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11 de dezembro de 2018

O passo seguinte. W52-FC Porto confirmada no segundo escalão

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
A espera terminou. A UCI anunciou hoje as licenças para os dois primeiros escalões. A W52-FC Porto vai subir a Profissional Continental em 2019, abrindo-se as portas para outro tipo de corridas, com a perspectiva de um convite para uma grande volta a ser agora algo possível de ambicionar. Mas antes que tal possa acontecer, a equipa terá de mostrar a sua capacidade para defrontar outro tipo de pelotão, sendo que já ficou bem claro que a aposta nas corridas nacionais, principalmente na Volta a Portugal, continuará a estar no topo das prioridades. A hegemonia por cá, é para manter.

Desde 2008 que Portugal não tinha uma equipa no segundo escalão, então com o Benfica a estar a este nível, no seu então curto regresso ao ciclismo. Há dois anos que Nuno Ribeiro queria ver a W52-FC Porto dar o passo seguinte, depois de se afirmar como não só a melhor equipa no país, mas como aquela que domina quase a seu gosto, com destaque para a Volta, na qual soma seis vitórias consecutivas (nem sempre com o mesmo nome).

Foi feito um trabalho de reforço da estrutura, tanto a nível logístico, como na garantia que chegaria a este ponto com ciclistas capazes de disputar as corridas que lhes esperam, com Raúl Alarcón a ser o líder, depois de duas Voltas conquistadas em 2017 e 2018. Corredores como António Carvalho, Rui Vinhas (vencedor da Volta em 2016), Ricardo Mestre (ganhou em 2011 pelo Tavira) e Samuel Caldeira tornaram-se na espinha dorsal da equipa, sem esquecer que houve outro ciclista a vencer duas Voltas com a equipa, o veterano Gustavo Veloso. A caminho dos 39 anos, continua a ser o capitão na equipa. José Ferreira, Angel Sanchez Rebollido e César Fonte também prosseguem.

Depois há um jovem como João Rodrigues, que já é uma certeza, a quem se vai juntar Francisco Campos e Jorge Magalhães, dois sub-23 de talento, que se afirmaram no Miranda-Mortágua. Perante as maiores exigências, não só do nível das corridas, mas do número de provas que irão realizar, o plantel teve de ser reforçado e há que salientar que as contratações são, até ao momento, todas portuguesas.

Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) e Daniel Mestre (Efapel) trazem experiência e muita qualidade, enquanto da Caja Rural regressam "a casa" Rafael Reis e Joaquim Silva. São dois ciclistas que o director desportivo bem conhece e sabe como tirar partido do melhor de ambos. Ter uma equipa portuguesa no segundo escalão, com tantos ciclistas do país a formarem a estrutura, ajuda a valorizar ainda mais a modalidade em Portugal e é de elogiar.

Perante a hegemonia da W52-FC Porto, este parecia ser o passo seguinte mais do que lógico. Foi preciso aumentar o orçamento e para tal, era essencial ter os patrocinadores de acordo com o investimento que seria feito. Em Espanha, a equipa já tinha dado bem conta de si, como por exemplo no ano passado, com Alarcón a vencer a Volta às Astúrias e a ser segundo na Volta à Comunidade de Madrid. Amaro Antunes também esteve a bom nível, mas o algarvio seguiu entretanto outro caminho, que o levará ao World Tour em 2019. Espera-se que tenha sido um aperitivo para o que aí vem.

Chegou o momento de ver esta poderosa W52-FC Porto mostrar-se mais no estrangeiro, ficando-se agora à espera de conhecer o calendário. E claro, quanto melhor forem as exibições, mais aumenta a probabilidade de convites para corridas cada vez mais importantes. Está lançado o repto a um grupo de ciclistas experiente, com jovens com total capacidade para rapidamente se tornarem também eles em elementos muito importantes. .

A espera terminou e a W52-FC Porto é Profissional Continental. Que esta possa ser uma aposta com continuidade e não efémera e que mais lhe possam seguir o exemplo, com a Efapel a ponderar fazê-lo em 2020. Esta subida é também uma demonstração do crescimento do ciclismo nacional, depois de anos negros de uma intensa crise, que tanto prejudicou a modalidade.

As outras novidades: super estrela do ciclocrosse vê equipa também subir de escalão

Além da W52-FC Porto, vão estrear-se como Profissionais Continentais a dinamarquesa Riwal Readynez e a belga Corendon-Circus, que conta com a super estrela do ciclocrosse, Mathieu van der Poel, o grande rival de Wout van Aert. O holandês, de 23 anos, já fala em fazer as clássicas do pavé, sonhando em marcar presença no Paris-Roubaix. Van der Poel tem contrato até 2023!

No World Tour não há novidades. A BMC sai, mas a CCC tomou conta da estrutura e contará com Amaro Antunes. De salientar apenas as mudanças de nome da Quick-Step Floors, que passará a ser a Deceunink-QuickStep, enquanto a Lotto-Jumbo ia ser apenas Jumbo, mas foi hoje anunciada a chegada de mais um patrocinador e será então a Jumbo-Visma.

Aqui fica a lista completa das licenças.

World Tour (18 equipas)

  • AG2R La Mondiale (Fra)
  • Astana (Caz)
  • Bahrain-Merida (Bar)
  • Bora-Hansgrohe (Ale)
  • CCC Team  - de Amaro Antunes (Pol)
  • Deceuninck-Quick-Step (Bel)
  • Dimension Data (AFS)
  • EF Education First-Drapac p/b Cannondale (EUA)
  • Groupama-FDJ (Fra)
  • Jumbo-Visma (Hol)
  • Katusha-Alpecin - de José Gonçalves e Ruben Guerreiro (Sui)
  • Lotto Soudal (Bel)
  • Mitchelton-Scott (Aus)
  • Movistar - de Nelson Oliveira (Esp)
  • Sky (GB)
  • Sunweb (Ale)
  • Trek-Segafredo (EUA)
  • UAE Team Emirates - de Rui Costa, Ivo e Rui Oliveira (EAU)


Profissional Continental (25)

  • Androni Giocattoli-Sidermec (Ita)
  • Arkea-Samsic (Fra)
  • Bardiani CSF (Ita)
  • Burgos BH - de Ricardo Vilela, José Neves e Nuno Bico (Esp)
  • Caja Rural-Seguros RGA - de Domingos Gonçalves (Esp)
  • Cofidis, Solutions Credits (Fra)
  • Corendon-Circus (Bel)
  • Delko Marseille Provence (Fra)
  • Direct Energie (Fra)
  • Euskadi Basque Country-Murias (Esp)
  • Gazprom-Rusvelo (Rus)
  • Hagens Berman Axeon - de João Almeida e André Carvalho (EUA)
  • Israel Cycling Academy (Isr)
  • Manzana Postobón (Col)
  • Nippo-Vini Fantini-Faizanè (Ita)
  • Novo Nordisk (EUA)
  • Rally UHC Cycling (EUA)
  • Riwal Readynez (Din)
  • Roompot-Charles (Hol)
  • Sport Vlaanderen-Baloise (Bel)
  • Tharcor (Wilier Triestina-Selle Italia em 2018) (Ita)
  • Vital Concept-B&B Hotels (Fra)
  • W52-FC Porto (Por)
  • Wallonie-Brussels (Bel)
  • Wanty-Gobert (Bel)

8 de agosto de 2018

Etapa exigente mas que não passou de uma marcação cerrada entre candidatos

Rui Vinhas foi um dos destaques do dia. Apesar dos ferimentos,
continua em prova e a liderar o pelotão (Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Ao ver os ciclistas fazerem uma marcação que mais parecia uma prova de pista, fica-se a pensar se estão com mais receio de perder tempo do que tentar arriscar e ganhar. Foi um momento estranho de uma etapa exigente, mas que acabou por não trazer qualquer novidades na geral. Aproveitou Domingos Gonçalves que anda desde o início da Volta a Portugal à procura de ganhar vestido com a camisola de campeão nacional, ele que tem as duas: de fundo e de contra-relógio.

