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25 de dezembro de 2018

"Sinto-me preparado para correr no pelotão profissional"

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
O objectivo era conseguir uma equipa de sub-23. Um passo natural para quem está a terminar a sua fase de júnior. Porém, Rodrigo Caixas recebeu um telefonema que lhe fez mudar de rumo, preparando-se agora para competir entre os profissionais com apenas 18 anos. O ciclista do Seixal é um dos reforços da LA Alumínios para 2019 e desde que soube que iria receber a oportunidade, começou o intenso trabalho de adaptação a uma diferente realidade.

O entusiasmo é grande, naturalmente, mas a vontade de surgir bem logo no arranque da temporada é ainda maior. "Nos juniores não era preciso trabalhar tanto endurance. Agora treino mais horas, faço também preparação de ginásio para ver se ganho mais resistência para aguentar as corridas com os profissionais", disse ao Volta ao Ciclismo. Porém, naquele que será o seu primeiro ano como sub-23, a exigência não será acompanhada pela pressão de alcançar resultados de destaque. A palavra de ordem é evoluir: "Pediram-me para trabalhar com calma, para ir evoluindo porque não se faz um atleta num ano. Pediram-me isso para assim, no futuro, ser um atleta melhor e alcançar melhores resultados. Disseram-me para não ter pressão."

Rodrigo Caixas só pensa em fazer bem o trabalho que lhe será pedido, mesmo que parte dele seja o que "a maior parte do pessoal não gosta, como carregar bidões", por exemplo, como o próprio frisou. Reiterou que só quer ajudar a equipa e agarrar todas as oportunidade que lhe surjam. "Sinto-me preparado para correr no pelotão profissional. Tenho trabalhado bastante bem. Vou na busca de ajudar a equipa no melhor que posso. Sei que vai ser um passo difícil, mas estou cá para trabalhar e para melhorar cada vez mais", salientou.

A presença em fugas e tentar mostrar ao máximo o patrocinador será um dos objectivos, tal como aconteceu no ano de estreia da LA Alumínios como equipa Continental sub-25. No entanto, um triunfo seria muito bem-vindo: "A equipa pretende obter mais vitórias nas corridas de um dia e, por isso, também contratou o António Barbio, que é um especialista nisso, como mostrou na Taça de Portugal este ano. E acho que passará por aí. Para mim? Se aparecer uma oportunidade, vou tentar não desperdiçar!"

"Gostava de estar presente numa Volta ao Alentejo, num Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela... Vamos ver. Em princípio farei a Clássica da Arrábida, da minha terra"

A LA Alumínios irá também apostar mais nas corridas de sub-23. "Aí já será possível obter alguma coisa [para ele próprio]", referiu. E para que não se duvide que tipo de ciclista o director desportivo Hernâni Brôco foi buscar, rapidamente Caixas retoma o seu discurso em prol do colectivo. Realçou ainda o futuro colega de equipa Gonçalo Leaça como um dos que poderá aparecer em destaque, quando estes objectivos estiverem em jogo, como será a Volta a Portugal do Futuro.

Inevitavelmente a conversa regressou ao tema de competir entre a elite. A Volta a Portugal e a do Algarve são, sem surpresa, duas competições que sonha em marcar presença. Contudo, em situação normal, não farão parte do seu calendário já em 2019. Por isso, a sua ambição vira-se para outras corridas. "Gostava de estar presente numa Volta ao Alentejo, num Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela... Vamos ver. Em princípio farei a Clássica da Arrábida, da minha terra. Será um orgulho muito grande poder correr na equipa da casa, na corrida da casa. Vai ter uma subidas duras, mas também terá um sectores de areia bastante engraçados. Como vai ser das primeiras corridas da época, vamos ver como decorre", afirmou.

Depois de sete anos na LA Alumínios-Paio Pires, Rodrigo Caixas mudou-se para o Clube de Ciclismo da Bairrada. "Tinha de dar o salto, era o melhor para mim. E obtive muita experiência nas corridas lá fora." Agora que se prepara para outro salto, o jovem ciclista continua a aplicar-se também na pista, vertente na qual é campeão nacional de omnium em juniores. "O Hernâni quer que eu continue na pista para ganhar algum ritmo, mas será diferente. Estava habituado em correr em equipa, com a da Bairrada. Ainda por cima vou correr nos elites!" Acrescentou que a pista é uma grande ajuda na sua evolução, ganhando, por exemplo, destreza e maior capacidade para o sprint.

E é então altura de Rodrigo Caixas se descrever como ciclista: "Eu acho que sou um ciclista rápido, melhor nas subidas curtas. Sou um ciclista mais explosivo. Não me adapto muito bem às montanhas longas, nem aos contra-relógios longos. Adapto-me bem aos sprints, mas não podem ser muito a direito. Não tenho muito peso e os outros atletas ganham vantagem [se o terreno for mais plano]."

Como pessoa, Caixas demonstra ter os pés bem assentes na terra. Apesar de querer dar todo o seu melhor na LA Alumínios, os estudos não são para ficar para trás. Falta-lhe um ano para concluir o curso profissional de Manutenção Industrial, na ATEC. "Houve uma altura em que andei desligado da escola, não queria saber daquilo para nada. Mas hoje já vi que tem de ser, porque um curso superior ajuda bastante no mercado de trabalho. Vamos ver como correrão as coisas. Se o ciclismo não estiver a dar vou-me dedicar à faculdade, para ter uma licenciatura", contou.

Conciliar o ciclismo com os estudos não é fácil, pois entre aulas e os treinos pouco tempo sobra a Rodrigo Caixas. Enquanto garante que mantém em aberto todas as possibilidades para o seu futuro, é no ciclismo que para já quer apostar. Qualquer jovem quer chegar alto, mas este quer mesmo pensar num passo de cada vez, pelo que o próximo gostaria que fosse chegar a uma das principais equipas de formação internacionais, como a Hagens Berman Axeon - por onde passou Ruben Guerreiro, os gémeos Oliveira, onde está João Almeida, que terá André Carvalho como companheiro em 2019 - ou a SEG Racing Academy, de Tiago Antunes.

Os pais dão-lhe total apoio nas escolhas e sonhos de Rodrigo Caixas, tal como os avós, não esquecendo como o avô, Manuel Caixas, também foi ciclista, pelo que o "bichinho" da modalidade está na família.


18 de novembro de 2018

O ano zero numa nova era de um patrocinador histórico

O nome LA Alumínios há muito que tem ligação ao ciclismo português. Porém, em 2018 houve um recomeço, com o patrocinador a apostar na juventude. Foi uma das três equipas Continentais sub-25 que integrou o pelotão nacional, com Hernâni Brôco ao leme. Um ano zero, por assim dizer. Não houve vitórias, mas numa temporada de aprendizagem, houve ciclistas que aproveitaram a oportunidade para se mostrarem. Fábio Mansilhas, David Ribeiro e Gonçalo Leaça, por exemplo, procuraram os seus momentos de destaque, ainda que não restem dúvidas que esta seja uma equipa em construção e há procura de se consolidar nas próximas temporadas.

Com Nuno Almeida a ser o mais velho (27 anos, feitos em Outubro) e o mais experiente, com a maioria do plantel a primar pela inexperiência, os objectivos da LA Alumínios eram claros: desenvolver os jovens ciclistas, limar arestas do novo projecto a pensar no futuro próximo e tentar sempre lutar por um bom resultado, mesmo que tudo e todos parecessem estar contra eles.

