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7 de janeiro de 2020

Movistar renovada, UAE Team Emirates a apostar nos jovens e uma nova era na Sunweb

Entre as últimas seis equipas das 19 do principal escalão que faltavam publicar, é inevitável olhar para a Movistar de Nelson Oliveira. Por norma é uma formação que prima pela continuidade, fazendo poucas mexidas de ano para ano. Em 2020 tem 12 novos ciclistas! Ficou ainda sem três dos seus líderes: Nairo Quintana, Mikel Landa e Richard Carapaz.

Outra equipa em destaque é a UAE Team Emirates, que conta com os portugueses Rui Costa e os gémeos Oliveira. Mantém-se a aposta na contratação de jovens talentos, como é o caso de Mikkel Bjerg e Brandon McNulty, mas procurou equilibrar com reforços mais experientes. Max Richeze chega para ser novamente o lançador de um Fernando Gaviria que desiludiu em 2019, também devido a uma lesão.

Sem Tom Dumoulin, a Sunweb entra numa nova fase. Se na casa já está Sam Oomen e Michael Matthews, Tiesj Benoot é um reforço de peso para as clássicas. A Dimension Data muda de nome para NTT, troca o branco pelo azul na camisola e Victor Campenaerts é a principal contratação, enquanto na Trek-Segafredo, Vincenzo Nibali é a nova figura da equipa. Na Mitchelton-Scott pouco se mexe na equipa e no equipamento.

(Em baixo tem os links da apresentação das restantes equipas agora denominadas de WorldTeams.)

Mitchelton-Scott
(Fotografia: Twitter Mitchelton-Scott)
Simon Yates, Adam Yates, Daryl Impey, Johan Esteban Chaves, Christopher Juul-Jensen, Luka Mezgec, Mikel Nieve, Edoardo Affini, Michael Albasini, Jack Bauer, Sam Bewley,  Brent Bookwalter, Luke Durbridge, Alex Edmonson, Tsgabu Grmay, Kaden Groves, Jack Haig, Lucas Hamilton, Michael Hepburn, Damien Howson, Cameron Meyer, Nick Schultz, Callum Scotson, Dion Smith e Robert Stannard.

Reforços: Andrey Zeits (Astana), Barnabás Peák (SEG Racing Academy) e Alexander Konychev (Dimension Data for Qhubeka).

Saídas: Matteo Trentin (CCC) e Mathew Hayman (terminou a carreira a 20 de Janeiro de 2019).

Movistar
(© Photo Gomez Sport/Movistar)
Alejandro Valverde, Nelson Oliveira, Marc Soler, Carlos Verona, Imanol Erviti, Jorge Arcas, Carlos Betancur, Héctor Carretero, Lluís Mas, Antonio Pedrero, Eduard Prades, Jürgen Roelandts, José Joaquín Rojas e Eduardo Sepúlveda.

Reforços: Enric Mas (Deceuninck-QuickStep), Davide Villella (Astana), Dario Cataldo (Astana), Mathias Norsgaard (Riwal Readynez), Juri Hollman (Heizomat Rad-Net.de), Gabriel Cullaigh (Team Wiggins Le Col), Sergio Samitier (Euskadi-Murias), Sebastián Mora (Caja Rural), Juan Diego Alba (Coldeportes), Iñigo Elosegui (Lizarte), Matteo Jorgenson (Chambéry Cyclisme Formation), Albert Torres (G.E.Es Port), Johan Jacobs (Lotto Soudal sub-23) e Einer Rubio (Vejus Aran).

Saídas: Nairo Quintana (Arkéa Samsic), Mikel Landa (Bahrain McLaren), Richard Carapaz (Ineos), Carlos Barbero (NTT), Jasha Sütterlin (Sunweb), Rafael Valls (Bahrain McLaren), Winner Anacona (Arkéa Samsic), Rubén Fernández (Fundación-Orbea), Jaime Castrillo (Kern Pharma) Daniele Bennati (terminou a carreira), Jaime Rosón (despedido em Junho depois de ser suspenso por doping, sanção que termina em 2022).

Em suspenso: Andrey Amador assinou um pré-contrato de renovação de vínculo com a Movistar e depois assinou outro com a Ineos, para onde quer mudar-se. Aguarda agora a decisão da UCI para saber se pode transferir-se para a equipa britânica.

NTT (ex-Dimension Data)
(© NTT Pro Cycling)
Louis Meintjes, Roman Kreuziger, Ben O'Connor, Edvald Boasson Hagen, Enrico Gasparotto, Michael Valgren, Stefan de Bod, Nic Blamini, Amanuel Ghebreigzabhier, Ryan Gibons, Reinardt Janse van Rensburg, Gino Mäder, Giacomo Nizzolo, Andreas Stokbro, Jay Robert Thomson, Rasmus Tiller e Danilo Wyss.

Reforços: Domenico Pozzovivo (Bahrain-Merida), Victor Campenaerts (Lotto Soudal), Carlos Barbero (Movistar), Max Walscheid (Sunweb), Michael Gogl (Trek-Segafredo), Benjamin Dyball (Team Sapura), Samuele Battistella (Dimension Data for Qhubeka), Matteo Sobrero (Dimension Data for Qhubeka), Andreas Stokbro (Riwal Readynez), Dylan Sunderland (BridgeLane) e Shotaro Iribe (Shimano Racing Team).

Saídas: Mark Cavendish (Bahrain McLaren), Tom-Jelte Slagter (B&B Hotels-Vital Concept, Julien Vermote (Cofidis), Scott Davies (Bahrain McLaren), Bernhard Eisel (sem equipa), Lars Bak, Mark Renshaw, Steve Cummings, Jacques van Rensburg e Jaco Venter terminaram a carreira.

Sunweb
(© Team Sunweb)
Sam Oomen, Michael Matthews, Cees Bol, Wilco Kelderman, Soren Kragh Andersen, Nicholas Roche, Casper Pedersen, Nikias Arndt, Chad Haga, Chris Hamilton, Jai Hindley, Marc Hirschi, Max Kanter, Asbjorn Kragh Andersen, Joris Nieuwenhuis, Robert Power, Michael Storer, Forian Stork e Martijn Tusveld.

Reforços: Tiesj Benoot (Lotto Soudal), Jasha Sütterlin (Movistar), Nico Denz (AG2R), Ilan Van Wilder (Lotto Soudal sub-23), Mark Donovan (Team Wiggins Le Col), Albert Dainese (SEG Racing Academy), Thymen Arensman a partir de 1 de Julho (SEG Racing Academy), Nils Eekhoff, Felix Gall e Martin Salmon estavam na equipa de desenvolvimento da Sunweb.

