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20 de novembro de 2018

A lutar por vitórias e pelo futuro

A vitória de Venceslau Fernandes na Volta a Portugal do Futuro
foi um dos pontos altos da época (Fotografia: Podium/Paulo Maria)
No que diz respeito a formar ciclistas e de se destacar em sub-23, a Liberty Seguros-Carglass tem um historial de luxo. Subir à categoria Continental, como sub-25, foi uma oportunidade de ouro de dar outra experiência aos seus jovens ciclistas, mas Manuel Correia manteve-se fiel à génese da equipa, apostando por completo na juventude e não só venceu a corrida mais importante para o escalão de sub-23, como esteve perto de fazer um brilharete na Volta a Portugal. Mas não se seja redutor. Houve mais destaques.

Porém, naquele que se queria ser um ano em que se dava um passo em frente na evolução da estrutura, acabou por ficar marcado pela sombra da saída do seu principal patrocinador e o futuro está muito incerto, com a procura por um patrocinador a continuar nesta altura do ano. Tal não afectou o rendimento dos ciclistas, ainda que os responsáveis tivessem de lidar com o facto de 2019 ser uma incógnita. Primeiro 2018.

Tal como o Miranda-Mortágua, a Liberty Seguros-Carglass apostou em ciclistas que já eram da casa para o projecto agora Continental, promovendo ainda o regresso de André Carvalho, depois de uma aventura pouco feliz na Team Cipollini. Não contratou ciclistas com mais de 25 anos (podia ter dois). O director desportivo, Manuel Correia, completou o plantel com alguns dos melhores juniores e assim enfrentou o novo desafio de ver os seus jovens competir nas principais competições nacionais.

Carvalho foi desde cedo um ciclista em destaque, com o segundo lugar entre a classificação da juventude na Volta ao Algarve. Este corredor foi muito regular durante toda a temporada, tanto pela equipa, como pela selecção, não restando dúvidas sobre a sua qualidade. Não surpreende, portanto, que esteja a caminho da Hagens Berman Axeon, seguindo as pisadas dos gémeos Oliveira e de Ruben Guerreiro, que em 2019 serão todos ciclistas do World Tour.

César Martingil foi um dos líderes, ele que é aquele ciclista incansável, que nunca baixa os braços e que teve o seu momento, que quase foi um grande momento. Mas antes foi Rafael Lourenço que fez história. É dele a primeira vitória da equipa numa das mais importantes corridas nacionais agora que é Continental: conquistou a segunda etapa do Grande Prémio Jornal de Notícias, no arranque para uma fase de temporada que correu de feição à Liberty Seguros-Carglass.


Ranking: 7º (384 pontos)
Vitórias: 4 (incluindo uma etapa no GP Jornal de Notícias e a geral da Volta a Portugal do Futuro)
Ciclista com mais triunfos: Venceslau Fernandes (2)

Pelo destaque mediático que a Volta a Portugal tem, é inevitável olhar para o que fez César Martingil como algo que não será esquecido. Esteve longos minutos sentado na cadeira de líder no prólogo e só o especialista Rafael Reis (Caja Rural) lhe tirou um triunfo, que por dois segundos não foi para Martingil e para uma Liberty Seguros-Carglass sem garantias do principal patrocinador para 2019. Uns terão como total surpresa o que fez Martingil, mas este é um ciclista com escola de pista e que pode defender-se bem em certos contra-relógios, como o de Setúbal. Ou seja, curto e a pedir "explosão". No dia seguinte foi terceiro no sprint, em Albufeira e quando estava de branco, líder da juventude, uma queda estragou-lhe a corrida. Acabaria por abandonar.

No entanto, o feito para uma equipa como a Liberty Seguros-Carglass estava garantido, mesmo que não tivesse sido uma vitória, contribuindo também para o aumento de reputação de Martingil. Assinou pelo Sporting-Tavira para 2019, tendo vencido o Circuito do Bombarral para fechar a temporada com um triunfo que faz sempre bem ao moral.

A época tinha já um balanço positivo, com os jovens ciclistas a corresponderem bem às dificuldades de estar num nível superior, ainda que para a Volta tenha sido necessário contratar dois corredores espanhóis, Samuel Blanco e Carlos Marquez. As lesões limitaram as escolhas e os sub-23 de primeiro ano não foram sujeitos a uma corrida com uma exigência altíssima.

Mas faltava um dos principais objectivos da temporada. Há que não esquecer que, apesar do acesso às principais corridas, nunca foi colocado para segundo plano a ambição de continuar a vencer as provas do escalão sub-23. Chegou então a Volta a Portugal do Futuro. Venceslau Fernandes, aquele nome que nunca passa despercebido - e que se estreou na Grandíssima que o seu pai ganhou em 1984 -, começou a construir o seu currículo. Venceu uma etapa e a geral, sucedendo a um companheiro que este ano rumou à W52-FC Porto, José Neves. Fim de época perfeito para o ciclista que vive com o peso do nome do pai, não esquecendo que tem como irmã Vanessa Fernandes, sempre perto no apoio a Venceslau.

Mesmo com todo um passado de formação de enorme relevância no ciclismo nacional, mesmo depois de uma época de estreia na nova categoria positiva, as más notícias chegaram mesmo. A Liberty Seguros vai deixar de patrocinar a equipa. A confirmação já chegou num timing difícil, mas um mal nunca vem só. Também a Carglass apanhou desprevenidos os responsáveis da estrutura, saindo também de cena.

A União Desportiva Oliveirense vai unir-se à Bike Clube de Portugal, detentora da equipa, mas a procura por um patrocinador principal continua. Estas saídas tardias das duas marcas, que davam nome à estrutura, não facilitou em nada a preparação da época de 2019. Mas a equipa estará na estrada - mesmo perante as dificuldades que enfrenta - e novamente como Continental sub-25. Perderá além de Martingil e André Carvalho, Gaspar Gonçalves (Miranda-Mortágua) e André Crispim (LA Alumínios), por exemplo, outros dois corredores com peso na equipa.

