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7 de janeiro de 2020

Terminou a espera. B&B Hotels-Vital Concept vai ao Tour

(© B&B Hotels-Vital Concept)
Depois de dois anos de frustração por ficar de fora da Volta a França, ao terceiro esta equipa francesa conseguiu finalmente o grande objectivo da sua existência. Em 2020, a B&B Hotels-Vital Concept vai ao Tour, o que significa o regresso de Bryan Coquard, o pequeno sprinter francês que estava em plena ascensão, quando a opção de mudar de equipa o fez ficar um pouco afastado da ribalta. De fora ficou a belga Circus-Wanty Gobert, que tinha sido a escolha do organizador, ASO, nos últimos anos, mas que para "compensar" recebeu o convite para ir ao Critérium du Dauphiné.

Em 2018 e 2019, a ausência do wildcard foi sempre recebida com muitas críticas por parte dos responsáveis e dos ciclistas da B&B Hotels-Vital Concept, principalmente de Coquard. Desta fez o discurso é bem diferente. "Agora fomos convidados e depende de nós ter um comportamento correcto. Seremos ambiciosos, perseguindo etapas, mas com grande humildade, fiel ao que somos. Vamos desfrutar do evento sendo sérios e profissionais, como temos sido desde o início", salientou, através de um comunicado, o director geral da equipa, Jérôme Pineau. O antigo ciclista que participou em 13 Voltas a França.

Coquard ficou de fora do Tour em 2017 quando ainda estava na então Direct Energie (actual Total Direct Energie), por opção da equipa. O ciclista já tinha feito saber que queria sair e acabou por não ser incluído nos nove corredores eleitos. Ao contrário do esperado, o sprinter não deu o salto para uma formação World Tour, assinando pela nova estrutura francesa. Então, era a par de Arnaud Démare e Nacer Bouhanni visto como um dos grandes sprinters franceses. Démare (Groupama-FDJ) já conseguiu vencer duas etapas, enquanto Bouhanni tem tido anos difíceis na Cofidis e esta época mudou-se para a Arkéa Samsic. Ainda não venceu no Tour, tal como Coquard, mas este último, aos 27 anos, vai concentrar grande parte da temporada em estar bem naquela corrida de três semanas.

Em 2016, Coquard perdeu uma etapa para Marcel Kittel por 28 milímetros, numa decisão que nem com o photo finish foi fácil determinar o vencedor. "Estou só à espera disso: uma vitória no Tour. Participar não pode ser o único objectivo. Estive tão perto de vencer para não pensar nisso. Limoges [local do sprint com Kittel] foi a minha maior desilusão até agora. Uma vitória de etapa no Tour será o meu maior feito, ainda mais do que a minha medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres", afirmou Coquard.

A B&B Hotels-Vital Concept conta na sua equipa com ciclistas como Pierre Rolland, Arthur Vichot, Jens Debusschere, Cyril Gautier, Kris Boeckmans e Kévin Reza, por exemplo.

Com as mudanças das regras da UCI, os convites atribuídos pelo organizador às formações agora denominadas como ProTeams (as Profissionais Continentais) passaram de quatro para dois e à B&B Hotels-Vital Concept junta-se, sem qualquer surpresa a Arkéa Samsic de Warren Barguil e Nairo Quintana.

A Total Direct Energie garantiu a presença automaticamente ao vencer o ranking em 2019, tendo abdicado do lugar no Giro, mas vai à Vuelta. A Cofidis, uma crónica convidada da ASO, subiu a World Tour, que tem agora 19 equipas (eram 18) e todas com entrada garantida.

De fora destas contas ficou, como aliás tem sido habitual, a outra equipa francesa do segundo escalão, a Nippo Delko One Provence. A formação, que este ano contará novamente com o português José Gonçalves, recebeu o wildcard para o Paris-Nice.


22 de março de 2019

Equipa de Bryan Coquard fica outra vez fora do Tour e vai apostar na conquista de pontos

Coquard vai perder novamente o Tour
(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet/Vital Concept & BB Hotels)
Estão entregues os quatro convites para a Volta a França e não houve surpresas. Com a ASO a optar por uma forma de selecção diferente este ano, as escolhas acabaram por ser as mesmas. A Cofidis e Wanty-Groupe Gobert foram seleccionadas muito cedo na temporada, com os restantes dois lugares a ficarem em aberto, dando a possibilidade às equipas candidatas de mostrarem que mereciam ser as eleitas. A Vital Concept-B&B Hotels partia um pouco em desvantagem e apesar de ter mais vitórias do que a Arkéa Samsic, não tem um ciclista com o peso de André Greipel.

