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11 de agosto de 2018

Quatro portugueses à procura de surpreender os sprinters

Tiago Machado e Ricardo Vilela são dois dos seleccionados por José Poeira
Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Rui Costa, José Gonçalves, Tiago Machado e Ricardo Vilela estão em Glasgow para tentar surpreender uns sprinters favoritos à conquista do título europeu. Inevitavelmente, Peter Sagan lidera a lista de candidatos, ele que foi o primeiro campeão da Europa, quando os campeonatos foram abertos aos profissionais em 2016. Alexander Kristoff é o detentor do título e pretende continuar o bom momento com que terminou o Tour, ao vencer a etapa dos Campos Elísios.

Num percurso que já viu Mark Cavendish sagrar-se campeão nacional em 2013 e no ano seguinte foi Geraint Thomas o vencedor da corrida nos Jogos da Commonwealth, este último resultado demonstra que é possível bater os sprinters. Nenhum destes britânicos estará presente nos Europeus de Glasgow, na Escócia, pelo que Adam Blythe e Ben Swift poderão ser a maior esperança britânica, ou então Ian Stannard, se optar por um ataque.

Mas no topo da lista de candidatos, além de Sagan (Eslováquia) e Kristoff (Noruega) estão os italianos Elia Viviani e Sonny Colbrelli, John Degenkolb (Alemanha) e Christophe Laporte (França). Greg van Avermaet e Jasper Stuyven (Bélgica) vão tentar intrometer-se nesta luta, ainda que Stuyven terá de mexer antes com a corrida, se de facto quiser ter possibilidade de vencer. E depois aparecem ciclistas como Matej Mohoric (Eslovénia), Mads Pedersen (Dinamarca) e Zdenek Stybar (República Checa) que não se podem excluir de estar na luta, também eles com possíveis ataques.

O quarteto português gostaria que o circuito urbano de 14,400 quilómetros (serão 16 voltas, para totalizar os 230) saísse de Glasgow para que as dificuldades pudessem ser mais selectivas. "O circuito é, por assim dizer, demasiado urbano. Para nós seria mais favorável se a corrida saísse da cidade e pudesse passar por zonas de maior inclinação, mas não é isso que temos pela frente e devemos adaptar-nos ao percurso existente. A corrida vai passar por zonas de peões e até pelo interior de um parque. A luta pela colocação vai ser permanente e muito desgastante. Com a chuva que se prevê, há troços muito traiçoeiros", explicou o seleccionador José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

De recordar que no contra-relógio o belga Victor Campanaerts sagrou-se bicampeão europeu, na quarta-feira. Tiago Machado foi 18º, a 2:34 minutos, e José Gonçalves 22º, a 3:51.

Pode ver aqui a lista completa de inscritos.

A corrida de fundo tem início marcado para as 10:30 (fuso horário é o mesmo de Glasgow).


21 de outubro de 2017

A vez de Ivo Oliveira. Mais uma medalha para Portugal

(Fotografia: Roberto Bettini/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Ao perder uma final fica inevitavelmente uma sensação de derrota, mesmo que ela venha acompanhada por uma medalha de prata. Talvez seja por isso que tenha custado a Ivo Oliveira sorrir quando subiu ao pódio. Mas tem todas as razões para estar feliz. Esta foi uma medalha de prata ganha e não como compensação por não ter conseguido o ouro. Este foi um excelente resultado para um jovem de 21 anos, que ainda há três meses estava a competir nos Europeus de sub-23 e que agora está a conquistar medalhas na elite e com exibições ao nível dos melhores do mundo. Na sexta-feira Rui Oliveira conquistou a primeira medalha de sempre para Portugal numa competição de pista em elite com o bronze na prova de eliminação, agora o irmão gémeo ganhou a prata na perseguição.

O objectivo mínimo para Ivo Oliveira era disputar pelo menos o terceiro lugar nos Europeus de Berlim. O ciclista foi mesmo à final com o tempo de 4.14.570, um recorde nacional para esta prova de quatro quilómetros e o mais rápido das qualificações. Com a prata garantida, era normal sonhar mais alto. Ivo tentou, mas Filippo Ganna - italiano também de 21 anos, que representa a UAE Team Emirates - geriu melhor o esforço numa final de jovens talentos. Apesar do corredor de Gaia ter saído na frente, Ganna, campeão do mundo em 2016, manteve-se fiel à sua táctica de corrida, recuperando o tempo perdido e deixando Ivo Oliveira a cerca de três segundos.


Ivo Oliveira, Filippo Ganna e o alemão Domenic Weinstein
(Fotografia: Roberto Bettini/Federação Portuguesa de Ciclismo)
"Foi um dia excelente para Portugal. O Ivo fez a melhor corrida de sempre na qualificação, um desempenho fantástico, cumprindo o que ambicionávamos e que tínhamos como objectivo para a competição: a passagem à final. O resultado conseguido é um marco histórico para o ciclismo português, que nos deve orgulhar a todos", salientou o seleccionador nacional Gabriel Mendes, em declarações à Federação Portuguesa de Ciclismo.

A selecção portuguesa superou as expectativas com as duas medalhas. O seleccionador Gabriel Mendes está a tentar garantir um inédito apuramento olímpico nesta vertente e é uma possibilidade que parece cada vez mais provável de se tornar realidade. E há que ter em conta que faltam mais de dois anos para Tóquio2020, dois anos para evolução dos ciclistas com grande margem de progressão, com os gémeos Oliveira à cabeça, mas com mais a apresentarem potencial, casos de César Martingil e João Matias, os restantes eleitos para estarem nestes Europeus de Berlim.

Martingil esteve hoje na corrida por pontos, naquela que foi a sua estreia a este nível, mas não conseguiu terminar. Gabriel Mendes fala de falta de experiência: "O César tem valor e potencial, mas precisa de mais experiência para estar mais preparado para competições com este grau de exigência."

Portugal fecha esta brilhante participação nos Europeus com a participação no madison este domingo. Ivo Oliveira e João Matias serão os representantes.

»»Martingil previu e Rui Oliveira cumpriu««

»»Gémeos Oliveira estão a mudar o ciclismo de pista em Portugal««

20 de outubro de 2017

Martingil previu e Rui Oliveira cumpriu

(Fotografia: Roberto Bettini/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Aí está ela. A primeira medalha de Portugal em pista a nível de elite. Sem surpresa veio de um dos ciclistas que também já as havia conquistado como júnior e sub-23. Os gémeos Oliveira são desde já a referência e o grande exemplo de sucesso do trabalho feito nesta vertente de ciclismo no país e Rui entra para a história como o primeiro a conquistar uma medalha ao mais alto nível. Um bronze que sabe a ouro. Há que dizer directamente: parabéns Rui! E que seja apenas a primeira para o ciclista e para a selecção portuguesa, tanto nestes campeonatos, como para as próximas competições, com os Jogos Olímpicos no pensamento, inevitavelmente.