Estão confirmadas as permanências de Venceslau Fernandes - que irá assumir um papel de ainda maior destaque -, Rafael Lourenço, João Carneiro, Fábio Costa, Pedro José Lopes, Pedro Miguel Lopes e espera-se que Filipe Rocha possa estar totalmente recuperado dos problemas físicas para regressar em força à competição.

Como reforços, a equipa terá José Sousa (Miranda-Mortágua) e o júnior Hélder Gonçalves (ACR Roriz) vai fazer a sua estreia como sub-23 numa das melhores estruturas nacionais para jovens ciclistas, que vive tempos difíceis e de incerteza, mas não desiste de manter vivo um projecto de sucesso no ciclismo nacional.

Veja aqui todos os resultados da Liberty Seguros-Carglass em 2018 e das restantes equipas nacionais.


12 de novembro de 2018

André Carvalho assina pela Hagens Berman Axeon

A equipa de Axel Merckx continua muito atenta ao ciclismo nacional e veio a Portugal buscar mais um corredor de grande talento da nova geração. André Carvalho assinou por duas temporadas pela equipa americana, que lançou Ruben Guerreiro no World Tour, para onde também vão os gémeos Oliveira em 2019. João Almeida continuará assim a ter um compatriota ao seu lado, numa estrutura que é considera uma das melhores na formação de jovens ciclistas. Esta temporada subiu ao escalão Profissional Continental, o que permite dar ainda mais qualidade de competição a atletas de muito potencial.

André Carvalho, de 21 anos, evoluiu na Liberty Seguros-Carglass como sub-23, com uma passagem pouco feliz pela Team Cipollini, em 2017. No seu regresso à equipa portuguesa de Manuel Correia, o ciclista de Vila Nova de Famalicão confirmou toda a sua aptidão de trepador, demonstrando estar a um nível muito elevado, num ano em que a formação obteve licença Continental (como sub-25), o que abriu as portas à Volta ao Algarve e Volta a Portugal, por exemplo. Foi segundo na classificação da juventude na Algarvia, atrás de Sam Oomen (Sunweb), e quarto na Grandíssima. Conquistou esta classificação no Troféu Liberty Seguros e na Volta a Albergaria.

Nos Nacionais, em Belmonte, fechou na terceira posição, atrás de Rui Oliveira e João Almeida, dois ciclistas da equipa que vai agora representar.

Mas foi muito mais do que estes resultados que o levaram até à Hagens Berman Axeon. André Carvalho é uma presença assídua na selecção nacional de sub-23, sempre com exibições, por norma, muito regulares. Agora estará numa das melhores estruturas mundiais para continuar a sua evolução. E Carvalho já se apresentou: "Penso que sou um ciclista que pode lidar com todo o tipo de percurso. Mas sou mais forte em subidas curtas e muito inclinadas e tenho perfil para corridas como as clássicas."

Em declarações à nova equipa, Carvalho realçou que quer melhorar nas subidas mais longas e no contra-relógio, não escondendo como é importante para si esta transferência: "É um grande passo na minha carreira e uma grande oportunidade para competir nas maiores corridas de sub-23. Estou ansioso por lá estar e ajudar a equipa."

Ruben Guerreiro esteve na estrutura em 2015 e 2016, antes de dar o salto para a Trek-Segafredo. No próximo ano irá representar a Katusha-Alpecin. Em 2017 e 2018 foi a vez dos gémeos Oliveira assinarem pela equipa liderada por Axel Merckx. O principal objectivo foi colocar na estrada toda o potencial que estavam a demonstrar na pista na pista. Ivo e Rui assinaram por dois anos pela UAE Team Emirates, onde vão encontrar Rui Costa. Estes três corredores estavam todos na equipa da Liberty Seguros quando deram o salto para a formação americana.

João Almeida chegou à Hagens Berman Axeon esta temporada, oriundo da Unieuro Trevigiani-Hemus 1896, depois de representar o Clube de Ciclismo da Bairrada, como júnior. E que grande época foi a de Almeida, com o inevitável destaque para o triunfo na Liège-Bastogne-Liège de sub-23. Mas foram muitos mais os excelentes resultados.

Ver ciclistas sair para o World Tour são ossos do ofício da Hagens Berman Axeon que tantos tem colocado no escalão mais alto do ciclismo. Contudo, está sempre à procura de novos talentos e André Carvalho é o quinto reforço para 2019. Foram contratados os americanos Kevin Vermaerke  (18 anos) e Sean Quinn (18), o checo Karel Vacek (18) - um corredor muito interessante e a seguir com atenção - e o dinamarquês Jakob Egholm (20), que foi campeão do mundo de juniores em 2016.


28 de setembro de 2018

Nuns Mundiais marcados pelas subidas, a vitória foi decidida a descer

(Fotografia: © BettiniPhoto/Facebook Mundiais de Innsbruck-Tirol)
Muito se espera de subidas, dos ataques durante estas dificuldades, de quem quebra, de quem se destaca. Mas até é bastante normal ver as descidas serem tão decisivas quanto as subidas (que o diga Chris Froome no último Giro). Em Innsbruck muito se fala da dificuldade dos percursos, mas houve um suíço que esperou pela descida final para desferir o ataque que decidiu a corrida. Marc Hirschi é mais um ciclista a juntar o título mundial ao europeu, tal como fez Remco Evenepoel em juniores. O suíço pode não ter realizado uma exibição tão marcante como o belga (tão cedo não se assistirá a algo igual), mas Hirschi fez uma excelente corrida, tal como toda a sua selecção. A Suíça foi tacticamente perfeita e saiu de Innsbruck com um título mundial de sub-23, que nunca havia conquistado.

Depois de um ano a evoluir na equipa de formação da Sunweb, Marc Hirschi (20 anos) já sabe que tem lugar garantido na estrutura principal em 2019. Conquistar o título europeu e mundial é uma boa forma de se apresentar ao colegas. Quando as principais movimentações começaram, já dentro do circuito final, a Suíça colocou quatro dos seus seis ciclistas na frente da corrida.

