Mostrar mensagens com a etiqueta Rafal Majka. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rafal Majka. Mostrar todas as mensagens

13 de março de 2019

Um choque violento e outro evitado quando duas pessoas tentaram atravessar a estrada durante o contra-relógio

Gatto e Majka fizeram o contra-relógio sozinhos após a queda
(Fotografia: © Bora-Hansgrohe/BettiniPhoto)
Foi um daqueles momentos em que se questiona se se está a ver bem. Alguém atravessar a estrada durante uma corrida não é, infelizmente, nada de novo. No entanto, não deixa de ser chocante ver imagens como as de esta quarta-feira no Tirreno-Adriatico. Um peão provocou a queda a dois ciclistas da Bora-Hansgrohe ao atravessar à frente da equipa que estava em pleno contra-relógio colectivo, pedalando a cerca de 55 quilómetros por hora. O aparato do incidente assustou, mas todos os envolvidos terão ficado bem, dentro do possível. Contudo, não se fez esperar a reacção principalmente de estupefacção de vários ciclistas que assistiram na televisão ao violento choque.

Já não bastava as más condições climatéricas, a Bora-Hansgrohe foi surpreendida logo no início do seu contra-relógio por um peão que atravessou a estrada quando os sete ciclistas se aproximavam muito rapidamente. Oscar Gatto e Rafal Majka desviaram-se para a direita, mas o homem não parou para deixar passar os corredores e tentou chegar ao passeio. Deu-se o choque que deixou os três no chão, perante um polícia que parece tentar alertar o peão para o perigo, mas sem sucesso. Estavam decorridos apenas 3,5 quilómetros dos 21,5 da primeira etapa, em Lido di Camaiore. Com os braços colocados nos extensores, o tempo de travagem reduz substancialmente num contra-relógio e não ajuda a estrada estar molhada. Foi toda uma receita para o incidente acabar mal.

"Tivemos um dia azarado, marcado por uma má queda. O Oscar Gatto ficou com muitas contusões, enquanto o Rafal Majka caiu com muita força. Ele tem hematomas e abrasões na sua cabeça e vamos fazer mais testes para avaliar se o impacto provocou uma concussão ou não", explicou o médico da equipa alemã, Jan-Niklas Droste. Apesar de não ser certa a presença na segunda etapa de Majka, o director desportivo, Enrico Poitschke, afirmou, no entanto, que o polaco deveria continuar em prova, apesar da luta pela geral tudo ter acabado naquele quilómetro 3,5.

Com Gatto e Majka a ficar para trás, os cinco restantes ciclistas da Bora-Hansgrohe que se conseguiram desviar do homem, viram a sua missão complicar-se e o 20º lugar, a 1:57 minutos da equipa vencedora Mitchelton-Scott, demonstram como o incidente estragou o contra-relógio e parte das aspirações da equipa. Os dois ciclistas afectados perderam 5:35 minutos. A Bora-Hansgrohe vai agora apostar na vitória de etapas, esperando que Peter Sagan recupere dos problemas provocados por um vírus estomacal que chegaram a colocar em causa a participação no Tirreno-Adriatico. "Perdemos a nossa velocidade e ficámos apenas cinco ciclistas para a grande parte da etapa. Por isso, era difícil ser competitivo", desabafou o polaco Maciej Bodnar.

As reacções de outros corredores não demorou. "É para isso que se tem pessoas nas bermas das estradas. Eu vi o vídeo e havia um homem lá e não fez nada. Isto não deveria acontecer. Suponho que erros humanos acontecem, mas custou caro", afirmou Tom Dumoulin, da Sunweb, que criticou o que considera ser a inacção do polícia, que estava do lado contrário da estrada ao do peão, quando este começou a atravessar a estrada.

Geraint Thomas começou por dizer que foi assustador ver o que aconteceu. "Havia um polícia. Não deveria ter acontecido. Espero que os rapazes estão bem e o homem que foi atingido também", acrescentou o galês da Sky.

Sucederam-se também os pedidos para que as pessoas se mantenham em segurança e, em consequência, mantenham a segurança dos ciclistas, que estão a fazer o seu trabalho. Esperar apenas uns poucos segundos teria feito toda a diferença.
Mais um susto a terminar a etapa

Com o que tinha acontecido à Bora-Hansgrohe na mente dos ciclistas que partiram mais tarde para o contra-relógio, talvez ninguém pensasse que pudesse acontecer novamente pouco depois. Mas aconteceu. Desta feita tudo acabou bem. Já perto do final da etapa, a Mitchelton-Scott deparou-se, ao sair de uma curva, com uma mulher que tinha começado a atravessar a estrada com o seu cão. Felizmente a senhora teve o reflexo de parar e colocar também o cão em segurança. Ficou "apenas" o susto para os corredores da equipa australiana.

"Por sorte estávamos junto às grades a sair da curva e, por isso, conseguimos reagir rapidamente. Poderia ter sido muito desagradável", salientou Michael Hepburn, o primeiro líder do Tirreno-Adriatico. A Mitchelton-Scott acabou por não ser afectada pelo susto e foi mesmo a equipa mais rápida do dia, deixando a Jumbo-Visma de Primoz Roglic a sete segundos e a Sunweb de Dumoulin a 22.

Não foi a primeira vez de Sagan

O eslovaco sabe bem o que é ter um encontro imediato com alguém que atravessa a estrada durante uma corrida. Em 2017, precisamente no Tirreno-Adriatico, mas no contra-relógio individual, uma senhora, também com o cão, não se coibiu de atravessar... na passadeira. Sagan lá se desviou... para a ciclovia. Um momento insólito que terminou bem.




27 de dezembro de 2018

Uma Bora-Hansgrohe que não foi só Peter Sagan

(Fotografia: © Ralph Scherzer/Bora-Hansgrohe)
Quando se fala de Bora-Hansgrohe, fala-se de Peter Sagan. Afinal é a super estrela do ciclismo actual, é quem conquista as vitórias mais importantes, mas esta equipa alemã está a começar a ser mais do que Sagan, com outros ciclistas que sabem que é difícil sair da sombra do eslovaco, mas não significa que não tenham o seu lugar ao sol. Dois exemplos: Pascal Ackermann venceu mais do que Sagan e Sam Bennett afirmou-se como sprinter. Por outro lado, o dos voltistas, se Rafal Majka não confirma expectativas, Emanuel Buchmann conquistou o seu espaço e a equipa vai apostar mais neste alemão.