Com Warren Barguil a falhar por completo em 2018, a Arkéa Samsic, antiga Fortuneo, não quis apostar que o ciclista francês seria suficiente para garantir novo convite para o Tour, pois a época passada foi mesmo muito fraca. As duas vitórias de etapa e a camisola da montanha em 2017 já não eram suficientes para seduzir a ASO. A contratação de André Greipel teve esse objectivo, além de ser um ciclista que possa dar mais algumas vitórias, apesar de estar numa fase descendente da sua brilhante carreira. Soma 11 triunfos em etapas no Tour e é um dos grandes nomes do sprint, mesmo que nos últimos tempos tenha encontrado dificuldades para se debater frente aos jovens sprinters que vão se impondo.

Mas Greipel é um nome forte do pelotão, mesmo que, aos 36 anos, já vá estar nos sprints como um outsider e não tanto como um crónico favorito. Porém, a sua presença no Tour será sempre bem-vinda. A Vital Concept-B&B Hotels também tentou jogar no campo das contratações. Foi buscar Pierre Rolland. É um nome relevante no ciclismo francês, apesar de nunca ter confirmado as expectativas que criou no início da carreira. Vencedor da classificação da juventude no Tour e de duas etapas, uma no mítico Alpe d'Huez, chegou a fechar top dez, mas a melhor fase do ciclista, agora com 32 anos, foi na primeira metade da década. Foi desaparecendo aos poucos da ribalta.

A EF Education-First deu-lhe a oportunidade no World Tour, depois de brilhar na então Europcar (actual Direct Energie), mas Rolland nunca reencontrou a sua melhor versão. Pelo menos não em França. Ainda venceu uma etapa no Giro, mas regressar este ano ao seu país foi uma derradeira tentativa de alcançar algo mais na carreira. A Vital Concept-B&B Hotels assim o esperava. O ciclista sofreu um queda e está fora de acção há quase um mês com uma fractura na mão.

A queda também foi um ponto negativo nas aspirações da equipa para receber o convite, já que se esperava que Rolland alcançasse alguns bons resultados. Depois de no ano passado, quando a estrutura foi criada, o desejado convite não ter chegado, com Bryan Coquard no plantel, era claro que o sprinter não era suficiente, daí a contratação de Rolland. Desde que Coquard saiu da Direct Energie que não alcançou o mesmo nível exibicional, numa mudança pouco benéfica e que dificilmente lhe abrirá as portas do World Tour. Rolland também não foi suficiente para convencer a ASO e mesmo com a equipa ganhar três vezes contra uma da Arkéa Samsic, ficou aquém do necessário para os organizadores.

Jérôme Pinaeu, director da equipa, admitiu que foi um rude golpe a ausência de convite pelo segundo ano consecutivo. "Os nossos 50 trabalhadores e os nossos parceiros não entendem como ficaram privados destes enorme evento do calendário internacional", afirmou, através de um comunicado. O responsável destacou como a equipa se esforçou para atender aos pedidos do organizador, como a contratação de ciclistas para "a montanha, ofensivos e experientes".

"É difícil aceitar, mas depende de nós mostrar que a decisão tomada pelos organizadores não é a correcta", referiu, garantindo que o projecto irá continuar e irá redobrar os esforços para conseguir estar na Volta a França na próxima edição. Faz referência ao objectivo de somar pontos, o que, de acordo com as novas regras, poderá permitir à equipa garantir a presença no Tour sem ter de esperar por um convite.

A partir de 2020, as organizações só podem atribuir dois convites, pois dois lugares serão ocupados automaticamente pelas melhores equipas Profissionais Continentais do ranking. Há muito trabalho a fazer, pois a Vital Concept-B&B Hotels é sétima. A Arkéa Samsic ocupa o décimo lugar. Já a Direct Energie está em segundo, atrás da Cofidis.

Apesar do nome não ter sido anunciado de início, poucas dúvidas havia que a equipa estaria presente no Tour. Tem sido uma crónica convidada pela ASO e apesar de ainda não ter encontrado alguém com o mediatismo do entretanto retirado Thomas Voeckler, por exemplo, é uma estrutura com uma forte influência no ciclismo francês. E só para garantir que tinha um grande nome para apresentar, contratou Niki Terpstra, ainda que este seja um ciclista mais a pensar nas clássicas, mas também gosta de se mostrar em algumas fugas nas corridas por etapas.

Com a Total a preparar-se para dar nome à equipa depois da empresa ter comprado mais de 70% da Direct Energie, ficou ainda mais certo que esta formação estaria entre as quatro escolhidas, mais uma vez pelo peso do nome, agora do patrocinador. Três formações francesas e uma belga. A Delko Marseille Provence, a outra equipa gaulesa do escalão Profissional Continental, é uma equipa que não tem entrado nestas escolhas do Tour.

A Volta a França arranca em Bruxelas a 6 de Julho, com os Campos Elísios à espera de consagrar o vencedor a 28 desse mês.

