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24 de dezembro de 2018

Novo nome de equipa no pelotão nacional

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Um dos patrocinadores com maior tradição no ciclismo nacional mudou a sua aposta neste apoio, deixando uma equipa à procura de um novo financiador. A entrada da União Desportiva Oliveirense já tinha sido anunciada, mas os responsáveis pela até agora Liberty Seguros-Carglass mantiveram a procura por mais patrocínios e com o Natal à porta foi revelado como a equipa será conhecida em 2019: UD Oliveirense-InOutBuilt.

A estrutura de Manuel Correia tem sido uma referência na formação de ciclistas e três dos mais recentes a chegar ao World Tour passaram pela equipa: Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo/Katusha-Alpecin) e os estreantes Ivo e Rui Oliveira (UAE Team Emirates).

Em 2018 a equipa subiu ao escalão Continental, como sub-25, mas foi um ano marcado pela perspectiva de perda de patrocinador. As mudanças na administração da Liberty Seguros deixavam antever que a seguradora poderia alterar a sua presença no ciclismo português, situação que se veio a confirmar (o troféu a que dava nome passará a ser a Taça Jogos Santa Casa, por exemplo). O Bike Clube de Portugal, que detém a equipa, foi ainda surpreendido com a saída do segundo patrocinador, a Carglass, dificultando ainda mais a preparação para 2019.

A entrada da UD Oliveirense foi um passo na direcção certa para manter vivo o projecto, mas a chegada da InOutBuilt é um reforço financeiro bem-vindo numa equipa que irá continuar fiel à sua mentalidade de apostar em jovens, todos portugueses. O mais velho será Venceslau Fernandes, ciclista de 22 anos e vencedor da Volta a Portugal do Futuro. Mantêm-se ainda na estrutura Filipe Rocha (21), Fábio Costa (19), João Torres (19), Rafael Lourenço (21), Pedro Lopes (19) e Pedro Miguel Lopes (19).

Quanto a reforços chegarão apenas dois: José Sousa (19), que representou em 2018 o Miranda-Mortágua, e o júnior do Roriz Hélder Gonçalves (18).

Entre as saídas, destaque para a de André Carvalho, ciclista que segue o exemplo do trio do World Tour referido, tendo assinado por duas temporadas pela americana Hagens Berman Axeon, de Axel Merckx, do escalão Profissional Continental. Já César Martingil - que chegou a vestir a camisola branca da juventude e esteve perto de envergar a amarela na Volta a Portugal - vai mudar-se para o Sporting-Tavira. Gaspar Gonçalves segue para o Miranda-Mortágua e André Crispim para a LA Alumínios.

A InOutBuilt é uma empresa com sede em Viana do Castelo e que fornece serviços de arquitectura, engenharia e empreitadas de construção civil. Quanto à União Desportiva Oliveirense é um clube formado em 1922 e, além de ter uma equipa de futebol na II Liga, é uma referência a nível de hóquei em patins e basquetebol.

20 de novembro de 2018

A lutar por vitórias e pelo futuro

A vitória de Venceslau Fernandes na Volta a Portugal do Futuro
foi um dos pontos altos da época (Fotografia: Podium/Paulo Maria)
No que diz respeito a formar ciclistas e de se destacar em sub-23, a Liberty Seguros-Carglass tem um historial de luxo. Subir à categoria Continental, como sub-25, foi uma oportunidade de ouro de dar outra experiência aos seus jovens ciclistas, mas Manuel Correia manteve-se fiel à génese da equipa, apostando por completo na juventude e não só venceu a corrida mais importante para o escalão de sub-23, como esteve perto de fazer um brilharete na Volta a Portugal. Mas não se seja redutor. Houve mais destaques.

Porém, naquele que se queria ser um ano em que se dava um passo em frente na evolução da estrutura, acabou por ficar marcado pela sombra da saída do seu principal patrocinador e o futuro está muito incerto, com a procura por um patrocinador a continuar nesta altura do ano. Tal não afectou o rendimento dos ciclistas, ainda que os responsáveis tivessem de lidar com o facto de 2019 ser uma incógnita. Primeiro 2018.

Tal como o Miranda-Mortágua, a Liberty Seguros-Carglass apostou em ciclistas que já eram da casa para o projecto agora Continental, promovendo ainda o regresso de André Carvalho, depois de uma aventura pouco feliz na Team Cipollini. Não contratou ciclistas com mais de 25 anos (podia ter dois). O director desportivo, Manuel Correia, completou o plantel com alguns dos melhores juniores e assim enfrentou o novo desafio de ver os seus jovens competir nas principais competições nacionais.

Carvalho foi desde cedo um ciclista em destaque, com o segundo lugar entre a classificação da juventude na Volta ao Algarve. Este corredor foi muito regular durante toda a temporada, tanto pela equipa, como pela selecção, não restando dúvidas sobre a sua qualidade. Não surpreende, portanto, que esteja a caminho da Hagens Berman Axeon, seguindo as pisadas dos gémeos Oliveira e de Ruben Guerreiro, que em 2019 serão todos ciclistas do World Tour.

César Martingil foi um dos líderes, ele que é aquele ciclista incansável, que nunca baixa os braços e que teve o seu momento, que quase foi um grande momento. Mas antes foi Rafael Lourenço que fez história. É dele a primeira vitória da equipa numa das mais importantes corridas nacionais agora que é Continental: conquistou a segunda etapa do Grande Prémio Jornal de Notícias, no arranque para uma fase de temporada que correu de feição à Liberty Seguros-Carglass.


Ranking: 7º (384 pontos)
Vitórias: 4 (incluindo uma etapa no GP Jornal de Notícias e a geral da Volta a Portugal do Futuro)
Ciclista com mais triunfos: Venceslau Fernandes (2)

Pelo destaque mediático que a Volta a Portugal tem, é inevitável olhar para o que fez César Martingil como algo que não será esquecido. Esteve longos minutos sentado na cadeira de líder no prólogo e só o especialista Rafael Reis (Caja Rural) lhe tirou um triunfo, que por dois segundos não foi para Martingil e para uma Liberty Seguros-Carglass sem garantias do principal patrocinador para 2019. Uns terão como total surpresa o que fez Martingil, mas este é um ciclista com escola de pista e que pode defender-se bem em certos contra-relógios, como o de Setúbal. Ou seja, curto e a pedir "explosão". No dia seguinte foi terceiro no sprint, em Albufeira e quando estava de branco, líder da juventude, uma queda estragou-lhe a corrida. Acabaria por abandonar.

No entanto, o feito para uma equipa como a Liberty Seguros-Carglass estava garantido, mesmo que não tivesse sido uma vitória, contribuindo também para o aumento de reputação de Martingil. Assinou pelo Sporting-Tavira para 2019, tendo vencido o Circuito do Bombarral para fechar a temporada com um triunfo que faz sempre bem ao moral.

A época tinha já um balanço positivo, com os jovens ciclistas a corresponderem bem às dificuldades de estar num nível superior, ainda que para a Volta tenha sido necessário contratar dois corredores espanhóis, Samuel Blanco e Carlos Marquez. As lesões limitaram as escolhas e os sub-23 de primeiro ano não foram sujeitos a uma corrida com uma exigência altíssima.