Este é mais um passo numa vertente tão esquecida em Portugal e que cada vez mais se torna numa modalidade de destaque. Rui Oliveira chegou a Berlim como campeão europeu de eliminação na categoria de sub-23, título conquistado em Anadia. Agora junta o bronze em elite. “Esta medalha tem um sabor igual ou ainda melhor do que a de ouro, em Julho. Passei um mau período, física e psicologicamente, mas as palavras de ânimo dos meus pais, familiares e amigos permitiram-me ir ganhando confiança e vontade de trabalhar. O resultado foi esta medalha de bronze. Isto é incrível", disse o ciclista de 21 anos, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Rui Oliveira refere-se a mais uma recuperação que teve de fazer, depois de uma queda na Volta a França do Futuro, corrida na qual estava a mostrar-se. Desta feita foi o braço, em 2016 tinha sido a perna... Rui tem sido acompanhado por algum azar, mas tende a reaparecer sempre forte, como quem retira sempre uma motivação extra dos percalços para evoluir mentalmente. Já é claramente uma característica sua: a capacidade de superação. Mesmo não estando no seu melhor, fez uma excelente exibição em Berlim. Sendo ainda tão jovem, esta força mental pode revelar-se determinante no futuro próximo.

Axel Merckx deverá estar bem contente com o seu ciclista, que levou este ano para a Axeon Hagens Berman com o objectivo de conseguir com que Rui - e o irmão Ivo - passe todo o seu talento da pista para a estrada. O ciclista já foi demonstrando que aos poucos vai começando a afirmar igualmente o seu ciclismo na estrada, mas claramente a pista é, para já, onde se vai destacando. Merckx bem disse que iria gerir a temporada com os gémeos de forma a que os dois continuassem na pista. O responsável sabe bem o partido a tirar destas qualidades e destes resultados dos dois portugueses.

Até onde podem Rui e Ivo chegar e uma das questões que muito se coloca. São muito jovens, têm muito a evoluir, mas é difícil não pensar que se está perante dois enormes talentos. Porém, há que deixá-los seguir o seu caminho e que bem estão entregues a Merckx para rumarem na direcção certa.

Ivo entra em acção este sábado. Vai tentar uma inédita final na prova de perseguição. A expectativa é grande e certamente que o resultado de Rui entusiasmou, e de que maneira, a selecção nacional. O apuramento começa às 14:00 e os quatro corredores mais rápidos passam para a fase seguinte, que começará pouco depois das 19:00. 

Também iremos ver César Martingil, que estará na corrida por pontos (17:00). O ciclista da LIberty Seguros-Carglass e que se prepara para assinar o seu primeiro contrato profissional, bem tinha avisado que haveria uma medalha nos Europeus. E porque não duas, ou mesmo três?! Vamos lá sonhar um pouco, mas principalmente lutar muito!

João Matias competiu esta sexta-feira no omnium. E muito lutou. Conseguiu ficar entre os 20 finalistas, mas na última prova das quatro, a corrida por pontos, o corredor da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack não conseguiu segurar o nono lugar, caindo para 13º. Ainda assim ficaram indicações positivas, tal como tinha acontecido nos Mundiais de Hong Kong, em Abril. A experiência que está a ganhar, tanto na pista como na estrada, está a levá-lo a tornar-se cada vez mais inteligente tacticamente. Ao tornar-se numa aposta mais regular do seleccionador Gabriel Mendes, João Matias também já é garantia de alguém com capacidade para disputar bons resultados, ficando a sensação que não tardarão a aparecer.

Perante o resultado de Rui Oliveira até se deixa para segundo plano o campeão europeu! O belga Gerben Thijssen bateu o russo Maksim Piskunov, que ficou com a medalha de prata. Já no omnium, o espanhol Albert Torres esteve brilhante na última corrida, revalidando o título por apenas dois pontos. A prata foi para o surpreendente júnior dinamarquês Julius Johansen e o bronze para o francês Benjamin Thomas.

»»Gémeos Oliveira estão a mudar o ciclismo de pista em Portugal««

»»Fim de época em Tavira onde César Martingil conquistou a última vitória antes de chegar à elite««

»»João Matias optou pelo risco e não compensou... Mas foi tão bonito de se ver!««

6 de agosto de 2017

Só a perspectiva de mudar de ares fez bem a Kristoff

A sua estadia na Katusha-Alpecin estava há vários meses com os dias contados. Alexander Kristoff passou ao lado das Clássicas da Primavera e da Volta a França os dois grandes objectivos do ano. Uma mudança de ares faz muitas vezes bem a alguns ciclistas e o norueguês parecia dar mostras de desejar ter uma, tal como a equipa. Porém, parece que não foi preciso mudar mesmo de ares, pois só a perspectiva de o fazer fez maravilhas ao ciclista. Em duas semanas venceu em Londres numa corrida do World Tour e agora é o novo campeão europeu, sucedendo a Peter Sagan. É certo que na Dinamarca não tiveram os principais sprinters, mas há que não retirar o mérito a um triunfo ao photofinish. A oportunidade estava lá. Se não tivesse ganho, dir-se-ia que nem assim conquista uma vitória, mas venceu e bateu um Elia Viviani que tinha toda uma selecção italiana a trabalhar só para ele (com Edvald Boasson Hagen, a Noruega tinha duas armas).

Kristoff está a um exame médico de assinar pela UAE Team Emirates. Vai ser colega de Rui Costa. Especulou-se um interesse da Astana, mas a equipa dos Emirados seduziu o noruguês que aos 30 anos procura reencontrar-se com as grandes vitórias que o tornaram num ciclista muito bem pago no pelotão. Mas a Milano-Sanremo (2014), a Volta a Flandres (2015) e as duas etapas no Tour (2014) parecem ter acontecido há tanto tempo... Kristoff foi-se apagando. Continua a ganhar e este ano soma oito, metade das conquistadas pela Katusha-Alpecin. O problema é não mostrar capacidade para se bater com os melhores e mesmo sem a concorrência destes, chegou a ser penoso ver como o norueguês não tinha as pernas necessárias para triunfar. Até o seu lançador acabou à sua frente numa etapa na Volta à Califórnia, por não conseguir ter a velocidade necessária para o ultrapassar.