Saídas: Tom Dumoulin (Jumbo-Visma), Lennard Kämna (Bora-Hansgrohe), Max Walscheid (Bora-Hansgrohe), Louis Vervaeke (Alpecin-Fenix), Jan Bakelants (Circus-Wanty Gobert), Roy Curvers e Johannes Fröhlinger terminaram a carreira.

Trek-Segafredo
(© Trek-Segafredo)
Mads Pedersen (campeão mundial), Richie Porte, Giulio Ciccone, Bauke Mollema, Ryan Mullen, Jasper Stuyven, Edward Theuns, Toms Skujins, Gianluca Brambilla, Will Clarke, Nicola Conci, Koen de Kort, Niklas Eg, Alex Kirsch, Jacopo Mosca, Matteo Moschetti e Kiel Reijnen.

Reforços: Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), Antonio Nibali (Bahrain-Merida), Kenny Elissonde (Ineos), Emils Liepins (Wallonie-Bruxelles), Alexander Kamp (Riwal Readynez), Michel Ries (Kometa), Juan Pedro López (Kometa), Quinn Simmons (Lux-Strading p/b Specialized) e Charlie Quarterman (Holdsworth Zappi RT).

Saídas: John Degenkolb (Lotto Soudal), Fabio Felline (Astana), Michael Gogl (NTT), Fumiyuki Beppu (Nippo Delko One Provence), Alex Frame (sem equipa), Peter Stetina e Markel Irizar terminaram a carreira, Jarlinson Pantano terminou a carreira em Abril, depois de ter sido suspenso provisoriamente por suspeita de doping.

UAE Team Emirates
(© UAE Team Emirates)
Tadej Pogacar, Fabio Aru, Fernando Gaviria, Rui Costa, Sergio Henao, Jasper Philipsen, Ivo Oliveira, Rui Oliveira, Diego Ulissi, Tom Bohli, Sven Erik Bystrom, Valerio Conti, Alessandro Covi, Alexander Kristoff, Vegard Stake Laengen, Marco Marcato, Juan Sebastián Molano, Cristian Camilo Muñoz, Yousif Mirza, Jan Polanc, Oliviero Troia, Edward Ravasi e Alexandr Riabushenko.

Reforços: Max Richeze (Deceuninck-QuickStep), Davide Formolo (Bora-Hansgrohe), David de la Cruz (Ineos), Joe Dombrowski (EF Education First), Brandon McNulty (Rally UHC Cycling), Mikkel Bjerg (Hagens Berman Axeon), Alessandro Covi (Colpack), Andrés Camilo Ardila (EPM Scott).

Saídas: Daniel Martin (Israel Start-Up Nation), Rory Sutherland (Israel Start-Up Nation), Simone Consonni (Cofidis), Simone Petilli (Circus-Wanty Gobert), Manuel Mori e Roberto Ferrari terminaram a carreira, Kristijan Durasek foi despedido depois de ter sido suspenso por doping, até 2023.


5 de novembro de 2019

Mais uma oportunidade para André Greipel e Mark Cavendish

(Fotografias: © Arkéa Samsic e © Team Dimension Data)
André Greipel vai regressar ao World Tour, numa derradeira tentativa de sair do ciclismo pela porta grande. A experiência na Arkéa Samsic não foi positiva e o alemão procurava um novo desafio para evitar a retirada aos 37 anos. A Israel Cycling Academy vai dar a oportunidade que o "Gorila" procurava. No aproximar do final de uma era no sprint, também Mark Cavendish vai mudar de ares, esperando que ao reunir-se com um dos homens responsáveis pelo seu sucesso, possa reencontrar-se com algumas boas exibições frente a uma nova geração que já tomou conta da especialidade. A Bahrain-Merida quer tentar recuperar o sprinter, que ainda não perdeu a esperança de tornar-se o recordista de vitórias no Tour.

"Não sou alguém que esteja a olhar para o passado. Quero apenas olhar para o futuro e começar a partir daí. Estou ciente das minhas capacidades e vou dar o meu melhor", afirmou Greipel, no dia em que a Israel Cycling Academy confirmou mais uma figura para o projecto que se prepara para dar o salto para o World Tour, em 2020. Greipel vai juntar-se a Dan Martin, irlandês que trocará a UAE Team Emirates pela equipa israelita, que comprou a licença da Katusha-Alpecin.

Nas últimas três temporadas, o tempo começou a apanhar Greipel e as vitórias diminuíram, sendo claro a dificuldade em medir forças com os sprinters então emergentes (entretanto já mais do que confirmados) como Fernando Gavira e Dylan Groenewegen, por exemplo. A difícil relação com o então director da Lotto Soudal, Paul de Geyter - que acabou por sair da equipa - resultou no adeus de Greipel a uma estrutura, depois de oito anos de muitas e importantes vitórias.

O alemão venceu apenas uma etapa na Tropicale Amissa Bongo, em Janeiro, pela Arkéa Samsic. Na Volta a França, mal se viu nos sprints. Greipel nem terminou a temporada, rescindindo o contrato em Outubro. A Israel Cycling Academy justifica a contratação do veterano por acreditar que pode ainda ganhar, mas "mais importante, pela vasta experiência que traz à equipa, tanto nas clássicas, como nas discussões ao sprint". Ou seja, Greipel vai ter de assumir um papel de voz de comando, numa equipa que vê a chegada ao World Tour como apenas mais uma passo na sua subida de nível. A Israel Cycling Academy quer tornar-se nos próximos anos numa equipa forte e ganhadora.

11 etapas no Tour, sete no Giro, quatro na Vuelta... e são apenas algumas de um currículo de luxo de um sprinter fantástico e que é difícil não pensar que merece um final de carreira mais animador do que a temporada que Greipel viveu na Arkéa Samsic, equipa que pertencia ao escalão Profissional Continental. E há que não esquecer que na primeira fase da sua carreira foi um lançador importante para Mark Cavendish, outro sprinter à procura de melhores dias.

O diagnóstico do vírus Epstein-Barr fez a carreira do britânico cair a pique. A Dimension Data ainda renovou contrato com o ciclista para 2019, mas depois até o deixou de fora do Tour, algo que não acontecia há 13 anos. Aos 34, Cavendish é um sprinter que merece o respeito de todos, mas já não é visto como ameaça de outrora. O britânico recusa desistir e viu com bons olhos a possibilidade de trabalhar de novo com o director Rod Ellingworth, o homem que o ajudou a sagrar-se campeão do mundo em 2011 e não só. Ellingworth deixou a Sky/Ineos para liderar uma Bahrain-Merida que vai entrar na era pós-Vincenzo Nibali e tentar dar um passo rumo ao plano de se tornar numa das equipas referências do pelotão mundial.

