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20 de março de 2021

Jasper Stuyven, a surpresa numa Milano-Sanremo táctica e a alta velocidade

© Trek-Segafredo/Getty Images
O perfil da Milano-Sanremo faz cair na tentação de se pensar que, dos cinco monumentos, é o que tem potencial para ser mais aborrecido, até à fase final. 300 quilómetros (este ano 299), muito planos e com subidas que em nada se comparam a uma Flandres ou Lombardia e sem pavés. Não é por acaso que esta corrida é conhecida pelo monumento dos sprinters, ainda que o Poggio e a Cipressa tantas vezes destroem essa ideia. No entanto, essa sensação de possível corrida em que pouco ou nada acontece até aos quilómetros finais não podia ser mais errada, na maioria das edições. Van der Poel não atacou a 50 quilómetros da meta, Van Aert não deu nenhum do seus espectáculos, mas toda a preparação de várias equipas até o Poggio foi de grande beleza táctica. A Milano-Sanremo deste sábado foi um exemplo do melhor que o ciclismo tem, sem ser preciso empedrados ou subidas míticas.

Se inevitavelmente as individualidades ganham destaque, é no colectivo que está o "segredo" de como se prepara o caminho para uma vitória. Depois dos ataques monstruosos de Mathieu Van der Poel em corridas recentes, era o que mais se esperava na Milano-Sanremo. Seria mesmo? Vendo bem as coisas, seria mais do que expectável que tal não acontecesse. A qualidade deste pelotão e o estar em causa a conquista de um monumento fez com que nenhuma equipa estivesse disponível para dar oportunidade ao holandês de tentar o que já se tornou uma imagem de marca do ciclista da Alpecin-Fenix.

O ritmo da corrida foi aumentando e tornou-se óbvio que o objectivo de equipas como a Deceuninck-QuickStep era de garantir que não houvesse surpresas, pelo menos até ao Poggio, onde a maioria das edições se têm decidido nos últimos anos. Da equipa belga era de esperar, afinal contava com Julian Alaphilippe, vencedor em 2019. Sam Bennett tentou aguentar o quanto pôde, mas não ia ser um ano para sprinters, a não ser que se fosse Caleb Ewan. Mas já lá vamos.

Já Ineos... De repente parecia que se estava no Tour, nos bons velhos tempos da equipa britânica. Primeiro com Filippo Ganna e depois com o "capitão" Luke Rowe, o ritmo na Cipressa foi infernal. Esta é a nova Ineos. Uma formação que olha mais além do Tour, ou das três grandes voltas. Uma transformação que está a ser feita sob o efeito Thomas Pidcock.

Ainda tão jovem, 21 anos, acabadinho de chegar ao World Tour, mas a mostrar uma enorme irreverência em procurar desde cedo impor-se e ganhar. Não resultou na Milano-Sanremo e a Ineos viu o inglês ficar de fora do top 10 (o que nem surpreende, visto não ser um percurso que lhe assente bem - ainda assim foi à luta), sem esquecer que também contava com Michal Kwiatkowski, antigo vencedor da prova, mas num momento de forma bem diferente de Pidcock. Não resultou, mas esta Ineos começa a gerar um interesse bem maior nas clássicas.

Por esta altura, Van der Poel - sempre o holandês a chamar a atenção - lá tinha mesmo de fazer um arranque, mas apenas para melhorar um mau posicionamento. Wout van Aert (Jumbo-Visma) é um ciclista bem mais rigoroso nesse aspecto. Porém, o jogo táctico e de colocação continuava a ir muito além de um já pouco ou nada provável ataque de Van der Poel. A Bora-Hansgrohe jogava com Max Schachmann, enquanto Peter Sagan ainda apanhou um ligeiro susto no Poggio, mas não descolou por completo. Aparecia Greg van Avermaet (AG2R-Citröen) e Michael Matthews (BikeExchange). "Velha" guarda vs nova geração! Só podia dar espectáculo.

Pelo meio, o pequeno Caleb Ewan (Lotto Soudal) mostrava porque é entre os chamados sprinters puros aquele que menos se assusta com subidas perto da meta. Já se o viu ganhar em rampas que um sprinter prefere meter uma velocidade mais lenta, mas no Poggio revelou como tinha não só a lição bem estudada, como não o intimidava qualquer aceleração de um Van Aert, por exemplo. Aliás, a postura do australiano pode muito bem ter custado um segundo triunfo consecutivo ao belga da Jumbo-Visma. Com Ewan na roda, Van Aert não perseguiu Stuyven como era necessário para que o sprint não fosse pelo segundo lugar... que Ewan garantiu.

E, entre os nomes referidos à exaustão como candidatos, de primeira ou segunda linha, surgiu um Jasper Stuyven que parecia estar a cair na hierarquia da Trek-Segafredo nas clássicas, muito devido a um Mads Pedersen a melhorar cada vez mais após a conquista do título mundial. Talvez por isso mesmo e também por ser mais conhecido como ciclista forte no pavé, o belga da Trek-Segafredo foi subestimado. Atacou na descida no Poggio. A reacção da concorrência demorou. Até foi Pidcock o primeiro a tentar juntar-se a Stuyven, sem sucesso. Van Aert foi quem mais assumiu a perseguição, com ataques de outros ciclistas. Um deles Soren Kragh Andersen (DSM), que chegou a Stuyven e, inadvertidamente, foi uma ajuda preciosa. O dinamarquês não teve pernas para fazer mais que nono, mas o tempo em que esteve na frente, permitiu a Sutyven ganhar fôlego para sprintar e não se deixar apanhar por todos aqueles que lideravam as apostas.