Ganhar os Europeus não é razão para se achar que está de volta o grande Kristoff. Lá está, a concorrência não era assim tão forte. Porém, vestir uma camisola de campeão europeu pode muito bem ser aquele clique que o norueguês tanto procurava para recuperar uma confiança que anda pelas ruas da amargura, além de serem duas vitórias consecutivas, em duas semanas.

A vitória terá também o condão de mostrar à UAE Team Emirates que chegará à equipa com vontade de regressar às tais grandes vitórias. Mas claro da vontade à realidade vai um longo caminho. Kristoff tem os Mundiais como o próximo e último objectivo da temporada. Irá correr em casa. Será a oportunidade para mostrar se está de novo ao nível dos principais novos, se tem essa capacidade.

2018 será um ano muito importante para o ciclista. Se continuar a falhar quando defronta os grandes rivais, Kristoff (30 anos) poderá ver o seu crédito esgotar-se de vez.

Veja aqui os resultados da corrida de elite masculina nos Europeus.

Os portugueses

Tiago Machado foi o melhor representante nacional nos Europeus que se realizaram em Herning, na Dinamarca (241,2 quilómetros). Colega de Kristoff na Katusha-Alpecin, Machado foi 35º a 12 segundos do vencedor, depois de ter sido 11º no contra-relógio. José Mendes foi 69º, a 37 segundos, enquanto Rafael Reis abandonou. O vice-campeão nacional de contra-relógio foi 24º nesta especialidade.

Quanto a Ruben Guerreiro, apesar da expectativa de ver o campeão nacional de estrada mostrar-se nos Europeus, o ciclista continua a recuperar de uma gastroenterite que o obrigou a abandonar a Volta à Polónia e nem viajou para a Dinamarca.

Nos sub-23, Francisco Campos continuou com a sua excelente temporada. O campeão nacional do escalão foi o melhor português ao terminar na 14ª posição, enquanto Soraia Silva foi 21ª, a seis segundos da vencedora. No contra-relógio Gaspar Gonçalves terminou na 37ª posição, a 3:32 minutos. Em juniores, Pedro Teixeira foi o melhor no 38º lugar, entrando no grupo da frente e Maria Martins esteve excelente com o sétimo posto. No contra-relógio, Pedro Lopes fez o 38º tempo, a 3:36 minutos do vencedor.

De destacar Daniela Reis. A ciclista é a primeira portuguesa a chegar ao World Tour e já se vai notando, e bem, a evolução por estar constantemente ao lado das melhores do mundo. Daniela foi 22ª, a 15 segundos de Marianne Vos que discutiu a vitória com outras duas corredoras. Para Portugal é um excelente resultado no sector feminino, juntamente com o de Maria Martins. Vai sendo a prova que há potencial para também as senhoras mostrarem-se ao melhor nível.

Os campeões europeus

Elite estrada: Alexander Kristoff (Nor) e Marianne Vos (Hol)

Contra-relógio elite: Victor Campenaerts (Bel) e Ellen van Dijk (Hol)

Sub-23 estrada: Casper Pedersen e Pernille Mathiesen (Din)

Contra-relógio sub-23: Kasper Asgreen e Pernille Mathiesen (Din)

Juniores estrada: Michele Gazzoli (Ita) e Lorena Wiebes (Hol)

Contra-relógio juniores: Andreas Leknessund (Nor) e Elena Pirrone (Ita)

25 de julho de 2017

Misto de juventude e experiência para atacar os Europeus

Rafael Reis e Ruben Guerreiro, amigos que vão lutar pelo título europeu
Será o segundo ano em que os profissionais poderão competir nos Europeus, com Herning, na Dinamarca, a ser o palco da corridas entre 2 e 6 de Agosto. Há um ano Peter Sagan coleccionou mais uma camisola, que acabou por nunca ser vista na estrada, pois era campeão do mundo quando ganhou e renovou o título em Outubro. Jonathan Castroviejo venceu no contra-relógio e essa camisola até a vimos na Volta ao Algarve. Quem serão os próximos campeões europeus? Portugal aposta num misto de juventude e experiência para enfrentar as habituais potências do ciclismo: Ruben Guerreiro, Rafael Reis, José Mendes e Tiago Machado.

Este ano serão apenas quatro os que formarão a equipa na competição de elite, como José Mendes (Bora-Hansgrohe) e Tiago Machado (Katusha-Alpecin) a repetirem a chamada, ainda que o primeiro tenha acabo por não competir devido a problemas físicos. Em 2016, a táctica assumida foi de apoio a Rui Costa, que terminou na sexta posição. Este ano e dado ser uma equipa mais curta, as características dos ciclistas beneficiam a procura de uma fuga ou de ataques nos quilómetros finais, por exemplo. Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) sagrou-se recentemente campeão nacional de fundo, enquanto Rafael Reis (Caja Rural) foi vice-campeão de contra-relógio, perdendo para Domingos Gonçalves, que no dia 4 começa a Volta a Portugal com a Rádio Popular-Boavista.

Sem surpresa, Rafael Reis irá estar tanto no esforço individual como na prova de fundo, tal como Tiago Machado. Rafael Reis é um especialista nesta vertente e na Volta a Portugal de 2016 venceu o prólogo e vestiu a camisola amarela. O percurso do contra-relógio é essencialmente plano (46 quilómetros), tal como o escolhido para a prova de fundo (241,2). Será percorrido em circuito para assim potenciar a visibilidade de quem quiser assistir in loco à corrida.

Bikey, a mascote dos Europeus
Perante estas características e o número reduzido de ciclistas da equipa portuguesa, percebe-se ainda melhor a escolha de José Poeira. Tiago Machado (31 anos) é exímio neste tipo de ataques. Na Katusha-Alpecin as suas funções mudaram, sendo agora um excelente gregário, mas as qualidades do homem de ataque que é não se perderam. Certamente que o ciclista estará desejoso de as mostrar, depois de um Tour muito positivo, ainda que no trabalho para Alexander Kristoff. José Mendes (32) gosta mais de percursos com algumas inclinações, ainda assim a sua experiência poderá ser importante, pois também sabe integrar bem potenciais fugas.

Rafael Reis (25) e Ruben Guerreiro (23) são ciclistas que se adaptam facilmente a este tipo de corridas. Ambos começaram bem a temporada nas novas equipas, mas o primeiro fracturou o pulso e o segundo teve um problema dentário. As paragens forçadas quebraram a subida de forma dos dois, contudo, estão novamente a atingir bons picos de intensidade física.