Joni Brandão, sempre ele, tentou. Raúl Alarcón também esboçou um ataque para ganhar mais tempo. E entre esta luta Sporting-Tavira/W52-FC Porto, Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano-Uli) e Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) estão a quase dois minutos da liderança, pelo que a batalha por um lugar no pódio poderá muito bem começar a pesar nas decisões tácticas. Edgar Pinto tem tido um fiel escudeiro, ainda jovem e que está a aproveitar para dar à equipa uma liderança, pois veste a camisola branca. Xuban Errazkin tentou escapar, João Benta (Rádio Popular-Boavista) perseguiu, mas foi Domingos Gonçalves quem deu um pouco de espectáculo, oferecendo uma etapa que a equipa axadrezada muito procurava.

Acabou por desiludir um pouco a falta de movimentações no ataque à W52-FC Porto, que andou a tentar controlar o andamento, sempre rápido, enquanto a Efapel ajudava na procura por uma etapa. Mas a equipa de Américo Silva está a enfrentar mais uma Volta frustrante. Daniel Mestre não conseguiu entrar na luta pela tirada e Henrique Casimiro sofreu de cãibras. Sofreu ainda mais para não perder tempo, quando já tem mais de três minutos de atraso e tenta agarrar-se a um top dez.

É Joni Brandão que demonstra a maior inconformidade. São 52 segundos. Ninguém se quer atrever a dizer apenas 52 segundos, mas a verdade é que a distância está a deixar Raúl Alarcón em sentido. O próprio admitiu que nada está decidido. É de esperar que os dois não se deixem de marcar até ao fim, com a etapa da Senhora da Graça, no sábado, a começar a ter contornos que será mesmo onde tudo se revolverá, antes do contra-relógio de Fafe.


(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Domingos Gonçalves merece o destaque máximo numa etapa bem trabalhada pela equipa de José Santos. Ganhou num estilo tão próprio, com aqueles ataques no momento certo que este gémeo tão bem sabe fazer quando está em forma. E este ano está numa bela forma: já são quatro vitórias. No entanto, terá de o partilhar os holofotes com Rui Vinhas. Com as ligaduras presentes nos braços e pernas, com pontos no sobrolho, ferimentos nas mãos... este ciclista chegou a liderar o pelotão na perseguição a uma fuga de 11 elementos, que incluiu o antigo camisola amarela, Rafael Reis (Caja Rural).

Este esforço, esta atitude de Rui Vinhas está a ser sublinhada pelos adversários. São muitos os que o cumprimentam e elogiam e até José Santos, no seu discurso de vitória, elogiou o ciclista que em 2016 conquistou os adeptos ao vencer a Volta e agora está a dar novamente um enorme exemplo de profissionalismo.

Se os 164,5 quilómetros entre Sernancelhe e Boticas não tiveram influência na geral, apesar das quatro subidas categorizadas, a última de primeira, também não se espera muito dos 165,5 entre Montalegre e Viana do Castelo. Aquela rampa no Monte de Santa Luzia pode proporcionar algum ataque, mas também será dia para uma vitória de etapa ao estilo do que muito se tem visto nesta Volta, com um ataque nos quilómetros finais. 



»»O que ainda podemos esperar da Volta (ou pelo menos desejar)««

»»É assim mesmo Joni!««

3 de agosto de 2017

"Vou tentar estar no meu melhor para mostrar que a vitória não foi por acaso"

A 7 de Agosto, Rui Vinhas fazia os últimos quilómetros rumo a uma vitória
inesperada, conquistada com muita garra
Há um ano o nome Rui Vinhas aparecia em segundo plano. Na W52-FC Porto era de Gustavo Veloso que se falava, o homem que tinha tudo para conquistar a terceira vitória consecutiva na Volta a Portugal. Vinhas tinha a responsabilidade de ajudar o espanhol a alcançar um objectivo que parecia ser difícil não conseguir. Mesmo durante a Volta e já com Vinhas de amarelo, era Veloso que ia demonstrando toda a sua superioridade. Porém, Vinhas aguentou-se entre os melhores, aguentou as constantes dúvidas se teria capacidade para manter a amarela até final, no contra-relógio de Lisboa. Quando percebeu que tinha uma oportunidade única agarrou-a. Um ano depois, Rui Vinhas é o nome que encabeça a lista de ciclistas que vão estar na Volta a Portugal. É procurado para as entrevistas, para as fotografias com os adeptos, tornou-se num ciclista conhecido e, mais importante, reconhecido pelo feito que alcançou.

Apesar de muito se ter falado de Veloso, Vinhas disse que sente que o seu triunfo é valorizado. Preparar esta Volta foi diferente a nível emocional, mas o ciclista da W52-FC Porte garante estar preparado para enfrentar a pressão. "Tenho de a colocar de lado, mas pensa-se sempre no feito alcançado e que dificilmente vai acontecer novamente. Tenho essa noção", salientou ao Volta ao Ciclismo. Além da pressão desportiva, haverá a pressão mediática. "As pessoas vão estar muito à espera do meu resultado. Os jornalistas, no início da Volta, vão estar de olho em mim. Não vou passar tão discretamente como em anos anteriores, tenho consciência disso e tenho de estar à altura do momento", salientou.

Será uma Volta a Portugal diferente. Terá o dorsal número um e Rui Vinhas quer aproveitar todos os segundos. Apesar da vitória em 2016, será novamente um dos gregários de Gustavo Veloso. Porém, a confiança é outra agora que tem aquele troféu da Volta exposto na sua sala, ao lado do Dragão de Ouro e da medalha de vice-campeão nacional. Mesmo tendo de trabalhar para o seu líder, Vinhas não esconde que se tiver autorização para ingressar numa fuga, tentará repetir a conquista. Ganhar uma etapa também seria excelente: "Vou tentar estar no meu melhor para mostrar que a vitória não foi por acaso, que lutei bastante e que consegui estar ao nível dos melhores."


"Temos um líder que é o Gustavo e vamos fazer tudo para ele ganhar. Se surgir algo como no ano passado, então defenderemos, seja ele quem for"

Destes 12 meses, a confiança é algo que Rui Vinhas destaca. Ou seja: "Agora vou para as competições com outra confiança, acredito mais em mim e os resultados começaram a surgir." Essa confiança vem também da parte de Nuno Ribeiro. "Acho que dei garantias ao director [desportivo]. Tenho sido um ciclista que tem estado a disputar corridas e ele tem confiança em mim. Eu esforço-me ao máximo para o não deixar mal", frisou.