A chegada das três equipas Continentais sub-25 - LA Alumínios, Miranda-Mortágua e Liberty Seguros-Carglass - não foi recebida de braços abertos por todos os intervenientes da modalidade. Teriam os jovens ciclistas capacidade para estar nas corridas internacionais, principalmente numa Volta ao Algarve e a Portugal? Não foi uma experiência fácil para ninguém.

No caso da LA Alumínios, o ex-ciclista Hernâni Brôco - um jovem director desportivo (37 anos), que depois de um ano na estrutura sub-23 da Sicasal-Constantinos-Delta Cafés, estreou-se ao nível Continental na sua nova função - não escondeu o orgulho pelos seus corredores na Volta a Portugal, por exemplo Estiveram activos em fugas e só um abandonou. Paulo Silva saiu de prova na penúltima etapa e o director desportivo considerou que com um pouco mais de experiência, o ciclista teria ultrapassado as dificuldades e terminado a corrida.


Ranking: 10º (14 pontos)
Prémios: David Ribeiro venceu a classificação da montanha na Clássica da Primavera

E é isso que o Brôco e os restantes responsáveis pela estrutura querem dar aos seus corredores: experiência, para que a equipa possa tornar-se num patamar importante na formação de jovens talentos em Portugal, sendo outra opção, profissional, além dos essenciais conjuntos de sub-23.

A LA Alumínios fez o possível em 2018, com as armas que tinha. Agora quer mais. Nos primeiros passos do que é um novo projecto, apesar de ter um patrocinador bem antigo, 2018 serviu para lançar as bases, pelo que será preciso esperar mais duas ou três temporadas para se perceber se este conceito de sub-25 no nível Continental é de facto uma boa aposta e como esta estrutura irá crescer.

Para já, a LA Alumínios tem tudo preparado para 2019, com muitas caras novas. Há uma renovação do plantel, com apenas três corredores a transitarem da época de 2018: David Ribeiro, Gonçalo Leaça e Fábio Oliveira. Nuno Almeida não renovou e, sem contrato, optou por terminar a carreira, apesar de ter apenas 27 anos.

António Barbio será um dos rostos mais conhecidos, sendo um ciclista que venceu uma etapa na Volta a Portugal em 2016 pela Efapel e que este ano representou o Miranda-Mortágua, com um triunfo no Memorial Bruno Neves. Mas Hernâni Brôco foi buscar ciclistas bem interessantes. André Crispim fez a sua evolução na Liberty Seguros-Carglass e poderá ter agora mais liberdade para mostrar o seu potencial. Já André Ramalho tem sido presença na selecção nacional e dá o salto depois de mostrar bom nível na Jorbi-Team José Maria Nicolau. Boa opção para a montanha e é uma oportunidade que não surpreende que tenha recebido.

Marvin Scheulen (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés) é um sub-23 que vai chamando a atenção e tem tudo para ser uma aposta forte de Brôco. Do FGP-Cube-Bombarral chegam Emanuel Duarte e Leonel Firmino e o júnior Rodrigo Caixas (Bairrada) dá um passo importante agora que irá subir de escalão.

Veja aqui todos os resultados das equipas nacionais.

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6 de novembro de 2018

Transferências e renovações nas equipas portuguesas

As equipas portuguesas estão a ultimar os plantéis para 2019. Já são muitas as mudanças confirmadas, ainda que mais algumas deverão acontecer em breve. Os regressos de Tiago Machado ao pelotão português e o de Joni Brandão a uma casa que bem conhece, assim como a mudança de Daniel Mestre e também de Luís Mendonça, são algumas das principais transferências. Aqui ficam as contratações e renovações já confirmadas.

Depois de nove anos a competir no estrangeiro, oito, no World Tour, depois de dez grandes voltas e seis monumentos, o pelotão português contará novamente com um dos ciclistas que mais marca uma geração e que irá deixar a Katusha-Alpecin. Tiago Machado, o combativo por excelência, aceitou a proposta do Sporting-Tavira para liderar uma equipa que quer acabar com a hegemonia da W52-FC Porto. A formação azul e branca foi por sua vez buscar um dos ciclistas mais valiosos do nosso pelotão. Daniel Mestre deixa a Efapel depois de três temporadas em que foi uma das grandes figuras e aposta na formação que poderá estar em 2019 no escalão Profissional Continental, com Raúl Alarcón a continuar a ser o líder.


Nuno Ribeiro deverá manter a maioria dos ciclistas que representaram a equipa em 2018, com Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) a caminho, tal como Rafael Reis, que, a confirmar-se, estará de volta à equipa depois de dois anos na Caja Rural. Outro ciclista que poderá regressar a Portugal é José Mendes, que disse ter propostas do Sporting-Tavira e Efapel, apesar de ficar na Burgos-BH era uma hipótese ainda não afastada em Outubro.

Mas estas são transferências ainda não oficializadas. Continuando nas já confirmadas...

A Efapel é a outra autora de uma das principais transferências. Joni Brandão volta à casa que bem conhece, depois de duas temporadas no Sporting-Tavira. A primeira ficou marcada por um problema de saúde que não só o limitou, como o afastou mesmo da Volta a Portugal. Mas em 2018 esteve ao seu nível, foi segundo na Volta e venceu o ranking nacional. Antes da passagem pela formação algarvia, tinha estado quatro anos na Efapel, onde se tornou num dos ciclistas de referência do pelotão nacional. Assinou por duas temporadas. A equipa de Américo Silva já confirmou as renovações de Sérgio Paulinho, Bruno Silva, Rafael Silva e Pedro Paulinho.

Uma das equipas que realizou uma temporada inesquecível tem o seu plantel preparado para 2019. A Aviludo-Louletano-Uli - que passará a ser LudoFoods-Louletano - contratou Nuno Meireles (Miranda-Mortágua), Leonel Coutinho ((Vito-Feirense-BlackJack), Ricardo Vale (Vito-Feirense-BlackJack) e o espanhol Francisco Garcia Rus (GSport-Valencia Sports-Wolfbike). Quanto a renovações, o líder Vicente García de Mateos vai continuar na formação de Jorge Piedade, tal como Luís Fernandes, Óscar Hernández, Márcio Barbosa, André Evangelista, David de la Fuente e Juan Ignacio (Nacho) Perez.

No entanto, o conjunto algarvio perde um dos ciclistas que conquistou uma das vitórias mais importantes do ano. Luís Mendonça conquistou a Volta ao Alentejo, confirmando assim o seu potencial, depois de ter começado tarde no ciclismo, mas mais do que a tempo de ter uma carreira de sucesso. José Santos, director desportivo da Rádio Popular-Boavista, viu em Mendonça o ciclista ideal para preencher a vaga deixada por Domingos Gonçalves, que irá para a Caja Rural. Luís Mendonça encontrará uma equipa, na qual terá ainda mais liberdade para lutar por triunfos e, claro, a pensar na Volta a Portugal.