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22 de outubro de 2018

Quando ser líder não é para todos

Nem todos nasceram para ser líderes, ainda que muitos o desejem. Às vezes é preciso experimentar para se perceber que numa modalidade como o ciclismo, não é fácil assumir a responsabilidade de alcançar resultados, tal como não é fácil assumir a responsabilidade de ser um homem de trabalho. Quem não sonha com uma grande vitória? Ou várias? Ben Swift era um corredor importante na estrutura da Sky. Mostrou potencial e quando quis ser algo mais do que alguém obrigado a estar muito em segundo plano, saiu de casa. Pouco correu bem na aventura pela UAE Team Emirates e de um ciclista cotado para liderar, Swift acabou novamente a ajudar companheiros. Próximo passo? Regressar a casa.

Dele esperaram-se resultados quando em 2017 chegou como a grande contratação da que acabaria por ser a UAE Team Emirates, no adeus da Lampre ao ciclismo. Seria o sprinter - com Sacha Modolo a deixar de ser a escolha principal - e também um homem para clássicas, sem nunca esquecer que sabe ultrapassar bem certas subidas. Porém, quando o resultado de maior destaque nestes dois anos de UAE Team Emirates foi um segundo lugar na etapa que acabou no Alpe d'Huez, no Critérium du Dauphiné, percebe-se que tudo (ou quase) a que se tinha proposto quando saiu da Sky, falhou. Sobe bem, mas não é um trepador. Contudo, foi uma grande exibição. Isso ninguém lhe tira.

Na equipa britânica, Swift lá foi agarrando uma ou outra oportunidade que lhe era dada e os dois pódios na Milano-Sanremo contribuiu para que quisesse mais. Ganhou etapas no Tour Down Under, Volta ao País Basco, à Romandia e à Polónia. No Alpe d'Huez fez uma das subidas da sua carreira (senão a subida da sua carreira) e Swift. Outro exemplo, foi o nono lugar no Malhão, na última Volta ao Algarve. Se não tivesse alguma capacidade para subir, não teria sido um dos homens que a Sky foi buscar quando iniciou o projecto, ainda que o sprint fosse um ponto forte.

A falta de resultados e o crescente poderio económico da UAE Team Emirates para ir buscar outros ciclistas, fez com que não tivesse uma segunda oportunidade para tentar mostrar que poderia ser o líder que pretendia em 2018. Chegou Alexander Kristoff, o norueguês que entrou em queda na Katusha-Alpecin, mas com um currículo de respeito. Swift teve de fazer o papel que tinha deixado ao sair da Sky.

"Ainda tenho ambições e objectivos para a minha carreira, mas também estou desejoso de trabalhar com os jovens. Há um incrível talento de jovens ciclistas a aparecer e eu tenho muita experiência para lhes transmitir", disse Swift, agora que foi confirmado que em 2019 vai regressar a casa. Que ambições são essas, não exemplificou, mas Rod Ellingworth, director de performance da Sky, elogiou Swift, destacando, contudo, como é um "modelo soberbo para os jovens ciclistas", numa altura em que a Sky está a reforçar a equipa com corredores muito novos e de muito talento.

Ben Swift faz 31 anos em Novembro e ao fecharem-se as portas de um papel principal, volta a uma equipa onde não terá um nível de exigência mais baixo só porque não irá lutar por vitórias. Muito pelo contrário. Contudo, certo é que Swift conhece bem o papel que vai desempenhar e a Sky conhece bem como Swift o desempenha. Com Egan Bernal, Jhonatan Narváez, Pavel Sivakov, Eddie Dunbar, Tao Geoghegan Hart (que ainda não renovou), Kristoffer Halvorsen, nomes para o futuro muito próximo da Sky, ter quem partilhe conhecimento, é essencial.

Coquard confessa que não soube lidar com tanta responsabilidade

A expectativa foi alta, talvez por isso a desilusão tenha sido também grande. Swift não conseguiu triunfar como líder numa equipa na qual não pôde contar com um apoio incondicional de companheiros em seu redor. Esteve sempre muito só, algo que também aconteceu com Rui Costa, por exemplo. A pressão pelos resultados esteve sempre presente e é preciso saber lidar com ela.

Mas se Swift não é o único culpado de a sua passagem na UAE Team Emirates não ter rendido um pouco mais, o mesmo não pode dizer de Bryan Coquard. Na Direct Energie foi ganhando respeito entre os sprinters, mesmo que as suas vitórias sejam maioritariamente em corridas francesas e nenhuma das principais. Ainda que estivesse a intrometer-se entre os grandes nomes. Sem surpresa, quis mais. Quis o World Tour e recusou renovar. A equipa nem o levou ao Tour em 2017.