Tudo por Veloso

Poderá ter o dorsal um, mas a W52-FC Porto estará unida em redor de Gustavo Veloso, palavra de Rui Vinhas. Apesar de ser uma equipa com outros ciclistas de elevado potencial, o ciclista de 30 anos salientou a importância de respeitar os líderes, recordando que em 2016, Veloso respeitou-o quando vestiu a camisola amarela na terceira etapa, em Macedo de Cavaleiros: "Se calhar, se fosse outro, teria atacado e ele nunca o fez."

"Temos um líder que é o Gustavo e vamos fazer tudo para ele ganhar. Se surgir algo como no ano passado, então defenderemos, seja ele quem for", disse Vinhas, considerando que a equipa terá vários ciclistas para fazer o que fez na edição passada. "O que nós queremos é que a vitória fique na equipa", realçou.

Amaro Antunes, Ricardo Mestre (vencedor da Volta em 2011), Raúl Alárcon, António Carvalho, são ciclistas de qualidade, mas Rui Vinhas acredita que todos trabalharão em prol de Veloso e assim mostrar como são um conjunto sólido. "Muita gente de fora quer desestabilizar-nos, mas nós não podemos cair nisso. A união do grupo tem feito a diferença", afirmou.


"É lamentável um ciclista da categoria do Joni Brandão ficar de fora. Iria ser dos que nos daria muito trabalho"

Os rivais

Recordar todas as experiências que viveu no último ano, após ter vencido a Volta a Portugal, terá de dar lugar à concentração total para enfrentar fortes rivais. "As equipas estão muito mais equilibradas", começou por dizer. Individualmente, Vinhas destacou: "Penso que o Edgar Pinto vai estar em bom plano, o Sérgio Paulinho e o Henrique Casimiro, o João Benta... O Rui Sousa não sei como estará. Há ainda o Nocentini e o Alejandro Marque. O Vicente [García de Mateos] é um candidato assumido. Anda muito bem na montanha e nos contra-relógios. Tenho ficado bastante surpreendido com ele."

No meio de tantos rivais, faltará um. "É lamentável um ciclista da categoria do Joni Brandão ficar de fora. Iria ser dos que nos daria muito trabalho, mas o Marque também é perigoso e defende-se muito bem no contra-relógio."

Quanto ao percurso, Rui Vinhas considera que será mais difícil do que o de 2016. Apesar de não haver chegada à Torre - tal como no ano passado, mas a diferença é que só haverá uma passagem em vez de duas - o ciclista da W52-FC Porto realçou as complicadas chegadas a Santa Lúzia, Santo Tirso, assim como a etapa de Figueira de Castelo Rodrigo, que com o calor poderá tornar as coisas ainda mais difíceis. A subida à Senhora da Graça será este ano a dia de semana e Vinhas acredita que tal poderá significar menos público, mas a dificuldade para os ciclistas continua a mesma.

Percurso complicado, mas que tem tiradas que podem beneficiar o seu líder: "O prólogo tem excelentes condições para ele e as etapas de média montanha favorecem-no bastante." Veloso tem tido um ano discreto, concentrado no objectivo da Volta a Portugal "Ele diz que está muito bem e eu acredito que sim. É um ciclista experiente e quando aponta a um objectivo, raramente falha. Vai ser um dos homens mais fortes da Volta", assegurou.


E tudo começa esta sexta-feira com o prólogo de 5,4 quilómetros em Lisboa (o primeiro ciclista parte às 15:06 - Kevin Lebreton - e o último, Rui Vinhas, às 17:25).




»»Um líder e outros cinco potenciais candidatos. Esta W52-FC Porto é um luxo, mas pode ter um inimigo««

»»Porque devemos entrar em modo Volta a Portugal««

30 de julho de 2017

Porque devemos entrar em modo Volta a Portugal

Rui Vinhas, o vencedor surpresa de 2016, estará na Volta para tentar repetir
o feito. E porque não? Tomou-lhe o gosto e confiança agora não lhe falta
(Fotografia: Podium/Volta a Portugal)
Volta a Itália, Volta a França, antes passámos pela fase das clássicas. Com o passar dos meses vamos entrando em diferentes "modos" para ver e viver as emoções das grandes corridas de ciclismo. Sexta-feira arranca a Volta a Portugal e é certo que talvez não tenha o carisma de outrora, algumas tradições vão-se perdendo, falta alguma competitividade das equipas estrangeiras, mas não sejamos fatalistas. A nossa Volta não é assim tão fraca. Temos adaptar o tal "modo" à realidade nacional e se o fizermos vamos conseguir apreciar uma corrida que este ano augura alguma qualidade superior, comparativamente com edições anteriores.

Comecemos pelo pelotão nacional. O regresso de Sérgio Paulinho (Efapel), Edgar Pinto (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack) e Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) oferecem desde logo outro nível a um grupo que continuou - e ainda bem - a contar com Amaro Antunes e Gustavo Veloso (W52-FC Porto), Joni Brandão e Alejandro Marque (Sporting-Tavira), Vicente García de Mateos (Louletano-Hospital de Loulé), Rui Sousa e João Benta (Rádio Popular-Boavistar) e César Fonte (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack). E a lista até pode ser maior. Que não restem dúvidas que qualquer um destes ciclistas tem muita capacidade para tornar esta Volta a Portugal interessante e com indefinição até final, mesmo tendo em conta que a nível de equipa a W52-FC Porto continue a ser a mais homogénea.

Infelizmente Joni Brandão não estará presente devido a problemas físicos. É uma pena visto que seria um forte candidato a lutar pela vitória, ainda que 2017 tenha sido muito abaixo do que é normal a nível de rendimento.

Mesmo com uma expectável supremacia da W52-FC Porto, Veloso não terá vida fácil. Já não é aquele vencedor anunciado, que só não ganhou em 2016 porque foi um colega de equipa que surpreendeu tudo e todos. Com dois contra-relógios, o espanhol tem alguma vantagem, mas na montanha poderá ter uma séria concorrência a começar por outro companheiro. Amaro Antunes não poderá ser apenas um gregário de luxo. Este é um ciclista que tem tudo para estar bem e alcançar um bom resultado. O algarvio sabe o que é ser top dez. Certamente que quererá algo mais. Sérgio Paulinho é uma incógnita. Será que a passagem de gregário para líder foi bem conseguida? Só na Volta saberemos. Edgar Pinto é um excelente trepador e os homens da Rádio Popular-Boavista... cuidado com eles. Vão estar ao ataque! Mateos está feito num trepador de luxo. Atenção a este espanhol.

Para bater a W52-FC Porto será preciso arriscar. Dar o controlo da corrida à equipa do Sobrado é deixar o director desportivo, Nuno Ribeiro, escolher com quem quer mexer, pois além dos dois ciclistas já referidos, Raul Alarcón e Rui Vinhas são outros que podem lançar a confusão nos adversários. Sim, não vamos estar só a pensar quem irá suceder a Rui Vinhas. Seja dado o mérito merecido pela vitória que alcançou há um ano e o próprio sempre admitiu saber qual o seu lugar na estrutura. Porém, não o metam de lado. Uma fuga e ainda repete a graça... Agora acredita mais do que nunca no que poderá fazer. Difícil, mas já se viu coisas mais incríveis no ciclismo.