Esta aposta condicionou todas as outras selecções. Rússia e Bélgica foram das que mais trabalharam, com a Itália a ajudar, mas por pouco tempo. Tal como na corrida de juniores, os italianos preferiram atacar sozinhos do que unirem-se em torno de um objectivo comum. O trabalho da Bélgica permitiu que Bjorg Lambrecht (ciclista da Lotto Soudal e mais um apelidado de novo Merckx) conseguisse ir para a frente, ficando com Hirschi e um surpreendente finlandês. Jaakko Hänninen escolheu o palco perfeito para sair do anonimato.

Lambrecht atacou, contra-atacou, refilou com os companheiros de ocasião por considerar que não ajudavam o suficiente, mas nunca conseguiu deixá-los para trás. Hirschi foi frio. Pouco ajudou na fuga, passando apenas por meros segundos na frente. São atitudes por vezes pouco apreciadas, mas o suíço optou por se poupar e, com a lição bem estudada, foi na descida final, algo técnica, que acelerou e nunca mais ninguém o apanhou. Ganhou com 15 segundos de vantagem sobre Lambrecht que, com muita dificuldade, bateu ao sprint a surpresa vinda da Finlândia.

As desilusões

A grande desilusão chama-se Colômbia, principalmente Ivan Sosa. O ciclista da Androni Giocattoli-Sidermec foi uma das revelações da temporada e aos 20 anos já assinou contrato com a Trek-Segafredo. O percurso montanhoso de 174,3 quilómetros parecia assentar tão bem a Sosa, mas nem terminou a corrida.

Depois há Portugal. Simplesmente, não correu bem. "Foi uma prestação que ficou aquém das expectativas e muito longe do valor que estes corredores já demonstraram no passado. A verdade é que, no momento decisivo da corrida, não fomos capazes de nos mantermos junto dos melhores", afirmou o seleccionador José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

O melhor foi o estreante Gonçalo Carvalho. E que boa corrida fez o ciclista do Miranda-Mortágua. Esteve muito bem na protecção a João Almeida, sempre perto do ciclista que aspirava a um bom resultado em Innsbruck. André Carvalho também se mostrou, só com Tiago Antunes a sentir-se "vazio" logo no início do circuito final, tendo abandonado. No entanto, a colocação no pelotão foi um elemento chave. Na penúltima subida a Patscherkofels, quando se deu a movimentação mais importante, o trio descolou.

Gonçalo Carvalho terminou na 38º posição a 5:41 minutos do vencedor. Seguiu-se André Carvalho foi 51º, a 9:27 e João Almeida 78º, a 19:25 (resultados completos da corrida de sub-23 neste link).

Este sábado, as senhoras vão disputar o título mundial nos 156,2 quilómetros entre Kufstein-Innsbruck. A holandesa Chantal Blaak vai tentar defender a camisola do arco-íris que conquistou há um ano e assim imitar a compatriota Annemiek van Vleuten, que se sagrou bicampeã de contra-relógio. Não haverá ciclistas portuguesas na prova.


27 de setembro de 2018

Sub-23 com miras apontadas ao topo

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A sorte dá trabalho, diz João Almeida. Mas se há algo que nenhum dos quatro portugueses escolhidos para a prova de sub-23 dos Mundiais de Innsbruck tem problemas é  em trabalhar. E muito. Com uma temporada positiva a nível internacional da selecção, ambicionar alto não é de mais. Não se exigem medalhas, mas numa prova em que se espera ser de enorme dureza, o quarteto tem toda a capacidade para colocar um ou mais ciclistas na disputa por um bom resultado, estando João Almeida inevitavelmente à cabeça.

A chegada à Hagens Berman Axeon permitiu ao ciclista ter à sua disposição uma estrutura que está entre as melhores na formação, sendo que este ano ascendeu ao escalão Profissional Continental. A vitória na Liège-Bastogne-Liège de sub-23 foi o ponto alto, mas houve muito mais: o quinto lugar na Ronde de l'Isard (venceu a classificação da juventude), segundo no Giro (também foi o melhor jovem), segundo nos Nacionais, tanto no contra-relógio como na prova de fundo de sub-23, 10º no contra-relógio nos Europeus de sub-23, foi ainda sétimo no Tour de l'Avenir, ou Volta a França do Futuro. Em Innsbruck participou no contra-relógio, tendo ficado na 30ª posição. Mas é a prova desta sexta-feira que mais esperava.

"Se estiver num dia bom consigo estar com os 15/20 melhores e no final será necessário um pouco de sorte, embora saibamos que a sorte dá muito trabalho. Nas últimas semanas fiz provas longas e duras na Bélgica, que contribuíram para o meu estado de forma. Preparei-me bem", afirmou à Federação Portuguesa de Ciclismo.

João Almeida é um bom trepador e a experiência internacional que ganhou nas últimas duas épocas (esteve na Unieuro Trevigiani-Hemus 1896 em 2017) faz a diferença num jovem de 20 anos. Mas numa prova com uma forte concorrência era importante ter ao seu lado ciclistas de elevado nível. Tiago Antunes (21 anos) é mais um dos talentos da nova geração portuguesa que começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas acabou por mudar-se para a equipa espanhola Aldro. No entanto, não ficou muito tempo, assinando por outro dos grandes projectos de formação, a SEG Racing.

Antunes não teve a estabilidade de Almeida - que se espera que chegue agora já que tem contrato para 2019 -, mas esteve bem na Volta a Portugal do Futuro, depois do Tour de l'Avenir não ter sido o desejado. O segundo lugar atrás de Venceslau Fernandes (Liberty Seguros-Carglass) comprovou a subida de forma. Se estiver bem, Tiago Antunes não poderá ser visto "apenas" como uma ajuda a João Almeida, será mesmo mais uma opção para um lugar de nota.

André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass) regressou este ano a Portugal depois de uma passagem pela Team Cipollini. É um trepador que promete e que já sabe o que é estar em Mundiais. Esse conhecimento poderá ser importante. Carvalho (20 anos) realizou uma boa temporada, sempre muito regular, tendo ficado perto de conquistar a Taça de Portugal de sub-23, mas que Francisco Campos (Miranda-Mortágua), não deixou.