O percurso dos Europeus não assentaria a Rui Costa, por exemplo, mas Nelson Oliveira falhará a presença no contra-relógio porque nesse dia (3) estará na Volta à Polónia com a Movistar, a preparar a Volta a Espanha, corrida para a qual espera ser convocado. Em 2016, Nelson Oliveira falhou o pódio por 17 segundos.

A comitiva portuguesa não se fica por estes quatro ciclistas. Serão 16 ao todo que irão competir também nos sub-23, juniores e no sector feminino.

Sub-23: André Carvalho (Cipollini Iseo Serrature Rime), César Martingil (Liberty Seguros/Carglass), Francisco Campos (Miranda/Mortágua), Gaspar Gonçalves (LIberty Seguros/Carglass) e João Almeida (Unieuro Trevigiani-Hemus 1896). Só Gaspar Gonçalves participará também no contra-relógio.

Juniores: João Dinis (RP-Boavista), Pedro Miguel Lopes (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact) Pedro José Lopes (Alcobaça CC/Crédito Agrícola) e Pedro Teixeira (Maia). Os últimos dois estão inscritos para a corrida de fundo e contra-relógio.

Gabriel Mendes é o responsável no sector feminino, que só irá competir nas provas de fundo. As eleitas são a elite Daniela Reis (Lares-Waowdeals), a sub-23 Soraia Silva (Bairrada) e a júnior Maria Martins (Bairrada),que na semana passada foi vice-campeã da Europa do seu escalão na prova de eliminação dos Europeus de pista que se realizariam em Anadia.

Em baixo fica o calendário das corridas em que irão participar os ciclistas portugueses (fuso horário de Portugal Continental):
  • 2 de Agosto, 11:45 Contra-relógio Juniores Masculinos, 31,5 km 
  • 3 de Agosto, 11:15 Contra-relógio Sub-23 Masculinos, 31,5 km 
  • 3 de Agosto, 14:00 Contra-relógio Elite Masculina, 46 km 
  • 4 de Agosto, 8:00 Prova de Fundo Juniores Femininas, 60,3 km 
  • 4 de Agosto, 11:00 Prova de Fundo Sub-23 Femininas, 100,5 km 
  • 4 de Agosto, 15:00 Prova de Fundo Juniores Masculinos, 120,6 km 
  • 5 de Agosto, 8:00 Prova de Fundo Sub-23 Masculinos, 160,8 km 
  • 5 de Agosto, 13:00 Prova de Fundo Elite Feminina, 120,6 km 
  • 6 de Agosto, 10:00 Prova de Fundo Elite Masculina, 241,2 km


18 de julho de 2017

Gémeos Oliveira estão a mudar o ciclismo de pista em Portugal

Prata para Ivo, ouro para Rui no primeiro dia dos Europeus de Pista
(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Somos um país com tradição no ciclismo e com o ciclismo como tradição. Nunca vencemos a Volta a França, Itália ou Espanha, nem um dos chamados monumentos. Já temos um campeão do mundo e antes disso vimos os nossos ciclistas vencerem etapas míticas nas grandes voltas, até foram líderes. Até temos uma medalha olímpica (prata). Na estrada há muito que nos habituámos a somar vitórias. Não são frequentes, mas sempre que acontecem são especiais. E temos a certeza que elas vão continuar a acontecer. Perspectiva diferente quando se olha para a pista. Apesar de alguns grandes nomes até começarem a sua formação por ali, em Portugal a pista esteve sempre em segundo plano, para não dizer esquecida.

A construção do velódromo de Sangalhos começou a mudar esta vertente do ciclismo. Houve uma aposta forte, começando pelas bases. Hoje temos temos ciclistas que tem como objectivo tentar conciliar a carreira na estrada com as competições de pista. Hoje temos campeões da Europa e do Mundo nas camadas jovens, com a evolução a demonstrar que os talentos estão aí para quando chegarem a seniores. A pista começa a fazer sonhar com títulos. Os gémeos Oliveira são neste momento o grande exemplo de sucesso e claro, começa-se a olhar para Tóquio2020 com alguma esperança. Não se pedem medalhas olímpicas, mas já demos um passo importante, podemos esperar ver portugueses a entrar em mais uma modalidade olímpica e com potencial para fazer muito boa figura.

Esta terça-feira Rui Oliveira conquistou o título de campeão europeu de eliminação, na categoria de sub-23. Os campeonatos estão a realizar-se até domingo em Anadia, no velódromo que proporcionou o crescimento desta vertente. Foi um prémio para todos aqueles que apostaram na pista. Os anos de trabalho estão a ser cada vez mais recompensados Pouco depois de Rui, foi a vez do irmão tentar vitória idêntica, mas na perseguição individual. Ainda não foi desta no escalão de sub-23 depois dos títulos europeu e mundial em juniores. Repetiu o segundo lugar do ano passado, mas com um certo sabor a vitória. Há um mês Ivo Oliveira sofreu uma queda e teve duas fracturas no braço direito. Escusado será dizer como isso limitou a preparação do ciclista da Axeon Hagens Berman. Ainda assim, lá esteve ele na final. Os gémeos Oliveira estão de parabéns. Em poucos anos o interesse pela pista cresceu. Não tem as audiências de uma grande corrida de estrada, mas quando se tem ciclistas a vencerem é inevitável que o interesse surja.

Não vamos centrar tudo nos gémeos. João Matias, por exemplo, ainda recentemente esteve muito bem nos Mundiais. Daqueles que estão nestes Europeus para os mais jovens, César Martingil também se dá bem com a pista e Miguel do Rego é cada vez mais uma aposta. E não é apenas no sector masculino que o crescimento é visível. Maria Martins já foi vice-campeã de scratch em 2016 e este ano esteve novamente da luta. Falhou o pódio, mas deu luta e cumpriu o primeiro objectivo delineado de ficar no primeiro terço da classificação. O seleccionador Gabriel Mendes tem mantido um discurso sóbrio. Um objectivo de cada vez, mas sempre com os Jogos Olímpicos e com o crescimento desta modalidade em Portugal na mira

Todos estes ciclistas estão a fazer também a sua evolução na estrada e os gémeos Oliveira estão mesmo naquela que é considerada por muitos a melhor equipa de formação do mundo: a Axeon Hagens Berman de Axel Merckx.

Os Europeus de Pista de sub-23 e juniores começaram da melhor maneira com o título de Rui Oliveira e a prata de Ivo. Até domingo haverá ainda muito para ver e lá está, com estes resultados ficamos à espera de mais. Se acontecerem, excelente. Se não acontecerem, agora ficamos sempre à espera dos próximos campeonatos com expectativa. O ciclismo de pista pode e deve entrar nos pontos de interesse do desporto em Portugal.