Vamos então ao percurso. Senhora da Graça a dia de semana é uma desilusão para quem tanto gosta da tradicional subida ser acompanhada por uma peregrinação de ciclistas a mostrarem que também são capazes de conquistar a difícil ascensão. E claro, as pessoas na berma, os comes e bebes... a festa do ciclismo no seu expoente máximo numa tradição que pode não ser bem a mesma, mas continua viva. Será talvez um pouco diferente diferente, pois nas redes sociais foi possível perceber como nem todos estão de férias de Agosto e este ano não vão estar na Senhora da Graça.

Parece estar um pouco na moda não haver muitas chegadas em alto, pelo que esta subida poderá ser ainda mais importante, apesar de estar logo na quarta etapa. E atenção à sétima. Tem tudo para ser muito interessante. Aquela rampa em Santo Tirso pode fazer estragos. Falta a Torre. Tal como no ano passado apenas se passará por lá e desta feita só uma vez. Sabe a pouco. Muito pouco. É certo que depois ainda haverá três terceiras categorias para ultrapassar para tentar aumentar a emoção. Mas mais uma vez fica a sensação que falta algo nesta Volta sem uma chegada à Torre.

Olhando para as características dos ciclista candidatos, o percurso tem tudo para proporcionar bons momentos de ciclismo. Esperemos que não se entre naquele estudo mútuo e só no fim alguém mexe. Há muito ciclista que tem capacidade para mexer cedo e bem na corrida. E claro, é bom ver que há portugueses com capacidade para ganhar Volta a Portugal. Gosta-se de ciclismo seja quem for que vença, mas dá sempre um gozo especial ver um homem "da casa" ganhar.

Dispensava-se dois contra-relógios. Com tão poucos dias de corrida é um pouco de mais. O do último dia sempre tem, de facto, o potencial para animar a Volta até final. Precisamos mesmo de um prólogo? São gostos, suponho...

Não temos o Chris Froome, o Tom Dumoulin ou o Alberto Contador, mas fiquemos orgulhosos de ter um pelotão como há muito não se via por cá. O ciclismo português dá mostras de estar novamente a regressar a uma boa fase. Veremos se o crescimento continua. Esperemos que sim. Para isso é também preciso que haja receptividade de quem vê. A RTP irá transmitir como sempre a Volta a Portugal, mas porque não ir para a estrada apoiar os ciclistas. Porque não levar os filhos, os netos, os amigos e viver uma experiência diferente que não se esquece. Na Volta ao Algarve temos as estrelas mundiais (e tão bom que é), mas na nossa Grandíssima temos as nossas estrelas. O espectáculo é diferente, mas é de acreditar que quando se festeja 90 anos de Volta, haverá muito para recordar. Vamos lá entrar em modo Volta a Portugal.

O último teste

O pelotão nacional esteve este domingo na estrada no último teste antes da Volta a Portugal. Em Albergaria assistiu-se a uma corrida muito atacada, com a Efapel a deixar a mensagem que a recente subida de forma era mesmo para garantir que chegasse ao ponto alto da época no seu melhor. Jesús del Pino venceu, seguido por César Fonte e Hugo Nunes, em mais um excelente resultado para o Miranda-Mortágua. Por equipas venceu a W52-FC Porto.

Aqueceram-se os motores, agora é ir até Lisboa. Que comece a Volta a Portugal!

Pode ver as lista de inscritos provisória e as etapas neste link.

»»Volta a Portugal tradicional... mas com algumas tradições alteradas««

22 de abril de 2017

Volta a Portugal: uma etapa traiçoeira logo ao terceiro dia

(Fotografia: Volta a Portugal)
Os pormenores da 79ª Volta a Portugal vão sendo revelados e à terceira etapa é bom que os candidatos tenham muita atenção. Os cerca de 170 quilómetros entre Figueira de Castelo Rodrigo, na Guarda, e Bragança serão muito "acidentados", o que poderá permitir fazer algumas diferenças. Joni Brandão, que este ano vai atacar a corrida com as cores do Sporting-Tavira, deixou o aviso: “Esta pode ser uma daquelas etapas que traiçoeira, porque é um sobe e desce constante e depois temos a chegada a Bragança que não é propriamente fácil."

Figueira de Castelo Rodrigo regressa ao percurso da Volta após uns anos de ausência e o vencedor do ano passado, Rui Vinhas, destacou como o calor pode ter o seu papel: “Nesta zona faz sempre muito calor e isso pode fazer diferença. Espero que seja um bom espectáculo, nós vamos tentar contribuir para isso!” O ciclista da W52-FC Porto e Joni Brandão estiveram, na sexta-feira, na iniciativa Academia da Volta (na fotografia), dando algumas dicas a 90 crianças sobre como melhor andar de bicicleta.

Mas quanto à corrida, Joaquim Gomes, director da Volta, falou do mesmo pormenor de Rui Vinhas e explicou como será a terceira etapa: “O calor e a travessia da Serra de Bornes serão os principais obstáculos desta etapa. As primeiras dificuldades registar-se-ão logo no primeiro terço do percurso com a passagem em Vila Nova de Foz Côa e Torre de Moncorvo, onde estarão instalados dois prémios de montanha de terceira categoria. Com as três metas volantes, bonificáveis, instaladas na segunda metade da etapa - Santa Comba de Vilariça, Macedo de Cavaleiros e na primeira passagem em Bragança - será já em estradas brigantinas, com o Castelo Medieval como pano de fundo, que a derradeira selecção se fará. Provavelmente será um pelotão muito fraccionado que vai chegar ao final de etapa na Avenida D. Sancho I.”


Agora um pouco de história, esta será a nona vez que Figueira de Castelo Rodrigo recebe a partida ou chegada de uma etapa (será a sexta partida), enquanto Bragança recebe a decisão final pela 17ª vez, tendo sido uma das cidades integradas na primeira Volta a Portugal, em 1927. A última vez foi em 2015.

»»As conversas dos "entendidos" até à superação final de Rui Vinhas««

»»Só mais um pouco de Volta a Portugal para terminar««

10 de abril de 2017

A internacionalização da W52-FC Porto rumo ao próximo nível

Pódio para Rui Vinhas, no primeiro grande resultado de 2017 para o vencedor
da última Volta a Portugal (Fotografia: W52-FC Porto)
O objectivo é ambicioso, mas se há equipa portuguesa que neste momento apresenta ter todo o potencial para chegar ao escalão Profissional Continental é a W52-FC Porto. Nuno Ribeiro assumiu o plano no ano passado, mas alertou de imediato que a subida de categoria não aconteceria em 2017. Talvez em 2018. Para o director desportivo é essencial ter a certeza que a base está consolidada antes de dar um passo importante e que o responsável não quer que seja apenas por um ou dois anos. A equipa do Sobrado está a passar com distinção no que se pode dizer que seja um teste final antes de tomar a decisão de subir de escalão. Neste início de temporada a W52-FC Porto tem apostado forte em provas categorizadas na UCI em Espanha, além de Portugal, tendo inclusivamente aparecido na Prova de Abertura Região de Aveiro com uma formação reduzida de ciclistas, pois levou os principais à Volta à Comunidade Valenciana.