Não houve espaço para Coquard numa das equipas do primeiro escalão e aceitou liderar o projecto da Vital Concept. A equipa foi construída em grande parte para ele, mas, claro, sem a capacidade financeira de uma Groupama-FDJ, ou AG2R, por exemplo, as duas equipas francesas do World Tour. Começou bem ao ganhar na Volta a Omã, batendo Mark Cavendish. Pode já não ser o sprinter de outros tempos, mas é Cavendish e o nome tem peso. Bateu ainda outro francês, Nacer Bouhanni (Cofidis). Mas 2018 ficou reduzido a três vitórias - ainda que tenha disputado bem vários sprints - e a um convite para o Tour que não chegou. Pelos resultados gerais deste ano, será uma surpresa se chegar em 2019.

Para Coquard o problema foi não saber lidar com a responsabilidade que lhe foi dada. "Estava pressionado. Quando se falava da Vital Concept, falava-se da equipa de Coquard", admitiu ao jornal Ouest-France. Acrescentou que a chegada de Pierre Rolland (EF Education First-Drapac p/b Cannondale) e Artur Vichot (Groupama-FDJ) será uma ajuda para se reencontrar com a tranquilidade e confiança que precisa, pois irá partilhar a responsabilidade de ganhar para que a equipa consiga o que mais deseja: estar na Volta a França.

Curiosamente, Rolland acaba por ser mais um exemplo de quem também quis mais, deixando a então Europcar (actual Direct Energie), mas não cumpriu. Na equipa americana não foi o líder que se esperava e acabou a lutar por etapas, quanto muito uns top dez. Soube a pouco para este trepador que tanto prometeu e talvez, como Swift, regressar a casa, no seu caso ao país, possa ser o que precisa.

E Coquard espera que Rolland e Vichot seja o que ele precisa, para, aos 26 anos ser o sprinter que se esperava ter um lugar no World Tour, mas nesta fase da carreira, está mais longe desse objectivo. Porém, pode partilhar a responsabilidade, mas nunca irá escapar à pressão de ganhar. É disso que mais vive um sprinter.


8 de janeiro de 2018

Organização lamenta, mas Coquard está mesmo fora do Tour... e do Paris-Nice

Em 2017 Coquard ficou de fora do Tour por decisão da equipa,
este ano mudou para uma nova que não recebeu um convite
(Fotografia: Jérémy-Günther-Heinz Jähnick/Wikimedia Commons)
Bryan Coquard começa o ano com duas desilusões e ainda nem começou a competir. A sua nova equipa, a Vital Concept, não recebeu um convite para a Volta a França, mas uma das outras corridas em que o sprinter queria estar presente também está fora de questão: o Paris-Nice. A ASO anunciou quem preenche as vagas de três das competições por etapas que organiza em França e a Vital Concept irá estar apenas no Critérium du Dauphiné. "Apenas" numa perspectiva que a equipa criada para 2018 tinha as ambições bem altas, mas há que salientar que o Dauphiné é uma corridas mais importantes do calendário, sendo vista como o teste final antes da Volta a França. Ou seja, quase todas as grandes figuras têm por hábito estarem presentes.

O desabafo de Coquard no Twitter diz tudo: "Sem convite mesmo sem ter tido tempo de colocar um dorsal. Muito desiludido." O sprinter francês só irá estrear-se na Sharjah Tour, no Dubai, entre 24 e 27 de Janeiro e tinha apelado à organização da Volta a França para adiar o anúncio dos convites umas semanas, para que assim a Vital Concept pudesse demonstrar que merecia ser uma das eleitas. Porém, confirmou-se o que já era esperado e os convites foram já atribuídos, para que as equipas possam preparar as temporadas a saber o que lhes espera, como havia alertado Thierry Gouvenou, director do percurso do Tour.

E não houve surpresas na atribuição dos convites: as formações francesas Cofidis, Direct Energie, Fortuneo-Samsic e a belga Wanty-Groupe Gobert foram as escolhidas. As mesmas de 2017. Christian Prudhomme, director do Tour e da empresa que o organiza, Amaury Sport Organisation (ASO), lamenta que Bryan Coquard fique de fora, tal como aconteceu no ano passado. A história foi então diferente, com o sprinter a ser excluído das escolhas da Direct Energie depois de ter anunciado que não iria renovar o contrato. Prudhomme acrescentou que este ano a escolha foi mais difícil por haver cinco candidatas a quatro lugares. Tal também significa que a Delko Marseille Provence KTM está longe de entrar nestas contas, mas como é uma equipa francesa Profissional Continental, recebeu um convite para o Paris-Nice, corrida que até Coquard queria, mas também não estará presente.

