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5 de maio de 2019

Tomaram-lhe o gosto!

Joni Brandão e Luís Mendonça em alta
(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Fim-de-semana de vitórias em português. Por cá e em Espanha. Quando tudo começa a correr bem há quem lhe tome o gosto e é o caso de Edgar Pinto, Joni Brandão e Luís Mendonça, todos com vitórias bastante motivadoras, principalmente para as duas equipas que não estavam a ter muitas razões para celebrar nas primeiras corridas do ano: Efapel e Rádio Popular-Boavista.

Começando por cá. Na quarta-feira Joni Brandão venceu a Clássica Aldeias do Xisto, a sua segunda vitória em pouco tempo, depois de ter ganho a última etapa do Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela. Não escondeu que queria mais e este domingo venceu a segunda tirada do Troféu O Jogo (circuito de 100 quilómetros em Vieira do Minho). Que grande regresso está ter Joni Brandão à Efapel. 

A geral "escapou" para outro ciclista em boa forma. Luís Mendonça conquistou, também na quarta-feira, a Taça de Portugal. Mas não sorriu muito porque queria levantar os braços em primeiro numa meta. Já está! Venceu a primeira etapa do Troféu O Jogo (135,7 quilómetros de circuito na Póvoa do Varzim) e conquistou a geral.

Mendonça chegou à Rádio Popular-Boavista com vontade de somar muitas vitórias, agora que tem um papel de claro líder. Domingos Gonçalves teve em 2018 uma época memorável pela equipa e Mendonça começa a prometer poder seguir o exemplo. 

Para continuar na senda de conquistas este semana, mas por equipas. Fábio Costa venceu a Taça de Portugal de sub-23 na quarta-feira e este domingo a UD Oliveirense-InOutBuild ficou com a classificação da juventude por intermédio de Pedro Miguel Lopes.

Quanto a Edgar Pinto, continua a dizer presente nas deslocações da W52-FC Porto. O quinto lugar tanto na etapa rainha, como na geral na Volta à Turquia podem não ser vitórias, mas são excelentes resultados. Afinal é uma corrida World Tour.

Este domingo a equipa dividiu-se por duas corridas e nas Astúrias, Edgar Pinto venceu a última etapa (Cangas del Narcea - Oviedo, 119 quilómetros), ficando à porta do pódio na geral. Foram 2:43 minutos a mais do que Richard Carapaz (Movistar), que repetiu o triunfo de 2018. 

E há um ano tinha sido Ricardo Mestre a vencer a derradeira etapa, sendo terceiro numa geral ganha por Raúl Alarcón em 2017. A W52-FC Porto mantém uma tradição vencedora nas Astúrias.

A equipa azul e branca, Efapel, Rádio Popular-Boavista, Miranda-Mortágua e o Sporting-Tavira vão estar de sexta-feira a domingo na Volta à Comunidade de Madrid. Quanto ao calendário nacional, a próxima corrida será o Memorial Bruno Neves, a 26 de Maio.

Para terminar uma semana forte dos ciclistas portugueses, de salientar as prestações de Rui Costa (UAE Team Emirates) na Volta à Romandia. Foi segundo, batido apenas por um super Primoz Roglic (Jumbo-Visma). Foi ainda segundo na classificação por pontos e em duas etapas.

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22 de abril de 2019

Edgar Pinto agarra oportunidade e dá à W52-FC Porto um resultado muito importante

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Se há uma coisa que não mudou na W52-FC Porto com a subida de escalão, foi a mentalidade de praticamente todos terem uma oportunidade para tentar alcançar um resultado próprio e não ficar uma época preso ao trabalho de gregário. Apesar da equipa se ter reforçado, aumentado de 12 para 16 o plantel - algo inevitável para enfrentar a responsabilidade de ser Profissional Continental - o calendário também ganhou mais provas. Para contratar um líder como Edgar Pinto, teria de haver garantias que chegaria o seu momento de ser figura principal numa equipa que tem Raul Alarcón como número um para a Volta a Portugal.

Sem surpresa, Edgar Pinto foi aposta numa corrida além fronteiras e num momento de grande importância na história da formação do Sobrado: primeira corrida World Tour (Volta à Turquia). A experiência do ciclista foi mais do que justificação para que assim acontecesse. João Rodrigues assumiu protagonismo nacional no arranque de temporada, tanto na Volta ao Algarve (excelente nono lugar), como na Volta ao Alentejo, que venceu. Também tinha pretensões na Clássica da Arrábida, mas algum azar fez com que fosse Raúl Alarcón a tentar discutir a vitória, que escapou.

Rodrigues era suposto ter viajado até à Turquia, mas por motivos de doença ficou de fora. Ainda assim, era a vez de Edgar Pinto. Em Maio de 2018 conquistou a Volta à Comunidade de Madrid, então ao serviço na Vito-Feirense-BlackJack Edgar Pinto sentiu que finalmente os azares estavam a deixá-lo. A sua carreira está marcada por várias quedas, normalmente quando está na melhor forma. Esta vitória internacional deu-lhe uma dose extra de confiança para a Volta a Portugal, ficando à porta do pódio.

O salto para a W52-FC Porto e para o segundo escalão do ciclismo mundial foi um prémio para um corredor de qualidade, mas que parecia ter sempre algo a evitar de atingir um nível mais alto. Na Volta à Turquia ficou claro desde cedo a forma de Edgar Pinto. Raúl Alarcón poderia ser a figura mais mediática e também ele tentou mostrar-se, mas era o momento de Edgar.

Na segunda etapa, bem colocado, fez oitavo no sprint, uma especialidade em que Samuel Caldeira muito trabalhou frente a alguns dos grandes nomes, como Sam Bennett (Bora-Hansgrohe) e Caleb Ewan (Lotto Soudal), que dividiram as vitórias ao sprint com Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep). Mas nesta Volta à Turquia, a geral resolve-se basicamente na etapa rainha, a única de alta montanha. No ano passado houve uma excepção, no triunfo de Edu Prades (Euskadi-Murias) na última tirada. Edgar Pinto esteve muito bem no sábado. Alarcón esteve bem posicionado inicialmente, contudo, foi dia de Edgar alcançar um resultado histórico, pois o quinto lugar na etapa significou um quinto lugar na geral, a 59 segundos do vencedor Felix Grossschartner (Bora-Hansgrohe).

Edgar Pinto foi o melhor entre as equipas Profissionais Continentais, o que dá um maior relevo a este resultado. A presença numa corrida deste nível era um objectivo e chegou poucos meses depois da subida de escalão. O impacto foi positivo e bem-vindo, pois exibições e resultados como os da Volta à Turquia podem abrir portas a outras corridas de maior importância. De referir que Ricardo Mestre (27º), Rafael Reis (31º), Tiago Ferreira (68º) e Gustavo Veloso (93º) também fizeram parte da estreia da W52-FC Porto no World Tour. Samuel Caldeira foi 48º e Alarcón 17º.

As oportunidades de Edgar Pinto não se ficarão por aqui e é provável que apareça a bom nível em algumas corridas por Espanha, sem esquecer que a equipa tem viagens marcadas para o Luxemburgo e até China. Na Volta a Portugal tem tudo para ser um forte aliado de Alarcón e sempre espreitar uma oportunidade, numa equipa que consegue ter mais do que uma opção de qualidade para ganhar, mais uma vez a corrida.

