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20 de janeiro de 2018

Convites para o Giro atribuídos. Não haverá despedida para Damiano Cunego

Cunego esteve em destaque no Giro em 2016. Lutou pela classificação da montanha,
o que o levou ao pódio 12 anos depois da última vez. Porém, acabou em segundo
(Fotografia: Giro d'Italia)
Uma Volta a Itália, quatro etapas e mais duas na Vuelta, três Lombardias, três Giros del Trentino (actual Volta aos Alpes), uma Amstel Gold Race e um título mundial de juniores. Há muito que Damiano Cunego se apagou, mas o italiano não deixa de ser uma figura do ciclismo transalpino, um destaque da então Lampre e antes na Saeco. Foram 35 vitórias como profissional. Em 2015 mudou-se para a Nippo-Vini Fantini, à procura de um último fôlego na sua carreira, numa equipa com responsabilidades diferentes, mas com a ambição de com Cunego destacar-se onde qualquer estrutura italiana mais quer: no Giro. Em 2017 foi uma tremenda desilusão ficar de fora da 100ª edição, mas a Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini tinha renovado a esperança de um convite para 2018, quando Cunego anunciou que pretendia terminar a carreira na Volta a Itália. Porém, o derradeiro desejo do ciclista não foi atendido.

A organização do Giro, que se realiza de 4 a 27 de Maio, anunciou os destinatários dos quatro convites: Androni Giocattoli-Sidermec, Wilier Triestina-Selle Italia, Bardiani-CSF e Israel Cycling Academy. Três equipas italianas e, sem surpresa, a formação israelita. Esta última tinha entrada praticamente garantida dada as três primeiras etapas da corrida estarem agendadas para aquele país. A equipa que esteve na Volta a Portugal no ano passado - venceu a classificação da juventude com o letão Krists Neilands - reforçou-se em 2018, a pensar precisamente na muito provável estreia numa grande volta. O veterano espanhol Rubén Plaza (37 anos) acaba por ser o rosto mais conhecido, ao lado do italiano Kristian Sbaragli (27).

A dúvida agora é se irão estar presentes os quatro israelitas que fazem parte do plantel: Roy Goldstein (campeão nacional de estrada), Guy Sagiv (actual campeão nacional de contra-relógio e campeão de estrada em 2015 e 2016), Aviv Yechezkel (campeão nacional de contra-relógio em 2016) e Omer Goldstein, jovem promessa de 21 anos que chegou a ser dispensado da equipa de desenvolvimento no ano passado por razões disciplinares, mas recebeu uma segunda oportunidade e logo para a estrutura principal.

Quanto às equipas italianas, depois da polémica de 2017 quando a Androni Giocattoli-Sidermec foi preterida, tal como a Nippo-Vini Fantini, em prol de duas formações estrangeiras - a polaca CCC Sprandi Polkowice e a russa Gazprom-RusVelo - o director Gianni Savio estava bem mais descansado, pois tinha presença garantida. A sua equipa foi a vencedora da Taça de Itália, que tem como um dos prémios o convite para o Giro. A Willier Triestina-Selle Italia, do veterano Filippo Pozzatto e do jovem talentoso sprinter Jakub Mareczko, tem sido sempre escolhida.

Já o convite para a Bardiani-CSF causa algum espanto. Apesar de nos últimos anos ter sido um dos conjuntos que mais se vê nas fugas, animando muito as etapas, conseguindo também vitórias em etapas, há um ano dois dos seus ciclistas foram afastados do Giro no dia antes da corrida começar por terem testado positivo a utilização de uma substância hormonal proibida (mais tarde a contra-análise confirmou e Stefano Pirazzi e Nicola Ruffoni foram suspensos por quatro anos). Muito se falou sobre o futuro da equipa. Os patrocinadores ficaram e a RCS Sport, que organiza a Volta a Itália, parece assim dar o seu voto de confiança, depois do director, Mauro Vegni, de ter chegado a ameaçar levar a equipa a tribunal por eventuais danos provocados à imagem da prova.

