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3 de outubro de 2020

Uma segunda categoria para uma última tentativa

© João Fonseca Photographer
A Arrábida é a última oportunidade de montanha para quem procura um derradeiro ataque à camisola amarela na Volta a Portugal. São apenas 6,5 quilómetros, com a meta a ficar a menos de 20 quilómetros. Para Amaro Antunes e a W52-FC Porto será preciso atenção para evitar percalços, pois não é uma subida que cause problemas ao camisola amarela, mesmo que Frederico Figueiredo (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel) esteja a apenas 13 segundos.

A Volta a Portugal aproxima-se de Lisboa, onde segunda-feira haverá o contra-relógio final. Em Torres Vedras, a história da etapa resumiu-se ao sprint final, mas entre Loures e Setúbal, a Arrábida será uma última dificuldade. Hugo Nunes (Rádio Popular-Boavista) já tem a camisola da montanha segura, pelo que o maior interesse estará em perceber se haverá uma derradeira tentativa de reduzir vantagens na geral.

João Benta (Rádio Popular-Boavista) está a 1:27 e Joni Brandão (Efapel) a 1:37. A missão tem contornos de impossível, mas será que alguém já atirou a toalha ao chão? A distância é grande e o objectivo poderá passar mais por tentar a presença no pódio.

No último degrau está Gustavo Veloso, companheiro de Amaro Antunes, a 1:13. É um ciclista forte no contra-relógio e que mostrou que aos 40 anos ao vencer o pódio, não pode ser afastado da luta quando, em Lisboa, será uma etapa de cada um por si.




Mas antes haverá Loures-Setúbal este domingo. 165 quilómetros para cumprir. É uma tirada ao jeito de ciclistas como Daniel Mestre (W52-FC Porto) ou Daniel Freitas (Miranda-Mortágua), que está a realizar uma excelente corrida. Mas atenção a Luís Gomes. O corredor da Kelly-Simoldes-UDO perdeu a camisola vermelha dos pontos por apenas um, para o britânico Daniel McLay (Arkéa Samsic), que em Torres Vedras alcançou a segunda vitória consecutiva.

© João Fonseca Photographer
A etapa deste domingo assenta melhor a Luís Gomes, devido à segunda categoria. Tudo dependerá se McLay consegue e estará interessado em manter a camisola vermelha, cujo vencedor fica decidido na sétima etapa.

A homenagem

Em Torres Vedras é obrigatória a paragem junto à estátua de Joaquim Agostinho. A tirada que percorreu a zona Oeste (155 quilómetros que começaram na Caldas da Rainha), foi uma de homenagem ao ciclista, pois há 50 anos venceu a sua primeira Volta a Portugal, de três. A esposa de Agostinho esteve no pódio final e recebeu uma das maiores ovações do dia.

Classificações completas, via FirstCycling.


2 de outubro de 2020

Etapa normal ao sprint mas acidentada para Joni Brandão

© João Fonseca Photographer
Rumo a Lisboa bem rápido. A quinta etapa foi para sprinters, ainda que Joni Brandão tenha desviado algumas atenções. Na corrida tentou com António Carvalho uma fuga, antes soube que tinha sofrido uma penalização de 20 segundos e ainda sofreu uma queda ao ir ao pódio, correspondente à tirada da Torre. No final, ficou tudo na mesma na geral, com Daniel McLay a cumprir o objectivo que o trouxe à Volta a Portugal, ganhando uma etapa ao sprint.

Mas o dia começou com o momento insólito para o vencedor da etapa da Torre. Devido ao mau tempo na Serra da Estrela, o pódio ficou adiado para esta sexta-feira, antes da partida em Oliveira do Hospital (na fotografia). Brandão escorregou e caiu, sem consequências físicas. Aliás, mostrou isso quando na etapa que terminava em Águeda (176,3 quilómetros) atacou muito longe da meta, com António Carvalho. No entanto, Amaro Antunes (W52-FC Porto) estava atento e a tentativa heróica, ficou-se por isso mesmo, uma tentativa.