Até lá, o director desportivo, Nuno Ribeiro, fará a habitual rotação de oportunidades, tanto lá fora, como em Portugal. Daniel Mestre, outro reforço com perfil de líder, venceu uma etapa no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela e aproxima-se a Clássica Aldeias do Xisto (1 de Maio) que venceu em 2018 com a Efapel. Mas chegará a vez de António Carvalho, Ricardo Mestre, Rui Vinhas... Este é um plantel de luxo no ciclismo nacional, dando à equipa potencial para disputar qualquer corrida.

Depois do bom resultado na Turquia - a equipa foi ainda quinta na classificação colectiva, entre as 17 formações - a W52-FC Porto segue para Espanha. A Volta a Castela e Leão decorre de quinta-feira a sábado e terá uma fortíssima presença portuguesa. Praticamente todo o pelotão nacional de elite. Além da W52-FC Porto está o Sporting-Tavira, Efapel, Aviludo-Louletano, Vito-Feirense-PNB e Miranda-Mortágua.

Pode confirmar neste link os resultados completos da Volta à Turquia, via ProCyclingStats.

»»W52-FC Porto com calendário que a levará até à China, com passagem pelo Luxemburgo e Turquia««

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6 de maio de 2018

"Ganhar em Madrid dá-me confiança para o futuro"

Adeus azares e que venham mais vitórias! É assim que Edgar Pinto espera que seja o seu futuro. Depois de ter chegado a pensadr em terminar a carreira, o ciclista reencontrou-se com os grandes momentos e juntou uma etapa e a geral da Volta à Comunidade de Madrid à tirada que tinha conquistado na Volta ao Alentejo. Foi dia de festa para a Vito-Feirense-BlackJack frente ao Estádio Santiago Bernabéu, pois a equipa ganhou ainda a classificação da juventude, com Xuban Errazkin.

"Isto tinha que mudar, este azar todo! Começou no Alentejo com a vitória de etapa e depois aqui, no primeiro dia com o triunfo, vi que estava a passar o bom momento e aproveitei da melhor forma, vencendo a geral", salientou Edgar Pinto ao Volta ao Ciclismo. Admitiu que tem sido um ano em que tem estado "mais tranquilo", com o pensamento mais centrado na Volta a Portugal. Porém, não gosta de deixar passar oportunidades e com este regresso às vitórias, a motivação é bem diferente, principalmente tendo em conta a grave queda na Volta do ano passado, que lhe prejudicou a preparação para 2018. "Ganhar em Madrid dá-me confiança para o futuro. É um prestígio muito grande. É uma corrida que tem o palmarés que tem, teve as equipas que teve e tinha os colombianos aqui em força", referiu.

Quanto ao palmarés, quando Edgar Pinto subiu ao pódio foi de imediato recordado como um português já por lá tinha passado em 2011. Rui Costa também venceu a Volta à Comunidade de Madrid. Outros nomes que não passam despercebidos, apesar de terem ficado em segundo, são Alejandro Valverde, Nairo Quintana e Mikel Landa. Este ano, acompanharam Edgar Pinto no pódio o colombiano Fabio Duarte (Manzana Postobón) e o equatoriano Jonathan Caicedo, colega de Oscar Sevilla, ciclista de 41 anos da Medellin e que em 2017 bateu Raúl Alarcón (W52-FC Porto) na geral (pode conferir aqui as classificações da corrida espanhola que decorreu entre sexta-feira e este domingo).

"Eu gosto sempre de aproveitar as oportunidades! Nunca as descarto! Mas vamos desfrutar desta vitória"

Preparado para regressar de imediato a Portugal, a longa viagem ia ser bem mais fácil e relaxada com o enorme troféu na bagageira. É tempo de festejar, mas há que começar a pensar na fase da temporada que se aproxima e que conta com algumas das corridas mais importantes, como o Grande Prémio Jornal de Notícias, Troféu Joaquim Agostinho e, claro, a Volta a Portugal. "Agora é como no início [da época]: pensar na Volta. Mas eu gosto sempre de aproveitar as oportunidades! Nunca as descarto! Mas vamos desfrutar desta vitória", realçou. E quando chegasse a casa teria de descobrir onde colocar a taça: "Estava a comentar com a minha mulher que a que ganhei na sexta-feira tinha de ficar por cima da vitrina, mas esta não cabe lá! Nunca tinha ganho um troféu tão grande. É um bocado exagerado, mas assim não me esqueço!"

O pódio final da Volta à Comunidade de Madrid
Os sorrisos era muitos e rasgados na Vito-Feirense-BlackJack. O projecto que este ano foi para a estrada com Joaquim Andrade ao leme e que marcou o regresso do clube de Santa Maria da Feira ao ciclismo, está a somar resultados positivos. "Ganhar a Volta à Comunidade de Madrid é mais do que excelente! Nós sabemos que o Edgar é um ciclista de nível mundial, que pode vencer em qualquer lado, mas sabemos também das nossas limitações, dos problemas que temos tido, de algumas lesões que temos sofrido, mas temos conseguido contornar as coisas", afirmou o director desportivo ao Volta ao Ciclismo.

O objectivo passava principalmente por tentar vencer a etapa, algo que Edgar Pinto resolveu logo na primeira: "Isso deu-nos alguma tranquilidade para enfrentar os dias seguintes. Ontem [sábado] perdemos a camisola. No primeiro momento foi um sabor amargo, mas quando analisámos, pensámos que talvez fosse melhor assim e as coisas correram bem." E acrescentou: "Esta vitória é importante para nós, para o clube e para o ciclismo português."

Se para a equipa estas conquistas são de extrema importância, ver Edgar Pinto a vencer também deixa Joaquim Andrade muito satisfeito. "Ele passou um período de defeso complicado. Recuperava de uma lesão enquanto todos os outros já se preparavam. Ponderava até a possibilidade de continuar a correr ou não. Tinha sido muito azar seguido, muita mazela. Fazer as coisas bem, acreditar no seu valor e ir alcançado as vitórias vai-lhe dar uma tranquilidade e segurança que ele necessitava. É um dos melhores corredores portugueses, sem dúvida. Contamos muito com ele", frisou.


Joaquim Andrade: "Esta vitória é importante para nós, para o clube e para o ciclismo português"

Também o resultado de Xuban Errazkin merece o devido destaque. Para o responsável da equipa, a vitória na classificação da juventude do espanhol de 21 anos - já com passagem na Rádio Popular-Boavista, depois de ter estagiado na estrutura da actual Wilier Triestina-Selle Italia - terá o condão de incentivar os outros ciclistas mais novos, pois a formação é parte importante deste projecto da Vito-Feirense-BlackJack. "Acredito que todos eles têm um futuro risonho pela frente", disse. E por falar nos jovens, a equipa celebrou mais uma vitória neste domingo, com o júnior Diogo Barbosa a vencer na quinta e última etapa da Taça de Portugal, na Palmeira, em Braga. Guilherme Mota, do Alcobaça CC-Crédito Agrícola, venceu o troféu.

