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30 de setembro de 2018

Este é Rui Costa

Rui Costa com o seleccionador José Poeira
(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Custou, mas Rui Costa reapareceu em grande nível. E se não pôde estar melhor antes, então estar nos Mundiais é uma altura mais do que perfeita. Foi uma época difícil para o poveiro, mas terminar no 10º lugar em Innsbruck e ter realizado uma boa prestação durante toda a extensa e difícil corrida, até que as cãibras o limitaram, foi uma exibição que só pode deixar o ciclista e o seleccionador José Poeira orgulhosos.

Bem se viu Rui Costa a bater nas pernas quando as cãibras apareceram, mas quando pela frente estavam "apenas" os 2,8 quilómetros que chegavam a ter pendentes de 28%, o ciclista fez o que pôde para alcançar o que não deixou de ser um excelente resultado e o que estava definido como objectivo. E há que salientar que foram um dos Mundiais mais difíceis da história.

Rui Costa bem precisava de uma exibição assim. O ano foi difícil. a UAE Team Emirates contratou Daniel Martin e Fabio Aru, o que significaria a perda de uma liderança praticamente indiscutível nas grandes voltas. Mas como nunca virou a cara a um desafio, o ciclista tentou arrancar a época forte. A queda no Paris-Nice, em Março, determinaria toada da temporada. A lesão no joelho limitou-o desde então, chegando mesmo a ficar afastado da Volta a Suíça e depois do Tour, mesmo que antes até tenha estado a bom nível na Volta à Romandia (quinto na geral). Ficou de fora dos eleitos para a Vuelta e pela primeira vez desde que está no World Tour, não fez nenhuma grande volta.

É um ciclista que gosta dos grandes palcos e aquele título mundial de 2013 marcará sempre a sua carreira e a modalidade em Portugal. Em Innsbruck, não se intimidou com os 4680 metros de acumulado dos quase 260 quilómetros. Que bem esteve Rui Costa. Foi aquele Rui Costa que nos habituámos a ver, sempre bem colocado, a ler a corrida, a saber quem deve seguir ou quando deve tentar mexer pela corrida. Andava como que "escondido" há algum tempo, mas eis que os Mundiais ajudaram o português a reencontrar-se com as grandes exibições.

Lá se sofreu um pouco ao ver Rui Costa a tentar atacar na descida antes da temível subida final, pois Florença 2013 tornou-se bem viva na memória naqueles instantes. Aquelas violentas pendentes finais (antes da derradeira descida) não eram ao seu jeito, mas também não eram ao jeito de muitos. Até aquela subida parecia estar bem o português. Depois vieram os tais murros para "acordar" os músculos. O desporto é assim. Desta vez não deu, mas pelo menos vimos este ciclista ao seu nível. Depois de um ano com tantas limitações, surgir assim nos Mundiais foi um feito importante para o ciclista. Que seja o mote para o recuperar a sua melhor versão, seja qual for o seu futuro (está em final de contrato). Mais um resultado para a história dos Mundiais, com Rui Costa a cortar a meta 43 segundos depois do novo campeão mundial, Alejandro Valverde.

"Estive quase toda a corrida com os melhores. Na última subida longa tentei entrar num grupo, porque sabia que a subida final era muito inclinada para mim. Não foi possível. Tive de gerir o melhor possível, até porque já vinha com cãibras. Dei o meu melhor por Portugal. Estou contente com o décimo lugar, com pena por não ter conseguido mais. Agradeço a todos aqueles que me ajudaram e sempre me apoiaram, numa época com vários problemas. Acabar o Mundial no top 10 é muito gratificante para mim", afirmou Rui Costa, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Mas falemos também de Nelson Oliveira. Sempre foi uma dupla que funcionou bem, na selecção e quando estiveram juntos na então Lampre-Merida. Fez o contra-relógio por equipas pela Movistar (sexto), o individual (quinto) e na corrida de fundo esteve sempre bem colocado, pronto para ajudar no que fosse preciso o líder. Terminou na 39º posição, a cinco minutos.

Ruben Guerreiro e Tiago Machado completaram o quarteto da selecção. O jovem ciclista, que está de malas feitas para a Katusha-Alpecin, esteve também ele sempre atento ao que Rui Costa precisava. Uma queda prejudicou-lhe a corrida. A dor num joelho forçou o abandono. Já Tiago Machado tinha saído de cena depois de muito ter trabalhado na primeira fase da corrida.

O seleccionador José Poeira viu assim cumprido o objectivo de top 10 para fechar os Mundiais austríacos. Este resultado, o quinto lugar de Nelson Oliveira no contra-relógio e o 16º de Guilherme Mota na corrida de fundo de juniores foram os pontos altos. Os sub-23 acabaram por ser os que ficaram abaixo das expectativas, que eram altas. Foi um daqueles dias em que simplesmente não correu bem. Esperava bastante, principalmente de João Almeida, mas no momento decisivo, a equipa não conseguiu ficar na frente da corrida. São ciclistas que estão num processo de aprendizagem e tanto João Almeida, Tiago Antunes, André Carvalho e Gonçalo Carvalho têm tudo para ter mais oportunidades para se mostrarem ao mais alto nível.

Fim de festa em Innsbruck. Para o ano é Yorkshire, na Grã-Bretanha, que receberá os Mundiais de ciclismo, entre 22 e 29 de Setembro.

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16 de agosto de 2018

Equipa portuguesa ambiciosa para a Volta a França do Futuro

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Se há equipa que tem um grupo de ciclistas que tem potencial para receber muita atenção na Volta a França do Futuro, é o da selecção portuguesa. São corredores que demonstram enorme qualidade apesar de ainda serem muito jovens. À cabeça está um João Almeida que está a realizar um 2018 a todos os níveis fantástico, naquele que está a ser o seu primeiro ano na Hagens Berman Axeon. É vista por muitos como uma das melhores equipa de formação, orientada por Axel Merckx e que conta com mais dois portugueses que começam a demonstrar na estrada toda a qualidade já reconhecida na pista: Ivo e Rui Oliveira, que também estarão na corrida francesa.