O outro Carvalho, o Gonçalo (Miranda-Mortágua) não ficou atrás em termos exibicionais e foi o melhor português na juventude da Volta a Portugal (foi terceiro, à frente de André). Fará a sua estreia nestas andanças, mas se conseguir controlar uma natural ansiedade, o jovem de 20 anos poderá ter um papel muito importante na selecção portuguesa. "É a primeira vez que estou num Mundial, o que é gratificante. Preparei-me para chegar em boas condições estou motivado para uma corrida que me agrada, porque sou um trepador", disse o ciclista do Miranda-Mortágua.

O percurso de 174,3 quilómetros entre Kufstein e Innsbruck agrada aos quatro, apesar de ser duro. A primeira selecção deverá acontecer nos 2,6 quilómetros de subida para Gnadenwald, a pouco mais de 100 quilómetros para o fim. A ascensão tem 10,5% de pendente média. Pouco depois entra-se no "circuito olímpico", com quatro subidas a Patscherkofel, com 7,9 quilómetros de extensão. Serão 2910 metros de acumulado que beneficia os bons trepadores e Portugal terá quatro bons ciclistas com esta características.

A corrida começa às 11:10 (hora portuguesa) e terá transmissão no Eurosport.

»»Isso não se faz a um campeão do mundo««

1 de julho de 2018

Marcos Jurado vence mas Barbio segura liderança na Taça de Portugal

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A Efapel continua a sua senda vencedora em 2018. Desta feita foi Marcos Jurado a conquistar uma vitória que o coloca também na disputa pela Taça de Portugal. O início de temporada ficou marcado por uma lesão no joelho e uma gripe, mas desde Abril que um dos reforços da equipa tem demonstrado o porquê da aposta de Américo Silva. O espanhol foi o mais forte na Volta a Albergaria (155,7 quilómetros), batendo ao sprint o compatriota Ángel Sánchez (W52-FC Porto) e deixando a dois segundos David de la Fuente (Aviludo-Louletano-Uli).

Numa Taça de Portugal renovada e que só será concluída no último dia da temporada, a 6 de Outubro, em Tavira, António Barbio segurou a liderança com o 15º lugar em Albergaria. Depois da vitória no Memorial Bruno Neves, a 10 de Junho, o ciclista do Miranda-Mortágua soma 85 pontos, contra os 80 de Jurado e os 73 de Pedro Paulinho, também da Efapel.

"É a minha primeira vitória da época. O meu trabalho era tentar estar no corte final, o que consegui. Nem sempre ganha sempre o que tem mais força, por vezes é o que tem mais cabeça. Sabia que o final era em subida, o que me favorecia", afirmou Jurado, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. No périplo da Efapel por Espanha, o ciclista tinha ganho as classificações das metas volantes da Volta a Castela e Leão e à Comunidade de Madrid.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Já no escalão de sub-23 houve uma mudança na frente da prova. André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass) foi quinto e soma agora 130 pontos, mais cinco que o anterior líder, Hugo Nunes e também Francisco Campos, ambos do Miranda-Mortágua. André Ramalho terminou na sétima posição, o que coloca o ciclista da Jorbi-Team José Maria Nicolau a apenas 20 pontos de Carvalho.

A Taça de Portugal regressa pouco depois da Volta a Portugal. A terceira etapa será no Grande Prémio de Mortágua, a 18 de Agosto.

A Volta a Albergaria foi também uma etapa, a quarta, da Taça de Portugal de Paraciclismo. João Monteiro (Mozinho RT Martos Pellets) ganhou em C4, enquanto Manuel Ferreira (Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel) foi o mais forte em C5. Telmo Pinão (Casa do Benfica MMV/APCA/Paracycling) venceu em C2. Nas restantes categorias houve apenas um participante: João Marques (ACD Milharado/EC Manuel Martins) na classe D, Bernardo Vieira em C1, Francisco Martins em C3, João Pinto em H3, Flávio Pacheco (Sporting/Tavira-Paracycling) em H4 e Luís Costa (Sporting/Tavira – Paracycling) em H5.

Em Castelo de Vide disputaram-se os Nacionais de Juniores e Cadetes. Pedro Andrade (Vito-Feirense-BlackJack) e Rúben Silva (Silva & Vinha-ADRAP-Sentir Penafiel) foram os campeões na prova de fundo. No sábado foi dia de contra-relógios. Guilherme Mota (Alcobaça CC/Crédito Agrícola) foi o mais forte em juniores e João Ferreira (Cruz de Cristo) em cadetes.

No sector feminino, depois das provas de fundo se terem realizado há uma semana em Belmonte, assim como o contra-relógio de elite (ganhou Daniela Reis), ficou-se a conhecer as campeãs no esforço individual, que são: Joana Pereira e Daniela Campos, ambas das 5Quinas/Município de Albufeira/CDASJ venceram em juniores e cadetes, respectivamente, a master 30 Inês Trancoso (Maiatos-Reabnorte), a master 40 Filomena Paulo (ACD Milharado-EC Manuel Martins) e a master 50 Maria Jesus (5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ), categoria em que não é atribuído o título, por só terem participado duas ciclistas, sendo necessário um mínimo de três.



16 de maio de 2018

Sete portugueses num dos palcos mais importantes para os jovens ciclistas

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
É um dos principais palcos para os jovens ciclistas. A Ronde de l’Isard atrai a atenção dos olheiros das grandes equipas e nos últimos, quem por ali se mostrou viu abrirem-se as portas do World Tour. A selecção portuguesa estará representada por seis ciclistas, a maioria com características de trepadores, não fosse a corrida francesa marcada pela montanha em três das suas quatro etapas. João Almeida (Hagens Berman Axeon), André Ramalho (Jorbi/Team José Maria Nicolau), Hugo Nunes e Jorge Magalhães (Miranda-Mortágua), André Carvalho e Venceslau Fernandes (Liberty Seguros-Carglass) foram chamados por José Poeira e têm assim a oportunidade participar numa das corridas mais importantes para o escalão de sub-23, que inclui selecções e equipas de desenvolvimento.