Porém, esta Bora-Hangrohe é Peter Sagan. Foi um ciclista um pouco diferente, com a sua preparação e mesmo parte do seu calendário a ser ligeiramente alterado. Foi pai e quis aproveitar o máximo possível esses momentos, mas na vertente desportiva, concentrou-se mais em treinos de altitude. Muito se falou que estaria a preparar-se para os Mundiais de Innsbruck, mas era uma missão impossível. Contudo, as alterações até tiveram o seu efeito. Sagan apareceu com uma postura diferente e se continua a somar segundos lugares, também somou mais uns grandes triunfos. E finalmente foi rei de Roubaix.

Aos 28 anos até se esperava que Sagan já tivesse uma colecção maior de monumentos. O facto é que entre erros tácticos e adversários de qualidade, o eslovaco vai apenas em dois, mas tem os que mais queria. Depois da Volta a Flandres em 2016, a forma como conquistou este ano o Inferno do Norte foi de um verdadeiro campeão, ao nível de vitórias recentes e para sempre memoráveis como as de Fabian Cancellara e Tom Boonen. A forma como arrancou, desta feita sem se importar se alguém o ajudaria ou não, a determinação, a destreza... Foi um exibição que marcou 2018. E é verdade que até teve um companheiro de ocasião. Silvain Dillier (AG2R) pensou mais no que teria a ganhar ao acompanhar Sagan, do que a ficar apenas na roda. Sagan foi mais forte no sprint, num Roubaix que ficou muito bem entregue a quem parecia destinado a vencê-lo.

Primeiro item da lista do que faltava na carreira de Sagan riscado, por assim dizer. Seguia-se o regresso ao Tour, depois de em 2017 ter sido expulso devido ao incidente com Mark Cavendish. Três etapas e a camisola verde, que teve uns contornos mais épicos devido a uma queda que o deixou em muito mau estado. Sofreu como nunca tinha sofrido na montanha e conseguiu chegar aos Campos Elísios, onde não teve capacidade para tentar mais um triunfo. O seu Tour estava feito e a verdade de quem é o senhor dos pontos em França estava reposta.

Ranking: 3º (9180 pontos)
Vitórias: 33 (incluindo o Paris-Roubaix, três etapas no Giro e três no Tour)
Ciclista com mais triunfos: Pascal Ackermann (9)

As mazelas da queda numa descida no Tour limitaram-no quase até ao fim da temporada, tendo uma Vuelta sem triunfos, mas com três segundos lugares. Ao todo foram oito vitórias e uma subida ao pódio nos Mundiais. É um estrela, com as suas extravagâncias, mas também um senhor. Sagan, que abandonou em Innsbruck, foi ao pódio entregar a medalha de campeão do mundo a Alejandro Valverde, numa passagem de testemunho e num gesto inesperado, de enorme companheirismo e de respeito pela carreira do espanhol.

Peter Sagan continuará a ser a figura desta equipa, que não esperou pelo último ano de contrato com o eslovaco para renovar até 2021. Está também cada vez mais a criar um bloco muito interessante de ajuda ao seu líder, com Daniel Oss a ser uma das melhores contratações e mais vão chegar em 2019. A relação do italiano com Sagan foi perfeita.

Para a próxima temporada, o eslovaco - agora com a camisola de campeão do seu país e não vestido com o arco-íris - quer fechar as contas que tem com uma Milano-Sanremo que lhe teima em escapar e vai também apostar nas Ardenas, regressando à Amstel Gold Race e com estreia marcada para a Liège-Bastogne-Liège, mais um monumento que entra no seu radar. Depois irá atrás de mais uma camisola verde no Tour para ser ele o recordista de vitórias, desempatando com Erik Zabel.

Mas muito se fala de Sagan. Fale-se também de Sam Bennett. Será sempre o sprinter número dois da Bora-Hansgrohe com o eslovaco na equipa, mas foi ao Giro ganhar três etapas, não deixando Elia Viviani (Quick-Step Floors) sem concorrência. Regressou em força na Volta à Turquia para fechar um ano que não esquecerá e que o motiva a querer mais em 2019. Foram sete vitórias e a garantia que a equipa pode contar com ele para aumentar o número de triunfos e da qualidade destes. Aos 28 anos foi a afirmação do irlandês, enquanto Ackermann, aos 24, passou de zero vitórias como profissional para nove! Foi a revelação.

Sim, Sagan venceu um monumento e depois no Tour, mas os triunfos de Ackermann também foram de valor: uma etapa na Volta à Romandia, outra no Critérium du Dauphiné, na clássica Prudential RideLondon-Surrey e duas etapas na Volta à Polónia, só para referir os triunfos em provas do World Tour. Sprinter e homem de clássicas, Ackermann tanto poderá começar a entrar mais no bloco de Sagan, como será inevitável ter as suas próprias oportunidades.

Ackermann e Buchmann foram dois ciclistas que também já renovaram até 2021. Ambos são o futuro próximo da Bora-Hansgrohe. O último tem estado a evoluir para tentar discutir um top dez numa grande volta. Ficou à porta na Vuelta (12º), mas a performance foi convincente, muito mais do que a de Rafal Majka. O polaco não esteve mal, com dois top 20 (Tour e Vuelta), mas deste ciclista a Bora-Hansgrohe exige mais e Majka não atinge o nível esperado. Para 2019 é mais um dos corredores que não coloca o Tour como objectivo, optando pelo Giro e a Vuelta. Buchmann vai atacar o top 10 no Tour.

E para mostrar como a equipa está a construir um bloco interessante de voltistas, houve ainda Davide Formolo, uma das contratações para 2018. O italiano fez 10º no Giro, fechando em 22º na Vuelta. Com 26 anos é mais um ciclista que a Bora-Hansgrohe poderá tentar tirar mais partido. Há ainda um Jay McCarthy de quem muito se espera, mas que tem sido mais discreto na sua evolução.

Em 2019 chegará mais um alemão para as corridas por etapas. Max Schachmann (24 anos) deixa a Quick-Step Floors para assinar por uma equipa que quer apostar mais na geral de grandes voltas do que a belga. Tem tudo para ser um excelente reforço e tornar esta Bora-Hansgrohe bem mais interessante, principalmente para um Giro e Vuelta, já que no Tour, Sagan deverá sempre ser o líder e, logo, com um bloco mais forte na sua protecção, não sobrando muito espaço para os homens da montanha.