Mas faltava um dos principais objectivos da temporada. Há que não esquecer que, apesar do acesso às principais corridas, nunca foi colocado para segundo plano a ambição de continuar a vencer as provas do escalão sub-23. Chegou então a Volta a Portugal do Futuro. Venceslau Fernandes, aquele nome que nunca passa despercebido - e que se estreou na Grandíssima que o seu pai ganhou em 1984 -, começou a construir o seu currículo. Venceu uma etapa e a geral, sucedendo a um companheiro que este ano rumou à W52-FC Porto, José Neves. Fim de época perfeito para o ciclista que vive com o peso do nome do pai, não esquecendo que tem como irmã Vanessa Fernandes, sempre perto no apoio a Venceslau.

Mesmo com todo um passado de formação de enorme relevância no ciclismo nacional, mesmo depois de uma época de estreia na nova categoria positiva, as más notícias chegaram mesmo. A Liberty Seguros vai deixar de patrocinar a equipa. A confirmação já chegou num timing difícil, mas um mal nunca vem só. Também a Carglass apanhou desprevenidos os responsáveis da estrutura, saindo também de cena.

A União Desportiva Oliveirense vai unir-se à Bike Clube de Portugal, detentora da equipa, mas a procura por um patrocinador principal continua. Estas saídas tardias das duas marcas, que davam nome à estrutura, não facilitou em nada a preparação da época de 2019. Mas a equipa estará na estrada - mesmo perante as dificuldades que enfrenta - e novamente como Continental sub-25. Perderá além de Martingil e André Carvalho, Gaspar Gonçalves (Miranda-Mortágua) e André Crispim (LA Alumínios), por exemplo, outros dois corredores com peso na equipa.

Estão confirmadas as permanências de Venceslau Fernandes - que irá assumir um papel de ainda maior destaque -, Rafael Lourenço, João Carneiro, Fábio Costa, Pedro José Lopes, Pedro Miguel Lopes e espera-se que Filipe Rocha possa estar totalmente recuperado dos problemas físicas para regressar em força à competição.

Como reforços, a equipa terá José Sousa (Miranda-Mortágua) e o júnior Hélder Gonçalves (ACR Roriz) vai fazer a sua estreia como sub-23 numa das melhores estruturas nacionais para jovens ciclistas, que vive tempos difíceis e de incerteza, mas não desiste de manter vivo um projecto de sucesso no ciclismo nacional.

Veja aqui todos os resultados da Liberty Seguros-Carglass em 2018 e das restantes equipas nacionais.


6 de novembro de 2018

Transferências e renovações nas equipas portuguesas

As equipas portuguesas estão a ultimar os plantéis para 2019. Já são muitas as mudanças confirmadas, ainda que mais algumas deverão acontecer em breve. Os regressos de Tiago Machado ao pelotão português e o de Joni Brandão a uma casa que bem conhece, assim como a mudança de Daniel Mestre e também de Luís Mendonça, são algumas das principais transferências. Aqui ficam as contratações e renovações já confirmadas.

Depois de nove anos a competir no estrangeiro, oito, no World Tour, depois de dez grandes voltas e seis monumentos, o pelotão português contará novamente com um dos ciclistas que mais marca uma geração e que irá deixar a Katusha-Alpecin. Tiago Machado, o combativo por excelência, aceitou a proposta do Sporting-Tavira para liderar uma equipa que quer acabar com a hegemonia da W52-FC Porto. A formação azul e branca foi por sua vez buscar um dos ciclistas mais valiosos do nosso pelotão. Daniel Mestre deixa a Efapel depois de três temporadas em que foi uma das grandes figuras e aposta na formação que poderá estar em 2019 no escalão Profissional Continental, com Raúl Alarcón a continuar a ser o líder.


Nuno Ribeiro deverá manter a maioria dos ciclistas que representaram a equipa em 2018, com Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) a caminho, tal como Rafael Reis, que, a confirmar-se, estará de volta à equipa depois de dois anos na Caja Rural. Outro ciclista que poderá regressar a Portugal é José Mendes, que disse ter propostas do Sporting-Tavira e Efapel, apesar de ficar na Burgos-BH era uma hipótese ainda não afastada em Outubro.

Mas estas são transferências ainda não oficializadas. Continuando nas já confirmadas...

A Efapel é a outra autora de uma das principais transferências. Joni Brandão volta à casa que bem conhece, depois de duas temporadas no Sporting-Tavira. A primeira ficou marcada por um problema de saúde que não só o limitou, como o afastou mesmo da Volta a Portugal. Mas em 2018 esteve ao seu nível, foi segundo na Volta e venceu o ranking nacional. Antes da passagem pela formação algarvia, tinha estado quatro anos na Efapel, onde se tornou num dos ciclistas de referência do pelotão nacional. Assinou por duas temporadas. A equipa de Américo Silva já confirmou as renovações de Sérgio Paulinho, Bruno Silva, Rafael Silva e Pedro Paulinho.

Uma das equipas que realizou uma temporada inesquecível tem o seu plantel preparado para 2019. A Aviludo-Louletano-Uli - que passará a ser LudoFoods-Louletano - contratou Nuno Meireles (Miranda-Mortágua), Leonel Coutinho ((Vito-Feirense-BlackJack), Ricardo Vale (Vito-Feirense-BlackJack) e o espanhol Francisco Garcia Rus (GSport-Valencia Sports-Wolfbike). Quanto a renovações, o líder Vicente García de Mateos vai continuar na formação de Jorge Piedade, tal como Luís Fernandes, Óscar Hernández, Márcio Barbosa, André Evangelista, David de la Fuente e Juan Ignacio (Nacho) Perez.

No entanto, o conjunto algarvio perde um dos ciclistas que conquistou uma das vitórias mais importantes do ano. Luís Mendonça conquistou a Volta ao Alentejo, confirmando assim o seu potencial, depois de ter começado tarde no ciclismo, mas mais do que a tempo de ter uma carreira de sucesso. José Santos, director desportivo da Rádio Popular-Boavista, viu em Mendonça o ciclista ideal para preencher a vaga deixada por Domingos Gonçalves, que irá para a Caja Rural. Luís Mendonça encontrará uma equipa, na qual terá ainda mais liberdade para lutar por triunfos e, claro, a pensar na Volta a Portugal.

João Benta, Daniel Silva, Luís Gomes, David Rodrigues e o jovem de 19 anos João Salgado vão continuar na estrutura, que se reforçou ainda com um dos talentosos trepadores da nova geração, Hugo Nunes (Miranda-Mortágua). O júnior Afonso Silva esteve recentemente no Mundial de Innsbruck, é um campeão nacional de contra-relógio  e dará o salto para uma equipa profissional para fazer o seu primeiro ano como sub-23. Estava no Sporting-Tavira-Formação Engenheiro Brito da Mana. De Espanha chega Antonio Gómez, que este ano representou a equipa amadora da Caja Rural.

A Vito-Feirense-BlackJack foi buscar um alemão cujo nome poderá não dizer muito, mas é um ciclista com muita experiência no escalão Profissional Continental. Bjorn Thurau, 30 anos, esteve em equipas como a Europcar (actual Direct Energie), Bora-Argon 18, e Wanty-Groupe Gobert. Este ano esteve na Holdsworth Pro Racing, do escalão Continental.

Jesus del Pino (Efapel) e Rui Rodrigues (Aviludo-Louletano-Uli) estão confirmados, assim como João Barbosa, que vem do Maia. Os juniores Pedro Andrade e António Ferreira vão ter uma oportunidade na equipa principal, agora que passam a sub-23. Sem Edgar Pinto, João Matias será o líder principal, com Luís Afonso, João Santos e Bernardo Saavedra a manterem-se na equipa.