Depois de uma paragem de algumas semanas, o calendário nacional de elite irá ser retomado com o Grande Prémio Jornal de Notícias, de 28 de Maio a 3 de Junho. Contudo, a passagem por Espanha de algumas equipas portuguesas terminou com bons resultados em Madrid. A Vito-Feirense-BlackJack conseguiu o prémio maior, mas destaque ainda para a W52-FC Porto que foi a melhor equipa da corrida. Presentes estavam, por exemplo, a Movistar (World Tour), Manzana Postobón, Caja Rural, Burgos BH e Euskadi Murias (todas do escalão Profissional Continental).

A Efapel viu Marcos Jurado regressar a um pódio para levar a camisola das metas volantes, algo que já tinha feito na Volta a Castela e Leão. A Aviludo-Louletano-Uli, Rádio Popular-Boavista e o Miranda-Mortágua fecharam o contingente português na capital espanhola, reforçado por Nuno Bico (Movistar) e Rafael Reis (Caja Rural).

De referir que a última etapa foi ganha por Carlos Barbero, ciclista da Movistar, que no ano passado se tornou no primeiro ciclista a ganhar por duas vezes a Volta ao Alentejo. O espanhol bateu ao sprint Óscar Pelegri (Rádio Popular-Boavista) e Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli), que continua a mostrar-se depois de ter conquistado a Alentejana, em Março.

(Pode ver aqui os principais resultados das equipas portuguesas.)

»»Soufiane Haddi: "O Edgar é meu amigo e foi por ele que vim"««

»»Edgar Pinto: "Cheguei mesmo a ponderar abandonar"««

18 de março de 2018

Luís Mendonça: muito trabalho, ainda mais dedicação e uma aposta ganha do Louletano

"Foram os oito quilómetros da minha vida", dizia Luís Mendonça quando vestiu no sábado a camisola amarela, depois do contra-relógio, em Castelo de Vide. Mas não, foram os 751,9 quilómetros da vida deste ciclista com uma história bem diferente da habitual na modalidade e que hoje, aos 32 anos, teve um episódio que tanto procurou, tanto trabalhou, tanto lutou. Esteve perto umas quantas vezes, já estava a ganhar prática em subidas ao pódio, mas quando finalmente alcançou um primeiro lugar como profissional, não o fez por menos: Luís Mendonça conquistou uma das mais importantes corridas portuguesas, de estatuto internacional (2.2), a Volta ao Alentejo "É nossa! É nossa!", desabafou na chegada a Évora, abraçado ao director desportivo que acreditou nele e lhe deu a oportunidade de entrar na elite nacional, Jorge Piedade.

Nos últimos anos tivemos nomes como Enric Mas (actualmente na Quick-Step Floors) e Jasper Stuyven (Trek-Segafredo) a vencer, dois jovens talentos que entretanto já vão marcando o seu espaço no World Tour. E claro, Carlos Barbero, da Movistar, o único ciclista a vencer duas vezes em 36 edições da Alentejana. É preciso recuar a 2006 para ver um português no primeiro lugar do pódio: Sérgio Ribeiro. E foi há 30 que Joaquim Gomes, com a camisola do  Louletano-Vale do Lobo, venceu esta corrida. Mendonça pode já não ser um jovem talento, mas é um ciclista que quando aos 27 anos decidiu que o ciclismo seria a sua aposta, demonstrou que o que não lhe faltava era qualidade e que este domingo foi recompensada na Alentejana. Foi modelo, barman, competiu quando era mais novo, mas as suas temporadas não demoravam mais de dois/três meses antes de virar a sua atenção para outros planos. Porém, quando se dedicou exclusivamente, a ascensão foi rápida.

O que Luís Mendonça saltou na evolução na evolução de um ciclista, tinha que sobrasse a nível de dedicação. Mostrou-se na Sicasal-Constantinos-UDO depois de uma passagem por Espanha e na Concello de Porriño-Abanca ganhou o Circuito da Curia. Em 2016 a equipa brasileira Funvic convidou-o para fazer a Volta a Portugal com as suas cores. Meses depois, Jorge Piedade abriu-lhe as portas do Louletano, quando se calhar muitas equipas não pensariam em apostar num ciclista que começou tão tarde e que estava à porta do 30º aniversário. Desde que assinou pela formação algarvia que Mendonça, um homem do norte (Paredes), tem sido um exemplo de lealdade, de trabalho e de tremenda ambição.

A sua personalidade tornou-o rapidamente num ciclista muito popular no pelotão e fora dele. Mendonça parece ter uma capacidade inata para sorrir em qualquer momento, não dizendo que não a uma fotografia, a uma curta conversa e muito menos a um desafio. Está sempre pronto para mais um e talvez a única vez que tenha perdido o sorriso foi quando lhe foi tirada a oportunidade de estar novamente na Volta a Portugal com o intento de ganhar uma etapa e de ajudar Vicente Garcia de Mateos.

Durante um treino, a cerca de duas semanas do início da corrida, Mendonça foi agredido por um homem. Fracturou o braço e não escondeu a enorme desilusão por ver uma época ficar quase perdida. Quase porque regressou nos circuitos com uma vontade de rapidamente mostrar-se a bom nível, ainda o braço não estava a 100%, numa altura em que a maioria dos ciclistas já vai começando a reduzir o ímpeto, mais a pensar no que terá de ser feito para preparar a temporada seguinte.

Luís Mendonça apareceu em 2018 em forma logo na Prova de Abertura Região de Aveiro, fechando o pódio. Foi à Volta ao Algarve meter-se entre os sprinters do World Tour, mas o que mais impressionou foi aparecer tão forte tanto na Fóia como no Malhão. Para um homem mais dado a rolar e a tentar acabar rápido, o ciclista da Aviludo-Louletanto-Uli só perdeu um minuto para Michal Kwiatkowski na subida da Serra de Monchique e 2:22 na Serra do Caldeirão.

E a sua forma física nestas dificuldades fizeram a diferença quando enfrentou a única etapa de montanha da Alentejana e claro que o facto de ter sido dos poucos ciclistas de equipas portuguesas a não ficarem nos cortes na primeira tirada - muito marcada pelo vento - colocou-o numa posição privilegiada que soube muito bem aproveitar.

Em 2016, depois da Volta a Portugal, Luís Mendonça conversou com o Volta ao Ciclismo e disse então que tinha "de aproveitar cada dia, aprender tudo muito rápido". E a verdade é que ao mais alto nível, rapidamente se habituou ao ritmo que precisava de ter para estar constantemente ao lado dos favoritos, até que ele próprio foi entrando nessa lista de candidatos.

Com a fantástica conquista da Volta ao Alentejo - é o quinto ciclista a vencer a geral, sem juntar pelo menos uma etapa -, Mendonça ganha outro respeito e outro estatuto no pelotão, pois na equipa já o tinha, principalmente no arranque desta época. Com tudo o que tem demonstrado nos poucos anos que está a sério no ciclismo, será de prever que também rapidamente se adapte a esse novo estatuto e vontade não lhe deverá faltar para ir mais longe.