Para ajudar o eslovaco chegam Jempy Drucker (BMC) e Oscar Gatto (Astana). O italiano já foi colega de Sagan na Tinkoff. O ciclista está muito contente com os companheiros que terá ao seu lado, considerando que é o bloco mais forte que já teve a apoiá-lo.

Esta Bora-Hansgrohe quer mais e melhor, sem que seja apenas Peter Sagan a estar na ribalta. A equipa está a crescer e a ficar cada vez mais equilibrada e forte.

Permanências: Peter Sagan, Rafal Majka, Emanuel Buchmann, Pascal Ackermann, Sam Bennett, Erik Baska, Cesare Benedetti, Maciej Bodnar,Marcus Burghardt, Davide Formolo, Felix Großschartner, Peter Kennaugh, Leopold König, Patrick Konrad, Jay McCarthy, Gregor Mühlberger, Daniel Oss, Christoph Pfingsten, Pawel Poljanski, Lukas Pöstlberger, Juraj Sagan, Andreas Schillinger, Rüdiger Selig.

Contratações: Maximilian Schachmann (Quick-Step Floors), Jempy Drucker (BMC) e Oscar Gatto (Astana).


5 de dezembro de 2017

Azares, erros tácticos, a polémica do ano e Sagan e Majka a precisar de melhor apoio

(Fotografia: VeloImages/Bora-Hansgrohe)
A Bora-Hansgrohe foi uma das boas notícias para o pelotão de 2017. Com o fechar de portas da Tinkoff e da IAM, a formação alemã veio preencher uma dessas vagas, permitindo que o World Tour não ficasse mais curto. Este foi um projecto que se foi consolidando nos últimos anos, começando como Continental, passando rapidamente para o segundo escalão e nesta temporada não só veio para o nível máximo, como o quis fazer com estrondo. Peter Sagan era garantia de que a equipa seria falada praticamente o ano inteiro, mas foi ainda feita a aposta em Rafal Majka para as grandes voltas. Para Portugal também foi uma equipa importante, afinal tinha o então campeão nacional José Mendes, ciclista já com quatro anos de permanência naquela estrutura.

Apesar de ter ciclistas de qualidade, como Jan Bárta, Maciej Bodnar, Leopold König, Emanuel Buchmann e Jay McCarthy, entre outros, rapidamente se percebeu que Sagan poderia enfrentar um problema que não era exactamente novo na sua carreira: falta de acompanhamento dos colegas em alturas cruciais das corridas. Com um bicampeão do mundo - que acabou o ano como tri - e especialista de clássicas, a Bora-Hansgrohe acabou por ter uma primeira fase da temporada abaixo das expectativas. Entre azares e erros tácticos, Peter Sagan apenas venceu a Kuurne-Bruxelles-Kuurne. Perder o sprint para Michal Kwiatkowski na Milano-Sanremo foi certamente de difícil digestão, cair na Volta a Flandres e furar no Paris-Roubaix foram duas enormes frustrações. Há épocas assim...

Ainda assim há de realçar que Sagan demonstrou em certos momentos que está a começar a saber aguentar um pouco um ímpeto de tentar ser ele a fazer tudo - atacar, contra-atacar, perseguir -, principalmente quando percebe que apenas está a "arrastar" outros ciclistas com ele e no final, paga o esforço com uma derrota. O que aconteceu com Kwiatkowski foi um pouco isso, ainda que naquela corrida, se Sagan não tivesse arriscado, teria chegada à meta com mais concorrência. Há que saber quando arriscar e umas vezes vai resultar, outras não, mas Sagan percebeu que não pode ser sempre ele a trabalhar.

Rafal Majka padeceu do mesmo mal, a nível de azar e falta de um melhor apoio em momentos cruciais. Muito discreto grande parte da temporada, na preparação da Volta a França, uma queda deixou-o muito mal tratado. Abandonou, a recuperação foi longa e na Vuelta a geral não esteve em discussão, mas foi vencer uma etapa. E é neste aspecto que a Bora-Hansgrohe soube destacar-se: venceu nas três grandes voltas. No Giro foi um início perfeito e de loucos. Lukas Pöstlberger ganhou distância nos metros finais quando preparava o sprint e acabou por ganhar surpreendentemente. A Bora-Hansgrohe ficou ainda com todas as camisolas em disputa na sua posse. Por um dia, é certo, mas para quem fazia a estreia em grandes voltas como equipa do World Tour, a fase menos boas das clássicas começava a ficar para trás.


Ranking: 8º (6516 pontos)
Vitórias: 33 (incluindo uma no Giro, duas no Tour e uma na Vuelta)
Ciclista com mais triunfos: Peter Sagan (11 mais o título mundial)

No Tour, foram mais duas vitórias e muita (mas mesmo muita) polémica. Peter Sagan ia atrás de mais uma camisola dos pontos - igualaria Erik Zabel -, mas acabou expulso da corrida depois do incidente com Mark Cavendish. No sprint, o britânico tentou forçar passagem e o eslovaco levantou o cotovelo, provocando a queda aparatosa de Cavendish. Inicialmente o castigo foi a desclassificação na etapa e a retirada de pontos para a respectiva classificação. Parecia ter ficado por aí, mas a organização foi mais longe. Rude golpe que Sagan não esquecerá, mas que ultrapassou ao regressar mais tarde a fazer o que faz melhor: vencer. 

A equipa recorreu de imediato ao Tribunal Arbitral do Desporto para tentar que o eslovaco fosse reintegrado no Tour, mas sem sucesso. No entanto, o caso prosseguiu, mas no dia em que deveria ser avaliado novamente,esta terça-feira, foi anunciado que a Bora-Hansgrohe e a UCI que não se iriam prosseguir legalmente com o caso. "Ambos os lados concordaram que 'a queda foi um incidente infeliz e sem intenção e os comissários da UCI formularam a sua decisão baseada no melhor julgamento dadas as circunstâncias'", lê-se no comunicado.

Entretanto, o presidente da UCI, David Lappartient, anunciou que haverá um comissário extra nas grandes corridas, naquele que é considerado um dos passos que o organismo deve dar, pois o caso de Sagan está a ser visto como um exemplo que é preciso evoluir também neste tipo de avaliações e decisões.