Ao analisar a lista de vencedores recentes, vemos nomes como Pavel Sivakov (assinou pela Sky), Bjorg Lambrecht (Lotto Soudal), Simone Petilli (UAE Team Emirates), Louis Vervaeke (actualmente na Sunweb depois de se ter formado na Lotto Soudal), Kenny Elissonde (esteve na FDJ antes de se mudar para a Sky) e Alexandre Geniez (passou pela FDJ e agora está na AG2R). Mas não são só os vencedores que acabam por conseguir singrar ao mais alto nível. Jonathan Casteoviejo (Sky), George Bennett (Lotto-Jumbo), Joe Dombrowski (EF Education First-Drapac p/b Cannondale), Laurens de Plus (Quick-Step Floors), Dylan Teuns (BMC) e Tiesj Benoot (Lotto Soudal) terminaram no pódio desta corrida.

Aqui estão apenas referidos aqueles que fecharam top três e estão no World Tour, pois a lista seria mais longa se se olhar para o top dez e para algumas das mais fortes equipas Profissionais Continentais que contrataram jovens ciclistas que realizaram boas exibições na Ronde de l’Isard.

E há um português que certamente procurará no mínimo repetir o resultado de 2017. Porém, Tiago Antunes quererá ir mais além do que o excelente 10º lugar (foi ainda terceiro na etapa rainha). Desta feita não estará com as cores da selecção, pois representará a sua equipa, a Aldro Team. O responsável, Manolo Saiz, irá apostar forte no ciclista português, de 21 anos. "Vamos com uma equipa compacta, com a qual podemos aspirar a que o Antunes possa lutar por algo importante", lê-se no site da formação espanhola.

O ciclista começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas acabou por sair antes de finalizar o contrato, por acordo mútuo, assinando pela Aldro Team. A perspectiva era de assim poder competir em corridas importantes, como a Ronde de l’Isard.

Quanto aos restantes portugueses, todas na selecção, os cinco que actuam em Portugal têm destacado-se nas classificações do seu escalão. André Carvalho, Hugo Nunes e Jorge Magalhães estão em equipas que este ano pertencem escalão Continental, sendo sub-25. No entanto, mesmo representado uma de clube, as exibições de André Ramalho não estão a passar despercebidas. Já o ciclista da Hagens Berman Axeon, João Almeida, está a realizar temporada uma temporada muito positiva, que conta com uma histórica vitória da Liège-Bastogne-Liège de sub-23.

“Considero que é uma equipa homogénea, que dá garantias para uma prova de grande dificuldade”, explicou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo, que teve de substituir Rui Oliveira por Venceslau Fernandes devido a doença.

Quanto às etapas, que se realizarão entre 17 e 20 de Maio, na primeira serão 125,9 quilómetros entre Lorp-Sentaraille e Eychel, com final em alto.



A segunda termina novamente em alto, depois de 154,3 quilómetros a ligar Fonsorbes a Goulier-Neige.



A terceira é a "mais simpática", ainda que tenha muito sobe e desce à espera do jovem pelotão. Serão 153,4 quilómetros entre Lévignac e Boulogne-sur-Gesse.



A decisão final terá 152,4 quilómetros entre Salies-du-Salat e Saint-Girons, numa etapa que voltará a ter muita montanha para enfrentar.



De referir que a Polartec Kometa de Daniel Viegas também estará presente, mas o português surge como suplente na lista de inscritos que pode ver em baixo (clique para ampliar).


16 de fevereiro de 2018

"Foi um alívio regressar e principalmente pelo ano ter acabado"

André Carvalho é um ciclista feliz e confiante. Dois aspectos que recuperou depois de ter regressado à Liberty Seguros-Carglass. 2017 dificilmente poderia ter corrido pior. Desportivamente, a experiência no estrangeiro não correu como desejava e pessoalmente, um problema familiar também o marcou. Carvalho não esconde como está satisfeito pelo ano ter terminado, esperando que a sorte mude agora que não só voltou "a casa", mas como a encontrou numa categoria mais elevada.

"Há um maior estatuto, exigência e profissionalismo tanto da parte do staff como de nós, ciclistas. Mas no fundo a estrutura está igual e a maneira de trabalhar é a mesma, sempre profissionais, sempre exigentes e isso é o mais importante." André Carvalho está a ser um dos muitos jovens que faz a estreia numa Volta ao Algarve com 13 equipas do World Tour, pois além da Liberty Seguros-Carglass, também o Miranda-Mortágua e a LA Alumínios subiram de escalão, sendo sub-25, o que significa que apenas dois dos corredores podem ser profissionais. "Estamos a fazer aquilo que para nós é possível, a dar o nosso melhor e a tentar sobreviver a cada dia, aproveitando esta enorme experiência", salientou ao Volta ao Ciclismo. E acrescentou: "É sempre bom para nós estar perto dos melhores do mundo."

Na subida ao Alto da Fóia, Carvalho esteve em bom nível. Perdeu mais de dois minutos para o vencedor, Michal Kwiatkowski (Sky), mas ficou na segunda posição da classifcação juventude, atrás de um ciclista que é visto como um sucessor de Tom Dumoulin, Sam Oomen. "Tiro uma nota positiva da subida de ontem [quinta-feira]", afirmou. No contra-relógio aconteceu o que esperava, perdeu tempo e está agora a 4:14 do holandês, na quarta posição. "O contra-relógio é uma das vertentes em que tenho mesmo de melhorar e também em alta montanha", referiu. Olhando para todos os lados só se viam autocarros e carros de equipas como a Sky, Quick-Step Floors ou Lotto Soudal, por exemplo. Agora que se sente novamente feliz e confiante, Carvalho volta a sonhar alto. "Como qualquer ciclista da minha idade, todos ambicionamos em poder um dia correr com as cores de qualquer uma das equipas que estão aqui presentes e eu não fujo à regra. Quero dar o meu melhor e, quem sabe um dia, voltar a correr no estrangeiro."