O líder da Efapel quis responder com um ataque à notícia que também ele foi alvo de uma penalização de 20 segundos por receber abastecimento dentro dos dez quilómetros finais na subida à Torre, algo que já não era permitido. Está agora a 1:37 minutos de Amaro Antunes. António Carvalho havia recebido a mesma sanção após a etapa, após visionar as imagens, os comissários viram que também Brandão tinha recebido um bidão e de manhã anunciaram a decisão. Os 20 segundos apenas são reflectidos na classificação geral e não na etapa. Início de dia atribulado para a Efapel.

© João Fonseca Photographer
Quanto à etapa, tudo acabou em Águeda, terra das bicicletas - é onde está uma importante indústria das duas rodas - como esperado. As equipas trabalharam para que não houvesse surpresas como em Viseu. A Arkéa Samsic, primeira classificada do ranking das ProTeam (segundo escalão) esteve sempre atenta, deixando outras equipas controlar durante a etapa, para assumir as rédeas na parte final e levar Daniel McLay à vitória. O britânico saiu frustrado de Viseu, ao ser segundo, agora cumpriu a missão.

Tudo na mesma com as classificações: Amaro Antunes (camisola amarela), Luís Gomes (camisola vermelha, dos pontos), Hugo Nunes (branca e vermelha, da montanha), Simon Carr (branca, da juventude) e W52-FC Porto lidera por equipas.

Classificações completas, via FirstCycling.

6ª etapa: Caldas da Rainha – Torres Vedras, 155 quilómetros



Depois de um dia típico de sprint, este sábado é muito possível que se repita. Porém, não será apenas mais uma etapa. Ir-se-á a Torres Vedras, terra de Joaquim Agostinho, no cinquentenário da sua primeira vitória (de três) da Volta a Portugal.

Em 1970, o ciclista já havia vencido etapas no Tour, já era uma referência do ciclismo nacional, mas faltava a Volta. Com Firmino Bernardino e Leonel Miranda a seu lado no Sporting, Agostinho triunfou numa corrida de 24 etapas! Na Edição Especial da Volta a Portugal, o seu feito será recordado. É dia de homenagem à grande referência do nosso ciclismo.

Os candidatos, se não houver surpresas, são os suspeitos do costume: Daniel McLay (Arkéa Samsic), César Martingil (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel), João Matias (Aviludo-Louletano), Samuel Caldeira (W52-FC Porto), Leangel Linarez (Miranda-Mortágua) e Rafael Silva (Efapel).

Será um périplo pela zona Oeste. São Martinho do Porto, Salir do Porto, Foz do Arelho, Óbidos e Bombarral, por exemplo, fazem parte de um percurso que terá apenas uma quarta categoria em Alfeizerão, logo nos primeiros quilómetros, dos 155. Em Alcobaça, Cadaval e Santa Cruz estão instaladas as metas volantes.

»»Dia de Joni Brandão mas nem o frio quebrou Amaro Antunes««

»»Uma Torre de gelo à espera pelotão««

23 de setembro de 2020

Investigação por suspeita de doping: Quintana garante que não tem nada a esconder

Se a Volta a França já tinha corrido mal para a Arkéa Samsic, o pior acabou por acontecer fora da estrada e veio a público assim que a prova terminou. Após a 17ª etapa, que terminou em Col de la Loze, as autoridades policiais estiveram no hotel onde a equipa estava instalada e terá encontrado 100 mg de solução salina e equipamento para injectar, segundo alguns meios de comunicação social franceses. O responsável da estrutura já veio confirmar as buscas, mas reitera que a equipa não está envolvida em sistemas de doping.

Perante o que foi encontrado pelas autoridades de combate ambiental e danos à saúde pública (tradução livre), está a decorrer uma investigação, que foi confirmada pelo Ministério Público de Marselha à AFP. É descrito que foram "encontrados muitos produtos de saúde (...) e especialmente um método que pode ser de doping", não sendo especificado qual.