Nas equipas Continentais sub-25 haverá grandes mudanças, pelo menos no Miranda-Mortágua e na LA Alumínios. Na primeira apenas três ciclistas renovaram: Artur Chaves, Pedro Teixeira e Tiago Leal. A equipa de Pedro Silva promoveu o regresso de Daniel Freitas, que representou o Miranda-Mortágua na sua formação e que nas últimas três épocas esteve na W52-FC Porto.

O experiente Hugo Sancho (Vito-Feirense-BlackJack) vai aos 36 anos ter um novo desafio, numa equipa onde terá um papel importante entre tantos jovens. Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros-Carglass) poderá encontrar espaço para ter destaque, com Pedro Pinto (Silva & Vinha-ADRAP-Sentir Penafiel), Ivo Pinheiro (ACDC Trofa) e os espanhóis Cristian Mota (Aldro Team) e Sergio Vega (Froiz) a completarem a equipa, do que já foi revelado.

Na LA Alumínios também só três ciclistas de 2018 vão continuar em 2019: David Ribeiro, Gonçalo Leaça e Fábio Oliveira. Chega António Barbio, que apesar de ter alcançado uma vitória no Memorial Bruno Neves, não teve a época que desejava no Miranda-Mortágua e vai agora trabalhar com Hernâni Brôco na LA Alumínios. André Crispim (Libery Seguros-Carglass), André Ramalho (Jorbi-Team José Maria Nicolau), Emanuel Duarte e Leonel Firmino, ambos do FGP-Cube-Bombarral, vão vestir as cores de um dos patrocinadores mais antigos do ciclismo nacional.

Quanto à Liberty Seguros-Carglass a principal novidade até ao momento é a nova aliança entre o Bike Clube de Portugal - detentor da equipa - e a União Desportiva Oliveirense, que assim abriu o seu núcleo de ciclismo e irá ter o seu nome no pelotão em 2019.

Enquanto se espera pelas equipas completas para 2019, aqui ficam duas curiosidades relativamente às máquinas a utilizar na próxima temporada. A W52-FC Porto irá contar com as bicicletas da marca Swift em vez das KTM. A Rádio Popular-Boavista deixará de ter bicicletas Focus para procurar vitórias com as Cervélo.

Nuno Almeida termina carreira

Com apenas 27 anos, o ciclista que esta época representou a LA Alumínios decidiu colocar um ponto final na sua carreira. Sem contrato para 2019, Nuno Almeida tomou a difícil decisão, revelando que adiou uma intervenção cirúrgica durante toda a temporada.

"É difícil chegar a esta altura sem equipa e sem ter colocação para 2019 mas faz parte do percurso de vida de qualquer pessoa. Foi um ano duro, sem dúvida o mais difícil da minha carreira. Partir um osso na primeira corrida da época e só parar para ser operado após a última da mesma. Dei tudo o que tinha, sei que arrisquei a minha saúde mas não me arrependo. Tal como não me arrependo de ter parado os meus estudos, já em ano de Tese, e arriscar tudo nesta modalidade. Fiz o que me fazia feliz ! Não resultou e é hora de seguir em frente", escreveu o Nuno Almeida no Facebook, a 20 de Outubro.

Antes de aceitar o desafio de ser um dos líderes da nova vida da LA Alumínio, Almeida esteve no Louletano-Hospital de Loulé e na Efapel. O ciclista agradeceu a todos os que o apoiaram durante os 10 anos de carreira, tendo começado um pouco mais tarde do que a maioria, como o próprio recordou, na sua mensagem. "Saio com 4 Voltas a Portugal no currículo, todas melhores que as anteriores, algo que nunca imaginei na minha vida pois nem gostava de ciclismo e tão pouco pratiquei a modalidade desde jovem", escreveu.

"Eu e a bicicleta seguiremos o nosso caminho, agora em modo cicloturista e com o objectivo de desfrutar ao máximo da mesma", concluiu.

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23 de agosto de 2018

"Foi uma desilusão abandonar, mas sabia que o trabalho estava feito"

Manuel Correia com o ciclista que quase ganhou uma etapa para a sua equipa
e ficou perto de vestir a camisola amarela na Volta a Portugal
César Martingil foi uma das figuras da Volta a Portugal. Quando se questionava como iriam comportar-se as equipas sub-25, o jovem esteve perto de dar à Liberty Seguros-Carglass uma estreia de sonho na competição mais apetecível para as equipas nacionais. Vestir a camisola amarela não foi algo que tivesse pensado, mas por momentos, chegou a acreditar ser possível, quando durante cerca de uma hora esteve sentado no "trono" do prólogo de Setúbal. Passou a acreditar de tal forma que foi atrás dela no sprint do dia seguinte. Uma queda estragou a sua primeira Volta, mas saiu com a sensação de dever cumprido e só espera poder estar novamente na corrida em 2019.

Aos 23 anos, Martingil tem divido a sua carreira entre a estrada e a pista. Com a subida da equipa ao escalão Continental, como sub-25, Martingil chegou ao desejado profissionalismo e logo na equipa na qual tem evoluído nos últimos anos. É um ciclista que faz por criar e agarrar oportunidades e não gosta nada de competir apenas para cumprir calendário. Não se atemoriza e foi esse Martingil que se viu na Volta.

O ciclista não irá esquecer aquele prólogo: "No início não [acreditava na vitória]. Havia dez corredores que sabia que podiam bater o meu tempo. Mas eles iam chegando e não batiam. Estar ali uma hora sentado... para o fim comecei a pensar que a amarela poderia chegar, mas sabia que faltava o Reis e ele é uma das maiores referências." Rafael Reis acabou por ser um "desmancha prazeres" para Martingil e para a Liberty Seguros-Carglass. Dois segundos separaram o ciclista e equipa de uma estreia inimaginável.

"Os patrocinadores não estavam interessados, mas agora já falaram com o chefe para o ano"

Em Albufeira foi terceiro no sprint e já envergava a camisola branca da juventude. Essa sim, uma que sabia que poderia ter, pelo menos nos primeiros dias. Na segunda etapa veio a queda que lhe ditaria um abandono precoce. "No início tinham dito que eram uns arranhões, mas há noite as dores começaram a agravar-se. Comecei a ter mais dores na mão e no outro dia foi um sofrimento terminar a etapa. Na da Serra da Estrela... fazer o paralelo com uma mão... Descolava em qualquer ponto do paralelo", recordou ao Volta ao Ciclismo. Optou por abandonar, até porque a temporada ainda está longe de terminar: "Era o melhor. Poderia cair e agravar a situação e não correr o resto da época."

A queda estragou-lhe a Volta, mas não tornou a sua presença negativa. Foi curta, mas muito positiva. "Foi uma desilusão abandonar, mas sabia que o trabalho estava feito, apesar de haver mais uma ou outra etapa para mim", salientou, demonstrando como estava determinado em entrar na discussão das etapas ao sprint. E numa altura da época em que se começa a fazer o balanço até para também pensar em 2019, a exibição de Martingil e da Liberty Seguros-Carglass, principalmente naqueles primeiros dias, podem ter sido determinantes para garantir a continuidade do projecto.