O próprio admitiu que, se queria tentar ganhar, tinha de fazer algo, arriscar e dar tudo, tudo, tudo. O risco compensou. Para se ser um grande ciclista há que ganhar aos melhores e esta classificação da Milano-Sanremo é de luxo.

Stuyven conta com triunfos na Kuurne-Bruxelles-Kuurne, na Omloop Het Nieuwsblad, venceu uma etapa na Vuelta, entre outros sucessos. Contudo, quando surgiu no World Tour foi apontado como um potencial grande homem de clássicas, mas simplesmente não conseguiu concretizar as altas expectativas. Nunca deixou de ser regular, terminando em posições de topo, mas faltava aquela grande vitória. Pensar-se-ia que viria numa Volta a Flandres ou num Paris-Roubaix, mas Stuyven aproveitou não estar no radar de ninguém na Milano-Sanremo para concretizar mais uma surpresa, numa vitória que lhe fica muito bem, pela carreira que tem feito, mesmo que não seja o mais ganhador dos ciclistas.

Não só não se pode cair na tentação de pensar que a Milano-Sanremo pode ser o mais aborrecido dos monumentos, como se pode esperar que é o que maior surpresa pode trazer. Vincenzo Nibali, um trepador por excelência, vencedor das três grandes voltas, foi lá ganhar em 2018. Um quase desconhecido Gerald Ciolek venceu em 2012, num ano memorável de uma clássica da Primavera realizada num dia do mais rigoroso Inverno, apenas para referir dois exemplos. Junta-se agora Jasper Stuyven, um belga que, apesar de se comportar como um veterano dado os anos de profissionalismo, ainda só tem 28 anos.

E é impossível não referir Philippe Gilbert. Se Peter Sagan há muito que luta por colocar a Milano-Sanremo no seu currículo depois de já ter estado tão próximo - boas indicações do eslovaco depois de começar a época mais tarde devido à covid-19 -, o belga tem este monumento como o último grande objectivo da carreira. Só lhe falta a Milano-Sanremo para completar os cinco, mas aos 38 anos a missão é difícil. É um ciclista que para ganhar precisa de poder atacar e evitar um sprint, mas com o ritmo elevado da corrida deste sábado, rapidamente ficou claro que seria impossível o belga fechar o ciclo dos monumentos. Fica a faltar uma última tentativa em 2022, ano que marcou como o da sua despedida.

Classificação completa, via ProCyclingStats.

»»Atitude muito pouco de Wolfpack««

»»A afirmação de Pedersen no pós-título mundial««

17 de novembro de 2019

Trek-Segafredo com final de temporada memorável no ano de ascensão de Ciccone

(Fotografia: Facebook Trek-Segafredo)
Uma boa parte do melhor da Trek-Segafredo foi guardada para o final da temporada. Não tendo sido uma época ganhadora, 2019 demonstrou que os jovens que a equipa tem contratado, podem mesmo ser apostas ganhas, ainda que no final foram os mais experientes a salvar os números fracos da formação americana. Com a excepção de um. Quando menos se esperava, um desses jovens ciclistas - mas que não tinha estado bem até então - surpreendeu tudo e todos ao sagrar-se campeão do mundo. Mads Pedersen estavam bem encaminhado para ser uma das desilusões da temporada, depois de um 2018 de revelação. Antes Giulio Ciccone tinha sido a grande figura, numa primeira época no World Tour simplesmente brilhante, enquanto a fechar Bauke Mollema conquistou um monumento.

Começando por Pedersen, o próprio admitiu que não teve um bom ano, mas como basta um dia muito bom para tudo mudar, inclusivamente uma carreira, Pedersen teve esse dia no temporal de Yorkshire. Foi uma vitória pela selecção dinamarquesa, mas é a Trek-Segafredo que vai tirar o maior dos proveitos ao ter a camisola do arco-íris e toda a notoriedade que traz a quem a usa e aos patrocinadores.

Poderá servir de motivação para Pedersen recuperar os níveis de 2018 e continuar a evoluir, ainda que a pressão será exponencialmente maior. Tem 23 anos e nas clássicas ninguém o vai menosprezar. Entre Setembro e Outubro a Trek-Segafredo alcançou cinco das suas 11 vitórias na temporada, ao que se soma o título mundial. Se até então nomes como Matteo Moschetti (23 anos), Ryan Mullen (25) e claro Giulio Ciccone (24) eram dos mais falados - principalmente o de Ciccone - por estarem a demonstrar ser ciclistas de futuro, Bauke Mollema, Edward Theuns e Jasper Stuyven mostraram que a experiência também continua a valer e muito à Trek-Segafredo.
Ranking: 10º (8268 pontos)  
Vitórias: 11 (incluindo uma etapa no Giro - acresce o título mundial ganho por Pedersen)  
Ciclistas com mais triunfos: Bauke Mollema e Giulio Ciccone (2)
Estes ciclistas terminaram a época a vencer, ao contrário de um John Degenkolb que praticamente caiu no esquecimento. Aposta completamente falhada da equipa, com o alemão a estar de partida para a Lotto Soudal, para tentar recuperar uma carreira em queda livre. Richie Porte também não consegue reencontrar-se com a sua melhor versão e não terá muitas mais oportunidades, ainda mais com a chegada de Vincenzo Nibali.