Recentemente Cavendish regressou à pista e mostrou estar bem melhor fisicamente, mas mantém-se a incógnita de como se poderá apresentar na estrada em 2020. O britânico não faz segredo que lhe resta um objectivo a cumprir na carreira: igualar ou mesmo ultrapassar as vitórias de etapas no Tour de Eddy Merckx (34). Cavendish vai em 30. Uma marca ali tão perto, mas que depois das últimas três temporadas parece estar tão longe de alcançar.

Greipel e Cavendish, dois gigantes do sprint, dois ciclistas que marcaram uma era e serão sempre recordados como dos melhores na vertente. O tempo não perdoa, mas nenhum está ainda disposto a deixar a bicicleta. Assinaram apenas por uma temporada pelas respectivas equipas. É o tudo ou nada para ambos.

»»Sky perde um dos directores que a levou ao sucesso e que mudou o ciclismo britânico««

»»Época de despedida para muitos dos ciclistas mais experientes««

4 de novembro de 2019

Uma época em que tudo falhou

(Fotografia: Facebook Team Dimension Data for Qhubeka)
A temporada da Dimension Data é medida por todos os objectivos que não foram alcançados. E tirando a vitória no Critérium du Dauphiné, nenhum foi concretizado. Poucas vitórias (sete) e apenas uma no World Tour. Falhou em todas as frentes: clássicas, sprints, gerais. Não conseguiu recuperar ciclistas como Louis Meintjes e Ben O'Connor, já para não falar de Mark Cavendish. Os ciclistas mais experientes não foram desta feita garantia de algum sucesso e os mais novos não conseguiram singrar. A única ideia que fica de 2019 é que é urgente reformular uma equipa que até está habituada a terminar mal colocada no ranking, mas ainda assim costuma ter alguma história positiva para contar. Este ano apenas ficou confirmado a necessidade de reformulação, que já em 2018 tinha ficado claro ser urgente arrancar.

Também não ajudou que reforços como Michael Valgren ou Giacomo Nizzolo não tenham rendido o esperado. O italiano ainda deu três vitórias à equipa (uma etapa na Eslovénia, Burgos e outra em Omã), mas é um sprinter que há algum tempo demonstra não ter capacidade para disputar triunfos com os principais nomes da especialidade. Ainda assim surgiu na luta em certas corridas e o mesmo não se pode dizer de Valgren. O dinamarquês eclipsou-se nesta mudança para a Dimension Data, depois de uma temporada fenomenal na Astana. Em 2018 conquistou a Omloop Het Nieuwsblad e Amstel Gold Race. Em 2019, quase deu para esquecer que estava a competir.

Há um ano, Ben King salvou um pouco a honra da equipa sul-africana ao conquistar duas etapas na Vuelta, mas nem o americano, nem Steve Cummings, muito menos Mark Cavendish conseguiram uma grande vitória, ainda que Edvald Boasson Hagen tenha o mérito de ter ganho no Critérium du Dauphiné, a única conquista World Tour de 2019 para a Dimension Data. E ainda andou um dia de camisola amarela.
Ranking: 22º (4357,35 pontos)
Vitórias: 7 (incluindo uma etapa no Critérium du Dauphiné - houve ainda mais duas conquistas de Ryan Gibbons no contra-relógio dos Jogos Africanos e de Stefan de Bod no contra-relógio dos Campeonatos Continentais Africanos, ao serviço da selecção sul-africana)
Ciclistas com mais triunfos: Edvald Boasson Hagen e Giacomo Nizzolo (3)
Depois houve Louis Meintjes. Ou melhor, não houve. Nesta sua segunda temporada após o regresso "a casa", depois de ter representado a Lampre-Merida/UAE Team Emirates, o sul-africano foi novamente uma sombra do senhor regularidade de outras temporadas, em que terminar no top dez em grandes voltas ou noutras corridas importantes era algo normal. Para quem quer ganhar a Volta a França, Meintjes tem um longo caminho a percorrer, começando por recuperar a forma de outros anos. Porém, as fracas prestações, tendo em conta a aposta feita no ciclista, pesam muito numa equipa que tanto precisa deste corredor. Tem apenas 27 anos, pelo que ainda vai muito a tempo de mostrar o seu melhor. E a Dimension Data bem precisa.

Quanto a Mark Cavendish, os problemas de saúde marcaram novamente a temporada do britânico que, ainda assim, ambicionou estar no Tour, preparou-se para tal, mas ficou de fora das opções por decisão de um dos directores. Não terá sido consensual, contudo, desde logo ficou a impressão que a relação que começou tão bem entre Cavendish e Dimension Data em 2016, estava a chegar ao fim. Há um ano, o sprinter viu o seu contrato ser renovado, muito devido precisamente ao respeito e agradecimento por Cavendish ser o autor de alguns dos maiores sucessos desta equipa, desde que chegou ao World Tour. Agora é altura de seguirem caminhos diferentes. Cavendish vai para a Bahrain-Merida. A Dimension Data ainda está à procura de um rumo que a leve a melhores dias.

Para 2019 houve uma mudança na aposta de ciclistas, diminuindo a presença de sul-africanos para dar mais espaço a corredores com outra experiência e que pudessem dar resultados mais no imediato à equipa. As contratações não resultaram. Para 2020, a equipa mudará de nome para NTT e a saída de Cavendish acaba por libertar mais orçamento, dado o elevado salário do ciclista (que ainda assim terá sido reduzido para 2019). Contratou um sprinter que esta temporada mostrou mais o seu potencial: o alemão Max Walscheid (Sunweb). O maior investimento foi em Victor Campenaerts. Chegou a ser dado quase como certo na Ineos, mas o belga deixou a Lotto Soudal para ter um papel de maior destaque na NTT, que ganha um dos especialistas no contra-relógio e o recordista da hora.

Carlos Barbero (Movistar) e Michael Gogl (Trek-Segafredo) vão trazer experiência, para contrastar com as chegadas dos jovens Samuele Battistella (Dimension Data for Qhubeka), Samuele Battistella (Riwal Readynez), Matteo Sobrero (Dimension Data for Qhubeka) e Dylan Sunderland (Team BridgeLane).

Apesar do sonho de levar um sul-africano ao pódio da Volta a França, ou de outra grande volta, a Dimension Data/NTT não tem planos como outras equipas de se transformar numa potência do ciclismo. Quer manter alguma ligação às origens, ainda que perceba que para triunfar no World Tour tem de ir mais além nos ciclistas que escolhe. Falta acertar nas contratações. Desportivamente, 2020 será um ano importante. Mais e melhores resultados são necessários.