Com a indefinição quanto à continuidade do apoio da companhia de seguros, os responsáveis da equipa têm tentado procurar soluções. Martingil não esconde que as prestações da equipa na Volta podem ter sido muito importantes. "Os patrocinadores não estavam interessados, mas agora já falaram com o chefe [Manuel Correia] para o ano", referiu o ciclista, realçando como o futuro da estrutura tem estado tremido.

Para Martingil, e sobre a participação das equipas sub-25 na Volta, além de Rafael Reis e da Caja Rural, que foi o líder da Volta nos primeiros dias, a Liberty Seguros-Carglass foi a segunda melhor equipa no arranque da corrida. O ciclista acrescentou, referindo-se à juventude das três formações nesta situação (além da sua equipa, a LA Alumínios e o Miranda-Mortágua): "Somos mais novos, mas não é por aí. A capacidade é igual."

A Volta a Portugal foi mais um passo na evolução do ciclista, como o próprio destacou, mas agora está concentrado em terminar bem a temporada. Venceu o Circuito do Bombarral e admitindo que gosta destas corridas de final de Verão, vai participar em mais, antes de se virar para a pista, onde irá concluir a época, esperando ser chamado para alguma Taça do Mundo.


30 de julho de 2018

"Vai ser uma grande experiência"

Venceslau Fernandes acompanhados pelos directores Luís Pinheiro
e Manuel Correia, com um troféu que quem sabe um dia...
(Fotografia: © João Fonseca)
O nome Venceslau Fernandes não passará despercebido na Volta a Portugal. É um jovem ciclista cuja evolução é notória e faz dele uma das principais escolhas da Liberty Seguros-Carglass, com chamadas à selecção nacional. Aos 22 anos prepara-se para participar na corrida mais ambicionada e uma que conta com um Venceslau Fernandes como vencedor. O pai ganhou em 1984, o filho sobe agora mais um patamar para se afirmar pelo valor que tem e não pelo nome.

"Vai ser uma grande experiência", afirmou, muito animado pela perspectiva de estar na Volta a Portugal, que começa na próxima quarta-feira. Venceslau espera estar bem, pois garante que trabalha sempre para aparecer no seu melhor, seja qual for a competição para que for chamado pelo director desportivo Manuel Correia. No primeiro ano em que a equipa está no escalão Continental, o ciclista salientou ao Volta ao Ciclismo como tem sido muito importante poder participar em competições de outro nível: "Estas equipas novas só de jovens é algo muito produtivo e muito positivo. Quando corri no Algarve, estava ao lado dos melhores ciclistas do mundo. No futuro isto vai dar frutos."

Para Venceslau não é só estar em corridas mais importantes que tem marcado a diferença. "Ajuda-nos também a forma de as preparar, temos de estar mais focados e estar sempre no nosso melhor", realçou. Acrescentou que as presenças na selecção são outro ponto importante no seu crescimento como atleta, tendo este ano estado na Ronde de l'Isard (França) e no Grand Prix Priessnitz spa (República Checa).

Chega agora um dos momentos mais aguardados do ano e a Liberty Seguros-Carglass quer mostrar que está à altura do desafio. "Todos os grandes corredores das equipas nacionais estão à espera da Volta a Portugal. Sim, nós esperamos enfrentar muitas dificuldades, mas vamos encarar a corrida de forma positiva", assegurou. Ganhar uma etapa seria fenomenal, mas há algo que é muito claro na ambição desta formação que tem uma média de idades de 22,2 anos: "O grande objectivo da Volta é a camisola da juventude. Toda a equipa vai apontar a isso e penso que vamos estar na discussão."


"Acredito que tenho qualidade e tenho de provar na estrada, não pelo nome e não por ser filho e irmão de quem sou"

André Carvalho, César Martingil, Gaspar Gonçalves, Rafael Lourenço (que venceu uma etapa no Grande Prémio Jornal de Notícias) vão acompanhar Venceslau. André Crispim fracturou um braço e Filipe Rocha está lesionado no joelho, o que fez Manuel Correia contratar dois espanhóis para evitar levar ciclistas sub-23 de primeiro ano para uma competição extremamente exigente. Carlos Cobos e Samuel Blanco fecham assim as escolhas.

Venceslau tem um discurso sempre em prol do colectivo, mas como o todo só funciona se as individualidades tiveram qualidade, o ciclista está concentrado em melhorar os seus pontos fortes e, claro, os fracos: "Gradualmente quero melhorar na montanha e, sem dúvida, no contra-relógio. Há muito trabalho a fazer nesse aspecto." E a Liberty Seguros-Carglass de Manuel Correia é a equipa certa para continuar a crescer como ciclista, na opinião de Venceslau. "Sinto-me bem aqui. O chefe aposta muito nos jovens e dá oportunidade a todos. É uma grande equipa para evoluir e temos a noção  que nos dá projecção. É uma grande motivação ver ciclistas que estão agora lá fora e que estiveram aqui [os gémeos Oliveira e Ruben Guerreiro, por exemplo].

É quase inevitável acabar por falar da herança familiar, afinal o nome não engana e é filho e irmão de campeões. Venceslau garante que não o chateia nada referirem esse seu lado pessoal. "É normal as pessoas fazerem perguntas", disse, salientando como não pode fugir ao facto de ter como irmã Vanessa Fernandes, uma das melhores triatletas da história, com uma medalha de prata olímpica, e um pai que venceu uma Volta a Portugal. Mas Venceslau quer percorrer o seu caminho: "Quero que me vejam como ciclista da Liberty Seguros-Carglass. Eu sou eu, eles são eles. Acredito que tenho qualidade e tenho de provar na estrada, não pelo nome e não por ser filho e irmão de quem sou."

A Volta a Portugal realiza-se de 1 a 12 de Agosto, com início em Setúbal e final em Fafe. Esta terça-feira, é também na cidade sadina que se poderá assistir à apresentação das equipas a partir das 14:30. A RTP é novamente a casa da Volta na televisão.




João Rodrigues: "De ano para ano estou um ciclista mais maduro e mais confiante nas minhas capacidades"

Fábio Mansilhas: "Estar aqui, no ciclismo profissional, exige mais de mim"

1 de julho de 2018

Marcos Jurado vence mas Barbio segura liderança na Taça de Portugal

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A Efapel continua a sua senda vencedora em 2018. Desta feita foi Marcos Jurado a conquistar uma vitória que o coloca também na disputa pela Taça de Portugal. O início de temporada ficou marcado por uma lesão no joelho e uma gripe, mas desde Abril que um dos reforços da equipa tem demonstrado o porquê da aposta de Américo Silva. O espanhol foi o mais forte na Volta a Albergaria (155,7 quilómetros), batendo ao sprint o compatriota Ángel Sánchez (W52-FC Porto) e deixando a dois segundos David de la Fuente (Aviludo-Louletano-Uli).

Numa Taça de Portugal renovada e que só será concluída no último dia da temporada, a 6 de Outubro, em Tavira, António Barbio segurou a liderança com o 15º lugar em Albergaria. Depois da vitória no Memorial Bruno Neves, a 10 de Junho, o ciclista do Miranda-Mortágua soma 85 pontos, contra os 80 de Jurado e os 73 de Pedro Paulinho, também da Efapel.