O procurador Dominique Laurens referiu a presença de medicamentos ilegalmente prescritos e que a investigação procurava os "responsáveis pela administração e prescrição a um atleta sem justificação médica da substância ou método proibido dentro dos parâmetros do evento desportivo". Os quartos de Nairo e Dayer Quintana e assim como o de Winner Anacona terão sido alvos de busca e os irmãos prestaram declarações à polícia voluntariamente.

Os três ciclistas chegaram em 2020 à Arkéa Samsic, com Nairo a ter como objectivo Tour. Apesar de ter começado muito bem a temporada, após o confinamento, tudo foi diferente. Foi atropelado durante um treino, ainda antes de regressar à Europa, e quedas acabaram por tirar-lhe qualquer hipótese de discutir um bom resultado na Volta a França. Terminou em 17º, a mais de uma hora do vencedor, Tadej Pogacar (UAE Team Emirates).

Reacções

O director da equipa, Emmanuel Hubert, confirmou, através de um comunicado, as buscas ao hotel. "Uma busca foi realizada na semana passada. Só envolveu um número limitado de ciclistas e os seus familiares mais próximos, que não trabalham para a equipa", salientou. Assegurou que nenhum membro do staff da equipa está a ser investigado e que apoia todos os seus ciclistas.

No entanto, caso a investigação venha a revelar alguma questão relacionada com o doping, Hubert refere que serão tomadas todas as medidas para terminem com as ligações "com actos inaceitáveis". Recorda ainda que a Arkéa Samsic é membro do Movimento por um Ciclismo Credível e que tem uma postura de luta contra o doping.

Nairo Quintana também já reagiu, explicando que em causa estão vitaminas. "No dia em que as autoridades entraram no meu quarto, levaram suplementos vitamínicos perfeitamente legais, mas, talvez, não familiares para as autoridades francesas. Esta é a principal razão porque está a levar tanto tempo a clarificar a situação", explicou. Garantiu que "não foram encontradas substâncias dopantes".

Acrescentou que durante as corridas, Tour ou outras, nunca consultou pessoas fora do staff da equipa: "Não tenho, nem nunca terei, nada a esconder."

Próximas corridas

A equipa francesa vê-se assim debaixo de holofotes pouco desejáveis, numa altura em que se prepara para competir na Volta a Portugal, que começa no próximo domingo, sendo uma das cinco formações ProTeam presentes.

Foram convocados: Daniel McLay, Bram Welten, Alan Riou, Thibault Guernalec, Matis Louvel, Lukasz Owsian e Christophe Noppe. Roger Trehin será o director desportivo.  

Também no domingo, a equipa correrá na corrida de um dia, em casa, Paris-Chauny, antes de se concentrar nas clássicas das Ardenas: Flèche Wallonne (30 de Setembro), Liège-Bastogne-Liège (4 de Outubro), Amstel Gold Race (10).

»»As equipas do Tour uma a uma««

5 de novembro de 2019

Mais uma oportunidade para André Greipel e Mark Cavendish

(Fotografias: © Arkéa Samsic e © Team Dimension Data)
André Greipel vai regressar ao World Tour, numa derradeira tentativa de sair do ciclismo pela porta grande. A experiência na Arkéa Samsic não foi positiva e o alemão procurava um novo desafio para evitar a retirada aos 37 anos. A Israel Cycling Academy vai dar a oportunidade que o "Gorila" procurava. No aproximar do final de uma era no sprint, também Mark Cavendish vai mudar de ares, esperando que ao reunir-se com um dos homens responsáveis pelo seu sucesso, possa reencontrar-se com algumas boas exibições frente a uma nova geração que já tomou conta da especialidade. A Bahrain-Merida quer tentar recuperar o sprinter, que ainda não perdeu a esperança de tornar-se o recordista de vitórias no Tour.