Mollema pode estar a ser ultrapassado na hierarquia para as grandes volta, mas vencer um monumento é sempre um marco na carreira e a vitória na Lombardia ajuda a que não se possa dizer que tudo foi mau na temporada para a Trek-Segafredo.

A equipa precisa de continuar a sua reestruturação e apesar de ter contratado um dos veteranos do pelotão, Nibali é para resultados imediatos, também muito a pensar em agradar o patrocinador italiano, Segafredo. Aos poucos, a equipa americana vai construir um bloco que faça de Ciccone o sua figura nas provas por etapas - Kenny Elissonde (Ineos) pode ser um reforço importante para o papel de gregário -, enquanto Pedersen e Mullen serão apostas nas clássicas, sem esquecer o super regular Stuyven - não vence muito, mas está quase sempre entre os melhores -, enquanto no sprint Moschetti e Jacopo Mosca vão ter maior protagonismo.

E haverá ainda um outro campeão do mundo, mas de sub-23, que irá concentrar algumas atenções. O americano Quinn Simmons vai começar a evoluir ao mais alto nível nas provas por etapas. Já agora, Mollema também foi campeão mundial, mas de contra-relógio por equipas misto.

O ano pode ter acabo bem, mas esta equipa precisa de fazer melhor durante toda a temporada tendo em conta os investimentos que faz. As grandes contratações não têm trazido os resultados ambicionados, mas os de jovens talentos que têm chegado estão a mostrar que pode ser muito bem sucedidos. Ciccone foi a maior prova disso, com uma etapa ganha no Giro, a camisola da montanha e ainda foi ao Tour vestir dois dias a amarela. Numa primeira fase de 2020 vai estar ao lado de Nibali na Volta a Itália, mas se continuar a mostrar o mesmo elevado nível, vai ter a sua oportunidade de liderança ainda em 2020.


23 de outubro de 2019

E se a Hagens Berman Axeon ficasse com os ciclistas que forma e fosse do World Tour?

(Fotografia: © Davey Wilson/Hagens Berman Axeon)
Ian Garrison tornou-se no mais recente membro da Hagens Berman Axeon a formar-se com distinção na equipa, que é como a quem diz, vai para o World Tour em 2020. O americano, de 21 anos, acompanhará João Almeida para a Deceuninck-QuickStep, enquanto Mikkel Bjerg assinou pela UAE Team Emirates. A estrutura liderada por Axel Merckx continua a afirmar-se como uma referência na formação de jovens ciclistas e desde 2009 que têm sido muitos os que, após passagem pela equipa dos Estados Unidos, conseguem dar o salto para o mais alto nível do ciclismo. Alguns singraram, outros nem por isso. Mas se Merckx ficasse com os corredores que forma e tivesse uma equipa do World Tour, teria um plantel bem interessante, principalmente para as provas por etapas e para o contra-relógio. Mas também com ciclistas de qualidade para o sprint e clássicas.

Nos três ciclistas que vão sair este ano, a Hagens Berman Axeon teria um dos maiores especialistas do contra-relógio da nova geração: o dinamarquês Bjerg (20 anos) conseguiu o feito inédito de conquistar três títulos mundiais de sub-23 no esforço individual e aponta ser o próximo recordista da hora. Garrison foi segundo em Yorkshire, atrás de Bjerg, depois de ser campeão nacional de elite. O americano tem também características interessantes para o sprint. Quanto a João Almeida, mais um campeão nacional de contra-relógio, mas em sub-23, tendo também o título da prova em linha, está a tornar-se num ciclista interessante nas corridas por etapas de uma semana, além de ter clássicas que lhe assentam tão bem. Venceu a Liège-Bastogne-Liège do seu escalão, na época passada.

Mas recuando a ciclistas que noutras temporadas saíram da Hagens Berman Axeon, que já teve outros nomes como Bontrager ou Trek-Livestrong, por exemplo. Tao Geoghegan Hart é um dos exemplos de maior sucesso. Depois de se adaptar à então Sky, o britânico de 24 anos teve um 2019 de completa afirmação e pode ser um grande vencedor. Conquistou de forma brilhante duas etapas na Volta aos Alpes, perdendo a geral para o companheiro Pavel Sivakov. Foi ao Giro e Vuelta, e em Espanha muito lutou por uma etapa. Por enquanto poderá ficar preso ao papel de gregário dado o plantel de qualidade da agora Ineos, mas Hart mostra potencial para mais.

Neilson Powless (23) foi um dos elementos importantes na vitória de Primoz Roglic na Vuelta. Na Jumbo-Visma mostrou uma boa evolução nas corridas por etapas e em Portugal, fez top dez na Volta ao Algarve. Vai mudar-se para a Education First talvez à procura de um espaço que definitivamente não teria na formação holandesa.