"É a minha primeira vitória da época. O meu trabalho era tentar estar no corte final, o que consegui. Nem sempre ganha sempre o que tem mais força, por vezes é o que tem mais cabeça. Sabia que o final era em subida, o que me favorecia", afirmou Jurado, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. No périplo da Efapel por Espanha, o ciclista tinha ganho as classificações das metas volantes da Volta a Castela e Leão e à Comunidade de Madrid.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Já no escalão de sub-23 houve uma mudança na frente da prova. André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass) foi quinto e soma agora 130 pontos, mais cinco que o anterior líder, Hugo Nunes e também Francisco Campos, ambos do Miranda-Mortágua. André Ramalho terminou na sétima posição, o que coloca o ciclista da Jorbi-Team José Maria Nicolau a apenas 20 pontos de Carvalho.

A Taça de Portugal regressa pouco depois da Volta a Portugal. A terceira etapa será no Grande Prémio de Mortágua, a 18 de Agosto.

A Volta a Albergaria foi também uma etapa, a quarta, da Taça de Portugal de Paraciclismo. João Monteiro (Mozinho RT Martos Pellets) ganhou em C4, enquanto Manuel Ferreira (Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel) foi o mais forte em C5. Telmo Pinão (Casa do Benfica MMV/APCA/Paracycling) venceu em C2. Nas restantes categorias houve apenas um participante: João Marques (ACD Milharado/EC Manuel Martins) na classe D, Bernardo Vieira em C1, Francisco Martins em C3, João Pinto em H3, Flávio Pacheco (Sporting/Tavira-Paracycling) em H4 e Luís Costa (Sporting/Tavira – Paracycling) em H5.

Em Castelo de Vide disputaram-se os Nacionais de Juniores e Cadetes. Pedro Andrade (Vito-Feirense-BlackJack) e Rúben Silva (Silva & Vinha-ADRAP-Sentir Penafiel) foram os campeões na prova de fundo. No sábado foi dia de contra-relógios. Guilherme Mota (Alcobaça CC/Crédito Agrícola) foi o mais forte em juniores e João Ferreira (Cruz de Cristo) em cadetes.

No sector feminino, depois das provas de fundo se terem realizado há uma semana em Belmonte, assim como o contra-relógio de elite (ganhou Daniela Reis), ficou-se a conhecer as campeãs no esforço individual, que são: Joana Pereira e Daniela Campos, ambas das 5Quinas/Município de Albufeira/CDASJ venceram em juniores e cadetes, respectivamente, a master 30 Inês Trancoso (Maiatos-Reabnorte), a master 40 Filomena Paulo (ACD Milharado-EC Manuel Martins) e a master 50 Maria Jesus (5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ), categoria em que não é atribuído o título, por só terem participado duas ciclistas, sendo necessário um mínimo de três.



16 de fevereiro de 2018

"Foi um alívio regressar e principalmente pelo ano ter acabado"

André Carvalho é um ciclista feliz e confiante. Dois aspectos que recuperou depois de ter regressado à Liberty Seguros-Carglass. 2017 dificilmente poderia ter corrido pior. Desportivamente, a experiência no estrangeiro não correu como desejava e pessoalmente, um problema familiar também o marcou. Carvalho não esconde como está satisfeito pelo ano ter terminado, esperando que a sorte mude agora que não só voltou "a casa", mas como a encontrou numa categoria mais elevada.

"Há um maior estatuto, exigência e profissionalismo tanto da parte do staff como de nós, ciclistas. Mas no fundo a estrutura está igual e a maneira de trabalhar é a mesma, sempre profissionais, sempre exigentes e isso é o mais importante." André Carvalho está a ser um dos muitos jovens que faz a estreia numa Volta ao Algarve com 13 equipas do World Tour, pois além da Liberty Seguros-Carglass, também o Miranda-Mortágua e a LA Alumínios subiram de escalão, sendo sub-25, o que significa que apenas dois dos corredores podem ser profissionais. "Estamos a fazer aquilo que para nós é possível, a dar o nosso melhor e a tentar sobreviver a cada dia, aproveitando esta enorme experiência", salientou ao Volta ao Ciclismo. E acrescentou: "É sempre bom para nós estar perto dos melhores do mundo."

Na subida ao Alto da Fóia, Carvalho esteve em bom nível. Perdeu mais de dois minutos para o vencedor, Michal Kwiatkowski (Sky), mas ficou na segunda posição da classifcação juventude, atrás de um ciclista que é visto como um sucessor de Tom Dumoulin, Sam Oomen. "Tiro uma nota positiva da subida de ontem [quinta-feira]", afirmou. No contra-relógio aconteceu o que esperava, perdeu tempo e está agora a 4:14 do holandês, na quarta posição. "O contra-relógio é uma das vertentes em que tenho mesmo de melhorar e também em alta montanha", referiu. Olhando para todos os lados só se viam autocarros e carros de equipas como a Sky, Quick-Step Floors ou Lotto Soudal, por exemplo. Agora que se sente novamente feliz e confiante, Carvalho volta a sonhar alto. "Como qualquer ciclista da minha idade, todos ambicionamos em poder um dia correr com as cores de qualquer uma das equipas que estão aqui presentes e eu não fujo à regra. Quero dar o meu melhor e, quem sabe um dia, voltar a correr no estrangeiro."

"Tive alguns azares, quedas ou furos em provas seguidas, em momentos decisivos. O azar bateu-me à porta bastantes vezes"

A experiência na Team Cipollini pode não ter sido a melhor, mas a ambição continua a passar por além fronteiras, ainda que, para já, seja na Liberty Seguros-Carglass que se sinta bem para continuar a sua evolução. "Foi um ano que começou por ser complicado. Tive alguns azares, quedas ou furos em provas seguidas, em momentos decisivos. O azar bateu-me à porta bastantes vezes", contou. Depois, 2017 melhorou um pouco, com uma boa participação no Giro e um segundo lugar nos Nacionais, de sub-23, atrás de Francisco Campos, do Miranda-Mortágua. O problema familiar tornou impossível que viajasse para Itália, como explicou, e foi pela selecção que foi competindo mais. Porém, o melhor acabou por surgir quando Manuel Correia o abordou para voltar à Liberty Seguros-Carglass. "Foi um alívio regressar e principalmente pelo ano ter acabado. Espero por melhor sorte em 2018!"

Reitera que recuperou a felicidade e agora só está concentrado em apresentar-se sempre ao melhor nível. Desconhece o seu calendário, mas a possibilidade de ter acesso a corridas de categoria mais elevada entusiasma-o. "São provas de outro calibre, com outras equipas e corredores que obrigam-nos a estar a bom nível para estar com os melhores e isso influencia - e de que maneira - o nosso crescimento", frisou.

Por enquanto é altura de aproveitar estar ao lado dos melhores do mundo e tentar repetir no Malhão, no domingo, a boa exibição da Fóia e que o deixou bastante satisfeito. Aos 20 anos, André Carvalho retoma um caminho que o colocava como uma das promessas do ciclismo nacional - foi duas vezes campeão nacional de juniores -, numa equipa que tem formado alguns dos jovens que hoje se destacam, como é o caso dos gémeos Oliveira, Ivo e Rui.


1 de fevereiro de 2018

O pelotão nacional visto por Nuno Sabido

Depois de um ano marcado pelo regresso ao pelotão nacional de alguns nomes de referência como Sérgio Paulinho, Edgar Pinto e Fábio Silvestre, 2018 tem desde logo como destaque o surgimento das equipas sub-25, ou seja, têm licença do escalão Continental, ainda que mantenham o estatuto de não profissional. Sem alteração parece estar qual será a equipa num patamar elevado, com as restantes a terem de enfrentar a toda poderosa W52-FC Porto. Há quem tenha mais pressão para demonstrar resultados, há quem procure uma oportunidade para encontrar o caminho das vitórias, inevitavelmente com a Volta a Portugal em mente. O Volta ao Ciclismo falou com Nuno Sabido, antigo ciclista e que actualmente gere a Sabido's Cycling Training Center juntamente o irmão Hugo Sabido, fazendo também os comentários da modalidade na TVI24.