»»Katusha-Alpecin despede-se com mais uma época para esquecer««

16 de setembro de 2019

O adeus de um ciclista que guiou Mark Cavendish a tantas vitórias

Cavendish e Renshaw, uma dupla inesquecível (Fotografia: © Twitter Dimension Data)
Um dos melhores ciclistas que um sprinter poderia ter como lançador terminou a sua carreira. A Volta a Grã-Bretanha marcou o adeus de Mark Renshaw e foi como tinha de ser, com Mark Cavendish a seu lado, não tivesse sido este o sprinter que muito beneficiou do trabalho do australiano. Cavendish ficará na história como um dos melhores nesta especialidade e é o primeiro a admitir que também o deve a um Renshaw exímio a colocar o seu líder na melhor posição para atacar a meta.

"Há dez anos eu comecei a seguir a roda de um macio como seda australiano nos sprints e não demorou muito para que fossemos praticamente imparáveis", escreveu Cavendish no Twitter, quando Renshaw anunciou a despedida em Julho. O britânico admitiu desde logo que gostaria de competir mais uma vez com o seu lançador e a Dimension Data juntou-os na Grã-Bretanha para a despedida. Ambos ficaram para trás na última etapa para assim cortarem a meta lado a lado, mas houve mais um ciclista que não quis falhar o momento. O austríaco Bernhard Eisel  - companheiro na Dimension Data e na HTC Highroad - também fez questão de estar ao lado de um Renshaw que não segurou as lágrimas.

"Já chorei durante a corrida. Não vou mentir. É um momento emotivo e acho que vou ficar ainda mais emocional nas próximas 24 horas", afirmou Renshaw. No domingo, Manchester marcou o final de uma carreira que não foi esquecida durante a Volta à Grã-Bretanha, com o ciclista a ser muito procurado por jornalistas e também adeptos. E quando se prepara para um novo ciclo, a sua família marcou presença e o filho mais velho até esteve na berma da estrada para dar um bidão ao pai.

Na hora do adeus, aos 36 anos (faz 37 a 22 de Outubro), é precisamente à família que Renshaw se quer dedicar, pois tem três filhos: "Estou confiante que a partir de 2020 poderei ficar no desporto de certa forma, mas também será uma oportunidade para perseguir outras paixões que tiveram de ser colocadas de lado. Também quero relaxar com a família e amigos. O que estou mais entusiasmado é o poder passar mais tempo a ser pai para o Will, Olly e Maggie e dar à minha mulher Kristina algum apoio extra."

Renshaw considera que é a altura certa para terminar a carreira. "O meu corpo e mente já não me permitem para competir ao nível exigido numa corrida como a Volta a França", admitiu. O australiano tem escola de pista e estreou-se na estrada como profissional na Fdjeux.com em 2004, depois de estagiar na formação francesa no ano anterior. Crédit Agricole (2006 a 2008), HTC-Highroad (2009 a 2011), Rabobank (2012 e 2013), Omega Pharma-Quickstep (2014 e 2015) e Dimension Data (2016 a 2019) foram as restantes equipas que representou.

As prestações nas equipas francesas como sprinter, com boas vitórias, mas também já a mostrar capacidade para ser um lançador de muita qualidade levaram-no até à HTC-Highroad, estrutura na qual iniciou a parceria de sucesso com Cavendish. No entanto, as boas prestações fizeram crescer a vontade de também ele se afirmar como sprinter e decidiu seguir o seu rumo numa Rabobank. Porém, a equipa que não viveria tempos fáceis no final de 2012 quando perdeu o patrocinador e ainda competiu parte de 2013 como Blanco (sem patrocínio, portanto) antes de chegar a Belkin. Renshaw só somou duas vitórias, mais uma num contra-relógio colectivo do Tirreno-Adriatico. O principal triunfo nesta fase da carreira foi a primeira etapa do Eneco Tour em 2013.

Não se afirmou como sprinter principal e em 2014 decidiu regressar ao seu papel de lançador de Cavendish e a sua carreira ficou então definida no que Renshaw foi de facto um especialista. Não mais deixou o seu líder, nem na mudança para a Dimension Data. Em 2016 a dupla viveu o seu último grande momento de glória com Cavendish a ganhar quatro etapas na Volta a França e Renshaw a estar a seu lado em três, antes de abandonar da corrida. Depois o britânico entrou em declínio, muito devido a um problema de saúde e dupla foi desaparecendo entre os novos nomes do sprint que entretanto se afirmaram.

"Algumas das minhas melhores memórias são a minha primeira vitória na Taça de França, Tro-Bro Leon. Foi um enorme peso que saiu dos meus ombros naquela fase da carreira, enquanto ganhar uma etapa e a classificação geral da Volta ao Qatar são memórias que me fazem sorrir ao olhar para a minha carreira. Outras boas memórias foram os momentos em que trabalhei para os companheiros de equipa e para o sucesso deles. Terminar em segundo nos Campos Elísios atrás do meu companheiro de equipa Mark Cavendish em 2009, na Volta a França, foi inesquecível", recordou Renshaw.

»»Doença força fim de carreira, mas ciclista quer dedicar-se à vela e música. Até tem uma banda««

»»Fim de carreira aos 26 anos««

16 de julho de 2019

Dimension Data com novo nome para 2020

(Fotografia: Facebook Team Dimension Data)
Se há equipa que está a precisar de profundas mudanças é a Dimension Data. O projecto sul-africano que tanta atenção chamou ainda nos escalões inferiores, até começou bem no World Tour em 2016, mas tem enfrentado muitas dificuldades para ser mais regular em termos de bons resultados. Ano após ano tem ficado no último lugar do ranking. Chegou a apanhar um susto quando a UCI falou na criação de um sistema de promoção de despromoção. Com um orçamento limitado, a equipa viu-se obrigada a alterar um pouco a sua filosofia para 2019, mas nem assim as perspectivas estão a melhorar. Há mais mudanças a fazer, mas, por agora, a primeira para 2020 será o novo nome: a Dimension Data passará a ser a Team NTT.

Em Maio houve uma fusão entre a Dimension Data, uma empresa especializada em tecnologia de informação com sede em Joanesburgo, e a japonesa NTT. O objectivo passa para que NTT seja o nome único da empresa, o que faz com que as camisolas da equipa sul-africana também adoptam a nova denominação. Se estas alterações na empresa significará mudanças no orçamento, ainda está por se perceber, mas o projecto está previsto ficar na estrada pelo menos mais dois anos.

Mais do que o nome, é desportivamente que a equipa precisa urgentemente de mudanças. Quando subiu a World Tour, deixando a denominação MTN Qhubeka para ser a Dimension Data, a equipa sul-africana queria manter a sua génese de abrir as portas aos ciclistas daquele continente, não apenas do país. Contudo, claro que apostou também em ter pelo menos uma grande figura. Mark Cavendish procurava uma equipa na qual não tivesse concorrência interna para o estatuto de sprinter número um e correspondeu à milionária contratação da estrutura sul-africana com boas vitórias, quatro delas no Tour, ao que se juntou outra de Steve Cummings.