A última Volta a Espanha acabou por ser o palco para alguns dos jovens ex-Hagens Berman Axeon, caso de Ruben Guerreiro (25). Saiu no mesmo ano que Hart, mas para a Trek-Segafredo. Não tem sido fácil a afirmação do português, mas na Vuelta viu-se finalmente um pouco mais do que Guerreiro pode dar no World Tour, o que o fez receber uma proposta de contrato da EF Education First, deixando assim a Katusha-Alpecin. Quer apostar nas grandes voltas.

E falando de portugueses, Ivo e Rui Oliveira (23) fazem parte da "turma de 2018". Fizeram a estreia no World Tour em 2019 com a UAE Team Emirates com sortes diferentes. Ivo esteve vários meses a recuperar de uma grave queda num treino, enquanto Rui esteve a bom nível na ajuda a líderes nas clássicas e na preparação de sprints. Será que André Carvalho conseguirá seguir os passos dos seus compatriotas? Em 2020 cumprirá a sua segunda temporada na Hagens Berman Axeon.

Um dos sprinters de quem Rui Oliveira se poderá tornar num fiel aliado é Jasper Philipsen. O belga de 21 anos já ganhava no World Tour ao quinto dia pela UAE Team Emirates, no Tour Down Under, e fez uma temporada de excelentes resultados. Um sprint e homem de clássicas com um futuro promissor. Sean Bennett (23) foi mais discreto na temporada de estreia, mas ainda assim a EF Education First levou-o ao Giro. É um americano visto com muita capacidade para ser um voltista de respeito. Também Will Barta (23) teve um ano de adaptação na CCC.

Da equipa de Merckx saiu um dos principais especialistas de clássicas da actualidade: Jasper Stuyven. Aos 27 anos talvez se esperasse que o seu currículo tivesse mais corridas de um dia muito importantes além da Kuurne-Bruxelles-Kuurne, mas a concorrência é enorme. Na Trek-Segafredo tornou-se um ciclista essencial e é de uma regularidade incrível, terminando quase sempre entre os melhores nas corridas em que aposta forte. E este ano até ganhou uma corrida por etapas: a Volta a Alemanha.

Joe Dombroski (EF Education First), Ian Boswell (Sky e Katusha-Alpecin) e Ben King (RadioShack Garmin/Cannondale e Dimension Data) foram ciclistas que afirmaram-se no World Tour. Somam bons resultados, mesmo que não sejam figuras de primeira linha e são bons gregários sempre que necessário, caso principalmente de Boswell. King conseguiu ser uma grande figura em 2018 quando venceu duas etapas na Vuelta. Dombrowski foi talvez a maior desilusão deste trio. Entre quedas e problemas de saúde vai adiando a confirmação de um ciclista de nível para as provas por etapas. Aos 28 anos está de malas feitas para a UAE Team Emirates.

E como o contra-relógio é muito bem trabalhado na Hagens Berman Axeon, um dos primeiros nomes a sair para o World Tour foi Alex Dowsett (31). Desde que trocou a Movistar pela Katusha-Alpecin que quase que se apagou, mas é um especialista no esforço individual e foi recordista da hora.

Taylor Phinney (29) foi um dos jovens que mais entusiasmou, mas o americano teve uma queda a estragar-lhe a carreira e anunciou o adeus ao ciclismo no final desta temporada. Outro especialista no contra-relógio.

Já George Bennett (29) não se dá muito bem com o contra-relógio, mas o neozelandês poderia formar um bloco interessante em grandes voltas com Tao Geoghegan Hart, Neilson Powless, Dombrowski, Boswell, King e Guerreiro, com jovens como Barta, Sean Bennett, Jhonatan Narváez (Quick-Step Floors e Ineos) a poderem tornar-se em casos de sucesso em breve. Lawson Craddock, Nathan Brown (ambos na EF Education First) e Sam Bewley (Mitchelton-Scott) são homens de trabalho importantes

Porém, nem todos os que saltaram da Hagens Berman Axeon para o World Tour singraram. Casos de Timothy Roe, Bjorn Selander e Ruben Zepuntke, por exemplo. Este último, abandonou o ciclismo aos 24 anos, dedicando-se agora ao triatlo. Gregory Daniel é o exemplo mais recente e prepara-se para descer ao escalão Continental aos 24 anos, depois de passar pela Trek-Segafredo.

Aqui ficam todos os que se "formaram" na equipa de Axel Merckx e que foram ou vão directamente para o World Tour (há mais ciclistas que ou estão ou passaram por formações do segundo escalão), pois mesmo podendo ter um plantel forte se pertencesse à categoria máxima e ficasse com os melhores ciclistas, a Hagens Berman Axeon - que vai descer novamente ao nível Continental depois de dois anos como Profissional Continental - prefere manter-se fiel ao seu lema: desenvolver a próxima geração do ciclismo.