Para lutar por um bom resultado na mais importante prova por etapas de sub-23, José Poeira chamou também Tiago Antunes, ciclista que começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo, tendo em Abril optado por mudar-se para a equipa espanhola de Manolo Saiz, a Aldro Team, mas no início deste mês passou a estagiar na SEG Racing Academy. É um projecto holandês de formação por onde passaram Fabio Jakobsen - uma das estrelas em ascensão na Quick-Step Floors -  e Stephen Williams, britânico que está a estagiar com a Bahrain-Merida, mas já assinou contrato até 2020.

A completar a selecção estão dois ciclistas que competem em Portugal. André Ramalho (Jorbi/Team José Maria Nicolau) e Marcelo Salvador (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés) fazem desta equipa uma que tem corredores para todos os terrenos que irão ser enfrentados neste Tour de l'Avenir, o nome oficial da competição.

João Almeida tem sido dos jovens ciclistas em destaque nesta temporada. Venceu a Liège-Bastogne-Liège de sub-23, foi quinto na Ronde de l'Isard e ganhou a classificação da juventude, tendo feito o mesmo no Giro para o seu escalão, no qual foi segundo na geral.

"É uma equipa equilibrada, com corredores capazes de estar com os melhores nas etapas de montanha, mas também com elementos prontos para se baterem pelas primeiras posições nos dias em que os sprinters tiverem oportunidades. Além disso, completa-se com jovens que sabem cumprir a missão de trabalhar para o colectivo e que chegam a este momento da época com a frescura física necessária para enfrentar um desafio com a importância e a exigência da Volta a França do Futuro", salientou o seleccionador José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Se há prova que tem ajudado a impulsionar a carreira de muitos ciclistas, tem sido esta. Egan Bernal (Sky), David Gaudu (Groupama-FDJ), Marc Soler (Movistar), Miguel Ángel López (Astana), Warren Barguil (Fortuneo-Samsic), Johan Esteban Chaves (Mitchelton-Scott), Nairo Quintana (Movistar), fazem parte de uma lista de corredores que venceram o Tour de l'Avenir e que hoje são algumas das principais figuras do ciclismo mundial. Isto só para referir dos mais recentes.

Nesta edição, há mais um colombiano que é forte candidato a juntar-se a este lote de luxo. Ivan Ramiro Sosa é um dos ciclistas que será seguido atentamente. Tem apenas 20 anos e estará a caminho da Trek-Segafredo, depois de na Androni Giocattoli-Sidermec ter aparecido a grande nível na Volta aos Alpes e há cinco dias conquistou a Volta a Burgos.

Pode ver aqui a lista de inscritos.

Etapas
1ª: Grand-Champ - Elven, 138,2 km
2ª: Drefféac - Châteaubriant, 144,2
3ª: Le Lude - Châteaudu, 171,2
4ª: Orléans - Orléans, 20,2 (contra-relógio por equipas)
5ª: Beaugency - Levroux, 145,8
6ª: Le Blanc - Cérilly, 181,1
7ª: Moutiers - Méribe, 35,4
8ª: La Bathie - Crest-Voland Cohennoz, 81,1
9ª: Séez - Val d'Isère, 83

16 de maio de 2018

Sete portugueses num dos palcos mais importantes para os jovens ciclistas

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
É um dos principais palcos para os jovens ciclistas. A Ronde de l’Isard atrai a atenção dos olheiros das grandes equipas e nos últimos, quem por ali se mostrou viu abrirem-se as portas do World Tour. A selecção portuguesa estará representada por seis ciclistas, a maioria com características de trepadores, não fosse a corrida francesa marcada pela montanha em três das suas quatro etapas. João Almeida (Hagens Berman Axeon), André Ramalho (Jorbi/Team José Maria Nicolau), Hugo Nunes e Jorge Magalhães (Miranda-Mortágua), André Carvalho e Venceslau Fernandes (Liberty Seguros-Carglass) foram chamados por José Poeira e têm assim a oportunidade participar numa das corridas mais importantes para o escalão de sub-23, que inclui selecções e equipas de desenvolvimento.

Ao analisar a lista de vencedores recentes, vemos nomes como Pavel Sivakov (assinou pela Sky), Bjorg Lambrecht (Lotto Soudal), Simone Petilli (UAE Team Emirates), Louis Vervaeke (actualmente na Sunweb depois de se ter formado na Lotto Soudal), Kenny Elissonde (esteve na FDJ antes de se mudar para a Sky) e Alexandre Geniez (passou pela FDJ e agora está na AG2R). Mas não são só os vencedores que acabam por conseguir singrar ao mais alto nível. Jonathan Casteoviejo (Sky), George Bennett (Lotto-Jumbo), Joe Dombrowski (EF Education First-Drapac p/b Cannondale), Laurens de Plus (Quick-Step Floors), Dylan Teuns (BMC) e Tiesj Benoot (Lotto Soudal) terminaram no pódio desta corrida.

Aqui estão apenas referidos aqueles que fecharam top três e estão no World Tour, pois a lista seria mais longa se se olhar para o top dez e para algumas das mais fortes equipas Profissionais Continentais que contrataram jovens ciclistas que realizaram boas exibições na Ronde de l’Isard.

E há um português que certamente procurará no mínimo repetir o resultado de 2017. Porém, Tiago Antunes quererá ir mais além do que o excelente 10º lugar (foi ainda terceiro na etapa rainha). Desta feita não estará com as cores da selecção, pois representará a sua equipa, a Aldro Team. O responsável, Manolo Saiz, irá apostar forte no ciclista português, de 21 anos. "Vamos com uma equipa compacta, com a qual podemos aspirar a que o Antunes possa lutar por algo importante", lê-se no site da formação espanhola.

O ciclista começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas acabou por sair antes de finalizar o contrato, por acordo mútuo, assinando pela Aldro Team. A perspectiva era de assim poder competir em corridas importantes, como a Ronde de l’Isard.

Quanto aos restantes portugueses, todas na selecção, os cinco que actuam em Portugal têm destacado-se nas classificações do seu escalão. André Carvalho, Hugo Nunes e Jorge Magalhães estão em equipas que este ano pertencem escalão Continental, sendo sub-25. No entanto, mesmo representado uma de clube, as exibições de André Ramalho não estão a passar despercebidas. Já o ciclista da Hagens Berman Axeon, João Almeida, está a realizar temporada uma temporada muito positiva, que conta com uma histórica vitória da Liège-Bastogne-Liège de sub-23.