Em 2017, somou mais de 20 triunfos, Edvald Boasson Hagen venceu uma etapa no Tour e Omar Fraile no Giro, mas começavam os problemas com Cavendish e a equipa também deu os primeiros sinais que não estava tudo a correr sobre rodas. 2018 confirmou isso mesmo. Depois de 32 vitórias e 25 no ano seguinte, em 2018 as celebrações foram apenas sete, com Ben King a salvar a honra com as duas etapas na Vuelta. Ainda assim, muito pouco.

Com o vírus Epstein-Barr a limitar profundamente Cavendish, que tem passado muito tempo longe da competição, a equipa ainda assim renovou com o sprinter, que, no entanto, não consegue recuperar a boa forma. Ficou de fora da Volta a França, ainda que não tenha sido uma decisão consensual entre os directores da Dimension Data. Louis Meintjes regressou à estrutura em 2017, mas o filho pródigo tem mostrado uma pálida imagem do ciclista que foi quando apareceu na equipa e quando se mudou para a Lampre-Merida.

Para 2019, a Dimension Data anunciou que iria reduzir o número de africanos no seu plantel. Apesar de querer continuar a ajudar a evolução do ciclismo no continente, o director Doug Ryder também sabe que é necessário manter vivo o projecto através de bons resultados. Porém, as contratações não estão a render o esperado. Há um ano, na Astana, Michael Valgren venceu a Omloop Het Nieuwsblad e a Amstel Gold Race. Este ano anda "desaparecido" no pelotão. Giacomo Nizzolo, Enrico Gasparotto e Roman Kreuziger também pouco se mostraram, ainda que o primeiro, sprinter italiano, já tenha conseguido dar duas das seis vitórias de 2019 à Dimension Data (etapas em Omã e Volta à Eslovénia).

E depois ainda há uma incógnita: o que se passa com Ben O'Connor? O australiano apareceu de rompante na Volta aos Alpes em 2018, vencendo de forma brilhante uma etapa e estava muito bem no Giro até que uma queda o forçou a abandonar. Nunca mais se viu aquele Ben O'Connor que fez a equipa sonhar que tinha encontrado a sua futura referência. Tem apenas 23 anos, pelo que ainda se mantém a esperança.

Aliás, é na juventude que a equipa vai apostando. Este ano chegaram o suíço Gino Mäder (22 anos), o sul-africano Stefan de Bod (22) e o norueguês Rasmus Tiller (22). Estão a ser trabalhados para que em breve possam dar outro poderio à equipa. Para o ano foram anunciados já dois jovens talentos italianos Matteo Sobrero (22) e Samuele Battistella (20), que estão na equipa Continental do projecto sul-africano. Têm alcançado alguns pódios, pelo que para o ano serão dois dos ciclistas da Team NTT em quem se vai depositar alguma expectativa.

E pódios precisam-se, principalmente o primeiro lugar. O futuro de Cavendish poderá definir o caminho desta equipa. Apesar de ser visível o agradecimento que os responsáveis têm pelo que o britânico deu à formação, principalmente naquele primeiro ano, a incerteza quanto à sua forma física dado o problema de saúde, pesa cada vez. Ficar de fora do Tour é um sinal que poderá ser altura de as partes seguirem caminhos separados e assim libertar uma importante fatia do orçamento. De saída está mesmo Mark Renshaw. O eterno fiel lançador de Mark Cavendish vai retirar-se aos 37 anos (que fará em Outubro).

A aposta em jovens é sempre interessantes, mas serão necessários ciclistas com mais experiência e garantias. As licenças World Tour vão passar a ser atribuídas por três anos. Como o ranking só foi alterado este ano - deixou de ser World Tour e passou a incluir todas as equipas e reflecte os resultados dos últimos três anos -, ainda não terá peso na decisão. Mas se o regulamento não for alterado, já poderá influenciar as opções da UCI quando foram atribuídas as licenças para 2023/2025.

Quando havia o raking World Tour, a Dimension Data foi sempre a última classificada. Este ano é a novamente a pior classificada entre as formações do principal escalão, mas ainda é ultrapassada por três do escalão Profissional Continental: Cofidis, Wanty-Groupe Gobert e Total Direct Energie. Ou seja, ocupa a 21ª posição de um ranking liderado pela Deceuninck-QuickStep. A equipa belga soma 14669,07 pontos, a sul-africana 4543,01.

Edvald Boasson Hagen, Lars Ytting Bak, Steve Cummings, Reinardt Janse van Rensburg, Ben King, Roman Kreuziger, Giacomo Nizzolo, Michael Valgren são os ciclistas que estão no Tour. Vão aparecendo em fugas, Nizzolo lá tenta meter-se nos sprints sem ser uma ameaça aos favoritos. Quinta-feira é o dia Nelson Mandela. Ganhar uma etapa, qualquer etapa, seria óptimo. Ganhar num dia tão importante para os sul-africanos poderia ser aquele momento de viragem que a Dimension Data, futura Team NTT tanto precisa.

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»»Corrida aos pontos. 23 equipas querem ser World Tour em 2020««

22 de março de 2019

Dez anos depois de vencer a Milano-Sanremo e de nunca a ter falhado, vai ver o monumento de fora

(Fotografia: © Stiehl Photography/Team Dimension Data)
Há dez anos, um jovem talentoso sprinter começava a dar forma a um impressionante currículo que o colocaria entre os melhores da história, independentemente do que ainda venha ou não a fazer na carreira. Poderoso no arranque, personalidade muito forte, extremamente competitivo, como normalmente são ciclistas com as suas características. Este britânico estava no ciclismo para ganhar e nada mais. Em 2008 apareceu de rompante a conquistar quatro etapas no Tour, depois de duas no Giro, além de outras vitórias importantes - que começaram em 2007 - que rapidamente deram àquele rapaz de 22 anos o estatuto de estrela mundial. Na época seguinte, na estreia em monumentos, não perdeu tempo e ganhou a Milano-Sanremo. Nunca mais falhou esta corrida italiana desde então. Dez anos depois, o nome Mark Cavendish não aparece na lista de inscritos, numa fase negra da sua carreira e que muitas questões se levanta se não se estará perante uma cada vez mais próxima despedida.