Regressando à temporada da Bora-Hansgrohe, Maciej Bodnar foi ainda vencer o contra-relógio no Tour, mas a equipa acabaria o ano a vangloriar-se pela confirmação de um sprinter. O irlandês Sam Bennett está inevitavelmente na sombra de Sagan - poucos são os que não estão -, mas soube aproveitar as oportunidades que lhe foram dadas. O eslovaco soma 11 vitórias, mais o título mundial em Bergen. Bennett venceu por dez vezes, com o primeiro triunfo a ser de destaque, pois aconteceu no Paris-Nice. Cinco das vitórias aconteceram na Volta à Turquia, onde foi completamente dominador nos sprints. Perante o rendimento, em 2018 poderemos ver mais deste irlandês de 27 anos e perceber como será no frente-a-frente regular com os grandes nomes do sprint... Se Sagan deixar!

Quanto a José Mendes, o português manteve a regularidade habitual, sendo sempre um ciclista de confiança. No Giro teve espaço para se mostrar, pois a Bora-Hansgrohe perdeu König pouco antes da corrida por lesão e não tinha um líder assumido. O então campeão nacional (quarto na corrida de Gondomar, no seu melhor resultado do ano) foi 48º a mais de duas horas do vencedor, Tom Dumoulin. Ainda assim, objectivo cumprido, pois era o sonho de José Mendes estar em Itália e pode agora dizer que fez as três grandes voltas. E terminou-as sempre. Infelizmente a passagem pelo World Tour acabou por ser curta para o ciclista português, que irá agora representar a Burgos-BH, formação que irá subir a Profissional Continental.

A Bora-Hansgrohe está claramente a querer tornar-se numa das equipas mais fortes do pelotão e aposta em nomes como Peter Kennaugh (Sky), Davide Formolo (Cannondale-Drapac) e Daniel Oss (BMC) para a próxima temporada. Ter ciclistas de elevado nível em redor dos líderes e que também sejam opção para lutar por vitórias é um claro objectivo. A Bora-Hansgrohe será uma equipa a seguir com atenção em 2018 e não só por ter Peter Sagan, pois se aprender com os erros que cometeu e os seus ciclistas não serem perseguidos por quedas e outros azares poderá alcançar mais do que as 33 vitórias deste ano ou, pelo menos, ter algumas ainda mais relevantes.

»»Ataque ao Tour falhou no contra-relógio, mas AG2R ganhou força nas clássicas««

»»Um ano em que as atenções dividiram-se entre Uran e o director da equipa««

»»Nova era da Katusha-Alpecin com confirmação de Zakarin e despedida de Kristoff««

11 de julho de 2017

A equipa de luxo que já não está na Volta a França

(Fotografia: ASO/Pauline Ballet)
Perante uma etapa em que nada aconteceu - sem desprimor para mais um triunfo avassalador de Marcel Kittel - e perante a perspectiva de mais um dia exactamente igual na quarta-feira, resta esperar que chegue a 12ª tirada, quando se irá voltar à montanha. Até lá podemos olhar para a lista de desistências e ver que poderíamos formar uma equipa de sonho. A Volta a França não está a ser marcadas por aquelas quedas colectivas impressionantes, mas as quedas solitárias estão a afastar ciclistas importantes de uma corrida que apesar das etapas planas bem aborrecidas, tem na luta pela geral um interesse que não tem sido comum em anos recentes. Os que já abandonaram dariam para formar uma super equipa. Alguns teriam de aceitar funções diferentes, mas vamos entrar no campo das suposições. Portanto, suponhamos que todos aceitariam o que aqui se escreveu.

Antes de mais, apenas um nota prévia: com dez etapas concluídas o Tour já viu sair 17 ciclistas, por abandono, exclusão ou chegada fora do tempo limite. Comparando com o Giro, na mesma etapa o número era oito, sendo que dois (Stefano Pirazzi e Nicola Ruffoni) nem sequer começaram a corrida devido a uma suspensão por doping, conhecida no dia antes do início da competição.

Apresentada esta curiosidade, vamos então ao nove que daria uma fantástica formação que muitos directores desportivos não se importariam de ter. De forma a criar uma equipa coesa, serão então atribuídas funções a alguns que não correspondem às que tinham de facto neste Tour, ou seja, será aqui construída uma possível táctica.

O líder para geral seria Richie Porte (32 anos). O ciclista da BMC estava numa forma invejável, provavelmente a melhor da sua carreira. Era um sério candidato a fazer frente a Chris Froome. Surgiu em França com uma equipa construída para si, algo que não tinha acontecido em 2016, quando Tejay van Garderen foi co-líder. Porte estava a corresponder às expectativas até àquela etapa nove. Teve uma queda aparatosa numa descida e partiu a clavícula e a pélvis.

Como gregários de luxo, Richie Porte teria ao seu lado na alta montanha Geraint Thomas e Rafal Majka. O britânico da Sky (31 anos) é um dos infelizes do ano. Caiu no Giro e no Tour e acabou por abandonar as duas corridas. Com Porte em tão boa forma, Thomas teria de ser o seu braço direito (de recordar que ambos já foram companheiros na Sky). Não se conseguiu perceber bem como estava Thomas fisicamente, mas seria provavelmente um homem importante. Quanto a Majka, o homem da Bora-Hansgrohe (27 anos) foi mais uma vítima da nona etapa. Acabou no domingo, mas hoje não partiu, devido aos ferimentos que até lhe dificultavam a respiração. Nesta equipa imaginária, seria um apoio decisivo para Porte, mas não é de afastar a hipótese de lhe dar uma oportunidade de integrar uma fuga e deixá-lo lutar por uma etapa, até porque há mais homens ajudar Porte.

Ion Izagirre seria mais um ciclista para a montanha. O espanhol (28), líder da Bahrain-Merida para este Tour, seria um corredor de trabalho. Talvez o primeiro a ser chamado quando o terreno inclinasse. Como caiu logo no contra-relógio é impossível dizer que estava numa grande forma. Caso estivesse melhor do que Thomas, então poderia ser ele a assumir a função de braço-direito de Porte, com o britânico a entrar mais cedo ao trabalho nas etapas de montanhas.