"Não sou alguém que esteja a olhar para o passado. Quero apenas olhar para o futuro e começar a partir daí. Estou ciente das minhas capacidades e vou dar o meu melhor", afirmou Greipel, no dia em que a Israel Cycling Academy confirmou mais uma figura para o projecto que se prepara para dar o salto para o World Tour, em 2020. Greipel vai juntar-se a Dan Martin, irlandês que trocará a UAE Team Emirates pela equipa israelita, que comprou a licença da Katusha-Alpecin.

Nas últimas três temporadas, o tempo começou a apanhar Greipel e as vitórias diminuíram, sendo claro a dificuldade em medir forças com os sprinters então emergentes (entretanto já mais do que confirmados) como Fernando Gavira e Dylan Groenewegen, por exemplo. A difícil relação com o então director da Lotto Soudal, Paul de Geyter - que acabou por sair da equipa - resultou no adeus de Greipel a uma estrutura, depois de oito anos de muitas e importantes vitórias.

O alemão venceu apenas uma etapa na Tropicale Amissa Bongo, em Janeiro, pela Arkéa Samsic. Na Volta a França, mal se viu nos sprints. Greipel nem terminou a temporada, rescindindo o contrato em Outubro. A Israel Cycling Academy justifica a contratação do veterano por acreditar que pode ainda ganhar, mas "mais importante, pela vasta experiência que traz à equipa, tanto nas clássicas, como nas discussões ao sprint". Ou seja, Greipel vai ter de assumir um papel de voz de comando, numa equipa que vê a chegada ao World Tour como apenas mais uma passo na sua subida de nível. A Israel Cycling Academy quer tornar-se nos próximos anos numa equipa forte e ganhadora.

11 etapas no Tour, sete no Giro, quatro na Vuelta... e são apenas algumas de um currículo de luxo de um sprinter fantástico e que é difícil não pensar que merece um final de carreira mais animador do que a temporada que Greipel viveu na Arkéa Samsic, equipa que pertencia ao escalão Profissional Continental. E há que não esquecer que na primeira fase da sua carreira foi um lançador importante para Mark Cavendish, outro sprinter à procura de melhores dias.

O diagnóstico do vírus Epstein-Barr fez a carreira do britânico cair a pique. A Dimension Data ainda renovou contrato com o ciclista para 2019, mas depois até o deixou de fora do Tour, algo que não acontecia há 13 anos. Aos 34, Cavendish é um sprinter que merece o respeito de todos, mas já não é visto como ameaça de outrora. O britânico recusa desistir e viu com bons olhos a possibilidade de trabalhar de novo com o director Rod Ellingworth, o homem que o ajudou a sagrar-se campeão do mundo em 2011 e não só. Ellingworth deixou a Sky/Ineos para liderar uma Bahrain-Merida que vai entrar na era pós-Vincenzo Nibali e tentar dar um passo rumo ao plano de se tornar numa das equipas referências do pelotão mundial.

Recentemente Cavendish regressou à pista e mostrou estar bem melhor fisicamente, mas mantém-se a incógnita de como se poderá apresentar na estrada em 2020. O britânico não faz segredo que lhe resta um objectivo a cumprir na carreira: igualar ou mesmo ultrapassar as vitórias de etapas no Tour de Eddy Merckx (34). Cavendish vai em 30. Uma marca ali tão perto, mas que depois das últimas três temporadas parece estar tão longe de alcançar.

Greipel e Cavendish, dois gigantes do sprint, dois ciclistas que marcaram uma era e serão sempre recordados como dos melhores na vertente. O tempo não perdoa, mas nenhum está ainda disposto a deixar a bicicleta. Assinaram apenas por uma temporada pelas respectivas equipas. É o tudo ou nada para ambos.