Naquela edição de 2009 percebe-se bem porque recebeu alcunha de "míssil da Man" (referência à ilha onde nasceu). Heinrich Haussler arranca para o que parecia ser uma grande vitória frente a nomes como Thor Hushovd, seu companheiro na Cérvelo, e Alessandro Petacchi, por exemplo. Porém, lá veio disparado da roda do australiano, que nem um míssil, Cavendish, a grande figura de uma equipa que marcou a modalidade, a Columbia-HTC. E quantas vezes mais se viu Cavendish ganhar assim. Ou alcançado o que parecia já ser impossível, ou então meter-se na frente e era o "apanha-me se puderes" e normalmente ninguém podia.

Bons velhos tempos de um sprinter como poucos. É talvez inevitável sentir algum saudosismo de um ciclista que tinha tanto de espectacular na estrada, como de mau feito fora dela. E às vezes nela! Foi preciso esperar pela paternidade para acalmar um pouco os ânimos. Infelizmente também a sua carreira e a sua capacidade de sprintar com os melhores acalmou.

Teve um primeiro período de menos fulgor, mas quando parecia ter recuperado, na mudança para a Dimension Data, deu-se um total apagão. O diagnóstico do vírus de Epstein-Barr mudou-lhe a vida. Os últimos dois anos têm sido um inferno. Entre o ter de parar para recuperar da doença e depois tentar ganhar forma, parecer que está bem e sofrer quedas atrás de quedas, como aconteceu no início da temporada passada... Cavendish não consegue ser algo próximo da sua sombra. Em 2018 parou no final de Julho, pois estava novamente a precisar de recuperar do problema de saúde que não mais o irá largar.

Apesar da indefinição quanto ao que Cavendish ainda poderá fazer no ciclismo, a Dimension Data renovou com o ciclista. Aos 33 anos, encetou novo regresso nesta temporada. Esteve mais na ajuda a companheiros, pois rapidamente se percebeu que estava longe de poder disputar sprints. As dificuldades ficaram bem patentes no Paris-Nice. Nas etapas iniciais, marcadas por muito vento, Cavendish não aguentou o ritmo. Abandonou na segunda, naquela que era a sua terceira corrida do ano, depois das presenças na Volta a San Juan e dos Emirados Árabes Unidos

Ir à Milano-Sanremo parecia fazer pouco sentido perante a evidente falta de forma. A Dimension Data mantém a confiança que Cavendish poderá recuperar mais adiante na temporada, talvez já a pensar na Volta a França, onde o sprinter soma 30 vitórias de etapas. O seu grande objectivo e talvez único nesta fase da carreira, é bater o recorde de Eddy Merckx. Dar Cavendish como acabado pode ser um erro, como já demonstrou no passado, mas cada vez mais parece uma missão impossível ganhar cinco etapas ou pelo menos quatro para igualar o "Canibal" belga.

Talvez Cavendish possa voltar à Milano-Sanremo numa próxima edição, até porque no ano passado o seu monumento terminou com uma queda arrepiante. Merece sair de outra forma. Pelo menos isso. Aquela vitória de 2009 acabou por ser a única nestas corridas históricas do ciclismo. Tentou a Volta a Flandres e o Paris-Roubaix, mas não se deu nem com as rampas em pavé da primeira, nem com os sectores de empedrado infernais da segunda. A Milano-Sanremo era e é o seu monumento, mas não mais conseguiu sequer regressar ao pódio.

Neste vídeo recorda-se a grande vitória de Cavendish na Milano-Sanremo, com os comentadores a transmitirem tão bem a emoção do momento. Só no photo finish se conseguiu perceber quem tinha vencido.

(Texto continua por baixo do vídeo.)



O monumento que não é sempre dos sprinters

Apesar de ser o monumento que melhor assenta aos sprinters, ainda que tenham de ultrapassar uma Cipressa e um Poggio que nem sempre ajuda o mais puro dos sprinters, esta corrida também é pródiga em surpresas. Vincenzo Nibali foi o autor de uma no ano passado e Michal Kwiatkwoski em 2017. Ambos vão liderar a Bahrain-Merida e a Sky, respectivamente, mas mesmo sendo vencedores da Milano-Sanremo, o favoritismo acaba por recair sempre em homens com características de sprinters.

Claro que poucos faltam à chamada. Será que é desta que Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) vence depois de dois segundos lugares? Ou será que o seu companheiro de equipa, Sam Bennett, chegar-se-á à frente, já que está num excelente momento? Arnaud Démare (Groupama-FDJ), Matteo Trentin (Mitchelton-Scott), Fernando Gaviria (UAE Team Emirates) e Christophe Laporte (Cofidis) não são para menosprezar. Muito menos serão os três fortíssimos candidatos e três dos sprinters em melhor forma nesta primeira fase da temporada: Caleb Ewan (Lotto Soudal) e, principalmente, Dylan Groenewegen (Jumbo-Visma) e Elia Viviani (Deceuninck-QuickStep).

Quanto à Dimension Data, sem Mark Cavendish, dará a liderança ao italiano Giacomo Nizzolo, reforço de 2019 e que terminou a época passada a ser operado a um joelho. Este ano já ganhou uma etapa na Volta a Omã.

José Gonçalves (Katusha-Alpecin) será o único português presente nos longos 291 quilómetros deste primeiro monumento dos cinco da temporada. Pode confirmar neste link a lista de inscritos, via ProCyclingStats.


22 de janeiro de 2019

A idade é só um número!

(Fotografia: Team Sunweb)
Com a retirada de Mathew Hayman após o Tour Down Under, o pelotão World Tour ficou sem o seu ciclista mais velho. O australiano despediu-se aos 40 anos e passou a "distinção" a Roy Curvers (na fotografia). O holandês da Sunweb completou 39 anos a 27 de Dezembro e prepara-se para fazer a sua última temporada. É seguido de perto pelo dinamarquês Lars Bak. O reforço da Dimension Data (ex-Lotto Soudal), apagou 39 velas no passado dia 16. A longevidade no ciclismo é algo cada vez mais natural. Curvers e Bak até estão longe de ser os mais velhos se se olhar para as equipas dos outros escalões.

Davide Rebellin nem quer ouvir falar em reformas. Continua a dizer que se sente bem e competitivo e, aos 47 anos, renovou pela Sovac, equipa da Argélia. De referir que em 2018, Rebellin venceu uma etapa de uma corrida naquele país. Este italiano continua a prolongar uma carreira que conta com triunfos na Liège-Bastogne-Liège, Amstel Gold Race, Flèche Wallonne (três), um Tirreno-Adriatico, um Paris-Nice...

O aniversário de Rebellin é a 9 de Agosto e o de Chris Horner a 23 de Outubro. Sim, o americano também continua em actividade na americana Illuminate, ele que surpreendeu tudo e todos quando em 2013 ganhou a Volta a Espanha, pouco antes de celebrar 42 anos. O director desportivo da RadioShack-Leopard dessa corrida era o português José Azevedo, que é dois anos mais novo que Horner.