“Considero que é uma equipa homogénea, que dá garantias para uma prova de grande dificuldade”, explicou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo, que teve de substituir Rui Oliveira por Venceslau Fernandes devido a doença.

Quanto às etapas, que se realizarão entre 17 e 20 de Maio, na primeira serão 125,9 quilómetros entre Lorp-Sentaraille e Eychel, com final em alto.



A segunda termina novamente em alto, depois de 154,3 quilómetros a ligar Fonsorbes a Goulier-Neige.



A terceira é a "mais simpática", ainda que tenha muito sobe e desce à espera do jovem pelotão. Serão 153,4 quilómetros entre Lévignac e Boulogne-sur-Gesse.



A decisão final terá 152,4 quilómetros entre Salies-du-Salat e Saint-Girons, numa etapa que voltará a ter muita montanha para enfrentar.



De referir que a Polartec Kometa de Daniel Viegas também estará presente, mas o português surge como suplente na lista de inscritos que pode ver em baixo (clique para ampliar).


17 de agosto de 2017

Portugal com seis ciclistas nos Mundiais. W52-FC Porto convidada para contra-relógio por equipas

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A um mês do início dos Mundiais, a UCI divulgou o número de ciclistas que cada nação poderá levar para Bergen nas diferentes categorias. O seleccionador José Poeira poderá formar uma equipa com seis ciclistas para atacar o percurso norueguês. Já no contra-relógio todas os países podem inscrever dois ciclistas. Também é nesta especialidade que as equipas dos três escalões podem participar e a W52-FC Porto volta a figurar entre as convidadas e tem até dia 22 para confirmar a sua presença. A Quick-Step Floors é a campeã em título, depois de no ano passado terem participado poucas formações devido às despesas elevadas para transportar toda a logística de uma equipa para o Qatar.

O máximo de ciclistas permitido por selecção é nove. Bélgica, Espanha, Colômbia, França, Itália, Austrália, Holanda, Grã-Bretanha, Alemanha e a Noruega conseguiram garantir esse número através do ranking mundial, que serve de base para a UCI determinar o número de corredores por selecção.

Serão uns mundiais interessantes depois de há um ano o percurso completamente plano e o intenso calor terem prejudicado uma competição que foi pouco interessante até ao sprint final, no que diz respeito à prova de elite. Na Noruega, o percurso é um pouco mais acidentado, com uma subida a meio com potencial para partir o pelotão (as corridas serão feitas em circuito). Ou seja, tanto pode servir para sprinters que passem bem algumas dificuldades - Alexander Kristoff tem os Mundiais assinalados como grande objectivo da temporada - como pode favorecer ciclistas com capacidade para escapar na subida e que depois tenham a capacidade de manter um ritmo elevado - Tom Dumoulin também estará a pensar em conquistar o título mundial, tanto na prova de estrada, como no contra-relógio.


Para Portugal, o percurso poderá significar o regresso de Rui Costa aos Mundiais (venceu em 2013), depois de no ano passado não ter sido chamado, já que um terreno completamente plano não lhe dava grandes hipóteses de lutar por uma vitória. 2016 foi um ano para sprinters puros, 2017 abre novamente as portas a outros ciclistas. José Gonçalves também encaixa bem num percurso assim, tal como Ruben Guerreiro, o actual campeão nacional, e Nelson Oliveira.

O ciclista da Movistar também terá lugar na prova de esforço individual e este ano o percurso deverá agradar-lhe um pouco mais. Oliveira não gosta de terrenos completamente planos e os altos e baixos de Bergen assentam-lhe melhor. Porém, no final estará uma dificuldade que poderá quebrar até os que sobem melhor: os 3,4 quilómetros até à meta têm uma pendente média de 9,1%.


O campeão do Mundo, Tony Martin, não terá ficado nada satisfeito com esta subida final. De referir, que alguns ciclistas estão automaticamente qualificados para esta competição e não entram nos dois que cada país pode inscrever. Ou seja, a Alemanha terá Martin mais dois, se assim quiser. Se por alguma razão Martin não estiver disponível, não poderá ser substituído.

Os outros ciclistas com lugar garantido são Victor Campenaerts (campeão europeu, Bélgica), Meron Teshome (campeão africano, Eritreia), Dmitriy Gruzdez (campeão asiático, Cazaquistão), Jose Louis Rodriguez Aguilar (campeão pan-americano, Chile) e Sean Lake (campeão da Oceania, Austrália).

Quanto às restantes categorias, Portugal poderá ter três ciclistas na elite feminina - em condições normais, Daniela Reis terá presença garantida -, nos sub-23 masculinos José Poeira pode escolher quatro corredores, nos juniores poderão ir três. No escalão feminino de juniores podem ser inscritas quatro ciclistas. Os contra-relógios estão todos limitados a dois atletas por nação. Todos os países têm até 31 de Agosto para confirmar as suas inscrições.

As corridas começam no dia 16 de Setembro, com a elite masculina a fechar o programa no domingo, 24.

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»»Só a perspectiva de mudar de ares fez bem a Kristoff««

25 de julho de 2017

Misto de juventude e experiência para atacar os Europeus

Rafael Reis e Ruben Guerreiro, amigos que vão lutar pelo título europeu
Será o segundo ano em que os profissionais poderão competir nos Europeus, com Herning, na Dinamarca, a ser o palco da corridas entre 2 e 6 de Agosto. Há um ano Peter Sagan coleccionou mais uma camisola, que acabou por nunca ser vista na estrada, pois era campeão do mundo quando ganhou e renovou o título em Outubro. Jonathan Castroviejo venceu no contra-relógio e essa camisola até a vimos na Volta ao Algarve. Quem serão os próximos campeões europeus? Portugal aposta num misto de juventude e experiência para enfrentar as habituais potências do ciclismo: Ruben Guerreiro, Rafael Reis, José Mendes e Tiago Machado.