João Benta, Daniel Silva, Luís Gomes, David Rodrigues e o jovem de 19 anos João Salgado vão continuar na estrutura, que se reforçou ainda com um dos talentosos trepadores da nova geração, Hugo Nunes (Miranda-Mortágua). O júnior Afonso Silva esteve recentemente no Mundial de Innsbruck, é um campeão nacional de contra-relógio  e dará o salto para uma equipa profissional para fazer o seu primeiro ano como sub-23. Estava no Sporting-Tavira-Formação Engenheiro Brito da Mana. De Espanha chega Antonio Gómez, que este ano representou a equipa amadora da Caja Rural.

A Vito-Feirense-BlackJack foi buscar um alemão cujo nome poderá não dizer muito, mas é um ciclista com muita experiência no escalão Profissional Continental. Bjorn Thurau, 30 anos, esteve em equipas como a Europcar (actual Direct Energie), Bora-Argon 18, e Wanty-Groupe Gobert. Este ano esteve na Holdsworth Pro Racing, do escalão Continental.

Jesus del Pino (Efapel) e Rui Rodrigues (Aviludo-Louletano-Uli) estão confirmados, assim como João Barbosa, que vem do Maia. Os juniores Pedro Andrade e António Ferreira vão ter uma oportunidade na equipa principal, agora que passam a sub-23. Sem Edgar Pinto, João Matias será o líder principal, com Luís Afonso, João Santos e Bernardo Saavedra a manterem-se na equipa.

Nas equipas Continentais sub-25 haverá grandes mudanças, pelo menos no Miranda-Mortágua e na LA Alumínios. Na primeira apenas três ciclistas renovaram: Artur Chaves, Pedro Teixeira e Tiago Leal. A equipa de Pedro Silva promoveu o regresso de Daniel Freitas, que representou o Miranda-Mortágua na sua formação e que nas últimas três épocas esteve na W52-FC Porto.

O experiente Hugo Sancho (Vito-Feirense-BlackJack) vai aos 36 anos ter um novo desafio, numa equipa onde terá um papel importante entre tantos jovens. Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros-Carglass) poderá encontrar espaço para ter destaque, com Pedro Pinto (Silva & Vinha-ADRAP-Sentir Penafiel), Ivo Pinheiro (ACDC Trofa) e os espanhóis Cristian Mota (Aldro Team) e Sergio Vega (Froiz) a completarem a equipa, do que já foi revelado.

Na LA Alumínios também só três ciclistas de 2018 vão continuar em 2019: David Ribeiro, Gonçalo Leaça e Fábio Oliveira. Chega António Barbio, que apesar de ter alcançado uma vitória no Memorial Bruno Neves, não teve a época que desejava no Miranda-Mortágua e vai agora trabalhar com Hernâni Brôco na LA Alumínios. André Crispim (Libery Seguros-Carglass), André Ramalho (Jorbi-Team José Maria Nicolau), Emanuel Duarte e Leonel Firmino, ambos do FGP-Cube-Bombarral, vão vestir as cores de um dos patrocinadores mais antigos do ciclismo nacional.

Quanto à Liberty Seguros-Carglass a principal novidade até ao momento é a nova aliança entre o Bike Clube de Portugal - detentor da equipa - e a União Desportiva Oliveirense, que assim abriu o seu núcleo de ciclismo e irá ter o seu nome no pelotão em 2019.

Enquanto se espera pelas equipas completas para 2019, aqui ficam duas curiosidades relativamente às máquinas a utilizar na próxima temporada. A W52-FC Porto irá contar com as bicicletas da marca Swift em vez das KTM. A Rádio Popular-Boavista deixará de ter bicicletas Focus para procurar vitórias com as Cervélo.

Nuno Almeida termina carreira

Com apenas 27 anos, o ciclista que esta época representou a LA Alumínios decidiu colocar um ponto final na sua carreira. Sem contrato para 2019, Nuno Almeida tomou a difícil decisão, revelando que adiou uma intervenção cirúrgica durante toda a temporada.

"É difícil chegar a esta altura sem equipa e sem ter colocação para 2019 mas faz parte do percurso de vida de qualquer pessoa. Foi um ano duro, sem dúvida o mais difícil da minha carreira. Partir um osso na primeira corrida da época e só parar para ser operado após a última da mesma. Dei tudo o que tinha, sei que arrisquei a minha saúde mas não me arrependo. Tal como não me arrependo de ter parado os meus estudos, já em ano de Tese, e arriscar tudo nesta modalidade. Fiz o que me fazia feliz ! Não resultou e é hora de seguir em frente", escreveu o Nuno Almeida no Facebook, a 20 de Outubro.

Antes de aceitar o desafio de ser um dos líderes da nova vida da LA Alumínio, Almeida esteve no Louletano-Hospital de Loulé e na Efapel. O ciclista agradeceu a todos os que o apoiaram durante os 10 anos de carreira, tendo começado um pouco mais tarde do que a maioria, como o próprio recordou, na sua mensagem. "Saio com 4 Voltas a Portugal no currículo, todas melhores que as anteriores, algo que nunca imaginei na minha vida pois nem gostava de ciclismo e tão pouco pratiquei a modalidade desde jovem", escreveu.

"Eu e a bicicleta seguiremos o nosso caminho, agora em modo cicloturista e com o objectivo de desfrutar ao máximo da mesma", concluiu.

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28 de agosto de 2018

"Ao longo da época todas as corridas foram cursos intensivos"

Não apontou a vitórias, nem a conquistas de camisolas que eram missões praticamente impossíveis. Porém, tal não significa que não houvessem objectivos e que a LA Alumínios não pudesse ter o seu papel de relevo dentro de uma Volta a Portugal. Com uma equipa sub-25 100% portuguesa, com apenas Nuno Almeida a saber o que é competir a este nível, os jovens ciclistas da equipa de Hernâni Brôco mostraram-se na corrida, aparecendo em muitas fugas. Os objectivos foram cumpridos, desde o de ganhar experiência, superar as dificuldades que encontraram e a mostrar a camisola, sempre importante na competição na qual há um maior mediatismo em todos os meios de comunicação social em Portugal.

Brôco é por isso um director desportivo satisfeito com o que foi alcançado tanto na Volta, como em geral na temporada de estreia deste projecto, numa altura em que já se está a preparar 2019. "Vamos continuar como sub-25. Em termos de preparar novos desafios, novos reforços, o Luís Almeida [responsável máximo da estrutura] quer apostar na juventude e numa equipa portuguesa. Eu respeito e compreendo. E a mim também me dá um prazer enorme trabalhar com jovens. Por isso aceito o desafio", salientou ao Volta ao Ciclismo. "Sem dúvida que para uma estrutura que partiu do zero, a experiência deste ano foi importante para limar algumas arestas da equipa, do staff, da entreajuda, para que todos se conhecessem melhor", acrescentou.

Como equipa Continental, ainda que sub-25, os ciclistas que há um ano estavam todos, menos Nuno Almeida, em estruturas sub-23, tiveram a oportunidade de competir em corridas mais importantes, como a Volta ao Algarve e a Volta a Portugal. Se a primeira lhes proporcionou a emoção de competir ao lado de alguns dos melhores do mundo, a segunda foi o cumprir de um sonho para muitos, que cresceram a ver a prova na televisão. Questionado se perante as naturais dificuldades da Volta a Portugal, ao que acresceu as temperaturas acima dos 40 graus, os seus corredores tiveram um curso intensivo de um nível mais elevado de ciclismo, Brôco foi peremptório na resposta: "Ao longo da época todas as corridas foram cursos intensivos. Acho que eles aprenderam muito com os erros que foram cometendo."


