Mostrar mensagens com a etiqueta Giro100. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Giro100. Mostrar todas as mensagens

6 de junho de 2017

Sunweb tranca Dumoulin a sete chaves

(Fotografia: Team Sunweb)
A vitória na Volta a Itália acelerou o processo de renovação de Tom Dumoulin. A Sunweb tem a sua nova mina de ouro e agora para as três semanas. Marcel Kittel e John Degenkolb contribuíram muito para o crescimento desta estrutura, que agora quer afirmar-se como uma potência nas grandes voltas. O Giro foi a primeira conquista. A Sunweb aponta agora ao objectivo máximo: a Volta a França e à quebra da hegemonia da Sky. A equipa alemã não fez por menos e deu um sinal bem claro a quem pudesse estar a pensar em contratar Tom Dumoulin. O holandês assinou um contrato até 2022, algo pouco usual no ciclismo actual e só ao alcance das principais estrelas da modalidade. Neste momento, nenhum dos grandes nomes do ciclismo tem um contrato tão extenso.

Quanto a valores, para já, não se sabe nada, mas certamente que terá recebido um bom aumento. Dumoulin só terminava a ligação à Subweb em 2019, mas a equipa não quis esperar, percebendo que o holandês tornou-se apetecível para muita gente. Um dos patrocinadores mais fortes, a Alpecin, trocou o projecto alemão pela Katusha e a Giant voltou a ser apenas o fornecedor de bicicletas. Porém, a conquista do Giro poderá atrair novos e fortes patrocínios, algo bastante necessário se a Sunweb quer cumprir as promessas feitas a Dumoulin.

Nada é público, mas não é difícil perceber que uma das condições para trancar a sete chaves Dumoulin é o reforço da equipa. Apesar de Dumoulin ter pedido a permanência de Wilco Kelderman e Laurens ten Dam, contudo, é preciso mais e principal melhor. Terá sido precisamente isso que a Sunweb prometeu.

"Estou mesmo feliz nesta equipa e, por isso, renovar o contrato é algo natural para mim. A filosofia da equipa assenta-me bem. Apesar da exigência, sei que vou continuar a evoluir como ciclista e juntos vamos fazer com que fiquemos mais fortes", salientou Dumoulin. O holandês, de 26 anos, recordou como tem crescido com a equipa. Depois de passar pela estrutura de desenvolvimento da Rabobank, Dumoulin assinou pela Argos Shimano em 2012, uma equipa muito jovem e que contou nesse ano com um estagiário Ian Boswell, actualmente corredor da Sky, além das futuras estrelas Kittel e Degenkolb

Nos primeiros anos, a então Argos-Shimano - depois entrou a Giant e mais tarde a Alpecin e Sunweb tornou-se patrocinador principal em 2017 - teve o sprinter Marcel Kittel como a grande estrela, seguido de perto por John Degenkolb. A mentalidade da equipa agora é outra, depois de ambos os ciclistas terem optado por prosseguir a carreira noutras paragens (Quick-Step Floors e Trek-Segafredo, respectivamente).

O talento de Dumoulin despontou na Vuelta de 2015 que esteve tão perto de ganhar, mas que acabou por lhe escapar na última etapa de montanha para Fabio Aru. Em 2017 chegou a confirmação. Dumoulin está feito num voltista e a Sunweb quer aproveitar para se transformar numa potência e medir forças de igual para igual com a Sky e a Movistar no Tour já em 2018. Este ano, depois do Giro, Tom Dumoulin está tentado em tentar conquistar a Volta a Espanha.

Confirmada a longa renovação, agora é esperar para ver quem é que a Sunweb vai colocar ao lado de Dumoulin e quanto é que estará disposta a pagar para formar uma equipa forte. De recordar que o mercado de transferências abre a 1 de Agosto, pelo que nesta altura já se começa a verificar algumas movimentações nos bastidores. E há muito bom ciclista em final de contrato (veja aqui).


30 de maio de 2017

Quanto ganhou Dumoulin na Volta a Itália?

Não é o prémio monetário que faz um vencedor do Giro sorrir
(Fotografia: Giro d'Italia)
Não foi nenhuma fortuna e tendo em conta os gastos que uma equipa World Tour tem, não são certamente valores que desequilibrem a balança (de uma forma positiva). Porém, o dinheiro que a vitória e os resultados que Tom Dumoulin foi alcançando ao longo de três semanas no Giro100 são simpáticos, principalmente para os seus companheiros. Sim, porque no ciclismo, o valor que o vencedor ganha é normalmente distribuído por todos. Ou seja, Dumoulin ganhou, mas financeiramente as vantagens  pessoais virão de outros lados.

Vamos então às contas. Ganhar o Giro rendeu cerca de 205 mil euros ao holandês, sendo que 115 é precisamente por ter sido primeiro e 90 mil como "prémio especial" por ter ganho. Basicamente é a mesma coisa, mas dividido por dois valores... Dumoulin vestiu a maglia rosa durante nove dias (além de no pódio final) e só isso rendeu mais nove mil euros. Tendo em conta que o Dumoulin foi um ciclista em destaque também pelas duas etapas ganhas e ainda somou pontos principalmente na classificação da montanha, significa que haverá mais um cheque de quase 34 mil euros, segundo o site Cycling Weekly.

Arredondando um pouco os valores, vencer uma Volta a Itália e ter alguns resultados relevantes durante as três semanas rendeu a Dumoulin cerca de 250 mil euros. Este valor será dividido pelos companheiros que estiveram ao seu lado no Giro, mas financeiramente, vencer uma grande volta significa que os melhores valores monetários vêm de outros lados. Para começar, Dumoulin deverá renovar contrato com a equipa, o que irá significar uma melhoria salarial, depois os patrocinadores estarão todos ansiosos por explorar a imagem do ciclista, o que irá resultar num ganho bem superior em contratos deste género.

Ganhar uma grande volta não fez de Dumoulin um homem imediatamente milionário, ainda mais se comparámos com outras modalidades. Porém, abrem-se outras portas, financeiramente e, claro, desportivamente. Agora o holandês tornou-se num dos homens mais importantes do pelotão. Se cimentar essa posição, o dinheiro vai começar a entrar na conta com mais ritmo e quantidade, mas precisa de manter este crédito que ganhou. E o holandês sabe disse, estando já a preparar o seu futuro.

Tom Dumoulin não optou por um bom descanso após o Giro. Na próxima sexta-feira regressa já à competição na nova Hammer Series, competição que premeia a melhor equipa, não havendo prémios individuais. Mas mais importante, o que se quer saber é qual é a próxima grande volta do holandês. O Tour parece estar fora de questão. E bem. Para quê estar já a tentar medir forças com Chris Froome e a Sky quando sabe que será ainda cedo para o fazer se realmente quer ser um forte adversário? Ainda mais quando está bastante desgastado do Giro. O foco poderá mesmo ser a Volta a Espanha. Ainda não decidiu, mas Dumoulin estará a ficar tentado em lutar por uma corrida que lhe escapou em 2015 quando claudicou na última etapa de montanha. Porém, é um ciclista diferente dessa Vuelta. Evoluiu como trepador e será certamente interessante ter a possibilidade de ver o líder da Sunweb novamente em acção numa grande volta novamente este ano.