Destaque também para Edgar Pinto

O dia é de Luís Mendonça, mas há que referir Edgar Pinto. Tal como Luís Mendonça teve um 2017 que acabou de forma frustrante. No seu caso foi uma queda logo na terceira etapa da Volta a Portugal que acabou com a época e o objectivo de lutar pela vitória. Foi grave e as cicatrizes na perna não o deixam esquecer o que sofreu. O ciclista da Vito-Feirense-BlackJack admitiu recentemente que ainda estava em recuperação e que, por isso mesmo, seria um ano em que se concentraria muito na Volta.

Porém, é um lutador, um homem que sempre gosta de andar bem toda a temporada e se aqui e ali já se o ia vendo, na chegada a Portalegre conquistou uma vitória que lhe valerá ouro para a sua motivação e para acreditar que pode deixar para trás a sequência de azares que o têm perseguido na carreira. Pensou em colocar um ponto final, mas eis que Edgar Pinto comprova que ainda tem algo a mostrar. Para o Feirense foi dia de festa. Se o futebol vai passando por dificuldades em dar alegrias em ano de centenário, o ciclismo está a cumprir a sua parte.

Domínio estrangeiro, sucesso máximo português

A Volta ao Alentejo, como já aqui foi escrito, começou com uma etapa que acabou com as aspirações de grande parte do pelotão nacional. A Team Wiggins e a Lokosphinx foram dominando os primeiros dias. O britânico Gabriel Cullaigh começou por ganhar a tirada e a amarela, mas no dia seguinte perdeu para o colega irlandês Mark Downey, enquanto Dmitry Strakhov venceu duas etapas, para juntar à vitória na Clássica da Arrábida. Este russo de 22 anos tão cedo não esquece Portugal!

No entanto, quando as grandes decisões chegaram no sábado com a dupla jornada e os ciclistas portugueses mostraram-se, juntamente com um espanhol já com muitos anos de pelotão nacional. Gustavo Veloso (W52-FC Porto) juntou mais um contra-relógio à colecção. A Alentejana terminou mais uma vez em Évora com Cullaigh a dar mais um triunfo à Team Wiggins.

No pódio ao lado de Luís Mendonça esteve mais um português, Ricardo Mestre (W52-FC Porto). Desde 1994 que não havia dois lusos no primeiro e segundo posto e nesse ano até foi um trio: Carlos Carneiro, Joaquim Sampaio e Joaquim Gomes. Mark Downey teve o terceiro lugar como consolação e a classificação da juventude. A classificação da montanha foi ganha por Alexander Evtushenko e o companheiro da Lokosphinx, Dmitry Strakhov venceu a dos pontos. Por equipas, a W52-FC Porto manteve um domínio já habitual, mesmo quando não vence individualmente.

Pode ver aqui as classificações completas da 36ª edição da Volta ao Alentejo, que contou com seis etapas, duas no sábado.

O pelotão segue agora mais para norte, com a Clássica Aldeias do Xisto a fechar um mês de Março de muito ciclismo em Portugal. A corrida será a última do Troféu Liberty Seguros que tem a Aviludo-Louletano-Uli na liderança por intermédio de Óscar Hernández.


8 de março de 2018

"Cheguei mesmo a ponderar abandonar"

A cicatriz no joelho não deixa esquecer como foi grave a queda na segunda etapa da Volta a Portugal, já muito perto da chegada a Bragança. E aquela é a que se vê, pois o calção esconde a restante marca. Edgar Pinto acredita que poderia ter acabado bem a corrida em Agosto, mas o azar voltou a persegui-lo. Mais do que a recuperação física, foi psicologicamente que o ciclista admitiu ser difícil de lidar com mais esta queda, pelo que, aos 32 anos, pensou que teria chegado o momento de terminar a carreira. Não o deixaram e o próprio acredita que ainda tem algo para dar. Apesar de gostar de andar bem o ano inteiro, 2018 será tudo, ou quase, pela Volta a Portugal.

"Tive um ano complicado [2017], com fracturas, fissuras e custou-me estar em boa forma na Volta, mas cheguei a bom nível. Não iniciei da melhor forma, mas acredito que ia acabar bem. E de repente... foi tudo por água abaixo. Foi muito difícil..." E ainda não está a ser muito fácil. Edgar Pinto tenta recuperar o peso ideal e realçou que há algum desconforto no joelho. "Tenho é de ganhar força na perna. Quando vou em esforço noto que manco um bocado, mas é uma defesa e é normal. Estou a recuperar dentro do que é suposto", explicou ao Volta ao Ciclismo. Aquelas semanas após a grave queda na Volta a Portugal foram complicadas: "Apesar de não ter sido a primeira vez que me tenha acontecido isso, uma pessoa começa a pensar ao longo destes anos que é doloroso. Cheguei mesmo a ponderar abandonar. Graças a muita gente que me deu força e eu próprio que sei que tenho capacidade para fazer algo diferente, resolvi insistir mais um ano."

Edgar Pinto recordou ainda como viveu um misto de sensações. É que ainda estava a tentar acordar da anestesia, quando soube que tinha sido pai. "Caí no dia 6 e no dia 7, quando estava a ser operado, fui pai. Ainda estava meio tonto da anestesia, quando a minha mulher ligou-me a dizer que já tinha nascido e eu disse 'ah, está bem' e adormeci outra vez!" É a sorrir que fala sobre a situação, contando que só uma semana depois do nascimento é que viu a filha.

"[Joaquim Andrade] tem-me surpreendido. É um director muito empenhado. Chama a atenção a qualquer um sem problema"

Preocupado em tentar recuperar de mais uma lesão, Edgar Pinto acabou por se ver novamente a pensar no futuro, mas a nível de equipa. O projecto da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack só durou um ano. "Ficámos à última da hora sem dois patrocinadores e tivemos de nos fazer à estrada e arranjar outros patrocinadores. E estamos muito bem", assegurou o ciclista. A empresa Vito e o clube Feirense juntaram-se à BlackJack e o ciclista realçou que "o projecto é mais estável". "Parte da estrutura mantém-se, como a direcção, e agora temos a formação", referiu, destacando o novo director desportivo, Joaquim Andrade: "Temos um director realmente empenhado, que gosta de estar com os ciclistas e de ensinar os atletas e isso é muito importante para os nossos jovens."

Edgar Pinto teve Joaquim Andrade como adversário na estrada e está a gostar de agora o ter como responsável de uma equipa. "Tem-me surpreendido. É um director muito empenhado, muito atento ao que se passa, aos seus atletas, chama a atenção a qualquer um sem problema e isso é importante para o futuro. Penso que ele será uma mais valia para a equipa", salientou. As condições ainda não são as que todos desejam, mas Edgar Pinto acredita que aos poucos vão conseguir tê-las. Porém, há uma continuidade: "Transitámos quatro atletas, mais o presidente, o mecânico e o massagista. Entrou o director e outro massagista. Já nos conhecermos é uma grande ajuda."

O Feirense está a celebrar o seu centenário e também por isso resolveu regressar ao ciclismo. O presidente do clube, Rodrigo Nunes, teve um discurso ambicioso, mas Edgar Pinto considera que a pressão é algo que vai contribuir para que os ciclistas melhorem a cada dia. "É preciso [a pressão] e nós também queremos resultados", afirmou. No futebol, o Feirense está na luta pela manutenção na I Liga, pelo que: "O futebol não está na melhor forma e temos de ser nós, no ciclismo ,a dar alegrias!" Um momento de boa disposição seguido novamente pela garantia que a equipa sente a pressão, mas que "isso é bom".