E claro, Alejandro Valverde. Colocá-lo apenas como gregário quase que parece desperdiçar um dos ciclistas que está em melhor forma em 2017. Um crime, mesmo! Com 14 primeiros lugares este ano, o espanhol da Movistar seria um plano B. Mesmo não sendo um voltista por excelência, com uma forma destas seria inteligente mantê-lo como candidato, ainda que também tivesse um papel de ajuda ao líder, Richie Porte. E que importância poderia ter quando chegassem as perigosas descidas dos Alpes e Pirenéus... Valverde também poderia ser aposta para ganhar determinadas etapas.

Quanto aos sprints, quando se fala em gestão de egos... Isto seria uma missão quase impossível, mas vamos tentar imaginar alguma harmonia entre estes homens. Apesar da mononucleose que afectou a sua preparação, como está tão perto do recorde de Eddy Merckx (quatro para igualar), Mark Cavendish teria a primazia, mas com um Arnaud Démare a ser a segunda hipótese, caso o britânico desse mostras que não estava em condições. O francês da FDJ (25) ganhou uma etapa, é certo, mas o currículo de Cavendish (32 anos) tem o seu peso: é uma vitória no Tour contra 30! Démare como lançador de Cavendish? Que luxo! Seria necessário mais um lançador. Após alguma indecisão entre Matteo Trentin (27 anos, Quick-Step Floors) e Mark Renshaw (34, Dimension Data), a escolha recaiu no australiano. É que em nome da tal difícil harmonia, seria um risco não ter o homem de confiança de quase toda uma carreira de Cavendish.

Para terminar, Peter Sagan. Como não é de todo boa ideia ter dois sprinters na mesma equipa a lutar pela vitória e como o eslovaco não é o chamado sprinter puro, então poder-se-ia colocar o bi-campeão do mundo a disputar etapas cujas chegadas são marcadas por rampas, ou então precedidas quilómetros antes por subidas onde Sagan consegue fazer diferenças. Ou seja, não iria aos sprints e tentar-se-ia tirar partido da explosão que este ciclista tem e da capacidade em resistir nas fugas, em solitário ou em pequenos grupos. De todos estes exemplos, dizer a Sagan que não poderia lutar nos sprints seria impensável no mundo real e mesmo no campo das suposições, a vontade é colocá-lo como o líder para as etapas, ao lado de Richie Porte que lutaria pela geral.

Caso se quisesse ter um ciclista para o contra-relógio, a escolha poderia ser para Jos van Emden (Lotto-Jumbo), mas tendo em conta a exibição de Geraint Thomas na primeira etapa do Tour, a equipa estaria bem servida, mesmo sem o vencedor do esforço individual final da Volta a Itália.

Isto tudo é no campo da imaginação. Mas se todos estivessem em forma (e se se entendessem) seria uma equipa de sonho... e certamente só nos sonhos é que existiria!

Em suma, a equipa de luxo que já não está no Tour é constituída por: Richie Porte, Geraint Thomas, Rafal Majka, Ion Izagirre, Alejandro Valverde, Mark Cavendish, Arnaud Démare, Mark Renshaw e Peter Sagan.

Em baixo fica o perfil para a etapa desta quarta-feira. Marcel Kittel vai tentar a quinta vitória e começar assim a ficar cada vez mais próximo de segurar a camisola verde que nunca pensou ser possível ganhar com Peter Sagan em prova. Sem o eslovaco, o alemão tem outra motivação, ainda que diga que o objectivo é ganhar etapas. Mas uma coisa pode muito bem resultar na outra.



Veja aqui o resultado da 10ª etapa e as classificações do Tour.

A tirada desta terça-feira não teve pontos de interesse até àquele final demolidor de Marcel Kittel. O sprinter da Quick-Step Floors recuperou a sua melhor versão e só isso faz valer a pena esperar mais de 200 quilómetros para ver uns metros de emoção.

De destacar ainda que Nacer Bouhanni foi penalizado em um minuto depois de imagens terem captado o sprinter da Cofidis a empurrar um ciclista da Quick-Step Floors. O incidente não resultou em queda, ainda que a atitude tenha sido perigosa. Ainda assim, valeu uma sanção bem mais simpática do que a aplicada a Peter Sagan.


Résumé - Étape 10 - Tour de France 2017 por tourdefrance


»»Majka é mais uma vítima de uma etapa que teve tanto de espectacular como de dramática««

»»Descidas fizeram diferenças demasiado duras e tristes««

10 de julho de 2017

Majka é mais uma vítima de uma etapa que teve tanto de espectacular como de dramática

(Fotografia: Ralph Scherzer/Bora-Hansgrohe)
É antagónico. Tanto se pedia espectáculo na Volta a França e assim se o teve. No entanto, parece que se teve de pagar um preço bem caro. A nona etapa foi das melhores que se assistiu, provavelmente nos últimos anos, mas a emoção ficou marcada por quedas e mais quedas. O Tour perdeu algumas figuras que eram actores principais nesse espectáculo, a começar por Richie Porte. Um dia depois e as descidas continuam a fazer vítimas. Rafal Majka cortou a meta, contudo na terça-feira já não estará na partida. Está tão mal tratado que tem dificuldades em respirar. A Bora-Hansgrohe perdeu Peter Sagan por uma decisão polémica da organização que o expulsou da corrida e agora fica sem o seu outro líder. Salva-se a etapa conquistada pelo bi-campeão mundial.

Pela primeira vez Majka era o líder na Volta a França, depois de ter estado na sombra de Alberto Contador na Tinkoff. Era um ciclista que gerava curiosidade. Parecia estar numa boa forma, sendo forte candidato ao top 10 e talvez algo mais. "Dói-me tudo, mas tive sorte por não ter nenhuma fractura. Não consigo explicar o que aconteceu quando caí", disse o ciclista polaco, citado no site da sua equipa. Majka suspeita que estivesse algo na estrada, como óleo, por exemplo, pois até o seu mecânico escorregou quando o tentou ajudar.

Apesar de ter continuado em prova, o ciclista percebeu que seria um dia muito mau e explicou que deu instruções ao companheiro Emanuel Buchmann para não ficar com ele e tentar salvar algo na classificação geral para a Bora-Hansgrohe. O alemão é 18º a 8:46 minutos de Chris Froome. Majka ainda deixou um agradecimento ao compatriota Michal Kwiatkowski. Apesar de ser da Sky, o ciclista parece que deu uma ajuda a Majka para que este terminasse a etapa, tendo perdido 36:21 minutos para o vencedor, Rigoberto Uran.

