido visível e muito positiva. E que bom seria ver Rui Oliveira sprintar ao lado de Peter Sagan, Mark Cavendish, Marcel Kittel, Fernando Gaviria e Alexander Kristoff, quatro dos ciclistas pré-inscritos para a corrida americana.

Já João Almeida pode ter como desvantagem estar há poucos meses na equipa - em 2017 esteve na Unieuro Trevigiani-Hemus 1896 - e pelos seus apenas 19 anos. Contudo, analisando a equipa, muitos são os novos rostos para esta época e a faixa etária não varia muito, não fosse afinal a aposta em jovens de qualidade. Os seus resultados são animadores, pelo que até 13 de Maio, quando o pelotão partir de Long Beach, o ciclista português ainda pode convencer Axel Merckx.

Almeida é um dos grandes talentos do ciclismo nacional, que juntamente com Daniel Viegas (actualmente na equipa de sub-23 da Polartec-Kometa, de Alberto Contador) dominou o escalão de juniores. Apesar da idade, demonstra enorme maturidade, pelo que certamente alimenta a esperança - e com razão - de ser chamado. A confiança da equipa ficou logo demonstrada com o contrato de dois anos que lhe foi dado e tem sido frequentemente chamado para as corridas que estão a ser feitas no continente europeu.

E ser dos reforços de 2018 não é algo que afaste de imediato seja quem for de uma convocatória. Longe disso. O belga Jasper Philipsen (20) tem sido a figura ganhadora, somando três das quatro vitórias da equipa. O campeão mundial de contra-relógio de sub-23 foi outra das contratações e Mikkel Bjerg, dinamarquês de 19 anos, já venceu pela Hagens Berman Axeon, mas tem andado pouco activo. Por outro lado há William Barta. O americano, de 22 anos, está há quatro na estrutura e seria estranho vê-lo ficar de fora.

O périplo que a equipa está actualmente a realizar pela Europa, entre Bélgica, Itália e agora em França, poderá ser decisivo para alguns ciclistas. Portanto, nada como "somar pontos". Na primeira etapa do Circuit des Ardennes, Rui Oliveira foi o melhor da Hagens Berman Axeon, ao cortar a meta em sétimo, com o mesmo tempo do vencedor, John Murphy (Holowesko-Citadel p/b Arapahoe Resources). João Almeida foi 24º e Ivo Oliveira 55º, com ambos a terminarem no grupo principal. A prova termina no domingo e nesse dia haverá dupla jornada.

Um dos antigos pupilos de Merckx também deverá viajar até à Califórnia, pois a Trek-Segafredo tem planeado levar Ruben Guerreiro. As sete etapas são distribuídas por três para sprinters, três para trepadores e um contra-relógio individual pouco plano. Agora é esperar para ver se os três jovens portugueses da Hagens Berman Axeon conseguem juntar-se ao compatriota e que veste a camisola de campeão nacional

De recordar que há um ano o vencedor foi o neozelandês da Lotto-Jumbo, George Bennett, com Peter Sagan a ser a grande estrela por terras americanas, detendo o recorde de 16 etapas, além de uma surpreendente vitória na geral em 2015.

As equipas presentes serão:

World Tour: AG2R, BMC, Bora-Hansgrohe, Dimension Data, EF Education First-Drapac p/b Cannondale, Katusha-Alpecin, Lotto-Jumbo, Mitchelton-Scott, Quick-Step Floors, Sky, Sunweb, Trek-Segafredo, UAE Team Emirates;


Profissional Continental: Hagens Berman Axeon, Holowesko-Citadel p/b Arapahoe Resources, Rally Cycling e UnitedHealthcare.

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