"Quando estou num bom nível acontece sempre alguma coisa. Há coisas surreais, como um gato atropelar-me, uma moto bater-me"

Hugo Sancho, Luís Afonso e João Matias - que começou o ano com dois títulos nacionais de pista e um segundo lugar na Prova de Abertura Região de Aveiro - foram os ciclistas que transitaram com Edgar Pinto da equipa de 2017. Há ainda uma forte aposta em jovens, Leonel Coutinho regressou a Portugal depois de um ano em Espanha e a Vito-Feirense-BlackJack contratou ainda Ricardo Vale (ex-Rádio Popular-Boavista) e o marroquino Soufiane Haddi, ciclista que Edgar Pinto conhece bem. Foram colegas na Skydive Dubai e o português acredita que poderá ser um elemento importante. Descreve-o como um corredor rápido e que em corridas de um dia, por exemplo, poderá dar as tais alegrias ao Feirense e restantes patrocinadores. Quando a Ricardo Vale, não hesita: "Vai ser uma mais valia para a montanha."


Também Edgar Pinto gostaria de conquistar uma vitória antes da Volta a Portugal, ainda que seja essa corrida que tenha como objectivo. Bom, há outro: não acontecerem coisas estranhas. Afinal, este tem sido um ciclista que quando se apresenta em boa forma, acontece algo que lhe estraga o momento: "Quando estou num bom nível acontece sempre alguma coisa. Não sei... Há coisas surreais, como um gato atropelar-me, uma moto bater-me... São coisas estranhas que me acontecem!"

Por isso mesmo, afastada a ideia de terminar a carreira, mais do que nunca Edgar Pinto quer mostrar que pode ser candidato na Volta. Que pode conquistar algo na principal corrida para as equipas nacionais. "Quando acontecer vai ser um grande alívio para mim. São uns azares atrás dos outros. Sinto que consigo estar com os melhores, mas alguma coisa que me impede. Tenho essa vontade enorme [de vencer]!"

»»João Matias: "Se me dão mais responsabilidade é porque estão a acreditar em mim e foi algo que eu conquistei"««

»»Joaquim Andrade: "Estamos confiantes que poderemos criar a curto prazo um projecto muito forte no ciclismo"««

19 de novembro de 2017

Ambição, confiança, desilusão e revelação

Edgar Pinto alcançou bons resultados ao longo do ano, mas faltou uma vitória.
Queda na Volta a Portugal foi uma enorme desilusão para a equipa
na aspiração de lutar pela conquista da prova
Vontade de fazer do projecto LA Alumínios-Metalusa-BlackJack um de sucesso em Portugal não faltou. Ambição muito menos. Apesar de manter um dos patrocinadores de maior tradição no ciclismo nacional, a estrutura assumiu-se como nova. Edgar Pinto regressou depois de dois anos na Skydive Dubai para assumir a liderança de uma formação que queria lutar por todas as corridas e não centrar-se apenas na Volta a Portugal. César Fonte foi outra contratação de relevo, enquanto João Matias acabou por ser uma das figuras. José Augusto Silva foi outro regresso, mas à função de director desportivo e logo na Volta ao Algarve viu Edgar Pinto terminar em 10º lugar.

Sétimo na Volta ao Alentejo, oitavo na Clássica Aldeias do Xisto e mais tarde foi nono no Troféu Joaquim Agostinho. Edgar Pinto não somou vitórias, mas parecia que se apresentaria bem na Volta a Portugal. César Fonte andou sempre próximo a nível de resultados, mas com a diferença de um triunfo na terceira etapa do Grande Prémio Abimota. Entretanto, o espanhol Antonio Angulo tinha sido a figura da Volta à Bairrada. A LA Alumínios-Metalusa-BlackJack poderia não ser a equipa mais forte, mas era claro que poderia ter dois homens na discussão de um bom resultado na Volta a Portugal.

José Agusto Silva cumpriu a promessa de início de temporada de ter os seus ciclistas a lutar por vitórias em todas as corridas, mas no que diz respeito a mediatismo, é inevitável que a Volta a Portugal tenha sempre uma importância maior. Equipa com exibições consistentes durante o ano, na terceira etapa da Volta deu-se a maior das desilusões. Edgar Pinto sofreu uma aparatosa queda já perto da meta em Bragança, na habitual confusão de quando se prepara um chegada a alta velocidade, ou seja, um sprint. Foi transportado para o hospital e a LA viu-se obrigada a repensar a estratégia. César Fonte chegou-se, naturalmente, à frente para assumir a responsabilidade, mas foi João Matias a estrela inesperada.

Ranking nacional: 6º (962 pontos)
Vitórias: 5
Ciclista com mais triunfos: João Matias e António Angulo (dois cada um)

A classificação da montanha era um possível objectivo para César Fonte, contudo, foi o seu colega que acabou por andar de azul durante seis dias. João Matias tinha estado muito bem nos Mundias de pista, procurava a sua primeira vitória como profissional, mas acabou por ser uma revelação: mostrou qualidades de trepador que não se esperava. Foi aguentando a camisola azul numa luta de sacrifício, mas também de quem estava extremamente motivado, até que na etapa da Serra da Estrela não deu mais. Ainda assim, realizou uma grande Volta e foi uma das figuras da corrida. César Fonte terminou na 15ª posição, não conseguindo entrar no desejado top dez. Já Matias ainda não tinha terminado de dar alegrias à equipa. Nos habituais circuitos de final de temporada, ganhou no Bombarral e na Malveira.

A LA Alumínios-Metalusa-BlackJack tinha confiança que poderia competir com as melhores equipas nacionais. Algumas exibições prometeram, mas ficou a faltar uma grande vitória. Em Edgar Pinto terá ficado alguma frustração, ou pelo menos tristeza de ter trabalhado bem durante o ano para depois terminar a época a recuperar de uma queda.

Poder-se-ia dizer que perante as boas performances e depois da desilusão de ficar sem o líder na Volta a Portugal, a LA poderia partir para 2018 com muita vontade de fazer mais e melhor. No entanto, o projecto chegou ao fim. Apenas um ano de vida. Nasce a Vito-Feirense-BlackJack, enquanto a LA Alumínios poderá apostar numa equipa de formação. Edgar Pinto, João Matias, Hugo Sancho e Luís Afonso transitam para a nova estrutura. Joaquim Andrade será o director desportivo.

Perante a evolução demonstrada este ano, há que seguir com alguma atenção o que fará João Matias. Este ciclista, de 26 anos, já passou pela estrutura da então OFM-Quinta da Lixa, mas 2017 poderá ter sido um ano de transição para começar a ter outro protagonismo. Quanto a Edgar Pinto (32), o corredor deixou claro que quer e tem capacidade para alcançar mais do que um quarto lugar na geral e uma etapa na Volta a Portugal (os seus melhores resultados na Grandíssima).