"É de louvar que, se calhar, fomos a equipa que fez mais estágios. O Luís Almeida sempre apostou em trabalho de equipa, estágios, treinos em conjunto durante a semana e penso que isso também se reflectiu na Volta"

Dos sete ciclistas que começaram a Volta em Setúbal, só Paulo Silva não chegou a Fafe, abandonado na penúltima etapa, da Senhora da Graça. Contudo, principalmente os primeiros dias não foram nada fáceis. "O calor foi um dos factores difíceis de superar, sem dúvida. Os carros chegaram a marcar 48 graus, houve médias de 46, temperaturas atípicas mesmo para a Volta a Portugal. Há sempre muito calor, mas estamos a falar de 37 graus de média! No entanto, o staff soube aconselhá-lhos na hidratação antes, durante e depois. Não tivemos baixas por esse factor. Com experiência do staff, os jovens conseguiram superar as dificuldades. Talvez por esse factor, ao longo da Volta, tenha feito diferença. Houve equipas que pagaram esse factor e nós conseguimos salvar-nos", explicou Hernâni Brôco.

Quanto ao abandono de Paulo Silva, o responsável considera que se tivesse mais experiência, talvez tivesse superado os problemas de saúde que o afectaram. "Passou um pouco mal a noite, com vómitos... Pagou o esforço de andar muitos dias em fuga. Todos sabiam que iam ter dias difíceis. O Paulo teve esse menos bom e não conseguiu superar, mas talvez se fosse um ciclista mais maduro, superava com certeza." Brôco falou da importância da parte psicológica dos atletas, que é também trabalhada com a experiência que vão adquirindo.

É por isso que salientou como foi importante todas as condições que foram proporcionada aos corredores durante a temporada. "É de louvar que, se calhar, fomos a equipa que fez mais estágios. Começámos a preparar a época muito cedo. O Luís Almeida sempre apostou em trabalho de equipa, estágios, treinos em conjunto durante a semana e penso que isso também se reflectiu na Volta. Evoluíram muito. E nos circuitos também se vê isso, pois acompanham os melhores. Para eles é importante evoluírem em termos psicológicos, para acreditarem no valor deles", realçou.

Em Fafe a equipa teve direito a celebração com champanhe, pois mesmo sem vitórias, os objectivos foram cumpridos, apesar das muitas dúvidas que as três equipas portuguesas Continentais sub-25 têm levantado. Hugo Nunes, ciclista do Miranda-Mortágua, considerou que a prestação na Volta tanto da sua formação, como da Liberty Seguros-Carglass e da LA Alumínios foi "uma chapada de luva branca a toda a gente, mesmo às equipas profissionais". Brôco considera a expressão "forte, mas compreensível". "No início da época criticaram estas estruturas de sub-25. Eu estando numa, não percebia muito bem as críticas", afirmou. Reforçou que a LA Alumínios cumpre todos os requisitos legais e que nas corridas cumpriu com a sua função.

"Fomos um projecto um pouco diferente dos outros de sub-25, pois não tínhamos o objectivo de lutar por vitórias. Fomos crescendo ao longo do ano porque somos uma equipa muito jovem e com uma qualidade e experiência abaixo das outras. Mas fomos crescendo e chegámos à Volta e estivemos ao nível das outras estruturas de sub-25. Quanto aos restantes objectivos traçados para o resto da época, também estamos bastante satisfeitos", frisou o responsável.

Reitera que foi um desafio difícil dirigir a equipa, mas considera que os seus ciclistas "estavam muito bem preparados" para a Volta a Portugal. "Foi um ano complicado. Levar estes jovens a evoluir... assumo que foi um desafio difícil, mas foi enriquecedor para mim e para eles. Criámos um bom grupo. Além de ver que evoluíam fisicamente, conseguimos criar um grupo de trabalho muito importante e constituir praticamente uma família. Acho que isso é muito importante." E disse ainda: "Tentei transmiti-lhes os conhecimentos que tenho de ciclismo e da vida e penso que consegui."


"Foi uma experiência enriquecedora, mas também cansativa. O desgaste não é físico, mas é psicológico. Exige muito de nós, para que nada falte a eles. Foi um desafio interessante"

Foi o segundo ano fora da bicicleta e depois da passagem pela Sicasal-Constantinos-Delta Café - de onde vieram alguns dos ciclistas que estão na LA Alumínios -, aceitou o convite para liderar o novo projecto de um patrocinador há muito ligado ao ciclismo em Portugal. Foi a sua estreia na Volta como director desportivo e Hernâni Brôco falou de um "momento especial". "Todos os primeiros momentos são especiais e este marcou-me muito e fiquei e estou feliz por estar nestas novas funções", salientou.

Mas como foi estar na Volta a Portugal, dentro de um carro e não na bicicleta? "Foi uma experiência enriquecedora, mas também cansativa. O desgaste não é físico, mas é psicológico. Exige muito de nós, para que nada falte a eles. Foi um desafio interessante. Em termos pessoais, muitos perguntaram-me se tinha saudades. Não escondo que o prólogo deixou-me com aquela sensação de começar e de já estar na estrada", referiu.

Recordou que ao ver todos os seus ciclistas na estrada da Volta a Portugal, sentiu que o trabalho tinha sido feito para os levar até àquela importante e mais esperada fase do ano. Foi a Senhora da Graça que mais mexeu com ele, afinal sabe o que é vencer na mítica subida. Foi em 2011, precisamente com as cores da LA, então LA-Antarte. "Se calhar posso dizer que foi o momento mais feliz da minha carreira. Quando vi a Senhora da Graça... Claro que há sempre algo nervoso miudinho e a subida até ao alto mexe sempre comigo. Nos outros dias já estava preparado para o que ia acontecer, mas há sempre momentos especiais que nos fazem recordar os bons momentos da vida e do ciclismo."

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4 de julho de 2018

"Estar aqui, no ciclismo profissional, exige mais de mim"

Ainda não tinha completado 19 anos e Fábio Mansilhas concretizava o sonho que um jovem ciclista mais deseja: assinar por uma equipa profissional. A experiência na Rádio Popular-Boavista acabou por ser curta e na época seguinte, o corredor regressava ao nível amador. Uma desilusão? Nem pensar. Para Mansilhas foi a decisão mais do que correcta, que lhe permitiu continuar a trilhar o seu caminho e até a ganhar corridas. Este ano foi chamado para o novo projecto da LA Alumínios e tem sido dos ciclistas que mais se tem mostrado, principalmente no início de temporada, em que apareceu muito forte e obteve resultados positivos.

Se há algo que rapidamente se percebe sobre Mansilhas é que um bom desafio é sempre bem-vindo. A presença na Volta ao Algarve, por exemplo, foi encarada como uma forma de aproveitar a montra que a corrida portuguesa de categoria mais elevada proporciona, ainda mais quando conta com a maioria das principais equipas mundiais. Quando se fala de objectivos além de 2018, o ciclista coloca desde logo a Algarvia de 2019, mas claro que a Volta a Portugal também está entre aquelas provas em que quer aparecer bem e é já no dia 1 de Agosto que terá a oportunidade de se mostrar numa corrida em que não há equipa portuguesa que não queira estar bem. Ou melhor, muito bem.