A realidade do ciclismo nacional torna impossível estar em mais do que uma frente em simultâneo, não havendo orçamento para ter tantos corredores. A escolha da W52-FC Porto é clara e os resultados estão à vista. Amaro Antunes alcançou um brilhante terceiro lugar na etapa rainha da Volta à Comunidade Valenciana, ganha por Nairo Quintana, venceu a etapa do Malhão na Volta ao Algarve e conquistou a clássica da Arrábida. Este domingo foi a vez de Rui Vinhas conquistar o seu primeiro grande resultado do ano. O vencedor surpresa da última Volta a Portugal aproveitou a oportunidade e entrou numa fuga na Clássica Primavera de Amorebieta. Parece familiar? O ciclista português sempre disse após a sua fantástica vitória que apesar de saber que o seu principal papel seria de gregário, quando surge uma possibilidade de tentar um resultado pessoal, tentaria agarrá-la. Foi novamente premiado pela audácia e ficou em terceiro, atrás de Gorka Izagirre (Movistar) e Wilmar Paredes (Manzana Postobón).

De pódio em pódio, a W52-FC Porto, equipa do terceiro escalão - Continental - já soma melhores resultados do que algumas equipas Profissionais Continentais. A base desportiva está claramente consolidada. A financeira também dá indicações de ser forte, ainda que uma subida de categoria implicará um maior orçamento do que o actual. A equipa passará a ter um calendário mais internacional e que deverá ir mais além de Espanha.

A aposta internacional não significa que não se veja uma W52-FC Porto completamente focada na Volta a Portugal. Nuno Ribeiro conseguiu manter praticamente todos os ciclistas que fazem parte do núcleo duro da equipa. Saiu Rafael Reis e a formação perdeu um jovem com grande potencial e um excelente contra-relogista, mas foi buscar Amaro Antunes que deu outra dimensão na luta nas montanhas e permitiu a mudança de planos na temporada. O ciclista algarvio continua à procura de dar o salto para uma equipa estrangeira de qualidade, pelo que ter a possibilidade de competir em provas internacionais como líder, foi como um casamento perfeito. Dentro de portas é Gustavo Veloso que continua a ser o líder indiscutível - também já venceu este ano, na Clássica da Primavera - e mesmo com a presença de Amaro, não será surpresa nenhuma que galego seja o número um da equipa na Volta a Portugal.

No ciclismo nacional é muito difícil uma equipa não pensar apenas ano a ano. A nível de contratos é assim mesmo que funciona, mas esta estrutura agora com o nome W52-FC Porto tem oferecido garantias de futuro, como comprova a permanência de alguns dos ciclistas que se mantêm fiéis ao projecto há algum tempo.

A nível individual, o ciclismo português vive uma fase excelente. Oito corredores estão no World Tour este ano, Portugal tem um campeão do mundo e Rui Costa voltou às vitórias e contabiliza três etapas no Tour, Nelson Oliveira conquistou há dois anos uma etapa na Vuelta, tivemos um Sérgio Paulinho -agora na Efapel - que durante várias temporadas foi um gregário de luxo, mas tem uma medalha olímpica, uma etapa no Tour e outra na Vuelta no currículo. Ruben Guerreiro é considerado pelos media internacionais um dos jovens a seguir com atenção na Trek-Segafredo e Nuno Bico é outro sub-23 de grande potencial, com a Movistar a apostar no ciclista na Volta a Flandres e Paris-Roubaix para lhe dar experiência.

E quando se olha para os jovens portugueses, os gémeos Oliveira geram grande curiosidade e Rafael Reis também é visto com enorme potencial para chegar ao mais alto nível. Agora falta algo colectivo. Falta uma equipa num escalão superior. E se nesta altura a curto/médio prazo é uma utopia pensar numa formação portuguesa no World Tour, ter uma forte W52-FC Porto no escalão Profissional Continental será mais um passo muito relevante do ciclismo nacional, abrindo outras portas, conquistando outro mediatismo que vai cada vez mais merecendo.

A modalidade passou por alguns anos no vazio, numa situação que infelizmente não foi inédita. Não foi fácil recuperar financeiramente e até na credibilidade. Mas depois de anos de luta, 2017 está a ser de mudança. O pelotão está mais equilibrado (e por cima, pois houve uma aproximação à W52-FC Porto e não uma perda de qualidade da mesma), há mais espectáculo, há mais corridas e há mais ambição de fazer crescer a modalidade em Portugal.

A Volta ao Algarve já pertence à segunda categoria da UCI. As clássicas da Arrábida e das Aldeias do Xisto têm percursos fantásticos que podem começar a atrair equipas de elevado relevo no futuro, pois não ficam a dever nada a outras grandes provas internacionais. Na Volta a Portugal também se procura que nos próximos oito anos, a partir de 2018, possa conquistar outra relevância lá fora.

Há muito a melhorar no ciclismo português. Muito mesmo. Mas aos poucos os passos estão a ser dados e agora só se pode esperar que 2018 possa realmente ser o ano de ascensão de uma equipa nacional.

Aqui fica a classificação da Clássica Primavera de Amorebieta, que contou também com a presença do Sporting-Tavira. Rinaldo Nocentini voltou a ser o melhor da equipa algarvia (17º).



25 de janeiro de 2017

Tom Boonen é o primeiro a ganhar uma corrida numa bicicleta com travões de disco. O que pensam os ciclistas portugueses deste sistema?

Tom Boonen diz ser fã dos travões de disco (Fotografia: Instagram do ciclista belga)
A poucos meses de se retirar da competição, Tom Boonen fez um pouco mais de história. Ao vencer a segunda etapa da Volta a San Juan, na Argentina, o belga tornou-se no primeiro ciclista a conquistar uma vitória utilizando uma bicicleta com travões de disco. Depois de no ano passado a fase de testes ter sido cancelada pela UCI após o incidente com Francisco Ventoso no Paris-Roubaix, os travões de disco voltaram a ser permitidos e Boonen optou por terminar a sua carreira a utilizar o sistema que considera ser "um grande melhoramento". "Não só dá mais segurança, como permite um melhor controlo da bicicleta ao travar para as curvas", escreveu o belga na sua conta de Instagram.

A utilização dos travões de disco no ciclismo de estrada tem sido alvo de muita discórdia no pelotão internacional. Muitos são contras, mas também há aqueles que defendem que é um sistema bem-vindo. Em causa tem estado principalmente as questões de segurança. Numa queda colectiva, por exemplo, os travões de discos podem provocar cortes e como aquecem com a utilização também aumentam o perigo de ferimentos. Após o Paris-Roubaix, Ventoso classificou os travões de disco como facas, depois de dizer que foi cortado por um numa queda que lhe deixou a perna num estado impressionante.