»»O Giro100 é dele e merecidamente. E agora Dumoulin?««

29 de maio de 2017

Quintana: a época de sonho pode transformar-se num enorme pesadelo

Quintana e a Movistar cometeram erros no Giro (Fotografia: Giro d'Italia)
Com a participação na Volta a Itália a resultar "apenas" num segundo lugar, Nairo Quintana conseguiu o que parece ser difícil: aumentar substancialmente a pressão sobre ele para o Tour. Por mais que o colombiano diga que o pódio foi um bom resultado, por mais que Eusebio Unzué diga que ficou satisfeito com o segundo posto [A sério? Ninguém acredita!], a verdade é que Quintana falhou desde já dois dos três objectivos da temporada: não ganhou o Giro100, o que significa que também não fará a famosa dobradinha que está prestes a cumprir 20 anos desde que alguém a fez, ou seja Marco Pantani em 1998. Ganhar o Tour sempre foi a principal ambição, ambos realçaram isso desde o momento em que foi confirmada a presença do colombiano no Giro. Mas haverá uma grande diferença entre ter um Quintana vencedor da Volta a Itália no Tour e um Quintana que saiu derrotado (e de que maneira) por um surpreendente Tom Dumoulin.

Se até o próprio ciclista da Sunweb admitiu que ficou admirado por ter vencido este ano a corrida italiana, então não talvez não se possa acusar Quintana e a Movistar de se terem deixado surpreender pelo holandês. Porém, pode-se apontar falhas que não deveriam ter acontecido tanto por parte do colombiano, como da equipa, a começar pela atitude que parecia que o Giro poderia ser ganho sem que fosse preciso estar a 100%. Apesar de ter feito boas corridas de preparação - com vitórias na Volta à Comunidade Valenciana e no Tirreno-Adriatico, esta última vista como a principal prova de preparação para o Giro -, rapidamente ficou claro que Quintana não estava tão forte como inicialmente se pensava. O próprio realçou esse facto após as primeiras etapas mais complicadas da Volta a Itália. Porém, não estamos a só a falar de não estar a 100%, Quintana estava longe do seu melhor e com as suas debilidades no contra-relógio (que não parece estar interessado em melhorar muito mais), de repente, um Giro que parecia quase impossível não ser dele, escapou para um Dumoulin que não se compara como trepador ao colombiano, mas que foi mais do que suficiente para aguentar Quintana. Isto, claro, além de ser um dos melhores contra-relogistas da actualidade.

A expressão de Quintana das poucas vezes que conseguiu atacar e depois via Dumoulin ali atrás, inclusivamente chegou a apanhá-lo e até ultrapassá-lo, como na subida a Oropa, essa expressão dizia tudo. O ciclista da Movistar tinha dificuldades em responder ao que estava a acontecer. Fisicamente não estava bem, mentalmente voltou a ser aquele ciclista receoso que tanto tem marcado as suas passagens pelo Tour, sempre que tem de enfrentar Chris Froome.

Na Volta a Espanha, Quintana parecia que tinha aprendido a lição, ou seja, que não pode estar somente à espera dos que os rivais vão fazer e então responder, eventualmente contra-atacar. Quintana tomou a iniciativa, mostrou-se mais agressivo e isso deu resultado. A decisão acabou por estar na etapa que Alberto Contador atacou muito cedo e levou com ele Quintana, com a Sky a ser apanhada desprevenida. Ainda assim, a atitude diferente do colombiano fez a diferença. Menos de oito meses depois e o "velho" Quintana voltou, agora sem garra para atacar mais um Dumoulin que o colombiano sabia que tinha de ganhar vantagem por causa dos dois contra-relógios. Os ataques que fez até foram meio tristes, tal a falta de força. Duravam uns curtos instantes, nada que fizesse grandes diferenças.

Quintana pensou que podia ganhar o Giro sem desgastar-se em demasia. Acabou o Giro muito desgastado e sem a vitória. Agora é o Tour ou nada. Se tivesse ganho em Itália e perdesse em França, poderia sempre dizer justificar com a escolha de fazer estas duas grandes voltas, mas tinha uma para salvar a temporada. Tem 27 anos, tem tempo para lutar pelo Tour. Porém, sem o triunfo no Giro, se não ganhar em França poderá dar a mesma justificação, mas terá também de encarar as críticas por ter optado por este calendário, além de arriscar desta forma desperdiçar uma temporada.

A Vuelta, que venceu no ano passado, será para Alejandro Valverde. Por mais que Nairo Quintana se tenha tornado na escolha principal da Movistar para as grandes voltas, a importância de Valverde continua a ser enorme, ainda mais quando não pára de ganhar. Valverde merece a Vuelta. Valverde terá a Vuelta para si na Movistar. Quanto a Quintana, 2017 ameaça tornar-se num verdadeiro pesadelo.

A responsabilidade do que aconteceu no Giro não pode ser apenas atribuída ao ciclista. A Movistar era a melhor equipa presente, a nível global é a segunda mais forte, atrás da Sky, mas tacticamente foi previsível e claramente ineficaz. Colocar ciclistas na frente para depois, mais tarde, serem uma ajuda quando o líder lá chegar é provavelmente uma das formas de correr mais conhecidas. E sim, teve e continua a ter os seus resultados. Mas como a Sky demonstra, quando o bloco é muito forte, o melhor é correr com todos os juntos, desgastar as outras equipas, isolando os líderes, preparar terreno para que o chefe de fila ataque quando achar apropriado, ou então defender a sua posição, caso não seja etapa para grandes riscos. A Movistar dividiu-se, mas o desgaste das fugas acabava por retirar força de trabalho aos companheiros de Quintana quando chegava o momento de o ajudar.

Winner Anacona foi quem esteve melhor, mesmo lesionado. Andrey Amador foi uma desilusão, tendo sido pouco consistente. Começou tão bem e acabou por desaparecer. Os restantes colegas fizeram o que lhes era pedido: isolavam Dumoulin, mas não como o poderia fazer se trabalhassem em bloco. Não eliminaram Dumoulin nas subidas mais cedo, como era necessário. A Movistar ganhou por equipas, mas isso apenas quer dizer que fechava cedo essa classificação nas etapas. No essencial, errou.

Dizer que tudo falhou quando um ciclista fica em segundo numa grande volta até pode parecer estranho (há que não esquecer que Quintana ganhou uma etapa e que Gorka Izagirre venceu outra). Contudo, dado o potencial de Quintana - sem dúvida um dos melhores voltistas da actualidade - e da Movistar, exigia-se mais. Agora será uma pressão enorme a suportar durante o Tour.

Sem razões para festejar, Nairo Quintana viajou para o Mónaco, onde tem casa, para descansar um pouco e concentrar-se na Volta a França. O colombiano só voltará a competir quando o Tour começar a 1 de Julho, em Dusseldorf, na Alemanha. Até lá, alguns treinos passarão pelos Alpes, onde fará o reconhecimento de algumas etapas. Os seus rivais, que assistiram pela televisão ao Giro, vão a partir de domingo estar no Critérium du Dauphiné. Chris Froome, Alberto Contador, Richie Porte e Romain Bardet vão medir forças, enquanto Quintana irá tentar recuperar as muitas que perdeu (mais do que esperava e desejava) .

Se há ciclista que tem capacidade para realmente fazer a dobradinha - que vai parecendo cada vez mais inalcançável -, é Quintana. Porém, o colombiano terá de mudar principalmente a sua atitude. Não é imbatível, só porque Froome não está presente. Dumoulin será uma lição difícil de assimilar, mas é bom que o faça. Porém, o mais provável é que Quintana não volte a cometer "loucuras". Se perder o Tour, é certo que em 2018, o ano voltará a ser vivido sobre o lema tudo pela Volta a França, ou seja, o que apelida de sueño amarillo.

28 de maio de 2017

O Giro100 é dele e merecidamente. E agora Dumoulin?