E assim ficou novamente a Nippo-Vini Fantini de fora. "Com o passar do tempo notei que o nível do ciclismo está a aumentar. Sinto que está a ficar mais difícil para mim ser competitivo. É altura de me retirar e gostaria de o fazer no Giro, onde, de certa forma, tudo começou", disse Cunego quando anunciou que iria terminar a carreira. Esse início foi em 2004, no sua segunda Volta a Itália (e segunda grande volta), quando tinha apenas 22 anos. Foi nesse ano que ganhou as quatro etapas que tem no seu currículo e a geral.

Mesmo que não se despeça no Giro, foi lá que acabou mesmo por ter um último fôlego quando em 2016 vestiu a camisola da montanha - esteve 12 anos sem subir ao pódio naquela corrida -, que Mikel Nieve (Sky) lhe acabou por tirar. Foi um animador dessa corrida, acabando em segundo nessa classificação específica e, por isso, surpreendeu ainda mais quando a Nippo-Vini Fantini não foi convidada em 2017. Sem wildcard também este ano, faltará agora saber onde irá Damiano Cunego fechar a sua carreira, aos 36 anos. A última vitória aconteceu a 21 de Julho, na sexta etapa da Volta ao Lago Qinghai, na China.

Ontem, a equipa publicou no Facebook um vídeo de homenagem ao ciclista. (Texto continua em baixo)



Amaro Antunes terá de esperar um pouco mais por uma grande volta

Primeiro a Volta ao Algarve, agora o Giro. Amaro Antunes subiu ao escalão Profissional Continental ao assinar pela CCC Sprandi Polkowice, mas não irá estar em duas das corridas que ambicionava. A equipa polaca esteve no Giro100 e com a perspectiva da Polónia vir a receber um início desta competição, havia a expectativa que pudesse surgir novo convite em 2018. Tal não se confirmou.

Fica a faltar a atribuição dos wildcards para a Vuelta, mas a concorrência é maior do que nunca, pois haverá três equipas "da casa" à procura de um lugar, em vez de apenas a Caja Rural, como aconteceu nos últimos anos.

A RCS Sport revelou ainda os convites para as restantes corridas do World Tour que organiza, incluindo o monumento Milano-Sanremo.

Strade Bianche (3 de Março): Androni Giocattoli-Sidermec e Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini

Tirreno-Adriatico (de 7 a 13 de Março): Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini, Wilier Triestina-Selle Italia, Israel Cycling Academy e Gazprom-RusVelo.


Milano-Sanremo (17 de Março): Bardiani-CSF, Wilier Triestina-Selle Italia, Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini, Cofidis, Gazprom-RusVelo e Israel Cycling Academy.

O anúncio dos wildcards surge poucos dias depois de terem sido apresentadas as quatro camisolas que estarão em discussão na Volta a Itália. Será o primeiro ano em que a Castelli será a responsável, sucedendo à Santini. Destacam-se os pormenores nas mangas e também o fecho em forma de troféu.
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14 de setembro de 2017

"Infelizmente as notícias sobre Israel são mais sobre a guerra do que sobre a vida normal"

Faltava uma confirmação oficial que chegou hoje: Jerusalém vai mesmo receber a partida da Volta a Itália em 2018. Serão três etapas em Israel, no maior evento de ciclismo alguma vez realizado num país ainda sem tradição na modalidade, mas que nos últimos anos tem tido uma equipa que tenta dar uma oportunidade aos jovens talentos. Guy Sagiv é um deles. Campeão nacional de contra-relógio, o ciclista de 22 anos deixa escapar um enorme sorriso quando se fala do seu país receber o Giro. Sendo uma equipa que este ano subiu ao escalão Profissional Continental, naturalmente que já se sonha com a possibilidade de receber um convite da organização. E a julgar pelas contratações, os planos são claros: elevar o nível competitivo da Israel Cycling Academy.