"Terminar a Volta a Portugal é um objectivo importante para mim e para a equipa. Se conseguir a um pódio... A época está feita! Para o ano, quero estar bem na Volta ao Algarve, que é uma boa montra", salientou ao Volta ao Ciclismo. A LA Alumínios é um patrocinador já com muitos anos no ciclismo nacional. No entanto, esta época a equipa reformulou-se e começou praticamente do zero. Apostou nos jovens (é do escalão Continental, mas sub-25), tendo Nuno Almeida como o ciclista mais experiente, com passagens na Efapel e na então Louletano-Hospital de Loulé.


"Não foi difícil descer de escalão. Até acabou por ser bom porque tive a oportunidade de ganhar corridas"

Para Mansilhas este está a ser um ano de adaptação para a maioria dos ciclistas da LA Alumínios. São atletas que estão a fazer a estreia a este nível. Assegura que ele próprio está a passar por esse processo, apesar de já ter tido a experiência na Rádio Popular-Boavista. "Falhou muita coisa... Às vezes é melhor dar um passo atrás e depois dar dois em frente. Agora estou na LA, para o ano posso estar noutra equipa ou continuar aqui, por isso, tem sido um percurso positivo", realçou o ciclista. Tem agora 23 anos e esteve no São João de Ver, Anicolor e Miranda-Mortágua antes de aceitar a proposta da LA Alumínios: "Vamos crescendo e ficando mais maduros. Há quatro anos se calhar não pensava da mesma maneira que penso agora."

O corredor recordou um pouco mais da altura em que teve de deixar a Rádio Popular-Boavista, considerando que acabou por ser algo muito positivo. "Não foi difícil descer de escalão. Até acabou por ser bom porque tive a oportunidade de ganhar corridas e se calhar no Boavista isso não teria acontecido. Foi bom e fui à selecção... Fiz coisas bonitas", afirmou.

Evoluir tem estado sempre no pensamento de Mansilhas e estar numa equipa que lhe dá acesso a corridas mais importantes tem sido essencial para que neste 2018 note a diferença. Porém, destaca tudo o que rodeia uma equipa como a LA Alumínios e não apenas a evolução física: "Há outra responsabilidade. A estrutura é maior, os patrocinadores puxam por nós... Mesmo toda a conjuntura do ciclismo, a família, os amigos começam a falar da Volta ao Algarve, da Volta a Portugal... Então trabalha-se mais." Mansilhas acrescentou que há um método diferente de trabalho e, naturalmente, mais profissional de encarar a preparação das corridas, como por exemplo, fazer treinos em altitude. "Nunca tinha feito. É tudo diferente. Estar aqui, no ciclismo profissional, exige mais de mim", garantiu.

Realçou como tem os pés bem assentes na terra, recusando colocar a fasquia muito alta nesta fase da sua carreira. Quer ir passo a passo e assim reforçar a sua confiança e conquistar também ainda mais a confiança dos responsáveis da LA Alumínios, que tem como director desportivo Hernâni Brôco. "É preciso ter noção da realidade para no futuro conseguir alcançar mais coisas bonitas", disse.


"Tenho de ganhar experiência e maturidade. Tenho de ir aprendendo. Depois, mais tarde, vamos ver como me vou guiar"

Construir um projecto sólido e dar espaço para o desenvolvimento de jovens ciclistas são dois dos planos da LA Alumínios. Contudo, uma vitória é algo que todos na equipa ambicionam, sendo que até ao momento o prémio mais importante conquistado foi a classificação da montanha na Clássica da Primavera, por intermédio de David Ribeiro. Mansilhas tem aparecido muitas vezes na disputa de sprints, mas um triunfo ainda não lhe sorriu.

Mesmo sem vitórias, o corredor afasta o cenário de haver pressão para as alcançar. "A pressão às vezes vem mais de nós próprios [ciclistas] do que da equipa. Nós queremos ganhar, a equipa também, claro, e dão-nos as condições para isso. Temos a noção que a maior parte destes ciclistas estão no primeiro ano como profissionais e muito dificilmente alguém de primeiro ano ganha corridas."

Apesar de se ter mostrado bastante em sprints, Mansilhas não quer ficar desde já preso a essa definição como ciclista. "Tenho de ganhar experiência e maturidade. Tenho de ir aprendendo. Depois, mais tarde, vamos ver como me vou guiar. Penso que as chegadas ao sprint serão sempre um factor bom para mim. Em grupos pequenos já consegui fazer pódios. É preciso acreditar e dar tempo ao tempo", afirmou, deixando assim aberta a possibilidade de se tornar num ciclista com mais características, até porque em Portugal, o chamado sprinter puro tem sempre vida difícil, dado o terreno que de plano pouco tem.

Estar na LA Alumínios "é uma oportunidade única" que quer agarrar, nas palavras de Mansilhas e, por isso, aquilo que mais deseja é "simplesmente" trabalhar. Trabalhar muito.

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13 de março de 2018

"Estamos aí para mostrar que não somos uma equipa qualquer"

Tem apenas 26 anos e está no seu terceiro como profissional. No entanto, Nuno Almeida assumiu a responsabilidade de ser um ciclista de liderança no novo projecto da LA Alumínios. É o mais velho e o mais experiente apesar de ser ainda tão novo, mas a sua maturidade faz com que não seja uma surpresa que tenha sido o escolhido para um papel tão importante num projecto que quer crescer, apostando na juventude. O corredor diz que não liga ao factor da idade: "Sei que tenho uma responsabilidade acrescida, mas encaro tudo de uma forma tranquila, não me afecta rigorosamente nada." Esteve na Efapel e Louletano-Hospital de Loulé, tendo agora como que regressado a casa e avisa para não menosprezarem esta LA Alumínios: "Estamos aí para mostrar que não somos uma equipa qualquer, como tentaram fazer de nós. Estamos aí para a guerra."

Este é um patrocinador já com uma longa presença no ciclismo nacional, mas em 2018 optou por uma aposta diferente. A LA Alumínios é agora numa equipa de sub-23, com licença Continental, na qual dois dos ciclistas podem ser do escalão de elite. É o caso de Nuno Almeida. "Estou na equipa da casa, que liga à minha formação. Fazia um pouco sentido as pessoas da minha terra verem-me passar numa equipa profissional que tem a sede no Clube de Ciclismo da Aldeia de Paio Pires [onde começou]. Portanto, é especial", admitiu ao Volta ao Ciclismo. Passou ao profissionalismo na Efapel, mas no ano seguinte mudou-se para a estrutura algarvia do Louletano, onde foi um dos ciclistas que esteve ao lado de Vicente Garcia de Mateos. Mudar novamente de equipa foi uma opção sua.

"Na Efapel, à partida, não houve um motivo especial. Foi uma opção da equipa mudar alguma da estrutura o que englobou a minha saída. Em relação ao Louletano foi uma decisão que eu tomei. Poderia ter continuado, havia abertura para isso, pelo menos. Mas decidi mudar, à procura de outras condições. Estou na LA e estou muito bem", garantiu. Gostaria agora de encontrar alguma estabilidade, "se essa for condizente com a que os atletas procuram para a sua vida pessoal". Porém, é honesto: "Não vou estar com conversas, se tiver de voltar a mudar, que seja para melhor. Essa é a realidade."