Caso não possa estar presente no velódromo, é possível assistir aos Europeus de pista nestes linksFederação Portuguesa de Ciclismosite oficial dos campeonatos e no canal de YouTube da federação (é só carregar nos links para ir para as páginas).

Calendário dos portugueses (informação sujeita a ajustes diários):

19 de Julho 
15:50: 1 km contra-relógio Juniores Masculinos - Francisco Duarte e Wilson Esperança 
18:30: Scratch Sub-23 Femininas - Soraia Silva 
18:45: Scratch Sub-23 Masculinos - César Martingil 
19:15: Eliminação Juniores Femininas - Maria Martins 
19:35: Eliminação Juniores Masculinos - João Dinis 

20 de Julho 
10:20: Perseguição Individual Juniores Masculinos - Francisco Moreira e Wilson Esperança 
17:50: 1 km contra-relógio Sub-23 Masculinos - Rui Oliveira e Miguel do Rego 

21 de Julho 
10:00/10:55/15:30/19:30: Omnium Juniores Femininas - Maria Martins 
10:15/11:20/15:45/20:00: Omnium Juniores Masculinos - João Dinis 
17:00: Corrida por Pontos Sub-23 Femininas - Soraia Silva 
17:40: Corrida por Pontos Sub-23 Masculinos - Miguel do Rego 

22 de Julho 
9:30/10:30/16:00/19:30: Omnium Sub-23 Femininas - Soraia Silva 
9:50/10:45/16:20/20:00: Omnium Sub-23 Masculinos - Rui Oliveira 
17:10: Corrida por Pontos Juniores Femininas - Maria Martins 
17:50: Corrida por Pontos Juniores Masculinos - José Sousa 

23 de Julho 

15:30: Madison Sub-23 Masculinos - Rui Oliveira e Miguel do Rego

»»11 jovens ciclistas portugueses atacam Europeus de Pista em Anadia««


17 de julho de 2017

11 jovens ciclistas portugueses atacam Europeus de Pista em Anadia

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A partir desta terça-feira Anadia torna-se o centro das futuras estrelas de ciclismo, com os Campeonatos Europeus de Pista de sub-23 e juniores a realizarem-se até domingo no velódromo de Sangalhos. Elia Viviani, Bryan Coquard e Owain Doull são algumas das mais recentes figuras que se mostraram pela primeira vez numa competição como esta. Portugal estará representado por 11 ciclistas, com inevitável destaque para os gémeos Oliveira, os primeiros a conquistarem medalhas internacionais nesta vertente do ciclismo. Mas a atenção não se centrará apenas em Ivo e Rui, com expectativas de bons resultados e que os mais jovens comecem a ganhar experiência a pensar no futuro próximo.

César Martingil (Liberty Seguros/Carglass), Miguel do Rego (Team Peltrax-CS Dammarie-lès-Lys), Ivo Oliveira e Rui Oliveira (Axeon Hagens Berman) e Soraia Silva (Bairrada) foram os escolhidos pelo seleccionador Gabriel Mendes da categoria de sub-23, enquanto nos juniores, Portugal contará com Francisco Duarte e Wilson Esperança (Sicasal/Liberty Seguros/Bombarralense), Francisco Moreira (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact), João Dinis (RP-Boavista), José Sousa (Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel) e Maria Martins (Bairrada).

Logo a abrir os campeonatos, a selecção portuguesa terá como recente recordação o segundo lugar de Ivo Oliveira na perseguição individual e a mesma posição de Maria Martins no scratch, conquistados há um ano. Gabriel Mendes falou sobre os planos definidos para os Europeus: "Como é natural, os objectivos são mais ambiciosos para os atletas com experiência, como os gémeos Oliveira e o César Martingil, em sub-23, e a Maria Martins e o João Dinis, em juniores. Neste caso, um lugar no primeiro terço da classificação será um desempenho muito bom, e um lugar no segundo terço será bom."

Com a viagem a ser feita apenas até Anadia, ou seja, competir em casa, permitiu que a equipa portuguesa fosse maior, a pensar em proporcionar uma experiência a outros ciclistas com potencial. "Tanto o Miguel do Rego como os juniores que se estreiam estão neste patamar evolutivo. Pretende-se que adquiram experiência e consigam desenvolver-se ao nível técnico e táctico. A Soraia Silva já correu em juniores, mas irá estrear-se em sub-23. O grau de exigência é muito mais alto, pelo que tentar rodar na volta da vencedora é uma meta realista para este ano, pensando já no futuro", explicou o seleccionador, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Gabriel Mendes quer os seus ciclistas a pontuar o máximo possível para a qualificação para a Taça do Mundo 2017/2018, sempre com os Jogos Olímpicos de Tóquio no horizonte.

Apesar de ser a grande referência ao lado do irmão, Ivo Oliveira não sabe como irá apresentar-se em Anadia. O ciclista da Axeon Hagens Berman caiu durante o Giro de sub-23 a 14 de Julho e fracturou o braço. "Uma semana após a queda comecei o meu trabalho nos rolos, embora com limitações. Tenho aumentado progressivamente a carga dos treinos, sinto-me com vontade de correr, mas só o corpo o dirá. Não consigo pensar nisso [resultados], visto que a minha preparação é completamente diferente dos outros anos, mas darei o meu melhor, como sempre faço", assegurou Ivo Oliveira.

No velódromo de Sangalhos estarão mais de 300 atletas oriundos de 25 países. Todas as finais e algumas provas de qualificação serão transmitidas em directo na internet nos seguintes sites: Federação Portuguesa de Ciclismo, site oficial dos campeonatos e no canal de YouTube da federação (é só carregar nos links para ir para as páginas).

Para quem quiser assistir ao vivo, os filiados na Federação Portuguesa de Ciclismo e todos os residentes no concelho de Anadia têm entrada gratuita. Os bilhetes diários custam dez euros.