A conversa com Sagiv decorreu antes da confirmação oficial, mas não havia dúvidas da importância de Israel receber a Volta a Itália.  "Espero mesmo que aconteça e que eu esteja lá." Com a primeira parte confirmada, resta agora a Sagiv trabalhar para que caso o tal convite chegue, possa ser uma opção. O israelita tem como objectivo competir nas três grandes voltas e ganhar em etapas em todas elas. E poderá começar a concretizar esses sonhos mais cedo do que se calhar pensava. "Será o maior acontecimento de ciclismo em Israel. Será muito bom para o país. Falar-se-á do país e no ciclismo de lá", salientou ao Volta ao Ciclismo.

E, de facto, do ciclismo israelita pouco se conhece. "Infelizmente as notícias sobre Israel são mais sobre a guerra do que sobre a vida normal", lamenta Sagiv. "É isso que esta equipa também está a tentar promover porque é um país normal, com pessoas normais, que gostam de desporto. Que gostam de ciclismo", acrescentou. Sagiv explicou que a modalidade "é um desporto jovem em Israel, mas está a evoluir no caminho certo". "Esperamos vir a ser um dos grandes países de ciclismo", realçou. 

"Lentamente a equipa tem crescido e estamos a apontar para mais alto. Estamos a crescer já para o próximo ano"

Parte desta evolução acaba por ser da responsabilidade da Israel Cycling Academy, projecto que começou há três anos e que na primeira época como Profissional Continental, procurou consolidar-se neste escalão para em 2018 dar mais um passo rumo a um nível competitivo superior. "Lentamente a equipa tem crescido e estamos a apontar para mais alto. Estamos a crescer já para o próximo ano", afirmou, referindo ainda que se tem verificado um desenvolvimento entre os ciclistas amadores, o que denota um aumento no interesse da modalidade no país. O BTT é a vertente dominante, mas aos poucos a estrada vai conquistando o seu espaço.

A equipa soma oito vitórias em 2017 e recentemente esteve na Volta a Portugal, com o campeão nacional letão, Krists Neilands, a conquistar a classificação da juventude, tendo feito uma excelente exibição na etapa da Torre, acompanhando Amaro Antunes e Raúl Alarcón, tendo cedido já perto da meta. A formação conta ainda com os dois campeões nacionais, Sagiv e Roy Goldstein (de estrada). Sagiv fez em Portugal a sua primeira corrida mais longa e espera que possa ser uma experiência importante se chegar a oportunidade de estar numa corrida de três semanas.

Apesar de ser uma equipa que aposta na juventude, não apenas israelita, a contratação de Ben Hermans (31 anos, BMC) e Rubén Plaza (37, Orica-Scott), revela o interesse de contar com alguma experiência e também com ciclistas com nome já consolidado no pelotão e assim ambicionar a estar em mais corridas de elevado nível. Ou seja, estar entre os melhores e a presença numa Volta a Itália a começar em casa seria perfeita para o projecto israelita. Sondre Holst Enger (23, AG2R), August Jensen (26, Team Coop) e Edwin Ávila (27, Illuminate) são reforços também já confirmados.

Uma jovem e bem disposta equipa na Volta a Portugal
Óscar Guerrero é o director da Israel Cycling Academy. O espanhol já tinha deixado a sua marca depois de ter estado à frente de uma equipa ainda hoje muito recordada: a Euskaltel-Euskadi. Guerrero tem sido o responsável por garantir que a formação israelita acompanhe as ambições do dono, o empresário Ron Baron. Falar do World Tour ainda é cedo. O próximo passo é precisamente estar numa grande volta.

Tudo começou em Novembro de 2014, quando até Peter Sagan esteve presente para assinalar o arranque do projecto. A primeira vitória aconteceu a 9 de Maio de 2015, quando o checo Daniel Turek venceu a quarta etapa da Volta ao Azerbaijão. Mas esta Israel Cycling Academy e os seus jovens ciclistas querem muito mais.

A apresentação de Jerusalém como a cidade que irá receber o arranque do Giro está agendada para segunda-feira. Alberto Contador e Ivan Basso deverão estar presentes, na condição de antigos vencedores da corrida. Será a primeira vez que uma grande volta irá começar fora da Europa, como a organização destacou no comunicado que oficializou um rumor que durava há algumas semanas.