»»Sky perde um dos directores que a levou ao sucesso e que mudou o ciclismo britânico««

»»Época de despedida para muitos dos ciclistas mais experientes««

2 de setembro de 2019

Arkéa-Samsic aposta em Quintana para cumprir objectivo ambicioso

(Fotografia: © Bettiniphoto/Movistar Team)
De equipa amadora a uma ganhadora de uma grande volta. O objectivo está traçado e a Arkéa-Samsic até vai cortar um pouco com as suas raízes para o tentar concretizar. Nascida na Bretanha, a equipa rende-se aos encantos colombianos, mas aposta num ciclista experiente e que há muito entrou no lote das desilusões depois de muito prometer. É a mudança que Nairo Quintana procurava para se afastar de uma Movistar onde se tem passado mais tempo a lutar por estatuto do que por grandes voltas. Falta agora saber se para a Arkéa-Samsic é contratação certa, pois os dois principais investimentos feitos, estão longe de rentabilizar.

Contratar Quintana é um risco assumido da equipa francesa, com ambições de chegar a World Tour em 2020. A história começa nos anos 90, quando Jean Floc’h criou a equipa Bernard Sport Team. Chegou a servir de trampolim para alguns ciclistas chegarem ao profissionalismo, até que em 2005 a estrutura deu o passo para adquirir a licença Continental. Em 2011 subiu mais um escalão, para em 2014 fazer a sua estreia no Tour. Foi crescendo, sendo agora uma equipa com saúde financeira. 

Quintana irá carregar grande parte da ambição da Arkéa-Samsic. Foi um jovem promissor, aquele que se acreditava vir a ser o primeiro colombiano a ganhar o Tour. Ganhou o Giro e a Vuelta, fez três pódios no Tour, mas nos últimos três anos as suas prestações arrancam mais críticas do que elogios. O director da Arkéa-Samsic, Emmanuel Hubert, acredita que a equipa está a caminho de se tornar numa das melhores do mundo. E que não restem dúvidas, é isso que pretende: "Isso vai exigir rigor e profissionalismo. Já não somos uma equipa familiar pequena, mas vamos continuar a colocar a pessoa no centro do nosso projecto."

Hubert considera que o plantel que irá apresentar para 2020 não irá ficar nada a atrás de uma equipa World Tour, deixando uma garantia: "Demos a nós próprios três temporadas para levar o projecto mais além, com uma vitória numa grande volta."

Com Quintana - que assinou até 2022 - irá da Movistar um dos seus braços direitos: Winner Anacona (até 2021). Também o mais novo dos Quintana se vai juntar novamente ao irmão. A equipa espanhola não renovou com Dayer, que assim se separou de Nairo e foi prosseguir a carreira em Itália, na Neri Sottoli-Selle Italia-KTM. Porém, a Arkeá-Samsic irá juntá-los novamente. Diego Rosa deixará a Ineos para integrar o bloco da Arkéa-Samsic até 2021. Ainda durante este mês, Hubert deverá anunciar mais um reforço com algum peso, mas para o sprint. Nacer Bouhanni estará a caminho da estrutura, finda que está há muito a relação com a Cofidis.

Desde que em 2018 estes dois patrocinadores reforçaram substancialmente o orçamento da então mais conhecida por Fortuneo ou, recuando mais um pouco, Bretagne (foi variando o segundo nome), que começaram a entrar nomes fortes do ciclismo. O primeiro foi Warren Barguil, seguindo-se em 2019 André Greipel. Nem um, nem outro rendeu perto do esperado.

Barguil, um bretão, chegou como herói do Tour, com duas vitórias de etapas e uma camisola da montanha. Mas foram más prestações atrás de más prestações, até o título francês em Junho. Provavelmente foi uma conquista que salvou a carreira de Barguil, que admitiu que ponderou colocar um ponto final. Foi à Volta a França terminar no 10º lugar. Melhor, é certo, mas ainda assim, pouco para a ambição da Arkéa-Samsic e para o investimento que foi feito no ciclista. Se Barguil demorou a mostrar serviço, Greipel nem se vê, mas tem mais um ano de contrato. Aos 37 anos, já pouco se espera do alemão.