O polaco engrossa a lista de desistências liderada por Richie Porte. O australiano caiu na última descida do dia e foi transportado para o hospital. Tem a pélvis e a clavícula fracturadas. O ciclista da BMC já colocou imagens no Twitter da sua estadia no hospital tentando com alguma boa disposição lidar com a enorme desilusão de ficar de fora de um Tour em que claramente tinha todas as condições para lutar pela vitória.

Daniel Martin (Quick-Step Floors) foi atirado ao chão quando Porte perdeu o controlo da bicicleta. O irlandês prosseguiu, voltou a cair mais à frente, mas lá terminou a etapa. No entanto, não escondeu o seu descontentamento pelo que considerou uma fase perigosa da tirada, criticando a organização. O ciclista falou sobre as condições da estrada que eram propícia a quedas: "Estava tão escorregadio... Suponho que a organização teve o que queria. Não penso que ninguém quisesse tomar riscos, mas estava muito escorregadio debaixo das árvores."

Froome contra novos candidatos

A segunda fase da Volta a França começa esta terça-feira e terá novos candidatos. Porte está fora, Alberto Contador é para esquecer e Nairo Quintana tem muito trabalho pela frente se quiser ficar pelo menos no pódio. O quarteto tão falado como favorito é agora um trio, com Froome sempre como o alvo a abater e com Fabio Aru e Romain Bardet como os grandes rivais. No caso do francês nem é uma surpresa, pois Bardet sempre surgiu como o quinto homem a ter em conta nas contas deste Tour, ou até quarto se quisermos ter em conta que já muita desconfiança havia sobre a forma de Contador.

Nestas contas aparece um outsider inesperado: Rigoberto Uran. O colombiano ganhou a etapa rainha, mesmo com uma avaria mecânica que o limitou na escolha das mudanças nos últimos quilómetros e é quarto a 55 segundos de Froome. Uran sempre foi dizendo que estava no Tour para ganhar etapas. Ou foi um grande bluff, ou o então está a surpreender-se a ele próprio. O objectivo está cumprido: venceu uma tirada. A ver vamos se o ciclista da Cannondale-Drapac vai tentar um pódio, como já fez por duas vezes no Giro.

Voltando a Aru e Bardet. O primeiro tem apenas 18 segundos de desvantagem e o segundo 51. Ambos estiveram bem na etapa, com o italiano da Astana a não ficar muito bem visto quando atacou Froome ao ver que este tinha um problema mecânico. O código de ética não escrito do ciclismo divide opiniões, portanto, neste momento, o melhor é pensar que Aru ficou sozinho quando tentou deixar o camisola amarela para trás. Teve os outros candidatos a ir na sua roda, mas não o ajudaram e até o condenaram. O mais importante é que o italiano está de facto em boa forma, tal como Bardet que já está a deixar os franceses a sonhar (Thibaut Pinot está a ser esquecido?).

Outro ponto de interesse é a Sky. Quando no grupo de favoritos se atacou, a equipa desmoronou-se como provavelmente nunca se viu no Tour. A equipa está a confirmar as suspeitas que não está tão forma e tão coesa como em anos anteriores, valendo que Chris Froome esteve à altura da ocasião. Isolado, respondeu aos ataques e contra-atacou. Porém, mesmo tendo ficado sem o rival Richie Porte e ver Nairo Quintana a 2:13, o britânico está a enfrentar uma missão bem mais difícil, com esta nova geração de voltistas a mostrar-se mais do que preparada para acabar com o seu reinado. Ou pelo menos fazê-lo suar um pouco mais. E Froome não esconde alguma preocupação, ainda mais quando perdeu Geraint Thomas, mais uma vítima de queda na etapa de domingo.

Chris Froome continua a ser o favorito a uma quarta vitória, terceira consecutiva. Ainda assim, os adversários parecem ter encontrado o antídoto para o domínio da Sky: coragem para atacar, coragem para arriscar.

Depois de uma etapa de emoções tão fortes, esta terça-feira começa de forma mais calma, ou assim se espera. Só na quinta-feira se regressará à montanha.

31 de maio de 2017

José Mendes fora da lista da Bora-Hansgrohe para o Tour

(Fotografia: Stiehl Photography/Bora-Hansgrohe)
A Bora-Hansgrohe quer apostar muito forte na Volta a França. Os objectivos estão bem definidos: a luta será pela camisola verde dos pontos com Peter Sagan e um top cinco com Rafal Majka, além de vitórias em etapas. Para tal a equipa precisa de garantir um bom apoio aos dois ciclistas, ainda que Sagan esteja habituado a fazer boa parte do trabalho sozinho, pois já assim era quando esteva na Tinkoff. O director da equipa, Ralph Denk, divulgou hoje a lista de 14 ciclistas que estão a ser analisados para ir ao Tour. Com dois lugares garantidos, significa que 12 corredores vão lutar por sete lugares. Metade dos escolhidos são alemães, tal como a equipa e tal como a cidade onde irá arrancar o Tour: Dusseldorf. De fora ficou o campeão nacional português José Mendes, que recentemente terminou a Volta a Itália, pelo que não é surpresa que seja mais provável a sua integração na equipa para a Vuelta.

"É sempre uma decisão difícil. Todos querem estar na Volta a França. Especialmente este ano com a partida em Dusseldorf. Será algo memorável para todos os ciclistas alemães e um passo importante para o ciclismo germânico", salientou Ralph Denk, através de um comunicado. O director da Bora-Hansgrohe salientou que sete ciclistas alemães estão na lista. "Temos ambições com o Peter e com o Rafal, a camisola verde, um top cinco na classificação geral e a primeira vitória numa etapa na Volta a França para a nossa equipa. Acho que temos um plantel forte para alcançar esses objectivos", referiu Denk.

Não se pode dizer que a época da Bora-Hansgrohe esteja a ser má, mas está a ficar aquém das expectativas para quem conta com Peter Sagan. O eslovaco não teve a época de clássicas que ambicionava, somando quatro vitórias, mas apenas uma numa corrida de um dia (Kuurne-Bruxelles-Kuurne), as outras foram duas etapas no Tirreno-Adriatico e a restante na Volta à Califórnia. Rafal Majka também venceu na corrida americana, tendo perdido a geral no contra-relógio. Sam Bennett ganhou uma tirada no Paris-Nice, mas o grande momento acabou por chegar inesperadamente no primeiro dia do Giro100. Lukas Pöstelberger era suposto preparar o sprint para Bennett, mas acabou por afastar-se do pelotão, o suficiente para vencer a etapa, vestir a camisola rosa, branca e ciclamino, com Cesare Benedetti a ser líder da montanha nesse dia.