Outro quarentão é Óscar Sevilla. O espanhol há muito que se apaixonou pela Colômbia e por lá continua na equipa Medellin. 42 anos (nasceu a 29 de Setembro de 1976) e também sem planos para parar. O compatriota Francisco Mancebo assinou pela japonesa Matrix Powertag, quando se prepara para fazer 43 anos (9 de Março).

Por Portugal há também um italiano que encontrou no Sporting-Tavira a equipa ideal para prosseguir a carreira. Já vai para a quarta temporada e com 41 anos (27 de Setembro de 1977). Gustavo Veloso (W52-FC Porto) vai ficar à porta dos 40, quando no próximo dia 29 celebrar os 39 anos. Os mesmos fará Sérgio Paulinho (Efapel), a 26 de Março. Alejandro Marque (Sporting-Tavira) tem 37 anos, com aniversário a 23 de Outubro.

Entre os mais velhos ainda a pedalar a nível profissional há ainda Svein Tuft. A Mitchelton-Scott não renovou contrato com o canadiano, que assinou pela Rally UHC, formação americana do escalão Profissional Continental. A 9 de Maio fará 42 anos.

Entre os trintões, a grande referência é, inevitavelmente, Alejandro Valverde, o campeão do mundo em título. A 25 de Abril celebrará 39 anos. O também espanhol Markel Irizar (Trek-Segafredo) fará a 5 de Fevereiro e Ruben Plaza (Israel Cycling Academy) a 29 do mesmo mês.

E para fechar, um belga que vai entrar nos 40 e que venceu a Volta ao Algarve em 2008. Stijn Devolder assinou pela Corendon-Circus (Profissional Continental), sendo um ciclista com história no World Tour, tendo vencido duas Voltas a Flandres. Representou a Discovery Channel, a então Quickstep-Innergetic, Vacansoleil-DCM e a Trek-Segafredo. A festa dos 40 está marcada para 29 de Agosto.

Andrea Tafi quer bater todos os recordes e participar no Paris-Roubaix aos 52 anos, para celebrar os 20 da conquista do monumento. Porém, não está fácil encontrar uma equipa que abra mão de um lugar para receber o italiano, pelo que deverá ficar-se pela prova para amadores.

»»O adeus de Hayman, o sábio irmão mais velho que deixou a sua marca no Paris-Roubaix««

»»Não foi um adeus ao ciclismo. Foi um até já««

13 de janeiro de 2019

Os ciclistas e equipamentos do pelotão World Tour (3)

No dia em que o pelotão saiu pela primeira vez para a estrada na corrida de exibição, a Clássica Down Under, aqui ficam as últimas seis equipas, com os reforços e os equipamentos para 2019. Richie Porte foi uma das transferências mais mediáticas. Com tanta indefinição sobre o futuro da BMC, agora a polaca CCC, o australiano assinou pela a Trek-Segafredo e a partir desta terça-feira irá procurar a sua primeira vitória na prova que abre o calendário World Tour. Em casa tem sido o rei da subida Willunga Hill.

E já houve um ciclista a estrear-se com a nova equipa com um triunfo. O pequeno Caleb Ewan foi o mais forte num sprint marcado por uma queda na referida clássica australiana. É uma corrida feita em circuito em Adelaide. Os ciclistas fazem uma hora sempre a fundo e mais uma volta. Estreia auspiciosa do australiano na Lotto Soudal.

Destas seis equipas (a ordem é a do ranking de 2018), só a Groupama-FDJ foi "poupada" nas contratações e foi buscar um trio à BMC. Quanto a equipamentos, o destaque tem de ir para o da americana EF Education First. Despercebido não vai passar certamente!

O Tour Down Under começa na terça-feira e termina domingo. Estarão dois portugueses presentes: Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin) e Ivo Oliveira (UAE Team Emirates). O primeiro - 30ª na clássica, a 32 segundos de Ewan -, tem realizado boas exibições nesta corrida, sendo que em 2019 trocou a Trek-Segafredo pela Katusha-Alpecin. Quanto ao gémeo, são os seus primeiros quilómetros como ciclista do World Tour. Na corrida deste domingo foi 122º, a 2:36 minutos do vencedor.

Trek-Segafredo
(Fotografia: © Trek-Segafredo)
John Degenkolb, Jasper Stuyven, Bauke Mollema, Ryan Mullen, Gianluca Brambilla, Jarlinson Pantano, Mads Pedersen, Toms Skujins, Fabio Felline, Niklas Eg, Beppu Fumiyuki, Julien Bernard, Nicola Conci, Koen de Kort, Alex Frame, Michael Gogl, Markel Irizar, Kiel Reijnen e Peter Stetina.

Contratações: Richie Porte (BMC), Edward Theuns (Sunweb), Giulio Ciccone (Bardiani-CSF), Matteo Moschetti (Polartec-Kometa), Will Clarke (EF Education First-Drapac p/b Cannondale) e Alex Kirsch (WB Aqua Protect Veranclassic).

Bicicletas: Trek

»»Um 2018 muito a pensar em 2019««

Groupama-FDJ
(Fotografia: © Groupama-FDJ)
Thibaut Pinot, Arnaud Démare, David Gaudu, Rudy Molard, Marc Sarreau, Bruno Armirail, William Bonnet, Mickaël, Antoine Duchesne, Jacopo Guarnieri, Daniel Hoelgaard, Ignatas Konovalovas, Matthieu Ladagnous, Olivier le Gac, Tobias Ludvigsson, Steve Morabito, Valentin Madouas, Georg Preidler, Anthony Roux, Sébastien Reichenbach, Romain Seigle, Benjamin Thomas, Benoit Vaugrenard, Léo Vincent e Ramon Sinkeldam.

Contratações: Stefan Küng, Kilian Frankiny e Miles Scotson (todos da BMC).

Bicicletas: Lapierre.

»»De época prometedora, a possível desilusão, mas com um final apoteótico««

Lotto Soudal
(Fotografia: © Photo News/Lotto Soudal)
Tiesj Benoot, Tim Wellens, Thomas de Gendt, Victor Campanaerts, Adam Hansen, Armée Sander, Jasper de Buyst, Frederik Frison, Jens Keukeleire, Bjorg Lambrecht, Nikolas Maes, Tomasz Marczynski, Remy Mertz, Maxime Monfort, Lawrence Naesen, Tosh van der Sande, Jelle Vanendert, Jelles Wallays, Harm Vanhoucke e Enzo Wouters.