(Fotografia: Giro d'Italia)

Quando na 20ª etapa da Volta a Espanha de 2015, num dia 12 de Setembro que agora parece tão longínquo, Tom Dumoulin entrou num tremendo sofrimento ao perceber que as últimas montanhas lhe iam tirar uma vitória que seria a todos os níveis surpreendentes na Vuelta, questionou-se se o ciclista alguma vez viria a ter capacidade para defrontar os melhores trepadores. Eram apenas seis segundos os que o separavam de Fabio Aru. Aquelas imagens de um ciclista de pedalada pesada, desesperado por salvar algo de uma corrida que até então estava a ser a todos os níveis brilhante, ficaram na memória. Nesse dia Dumoulin perdeu 3:52 para Aru, a Vuelta e até o pódio. O sexto lugar seria sempre um bom resultado para o então jovem de 24 anos, não fosse ter sentido que estava perto de uma grande conquista. Na altura perguntou-se: e agora Dumoulin? Já se sabia que era bom contra-relogista, mas era óbvio que tinha de evoluir muito na montanha. Em 2016 não comprovou as expectativas e nem esteve na discussão no Giro e no Tour. Venceu etapas, inclusivamente na montanha - uma à custa de Rui Costa no Tour -, mas não terminou as corridas. Hoje pode dizer-se que 2016 foi o ano de evolução de Dumoulin. Longe da pressão mediática, este holandês fez-se num ciclista completo e aos 26 anos conquista a sua primeira grande volta, inscrevendo o seu nome numa edição sempre histórica, a 100ª. O Giro é dele e merecidamente. Porém... E agora Dumoulin?

O holandês confirmou o favoritismo que tinha no esforço individual e nem um Nairo Quintana a fazer provavelmente dos melhores contra-relógios da carreira conseguiu garantir o triunfo. Era o dia de Dumoulin. É o Giro de Dumoulin! O único momento que pareceu que o líder da Sunweb podia perder a corrida foi quando o relógio deu três segundos de diferença, mas foi mais um dos vários erros de cronometragem deste final de Volta a Itália. Depois do susto, a correcção e no fim 1:24 minutos separaram os ciclistas. Estavam recuperados os 53 com que tinha começado a última etapa. Faltaram-lhe as palavras na hora de festejar. Mas palavras para quê? Foi o mais forte, o mais consistente e a vitória assenta-lhe bem.

Dumoulin passou o Giro a responder a questões. Se estava a subir melhor, se tinha perdido alguma força no contra-relógio ao perder peso, se era capaz de aguentar dias consecutivos de várias montanhas das mais difíceis, se era capaz de ganhar sem o apoio de uma equipa forte... As respostas foram claras: sobe muito melhor, continua um contra-relogista fortíssimo, aguenta mas ainda há algum trabalho a fazer e consegue ganhar sem grande ajuda dos companheiros. Contudo, este último ponto é uma situação a repensar pela Sunweb se quer fazer frente a Chris Froome e à super Sky da Volta a França. Não há dúvidas que Dumoulin irá ter num futuro próximo o objectivo de atacar o Tour. Uma das questões que agora se coloca é se este Dumoulin é mesmo mais um ciclista para lutar pelas grandes voltas, ou foi isto um daqueles momentos que alguns vivem uma vez na vida?

Pela forma como o holandês evoluiu no último ano e tendo em conta que aos 26 anos há ainda margem de progressão, será difícil de imaginar não ver Dumoulin juntar mais alguma grande volta ao Giro100. Está feito num ciclista completo, um pouco à imagem de Froome, mas ainda longe da categoria e supremacia do britânico, mais forte no contra-relógio, mais fraco na montanha (falta-lhe explosão, sendo um daqueles ciclistas que sobe a ritmo, enquanto Froome sabe bem atacar). Os próximos passos na carreira de Dumoulin têm de ser dados com calma e muito bem pensados. A pressão vai aumentar substancialmente sobre o holandês. Não se sabe se vai à Vuelta, corrida que faria mais sentido participar e tentar lutar pela vitória, deixando o Tour para o próximo o ano. 

Dumoulin estará a partir de agora numa primeira linha de candidatos, sofrerá outra atenção. Mais do que saber ganhar, terá também de saber lidar com as dificuldades que lhe vão surgir. Dizem que é o novo Miguel Indurain, mas até o espanhol teve de sofrer muito antes de se tornar uma lenda do ciclismo. Dumoulin pode estar no início de ele próprio se transformar numa referência, mas agora terá de saber gerir esta nova fase da carreira. A primeira grande volta já tem, chegou o momento de confirmar que não foi uma vitória única e de saber lidar com desilusões sem desbaratar nas palavras no final das etapas.

A Sunweb já deu o primeiro passo para ajudar Dumoulin a tornar-se no voltista de luxo que pode muito bem ser. Ofereceu-lhe contrato até 2021 (tinha até 2018) e estará disposta a ceder aos pedidos do seu campeão. O holandês quer Wilco Kelderman e Laurens ten Dam ao seu lado. Não deverá ser problema e Ten Dam nem se importa de adiar a anunciada reforma. Com a vitória no Giro, não deveria ser problema para Dumoulin conseguir dar o salto para uma equipa com uma estrutura já mais forte. No entanto, a confirmar-se que o ciclista aceitou a proposta da Sunweb, tal é também um voto de confiança do holandês, que deverá sentir-se muito bem na equipa que sempre que lhe prometeu algo, cumpriu. Prometeram-lhe ser líder numa grande volta numa fase em que muito se falava e apostava em Warren Barguil e cumpriram. Prometeram-lhe contratar ciclistas a pensar nele e nas grandes voltas e cumpriram, como ficou provado não terem procurado um homem para substituir John Degenkolb nas clássicas e nos sprints. Agora comprometem-se a dar-lhe estabilidade e em ceder aos seus pedidos. E são necessários gregários de luxo, urgentemente. É absolutamente normal que Dumoulin acredite que este virão, ainda mais porque a sua vitória poderá ajudar a convencer outros ciclistas e também será importante para a chegada ou reforço dos patrocinadores.

E agora Dumoulin? Agora é tempo de celebrar uma vitória que quando começou o Giro100 era vista como improvável - um pódio talvez -, mas depois daquele contra-relógio na 10ª etapa começou a ser vista como muito provável. Nem aquela paragem para satisfazer as necessidades fisiológicas lhe estragou a corrida (mas lá que assustou, assustou). Esta será uma daquelas vitórias 100% lembrada pelo mérito do vencedor. Não haverá "ah, mas aquele caiu, furou, ou seja lá o que for". Mesmo com a Sky fora da luta por um acidente com uma moto da polícia, que também tirou a Dumoulin o seu braço direito, Kelderman, mesmo com um Quintana a dizer que estava com febre na última etapa de montanha do Giro, este foi um triunfo construído de luta, de sofrimento e a prova que o trabalho intenso de meses e meses pode acabar com a maior das recompensas.

E agora Dumoulin? É continuar a trabalhar, pois o que mais se deseja nesta altura é ver um confronto Dumoulin/Froome. São seis anos os que os separam, mas haverá tempo para termos um Dumoulin no seu melhor contra aquele Froome que tem feito do Tour a sua casa.

O último dia


Quick-Step Floors venceu cinco etapas e duas classificações
(Fotografia: Giro d'Italia)
Jos van Emden (Lotto-Jumbo) foi mais um holandês a subir ao pódio, mas como vencedor do contra-relógio. Até ficou mais emocionado que Dumoulin que tinha acabado de ganhar o Giro! Mikel Landa (Sky) ficou com a camisola da montanha, Fernando Gaviria (Quick-Step Floors) com a dos pontos, levando para a casa a famosa maglia ciclamino que regressou à Volta a Itália este ano e o colombiano é também o ciclista com mais vitórias: quatro. Bob Jungels (Quick-Step Floors) tirou a camisola branca da juventude a Adam Yates (Orica-Scott). O britânico foi mais um dos ciclistas prejudicado pelo incidente com a moto da polícia e nem esta classificação conseguiu segurar para salvar a sua corrida. A Movistar "limpou" a classificação por equipas, com quase uma hora de vantagem sobre a AG2R.