"Tive alguns azares, quedas ou furos em provas seguidas, em momentos decisivos. O azar bateu-me à porta bastantes vezes"

A experiência na Team Cipollini pode não ter sido a melhor, mas a ambição continua a passar por além fronteiras, ainda que, para já, seja na Liberty Seguros-Carglass que se sinta bem para continuar a sua evolução. "Foi um ano que começou por ser complicado. Tive alguns azares, quedas ou furos em provas seguidas, em momentos decisivos. O azar bateu-me à porta bastantes vezes", contou. Depois, 2017 melhorou um pouco, com uma boa participação no Giro e um segundo lugar nos Nacionais, de sub-23, atrás de Francisco Campos, do Miranda-Mortágua. O problema familiar tornou impossível que viajasse para Itália, como explicou, e foi pela selecção que foi competindo mais. Porém, o melhor acabou por surgir quando Manuel Correia o abordou para voltar à Liberty Seguros-Carglass. "Foi um alívio regressar e principalmente pelo ano ter acabado. Espero por melhor sorte em 2018!"

Reitera que recuperou a felicidade e agora só está concentrado em apresentar-se sempre ao melhor nível. Desconhece o seu calendário, mas a possibilidade de ter acesso a corridas de categoria mais elevada entusiasma-o. "São provas de outro calibre, com outras equipas e corredores que obrigam-nos a estar a bom nível para estar com os melhores e isso influencia - e de que maneira - o nosso crescimento", frisou.

Por enquanto é altura de aproveitar estar ao lado dos melhores do mundo e tentar repetir no Malhão, no domingo, a boa exibição da Fóia e que o deixou bastante satisfeito. Aos 20 anos, André Carvalho retoma um caminho que o colocava como uma das promessas do ciclismo nacional - foi duas vezes campeão nacional de juniores -, numa equipa que tem formado alguns dos jovens que hoje se destacam, como é o caso dos gémeos Oliveira, Ivo e Rui.


22 de setembro de 2017

Faltou ritmo (e alguma sorte) aos nossos sub-23

Francisco Campos foi o melhor português nos sub-23
(Fotografia Luca Bettini/Federação Portuguesa de Ciclismo)

Era um grupo de qualidade. Disso não há dúvida. No entanto, os sub-23 portugueses sentiram a falta de competição ao mais alto nível, pois ou estão nas equipas portuguesas de clube, ou então no escalão Continental, casos de Ivo Oliveira (Axeon Hagens Berman) e André Carvalho (Cipollini Iseo Serrature Rime). Em corridas como a dos Mundiais, mesmo nos sub-23, sente-se muito a diferença de ritmo e foi o que aconteceu em Bergen, na Noruega. Mas como a qualidade está lá, José Neves (Liberty Seguros-Carglass) foi à luta e entrou na fuga do dia e Francisco Campos fez tudo para se aguentar no grupo, mas descolou na última volta.

(Fotografia Luca Bettini/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Ainda assim, há que destacar a fantástica época deste jovem do Miranda-Mortágua, com destaque para a vitória na prova de Abertura Região de Aveiro e o título nacional da categoria. Saiu dos Mundiais com o 67º lugar, ficando a 4:44 minutos do vencedor, o francês Benoit Cosnefroy, naquela que foi a primeira corrida que fez com 191 quilómetros de distância. André Carvalho terminou na 96ª posição, com Ivo Oliveira a cortar a meta logo atrás, no 101º posto, ambos a 9:16. Para o ciclista da Axeon Hagens Berman acabou por ser uma corrida estragada muito devido a um problema que obrigou-o a trocar de roda traseira. Por essa altura José Neves (na fotografia à direita) já tinha sido absorvido pelo pelotão - o grupo onde estava foi apanhado a cerca de 70 quilómetros do fim -  e foi ele quem cedeu a roda ao colega de selecção. O campeão nacional de contra-relógio de sub-23 não resistiu ao ritmo elevado e ao ficar para trás, acabou por abandonar. Mas foi uma corrida corajosa de um ciclista que começa a ser cada vez mais interessante de seguir. Quanto a Ivo Oliveira, o ciclista teve de fazer um grande esforço para recolar depois da troca de roda. Poderá ter pago precisamente esse desgaste físico quando o ritmo aumentou e Ivo não conseguiu manter-se na frente.

Perante a qualidade  destes ciclistas já aqui referida e que deve ser bem salientada, é uma pena que não tenha sido possível estar na luta por um melhor resultado. Porém, há que referir que a experiência que adquiriram em Bergen poderá ser importante já no futuro próximo, principalmente Francisco Campos e José Neves que competem em Portugal e só na selecção têm este tipo de contacto com uma realidade tão diferente.

Maria Martins foi a única participante feminina
portuguesa nos Mundiais de Bergen
(Fotografia Luca Bettini/Federação Portuguesa de Ciclismo)
E não nos vamos esquecer da "nossa" Maria Martins. Esta jovem é a prova que o ciclismo feminino no país vai aos poucos caminhando pelo rumo certo. Muito lentamente, é certo, mas vai. Não teve a sorte dos compatriotas e correu de manhã sob chuva, sendo a única representante feminina portuguesa nos Mundiais. A júnior foi 44ª classificada (percurso de 76,4 quilómetros), a 8:52 minutos da campeã Elena Pirrone. "As sensações não foram más, mas também não foram as melhores. A prova foi disputada com uma intensidade muito grande e senti que preciso ainda de perder algum peso para estar bem num terreno como este", explicou a ciclista, citada pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Mais um passo na aprendizagem de Maria Martins, que se destacou este ano na pista em provas internacionais, mas também com resultados interessantes na estrada. Daniela Reis está no World Tour e merece toda a atenção por este feito, mas em Portugal Maria Martins lidera uma geração que quer de uma vez por todas colocar o ciclismo feminino no mapa.