Este ano serão apenas quatro os que formarão a equipa na competição de elite, como José Mendes (Bora-Hansgrohe) e Tiago Machado (Katusha-Alpecin) a repetirem a chamada, ainda que o primeiro tenha acabo por não competir devido a problemas físicos. Em 2016, a táctica assumida foi de apoio a Rui Costa, que terminou na sexta posição. Este ano e dado ser uma equipa mais curta, as características dos ciclistas beneficiam a procura de uma fuga ou de ataques nos quilómetros finais, por exemplo. Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) sagrou-se recentemente campeão nacional de fundo, enquanto Rafael Reis (Caja Rural) foi vice-campeão de contra-relógio, perdendo para Domingos Gonçalves, que no dia 4 começa a Volta a Portugal com a Rádio Popular-Boavista.

Sem surpresa, Rafael Reis irá estar tanto no esforço individual como na prova de fundo, tal como Tiago Machado. Rafael Reis é um especialista nesta vertente e na Volta a Portugal de 2016 venceu o prólogo e vestiu a camisola amarela. O percurso do contra-relógio é essencialmente plano (46 quilómetros), tal como o escolhido para a prova de fundo (241,2). Será percorrido em circuito para assim potenciar a visibilidade de quem quiser assistir in loco à corrida.

Bikey, a mascote dos Europeus
Perante estas características e o número reduzido de ciclistas da equipa portuguesa, percebe-se ainda melhor a escolha de José Poeira. Tiago Machado (31 anos) é exímio neste tipo de ataques. Na Katusha-Alpecin as suas funções mudaram, sendo agora um excelente gregário, mas as qualidades do homem de ataque que é não se perderam. Certamente que o ciclista estará desejoso de as mostrar, depois de um Tour muito positivo, ainda que no trabalho para Alexander Kristoff. José Mendes (32) gosta mais de percursos com algumas inclinações, ainda assim a sua experiência poderá ser importante, pois também sabe integrar bem potenciais fugas.

Rafael Reis (25) e Ruben Guerreiro (23) são ciclistas que se adaptam facilmente a este tipo de corridas. Ambos começaram bem a temporada nas novas equipas, mas o primeiro fracturou o pulso e o segundo teve um problema dentário. As paragens forçadas quebraram a subida de forma dos dois, contudo, estão novamente a atingir bons picos de intensidade física.

O percurso dos Europeus não assentaria a Rui Costa, por exemplo, mas Nelson Oliveira falhará a presença no contra-relógio porque nesse dia (3) estará na Volta à Polónia com a Movistar, a preparar a Volta a Espanha, corrida para a qual espera ser convocado. Em 2016, Nelson Oliveira falhou o pódio por 17 segundos.

A comitiva portuguesa não se fica por estes quatro ciclistas. Serão 16 ao todo que irão competir também nos sub-23, juniores e no sector feminino.

Sub-23: André Carvalho (Cipollini Iseo Serrature Rime), César Martingil (Liberty Seguros/Carglass), Francisco Campos (Miranda/Mortágua), Gaspar Gonçalves (LIberty Seguros/Carglass) e João Almeida (Unieuro Trevigiani-Hemus 1896). Só Gaspar Gonçalves participará também no contra-relógio.

Juniores: João Dinis (RP-Boavista), Pedro Miguel Lopes (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact) Pedro José Lopes (Alcobaça CC/Crédito Agrícola) e Pedro Teixeira (Maia). Os últimos dois estão inscritos para a corrida de fundo e contra-relógio.

Gabriel Mendes é o responsável no sector feminino, que só irá competir nas provas de fundo. As eleitas são a elite Daniela Reis (Lares-Waowdeals), a sub-23 Soraia Silva (Bairrada) e a júnior Maria Martins (Bairrada),que na semana passada foi vice-campeã da Europa do seu escalão na prova de eliminação dos Europeus de pista que se realizariam em Anadia.

Em baixo fica o calendário das corridas em que irão participar os ciclistas portugueses (fuso horário de Portugal Continental):
  • 2 de Agosto, 11:45 Contra-relógio Juniores Masculinos, 31,5 km 
  • 3 de Agosto, 11:15 Contra-relógio Sub-23 Masculinos, 31,5 km 
  • 3 de Agosto, 14:00 Contra-relógio Elite Masculina, 46 km 
  • 4 de Agosto, 8:00 Prova de Fundo Juniores Femininas, 60,3 km 
  • 4 de Agosto, 11:00 Prova de Fundo Sub-23 Femininas, 100,5 km 
  • 4 de Agosto, 15:00 Prova de Fundo Juniores Masculinos, 120,6 km 
  • 5 de Agosto, 8:00 Prova de Fundo Sub-23 Masculinos, 160,8 km 
  • 5 de Agosto, 13:00 Prova de Fundo Elite Feminina, 120,6 km 
  • 6 de Agosto, 10:00 Prova de Fundo Elite Masculina, 241,2 km


1 de junho de 2017

Ivo Oliveira vence prólogo e lidera Corrida da Paz

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Era um contra-relógio a pedir explosão dada a curta distância e se há ciclista que a tem é Ivo Oliveira. O jovem português já tinha apontado este dia como perfeito para vencer e agora só pensa em manter a camisola amarela até ao fim na Corrida da Paz. Ivo Oliveira está a melhorar cada vez mais na estrada, depois de já ser num dos melhores do mundo na pista em sub-23. Esta vitória foi ainda mais importante, pois garantiu que a selecção nacional deste escalão irá estar presente nos Mundiais de Bergen, Noruega, em Setembro.

Krnov, na República Checa, foi palco do triunfo de Ivo Oliveira, que cumpriu os dois quilómetros em 2:13 minutos. Os adversários não ficaram longe. O segundo classificado, o dinamarquês Casper Pedersen, ficou a três centésimos e o terceiro, o luxemburguês Kevin Genets, a 80.

“Quando fui convocado disse logo ao senhor Poeira que esta etapa era boa para mim, sabia que conseguiria um bom resultado. Tenho a pretensão de manter a camisola amarela até ao fim, porque estou a subir bem devido ao trabalho específico que tenho realizado. Estamos aqui com uma equipa muito forte e se não for eu a ficar com a camisola amarela, pode ser um colega meu”, salientou o ciclista português, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Quanto aos restantes portugueses em prova, o segundo melhor foi João Almeida, 29º, a sete segundos, seguiu-se Tiago Antunes, 54º, a nove, Jorge Magalhães, 59º, a dez, David Ribeiro, 107º, a 17 , e Gonçalo Carvalho, 113º, a 21. Colectivamente Portugal ocupa a quinta posição, a cinco segundos da Noruega. Pode ver aqui as classificações completas.