Ficam ainda aqui uns dados históricos sobre Dumoulin: foi o primeiro holandês a ganhar a Volta a Itália. A última vez que um ciclista venceu uma grande volta foi Joop Zoetemelk, no Tour de 1980, sendo também dele o derradeiro triunfo na Vuelta de um corredor da Holanda, em 1979.

Os portugueses

Os três representantes lusos terminaram a Volta a Itália. O destaque vai, naturalmente, para Rui Costa. O ciclista da UAE Team Emirates bem tentou a desejada etapa. Foi segundo em três etapas, com a maior frustração a ser a que perdeu ao sprint para Omar Fraile (Dimension Data). Ainda assim é uma corrida positiva para o poveiro, que pela primeira vez na carreira, aos 30 anos, competiu no Giro. Rui Costa terminou na 27ª posição, a 1:33:17 horas de Dumoulin.

José Mendes teve a oportunidade de se destacar na Bora-Hansgrohe dada a ausência de Leopold König por lesão. Porém, a equipa basicamente cumpriu todos os objectivos (e mais alguns) logo na primeira etapa, quando venceu a tirada e ficou com as camisolas todas. Depois a aposta foi na capacidade de sprint de Sam Bennett. Até Jan Bárta, outro possível líder, acabou a trabalhar para Bennett. José Mendes ainda apareceu bem em algumas etapas de montanha, mas faltou-lhe a consistência que certamente desejaria para alcançar uma classificação bem melhor que o 48º lugar, a mais de duas horas de Dumoulin. Porém, fez o que pôde numa equipa que sem König deixou de ter pretensões à geral. E, claro, sonho cumprido para o campeão nacional: participou nas três grandes voltas na carreira.

Também José Gonçalves se estreou no Giro. Foi uma pena que não tenha tido mais liberdade para entrar numa fuga e discutir uma etapa. O ciclista da Katusha-Alpecin teve o papel de acompanhar o líder Ilnur Zakarin e que bem o cumpriu. Foram várias as vezes que se o viu a trabalhar na frente da corrida, fosse para posicionar melhor o russo, fosse para perseguir, fosse para abrir caminho a algum ataque. Foi 60º, com mais de duas horas de atraso, mas certamente que a equipa estará muito satisfeita com o português. É o seu primeiro ano no World Tour, tem apenas contrato para 2017, mas vai dando demonstrações que está onde merece estar e que merece continuar por lá.

Veja aqui o resultado do contra-relógio final e as classificações finais do Giro100.


Giro d'Italia - Stage 21 - Highlights por giroditalia


»»53 segundos para resolver um Giro virado ao contrário««

»»Batalha na estrada, rumor que lançou a confusão, pazes feitas, vitória de Landa, Quintana de rosa. Que grande dia no Giro!««

27 de maio de 2017

53 segundos para resolver um Giro virado ao contrário

(Fotografia: Giro d'Italia)
Estão todos de acordo que Tom Dumoulin é o favorito para o contra-relógio final da Volta a Itália. Nairo Quintana, Vincenzo Nibali e Thibaut Pinot assim o dizem, mas os três homens que agora estão nos lugares do pódio - ironicamente foi o holandês quem acabou por sair, depois de ter desejado que o colombiano e o italiano não terminassem nessas posições - também deixaram a ressalva que tudo por acontecer. São 53 segundos que o líder da Subweb tem de recuperar para agarrar um Giro que merece. Contudo, merecer não chega. Dumoulin precisa de mais uma grande exibição num Giro virado ao contrário.

Vejamos: Quintana (Movistar) é o líder com 39 segundos sobre Nibali, 43 sobre Pinot e os tais 53 sobre Dumoulin. Dos ciclistas presentes no Giro é aquele que é visto como o melhor voltista do momento - por lá faltam, claro, Chris Froome e Alberto Contador - e era o candidato dos candidatos quando a corrida começou. Porém, as suas exibições em Itália não convenceram e com apenas o contra-relógio para definir o vencedor, Quintana consegue agora ser o candidato mais forte a ficar fora do pódio. No primeiro esforço individual, na 10ª etapa, Quintana perdeu cerca de quatro segundos por quilómetro para Dumoulin. Foram 39,8. neste domingo serão 29,3. Além do factor óbvio da menor distância, coloca-se também a questão que entretanto os ciclistas passaram pelas principais montanhas da prova, o que faz que o desgaste seja muito maior e poderá provocar algumas dificuldades a Dumoulin para voltar a estar a tão bom nível. Sendo uma etapa mais curta, Quintana, mesmo cansado, terá uma melhor oportunidade para se tentar defender. No entanto, Dumoulin "só" tem de recuperar cerca de dois segundos por quilómetro ao colombiano.

Nibali (Bahrain-Merida) é segundo e até tem capacidade para ele próprio tirar Quintana da liderança, contudo, tem um problema chamado Thibaut Pinot. O francês da FDJ teve uma melhoria incrível nos últimos dois anos no contra-relógio, sendo inclusivamente o campeão nacional da especialidade. O primeiro não lhe correu nada bem. Foi com pretensões de até tentar vencer essa etapa, mas acabou a 2:42 de Dumoulin. Porém, há que ter em conta que Pinot foi provavelmente o ciclista mais forte nesta terceira semana, pelo que é também ele neste momento um candidato a vencer o Giro. No entanto, Pinot, Nibali e Quintana estarão sempre dependentes do que irá fazer Dumoulin.

Portanto, o quarto classificado é o favorito para ganhar o Giro, o terceiro também pode vencer, mas, quanto muito, tem tudo para ser segundo. O segundo pode descer a terceiro e o líder arrisca a nem ir ao pódio. Se alguém se lembrar de algo idêntico alguma vez ter acontecido numa grande volta, por favor partilhe!

Ilnur Zakarin (a 1:15) e Domenico Pozzovivo (1:30) não estão longe, é certo, mas o russo da Katusha-Alpecin sabe que tem muito a melhorar no contra-relógio comparativamente com os três ciclistas que estão à sua frente. Porém, Quintana é um alvo que Zakarin poderá ter na sua mira, ainda que a diferença deverá ser grande de mais, tendo em conta que Quintana não irá poupar qualquer energia. Quanto a Pozzovivo, o ciclista da AG2R esteve muito bem neste Giro, mas o contra-relógio não é para ele e a preocupação do italiano será defender a sua posição, tendo quase dois minutos para gerir para Bauke Mollema (Trek-Segafredo).

São 29,3 quilómetros para decidir um Giro que viveu de um super Dumoulin e das últimas duas etapas em que finalmente houve emoção, além, claro, da paragem muito pouco estratégica do holandês devido à... dor de barriga!

Última etapa de montanha com todos ao ataque e sem poupanças de esforços


Pinot venceu a 20ª etapa (Fotografia: Giro d'Italia)
Antes do contra-relógio foi o tudo por tudo para ganhar tempo a Dumoulin, enquanto o holandês deu tudo o que tinha e não tinha para não ceder muito mais. No final perdeu 15 segundos. Terá sido de mais? Quintana e Nibali deveriam ter conseguido uma vantagem maior? Não vale a pena especular. Este domingo já vamos conhecer a resposta.

A verdade é que foi uma etapa ao estilo do que se costuma ver no Giro. Todos ao ataque. Na frente juntaram-se Zakarin e Pozzovivo, depois apanhados por Nibali, Quintana e um Pinot que ao perceber que não ia conseguir ganhar muito tempo na estrada, lutou pela etapa e pelos dez segundos de bonificação. O francês confirmou o seu bom momento nesta terceira semana com a conquista da tirada.