Depois de anos na sombra de Alberto Contador, Rafal Majka terá a oportunidade de ser o líder indiscutível para a geral, ainda que saberá que alguns companheiros estarão na ajuda a Peter Sagan. A pressão será maior sobre o bicampeão do mundo, pois era dele que se esperavam mais resultados. Sagan tem dominado a classificação por pontos no Tour nos últimos cinco anos e mesmo não estando a apresentar o currículo de vitórias de outras temporadas, é o claro favorito para garantir mais uma camisola verde.

Além de Sagan e Majka, há ciclistas que em condições normais serão escolhas quase certas, casos de Maciej Bodnar, Leopold König (que falhou o Giro, onde teria sido o líder, devido a lesão), Emanuel Buchmann e Juraj Sagan que se tornou num fiel homem de trabalho do seu irmão. Da lista de 14 ciclistas, só dois estiveram na Volta a Itália, demonstrando como Ralph Denk está a gerir a equipa de forma a evitar cansaço acumulado, assegurando que Sagan e Majka têm os seus companheiros a 100%. O austríaco Patrick Konrad e o alemão Rüdiger Selig poderão ser os únicos repetentes.

Aqui fica a lista dos pré-convocados da Bora-Hansgrohe para o Tour: Peter Sagan, Rafal Majka, Leopold König, Maciej Bodnar, Emanuel Buchmann, Marcus Burghardt, Patrick Konrad, Jay McCarthy, Christoph Pfingsten, Juraj Sagan, Pawel Poljanski, Andreas Schilinger, Michael Schwarzmann e Rüdiger Selig.

»»Hammer Series: a receita perfeita para não se começar a falar já no Tour««

»»Quintana: a época de sonho pode transformar-se num enorme pesadelo««

13 de maio de 2017

Volta à Califórnia e a recuperação de prestígio do ciclismo americano

Em 11 edições, a Volta a Califórnia não só se consolidou como uma das melhores (se não a melhor) corrida nos EUA, como a cada edição foi atraindo cada vez mais equipas e ciclistas de renome do pelotão internacional. Com o crescente mediatismo foi também contribuindo para que jovens ciclistas americanos (e não só) tivessem uma janela para se mostrarem e tentarem dar o salto para outro nível. A Volta à Califórnia sobreviveu ao descrédito em que caiu o ciclismo norte-americano depois do caso Armstrong, manteve-se na estrada apesar da diminuição de patrocínios que custou a realização de outras corridas e chega a 2017 fortalecida com o estatuto World Tour. É uma das competições que se estreia no principal calendário, mas mais importante é também a prova que o ciclismo nos EUA está a renascer das cinzas.

A importância desta corrida é tal que as equipas daquele país desesperaram este ano para receber um convite. Com porta aberta às formações do World Tour - e serão 12 das 18 -, a subida de escalão colocou em causa a presença de equipas que nos últimos anos se habituaram a ter garantido um lugar e uma enorme oportunidade para competir ao lado dos melhores. O renascimento do ciclismo americano tem sido de tal forma, que sem ter equipas de um nível muito elevado, a verdade é que têm sido nesta corrida que alguns ciclistas têm conseguido convencer directores desportivos a darem-lhes contratos no World Tour.

A subida à principal categoria da corrida custou um lugar à Axeon Hagens Berman dos gémeos Oliveira. É considerada uma das melhores equipas de formação e tem estado em destaque sempre que participa na Volta à Califórnia. Mas alguém teve de ficar de fora e a fava tocou ao conjunto de Axel Merckx. Há um ano Ruben Guerreiro foi um dos animadores da competição por esta equipa. Este ano regressa como uma das jovens promessas da Trek-Segafredo.

Com o tempo o caso Armstrong vai sendo ultrapassado, ainda que nos tribunais continuem a decorrer processos contra o americano. E não, Armstrong não morreu, apesar da notícia que circulou na internet e que começou num site de notícias falsas. Mas a modalidade foi recuperando alguma credibilidade, ainda que continue frágil. Em nada tem ajudado os recentes estudos que demonstram que o doping é uma realidade assustadora e disseminada no ciclismo amador. No profissional, não se têm verificado casos e essa credibilidade tem sido construída com ciclistas que podem não ser os mais ganhadores, mas têm presença forte no pelotão.

Dos que estarão presentes na Volta à Califórnia, Andrew Talansky tem sido uma das principais figuras. É certo que aos 28 anos ainda não confirmou as expectativas criadas nos seus primeiros tempos de profissional sempre na estrutura da actual Cannondale-Drapac. Tem três top dez em grandes voltas, conquistou um Critérium du Dauphiné, mas tem faltado sempre algo a este talentoso ciclista. Nesta equipa americana, há ainda dois nomes que tiveram os seus momentos nesta corrida antes de "darem o salto": Nathan Brown (25 anos) e Lawson Craddock. São dois "produtos" da escola Axel Merckx que ajudam a compor a invejável lista de corredores que o belga ajudou a evoluir e a chegar ao World Tour, como é o caso recente de Ruben Guerreiro.

O que os americanos gostariam mesmo de ver este ano seria um dos seus ganhar. Seria a forma perfeita de começar a carreira da corrida no calendário principal. Brent Bookwalter é dos mais experientes. Tem 33 anos e já avisou que apesar de Samuel Sánchez estar presente, está na Califórnia para tentar ganhar. A BMC não se importa, já que é uma das equipas com mais vitórias este ano e é americana. Tyler Farrar (Dimension Data) e Taylor Phinney (Cannondale-Drapac) são dois dos ciclistas locais mais admirados, mas há muito afastados dos bons resultados.

A verdade é que de ano para ano são mais os nomes de ciclistas americanos que se tem vindo a falar no pelotão dada a qualidade, ainda que continue a faltar um grande vencedor. Não vamos dizer como Armstrong, pois é algo que o ciclismo não precisa, mas falta um homem que conquiste uma vitória mediática numa grande volta ou num monumento. Tejay van Garderen parece cada vez menos ser o candidato a tal, mas é tempo de deixar o talento de outros evoluir e talvez a curto prazo os EUA tenha um campeão que resista ao teste do tempo e das suspeitas.