E começou-se precisamente pela novidade. Liberty Seguros-Carglass e Miranda-Mortágua era duas equipas de referência nos escalão de sub-23, mas aproveitaram as alterações nos regulamentos para pedirem a licença Continental. A elas junta-se a LA Alumínios, um patrocinador já tradicional no ciclismo em Portugal, mas que agora aposta numa equipa de jovens. Será que estamos perante uma mudança no panorama da modalidade no país?

"Nada muda. Não sou a favor desta alteração. Acho que em nada beneficia o ciclismo nacional, em nada beneficia os ciclistas sub-23. Temos uma realidade completamente diferente da que é praticada no estrangeiro, com estes atletas destas idades. O que a Federação Portuguesa de Ciclismo quis, foi pegar no modelo internacional, em que as equipas do World Tour têm uma equipa de formação Continental, mas esquecem-se que essas equipas têm orçamentos com alguns milhões de euros. Aqui, atendendo à nossa realidade, estamos a falar destas equipas continentais não profissionais em que parte dos ciclistas não vai ganhar dinheiro absolutamente nenhum, continuam amadores, como eram", critica Nuno Sabido.

Apenas dois dos ciclistas dessas estruturas serão profissionais e Sabido considera que os restantes vão estar expostos a uma maior pressão, salientando: "[Os corredores] vão fazer toda a temporada do calendário profissional, sem serem profissionais e sem estarem capacitados fisicamente para tal. Às vezes isso leva depois a que se cometam asneiras e essas em nada beneficiam e nem dão a melhor imagem do que é o nosso ciclismo." Sabido vai mesmo mais longe, dizendo que participar numa Volta ao Algarve e numa Volta a Portugal não irá fazer diferença nesta fase da carreira dos jovens ciclistas. "A maior parte não terá nenhum benefício. Naturalmente que aqueles que têm mais talento e uma maior capacidade física, poderão beneficiar destas participações. Será uma minoria que poderá integrar-se e conseguir chegar no pelotão ou tentar não perderem muito tempo em relação ao grupo principal. A maioria terá grande dificuldade. O benefício não será tão grande quanto se espera", frisa.

Seguiu-se a inevitável pergunta: A W52-FC Porto continuará a ser o "alvo a abater"? "É a equipa com a melhor organização no ciclismo nacional. Parte da força colectiva tem a ver com a união de todos os elementos. Não só dos atletas, mas também do staff. Depois,do ponto de vista salarial é a equipa que tem maior consideração em relação aos atletas e tudo isso promove e desencadeia os resultados que eles conseguem alcançar ao longo de toda a temporada."

Saiu Amaro Antunes e Joaquim Silva, mas chegou César Fonte e José Neves, dois reforços que agradam a Nuno Sabido. O primeiro considera que poderá ser importante na estratégia colectiva, enquanto o segundo irá beneficiar na forma como Nuno Ribeiro lida com atletas jovens. "Ele de alguma forma protege os ciclistas mais novos. Submete-os a determinado trabalho, mas não os explorando, nem exigindo o que não seria o melhor para eles. Temos o caso do Joaquim Silva, que agora saiu para a Caja Rural, mas enquanto lá esteve foi sempre tido em muita consideração a sua evolução. Penso que é uma óptima equipa para albergar e depois lançar novos talentos", afirma.

E irá Raúl Alarcón ser o líder assumido depois da vitória na Volta a Portugal? Sabido continua a colocar Gustavo Veloso também com esse estatuto, realçando como fisicamente mantém-se a bom nível e como tem a ambição de ganhar novamente a principal corrida para as equipas nacionais. Porém, considera que existe ainda uma terceira opção: "O António Carvalho está desejoso ter a oportunidade dele e é outro que faz parte desse lote. O Nuno Ribeiro e os restantes directores estarão tranquilos por mais uma época porque têm várias opções para utilizarem."

Sporting-Tavira pressionado, Efapel nem tanto

O facto de ser o Sporting, a pressão é bem real, algo que não aconteceria se se tratasse do Tavira, segundo Nuno Sabido. "A direcção do Sporting Clube de Portugal quer vencer, até porque porque existe alguma rivalidade com o FC Porto." O antigo ciclista recorda como foi o regresso dos dois clubes ao ciclismo. Primeiro foi o clube de Lisboa a abordar Nuno Ribeiro, mas acabou por serem os portistas a chegarem a acordo com a que era a equipa mais ganhadora do pelotão e assim continua. O Sporting virou-se então para o Algarve. "Se no primeiro ano [a pressão] não era tão acentuada, agora é. Tiveram um segundo ano para tentarem provar e agora têm um terceiro e dificilmente será uma pressão colocada de lado."

Nuno Sabido coloca a W52-FC Porto num patamar acima, com o Sporting-Tavira ao nível de equipas como a Efapel e a Rádio Popular-Boavista. "Têm bons ciclistas, mas não têm atletas ao ponto de serem vencedores da Volta a Portugal."

Apesar do investimento feito para o garantir em 2017 Sérgio Paulinho, ciclista medalhado olímpico e que durante mais de uma década esteve no World Tour, Sabido refere que a direcção da Efapel reconhece o plantel que tem. Diz que Paulinho "dificilmente irá vencer a Volta a Portugal em situações normais de um para um". No entanto, salienta a reconhecida qualidade do ciclista e como uma situação de corrida favorável e tudo poderá acontecer. "Se ele tiver uma pequena vantagem, bastará de um minuto, poderá ser difícil alcançar o Sérgio."

Henrique Casimiro, que também fez top dez na última Volta a Portugal, é um caso que Sabido considera idêntico ao de Paulinho, com a grande diferença de ainda estar em plena evolução. "Ainda é um ciclista em desenvolvimento, veremos qual foi a sua evolução para a nova temporada. Temos de esperar para ver se o Henrique conseguiu subir mais um patamar para ganhar uma Volta a Portugal ou estar nos lugares cimeiros."

Louletano reforçado, mas não muito diferente; Boavista mantém génese

Depois do pódio de Vicente de Mateos na Volta a Portugal, a agora Aviludo-Louletano reforçou-se com ciclistas para tentar dar maior apoio ao líder, como Márcio Barbosa. "Acho que não vai influenciar muito o resultado do Louletano individual o se terem reforçado colectivamente. É uma equipa que irá continuar à procura das vitórias individuais." Nuno Sabido diz mesmo que pensa que a equipa algarvia "não terá a capacidade de confrontar directamente e colectivamente a W52-FC Porto" e que quando chegar o momento das decisões, Mateos terá de reagir. "Veremos se mais alguém da equipa o acompanhará."

Quanto à Rádio Popular-Boavista, entrará na fase pós-Rui Sousa, com Nuno Sabido a realçar que João Benta manter-se-á como o "ciclista em destaque", como "o homem forte". Já o russo Egor Silin, que chegou já no decorrer da temporada em 2017, depois de ter ficado sem lugar na Katusha-Alpecin, Sabido afirma que já "teve as suas oportunidades, mas não as aproveitou da melhor maneira". "Esta descida de divisão tão repentina teve a ver com algum descrédito por parte dessas equipas por que já passou e neste momento, tendo em conta o ciclismo em Portugal, tremendamente agressivo, eu direi que poderá continuar na sua toada, com fugas e tentar vencer etapas e, se calhar pouco mais do que isso."