"[Na Volta ao Algarve] os objectivos traçados para uma corrida tão dura foram cumpridos e não ficámos a dever nada a ninguém"

Nuno Almeida reitera mais do que uma vez que a sua forma de estar é pensar um dia de cada vez. "Não penso no dia de amanhã. Eu faço cada corrida como se fosse a última. Dou sempre o meu melhor." Por isso mesmo, é na LA Alumínios que está todo o seu foco desportivo, mas acaba por falar um pouco no futuro, naquele que acredita que a equipa terá. "Começou do zero, apesar de ter pessoas e uma ou outra estrutura que vem de outros anos. É um projecto com muito futuro, que está a crescer e vai dar os seus frutos. É preciso que as coisas corram bem e que haja sorte. No entanto, vai dar cartas mais cedo ou mais tarde", salientou. E acrescentou: "Cuidado com esta LA. Estamos a construir um grupo coeso. Vai haver muita evolução porque há muito trabalho e dedicação."

Para o ciclista, a prova que a equipa deve ser valorizada está no que foi feito nas poucas corridas que houve até ao momento, com destaque para a Volta ao Algarve. "Tínhamos como objectivo de entrar na fuga no primeiro dia. Fui eu, como podia ter sido outro. Tínhamos o objectivo de chegarmos todos ao fim, mas tivemos a infelicidade de um colega não ter terminado. Mas os objectivos traçados para uma corrida tão dura foram cumpridos e não ficámos a dever nada a ninguém", disse, referindo ainda como na Clássica da Primavera foi um ciclista da LA Alumínios que ganhou o prémio da montanha, David Ribeiro, que como que se "vingou" de ter sido o único a não concluir a Algarvia.

A segunda competição da época ser logo com equipas do World Tour foi uma experiência memorável para os jovens da LA Alumínios. "Havia algum nervosismo. Tive de lhes dizer para terem calma e a verdade é que chegaram ao fim satisfeitos. E eu perguntei-lhes: 'Então, como é que é? Não dava, não aguentavam e estão aqui?'", contou. Nuno Almeida ri-se ao recordar o momento que apesar do enorme esforço, todos apreciaram no final e que dificilmente se esquecerão na carreira. Não foi há muito tempo que o próprio estava na posição dos colegas. "Era a minha terceira Volta ao Algarve e tentei transmitir calma. São ciclistas do World Tour, mas para mim são mais uns e encarei de forma muito tranquila e fiz ver isso a eles. Quando ali estamos, somos mais uns. Há atletas do World Tour que também ficam e nós vamos. A partir daí é uma guerra. É sofrer. E o resultado está à vista", afirmou.

Primeiro a equipa, depois os objectivos pessoais

A dedicação de Nuno Almeida à LA Alumínios é total, uma postura que traz das outras equipas que representou, tanto na elite, como durante a sua formação. Admite que agora tem mais liberdade, mas nem por isso fala em ter objectivos pessoais altos: "O foco neste início de época é apoiar os meus colegas ao máximo." Realçou como são os objectivos da equipas que estão acima de tudo e apenas quer manter-se fiel à sua forma de ser, de dar o máximo em cada corrida, de acordo com o que lhe for pedido. "É a minha maneira de estar. Não sabemos se estamos cá amanhã!"


"A minha forma de ver e de estar é que precisamos sempre de uma voz de comando. Neste caso, o Hernâni Brôco faz isso perfeitamente"

Nestes primeiros meses de trabalho, Nuno Almeida destaca não só a qualidade do grupo, mas a união que é grande parte da força da LA Alumínios. "Continuamos à procura de mais e melhor e isso vai aparecer certamente", disse de forma confiante, acrescentando como está a tentar passar o conhecimento que já, por estar há mais tempo ao mais alto nível no pelotão nacional: "Eu também já passei por isso [de estar a começar] e sempre gostei muito que me ajudassem. Tento sempre fazê-lo o máximo possível e depois cabe a cada um aceitar essa ajuda."

Mas será que aos 26 anos não sente a falta de ainda ter também ele uma voz de comando a seguir? "A minha forma de ver e de estar é que precisamos sempre de uma voz de comando, independentemente da idade que tenhamos. Neste caso, o Hernâni Brôco faz isso perfeitamente. Transmite muito da sua experiência", respondeu. Explicou que o director desportivo, que terminou a carreira de ciclista no final de 2016, tem sido uma grande ajuda e que não deixa que falte nada aos seus corredores. Os conselhos de Brôco já vão tendo influência em Nuno Almeida. "Nas poucas corridas que fizemos já notei essas diferenças", confessou.

Segue-se a Volta ao Alentejo, que começa esta quarta-feira em Vendas Novas e termina no domingo, em Évora. Pode não ser a corrida perfeita para as suas características, mas sendo um bom rolador entrar numa fuga é um objectivo, à imagem do que aconteceu na Volta ao Algarve, sendo esse um dos objectivos em geral para a equipa. O outro é colocar bem Fábio Mansilhas para o que o ciclista de 23 anos possa mostrar-se nos sprints. "No meu caso pessoal, estar uma fuga seria muito bom e gostaria de me testar um pouco mais no contra-relógio para voos maiores mais tarde na época", explicou, garantindo que a LA Alumínios será muito combativa.

Além de Nuno Almeida e Mansilhas, a equipa irá estar no Alentejo com David Ribeiro, Rafael Apolinário, Gonçalo Leaça, Fábio Oliveira e Júlio Gonçalves.

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1 de fevereiro de 2018

O pelotão nacional visto por Nuno Sabido

Depois de um ano marcado pelo regresso ao pelotão nacional de alguns nomes de referência como Sérgio Paulinho, Edgar Pinto e Fábio Silvestre, 2018 tem desde logo como destaque o surgimento das equipas sub-25, ou seja, têm licença do escalão Continental, ainda que mantenham o estatuto de não profissional. Sem alteração parece estar qual será a equipa num patamar elevado, com as restantes a terem de enfrentar a toda poderosa W52-FC Porto. Há quem tenha mais pressão para demonstrar resultados, há quem procure uma oportunidade para encontrar o caminho das vitórias, inevitavelmente com a Volta a Portugal em mente. O Volta ao Ciclismo falou com Nuno Sabido, antigo ciclista e que actualmente gere a Sabido's Cycling Training Center juntamente o irmão Hugo Sabido, fazendo também os comentários da modalidade na TVI24.

E começou-se precisamente pela novidade. Liberty Seguros-Carglass e Miranda-Mortágua era duas equipas de referência nos escalão de sub-23, mas aproveitaram as alterações nos regulamentos para pedirem a licença Continental. A elas junta-se a LA Alumínios, um patrocinador já tradicional no ciclismo em Portugal, mas que agora aposta numa equipa de jovens. Será que estamos perante uma mudança no panorama da modalidade no país?

"Nada muda. Não sou a favor desta alteração. Acho que em nada beneficia o ciclismo nacional, em nada beneficia os ciclistas sub-23. Temos uma realidade completamente diferente da que é praticada no estrangeiro, com estes atletas destas idades. O que a Federação Portuguesa de Ciclismo quis, foi pegar no modelo internacional, em que as equipas do World Tour têm uma equipa de formação Continental, mas esquecem-se que essas equipas têm orçamentos com alguns milhões de euros. Aqui, atendendo à nossa realidade, estamos a falar destas equipas continentais não profissionais em que parte dos ciclistas não vai ganhar dinheiro absolutamente nenhum, continuam amadores, como eram", critica Nuno Sabido.