Com três etapas por disputar, Ivo Oliveira, que este ano representa a Axeon Hagens Berman, tem pela frente esta sexta-feira 133 quilómetros entre Jeseník e Rýmařov, com muito sobe e desce à espera do pelotão. A Corrida da Paz termina no domingo.

13 de abril de 2017

Sub-23 portugueses vão enfrentar chuva, vento e frio para tentar garantir presença nos Mundiais

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Depois de uma Volta a Flandres algo acidentada para os sub-23 portugueses, este sábado não haverá os famosos muros de empedrado da Bélgica, mas o ZLM Tour proporcionará outras dificuldades. Chuva, vento e frio prometem tornar esta corrida numa verdadeira odisseia na Holanda, de tal forma que o seleccionador nacional até disse que "o problema não é na meta, é chegar lá". Porém, a motivação é grande e os ciclistas querem garantir desde já a presença nos Mundiais de Bergen, em Setembro.

André Crispim, César Martingil e Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros/Carglass), André Carvalho (Team Cipollini Iseo Rime), Francisco Campos (Miranda/Mortágua) e Rui Oliveira (Axeon Hagens Berman) foram os corredores chamados por José Poeira. De recordar que André Crispim caiu há uma semana na Flandres e teve inclusivamente de ir ao hospital. No entanto, recuperou a tempo de ajudar a equipa, que aponta em colocar um ciclista no top 15 e assegurar a presença da selecção de sub-23 nos Mundiais.

"Prevê-se mau tempo, com chuva e vento. Será uma corrida de ataque e aberta. Vai ser necessário estar na frente para seguir as movimentações que vão partir o pelotão e que definirão quem poderá aspirar às primeiras posições", salientou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Esta prova normalmente beneficia homens rápidos e Portugal apresenta alguns que podem estar na decisão final. Contudo, se o vento já costuma provocar muitos problemas, com a meteorologia a ser ainda pior, os ciclistas portugueses terão de se manter concentrados durante os 181,3 quilómetros e evitar ficar em algum corte que os retire da frente da corrida.

Francisco Campos foi o melhor português na Volta a Flandres de sub-23 e está a realizar um excelente início de 2017. Rui Oliveira irá surgir certamente muito animado pelos recentes resultados na Joe Martin Stage Race, nos EUA, tendo alcançado dois segundos lugares em etapas e conquistado a classificação da juventude.

7 de abril de 2017

Sub-23 portugueses enfrentam os 18 muros da Volta a Flandres

César Martingil é uma das principais figuras dos sub-23 portugueses
(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Uma semana depois do espectáculo dado por Philippe Gilbert será a vez de saber quem é o jovem que consegue conquistar a dureza da Volta a Flandres para o escalão de sub-23. A distância é menor, naturalmente (168,1 quilómetros contra os 260 da elite), mas são também 18 muros que terão pela frente, incluindo os míticos Kapelmuur, Kwaremont e Paterberg. Portugal estará representado por André Crispim, César Martingil e Gaspar Gonçalves da Liberty Seguros/Carglass, André Carvalho (Team Cipollini Iseo Rime), Marcelo Salvador (Sicasal/Constantinos/Delta Cafés) e Francisco Campos (Miranda/Mortágua), ciclista que começou muito bem a temporada, com uma vitória na Prova de Abertura Região de Aveiro - frente à elite -, foi o melhor sub-23 do Troféu Liberty Seguros e mais recentemente ganhou duas etapas na Volta às Terras de Santa Maria.

Será uma dupla jornada que contará para a Taça das Nações. Depois da competição belga deste sábado, a equipa nacional de sub-23 viajará até à Holanda para dia 15 (também um sábado) competir no ZLM Tour. O percurso de 181,3 quilómetros tem por hábito ficar marcado pelo vento e pelo perigo de se produzirem cortes no pelotão, obrigando os ciclistas a uma elevada concentração e a colocação poderá ser decisiva. É uma corrida que normalmente beneficia os mais rápidos. Para a competição holandesa foi chamado Rui Oliveira (Axeon Hagens Berman), que substituirá Marcelo Salvador.

A qualidade dos ciclistas chamados por José Poeira deixa algumas expectativas quanto à possibilidade de um bom resultado nas duas corridas, crença expressa também pelo seleccionador nacional. “São duas provas com muita intensidade e com grande exigência técnica. Por isso são corridas fundamentais para a formação dos corredores com vista ao futuro. Entre os ciclistas convocados temos corredores que já fizeram este tipo de clássicas e que sabemos possuir qualidade para estar junto dos melhores”, salientou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Entre alguns dos recentes vencedores da Volta a Flandres estão ciclistas que ou já estavam em equipas World Tour ou entretanto chegaram lá, como por exemplo: David Per (Bahrain-Merida), Alexander Edmonson (Orica-Scott), Dylan Groenewegen (Lotto-Jumbo), Rick Zabel (Katusha-Alpecin) e Salvatore Puccio (Sky).

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11 de março de 2017

José Poeira juntou grupo de talento para representar a selecção na Clássica Aldeias do Xisto

É preciso aproveitar todas as oportunidades e José Poeira não quis desperdiçar a possibilidade de conseguir juntar um grupo de muita qualidade de jovens ciclistas, para assim os analisar na Clássica Aldeias do Xisto - que se realiza este domingo - já a pensar nas corridas da Taça das Nações e, claro, nos Europeus e Mundiais. Para estes últimos campeonatos ainda faltam uns meses, mas o seleccionador nacional diz que é preciso começar a trabalhar logo no início do ano para preparar ao pormenor a participação portuguesa nos vários escalões. Os gémeos Oliveira, André Carvalho, João Almeida e Daniel Viegas são os jovens que José Poeira vai aproveitar para ver e que espera que possam também de beneficiar da experiência de André Cardoso, Tiago Machado e Ricardo Vilela.