Calendário dos portugueses (informação sujeita a ajustes diários):

18 de Julho 
10:50: Perseguição Individual Sub-23 - Ivo Oliveira e Miguel do Rego 
17:00: Eliminação Sub-23 Femininas - Soraia Silva 
17:30: Eliminação Sub-23 Masculinos - Rui Oliveira 
18:10: Final de Perseguição Individual Sub-23 (em caso de apuramento) – Ivo Oliveira e Miguel do Rego 
18:20: Scratch Juniores Femininas - Maria Martins 
18:40: Scratch Juniores Masculinos - Francisco Duarte 

19 de Julho 
15:50: 1 km contra-relógio Juniores Masculinos - Francisco Duarte e Wilson Esperança 
18:30: Scratch Sub-23 Femininas - Soraia Silva 
18:45: Scratch Sub-23 Masculinos - César Martingil 
19:15: Eliminação Juniores Femininas - Maria Martins 
19:35: Eliminação Juniores Masculinos - João Dinis 

20 de Julho 
10:20: Perseguição Individual Juniores Masculinos - Francisco Moreira e Wilson Esperança 
17:50: 1 km contra-relógio Sub-23 Masculinos - Rui Oliveira e Miguel do Rego 

21 de Julho 
10:00/10:55/15:30/19:30: Omnium Juniores Femininas - Maria Martins 
10:15/11:20/15:45/20:00: Omnium Juniores Masculinos - João Dinis 
17:00: Corrida por Pontos Sub-23 Femininas - Soraia Silva 
17:40: Corrida por Pontos Sub-23 Masculinos - Miguel do Rego 

22 de Julho 
9:30/10:30/16:00/19:30: Omnium Sub-23 Femininas - Soraia Silva 
9:50/10:45/16:20/20:00: Omnium Sub-23 Masculinos - Rui Oliveira 
17:10: Corrida por Pontos Juniores Femininas - Maria Martins 
17:50: Corrida por Pontos Juniores Masculinos - José Sousa 

23 de Julho 
15:30: Madison Sub-23 Masculinos - Rui Oliveira e Miguel do Rego 

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18 de setembro de 2016

As camisolas de Peter Sagan, "o melhor desta geração"

Durante a Volta a França, quando Peter Sagan vestiu pela primeira vez na sua carreira a camisola amarela, questionaram-lhe se lutaria por mantê-la quando chegassem etapas mais montanhosas. Sagan teve uma resposta... à Sagan: "Se não vestir a amarela, tenho a verde [classificação por pontos], se não vestir a verde tenho a de campeão do mundo." Naquela altura já tinha "cedido" o título de campeão nacional ao seu irmão Juraj. No entanto, tem agora mais uma "camada": a primeira camisola de um campeão da Europa da categoria de elite. Em Plumelec, o eslovaco escreveu mais uma página de uma história que o consagra cada vez como um dos melhores. E tem apenas 26 anos. Perante mais este triunfo, Julian Alaphilippe (segundo classificado) não teve problemas em dizer que se está perante o melhor ciclista da sua geração.

Sagan levou uma mão à cabeça ao cortar a meta depois de um sprint - a forma como queria que esta corrida se decidisse - em que basicamente todos, ciclistas, adeptos presentes, telespectadores, sabiam que seria o eslovaco a ganhar sem grandes problemas. Mas não deveria ser bem por estar surpreendido com esta vitória que fez aquele gesto. Talvez esteja a ficar sem formas de celebrar depois de um 2016 repleto de triunfos importantes, envergando a camisola de campeão do mundo... A famosa maldição da camisola arco-íris está mais do que "quebrada"!

A mudança de Nice para Plumelec, devido aos atentados de terroristas de 14 de Julho, motivou Sagan a perseguir os Europeus. O próprio confessou após a corrida que no percurso de Nice não teria competido, mas o de Plumelec era à sua medida. O eslovaco destacou ainda que ter uma equipa de seis foi também determinante, ainda que quando o italiano Moreno Moser ameaçou surpreender o grupo, foi Sagan quem foi à frente dar o exemplo e acelerar um pouco a perseguição. A atitude deste ciclista é simplesmente de alguém a caminho de se tornar uma voz de referência no pelotão internacional, abandonando aos poucos a imagem do rapaz irreverente, com os animados festejos (e que nem sempre agradavam os adversários). É capaz de nunca perder a sua irreverência, mas vai amadurecendo como ciclista e como ser humano.

Em 2016 são 11 vitórias, que incluem três etapas na Volta a França e o seu primeiro monumento, a Volta a Flandres. A estes resultados juntam-se ainda as conquistas das classificações por pontos da Volta a França, Volta à Califórnia e Tirreno-Adriatico. Sendo também conhecido pelo homem dos segundos lugares, soma 10 este ano, mais o segundo posto na classificação por pontos da Volta à Suíça e na geral do Tirreno-Adriatico.

No entanto, a época ainda não acabou para Peter Sagan. Um dos grandes objectivos é terminar o ano em primeiro no ranking World Tour, o que seria uma estreia para o eslovaco. Nairo Quintana ultrapassou-o após a Volta a Espanha e Sagan vai apanhar um avião a jacto para nesta segunda-feira estar na partida do Eneco Tour, última prova por etapas do World Tour. Seguem-se os Mundiais em Outubro, mas não sendo um sprinter puro, o eslovaco sabe que será difícil manter a camisola do arco-íris no Qatar, mas certamente que o vamos ver dar tudo para tentar.

Alaphilippe, o respeito e o talento

Julian Alaphilippe sabe bem o que é ser segundo atrás de Peter Sagan: aquela vitória na geral na Volta à Califórina em 2015, quando um super eslovaco tirou ao francês a camisola da liderança na última etapa dificilmente será esquecida. Em Plumelec, não foi preciso um super Sagan no sprint, mas mesmo sabendo da desvantagem, Alaphilippe foi à luta e subiu ao pódio nos Europeus do seu país. O francês não escondeu alguma desilusão, no entanto, ciente da qualidade do adversário, não hesitou em dizer: "É o melhor da nossa geração."

Um sinal de respeito que também revela o outro lado de um ciclista que se vai tornando um caso sério de talento por "explodir". Este ano lá conseguiu levar a Volta à Califórnia, esteve a bom nível na Volta a França e ainda demonstrou que se dá bem em algumas clássicas. Aos 24 anos, a Etixx-QuickStep tem um atleta que a qualquer momento poderá então "explodir", tendo todas as características para rapidamente se colocar como uma das referências do ciclismo gaulês.

A completar o pódio esteve um homem de experiência. Dani Moreno (35 anos) foi terceiro, o que permitiu à Espanha ter mais uma medalha, depois de Jonathan Castroviejo ter sido campeão da Europa de contra-relógio.


(Fotografia: Facebook Federação Portuguesa de Ciclismo)
Rui Costa e uma excelente ajuda dos companheiros

Quanto a Rui Costa, o português esteve na luta, mas ao sprint, não teve hipótese. O ciclista já tinha avisado que o circuito favorecia homens mais rápidos, ainda assim, a equipa portuguesa teve uma exibição brilhante, principalmente Sérgio Paulinho e Tiago Machado, que muito trabalharam para garantir que Rui Costa pudesse discutir a corrida. Depois, o campeão do mundo de 2013 fez o resto. Foi inteligente na colocação nos últimos quilómetros, mas o português não tem ponta final para fazer frente a um ciclista como Peter Sagan.