Os campeões

Quando se diz que faltou ritmo aos portugueses, temos de olhar para os dois primeiros classificados, dois ciclistas que já competem ao nível do World Tour. Lá está, uma realidade bem diferente da dos jovens portugueses. Benoit Cosnefroy é da AG2R (desde 1 de Agosto, mas estagiou na formação gaulesa em 2016) e Lennard Kämna está na Sunweb, tendo ganho a medalha de ouro no contra-relógio colectivo no domingo. Do alemão pode-se mesmo dizer que já é uma aposta segura da Sunweb, pois esteve na Volta a Espanha (não terminou, mas esteve em 16 etapas), Volta à Polónia, Ster ZLM, Volta à Romandia, Volta à Catalunha, entre outras corridas em que competiu com os melhores. 

Tal como Cosnefroy tem 21 anos e foi entre os dois que se disputou o sprint final nos Mundiais. O francês levou a melhor, confirmando assim a sua apetência para corridas de um dia. Ao contrário de Kämna não participou em provas tão mediáticas, contudo, esteve em muitas clássicas e algumas corridas por etapas. Somou resultados interessantes, tendo vencido mesmo antes de viajar para Bergen a corrida francesa Grand Prix d'Isbergues-Pas de Calais. A AG2R está a preparar um jovem de talento para as grandes clássicas e com este título mundial, quem sabe o vejamos em algumas já no próximo ano.

A medalha de bronze ficou para o dinamarquês Michael Carbel Svendgaard, 22 anos e ciclista da Virtu Cycling. Veja aqui a classificação dos sub-23.

Nas juniores, Elena Pirrone teve uns Mundiais de sonho. Aos 18 anos fez a dobradinha, juntando o título de estrada ao de contra-relógio. A italiana fez valer um ataque, deixando a dinamarquesa Emma Cecilie Norsgaard a lutar pela prata, com o bronze a ficar para a também italiana Letizia Paternoster (resultados completos).

Mais duas corridas este sábado antes da prova mais aguardada

Este sábado, a primeira corrida arranca logo às 8:30 (hora de Portugal Continental). A prova de juniores masculinos que contará com três representantes portugueses: Afonso Silva, Pedro José Lopes e Pedro Miguel Lopes. Será um percurso com 133,8 quilómetros. Da parte da tarde (12:30) teremos a corrida de elite feminina, na qual se espera uma luta acesa.

Só a Holanda tem três potenciais candidatas: Anna van der Breggen (campeã da Europa em 2016), Annemiek van Vleuten (campeã do Mundo de contra-relógio) e a eterna Marianne Vos (campeã em 2006, 2012 e 2013 e actual campeã da Europa). Megan Guarnier (EUA), Lizzie Deignan (britânica campeã mundial em 2015 e que recentemente foi operada ao apêndice) e a italiana Elisa Longo Borghini aparecem entre as favoritas. A dinamarquesa Amalie Dideriksen não vai ter vida fácil para defender a camisola do arco-íris que vestiu nos últimos 12 meses.

Domingo é o dia mais esperado. Será que Peter Sagan vai entrar na história como o primeiro a conquistar três títulos mundiais consecutivos? Adversários desejosos de vestir aquela camisola do arco-íris não faltam...



15 de abril de 2017

Corrida para esquecer. Nenhum português terminou o ZLM Tour

Rui Oliveira foi o mais azarado: nem conseguiu chegar à partida real
Seria difícil imaginar um cenário pior. Perante as perspectivas de chuva, vento e frio, o seleccionador José Poeira já não esperava vida fácil para os seis ciclistas que escolheu para levar ao ZLM Tour, prova da Taça das Nações. No entanto, tudo o que poderia correr mal, basicamente, correu mesmo mal e a selecção nacional não conseguiu sequer lutar pelo objectivo de colocar um ciclista no top 15 e assim garantir a presença nos Mundiais de Bergen, em Setembro. 

A chuva não apareceu, mas o vento fez os estragos esperados, provocando muitos cortes no pelotão de ciclistas sub-23. Mas para Portugal, a corrida começou logo mal. Aliás, a corrida ainda nem tinha começado e Rui Oliveira já estava a abandonar. O ciclista da Axeon Hagens Berman caiu entre a partida simbólica e a real. Segundo a Federação Portuguesa de Ciclismo, Rui Oliveira ficou com a bicicleta partida e com umas marcas no corpo. Fim da linha para o líder da selecção nacional na prova holandesa.

Só 65 dos 145 ciclistas terminaram os 181,3 quilómetros, o que revela bem a dificuldade que os jovens corredores enfrentaram. André Carvalho, André Crispim e Francisco Campos - que tinha sido o melhor português na Volta a Flandres de sub-23 há uma semana - também caíram e abandonaram. César Martingil e Gaspar Gonçalves não tiveram acidentes, mas foram vítimas das quedas de outros ciclistas, pois perderam tempo, de tal forma que também eles acabaram por terminar precocemente a corrida.

O britânico Christopher Lawless ganhou ao sprint, com o belga Jasper Philipsen e o francês Jeremy Lecroq a completarem o pódio. Lawless é colega de equipa de Rui Oliveira e deu mais uma vitória à equipa de Axel Merckx.

Veja aqui a classificação do ZLM Tour.

13 de abril de 2017

Sub-23 portugueses vão enfrentar chuva, vento e frio para tentar garantir presença nos Mundiais

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Depois de uma Volta a Flandres algo acidentada para os sub-23 portugueses, este sábado não haverá os famosos muros de empedrado da Bélgica, mas o ZLM Tour proporcionará outras dificuldades. Chuva, vento e frio prometem tornar esta corrida numa verdadeira odisseia na Holanda, de tal forma que o seleccionador nacional até disse que "o problema não é na meta, é chegar lá". Porém, a motivação é grande e os ciclistas querem garantir desde já a presença nos Mundiais de Bergen, em Setembro.