4 de agosto de 2017

Analisando os principais candidatos: Marque ganha vantagem

(Fotografia: Podium/Volta a Portugal)
Um prólogo nada decide mas se Alejandro Marque ganhasse a Volta a Portugal com 11 segundos de vantagem sobre Gustavo Veloso, teríamos de recuar a este primeiro dia de corrida e aos 5,4 quilómetros de contra-relógio em Lisboa. Ainda é cedo, muito cedo, para fazer previsões, mas na primeira amostra dos principais candidatos à vitória, o espanhol do Sporting-Tavira ganhou vantagem a todos e a distância até é bem simpática e certamente que põe em sentido os adversários.

Marque foi terceiro no contra-relógio, a três segundos de Damien Gaudin, ciclista da equipa do exército francês Armée de Terre. Começamos então pelo espanhol. É um vencedor da Volta a Portugal (2013) que este ano regressou a uma equipa onde se sente em casa. Joni Brandão era suposto ser o líder, mas Marque sempre admitiu que esperava ter a sua oportunidade. Talvez não fosse bem assim que a queria, mas um problema de saúde afastou o colega da Volta e o espanhol pode assim lutar pela vitória, tal como Rinaldo Nocentini. Mas já lá vamos ao italiano.

O contra-relógio é uma das armas de Marque, pelo que só talvez Gustavo Veloso consiga estar ao seu nível. Há que não esquecer que a Volta termina precisamente com um esforço individual e se ganhou mais de 10 segundos em 5,4 quilómetros, se estiver bem em Viseu pode conquistar pelo menos o dobro ou até um pouco mais em 20,1. Pode não ser um ciclista explosivo na montanha, mas sendo algo imprevisível nas suas tácticas, os adversários terão de estar muito atentos.

Nocentini (39 anos) ficou a 10 segundos de Marque o que desde logo confirma que o italiano chega à Volta a Portugal na boa forma que demonstrou no princípio do ano na Volta ao Algarve, por exemplo. Tem 39 anos, mas ainda não pensa em retirar-se e quer ganhar a Volta. A preparação já foi feita de outra forma, agora que conhece as dificuldades que a corrida portuguesa impõe. Está confiante e deixa o sinal que podem contar com ele para a luta. Para já não há problema numa liderança partilhada. O director desportivo, Vidal Fitas, irá certamente jogar com estas duas armas. Porém, se se mantiverem assim tão próximos a ver vamos se não terá de haver uma escolha.

Gustavo Veloso confirmou que é candidato, mas, lá está, já não é aquele dominador de outrora. O espanhol terminou fora do top dez, algo que não se esperava. Foi 12º, a 11 segundos de Marque, 14 de Gaudin, o vencedor. Aos 37 anos também fica a questão se Veloso não poderá fazer alguma gestão de esforço, jogando um pouco mais frio, já que tem a seu favor o facto de estar inserido na melhor equipa do pelotão nacional. Diz-se que a W52-FC Porto é a Sky portuguesa e Veloso de poder-se-á dizer que tal como Froome já demonstrou que é humano e pode ser batido. Ainda assim, é dos principais favoritos e só os ciclistas do Sporting-Tavira o bateram, isto falando apenas dos candidatos.

A curiosidade para com Sérgio Paulinho (37) é enorme! Em 5,4 quilómetros não se vai tirar conclusões, mas pelo menos no que diz respeito ao contra-relógio, o líder da Efapel comprovou que está bem, tal como tinha mostrado nos Nacionais (foi terceiro). A grande questão para com o medalha de prata olímpica (em 2004 na prova de estrada) é como estará na montanha. Terá capacidade para aguentar dia após dia o ritmo da frente? A sua candidatura é mais do válida por toda a qualidade que sabemos que tem, contudo, teremos mesmo de esperar pelas etapas mais difíceis para perceber se Paulinho é candidato à vitória, ao pódio ou ao top dez. No prólogo foi 15º a 14 segundos de Marque.

Outro regressado é Edgar Pinto, ainda que só tenha estado dois anos fora ao contrário de Paulinho que está na Volta a Portugal 13 anos depois da última presença. A LA Alumínios-Metalusa-BlackJack tem todo o direito para sonhar com um excelente resultado do seu líder (31 anos). Tem sido consistente durante toda a temporada, com realce para o 10º lugar na Volta ao Algarve e o sétimo no Alentejo. Ainda somou o oitavo posto na Clássica Aldeias do Xisto, tendo depois reduzido o ritmo de forma a garantir estar no seu melhor no principal objectivo da temporada para todas as equipas portuguesas. É um excelente trepador, adaptando-se bem a subidas mais explosivas, como às mais longas. Sabe gerir o esforço como poucos e é tacticamente muito perspicaz. Edgar Pinto foi 17º a 15 segundos de Alejandro Marque.

A pequena desilusão veio de Vicente García de Mateos (28). E há que realçar a palavra "pequena". O espanhol é sinónimo de confiança. Quer ganhar a Volta a Portugal e não apenas ficar no pódio, isto depois de há um ano ter sido oitavo. De sprinter a trepador, Mateos confirmou esta sua adaptação com sucesso na vitória na Clássica das Aldeias do Xisto. Sempre se defendeu bem nas subidas, mas agora preparou-se para as enfrentar sempre na frente da corrida. Apesar dos 23 segundos perdidos para Marque, este é um ciclista que estará a criar grande desconfiança nos seus adversários. É que nas subidas mais curtas e explosivas que esta Volta a Portugal tem, Mateos poderá fazer grandes estragos, sendo aí que poderá passar muito da sua táctica para conquistar uma vitória para o Louletano-Hospital de Loulé.

Para terminar, a Rádio Popular-Boavista. Rui Sousa é o líder e não há quem não o queira ver de amarelo. Porém, João Benta é um ciclista a ter em conta e a Volta a Portugal só não começou em festa porque Domingos Gonçalves foi batido por Gaudin por dois segundos. Ainda assim, um excelente começou para o campeão nacional de contra-relógio, que ainda espera vestir também ele a camisola amarela pelo menos um dia. Regressando a Rui Sousa, o contra-relógio nunca foi o seu forte, mas os 19 segundos perdidos (a referência é sempre Marque) demonstram que poderá muito bem estar ao nível dos principais candidatos. Já sabe como é Rui Sousa. É lutar até ao fim e desta vez será mesmo o fim. Em ano de despedida é o tudo por tudo por um final à conto de fadas.

Gaudin é o primeiro camisola amarela
Quanto a João Benta, os 34 segundos a mais do que o espanhol do Sporting-Tavira já preocupam. Ainda assim, o ciclista tem o principal objectivo de ganhar uma etapa e de tentar entrar no top dez. Tudo o mais será bem-vindo, mas este não foi o melhor dos arranques, ainda que este ciclista terá tendência a ir melhorando com o decorrer da corrida.

Pode ver aqui a classificação do prólogo que se realizou em Lisboa, com vista para o Mosteiro dos Jerónimos e para o rio Tejo. Damien Gaudin é o primeiro camisola amarela, enquanto o melhor jovem é o canadiano Travis Samuel H&R Block Pro Cycling Team. O Sporting-Tavira lidera por equipas.


Deixamos Lisboa e rumamos até bem perto: Vila Franca de Xira será o palco da partida da primeira etapa. Serão 203 quilómetros feitos debaixo de muito calor, com Setúbal e receber a chegada. As duas terceiras categorias já perto do final podem ser propícias a ataques, principalmente na Arrábida.