Atrás deste grupo estava Dumoulin, Bob Jungels (Quick-Step Floors), Adam Yates (Orica-Scott) e Bauke Mollema (Trek-Segafredo). Que bem trabalharam todos, unidos quase em torno do holandês, já que para os restantes o objectivo não era mais do que não perder muito tempo, que ainda assim não faria grande diferença. A aliança com Jungels foi a mais visível, com o luxemburguês a passar muito tempo na frente. Não surpreendeu que no final Dumoulin tenha feito um agradecimento público aos três companheiros de ocasião, admitindo que sem eles teria perdido mais tempo.

Um bom espectáculo para preparar um último acto como se queria (da perspectiva de quem assiste ao Giro, claro): indefinição do vencedor até final. Da última vez que um contra-relógio fechou uma Volta a Itália, em 2012, Ryder Hesjedal tirou a tão desejada vitória numa grande volta a Joaquim Rodríguez, que perdeu a rosa e ficou em segundo. Hesjedal tornou-se no primeiro canadiano a vencer uma competição de três semanas. Irá a história repetir-se, mas com protagonistas diferentes? Ou irá Quintana fazer o que ninguém parece acreditar e ficar com a maglia rosa do Giro100?

Em discussão estará ainda a camisola branca da juventude com 28 segundos a separar Bob Jungels de Adam Yates, com o britânico a ter uma missão muito difícil pela frente para manter a liderança, tendo em conta a superioridade do luxemburguês no esforço individual. Já Fernando Gaviria (Quick-Step Floors) irá ficar com a maglia ciclamino, somando 325 pontos, contra os 192 de Jasper Stuyven (Trek-Segafredo), enquanto Mikel Landa é o rei da montanha, ficando com a camisola azul ao somar mais 106 pontos que Luis Leon Sánchez (Astana). Por equipas, a Movistar só não ganha se desistir em bloco, tendo em conta que tem 57:06 minutos sobre a AG2R.

Veja aqui o resultado da 20ª etapa e como estão as classificações antes do derradeiro dia do Giro100.


Giro d'Italia - Stage 20 - Highlight por giroditalia


»»Batalha na estrada, rumor que lançou a confusão, pazes feitas, vitória de Landa, Quintana de rosa. Que grande dia no Giro!««

»»Dumoulin e o desejo de ver Quintana e Nibali fora do pódio (agora é que o Giro anima de vez)««

26 de maio de 2017

Batalha na estrada, rumor que lançou a confusão, pazes feitas, vitória de Landa, Quintana de rosa. Que grande dia no Giro!

(Fotografia: Giro d'Italia)
Custou, mas a animação chegou em força ao Giro100 e agora será até final (esperemos bem que sim e que ninguém tenha mais dores de barriga...). Depois das palavras de Tom Dumoulin - desejou que Nairo Quintana e Vincenzo Nibali perdessem os lugares no pódio - era de esperar que a etapa desta sexta-feira fosse mais complicada para o holandês. E assim foi, ainda que tenha sido novamente o ciclista da Sunweb a ser o principal responsável por ter perdido tempo e desta vez não segurou a maglia rosa. Primeiro distraiu-se e deixou escapar os rivais na primeira descida do dia - não, a Movistar e a Bahrain-Merida não atacaram quando Dumoulin estava a urinar, seria demasiado mau perder o Giro pelas questões fisiológicas (!) -, depois de tanto sofrer, finalmente o holandês cedeu numa subida. De 31 segundos de vantagem, tem agora 38 para recuperar para Nairo Quintana. Preocupado? Não pareceu nem um bocadinho e admitiu que cedo sentiu que não tinha pernas para acompanhar os rivais. E sim, Dumoulin está mais calmo nas palavras. Até pediu desculpa a Nibali!

Foi um dia de emoções fortes, com Rui Costa a ser pela terceira vez segundo na etapa. Mas já voltaremos ao ciclista português. A duas etapas do fim do Giro, as atenções estão, inevitavelmente, centradas na luta pela geral, com 1:30 minutos a separar o primeiro do sexto, Domenico Pozzovivo. O dia ficou marcado pela notícia, que não se confirmou, que a Movistar e a Bahrain-Merida teriam atacado quando Dumoulin estava a urinar. Durante alguns minutos foi a confusão total, com um reboliço nas redes sociais que deve ter deixado os ciclistas das duas equipas com as orelhas bem quentes... Era verdade, não era verdade... No final Tom Dumoulin esclareceu que perdeu o contacto quando tomou a decisão táctica de se deixar ficar um pouco para trás na descida, acabando por não estar bem colocado quando os rivais atacaram. "A minha equipa salvou-me o cu", disse e sim, parece que percebeu que tem de ter tento nas palavras, mas ainda não aprendeu a escolher algumas expressões.

Dumoulin acabou por ter alguma sorte, pois para trás ficaram também Adam Yates (e muito trabalhou o britânico), Bauke Mollema e Steven Kruijswijk. Lá conseguiram apanhar Quintana, Nibali e companhia, mas muita energia foi desperdiçada por um erro táctico. Logo no início da derradeira subida, o holandês começou a fraquejar. Muito pode agradecer a Simon Geschke, que fez uma das melhores etapas de montanha da sua carreira. Certamente que a Sunweb nunca mais se vai esquecer dele no hotel, como aconteceu neste Giro. Piancavallo era uma subida muito dura, com a pendente máxima a chegar aos 14%. O melhor do top dez foi mesmo Thibaut Pinot (FDJ) que está claramente muito melhor nesta terceira semana e tem o pódio a dez segundos. Mas será que o francês não vai tentar ser mais ambicioso? Tem 53 segundos de desvantagem e é melhor contra-relogista que Nairo Quintana e pode muito bem bater Nibali. Claro que neste aspecto Dumoulin é melhor, mas ainda falta uma etapa de montanha para ganhar mais tempo.

Nairo Quintana assumiu novamente a liderança, que foi dele durante o dia do contra-relógio em que foi banalizado por um super Dumoulin. Porém, o colombiano continua a ser uma desilusão. Onde está aquele Quintana que ataca nas subidas deixando todos em dificuldades? Não está no Giro certamente. É um Quintana a gerir esforço, falta saber se é porque não está bem ou porque o Tour está mais no pensamento do ciclista do que o colombiano tem admitido. Ou então as duas razões. É líder, mas está longe de ter o Giro garantido. Tem um dia para tentar ganhar mais um minuto, pelo menos, pois ainda assim 1:38 poderá não chegar para defender a maglia rosa no contra-relógio.

Nibali convence ainda menos, ainda que tenha sido ele a acelerar e a levar com ele Quintana, que depois até o ultrapassou. São 43 segundos que o separam da liderança, mas ou está a guardar o melhor para o fim, ou é mais candidato a perder o pódio do que a ganhar o Giro.

Dizer que Ilnur Zakarin pode ganhar a Volta a Itália (1:21) é capaz de ser algo demasiado optimista, mas ainda não vimos aquele russo voador (se há uma camisola vermelha aberta, tipo capa, é muito provável que seja Zakarin), com capacidade para bater os melhores, mas atenção à última etapa de montanha este sábado. Já Domenico Pozzovivo (AG2R), provavelmente nunca pensou estar nesta posição a duas tiradas do fim. Mas tendo em conta que é um péssimo contra-relogista, até o pódio será difícil. Contudo, lutar pela etapa e ainda tentar melhorar a classificação poderão passar pela cabeça do pequeno italiano.