Já a presença de dois jovens que irão cumprir o primeiro ano de sub-23, Francisco Moreira e João Salgado, mas logo numa equipa profissional, é algo que Nuno Sabido vê como positivo, sendo uma situação distinta dos mais novos que estão nas equipas sub-25. "É muito bom já lá estarem [numa estrutura profissional]. Acresce a motivação, têm um salário e só isso é uma mais valia", explica. Quanto à pressão, "existe sempre e a maior parte das vezes não é colocada pela equipa, pelos directores e staff técnico, é uma pressão que está inerente a cada atleta". Acrescenta que a ambição de chegar ao World Tour faz com que essa pressão surja, mas diz ser saudável, desde que a saibam controlar.

A Vito-Feirense-BlackJack herdou parte da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack, mas Sabido atira logo a diferença que será a mudança de estatuto. "Parte do plantel mantém-se porque infelizmente os ciclistas não tinham alternativa, estão quase que obrigados a ficar na mesma formação." Sabido refere como as condições são diferentes "mesmo do ponto de vista salarial e tudo mais, não serão as mesmas, serão com toda a certeza inferiores". "É a tal motivação que está presente nesses atletas, em quererem fazer melhor esta temporada, para no próximo ano estarem numa equipa profissional", afirmou.

Contudo, espera que Edgar Pinto possa ter uma época livre de incidentes para finalmente mostrar toda a sua qualidade, enquanto João Matias, uma das revelações de 2017, "estará mais marcado".

Possíveis destaques para 2018

Nuno Sabido joga à defesa quanto a algum ou alguns ciclistas que possam destacar-se este ano. "Esperar para ver!" No entanto, questionado sobre jovens que se deve seguir com maior atenção e que ainda não se tenha referido, tendo também em conta as novas estruturas Continentais, fala-se de nomes como Francisco Campos, campeão nacional de sub-23 e vencedor da Prova de Abertura Região de Aveiro em 2017, mas também César Martingil e Gaspar Gonçalves, dois corredores que se tornaram profissionais com a Liberty Seguros-Carglass.

Considerando que estas equipas vão tentar criar as suas oportunidades, como entrar em fugas ou lutar pelas classificações secundárias, Sabido refere como Francisco Campos é um sprinter que consegue passar bem algumas dificuldades e como César Martingil irá reforçar precisamente essas chegadas com o pelotão compacto. Gaspar Gonçalves, um corredor mais completo, poderá tentar acompanhar os melhores, mas ainda lhe falta a experiência para poder alcançar grandes resultados. Porém, Sabido espera que a adquira e possa tornar-se numa referência do ciclismo nacional.

Não será preciso esperar muito pelo início da acção nas estradas portuguesas, pois é já este domingo que o pelotão nacional se faz à estrada na Prova de Abertura Região de Aveiro. Serão 155,5 quilómetros que começarão em Oliveira do Bairro, com a meta colocada na Torreira.



27 de janeiro de 2018

"Não é só no César ou no Gaspar que vamos focar a atenção, pois temos jovens com muito, muito talento"

(Fotografia: Facebook Bike Clube de Portugal)
Rigor, talento, inovação, honestidade e compromisso. Há bases que Manuel Correia não quer alterar na sua equipa, seja de sub-23, ou agora de sub-25 e no escalão Continental. A Liberty Seguros-Carglass consolidou o seu projecto como um dos melhores na formação de jovens e mesmo dando um passo que irá proporcionar outro nível competitivo aos ciclistas, o director desportivo não abdica da identidade da equipa, apostando em quem conhece e confia para ascender à elite, enquanto reforçou a estrutura com cinco corredores que corriam no escalão de juniores. "Num curto espaço de tempo, no escalão sub-23, acho que até excedemos todas as expectativas que tínhamos criado sobre o projecto, quer em termos desportivos, quer em termos de notoriedade, mesmo a nível internacional.  A partir do momento em que surgiu esta oportunidade para as equipas de sub-25, nós achámos por bem aproveitar, até porque acho que merecemos. Temos feito um bom trabalho", salientou Manuel Correia ao Volta ao Ciclismo.

Juntamente com Luís Pinheiro, o director desportivo optou por dar a oportunidade a dois dos seus ciclistas para serem profissionais, não contratando corredores mais experientes, como aconteceu com o Miranda-Mortágua e com a LA Alumínios, as outras duas formações que também serão Continentais, mas de sub-25. César Martingil e Gaspar Gonçalves terão de assumir maiores responsabilidades. Foram os escolhidos por serem já bem conhecidos da estrutura, ou como disse Manuel Correia: "Temos o perfil biológico e nós preservamos a ética do desporto." E acrescentou: "Quer ao César, ao sprint, e quer ao Gaspar, que já tem demonstrado nos últimos dois anos que é muito consistente e tem estado com os melhores, é deles que vamos cobrar um pouco mais. Não é só neles que vamos focar a atenção, pois temos jovens com muito, muito talento", realçou. O responsável referiu ainda que a nível orçamental, a principal opção passa por dar as "melhores condições de trabalho e inovadoras".


"Há corredores que com a ambição que têm podem conseguir algum resultado numa ou outra corrida"

Manuel Correia assume as condicionantes que terá devido à juventude dos seus ciclistas: "É lógico que ao fazermos uma equipa destas, não podemos ter como principal objectivo o resultado final, se bem que com trabalho e dedicação eles acabarão por aparecer, mas não podemos exigir deste tipo de corredores - inclusivamente tenho cinco de primeiro ano - que consigam ombrear com as equipas muito mais cotadas e com mais maturidade." Não tendo um ciclista mais experiente, estão abertas as portas para que todos tenham liberdade para lutar por bons resultados e Manuel Correia quer assegurar que isso acontece de facto. "Há corredores que com a ambição que têm podem conseguir algum resultado numa ou outra corrida", garantiu.

A Volta ao Alentejo, por exemplo, é uma prova que o responsável acredita ser possível ter César Martingil na luta, mas vai apontando a outras corridas por etapas. Já na Volta a Portugal deseja "estar a um bom nível" e na Volta ao Algarve... "Vai ser muito duro e difícil. Sabemos do nível competitivo que a corrida vai ter. Mas a ambição e vontade de correr com os melhores também fará com que se superem a eles próprios. Vamos participar, tentar estar com dignidade na corrida", afirmou, garantindo que não haverá qualquer dificuldade em gerir o lado emocional de jovens corredores que se vão ver ao lado de alguns dos melhores ciclistas mundiais. "Acho que é a parte mais fácil. Estes jovens já não têm a mentalidade que eu tinha quando corria. Quando passávamos a fronteira já estávamos derrotados. Agora não. Eles gostariam de correr todos os dias Voltas ao Algarve. Tenho 13 corredores e só posso levar sete. Perguntei a todos quem queria correr a Volta ao Algarve. Todos queriam. Não tenha dúvida que qualquer um deles abdicaria de correr a Volta a Portugal para estar na Volta ao Algarve!"