"Neste caso o interesse maior é pelos sub-23 porque são com eles que vamos trabalhando durante o ano em diferentes corridas da Taça das Nações. Por vezes é complicado juntá-los antes porque estão em diferentes equipas e vai ser interessantes vê-los este domingo", explicou José Poeira ao Volta ao Ciclismo. O seleccionador valoriza o facto de ciclistas do World Tour - André Cardoso (Trek-Segafredo) e Tiago Machado (Katusha-Alpecin) - e de formações Profissionais Continentais - Ricardo Vilela (Manzana Postobón) - terem interesse em representar nesta fase da época a selecção: "É bom para eles, é bom para nós e é bom para a corrida, pois enriquece o pelotão e torna as coisas mais interessantes. Motiva toda a gente, pois são ciclistas que fazem a Volta a Itália ou a Volta a França e isso é importante para a corrida e para o ciclismo." Apesar do objectivo não ser lutar pela vitória, pois ver os como estão os ciclistas é o mais importante, José Poeira não afasta a possibilidade de algum dos seus corredores entrar na luta por um bom resultado.

Há que salientar que o grupo de potenciais ciclistas eligíveis para a selecção conta com alguns que estão em equipas nacionais, mas José Poeira disse que esses vão competindo nas suas formações. O seleccionador tenta aproveitar para ver aqueles que estão no estrangeiro, como João Almeida, por exemplo. O jovem de 18 anos assinou pela italiana Unieuro Trevigiani-Hemus 1896, do escalão continental, e José Poeira vai aproveitar para ver como está a evoluir o ciclista, agora que subiu ao escalão de sub-23.

Não conhecendo o trabalho que está a ser feito com João Almeida na formação transalpina, o seleccionador deixa o alerta: "Essas equipas, esses directores têm de ter cuidado, pois há que se ter a percepção que estão a lidar com um jovem que veio de júnior, onde a distância das corridas e o ritmo é diferente. Penso que essas pessoas têm a percepção que ciclistas como o João Almeida devem fazer corridas adequadas para a idade e não devem fazer muitas. Para se ter bons atletas, temos de saber trabalhar com eles nestas alturas das carreiras."

Quanto a Ivo e Rui Oliveira assinaram por uma das melhores equipas de formação, a americana Axeon Hagens Berman de Axel Merckx, e José Poeira deixa elogios aos gémeos. "Eles devem muito à pista. São dotados de uma técnica e de uma experiência de domínio da bicicleta no pelotão. Estão a evoluir fisicamente, estão a melhorar nas subidas e já passam bem a média montanha, além de terem uma excelente ponta final. Para a idade que têm [20], em corridas de sub-23 dão bem conta de si e discutem os primeiros lugares", realçou.

Clássica Aldeias do Xisto para decidir o Troféu Liberty Seguros

Serão 140 quilómetros de sobe e desce, com o pelotão a começar na Aldeia da Barroca (Fundão) às 12:00 e com a meta colocada na subida de segunda categoria na Aldeia da Cerdeira (Lousã). Pelo meio haverá duas ascensões de terceira e uma de primeira que antecede a última subida do dia. E para fazer jus ao nome, a clássica passará pelas aldeias Janeiro de Baixo, Janeiro de Cima, Casal Novo, Talasnal e do Candal.

O Troféu Liberty Seguros é liderado pelo jovem Francisco Campos (Miranda-Mortágua), em igualdade pontual com Amaro Antunes (W52-FC Porto), que foram os vencedores da primeira e segunda corrida respectivamente, ou seja, na prova de abertura Região de Aveiro e na Clássica da Arrábida. Dado o fantástico início de temporada que está a realizar, Amaro Antunes é o grande favorito à vitória tanto na corrida, como à conquista do troféu.




28 de setembro de 2016

Mundiais: Sem sprinters, Portugal vai lutar com as (boas) armas que tem

José Gonçalves terá a oportunidade para se mostrar
nos Mundiais do Qatar antes da estreia no World Tour em 2017
Demorou, mas finalmente José Poeira anunciou quem vai levar aos Mundiais do Qatar (9 a 16 de Outubro). A missão para escolher apenas três ciclistas não era fácil perante um percurso plano, feito para sprinters e o próprio seleccionador já havia confessado ao Volta ao Ciclismo que "o Mundial não era muito bom" para a equipa portuguesa. Com uma "crise" de sprinters no país, José Poeira optou por uma equipa de luta, destacando-se nesse perfil José Gonçalves. Nelson Oliveira é um bom rolador e também poderá entrar numa fuga e Sérgio Paulinho será a voz da experiência, que poderá ser muito importante numa prova em que a selecção nacional parte com o objectivo de fazer o melhor que for possível num pelotão preenchido com os melhores sprinters do mundo, ávidos de conquistar um título numa competição que desde 2011 não tinha um percurso tão perfeito para eles e tão cedo não deverá voltar a ter.

Com o final precoce da carreira de Manuel Cardoso, Portugal perdeu a sua principal referência no sprint nos últimos anos. Daniel Mestre (Efapel) tem sido um dos homens que se tem destacado nos sprints, mas o próprio admite não ser um sprinter puro e quando se fala numa competição onde estarão Mark Cavendish, André Greipel, Marcel Kittel, Elia Viviani, Peter Sagan (presença ainda não confirmada), Tom Boonen ou os jovens Caleb Ewan e Fernando Gaviria, é compreensível que a aposta mais correcta seja enviar homens com experiência internacional e que podem tentar criar alguma surpresa.

Será estranho não ver Rui Costa, campeão do mundo em 2013, mas a verdade é que o ciclista da Lampre-Merida não teria um papel muito determinante, ainda mais numa temporada que já vai longa. Com os Mundiais a serem mais tarde do que o costume e com temperaturas que podem chegar aos 40 graus, além do percurso plano... Qatar não era lugar para Rui Costa. Certamente que Bergen, na Noruega, será um alvo mais apetecível em 2017 para o ciclista português.

Mas o que importa é quem lá vai estar e o destaque vai para José Gonçalves. O homem da Caja Rural não escondeu o desalento quando ficou de fora dos eleitos para os Jogos Olímpicos. Foi ao Europeus e agora tem a oportunidade para estar nos Mundiais. Uma coisa não compensa a outra. Os Jogos realizam-se de quatro em quatro anos e o percurso no Rio de Janeiro até era um que certamente José Gonçalves gostaria de ter competido. No Qatar, o português terá de recorrer ao seu espírito lutador e à qualidade de bom rolador. É ciclista que sabe sprintar, mas voltamos à conversa de que estamos a falar dos melhores do mundo em busca da camisola do arco-íris.