Apenas dois dos ciclistas dessas estruturas serão profissionais e Sabido considera que os restantes vão estar expostos a uma maior pressão, salientando: "[Os corredores] vão fazer toda a temporada do calendário profissional, sem serem profissionais e sem estarem capacitados fisicamente para tal. Às vezes isso leva depois a que se cometam asneiras e essas em nada beneficiam e nem dão a melhor imagem do que é o nosso ciclismo." Sabido vai mesmo mais longe, dizendo que participar numa Volta ao Algarve e numa Volta a Portugal não irá fazer diferença nesta fase da carreira dos jovens ciclistas. "A maior parte não terá nenhum benefício. Naturalmente que aqueles que têm mais talento e uma maior capacidade física, poderão beneficiar destas participações. Será uma minoria que poderá integrar-se e conseguir chegar no pelotão ou tentar não perderem muito tempo em relação ao grupo principal. A maioria terá grande dificuldade. O benefício não será tão grande quanto se espera", frisa.

Seguiu-se a inevitável pergunta: A W52-FC Porto continuará a ser o "alvo a abater"? "É a equipa com a melhor organização no ciclismo nacional. Parte da força colectiva tem a ver com a união de todos os elementos. Não só dos atletas, mas também do staff. Depois,do ponto de vista salarial é a equipa que tem maior consideração em relação aos atletas e tudo isso promove e desencadeia os resultados que eles conseguem alcançar ao longo de toda a temporada."

Saiu Amaro Antunes e Joaquim Silva, mas chegou César Fonte e José Neves, dois reforços que agradam a Nuno Sabido. O primeiro considera que poderá ser importante na estratégia colectiva, enquanto o segundo irá beneficiar na forma como Nuno Ribeiro lida com atletas jovens. "Ele de alguma forma protege os ciclistas mais novos. Submete-os a determinado trabalho, mas não os explorando, nem exigindo o que não seria o melhor para eles. Temos o caso do Joaquim Silva, que agora saiu para a Caja Rural, mas enquanto lá esteve foi sempre tido em muita consideração a sua evolução. Penso que é uma óptima equipa para albergar e depois lançar novos talentos", afirma.

E irá Raúl Alarcón ser o líder assumido depois da vitória na Volta a Portugal? Sabido continua a colocar Gustavo Veloso também com esse estatuto, realçando como fisicamente mantém-se a bom nível e como tem a ambição de ganhar novamente a principal corrida para as equipas nacionais. Porém, considera que existe ainda uma terceira opção: "O António Carvalho está desejoso ter a oportunidade dele e é outro que faz parte desse lote. O Nuno Ribeiro e os restantes directores estarão tranquilos por mais uma época porque têm várias opções para utilizarem."

Sporting-Tavira pressionado, Efapel nem tanto

O facto de ser o Sporting, a pressão é bem real, algo que não aconteceria se se tratasse do Tavira, segundo Nuno Sabido. "A direcção do Sporting Clube de Portugal quer vencer, até porque porque existe alguma rivalidade com o FC Porto." O antigo ciclista recorda como foi o regresso dos dois clubes ao ciclismo. Primeiro foi o clube de Lisboa a abordar Nuno Ribeiro, mas acabou por serem os portistas a chegarem a acordo com a que era a equipa mais ganhadora do pelotão e assim continua. O Sporting virou-se então para o Algarve. "Se no primeiro ano [a pressão] não era tão acentuada, agora é. Tiveram um segundo ano para tentarem provar e agora têm um terceiro e dificilmente será uma pressão colocada de lado."

Nuno Sabido coloca a W52-FC Porto num patamar acima, com o Sporting-Tavira ao nível de equipas como a Efapel e a Rádio Popular-Boavista. "Têm bons ciclistas, mas não têm atletas ao ponto de serem vencedores da Volta a Portugal."

Apesar do investimento feito para o garantir em 2017 Sérgio Paulinho, ciclista medalhado olímpico e que durante mais de uma década esteve no World Tour, Sabido refere que a direcção da Efapel reconhece o plantel que tem. Diz que Paulinho "dificilmente irá vencer a Volta a Portugal em situações normais de um para um". No entanto, salienta a reconhecida qualidade do ciclista e como uma situação de corrida favorável e tudo poderá acontecer. "Se ele tiver uma pequena vantagem, bastará de um minuto, poderá ser difícil alcançar o Sérgio."

Henrique Casimiro, que também fez top dez na última Volta a Portugal, é um caso que Sabido considera idêntico ao de Paulinho, com a grande diferença de ainda estar em plena evolução. "Ainda é um ciclista em desenvolvimento, veremos qual foi a sua evolução para a nova temporada. Temos de esperar para ver se o Henrique conseguiu subir mais um patamar para ganhar uma Volta a Portugal ou estar nos lugares cimeiros."

Louletano reforçado, mas não muito diferente; Boavista mantém génese

Depois do pódio de Vicente de Mateos na Volta a Portugal, a agora Aviludo-Louletano reforçou-se com ciclistas para tentar dar maior apoio ao líder, como Márcio Barbosa. "Acho que não vai influenciar muito o resultado do Louletano individual o se terem reforçado colectivamente. É uma equipa que irá continuar à procura das vitórias individuais." Nuno Sabido diz mesmo que pensa que a equipa algarvia "não terá a capacidade de confrontar directamente e colectivamente a W52-FC Porto" e que quando chegar o momento das decisões, Mateos terá de reagir. "Veremos se mais alguém da equipa o acompanhará."

Quanto à Rádio Popular-Boavista, entrará na fase pós-Rui Sousa, com Nuno Sabido a realçar que João Benta manter-se-á como o "ciclista em destaque", como "o homem forte". Já o russo Egor Silin, que chegou já no decorrer da temporada em 2017, depois de ter ficado sem lugar na Katusha-Alpecin, Sabido afirma que já "teve as suas oportunidades, mas não as aproveitou da melhor maneira". "Esta descida de divisão tão repentina teve a ver com algum descrédito por parte dessas equipas por que já passou e neste momento, tendo em conta o ciclismo em Portugal, tremendamente agressivo, eu direi que poderá continuar na sua toada, com fugas e tentar vencer etapas e, se calhar pouco mais do que isso."

Já a presença de dois jovens que irão cumprir o primeiro ano de sub-23, Francisco Moreira e João Salgado, mas logo numa equipa profissional, é algo que Nuno Sabido vê como positivo, sendo uma situação distinta dos mais novos que estão nas equipas sub-25. "É muito bom já lá estarem [numa estrutura profissional]. Acresce a motivação, têm um salário e só isso é uma mais valia", explica. Quanto à pressão, "existe sempre e a maior parte das vezes não é colocada pela equipa, pelos directores e staff técnico, é uma pressão que está inerente a cada atleta". Acrescenta que a ambição de chegar ao World Tour faz com que essa pressão surja, mas diz ser saudável, desde que a saibam controlar.