A UCI suspendeu a experiência, mas este ano os travões voltaram a ser permitidos depois de, alegadamente, ter sido melhorada a sua protecção. Ninguém dúvida que a travagem é melhor, mas questiona-se se é realmente necessário. Pesando na balança as vantagens e as desvantagens, com a segurança a ser o principal elemento desequilibrador, para já tem pendido para a não utilização de grande parte dos ciclistas. E depois ainda há uma dúvida constantemente levantada: o objectivo é mesmo melhorar as condições dos ciclistas ou é uma questão de marketing por parte das marcas?

Outro problema que entretanto foi levantado por quem faz o apoio neutro nas corridas, é o facto de os travões de disco poderem ter tamanhos diferentes e as rodas serem presas também de formas distintas de equipa para equipa, ou seja, de marca para marca. Ou seja, o apoio neutro arrisca-se a não ter o material indicado para ajudar determinado ciclista. Para tal, será necessário que todos utilizem sistemas idênticos.

Em Portugal ainda não se fala na integração dos travões de disco, pois tem sido uma discussão, para já, mais a nível do World Tour. O Volta ao Ciclismo foi saber o que pensam alguns ciclistas portugueses deste sistema de travagem.

Edgar Pinto (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack): "Sinceramente já discuti isso com alguns atletas, mas ainda não tive a oportunidade de experimentar. Tudo o que seja para melhorar a modalidade, ok, mas dentro da segurança. O problema é quando há quedas. Os discos se não estiverem devidamente protegidos podem ferir gravemente um atleta, uma pessoa do público... Não estou contra os discos, desde que estejam devidamente protegidos para que não se verifiquem acidentes."

Filipe Cardoso (Rádio Popular-Boavista): "Acho que pode ser visto de muitos pontos de vista. Se gosto de travões de disco? Gosto. Acho que são agradável, acho que funcionam, são engraçados. Se vou ser mais rápido em corrida por causa do travão de disco? Não, não vou ser mais rápido, não vou ganhar tempo nenhum. E agora tinha de entrar em mil aspectos técnicos para explicar porquê! Há mais poder de travagem, mas o contacto do pneu com o alcatrão - a largura do pneu tem no máximo 25 mm, é pouco, é um pneu estreito - dar muito poder de travagem, mas a superfície ser a mesma, ela vai derrapar, porque o chamado grip do pneu não suporta uma travagem muito potente. E o travão, no nosso caso para competir, ninguém quer chegar a uma curva e travar a fundo. Quando se trava a fundo numa corrida é para cair, é porque houve uma queda e se trava a fundo para cair o mais devagar possível. Não é travar muito, é fazê-las travar pouco, fazê-las rápido. 

Talvez seja ligeiramente mais confortável no toque. Na travagem em si é mais potente, é mais confortável à mão, mas o pneu não aguenta uma travagem muito forte. Para lhe dar um exemplo: pega nuns travões de um Ferrari e coloca-os num carro citadino. O Ferrari tem uma largura de pneu muito maior do que um citadino. Se puser o travão potente numa roda de um carro citadino, vai travar e ele simplesmente vai derrapar. A superfície que toca no alcatrão é muito estreita, não faz sentido. A mesma lógica aplica-se nas bicicletas.

Em dias de chuva trava muito melhor, a água não interfere tanto no poder de travagem no travão de disco. E depois tem o problema das quedas. Isso não tenho dúvidas nenhumas que é um risco acrescido para os ciclistas. Há um teste que é simples de fazer: pegar numa bicicleta que está parada, com travões de disco, fazer uma descida de 300/400 ou 500 metros, travar a fundo, fazer duas ou três travagens e no fim tocar com a mão no disco. Ele vai estar a ferver. Uma queda onde caiam 10 ou 20 ciclistas e discos a ferver a tocar uns nos outros, vai ser certamente... Isso já aconteceu, foi por isso que foram proibidos.

O que vai acontecer é a coisa natural das marcas estarem a pressionar muitíssimo toda a gente para que os travões de disco sejam norma e a partir desse momento, milhões e milhões de pessoas em todo o mundo vão ter de trocar as bicicletas e os assessórios e os componentes. E é isto que está a acontecer. Eu gosto dos travões de disco. Eu se neste momento comprasse uma bicicleta para mim, para ter em casa, comprava com travões de disco. Acho realmente engraçado. Para competir analiso os prós e os contras. A nível de travagem não me faz falta neste momento ter uns travões mais potentes. O travão tradicional com as pastilhas certas é um travão que trava muito bem. Pesando as coisas, tudo o que seja colocar mais um risco para o ciclista, na minha maneira de ver, não faz sentido."

Hélder Ferreira (Louletano-Hospital de Loulé): "Eu até agora não experimentei os travões de disco nas bicicletas de estrada. Acho que ainda está a haver uma polémica internacionalmente. Portugal anda sempre um passito atrás, por isso, até chegar cá vai demorar e depois posso opiniar sobre a questão. Quanto à segurança, das opiniões que tenho ouvido, há certos problemas. Mas só vendo."

Joni Brandão (Sporting-Tavira): "Eu acho que para os travões de discos serem homologados era necessário que competíssemos todos com travões de disco e não uns com travões de disco e outros com normais, porque acho que é uma desigualdade muito grande. Quem vai de travão de disco tem uma capacidade de travagem muito superior aos normais e na minha maneira de ver, esta é uma decisão que não está a ser bem tomada porque se todos fossem obrigados a correr de discos era uma coisa, agora uns com discos e outros sem discos... Acho que é uma desigualdade grande. E depois é a questão da segurança que não sei se foi rectificada, mas acho que sim. Falta saber como e só depois é que podemos dar uma opinião mais concreta em relação a isso."

José Mendes (Bora-Hansgrohe): "Eu nunca usei travões de disco em bicicletas de estrada. Há quem diga que a travagem é melhor, mas aquilo que me preocupa é a segurança e foi o que fez com que fosse suspensa a integração dos discos. Na minha opinião, penso que não se deveria usar discos. Sou contra. É óbvio que se deve evoluir, mas acho que é dos costumes que infelizmente há no nosso desporto e quando há um pelotão, com muitos ciclistas juntos, penso que aquele disco pode ser muito perigoso. 

Infelizmente não sei quem tem mais interesse que os travões de disco sejam integrados. Penso que não é da parte dos ciclistas. Eu ainda não vi nenhum ciclista a reivindicar a reintegração dos discos para a sua segurança. Por isso, falar em termos de segurança, não é correcto. Possivelmente as marcas têm interesse nessa integração. Estou um pouco apreensivo com a integração dos discos pelo problema da segurança. Penso que vai criar insegurança e medo. Com o tempo aquilo aquece. É mais um elemento que pode provocar sérias lesões. Já temos as pedaleiras, mas isso não podemos tirar. Mesmo uma bicicleta de estrada ter uma capacidade superior de travagem, à velocidade que nós atingimos, penso que até isso pode ser perigoso.

Nunca experimentei, por isso, não posso dizer se é melhor ou pior. Aquilo que me deixa apreensivo é mesmo essa parte da segurança."