"Temos as duas primeiras equipas da segunda divisão: Wanty-Groupe Gobert e Cofidis [primeira e segunda do ranking europeu em 2017]. Temos atenção a esses rankings, como em qualquer modalidade. Também queríamos dar uma outra oportunidade a Nacer Bouhanni [Cofidis], que já ganhou etapas na Vuelta, no Giro, no Dauphiné e no Paris-Nice, mas nunca no Tour. A Cofidis está ciente que precisa de um ímpeto novo e, por isso, é que Cédric Vasseur é o novo director", salientou Christian Prudhomme à AFP, citado pelo Cycling News.

O responsável recordou que é um defensor de um "sistema aberto", isto é, de promoções e despromoções. Como ainda não está implementado, Prudhomme referiu que tenta dar oportunidade às melhores equipas do escalão Profissional Continental, o que além da Cofidis, justifica a chamada da Wanty-Groupe Gobert, que em 2017 deixou o director do Tour satisfeito com as exibições de ciclistas que nunca tinham competido na Volta a França.

"A atracção regional também existe para a Fortuneo-Samsic. Será a primeira vez em dez anos que iremos visitar a Bretanha [base da estrutura]. Claro que a maior força da equipa é o seu novo líder, Warren Barguil. É um super lutador que traz uma lufada de ar fresco." disse.

Ficam agora a faltar os convites para o Giro e Vuelta, mas o percurso da grande volta espanhola só será apresentado no sábado. CCC Sprandi Polkowice, Caja Rural, Aqua Blue Sport e Gazprom-Rusvelo são equipas que esperam poder estar novamente em pelo menos numa das corridas. A Androni Giocattoli-Sidermec e a Nippo-Vini Fantini não querem ficar outra vez de fora do Giro, enquanto em Espanha, as recém-chegadas ao escalão Profissional Continental, Burgos-BH e Euskadi Basque Country-Murias, tentarão estar na "sua" grande volta.


7 de janeiro de 2018

A pressão psicológica por um convite para a Volta a França

(Fotografia: Vital Concept)
A contagem decrescente para conhecer quem recebe os convites para a Volta a França aproxima-se do fim e a Vital Concept joga as suas cartas na tentativa de ganhar um. E pelo sim, pelo não, colocou na mesa o seu ás: Bryan Coquard. A nova equipa francesa, do escalão Profissional Continental, tem no sprinter a sua grande contratação e aponta boa parte da temporada a uma presença no Tour. Apesar de haver o discurso do "não faz mal se não formos", será certamente difícil esconder a desilusão se não houver um convite. E já que não haverá tempo para demonstrar na estrada que a Vital Concept merece estar entre as quatro eleitas, então sobram as palavras: "Se os organizadores da Volta a França derem os convites sem nos dar tempo para provar o nosso valor, eles podem arrepender-se."

O recado é de Bryan Coquard que tenta assim exercer uma pressão psicológica, que se junta à do director da equipa Jean-François Boulart. "Nós merecemos o nosso lugar", disse no final do ano ao jornal L'Equipe. Coquard tenta ganhar umas semanas que a Vital Concept poderá não ter para se mostrar. "Seria bom que eles esperassem um pouco e vissem o que nós podemos fazer. Espero que tenhamos tempo para nos mostrar. Quero dizer-lhes: 'Dêem-nos uma hipótese!'" O apelo tem razão de ser, pois Thierry Gouvenou, director do percurso do Tour já alertou que "é importante as equipas planearem as suas temporadas" e, por isso, não irá esperar por Março para decidir quem receber os quatro convites.

O anúncio poderá mesmo ser feito ainda em Janeiro e Bryan Coquard só começa a temporada na Sharjah Tour, no Dubai, entre 24 e 27 de Janeiro. Mesmo que até some algumas vitórias, dificilmente serão suficientes para convencer a organização do Tour, tendo em conta que o pelotão não terá a competitividade necessária para mostrar os pontos fortes de uma equipa que quer estar numa grande volta.

Coquard não tem de comprovar que é um dos melhores sprinters franceses, já se sabe, mas aos 25 ainda lhe falta uma vitória que o coloque ao nível de Nacer Bouhanni (Cofidis) ou Arnaud Démare (FDJ). O ciclista tomou a decisão de deixar a Direct Energie com o objectivo de dar um passo em frente na carreira. E ao anunciar publicamente a sua pretensão, acabou por ser excluído da equipa para o Tour em 2017. A Quick-Step Floors era um desejo, mas também era óbvio que se houvesse acordo, ficaria sempre em segundo plano devido a Fernando Gaviria. Se até Marcel Kittel optou por sair, não seria Coquard quem colocaria em causa o estatuto do colombiano. Bryan Coquard acabou seduzido por Jerome Pinaeu, antigo ciclista que está por de trás do nascimento da Vital Concept. O World Tour terá de esperar. Mas será que as principais corridas também vão ter de esperar?