Se Bouhanni chegar, não deverá, por isso, haver problemas com Greipel. Porém, o entendimento entre Barguil e Quintana gera dúvidas. Hubert afirmou que quer os dois a trabalharem juntos. O senão, é que o colombiano gosta de ser o líder único. Aliás, tem sido esse um dos problemas na Movistar.

Na folga de uma Vuelta que Quintana lidera, fica confirmado um futuro há muito conhecido. A UAE Team Emirates ainda chegou a ser apontada como possibilidade, mas o colombiano escolheu a Arkéa-Samsic. Considera que é lá que vai "florescer profissionalmente". Contudo, quando tiver 30 anos (fará a 4 de Fevereiro), Quintana estará muito provavelmente numa equipa Profissional Continental, muito dependente de convites para grandes corridas.

A Arkéa-Samsic quer subir de escalão, mas as duas licenças - além das 18 para as equipas actuais - que a UCI deverá atribuir a mais, estarão provavelmente nas mãos da Cofidis e Total Direct Energie. Nada está confirmado, mas se assim for e com as licenças a passarem a ser por três anos, Quintana poderá ficar afastado de um Giro e Vuelta, já que no Tour é provável que se mantenha o convite da organização, mas dificilmente acontecerá nas outras corridas de três semanas.

Quando foi conhecida a difícil situação da Katusha-Alpecin, ainda foi noticiado o possível interesse da Arkéa-Samsic em procurar uma solução como a da CCC, que ficou com a BMC. Tal permitiria subir a World Tour. No entanto, a notícia foi desmentida pela equipa francesa.

Há espaço para novidades, num plantel que será de 28 ciclistas e que tem apenas 15 garantidos, entre eles jovens muito interessantes como Thibault Guernalec (que recentemente se mostrou na Volta a Portugal), Élie Gesbert ou o britânico Connor Swift. Está publicamente definido um objectivo ambicioso, mas esta Arkéa-Samsic continua envolta em muitos pontos de interrogação. As apostas em Barguil e Greipel falharam e Quintana não convence. Mas quem sabe, talvez o que o colombiano esteja a precisar é de uma mudança, mesmo que tenha de descer de escalão.

Richard Carapaz também sai da Movistar

É a debandada da equipa espanhola. Mikel Landa está a caminho da Bahrain-Merida, Quintana da Arkéa-Samsic e a Movistar também não conseguiu agarrar o ciclista que quebrou o jejum de grandes voltas da a formação espanhol no último Giro. A Ineos continua à caça dos maiores talentos e vai juntar Richard Carapaz a Egan Bernal, Chris Froome, Geraint Thomas, Pavel Sivakov... E a lista continua...

O equatoriano assinou até 2022 e de uma assentada só, a Movistar perdeu três dos seus quatro líderes. Sobrou o veterano Alejandro Valverde. Enric Mas irá entrar para ocupar esse posto. Estão também dois italianos da Astana a caminho: Dario Cataldo e Davide Villella. O jovem britânico Gabriel Cullaigh (SEG Racing) e o colombiano Juan Diego Alba (Coldeportes Zenu) serão igualmente reforços na equipa que conta com o português Nelson Oliveira. O ciclista de Anadia renovou por mais dois anos durante o Tour.


22 de março de 2019

Equipa de Bryan Coquard fica outra vez fora do Tour e vai apostar na conquista de pontos

Coquard vai perder novamente o Tour
(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet/Vital Concept & BB Hotels)
Estão entregues os quatro convites para a Volta a França e não houve surpresas. Com a ASO a optar por uma forma de selecção diferente este ano, as escolhas acabaram por ser as mesmas. A Cofidis e Wanty-Groupe Gobert foram seleccionadas muito cedo na temporada, com os restantes dois lugares a ficarem em aberto, dando a possibilidade às equipas candidatas de mostrarem que mereciam ser as eleitas. A Vital Concept-B&B Hotels partia um pouco em desvantagem e apesar de ter mais vitórias do que a Arkéa Samsic, não tem um ciclista com o peso de André Greipel.