Rui Vinhas (W52-FC Porto): "Em Portugal não podemos muito falar nisso. Eu pessoalmente nunca usei travões de disco. Se é uma mais valia? Penso que sim. Para incutir isso na alta competição tem de ter benefícios. Agora eu não sou a melhor pessoa para responder porque nunca trabalhei com travão de disco na estrada. Acho que tem um bom poder de travagem, uma boa segurança e penso que na bicicleta de estrada será um bocado parecido. É uma questão de experimentar para ver como seria. Há polémicas, mas isso é como em tudo. Nós tendo quedas com bicicletas normais ficamos sempre com mazelas, mas com uma bicicleta a cortar como foi o caso do Ventoso, um travão de disco que era novidade, as pessoas metem logo problemas nisso. Mas acho que é uma questão de experimentar e andar um ano ou dois para ver se realmente aquilo serve para a alta competição ou não."

Sérgio Paulinho (Efapel): "Eu tenho uma bicicleta de travão de disco e para ser sincero quando chove e com a estrada molhada, é muito melhor. A travagem é muito melhor, o tempo de reacção é muito melhor, a bicicleta trava muito melhor. Em seco não vejo diferença. Quase que digo que prefiro o travão tradicional que o travão de disco. Para mim, o grande problema que está aqui é o disco em si. Se houver um protecção do disco por causa das quedas, acho que o disco pode ser bem-vindo ao ciclismo.

Na minha opinião, se a decisão fosse minha, a decisão é não ao disco. Acho que não traz nada de novo ao ciclismo. Traz de novo às marcas porque é uma inovação, mais vendas. Que me desculpem as marcas, mas é assim mesmo. Inovação no ciclismo? Eu não a vejo. Não é por aí. Acaba por tornar a bicicleta mais pesada. Se houver uma protecção, vamos supor - e todos sabem que no Tour há sempre aquelas quedas enormes - que acontece alguma fatalidade por causa de um travão de disco... Elas às vezes já acontecem sem travão de disco, com um travão de disco há uma probabilidade maior. Acho que temos de ponderar todas as situações, por isso, na minha opinião, se fosse eu a decidir, não vale a pena."

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25 de outubro de 2016

"Receber o Dragão de Ouro foi um enorme orgulho porque vou ficar com o meu nome gravado na história de um grande clube"

(Fotografia: Facebook W52-FC Porto)
Foi o culminar de uma temporada inesperada para Rui Vinhas. Depois de surpreender ao vencer a Volta a Portugal, o ciclista recebeu esta segunda-feira o Dragão de Ouro de Atleta do Ano. "Foi um reconhecimento de todo o meu trabalho e da equipa", salientou Rui Vinhas ao Volta ao Ciclismo. Mas mais do que o reconhecimento, o ciclista confessa-se emocionado por ficar na história do FC Porto. "Receber o Dragão de Ouro foi um enorme orgulho porque vou ficar com o meu nome na história de um grande clube", admitiu.

O prémio tem ainda mais notoriedade tendo em conta que 2016 marcou o regresso do FC Porto ao ciclismo, com a equipa a ser considerada o Projecto do Ano na gala de ontem. Rui Vinhas recordou quando no início da época a equipa visitou o museu do clube: "Está lá a parte dedicada ao ciclismo. Longe de mim de pensar que ia lá ter o meu nome gravado!" Não esconde ser algo que mexe com ele emocionalmente e agora quer regressar ao museu para rever a exposição, já com a sua camisola de vencedor da Volta a Portugal. "Daqui a uns anos ir lá e rever todas essas coisas... será algo muito emocional."


"Visto que fui o vencedor da última edição da Volta a Portugal, na próxima tentarei uma boa classificação. É evidente que o líder é o Gustavo Veloso, mas tudo pode acontecer... Este ano foi a prova disso mesmo"

Se no início do ano lhe tivessem perguntado se poderia ter um 2016 assim, Rui Vinhas afirmou que teria logo descartado tal hipótese, pois a sua função seria trabalhar para Gustavo Veloso tentar vencer a terceira Volta a Portugal consecutiva. A única coisa que sabia era que ia ser pai, mas o ano acabou por ser marcante tanto a nível pessoal como profissional. "O ano decorreu de forma fantástica. Consegui este feito e estou bastante contente", disse, acrescentando que sempre foi ambicioso e que agora é cada vez mais, apesar de nunca ter imaginado em Janeiro ser possível alcançar o que conseguiu em Agosto, quando conquistou a Volta a Portugal.

A "acertar os últimos pormenores" para renovar contrato com a W52-FC Porto, Rui Vinhas realçou que é nesta equipa que quer ficar. "Tenho bastantes amigos e é um grupo no qual enquadro-me bem. Faz o meu estilo." Já começou a dar as primeiras pedaladas da pré-época e explicou que em 2017 quer conseguir "novas vitórias" e pensa na Volta a Portugal: "Sei que temos um líder, mas vou com ideia de fazer uma boa corrida. Visto que fui o vencedor da última edição da Volta a Portugal, na próxima tentarei uma boa classificação. É evidente que o líder é o Gustavo Veloso, mas tudo pode acontecer... Este ano foi prova disso mesmo."


17 de outubro de 2016

Quem foi o melhor ciclista português em 2016?

Os Mundiais do Qatar como que encerraram a temporada, ainda que estejam agendadas mais algumas competições secundárias. Em Portugal está mesmo fechada depois do Festival de Pista de Tavira e a maioria dos portugueses que estão em equipas estrangeiras também já estão de férias. Estamos na fase em que muitos ainda estão a resolver o seu futuro para 2017, mas vamos recordar 2016, elegendo que foi o melhor ciclista português. O Volta ao Ciclismo lança o desafio, com cinco finalistas a estarem em votação. Veja quem são e vote na sondagem colocada na coluna da direita do blogue.

José Gonçalves (27 anos, Caja Rural)
Até à Volta a Portugal, o ciclista de Barcelos estava a realizar mais uma excelente temporada. José Gonçalves conquistou a sua primeira grande vitória numa corrida por etapas ao vencer a Volta à Turquia. Venceu também uma etapa na Volta a Portugal - terminou na 23ª posição - e outra no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela. Foi ainda quarto nos Campeonatos Nacionais, somando várias boas exibições noutras competições pela equipa espanhola. Também ganhou o Campeonato Nacional de Rampa, em Palmela. No entanto, o final de época é para esquecer: desistiu da Volta a Espanha devido a fadiga muscular, o mesmo problema afectou nos Europeus (foi 68º) e uma queda acabou com a sua participação nos Mundiais. No entanto, a boa temporada e, claro, a qualidade já reconhecida há algum tempo, valeu-lhe um contrato com uma equipa World Tour. Irá representar a Katusha em 2017.

Nelson Oliveira (27 anos, Movistar)
O primeiro ano na Movistar foi extremamente positivo. Nelson Oliveira tornou-se num dos homens de confiança de Nairo Quintana e esteve na Volta a França. As coisas não correram bem para o seu líder, mas o português aproveitou a oportunidade para mostrar a sua evolução como contra-relogista, conseguindo o terceiro lugar, atrás de Tom Dumoulin e Chris Froome. Como gregário cumpriu à risca o trabalho que lhe foi pedido. Mas Nelson não se ficou por aqui. Conseguiu um diploma olímpico com o sétimo posto no contra-relógio no Rio de Janeiro e foi quarto nos Europeus, falhando o pódio por 17 segundos. Pelo meio venceu pela quarta-vez o título nacional da especialidade. O único senão da temporada de Nelson Oliveira acabou por ser a queda no Paris-Roubaix, que o obrigou a abandonar e a parar algumas semanas, tendo também desistido na prova em linha dos Mundiais, depois de ter sido 20º no contra-relógio. Este último resultado não foi uma surpresa dado o percurso, ainda assim, o português ficou desiludido.