»»Um líder e outros cinco potenciais candidatos. Esta W52-FC Porto é um luxo, mas pode ter um inimigo««

»»"Vou tentar estar no meu melhor para mostrar que a vitória não foi por acaso"««

14 de junho de 2017

Filipe Cardoso e Edgar Pinto, dois portugueses à procura de repetir vitórias no Abimota

Depois do Grande Prémio do Jornal de Notícias, uma das competições mais importantes em Portugal, e do Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela, que se quer confirmar como uma das provas mais relevantes a nível nacional e também internacionalmente, é a vez do pelotão português enfrentar o tradicional Grande Prémio Abimota. Será a 38ª edição de uma competição que se mantém fiel ao final em Águeda, mas haverá mais de 600 quilómetros pelo centro do país para ver os ciclistas. A corrida começa na quinta-feira em Proença-a-Nova, com o final agendado para domingo.

Foi em 1977 que a corrida foi pela primeira vez para a estrada, com Flávio Henriques (Sangalhos) a ser o vencedor. O grande prémio conta ao longo da história com vitórias de alguns dos principais ciclistas nacionais e que continuam ligados à modalidade, como Joaquim Gomes (actual director da Volta a Portugal), Delmino Pereira (agora presidente da Federação Portuguesa de Futebol), José Azevedo (director da Katusha-Alpecin) e Nuno Ribeiro (director desportivo da W52-FC Porto). Mais recentemente houve um jovem promissor chamado Tiago Machado a vencer em 2006, ciclista que agora representa a Katusha-Alpecin.

Mas no pelotão português encontram-se três ciclistas que já conquistaram o Grande Prémio Abimota, dois deles lusos. Filipe Cardoso (Rádio Popular-Boavista) triunfou em 2016 com a Efapel e procura a terceira vitória, pois já o tinha feito também em 2008, então ao serviço da Liberty Seguros. Edgar Pinto (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack) está de regresso a Portugal depois da passagem pela equipa do Dubai, mas em 2011 já demonstrava porque era um ciclista a ter em conta e ganhou o Abimota. O terceiro ciclista é o espanhol David de la Fuente, actualmente no Louletano-Hospital de Loulé, que ao serviço da Efapel venceu a corrida em 2015.

Certamente que tanto estes como muitos mais ciclistas terão a ambição de ganhar, no entanto, na mente de todos já está na Volta a Portugal. Falta pouco mais de mês e meio para a corrida que as equipas portuguesas tanto ambicionam. Ainda assim, o Abimota tem por hábito oferecer um bom espectáculo. Além das formações de elite e de clube nacionais estarão presentes três espanholas: a E.C. Cartucho/ES-Magro, a Kuota/C.Paulino e a Supermercados Froiz. Esta última venceu o Abimota em 2012 por intermédio de Moisés Duenas.

A primeira etapa irá ligar Proença-a-Nova a Belmonte (147,5 quilómetros), com a chegada a coincidir com uma contagem de montanha de terceira categoria no Castelo de Belmonte. Na sexta-feira serão 144,4 quilómetros entre Penamacor e Sabugal, seguindo-se no sábado 171,2 a ligar Almeida a Manteigas. A última tirada será a mais longa. O pelotão irá partir de Gouveia, com o grande final a ser então em Águeda (176,4 quilómetros).

E porque não ir assistir à passagem do pelotão? Neste link, do site da Federação Portuguesa de Ciclismo, poderá ver pormenorizadamente o percurso das quatro etapas e escolher o melhor local.

»»59 agentes da autoridade numa corrida com 56 ciclistas««

»»Efapel tomou-lhe o gosto!««

26 de fevereiro de 2017

W52-FC Porto em modo internacional; Sporting-Tavira muito mais forte; Nocentini com ambição renovada; Edgar Pinto com regresso prometedor

Terminou a fase mais internacional do calendário português, digamos assim. A aposta de juntar a Volta ao Alentejo à Volta ao Algarve foi uma ideia proveitosa, com a presença (e vitória) da Movistar a ser um forte contributo para o aumento de prestígio da Alentejana. A partir de agora as equipas portuguesas voltam a ser os principais destaques nas corridas a começar já no próximo domingo na primeira edição da Clássica da Arrábida, uma prova com um potencial enorme para rapidamente se tornar uma referência nas provas de um dia. Apesar de nas últimas duas semanas as atenções se terem centrado principalmente nas figuras estrangeiras que pedalaram pelas estradas a sul do país, a verdade é que já foi possível perceber o que se pode esperar das seis formações de elite lusas. As expectativas criadas antes do arranque da temporada em Aveiro deverão mesmo ser confirmadas: estamos perante um dos melhores pelotões dos últimos anos e haverá espectáculo em 2017.

Naturalmente que o grande destaque vai para Amaro Antunes e para a W52-FC Porto. O ciclista algarvio conquistou uma brilhante vitória no Malhão na Volta ao Algarve, derrotando corredores do World Tour. Resultado que aconteceu pouco depois de também se destacar na Volta à Comunidade Valenciana. É uma aposta no calendário internacional por parte da formação de Nuno Ribeiro. A equipa tem mais competições agendadas para Espanha e não se incomodou por apresentar-se em Aveiro com menos ciclistas, pois quase todos os principais estiveram na corrida espanhola. Não nos podemos esquecer que o director desportivo tem a ambição de subir ao escalão Profissional Continental no próximo ano, pelo que depois de dominar em Portugal, quer mostrar-se bem no estrangeiro. No entanto, não significa que não veremos a melhor W52-FC Porto por cá. Muito pelo contrário. A formação azul e branca quer continuar a demonstrar a sua superioridade em Portugal.

No entanto, terá uma concorrência bem maior. Nas últimas temporadas só a Efapel se tem conseguido aproximar e dar alguma luta. Em 2017 ressurge um Tavira renovado em ciclistas e ambição. No segundo ano de parceria com o Sporting, a preparação e as contratações foram feitas com tempo. Foi a equipa que mais se reforçou, com destaques para Joni Brandão, Fábio Silvestre e Alejandro Marque. O primeiro é considerado o grande candidato para a Volta a Portugal, mas, para já, é também o mais discreto. Alejandro Marque mostrou-se a grande nível na Volta ao Algarve, terminando na 13ª posição. Fábio Silvestre vai ganhando forma, faltando-lhe agora, talvez, uma vitória para que comece a destacar-se nos sprints.

A grande figura é, contudo, Rinaldo Nocentini. O líder surpresa de 2016 parece ter resolvido responder a todos os que insistentemente dizem que está velho (tem 39 anos) e que Joni Brandão é que será o número um, com Alejandro Marque como plano B. O italiano foi nono na Volta ao Algarve, venceu a primeira etapa da Volta ao Alentejo, subindo ao pódio no final, pois ficou a 16 segundos do vencedor, o espanhol da Movistar, Carlos Barbero. Nocentini, que no ano passado venceu o Troféu Joaquim Agostinho, mas desiludiu na Volta a Portugal, aparece mais ambicioso e gerou curiosidade para ver o que poderá fazer na restante temporada. Uma coisa é certa, o Sporting-Tavira está mais forte e será uma equipa com capacidade para discutir qualquer corrida em 2017.