Não há dúvidas quem é a estrela da equipa, que contratou outros nomes bem interessantes, como Kevin Réza e Johan le Bon (ex-FDJ), Kris Boeckmans (ex-Lotto Soudal), Steven Lammertink (ex-Lotto-Jumbo) e Jonas van Genecheten (ex-Cofidis).

Porque razão a Vital Concept corre o risco de não receber um convite para o Tour? Com as 18 equipas do World Tour a terem presença garantida, sobram quatro lugares para formações do segundo escalão, Profissional Continental. A Cofidis e a Direct Energie são presenças crónicas e têm demonstrado merecer, nem sempre com vitórias, mas têm equipas fortes, com bons resultados ao longo da temporada. E também têm capacidade comprovada em animar as etapas.

A agora Fortuneo-Samsic também tem recebido o convite nos últimos quatro anos e com Warren Barguil como a grande figura para 2018, seria estranho não ser uma das eleitas, tendo em conta que o francês venceu duas etapas e foi o rei da montanha na última edição do Tour. Sobra então um convite. Na lógica de ser entregue a uma equipa francesa, a Vital Concept teria como concorrente a Delko Marseille Provence KTM. Porém, o factor decisivo não é apenas a nacionalidade e a Delko que o diga, já que tem ficado de fora das escolhas. A concorrência vem mesmo da Bélgica. A Wanty-Groupe Gobert esteve pela primeira vez no Tour em 2017 e terá agradado aos organizadores.

E se os convites foram de facto decididos já no início do ano, então a Wanty-Groupe Gobert terá a vantagem de ter sido a melhor equipa do ranking europeu em 2017. A Vital Concept tem "apenas" a ambição de querer singrar no ciclismo, dependendo muito de Bryan Coquard para somar vitórias que permitam a equipa conquistar estatuto. O sprinter está com uma enorme vontade de estar nas principais corridas desde início do ano, mas enfrenta o mesmo problema do Tour: falta saber se haverá espaço para a Viltal Concept, se os organizadores vão abrir as portas à nova formação francesa.

"Quero estar na Milano-Sanreno, quer estar no Paris-Nice, quero estar na Amstel Gold Race e quero estar na Volta a França com a Vital Concept. Os organizadores podem ter a certeza: quando nós estivermos numa corrida, não estaremos lá para fazer número, será para ganhar", afirmou à AFP. Coquard realçou que a equipa pode não ter um currículo a apresentar, mas mostra-se confiante com os ciclistas que a compõem. Para si, tem o objectivo traçado: "Quero ser um grande sprinter. Todas as luzes estão verdes neste início de temporada. Estou muito, muito motivado."

Motivação é essencial, mas não deverá ser fácil viver na incógnita. A Direct Energie é uma presença habitual em grandes corridas, mas nada está garantido para a Vital Concept, pelo menos neste ano de estreia. Claro que os seus responsáveis e Coquard podem sempre esperar que aconteça uma surpresa como foi com a Aqua Blue Sport, equipa irlandesa que se estreou em 2017 e foi convidada para a Vuelta. E até ganhou uma etapa.



28 de junho de 2017

Decisão desportiva? Ciclista disse que queria sair da equipa e ficou fora do Tour

(Fotografia: Facebook Direct Energie)
Bryan Coquard não queria acreditar que o seu director desportivo fosse mesmo capaz de o deixar de fora da Volta a França só porque assumiu publicamente que queria deixar a Direct Energie no final do ano, quando o seu contrato terminar. Porém, o responsável da formação francesa não perdoou o que vê como uma traição e deixou de fora aquela que talvez seja a segunda maior estrela a nível de popularidade, atrás de Thomas Voeckler, mas certamente a maior no que diz respeito a resultados nos últimos anos.

Coquard tem 25 anos e é um promissor sprinter. Ficamos ainda pelo promissor, pois apesar dos 33 triunfos como profissional, ainda não mede forças regularmente com os melhores, pois tem sido fiel à estrutura da Direct Energie (do escalão Profissional Continental), onde está desde os tempos de formação. Porém, o francês percebeu que chegou o momento de dar o salto. Para ser um dos melhores, tem de estar sempre entre os melhores. É altura de mudar-se para o World Tour. Não deverá ter problemas em encontrar uma equipa, mas terá problemas em manter uma boa relação com Jean-René Bernaudeau. O director da Direct Energie bem avisou e quando Coquard disse que não continuaria na formação, o resultado foi a exclusão do nove eleito para o Tour.