Rafael Reis (24 anos, W52-FC Porto)
       Foto: Volta a Portugal
O ciclista de Palmela fez de 2016 o seu ano de confirmação. A mudança para a W52-FC Porto não podia ter sido mais acertada, pois encontrou a estabilidade emocional necessária, assim como companheiros importantes para o seu desenvolvimento como atleta. Rafael Reis evoluiu bastante no contra-relógio, uma especialidade que quer continuar a trabalhar, mas também foi importante no domínio da sua equipa na Volta a Portugal e noutras provas ao longo do ano. É o ciclista com mais vitórias em Portugal, oito (entre elas o prólogo da Volta, que lhe permitiu vestir a camisola amarela por um dia), o que lhe valeu o número um do ranking nacional. Foi ainda terceiro no contra-relógio dos Campeonatos Nacionais (atrás de Nelson Oliveira e José Mendes). Aos 24 anos, Rafael Reis ambiciona agora muito mais e é um dos ciclistas ainda com futuro por definir, havendo rumores que poderá deixar a formação do Sobrado para rumar ao estrangeiro, como aliás não esconde ser a sua ambição.

Rui Costa (30 anos, Lampre-Merida)
Uma época consistente, mas sem a muito ambicionada vitória de etapa na Volta a França. Rui Costa mudou este ano os seus objectivos de um top dez no Tour e esteve perto em duas ocasiões de somar a quarta vitória numa tirada, mas acabou em segundo e quinto lugar nesses dias. Foi 49º na geral, mas quinto na classificação da montanha. No entanto, a temporada do campeão do mundo de 2013 não se resume ao Tour. Não venceu, é certo, mas a sua regularidade continua a ser impressionante: quinto na Volta a Omã, 10º no Paris-Nice, sétimo na Volta ao País Basco, 10º na Flèche Wallone, sexto na Volta à Romandia, sétimo na Volta à Suíça, 10º nos Jogos Olímpicos e sexto nos Europeus. E claro, o ponto alto foi o terceiro lugar na Liège-Bastogne-Liège, o monumento preferido e que tanto ambiciona ganhar. Esta consistência de resultados fez com que apesar da Lampre-Merida ter sido comprada por uma empresa chinesa, Rui Costa tenha sido convidado a permanecer na estrutura como um dos líderes da equipa.

Rui Vinhas (29 anos, W52-FC Porto)
Foto: Volta a Portugal
De gregário a vencedor da Volta a Portugal. Rui Vinhas é o autor de uma das histórias que marcará o ciclismo nacional. Preparado para tentar levar Gustavo Veloso ao terceiro triunfo consecutivo na principal prova portuguesa, uma fuga na terceira etapa deixou-o com a camisola amarela e com tempo de vantagem para o fazer sonhar. A sua humildade e lealdade para com Veloso vinha ao de cima sempre que o questionavam sobre quem era o líder. Porém, aguentou-se como líder até ao contra-relógio final, tendo feito nesse dia uma excelente prestação que permitiu confirmar a surpresa. Rui Vinhas venceu ainda um dos circuitos que fecham a temporada e antes da Volta tinha feito algumas boas exibições, que lhe valeram, por exemplo, o nono lugar na classificação da montanha na Volta a Castela e Leão e a vitória nessa mesma classificação no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela. A W52-FC Porto não só tem um gregário de elevada qualidade, como ganhou um ciclista motivado para tentar outro tipo de resultados, se a oportunidade surgir.

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»»Nelson Oliveira: "Vou dar o meu máximo para obter um bom resultado, mas não quero dar esperanças aos portugueses de um top dez ou um top cinco"««

»»Rafael Reis: "A W52-FC Porto foi mesmo uma boa opção para mim"««

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24 de agosto de 2016

"Todos os gregários deviam ter um momento de glória como eu tive"


Foram precisos uns dias para Rui Vinhas cair em si depois da surpreendente conquista da Volta a Portugal. Mas agora o ciclista da W52-FC Porto diz que "é bonito olhar para o troféu, e recordar os momentos" que passou. "Aqueles primeiros dias foram de fortes emoções, não se tem bem a noção da realidade", confessou ao Volta ao Ciclismo, realçando que nunca tinha pensado "em ganhar aquele troféu". Depois de anos como gregário, a trabalhar para os outros, o homem do Sobrado salienta que "foi a melhor recompensa" que teve na carreira. "Todos os gregários deviam ter um momento de glória como eu tive", afirmou.

A nível profissional, em certos aspectos, continua tudo igual para Rui Vinhas (29 anos), que disse que "estará sempre às ordens da equipa e respeitará o líder". "Mesmo com a camisola amarela, se fosse preciso puxar um colega, fá-lo-ia sem a menor dúvida", referiu, mostrando aquela humildade que acompanhou o seu discurso durante a Volta a Portugal. Porém, o ciclista destacou que terá outra motivação: "Vou trabalhar para conseguir mais vitórias." E acrescenta: "A equipa seguramente vai exigir-me disputar outras corridas."

Para já, aproxima-se o final de temporada com os habituais circuitos e Rui Vinhas, que não consegue parar de sorrir, recordou a recepção no Sobrado, terra da equipa, mas também a sua. "Já tinha passado por isso, mas este ano foi algo de extraordinário... com a camisola amarela... com as pessoas a aplaudir..." Sem esconder alguma emoção na voz, o ciclista contou que a vida mudou muito, numa perspectiva de agora ser reconhecido, dando o exemplo que desde a vitória, quando vai treinar é muitas vezes abordado por pessoas que o querem saudar. "Tem sido fantástico", desabafou, recordando ainda a presença no Estádio do Dragão. "Foi algo espectacular estar ali em frente de milhares de pessoas a aplaudir."

"Ele [Gustavo Veloso] respeitou-me sempre. Foi difícil de digerir, mas depois deu-me os parabéns e fomos comemorar"

Rui Vinhas no contra-relógio final da Volta a Portugal, em Lisboa
A alegria de Rui Vinhas foi a tristeza de Gustavo Veloso, o líder da W52-FC Porto, que procurava a terceira vitória consecutiva na Volta a Portugal. "Ele respeitou-me sempre. Foi difícil de digerir, mas depois deu-me os parabéns e fomos comemorar", contou, mostrando-se compreensivo com o estado de espírito do galego: "Trabalhou bastante para ganhar e depois perdeu para um colega de equipa..." No entanto, não há problemas de relacionamento entre os dois ciclistas, garantiu.

Quanto ao seu futuro, Rui Vinhas espera que passe por continuar na W52-FC Porto. "Ainda não falámos nada. Esta é uma equipa muito unida, que faz o meu género", frisou. Porém, afirmou que "à partida tudo indica" que irá manter-se na formação do Sobrado.

»»As conversas dos "entendidos" até à superação final de Rui Vinhas««