José Gonçalves (27 anos) é uma escolha óbvia, porque se há alguém que não se vai deixar intimidar pelos nomes que estarão no pelotão, esse alguém é este ciclista. O único senão é que Gonçalves não está a realizar um final de temporada muito animador. Abandonou a Volta a Espanha na 11ª etapa devido a cansaço e nos Europeus cumpriu o seu papel de apoio a Rui Costa, terminando na 68ª posição. Porém, estamos a falar de um ciclista com provas dadas, que este ano venceu a Volta a Turquia (além de um triunfo numa etapa na Volta a Portugal) e tem contrato garantido para em 2017 entrar no World Tour, representando a Katusha. Só se poderá esperar que José Gonçalves além de estar bem fisicamente, esteja também com aquela motivação que o tornou conhecido no ciclismo, pois quando resolve tentar ganhar, é certo que vai dar trabalho às equipas e muito espectáculo.

(Fotografia: Facebook Federação Portuguesa de Ciclismo)
Nelson Oliveira (27) teve um primeiro ano de Movistar muito positivo e afirmou-se definitivamente com um dos melhores contra-relogistas do pelotão internacional com o terceiro lugar num dos esforços individuais no Tour, o sétimo nos Jogos Olímpicos e o quarto nos Europeus. A principal aposta do português será precisamente no contra-relógio, onde será o único representante luso na categoria de elite, e claro que se espera que possa pelo menos repetir um top dez, ainda que também aqui é um pouco prejudicado por ser um percurso plano. Na prova de estrada, Nelson Oliveira poderá integrar alguma fuga ou então aliar-se a José Gonçalves tentando ajudar o colega a surpreender os sprinters. E já se sabe que no que diz respeito em defender um líder, Nelson é exímio, mesmo quando se trata de um percurso que não dá grande ambição à equipa portuguesa.

(Foto:Facebook Federação Portuguesa de Ciclismo)
A chamada de Sérgio Paulinho é claramente a necessidade de ter um homem experiente, com grande capacidade para analisar a corrida, algo que poderá ser importante para José Gonçalves, que por vezes é um pouco impulsivo e poderá beneficiar da inteligência do medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Aos 36 anos, o ciclista que durante tantos anos foi um dos homens de confiança de Alberto Contador, vive agora uma fase de indefinição na sua carreira com o final da Tinkoff, não tendo ainda contrato para 2017, ainda que esta quarta-feira tenham surgido notícias do possível interesse da Movistar. Nos Europeus em Plumelec, França, Sérgio Paulinho foi simplesmente fenomenal no trabalho para Rui Costa, demonstrando que tem muito para dar. Revelou também apresentar-se em boa forma nesta fase final de temporada, algo também importante quando se irá enfrentar condições tão adversas.

Em Doha espera os ciclistas um percurso de 257,5 quilómetros, 151 dos quais serão pedalados através do deserto, com um circuito de 15,2 quilómetros (sete voltas) a concluir a prova. Desde que Rui Costa ganhou a camisola do arco-íris em 2013, que em Portugal sempre se ambiciona alto e mesmo sem sprinters é de esperar que as cores nacionais sejam, no mínimo, bem representadas e no contra-relógio... nunca se sabe.

Nos restantes escalões, Portugal estará representado nos sub-23 por César Martingil (Liberty Seguros/Carglass), Ivo Oliveira (Liberty Seguros/Carglass) e Nuno Bico (Klein Constantia), enquanto nos juniores os eleitos foram Daniel Viegas (Bairrada), João Almeida (Bairrada) e Pedro Teixeira (ACDC Trofa). Tal como Nelson Oliveira, Ivo Oliveira e os juniores Daniel Viegas e João Almeida vão competir na prova de fundo e no contra-relógio.



17 de setembro de 2016

Daniela Reis terminou os Europeus com ida ao hospital

(Fotografia: Facebook Federação Portuguesa de Ciclismo)
A estreia de Daniela Reis na elite dos Campeonatos da Europa foi acidentada. A campeã nacional de fundo e de contra-relógio caiu logo na primeira das oito voltas e apesar de ficar um pouco mal-tratada - segundo a própria outras ciclistas caíram por cima dela - Daniela Reis optou por continuar na competição e conseguiu terminar. Porém, acabou por ser transportada para o hospital ao queixar-se de dores na bacia. Nos sub-23, o quarteto nacional não conseguiu alcançar o desejado top 15 pelo seleccionador, mas José Poeira ficou, ainda assim, satisfeito com o trabalho feito.

A dedicação de Daniela Reis resultou num 83º lugar, a 10:27 segundos da vencedora Anna van der Breggen. A ciclista explicou no seu Facebook que não conseguiu evitar a corredora que caiu à sua frente. "Com cerca de 10km de corrida seguia bem colocadinha, quando uma moça caiu à minha frente e não tive hipótese de reagir, caí e levei com umas quantas em cima... é difícil decidir entre desistir ou continuar cheia de dores quando tens vestida a camisola do teu país", escreveu. Daniela Reis decidiu completar os 109,6 quilómetros, mas não escondeu a desilusão pelo resultado. Garantiu ainda que não tem nada partido... mas das dores não se livrou.

Quanto a Anna van der Breggen, juntou o título europeu à medalha de ouro olímpica conquistada no Rio de Janeiro (foi também segunda no contra-relógio na quinta-feira). A holandesa terminou o percurso de Plumelec, em França, 2:55:55 horas. No pódio ficaram ainda Katarzyna Niewiadoma (Polónia) e Elisa Longo Borghini (Itália).

Nos sub-23, Nuno Bico foi o melhor classificado ao ficar na 29ª posição, a seis segundos do vencedor. André Carvalho foi a 40º a 20 segundos, Luís Gomes 46º a 30 segundos e Ivo Oliveira 60º a 1:05 minutos.

"Pensei que a corrida se tornasse mais dura. Vendo que o grupo estava grande, a meio da prova, ainda tentei fazer alguma selecção, mas o vento de frente não permitia grandes aventuras sozinho. Preferia que chegasse um grupo mais pequeno, mas, não sendo como queria, restou-me sprintar o melhor que pude", explicou Nuno Bico, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

José Poeira referiu o que falta ainda alcançar com estes jovens ciclistas: "Os nossos corredores já conseguem fazer bem uma parte, que é acompanhar os melhores durante toda a corrida. Falta, no entanto, a ponta final necessária para discutir as primeiras posições."