Sérgio Paulinho foi 33º a 57 segundos, Tiago Machado 59º, André Cardoso 62º e José Gonçalves 68º, os três a 3:43 minutos do vencedor. De recordar que José Mendes não competiu devido a problemas físicos.

Ainda assim, o saldo da participação portuguesa nestes Europeus é muito positivo. Ao sexto lugar de Rui Costa junta-se o quarto de Nelson Oliveira no contra-relógio (depois dos top dez nos Jogos Olímpicos, os dois continuam a somar bons resultados ao serviço da selecção). Daniela Reis acabou por ter azar, mas a sua determinação foi um exemplo. Quanto aos sub-23 e juniores ficou a garantia que há trabalho a fazer, mas Portugal tem mais uma geração prometedora a surgir.

Veja aqui os resultados completos da primeira prova masculina de elite dos Campeonatos Europeus.

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17 de setembro de 2016

Daniela Reis terminou os Europeus com ida ao hospital

(Fotografia: Facebook Federação Portuguesa de Ciclismo)
A estreia de Daniela Reis na elite dos Campeonatos da Europa foi acidentada. A campeã nacional de fundo e de contra-relógio caiu logo na primeira das oito voltas e apesar de ficar um pouco mal-tratada - segundo a própria outras ciclistas caíram por cima dela - Daniela Reis optou por continuar na competição e conseguiu terminar. Porém, acabou por ser transportada para o hospital ao queixar-se de dores na bacia. Nos sub-23, o quarteto nacional não conseguiu alcançar o desejado top 15 pelo seleccionador, mas José Poeira ficou, ainda assim, satisfeito com o trabalho feito.

A dedicação de Daniela Reis resultou num 83º lugar, a 10:27 segundos da vencedora Anna van der Breggen. A ciclista explicou no seu Facebook que não conseguiu evitar a corredora que caiu à sua frente. "Com cerca de 10km de corrida seguia bem colocadinha, quando uma moça caiu à minha frente e não tive hipótese de reagir, caí e levei com umas quantas em cima... é difícil decidir entre desistir ou continuar cheia de dores quando tens vestida a camisola do teu país", escreveu. Daniela Reis decidiu completar os 109,6 quilómetros, mas não escondeu a desilusão pelo resultado. Garantiu ainda que não tem nada partido... mas das dores não se livrou.

Quanto a Anna van der Breggen, juntou o título europeu à medalha de ouro olímpica conquistada no Rio de Janeiro (foi também segunda no contra-relógio na quinta-feira). A holandesa terminou o percurso de Plumelec, em França, 2:55:55 horas. No pódio ficaram ainda Katarzyna Niewiadoma (Polónia) e Elisa Longo Borghini (Itália).

Nos sub-23, Nuno Bico foi o melhor classificado ao ficar na 29ª posição, a seis segundos do vencedor. André Carvalho foi a 40º a 20 segundos, Luís Gomes 46º a 30 segundos e Ivo Oliveira 60º a 1:05 minutos.

"Pensei que a corrida se tornasse mais dura. Vendo que o grupo estava grande, a meio da prova, ainda tentei fazer alguma selecção, mas o vento de frente não permitia grandes aventuras sozinho. Preferia que chegasse um grupo mais pequeno, mas, não sendo como queria, restou-me sprintar o melhor que pude", explicou Nuno Bico, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

José Poeira referiu o que falta ainda alcançar com estes jovens ciclistas: "Os nossos corredores já conseguem fazer bem uma parte, que é acompanhar os melhores durante toda a corrida. Falta, no entanto, a ponta final necessária para discutir as primeiras posições."

Aliaksandr Riabushenko (Bielorrússia) sagrou-se campeão da Europa, batendo ao sprint Bjorg Lambrecht (Bélgica) e Andrea Vendrame (Itália).

(Fotografia: Facebook Federação Portuguesa de Ciclismo)
Este domingo os Europeus em Plumelec terminam com a corrida de elite masculina. A selecção portuguesa parte com ambição, apesar de competir com menos um ciclista depois de José Mendes ter anunciado que não iria participar devido a problemas físicos. Rui Costa, André Cardoso, Sérgio Paulinho, Tiago Machado e José Gonçalves (quinteto da fotografia à direita) irão enfrentar a competição de 232,9 quilómetros, que terá como grande nome o campeão do mundo Peter Sagan. “Estou em boa condição, como se viu no Canadá. No entanto, sinto que o percurso favorece ciclistas mais rápidos, mas com o desenrolar da prova veremos de que forma será possível contornar as dificuldades para obter um bom resultado para Portugal”, afirmou Rui Costa.

A selecção italiana e a belga partem como as mais fortes, com Fabio Aru e Philippe Gilbert como candidatos. Julian Alaphilippe (França) e Mathias Frank (Suíça) são também candidatos a estar na luta pelo primeiro título europeu de elite. A lista de inscritos pode ser conferida neste link. A prova pode ser acompanhada no Eurosport a partir das 13:30.

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16 de setembro de 2016

José Mendes fora dos Europeus, mas deu uma boa notícia quanto ao seu futuro


Confirmou-se a pior das expectativas quanto à participação de José Mendes nos Campeonatos Europeus. O campeão nacional foi convocado para competir na prova de fundo, que se realiza no domingo, mas após terminar a Volta a Espanha, o ciclista queixou-se de dores esquelético-musculares. Foi o próprio que anunciou a sua ausência na prova em Plumelec através das redes sociais. A lista oficial de participantes para a primeira competição de elite nos Europeus será confirmada amanhã, sendo que Portugal tem neste momento convocados Rui Costa, Tiago Machado, André Cardoso, José Gonçalves e Sérgio Paulinho, podendo ter uma equipa de seis elementos.

Porém, a uma má notícia seguiu-se uma excelente, tanto para José Mendes, como para o ciclismo nacional: mais um português irá estar no World Tour. O ciclista confirmou que vai continuar na Bora-Argon 18, que em 2017 se chamará Bora-Hansgrohe e é uma forte candidata a obter uma das 17 licenças para o principal escalão, pois já garantiu a contratação de ciclistas como Peter Sagan e Rafal Majka. Aos 31 anos José Mendes irá estrear-se no principal escalão, tal como José Gonçalves (contratado pela Katusha) e Ruben Guerreiro (representará a Trek-Segafredo).