Saiu Neves, regressou Carvalho

Manuel Correia gostaria de ter mantido José Neves na sua equipa e até diz que o ciclista também não se teria importado nada em continuar na Liberty Seguros-Carglass. No entanto, a proposta da W52-FC Porto era muito superior e o director desportivo realçou como quer ver os seus ciclistas conseguirem bons contratos. "A carreira de ciclista é muito curta e nós entendemos que as diferenças eram abismais. Para nós lhe dar-mos o mínimo iríamos ter algumas dificuldades. Achámos por bem que o Zé agarrasse [a oportunidade]", contou, acrescentado que praticamente todas as equipas de elite queriam o campeão nacional de contra-relógio de sub-23. O director desportivo disse mesmo que espera que Martingil, Gonçalves ou qualquer outro dos seus atletas possa para o ano ou em breve estar a um nível mais alto. Esse tem sido um dos objectivos por que tanto tem batalhado na sua equipa. Formar ciclistas, mas também homens, pois, como reforçou, nem todos conseguem singrar no ciclismo. Contou como Luís Pinheiro esteve na equipa como sub-23, o contabilista também, além de haver médicos, fisioterapeutas e outros antigos corredores nas mais variadas áreas da sociedade.

Mas houve um ciclista que teve uma experiência menos boa no estrangeiro e que agora regressa "a casa". "Tivemos muita pena quando o André Carvalho abandonou. Achámos que foi mal aconselhado. Se o André tivesse saído para uma equipa como a Axeon Hagens Berman, como os gémeos e antes o Ruben Guerreiro... Mas a equipa que o André foi representar [Team Cipollini] era no mínimo de qualidade dúbia e acho que o André deu dois passos atrás. Depois teve um problema familiar e eu tive conhecimento e tentámos dar-lhe apoio", explicou. Por altura dos Nacionais, Manuel Correia falou com o ciclista e perante a vontade deste em regressar a Portugal e à Liberty Seguros-Carglass, o responsável abriu-lhe as portas e acredita que também André Carvalho poderá mostrar-se em algumas corridas.


"São ciclos e temos de estar preparados para isso. Tomara que a Liberty Seguros permaneça mais dez anos no ciclismo"

Apesar do entusiasmo para esta nova aventura, a preparação para a nova época começou com um sobressalto. Luís Pereira foi atropelado, quando treinava com Filipe Cardoso (Rádio Popular-Boavista) e Fábio Oliveira (LA Alumínios). "Podia ter sido muito mau. Apesar de tudo foi feliz. A sorte foi que o carro que o atropelou era alto e ele ficou por debaixo, porque se fosse um ligeiro... O condutor vinha distraído. Eles entraram na rotunda, tiveram que travar, ele era o último e acabou por o apanhar. Teve mesmo muita sorte... A bicicleta ficou toda desfeita. Ele só ficou escoriações e levou pontos no sobrolho. Até parece incrível", desabafou.

O incontornável nome da Liberty Seguros

Se há patrocinador que rapidamente é reconhecido no ciclismo nacional é a Liberty Seguros. A empresa há muito que está ligada à modalidade e chegou mesmo a ter uma equipa profissional. Em 2009, um escândalo de doping que envolveu alguns dos seus ciclistas, fez com que o apoio fosse retirado, mas a seguradora não abandonou por completo a modalidade, ficando ligada à federação e também à estrutura de São João de Ver, liderada por Manuel Correia. Apoiar os mais novos passou a ser a palavra de ordem.

"Sabíamos que fazer uma equipa profissional com a Liberty Seguros seria muito complicado", frisou. Porém, a possibilidade de pedir uma licença Continental, mas ficando como uma equipa sub-25, na qual apenas dois ciclistas podem ser profissionais, o patrocinador manteve o apoio. No entanto, Manuel Correia admitiu alguma incerteza quanto ao futuro, pois, como explicou, o CEO, José António Sousa, vai retirar-se no final do ano. "Não sabemos se quem vem a seguir vai manter a mesma política. Temos a noção que é um passo arriscado [subir a Continental], mas decidimos dá-lo, pensando essencialmente nos nossos jovens ciclistas."

Referiu que não tem qualquer indicação de que a Liberty Seguros vá abandonar o ciclismo, mas a experiência permite-lhe ser cuidadoso: "São ciclos e temos de estar preparados para isso. Tomara que a Liberty Seguros permaneça mais dez anos no ciclismo, connosco ou com outros. Só teríamos todos a ganhar, até pela credibilidade da empresa."

Manuel Correia vai começar desde já a preparar 2019, para procurar o mais cedo a estabilidade necessária, para depois a transmitir aos seus ciclistas. Estes projectos sub-25 assumem uma enorme importância num ciclismo nacional que tem vindo a crescer nos últimos anos. "O grande problema destas equipas será sempre a sua sustentabilidade no futuro e nós temos isso bem presente. Muitas das vezes quem apoia quer resultados, mas não é o caso nem da Liberty Seguros, nem da Carglass", afirmou.


"Nós queremos o melhor para os nossos ciclistas. Eles têm uma carreira pela frente. Mesmo que queiram ficar, se houver uma boa situação para eles, vamos ajudá-los"

E que vantagens irá trazer a curto/médio prazo estas novas estruturas Continentais, mas que apostam na juventude? "Mais jovens corredores vão ter oportunidades", respondeu de imediato. O director desportivo recordou como na última Volta a Portugal, quase não houve ciclistas lusos para disputar a classificação da juventude, situação que considera ser "muito má". Na próxima edição será bem diferente, o que é desde logo uma vantagem na existência das três estruturas sub-25. "Haverá mais renovação do ciclismo em Portugal", acrescentou, exemplificando como algumas das principais referências estão a aproximar-se dos 30 anos e assim haverá uma nova geração já com rodagem ao mais alto nível nacional, pronta para assumir a responsabilidade.

Com as equipas profissionais a procurarem muitas vezes terem ciclistas que possam produzir resultados mais no imediato, a filosofia poderá alterar-se agora que os sub-23 passam a ter acesso a outras experiências. "Acredito que as equipas portuguesas os contratem, mas mesmo a nível internacional será importante [essa exposição]. Não vamos afastar a hipótese de correr lá fora, ainda que não seja fácil a nível orçamental. Mas já temos acesso a corridas mais importantes. Se tivermos de abdicar correr cá para fazer uma prova lá fora, fá-lo-emos", assegurou o responsável, que pretende assim criar a possibilidade de os seus ciclistas se mostram no estrangeiro. "Nós queremos o melhor para os nossos ciclistas. Eles têm uma carreira pela frente. Mesmo que queiram ficar, se houver uma boa situação para eles, vamos ajudá-los", reiterou.

Será, portanto, uma Liberty Seguros-Carglass igual a ela mesma, mas a querer aumentar o nível de qualidade dos seus ciclistas, proporcionando-lhes as melhores experiências, nas melhores corridas a que passam a ter acesso. Há corredores nesta equipa que já são bem conhecidos e não são nada de virar a cara a um desafio.

Equipa Liberty Seguros-Carglass: César Martingil, Gaspar Gonçalves, André Crispim, Luís Pereira, Rafael Lourenço, Venceslau Fernandes, Filipe Rocha, André Carvalho (Team Cipollini) Pedro Miguel Lopes (Seissa ACR Roriz), Pedro Lopes (Alcobaça Clube Ciclismo), João Carneiro (Rádio Popular-Boavista, equipa de juniores), João Dinis (Rádio Popular-Boavista, equipa de juniores), Fábio Costa (Centro Ciclista de Barcelos).

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