Quanto à Efapel, Américo Silva arriscou apostar em Sérgio Paulinho, estando em curso o trabalho de transformar um gregário por excelência, num líder que possa discutir a Volta a Portugal e não só. O ciclista português, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004 e um dos homens de confiança de Alberto Contador durante muitos anos, demonstrou que vontade não lhe falta para cumprir o que é desejado dele, mas é notório que ainda há muito trabalho a fazer. Entretanto, a Efapel tem Daniel Mestre e Rafael Silva a tentar garantir resultados. Até estavam a fazer uma boa Volta ao Alentejo, mas uma queda na penúltima etapa e uma decisão da organização em não dar o tempo do vencedor apesar do incidente ter acontecido nos últimos três quilómetros, pode muito bem ter custado um pódio, onde estava Daniel Mestre antes de cair. A Efapel irá encarar 2017 entre a confiança em ciclistas que estão habituados a conquistar vitórias e a incógnita do que poderá render Sérgio Paulinho.

O Louletano-Hospital de Loulé é uma equipa que, para já, deixa a ideia que pode conquistar bons resultados, como pode passar mais discreta nas corridas. Luís Mendonça e o líder Vicente Garcia de Mateos estiveram bem na Volta ao Algarve. O espanhol foi segundo no Malhão. Porém é preciso descer ao 20º lugar para encontrar o primeiro ciclista da equipa algarvia na Volta ao Alentejo: David de la Fuente. É verdade que a formação de Loulé não tem uma tradição de ter temporadas de grandes vitórias, mas também não passa ao lado de bons momentos. Consistência tem sido a palavra de ordem, pelo que deverá manter essa rota.

Quanto à Rádio Popular-Boavista, José Santos apostou na contratação de ciclistas de ataque, como João Benta, Filipe Cardoso e Domingos Gonçalves. Ainda não se viram muito, mas é de esperar que com o evoluir da época, os resultados comecem a aparecer. Mas, até agora, pouco se viu da equipa. Há tempo...

Para terminar fica um dos grandes destaques deste início de temporada: Edgar Pinto. O ciclista português regressou ao pelotão nacional para liderar um projecto que tem o seu pai como um dos mentores. A LA Alumínios-Metalusa-BlackJack pode não ter um plantel muito forte, mas a verdade é que está a mostrar-se suficiente para ajudar o seu líder a conquistar bons resultados neste arranque de 2017. Edgar Pinto e o director desportivo, José Augusto Silva, avisaram que a formação não estaria só a pensar na Volta a Portugal e tentaria lutar em todas as corridas. Edgar Pinto foi 10º na Algarvia e 7º na Alentejana, dois excelentes resultados. No primeiro caso por ser um top dez entre ciclistas do World Tour, no segundo por ser uma corrida para ciclistas com características mais de" roladores" e sprinters. É desde já um candidato forte para a Clássica da Arrábida, mesmo que tenha de enfrentar empedrado e terra batida.

Depois de duas corridas a sul e uma pela região de Aveiro, será altura de começar a andar por terreno bem mais "acidentado" (sem esquecer que já se subiu à Fóia e ao Malhão) e sem equipas do World Tour. A Clássica da Arrábida e a Clássica Aldeias do Xisto (12 de Março) irão atribuir o primeiro troféu do ano. Francisco Campos, o sub-23 da equipa Miranda-Mortágua, venceu surpreendentemente a primeira corrida do Troféu Liberty Seguros, a prova de abertura Região de Aveiro, liderando a competição.

Relativamente à Volta ao Alentejo, uma nota de destaque: a Alentejana subiu de categoria para 2.1 e pela primeira vez em 35 edições teve um ciclista a repetir um triunfo. Carlos Barbero assinou este ano pela Movistar e começa a mostrar serviço, depois de em 2014, então ao serviço da Euskadi, ter conquistado pela primeira vez a Volta ao Alentejo.

Veja aqui as classificações finais da Volta ao Alentejo.

»»O jovem que surpreendeu a elite em Ovar: "Ainda estou em choque!"««

»»Desculpa Roglic, mas vamos falar de Amaro Antunes««

»»Vidal Fitas: "Tenho um plantel equilibrado, com bastantes opções e de qualidade. Estou satisfeito"««

18 de fevereiro de 2017

"Estou um bocado apreensivo, mas quero estar na discussão no Malhão"

A saída do top dez após o contra-relógio não foi nada que surpreendesse Edgar Pinto. O ciclista da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack queria minimizar perdas, para depois no Malhão tentar reentrar nos dez primeiros, o seu objectivo para esta Volta ao Algarve. Porém, não esconde que o tipo de subida que irá enfrentar neste domingo pode causar-lhe algumas dificuldades, mas nada que lhe retire a vontade de alcançar um excelente resultado na Algarvia, neste seu regresso a Portugal, depois de dois anos na equipa Skydive Dubai.

"Na subida ao Alto da Fóia senti-me razoavelmente bem. Estava um pouco na expectativa, pois não sabia como ia estar [fisicamente]. Foi a primeira etapa dura que tivemos e conseguimos defender-nos bem", afirmou ao Volta ao Ciclismo. Já o Malhão será diferente, como explicou: "É uma chegada de maior explosão e na Fóia tive dificuldades em ter essa explosão. Estou um bocado apreensivo, mas quero estar na discussão."

Neste primeiro grande teste da nova equipa, a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack está a mostrar-se a bom nível, com o seu líder perto de alcançar um resultado, que a acontecer será de destaque para o ciclismo nacional. Além de Edgar Pinto, também Amaro Antunes ambiciona o top dez, o corredor da W52-FC Porto desceu para o nono lugar após o contra-relógio. Já Edgar está na 11ª posição, com 11 segundos a separá-lo da 10ª, ocupada por Rinaldo Nocentini, do Sporting-Tavira. Em mais um ano com grandes estrelas do ciclismo mundial no pelotão da Volta ao Algarve, as equipas portuguesas estão a dar luta.

Edgar Pinto referiu ainda que o projecto da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack "é ambicioso" e que o grupo "está unido e tranquilo" para encarar o que aí vem na Volta ao Algarve e na restante temporada.

O Alto do Malhão volta a decidir o vencedor da Algarvia. A quinta e última etapa começa em Loulé (12:05) e serão 179,2 quilómetros, com duas passagens pelo Malhão para que os adeptos possam assim ver por duas vezes este excelente pelotão, numa grande festa de ciclismo, já tradicional nesta popular ascensão no Algarve. Em 2016, Alberto Contador não deu hipóteses e conquistou o Malhão, mas foi Geraint Thomas que aguentou e venceu pela segunda vez consecutiva a Volta ao Algarve. Garantido está que não se irá repetir os vencedores, pois nenhum deles está presente. Conseguirá Primoz Roglic (Lotto-Jumbo) manter a amarela (tem 22 segundos de vantagem), ou Michal Kwiatkowski (Sky) irá conquistar o seu segundo triunfo na Algarvia? E Jonathan Castroviejo (Movistar) estará na luta? Há muitas mais questões para responder. O espectáculo parece estar, novamente, garantido. Todos ao Malhão!




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