Se Dumoulin não tivesse tido aquela dor de barriga, a conversa agora seria diferente. Mesmo com as dificuldades demonstradas nesta 19ª etapa, o holandês ainda seria líder e com o contra-relógio final a beneficiá-lo, o discurso se calhar seria mais do género "é preciso uma catástrofe para perder o Giro". Quanto a isso basta falar com Steven Kruijswijk que sabe bem que os azares acontecem quando a glória parece estar tão perto.

Com o panorama actual e já que houve a tal dor de barriga para mexer com a classificação geral - um adepto ofereceu hoje papel higiénico a Dumoulin -, nesta altura o holandês continua a ser o favorito para ganhar o Giro. Mas a quebra de hoje levanta mais uma questão (bom, duas) a Dumoulin, que muito tem respondido a uma série de dúvidas sobre ele nesta corrida: "Como vão estar as pernas? Vai recuperar e pelo menos não perder muito mais tempo?

Faltam 190 quilómetros, entre Pordenone e Asiago, e duas subidas de primeira categoria para Dumoulin aguentar e Quintana, Nibali, Pinot e Zakarin atacarem. Depois, no domingo, será o dia de um contra-relógio que se fala há meses.


Antes de muita luta na estrada, pazes feitas na televisão

Ciclistas fizeram as pazes (Fotografia: Giro d'Italia)
Talvez seja dos 26 anos, talvez seja simplesmente a sua personalidade, mas Dumoulin por mais do que uma vez não se coibiu de dizer o que lhe ia na mente, tendo claramente ido longe de mais ao desejar que Quintana e Nibali ficassem fora do pódio. Nibali respondeu, dizendo que o holandês era "pretensioso" e Dumoulin mandou uma espécie de "olha quem fala". Rivalidade criada, não há dúvida, mas o ciclista da Sunweb mostrou-se hoje mais calmo e principalmente mais sensato.

"Precisamos de falar com as pernas e não com a boca. Eu disse algo tomado pelas emoções. Não foi correcto e peço desculpa por não ter tido mais respeito. Desculpa", disse Dumoulin a Nibali, quando o italiano estava a ser entrevistado para um canal de televisão antes do início da 19ª etapa. Nibali sorriu e respondeu com boa disposição: "Pelo menos houve algo para se falar e para os media escreverem!"

Gesto muito correcto de Dumoulin, mas não significa que o que disse seja esquecido. Porém, que a rivalidade seja apenas notória na estrada com ataques pela vitória e não ataques verbais.

Landa finalmente venceu, Rui Costa volta a ser segundo

(Fotografia: Giro d'Italia)
O ciclista português já tem o "prémio" do ciclista com mais segundos lugares no Giro (prémio Sagan?!) Desta vez não há nada a apontar. Mikel Landa foi simplesmente mais forte. Landa é simplesmente um dos melhores trepadores e veste com justiça a camisola da liderança da classificação da montanha. Rui Costa entrou na fuga inicial e foi ele quem lançou o ataque quando foi preciso voltar a fugir ao grupo dos candidatos. Foi ele quem foi buscar um Luis Leon Sanchez que tanto procura aquela vitória para dedicar a Michele Scarponi, mas que começa a parecer que não vai acontecer. Rui Costa bem tentou, mas quando Landa decidiu impor um ritmo elevado, o poveiro não conseguiu acompanhá-lo. Há que saber aceitar a derrota: o espanhol mereceu a vitória.

Rui Costa também já merece o seu grande momento na Volta a Itália. Tem mais uma oportunidade. É certo que o cansaço deve ser grande, mas agora já não há mesmo nada a perder. Este sábado é o tudo ou nada para o campeão do mundo de 2013 cumprir um dos seus principais objectivos do ano. "É claro que eu preferia ganhar, mas não sendo a vitória para mim, nem para a minha equipa, fico feliz por ele ter ganho. Landa foi dos corredores que mais lutou, neste Giro, por uma vitória de etapa", escreveu Rui Costa no seu blogue. Acrescentou que acredita que se Dumoulin não perder mais tempo que será o provável vencedor do Giro: "Desejo apenas que vença o mais forte e de forma honesta."

Quanto a Mikel Landa, o espanhol confessou que aprendeu uma importante lição neste Giro: "É preciso insistir." E realmente Landa insistiu, insistiu, recuperou da desilusão da queda que o retirou da luta pela vitória na Volta a Itália, recuperou de dois segundos lugares ao perder ao sprint... É uma pena que não se tenha tido a oportunidade de ver se o ciclista da Sky poderia mesmo ter condições para estar na discussão com Dumoulin, Quintana, Nibali, Pinot e Zakarin. E Landa está de novo na ribalta, numa altura em que Espanha surgiram notícias que já terá acordo para regressar à Astana em 2018, agora como um dos líderes da equipa cazaque.

Uma última nota. O ciclista da Trek-Segafredo, Eugenio Alafaci, atirou um bidão contra Rory Sutherland  (Movistar), depois deste se ter desviado repentinamente, tapando o caminho ao italiano. Um gesto que poderia ter resultado em consequências graves, já que o bidão caiu para o meio da estrada, com o pelotão a estar naquele momento bem composto e o incidente ocorreu na frente. Depois de Javier Moreno (Bahrain-Merida) ter sido expulso por ter empurrado Diego Rosa (Sky), esperava-se medida idêntica, mas Alafaci terá apenas de pagar 200 francos suíços de multa (cerca de 184 euros) e foi ainda sancionado com um minuto de penalização, algo que não é preocupante tendo em conta as mais de quatro horas de atraso que tem para o actual líder, Nairo Quintana.

Veja aqui as classificações do Giro100 quando faltam duas etapas para terminar.


Giro d'Italia 2017 - Stage 19 - Highlights por giroditalia


»»Dumoulin e o desejo de ver Quintana e Nibali fora do pódio (agora é que o Giro anima de vez)««

»»Rui Costa finalmente teve equipa, mas no momento decisivo falhou e a etapa escapou... Outra vez««

25 de maio de 2017

Dumoulin e o desejo de ver Quintana e Nibali fora do pódio (agora é que o Giro anima de vez)

(Fotografia: Giro d'Italia)
As Dolomitas foram madrastas para o líder do Giro há um ano. Steven Kruijswijk deve ter tido um dia de emoções entre as dificuldades das montanhas e a frustração quando se recorda que foi por lá que perdeu a Volta a Itália de 2016. Porém, este ano houve um espectáculo bem diferente, com o líder a realizar uma demonstração de força que a certo ponto parecia que Dumoulin estava a tentar dizer a Vincenzo Nibali e a Nairo Quintana: "Oh p'ra mim!" Mas não foi preciso tentar adivinhar o que o holandês da Sunweb estava a pensar no final de uma etapa em que os principais rivais preocuparam-se em controlar o maglia rosa e não em defenderem-se do ataque de Thibaut Pinot e Ilnur Zakarin ao pódio. Já se percebeu que Dumoulin não tem problema em dizer as coisas como acham que são, mas se a honesta expressão do dia dos problemas gástricos acabou por fazer rir, o que disse hoje lançou de vez as bases para duas novas rivalidades: "Espero mesmo que a competir assim, que eles percam os seus lugares no pódio em Milão. Seria mesmo bom e eu ficaria contente."

Foi dito em directo, sem edições e para alguma surpresa de Juan Antonio Flecha que naquele momento entrevistava Tom Dumoulin para o Eurosport. E Flecha certamente que não foi o único a ser apanhado desprevenido. É um facto que está a faltar alguma emoção na luta pela maglia rosa, com Quintana a ser o único que ainda tentou atacar, mas que viu o seu esforço ser novamente frustrado por um Dumoulin confiante e em grande forma. Nibali ainda acelerou, mas continua a não convencer ninguém. Falta emoção na estrada, Dumoulin criou-a fora dela. Se o colombiano foi confrontado com as declarações do holandês, então não terá reagido.