2019
Ian Garrison (Deceuninck-QuickStep)
Mikkel Bjerg (UAE Team Emirates)
João Almeida (Deceuninck-QuickStep)

2018
Jasper Philipsen (UAE Team Emirates)
Will Barta (CCC) 
Rui Oliveira (UAE Team Emirates)
Ivo Oliveira (UAE Team Emirates)
Sean Bennett (EF Education First)

2017
Chris Lawless (Sky)
Jhonatan Narváez (Quick-Step Floors)
Neilson Powless (Lotto-Jumbo)
Logan Owen (EF Education First-Drapac p/b Cannondale)

2016
Tao Geoghegan Hart (Sky)
Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo)
Gregory Daniel Trek-Segafredo

2014
Ruben Zepuntke (Cannondale-Garmin)

2013
Jasper Stuyven (Trek Factory Racing)
Lawson Craddock (Giant-Shimano)
Nathan Brown (Garmin-Sharp)

2012
Joe Dombrowski (Sky)
Ian Boswell (Sky)

2011
George Bennett (RadioShack-Nissan)

2010
Taylor Phinney (BMC)
Alex Dowsett (Sky)
Jesse Sergent (RadioShack)
Ben King (RadioShack)
Timothy Roe (BMC)

2009
Sam Bewley (RadioShack)

5 de dezembro de 2018

Um 2018 muito a pensar em 2019

(Fotografia: Facebook Trek-Segafredo)
Sem um líder para as grandes voltas com a saída de Alberto Contador, com um líder para as clássicas que demora a reencontrar-se - John Degenkolb -, a época para a Trek-Segafredo não se adivinhava fácil. Com um plantel a precisar de ser reforçado e, principalmente, renovado, 2018 acabou por ser um ano de transição, muito trabalhado fora da estrada para garantir novos rostos, que possam recolocar a equipa na disputa das grandes corridas e não apenas numa atitude de "fazer o melhor possível".

E em ano de transição, dentro do actual plantel, houve quem demonstrasse que pode mesmo ser o futuro, casos de Ryan Mullen e Mads Pedersen. O dinamarquês, de 22 anos, fez segundo na Volta a Flandres, numa exibição tremenda e que o coloca entre um dos potenciais grandes especialistas das clássicas. Ainda se fica pelo potencial, pois também ficou claro durante a temporada que há muito a evoluir, mas que Pedersen tem tudo para ser um homem do pavé, disso não há dúvidas e terminou 2018 com três vitórias. (uma etapa no Herald Sun Tour, na clássica dinamarquesa Fyen Rundt e no Tour de l'Eurométropole). Já Mullen, irlandês de 24 anos, foi mais discreto ainda que com dois triunfos (contra-relógio na Volta a San Juan e o título nacional da especialidade), mas dentro da equipa ouvem-se ecos de como se acredita que tem as características para também ele evoluir para um ciclista forte nas clássicas e também em provas por etapas de uma semana. E claro, está a tornar-se num caso sério no contra-relógio.

Ainda nas clássicas, a Trek-Segafredo conta com dois ciclistas que são dos melhores na actualidade. Jasper Stuyven teve uma regularidade impressionante, como é normal. Terminou no top dez em praticamente todas as clássicas em que participou, somou duas vitórias, mas não conseguiu uma grande vitória para frustração da equipa, que tanto precisava. Até porque John Degenkolb só apareceu, finalmente, na Volta a França. Venceu a etapa de Roubaix, que teve um significado enorme, já que o alemão venceu ali o monumento em 2015.

Para a equipa americana, o triunfo foi de extrema importância, ainda mais olhando para o 2019. A esperança é que se trate mesmo do renascimento de Degenkolb, que até final da temporada mostrou-se mais competitivo. A Trek-Segafredo mantém a esperança de ver o melhor de um ciclista que não mais foi o mesmo desde o atropelamento na pré-época, em 2016. Será uma expectativa moderada, pois não é a primeira vez que Degenkolb parece estar a recuperar a confiança e condição física e depois não consegue estar ao seu melhor nas corridas.

Gianluca Brambilla, Jarlinson Pantano (venceu uma etapa na Volta à Catalunha), Fabio Felline e Giacomo Nizzolo ficaram aquém do esperado, enquanto Bauke Mollema teve a sua derradeira oportunidade como líder, pelo menos no Tour. Confirmou o que já se sabia: não tem capacidade para mais do que um top dez, talvez já nem isso. Porém, tendo como objectivo lutar por etapas resulta muito melhor. Não conseguiu, mas esteve muito na frente, muito activo, a dar espectáculo, tanto no Tour como na Vuelta, onde fez dois segundos lugares, mas até merecia mais. Com a chegada de Richie Porte, talvez seja mesmo a altura do holandês optar definitivamente por este tipo de objectivos.


Ranking: 13º (5428 pontos)
Vitórias: 20 (incluindo uma etapa no Tour)
Ciclista com mais triunfos: Toms Skujins (4)

Houve ainda um Toms Skujins, um daqueles ciclistas que é difícil não se apreciar. Sempre preparado para uma fuga, para uma ataque que poucos acreditam poder ter sucesso, sempre pronto para dar tudo pela equipa. O letão venceu em quatro ocasiões, com destaque para a terceira etapa da Volta à Califórnia, uma corrida que tanto aprecia, mesmo já lá tendo sofrido uma queda grave. Skujins ainda vestiu a camisola de líder da montanha na Volta a França, num dia marcante para o ciclismo da Letónia.