André Crispim, César Martingil e Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros/Carglass), André Carvalho (Team Cipollini Iseo Rime), Francisco Campos (Miranda/Mortágua) e Rui Oliveira (Axeon Hagens Berman) foram os corredores chamados por José Poeira. De recordar que André Crispim caiu há uma semana na Flandres e teve inclusivamente de ir ao hospital. No entanto, recuperou a tempo de ajudar a equipa, que aponta em colocar um ciclista no top 15 e assegurar a presença da selecção de sub-23 nos Mundiais.

"Prevê-se mau tempo, com chuva e vento. Será uma corrida de ataque e aberta. Vai ser necessário estar na frente para seguir as movimentações que vão partir o pelotão e que definirão quem poderá aspirar às primeiras posições", salientou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Esta prova normalmente beneficia homens rápidos e Portugal apresenta alguns que podem estar na decisão final. Contudo, se o vento já costuma provocar muitos problemas, com a meteorologia a ser ainda pior, os ciclistas portugueses terão de se manter concentrados durante os 181,3 quilómetros e evitar ficar em algum corte que os retire da frente da corrida.

Francisco Campos foi o melhor português na Volta a Flandres de sub-23 e está a realizar um excelente início de 2017. Rui Oliveira irá surgir certamente muito animado pelos recentes resultados na Joe Martin Stage Race, nos EUA, tendo alcançado dois segundos lugares em etapas e conquistado a classificação da juventude.

8 de abril de 2017

Francisco Campos foi o melhor português na Volta a Flandres dos sub-23

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Foi uma Volta a Flandres acidentada para os sub-23 portugueses. Uma semana depois da elite, foi a vez das jovens esperanças enfrentarem os 18 muros desta mítica clássica, incluindo o Kapelmuur, Kwaremont e Paterberg. Apesar de uma equipa com capacidade para estar entre os melhores, entre furos e quedas foi Francisco Campos quem conseguiu ser o melhor, terminando na 50ª posição, a 4:24 do vencedor. O penafidelense da formação Miranda-Mortágua está a ser um dos destaques deste início de temporada e a próxima corrida, na Holanda - o ZLM Tour -, será mais para as suas características, pois é uma prova que beneficia os ciclistas mais rápidos.

De recordar que Francisco Campos soma já quatro vitórias em 2017, as últimas duas na Volta às Terras de Santa Maria e a primeira foi na prova de abertura Região de Aveiro, onde bateu a elite nacional. Conquistou ainda a classificação de melhor jovem no Troféu Liberty Seguros.

André Carvalho seguia no grupo da frente quando furou. Atrasou-se, tal como Gaspar Gonçalves, que cedeu a roda ao seu companheiro. Mas o maior azar pertenceu a André Crispim. O jovem da Liberty Seguros/Carglass caiu e teve de ser transportado para o hospital, pois tinha "uma ferida muito aberta", segundo a Federação Portuguesa de Ciclismo. Os três ciclistas não terminaram os 168 quilómetros.

Quanto aos outros dois corredores convocados pelo seleccionador José Poeira, Marcelo Salvador foi 61º também a 4:24 minutos do vencedor e César Martingil foi 95º, a 8:57.

A Volta a Flandres é a primeira prova da Taça das Nações que prossegue no próximo sábado na Holanda. Está previsto Rui Oliveira substituir Marcelo Salvador, mas falta agora saber como estará André Crispim após a queda.

O vencedor foi o irlandês Edward Dubnar, colega dos gémeos Oliveira na Axeon Hagens Berman. O belga Jasper Philipsen ficou a 49 segundos, seguido pelo francês Jérémy Lecroq.




7 de abril de 2017

Sub-23 portugueses enfrentam os 18 muros da Volta a Flandres

César Martingil é uma das principais figuras dos sub-23 portugueses
(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Uma semana depois do espectáculo dado por Philippe Gilbert será a vez de saber quem é o jovem que consegue conquistar a dureza da Volta a Flandres para o escalão de sub-23. A distância é menor, naturalmente (168,1 quilómetros contra os 260 da elite), mas são também 18 muros que terão pela frente, incluindo os míticos Kapelmuur, Kwaremont e Paterberg. Portugal estará representado por André Crispim, César Martingil e Gaspar Gonçalves da Liberty Seguros/Carglass, André Carvalho (Team Cipollini Iseo Rime), Marcelo Salvador (Sicasal/Constantinos/Delta Cafés) e Francisco Campos (Miranda/Mortágua), ciclista que começou muito bem a temporada, com uma vitória na Prova de Abertura Região de Aveiro - frente à elite -, foi o melhor sub-23 do Troféu Liberty Seguros e mais recentemente ganhou duas etapas na Volta às Terras de Santa Maria.

Será uma dupla jornada que contará para a Taça das Nações. Depois da competição belga deste sábado, a equipa nacional de sub-23 viajará até à Holanda para dia 15 (também um sábado) competir no ZLM Tour. O percurso de 181,3 quilómetros tem por hábito ficar marcado pelo vento e pelo perigo de se produzirem cortes no pelotão, obrigando os ciclistas a uma elevada concentração e a colocação poderá ser decisiva. É uma corrida que normalmente beneficia os mais rápidos. Para a competição holandesa foi chamado Rui Oliveira (Axeon Hagens Berman), que substituirá Marcelo Salvador.

A qualidade dos ciclistas chamados por José Poeira deixa algumas expectativas quanto à possibilidade de um bom resultado nas duas corridas, crença expressa também pelo seleccionador nacional. “São duas provas com muita intensidade e com grande exigência técnica. Por isso são corridas fundamentais para a formação dos corredores com vista ao futuro. Entre os ciclistas convocados temos corredores que já fizeram este tipo de clássicas e que sabemos possuir qualidade para estar junto dos melhores”, salientou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Entre alguns dos recentes vencedores da Volta a Flandres estão ciclistas que ou já estavam em equipas World Tour ou entretanto chegaram lá, como por exemplo: David Per (Bahrain-Merida), Alexander Edmonson (Orica-Scott), Dylan Groenewegen (Lotto-Jumbo), Rick Zabel (Katusha-Alpecin) e Salvatore Puccio (Sky).

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