Com Warren Barguil a falhar por completo em 2018, a Arkéa Samsic, antiga Fortuneo, não quis apostar que o ciclista francês seria suficiente para garantir novo convite para o Tour, pois a época passada foi mesmo muito fraca. As duas vitórias de etapa e a camisola da montanha em 2017 já não eram suficientes para seduzir a ASO. A contratação de André Greipel teve esse objectivo, além de ser um ciclista que possa dar mais algumas vitórias, apesar de estar numa fase descendente da sua brilhante carreira. Soma 11 triunfos em etapas no Tour e é um dos grandes nomes do sprint, mesmo que nos últimos tempos tenha encontrado dificuldades para se debater frente aos jovens sprinters que vão se impondo.

Mas Greipel é um nome forte do pelotão, mesmo que, aos 36 anos, já vá estar nos sprints como um outsider e não tanto como um crónico favorito. Porém, a sua presença no Tour será sempre bem-vinda. A Vital Concept-B&B Hotels também tentou jogar no campo das contratações. Foi buscar Pierre Rolland. É um nome relevante no ciclismo francês, apesar de nunca ter confirmado as expectativas que criou no início da carreira. Vencedor da classificação da juventude no Tour e de duas etapas, uma no mítico Alpe d'Huez, chegou a fechar top dez, mas a melhor fase do ciclista, agora com 32 anos, foi na primeira metade da década. Foi desaparecendo aos poucos da ribalta.

A EF Education-First deu-lhe a oportunidade no World Tour, depois de brilhar na então Europcar (actual Direct Energie), mas Rolland nunca reencontrou a sua melhor versão. Pelo menos não em França. Ainda venceu uma etapa no Giro, mas regressar este ano ao seu país foi uma derradeira tentativa de alcançar algo mais na carreira. A Vital Concept-B&B Hotels assim o esperava. O ciclista sofreu um queda e está fora de acção há quase um mês com uma fractura na mão.

A queda também foi um ponto negativo nas aspirações da equipa para receber o convite, já que se esperava que Rolland alcançasse alguns bons resultados. Depois de no ano passado, quando a estrutura foi criada, o desejado convite não ter chegado, com Bryan Coquard no plantel, era claro que o sprinter não era suficiente, daí a contratação de Rolland. Desde que Coquard saiu da Direct Energie que não alcançou o mesmo nível exibicional, numa mudança pouco benéfica e que dificilmente lhe abrirá as portas do World Tour. Rolland também não foi suficiente para convencer a ASO e mesmo com a equipa ganhar três vezes contra uma da Arkéa Samsic, ficou aquém do necessário para os organizadores.

Jérôme Pinaeu, director da equipa, admitiu que foi um rude golpe a ausência de convite pelo segundo ano consecutivo. "Os nossos 50 trabalhadores e os nossos parceiros não entendem como ficaram privados destes enorme evento do calendário internacional", afirmou, através de um comunicado. O responsável destacou como a equipa se esforçou para atender aos pedidos do organizador, como a contratação de ciclistas para "a montanha, ofensivos e experientes".

"É difícil aceitar, mas depende de nós mostrar que a decisão tomada pelos organizadores não é a correcta", referiu, garantindo que o projecto irá continuar e irá redobrar os esforços para conseguir estar na Volta a França na próxima edição. Faz referência ao objectivo de somar pontos, o que, de acordo com as novas regras, poderá permitir à equipa garantir a presença no Tour sem ter de esperar por um convite.

A partir de 2020, as organizações só podem atribuir dois convites, pois dois lugares serão ocupados automaticamente pelas melhores equipas Profissionais Continentais do ranking. Há muito trabalho a fazer, pois a Vital Concept-B&B Hotels é sétima. A Arkéa Samsic ocupa o décimo lugar. Já a Direct Energie está em segundo, atrás da Cofidis.