Uma renovação de contrato merecida para José Mendes, que tem sido um dos homens de confiança da estrutura alemã desde que chegou em 2013 à então denominada NetApp Endura. Este ano teve uma segunda metade de temporada muito positiva, com destaque para a conquista do título nacional de estrada, depois de ter sido segundo no contra-relógio. Antes tinha sido sétimo na geral na Volta à Eslovénia e a equipa deu um primeiro sinal de querer manter o português na formação ao dar-lhe o dorsal número um na Volta a Espanha.




Daniel Viegas foi o melhor dos juniores

Esta sexta-feira realizaram-se as provas de fundo de juniores. No sector masculino Daniel Viegas conseguiu aguentar o ritmo do grupo principal, descolando apenas na derradeira subida, dos 123,3 quilómetros da prova em Plumelec, França. “Esforcei-me para me manter no grupo principal, que se foi partindo. Dei sempre tudo para ‘colar’ aos da frente quando perdia terreno. Consegui entrar na última subida no primeiro pelotão, mas já não consegui ir ao choque. Meti o meu passo. Acabei por pagar o esforço de lutar para me manter junto dos primeiros ao longo de toda a prova”, explicou o jovem ciclista, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Daniel Viegas foi 34º a 10 segundos do vencedor, o francês Nicolas Malle.
Quanto aos restantes ciclistas portugueses, Pedro Teixeira foi 82º e João Almeida 83º, ambos a 3:11 minutos de Malle, enquanto Pedro Lopes finalizou em 106º, a 7:55. Emilien Jeanniere (França) e Tadej Pogacar (Eslovénia) completaram o pódio.

No sector feminino, Soraia Silva foi 64ª a 6:04 minutos da campeã da Europa, a alemã Liane Lippert. "Gostei muito desta experiência, que me deu um 'empeno' muito grande, sinal de que me esforcei. Agora há que continuar a treinar para evoluir no futuro", referiu a ciclista. Elisa Balsamo (Itália) e Sophie Wright (Grã-Bretanha) terminaram em segundo e terceiro, respectivamente, a quatro segundos da vencedora.
Este sábado é a vez dos sub-23 e da elite feminina decidir os campeões. Portugal não terá representação nos sub-23 femininos, mas nos masculinos Ivo Oliveira, Nuno Bico, André Carvalho e Luís Gomes partem para a prova de 150,7 quilómetros logo às 7:45 (hora portuguesa). O seleccionador, José Poeira, espera que perante a experiência dos ciclistas neste tipo de competição, seja possível alcançar um top 15.

Depois de dois anos a competir nos Europeus de sub-23, Daniela Reis estará entre a elite, nos 109,6 quilómetros do percurso (oito voltas). A ciclista portuguesa conhece bem o local, já que há dois anos que representa uma equipa francesa. “Conheço bem a subida final. Já lá sofri muito, mas também já lá passei bem. É a minha primeira vez num Europeu de elite e, por isso, sei que vou encontrar um nível muito mais elevado do que nas edições em que participei. Só posso prometer uma coisa: dar o meu melhor”, salientou em declarações à Federação Portuguesa de Ciclismo. A prova começa às 12:45.

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15 de setembro de 2016

17 segundos separaram Nelson Oliveira do pódio nos Europeus

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
O dia era histórico para o ciclismo europeu. Pela primeira vez a elite foi integrada nos Campeonatos Europeus pelo que os contra-relogistas lutavam por se tornarem os primeiros campeões. Nelson Oliveira era um dos candidatos, ainda que Jonathan Castroviejo fosse o principal favorito. O espanhol não desiludiu, mas o português ficou perto de um merecido prémio, mas na última parte do percurso acabou por perder algum tempo e deixou escapar uma presença no pódio. A holandesa Ellen van Dijk foi a vencedora nas senhoras.

“Queria, pelo menos, um lugar no pódio, mas não foi possível. Dei o máximo, mas sinto que quebrei na fase final e foi aí que perdi as opções de chegar às medalhas", explicou Nelson Oliveira, citado no site da Federação Portuguesa de Ciclismo. O ciclista português teve o segundo melhor tempo no segundo ponto intermédio, mas não conseguiu manter o bom ritmo até final.

Ficar à porta do pódio acabou por ser um resultado frustrante perante a ambição do quatro vezes campeão nacional de contra-relógio. "Ficar em quarto lugar provoca sempre um sentimento de maior frustração. Talvez o desgaste da viagem desde o Canadá tenha passado factura. Resta-me felicitar o meu companheiro de equipa Jonathan Castroviejo pela vitória", salientou, referindo-se ao facto de na sexta-feira e no domingo ter competido nas duas clássicas do Canadá, Quebéque e Montreal.

Ainda assim, o resultado permite continuar a consagrar Nelson Oliveira entre os melhores contra-relogistas, depois do sétimo lugar nos Jogos Olímpicos e do terceiro no esforço individual na Volta a França. E o português tem ainda de preparar a participação nos Mundiais, em Outubro.

A Movistar também ficou satisfeita por ver os seus dois ciclistas comportarem-se novamente tão bem num contra-relógio. Castroviejo tinha apenas o receio de não ter tempo para recuperar depois da presença na Volta a Espanha, mas o espanhol geriu muito bem o esforço e acabou por ser um claro campeão, terminando os 45,5 quilómetros do percurso em Plumelec, França, em 58,13 minutos, com uma média de 46, 894 quilómetros/hora. O pódio acabou por ter duas surpresas: o belga Victor Campenaerts ficou a 30 segundos de Castroviejo e o italiano Moreno Moser a 39 segundos.

Nelson Oliveira fez 59,09 minutos, ficando a 56 segundos de Castroviejo, mas apenas 17 o separaram do terceiro lugar.

Nas senhoras, Ellen van Dijk completou os 24,4 quilómetros em 36,41 minutos. No segundo lugar ficou compatriota Anna van der Breggen - campeão olímpica de fundo - a 18 segundos e em terceiro a russa Olga Zabelinskaya, a 23 segundos.

Hoje realizou-se ainda a prova feminina de sub-23, com a russa Anastasiia Iakovenko a sagrar-se campeã europeia com o tempo 39,36 minutos. Kseniya Tuhai (Bielorrússia), a 10 segundos, e Lisa Klein (Alemanha), a 12, completaram o pódio.

Para esta sexta-feira estão agendadas as provas de fundo de juniores masculina e feminina. Soraia Silva será a primeira a entrar em acção para cumprir os 69,5 quilómetros (8:00, hora portuguesa). Seguem-se Daniel Viegas, João Almeida, Pedro Lopes e Pedro Teixeira, que partem às 12:30 para os 125,1 quilómetros do percurso de Plumelec.

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