Mas a Volta à Califórnia está longe de se fazer apenas de americanos. Continuando com os portugueses, além de Ruben Guerreiro - e vamos ter atenção a este ciclista que tanto gosta daquelas estradas - estará presente Tiago Machado na ajuda a Alexander Kristoff, numa Katusha-Alpecin que quer ver o seu sprinter ganhar forma para o Tour. Vamos ficar de olho em Jhonatan Restrepo porque este colombiano é de muita qualidade e é um facto que os colombianos têm tendência a aparecer nesta corrida.

Elia Viviani (Sky) estará com uma vontade enorme em vencer depois de ter sido excluído da equipa para o Giro100, mas o sprint terá uma das suas maiores estrelas da actualidade: Marcel Kittel (Quick-Step Floors) é mais um nos EUA a pensar no Tour. Também se deverá ver John Degenkolb (Trek-Segafredo) nesta luta.

Porém, todas estas estrelas sabem que a nível de popularidade não batem Peter Sagan. O eslovaco como que foi adoptado pela Califórnia e é absolutamente idolatrado. E ele retribui esse carinho, admitindo também o quanto gosta desta corrida. Desde 2010 que vence etapas e já lá vão 15, além de uma surpreendente vitória na geral em 2015. Agora a competição já não é tanto para as suas características - naquele ano Sagan defendeu-se bem na etapa rainha e fez valer a sua qualidade em contra-relógios para bater Alaphilippe -, mas a Bora-Hansgrohe vem com vontade de ganhar. Rafal Majka também está nos EUA e é possível que se comece a ver mais do polaco nesta fase da temporada. O vencedor de 2016, Julian Alaphilippe, não estará presente, pois foi operado ao joelho e vai inclusivamente falhar a Volta a França.


A Volta a Califórnia implica uma longa viagem, logística sempre mais complicada e dispendiosa, realiza-se ao mesmo tempo do Giro, mas sem surpresa não tem problema algum em chamar equipas do World Tour, sendo das competições que apresenta para já todas as condições para continuar no principal calendário, sendo cada vez mais encarada como preparação para o Tour, seja para os sprinters, como para os trepadores. É uma corrida completa, com percurso interessante, com os adeptos que gostam de se distinguir com fatos (às vezes falta deles) originais e claro que para quem está na Europa ainda tem aquele pormenor de se assistir a ciclismo em horário nobre.

»»Há poucos meses a esperança era escassa que sobrevivesse, agora deu as primeiras pedaladas««

»»Selfie sticks estão a tornar-se um problema para o pelotão««

31 de janeiro de 2017

Sprinters, contra-relogistas, trepadores. Mais uns grandes nomes confirmados para a Volta ao Algarve

Nacer Bouhanni, o bad boy do ciclismo, irá discutir os sprints na Volta ao Algarve
(Fotografia: Team Cofidis)
John Degenkolb e Arnaud Démare eram os dois ciclistas confirmados para animar os sprints na Volta ao Algarve, mas a concorrência vai ser intensa com mais uns nomes confirmados para a corrida portuguesa. Nacer Bouhanni (Cofidis) - o rival francês de Démare e o bad boy do ciclismo - o alemão André Greipel (Lotto Soudal), Dylan Groenewgen (campeão holandês da Lotto-Jumbo), Edvald Boasson Hagen (Dimension Data) e Fernando Gaviria (a jovem promessa colombiana da Quick-Step Floors, que recentemente venceu duas etapas na Volta a San Juan) vão marcar presença na Algarvia. Portanto, Lagos e Tavira têm tudo para ser palco de disputa entre alguns dos melhores sprinters mundiais. Mas há mais nomes a dar forma a mais um pelotão de luxo na Volta ao Algarve.

Para as etapas de montanha e para o ataque à geral, Michal Kwiatkowski (Sky) regressa para tentar repetir o triunfo de 2014, mas terá de enfrentar Rafal Majka - que este ano é um dos líderes da Bora-Hansgrohe -, Andrey Amador (Movistar), Tony Gallopin (Lotto Soudal), Primož Roglič - quinto classificado em 2016 -  e Lars Boom (ambos da Lotto-Jumbo). Para completar este fantástico grupo de ciclistas, estará ainda Daniel Martin, o irlandês da Quick-Step Floors.

Ainda falta confirmar vários corredores que irão completar as equipas, mas já dá para perceber que as formações World Tour vão apresentar-se no Algarve com candidatos a vencer qualquer das cinco etapas. No contra-relógio, o campeão da Europa Jonathan Castroviejo (Movistar) irá juntar-se ao campeão do Mundo Tony Martin (Katusha-Alpecin). Os dois terão certamente a forte concorrência do quatro vezes campeão nacional da especialidade, Nelson Oliveira.

A Movistar terá os dois portugueses entre os eleitos. Além de Nelson Oliveira, a equipa espanhola contratou este ano Nuno Bico, que aos 22 anos começa a sua experiência ao mais alto nível do ciclismo. O outro campeão nacional, mas de fundo, José Mendes (Bora-Hansgrohe), também estará nas estradas algavias. Estes ciclistas juntam-se aos já confirmados Tiago Machado e José Gonçalves (Katusha-Alpecin) e Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo). Do escalão Profissional Continental, a Caja Rural terá Rafael Reis na equipa e a Manzana Postobón contará com Ricardo Vilela.


No dia da apresentação da corrida, que este ano tem a categoria 2.HC (a segunda mais alta), foram também apresentados os patrocinadores das quatro camisolas:

  • Geral individual: camisola amarela/Turismo do Algarve;
  • Montanha: camisola azul/Liberty Seguros;
  • Pontos: camisola vermelha/Cofidis;
  • Juventude: camisola branca/Sicasal.

A Volta ao Algarve realiza-se entre 15 e 19 de Fevereiro, contando com duas etapas planas, uma de contra-relógio e duas de montanha, com a decisão final marcada novamente para o Alto do Malhão. Uma das grandes novidades será o regresso da transmissão televisiva, com o Eurosport e a TVI24 a transmitirem a última hora das etapas.


                               PUBLICIDADE