Skujins vai continuar a ser uma das apostas para 2019. Este ano ficou claro que a Trek-Segafredo não podia mais adiar uma renovação dos seus ciclistas. Começou cedo ao garantir Matteo Moschetti, o primeiro ciclista a sair da Polartec-Kometa, equipa de Alberto Contador, que está a funcionar como estrutura de formação da estrutura americana. O italiano, de 22 anos, é uma promessa para as clássicas e para os sprints.

No entanto, a grande preocupação era um homem para as três semanas e neste aspecto, não era possível contratar alguém apenas a pensar que daqui a alguns anos pudesse estar na luta por um Tour ou outra grande volta. Com a indefinição quanto ao futuro da BMC - a marca de bicicletas anunciou que deixaria de ser o patrocinador e demorou a aparecer um substituto -, a Trek-Segafredo fez tudo para contratar Richie Porte. O australiano é um dos melhores voltistas, ainda que não tenha ainda conseguido um pódio ou uma vitória de etapa numa grande volta.

Contudo, percebe-se a confiança nele depositada, visto como se apresenta até a uma queda, um furo ou algo que o afaste dos primeiros lugares ou mesmo da corrida. Aos 33 anos, se conseguir não cair e escapar a aos azares que o perseguem, poderá ser o ciclista que recolocará a Trek-Segafredo na luta por mais do que um top dez.

Mas claro que a idade de Porte tem o seu peso. Por isso a equipa americana foi buscar mais um italiano que promete. Giulio Ciccone foi uma das figuras do último Giro nas etapas de montanha e foi nono na Volta aos Alpes. A Bardiani-CSF rapidamente percebeu que seria impossível segurar o jovem de 23 anos. Enquanto Porte é o homem para o resultado imediato, Ciccone irá ser a aposta para o futuro próximo, mas já com destaque a partir de Janeiro.

O mesmo iria acontecer com Ivan Ramiro Sosa. É mais um puro talento colombiano que Gianni Savio foi buscar para a Androni Giocattoli-Sidermec. Foi anunciado como reforço, o que deixava a Trek-Segafredo numa posição muito favorável na construção de uma equipa forte. Porém, soube-se mais tarde que não havia qualquer contrato assinado e a Sky intrometeu-se. Ainda não é oficial, mas o colombiano terá sido desviado para a formação britânica, num dos episódios insólitos deste mercado de transferências e até já vai falando como um corredor que se prepara para ajudar Chris Froome.

Um rude golpe para a Trek-Segafredo, que deixou escapar um ciclista que promete e muito. Por outro lado, houve quem não desperdiçasse a oportunidade de assinar pela equipa americana. Edward Theuns está de regresso após um ano para esquecer na Sunweb, em mais um reforço para o bloco das clássicas.

Houve várias saídas, principalmente de ciclistas mais velhos, mas também de Nizzolo, por exemplo. Ruben Guerreiro também vai trocar de camisola. O ciclista português nunca alcançou a estabilidade desejada, muito devido aos constantes problemas, como quedas ou questões de saúde. Sempre que se apresentava em boa forma, algo acontecia. Terminou a temporada com um sexto lugar na Volta à Turquia e prepara-se agora para se juntar ao director José Azevedo e ao companheiro José Gonçalves na Katusha-Alpecin, esperando encontrar a regularidade necessária para triunfar a este nível e que este ano, a falta dela, lhe custou uma presença na Volta a Espanha.

Para a Trek-Segafredo foi então um 2018 muito a pensar em 2019, pelo que as expectativas e as responsabilidades vão ser bem maiores. Pelo menos, operou finalmente as mudanças de rejuvenescimento de uma equipa a precisar urgentemente de sangue novo.

Permanências: John Degenkolb, Jasper Stuyven, Bauke Mollema, Ryan Mullen, Gianluca Brambilla, Jarlinson Pantano, Mads Pedersen, Toms Skujins, Fabio Felline, Niklas Eg, Beppu Fumiyuki, Julien Bernard, Nicola Conci, Koen de Kort, Alex Frame, Michael Gogl, Markel Irizar, Kiel Reijnen e Peter Stetina.

Contratações: Richie Porte (BMC), Edward Theuns (Sunweb), Giulio Ciccone (Bardiani-CSF), Matteo Moschetti (Polartec-Kometa), Will Clarke (EF Education First-Drapac p/b Cannondale) e Alex Kirsch (WB Aqua Protect Veranclassic).

»»De época prometedora, a possível desilusão, mas com um final apoteótico««

»»Ambiente nos bastidores não afastou Lotto Soudal das vitórias««

11 de maio de 2017

O Giro com o síndrome do Tour

(Fotografia: Giro d'Italia)
Será que a presença de ciclistas que normalmente apostam na Volta a França pode tirar aquela característica de ataque que tanto se tem visto no Giro nos últimos anos? Ainda é cedo para dizer que a Volta a Itália poderá vir a sofrer do mal do Tour, onde os ciclistas são muito mais calculistas e mais previsíveis, mas vai apresentado alguns sintomas preocupantes.