"Estou muito desiludido. Queria mesmo fazer parte do grupo. Estou muito triste. Significaria muito para mim estar na Volta a França", referiu o sprinter ao jornal gaulês Ouest France. E numa guerra de palavras na imprensa escrita. Bernaudeau disse ao Le Parisien que a "decisão foi puramente desportiva". Apesar de ter começado bem o ano, o director considera que o ciclista não tem alcançado resultados nas semanas mais recentes. A última vitória, das cinco este ano, foi a 24 de Maio na Volta a Bélgica. Bernaudeu terá mesmo feito um ultimato a Coquard no Critérium du Dauphiné: ou ganhava uma etapa e batia o compatriota Arnaud Démare (FDJ) ou ficaria de fora do Tour. O melhor que o sprinter conseguiu foi um terceiro lugar. "Há várias semanas que ele não faz nada", afirmou o responsável.

"No Dauphiné nem perturbou o Démare nos sprints. Nos Nacionais nem conseguiu ficar na roda do Démare como lhe tínhamos dito para fazer", salientou Bernaudeu, que acrescentou que se Coquard tivesse batido ou mostrado que poderia bater Démare nos últimos dois meses, então a decisão poderia ter sido outra.

A discussão começou e só deverá terminar quando Coquard mudar de ares, pois relativamente aos Nacionais, a Direct Energie preocupou-se em proteger Adrien Petit, não se preocupando com Coquard quando este ficou em dificuldades devido ao vento. Petit foi 31º a 29 segundos do vencedor, Coquard perdeu mais de três minutos. E Arnaud Démare é o novo campeão francês.

Desanimado, Coquard vai regressar à pista para tentar recuperar algum ânimo, confiança e motivação. Sem o Tour, o principal objectivo do jovem sprinter francês é agora garantir um contrato que lhe permita dar o desejado salto e deixar para trás esta triste forma de se despedir da equipa em que se fez ciclista.

Quanto à Direct Energie, o foco estará em proporcionar a Thomas Voeckler a melhor despedida possível, que passa por tentar conquistar uma etapa. Quando chegar aos Campos Elísios no dia 23 de Julho, o veterano ciclista de 38 anos terminará a longa carreira. Porém, a equipa também irá procurar que se faça uma espécie de passagem de testemunho. Lilian Calmejane está a tornar-se na nova figura para as provas por etapas. Tem 24 anos e só ele bate este ano Coquard quanto a vitórias na Direct Energie  somando seis.


2 de julho de 2016

Sprinters ao ataque da camisola amarela

Ela está em Utah Beach-Sainte-Marie-Du-Mont à espera daquele que será o primeiro líder da Volta a França. É ano para os sprinters perseguirem o sonho de vestir a camisola amarela e a etapa é feita a pensar neles e só neles. Qualquer outro vencedor será uma surpresa. Vestir este sábado aquela camisola é quase tão significativo para os sprinters como ganhar nos Champs-Elysées, no tradicional último dia do Tour. Candidatos não faltam, mas falta saber se será como no Giro: todos contra Marcel Kittel? O alemão tem dominado, no entanto, a concorrência para estar bem mais à altura do que na Volta a Itália.

Marcel Kittel (28 anos) chega ao Tour com o orgulho um pouco ferido. Perdeu os Nacionais para André Greipel (33), que ameaça ser o seu principal rival. Kittel soma nove vitórias de etapas - incluindo duas na Volta ao Algarve - no ano de estreia pela Ettix-QuickStep. Conquistou ainda a Volta ao Dubai e a classificação por pontos, que também o fez no Algarve. Aquele péssimo 2015 está esquecido - falhou grande parte da temporada devido a doença - e o alemão regressa ao Tour para tentar restabelecer-se como o rei dos sprints.

Apesar da Ettix-QuickStep ter Julian Alaphilippe e Daniel Martin para apostar noutro tipo de etapas, a equipa estará no apoio a Kittel que bem poderá precisar dela se Greipel apresentar-se como há um ano. Venceu quatro etapas e já lá vão dez no Tour, conquistadas ao longo de cinco edições. Kittel soma oito... em apenas duas.

O ano não tem sido fácil para Greipel, que teve uma aparatosa queda no Algarve. Porém, chega ao Tour com oito vitórias e com o moral em alta depois de voltar a sagrar-se campeão alemão e de um Giro onde alcançou três vitórias, mas já todas sem Kittel na corrida (venceu duas etapas antes de abandonar).

Da rivalidade alemã para a rivalidade francesa... que não haverá. Será certamente uma desilusão para os adeptos gauleses que este ano esperavam ver os seus ciclistas em grande no sprint e na luta pela geral. Arnaud Démare já se esperava que ficasse de fora, visto que a FDJ está 100% concentrada em ajudar o líder Thibaut Pinot. Sobrava então Nacer Bouhanni e Bryan Coquard. O ciclista da Cofidis andou ao murro e acabou por ser excluído a três dias do arranque do Tour. Ficou Bryan Coquard. Manteve-se fiel à estrutura Direct Energie - antiga Europcar -, apesar da tentação para subir ao World Tour, mas ninguém tem dúvidas que Coquard (24 anos) tem qualidade para estar ao nível dos melhores.