Mas Nibali foi mesmo questionado e a reacção não foi menos agressiva. "Não me interessa o que o Tom diz. Acho que ele é um bocado pretensioso. Eu nunca falei assim. Ele demonstrou que está forte na corrida, mas não deveria falar tanto. Ele também pode perder o pódio. Deveria manter os pés bem assentes na terra e falar menos", afirmou Nibali. O melhor ficou para o fim: "Ele sabe o que é o karma? Cá se fazem, cá se pagam!"

E a guerra de palavras não acabou porque houve tempo de dizer a Dumoulin, na conferência de imprensa, o que Nibali havia afirmado: "Ele chamou-me pretensioso? Palavras fortes vindo dele..." Ou seja, Dumoulin quis dizer "olha quem fala"! O holandês explicou um pouco melhor porque estava tão zangado com os rivais. "Eu nunca estive em apuros, mas no final não estava completamente satisfeito com a situação. Teria preferido que estivéssemos todos juntos. Não percebo as tácticas deles. Fiquei frustrado e zangado porque ficaram na minha roda. Não os percebo", afirmou.

Não percebe Dumoulin, nem muita gente. Falta ainda três etapas. O contra-relógio é, em condições normais, a arma para Dumoulin garantir o Giro, o que significa que Quintana e Nibali têm dois dias para tirar a maglia rosa ao líder da Sunweb e ainda ganhar uma almofada de tempo para a etapa de domingo. É certo que com 31 segundos e 1:12 para Nibali, a diferença é recuperável nas montanhas que faltam, mas a atitude de hoje, principalmente do italiano, parece estar mais próximo de quem espera por outra dor de barriga do rival, do que propriamente de alguém que vá à procura de ser superior na estrada.

Como foi já foi referido, Quintana ainda atacou. A Movistar preparou a sua táctica e tudo estava a correr bem, até que Dumoulin demonstrou uma enorme classe. Mesmo sem apoio de companheiros, o holandês apanhou o colombiano e não mais o largou. Até fez que ia atacar, mas foi nessa altura que deu a ideia de estar a dizer "oh p'ra mim".

As palavras de Dumoulin, sobre o pódio de Quintana e Nibali, poderão muito bem em resultar numa aliança definitiva com a FDJ de Thibaut Pinot. Definitiva porque já hoje se viu a equipa francesa a dar uma pequena ajuda, tal como a Katusha-Alpecin de Ilnur Zakarin. Portanto, nas duas etapas em linha que faltam, as alianças poderão ganhar ainda mais relevância. Será interessante ver se Nibali e Quintana (uma aliança completamente inesperada) vão querer que Dumoulin engula as suas palavras ou se apenas vão ser novamente dominados pela nova estrela das grandes voltas no ciclismo.

Será desta que haverá animação entre os principais candidatos? E atenção, Pinot ficou a 1:36 minutos de Dumoulin. O pódio será o objectivo principal, mas o francês poderá aparecer de ambição renovada e eventualmente piscar o olho a algo mais. Estas alianças entre equipas duram apenas o tempo em que não é possível alcançar algo mais.

O Giro pode não estar a cumprir as expectativas criadas desde que o percurso foi anunciado, mas lá que Dumoulin está a saber animar as coisas, lá isso está!


Giro d'Italia 2017 - Stage 18 - Highlights por giroditalia

Van Garderen ganhou e Landa partilha com Rui Costa a frustração do segundo lugar

(Fotografia: Giro d'Italia)
Mikel Landa lutou pela camisola da montanha e pela etapa. O primeiro objectivo está quase selado, o segundo escapou-lhe pela segunda vez, experiência já vivida pelo português Rui Costa. Perdeu outra vez ao sprint, desta feita contra Tejay van Garderen, depois de Nibali ter sido o primeiro carrasco. Landa não baixa os braços, já o americano da BMC até chorou, numa clara demonstração de como a vitória o libertou, por agora, da enorme pressão que estava a sofrer. Foi o seu primeiro triunfo numa grande volta que não apaga ter falhado novamente como líder, mas que pelo menos poderá ajudar o ciclista a recuperar alguma confiança perdida, tanto nele próprio, como da equipa nele.

Van Garderen realçou precisamente como a nível de classificação geral não tem conseguido cumprir as expectativas que se criaram sobre ele quando Cadel Evans abandonou o ciclismo. Aos 28 anos não se livra de ser visto como um flop e a pressão inerente disso começava a ser demasiada para suportar. Antes da vitória de hoje, Van Garderen não conseguia recuperar a sua melhor versão há muito. Não vai voltar a ser visto como o americano que irá vencer uma grande volta, mas talvez consiga salvar um pouco a sua debilitada situação na BMC, que o relegou para o Giro, dando a liderança indiscutível a Richie Porte no Tour, depois de Van Garderen nunca ter ido além do quinto lugar na geral. A vitória é razão para festejar, mas não para relaxar. Rohan Dennis ameaça tirar-lhe o lugar de segundo líder, mesmo depois de abandonar o Giro devido a uma queda.

O dia de hoje ficou ainda marcado com a subida de Adam Yates a líder da classificação da juventude, depois da quebra de Bob Jungels. Mas esta luta está ao rubro com apenas 28 segundos a separar os dois ciclstas, com Davide Formolo a estar a 53 segundos. Yates reentrou ainda no top dez, com Jan Polanc a cair irremediavelmente para fora e a UAE Team Emirates perde assim a única compensação que tinha retirado da etapa de quarta-feira, quando teve quatro homens na fuga, mas não conseguiu vencer.

Para esta sexta-feira temos uma chegada em alto em Piancavallo e é provável que a acção principal seja guardada para esta subida.



24 de maio de 2017

Rui Costa finalmente teve equipa, mas no momento decisivo falhou e a etapa escapou... Outra vez

(Fotografia: UAE Team Emirates)
Desde que se mudou para a Lampre-Merida em 2014 que se critica o facto da formação, então italiana, nunca ter construído a equipa necessária para Rui Costa alcançar os seus objectivos, principalmente o desejado top dez na Volta a França. Mas nem no Tour, nem noutras corridas. Foram raras as vezes em que o ciclista português teve uma ajuda digna de nota numa corrida. A UAE Team Emirates é basicamente a estrutura da Lampre, mas parece que a mudança de patrocinador e de nacionalidade deu outra motivação e outra organização (ainda longe de ser a ideal). Rui Costa surgiu em 2017 renovado, a ganhar corridas e a sua estreia no Giro está a ser marcada pela luta por etapas e dois frustrantes segundos lugares. Este último mais difícil de "digerir". Com colegas de equipa na fuga, ainda assim Pierre Rolland fugiu e o campeão do mundo de 2013 nem conseguiu discutir o final a etapa, ganhando apenas o sprint para o segundo lugar.

É sempre um bom resultado, mas não é aquele que o irá deixar inscrito como um dos vencedores no Giro100. São uns pontos importantes para o ranking, mas isso é secundário nesta altura. Rui Costa quer vitórias e perder como aconteceu esta quarta-feira dá que pensar: quando é que a actual UAE Team Emirates começa a funcionar como equipa? Ciclistas talentosos têm, alguns ainda jovens e com uma margem de progressão interessante. Porém, na 17ª etapa tanto pareceu determinada em vencer, como ficou confusa com a posição de Jan Polanc, que chegou a ser o líder virtual, depois ficou "apenas" como o melhor jovem virtual e acabou por se ter de contentar com a entrada no top dez. Algo excelente tendo em conta o ciclista e as ambições da equipa, mas, lá está, a desejada etapa escapou porque quando foi preciso trabalhar em prol de um objectivo, não estiveram à altura dos acontecimentos.