Para o Giro100 a organização preparou um percurso especial, com uma última semana brutal, mas até lá com etapas que tinham (e têm) o objectivo de proporcionar algum espectáculo através de ataques, não necessariamente sempre dos candidatos à vitória. No entanto, quando se está prestes a fechar e primeira semana da Volta a Itália, a corrida tem vivido muito à custa de ciclistas que só no final têm animado (e bem, admita-se) as etapas, mas falta aquela agressividade a que estamos habituados a assistir nesta prova. Agressividade no sentido de vários ciclistas procurarem mais intensamente a vitória.

Até ao momento tem sido muito do mesmo. Fuga e perseguição. Felizmente as surpresas têm surgido, como a Lukas Pöstlberger (Bora-Hansgroje) na primeira etapa, Jan Polanc (Bahrain-Merida) no Etna e claro que os sprints de André Greipel e de Fernando Gaviria também foram espectaculares. Mas há que admitir, sabe a pouco.

Além do percurso especial para uma 100ª edição, a organização também teve a expectativa de chamar ciclistas que normalmente apostam no Tour. Nairo Quintana (Movistar) respondeu ao apelo, assim como Thibaut Pinot (FDJ) e Bauke Mollema (Trek-Segafredo), por exemplo. Tom Dumoulin (Sunweb) e Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) preferiram adiar a sua aposta na Volta a França para aparecerem ao seu melhor em Itália. E claro, a Sky que quer de uma vez por todas vencer outra grande volta, com Geraint Thomas ou Mikel Landa (é mais com o britânico, mas o espanhol lá ficou com o dorsal um da equipa).

É notório que o Giro pode ter dois grandes candidatos - Quintana e Nibali -, mas é dos anos em que mais ciclistas aparecem com o desejo e com as condições de darem muita luta. Porém, aquela imprevisibilidade que tanto se via na Volta a Itália, está a dar lugar a um maior calculismo, que tanto caracteriza o Tour. Tem sido possível observar como as equipas têm protegido os seus líderes e como não há intenções de surpreender, quando ainda falta tanto para o fim. Ninguém quer arriscar cedo de mais. É para ganhar sem loucuras e com a lição bem estudada.

Sofre o espectáculo, até porque grande parte das melhores equipas têm um líder com o objectivo de ganhar ou pelo menos chegar ao pódio e trouxeram homens de trabalho de elevada qualidade Logo, não há muita gente em algumas formações com liberdade para grandes movimentações. Tal significa um maior controlo da corrida, menor espaço para surpresas e menos espectáculo.

Perante esta realidade, é possível que teremos de esperar por domingo, quando a subida ao Blockhaus poderá mexer mais a sério com a geral, já que na segunda-feira é dia de descanso. E na terça-feira haverá o primeiro contra-relógio (39,8 quilómetros). A ver vamos se as hostilidades vão mesmo ser abertas nessa altura, ou se haverá contenção até às decisões nas Dolomitas (Alpes).

A sexta etapa foi o exemplo de como há a tentativa de controlar a corrida ao máximo. Lá houve uma fuga logo nos primeiros metros, mas foram só quatro os ciclistas que "tiveram autorização" para sair do pelotão. Aqui e ali parecia que algumas equipas, como a Quick-Step Floors ou a Sunweb, poderiam tentar apanhar os fugitivos, mas houve a tal contenção. Não havia necessidade de correr riscos e nem as bonificações no final de uma etapa marcada por uma rampa a 10% seduziu a alguém a tentar ganhar uns segundos e uma tirada.

Restou o quarteto para dar algum espectáculo. Bem, acabou por ser um trio já que Simone Andreetta (Bardiani-CSF) não conseguiu acompanhar o ritmo nos últimos dois quilómetros. Pöstlberger tentou repetir a graça da primeira etapa, mas foi Silvan Dillier (BMC) e Jasper Stuyven (Trek-Segafredo) quem discutiram a vitória ao sprint. Nesta etapa foi o suíço que proporcionou o momento de emoção, já que bateu o belga que era mais do que favorito a ganhar o duelo. A BMC somou a 22ª vitória do ano (e que ano fenomenal que está a ser para a equipa americana) e os suíços tiveram a sua alegria numa altura em que procuram um novo ídolo, após a retirada de Fabian Cancellara.


Giro d'Italia - Stage 6 - Highlights por giroditalia


Silvan Dillier tem 26 anos e foi o seu primeiro triunfo numa grande volta. No seu curto currículo conta com uma Volta à Normandia, uma etapa e um segundo na geral na Artic Race e também venceu o Tour de Alberta (corrida de um dia). É um ciclista muito completo e chamou agora a atenção sobre ele, dando uma vitória a uma equipa que tem um líder, Tejay van Garderen, que nesta altura é uma fonte de desconfiança depois de ter sido uma das grandes promessas americanas.

Já Stuyven passou mais uma vez ao lado de uma grande vitória, desperdiçando também a oportunidade de vestir a maglia ciclamino, que está com Fernando Gaviria, um dos seus objectivos para esta Volta a Itália.

Depois de 217 quilómetros entre Reggio Calabria e Terme Luigiane, esta sexta-feira serão 221, que irão ligar Castrovillari a Alberobello. Haverá uma subida de quarta categoria a cerca de 70 quilómetros do final, mas se há etapa que os sprinters querem agarrar é esta, até porque as oportunidades estão a esgotar-se, pois só há mais uma que será claramente para eles.



Veja aqui as classificações após a sexta etapa da Volta a Itália.