Aliaksandr Riabushenko (Bielorrússia) sagrou-se campeão da Europa, batendo ao sprint Bjorg Lambrecht (Bélgica) e Andrea Vendrame (Itália).

(Fotografia: Facebook Federação Portuguesa de Ciclismo)
Este domingo os Europeus em Plumelec terminam com a corrida de elite masculina. A selecção portuguesa parte com ambição, apesar de competir com menos um ciclista depois de José Mendes ter anunciado que não iria participar devido a problemas físicos. Rui Costa, André Cardoso, Sérgio Paulinho, Tiago Machado e José Gonçalves (quinteto da fotografia à direita) irão enfrentar a competição de 232,9 quilómetros, que terá como grande nome o campeão do mundo Peter Sagan. “Estou em boa condição, como se viu no Canadá. No entanto, sinto que o percurso favorece ciclistas mais rápidos, mas com o desenrolar da prova veremos de que forma será possível contornar as dificuldades para obter um bom resultado para Portugal”, afirmou Rui Costa.

A selecção italiana e a belga partem como as mais fortes, com Fabio Aru e Philippe Gilbert como candidatos. Julian Alaphilippe (França) e Mathias Frank (Suíça) são também candidatos a estar na luta pelo primeiro título europeu de elite. A lista de inscritos pode ser conferida neste link. A prova pode ser acompanhada no Eurosport a partir das 13:30.

»»José Mendes fora dos Europeus, mas deu uma boa notícia quanto ao seu futuro««

»»17 segundos separaram Nelson Oliveira do pódio nos Europeus««

»»Vento não ajudou, mas foi um bom primeiro dia dos portugueses nos Europeus««

»»Elenco de luxo na estreia da elite nos Europeus««

13 de setembro de 2016

Elenco de luxo na estreia da elite nos Europeus

Nova camisola para uma nova fase dos Campeonatos Europeus
Se os sprinters não pensam noutro objectivo que não os Mundiais, a inclusão da categoria de elite nos Europeus motivou outros grandes nomes do ciclismo a perseguirem o primeiro título de campeão da Europa. E como cabeças de cartaz estarão quatro campeões do mundo: Peter Sagan, Michal Kwiatkowski, Philippe Gilbert e Rui Costa. O ciclista português parte com ambição para a prova em Plumelec e o seleccionador José Poeira escolheu um grupo com muita experiência internacional para perseguir a vitória, pois todos competem em equipas estrangeiras: Sérgio Paulinho, André Cardoso, Tiago Machado, José Gonçalves e José Mendes.

A presença do campeão nacional está, no entanto, em dúvida. José Mendes queixou-se de dores esquelético-musculares após terminar a Volta a Espanha, segundo a Federação Portuguesa de Ciclismo, e a sua condição física está ainda a ser analisada. Já Nelson Oliveira estará concentrado apenas no contra-relógio, com expectativas altas, principalmente depois do sétimo lugar nos Jogos Olímpicos. Dos oito primeiros no Rio de Janeiro, sete eram europeus e só estará presente o espanhol Jonathan Castroviejo (quarto classificado).

Ainda assim a concorrência será grande, com bons contra-relogistas como o sueco Tobias Ludvigsson, o esloveno Primož Roglič (vencedor de um dos contra-relógios na Volta a Itália) ou o russo Maxim Belkov. A prova, de 44 quilómetros, está agendada para quinta-feira com início às 13 horas e neste link pode ver a lista de inscritos.


Mas é na prova de fundo que estão alguns dos grandes nomes do ciclismo. Além dos quatro campeões do mundo, estão inscritos Fabio Aru, Gianluca Brambilla e Diego Ulissi (a selecção italiana é das mais fortes), os franceses Julian Alaphilippe e Tony Gallopin, o holandês Wout Poels e que este ano deu o primeiro monumento à Sky ao vencer a Liège-Bastogne-Liège, o suíço Mathias Frank (ganhou uma etapa na Vuelta), Rafal Majka (polaco que foi o rei da montanha no Tour e medalha de bronze nos Jogos Olímpicos), os checos Leopolg Konig e Roman Kreuziger, os irlandeses Daniel Martin e Nicolas Roche, entre outros.

A lista oficial só será confirmada no sábado, um dia antes da prova de 232,9 quilómetros, que começará às 10:00 (hora portuguesa), mas as inscrições podem ser vistas neste link.

Serão dadas 17 voltas ao percurso de 13,9 quilómetros

De referir ainda que também nas senhoras haverá representação portuguesa, pela campeã nacional Daniela Reis. A prova de sábado (12:45) de 109,6 quilómetros - é o mesmo percurso dos homens, mas serão dadas oito voltas em vez de 17 - contará com as três medalhadas olímpicas: Anna van der Breggen (Holanda), Emma Johansson (Suécia) e Elisa Longo Borghini (Itália). Aqui fica a lista de inscrições.

Quanto aos sub-23, a selecção será representada por André Carvalho, Ivo Oliveira (que fará também o contra-relógio), Luís Gomes e Nuno Bico. Nos juniores, José Poeira convocou: João Almeida, Daniel Viegas, Pedro Lopes e Pedro Teixeira. Os dois primeiros farão ainda o contra-relógio. Soraia Silva fará a prova de fundo feminina.

De recordar que os Campeonatos Europeus (de 14 a 18 de Setembro) estavam inicialmente agendados para Nice. Porém, após o atentado terrorista que matou mais de 80 pessoas a 14 de Julho, os organizadores optaram por retirar a cidade do calendário, situação imediatamente aceite pela União Europeia de Ciclismo. Yorkshire (Grã-Bretanha) e Trentino (Itália) prontificaram-se a organizar as provas, mas a decisão acabou por manter a competição em França, em Plumelec, na zona da Bretanha.

Esta quarta-feira tudo começará com os contra-relógios de juniores e de sub-23. Quanto a transmissões televisivas, em Portugal só está programada a prova masculina de domingo, no Eurosport.