A Vito-Feirense-BlackJack herdou parte da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack, mas Sabido atira logo a diferença que será a mudança de estatuto. "Parte do plantel mantém-se porque infelizmente os ciclistas não tinham alternativa, estão quase que obrigados a ficar na mesma formação." Sabido refere como as condições são diferentes "mesmo do ponto de vista salarial e tudo mais, não serão as mesmas, serão com toda a certeza inferiores". "É a tal motivação que está presente nesses atletas, em quererem fazer melhor esta temporada, para no próximo ano estarem numa equipa profissional", afirmou.

Contudo, espera que Edgar Pinto possa ter uma época livre de incidentes para finalmente mostrar toda a sua qualidade, enquanto João Matias, uma das revelações de 2017, "estará mais marcado".

Possíveis destaques para 2018

Nuno Sabido joga à defesa quanto a algum ou alguns ciclistas que possam destacar-se este ano. "Esperar para ver!" No entanto, questionado sobre jovens que se deve seguir com maior atenção e que ainda não se tenha referido, tendo também em conta as novas estruturas Continentais, fala-se de nomes como Francisco Campos, campeão nacional de sub-23 e vencedor da Prova de Abertura Região de Aveiro em 2017, mas também César Martingil e Gaspar Gonçalves, dois corredores que se tornaram profissionais com a Liberty Seguros-Carglass.

Considerando que estas equipas vão tentar criar as suas oportunidades, como entrar em fugas ou lutar pelas classificações secundárias, Sabido refere como Francisco Campos é um sprinter que consegue passar bem algumas dificuldades e como César Martingil irá reforçar precisamente essas chegadas com o pelotão compacto. Gaspar Gonçalves, um corredor mais completo, poderá tentar acompanhar os melhores, mas ainda lhe falta a experiência para poder alcançar grandes resultados. Porém, Sabido espera que a adquira e possa tornar-se numa referência do ciclismo nacional.

Não será preciso esperar muito pelo início da acção nas estradas portuguesas, pois é já este domingo que o pelotão nacional se faz à estrada na Prova de Abertura Região de Aveiro. Serão 155,5 quilómetros que começarão em Oliveira do Bairro, com a meta colocada na Torreira.



11 de janeiro de 2018

"A LA Alumínios vai ser certamente uma equipa combativa"

(Fotografia: Patrícia Nunes)
2018 será um ano para recordar na carreira de alguns jovens portugueses. De uma assentada, três equipas pediram a licença Continental, apostando no escalão de sub-25, proporcionando assim a possibilidade de vários ciclistas tornarem-se profissionais e começar desde já a ter acesso a outro nível. Abrem-e as portas das principais competições nacionais - Volta ao Algarve e Volta a Portugal - e possivelmente algumas no estrangeiro, além do pelotão nacional passar de seis para nove formações continentais. Hernâni Brôco aceitou o desafio de dirigir a LA Alumínios, um nome já com muita história no ciclismo nacional, mas que agora se apresenta com um novo projecto, dedicado aos mais jovens e com muita vontade de evoluir.

"Este passo é importante e está a abrir outras perspectivas aos jovens. É fundamental  [a equipa] uma vez que este passo era difícil [chegar ao profissionalismo]", explicou Hernâni Brôco ao Volta ao Ciclismo. Mais duas seguiram este exemplo, o Miranda-Mortágua e a Liberty-Carglass - ainda que nestes casos sejam estruturas que já existiam, -, facto que reforça o potencial crescimento para a modalidade. Brôco considera que seria positivo se fossem considerados conjuntos de formação e se forem constituídos "só por ciclistas nacionais, seria muito bom para o ciclismo português".

Dez corredores foram escolhidos para este projecto ambicioso da LA Alumínios, mas que quer que este ano seja de aprendizagem para todos os que compõem a equipa, seja a pedalar ou no apoio aos corredores. Alguns estavam na Sicasal-Constantinos-Delta Cafés, equipa na qual Hernâni Brôco fez a passagem para os bastidores, depois de colocar pela segunda vez um ponto final na carreira e, desta feita, a retirada foi definitiva. "Estamos muito satisfeitos com os ciclistas que temos e o trabalho desenvolvido tem sido de louvar. Todos se enquadram bem nesta filosofia de equipa", salientou.


"Não vamos exigir deles vitórias, mas sim empenho e luta durante todas as provas. Se surgir tudo bem, senão, vamos tentar classificações secundárias"

E qual será a filosofia? "A LA Alumínios vai ser certamente uma equipa combativa. Estamos a incutir-lhes isso." Porém, perante a juventude e a natural falta de experiência da maioria dos ciclistas, o responsável realçou: "Não se pode pedir muito. Todos eles estão a dar um passo grande nas suas carreiras e não vamos exigir deles vitórias, mas sim empenho e luta durante todas as provas." Claro que uma vitória está sempre no horizonte e Hernâni Brôco não o esconde. "Seria importante. Se surgir tudo bem, senão, vamos tentar classificações secundárias. Mas ao menos que sejamos uma equipa reconhecida pela combatividade", afirmou. Um dos objectivos da temporada passa pela criação de "um grupo coeso que daqui a uns anos possa dar algumas alegrias".

Apesar de querer começar bem a época que arranca a 4 de Fevereiro, na Prova de Abertura Região de Aveiro, é entre Maio e Junho que Hernâni Brôco espera ter os seus jovens ciclistas na melhor fase, apontando também na Volta a Portugal, em Agosto. No entanto, é logo a começar que haverá uma prova de fogo: a Volta ao Algarve. Os jovens da LA Alumínios, quase todos entre os 21 e 23 anos, vão estar lado a lado com 13 equipas do World Tour, que trarão ciclistas como Tony Martin, Arnaud Démare e Geraint Thomas, por exemplo. "É uma realidade completamente diferente. Na Volta ao Algarve não vamos esperar muito deles. Será uma fase de aprendizagem. Vamos tentar fazer o nosso melhor, adquirir experiência, vamos deixá-los desfrutar e vão viver boas experiências, certamente", disse.


"Tanto os atletas, como toda a estrutura vai crescer, por isso, 2018 será um ano de aprendizagem para todos. É um projecto que tem tudo para vingar"

Será um início especial para os ciclistas num projecto de quatro anos. Brôco explicou que Luís Almeida, responsável da LA Alumínios, decidiu criar uma equipa nova, apostando num clube, o de ciclismo da Aldeia de Paio Pires, que já tem trabalhado com as camadas mais jovens. Explicou ainda que Luís Almeida não se limita a ser um patrocinador, mas também "uma pessoa mais presente". "A vida assim o permite e criou este projecto de raiz, que quer tentar desenvolvê-lo ao máximo para um dia ser uma equipa de referência nacional."

E Hernâni Brôco não hesita em dizer: "Tanto os atletas, como toda a estrutura vai crescer, por isso, 2018 será um ano de aprendizagem para todos, para criar uma base para o futuro. Vamos tentar fazer a diferença. É um projecto que tem tudo para vingar."

A LA Alumínios será constituída por Nuno Almeida (26 anos, Louletano-Hospital de Loulé), Gonçalo Leaça (21, Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), Rafael Apolinário (22, Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), Paulo Silva (22, Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), Júlio Gonçalves (23, Santa Maria Feira), Patrick Videira (23, Maia), João Fernandes (23, Maia), David Ribeiro (22, Liberty Seguros-Carglass), Fábio Mansilhas (22, Miranda-Mortágua) e Fábio Oliveira (23, Santa Maria Feira).

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