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30 de março de 2017

Resultados da Trek-Segafredo nas clássicas estão a desiludir e já se sente a falta de Cancellara

Fabian Cancellara deixou saudades na Trek-Segafredo
(Fotografia: Facebook de Fabian Cancellara)
Um ciclista como Fabian Cancellara estava destinado a deixar muitas saudades. Afinal foram 75 vitórias como profissional, com natural destaque para as clássicas, mas não só. Vencedor de sete monumentos, a decisão de terminar a carreira deu maior liberdade financeira à Trek-Segafredo para contratar - o suíço era dos ciclistas mais bem pagos do pelotão -, mas a principal aposta, John Degenkolb, não está a render o esperado e a prata da casa também não está comprovar as expectativas criadas "Os resultados nesta altura não são suficientemente bons. Para ser sincero, esperava mais." As palavras são do director desportivo Dirk Demol, que elogia os seus ciclistas, mas diz estar a faltar o "instinto de matador" que tinha Cancellara.

A equipa americana conta apenas com quatro vitórias em 2017 e nenhuma delas nesta época de clássicas. Como tem sido tradição, a Trek-Segafredo aposta sempre forte nesta fase e entre 2011 e 2016 contou com um dos melhores ciclistas deste estilo de corridas. "Era um dos pontos fortes do Fabian, ele conseguia antecipar qualquer situação. Ele era do género... vai. Sinto um pouco falta disso, daquela agressividade no momento certo. Não penses, vai!" Demol refere-se ao facto de Degenkolb ter trabalhado muito bem na Milano-Sanremo, E3 Harelbeke e na Gent-Wevelgem, contudo, ficou para trás quando se deram os ataques que acabaram por resultar nos grupos que lutaram pela vitória.

"Eles [ciclistas da equipa] às vezes hesitam um segundo e um segundo é demasiado. Se os homens principais vão, tu não podes pensar 'devo ir com ele ou não?'. [Nessa altura] já é tarde", referiu Dirk Demol em declarações ao Cycling News. "Vou apoiar os meus rapazes a 100%, mas não alcançámos os resultados que poderíamos ter feito", acrescentou. Demol realçou que não está a criticar Degenkolb e até elogia o ciclista alemão, dizendo que gosta de trabalhar com ele, visto ser um ciclista decidido e que sabe o que quer: "Claro que ele está desiludido. Ele quer ganhar e quando se tem essa desilusão é um bom sinal que se vai fazer melhor da próxima vez."

Para o director desportivo, o grupo que a Trek-Segafredo tem para as clássicas é forte, mas tem cometido alguns erros em momentos chaves. Com a fase das corridas do pavé a terminar, Dirk Demol deixou garantias que a equipa irá estar "a todo o gás" na Volta a Flandres, este domingo, e no Paris-Roubaix (9 de Abril).

John Degenkolb sabia que apesar de ser um ciclista já com vitórias importantes, iria para a equipa americana para ocupar o lugar de líder nas clássicas, deixado vago com a retirada de um dos mais carismáticos dos últimos anos: Fabian Cancellara, o Spartacus do ciclismo. O alemão procurava novos ares depois de um ano para esquecer na Giant-Alpecin, muito devido ao atropelamento de que foi vítima ainda na pré-época. Degenkolb tem dado demonstrações que está a regressar ao seu melhor. Venceu uma etapa na Volta a Abu Dhabi em Fevereiro, mas nas corridas que mais aposta, até tem demonstrado ter capacidade para seguir ao ritmo de Peter Sagan e Greg van Avermaet, as duas principais referências neste momento, mas falhou sempre quando precisou de reagir a ataques.

O alemão tem 28 anos, pelo que não entrará em desespero se este ano falhar os seus objectivos. No entanto, será difícil esconder alguma frustração. Ainda faltam dois monumentos que lhe agradam e recorde-se que já venceu o Paris-Roubaix em 2015. Degenkolb está com "fome" de grandes triunfos, depois daquele tremendo ano de 2015 e as palavras de Demol espera-se que tenham o condão de o motivar ainda mais. Não é e nunca será Cancellara, nem se pretende isso, mas Degenkolb quer e tem potencial para conquistar muito mais.

Outro dos ciclistas visado nas palavras de Demol acaba por ser também Jasper Stuyven. O belga de 24 anos venceu em 2016 a Kuurne-Bruxelles-Kuurne, mas este ano esperava-se um pouco mais. É certo que nessa corrida voltou a estar bem, terminando em segundo, foi oitavo na Omloop Het Nieuwsblad, mas os resultados na Strade Bianche, E3 Harelbeke e Gent-Wevelgem ficaram muito aquém do desejado. É ainda um corredor jovem, mas a expectativa é enorme por tudo o que já demonstrou.

A pressão é naturalmente maior para Degenkolb, mas Stuyven sabe que terá de melhorar as suas exibições e principalmente os resultados. Para a Trek-Segafredo, terminar a época das clássicas sem uma grande vitórias será uma enorme desilusão, ainda mais tendo em conta que tem também Fabio Felline e Edward Theuns, este último com mais espaço de manobra, visto estar a recuperar sensações depois de no ano passado, na Volta a França, ter sofrido uma queda que poderia ter acabado com a sua carreira.

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