Esta foi uma daquelas tiradas em que os favoritos queriam mais poupar alguma força para os dias decisivos que aí vêm. Não surpreendeu portanto que a Sunweb não se tenha preocupado com a fuga, que chegou a passar os 14 minutos de vantagem. Foi por esta altura que Jan Polanc foi o maglia rosa virtual. Claro que a Sunweb não ia deixar isto acontecer. Mais estranho foram as outras equipas não defenderem a posição dos seus líderes, casos da FDJ e Bahrain-Merida, por exemplo. Ninguém claramente tem medo de Polanc. A Quick-Step Floors lá se chegou à frente para salvar a camisola branca da juventude de Bob Jungels e a Lotto-Jumbo deu uma ajuda para preservar o nono lugar de Steven Kruijswijk. Já a Orica-Scott não se preocupou em ver Adam Yates cair para a 11ª posição.

Os quilómetros deram razão à descontracção no pelotão. A fuga foi perdendo algum fôlego e com a diminuição de ciclistas na frente, foi também caindo a diferença. Voltamos então a Rui Costa. Ali estava o ciclista português novamente na disputa de uma etapa. Quando na 11ª perdeu para Omar Fraile (Dimension Data), Rui Costa teve de fazer a ponte para a frente da corrida, perdendo algumas energias que lhe fizeram falta no sprint final. São circunstâncias do ciclismo. Esta quarta-feira, a UAE Team Emirates chegou a ter quatro corredores na frente. Matej Mohoric liderou com Pavel Brutt (Gazprom-RusVelo). Acabou por ficar sozinho durante vários quilómetros. Porquê? Com um grupo atrás na perseguição, longe do pelotão, mais valia ter-se deixado apanhar. Acabou por ser, até trabalhou, mas houve muita força deitada fora por uns minutos de atenção televisiva. A nível táctico a UAE Team Emirates esteve mal.

Nesse tal grupo estava Rui Costa, Jan Polanc e Valerio Conti. Mesmo com Polanc como virtual maglia rosa, ficou claro que a equipa pensava na vitória de etapa. Trabalharam muito e bem, mas quando chegou o momento chave, houve uma má leitura de corrida e foram horas e quilómetros de esforço por água abaixo. Polanc acabou por ficar um pouco para trás, Mohoric desapareceu para o anonimato do pelotão. Quando Rolland arrancou o pensamento, tanto dos ciclistas da UAE Team Emirates, como dos restantes corredores do grupo, terá sido que aquele não era o terreno para um trepador como o francês. Não tiveram em conta a vontade (a roçar o desespero) de voltar a vencer. De repente, Rolland tinha 30 segundos e nem Conti, nem o próprio Rui Costa conseguiu apanhar o homem da Cannondale-Drapac. O esforço de tanto tempo em fuga foi pago naquele momento... o momento em que a equipa mais era precisa.

Rui Costa é conhecido por ser um exímio ciclista a ler a corrida. Com a companhia de Conti terá confiado no colega que ainda tem muito a aprender, apesar da reconhecida qualidade, que ficou bem patente quando venceu uma etapa na Vuelta, no ano passado.  O português terá também confiado que outros adversários ajudariam na perseguição. Não aconteceu com o ritmo necessário. Quando o ciclista português reagiu, o mal estava feito. Por todo o trabalho feito que merecia um final melhor, pelo facto de Rui Costa ter tudo para vencer uma etapa no Giro100 na primeira vez que participa na Volta a Itália, foi uma pena que por uma vez que o ciclista teve ajuda da equipa, esta não tenha sido a desejada e merecida.

Agora com Jan Polanc no top dez, mas apenas com 27 segundos de vantagem sobre Adam Yates, será preciso uma equipa para tentar defender esta posição. Ou será que a aposta vai continuar a ser mais uma etapa, não esquecendo que o esloveno já venceu no Etna? Seja qual for a decisão, e mais uma vez, é preciso actuar como uma equipa unida, em prol de um objectivo e com a atenção exigida a este nível para se concretizar as ambições.


(Fotografia: Giro d'Italia)
A glória ficou para Pierre Rolland. E muito precisava o francês deste momento. Há dois anos que não ganhava, desde a Volta a Castela e Leão de 2015. Porém, desde 2012 que não vencia numa grande volta, ainda que tenha somado alguns top dez. Mas aquele que foi visto como uma grande promessa francesa, é agora aos 30 anos uma das desilusões. Rolland sabia que o crédito na Cannondale-Drapac ameaçava terminar. Vencer a etapa no Giro100 foi um alívio para o francês

Quando em 2016 chegou à formação norte-americana, a esperança era grande que pudesse finalmente confirmar as expectativas. Não o fez e a equipa já não aposta nele como inicialmente previa fazê-lo. Para a Cannondale-Drapac, Rolland tornou-se naquele membro livre para conquistar etapas, mas já não é o líder.

A própria equipa também respira um pouco de alívio. Após mais de dois anos sem vencer numa corrida World Tour, numa semana conquistou duas vitórias. Primeiro na Volta a Califórnia por intermédio de Andrew Talansky e agora no Giro com Pierre Rolland. Ainda assim, em 2017 são apenas três triunfos para a Cannondale-Drapac. Em 2016 foram apenas dez durante a temporada, no ano antes 11. Foi em 2015 que a equipa tinha vencido pela última vez numa grande volta. Foi também no Giro, na etapa quatro, com o jovem Davide Formolo a destacar-se.

Foi uma vitória importante para a Cannondale-Drapac e para Pierre Rolland, mas nem a equipa, nem o ciclista podem relaxar muito. Perante o potencial que têm, o que tem sido alcançado é pouco. As exigências vão continuar altas e a pressão ainda maior sobre os ciclistas. Mas ainda assim, os triunfos de Talansky e Rolland podem ter o condão de dar alguma tranquilidade, já que o mais difícil ficou finalmente feito: regressar às vitórias no World Tour.


Giro d'Italia - Stage 17 - Highlight por giroditalia


Confirmou-se o dia calmo, mas agora é tempo de acção

Tirando a entrada de Jan Polanc no top dez, o dia acabou sem mudanças no topo da tabela. Depois da indisposição de ontem de Tom Dumoulin que o obrigou mesmo a parar, num daqueles momentos que marcará este Giro100, são 31 segundos que separam o holandês de Nairo Quintana, 1:12 minutos de Vincenzo Nibali e menos de três minutos para Thibaut Pinot e Ilnur Zakarin.

Há um ano as Dolomitas decidiram a corrida e é provável que façam o mesmo em 2017. Ficamos pelo "provável". É que depois do que aconteceu na etapa da Cima Coppi, na qual ataques nem vê-los, com o problema fisiológico de Dumoulin a ser o principal desestabilizador, fica a dúvida de como estão realmente os adversários do holandês. Nibali esteve brilhante a descer, mas ainda não convenceu a subir. Quintana voltou ao modo cuidadoso - parece que o colombiano de ataque só aparece em provas secundárias, ou numa Vuelta, ainda que impulsionado por Alberto Contador -, Pinot, Zakarin, Mollema, Pozzovivo e Jungels estão alguns níveis abaixo do necessário para fazerem frente a Dumoulin.

Tudo pode mudar na etapa de quinta-feira, mas pelo menos espera-se que o líder não tenha problemas inesperados para de uma vez por todas saber se tem capacidade para aguentar-se na frente numa etapa muito complicada.

Veja aqui as classificações da 16ª etapa e as classificações antes de se entrar nas etapas decisivas do Giro100.



»»Não era bem sobre isto que se esperava falar na etapa rainha do Giro100««

»»O que é preciso para bater o cavalheiro Dumoulin? Quintana explica««