Coquard soma 11 vitórias em 2016, nenhuma em provas World Tour, mas não lhe retira qualquer mérito. É que o francês conquistou ainda a geral dos 4 Dias de Dunquerque e da Boucles de la Mayenne. Venceu também as respectivas classificação por pontos, camisola também garantida na Etoile de Bessèges.

Alexander Kristoff (28 anos) é uma grande incógnita. O ciclista norueguês da Katusha parecia que ia ter mais um ano vitorioso no arranque da temporada, mas rapidamente perdeu gás. Até tem seis triunfos, mas não tem demonstrado o poderio de 2015 que ainda assim acabou por ter a frustração de não conquistar nenhuma etapa no Tour. Tem duas de 2014. Tal como Kittel, Kristoff também não estará muito satisfeito com o resultado dos Nacionais, com Edvald Boasson Hagen a ser mais uma vez o mais forte.

E depois temos Mark Cavendish. Até recentemente discutia-se se não seria o melhor sprinter de sempre. Como outros foi o melhor até aparecer alguém mais forte. Foi vítima do normal ciclo do ciclismo. Teve o seu momento e agora é Kittel que gera a discussão se é o melhor de todos os tempos... até aparecer alguém que comece a somar muitas vitórias ao sprint.

Aos 31 anos, o britânico teve de deixar a toda poderosa Etixx-QuickStep que piscava o olho a Kittel. Cavendish encontrou refugio na Dimension Data, mas os resultados vão piorando de ano para ano. Três vitórias de etapa e a geral na Volta ao Qatar. É impossível não se sentir que é uma desilusão. Pelo meio regressou à pista e sagrou-se campeão do mundo de Madison ao lado de Bradley Wiggins e garantiu um lugar nos Jogos Olímpicos, como ambicionava. Mas a Dimension Data quer resultados na estrada e não terá gostado de saber que o seleccionador britânico avisou que Cavendish poderia ter de abdicar de chegar ao fim do Tour para participar no estágio para os Jogos do Rio de Janeiro. Na conferência de imprensa de antevisão, o britânico garantiu que está em França para chegar aos Champs-Elysées, mas assume um discurso modesto - algo pouco habitual nele -, sabendo da forte concorrência que tem e deixando muitas dúvidas sobra a sua forma.

Porém, há que não esquecer: Cavendish tem 26 vitórias de etapa no Tour e ainda persegue o recorde de Eddy Merckx: 34. Parece estar ali tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Há um ano só ganhou uma, em 2014 desistiu na segunda etapa devido a uma queda, em 2013 somou apenas duas. O domínio de outrora desvaneceu-se e mais do que o recorde, Cavendish ficará satisfeito se somar pelo menos um triunfo. Para ele será uma missão cumprida.

Fazem de sprinters, não são bem sprinters, mas estão lá a sprintar

Os ciclistas anteriores são os chamados puros sprinters. Mas há aqueles que sabem sprintar (e bem) e que certamente procuram fazer uma gracinha. Falamos claro de Peter Sagan. É muito forte no sprint, mas quando defronta um Kittel ou um Greipel encontra algumas dificuldades para os superar. Sagan (26 anos) quer mais uma camisola verde (dos pontos), a quinta que lhe permitirá igualar o recorde do alemão Erik Zabel. Mas este ciclista gosta de desafios e porque não tentar chegar a amarela? É que até tem possibilidade para tal, pois se não for ao sprint, até pode conseguir na segunda etapa, que já não agrada aos tais puros sprinters.

E se falamos de Peter Sagan temos de falar de John Degenkolb e de Greg Van Avermaet. O primeiro procura a primeira vitória do ano depois de um acidente na pré-temporada - foi atropelado por uma idosa que circulava em contra-mão -, no qual quase perdeu um dedo, enquanto Avermaet recuperou da queda na Volta a Flandres, tendo este ano vencido três etapas e ainda a geral do Tirreno-Adriático.

Com estes ciclistas nunca se sabe, mas a apostar... esta é uma etapa para os puros sprinters.

Etapa 1: Mont-Saint-Michel - Utah Beach-Sainte-Marie-Du-Mont (188 quilómetros)


Este ano o Tour começa em casa. Numa etapa feita maioritariamente junto à costa (zona oeste). A chegada será feita num local histórico, pois foi uma das praias onde os aliados desembarcaram a 6 de Junho de 1944, no Dia D da II Guerra Mundial.


Présentation - Etape 1 par Thierry GOUVENOU... por tourdefrance