Contratações: Caleb Ewan (Mitchelton-Scott), Adam Blythe (Aqua Blue Sport), Roger Kluge (Mitchelton-Scott), Brian van Goethem (Roompot-Nederlandse Loterij), Carl Fredrik Hagen (Joker Icopal), Rasmus Byriel Iversen (General Store Bottoli Zardini), Stan Dewulf, Brent Van Moer e Gerben Thijssen (Lotto Soudal sub-23 - estagiaram na equipa principal desde Agosto).

Bicicletas: Ridley.

»»Ambiente nos bastidores não afastou Lotto Soudal das vitórias««

EF Education First
(Fotografia: © Jojo Harper/EF Education First)
Rigoberto Uran, Sep Vanmarcke, Michael Woods, Matti Breschel, Nathan Brown, Hugh Carthy, Simon Clarke, Lawson Craddock, ulián Cardona, Mitchell Docker, Joe Dombrowski, Alex Howes, Sebastian Langeveld, Daniel Martinez, Daniel McLay, Lachlan Morton, Sacha Modolo, Logan Owen, Taylor Phinney e Julius van den Berg.

Contratações: Tejay van Garderen (BMC), Sean Bennett (Hagens Berman Axeon), Alberto Bettiol (BMC), Jonathan Caicedo (Medellin), Moreno Hofland (Lottou Soudal), Sergio Higuita (Manzana Postobón), Tanel Kangert (Astana), Lachlan Morton (Dimension Data), James Whelan (Drapac EF Cycling) e Luis Villalobos (Aevolo).

Bicicletas: Cannondale.

»»Poucos triunfos, mas duas histórias que marcaram 2018««

Katusha-Alpecin
(Fotografia: © Katusha-Alpecin)
Ilnur Zakarin, Jenthe Biermans, Ian Boswell, Steff Cras, Alex Dowsett, Matteo Fabbro, José GonçalvesNathan Haas, Marco Haller, Reto Hollenstein, Marcel Kittel, Pavel Kochetkov, Viacheslav Kuznetsov, Nils Politt, Simon Spilak, Mads Würtz Schmidt, Willie Smit e Rick Zabel.

Contratações: Enrico Battaglin (Lotto-Jumbo),  Jens Debusschere (Lotto Soudal), Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo),  Daniel Navarro (Cofidis), Dmitry Strakhov (Lokosphinx - estagiou na Katusha-Alpecin a partir de Agosto) e Harry Tanfield (Canyon Eisberg).

Bicicletas: Canyon.

»»José Gonçalves um dos poucos que se salvou de uma época para esquecer««

Dimension Data
(Fotografia: © Team Dimension Data)
Edvald Boasson Hagen, Mark Cavendish, Steve Cummings, Scott Davies, Nicholas Dlamini, Bernhard Eisel, Amanuel Ghebreigzabhier, Ryan Gibbons, Jacques Janse van Rensburg, Reinardt Janse van Rensburg, Ben King, Louis Meintjes, Ben O'Connor, Mark Renshaw, Tom-Jelte Slagter, Jay Thomson, Jaco Venter e Julien Vermote

Contratações: Lars Bak (Lotto Soudal), Enrico Gasparotto (Bahrain-Merida), Roman Kreuziger (Mitchelton-Scott), Giacomo Nizzolo (Trek-Segafredo), Michael Valgren (Astana), Danilo Wyss (BMC), Stefan de Bod (Dimension Data for Qhubeka), Gino Mäder (IAM Excelsior - fará a sua estreia como profissional) e Rasmus Tiller (Joker Icopal).

Bicicletas: BMC.

»»Impossível ignorar que é preciso mudar««

»»Os ciclistas e equipamentos do pelotão World Tour (2)««

»»Os ciclistas e equipamentos do pelotão World Tour (1)««

20 de dezembro de 2018

Pelotão da Algarvia vai ganhando forma

Já há mais umas confirmações para a Volta ao Algarve, com o pelotão a ganhar forma na contagem decrescente até dia 20 de Fevereiro, sendo já seis as equipas do World Tour que vão colocar novamente a corrida portuguesa entre as suas preferências para arrancar bem a temporada de 2019. Regressa também a equipa que venceu mais uma vez o ranking Europe Tour e poderá haver a possibilidade de ver o campeão nacional em acção.

Domingos Gonçalves vai ter uma segunda oportunidade na Caja Rural, equipa que foi anunciada esta quinta-feira como uma das que estará presente entre 20 e 24 de Fevereiro nas estradas do sul do país. O campeão de estrada e de contra-relógio, ao serviço da Rádio Popular-Boavista, poderá juntar-se na corrida ao irmão gémeo José Gonçalves (Katusha-Alpecin), caso seja chamado pela equipa.

Do escalão Profissional Continental estarão ainda a número um do ranking europeu Wanty-Groupe Gobert, equipa belga que tem estado presente nas edições mais recentes, e a francesa Cofidis, um nome já revelado na semana passada. E há que não esquecer que a W52-FC Porto participará também como equipa do segundo escalão.

Subindo ao World Tour, a sul-africana Dimension Data não faltará à chamada, tal como a Deceuninck-Quick Step (novo nome da Quick-Step Floors), duas equipas que têm sempre eleito algumas das suas estrelas para estar na Algarvia.

A "furar" o anúncio da organização esteve a Groupama-FDJ, que revelou que o sprinter Arnaud Démare (na fotografia) vai arrancar a temporada na Volta ao Algarve. Além das equipas, vai-se também começando a saber quais serão os ciclistas escolhidos, como é o caso de José Gonçalves.

Comparativamente com a edição de 2018, que teve um recorde de 13 equipas do World Tour, falta conhecer se Sky, Lotto-Jumbo (que será a Jumbo-Visma), Lotto Soudal, Trek-Segafredo, Movistar de Nelson Oliveira e a UAE Team Emirates de Rui Costa e dos gémeos Oliveira também regressam.

Estão então confirmadas até ao momento (com indicação dos portugueses que representam equipas estrangeiras):

World Tour: Bora-Hansgrohe, CCC Team (equipa de Amaro Antunes), Deceuninck-Quick Step, Dimension Data, Groupama-FDJ, Katusha-Alpecin (equipa de José Gonçalves e Ruben Guerreiro) e Sunweb.

Profissionais Continentais: Caja Rural (equipa de Domingos Gonçalves), Cofidis, Wanty-Groupe Gobert e W52-FC Porto.

Continentais (todas as portuguesas): Efapel, LA Alumínios-LA Sport, LudoFoods-Louletano, Miranda-Mortágua, Rádio Popular-Boavista, Sporting-Tavira, UD Oliveirense e Vito-Feirense-PNB.

Pode ver o percurso da 45ª edição da Volta ao Algarve no primeiro link em baixo.

»»Perfis das etapas da 45ª Volta ao Algarve««

»»Primeiras equipas confirmadas na Volta ao Algarve««