Apesar do nome não ter sido anunciado de início, poucas dúvidas havia que a equipa estaria presente no Tour. Tem sido uma crónica convidada pela ASO e apesar de ainda não ter encontrado alguém com o mediatismo do entretanto retirado Thomas Voeckler, por exemplo, é uma estrutura com uma forte influência no ciclismo francês. E só para garantir que tinha um grande nome para apresentar, contratou Niki Terpstra, ainda que este seja um ciclista mais a pensar nas clássicas, mas também gosta de se mostrar em algumas fugas nas corridas por etapas.

Com a Total a preparar-se para dar nome à equipa depois da empresa ter comprado mais de 70% da Direct Energie, ficou ainda mais certo que esta formação estaria entre as quatro escolhidas, mais uma vez pelo peso do nome, agora do patrocinador. Três formações francesas e uma belga. A Delko Marseille Provence, a outra equipa gaulesa do escalão Profissional Continental, é uma equipa que não tem entrado nestas escolhas do Tour.

A Volta a França arranca em Bruxelas a 6 de Julho, com os Campos Elísios à espera de consagrar o vencedor a 28 desse mês.

»»Um Tour de fazer o faltar o ar««

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»»Entregues os dois primeiros convites para a Volta a França««

27 de janeiro de 2019

André Greipel, o homem dos cinco continentes

(Fotografia: Twitter La Tropicale)
É difícil esconder aquela sensação que André Greipel saiu pela porta pequena da Lotto Soudal, depois de tantas e grandes vitórias na equipa belga. Aos 36 anos, o alemão considera que está mais do que a tempo de ter uma nova fase na já extensa carreira e em poucos dias com o equipamento da Arkéa Samsic já assinou um feito: é o primeiro ciclista a ganhar em todos os continentes.

Greipel foi a África começar a temporada e a vitória na sexta etapa da Tropicale Amissa Bongo, no Gabão, fechou esse ciclo de triunfos inédito. Em mais de 150 triunfos, a maioria foram na Europa, na Oceania foram 18 as etapas no Tour Down Under, na Austrália, além de duas vitórias na geral, na Ásia foi ganhar ao Qatar e a Omã e no continente americano é preciso recuar a 2009 para encontrar a sua única conquista, na extinta prova de um dia Philadelphia International Championship.

Talvez seja apenas um pormenor numa carreira que conta com 22 vitórias em grandes voltas, tendo em 12 consecutivas das que participou sempre ganho pelo menos uma tirada. Isto além de muitas outras conquistas em várias das mais importantes corridas mundiais por um ciclista que foi um lançador de luxo de Mark Cavendish e que conseguiu tornar-se numa referência no sprint.

Foram oito épocas na Lotto Soudal, que terminaram depois de uma difícil relação com o novo director Paul de Geyter - que entretanto já saiu da equipa belga -, com a Arkéa Samsic a aproveitar para contratar um ciclista que pode estar na recta final da sua carreira, que pode não ganhar tanto, mas tem sido garantia de sucesso, algo que a formação bem precisa depois de um 2018 muito aquém do esperado, principalmente pelo baixo rendimento de Warren Barguil.

Uma vitória já está. Servirá muito de motivação numa altura em que Greipel ainda tenta encontrar o melhor entendimento com o seu novo comboio de preparação do sprint, sempre a pensar que chegará o desejado convite para o Tour, corrida em que mesmo não sendo o sprint de outrora, continua a ser o grande palco onde Greipel merece estar.

O alemão venceu então os 110 quilómetros da sexta etapa (Bitam-Oyem) da prova no Gabão, numa corrida ganha pelo italiano Niccolò Bonifazio. O ciclista, de 25 anos, também desceu ao escalão Profissional, deixando a Bahrain-Merida, para tentar ter um maior destaque na Direct Energie. Quanto a André Greipel, viajará agora para Espanha para participar nos habituais troféus de início de época do país, antes de se concentrar em algumas clássicas, tendo o Paris-Roubaix no seu calendário.